A prova do PAS 2 de 2013 imprimiu uma tabela com os pacotes de café, arroz e açúcar que uma família comprou em janeiro, fevereiro e março, pôs os três preços numa coluna e afirmou que uma certa entrada do produto das duas tabelas, c₁₁ − c₃₁ = 20, era a diferença de gasto entre janeiro e março; a de 2008 deu as horas de uso de três aparelhos em três meses, o total mensal em kWh, e afirmou que o consumo por hora de cada aparelho saía da equação AX = B; a de 2022 imprimiu quatro produtos de matrizes e pediu qual deles traduzia três frases sobre uma comunidade de 300 pessoas. Em nenhum caso houve conta pesada: a pergunta era o que significa multiplicar uma tabela por outra. Por que uma tabela de números vira um objeto que se soma, se multiplica e resolve sistemas, e o que exatamente cada entrada do produto está dizendo?
O que você vai aprender
Ler uma matriz como tabela indexada: localizar a_ij (linha i, coluna j), declarar a ordem m×n e reconhecer matriz linha, coluna, quadrada, nula, identidade e diagonal.
Decidir quando duas matrizes são iguais e escrever a transposta de uma matriz dada, reconhecendo a matriz simétrica pelo espelho na diagonal principal.
Somar e subtrair matrizes de mesma ordem e multiplicar uma matriz por um número, interpretando o resultado em tabelas de preços, estoques e notas.
Verificar a condição de existência do produto (colunas do primeiro fator = linhas do segundo), prever a ordem do resultado e calcular cada entrada como linha vezes coluna (pares multiplicados e somados), sabendo que em geral A·B ≠ B·A.
Interpretar o produto de uma tabela de quantidades por uma coluna de preços (ou pesos) como a coluna dos totais, e julgar afirmações sobre o significado de uma entrada do produto, como fez o PAS 2 de 2013.
Escrever um sistema linear na forma matricial A·X = B (linha = equação, coluna = incógnita, incógnita ausente com coeficiente zero) e, no caminho inverso, ler cada linha de um produto impresso como uma frase, para reconhecer a escrita correta entre várias, como no PAS 2 de 2022, ou derrubar uma escrita errada, como no PAS 2 de 2009.
Entender a inversa como a matriz que desfaz o produto, calcular a inversa de uma matriz 2×2 pela definição, usar X = A⁻¹·B num sistema 2×2 e saber que a inversa só existe quando ad − bc ≠ 0.
Reconhecer uma matriz 2×2 como regra que move pontos do plano (escala, reflexão, rotação de 90°), aplicando-a a um ponto genérico e lendo o resultado.
Ler matrizes em contextos reais (matriz de adjacência de um grafo, imagem em pixels, planilha, tabela de fluxos do ENEM), identificando o que significam a soma de uma linha, a soma de uma coluna e a diagonal.
Evitar os erros clássicos: multiplicar entrada a entrada, trocar a ordem dos fatores, aceitar produto de ordens incompatíveis, confundir a_ij com a_ji e falar em determinante de matriz não quadrada.
Uma padaria tem duas lojas, uma no centro e outra num bairro, e vende três coisas que importam para o caixa: pão francês, bolo e café. Na última semana, a loja do centro vendeu 120 pães, 15 bolos e 60 cafés; a do bairro, 80 pães, 10 bolos e 45 cafés. O pão custa R$ 0,80, o bolo R$ 25 e o café R$ 4. O dono quer duas coisas da planilha: o faturamento de cada loja hoje e, se os preços mudarem amanhã, o faturamento novo sem redigitar as vendas. Isso obriga a separar o que foi vendido (uma tabela de duas linhas, as lojas, por três colunas, os produtos) do que cada coisa vale (uma coluna com três preços). O faturamento do centro é 120⋅0,8+15⋅25+60⋅4=96+375+240=711 reais; o do bairro, 80⋅0,8+10⋅25+45⋅4=64+250+180=494 reais. Repare no formato das duas contas: cada uma percorre uma linha da tabela de vendas e a coluna de preços em paralelo, multiplica os pares que se correspondem (pão com preço do pão, bolo com preço do bolo) e soma. A matemática dá nome a esse formato e o transforma numa operação única entre as duas tabelas, o produto de matrizes; trocar a coluna de preços e repetir a operação é o que a planilha faz quando os preços mudam. Foi essa operação, e não uma conta pesada, que o PAS 2 pediu para interpretar em 2013 (pacotes de café, arroz e açúcar por mês), em 2008 (horas de uso de aparelhos elétricos) e em 2022 (três frases sobre uma comunidade colonial). Por que uma tabela de números vira um objeto que se soma, se multiplica e resolve sistemas, e o que exatamente cada entrada do produto está dizendo?
Esta página responde a essa pergunta. Ela trata a matriz como objeto: endereço das entradas, tipos, igualdade e transposta, soma e multiplicação por número, o produto linha por coluna com sua condição de existência, o sistema linear escrito como A⋅X=B, a ideia de matriz inversa no caso 2×2, a matriz 2×2 como regra que move pontos do plano, e as matrizes que aparecem em grafos, imagens e planilhas. Ela supõe que você sabe o que é um sistema linear e como resolvê-lo por substituição ou escalonamento; a forma matricial aparece lá como notação, e aqui ela ganha a operação. O determinante, que decide se a inversa existe, tem página própria, assim como as rotações e demais transformações do plano, que aqui só se apresentam.
Uma matriz é uma tabela com endereço
Toda tabela de dupla entrada, com linhas e colunas, já é uma matriz em potencial: a tabela de classificação de um campeonato, a grade de horários da escola, a planilha de gastos do mês. O que a matemática acrescenta é um sistema de endereços e um conjunto de operações. O endereço é o par (linha, coluna), sempre nessa ordem, e ele é tão importante que ganha notação própria.
A matriz A=(aij)3×4: o primeiro índice é a linha, o segundo é a coluna. A entrada a23 está no cruzamento da linha 2 com a coluna 3; a diagonal principal reúne as entradas aii. Diagrama autoral.
