O item D do PAS 3 de 2018 pôs o Rio Grande do Sul num plano em quilômetros, com Cachoeira do Sul na origem, e mandou esboçar a reta 8x − 21y = 1 600 dizendo por qual cidade ela passava; em 2019, o mapa do porto de Nova Iorque afirmou que, se um museu estivesse sobre a reta por duas ilhas, suas coordenadas satisfariam w/8 − z/15 = 13/60; em 2010, o espelho secundário do Hubble, inclinado 120° em relação ao eixo x e passando por (50, 0), teria equação y = −√3(x − 50). Três cenários, uma pergunta: que condição sobre x e y descreve uma reta inteira, e como se passa da equação ao desenho e do desenho à equação?
O que você vai aprender
Calcular o coeficiente angular de uma reta por dois de seus pontos como a razão Δy/Δx, ler no sinal de m se a reta sobe ou desce, reconhecer a reta horizontal (m = 0) e a vertical (sem coeficiente angular) e saber que a razão não depende do par de pontos escolhido.
Relacionar o coeficiente angular com o ângulo que a reta forma com o sentido positivo do eixo x (m = tg α), obtendo m para 30°, 45°, 60°, 120°, 135° e 150° e escrevendo a equação de uma reta dada por um ponto e um ângulo.
Escrever a equação de uma reta na forma ponto-declive y − y₀ = m(x − x₀), na forma reduzida y = mx + n (com n como ordenada do ponto em que a reta corta o eixo y), na forma geral ax + by + c = 0 e na forma segmentária x/p + y/q = 1, e passar de uma forma a outra sem perder a reta.
Extrair da forma geral o coeficiente angular (m = −a/b) e os pontos de interseção com os eixos (y = 0 e x = 0), inclusive quando a equação vem embaralhada ou multiplicada por um número.
Obter a equação da reta que passa por dois pontos dados, por meio do coeficiente angular ou do determinante de alinhamento, mesmo com coordenadas fracionárias ou incógnitas.
Decidir se um ponto pertence a uma reta substituindo suas coordenadas na equação, conferir uma equação pronta pelo método dos dois passos (o coeficiente angular e um ponto) e argumentar quando uma reta não tem ponto de coordenadas inteiras.
Ler a equação de uma reta num gráfico (dois pontos de leitura limpa, em especial os interceptos) e num texto (taxa constante e valor inicial), esboçar a reta a partir da equação e julgar, num mapa em coordenadas, por quais pontos uma reta passa.
Comparar declives de retas lidas em figuras com um limiar (como −1, o declive de 135°) sem confundir 'm menor que −1' com '|m| menor que 1'.
O item D da prova do PAS 3 de 2018 desenhou dois eixos sobre o mapa gaúcho, pôs a origem em Cachoeira do Sul e o quilômetro como unidade, deu uma tabela com oito cidades e mandou esboçar a reta de equação 8x−21y=1600, “indicando se essa reta passa por alguma das cidades incluídas no mapa”. Em 2019, com a origem na Estátua da Liberdade e as ilhas Ellis e Black Tom nos pontos A(21,2) e B(−2,32), a banca afirmou que, se um museu de coordenadas (z,w) estivesse sobre a reta por A e B, então 8w−15z=6013. Em 2010, o espelho secundário do telescópio Hubble, um segmento que forma 120° com o sentido positivo do eixo x e passa por P(50,0), teria equação y=−3(x−50). Nos três itens a reta não é um desenho: é uma condição sobre x e y. Que condição algébrica descreve uma reta inteira, e como se passa dela ao desenho e do desenho a ela?
Esta página responde a isso em duas partes. A primeira é o número que separa duas retas que se cruzam num mesmo ponto, o coeficiente angular: como se calcula a partir de dois pontos, o que o sinal diz, por que a reta vertical não o tem e como ele se liga ao ângulo com o eixo x. A segunda é a equação nas suas quatro escritas (ponto-declive, reduzida, geral e segmentária), a passagem de uma para outra, a reta por dois pontos, a conferência de uma equação pronta e a pertinência de um ponto. O que já ficou na página do plano cartesiano (ponto médio, distância, alinhamento de três pontos) é usado aqui sem repetição; o que a função afim já fez (a reta como gráfico de f(x)=ax+b, taxa e valor inicial, modelos de tarifa e movimento) é só remetido. Paralelas, perpendiculares e o cruzamento de duas retas são a página seguinte; quanto um ponto dista de uma reta fica na página de distâncias.
Uma reta é o conjunto dos pontos que obedecem a uma condição
Pegue a condição x+y=10. Os pontos (3,7), (10,0), (−2,12) e (6,5;3,5) a satisfazem; o ponto (4,5) não, porque 4+5=9. Marcando no plano todos os pares que fecham a igualdade, aparece uma reta, e nada fora dela: a condição funciona como um filtro que deixa passar exatamente os pontos da reta. É nesse sentido que se diz que a equação descreve a reta, ou que a reta é o lugar geométrico dos pontos cujas coordenadas satisfazem a equação.
Equação de uma reta e pertinência de um ponto
Uma equação do primeiro grau em x e y (nenhuma das duas letras elevada a potência, nenhum produto xy) tem como gráfico uma reta, e toda reta do plano é o gráfico de uma equação assim. Um ponto P(x0,y0)pertence à reta quando, substituídas as suas coordenadas, a igualdade fica verdadeira; não pertence quando fica falsa. Não existe terceiro caso: a pertinência é uma conta de substituição, nunca uma leitura no desenho.
Duas consequências vão aparecer o tempo todo. A primeira: uma equação com duas incógnitas tem infinitas soluções, e são essas soluções, uma para cada valor de x, que formam a reta. A segunda: a reta vertical, formada pelos pontos de abscissa fixa (todos os (4,y), por exemplo), tem equação x=4, uma equação em que y nem aparece. Ela é uma reta como qualquer outra, mas não é gráfico de função nenhuma (a um único x correspondem todos os y), e por isso a geometria analítica precisa de uma escrita mais geral do que o y=ax+b da função afim. Essa escrita é a forma geral, que chega daqui a algumas seções.
O coeficiente angular mede quanto y varia por unidade de x
Tome dois pontos de uma reta, A(1,2) e B(7,5). De A a B, a abscissa avança Δx=7−1=6 e a ordenada sobe Δy=5−2=3. A razão ΔxΔy=63=21 diz que, nessa reta, cada unidade andada em x custa meia unidade em y. Tome agora outros dois pontos da mesma reta, (3,3) e (5,4): Δx=2, Δy=1, razão 21 outra vez. Não é coincidência: os dois triângulos de catetos formados pelos deslocamentos horizontal e vertical são semelhantes (têm os mesmos ângulos, porque a hipotenusa de ambos é a mesma reta), e triângulos semelhantes têm catetos proporcionais. A razão é uma propriedade da reta, não dos pontos escolhidos.
