Plano cartesiano

Guia de estudo · Revisado em 04/10/2026

BNCC · EM13MAT105

A prova do PAS 3 de 2012 pôs um campo de futebol num sistema de eixos com a linha do gol sobre o eixo y, parou uma bola de 22 cm de diâmetro com o centro em (−3/25 m, 0 m) e perguntou se o juiz devia confirmar o gol; a de 2023 marcou quatro pontos sobre uma tela de Lasar Segall e afirmou que o quadrilátero tinha 36 unidades de área; a de 2015 deu os quatro vértices de um terreno e pediu a reta pelos pontos médios de dois lados. Em nenhum dos três há fórmula nova: há um par de números por ponto. Como transformar uma posição em dois números e, a partir deles, calcular tudo o que o desenho só sugere?

O que você vai aprender

  • Localizar um ponto por um par ordenado, distinguir abscissa de ordenada, ler os sinais das coordenadas para nomear o quadrante e reconhecer que pontos sobre os eixos não pertencem a quadrante nenhum.
  • Ler e marcar pontos em malhas, mapas e plantas com escala, respeitando a unidade de cada eixo, e converter medidas (centímetros de uma bola, quilômetros de um mapa) antes de comparar com uma coordenada.
  • Calcular o ponto médio de um segmento como a média das duas coordenadas, recuperar um extremo a partir do ponto médio e do outro extremo, e localizar o baricentro de um triângulo como a média dos três vértices.
  • Calcular a distância entre dois pontos pelo teorema de Pitágoras aplicado às diferenças de coordenadas, comparando quadrados em vez de extrair raízes, e reconhecer os casos horizontal e vertical.
  • Obter o simétrico de um ponto em relação aos eixos, à origem e à reta y = x, transladar pontos e figuras somando um deslocamento fixo, e aplicar uma regra dada (como a troca (x, y) → (y, −x)) lendo os sinais do resultado.
  • Decidir se três pontos estão alinhados comparando as razões Δy/Δx dos dois trechos (ou verificando que a área do triângulo é zero), inclusive quando um trecho é vertical.
  • Calcular a área de um triângulo pelos vértices (fórmula do determinante) e a de um polígono por decomposição em triângulos ou pelo retângulo envolvente, e descrever regiões do plano por desigualdades simples (x > 0, 1 < x < 3, y ≤ 2).
  • Ler gráficos cartesianos de duas variáveis (tempo × distância, por exemplo) sem confundir inclinação visual com inclinação numérica quando as escalas dos eixos são diferentes.

Em 2012, a prova do PAS 3 desenhou um campo de futebol sobre dois eixos, com a linha de um dos gols coincidindo com o eixo yy (postes em (0,−73/20)(0, -73/20) e (0,73/20)(0, 73/20)), parou uma bola de 22 cm de diâmetro com o centro no ponto (−3/25 m,0 m)(-3/25 \text{ m}, 0 \text{ m}) e perguntou se o juiz devia receber o sinal de gol. Em 2023, quatro pontos foram marcados sobre uma reprodução de Navio de emigrantes (Lasar Segall): O(0,0)O(0, 0), A(4,3)A(4, 3), B(11,2)B(11, 2) e C(8,−3)C(8, -3); o item afirmou que o quadrilátero formado por eles tinha 36 unidades de área. Em 2015, um terreno de lavoura veio com os quatro vértices escritos, A(−2,6)A(-2, 6), B(8,8)B(8, 8), C(10,−3)C(10, -3) e D(−5,−2)D(-5, -2), e o candidato tinha de escolher, entre quatro equações, a da reta pelos pontos médios de dois lados. Nos três itens não existe fórmula nova nem figura que resolva sozinha: existe um par de números por ponto, e tudo o que a banca pergunta (a bola passou?, a área é 36?, onde fica o meio do lado?) sai de contas com esses números. Como transformar uma posição em dois números e, a partir deles, calcular tudo o que o desenho só sugere?

Esta página é a base de toda a geometria analítica: o que é um par ordenado, o que os sinais dizem, como se lê um ponto numa malha ou num mapa com escala, e as seis operações que se fazem com pontos sem escrever a equação de nenhuma reta: ponto médio, distância, simetria, translação, teste de alinhamento e área por coordenadas. Fecham a página a leitura de gráficos com escalas diferentes nos eixos e a descrição de regiões por desigualdades. O que vem depois, com página própria, é a reta: coeficiente angular e equação, paralelas e perpendiculares, e as distâncias de ponto a reta e entre retas.

Dois eixos, uma origem, dois números por ponto

Uma planilha localiza cada célula por uma letra e um número, “B3”; um tabuleiro de xadrez, por “e4”; um robô aspirador guarda o mapa da sala como uma grade de quadradinhos, e sabe que a base de carregamento está “12 quadrados para a direita e 5 para cima” do canto em que começou. Nos três casos há um canto de partida combinado e, para cada lugar, duas informações numa ordem fixa. O plano cartesiano formaliza esse hábito: duas retas numeradas, perpendiculares, cruzadas no zero de ambas, e cada lugar descrito pelo par de leituras que se faz sobre elas.

Par ordenado, abscissa, ordenada

O eixo das abscissas (eixo xx) é horizontal, crescente para a direita; o eixo das ordenadas (eixo yy) é vertical, crescente para cima; o ponto em que se cruzam é a origem O(0,0)O(0, 0). Cada ponto PP do plano fica determinado por um par ordenado (x,y)(x, y): a abscissa xx é a posição da projeção de PP sobre o eixo horizontal, a ordenada yy é a posição da projeção sobre o eixo vertical. A ordem é parte do dado: (3,5)(3, 5) e (5,3)(5, 3) são pontos diferentes. Dois pontos são iguais quando têm a mesma abscissa e a mesma ordenada.

A frase “em ordem” é o que a palavra ordenado significa, e é também a origem do erro mais comum da página. (3,5)(3, 5) está 3 unidades à direita da origem e 5 acima; (5,3)(5, 3) está 5 à direita e 3 acima. Os dois pontos são simétricos em relação à diagonal y=xy = x (a seção das simetrias volta a isso), mas não são o mesmo ponto, e um item que descreva “o ponto que está 5 para a direita e 3 para cima” como (3,5)(3, 5) está errado.

Os pontos que ficam sobre os eixos têm uma coordenada nula. Todo ponto do eixo xx tem ordenada zero: (4,0)(4, 0), (−7,0)(-7, 0), (0,0)(0, 0). Todo ponto do eixo yy tem abscissa zero: (0,6)(0, 6), (0,−2)(0, -2). A origem é o único ponto que pertence aos dois eixos. Isso dá um reflexo útil: para saber onde uma curva corta o eixo xx, impõe-se y=0y = 0; para saber onde corta o eixo yy, impõe-se x=0x = 0.

As unidades fazem parte das coordenadas. Num plano “com unidades em metros”, o ponto (200,50)(200, 50) está a 200 m da origem na horizontal; num mapa “em quilômetros”, (200,50)(200, 50) está a 200 km. Quando o enunciado mistura unidades, a conversão vem antes de qualquer comparação. No item do gol de 2012, o plano estava em metros e o diâmetro da bola em centímetros; quem não converteu 22 cm em 0,22 m não tinha como decidir se a bola passou.

Os sinais das coordenadas nomeiam o quadrante

Os dois eixos dividem o plano em quatro regiões, os quadrantes, numerados no sentido anti-horário a partir da região em que as duas coordenadas são positivas. O número do quadrante é informação sobre sinais, e só sobre sinais.