Matriz, entrada, ordem
Uma matriz de ordem m×n (lê-se “m por n”) é uma tabela retangular de m linhas e n colunas. A entrada que está na linha i e na coluna j chama-se aij; a matriz inteira se escreve A=(aij)m×n. Uma matriz 2×3 tem seis entradas, mas sua ordem é “2 por 3”, nunca “6”. Dois índices, duas perguntas: em que linha? em que coluna? A resposta “linha 2, coluna 3” é a23; “linha 3, coluna 2” é outra entrada, a32.
Alguns formatos têm nome. Uma matriz linha tem uma só linha (1×n); uma matriz coluna, uma só coluna (m×1); a coluna dos preços da padaria é 3×1. Uma matriz quadrada tem m=n, e nela a diagonal principal vai de a11 a ann (a outra diagonal, de a1n a an1, é a secundária). A matriz nula tem todas as entradas iguais a zero. A matriz identidadeIn é quadrada, com 1 na diagonal principal e 0 fora dela:
I2=(1001),I3=100010001.
Uma matriz quadrada é diagonal quando tudo fora da diagonal principal é zero (a identidade é o caso particular com uns), e triangular quando tudo de um lado da diagonal é zero; esses dois formatos reaparecem na página de determinantes, porque neles o determinante é só o produto da diagonal.
Uma matriz pode ser dada pela tabela ou por uma lei de formação, uma fórmula que diz quanto vale aij em função de i e j. Nesse caso o trabalho é só preencher as casas.
Exemplo resolvido 1: ler e construir pela lei. Seja A=(aij)3×2 com aij=2i−j. Escreva A, diga quanto vale a32 e some as entradas da diagonal principal.
Três linhas (i=1,2,3), duas colunas (j=1,2). Linha 1: a11=2−1=1, a12=2−2=0. Linha 2: a21=4−1=3, a22=4−2=2. Linha 3: a31=6−1=5, a32=6−2=4.
A=135024.
Logo a32=4. A matriz não é quadrada, mas a diagonal principal existe enquanto i=j fizer sentido: a11+a22=1+2=3. Conferência: a lei dá valores que crescem de 2 em 2 ao descer uma coluna e caem de 1 ao avançar uma coluna; a tabela faz exatamente isso.
$a_{23}$ não é $a_{32}$
Em A acima, a32=4 e a23 nem existe (não há terceira coluna). Numa matriz quadrada as duas existem e em geral são diferentes: trocar a ordem dos índices é trocar de casa. Quando a prova diz “o elemento aij é a quantidade do produto j comprada no mês i”, a linha é o mês e a coluna é o produto, e tudo o que vier depois depende de respeitar isso.
Igualdade e transposta: a mesma tabela virada
Duas matrizes são iguais quando têm a mesma ordem e cada entrada de uma é igual à entrada de mesmo endereço da outra. Não basta ter os mesmos números: (12) e (12) guardam os mesmos valores em ordens diferentes (1×2 e 2×1) e não são iguais. Em prova, a igualdade aparece com incógnitas: igualar duas matrizes é escrever uma equação por entrada.
Exemplo resolvido 2. Determine x e y para que (x+y032x)=(70310). As entradas a12 e a21 já coincidem. De a22: 2x=10, x=5. De a11: 5+y=7, y=2. Conferência: as quatro casas batem, (7,3;0,10).
A transposta de A, escrita At (ou AT), é a matriz obtida trocando linhas por colunas: a linha 1 de A vira a coluna 1 de At, e assim por diante. Se A é m×n, At é n×m, e (At)ij=aji. Na padaria, a tabela de vendas é “lojas × produtos”; a transposta é a mesma informação organizada como “produtos × lojas”, útil quando se quer ler a coluna de um produto como uma linha.
Cuidado com o reflexo de chamar At de “3×1” só porque virou mais alta que larga: ela tem duas colunas, uma por loja. Uma matriz quadrada que coincide com a própria transposta (aij=aji para todos os índices) chama-se simétrica: as entradas se espelham na diagonal principal. A matriz de distâncias entre cidades é simétrica (a distância de A a B é a de B a A); a matriz de um grafo sem sentido nas arestas também, como se verá adiante. A transposição interage com as operações de um jeito que vale guardar: (A+B)t=At+Bt, (kA)t=kAt e, para o produto, (AB)t=BtAt, com a ordem invertida.
Somar tabelas e multiplicar por um número
Somar duas matrizes é somar entrada a entrada, e isso só faz sentido se as duas têm a mesma ordem e as mesmas categorias nas linhas e colunas. A loja tinha um estoque, recebeu uma remessa e vendeu durante o dia: o estoque novo é a tabela inicial mais a remessa menos as vendas, casa por casa.
Adição, subtração e multiplicação por escalar
Para A e B de mesma ordem m×n: (A+B)ij=aij+bij e (A−B)ij=aij−bij. Para um número k (um escalar): (kA)ij=k⋅aij, todas as entradas multiplicadas por k. A matriz nula O é o zero dessa soma (A+O=A), e −A=(−1)A é a oposta (A+(−A)=O). A soma é comutativa e associativa, como a dos números, e k(A+B)=kA+kB.
Exemplo resolvido 3: estoque e reajuste. Duas filiais de uma loja de uniformes guardam camisas, canecas e bonés. Estoque na segunda de manhã, filial Norte na linha 1 e filial Sul na linha 2: E=(1253022814). Chegou uma remessa R=(1001020106) e, até a noite, foi vendido V=(419725). (a) Qual é o estoque no fim do dia? (b) Os preços unitários, na linha P=(352025), serão reajustados em 10 %; escreva a nova linha de preços.
(a) E+R−V, casa por casa. Linha 1: 12+10−4=18; 30+10−9=31; 8+10−2=16. Linha 2: 5+0−1=4; 22+20−7=35; 14+6−5=15.
E+R−V=(18431351615).
(b) Reajuste de 10 % é multiplicar por 1,1: 1,1⋅P=(38,52227,5). Conferência: a soma total de peças antes era 12+30+8+5+22+14=91; entraram 56 e saíram 28; 91+56−28=119, e a tabela final soma 18+31+16+4+35+15=119.
