Equação da reta

Guia de estudo · Revisado em 04/10/2026

BNCC · EM13MAT401

O item D do PAS 3 de 2018 pôs o Rio Grande do Sul num plano em quilômetros, com Cachoeira do Sul na origem, e mandou esboçar a reta 8x − 21y = 1 600 dizendo por qual cidade ela passava; em 2019, o mapa do porto de Nova Iorque afirmou que, se um museu estivesse sobre a reta por duas ilhas, suas coordenadas satisfariam w/8 − z/15 = 13/60; em 2010, o espelho secundário do Hubble, inclinado 120° em relação ao eixo x e passando por (50, 0), teria equação y = −√3(x − 50). Três cenários, uma pergunta: que condição sobre x e y descreve uma reta inteira, e como se passa da equação ao desenho e do desenho à equação?

O que você vai aprender

  • Calcular o coeficiente angular de uma reta por dois de seus pontos como a razão Δy/Δx, ler no sinal de m se a reta sobe ou desce, reconhecer a reta horizontal (m = 0) e a vertical (sem coeficiente angular) e saber que a razão não depende do par de pontos escolhido.
  • Relacionar o coeficiente angular com o ângulo que a reta forma com o sentido positivo do eixo x (m = tg α), obtendo m para 30°, 45°, 60°, 120°, 135° e 150° e escrevendo a equação de uma reta dada por um ponto e um ângulo.
  • Escrever a equação de uma reta na forma ponto-declive y − y₀ = m(x − x₀), na forma reduzida y = mx + n (com n como ordenada do ponto em que a reta corta o eixo y), na forma geral ax + by + c = 0 e na forma segmentária x/p + y/q = 1, e passar de uma forma a outra sem perder a reta.
  • Extrair da forma geral o coeficiente angular (m = −a/b) e os pontos de interseção com os eixos (y = 0 e x = 0), inclusive quando a equação vem embaralhada ou multiplicada por um número.
  • Obter a equação da reta que passa por dois pontos dados, por meio do coeficiente angular ou do determinante de alinhamento, mesmo com coordenadas fracionárias ou incógnitas.
  • Decidir se um ponto pertence a uma reta substituindo suas coordenadas na equação, conferir uma equação pronta pelo método dos dois passos (o coeficiente angular e um ponto) e argumentar quando uma reta não tem ponto de coordenadas inteiras.
  • Ler a equação de uma reta num gráfico (dois pontos de leitura limpa, em especial os interceptos) e num texto (taxa constante e valor inicial), esboçar a reta a partir da equação e julgar, num mapa em coordenadas, por quais pontos uma reta passa.
  • Comparar declives de retas lidas em figuras com um limiar (como −1, o declive de 135°) sem confundir 'm menor que −1' com '|m| menor que 1'.

O item D da prova do PAS 3 de 2018 desenhou dois eixos sobre o mapa gaúcho, pôs a origem em Cachoeira do Sul e o quilômetro como unidade, deu uma tabela com oito cidades e mandou esboçar a reta de equação 8x−21y=1 6008x - 21y = 1\,600, “indicando se essa reta passa por alguma das cidades incluídas no mapa”. Em 2019, com a origem na Estátua da Liberdade e as ilhas Ellis e Black Tom nos pontos A(12,2)A\left(\frac{1}{2}, 2\right) e B(−2,23)B\left(-2, \frac{2}{3}\right), a banca afirmou que, se um museu de coordenadas (z,w)(z, w) estivesse sobre a reta por AA e BB, então w8−z15=1360\frac{w}{8} - \frac{z}{15} = \frac{13}{60}. Em 2010, o espelho secundário do telescópio Hubble, um segmento que forma 120°120° com o sentido positivo do eixo xx e passa por P(50,0)P(50, 0), teria equação y=−3 (x−50)y = -\sqrt{3}\,(x - 50). Nos três itens a reta não é um desenho: é uma condição sobre xx e yy. Que condição algébrica descreve uma reta inteira, e como se passa dela ao desenho e do desenho a ela?

Esta página responde a isso em duas partes. A primeira é o número que separa duas retas que se cruzam num mesmo ponto, o coeficiente angular: como se calcula a partir de dois pontos, o que o sinal diz, por que a reta vertical não o tem e como ele se liga ao ângulo com o eixo xx. A segunda é a equação nas suas quatro escritas (ponto-declive, reduzida, geral e segmentária), a passagem de uma para outra, a reta por dois pontos, a conferência de uma equação pronta e a pertinência de um ponto. O que já ficou na página do plano cartesiano (ponto médio, distância, alinhamento de três pontos) é usado aqui sem repetição; o que a função afim já fez (a reta como gráfico de f(x)=ax+bf(x) = ax + b, taxa e valor inicial, modelos de tarifa e movimento) é só remetido. Paralelas, perpendiculares e o cruzamento de duas retas são a página seguinte; quanto um ponto dista de uma reta fica na página de distâncias.

Uma reta é o conjunto dos pontos que obedecem a uma condição

Pegue a condição x+y=10x + y = 10. Os pontos (3,7)(3, 7), (10,0)(10, 0), (−2,12)(-2, 12) e (6,5; 3,5)(6{,}5;\ 3{,}5) a satisfazem; o ponto (4,5)(4, 5) não, porque 4+5=94 + 5 = 9. Marcando no plano todos os pares que fecham a igualdade, aparece uma reta, e nada fora dela: a condição funciona como um filtro que deixa passar exatamente os pontos da reta. É nesse sentido que se diz que a equação descreve a reta, ou que a reta é o lugar geométrico dos pontos cujas coordenadas satisfazem a equação.

Equação de uma reta e pertinência de um ponto

Uma equação do primeiro grau em xx e yy (nenhuma das duas letras elevada a potência, nenhum produto xyxy) tem como gráfico uma reta, e toda reta do plano é o gráfico de uma equação assim. Um ponto P(x0,y0)P(x_0, y_0) pertence à reta quando, substituídas as suas coordenadas, a igualdade fica verdadeira; não pertence quando fica falsa. Não existe terceiro caso: a pertinência é uma conta de substituição, nunca uma leitura no desenho.

Duas consequências vão aparecer o tempo todo. A primeira: uma equação com duas incógnitas tem infinitas soluções, e são essas soluções, uma para cada valor de xx, que formam a reta. A segunda: a reta vertical, formada pelos pontos de abscissa fixa (todos os (4,y)(4, y), por exemplo), tem equação x=4x = 4, uma equação em que yy nem aparece. Ela é uma reta como qualquer outra, mas não é gráfico de função nenhuma (a um único xx correspondem todos os yy), e por isso a geometria analítica precisa de uma escrita mais geral do que o y=ax+by = ax + b da função afim. Essa escrita é a forma geral, que chega daqui a algumas seções.

O coeficiente angular mede quanto y varia por unidade de x

Tome dois pontos de uma reta, A(1,2)A(1, 2) e B(7,5)B(7, 5). De AA a BB, a abscissa avança Δx=7−1=6\Delta x = 7 - 1 = 6 e a ordenada sobe Δy=5−2=3\Delta y = 5 - 2 = 3. A razão ΔyΔx=36=12\frac{\Delta y}{\Delta x} = \frac{3}{6} = \frac{1}{2} diz que, nessa reta, cada unidade andada em xx custa meia unidade em yy. Tome agora outros dois pontos da mesma reta, (3,3)(3, 3) e (5,4)(5, 4): Δx=2\Delta x = 2, Δy=1\Delta y = 1, razão 12\frac{1}{2} outra vez. Não é coincidência: os dois triângulos de catetos formados pelos deslocamentos horizontal e vertical são semelhantes (têm os mesmos ângulos, porque a hipotenusa de ambos é a mesma reta), e triângulos semelhantes têm catetos proporcionais. A razão é uma propriedade da reta, não dos pontos escolhidos.

Plano cartesiano com a reta pelos pontos A(1, 2) e B(7, 5). Um triângulo tracejado em verde liga A ao ponto (7, 2) e este a B, com os catetos rotulados Δx = 6 e Δy = 3. Um segundo triângulo menor, em âmbar, liga (3, 3) a (5, 3) e a (5, 4), com Δx = 2 e Δy = 1. À direita, o painel de texto: m = Δy/Δx; par A, B: m = 3/6 = 1/2; par (3, 3), (5, 4): m = 1/2; os dois triângulos são semelhantes; m positivo sobe, negativo desce, zero horizontal; vertical não tem m; equação y = (1/2)x + 3/2.
O coeficiente angular é a razão entre a variação de yy e a variação de xx entre dois pontos quaisquer da reta. Os triângulos de catetos são semelhantes, por isso a razão não depende do par escolhido: 36\frac{3}{6} e 12\frac{1}{2} são a mesma inclinação. Diagrama autoral.
Coeficiente angular (declive) de uma reta

Dados dois pontos distintos P(x1,y1)P(x_1, y_1) e Q(x2,y2)Q(x_2, y_2) de uma reta não vertical, o coeficiente angular da reta é

m=y2−y1x2−x1=ΔyΔx,x2≠x1.m = \frac{y_2 - y_1}{x_2 - x_1} = \frac{\Delta y}{\Delta x}, \qquad x_2 \neq x_1.