Plano cartesiano com os dois eixos e os quatro quadrantes numerados em algarismos romanos no sentido anti-horário. Em cada quadrante, o par de sinais: mais e mais no primeiro, menos e mais no segundo, menos e menos no terceiro, mais e menos no quarto, com um ponto de exemplo marcado em cada um: (4, 3), (−4, 3), (−4, −3) e (4, −3). Sobre os eixos, os pontos (5, 0), (0, 4), (−6, 0) e (0, −5) com a observação de que não pertencem a quadrante nenhum.
Os quadrantes são numerados no sentido anti-horário a partir do canto em que x>0x > 0 e y>0y > 0. Trocar o sinal de xx espelha o ponto para o lado oposto do eixo yy; trocar o sinal de yy, para o lado oposto do eixo xx. Os pontos sobre os eixos têm uma coordenada nula e não estão em quadrante algum. Diagrama autoral.
Quadrante sinal de xx sinal de yy exemplo
I ++ ++ (4,3)(4, 3)
II −- ++ (−4,3)(-4, 3)
III −- −- (−4,−3)(-4, -3)
IV ++ −- (4,−3)(4, -3)
Quadrantes como desigualdades

Primeiro quadrante: x>0x > 0 e y>0y > 0. Segundo: x<0x < 0 e y>0y > 0. Terceiro: x<0x < 0 e y<0y < 0. Quarto: x>0x > 0 e y<0y < 0. As desigualdades são estritas: um ponto com x=0x = 0 ou y=0y = 0 está sobre um eixo e não pertence a quadrante nenhum. Um ponto está “à esquerda do eixo yy” quando x<0x < 0, “abaixo do eixo xx” quando y<0y < 0, independentemente da outra coordenada.

A prova do PAS 3 de 2018 sobrepôs eixos a um mapa do Rio Grande do Sul, pôs a origem em Cachoeira do Sul e listou, numa tabela em quilômetros, as outras cidades: Porto Alegre (200,0)(200, 0), Candelária (20,35)(20, 35), Agudo (−25,40)(-25, 40), Santa Maria (−80,30)(-80, 30), Pelotas (40,−220)(40, -220), Santana do Livramento (−280,−90)(-280, -90), Cruz Alta (−84,187)(-84, 187) e Caxias do Sul (210,80)(210, 80). A tabela é um exercício completo de sinais: Candelária e Caxias do Sul estão no primeiro quadrante (nordeste de Cachoeira); Agudo, Santa Maria e Cruz Alta no segundo (noroeste); Santana do Livramento no terceiro (sudoeste); Pelotas no quarto (sudeste); e Porto Alegre, com ordenada zero, está exatamente sobre o eixo xx, a leste da origem, em quadrante nenhum. Os itens daquele bloco usaram essas coordenadas para circunferências, regiões e retas; o sinal foi a porta de entrada de todos.

Quando o item dá uma regra, execute e leia os sinais. Em 2025, o PAS 3 definiu, para cada ponto P(x,y)P(x, y), um ponto Q(a,b)Q(a, b) obtido por um produto de matrizes que, feito, dá a=ya = y e b=−xb = -x, e afirmou que, se PP percorresse um segmento do primeiro quadrante, QQ percorreria um segmento do quarto. Não é preciso saber o que a matriz representa (é um giro de um quarto de volta, assunto da página de transformações): com x>0x > 0 e y>0y > 0, a nova abscissa yy é positiva e a nova ordenada −x-x é negativa; sinal (+,−)(+, -) é quarto quadrante. Certo. O item inteiro se decide na tabela de sinais.

Trocar $x$ com $y$ e trocar o sinal com a posição

Dois erros respondem pela maioria dos pontos perdidos nesta página. O primeiro é inverter os papéis do par, tratando o primeiro número como altura e o segundo como avanço: o primeiro número é sempre o horizontal. O segundo é confundir “ordenada negativa” com “ponto do lado esquerdo”: y<0y < 0 significa abaixo do eixo xx; quem está à esquerda é o ponto com x<0x < 0. Um teste rápido: o ponto (−5,2)(-5, 2) está à esquerda (abscissa negativa) e acima (ordenada positiva), logo no segundo quadrante.

Ler um ponto numa malha, num mapa, numa planta

Na prova, o ponto quase nunca chega sozinho: ele está marcado numa malha quadriculada, num mapa com um sistema de eixos desenhado por cima ou numa planta com escala. Ler bem a figura é metade do item.

Numa malha, cada linha da grade é uma coordenada inteira (ou um múltiplo da unidade da grade). Para ler um ponto, desça dele até o eixo xx e leia o número; depois vá até o eixo yy e leia o outro. Quando a grade tem passo diferente de 1 (cada quadradinho vale 2, ou 0,5), a leitura exige contar quadradinhos e multiplicar pelo passo. O PAS 2 de 2019 marcou cinco ninhos de formigas numa malha em metros, A(−4,5)A(-4, 5), B(−5,0)B(-5, 0), C(0,5)C(0, 5), D(−2,−5)D(-2, -5) e E(1,0)E(1, 0): BB e EE estão sobre o eixo xx, CC sobre o eixo yy, AA no segundo quadrante e DD no terceiro, tudo lido da posição dos pontos em relação às duas linhas mais grossas.

Num mapa, o sistema de eixos é colocado sobre a imagem com uma origem escolhida (a Estátua da Liberdade em 2019, Cachoeira do Sul em 2018) e uma unidade (o quilômetro). Feito isso, cada ponto do mapa passa a ter um par de coordenadas. A relação com as coordenadas geográficas é direta e serve como ponte: latitude e longitude são as duas coordenadas de um ponto da superfície da Terra, e um receptor de GPS mostra exatamente esse par. A diferença é que a Terra é uma esfera: para uma cidade, o mapa plano é uma aproximação ótima; para um continente, as distâncias “em linha reta” sobre o mapa já não coincidem com as reais. Dentro de uma prova, o mapa que vira plano cartesiano é sempre tratado como plano, e é assim que se deve lê-lo.

Numa planta ou num desenho com escala, a escala converte centímetros de papel em metros de terreno. Com escala 1 : 500, 1 cm no desenho são 500 cm, isto é, 5 m, no terreno; um ponto que está a 3,2 cm da margem esquerda e 1,5 cm da margem inferior tem coordenadas (16,7,5)(16, 7{,}5) em metros. A escala muda os números, não as relações: pontos alinhados continuam alinhados, o ponto médio continua no meio.

Onde a malha aparece sem pedir licença

A tela do celular é uma malha de pixels com origem no canto superior esquerdo e o eixo yy crescendo para baixo; quem programa um jogo descobre que “subir” é diminuir yy. As planilhas usam letra para a coluna e número para a linha, com a origem no canto superior esquerdo também. O GPS usa latitude e longitude. As cartas náuticas e as plantas de engenharia usam eixos em metros com origem num marco. Em todos os casos a ideia é a mesma, dois números por lugar; o que muda, e precisa ser lido no enunciado, é onde fica a origem, para onde cresce cada eixo e qual é a unidade.

Exemplo resolvido 1: a bola e a linha do gol (PAS 3 2012). O campo foi representado num sistema xOyxOy em metros, com o segmento MNMN, sobre o eixo yy, identificando um dos gols, e o campo estendendo-se para a direita, até K(100,36)K(100, 36); o gol fica em x<0x < 0. O item: “Considere que uma bola de futebol cujo diâmetro é igual a 22 cm, após ser chutada a partir do ponto EE, tenha parado em uma posição tal que seu centro coincida com o ponto (−3/25 m,0 m)(-3/25 \text{ m}, 0 \text{ m}). Nessa situação, o juiz, utilizando o mencionado dispositivo eletrônico, deve receber um sinal eletrônico e confirmar o gol.” O gol é computado quando a bola ultrapassa totalmente a linha, isto é, quando a bola inteira está em x<0x < 0. O centro está em x=−3/25=−0,12x = -3/25 = -0{,}12 m, do lado do gol. Metade do diâmetro, 11 cm=0,1111 \text{ cm} = 0{,}11 m, é o raio; somado à abscissa do centro, ele dá a borda da bola voltada para o campo, em x=−0,12+0,11=−0,01x = -0{,}12 + 0{,}11 = -0{,}01 m. Essa borda também tem abscissa negativa, portanto nenhum ponto da bola toca o campo: ela cruzou a linha por completo, com 1 cm de sobra. Certo. Conferência: o diâmetro inteiro, 0,22 m, cabe entre x=−0,23x = -0{,}23 e x=−0,01x = -0{,}01, sem tocar o zero. O item testa três coisas, e nenhuma delas é fórmula: ler uma abscissa negativa como “do lado do gol”, converter centímetros em metros e entender que “ultrapassar totalmente” é uma condição sobre a borda, não sobre o centro.

O ponto médio é a média das coordenadas

Dois amigos moram em A(−3,1)A(-3, 1) e B(7,−5)B(7, -5), em quarteirões, e querem se encontrar no meio do caminho em linha reta. “Meio do caminho” na horizontal é a média das abscissas, −3+72=2\frac{-3 + 7}{2} = 2; na vertical, a média das ordenadas, 1+(−5)2=−2\frac{1 + (-5)}{2} = -2. O ponto de encontro é M(2,−2)M(2, -2).