Repare na diferença entre multiplicar uma matriz por um número e multiplicar duas matrizes: na primeira, cada casa é multiplicada sozinha pelo mesmo fator; na segunda, que vem a seguir, linhas e colunas se combinam.
O produto: linha vezes coluna, e só quando os tamanhos permitem
Volte à padaria. A tabela de vendas A é 2×3 (lojas × produtos) e a coluna de preços B é 3×1 (produtos × 1). O faturamento da loja do centro saiu da linha 1 de A combinada com a única coluna de B: 120⋅0,8+15⋅25+60⋅4. A combinação só funciona porque a linha tem três números e a coluna tem três números, um para cada produto. Essa exigência é a condição de existência do produto.
A entrada c21 do produto C=A⋅B nasce da linha 2 de A e da coluna 1 de B, percorridas em paralelo: três produtos, somados. As demais entradas seguem a mesma receita, cada uma com a sua linha e a sua coluna. Diagrama autoral.
Produto de matrizes
O produto A⋅B existe apenas quando o número de colunas de A é igual ao número de linhas de B. Se A é m×n e B é n×p, então C=A⋅B é m×p, e cada entrada é
cij=ai1b1j+ai2b2j+⋯+ainbnj=k=1∑naikbkj:
isto é, percorra a linha i de A e a coluna j de B em paralelo, multiplique os pares correspondentes e some. Os índices “de fora” (i e j) dizem onde o resultado mora; o índice “do meio” (k) percorre a dimensão comum e desaparece na soma. O produto é associativo, (AB)C=A(BC), distributivo, A(B+C)=AB+AC, e a identidade é neutra, ImA=AIn=A.
O teste de existência é uma comparação: as colunas do primeiro fator contra as linhas do segundo. 2×3 e 3×2 passam no teste e dão um produto 2×2; 3×1 e 3×3 não passam; duas matrizes 3×4 falham nas duas ordens. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 4: receita e custo de uma vez. Com o estoque final do exemplo 3 vendido por completo, Q=(18431351615) (filiais × produtos), e uma tabela B com o preço de venda e o custo unitário de cada produto nas colunas, B=35202520810 (produtos × {preço, custo}), calcule Q⋅B e interprete cada entrada.
Ordens: Q tem três colunas e B tem três linhas; o produto existe e, com as duas linhas de Q e as duas colunas de B, é 2×2. Linha 1 de Q com a coluna 1 de B: 18⋅35+31⋅20+16⋅25=630+620+400=1650. Linha 1 com a coluna 2: 18⋅20+31⋅8+16⋅10=360+248+160=768. Linha 2 com a coluna 1: 4⋅35+35⋅20+15⋅25=140+700+375=1215. Linha 2 com a coluna 2: 4⋅20+35⋅8+15⋅10=80+280+150=510.
Q⋅B=(16501215768510).
A linha é a filial, a coluna é o tipo de valor: a filial Norte fatura R$ 1 650 com custo R$ 768 (lucro R$ 882); a Sul fatura R$ 1 215 com custo R$ 510 (lucro R$ 705). Os rótulos do resultado vêm das linhas do primeiro fator e das colunas do segundo; o rótulo comum (produtos) foi “consumido” pela soma. Conferência:B⋅Q seria 3×2 vezes 2×3, existe e é 3×3, mas suas entradas somariam “preço × quantidade da filial” por produto cruzado, sem significado aqui. A existência não garante o sentido.
O produto de uma tabela de quantidades por uma coluna de valores unitários é a forma mais frequente em prova, e foi exatamente o que o PAS 2 de 2013 fez. A tabela do caderno trazia, por mês (linhas 1, 2 e 3 = janeiro, fevereiro, março) e produto (colunas 1, 2 e 3 = café, arroz, açúcar), os pacotes comprados: 3, 2 e 1 em janeiro; 2, 1 e 0 em fevereiro; 2, 1 e 1 em março. O item 106 deu os preços R$ 8, R$ 12 e R$ 6 como a coluna B, definiu C=A×B e afirmou que c11−c31=20 “representa a diferença, em reais, entre a quantia total gasta com esses produtos nos meses de janeiro e março”. O item exige duas verificações independentes, e quem faz só uma delas erra: a conta e a leitura. c11 é a linha de janeiro sobre a coluna de preços, 3⋅8+2⋅12+1⋅6=54; c31 é a de março, 2⋅8+1⋅12+1⋅6=34; a diferença é 20. E ci1 é, de fato, o gasto total do mês i, porque cada linha de A guarda as quantidades de um mês. Número e significado conferem: certo. O item não pedia a matriz C inteira; pedia que o candidato soubesse o que cada entrada do produto significa.
Um produto é uma tabela de totais
Sempre que uma tabela de quantidades (m coisas × n itens) é multiplicada por uma coluna de “valor por item” (preço, peso, calorias, pontos), o resultado é a coluna dos m totais. É a conta da nota fiscal, da média ponderada e da classificação de um campeonato (vitórias, empates e derrotas vezes 3, 1 e 0). Com várias colunas de valores (preço e custo, ou pesos de dois cursos), o produto devolve vários totais por linha de uma só vez. O ENEM cobrou essa leitura mais de uma vez: notas de quatro bimestres vezes uma coluna de 41 dá a média anual de cada disciplina (2012); notas de três provas vezes a coluna dos pesos 3, 2 e 1 dá a nota final de cada candidato (2023).
Multiplicar uma matriz quadrada por ela mesma também faz sentido: A2=A⋅A, A3=A⋅A⋅A. Em grafos, as potências contam caminhos, como se verá adiante.
A ordem dos fatores altera o produto
Com números, 3⋅5=5⋅3. Com matrizes, A⋅B e B⋅A são, em geral, matrizes diferentes, e pode acontecer de só uma das duas existir. Veja com duas matrizes 2×2 escolhidas para mostrar o fenômeno:
A matriz B é uma “troca”: multiplicada à direita, ela troca as colunas de A; multiplicada à esquerda, troca as linhas. Resultados diferentes, e os dois com significado. Esse exemplo é um bom modelo mental: multiplicar à direita mexe nas colunas, multiplicar à esquerda mexe nas linhas.
Os três erros do produto
Multiplicar casa por casa.(A⋅B)ij não é aij⋅bij. A entrada do produto mistura uma linha inteira com uma coluna inteira.
