Progressão aritmética (PA)

Guia de estudo · Revisado em 15/09/2026

BNCC · EM13MAT507BNCC · EM13MAT501

Arquibancadas de 25 filas em que cada fila tem 4 assentos a mais que a anterior; um templo reconstruído sete vezes com alturas que crescem sempre a mesma quantidade. Como chegar ao 25.º termo sem escrever os 24 anteriores, e como somar tudo em uma linha?

O que você vai aprender

  • Distinguir posição (n) e valor (a_n) em uma sequência e reconhecer uma PA pelo teste de todas as diferenças, classificando-a como crescente, decrescente ou constante pelo sinal da razão.
  • Deduzir e aplicar o termo geral a_n = a_1 + (n − 1) r e a relação a_n − a_m = (n − m) r, contando saltos em vez de termos, inclusive em itens de limiar como os do PAS 2020 e 2025.
  • Explicar por que os pontos (n, a_n) de uma PA estão alinhados, traduzir entre PA e função afim (razão = taxa) e justificar que função afim preserva PA.
  • Usar termo médio e pares equidistantes, escrever três termos em PA como x − r, x, x + r e interpolar k meios aritméticos com k + 1 saltos.
  • Deduzir S_n = (a_1 + a_n) n / 2 pelo par de Gauss e aplicá-la a arquibancadas, depósitos, números triangulares e soma de ímpares, calculando a_n antes.
  • Modelar parcelas, fileiras, datas e juros simples como PA, distinguindo a_n (o do mês) de S_n (o acumulado), e contar termos de uma PA de inteiros num intervalo (múltiplos) sem esquecer o + 1.

Um ginásio vai receber arquibancadas de 25 filas: a primeira tem 18 assentos e cada fila seguinte tem 4 a mais que a de baixo. Quantos assentos cabem? Alguém começa a somar 18, 22, 26, 30 e desiste na sexta fila. Em dezembro de 2025, a prova do PAS 1 contou que o Templo Mayor, na Cidade do México, foi construído e depois reconstruído sete vezes, chegando a 60 metros na fase final e a 42 metros na terceira, e afirmou que, se a altura tivesse crescido em progressão aritmética, a diferença entre a primeira fase e a última seria de 29 metros. Não havia figura, não havia fórmula. Havia oito fases, duas alturas e uma palavra: aritmética.

As duas situações são o mesmo objeto: uma lista de números em que se soma sempre a mesma quantidade para passar de um ao seguinte. É a progressão aritmética, ou PA. Esta página é sobre como reconhecer uma PA, como chegar a qualquer termo sem escrever os anteriores, por que os termos de uma PA caem sobre uma reta, como somar centenas deles em uma linha e onde a banca planta o erro. A função afim que está por baixo, a progressão geométrica que cresce de outro jeito e os juros que se calculam com PA têm páginas próprias; aqui aparecem como vizinhos.

Uma sequência tem duas contas: a posição e o valor

Uma sequência numérica é uma lista ordenada: há um primeiro número, um segundo, um terceiro. Escreve-se a1,a2,a3,…a_1, a_2, a_3, \ldots, e o índice diz a posição, não o valor. Em (7,11,15,19,…)(7, 11, 15, 19, \ldots), o 19 é o valor do quarto termo: a4=19a_4 = 19. As duas perguntas “quanto vale o vigésimo termo?” e “em que posição aparece o 83?” são diferentes, e boa parte dos erros com PA nasce de responder uma quando se perguntou a outra.

O que define uma sequência é a regra que produz cada termo. A regra pode ser recursiva (cada termo a partir do anterior: “some 4”) ou fechada (cada termo a partir da posição: an=4n+3a_n = 4n + 3). A PA é a sequência em que as duas regras são as mais simples possíveis, e a passagem de uma para a outra é o assunto da terceira seção.

O que faz uma sequência ser aritmética

Progressão aritmética e razão

Uma sequência (a1,a2,a3,…)(a_1, a_2, a_3, \ldots) é uma progressão aritmética quando a diferença entre dois termos consecutivos é sempre a mesma:

an+1−an=rpara todo n.a_{n+1} - a_n = r \quad \text{para todo } n.

O número rr é a razão. Se r>0r > 0 a PA é crescente; se r<0r < 0, decrescente; se r=0r = 0, constante (todos os termos iguais). A razão pode ser fração, decimal ou negativa: (1; 1,5; 2; 2,5)(1;\ 1{,}5;\ 2;\ 2{,}5) é PA de razão 0,50{,}5; (100,85,70,55)(100, 85, 70, 55) é PA de razão −15-15.