As duas subtrações têm de ser feitas na mesma ordem (segundo ponto menos primeiro, nas duas); trocar a ordem nas duas ao mesmo tempo não altera mm, porque os dois sinais trocam juntos. Leitura do sinal: m>0m > 0, a reta sobe quando se caminha para a direita; m<0m < 0, desce; m=0m = 0, a reta é horizontal (y=ky = k). Se x1=x2x_1 = x_2, a reta é vertical (x=kx = k), Δx=0\Delta x = 0 e a divisão não existe: a reta vertical não tem coeficiente angular.

O coeficiente angular tem unidade quando os eixos têm unidade: num plano em que xx e yy estão ambos em metros, mm é um número puro (metros por metro); num gráfico de volume contra tempo, mm é litros por minuto, e aí ele se chama taxa de variação, assunto da função afim. Uma tubulação enterrada que desce 2 m a cada 50 m percorridos na horizontal tem declive m=−250=−0,04m = -\frac{2}{50} = -0{,}04; uma estrada que sobe 6 m em 100 m tem m=0,06m = 0{,}06, o que os engenheiros chamam de rampa de 6 %. É a mesma ideia com outro nome.

Os dois erros de conta no coeficiente angular

O primeiro é inverter a fração: ΔxΔy\frac{\Delta x}{\Delta y} no lugar de ΔyΔx\frac{\Delta y}{\Delta x}. Com A(1,2)A(1, 2) e B(7,5)B(7, 5), a inversão dá 22 em vez de 12\frac{1}{2}, e a reta “sobe” quatro vezes mais rápido do que deveria. O segundo é subtrair numa ordem em cima e na ordem contrária embaixo, yB−yAxA−xB\frac{y_B - y_A}{x_A - x_B}: o resultado é −m-m, uma reta que desce no lugar de uma que sobe. Um teste rápido contra os dois: olhe para os dois pontos e diga, antes de calcular, se a reta sobe ou desce e se ela é mais “deitada” ou mais “em pé” do que a diagonal a 45°45°. Com AA e BB acima, ela sobe (o ponto da direita está mais alto) e é deitada (sobe 3 para avançar 6): mm tem de ser positivo e menor que 1.

Dois casos que derrubam por descuido. A reta pelos pontos (−2,5)(-2, 5) e (6,5)(6, 5) tem m=08=0m = \frac{0}{8} = 0: ela é horizontal, e o seu coeficiente angular existe e vale zero. A reta pelos pontos (5,1)(5, 1) e (5,8)(5, 8) tem Δx=0\Delta x = 0: é a vertical x=5x = 5, e não tem coeficiente angular. Diante de uma afirmação como “a reta y=5y = 5 não possui coeficiente angular”, julgue errado; a mesma frase sobre a reta x=5x = 5 é verdadeira. Zero e “não existe” são coisas diferentes.

Comparar o declive com um limiar: o que a banca faz com figuras

Os itens de coeficiente angular do PAS 3 nunca pedem “calcule mm”. Eles dão dois pontos (numa tabela ou numa figura impressa) e afirmam uma desigualdade: “mm é menor que −1-1”, “mm é inferior a −0,6-0{,}6”, “mm é superior a tg⁡3π4\operatorname{tg}\frac{3\pi}{4}”. O trabalho é fechar a fração e comparar.

Em 2014, seis antenas de telefonia estavam marcadas numa malha em quilômetros, com as coordenadas lidas nas linhas tracejadas da figura: E(8,−2)E(8, -2) e F(12,−5)F(12, -5) eram duas delas, e o item afirmou que “a equação da reta que passa pelas antenas nas posições E e F tem coeficiente angular menor que −1”. De EE a FF: Δx=12−8=4\Delta x = 12 - 8 = 4, Δy=−5−(−2)=−3\Delta y = -5 - (-2) = -3, m=−34=−0,75m = -\frac{3}{4} = -0{,}75. A reta desce, mas devagar: −0,75-0{,}75 está à direita de −1-1 na reta numérica, isto é, é maior que −1-1. Errado. O item conta com a confusão entre “m<−1m < -1” (reta que desce mais inclinada que a diagonal a 135°135°) e “∣m∣<1|m| < 1” (reta mais deitada que a diagonal): −34-\frac{3}{4} satisfaz a segunda e não a primeira.

Em 2008, o desenho era um home theater visto de cima: a TV em AA, no ponto mais alto de uma semicircunferência de centro D(4,0)D(4, 0) e raio 4 m, e duas caixas de som BB e CC na mesma altura, com BB de abscissa 1. O texto garante que AA e CC estão sobre a circunferência; que BB também está sobre ela é leitura da figura, em que o arco tracejado passa por BB e um segmento horizontal liga BB a CC. Isso basta para ter todas as coordenadas: A(4,4)A(4, 4) (o topo fica 4 m acima do centro); B(1,yB)B(1, y_B) com (1−4)2+yB2=16(1 - 4)^2 + y_B^2 = 16, logo yB=7y_B = \sqrt{7}; e C(7,7)C(7, \sqrt{7}), o espelho de BB em relação à vertical pelo centro. O item afirmou que “o coeficiente angular da reta que passa pelos pontos onde estão posicionadas a TV e a caixa de som CC é inferior a −0,6-0{,}6”. De AA a CC: m=7−47−4=7−43m = \frac{\sqrt{7} - 4}{7 - 4} = \frac{\sqrt{7} - 4}{3}. Para comparar com −0,6-0{,}6 sem calculadora: m<−0,6m < -0{,}6 equivale a 7−4<−1,8\sqrt{7} - 4 < -1{,}8, isto é, 7<2,2\sqrt{7} < 2{,}2, isto é, 7<4,847 < 4{,}84. Falso. Errado; o valor é ≈−0,45\approx -0{,}45. A raiz assusta, mas a comparação por quadrados, a mesma da distância entre pontos, resolve sem aproximar nada.

O ângulo com o eixo x entra pela tangente: m = tg α

Há uma segunda maneira de ler ΔyΔx\frac{\Delta y}{\Delta x}. No triângulo de catetos Δx\Delta x (horizontal) e Δy\Delta y (vertical), a razão entre o cateto oposto e o cateto adjacente ao ângulo que a reta forma com a horizontal é, por definição, a tangente desse ângulo. Chamando de α\alpha o ângulo entre o sentido positivo do eixo xx e a reta, medido no sentido anti-horário, vale m=tg⁡αm = \operatorname{tg}\alpha.

Plano cartesiano com quatro retas pela origem e os arcos dos ângulos que cada uma forma com o sentido positivo do eixo x: 30° em âmbar com m = tg 30° = raiz de 3 sobre 3; 45° em azul com m = 1; 120° em vermelho com m = menos raiz de 3; 135° em verde com m = menos 1. Uma reta vertical tracejada em cinza marca 90°, sem coeficiente angular. Embaixo, o texto: alfa é medido do sentido positivo do eixo x no sentido anti-horário, entre 0° e 180°; agudo dá m positivo, obtuso dá m negativo; tabela com 0°, 30°, 45°, 60°, 120°, 135° e 150°.
O coeficiente angular vale a tangente de α\alpha, o ângulo entre o sentido positivo do eixo xx e a reta. Ângulo agudo, m>0m > 0; ângulo obtuso, m<0m < 0; 90°90°, reta vertical sem mm. A reta a 135°135° (m=−1m = -1) é o limiar que a banca mais usa. Diagrama autoral.
Inclinação e coeficiente angular

Se α\alpha é o ângulo entre o sentido positivo do eixo xx e a reta, com 0°≤α<180°0° \le \alpha < 180°, então m=tg⁡αm = \operatorname{tg}\alpha. Valores que aparecem em prova:

tg⁡0°=0,tg⁡30°=33,tg⁡45°=1,tg⁡60°=3,tg⁡120°=−3,tg⁡135°=−1,tg⁡150°=−33.\operatorname{tg} 0° = 0,\quad \operatorname{tg} 30° = \frac{\sqrt{3}}{3},\quad \operatorname{tg} 45° = 1,\quad \operatorname{tg} 60° = \sqrt{3},\quad \operatorname{tg} 120° = -\sqrt{3},\quad \operatorname{tg} 135° = -1,\quad \operatorname{tg} 150° = -\frac{\sqrt{3}}{3}.

Para um ângulo obtuso, tg⁡α=−tg⁡(180°−α)\operatorname{tg}\alpha = -\operatorname{tg}(180° - \alpha): o valor é o do ângulo suplementar com o sinal trocado. Em α=90°\alpha = 90° a tangente não existe, e a reta é vertical. Duas retas com o mesmo α\alpha têm o mesmo mm, mas mm não é α\alpha: uma reta de m=2m = 2 não faz 2°2° com o eixo, faz arctg⁡2≈63,4°\operatorname{arctg} 2 \approx 63{,}4°.