Plano cartesiano com o segmento de A(−3, 1) a B(7, −5) e o ponto médio M(2, −2) marcado no meio. Linhas tracejadas projetam A, M e B sobre os dois eixos, mostrando que a abscissa de M é o meio entre −3 e 7 e a ordenada de M é o meio entre 1 e −5. Ao lado, as contas (−3 + 7)/2 = 2 e (1 − 5)/2 = −2.
O ponto médio faz duas médias independentes, uma por eixo: a abscissa de MM fica no meio das abscissas de AA e BB, e a ordenada de MM, no meio das ordenadas. As projeções sobre os eixos mostram por que: cada coordenada é um problema de reta numérica separado. Diagrama autoral.
Ponto médio e baricentro

Se A(xA,yA)A(x_A, y_A) e B(xB,yB)B(x_B, y_B) são os extremos de um segmento, o ponto médio MM desse segmento tem coordenadas

xM=xA+xB2,yM=yA+yB2.x_M = \frac{x_A + x_B}{2}, \qquad y_M = \frac{y_A + y_B}{2}.

Cada coordenada de MM é a média da coordenada correspondente de AA e de BB. A fórmula vem da semelhança de triângulos: as projeções de AA, MM e BB sobre cada eixo dividem o eixo na mesma proporção em que MM divide ABAB, e MM divide ao meio. A mesma ideia dá o baricentro (ponto de encontro das medianas) de um triângulo de vértices AA, BB e CC: a média das três abscissas e a média das três ordenadas, G=(xA+xB+xC3,yA+yB+yC3)G = \left(\frac{x_A + x_B + x_C}{3}, \frac{y_A + y_B + y_C}{3}\right).

Três consequências práticas da fórmula aparecem em prova.

O ponto médio pode ter coordenadas fracionárias. Uma soma ímpar dividida por 2 termina em meio, e o meio fica onde a conta mandar. Entre (−5,−2)(-5, -2) e (−2,6)(-2, 6), o meio é (−72,2)\left(-\frac{7}{2}, 2\right). Entre (8,8)(8, 8) e (10,−3)(10, -3), é (9,52)\left(9, \frac{5}{2}\right).

Conhecidos o ponto médio e um extremo, o outro extremo sai por subtração. Se MM é o meio de ABAB, então xB=2xM−xAx_B = 2x_M - x_A e yB=2yM−yAy_B = 2y_M - y_A. Com A(1,4)A(1, 4) e M(3,1)M(3, 1): B=(2⋅3−1,2⋅1−4)=(5,−2)B = (2 \cdot 3 - 1, 2 \cdot 1 - 4) = (5, -2). É o mesmo que dizer que BB é o simétrico de AA em relação a MM; a seção das simetrias usa isso de novo.

Nas diagonais de um paralelogramo, os pontos médios coincidem. Um quadrilátero ABCDABCD é paralelogramo exatamente quando o meio de ACAC é o meio de BDBD. Com A(0,0)A(0, 0), B(4,1)B(4, 1), C(6,4)C(6, 4) e D(2,3)D(2, 3): o meio de ACAC é (3,2)(3, 2) e o de BDBD é (3,2)(3, 2); paralelogramo. Essa é a maneira mais barata de testar a forma de um quadrilátero dado pelos vértices.

Exemplo resolvido 2: a reta pelos pontos médios (PAS 3 2015, tipo C). O terreno tinha vértices A(−2,6)A(-2, 6), B(8,8)B(8, 8), C(10,−3)C(10, -3) e D(−5,−2)D(-5, -2), e a pergunta era qual das quatro equações abaixo descreve a reta pelos pontos médios dos lados ADAD e BCBC: 2y+10x=142y + 10x = 14; 25y−x=22525y - x = 225; 50y−2x=10750y - 2x = 107; 60y+7x=12660y + 7x = 126. Os pontos médios primeiro: MAD=(−2−52,6−22)=(−72,2)M_{AD} = \left(\frac{-2 - 5}{2}, \frac{6 - 2}{2}\right) = \left(-\frac{7}{2}, 2\right) e MBC=(8+102,8−32)=(9,52)M_{BC} = \left(\frac{8 + 10}{2}, \frac{8 - 3}{2}\right) = \left(9, \frac{5}{2}\right). Com os dois pontos em mãos, a equação da reta é assunto da página seguinte, mas aqui basta o teste de pertinência que a seção de alinhamento vai formalizar: a opção certa é a única satisfeita pelos dois pontos. Em 50y−2x=10750y - 2x = 107: com MADM_{AD}, 50⋅2−2⋅(−72)=100+7=10750 \cdot 2 - 2 \cdot \left(-\frac{7}{2}\right) = 100 + 7 = 107; com MBCM_{BC}, 50⋅52−2⋅9=125−18=10750 \cdot \frac{5}{2} - 2 \cdot 9 = 125 - 18 = 107. As duas fecham: opção C. Conferência por eliminação: em 25y−x=22525y - x = 225, MADM_{AD} dá 50+3,5=53,550 + 3{,}5 = 53{,}5; em 2y+10x=142y + 10x = 14, dá 4−35=−314 - 35 = -31; em 60y+7x=12660y + 7x = 126, dá 120−24,5=95,5120 - 24{,}5 = 95{,}5. Nenhuma das três chega perto. O item não exige escrever a equação: exige calcular os dois pontos médios sem medo das frações e substituir.

Ponto médio não é a média de um eixo só

O meio do segmento de (2,1)(2, 1) a (8,7)(8, 7) não é “5” nem “4”: é o ponto (5,4)(5, 4), com as duas médias feitas. E não é o meio de xx com a ordenada de um dos extremos: (5,1)(5, 1) e (5,7)(5, 7) são pontos da figura, mas nenhum deles está no segmento. Outro deslize é dividir a soma por 2 numa coordenada e esquecer na outra, principalmente quando uma das somas dá número ímpar; −72-\frac{7}{2} é um resultado como outro qualquer.

A distância entre dois pontos é Pitágoras nas coordenadas

De P(1,2)P(1, 2) a Q(13,7)Q(13, 7), um caminho pelas ruas de uma cidade em grade anda 12 quarteirões para leste e 5 para norte. O caminho reto é a hipotenusa do triângulo retângulo de catetos 12 e 5: 144+25=13\sqrt{144 + 25} = 13 quarteirões. Toda distância no plano cartesiano é isso, o teorema de Pitágoras aplicado às diferenças de coordenadas.

Distância entre dois pontos

dAB=(Δx)2+(Δy)2,d_{AB} = \sqrt{(\Delta x)^2 + (\Delta y)^2},

em que Δx=xB−xA\Delta x = x_B - x_A e Δy=yB−yA\Delta y = y_B - y_A. As diferenças Δx\Delta x e Δy\Delta y são os catetos; a ordem dos pontos não importa, porque o quadrado apaga o sinal. Se os pontos têm a mesma ordenada, a distância é ∣xB−xA∣|x_B - x_A| (segmento horizontal); se têm a mesma abscissa, é ∣yB−yA∣|y_B - y_A| (vertical). A distância de P(x,y)P(x, y) à origem é x2+y2\sqrt{x^2 + y^2}. Para comparar uma distância com um número, compare os quadrados: d>5d > 5 equivale a Δx2+Δy2>25\Delta x^2 + \Delta y^2 > 25, sem raiz nenhuma.

Nesta página a distância entra pela porta da frente, como aplicação direta da fórmula; a página de distâncias desenvolve o resto (distância de ponto a reta, entre retas paralelas, lugares geométricos). Três itens reais mostram o uso básico.

Em 2009, o PAS 3 pôs uma usina em P(0,8)P(0, 8) e, em Q(xq,0)Q(x_q, 0), um consumidor; a linha de transmissão reta entre os dois media 10 km, num plano em quilômetros, e o item afirmou que QQ fica a exatamente 6 km da origem. PP está no eixo yy e QQ no eixo xx, logo OPQOPQ é retângulo em OO, com hipotenusa PQ=10PQ = 10 e cateto OP=8OP = 8. O outro cateto é OQ=100−64=6OQ = \sqrt{100 - 64} = 6. Certo. É o trio 6-8-10, e a distância de QQ à origem é simplesmente ∣xq∣|x_q|.