Três painéis com pontos sobre eixos. No primeiro, a PA 3, 7, 11, 15, 19 sobe em degraus iguais de 4, com uma reta tracejada inclinada para cima ligando os pontos. No segundo, a PA 20, 17, 14, 11, 8 desce em degraus iguais de 3, com reta tracejada descendo. No terceiro, a PA 5, 5, 5, 5, 5 tem todos os pontos na mesma altura, sobre uma reta horizontal.
Três PAs, três razões: r=4r = 4 (crescente), r=−3r = -3 (decrescente) e r=0r = 0 (constante). Em todas, o degrau de um ponto para o seguinte é sempre o mesmo, e é isso que alinha os pontos. Diagrama autoral.

Para decidir se uma lista é PA, subtraia cada termo do seguinte e compare todas as diferenças. Em (2,5,8,12)(2, 5, 8, 12) as duas primeiras valem 3, mas a última vale 4: não é PA. Em (1,4,9,16)(1, 4, 9, 16) as diferenças são 3,5,73, 5, 7: crescem, logo não é PA (é a lista dos quadrados, que vai voltar na prova de 2008). Um enunciado que diz “aumenta 5 a cada mês”, “diminui 0,05 m de um bloco para o de cima”, “cada fila tem 4 assentos a mais” está descrevendo uma PA sem usar o nome. Um que diz “aumenta 10% ao mês” ou “cai pela metade a cada sessão” não está: multiplicar sempre pelo mesmo número é progressão geométrica, e a conta é outra.

Acréscimo fixo é PA; acréscimo percentual, não

“Um salário de R$ 2 000 recebe aumento de R$ 100 por ano” gera 2 000,2 100,2 200,…2\,000, 2\,100, 2\,200, \ldots: PA de razão 100. “Um salário de R$ 2 000 recebe aumento de 5% ao ano” gera 2 000,2 100,2 205,2 315,25,…2\,000, 2\,100, 2\,205, 2\,315{,}25, \ldots: o primeiro passo coincide com o da PA e depois se descola, porque 5% de um valor maior é mais dinheiro. O item de 2025 sobre um peixe-limpador que remove 50% dos parasitas a cada sessão estava no mesmo bloco de um item de PA, de propósito: a banca quer ver se você lê a regra ou só o número.

Termo geral: conte saltos, não termos

Da pilha de uma cadeira (45 cm) para a de duas (50 cm) há um acréscimo de 5 cm; para a de três, dois acréscimos; para a de dez, nove. É sempre um a menos que a posição, porque o primeiro termo não recebe acréscimo nenhum.

Termo geral de uma PA

an=a1+(n−1) ra_n = a_1 + (n - 1)\,r

Lê-se: para chegar ao termo de posição nn, parta do primeiro e dê n−1n - 1 saltos de tamanho rr. Entre dois termos quaisquer vale a mesma ideia, sem passar pelo primeiro:

an−am=(n−m) r,a_n - a_m = (n - m)\,r,

isto é, de ama_m até ana_n há n−mn - m saltos.

Linha numérica horizontal com seis pontos rotulados a1 igual a 7, a2 igual a 11, a3 igual a 15, a4 igual a 19, a5 igual a 23 e a6 igual a 27. Sobre cada intervalo entre pontos consecutivos há um arco com o rótulo mais 4. Uma chave abaixo abrange do a1 ao a6 com o texto: cinco saltos, não seis, a6 igual a 7 mais 5 vezes 4.
De a1a_1 a a6a_6 há cinco saltos de razão 4, não seis: a6=7+5⋅4=27a_6 = 7 + 5 \cdot 4 = 27. O índice conta termos; a fórmula conta saltos, que são sempre um a menos. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 1: o Templo Mayor (PAS 1 2025, item 23). Oito fases de construção com alturas em PA; a terceira mede 42 m e a oitava, 60 m. A diferença entre a primeira e a última é de 29 m?

Estratégia: dois termos conhecidos dão a razão por an−am=(n−m)ra_n - a_m = (n - m) r; a pergunta pede a8−a1a_8 - a_1, que é 7r7r.