Exemplo resolvido 1: a reta do espelho secundário (PAS 3 2010). O esquema do Hubble vinha num plano em metros: o espelho primário era uma parábola com o vértice VV no eixo xx, à esquerda da origem, e os pontos AA e DD sobre o eixo yy; o espelho secundário era o segmento BCBC, com o centro PP sobre o eixo xx, e “o ângulo obtuso entre BCBC e a direção positiva de OxOx é igual a 120°120°”. O item: “Se P=(50,0)P = (50, 0), então a reta que contém o segmento BCBC pode ser corretamente representada pela equação y=−3(x−50)y = -\sqrt{3}(x - 50).” A reta é determinada por um ponto, P(50,0)P(50, 0), e um ângulo, 120°120°. Seu coeficiente angular é m=tg⁡120°=−3m = \operatorname{tg} 120° = -\sqrt{3} (obtuso, logo negativo; o suplementar é 60°60°, de tangente 3\sqrt{3}). A equação da reta que passa por (50,0)(50, 0) com esse mm é y−0=−3(x−50)y - 0 = -\sqrt{3}(x - 50), exatamente a afirmada. Certo. Conferência pelo desenho: um ponto da reta com x=49x = 49 tem y=3≈1,7>0y = \sqrt{3} \approx 1{,}7 > 0, acima do eixo e à esquerda de PP, onde a figura põe CC; um ponto com x=51x = 51 tem y≈−1,7y \approx -1{,}7, embaixo e à direita, onde está BB. A reta desce para a direita, como uma inclinação de 120°120° exige.

Em 2009 o mesmo teste veio disfarçado de número complexo. As três raízes de z3+i=0z^3 + i = 0 foram marcadas numa circunferência de raio 1 e nomeadas AA, BB e CC em ordem crescente de argumento: AA no alto do eixo yy, BB embaixo à esquerda, CC embaixo à direita. Como z3=−iz^3 = -i tem argumento 3π2\frac{3\pi}{2}, as raízes têm argumentos π2\frac{\pi}{2}, 7π6\frac{7\pi}{6} e 11π6\frac{11\pi}{6}: A(0,1)A(0, 1), B(−32,−12)B\left(-\frac{\sqrt{3}}{2}, -\frac{1}{2}\right) e C(32,−12)C\left(\frac{\sqrt{3}}{2}, -\frac{1}{2}\right). O item afirmou que “o coeficiente angular da reta que passa pelos pontos AA e CC é superior a tg⁡3π4\operatorname{tg}\frac{3\pi}{4}”. De AA a CC: m=−12−132−0=−3232=−33=−3m = \dfrac{-\frac{1}{2} - 1}{\frac{\sqrt{3}}{2} - 0} = \dfrac{-\frac{3}{2}}{\frac{\sqrt{3}}{2}} = -\frac{3}{\sqrt{3}} = -\sqrt{3}. O limiar: tg⁡3π4=tg⁡135°=−1\operatorname{tg}\frac{3\pi}{4} = \operatorname{tg} 135° = -1. Como −3≈−1,73<−1-\sqrt{3} \approx -1{,}73 < -1, a afirmação é falsa. Errado. Lido em ângulos: a reta ACAC faz 120°120° com o eixo xx (desce mais inclinada que a diagonal); a reta de m=−1m = -1 faz 135°135°. A banca escolheu o limiar na forma de tangente para que o candidato tivesse de saber que tg⁡3π4=−1\operatorname{tg}\frac{3\pi}{4} = -1 antes de comparar.

Ponto-declive: um ponto e um coeficiente angular determinam a reta

Se uma reta passa por A(x0,y0)A(x_0, y_0) e tem coeficiente angular mm, qualquer outro ponto P(x,y)P(x, y) dela forma com AA um deslocamento cuja razão é mm: y−y0x−x0=m\frac{y - y_0}{x - x_0} = m. Multiplicando pelo denominador, fica uma equação sem fração, válida para todos os pontos da reta (inclusive o próprio AA, que a satisfaz com 0=00 = 0).

Forma ponto-declive

A reta que passa por A(x0,y0)A(x_0, y_0) com coeficiente angular mm é

y−y0=m (x−x0).y - y_0 = m\,(x - x_0).

Lê-se assim: saindo de AA, cada unidade andada em xx custa mm unidades em yy, e a equação só registra esse acordo para um ponto (x,y)(x, y) qualquer. É a escrita mais direta quando o enunciado dá um ponto e um declive (ou um ponto e um ângulo, como no exemplo do Hubble), e é o primeiro passo para as outras formas. A reta vertical por (x0,y0)(x_0, y_0) não cabe nela; sua equação é x=x0x = x_0.

Reta por (3,−1)(3, -1) com m=2m = 2: y−(−1)=2(x−3)y - (-1) = 2(x - 3), isto é, y+1=2x−6y + 1 = 2x - 6, ou y=2x−7y = 2x - 7. Conferência: em x=3x = 3, y=−1y = -1; em x=5x = 5, y=3y = 3, e de (3,−1)(3, -1) a (5,3)(5, 3) a razão é 42=2\frac{4}{2} = 2. Reta por (−4,6)(-4, 6) com m=−12m = -\frac{1}{2}: y−6=−12(x+4)y - 6 = -\frac{1}{2}(x + 4), logo y=−12x+4y = -\frac{1}{2}x + 4. Repare no cuidado com os sinais: x−(−4)x - (-4) é x+4x + 4, e o −12-\frac{1}{2} multiplica o parêntese inteiro.

Forma reduzida y = mx + n: n é a altura em que a reta corta o eixo y

Distribuindo e isolando yy na forma ponto-declive, chega-se a y=mx+ny = mx + n, em que n=y0−mx0n = y_0 - m x_0 é um número. O significado de nn se lê fazendo x=0x = 0: y=ny = n. Logo nn é a ordenada do ponto (0,n)(0, n) em que a reta atravessa o eixo yy, o coeficiente linear ou intercepto. Na função afim, os mesmos dois números se chamam aa (taxa) e bb (valor inicial): y=mx+ny = mx + n e f(x)=ax+bf(x) = ax + b são a mesma reta com letras diferentes.

Dois painéis. À esquerda, quatro retas paralelas de coeficiente angular 1/2 e interceptos n igual a menos 2, 0, 2 e 4, cada uma cortando o eixo y na própria altura n. À direita, quatro retas que passam pelo mesmo ponto (0, 2), com coeficientes angulares 2, 1/2, 0 e menos 1; a de coeficiente zero é horizontal.
Mudar nn com mm fixo desliza a reta para cima ou para baixo sem girar (à esquerda); mudar mm com nn fixo gira a reta em torno do ponto (0,n)(0, n) (à direita). Toda reta não vertical é um membro das duas famílias ao mesmo tempo. Diagrama autoral.
Forma reduzida

y=mx+n,y = mx + n,

com mm o coeficiente angular e nn o coeficiente linear, ordenada do ponto em que a reta corta o eixo yy. Serve para toda reta não vertical. A reta horizontal é o caso m=0m = 0: y=ny = n. A reta pela origem é o caso n=0n = 0: y=mxy = mx (é a reta da proporcionalidade direta). A reta corta o eixo xx onde y=0y = 0: em x=−nmx = -\frac{n}{m}, se m≠0m \neq 0.

Em y=3x−6y = 3x - 6: m=3m = 3, a reta sobe; n=−6n = -6, ela atravessa o eixo yy no ponto (0,−6)(0, -6); cruza o eixo xx onde 3x−6=03x - 6 = 0, x=2x = 2, no ponto (2,0)(2, 0). Em y=−23x+4y = -\frac{2}{3}x + 4 a reta desce; os cruzamentos são (0,4)(0, 4) no eixo vertical e (6,0)(6, 0) no horizontal.

n não é a raiz, e m não é o ângulo

O coeficiente linear é onde a reta corta o eixo vertical; onde ela corta o eixo horizontal é a raiz −nm-\frac{n}{m}, outro número. Em y=3x−6y = 3x - 6, n=−6n = -6 e a raiz é 22. Trocar os dois é o erro mais comum na leitura de gráficos: o ponto “em que a reta toca o eixo” precisa vir com o nome do eixo. E mm é a tangente do ângulo, não o ângulo: m=3m = 3 corresponde a α≈71,6°\alpha \approx 71{,}6°, não a 3°3°.

Forma geral ax + by + c = 0: a única escrita que cobre todas as retas

Passe tudo para um lado em y=34x+2y = \frac{3}{4}x + 2 e elimine o denominador: 4y=3x+84y = 3x + 8, logo 3x−4y+8=03x - 4y + 8 = 0. Essa é a forma geral. Ela aceita também a reta vertical, que a reduzida não aceita: x=4x = 4 é 1⋅x+0⋅y−4=01 \cdot x + 0 \cdot y - 4 = 0. E tem uma propriedade que a torna a preferida das provas: a mesma reta admite infinitas formas gerais, uma para cada número pelo qual se multiplique a equação inteira. 3x−4y+8=03x - 4y + 8 = 0, 6x−8y+16=06x - 8y + 16 = 0 e −32x+2y−4=0-\frac{3}{2}x + 2y - 4 = 0 são a mesma reta.