Trocar a ordem.AB=BA em geral; se um sistema é A⋅X=B, a incógnita X está à direita de A, e é assim que ela deve continuar.
Ignorar as ordens.A4×2⋅B2×5 existe e é 4×5; B⋅A não existe, porque B tem 5 colunas e A tem 4 linhas. A4×2⋅C4×2 não existe em ordem alguma. O teste vem antes da conta: colunas do primeiro fator contra linhas do segundo.
Há casos em que a ordem não importa: toda matriz comuta com a identidade (AI=IA=A), com a nula, com as suas próprias potências, e as rotações do plano comutam entre si (girar 30° e depois 60° é o mesmo que o contrário). São exceções com motivo; a regra é não trocar.
Um sistema é um produto de matrizes
Pegue o sistema 3x+2y−z=4, y+5z=−2, 2x−7z=9 e olhe para o lado esquerdo de cada equação como “a linha dos coeficientes vezes a coluna das incógnitas”: 3⋅x+2⋅y+(−1)⋅z é a linha (3,2,−1) multiplicada, par a par, pela coluna (x,y,z). As três equações juntas são, então, o produto de uma matriz 3×3 pela coluna 3×1 das incógnitas, igualado à coluna dos termos independentes.
A forma matricial A⋅X=B: uma linha de A por equação, uma coluna por incógnita; a casa de uma incógnita ausente recebe 0. Multiplicar a linha i de A pela coluna X devolve o lado esquerdo da equação i. Diagrama autoral.
Forma matricial de um sistema
Um sistema linear de m equações e n incógnitas se escreve A⋅X=B, em que A (m×n) é a matriz dos coeficientes: a equação i ocupa a linha i, a incógnita j (na ordem que você fixar) ocupa a coluna j, e uma incógnita que não aparece numa equação deixa um 0 na casa dela; X (n×1) é a coluna das incógnitas e B (m×1) a coluna dos termos independentes. Para o sistema acima, com a ordem (x,y,z):
302210−15−7⋅xyz=4−29.
Para ler uma forma matricial impressa, faça o caminho inverso: a linha i de A vezes a coluna X, igualada à entrada i de B, é a equação i escrita por extenso.
Os itens do PAS 2 sobre forma matricial cobraram os dois sentidos. Em 2008, o texto-base trazia uma tabela com as horas de uso de um ferro elétrico, um forno de micro-ondas e uma máquina de lavar ao longo de três meses: o ferro ficou ligado 8, 4 e 2 horas em abril, maio e junho; o micro-ondas, 5, 10 e 0 horas; a máquina, 10, 15 e 10 horas; e os totais mensais de energia foram 18, 17 e 5 kWh. O texto chamava de A a matriz das horas (linha = mês, coluna = aparelho), de X a coluna dos consumos por hora x, y, z e de B a coluna (18,17,5); e o item 87 afirmou que o consumo horário de cada aparelho “pode ser obtido resolvendo-se a equação matricial AX=B”. A linha de abril de A sobre X dá 8x+5y+10z, que é o consumo total de abril, 18; o mesmo para maio e junho. Então A⋅X=B é o sistema das três contas de luz, e resolvê-lo dá x, y e z: certo. Não é preciso resolver para julgar; o item seguinte, que afirmava x=1,6, exigia a conta (dá x=1,5, errado) e fica na página de sistemas.
Em 2014, veio o único item tipo D do assunto. O texto dizia que um município gastou R$ 500 mil em três atividades contra a dengue, medidas preventivas (P), atendimento ambulatorial (A) e internações (I), e que o total com internações foi o triplo do total com prevenção somado ao total ambulatorial. O comando: “escreva, na forma matricial, um sistema linear que envolva as variáveis I, P e A”. Duas frases, duas equações. A primeira: I+P+A=500 (em milhares de reais). A segunda: I=3P+A, que arrumada fica I−3P−A=0. Fixando a ordem (I,P,A) das incógnitas, a matriz dos coeficientes tem duas linhas e três colunas:
(111−31−1)⋅IPA=(5000).
Um sistema com duas equações e três incógnitas não determina os três valores (é indeterminado), e a questão não pedia que determinasse; pedia a tradução. Numa resposta construída, escreva a ordem das incógnitas, a unidade (milhares de reais) e confira cada linha lendo-a de volta como frase: “1⋅I+1⋅P+1⋅A=500: a soma dos três gastos é 500 mil”; “1⋅I−3⋅P−1⋅A=0: internações menos o triplo da prevenção menos o ambulatorial dá zero”. Se a ordem das incógnitas fosse (P,A,I), as colunas mudariam de lugar e a matriz seria outra, igualmente correta; o que não pode é a coluna e a incógnita se desencontrarem.
Em 2022, o tipo C fez o candidato reconhecer a escrita certa. O texto-base: uma comunidade formada em 1600 tinha 300 indivíduos entre indígenas (i), europeus (e) e africanos (a); os europeus eram o dobro dos africanos, e os indígenas eram 40 a menos que os europeus. Três frases: i+e+a=300; e=2a, ou seja, e−2a=0; e−i=40, ou seja, −i+e=40. O item 93 imprimiu quatro produtos de matrizes, todos com a coluna (i,e,a), e perguntou qual deles era o sistema. A leitura linha a linha decide: na opção B, a primeira linha da matriz é toda de uns e se iguala a 300 (a soma dos três grupos); a segunda tem coeficiente 1 em e e −2 em a, igualada a 0 (europeus menos o dobro dos africanos); a terceira tem −1 em i e 1 em e, igualada a 40 (europeus menos indígenas). São exatamente as três frases. A opção A tinha a linha (1,0,1) igualada a 40 (i+a=40, que o texto não diz); a C era uma matriz quase identidade com −40 dentro dela e três 300 à direita, sem sentido; a D repetia a linha (1,1,1) mas trazia (0,1,2) igualada a zero (e+2a=0, impossível com quantidades positivas). Traduzir cada linha de volta para o português derruba as três erradas antes de qualquer conta.