O coeficiente angular é a razão entre a variação de y e a variação de x entre dois pontos quaisquer da reta. Os triângulos de catetos são semelhantes, por isso a razão não depende do par escolhido: 63 e 21 são a mesma inclinação. Diagrama autoral.
Coeficiente angular (declive) de uma reta
Dados dois pontos distintos P(x1,y1) e Q(x2,y2) de uma reta não vertical, o coeficiente angular da reta é
m=x2−x1y2−y1=ΔxΔy,x2=x1.
As duas subtrações têm de ser feitas na mesma ordem (segundo ponto menos primeiro, nas duas); trocar a ordem nas duas ao mesmo tempo não altera m, porque os dois sinais trocam juntos. Leitura do sinal: m>0, a reta sobe quando se caminha para a direita; m<0, desce; m=0, a reta é horizontal (y=k). Se x1=x2, a reta é vertical (x=k), Δx=0 e a divisão não existe: a reta vertical não tem coeficiente angular.
O coeficiente angular tem unidade quando os eixos têm unidade: num plano em que x e y estão ambos em metros, m é um número puro (metros por metro); num gráfico de volume contra tempo, m é litros por minuto, e aí ele se chama taxa de variação, assunto da função afim. Uma tubulação enterrada que desce 2 m a cada 50 m percorridos na horizontal tem declive m=−502=−0,04; uma estrada que sobe 6 m em 100 m tem m=0,06, o que os engenheiros chamam de rampa de 6 %. É a mesma ideia com outro nome.
Os dois erros de conta no coeficiente angular
O primeiro é inverter a fração: ΔyΔx no lugar de ΔxΔy. Com A(1,2) e B(7,5), a inversão dá 2 em vez de 21, e a reta “sobe” quatro vezes mais rápido do que deveria. O segundo é subtrair numa ordem em cima e na ordem contrária embaixo, xA−xByB−yA: o resultado é −m, uma reta que desce no lugar de uma que sobe. Um teste rápido contra os dois: olhe para os dois pontos e diga, antes de calcular, se a reta sobe ou desce e se ela é mais “deitada” ou mais “em pé” do que a diagonal a 45°. Com A e B acima, ela sobe (o ponto da direita está mais alto) e é deitada (sobe 3 para avançar 6): m tem de ser positivo e menor que 1.
Dois casos que derrubam por descuido. A reta pelos pontos (−2,5) e (6,5) tem m=80=0: ela é horizontal, e o seu coeficiente angular existe e vale zero. A reta pelos pontos (5,1) e (5,8) tem Δx=0: é a vertical x=5, e não tem coeficiente angular. Diante de uma afirmação como “a reta y=5 não possui coeficiente angular”, julgue errado; a mesma frase sobre a reta x=5 é verdadeira. Zero e “não existe” são coisas diferentes.
Comparar o declive com um limiar: o que a banca faz com figuras
Os itens de coeficiente angular do PAS 3 nunca pedem “calcule m”. Eles dão dois pontos (numa tabela ou numa figura impressa) e afirmam uma desigualdade: “m é menor que −1”, “m é inferior a −0,6”, “m é superior a tg43π”. O trabalho é fechar a fração e comparar.
Em 2014, seis antenas de telefonia estavam marcadas numa malha em quilômetros, com as coordenadas lidas nas linhas tracejadas da figura: E(8,−2) e F(12,−5) eram duas delas, e o item afirmou que “a equação da reta que passa pelas antenas nas posições E e F tem coeficiente angular menor que −1”. De E a F: Δx=12−8=4, Δy=−5−(−2)=−3, m=−43=−0,75. A reta desce, mas devagar: −0,75 está à direita de −1 na reta numérica, isto é, é maior que −1. Errado. O item conta com a confusão entre “m<−1” (reta que desce mais inclinada que a diagonal a 135°) e “∣m∣<1” (reta mais deitada que a diagonal): −43 satisfaz a segunda e não a primeira.
Em 2008, o desenho era um home theater visto de cima: a TV em A, no ponto mais alto de uma semicircunferência de centro D(4,0) e raio 4 m, e duas caixas de som B e C na mesma altura, com B de abscissa 1. O texto garante que A e C estão sobre a circunferência; que B também está sobre ela é leitura da figura, em que o arco tracejado passa por B e um segmento horizontal liga B a C. Isso basta para ter todas as coordenadas: A(4,4) (o topo fica 4 m acima do centro); B(1,yB) com (1−4)2+yB2=16, logo yB=7; e C(7,7), o espelho de B em relação à vertical pelo centro. O item afirmou que “o coeficiente angular da reta que passa pelos pontos onde estão posicionadas a TV e a caixa de som C é inferior a −0,6”. De A a C: m=7−47−4=37−4. Para comparar com −0,6 sem calculadora: m<−0,6 equivale a 7−4<−1,8, isto é, 7<2,2, isto é, 7<4,84. Falso. Errado; o valor é ≈−0,45. A raiz assusta, mas a comparação por quadrados, a mesma da distância entre pontos, resolve sem aproximar nada.
O ângulo com o eixo x entra pela tangente: m = tg α
Há uma segunda maneira de ler ΔxΔy. No triângulo de catetos Δx (horizontal) e Δy (vertical), a razão entre o cateto oposto e o cateto adjacente ao ângulo que a reta forma com a horizontal é, por definição, a tangente desse ângulo. Chamando de α o ângulo entre o sentido positivo do eixo x e a reta, medido no sentido anti-horário, vale m=tgα.
O coeficiente angular vale a tangente de α, o ângulo entre o sentido positivo do eixo x e a reta. Ângulo agudo, m>0; ângulo obtuso, m<0; 90°, reta vertical sem m. A reta a 135° (m=−1) é o limiar que a banca mais usa. Diagrama autoral.
Inclinação e coeficiente angular
Se α é o ângulo entre o sentido positivo do eixo x e a reta, com 0°≤α<180°, então m=tgα. Valores que aparecem em prova:
Para um ângulo obtuso, tgα=−tg(180°−α): o valor é o do ângulo suplementar com o sinal trocado. Em α=90° a tangente não existe, e a reta é vertical. Duas retas com o mesmo α têm o mesmo m, mas m não é α: uma reta de m=2 não faz 2° com o eixo, faz arctg2≈63,4°.