Forma geral e o que se lê nela

ax+by+c=0,a e b na˜o ambos nulos.ax + by + c = 0, \qquad a \text{ e } b \text{ não ambos nulos.}

  • Se b≠0b \neq 0, isolando yy: y=−abx−cby = -\frac{a}{b}x - \frac{c}{b}. Logo o coeficiente angular é m=−abm = -\dfrac{a}{b} e o coeficiente linear é n=−cbn = -\dfrac{c}{b}.
  • Interseção com o eixo yy (x=0x = 0): (0,−cb)\left(0, -\frac{c}{b}\right). Interseção com o eixo xx (y=0y = 0): (−ca,0)\left(-\frac{c}{a}, 0\right), se a≠0a \neq 0.
  • b=0b = 0: reta vertical x=−cax = -\frac{c}{a}, sem mm. a=0a = 0: reta horizontal y=−cby = -\frac{c}{b}, com m=0m = 0. c=0c = 0: a reta passa pela origem.
  • Multiplicar a equação inteira por um número não nulo não muda a reta.

Muitos enunciados escrevem a forma geral como ax+by=cax + by = c (o termo independente do outro lado). Então m=−abm = -\frac{a}{b} continua valendo, e os interceptos passam a ser ca\frac{c}{a} no eixo xx e cb\frac{c}{b} no eixo yy. O sinal de cc muda de lado; o método não.

A passagem entre as formas é a habilidade mais cobrada. Da geral para a reduzida: isole yy. Em 2x+5y−10=02x + 5y - 10 = 0, 5y=−2x+105y = -2x + 10, y=−25x+2y = -\frac{2}{5}x + 2: m=−25m = -\frac{2}{5}, n=2n = 2. Da reduzida para a geral: elimine denominadores e passe tudo para um lado. De y=23x−1y = \frac{2}{3}x - 1: 3y=2x−33y = 2x - 3, logo 2x−3y−3=02x - 3y - 3 = 0. Se a equação chegar desordenada, ponha-a em ordem antes de identificar aa e bb: 5y=2x−105y = 2x - 10 é 2x−5y−10=02x - 5y - 10 = 0, com a=2a = 2, b=−5b = -5, m=−2−5=25m = -\frac{2}{-5} = \frac{2}{5} e n=−−10−5=−2n = -\frac{-10}{-5} = -2. A estrada do canavial da prova de 2025, 3x+4y=8003x + 4y = 800, tem m=−34m = -\frac{3}{4} e atravessa os eixos em (0,200)(0, 200) e em (8003,0)\left(\frac{800}{3}, 0\right); o 800800 está do lado direito, e por isso os interceptos saem sem troca de sinal.

Quatro caixas ligadas por setas, com a mesma reta escrita em cada forma: ponto-declive y − 3 = −(1/2)(x − 2); reduzida y = −(1/2)x + 4; geral x + 2y − 8 = 0; segmentária x/8 + y/4 = 1. As setas levam os rótulos: distribuir e isolar y; tudo para um lado sem denominadores; dividir por menos c, com p = −c/a e q = −c/b; de volta, m = −q/p e n = q.
A mesma reta (por (2,3)(2, 3), com m=−12m = -\frac{1}{2}) nas quatro escritas e as operações que levam de uma a outra. Na forma geral, m=−abm = -\frac{a}{b}; a vertical só existe nela. Diagrama autoral.
Na forma geral, m não é o número que multiplica x

Em 3x+4y=8003x + 4y = 800 o coeficiente angular é −34-\frac{3}{4}, não 33. Em 2x−5y−10=02x - 5y - 10 = 0 é +25+\frac{2}{5}, porque −ab=−2−5-\frac{a}{b} = -\frac{2}{-5}. O sinal de bb entra na conta, e a equação precisa estar arrumada (todos os termos de um lado, ou ax+byax + by de um lado e o número do outro) antes de identificar aa e bb. Um mm lido errado aqui se propaga para as páginas seguintes, onde ele decide paralelas, perpendiculares e ângulos.

Exemplo resolvido 2: o esboço da reta no mapa (PAS 3 2018, tipo D). Com Cachoeira do Sul na origem e as cidades em quilômetros (Porto Alegre (200,0)(200, 0), Candelária (20,35)(20, 35), Agudo (−25,40)(-25, 40), Santa Maria (−80,30)(-80, 30), Pelotas (40,−220)(40, -220), Santana do Livramento (−280,−90)(-280, -90), Cruz Alta (−84,187)(-84, 187), Caxias do Sul (210,80)(210, 80)), o item pediu: “Esboce, no sistema de coordenadas a seguir, o gráfico da reta de equação 8x−21y=1 6008x - 21y = 1\,600, indicando se essa reta passa por alguma das cidades incluídas no mapa.” Para esboçar uma reta bastam dois pontos, e os mais fáceis são os cortes nos eixos. Com y=0y = 0: 8x=1 6008x = 1\,600, x=200x = 200; a reta corta o eixo xx em (200,0)(200, 0). Com x=0x = 0: −21y=1 600-21y = 1\,600, y=−1 60021≈−76,2y = -\frac{1\,600}{21} \approx -76{,}2; corta o eixo yy em (0,−76,2)(0, -76{,}2). O coeficiente angular, m=−8−21=821≈0,38m = -\frac{8}{-21} = \frac{8}{21} \approx 0{,}38, confirma uma reta que sobe devagar da esquerda para a direita, passando abaixo da origem. Por quais cidades ela passa? O ponto (200,0)(200, 0) é Porto Alegre: 8⋅200−21⋅0=1 6008 \cdot 200 - 21 \cdot 0 = 1\,600. Para as outras, substitua: Caxias do Sul dá 8⋅210−21⋅80=1 680−1 680=08 \cdot 210 - 21 \cdot 80 = 1\,680 - 1\,680 = 0; Pelotas dá 320+4 620=4 940320 + 4\,620 = 4\,940; Candelária, 160−735=−575160 - 735 = -575; Agudo, −200−840=−1 040-200 - 840 = -1\,040; Santa Maria, −640−630=−1 270-640 - 630 = -1\,270; Santana do Livramento, −2 240+1 890=−350-2\,240 + 1\,890 = -350; Cruz Alta, −672−3 927=−4 599-672 - 3\,927 = -4\,599; Cachoeira do Sul, 00. Nenhuma dessas chega a 1 6001\,600: a reta passa só por Porto Alegre. Conferência do esboço: a reta deve cruzar o eixo xx exatamente sobre o ponto da capital e descer até cerca de −76-76 km no eixo yy; qualquer traçado que passe por cima de Caxias ou de Pelotas está errado.

Plano cartesiano em quilômetros com as oito cidades do item de 2018 marcadas por suas coordenadas, Cachoeira do Sul na origem e Porto Alegre em destaque em (200, 0). A reta 8x − 21y = 1 600 cruza o eixo x em Porto Alegre e o eixo y em (0, −76,2). À direita, o painel com m = 8/21, os dois interceptos e o teste de cada cidade na equação: só Porto Alegre dá 1 600.
A reta 8x−21y=1 6008x - 21y = 1\,600 no mapa gaúcho: interceptos (200,0)(200, 0) e (0,−76,2)(0, -76{,}2), declive 821\frac{8}{21}. Testar uma cidade é substituir as coordenadas; só Porto Alegre fecha 1 6001\,600. Diagrama autoral.
A mesma inclinação de Cachoeira a Caxias

A reta por Cachoeira do Sul (0,0)(0, 0) e Caxias do Sul (210,80)(210, 80) tem m=80210=821m = \frac{80}{210} = \frac{8}{21}, o mesmo declive da reta do item, e equação 8x−21y=08x - 21y = 0. As duas equações diferem só no termo independente (00 e 1 6001\,600): são duas retas com a mesma direção, e a da banca é a que foi deslocada até passar por Porto Alegre. O nome dessa relação, e o que se faz com ela, ficam para a página seguinte.

Forma segmentária x/p + y/q = 1: os interceptos à vista

Se a reta atravessa o eixo xx no ponto (p,0)(p, 0) e o eixo yy no ponto (0,q)(0, q), com pp e qq não nulos, seu coeficiente angular é m=q−00−p=−qpm = \frac{q - 0}{0 - p} = -\frac{q}{p} e sua forma reduzida é y=−qpx+qy = -\frac{q}{p}x + q. Dividindo tudo por qq e arrumando, xp+yq=1\frac{x}{p} + \frac{y}{q} = 1. Os dois denominadores são, na ordem, o corte no eixo xx e o corte no eixo yy.