E em 2009 o item 110 imprimiu uma forma matricial e afirmou que ela resolvia o problema. O texto: a Petrobras exportaria x bilhões de barris do campo de Tupi a US$ 100 o barril e y bilhões do campo de Iara a US$ 82, num total de 96,5 bilhões de barris e 9,587 trilhões de dólares. O sistema correto é x+y=96,5 e 100x+82y=9587. O caderno trazia a matriz de coeficientes (101−18), a coluna (x,y) e a coluna (96,5;−37,0). A primeira linha é x+y=96,5, correta. A segunda, −18y=−37, teria de ser a segunda equação depois de uma operação legítima: tirar da segunda equação 100 vezes a primeira dá 100x+82y−100x−100y=9587−9650, isto é, −18y=−63, não −37. A matriz impressa descreve outro sistema (com y≈2,06 em vez de 3,5): errado. A lição é a mesma de 2022, no sentido contrário: cada linha de uma forma matricial é uma frase, e a frase tem de ser verdadeira.
Exemplo resolvido 5: ler uma forma matricial. Escreva por extenso o sistema (2104−31)⋅pqr=(50) e diga se (p,q,r)=(1,−1,−1) é solução. Linha 1: 2p+0q−3r=5, ou 2p−3r=5. Linha 2: p+4q+r=0. Teste: 2⋅1−3⋅(−1)=5, confere; 1−4−1=−4=0, falha. Não é solução. Conferência: o teste de uma solução é exatamente o produto A⋅X feito com números, comparado com B; aqui ele devolveu (5,−4) em vez de (5,0).
A inversa: a matriz que desfaz o produto
Com números, a equação 5x=20 se resolve multiplicando os dois lados por 51, o inverso de 5, porque 51⋅5=1. Com matrizes, a equação A⋅X=B pede uma matriz que, multiplicada por A, dê a identidade, o “1” das matrizes. Essa matriz, quando existe, é a inversa de A.
Matriz inversa
Uma matriz quadrada A de ordem n é inversível quando existe uma matriz A−1, de mesma ordem, com A⋅A−1=A−1⋅A=In. Se existe, é única. Para o sistema A⋅X=B com A inversível, multiplicando os dois lados à esquerda por A−1: A−1AX=A−1B, logo IX=A−1B e
X=A−1⋅B.
Não existe “dividir por A”; existe multiplicar por A−1, e do lado certo. Só matrizes quadradas podem ter inversa, e nem todas têm.
No caso 2×2 a inversa sai da própria definição. Procure A−1=(prqs) para A=(acbd), exigindo A⋅A−1=I2. O produto dá quatro equações: ap+br=1 e cp+dr=0 (primeira coluna) e aq+bs=0 e cq+ds=1 (segunda coluna). Dois sistemas 2×2 nas incógnitas (p,r) e (q,s). Resolvendo o primeiro, p=ad−bcd e r=ad−bc−c; o segundo dá q=ad−bc−b e s=ad−bca. Logo
A−1=ad−bc1(d−c−ba),desde que ad−bc=0.
A receita cabe numa frase: troque os dois da diagonal principal de lugar, troque o sinal dos outros dois e divida tudo por ad−bc. O número ad−bc é o determinante de A, assunto da próxima página; aqui basta saber que, se ele é zero, a divisão é impossível e a inversa não existe. É por isso que o PAS 2 de 2013, no item 108, pôde afirmar que a matriz dos pacotes de café, arroz e açúcar “é inversível”: o determinante dela não é zero. E é por isso também que um sistema A⋅X=B com A quadrada tem solução única exatamente quando A é inversível: a solução é A−1B.
Exemplo resolvido 6: sistema pela inversa. Resolva 2x+y=7, 5x+3y=18 pela inversa da matriz dos coeficientes. A=(2513), ad−bc=6−5=1. Inversa: A−1=(3−5−12). Então
X=A−1B=(3−5−12)(718)=(21−18−35+36)=(31).
Conferência:2⋅3+1=7 e 5⋅3+3⋅1=18. E A⋅A−1=(6−515−15−2+2−5+6)=I2. Compare com A′=(2142): ad−bc=4−4=0, não há inversa, e de fato o sistema 2x+4y=b1, x+2y=b2 tem a segunda linha proporcional à primeira, sem solução única para nenhum B.
Para matrizes 3×3 o cálculo da inversa é trabalhoso e a banca não o pede; ela pergunta se a inversa existe, o que é a pergunta sobre o determinante. A escrita X=A−1B, porém, é cobrada como ideia: “a solução pode ser obtida multiplicando-se B pela inversa de A” é uma afirmação correta se A é inversível e a multiplicação é feita à esquerda.
Quatro números que movem o plano
Até aqui as colunas guardavam preços e incógnitas. Elas também podem guardar coordenadas: o ponto P(x,y) é a coluna (xy), e multiplicar uma matriz 2×2 por essa coluna devolve outra coluna, isto é, outro ponto. Uma matriz 2×2 é, assim, uma regra que move todos os pontos do plano de uma vez.
Matriz como transformação do plano
A matriz M=(acbd) leva o ponto P(x,y) ao ponto P′ de coordenadas x′=ax+by e y′=cx+dy (a linha 1 de M sobre a coluna do ponto dá x′; a linha 2, y′). O ponto (0,0) é levado nele mesmo, porque M⋅(00) é uma coluna de somas de zeros; e, como x′ e y′ são expressões do primeiro grau em x e y, pontos alinhados continuam alinhados: a imagem de um segmento é um segmento. Três matrizes para reconhecer: (2001)estica o plano na horizontal (dobra o x, mantém o y); (100−1)reflete no eixo x (troca o sinal de y); (01−10)gira um quarto de volta no sentido anti-horário, levando (x,y) em (−y,x). Compor duas transformações é multiplicar as duas matrizes, na ordem em que a segunda aplicada fica à esquerda.