Em 2013, o bloco do VLT de Brasília deu as estações como pontos do plano: o Aeroporto JK ficava em A(−9,2)A(-9, 2) e, em E(7,−3)E(7, -3), o Setor Comercial Norte; o item afirmou que a distância entre eles era “superior a 5105\sqrt{10} u.c.”. Δx=16\Delta x = 16, Δy=−5\Delta y = -5, d2=256+25=281d^2 = 256 + 25 = 281. Do outro lado, (510)2=250(5\sqrt{10})^2 = 250. Como 281>250281 > 250, certo; e ninguém extraiu raiz.

Exemplo resolvido 3: duas casas e um limiar irracional (PAS 3 2021). Numa área rural dividida em lotes, com as distâncias em quilômetros, duas casas estavam em (2,3)(2, 3) e (4,2)(4, 2). O item afirmou que “as duas casas estão em lotes diferentes e a distância entre elas é menor que π\pi km”. Comece pela segunda parte, que é a fórmula: Δx=2\Delta x = 2, Δy=−1\Delta y = -1, d=4+1=5d = \sqrt{4 + 1} = \sqrt{5}. Para comparar com π≈3,14\pi \approx 3{,}14, compare os quadrados: 5<9,865 < 9{,}86, logo 5<π\sqrt{5} < \pi. A primeira parte é leitura de região, assunto da última seção: os lotes eram separados pelas retas verticais x=1x = 1 e x=3x = 3 e, à direita de x=3x = 3, pela horizontal y=1y = 1; a casa (2,3)(2, 3) tem 1<x<31 < x < 3 e está no lote do meio (ela fica exatamente no ponto mais alto do arco que fecha os lotes por cima, na fronteira superior desse lote, e a banca a contou como dele); a casa (4,2)(4, 2) tem x>3x > 3 e y>1y > 1 e está no lote de cima, à direita. Lotes diferentes, distância menor que π\pi: certo. Conferência: 5≈2,24\sqrt{5} \approx 2{,}24, confortavelmente abaixo de 3,14.

Simetrias: espelhar um ponto num eixo, na origem ou na diagonal

Em 2016, a prova do PAS 3 descreveu 14 caixas de som de uma orquestra de laptops num plano em metros: as caixas AA a GG ficavam em “pontos simétricos, em relação ao eixo yy”, aos pontos das caixas A′A' a G′G'. Se a caixa AA está em (−4,7)(-4, 7), a caixa A′A' está em (4,7)(4, 7): mesma altura, abscissa com o sinal trocado. O enunciado não precisou dar as 14 coordenadas, porque a simetria fornece metade delas.

Plano cartesiano com o ponto P(4, 2) e seus quatro simétricos: em relação ao eixo x, (4, −2); em relação ao eixo y, (−4, 2); em relação à origem, (−4, −2); em relação à reta y = x, desenhada tracejada como diagonal, o ponto (2, 4). Segmentos finos ligam cada par de pontos simétricos, cruzando perpendicularmente o eixo ou a reta correspondente no ponto médio.
As quatro simetrias de um ponto P(x,y)P(x, y): no eixo xx troca o sinal de yy; no eixo yy troca o sinal de xx; na origem troca os dois; na reta y=xy = x troca a ordem das coordenadas. Em todos os casos o eixo (ou a reta) de simetria é a mediatriz do segmento que liga o ponto ao seu simétrico. Diagrama autoral.
As quatro simetrias de prova

Para o ponto P(x,y)P(x, y):

  • simétrico em relação ao eixo xx: (x,−y)(x, -y);
  • simétrico em relação ao eixo yy: (−x,y)(-x, y);
  • simétrico em relação à origem: (−x,−y)(-x, -y) (é o mesmo que uma meia-volta em torno de OO);
  • simétrico em relação à reta y=xy = x (a bissetriz dos quadrantes I e III): (y,x)(y, x).

Em cada caso, o espelho é a mediatriz do segmento que une PP ao seu simétrico: o ponto médio do segmento está sobre o espelho e o segmento é perpendicular a ele. Generalizações diretas: em relação à reta vertical x=ax = a, o simétrico de (x,y)(x, y) é (2a−x,y)(2a - x, y); em relação à horizontal y=by = b, é (x,2b−y)(x, 2b - y); em relação a um ponto MM, é (2xM−x,2yM−y)(2x_M - x, 2y_M - y), a fórmula da seção anterior.

Os pontos que são iguais ao seu próprio simétrico são os que estão sobre o espelho. Isso dá uma leitura útil da reta y=xy = x: ela é o conjunto dos pontos com abscissa igual à ordenada, (1,1)(1, 1), (−3,−3)(-3, -3), (8,8)(8, 8), e é a reta que passa pela origem fazendo 45°45° com o eixo xx, porque sobe exatamente o que avança. Em 2015, com o terreno de vértices A(−2,6)A(-2, 6), B(8,8)B(8, 8), C(10,−3)C(10, -3) e D(−5,−2)D(-5, -2), o PAS 3 afirmou que “o ponto BB está sobre a reta que passa pela origem OO do sistema de coordenadas e forma um ângulo de 45°45° com o eixo xx”. Essa descrição corresponde à bissetriz y=xy = x; B(8,8)B(8, 8) tem abscissa igual à ordenada: está. Certo. Nenhum dos outros três vértices estaria.

Uma figura inteira se espelha espelhando os vértices. O triângulo (1,1)(1, 1), (5,2)(5, 2), (2,4)(2, 4), refletido no eixo yy, vira (−1,1)(-1, 1), (−5,2)(-5, 2), (−2,4)(-2, 4); refletido na origem, (−1,−1)(-1, -1), (−5,−2)(-5, -2), (−2,−4)(-2, -4). As distâncias entre os vértices não mudam (reflexão é uma isometria), e por isso a área também não.

Translação: somar o mesmo deslocamento a todos os pontos

Mover uma figura sem girar nem deformar é somar o mesmo par de números a cada um de seus pontos. Se a mesa de vértices A(0,0)A(0, 0), B(−2,5)B(-2, 5), C(4,6)C(4, 6) e D(9,2)D(9, 2) for empurrada 3 unidades para a direita e 1 para baixo, cada vértice recebe (+3,−1)(+3, -1): A′(3,−1)A'(3, -1), B′(1,4)B'(1, 4), C′(7,5)C'(7, 5), D′(12,1)D'(12, 1). O par (3,−1)(3, -1) é o vetor da translação, a mesma ideia que a Física usa para deslocamentos (vetores).

Dois painéis. À esquerda, um triângulo de vértices (1, 1), (4, 2) e (2, 4) e a sua cópia transladada pelo vetor (5, 2), com os vértices (6, 3), (9, 4) e (7, 6); setas iguais e paralelas ligam cada vértice ao seu correspondente. À direita, o mesmo triângulo original e a sua imagem pela regra (x, y) → (y, −x), com os vértices (1, −1), (2, −4) e (4, −2), no quarto quadrante, e um arco indicando um quarto de volta no sentido horário em torno da origem.
À esquerda, translação: todos os pontos recebem o mesmo deslocamento (5,2)(5, 2), e as setas são paralelas e de mesmo comprimento. À direita, a regra (x,y)↦(y,−x)(x, y) \mapsto (y, -x) aplicada a um triângulo do primeiro quadrante o leva ao quarto: é um giro de 90°90° no sentido horário em torno da origem, mas a leitura dos sinais decide o quadrante sem saber disso. Diagrama autoral.
Translação por um vetor

A translação pelo vetor (a,b)(a, b) leva cada ponto (x,y)(x, y) ao ponto (x+a,y+b)(x + a, y + b). Ela preserva distâncias, ângulos, áreas e a direção de todos os segmentos: a figura transladada é congruente à original e “paralela” a ela. Para descobrir o vetor de uma translação, subtraia um ponto original do seu correspondente: se A(2,3)A(2, 3) virou A′(7,1)A'(7, 1), o vetor é (5,−2)(5, -2), e todos os outros pontos da figura receberam o mesmo par. Uma translação não tem ponto fixo (salvo a translação nula); uma reflexão fixa todos os pontos do espelho; um giro em torno da origem fixa só a origem.