Plano cartesiano com a reta azul por P(0, 8), rotulado usina, e Q(6, 0), rotulado consumidor, com a equação x/6 + y/8 = 1; e uma reta vermelha tracejada, x/8 + y/6 = 1, que passa por (8, 0) e (0, 6), os interceptos trocados. O painel à direita explica: p é o corte no eixo x e q o corte no eixo y; a reta por (6, 0) e (0, 8) é x/6 + y/8 = 1, ou 4x + 3y = 24, com m = −4/3; a equação de interceptos trocados passa por (8, 0) e (0, 6) e falha no teste com P; a forma não serve para retas pela origem nem paralelas aos eixos.
Na forma segmentária os denominadores são os interceptos, na ordem xx depois yy. A reta da usina P(0,8)P(0, 8) ao consumidor Q(6,0)Q(6, 0) é x6+y8=1\frac{x}{6} + \frac{y}{8} = 1; a equação com os denominadores trocados é outra reta, que passa por (8,0)(8, 0) e (0,6)(0, 6). Diagrama autoral.
Forma segmentária

Para uma reta cujos cruzamentos com os eixos são (p,0)(p, 0) no eixo xx e (0,q)(0, q) no eixo yy, com p≠0p \neq 0 e q≠0q \neq 0,

xp+yq=1.\frac{x}{p} + \frac{y}{q} = 1.

Da forma geral ax+by+c=0ax + by + c = 0 com aa, bb e cc não nulos, chega-se a ela dividindo por −c-c: p=−cap = -\frac{c}{a} e q=−cbq = -\frac{c}{b}. Ela não existe para retas pela origem (os dois interceptos coincidem em (0,0)(0, 0)) nem para retas paralelas a um eixo (falta um dos interceptos). Conferência instantânea: (p,0)(p, 0) dá 1+0=11 + 0 = 1 e (0,q)(0, q) dá 0+1=10 + 1 = 1.

Exemplo resolvido 3: a linha de transmissão (PAS 3 2009). Numa figura em quilômetros, a usina estava em P(0,8)P(0, 8), sobre o eixo yy, e o consumidor em QQ, sobre o eixo xx, a 10 km da usina em linha reta; o item anterior do bloco já tinha estabelecido que QQ fica a 6 km da origem, isto é, Q(6,0)Q(6, 0). A afirmação a julgar: “A reta que passa pelos pontos P e Q é representada pela equação x8+y6=1\frac{x}{8} + \frac{y}{6} = 1.” Os cruzamentos da reta com os eixos são Q(6,0)Q(6, 0) no eixo xx e P(0,8)P(0, 8) no eixo yy, logo sua forma segmentária é x6+y8=1\frac{x}{6} + \frac{y}{8} = 1: o 66 embaixo do xx, o 88 embaixo do yy. A equação afirmada tem os denominadores trocados e descreve a reta por (8,0)(8, 0) e (0,6)(0, 6). Errado. Conferência por substituição: P(0,8)P(0, 8) na equação do item dá 0+86=43≠10 + \frac{8}{6} = \frac{4}{3} \neq 1. Na forma geral, a reta correta é 4x+3y=244x + 3y = 24 (multiplicando por 24), ou qualquer múltipla, como 8x+6y=488x + 6y = 48, e tem m=−43m = -\frac{4}{3}.

A forma segmentária é a melhor para ler a equação num gráfico quando os dois cortes nos eixos estão marcados. No PAS 1 de 2019, um gráfico em metros mostrava duas regiões triangulares com vértices em (0,300)(0, 300) no eixo yy e (200,0)(200, 0) no eixo xx, separadas pelo segmento entre esses dois pontos; o item afirmou que “a equação da reta que contém o segmento que separa as porções A1A_1 e A2A_2 é 3x+2y=6003x + 2y = 600”. Os interceptos estão na figura: p=200p = 200, q=300q = 300. Então x200+y300=1\frac{x}{200} + \frac{y}{300} = 1, e, multiplicando por 600600, 3x+2y=6003x + 2y = 600. Certo. Sem a forma segmentária, o caminho é o mesmo com um passo a mais: m=0−300200−0=−32m = \frac{0 - 300}{200 - 0} = -\frac{3}{2}, y=−32x+300y = -\frac{3}{2}x + 300, 2y=−3x+6002y = -3x + 600.

Interceptos trocados e sinais perdidos

A forma segmentária é a mais fácil de errar por inversão: x8+y6=1\frac{x}{8} + \frac{y}{6} = 1 e x6+y8=1\frac{x}{6} + \frac{y}{8} = 1 são retas diferentes, e a banca de 2009 cobrou exatamente essa troca. O denominador de xx é onde a reta corta o eixo xx. E um intercepto negativo fica negativo no denominador: a reta por (4,0)(4, 0) e (0,−3)(0, -3) é x4+y−3=1\frac{x}{4} + \frac{y}{-3} = 1, isto é, x4−y3=1\frac{x}{4} - \frac{y}{3} = 1, ou 3x−4y=123x - 4y = 12.

Reta por dois pontos: pelo coeficiente angular ou pelo determinante

Dois pontos determinam uma reta, e a equação sai em dois passos: o coeficiente angular pelos dois pontos, depois a forma ponto-declive com qualquer um deles. Com P(−2,1)P(-2, 1) e Q(4,4)Q(4, 4): m=4−14−(−2)=36=12m = \frac{4 - 1}{4 - (-2)} = \frac{3}{6} = \frac{1}{2}; por PP: y−1=12(x+2)y - 1 = \frac{1}{2}(x + 2); reduzida: y=12x+2y = \frac{1}{2}x + 2; geral, multiplicando por 2: x−2y+4=0x - 2y + 4 = 0. Conferência obrigatória com o ponto que não foi usado: Q(4,4)Q(4, 4) dá 4−8+4=04 - 8 + 4 = 0. Usar QQ em vez de PP no segundo passo leva à mesma reta: y−4=12(x−4)y - 4 = \frac{1}{2}(x - 4) também vira y=12x+2y = \frac{1}{2}x + 2.

Plano cartesiano com os pontos P(−2, 1) e Q(4, 4), a reta por eles e o triângulo tracejado de catetos Δx = 6 e Δy = 3. O ponto (0, 2), onde a reta corta o eixo y, e o ponto (−4, 0), onde corta o eixo x, estão destacados em vermelho. O painel à direita mostra os passos: m = 3/6 = 1/2; y − 1 = (1/2)(x + 2); y = (1/2)x + 2; x − 2y + 4 = 0; conferência com Q: 4 − 8 + 4 = 0; o determinante dá a mesma reta sem dividir.
Reta por dois pontos: o coeficiente angular pelos dois, a forma ponto-declive com um deles, a conferência com o outro. Os interceptos (0,2)(0, 2) e (−4,0)(-4, 0) saem da equação pronta. Diagrama autoral.
Reta por dois pontos e a forma por determinante

Reta por A(x1,y1)A(x_1, y_1) e B(x2,y2)B(x_2, y_2), com x1≠x2x_1 \neq x_2:

m=y2−y1x2−x1,y−y1=m (x−x1).m = \frac{y_2 - y_1}{x_2 - x_1}, \qquad y - y_1 = m\,(x - x_1).

Sem calcular mm (e sem excluir o caso vertical), a condição de que P(x,y)P(x, y) esteja alinhado com AA e BB é o determinante nulo

∣xy1x1y11x2y21∣=0,\begin{vmatrix} x & y & 1 \\ x_1 & y_1 & 1 \\ x_2 & y_2 & 1 \end{vmatrix} = 0,

que, desenvolvido, já é a forma geral da reta. É a mesma condição de alinhamento de três pontos da página do plano cartesiano, agora com um dos pontos deixado em aberto.

Com P(−2,1)P(-2, 1) e Q(4,4)Q(4, 4) no determinante: x(1⋅1−1⋅4)−y(−2⋅1−1⋅4)+1⋅(−2⋅4−1⋅4)=−3x+6y−12=0x(1 \cdot 1 - 1 \cdot 4) - y(-2 \cdot 1 - 1 \cdot 4) + 1 \cdot (-2 \cdot 4 - 1 \cdot 4) = -3x + 6y - 12 = 0, que dividido por −3-3 é x−2y+4=0x - 2y + 4 = 0. A mesma reta, sem nenhuma divisão no caminho, e com a vantagem de funcionar para os pontos (3,1)(3, 1) e (3,8)(3, 8), em que o método do coeficiente angular trava: o determinante dá −7x+21=0-7x + 21 = 0, isto é, x=3x = 3.