Exemplo resolvido 1: a reta do espelho secundário (PAS 3 2010). O esquema do Hubble vinha num plano em metros: o espelho primário era uma parábola com o vértice V no eixo x, à esquerda da origem, e os pontos A e D sobre o eixo y; o espelho secundário era o segmento BC, com o centro P sobre o eixo x, e “o ângulo obtuso entre BC e a direção positiva de Ox é igual a 120°”. O item: “Se P=(50,0), então a reta que contém o segmento BC pode ser corretamente representada pela equação y=−3(x−50).” A reta é determinada por um ponto, P(50,0), e um ângulo, 120°. Seu coeficiente angular é m=tg120°=−3 (obtuso, logo negativo; o suplementar é 60°, de tangente 3). A equação da reta que passa por (50,0) com esse m é y−0=−3(x−50), exatamente a afirmada. Certo. Conferência pelo desenho: um ponto da reta com x=49 tem y=3≈1,7>0, acima do eixo e à esquerda de P, onde a figura põe C; um ponto com x=51 tem y≈−1,7, embaixo e à direita, onde está B. A reta desce para a direita, como uma inclinação de 120° exige.
Em 2009 o mesmo teste veio disfarçado de número complexo. As três raízes de z3+i=0 foram marcadas numa circunferência de raio 1 e nomeadas A, B e C em ordem crescente de argumento: A no alto do eixo y, B embaixo à esquerda, C embaixo à direita. Como z3=−i tem argumento 23π, as raízes têm argumentos 2π, 67π e 611π: A(0,1), B(−23,−21) e C(23,−21). O item afirmou que “o coeficiente angular da reta que passa pelos pontos A e C é superior a tg43π”. De A a C: m=23−0−21−1=23−23=−33=−3. O limiar: tg43π=tg135°=−1. Como −3≈−1,73<−1, a afirmação é falsa. Errado. Lido em ângulos: a reta AC faz 120° com o eixo x (desce mais inclinada que a diagonal); a reta de m=−1 faz 135°. A banca escolheu o limiar na forma de tangente para que o candidato tivesse de saber que tg43π=−1 antes de comparar.
Ponto-declive: um ponto e um coeficiente angular determinam a reta
Se uma reta passa por A(x0,y0) e tem coeficiente angular m, qualquer outro ponto P(x,y) dela forma com A um deslocamento cuja razão é m: x−x0y−y0=m. Multiplicando pelo denominador, fica uma equação sem fração, válida para todos os pontos da reta (inclusive o próprio A, que a satisfaz com 0=0).
Forma ponto-declive
A reta que passa por A(x0,y0) com coeficiente angular m é
y−y0=m(x−x0).
Lê-se assim: saindo de A, cada unidade andada em x custa m unidades em y, e a equação só registra esse acordo para um ponto (x,y) qualquer. É a escrita mais direta quando o enunciado dá um ponto e um declive (ou um ponto e um ângulo, como no exemplo do Hubble), e é o primeiro passo para as outras formas. A reta vertical por (x0,y0) não cabe nela; sua equação é x=x0.
Reta por (3,−1) com m=2: y−(−1)=2(x−3), isto é, y+1=2x−6, ou y=2x−7. Conferência: em x=3, y=−1; em x=5, y=3, e de (3,−1) a (5,3) a razão é 24=2. Reta por (−4,6) com m=−21: y−6=−21(x+4), logo y=−21x+4. Repare no cuidado com os sinais: x−(−4) é x+4, e o −21 multiplica o parêntese inteiro.
Forma reduzida y = mx + n: n é a altura em que a reta corta o eixo y
Distribuindo e isolando y na forma ponto-declive, chega-se a y=mx+n, em que n=y0−mx0 é um número. O significado de n se lê fazendo x=0: y=n. Logo n é a ordenada do ponto (0,n) em que a reta atravessa o eixo y, o coeficiente linear ou intercepto. Na função afim, os mesmos dois números se chamam a (taxa) e b (valor inicial): y=mx+n e f(x)=ax+b são a mesma reta com letras diferentes.
Mudar n com m fixo desliza a reta para cima ou para baixo sem girar (à esquerda); mudar m com n fixo gira a reta em torno do ponto (0,n) (à direita). Toda reta não vertical é um membro das duas famílias ao mesmo tempo. Diagrama autoral.
Forma reduzida
y=mx+n,
com m o coeficiente angular e n o coeficiente linear, ordenada do ponto em que a reta corta o eixo y. Serve para toda reta não vertical. A reta horizontal é o caso m=0: y=n. A reta pela origem é o caso n=0: y=mx (é a reta da proporcionalidade direta). A reta corta o eixo x onde y=0: em x=−mn, se m=0.
Em y=3x−6: m=3, a reta sobe; n=−6, ela atravessa o eixo y no ponto (0,−6); cruza o eixo x onde 3x−6=0, x=2, no ponto (2,0). Em y=−32x+4 a reta desce; os cruzamentos são (0,4) no eixo vertical e (6,0) no horizontal.
n não é a raiz, e m não é o ângulo
O coeficiente linear é onde a reta corta o eixo vertical; onde ela corta o eixo horizontal é a raiz −mn, outro número. Em y=3x−6, n=−6 e a raiz é 2. Trocar os dois é o erro mais comum na leitura de gráficos: o ponto “em que a reta toca o eixo” precisa vir com o nome do eixo. E m é a tangente do ângulo, não o ângulo: m=3 corresponde a α≈71,6°, não a 3°.
Forma geral ax + by + c = 0: a única escrita que cobre todas as retas
Passe tudo para um lado em y=43x+2 e elimine o denominador: 4y=3x+8, logo 3x−4y+8=0. Essa é a forma geral. Ela aceita também a reta vertical, que a reduzida não aceita: x=4 é 1⋅x+0⋅y−4=0. E tem uma propriedade que a torna a preferida das provas: a mesma reta admite infinitas formas gerais, uma para cada número pelo qual se multiplique a equação inteira. 3x−4y+8=0, 6x−8y+16=0 e −23x+2y−4=0 são a mesma reta.
Forma geral e o que se lê nela
ax+by+c=0,a e b na˜o ambos nulos.
Se b=0, isolando y: y=−bax−bc. Logo o coeficiente angular é m=−ba e o coeficiente linear é n=−bc.
Interseção com o eixo y (x=0): (0,−bc). Interseção com o eixo x (y=0): (−ac,0), se a=0.
b=0: reta vertical x=−ac, sem m. a=0: reta horizontal y=−bc, com m=0. c=0: a reta passa pela origem.
Multiplicar a equação inteira por um número não nulo não muda a reta.
Muitos enunciados escrevem a forma geral como ax+by=c (o termo independente do outro lado). Então m=−ba continua valendo, e os interceptos passam a ser ac no eixo x e bc no eixo y. O sinal de c muda de lado; o método não.