Translação e simetria são as duas transformações que esta página resolve com coordenadas e sinais. Giros por ângulos quaisquer e as matrizes que os representam, como a do item de 2025, ficam com a página de transformações; o que vale guardar daqui é o método que serve para qualquer regra dada no enunciado: aplique a regra a um ponto genérico (x,y)(x, y), escreva o ponto novo e leia os sinais. A regra (x,y)↦(y,−x)(x, y) \mapsto (y, -x) leva o primeiro quadrante ao quarto; a regra (x,y)↦(−y,x)(x, y) \mapsto (-y, x) leva o primeiro ao segundo; a regra (x,y)↦(−x,−y)(x, y) \mapsto (-x, -y) leva o primeiro ao terceiro. Cada uma é uma linha da tabela de sinais.

Três pontos estão na mesma reta? O teste do alinhamento

Um aplicativo registra três posições sucessivas de um veículo numa estrada reta: (−2,−1)(-2, -1), (2,1)(2, 1) e (8,4)(8, 4). Os três pontos estão mesmo sobre uma reta? Olhar o desenho não decide; uma razão decide. De (−2,−1)(-2, -1) a (2,1)(2, 1), o veículo avançou Δx=4\Delta x = 4 e subiu Δy=2\Delta y = 2: razão 24=12\frac{2}{4} = \frac{1}{2}. De (2,1)(2, 1) a (8,4)(8, 4), Δx=6\Delta x = 6 e Δy=3\Delta y = 3: razão 36=12\frac{3}{6} = \frac{1}{2}. Mesmo ritmo de subida nos dois trechos, com um ponto em comum: os três estão alinhados. Se a terceira posição fosse (8,5)(8, 5), a segunda razão seria 46=23\frac{4}{6} = \frac{2}{3}, e o veículo teria saído da reta.

Plano cartesiano com os pontos A(−2, −1), B(2, 1) e C(8, 4) sobre uma mesma reta tracejada, e os dois triângulos de catetos que ligam A a B (catetos 4 e 2) e B a C (catetos 6 e 3), com as razões 2/4 e 3/6 escritas ao lado, ambas iguais a 1/2. Um quarto ponto, C′(8, 5), aparece fora da reta, com a razão 4/6 do trecho de B a C′ marcada como diferente.
Alinhamento por razões: de AA a BB e de BB a CC, a razão Δy/Δx\Delta y / \Delta x é a mesma (12\frac{1}{2}), e os dois triângulos de catetos são semelhantes; o ponto C′(8,5)C'(8, 5) quebra a razão e sai da reta. Na página seguinte essa razão ganha nome: coeficiente angular. Diagrama autoral.
Condição de alinhamento de três pontos

Os pontos AA, BB e CC estão alinhados (são colineares) quando os trechos ABAB e BCBC têm a mesma razão Δy/Δx\Delta y/\Delta x:

ΔyABΔxAB=ΔyBCΔxBC,\frac{\Delta y_{AB}}{\Delta x_{AB}} = \frac{\Delta y_{BC}}{\Delta x_{BC}},

em que ΔyAB=yB−yA\Delta y_{AB} = y_B - y_A, ΔxAB=xB−xA\Delta x_{AB} = x_B - x_A, e o mesmo para o trecho BCBC. Multiplicando em cruz para evitar divisões (e para incluir os casos verticais), a condição equivale a

(xB−xA)(yC−yA)−(xC−xA)(yB−yA)=0,(x_B - x_A)(y_C - y_A) - (x_C - x_A)(y_B - y_A) = 0,

que é o determinante 2×22 \times 2 formado pelos deslocamentos AB→\overrightarrow{AB} e AC→\overrightarrow{AC}. Esse número é também o dobro da área (com sinal) do triângulo ABCABC: três pontos estão alinhados exatamente quando o triângulo que formam tem área zero. Caso especial: se xA=xBx_A = x_B (trecho vertical), os três só estão alinhados se xCx_C também for igual; nenhuma razão precisa ser calculada.

A razão Δy/Δx\Delta y / \Delta x de dois pontos de uma reta é o coeficiente angular da reta, e é ele que a página seguinte estuda; o que está aqui é o uso que não precisa de equação: decidir se um ponto dado pertence à reta por outros dois. A forma por determinante serve para qualquer trio, inclusive com trechos verticais, e tem a vantagem de não dividir.

Exemplo resolvido 4: o ponto está na rota? Um barco sai de A(−3,2)A(-3, 2) e segue em linha reta por B(1,5)B(1, 5). Uma boia está em C(9,11)C(9, 11) e uma segunda boia em D(9,10)D(9, 10). Qual delas está exatamente na rota? Por razões: de AA a BB, Δx=4\Delta x = 4, Δy=3\Delta y = 3, razão 34\frac{3}{4}. De BB a CC: Δx=8\Delta x = 8, Δy=6\Delta y = 6, razão 68=34\frac{6}{8} = \frac{3}{4}. Alinhados: a boia CC está na rota. De BB a DD: Δx=8\Delta x = 8, Δy=5\Delta y = 5, razão 58≠34\frac{5}{8} \neq \frac{3}{4}; DD está fora. Conferência pelo determinante: com AB→=(4,3)\overrightarrow{AB} = (4, 3) e AC→=(12,9)\overrightarrow{AC} = (12, 9), 4⋅9−12⋅3=04 \cdot 9 - 12 \cdot 3 = 0; com AD→=(12,8)\overrightarrow{AD} = (12, 8), 4⋅8−12⋅3=−4≠04 \cdot 8 - 12 \cdot 3 = -4 \neq 0. A segunda conta ainda diz mais: o triângulo ABDABD tem área ∣−4∣2=2\frac{|-4|}{2} = 2, assunto da próxima seção.

Um caso que derruba por descuido: os pontos (3,1)(3, 1), (3,4)(3, 4) e (3,−7)(3, -7) estão alinhados (todos têm abscissa 3, estão sobre a reta vertical x=3x = 3), mas a razão Δy/Δx\Delta y / \Delta x não existe para nenhum trecho. Quem insiste na divisão trava; quem olha as abscissas responde na hora.

Área de um triângulo e de um polígono pelos vértices

O determinante da seção anterior já carrega a área. Para um triângulo de vértices AA, BB e CC, o número (xB−xA)(yC−yA)−(xC−xA)(yB−yA)(x_B - x_A)(y_C - y_A) - (x_C - x_A)(y_B - y_A) é o dobro da área, com sinal (positivo se AA, BB, CC estão em sentido anti-horário, negativo no sentido horário). Quando um dos vértices é a origem, a conta encolhe.

Plano cartesiano com o triângulo de vértices (1, 1), (7, 2) e (4, 6) dentro do retângulo envolvente de 6 por 5, cujos cantos deixam três triângulos retângulos sombreados, com as áreas 3, 6 e 7,5 escritas dentro deles. Ao lado, a conta: 30 menos 16,5 igual a 13,5, e, embaixo, a fórmula do determinante com os mesmos vértices chegando ao mesmo 13,5.
Duas maneiras de medir o triângulo (1,1)(1, 1), (7,2)(7, 2), (4,6)(4, 6): pelo retângulo envolvente, 6×5=306 \times 5 = 30 menos os três cantos (3+6+7,53 + 6 + 7{,}5), e pela fórmula do determinante, 12∣27∣=13,5\frac{1}{2}|27| = 13{,}5. As duas têm de coincidir, e uma confere a outra. Diagrama autoral.
Área pelas coordenadas

Triângulo com um vértice na origem, O(0,0)O(0, 0), P(x1,y1)P(x_1, y_1) e Q(x2,y2)Q(x_2, y_2):

S=12 ∣x1y2−x2y1∣.S = \frac{1}{2}\,|x_1 y_2 - x_2 y_1|.

Triângulo qualquer, de vértices AA, BB e CC:

S=12 ∣ xA(yB−yC)+xB(yC−yA)+xC(yA−yB) ∣,S = \frac{1}{2}\,\big|\,x_A(y_B - y_C) + x_B(y_C - y_A) + x_C(y_A - y_B)\,\big|,

que é o módulo da metade do determinante 3×33 \times 3 com linhas (xA,yA,1)(x_A, y_A, 1), (xB,yB,1)(x_B, y_B, 1), (xC,yC,1)(x_C, y_C, 1). Uma forma de memorizar sem determinante é a regra do cadarço: escreva os vértices em sequência (voltando ao primeiro no fim), multiplique cada abscissa pela ordenada do ponto seguinte, subtraia o produto cruzado, some tudo e tome metade do módulo. Para um polígono de nn vértices listados em ordem ao longo do contorno, a mesma regra dá a área de uma vez: S=12 ∣∑(xiyi+1−xi+1yi)∣S = \frac{1}{2}\,|\sum (x_i y_{i+1} - x_{i+1} y_i)|. Alternativa sem fórmula: cortar o polígono em triângulos por uma diagonal e somar, ou envolvê-lo num retângulo e subtrair os cantos.