Exemplo resolvido 4: a reta por duas ilhas e um museu desconhecido (PAS 3 2019). Com as ilhas Ellis e Black Tom nos pontos A(12,2)A\left(\frac{1}{2}, 2\right) e B(−2,23)B\left(-2, \frac{2}{3}\right), o item afirmou: “Se o Museum of Jewish Heritage estiver sobre reta que contém os pontos AA e BB, então w8−z15=1360\frac{w}{8} - \frac{z}{15} = \frac{13}{60}”, em que (z,w)(z, w) são as coordenadas do museu. Coeficiente angular: m=23−2−2−12=−43−52=43⋅25=815m = \dfrac{\frac{2}{3} - 2}{-2 - \frac{1}{2}} = \dfrac{-\frac{4}{3}}{-\frac{5}{2}} = \frac{4}{3} \cdot \frac{2}{5} = \frac{8}{15}. Ponto-declive por AA: y−2=815(x−12)y - 2 = \frac{8}{15}\left(x - \frac{1}{2}\right). Multiplicando por 30 para limpar as frações: 30y−60=16x−830y - 60 = 16x - 8, logo 16x−30y+52=016x - 30y + 52 = 0, ou, dividindo por 2, 8x−15y+26=08x - 15y + 26 = 0. Conferência com BB: 8⋅(−2)−15⋅23+26=−16−10+26=08 \cdot (-2) - 15 \cdot \frac{2}{3} + 26 = -16 - 10 + 26 = 0. Se o museu está na reta, 8z−15w+26=08z - 15w + 26 = 0, isto é, 15w−8z=2615w - 8z = 26. Dividindo por 120120: w8−z15=26120=1360\frac{w}{8} - \frac{z}{15} = \frac{26}{120} = \frac{13}{60}. É a afirmação do item. Certo. O item não pede o museu: pede a equação da reta escrita de um jeito pouco usual, e a única maneira de reconhecê-la é obter a equação e dividir pelos números certos. A pertinência de um ponto desconhecido vira uma relação entre suas coordenadas.

Conferir uma equação pronta: o coeficiente angular e um ponto

Muitos itens não pedem a equação; afirmam uma e perguntam se está certa. Uma equação de reta carrega duas informações, a direção (mm) e a posição (um ponto), e uma equação falsa pode acertar uma e errar a outra. Por isso a conferência tem dois passos: compare o coeficiente angular da equação proposta com o dos pontos dados, depois substitua um dos pontos. Se a equação afirmada e a reta dos pontos têm o mesmo mm e um ponto em comum, são a mesma reta; se qualquer dos dois testes falha, não são. A alternativa, mais curta e tão segura quanto, é substituir os dois pontos na equação proposta: a reta por dois pontos é única, e uma equação do primeiro grau satisfeita pelos dois é a dela.

Em 2016, as catorze caixas de som da orquestra de laptops ocupavam um plano em metros, as de AA a GG à esquerda do eixo yy e as de A′A' a G′G' à direita, simétricas, com as ordenadas numa tabela: BB tinha ordenada 7 e FF, ordenada 3. O item: “Se as abscissas dos pontos FF e BB forem, respectivamente, iguais a −3-3 e −2-2, então a equação da reta que passa por esses pontos será y−4x+13=0y - 4x + 13 = 0.” Os pontos são F(−3,3)F(-3, 3) e B(−2,7)B(-2, 7). Primeiro passo, o coeficiente angular: m=7−3−2−(−3)=41=4m = \frac{7 - 3}{-2 - (-3)} = \frac{4}{1} = 4; a equação proposta, isolando yy, é y=4x−13y = 4x - 13, também com m=4m = 4. Bate. Segundo passo, um ponto: B(−2,7)B(-2, 7) na proposta dá 7−4⋅(−2)+13=7+8+13=28≠07 - 4 \cdot (-2) + 13 = 7 + 8 + 13 = 28 \neq 0. Falha. Errado. A reta verdadeira é y−7=4(x+2)y - 7 = 4(x + 2), isto é, y=4x+15y = 4x + 15: a proposta acertou a direção e errou o coeficiente linear em 28 unidades. Quem conferiu só o mm marcou certo e perdeu o item.

No PAS 1 de 2014, com um raio de luz saindo de A(−12,0)A(-12, 0) e refletindo em B(0,3)B(0, 3), o item afirmou que “a equação da reta que passa por AA e BB é 12y+3x+3=012y + 3x + 3 = 0”. Pelos dois pontos: m=3−00−(−12)=14m = \frac{3 - 0}{0 - (-12)} = \frac{1}{4} e, como BB está no eixo yy, n=3n = 3: y=14x+3y = \frac{1}{4}x + 3, ou x−4y+12=0x - 4y + 12 = 0. A proposta tem m=−312=−14m = -\frac{3}{12} = -\frac{1}{4} (sinal trocado) e corta o eixo yy em −14-\frac{1}{4}, não em 3. Basta um ponto para derrubar: A(−12,0)A(-12, 0) dá 0−36+3=−33≠00 - 36 + 3 = -33 \neq 0. Errado.

Acertar o m não prova nada

Infinitas retas têm o mesmo coeficiente angular (toda a família da figura das paralelas). Uma equação proposta com o mm certo pode ser qualquer uma delas; só o ponto decide. E o contrário também: uma equação que contém um dos pontos pode ter o mm errado, como uma reta que passa por BB e desce. A conferência completa exige a direção e a posição: dois testes, ou os dois pontos substituídos.

Pertinência, cortes nos eixos e pontos de coordenadas inteiras

Três perguntas de prova se respondem com a equação pronta e nenhuma conta nova. O ponto está na reta? Substitua. Em 2x−3y+1=02x - 3y + 1 = 0, o ponto (4,3)(4, 3) dá 8−9+1=08 - 9 + 1 = 0: está; o ponto (2,2)(2, 2) dá 4−6+1=−14 - 6 + 1 = -1: não está. Onde a reta corta os eixos? Faça y=0y = 0 para o eixo xx e x=0x = 0 para o eixo yy. Em 2x−3y+1=02x - 3y + 1 = 0: (−12,0)\left(-\frac{1}{2}, 0\right) e (0,13)\left(0, \frac{1}{3}\right). Existe ponto de coordenadas inteiras na reta? A resposta sai de um argumento de paridade ou de divisibilidade, e a banca já o cobrou.

Em 2009, no mesmo bloco da usina, o item afirmou: “Existem números inteiros x0x_0 e y0y_0, tais que o ponto R=(x0,y0)R = (x_0, y_0) pertence à reta de equação 8x+6y=18x + 6y = 1.” Se x0x_0 e y0y_0 são inteiros, 8x0+6y0=2(4x0+3y0)8x_0 + 6y_0 = 2(4x_0 + 3y_0) é um número par; o lado direito é 11, ímpar. Um número par nunca é igual a 1: não existe tal ponto. Errado. A reta 8x+6y=18x + 6y = 1 existe, tem infinitos pontos (como (18,0)\left(\frac{1}{8}, 0\right) e (0,16)\left(0, \frac{1}{6}\right)), mas passa “entre” todos os pontos de coordenadas inteiras do plano. O critério geral, para ax+by=cax + by = c com aa, bb e cc inteiros, é que a reta tem ponto inteiro exatamente quando o máximo divisor comum de aa e bb divide cc: mdc⁡(8,6)=2\operatorname{mdc}(8, 6) = 2 não divide 11. Já 3x+5y=73x + 5y = 7 tem o ponto (4,−1)(4, -1), e 4x+6y=94x + 6y = 9 não tem nenhum (lado esquerdo par, direito ímpar).

Onde a equação da reta trabalha sem aparecer

Um aplicativo de mapas que diz “você está sobre a rodovia” fez uma substituição: as coordenadas do GPS, postas na equação do trecho reto da rodovia, fecham a igualdade dentro de uma tolerância. Um programa de desenho (ou o firmware de uma impressora 3D) guarda cada segmento reto por dois pontos e, para desenhá-lo, calcula o yy de cada coluna de pixels pela forma reduzida. Um projeto de rede elétrica ou de tubulação em planta usa a forma geral para decidir, por substituição, se um poste ou um poço cai sobre a linha projetada. E o greide de uma estrada, a inclinação de uma rampa de garagem e o telhado de uma casa são coeficientes angulares, escritos em porcentagem ou em graus.

Da equação ao esboço, do gráfico à equação, do texto à equação

Esboçar uma reta a partir da equação pede dois pontos. Os mais rápidos são os interceptos, x=0x = 0 e y=0y = 0; quando eles ficam fora do papel ou dão frações feias, escolha dois valores cômodos de xx. Em y=12x+2y = \frac{1}{2}x + 2, os pontos (0,2)(0, 2) e (4,4)(4, 4) bastam; um terceiro, (−4,0)(-4, 0), confere. Os dois itens de resposta construída da década pediram exatamente isso: o esboço de 8x−21y=1 6008x - 21y = 1\,600 no mapa (2018, exemplo resolvido 2) e, em 2024, o esboço de um plano com uma antena na origem e outra a 323\sqrt{2} km dela, “no primeiro quadrante, formando 45°45° com o sentido positivo do eixo das abscissas”. A reta pela origem a 45°45° tem m=tg⁡45°=1m = \operatorname{tg} 45° = 1 e equação y=xy = x; o ponto dela que dista 323\sqrt{2} da origem é (3,3)(3, 3), já que 32+32=18=(32)23^2 + 3^2 = 18 = (3\sqrt{2})^2. Os círculos de alcance ficam com a página da circunferência.