Exemplo resolvido 7. Aplique M=(2001) e depois R=(01−10) ao triângulo de vértices (1,1), (4,1) e (1,3). Com M: (1,1)↦(2,1), (4,1)↦(8,1), (1,3)↦(2,3); o triângulo ficou duas vezes mais largo e com a mesma altura. Com R sobre esses três: (2,1)↦(−1,2), (8,1)↦(−1,8), (2,3)↦(−3,2); os três foram do primeiro para o segundo quadrante, girados. Conferência pela matriz composta:R⋅M=(02−10), e aplicada a (1,1) dá (−1,2), o mesmo ponto; note que M⋅R=(01−20) levaria (1,1) em (−2,1), outro ponto, porque a ordem das transformações importa tanto quanto a dos fatores. A página de transformações trata as rotações de ângulo qualquer, a composição e os itens do PAS 3 que usaram essa regra; aqui o que fica é a tradução: para saber em que região do plano uma matriz 2×2 joga os pontos, aplique-a a (x,y) com letras e observe o sinal de x′ e de y′.
Onde as matrizes moram: grafos, pixels e planilhas
Fora da sala de aula, a matriz aparece sempre que uma informação depende de dois índices. Três casos aparecem em prova e em qualquer área técnica.
Grafos e a matriz de adjacência. Um grafo é um conjunto de vértices (cidades, pessoas, páginas da web) ligados por arestas (estradas, amizades, links). Sua matriz de adjacênciaM tem mij=1 se há aresta entre os vértices i e j, e 0 se não há. Se as arestas não têm sentido, mij=mji e a matriz é simétrica; a diagonal é zero quando não há laço de um vértice nele mesmo.
O grafo e sua matriz de adjacência. A soma da linha de um vértice é o seu grau (quantas arestas saem dele); a matriz é simétrica porque as arestas não têm sentido. Em M2, a entrada (A,D) conta os caminhos de duas arestas de A a D: por B e por C, dois. Diagrama autoral.
Com M do diagrama, a soma da linha de B é 1+0+1+1=3: B tem três vizinhos. E M2 conta caminhos de comprimento 2: a entrada (A,D) de M⋅M é a linha A sobre a coluna D, 0⋅0+1⋅1+1⋅1+0⋅0=2, os caminhos A→B→D e A→C→D. A entrada (A,A) de M2 é 0+1+1+0=2, que é o grau de A: ir e voltar por cada aresta. É o mesmo princípio que um buscador usa para medir a importância de uma página pela das páginas que apontam para ela, com uma matriz de bilhões de linhas.
Quando as ligações têm sentido ou valor, a matriz deixa de ser simétrica e as somas ganham leituras diferentes. O ENEM de 2018 deu a matriz 5×5 dos valores transferidos entre cinco bancos, com aij o total enviado do banco i ao banco j: a soma da linha i é tudo o que o banco i enviou, e o banco que mais transferiu é o da linha de maior soma. O de 2021 fez o inverso com famílias que mudaram da região i para a região j: o destino mais procurado é a coluna de maior soma, porque a coluna reúne tudo o que chegou a uma região. Decidir se a pergunta é sobre linha ou sobre coluna é a habilidade inteira dessas questões.
Imagens em pixels. Uma foto em tons de cinza é uma matriz: cada entrada é um pixel, com um número de 0 (preto) a 255 (branco). Uma imagem de 1 920 × 1 080 pixels é uma matriz 1080×1920 (linhas são as fileiras horizontais). Clarear a imagem é somar uma constante a todas as entradas (até o teto 255); aumentar o contraste é multiplicar por um escalar maior que 1; espelhar é inverter a ordem das colunas; girar 90° é transpor e inverter linhas. Uma imagem colorida são três matrizes, uma por canal (vermelho, verde, azul).
A imagem e a sua matriz são a mesma coisa: cada pixel é uma entrada aij com um tom de cinza. Linha i é a fileira de cima para baixo; coluna j, da esquerda para a direita, como na matriz. Diagrama autoral, valores gerados por fórmula.
Planilhas. Uma planilha é uma matriz com nomes nas linhas e colunas e, às vezes, fórmulas nas casas. Toda a contabilidade da padaria da abertura cabe numa planilha, e a função de “soma de produtos” (quantidades × preços) que ela oferece é o produto de uma linha por uma coluna. Tabelas de dupla entrada em geral, como a de contagens de análise combinatória (quantos elementos têm a característica da linha e a da coluna), também são matrizes, e as somas de linhas e colunas são as marginais.
Quem deu nome à tabela
A palavra matrix (do latim, “útero”, “molde”) foi adotada em 1850 pelo matemático inglês James Joseph Sylvester para a tabela retangular de números de que se extraem determinantes; o amigo dele Arthur Cayley, em 1858, escreveu o primeiro tratado que opera com as tabelas como objetos, definindo soma, produto e inversa como nesta página, e observando que o produto não é comutativo. O determinante, portanto, é mais velho que a matriz; a ordem das páginas deste Hub (matrizes antes de determinantes) é a ordem didática, não a histórica.
Como a banca pergunta
Os itens de matriz do PAS vêm sempre pendurados num texto-base com uma tabela ou um sistema; a conta é curta e a pergunta é de leitura. Cinco itens reais do PAS 2, de onde o assunto migrou para a 3.ª etapa, e seis do ENEM cabem em quatro formatos.
Significado de uma entrada do produto, tipo A: a tabela de pacotes por mês vezes a coluna de preços, e a afirmação “c11−c31=20 é a diferença de gasto entre janeiro e março” (2013/106, C). Refaça as duas linhas sobre a coluna e confira número e significado.
O sistema escrito como AX=B, tipos A e D: “o consumo por hora sai da equação AX=B” (2008/87, C); “escreva, na forma matricial, um sistema que envolva I, P e A” (2014/88, resposta construída). Linha = equação, coluna = incógnita, ausente = zero.
Reconhecer ou derrubar uma forma matricial impressa, tipos C e A: qual das quatro expressões traduz as três frases sobre a comunidade (2022/93, B); a matriz (101−18) com a coluna (96,5;−37,0) resolve o problema dos barris (2009/110, E). Leia cada linha como uma frase e julgue a frase.
Soma de linha ou de coluna numa matriz de dados, múltipla escolha do ENEM: banco que mais enviou (linha, 2018), região que mais recebeu (coluna, 2021), dia com mais acertos (coluna, 2019), e produto por uma coluna de pesos (2012, 2023).