A passagem entre as formas é a habilidade mais cobrada. Da geral para a reduzida: isole y. Em 2x+5y−10=0, 5y=−2x+10, y=−52x+2: m=−52, n=2. Da reduzida para a geral: elimine denominadores e passe tudo para um lado. De y=32x−1: 3y=2x−3, logo 2x−3y−3=0. Se a equação chegar desordenada, ponha-a em ordem antes de identificar a e b: 5y=2x−10 é 2x−5y−10=0, com a=2, b=−5, m=−−52=52 e n=−−5−10=−2. A estrada do canavial da prova de 2025, 3x+4y=800, tem m=−43 e atravessa os eixos em (0,200) e em (3800,0); o 800 está do lado direito, e por isso os interceptos saem sem troca de sinal.
A mesma reta (por (2,3), com m=−21) nas quatro escritas e as operações que levam de uma a outra. Na forma geral, m=−ba; a vertical só existe nela. Diagrama autoral.
Na forma geral, m não é o número que multiplica x
Em 3x+4y=800 o coeficiente angular é −43, não 3. Em 2x−5y−10=0 é +52, porque −ba=−−52. O sinal de b entra na conta, e a equação precisa estar arrumada (todos os termos de um lado, ou ax+by de um lado e o número do outro) antes de identificar a e b. Um m lido errado aqui se propaga para as páginas seguintes, onde ele decide paralelas, perpendiculares e ângulos.
Exemplo resolvido 2: o esboço da reta no mapa (PAS 3 2018, tipo D). Com Cachoeira do Sul na origem e as cidades em quilômetros (Porto Alegre (200,0), Candelária (20,35), Agudo (−25,40), Santa Maria (−80,30), Pelotas (40,−220), Santana do Livramento (−280,−90), Cruz Alta (−84,187), Caxias do Sul (210,80)), o item pediu: “Esboce, no sistema de coordenadas a seguir, o gráfico da reta de equação 8x−21y=1600, indicando se essa reta passa por alguma das cidades incluídas no mapa.” Para esboçar uma reta bastam dois pontos, e os mais fáceis são os cortes nos eixos. Com y=0: 8x=1600, x=200; a reta corta o eixo x em (200,0). Com x=0: −21y=1600, y=−211600≈−76,2; corta o eixo y em (0,−76,2). O coeficiente angular, m=−−218=218≈0,38, confirma uma reta que sobe devagar da esquerda para a direita, passando abaixo da origem. Por quais cidades ela passa? O ponto (200,0) é Porto Alegre: 8⋅200−21⋅0=1600. Para as outras, substitua: Caxias do Sul dá 8⋅210−21⋅80=1680−1680=0; Pelotas dá 320+4620=4940; Candelária, 160−735=−575; Agudo, −200−840=−1040; Santa Maria, −640−630=−1270; Santana do Livramento, −2240+1890=−350; Cruz Alta, −672−3927=−4599; Cachoeira do Sul, 0. Nenhuma dessas chega a 1600: a reta passa só por Porto Alegre. Conferência do esboço: a reta deve cruzar o eixo x exatamente sobre o ponto da capital e descer até cerca de −76 km no eixo y; qualquer traçado que passe por cima de Caxias ou de Pelotas está errado.
A reta 8x−21y=1600 no mapa gaúcho: interceptos (200,0) e (0,−76,2), declive 218. Testar uma cidade é substituir as coordenadas; só Porto Alegre fecha 1600. Diagrama autoral.
A mesma inclinação de Cachoeira a Caxias
A reta por Cachoeira do Sul (0,0) e Caxias do Sul (210,80) tem m=21080=218, o mesmo declive da reta do item, e equação 8x−21y=0. As duas equações diferem só no termo independente (0 e 1600): são duas retas com a mesma direção, e a da banca é a que foi deslocada até passar por Porto Alegre. O nome dessa relação, e o que se faz com ela, ficam para a página seguinte.
Forma segmentária x/p + y/q = 1: os interceptos à vista
Se a reta atravessa o eixo x no ponto (p,0) e o eixo y no ponto (0,q), com p e q não nulos, seu coeficiente angular é m=0−pq−0=−pq e sua forma reduzida é y=−pqx+q. Dividindo tudo por q e arrumando, px+qy=1. Os dois denominadores são, na ordem, o corte no eixo x e o corte no eixo y.
Na forma segmentária os denominadores são os interceptos, na ordem x depois y. A reta da usina P(0,8) ao consumidor Q(6,0) é 6x+8y=1; a equação com os denominadores trocados é outra reta, que passa por (8,0) e (0,6). Diagrama autoral.
Forma segmentária
Para uma reta cujos cruzamentos com os eixos são (p,0) no eixo x e (0,q) no eixo y, com p=0 e q=0,
px+qy=1.
Da forma geral ax+by+c=0 com a, b e c não nulos, chega-se a ela dividindo por −c: p=−ac e q=−bc. Ela não existe para retas pela origem (os dois interceptos coincidem em (0,0)) nem para retas paralelas a um eixo (falta um dos interceptos). Conferência instantânea: (p,0) dá 1+0=1 e (0,q) dá 0+1=1.
Exemplo resolvido 3: a linha de transmissão (PAS 3 2009). Numa figura em quilômetros, a usina estava em P(0,8), sobre o eixo y, e o consumidor em Q, sobre o eixo x, a 10 km da usina em linha reta; o item anterior do bloco já tinha estabelecido que Q fica a 6 km da origem, isto é, Q(6,0). A afirmação a julgar: “A reta que passa pelos pontos P e Q é representada pela equação 8x+6y=1.” Os cruzamentos da reta com os eixos são Q(6,0) no eixo x e P(0,8) no eixo y, logo sua forma segmentária é 6x+8y=1: o 6 embaixo do x, o 8 embaixo do y. A equação afirmada tem os denominadores trocados e descreve a reta por (8,0) e (0,6). Errado. Conferência por substituição:P(0,8) na equação do item dá 0+68=34=1. Na forma geral, a reta correta é 4x+3y=24 (multiplicando por 24), ou qualquer múltipla, como 8x+6y=48, e tem m=−34.
A forma segmentária é a melhor para ler a equação num gráfico quando os dois cortes nos eixos estão marcados. No PAS 1 de 2019, um gráfico em metros mostrava duas regiões triangulares com vértices em (0,300) no eixo y e (200,0) no eixo x, separadas pelo segmento entre esses dois pontos; o item afirmou que “a equação da reta que contém o segmento que separa as porções A1 e A2 é 3x+2y=600”. Os interceptos estão na figura: p=200, q=300. Então 200x+300y=1, e, multiplicando por 600, 3x+2y=600. Certo. Sem a forma segmentária, o caminho é o mesmo com um passo a mais: m=200−00−300=−23, y=−23x+300, 2y=−3x+600.