Resolução: de a3a_3 a a8a_8 há 8−3=58 - 3 = 5 saltos: 5r=60−42=185r = 60 - 42 = 18, logo r=3,6r = 3{,}6 m. De a1a_1 a a8a_8 há 7 saltos: a8−a1=7⋅3,6=25,2a_8 - a_1 = 7 \cdot 3{,}6 = 25{,}2 m. Não são 29 m: o item é E.

Conferência: a1=42−2⋅3,6=34,8a_1 = 42 - 2 \cdot 3{,}6 = 34{,}8 e a8=34,8+7⋅3,6=60a_8 = 34{,}8 + 7 \cdot 3{,}6 = 60. Bate. De onde veio o 29? De quem contou oito saltos entre oito fases: 8⋅3,6=28,8≈298 \cdot 3{,}6 = 28{,}8 \approx 29. O valor falso foi escolhido para punir exatamente esse erro.

Entre $a_1$ e $a_n$ há $n - 1$ razões

É o erro que a banca mais planta, e ela o planta nos dois sentidos. Em 2020, blocos de pedra com arestas em PA de razão −0,05-0{,}05 m a partir de 1 m: a aresta do oitavo bloco é 1−7⋅0,05=0,651 - 7 \cdot 0{,}05 = 0{,}65 m, e o item afirmava “inferior a 0,60 m”. Quem conta oito saltos chega a 0,60 e hesita; quem conta sete marca E sem hesitar. Em 2025, o Templo Mayor. Antes de escrever a resposta, pergunte: quantos saltos eu multipliquei? Deve ser a posição menos um.

Quando o enunciado dá dois termos de posições distantes, não calcule a1a_1 por reflexo: use an−am=(n−m)ra_n - a_m = (n - m) r para achar rr e ande a partir do termo mais próximo do que se pede. Se a3=14a_3 = 14 e a8=34a_8 = 34, então 5r=205r = 20, r=4r = 4, e a10=a8+2r=42a_{10} = a_8 + 2r = 42. Voltar até a1=6a_1 = 6 é possível, mas é um passo a mais em que se pode errar.

A reta que pisa só nos inteiros

Escreva o termo geral de outro jeito: an=a1+(n−1)r=rn+(a1−r)a_n = a_1 + (n - 1) r = rn + (a_1 - r). Isso é f(n)=rn+bf(n) = rn + b com b=a1−rb = a_1 - r: uma função afim da posição, avaliada só em n=1,2,3,…n = 1, 2, 3, \ldots A razão da PA é a taxa da reta; o “valor inicial” bb é o termo que a PA teria na posição zero. Os pontos (n,an)(n, a_n) caem todos sobre uma reta, mas a PA só ocupa os pontos de abscissa inteira: é a reta que pisa só nos inteiros.

Plano cartesiano com n no eixo horizontal, de 0 a 7, e a_n no vertical. Uma reta tracejada cinza, rotulada f(n) igual a 3n mais 2, atravessa o plano. Sobre ela, seis pontos azuis cheios nas posições inteiras n igual a 1 a 6, com valores 5, 8, 11, 14, 17 e 20. Entre os pontos, a reta continua, mas está vazia; em n igual a 0 há um ponto vazado em 2, marcado como b igual a a1 menos r.
A PA (5,8,11,14,17,20)(5, 8, 11, 14, 17, 20) é a afim f(n)=3n+2f(n) = 3n + 2 avaliada só nos inteiros positivos: a razão 33 é a taxa da reta, e b=a1−r=2b = a_1 - r = 2 é onde a reta cortaria o eixo, uma posição que a PA não tem. Diagrama autoral.

A tradução vale nos dois sentidos, e a banca cobrou os dois. De PA para reta: em 2011, caixas empilhadas no porão de um navio, a ii-ésima pilha com aia_i caixas em PA; a opção correta do item tipo C dizia que “os centros da última caixa de cada pilha estão alinhados, para qualquer n≥2n \ge 2”. É a figura acima em palavras: alturas em PA são pontos sobre uma reta. De reta para PA: em 2012, a reta f(t)=mt+hf(t) = mt + h ajustada aos tempos dos 100 metros rasos, e o item afirmava que, se três instantes t1,t2,t3t_1, t_2, t_3 estão em PA, então as imagens f(ti)f(t_i) desses três instantes também estão. Certo: passos iguais na entrada (rr) viram passos iguais na saída (mrmr). Função afim preserva PA, com a razão multiplicada pela taxa.