Ler a equação num gráfico é o caminho inverso: escolha dois pontos de leitura limpa (cruzamentos de linhas da grade, pontos rotulados, os cortes nos eixos), calcule mm, escreva a forma ponto-declive e arrume. Se os dois interceptos estão visíveis, a forma segmentária dá a equação de uma vez, como no gráfico das regiões A1A_1 e A2A_2 de 2019: x200+y300=1\frac{x}{200} + \frac{y}{300} = 1. Se o gráfico passa por (1,5)(1, 5) e (3,1)(3, 1): m=1−53−1=−2m = \frac{1 - 5}{3 - 1} = -2, y−5=−2(x−1)y - 5 = -2(x - 1), y=−2x+7y = -2x + 7. Cuidado com as escalas: os dois eixos do gráfico podem ter unidades diferentes, e nesse caso o ângulo que se vê no papel não é α\alpha e mm não é a tangente de nada visível; só as coordenadas lidas contam.

Ler a equação num texto é o terreno da função afim: “taxa constante” vira mm e “valor inicial” vira nn. Um reservatório com 300 L que esvazia a 20 L por minuto tem, no plano (tempo, volume), a reta V=300−20tV = 300 - 20t, com m=−20m = -20 L/min e n=300n = 300 L; a página da afim trata do domínio, do sinal e das comparações de planos, e não há por que repetir aqui.

Retas em mapas: a geometria do quilômetro

Quando um mapa recebe um sistema de eixos, cada cidade vira um par de números e cada estrada retilínea vira uma equação, e as perguntas de prova são as desta página com cenário: “a reta passa por tal cidade?”, “qual é a equação da reta que liga as duas?”, “qual é a inclinação do trecho?”. Com a tabela gaúcha de 2018, a reta que liga Santa Maria (−80,30)(-80, 30) a Pelotas (40,−220)(40, -220) tem m=−220−3040−(−80)=−250120=−2512m = \frac{-220 - 30}{40 - (-80)} = -\frac{250}{120} = -\frac{25}{12} e, por Santa Maria, y−30=−2512(x+80)y - 30 = -\frac{25}{12}(x + 80). Ela passa por Cachoeira do Sul, a origem? Em x=0x = 0: y=30−2512⋅80=30−166,7=−136,7≠0y = 30 - \frac{25}{12} \cdot 80 = 30 - 166{,}7 = -136{,}7 \neq 0. Não passa: a estrada reta entre as duas cidades cruzaria o eixo yy a 137 km ao sul de Cachoeira. E o trecho de Cachoeira (0,0)(0, 0) a Cruz Alta (−84,187)(-84, 187) tem m=187−84≈−2,23m = \frac{187}{-84} \approx -2{,}23: sobe para a esquerda com inclinação forte, um ângulo de cerca de 114°114° com o eixo xx, o que no mapa se lê como “norte-noroeste”.

A unidade importa duas vezes. Nas coordenadas, porque (200,0)(200, 0) está a 200 km, não a 200 m, da origem; e no coeficiente angular, que num mapa com a mesma unidade nos dois eixos é um número puro e corresponde a um ângulo real no terreno. Num gráfico em que os eixos têm unidades diferentes (horas e quilômetros), o mm continua sendo ΔyΔx\frac{\Delta y}{\Delta x}, mas vira uma velocidade, e o ângulo no papel deixa de ter significado geométrico.

Como a banca pergunta

Os onze itens reais desta página (nove do PAS 3 e dois do PAS 1) cabem em seis formatos.

  1. Uma equação pronta para conferir, tipo A: a reta por F(−3,3)F(-3, 3) e B(−2,7)B(-2, 7) seria y−4x+13=0y - 4x + 13 = 0 (2016/65, E: mm bate, o ponto falha); a reta do espelho por (50,0)(50, 0) a 120°120° seria y=−3(x−50)y = -\sqrt{3}(x - 50) (2010/126, C); a reta da usina seria x8+y6=1\frac{x}{8} + \frac{y}{6} = 1 (2009/104, E: interceptos trocados); a reta por (−12,0)(-12, 0) e (0,3)(0, 3) seria 12y+3x+3=012y + 3x + 3 = 0 (PAS 1 2014/89, E); a reta que separa as regiões seria 3x+2y=6003x + 2y = 600 (PAS 1 2019/53, C). O método é um só: coeficiente angular e um ponto, ou os dois pontos substituídos.
  2. A equação escrita como relação entre coordenadas desconhecidas, tipo A: w8−z15=1360\frac{w}{8} - \frac{z}{15} = \frac{13}{60} para um ponto (z,w)(z, w) da reta ABAB (2019/78, C). Obtenha a forma geral e divida pelo número que faz aparecer os denominadores do item.
  3. O coeficiente angular comparado com um limiar, tipo A, com os pontos lidos numa figura: mEF<−1m_{EF} < -1 (2014/96, E; m=−34m = -\frac{3}{4}), mAC<−0,6m_{AC} < -0{,}6 (2008/56, E; m≈−0,45m \approx -0{,}45), mAC>tg⁡3π4m_{AC} > \operatorname{tg}\frac{3\pi}{4} (2009/16, E; m=−3m = -\sqrt{3}). Os três gabaritos são E, e os três limiares foram postos perto do valor para punir a estimativa “no olho”.
  4. Existência de ponto inteiro, tipo A: 8x+6y=18x + 6y = 1 (2009/106, E). Paridade.
  5. Esboço, tipo D: 8x−21y=1 6008x - 21y = 1\,600 no mapa (2018/89), as antenas a 45°45° (2024/98). Interceptos, dois pontos, teste das cidades por substituição.
  6. Múltipla escolha com a reta por dois pontos calculados, tipo C: a reta pelos pontos médios (−72,2)\left(-\frac{7}{2}, 2\right) e (9,52)\left(9, \frac{5}{2}\right) entre quatro equações gerais (2015/120, C). Substituir os dois pontos em cada opção é mais rápido do que montar a equação.

Dois avisos de leitura. Primeiro, os dados vêm espalhados: as coordenadas numa tabela, a figura noutra página, o ângulo no texto-base; copie os pares ordenados e o que se sabe da reta (um ponto, um ângulo, dois pontos) antes de qualquer conta. Segundo, a equação da banca quase nunca vem como y=mx+ny = mx + n: vem como 8x−21y=1 6008x - 21y = 1\,600, x8+y6=1\frac{x}{8} + \frac{y}{6} = 1, y−4x+13=0y - 4x + 13 = 0, w8−z15=1360\frac{w}{8} - \frac{z}{15} = \frac{13}{60}. Arrume para a forma que você domina, leia mm como −ab-\frac{a}{b} e só então julgue.

Os erros que mais derrubam

  • Inverter a razão. m=ΔyΔxm = \frac{\Delta y}{\Delta x}, subida sobre avanço; ΔxΔy\frac{\Delta x}{\Delta y} é outro número.
  • Subtrair em ordens diferentes. Numerador e denominador na mesma ordem; senão o sinal de mm inverte.
  • “Zero” e “não existe”. Horizontal: m=0m = 0. Vertical: sem mm. São afirmações diferentes.
  • Ler mm como o coeficiente de xx na forma geral. Em ax+by+c=0ax + by + c = 0, m=−abm = -\frac{a}{b}; em 3x+4y=8003x + 4y = 800, m=−34m = -\frac{3}{4}.
  • Confundir nn com a raiz. nn é o corte no eixo yy; a raiz, −nm-\frac{n}{m}, é o corte no eixo xx.
  • Interceptos trocados na segmentária. O denominador de xx é o corte no eixo xx: x6+y8=1\frac{x}{6} + \frac{y}{8} = 1 passa por (6,0)(6, 0) e (0,8)(0, 8).
  • Conferir só o coeficiente angular. Equação pronta exige mm e um ponto; a banca fabrica equações com o mm certo e o nn errado.
  • “m<−1m < -1” lido como “∣m∣<1|m| < 1”. −34-\frac{3}{4} é maior que −1-1. Pense na reta a 135°135° como divisor: mais inclinada que ela, m<−1m < -1; mais deitada, −1<m<0-1 < m < 0.
  • Dizer que a reta vertical “tem mm infinito”. Não tem coeficiente angular; sua equação é x=kx = k, e ela só existe na forma geral.
  • Esquecer o sinal no ponto-declive. x−(−4)x - (-4) é x+4x + 4; o mm multiplica o parêntese inteiro.
  • Julgar pertinência pelo desenho. Pertencer é fechar a igualdade por substituição.
  • Multiplicar a equação e achar que mudou a reta. 3x−4y+8=03x - 4y + 8 = 0 e 6x−8y+16=06x - 8y + 16 = 0 são a mesma reta.