Interceptos trocados e sinais perdidos
A forma segmentária é a mais fácil de errar por inversão: 8x+6y=1 e 6x+8y=1 são retas diferentes, e a banca de 2009 cobrou exatamente essa troca. O denominador de x é onde a reta corta o eixo x. E um intercepto negativo fica negativo no denominador: a reta por (4,0) e (0,−3) é 4x+−3y=1, isto é, 4x−3y=1, ou 3x−4y=12.
Reta por dois pontos: pelo coeficiente angular ou pelo determinante
Dois pontos determinam uma reta, e a equação sai em dois passos: o coeficiente angular pelos dois pontos, depois a forma ponto-declive com qualquer um deles. Com P(−2,1) e Q(4,4): m=4−(−2)4−1=63=21; por P: y−1=21(x+2); reduzida: y=21x+2; geral, multiplicando por 2: x−2y+4=0. Conferência obrigatória com o ponto que não foi usado:Q(4,4) dá 4−8+4=0. Usar Q em vez de P no segundo passo leva à mesma reta: y−4=21(x−4) também vira y=21x+2.
Reta por dois pontos: o coeficiente angular pelos dois, a forma ponto-declive com um deles, a conferência com o outro. Os interceptos (0,2) e (−4,0) saem da equação pronta. Diagrama autoral.
Reta por dois pontos e a forma por determinante
Reta por A(x1,y1) e B(x2,y2), com x1=x2:
m=x2−x1y2−y1,y−y1=m(x−x1).
Sem calcular m (e sem excluir o caso vertical), a condição de que P(x,y) esteja alinhado com A e B é o determinante nulo
xx1x2yy1y2111=0,
que, desenvolvido, já é a forma geral da reta. É a mesma condição de alinhamento de três pontos da página do plano cartesiano, agora com um dos pontos deixado em aberto.
Com P(−2,1) e Q(4,4) no determinante: x(1⋅1−1⋅4)−y(−2⋅1−1⋅4)+1⋅(−2⋅4−1⋅4)=−3x+6y−12=0, que dividido por −3 é x−2y+4=0. A mesma reta, sem nenhuma divisão no caminho, e com a vantagem de funcionar para os pontos (3,1) e (3,8), em que o método do coeficiente angular trava: o determinante dá −7x+21=0, isto é, x=3.
Exemplo resolvido 4: a reta por duas ilhas e um museu desconhecido (PAS 3 2019). Com as ilhas Ellis e Black Tom nos pontos A(21,2) e B(−2,32), o item afirmou: “Se o Museum of Jewish Heritage estiver sobre reta que contém os pontos A e B, então 8w−15z=6013”, em que (z,w) são as coordenadas do museu. Coeficiente angular: m=−2−2132−2=−25−34=34⋅52=158. Ponto-declive por A: y−2=158(x−21). Multiplicando por 30 para limpar as frações: 30y−60=16x−8, logo 16x−30y+52=0, ou, dividindo por 2, 8x−15y+26=0. Conferência com B:8⋅(−2)−15⋅32+26=−16−10+26=0. Se o museu está na reta, 8z−15w+26=0, isto é, 15w−8z=26. Dividindo por 120: 8w−15z=12026=6013. É a afirmação do item. Certo. O item não pede o museu: pede a equação da reta escrita de um jeito pouco usual, e a única maneira de reconhecê-la é obter a equação e dividir pelos números certos. A pertinência de um ponto desconhecido vira uma relação entre suas coordenadas.
Conferir uma equação pronta: o coeficiente angular e um ponto
Muitos itens não pedem a equação; afirmam uma e perguntam se está certa. Uma equação de reta carrega duas informações, a direção (m) e a posição (um ponto), e uma equação falsa pode acertar uma e errar a outra. Por isso a conferência tem dois passos: compare o coeficiente angular da equação proposta com o dos pontos dados, depois substitua um dos pontos. Se a equação afirmada e a reta dos pontos têm o mesmo m e um ponto em comum, são a mesma reta; se qualquer dos dois testes falha, não são. A alternativa, mais curta e tão segura quanto, é substituir os dois pontos na equação proposta: a reta por dois pontos é única, e uma equação do primeiro grau satisfeita pelos dois é a dela.
Em 2016, as catorze caixas de som da orquestra de laptops ocupavam um plano em metros, as de A a G à esquerda do eixo y e as de A′ a G′ à direita, simétricas, com as ordenadas numa tabela: B tinha ordenada 7 e F, ordenada 3. O item: “Se as abscissas dos pontos F e B forem, respectivamente, iguais a −3 e −2, então a equação da reta que passa por esses pontos será y−4x+13=0.” Os pontos são F(−3,3) e B(−2,7). Primeiro passo, o coeficiente angular: m=−2−(−3)7−3=14=4; a equação proposta, isolando y, é y=4x−13, também com m=4. Bate. Segundo passo, um ponto: B(−2,7) na proposta dá 7−4⋅(−2)+13=7+8+13=28=0. Falha. Errado. A reta verdadeira é y−7=4(x+2), isto é, y=4x+15: a proposta acertou a direção e errou o coeficiente linear em 28 unidades. Quem conferiu só o m marcou certo e perdeu o item.
No PAS 1 de 2014, com um raio de luz saindo de A(−12,0) e refletindo em B(0,3), o item afirmou que “a equação da reta que passa por A e B é 12y+3x+3=0”. Pelos dois pontos: m=0−(−12)3−0=41 e, como B está no eixo y, n=3: y=41x+3, ou x−4y+12=0. A proposta tem m=−123=−41 (sinal trocado) e corta o eixo y em −41, não em 3. Basta um ponto para derrubar: A(−12,0) dá 0−36+3=−33=0. Errado.
Acertar o m não prova nada
Infinitas retas têm o mesmo coeficiente angular (toda a família da figura das paralelas). Uma equação proposta com o m certo pode ser qualquer uma delas; só o ponto decide. E o contrário também: uma equação que contém um dos pontos pode ter o m errado, como uma reta que passa por B e desce. A conferência completa exige a direção e a posição: dois testes, ou os dois pontos substituídos.
Pertinência, cortes nos eixos e pontos de coordenadas inteiras
Três perguntas de prova se respondem com a equação pronta e nenhuma conta nova. O ponto está na reta? Substitua. Em 2x−3y+1=0, o ponto (4,3) dá 8−9+1=0: está; o ponto (2,2) dá 4−6+1=−1: não está. Onde a reta corta os eixos? Faça y=0 para o eixo x e x=0 para o eixo y. Em 2x−3y+1=0: (−21,0) e (0,31). Existe ponto de coordenadas inteiras na reta? A resposta sai de um argumento de paridade ou de divisibilidade, e a banca já o cobrou.