Dois avisos de formato. No tipo D, a resposta construída tem de trazer a ordem das incógnitas e a unidade, porque a correção lê a matriz com elas. E, no tipo C com quatro expressões matriciais, as opções reaproveitam os mesmos coeficientes em posições diferentes: em vez de procurar a que “parece certa”, traduza a primeira frase do texto numa linha e descarte as opções em que essa linha não está.
Os erros que mais derrubam
Linha e coluna trocadas.a23 está na linha 2, coluna 3. Se o texto define “aij é a quantidade do produto j no mês i”, a linha é o mês; ler ao contrário inverte a tabela inteira.
Ordem “6” para uma matriz 2×3. A ordem é o par (linhas × colunas), não o número de entradas.
Somar matrizes de ordens diferentes. Não existe; e mesmo com a mesma ordem, só faz sentido se as linhas e colunas representam as mesmas coisas.
Multiplicar entrada a entrada. O produto combina a linha inteira de A com a coluna inteira de B.
Multiplicar sem olhar as ordens. Colunas do primeiro = linhas do segundo. A4×2⋅B4×2 não existe; A4×2⋅B2×5 existe e é 4×5; B⋅A não existe.
Trocar a ordem dos fatores.AB=BA em geral. Em AX=B, a incógnita fica à direita; a solução é A−1B, não BA−1.
“Dividir por A”. Não há divisão de matrizes; há produto pela inversa, se ela existir.
Inversa de matriz não quadrada, ou de quadrada com ad−bc=0. Só matrizes quadradas podem ter inversa, e só as de determinante não nulo têm.
Forma matricial com coluna desencontrada. Fixe a ordem das incógnitas antes de escrever A; incógnita que falta numa equação entra com 0 na sua coluna, não some.
Ler a entrada certa pelo total errado. Numa matriz de fluxos “de i para j”, a linha é o que saiu de i e a coluna é o que chegou a j; a pergunta diz qual dos dois quer.
O essencial em meia página
Matriz A=(aij)m×n:m linhas, n colunas; aij na linha i, coluna j. Tipos: linha, coluna, quadrada (diagonal principal aii), nula, identidade In (1 na diagonal, 0 fora), diagonal, triangular.
Igualdade: mesma ordem e entradas iguais casa a casa. TranspostaAt: linhas viram colunas, (At)ij=aji; simétrica se At=A; (AB)t=BtAt.
Soma e escalar: entrada a entrada, mesma ordem; kA multiplica todas as entradas por k.
Produto: com A de ordem m×n e B de ordem n×p, o produto A⋅B existe (o meio bate) e tem ordem m×p; cij=∑kaikbkj (linha i de A sobre coluna j de B). Quantidades × coluna de preços = coluna de totais. AB=BA em geral; AI=IA=A.
Forma matricial:A⋅X=B, linha = equação, coluna = incógnita, ausente = 0. Ler uma forma impressa é escrever cada linha como frase.
Inversa:AA−1=A−1A=I; X=A−1B (à esquerda). Caso 2×2: A−1=ad−bc1(d−c−ba), só se ad−bc=0 (determinante não nulo = inversível = sistema com solução única).
Transformação:M⋅(x,y)t move o ponto; (01−10) gira 90° anti-horário; a origem não sai do lugar; compor é multiplicar.
Aplicações: adjacência de grafo (simétrica, soma da linha = grau, M2 conta caminhos de 2 passos); imagem = matriz de pixels (0 preto, 255 branco); planilha e tabela de dupla entrada; fluxos “de i para j” (linha = saiu, coluna = chegou).
Na prova: olhe as ordens antes de multiplicar; confira o número e o significado da entrada; leia linha a linha a forma matricial; no tipo D, declare a ordem das incógnitas e a unidade.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
A definição de matriz
Portal da Matemática OBMEP · 8:35
Introdução. Primeira aula do módulo “Matrizes e sistemas lineares” do Portal da Matemática (IMPA/OBMEP), com o professor Vander Martins: segundo a descrição do autor, “nesta aula definimos o conceito de matriz e exemplificamos. Também identificamos os elementos de uma matriz”. É a seção “Uma matriz é uma tabela com endereço” no ritmo de um primeiro contato, com a notação a_ij e a ordem m × n.
Produto de matrizes
Portal da Matemática OBMEP · 11:11
Aprofundamento. Quarta aula do mesmo módulo: “através de um exemplo introduzimos o conceito de produto de matrizes. Estudamos também condições para garantir a existência do produto”, nas palavras do autor. É a seção “O produto: linha vezes coluna, e só quando os tamanhos permitem”, com a condição colunas do primeiro = linhas do segundo e a ordem do resultado.
Exercícios sobre operações – Aula 1
Portal da Matemática OBMEP · 11:07
Resolução. Na aula seguinte da série, “trabalhamos dois exercícios que envolvem o conceito de produto de matrizes”: a conta linha por coluna feita por extenso, com a verificação das ordens, que é o treino das seções “O produto” e “A ordem dos fatores altera o produto”.
Matriz 21: Matriz Inversa 2x2
Matemática no Papel · 4:23
Aprofundamento. Aula curta do professor Ítalo Benfica, dedicada só ao cálculo da inversa de uma matriz 2 × 2, com a condição de existência: é o conteúdo da seção “A inversa: a matriz que desfaz o produto” (receita do caso 2 × 2 e o número ad − bc).
[ENEM 2021] 157 MATRIZES Uma construtora, pretendendo investir na construção de imóveis em uma
Prof. Caju - Matemática · 12:04
Aplicação. Resolução comentada da questão 157 do ENEM 2021 (a matriz 5 × 5 das famílias que mudaram da região i para a região j), cujo enunciado completo está na descrição do vídeo: decidir se a pergunta é sobre a soma de uma linha ou de uma coluna. É a leitura da seção “Onde as matrizes moram: grafos, pixels e planilhas”, e a própria questão está vinculada nos exercícios desta página.