O essencial em meia página

  • Reta = condição sobre (x,y)(x, y): equação do primeiro grau em xx e yy; o ponto pertence quando a igualdade fecha por substituição.
  • Coeficiente angular: m=ΔyΔx=yB−yAxB−xAm = \frac{\Delta y}{\Delta x} = \frac{y_B - y_A}{x_B - x_A}, mesma ordem nas duas subtrações; não depende do par de pontos. m>0m > 0 sobe, m<0m < 0 desce, m=0m = 0 horizontal; vertical (Δx=0\Delta x = 0) não tem mm.
  • Ângulo: m=tg⁡αm = \operatorname{tg}\alpha, 0°≤α<180°0° \le \alpha < 180°; 45°→145° \to 1, 60°→360° \to \sqrt{3}, 120°→−3120° \to -\sqrt{3}, 135°→−1135° \to -1; obtuso dá m<0m < 0.
  • Ponto-declive: y−y0=m(x−x0)y - y_0 = m(x - x_0).
  • Reduzida: y=mx+ny = mx + n; nn é o corte no eixo yy; raiz em x=−nmx = -\frac{n}{m}; horizontal y=ny = n; pela origem y=mxy = mx.
  • Geral: ax+by+c=0ax + by + c = 0; m=−abm = -\frac{a}{b}; cortes (−ca,0)\left(-\frac{c}{a}, 0\right) e (0,−cb)\left(0, -\frac{c}{b}\right); b=0b = 0 vertical x=−cax = -\frac{c}{a}; múltiplos da equação são a mesma reta. Com ax+by=cax + by = c: cortes ca\frac{c}{a} e cb\frac{c}{b}.
  • Segmentária: xp+yq=1\frac{x}{p} + \frac{y}{q} = 1, pp corte em xx, qq corte em yy; não serve pela origem nem paralela a eixo.
  • Dois pontos: mm, depois ponto-declive com um deles, conferência com o outro; ou determinante ∣xy1x1y11x2y21∣=0\begin{vmatrix} x & y & 1 \\ x_1 & y_1 & 1 \\ x_2 & y_2 & 1 \end{vmatrix} = 0.
  • Conferir equação pronta: mm e um ponto, ou os dois pontos substituídos.
  • Ponto inteiro em ax+by=cax + by = c: só se mdc⁡(a,b)\operatorname{mdc}(a, b) divide cc (8x+6y=18x + 6y = 1 não tem).
  • Esboço: interceptos (x=0x = 0, y=0y = 0) ou dois valores cômodos de xx; teste de cidade/ponto por substituição.
  • Gráfico → equação: dois pontos limpos, de preferência os interceptos (segmentária); texto → equação: taxa =m= m, valor inicial =n= n (função afim).
  • Limiar de mm: compare o número fechado, não o desenho; −34>−1-\frac{3}{4} > -1; raízes comparam-se por quadrados.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Equação Geral da Reta - Aula 08
Portal da Matemática OBMEP · 15:02
Introdução. O professor Vander Martins (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP, 3.º ano) deduz, a partir da condição de alinhamento de três pontos, “que qualquer reta do plano pode ser representada por uma equação da forma ax + by + c = 0”, isto é, que “a reta é o conjunto dos pares (x, y) que satisfazem esta igualdade”: é a seção “Uma reta é o conjunto dos pontos que obedecem a uma condição” e a forma geral desta página, incluindo a reta vertical, com a dedução pelo determinante que o texto só resume.
Equação Reduzida da Reta - Aula 09
Portal da Matemática OBMEP · 11:12
Aprofundamento. Na mesma série, a aula mostra “que uma reta não vertical pode ser representada por uma equação da forma y = mx + n”, em que “o coeficiente m é chamado de coeficiente angular e corresponde à tangente do ângulo que a reta forma com o eixo x” e “o coeficiente n é chamado de coeficiente linear e corresponde à posição em que a reta corta o eixo y”: são as seções do coeficiente angular, do ângulo com o eixo x e da forma reduzida, com a mesma notação m e n desta página.
Problema Encontre a equação da reta - Aula 10 - Legendado
Portal da Matemática OBMEP · 9:38
Resolução. Exercício em vídeo: “são dadas as coordenadas dos pontos A, B e C de um quadrado ABCD” e pede-se “a equação da reta-suporte da diagonal BD”. O quarto vértice precisa ser obtido antes, e depois a reta por dois pontos sai como na seção “Reta por dois pontos: pelo coeficiente angular ou pelo determinante”, com a conferência pelo ponto não usado que esta página insiste em fazer.
ENEM 2016 Matemática #14 - Coeficiente Angular da Reta
Matemática Rio com Prof. Rafael Procopio · 5:46
Aplicação em prova. Resolução de uma questão do ENEM 2016 sobre coeficiente angular lido num gráfico, com a comparação entre inclinações: é o treino da seção “Comparar o declive com um limiar” num formato de múltipla escolha, complementar aos itens Certo/Errado do PAS 3 de 2008, 2009 e 2014 resolvidos nesta página.
Rota PAS 3
Geometria analítica I: o plano como endereço · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Geometria analítica I: o plano como endereço · Antes de começar (ideias 2, 3 e 5); Coeficiente angular: o ritmo da reta (conceito, armadilha 'zero não é não existe', 'Na prova' com 2015/118, 2008/56, 2009/16 e 2014/96); A equação da reta: uma frase que descreve a rua inteira (conceito, 'Na prova' com 2016/65, 2010/126, 2019/78, 2018/89, 2024/98 e 2009/104, armadilha da forma geral); Como a banca cobra (histórico de equação da reta e coeficiente angular; 2016/65); Exercícios 2, 3 e 5; Banco de treino T2, T9, T10 e T12

    Recorte por assunto: só o coeficiente angular e as formas da equação de uma reta. Paralelismo, perpendicularismo e interseção ficam em posicoes-relativas-de-retas; ponto médio, distância e alinhamento, em plano-cartesiano. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números e ordem desta página são próprios.

  • Rota PAS 3 — Geometria analítica II e números complexos: o plano que mede e gira · Coordenadas das seis antenas de 2014 (A(−10, 2), B(−8, −3), C(5, 4), D(8, 6), E(8, −2), F(12, −5)), usadas aqui só para o item 2014/96

    As coordenadas foram conferidas na figura II do caderno de 2014 (p. 14 impressa, p. 15 do PDF).

  • Mapa de itens de Matemática do PAS 3 (p1-mat a p4-mat + grep nas três classificações) · Itens marcados ER: PAS 3 2019/78, 2018/89, 2016/65, 2010/126, 2009/104, 2009/106, 2014/96, 2009/16, 2008/56; PAS 1 2014/89 e 2019/53; reusos por GUID de 2015/120 e 2015/118 (plano-cartesiano)

    Mapa vinculante para as 12 páginas de Matemática do PAS 3; todos os itens desta página foram abertos na imagem do caderno a 200 dpi.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 3: 2008 (item 56), 2009 (itens 16 e 103 a 106), 2010 (item 126), 2014 (item 96), 2016 (item 65), 2018 (itens 85 a 89), 2019 (itens 76 a 79); PAS 1: 2014 (item 89), 2019 (item 53)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em classificacao-pas3/AAAA.json e classificacao/AAAA.json (2019/78 C, 2016/65 E, 2010/126 C, 2009/104 E, 2009/106 E, 2014/96 E, 2009/16 E, 2008/56 E, 2014/89 E, 2019/53 C; 2018/89 é tipo D, sem gabarito objetivo).

  • Cadernos em PDF (figuras e textos-base) · 2019-PAS3 p. 10 do PDF: mapa do porto de Nova Iorque e tabela (A(1/2, 2), B(−2, 2/3), C(4, 0), D(6, 3), E(m, 4), F(z, w)); 2018-PAS3 p. 13: mapa do RS com a tabela das cidades e o sistema para o esboço; 2016-PAS3 p. 10: 14 caixas de som (A–G à esquerda do eixo y, A′–G′ à direita, palco acima e plateia abaixo do eixo x) e tabela de ordenadas; 2010-PAS3 p. 20: espelhos do Hubble (V no eixo x, A e D no eixo y, BC inclinado 120° com P no eixo x); 2009-PAS3 p. 15: usina P(0, 8) e consumidor Q no eixo x, 'x/8 + y/6 = 1' lida na imagem; 2009-PAS3 p. 5: circunferência unitária com A no alto, B e C embaixo; 2014-PAS3 p. 15: figura II das antenas com as seis coordenadas; 2008-PAS3 p. 9: TV A no alto da semicircunferência de centro D(4, 0) e raio 4, caixas B e C na mesma altura; 2014-PAS1 p. 15: raio refletido com A e D no eixo x e B no eixo y; 2019-PAS1 p. 8: triângulos A₁ e A₂ com vértices (0, 300), (200, 0) e C

    Páginas abertas a 200 dpi; todas as coordenadas e expressões usadas na teoria e nas questões foram lidas na imagem.