Para o triângulo (1,1)(1, 1), (7,2)(7, 2), (4,6)(4, 6) da figura, pela regra do cadarço: 1⋅2−7⋅1=−51 \cdot 2 - 7 \cdot 1 = -5; 7⋅6−4⋅2=347 \cdot 6 - 4 \cdot 2 = 34; 4⋅1−1⋅6=−24 \cdot 1 - 1 \cdot 6 = -2; soma 2727; área 13,513{,}5. Pelo retângulo envolvente (de x=1x = 1 a 77 e de y=1y = 1 a 66, área 30) menos os três triângulos dos cantos (6⋅12=3\frac{6 \cdot 1}{2} = 3, 3⋅42=6\frac{3 \cdot 4}{2} = 6 e 3⋅52=7,5\frac{3 \cdot 5}{2} = 7{,}5): 30−16,5=13,530 - 16{,}5 = 13{,}5. Fecha.

Exemplo resolvido 5: o quadrilátero sobre a tela de Segall (PAS 3 2023). Com O(0,0)O(0, 0), A(4,3)A(4, 3), B(11,2)B(11, 2) e C(8,−3)C(8, -3), o item afirmou que “o quadrilátero OABCOABC tem 36 unidades de área”. Pela diagonal OBOB, o quadrilátero se parte em dois triângulos com um vértice na origem. OABOAB: 12∣4⋅2−11⋅3∣=12∣8−33∣=252\frac{1}{2}|4 \cdot 2 - 11 \cdot 3| = \frac{1}{2}|8 - 33| = \frac{25}{2}. OBCOBC: 12∣11⋅(−3)−8⋅2∣=12∣−33−16∣=492\frac{1}{2}|11 \cdot (-3) - 8 \cdot 2| = \frac{1}{2}|-33 - 16| = \frac{49}{2}. Soma: 3737. Não é 36: errado, por uma unidade. Conferência pela regra do cadarço com os quatro vértices em ordem (OO, AA, BB, CC): 0⋅3−4⋅0=00 \cdot 3 - 4 \cdot 0 = 0; 4⋅2−11⋅3=−254 \cdot 2 - 11 \cdot 3 = -25; 11⋅(−3)−8⋅2=−4911 \cdot (-3) - 8 \cdot 2 = -49; 8⋅0−0⋅(−3)=08 \cdot 0 - 0 \cdot (-3) = 0; soma −74-74; metade do módulo, 3737. O limiar foi posto a uma unidade do valor certo para que só a conta fechada decida; estimativa pelo desenho não separa 36 de 37.

Em 2022, a mesma banca fez a pergunta em formato de resposta numérica: a mesa de uma ilustração tinha vértices A(0,0)A(0, 0), B(−2,5)B(-2, 5), C(4,6)C(4, 6) e D(9,2)D(9, 2), em decímetros, e o item pedia a área em dm². Cadarço em ordem AA, BB, CC, DD: 0⋅5−(−2)⋅0=00 \cdot 5 - (-2) \cdot 0 = 0; (−2)⋅6−4⋅5=−32(-2) \cdot 6 - 4 \cdot 5 = -32; 4⋅2−9⋅6=−464 \cdot 2 - 9 \cdot 6 = -46; 9⋅0−0⋅2=09 \cdot 0 - 0 \cdot 2 = 0; soma −78-78; área 3939 dm². Por dois triângulos pela diagonal ACAC: ABCABC dá 12∣(−2)⋅6−4⋅5∣=16\frac{1}{2}|(-2) \cdot 6 - 4 \cdot 5| = 16 e ACDACD dá 12∣4⋅2−9⋅6∣=23\frac{1}{2}|4 \cdot 2 - 9 \cdot 6| = 23; 16+23=3916 + 23 = 39. A resposta marcada era 039.

A ordem dos vértices e o sinal

A regra do cadarço exige os vértices em ordem ao longo do contorno (horária ou anti-horária, tanto faz, por causa do módulo). Listar os vértices fora de ordem, como AA, CC, BB, DD num quadrilátero, calcula a área de uma figura cruzada e dá um número errado. E o módulo só se tira no fim: somar módulos de parcelas intermediárias também erra. Quando houver dúvida sobre a ordem, corte em triângulos por uma diagonal, que é à prova de erro de sequência.

Ler um gráfico cartesiano: cada eixo tem a sua escala

Um gráfico de duas variáveis é um plano cartesiano em que cada eixo tem unidade própria: tempo em horas num, distância em quilômetros no outro; ano num, produção em toneladas no outro. Ler um ponto do gráfico é ler as duas coordenadas na escala de cada eixo, e as três perguntas de sempre valem: onde está a origem (o eixo começa em zero?), quanto vale cada divisão e qual é a unidade.

Dois gráficos lado a lado com os mesmos quatro pontos de tempo em horas e distância em quilômetros: (0, 0), (1, 60), (2, 120) e (3, 180). No da esquerda, o eixo vertical vai de 0 a 200 em divisões de 50 e a reta pelos pontos parece íngreme; no da direita, o eixo vertical vai de 0 a 600 em divisões de 100 e a mesma reta parece quase deitada. Em ambos, a anotação 60 km por hora, igual nos dois.
Os mesmos dados, duas escalas no eixo vertical. A inclinação visual muda; a inclinação numérica (6060 km por hora, lida das coordenadas) é a mesma. Num gráfico com unidades diferentes nos eixos, ângulos e "distâncias" medidas na régua não significam nada; só as coordenadas significam. Diagrama autoral.

Num gráfico tempo × distância, por exemplo, os pontos (1,60)(1, 60) e (2,120)(2, 120) dizem que um carro percorreu 60 km na primeira hora e estava a 120 km da origem ao fim da segunda: a inclinação do segmento entre eles, 120−602−1=60\frac{120 - 60}{2 - 1} = 60 km/h, é a velocidade. Essa inclinação é um número lido das coordenadas; o ângulo que o segmento faz no papel depende de quanto espaço o desenhista deu a cada eixo e pode ser qualquer um. Dois gráficos com os mesmos dados, um com o eixo vertical “esticado” e outro “comprimido”, mostram a mesma reta ora íngreme, ora deitada.

Escalas diferentes nos eixos enganam o olho

Num plano em que o eixo xx está em horas e o eixo yy em quilômetros, não faz sentido medir a “distância” entre dois pontos com a régua, nem dizer que uma reta faz 45°45°: a fórmula de Pitágoras somaria horas ao quadrado com quilômetros ao quadrado. O mesmo cuidado vale quando os dois eixos têm a mesma unidade mas escalas diferentes (1 cm valendo 1 km na horizontal e 10 km na vertical): o desenho fica distorcido, os ângulos mudam e um segmento pode parecer maior que outro que, nas coordenadas, é menor. Ângulos, distâncias e áreas só se leem do desenho quando as duas escalas são iguais; nos demais casos, calcule pelas coordenadas. Um gráfico com eixo vertical que não começa em zero (eixo “cortado”) faz diferenças pequenas parecerem enormes; leia o primeiro valor do eixo antes de interpretar o tamanho das barras ou a inclinação da curva.

A regra prática para um item de leitura de gráfico é não confiar na aparência: localize dois pontos pelas coordenadas, calcule o que o item pede (diferença, razão, inclinação) e compare com o limiar. Se o item fala em “pontos alinhados” ou “mesma inclinação” num gráfico de unidades diferentes, a decisão é pelas razões Δy/Δx\Delta y / \Delta x da seção de alinhamento, nunca pelo ângulo que se vê.

Regiões do plano descritas por desigualdades

Uma coordenada fixada (x=3x = 3) descreve uma reta vertical; uma desigualdade numa coordenada (x>3x > 3) descreve tudo o que está de um lado dessa reta: um semiplano. Combinando desigualdades descrevem-se faixas, retângulos, quadrantes e os lotes de um terreno.