Duas lojas, três produtos, uma coluna de preços: a receita de cada loja é uma linha da tabela vezes a coluna dos preços.A matriz A=(aij)3×4: o primeiro índice é a linha, o segundo é a coluna. A entrada a23 está no cruzamento da linha 2 com a coluna 3; a diagonal principal reúne as entradas aii. Diagrama autoral.A entrada c21 do produto C=A⋅B nasce da linha 2 de A e da coluna 1 de B, percorridas em paralelo: três produtos, somados. As demais entradas seguem a mesma receita, cada uma com a sua linha e a sua coluna. Diagrama autoral.O teste de existência é uma comparação: as colunas do primeiro fator contra as linhas do segundo. 2×3 e 3×2 passam no teste e dão um produto 2×2; 3×1 e 3×3 não passam; duas matrizes 3×4 falham nas duas ordens. Diagrama autoral.A forma matricial A⋅X=B: cada linha de A é uma equação, cada coluna é uma incógnita, e uma incógnita que não aparece entra com coeficiente zero. Multiplicar a linha i de A pela coluna X devolve o lado esquerdo da equação i. Diagrama autoral.O grafo e sua matriz de adjacência. A soma da linha de um vértice é o seu grau (quantas arestas saem dele); a matriz é simétrica porque as arestas não têm sentido. Em M2, a entrada (A,D) conta os caminhos de duas arestas de A a D: por B e por C, dois. Diagrama autoral.A imagem e a sua matriz são a mesma coisa: cada pixel é uma entrada aij com um tom de cinza. Linha i é a fileira de cima para baixo; coluna j, da esquerda para a direita, como na matriz. Diagrama autoral, valores gerados por fórmula.Uma foto em tons de cinza é uma matriz: cada pixel é uma entrada de 0 (preto) a 255 (branco), na linha e na coluna em que aparece.Estoque inicial, mais a remessa, menos as vendas: a soma de matrizes é feita casa a casa, e só entre tabelas com as mesmas linhas e colunas.Numa planilha, a função que soma produtos entre uma linha e uma coluna é a entrada de um produto de matrizes.Quatro números movem todos os pontos de uma figura de uma vez: a matriz 2 × 2 aplicada a cada vértice gira, estica ou reflete a figura inteira.Horas de uso de três aparelhos em três meses, vezes o consumo por hora de cada um, dá o total de cada conta: o sistema é um produto de matrizes.Cada estrada vira um 1 na matriz de adjacência, espelhado nos dois lados da diagonal; a soma de uma linha é quantas estradas saem daquela cidade.
Rota PAS 3
Matrizes e sistemas: a álgebra que liga circuitos · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Matrizes e sistemas: a álgebra que liga circuitos · Antes de começar (ideias 1 e 4); O que cai daqui (tabela do código MAT-E02); Matrizes: a tabela que opera (conceito, produto, itens PAS 2 2013/106 e 2008/87, armadilha dos tamanhos); Sistemas lineares (conceito de forma matricial; itens 2014/88 tipo D e 2022/93 tipo C); Transformações do plano (conceito da matriz 2×2 que move pontos, só a apresentação); Leia como na prova e Como a banca cobra (histórico do PAS 2: 2013/106, 2008/87, 2014/88, 2022/93, 2009/110); Resolvidos; exercícios 1, 2 e 6; Banco de treino T10 e T20
Recorte por assunto: a matriz como objeto (endereço, tipos, igualdade, transposta, adição, produto, forma matricial, inversa 2×2, matriz como transformação, aplicações). Fora: escalonamento e classificação (matematica/sistemas-lineares), determinantes e Cramer (matematica/determinantes), rotações em detalhe (matematica/transformacoes-no-plano), a física do circuito (fisica/leis-de-kirchhoff). O capítulo foi fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números, figuras e ordem desta página são próprios.
Mapa de itens de Matemática do PAS 3 (p1-mat a p4-mat + grep nas três classificações) · Itens marcados MA: PAS 2 2013/106, 2008/87, 2014/88 (D), 2022/93 (C), 2009/110 (fig)
Mapa vinculante para as 12 páginas de Matemática do PAS 3; os cinco itens desta página foram abertos na imagem do caderno a 200 dpi. O grep adicional nas três classificações por 'matriz|matricial|transposta|produto de matrizes|linhas e colunas' não acrescentou item de matriz fora dos já distribuídos (2013/108, 2021/59 e 2023/61 são de determinantes; 2022/117 e 2025/26 são de transformações).
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 2: 2008 (itens 87 a 89), 2009 (itens 110 a 112), 2013 (itens 106 a 108), 2014 (itens 86 a 88), 2022 (itens 93 e 94)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos lidos nos GAB oficiais e conferidos em classificacao-pas2/AAAA.json (2013/106 C, 2008/87 C, 2014/88 tipo D, 2022/93 B, 2009/110 E).
Cadernos em PDF (tabelas e matrizes impressas) · 2013-PAS2 p. 16 do PDF (p. 14 do caderno Aleijadinho): tabela mês × produto (3, 2, 1; 2, 1, 0; 2, 1, 1) e a coluna B = (8, 12, 6); 2008-PAS2 p. 13 do PDF (p. 12 do caderno): tabela das horas (abril 8, 5, 10 e 18 kWh; maio 4, 10, 15 e 17; junho 2, 0, 10 e 5) e as colunas X e B; 2014-PAS2 p. 15 do PDF (p. 13 do caderno Georgina): texto-base da dengue e o comando do item 88; 2022-PAS2 p. 12: as quatro expressões matriciais do item 93; 2009-PAS2 p. 17 do PDF (p. 16 do caderno): a forma matricial impressa do item 110, com a matriz de coeficientes (1, 1; 0, −18) e a coluna (96,5; −37,0)
Páginas abertas a 200 dpi; todas as tabelas, matrizes e números usados na teoria e nas questões foram lidos na imagem.
Banco de questões do ENEM (data/data, raspado) — itens de matriz reusados por GUID · ENEM 2012 (notas bimestrais × coluna de pesos 1/4), 2018 (TEDs entre cinco bancos), 2019 (acertos por aluno e dia), 2021 (famílias entre cinco regiões), 2023 PPL (pesos × notas em dois cursos; notas × pesos de três candidatos)
Seis questões lidas renderizadas: matrizes escritas em LaTeX no enunciado, cinco alternativas e gabarito conferidos pela resolução; vinculadas por GUID sem cópia para data/hub.