Determinantes
Guia de estudo · Revisado em 07/09/2026
O que um único número revela sobre uma matriz?
O que você vai aprender
- Calcular determinantes e aplicar propriedades.
- Relacionar determinante a área e inversibilidade.
- Usar Cramer somente com determinante não nulo.
O determinante associa um número a uma matriz quadrada. Esse número informa se a transformação linear pode ser desfeita e, no plano, mede a mudança de área com sinal de orientação. Ele também ajuda a estudar sistemas lineares. Um determinante não é uma matriz menor nem a soma de todos os seus elementos: possui regras próprias, cuja interpretação evita muitas contas desnecessárias.
Ordem dois: cálculo e sinal
Para a matriz A com linhas e , o determinante é . Multiplique as entradas da diagonal principal e subtraia o produto da diagonal secundária. A ordem da subtração importa.
Se A tem linhas e , então . Trocar as duas linhas produz determinante . O módulo ficou igual, mas a orientação foi invertida. Já multiplicar apenas a primeira linha por 2 dobra o determinante: o novo valor é 20.
O determinante usual é definido para matrizes quadradas. Uma tabela pode representar dados e participar de produtos, mas não possui determinante nesse sentido.
Ordem três e regra de Sarrus
Para uma matriz com linhas , e , Sarrus resulta em . São três produtos somados e três subtraídos. Repetir as duas primeiras colunas ajuda a visualizar esses produtos, sem alterar a matriz original.
Considere as linhas , e . Os produtos positivos somam . Os três produtos subtraídos são zero. Logo, o determinante é 16. Outra conferência consiste em subtrair duas vezes a primeira linha da terceira: a última linha vira . A expansão pela primeira coluna dá .
Sarrus é uma regra específica da ordem três. Repetir colunas em uma matriz de ordem quatro não fornece uma extensão válida do procedimento.
Propriedades que economizam trabalho
Trocar duas linhas muda o sinal. Multiplicar uma linha por k multiplica o determinante por k. Somar a uma linha um múltiplo de outra não altera o determinante. As mesmas propriedades valem para colunas.
Uma linha nula ou duas linhas proporcionais tornam o determinante zero. Em uma matriz triangular, o determinante é o produto da diagonal principal. Escalonar pode simplificar muito o cálculo, desde que você acompanhe as trocas e multiplicações realizadas.
Se toda uma matriz de ordem n é multiplicada por k, cada uma das n linhas recebe esse fator: . Por exemplo, se A é de ordem três e tem determinante 5, então , não 10. Também valem e para matrizes quadradas da mesma ordem.
O que isso decide em um sistema
Para um sistema quadrado , determinante não nulo garante uma única solução para qualquer coluna B. Equivale à existência de . Se o determinante é zero, é preciso continuar a análise: o sistema pode não ter solução ou pode ter infinitas.
Compare junto de com a mesma primeira equação junto de . A matriz dos coeficientes tem determinante zero nos dois casos. No primeiro, qualquer par resolve; no segundo, a segunda equação contradiz o dobro da primeira. O determinante dos coeficientes não observa sozinho essa diferença nos termos independentes.
Cramer com uma verificação completa
Quando , a regra de Cramer dá . A matriz substitui a coluna j de A pelos termos independentes, conservando a ordem das demais colunas.
No sistema e , o determinante principal é . Para x, o numerador vale , portanto x=3. Para y, vale , portanto y=1. A substituição confere ambas as equações: 7 e 2. Se o denominador for zero, essas divisões não podem ser usadas para classificar automaticamente o sistema.
Área e independência
Dois vetores do plano formam as colunas de uma matriz. O módulo do determinante é a área do paralelogramo gerado; a área do triângulo é metade disso. Para e , o determinante vale 5, então as áreas são 5 e 2,5 unidades quadradas.
Três pontos determinam qual polinômio?
Para procurar que passe por três pontos , e , substitua cada par na expressão. O sistema é linear nas incógnitas a, b e c, mesmo que apareçam quadrados das abscissas conhecidas. Sua matriz tem linhas , e .
O determinante dessa matriz é
Se as abscissas são distintas duas a duas, nenhum fator é zero: existe um único polinômio de grau no máximo dois que interpola os dados. Isso não garante a≠0. Três pontos alinhados podem determinar uma função afim, e três ordenadas iguais determinam uma função constante.
Por exemplo, os pontos (0,1), (1,4) e (2,15) dão , e . Substituindo c, obtemos e ; portanto a=4 e b=−1. O resultado devolve 1, 4 e 15 nas três abscissas. O determinante vale −2. Mantendo as abscissas e trocando as ordenadas para 1, 3 e 5, o mesmo determinante não nulo dá a=0, b=2 e c=1: solução única, mas sem parábola.
Um determinante em um modelo de circuito
Considere a matriz de coeficientes de um sistema de correntes de malha, com linhas , e . A expansão pela primeira linha fornece
Assim, esse sistema linear tem solução única para qualquer coluna de tensões fornecida. Dobrar todos os coeficientes multiplica o determinante por oito: . A conclusão vale para esse modelo com matriz inversível; não precisa de uma afirmação geral sobre todo circuito físico. A montagem das equações exige ainda identificar as malhas e adotar uma convenção de sinais.
Determinante zero indica dependência das colunas de uma matriz quadrada. Para decidir a consistência de sistemas lineares, também examine a coluna dos termos independentes. Para calcular áreas, use o módulo; uma orientação negativa não produz área negativa.
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Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
- Rota PAS 3 — Matrizes e sistemas: a álgebra que liga circuitos · Para que serve o determinante?
Adaptação por assunto com exemplos autorais e condições de validade explícitas; lacunas registradas na cobertura.