Em 2009, no mesmo bloco da usina, o item afirmou: “Existem números inteiros x0 e y0, tais que o ponto R=(x0,y0) pertence à reta de equação 8x+6y=1.” Se x0 e y0 são inteiros, 8x0+6y0=2(4x0+3y0) é um número par; o lado direito é 1, ímpar. Um número par nunca é igual a 1: não existe tal ponto. Errado. A reta 8x+6y=1 existe, tem infinitos pontos (como (81,0) e (0,61)), mas passa “entre” todos os pontos de coordenadas inteiras do plano. O critério geral, para ax+by=c com a, b e c inteiros, é que a reta tem ponto inteiro exatamente quando o máximo divisor comum de a e b divide c: mdc(8,6)=2 não divide 1. Já 3x+5y=7 tem o ponto (4,−1), e 4x+6y=9 não tem nenhum (lado esquerdo par, direito ímpar).
Onde a equação da reta trabalha sem aparecer
Um aplicativo de mapas que diz “você está sobre a rodovia” fez uma substituição: as coordenadas do GPS, postas na equação do trecho reto da rodovia, fecham a igualdade dentro de uma tolerância. Um programa de desenho (ou o firmware de uma impressora 3D) guarda cada segmento reto por dois pontos e, para desenhá-lo, calcula o y de cada coluna de pixels pela forma reduzida. Um projeto de rede elétrica ou de tubulação em planta usa a forma geral para decidir, por substituição, se um poste ou um poço cai sobre a linha projetada. E o greide de uma estrada, a inclinação de uma rampa de garagem e o telhado de uma casa são coeficientes angulares, escritos em porcentagem ou em graus.
Da equação ao esboço, do gráfico à equação, do texto à equação
Esboçar uma reta a partir da equação pede dois pontos. Os mais rápidos são os interceptos, x=0 e y=0; quando eles ficam fora do papel ou dão frações feias, escolha dois valores cômodos de x. Em y=21x+2, os pontos (0,2) e (4,4) bastam; um terceiro, (−4,0), confere. Os dois itens de resposta construída da década pediram exatamente isso: o esboço de 8x−21y=1600 no mapa (2018, exemplo resolvido 2) e, em 2024, o esboço de um plano com uma antena na origem e outra a 32 km dela, “no primeiro quadrante, formando 45° com o sentido positivo do eixo das abscissas”. A reta pela origem a 45° tem m=tg45°=1 e equação y=x; o ponto dela que dista 32 da origem é (3,3), já que 32+32=18=(32)2. Os círculos de alcance ficam com a página da circunferência.
Ler a equação num gráfico é o caminho inverso: escolha dois pontos de leitura limpa (cruzamentos de linhas da grade, pontos rotulados, os cortes nos eixos), calcule m, escreva a forma ponto-declive e arrume. Se os dois interceptos estão visíveis, a forma segmentária dá a equação de uma vez, como no gráfico das regiões A1 e A2 de 2019: 200x+300y=1. Se o gráfico passa por (1,5) e (3,1): m=3−11−5=−2, y−5=−2(x−1), y=−2x+7. Cuidado com as escalas: os dois eixos do gráfico podem ter unidades diferentes, e nesse caso o ângulo que se vê no papel não é α e m não é a tangente de nada visível; só as coordenadas lidas contam.
Ler a equação num texto é o terreno da função afim: “taxa constante” vira m e “valor inicial” vira n. Um reservatório com 300 L que esvazia a 20 L por minuto tem, no plano (tempo, volume), a reta V=300−20t, com m=−20 L/min e n=300 L; a página da afim trata do domínio, do sinal e das comparações de planos, e não há por que repetir aqui.
Retas em mapas: a geometria do quilômetro
Quando um mapa recebe um sistema de eixos, cada cidade vira um par de números e cada estrada retilínea vira uma equação, e as perguntas de prova são as desta página com cenário: “a reta passa por tal cidade?”, “qual é a equação da reta que liga as duas?”, “qual é a inclinação do trecho?”. Com a tabela gaúcha de 2018, a reta que liga Santa Maria (−80,30) a Pelotas (40,−220) tem m=40−(−80)−220−30=−120250=−1225 e, por Santa Maria, y−30=−1225(x+80). Ela passa por Cachoeira do Sul, a origem? Em x=0: y=30−1225⋅80=30−166,7=−136,7=0. Não passa: a estrada reta entre as duas cidades cruzaria o eixo y a 137 km ao sul de Cachoeira. E o trecho de Cachoeira (0,0) a Cruz Alta (−84,187) tem m=−84187≈−2,23: sobe para a esquerda com inclinação forte, um ângulo de cerca de 114° com o eixo x, o que no mapa se lê como “norte-noroeste”.
A unidade importa duas vezes. Nas coordenadas, porque (200,0) está a 200 km, não a 200 m, da origem; e no coeficiente angular, que num mapa com a mesma unidade nos dois eixos é um número puro e corresponde a um ângulo real no terreno. Num gráfico em que os eixos têm unidades diferentes (horas e quilômetros), o m continua sendo ΔxΔy, mas vira uma velocidade, e o ângulo no papel deixa de ter significado geométrico.
Como a banca pergunta
Os onze itens reais desta página (nove do PAS 3 e dois do PAS 1) cabem em seis formatos.
Uma equação pronta para conferir, tipo A: a reta por F(−3,3) e B(−2,7) seria y−4x+13=0 (2016/65, E: m bate, o ponto falha); a reta do espelho por (50,0) a 120° seria y=−3(x−50) (2010/126, C); a reta da usina seria 8x+6y=1 (2009/104, E: interceptos trocados); a reta por (−12,0) e (0,3) seria 12y+3x+3=0 (PAS 1 2014/89, E); a reta que separa as regiões seria 3x+2y=600 (PAS 1 2019/53, C). O método é um só: coeficiente angular e um ponto, ou os dois pontos substituídos.
A equação escrita como relação entre coordenadas desconhecidas, tipo A: 8w−15z=6013 para um ponto (z,w) da reta AB (2019/78, C). Obtenha a forma geral e divida pelo número que faz aparecer os denominadores do item.
O coeficiente angular comparado com um limiar, tipo A, com os pontos lidos numa figura: mEF<−1 (2014/96, E; m=−43), mAC<−0,6 (2008/56, E; m≈−0,45), mAC>tg43π (2009/16, E; m=−3). Os três gabaritos são E, e os três limiares foram postos perto do valor para punir a estimativa “no olho”.