PA e função afim são o mesmo objeto em dois idiomas
Na PA Na reta
razão rr taxa de variação aa
primeiro termo a1a_1 f(1)f(1)
a1−ra_1 - r valor inicial b=f(0)b = f(0)
an−am=(n−m)ra_n - a_m = (n - m) r Δy=a Δx\Delta y = a \, \Delta x
posição nn inteira domínio {1,2,3,…}\{1, 2, 3, \ldots\}

Use o idioma que deixar a conta mais curta. “Quanto vale o 40.º termo?” é PA. “A partir de que posição os termos passam de 500?” é uma inequação da reta, resolvida e depois arredondada para o inteiro seguinte.

Uma consequência que a prova gosta de testar: a PA cresce em linha reta, o que é rápido para quem soma, mas lento perto de qualquer coisa que multiplica. Em 2023, o item dizia que idosos aumentando em PA de razão um milhão por ano “sempre” seriam mais numerosos que crianças crescendo em PG de razão q>1q > 1. Errado: a exponencial acaba furando a reta, qualquer que seja rr. Reta nenhuma segura uma exponencial, e a página de progressão geométrica desenvolve isso.

Termo médio, pares equidistantes e interpolação

Duas propriedades saem direto do termo geral e economizam contas.

Termo médio e termos equidistantes

Em uma PA, cada termo é a média aritmética dos vizinhos:

an=an−1+an+12.a_n = \frac{a_{n-1} + a_{n+1}}{2}.

Em três termos consecutivos, o do meio é a média dos extremos; por isso três números em PA se escrevem como x−rx - r, xx, x+rx + r, e a soma dos três é 3x3x. Mais geralmente, em uma PA finita de nn termos, termos equidistantes dos extremos têm a mesma soma:

ak+an+1−k=a1+anpara todo k.a_k + a_{n+1-k} = a_1 + a_n \quad \text{para todo } k.

A segunda propriedade é a semente da fórmula da soma, mas já vale por si. Em 2015, as áreas das três velas de uma caravela estavam em PA, e a prova deu as medidas (numa figura) de que saem a maior e a menor área: a soma das três é três vezes a do meio, e a do meio é a média das outras duas. Com valores redondos, se as áreas extremas fossem 12 m² e 36 m², a vela do meio teria 24 m² e a soma seria 72 m² (na prova, com as medidas da figura, o gabarito oficial foi 375 m²). Não é preciso calcular a razão.

Interpolar (ou inserir) meios aritméticos entre dois números é completar uma PA que os tenha como extremos. Inserir kk meios entre aa e bb cria uma PA de k+2k + 2 termos, com k+1k + 1 saltos: r=b−ak+1r = \dfrac{b - a}{k + 1}.

Linha numérica de 4 a 20. Os extremos 4 e 20 são pontos cheios escuros; entre eles, três pontos vazados em 8, 12 e 16, rotulados como meios. Quatro arcos iguais rotulados mais 4 ligam os cinco pontos. Abaixo, o texto: 3 meios, 5 termos, 4 saltos, r igual a 20 menos 4 sobre 4.
Três meios aritméticos entre 4 e 20: cinco termos, quatro saltos, r=(20−4)/4=4r = (20 - 4)/4 = 4. Contar os saltos como se fossem três (o número de meios) é o erro; são os meios mais um. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 2: dividir um percurso em etapas iguais. Um ciclista quer sair do marco 4 km e chegar ao marco 20 km fazendo três paradas igualmente espaçadas. Em que marcos ele para, e qual é o comprimento de cada etapa?

Estratégia: três paradas entre dois extremos são três meios aritméticos; os saltos são 3+1=43 + 1 = 4.

Resolução: r=(20−4)/4=4r = (20 - 4)/4 = 4 km. As paradas ficam nos marcos 88, 1212 e 1616 km. Cada etapa tem 4 km.

Conferência: 4,8,12,16,204, 8, 12, 16, 20 tem cinco termos e quatro diferenças iguais a 4. Se alguém dividisse por 3 (o número de paradas), acharia etapas de 16/3≈5,3316/3 \approx 5{,}33 km e a terceira parada cairia em 2020, que é a chegada, não uma parada.