Plano cartesiano com quatro regiões sombreadas em tons diferentes e rotuladas pelas desigualdades que as descrevem: o semiplano y maior ou igual a 2, acima da reta horizontal y = 2; a faixa vertical 1 menor que x menor que 3, entre duas retas verticais tracejadas; o retângulo definido por 4 menor ou igual a x menor ou igual a 7 e menos 3 menor ou igual a y menor ou igual a menos 1; e o quarto quadrante, x maior que 0 e y menor que 0, indicado por uma seta. Um ponto de teste (2, 5) aparece dentro da faixa e dentro do semiplano.
Desigualdades viram regiões: y≥2y \geq 2 é o semiplano acima da reta y=2y = 2 (incluída); 1<x<31 < x < 3 é uma faixa vertical (bordas excluídas, tracejadas); duas faixas cruzadas dão um retângulo; x>0x > 0 e y<0y < 0 é o quarto quadrante. Para saber se um ponto está numa região, substitua as coordenadas nas desigualdades. Diagrama autoral.
Semiplanos, faixas e retângulos
  • x>ax > a: os pontos à direita da reta vertical x=ax = a; x<ax < a, à esquerda. y>by > b: acima da horizontal y=by = b; y<by < b, abaixo. Com ≥\geq ou ≤\leq, a reta-fronteira entra na região.
  • a<x<ba < x < b: a faixa vertical entre as retas x=ax = a e x=bx = b. c<y<dc < y < d: faixa horizontal.
  • a≤x≤ba \leq x \leq b e c≤y≤dc \leq y \leq d ao mesmo tempo: o retângulo de vértices (a,c)(a, c), (b,c)(b, c), (b,d)(b, d) e (a,d)(a, d).
  • Os quadrantes são os quatro pares de desigualdades estritas da tabela de sinais.

Para decidir se um ponto pertence à região, substitua as coordenadas em cada desigualdade; o ponto pertence quando satisfaz todas.

Os lotes de 2021 são o exemplo de prova: no primeiro quadrante, abaixo de um arco, o lote AA era a faixa 0<x<10 < x < 1; o lote BB, a faixa 1<x<31 < x < 3; à direita de x=3x = 3, a reta horizontal y=1y = 1 separava o lote CC (acima, y>1y > 1) do lote DD (abaixo, 0<y<10 < y < 1). A casa (2,3)(2, 3) satisfaz 1<2<31 < 2 < 3: lote BB (o arco de cima passa por esse ponto, que é o seu ponto mais alto; a casa está na borda do lote, não fora dele). A casa (4,2)(4, 2) satisfaz x>3x > 3 e y>1y > 1: lote CC. É o que o exemplo resolvido 3 usou.

Uma região descrita por uma desigualdade que mistura xx e yy, como y>xy > x ou 2x+3y≤122x + 3y \leq 12, é também um semiplano, agora limitado por uma reta inclinada; a fronteira é a reta y=xy = x ou 2x+3y=122x + 3y = 12, e o lado certo se descobre testando um ponto (a origem, se ela não estiver sobre a reta). A página da equação da reta retoma o caso inclinado; aqui, o reflexo que importa é o mesmo: região é um conjunto de desigualdades, e pertencer é satisfazê-las todas.

Como a banca pergunta

Os sete itens reais desta página, todos do PAS 3, mais o item de 2013 reaproveitado da página de Pitágoras, cabem em cinco formatos.

  1. Leitura de coordenada com sinal e unidade, tipo A: a bola com o centro em (−3/25,0)(-3/25, 0) m e raio 11 cm, inteira além da linha (2012/80, C). O cenário é um campo, um mapa ou uma tela; a decisão é um sinal e uma conversão.
  2. Ponto sobre uma reta descrita em palavras, tipo A: B(8,8)B(8, 8) sobre a reta pela origem a 45°45°, isto é, y=xy = x (2015/118, C). A reta vem descrita, não equacionada; a pergunta é se a abscissa é igual à ordenada.
  3. Ponto médio como porta de entrada, tipo C: os meios de ADAD e BCBC, (−72,2)\left(-\frac{7}{2}, 2\right) e (9,52)\left(9, \frac{5}{2}\right), e a opção que os dois satisfazem (2015/120, C). Sem os dois pontos médios escritos, frações incluídas, não há o que substituir nas opções.
  4. Distância como Pitágoras direto, tipo A: OQ=6OQ = 6 km pelo trio 6-8-10 (2009/103, C); 281\sqrt{281} contra 250\sqrt{250} (2013/64, C); 5\sqrt{5} contra π\pi e os lotes por desigualdades (2021/28, C). O limiar vem perto e muitas vezes irracional; compare os quadrados.
  5. Área pelos vértices, tipos A e B: o quadrilátero de Segall, 37 e não 36 (2023/37, E); a mesa de 39 dm² (2022/119, resposta 039). Dois triângulos por uma diagonal ou a regra do cadarço; a diferença entre certo e errado é uma unidade.

Três avisos de formato. Primeiro, as coordenadas chegam numa tabela ou numa figura com rótulos, no meio de um texto de outra disciplina (futebol, pintura, lavoura, ninhos de formiga); copie os pares para o rascunho antes de qualquer conta, na ordem (x,y)(x, y). Segundo, quando o item dá uma regra (uma matriz, uma troca de coordenadas), o julgamento é sobre sinais: aplique a regra a (x,y)(x, y) e leia. Terceiro, os itens tipo B pedem o número já na unidade e com o fator de escala do comando; a área da mesa era em dm² porque a unidade dos eixos era o decímetro.

O item D que pediu um esboço de plano cartesiano

Em 2024, o único item de resposta construída da prova de Matemática pediu que o candidato esboçasse um plano cartesiano com duas antenas de 5G, uma na origem e outra a 323\sqrt{2} km dela, no primeiro quadrante, sobre a reta a 45°45° com o eixo xx, e os círculos de 3 km de alcance de cada uma. A parte desta página é a posição da segunda antena: sobre a reta y=xy = x, a 323\sqrt{2} da origem, ela tem x=y=3x = y = 3, porque 32+32=18=(32)23^2 + 3^2 = 18 = (3\sqrt{2})^2. Desenhar eixos com escala, marcar (0,0)(0, 0) e (3,3)(3, 3) e traçar os dois círculos é habilidade de prova, não capricho: a banca já cobrou esboço duas vezes na década (2018 e 2024).

Os erros que mais derrubam

  • Trocar a ordem do par. O primeiro número é a abscissa (horizontal), sempre. (3,5)≠(5,3)(3, 5) \neq (5, 3).
  • Confundir sinal com lado. x<0x < 0 é esquerda; y<0y < 0 é abaixo. O segundo quadrante é (−,+)(-, +), não (+,−)(+, -).
  • Dar quadrante a ponto do eixo. (0,−8)(0, -8) está sobre o eixo yy; (200,0)(200, 0), sobre o eixo xx; nenhum dos dois tem quadrante.
  • Ignorar a unidade. Centímetros de uma bola num plano em metros; decímetros na área da mesa. Converta antes.
  • Ponto médio pela metade. As duas médias, uma por eixo; frações são resultado normal (−72-\frac{7}{2}).
  • Extrair raiz para comparar. d>5d > 5 é Δx2+Δy2>25\Delta x^2 + \Delta y^2 > 25. 281>250\sqrt{281} > \sqrt{250} porque 281>250281 > 250.
  • “Superior” lido como “maior ou igual”. Se a distância dá exatamente o limiar, a afirmação “superior” é falsa.
  • Simétrico com o sinal errado. No eixo xx troca o yy; no eixo yy troca o xx; na origem trocam os dois; em y=xy = x trocam de lugar.
  • Alinhamento “no olho”. Compare as razões Δy/Δx\Delta y / \Delta x ou zere o determinante; com trecho vertical, compare as abscissas.
  • Vértices fora de ordem na regra do cadarço. Liste em ordem ao longo do contorno; na dúvida, corte em triângulos.
  • Ler ângulo ou distância num gráfico de escalas diferentes. Só as coordenadas valem; a inclinação visual não.
  • Região com a borda errada. x>3x > 3 exclui a reta x=3x = 3; x≥3x \geq 3 inclui. Teste o ponto em todas as desigualdades.

