Plano cartesiano

Guia de estudo · Revisado em 07/09/2026

Como transformar uma posição no plano em informações que podemos calcular?

O que você vai aprender

  • Localizar pontos por coordenadas, sinais e unidades.
  • Calcular ponto médio e interpretar transformações simples.
  • Verificar alinhamento incluindo casos verticais.

O plano cartesiano permite representar posições por pares ordenados. Em vez de descrever um ponto como “mais à direita e um pouco acima”, indicamos duas coordenadas em relação a eixos definidos. Essa representação liga figuras a cálculos e permite verificar propriedades que um desenho apenas sugere.

Eixos, origem e par ordenado

No sistema cartesiano ortogonal usual, os eixos horizontal e vertical são perpendiculares e se cruzam na origem O=(0,0)O=(0,0). A coordenada xx, chamada abscissa, localiza a projeção horizontal; a coordenada yy, chamada ordenada, localiza a projeção vertical. Escrevemos primeiro a abscissa: P=(x,y)P=(x,y).

O ponto P=(3,2)P=(3,-2) fica três unidades à direita da origem e duas abaixo dela. Já Q=(2,3)Q=(-2,3) fica duas à esquerda e três acima. Trocar a ordem das coordenadas geralmente muda o ponto. A ordem só é indiferente quando as duas coordenadas são iguais.

Um ponto não precisa ter coordenadas inteiras. Frações, números decimais e irracionais também localizam posições. A malha quadriculada é um auxílio visual, não uma restrição que obrigue todos os pontos a ocupar cruzamentos de linhas desenhadas.

Quadrantes e pontos sobre os eixos

Os eixos dividem o plano em quatro quadrantes. No primeiro, x>0x>0 e y>0y>0; no segundo, x<0x<0 e y>0y>0; no terceiro, ambas são negativas; no quarto, x>0x>0 e y<0y<0. A numeração percorre o plano no sentido anti-horário a partir da região superior direita.

Pontos sobre os eixos não pertencem aos quadrantes. No eixo horizontal, a ordenada é zero; no vertical, a abscissa é zero. Portanto, (0,4)(0,-4) pertence ao eixo vertical, e não ao terceiro ou ao quarto quadrante. A origem pertence aos dois eixos.

Para interpretar sinais, use a orientação indicada. Um mapa pode escolher norte como sentido positivo vertical e leste como positivo horizontal. Essa convenção precisa estar definida; coordenadas negativas não significam distâncias negativas, mas posições em um sentido oposto ao positivo escolhido.

Escalas e unidades fazem parte da leitura

Se cada unidade nos eixos representa 100 metros, o ponto (3,2)(3,2) corresponde a deslocamentos de 300 metros e 200 metros desde a origem. As coordenadas e as distâncias físicas não podem ser misturadas sem conversão. Em um gráfico de grandezas, os eixos podem até representar unidades diferentes, como tempo e temperatura.

Para medir comprimentos euclidianos e interpretar ângulos geometricamente, usamos eixos espaciais ortogonais com a mesma unidade e escala métrica. Um desenho esticado na horizontal pode preservar coordenadas escritas e ainda distorcer a aparência de uma perpendicular. Conferir as equações é mais seguro que confiar apenas no ângulo visual.

Deslocamento entre posições

Se A=(2,1)A=(-2,1) e B=(4,5)B=(4,5), o deslocamento de A até B tem componentes Δx=4(2)=6\Delta x=4-(-2)=6 e Δy=51=4\Delta y=5-1=4. No sentido inverso, as componentes são −6 e −4. Elas indicam direção e variação; não são, isoladamente, o comprimento do segmento.

Transladar todos os pontos por um mesmo par (u,v)(u,v) transforma (x,y)(x,y) em (x+u,y+v)(x+u,y+v). Se deslocamos A e B por (3,1)(3,-1), obtemos A=(1,0)A'=(1,0) e B=(7,4)B'=(7,4). As diferenças continuam 6 e 4, mostrando que a translação preserva a posição relativa entre os pontos.

Ponto médio e simetria

O ponto médio do segmento de A até B é M=((xA+xB)/2,(yA+yB)/2)M=((x_A+x_B)/2,(y_A+y_B)/2). Para os pontos anteriores, M=(1,3)M=(1,3). Da primeira extremidade até M, as componentes são 3 e 2; de M até a segunda, são novamente 3 e 2. Essa conferência mostra que M divide o segmento em duas partes iguais.

Se conhecemos A e M, recuperamos B por xB=2xMxAx_B=2x_M-x_A e yB=2yMyAy_B=2y_M-y_A. O ponto médio não é obtido calculando metade da diferença sem recolocar a origem do segmento: isso fornece um deslocamento, não a posição final.

Refletir (x,y)(x,y) no eixo horizontal produz (x,y)(x,-y); no vertical, (x,y)(-x,y); na origem, (x,y)(-x,-y). Na reta y=xy=x, a reflexão troca as coordenadas. Essas transformações são úteis para conferir simetrias antes de calcular equações.

Alinhamento sem divisão por zero

Três pontos A, B e C estão alinhados quando (xBxA)(yCyA)(yByA)(xCxA)=0(x_B-x_A)(y_C-y_A)-(y_B-y_A)(x_C-x_A)=0. A expressão compara as direções sem dividir pelas diferenças horizontais, funcionando também para retas verticais. Com A e B distintos, ela testa se C pertence à reta determinada por ambos.

Posição não é comprimento

Coordenadas dependem da origem e da orientação; distâncias são não negativas. Antes de operar, confira a ordem do par, a escala e se a pergunta pede uma posição, um deslocamento ou um comprimento.

A equação da reta descreve conjuntos de pontos alinhados; as distâncias na geometria analítica transformam diferenças de coordenadas em comprimentos.

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Rota PAS 3
Geometria analítica I: o plano como endereço · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Geometria analítica I: o plano como endereço · Por que a banca transforma mapa em plano cartesiano?

    Adaptação por assunto com exemplos autorais e casos especiais explicitados.