Somar sem somar: o par de Gauss

Voltemos às arquibancadas: 25 filas, 18,22,26,…18, 22, 26, \ldots Somar uma a uma é o caminho lento. O rápido usa a propriedade dos equidistantes. Escreva a soma duas vezes, a segunda de trás para a frente, e some coluna a coluna:

Sn=a1+a2+⋯+an−1+anSn=an+an−1+⋯+a2+a12Sn=(a1+an)+(a2+an−1)+⋯+(an+a1)\begin{aligned} S_n &= a_1 + a_2 + \cdots + a_{n-1} + a_n \\ S_n &= a_n + a_{n-1} + \cdots + a_2 + a_1 \\ \hline 2S_n &= (a_1 + a_n) + (a_2 + a_{n-1}) + \cdots + (a_n + a_1) \end{aligned}

Cada parêntese vale a1+ana_1 + a_n, porque são pares equidistantes, e há nn parênteses. Logo 2Sn=n(a1+an)2S_n = n(a_1 + a_n).

Soma dos $n$ primeiros termos

Sn=(a1+an) n2S_n = \frac{(a_1 + a_n)\,n}{2}

Lê-se: a soma é o número de termos vezes a média entre o primeiro e o último. Vale para nn par ou ímpar (no ímpar, o termo central é a média e fica emparelhado consigo mesmo). Para usar a fórmula é preciso conhecer ana_n; se ele não for dado, calcule-o pelo termo geral antes, com n−1n - 1 saltos.

Duas fileiras de oito caixas. A de cima contém 18, 22, 26, 30, 34, 38, 42, 46; a de baixo, os mesmos números em ordem inversa, 46, 42, 38, 34, 30, 26, 22, 18. Setas verticais ligam cada caixa de cima à de baixo e cada par tem o rótulo 64. À direita: 8 pares vezes 64 igual a 512, dividido por 2 igual a 256.
A soma escrita duas vezes, a segunda invertida: cada coluna dá a1+an=18+46=64a_1 + a_n = 18 + 46 = 64, há 8 colunas, e o dobro da soma é 8⋅64=5128 \cdot 64 = 512. Logo S8=256S_8 = 256. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 3: a capacidade das arquibancadas. 25 filas; a primeira com 18 assentos, cada fila seguinte com 4 a mais. A capacidade total é superior a 1 600 assentos?

Estratégia: PA com a1=18a_1 = 18, r=4r = 4, n=25n = 25. Para a soma, preciso de a25a_{25}: n−1=24n - 1 = 24 saltos.

Resolução: a25=18+24⋅4=114a_{25} = 18 + 24 \cdot 4 = 114. S25=(18+114)⋅25/2=132⋅25/2=1 650S_{25} = (18 + 114) \cdot 25 / 2 = 132 \cdot 25 / 2 = 1\,650. Superior a 1 600: item C.

Conferência: a média entre a primeira fila (18) e a última (114) é 66, e 25 filas de 66 em média dão 1 6501\,650. A folga é de só 50 assentos: se alguém tivesse contado 25 saltos, a25=118a_{25} = 118, S=1 700S = 1\,700, e a resposta não mudaria; mas se tivesse usado a25=18+4⋅25=118a_{25} = 18 + 4 \cdot 25 = 118 e n=24n = 24 por confusão, S=1 632S = 1\,632, ainda C por sorte. Em itens de limiar apertado, a sorte acaba: faça a conta exata.

A soma esconde-se em figuras. Em 2008, o texto-base era O homem que calculava, de Malba Tahan, e Beremiz plantava árvores em arranjos triangulares (1,3,6,10,…)(1, 3, 6, 10, \ldots) e quadrados (1,4,9,16,…)(1, 4, 9, 16, \ldots). Os itens afirmavam que o número de árvores do arranjo triangular no nn-ésimo dia é a soma dos nn primeiros termos da PA (1,2,3,…)(1, 2, 3, \ldots), e que o do arranjo quadrado é a soma dos nn primeiros ímpares. Ambos certos, e são a fórmula em duas roupas:

1+2+⋯+n=(1+n) n2,1+3+5+⋯+(2n−1)=(1+2n−1) n2=n2.1 + 2 + \cdots + n = \frac{(1 + n)\,n}{2}, \qquad 1 + 3 + 5 + \cdots + (2n - 1) = \frac{(1 + 2n - 1)\,n}{2} = n^2.

Cada ímpar é a borda que transforma um quadrado (n−1)×(n−1)(n-1) \times (n-1) em n×nn \times n; e os números triangulares tn=n(n+1)/2t_n = n(n+1)/2 são a soma de Gauss com outro nome. O tipo B do mesmo bloco pedia q12−t12=144−78=66q_{12} - t_{12} = 144 - 78 = 66.