O essencial em meia página

  • Par ordenado: P(x,y)P(x, y), abscissa primeiro. Eixos: y=0y = 0 é o eixo xx; x=0x = 0 é o eixo yy. Unidade do plano vale para as duas coordenadas.
  • Quadrantes (sinais): I (+,+)(+, +), II (−,+)(-, +), III (−,−)(-, -), IV (+,−)(+, -), no sentido anti-horário; ponto de eixo não tem quadrante. Regra dada no item: aplique a (x,y)(x, y) e leia os sinais.
  • Leitura: malha (conte o passo da grade), mapa (origem e unidade do enunciado), planta (escala converte cm em m). Latitude e longitude são as coordenadas da Terra.
  • Ponto médio: M=(xA+xB2,yA+yB2)M = \left(\frac{x_A + x_B}{2}, \frac{y_A + y_B}{2}\right); extremo a partir do meio: B=2M−AB = 2M - A; baricentro: média dos três vértices; paralelogramo: meios das diagonais coincidem.
  • Distância: d=Δx2+Δy2d = \sqrt{\Delta x^2 + \Delta y^2}; horizontal ou vertical, módulo da diferença; compare quadrados, não raízes.
  • Simetrias: eixo xx: (x,−y)(x, -y); eixo yy: (−x,y)(-x, y); origem: (−x,−y)(-x, -y); reta y=xy = x: (y,x)(y, x). A reta y=xy = x é a dos pontos com x=yx = y, a 45°45° pela origem.
  • Translação: (x,y)↦(x+a,y+b)(x, y) \mapsto (x + a, y + b), o mesmo vetor para todos os pontos; preserva tudo.
  • Alinhamento: mesma razão Δy/Δx\Delta y / \Delta x nos dois trechos, ou (xB−xA)(yC−yA)−(xC−xA)(yB−yA)=0(x_B - x_A)(y_C - y_A) - (x_C - x_A)(y_B - y_A) = 0; trecho vertical: abscissas iguais.
  • Área: triângulo com vértice na origem, 12∣x1y2−x2y1∣\frac{1}{2}|x_1 y_2 - x_2 y_1|; triângulo ou polígono qualquer, regra do cadarço com os vértices em ordem; ou diagonais e retângulo envolvente.
  • Gráficos: leia as coordenadas na escala de cada eixo; inclinação é Δy/Δx\Delta y / \Delta x numérico, não ângulo no papel; eixo cortado distorce.
  • Regiões: x>ax > a semiplano, a<x<ba < x < b faixa, duas faixas retângulo; pertencer é satisfazer todas as desigualdades.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Coordenadas no Plano - Aula 01
Portal da Matemática OBMEP · 10:33
Introdução. O professor Vander Martins (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP, 3.º ano) “introduz o plano cartesiano e mostra como os pontos são identificados no plano de acordo com as suas coordenadas”: é a seção “Dois eixos, uma origem, dois números por ponto” e a tabela de sinais da seção “Os sinais das coordenadas nomeiam o quadrante”, no ritmo de uma primeira aula.
Distância entre Dois Pontos - Aula 02
Portal da Matemática OBMEP · 11:51
Aprofundamento. Na mesma série, a aula “mostra como se calcula a distância entre dois pontos no plano conhecendo-se as suas coordenadas” e, como exercício, classifica um triângulo pelos lados a partir dos vértices: é a seção “A distância entre dois pontos é Pitágoras nas coordenadas”, com a dedução que esta página resume e o PAS cobrou em 2009, 2013 e 2021.
Ponto Médio e Baricentro - Aula 05
Portal da Matemática OBMEP · 10:49
Aprofundamento. A aula “encontra as coordenadas do ponto médio de um segmento em função das coordenadas de seus extremos” e “as coordenadas do baricentro de um triângulo em função das coordenadas dos seus vértices”: é a seção “O ponto médio é a média das coordenadas”, incluindo o baricentro que a página só menciona, com a justificativa por semelhança.
Condição de Alinhamento de Três Pontos - Aula 07
Portal da Matemática OBMEP · 10:42
Aplicação. A aula “apresenta um critério para determinar se três pontos são colineares no plano cartesiano”: é a seção “Três pontos estão na mesma reta? O teste do alinhamento”, com a forma por determinante que a página usa para incluir o caso vertical e para ligar alinhamento a área zero.
Área de um triângulo - Aula 20
Portal da Matemática OBMEP · 10:56
Resolução. No módulo Geometria Analítica 2 do mesmo Portal, a aula “deduz uma maneira prática para calcular a área de um triângulo conhecendo-se as coordenadas de seus vértices”: é a seção “Área de um triângulo e de um polígono pelos vértices”, a conta que decidiu os itens do PAS 3 de 2022 (a mesa de 39 dm²) e de 2023 (o quadrilátero de 37, não 36).
Rota PAS 3
Geometria analítica I: o plano como endereço · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Geometria analítica I: o plano como endereço · Antes de começar (ideia 1: dois eixos, um endereço; tabela de sinais dos quadrantes); Ponto: o endereço no plano (conceito, ponto médio, alinhamento, 'Na prova' com 2012/80, 2015/118 e 2015/120, checagem); Coeficiente angular (só a ideia do alinhamento por razão Δy/Δx, para a seção de alinhamento); Leia como na prova (item 2025/26, a leitura de quadrante); Banco de treino T5, T6, T11 e T21

    Recorte por assunto: o ponto e as operações que não exigem a equação da reta. Coeficiente angular, equação da reta, paralelismo, perpendicularismo e interseção ficam nas páginas seguintes. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números e ordem desta página são próprios.

  • Rota PAS 3 — Geometria analítica II e números complexos: o plano que mede e gira · Quanto mede o caminho entre dois pontos (só a fórmula da distância, o conselho de comparar quadrados e a área por coordenadas: itens 2009/103, 2013/64, 2021/28, 2023/37 e 2022/119); Banco de treino T1 e T7

    A distância de ponto a reta, a circunferência e os complexos pertencem às páginas próprias; aqui a distância entra como Pitágoras nas coordenadas e a área por coordenadas como assunto da página.

  • Mapa de itens de Matemática do PAS 3 (p1-mat a p4-mat + grep nas três classificações) · Itens marcados PC: PAS 3 2012/80, 2015/118, 2015/120, 2009/103, 2021/28, 2023/37, 2022/119; reuso por GUID de 2013/64 (teorema-de-pitagoras); 2025/26 citado na teoria (transformacoes-no-plano)

    Mapa vinculante para as 12 páginas de Matemática do PAS 3; todos os itens desta página foram abertos na imagem do caderno a 200 dpi.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe), 3.ª etapa · 2009 (itens 103 a 106), 2012 (itens 80 a 84), 2013 (item 64), 2015 (itens 116 a 120), 2016 (itens 63 a 69, texto-base das caixas simétricas), 2018 (itens 85 a 89, tabela das cidades gaúchas), 2019 (itens 76 a 79), 2021 (itens 28 a 31), 2022 (itens 117 a 120), 2023 (itens 36 a 38), 2024 (item 98), 2025 (itens 23 a 26)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB oficiais e em classificacao-pas3/AAAA.json (2012/80 C, 2015/118 C, 2015/120 C, 2009/103 C, 2021/28 C, 2023/37 E, 2022/119 resposta 039, 2013/64 C).

  • Cadernos em PDF (figuras e textos-base) · 2012-PAS3 p. 14 do caderno (p. 16 do PDF): campo de futebol com A(0,−36), B(0,−20), C(0,−9), M(0,−73/20), N(0,73/20), G(20,0), K(100,36); 2015-PAS3 p. 20 (p. 21): terreno ABCD e a circunferência de centro (p, q); 2023-PAS3 p. 5: Navio de emigrantes com O, A, B, C; 2022-PAS3 p. 16: mesa ABCD de Jantar e o cisalhamento (1/49)[[5,2],[−2,9]]; 2019-PAS3 p. 10: mapa do porto de Nova Iorque; 2021-PAS3 parte 2 p. 3: lotes A a D; 2016-PAS3 p. 9 do caderno (p. 10): 14 caixas simétricas em relação ao eixo y; 2018-PAS3 p. 12 (p. 13): mapa do Rio Grande do Sul com a tabela de coordenadas; 2009-PAS3 p. 14 (p. 15): usina P(0,8) e consumidor Q; 2025-PAS3 p. 5: canavial e a matriz de giro; 2024-PAS3 p. 13: antenas A₁ e A₂

    Páginas abertas a 200 dpi; todas as coordenadas e rótulos usados na teoria e nas questões foram lidos na imagem.