Existência de ponto inteiro, tipo A: 8x+6y=1 (2009/106, E). Paridade.
Esboço, tipo D: 8x−21y=1600 no mapa (2018/89), as antenas a 45° (2024/98). Interceptos, dois pontos, teste das cidades por substituição.
Múltipla escolha com a reta por dois pontos calculados, tipo C: a reta pelos pontos médios (−27,2) e (9,25) entre quatro equações gerais (2015/120, C). Substituir os dois pontos em cada opção é mais rápido do que montar a equação.
Dois avisos de leitura. Primeiro, os dados vêm espalhados: as coordenadas numa tabela, a figura noutra página, o ângulo no texto-base; copie os pares ordenados e o que se sabe da reta (um ponto, um ângulo, dois pontos) antes de qualquer conta. Segundo, a equação da banca quase nunca vem como y=mx+n: vem como 8x−21y=1600, 8x+6y=1, y−4x+13=0, 8w−15z=6013. Arrume para a forma que você domina, leia m como −ba e só então julgue.
Os erros que mais derrubam
Inverter a razão.m=ΔxΔy, subida sobre avanço; ΔyΔx é outro número.
Subtrair em ordens diferentes. Numerador e denominador na mesma ordem; senão o sinal de m inverte.
“Zero” e “não existe”. Horizontal: m=0. Vertical: sem m. São afirmações diferentes.
Ler m como o coeficiente de x na forma geral. Em ax+by+c=0, m=−ba; em 3x+4y=800, m=−43.
Confundir n com a raiz.n é o corte no eixo y; a raiz, −mn, é o corte no eixo x.
Interceptos trocados na segmentária. O denominador de x é o corte no eixo x: 6x+8y=1 passa por (6,0) e (0,8).
Conferir só o coeficiente angular. Equação pronta exige me um ponto; a banca fabrica equações com o m certo e o n errado.
“m<−1” lido como “∣m∣<1”.−43 é maior que −1. Pense na reta a 135° como divisor: mais inclinada que ela, m<−1; mais deitada, −1<m<0.
Dizer que a reta vertical “tem m infinito”. Não tem coeficiente angular; sua equação é x=k, e ela só existe na forma geral.
Esquecer o sinal no ponto-declive.x−(−4) é x+4; o m multiplica o parêntese inteiro.
Julgar pertinência pelo desenho. Pertencer é fechar a igualdade por substituição.
Multiplicar a equação e achar que mudou a reta.3x−4y+8=0 e 6x−8y+16=0 são a mesma reta.
O essencial em meia página
Reta = condição sobre (x,y): equação do primeiro grau em x e y; o ponto pertence quando a igualdade fecha por substituição.
Coeficiente angular:m=ΔxΔy=xB−xAyB−yA, mesma ordem nas duas subtrações; não depende do par de pontos. m>0 sobe, m<0 desce, m=0 horizontal; vertical (Δx=0) não temm.
Ângulo:m=tgα, 0°≤α<180°; 45°→1, 60°→3, 120°→−3, 135°→−1; obtuso dá m<0.
Ponto-declive:y−y0=m(x−x0).
Reduzida:y=mx+n; n é o corte no eixo y; raiz em x=−mn; horizontal y=n; pela origem y=mx.
Geral:ax+by+c=0; m=−ba; cortes (−ac,0) e (0,−bc); b=0 vertical x=−ac; múltiplos da equação são a mesma reta. Com ax+by=c: cortes ac e bc.
Segmentária:px+qy=1, p corte em x, q corte em y; não serve pela origem nem paralela a eixo.
Dois pontos:m, depois ponto-declive com um deles, conferência com o outro; ou determinante xx1x2yy1y2111=0.
Conferir equação pronta:m e um ponto, ou os dois pontos substituídos.
Ponto inteiro em ax+by=c: só se mdc(a,b) divide c (8x+6y=1 não tem).
Esboço: interceptos (x=0, y=0) ou dois valores cômodos de x; teste de cidade/ponto por substituição.
Gráfico → equação: dois pontos limpos, de preferência os interceptos (segmentária); texto → equação: taxa =m, valor inicial =n (função afim).
Limiar de m: compare o número fechado, não o desenho; −43>−1; raízes comparam-se por quadrados.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Equação Geral da Reta - Aula 08
Portal da Matemática OBMEP · 15:02
Introdução. O professor Vander Martins (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP, 3.º ano) deduz, a partir da condição de alinhamento de três pontos, “que qualquer reta do plano pode ser representada por uma equação da forma ax + by + c = 0”, isto é, que “a reta é o conjunto dos pares (x, y) que satisfazem esta igualdade”: é a seção “Uma reta é o conjunto dos pontos que obedecem a uma condição” e a forma geral desta página, incluindo a reta vertical, com a dedução pelo determinante que o texto só resume.
Equação Reduzida da Reta - Aula 09
Portal da Matemática OBMEP · 11:12
Aprofundamento. Na mesma série, a aula mostra “que uma reta não vertical pode ser representada por uma equação da forma y = mx + n”, em que “o coeficiente m é chamado de coeficiente angular e corresponde à tangente do ângulo que a reta forma com o eixo x” e “o coeficiente n é chamado de coeficiente linear e corresponde à posição em que a reta corta o eixo y”: são as seções do coeficiente angular, do ângulo com o eixo x e da forma reduzida, com a mesma notação m e n desta página.
Problema Encontre a equação da reta - Aula 10 - Legendado
Portal da Matemática OBMEP · 9:38
Resolução. Exercício em vídeo: “são dadas as coordenadas dos pontos A, B e C de um quadrado ABCD” e pede-se “a equação da reta-suporte da diagonal BD”. O quarto vértice precisa ser obtido antes, e depois a reta por dois pontos sai como na seção “Reta por dois pontos: pelo coeficiente angular ou pelo determinante”, com a conferência pelo ponto não usado que esta página insiste em fazer.
ENEM 2016 Matemática #14 - Coeficiente Angular da Reta
Matemática Rio com Prof. Rafael Procopio · 5:46
Aplicação em prova. Resolução de uma questão do ENEM 2016 sobre coeficiente angular lido num gráfico, com a comparação entre inclinações: é o treino da seção “Comparar o declive com um limiar” num formato de múltipla escolha, complementar aos itens Certo/Errado do PAS 3 de 2008, 2009 e 2014 resolvidos nesta página.
Num mapa com eixos, uma estrada reta vira uma equação: a de 2018 foi 8x−21y=1600, e a única cidade da tabela sobre ela era Porto Alegre, em (200,0).O coeficiente angular é a razão entre a variação de y e a variação de x entre dois pontos quaisquer da reta. Os triângulos de catetos são semelhantes, por isso a razão não depende do par escolhido: 63 e 21 são a mesma inclinação. Diagrama autoral.O coeficiente angular vale a tangente de α, o ângulo entre o sentido positivo do eixo x e a reta. Ângulo agudo, m>0; ângulo obtuso, m<0; 90°, reta vertical sem m. A reta a 135° (m=−1) é o limiar que a banca mais usa. Diagrama autoral.Mudar n com m fixo desliza a reta para cima ou para baixo sem girar (à esquerda); mudar m com n fixo gira a reta em torno do ponto (0,n) (à direita). Toda reta não vertical é um membro das duas famílias ao mesmo tempo. Diagrama autoral.A mesma reta (por (2,3), com m=−21) nas quatro escritas e as operações que levam de uma a outra. Na forma geral, m=−ba; a vertical só existe nela. Diagrama autoral.A reta 8x−21y=1600 no mapa gaúcho: interceptos (200,0) e (0,−76,2), declive 218. Testar uma cidade é substituir as coordenadas; só Porto Alegre fecha 1600. Diagrama autoral.Na forma segmentária os denominadores são os interceptos, na ordem x depois y. A reta da usina P(0,8) ao consumidor Q(6,0) é 6x+8y=1; a equação com os denominadores trocados é outra reta, que passa por (8,0) e (0,6). Diagrama autoral.Reta por dois pontos: o coeficiente angular pelos dois, a forma ponto-declive com um deles, a conferência com o outro. Os interceptos (0,2) e (−4,0) saem da equação pronta. Diagrama autoral.Quanto sobe dividido por quanto avança: a rampa e a escada chegam à mesma porta com coeficientes angulares diferentes.Uma rampa que sobe 1,5 m em 20 m tem coeficiente angular 0,075: o greide de uma estrada é um m escrito em porcentagem.Catorze caixas simétricas em relação ao eixo y: a reta por F(−3,3) e B(−2,7) tem m=4, mas não é y−4x+13=0. Acertar o declive não basta.Se o museu está sobre a reta que liga as duas ilhas, suas coordenadas obedecem a uma única equação: em 2019, 8w−15z=6013.Da usina em (0,8) ao consumidor em (6,0), a linha é 6x+8y=1; o caderno de 2009 trocou os denominadores.Taxa constante vira coeficiente angular e valor inicial vira coeficiente linear: V=300−20t é a reta de um reservatório que esvazia em 15 minutos.No modelo plano do exercício, a reta que representa o espelho tem inclinação de 120° e passa por (50,0): sua equação é y=−3(x−50). Um ponto e um ângulo determinam a reta.
Rota PAS 3
Geometria analítica I: o plano como endereço · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Geometria analítica I: o plano como endereço · Antes de começar (ideias 2, 3 e 5); Coeficiente angular: o ritmo da reta (conceito, armadilha 'zero não é não existe', 'Na prova' com 2015/118, 2008/56, 2009/16 e 2014/96); A equação da reta: uma frase que descreve a rua inteira (conceito, 'Na prova' com 2016/65, 2010/126, 2019/78, 2018/89, 2024/98 e 2009/104, armadilha da forma geral); Como a banca cobra (histórico de equação da reta e coeficiente angular; 2016/65); Exercícios 2, 3 e 5; Banco de treino T2, T9, T10 e T12
Recorte por assunto: só o coeficiente angular e as formas da equação de uma reta. Paralelismo, perpendicularismo e interseção ficam em posicoes-relativas-de-retas; ponto médio, distância e alinhamento, em plano-cartesiano. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números e ordem desta página são próprios.
Rota PAS 3 — Geometria analítica II e números complexos: o plano que mede e gira · Coordenadas das seis antenas de 2014 (A(−10, 2), B(−8, −3), C(5, 4), D(8, 6), E(8, −2), F(12, −5)), usadas aqui só para o item 2014/96
As coordenadas foram conferidas na figura II do caderno de 2014 (p. 14 impressa, p. 15 do PDF).
Mapa de itens de Matemática do PAS 3 (p1-mat a p4-mat + grep nas três classificações) · Itens marcados ER: PAS 3 2019/78, 2018/89, 2016/65, 2010/126, 2009/104, 2009/106, 2014/96, 2009/16, 2008/56; PAS 1 2014/89 e 2019/53; reusos por GUID de 2015/120 e 2015/118 (plano-cartesiano)
Mapa vinculante para as 12 páginas de Matemática do PAS 3; todos os itens desta página foram abertos na imagem do caderno a 200 dpi.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 3: 2008 (item 56), 2009 (itens 16 e 103 a 106), 2010 (item 126), 2014 (item 96), 2016 (item 65), 2018 (itens 85 a 89), 2019 (itens 76 a 79); PAS 1: 2014 (item 89), 2019 (item 53)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em classificacao-pas3/AAAA.json e classificacao/AAAA.json (2019/78 C, 2016/65 E, 2010/126 C, 2009/104 E, 2009/106 E, 2014/96 E, 2009/16 E, 2008/56 E, 2014/89 E, 2019/53 C; 2018/89 é tipo D, sem gabarito objetivo).
Cadernos em PDF (figuras e textos-base) · 2019-PAS3 p. 10 do PDF: mapa do porto de Nova Iorque e tabela (A(1/2, 2), B(−2, 2/3), C(4, 0), D(6, 3), E(m, 4), F(z, w)); 2018-PAS3 p. 13: mapa do RS com a tabela das cidades e o sistema para o esboço; 2016-PAS3 p. 10: 14 caixas de som (A–G à esquerda do eixo y, A′–G′ à direita, palco acima e plateia abaixo do eixo x) e tabela de ordenadas; 2010-PAS3 p. 20: espelhos do Hubble (V no eixo x, A e D no eixo y, BC inclinado 120° com P no eixo x); 2009-PAS3 p. 15: usina P(0, 8) e consumidor Q no eixo x, 'x/8 + y/6 = 1' lida na imagem; 2009-PAS3 p. 5: circunferência unitária com A no alto, B e C embaixo; 2014-PAS3 p. 15: figura II das antenas com as seis coordenadas; 2008-PAS3 p. 9: TV A no alto da semicircunferência de centro D(4, 0) e raio 4, caixas B e C na mesma altura; 2014-PAS1 p. 15: raio refletido com A e D no eixo x e B no eixo y; 2019-PAS1 p. 8: triângulos A₁ e A₂ com vértices (0, 300), (200, 0) e C
Páginas abertas a 200 dpi; todas as coordenadas e expressões usadas na teoria e nas questões foram lidas na imagem.