O erro do termo geral contamina a soma

SnS_n depende de ana_n. Quem calcula ana_n com nn saltos em vez de n−1n - 1 leva o erro para a soma sem perceber, e numa figura de pilhas ou fileiras há uma segunda pergunta antes da conta: o que está em PA é a altura de cada pilha ou o total acumulado? Em 2020, a altura da estrutura de 12 blocos era a soma das 12 arestas (a12=1−11⋅0,05=0,45a_{12} = 1 - 11 \cdot 0{,}05 = 0{,}45; S12=(1+0,45)⋅12/2=8,7S_{12} = (1 + 0{,}45) \cdot 12/2 = 8{,}7 m), não a aresta do último bloco.

A PA vestida de fenômeno

A PA quase nunca chega com o nome na frente. Ela vem como parcelas, filas, datas e dinheiro.

Situação O que está em PA a1a_1 rr
Poupança com depósitos que crescem R$ 20 por mês o depósito de cada mês 50 20
Arquibancada com 4 assentos a mais por fila assentos por fila 18 4
Blocos com aresta 5 cm menor a cada nível aresta de cada bloco 100 −5-5
Toda quarta-feira de um ano o dia do ano 7 (por exemplo) 7
Juros simples de 2% ao mês sobre R$ 500 o saldo a cada mês 510 10

Nas parcelas e depósitos, a pergunta “quanto foi pago até o mês nn?” é SnS_n, e “quanto foi pago no mês nn?” é ana_n: leia o enunciado para saber qual das duas ele quer. No calendário, datas que se repetem com intervalo fixo (toda semana, a cada 15 dias, a cada 3 meses) formam PA, e a pergunta “quantas vezes até o fim do ano?” é uma contagem de termos, assunto da próxima seção.

Juros simples são uma PA de dinheiro

Um capital de R$ 500 a juros simples de 2% ao mês rende os mesmos R$ 10 todo mês, porque o juro incide sempre sobre o capital inicial. Os saldos 510,520,530,…510, 520, 530, \ldots formam uma PA de razão C⋅i=500⋅0,02=10C \cdot i = 500 \cdot 0{,}02 = 10, e o montante depois de tt meses é M(t)=500+10tM(t) = 500 + 10t: função afim do tempo. Nos juros compostos o juro incide sobre o saldo já crescido, o acréscimo aumenta a cada mês e a PA vira PG. A prova de 2022 misturou os dois: dívida capitalizada a juros compostos por dez anos e depois “parcelas que diminuem linearmente”, isto é, saldo devedor caindo em PA até zero em 120 parcelas. A página de juros simples e compostos faz as duas contas.

Ler uma tabela e contar termos num intervalo

Uma tabela é PA quando as diferenças entre linhas consecutivas são iguais, com uma condição: as posições também precisam avançar de um em um. Se a tabela mostra n=1,2,4,7n = 1, 2, 4, 7 com valores 5,8,14,235, 8, 14, 23, as diferenças 3,6,93, 6, 9 não são iguais, mas 3/1=6/2=9/3=33/1 = 6/2 = 9/3 = 3: é PA de razão 3, com termos pulados. Divida a diferença dos valores pela diferença das posições antes de concluir. E confira a razão em todos os pares que a tabela oferece; um enunciado que diz “os dados sugerem uma PA” está pedindo que você teste, não que aceite.

A pergunta inversa é “quantos termos?”. Dado um termo e a razão, a posição sai do termo geral: an=a1+(n−1)r⇒n=an−a1r+1a_n = a_1 + (n - 1) r \Rightarrow n = \dfrac{a_n - a_1}{r} + 1. Se nn não for inteiro, o número não é termo da PA. Em (7,11,15,…)(7, 11, 15, \ldots), o 100 daria n=93/4+1=24,25n = 93/4 + 1 = 24{,}25: não pertence, embora esteja entre a24=99a_{24} = 99 e a25=103a_{25} = 103.

Exemplo resolvido 4: múltiplos num intervalo. Quantos múltiplos de 7 existem entre 100 e 500? Qual é a soma deles?

Estratégia: os múltiplos de 7 formam uma PA de razão 7. Preciso do primeiro maior que 100 e do último menor que 500, e então da posição do último.

Resolução: 100=7⋅14+2100 = 7 \cdot 14 + 2, logo o primeiro múltiplo depois de 100 é 7⋅15=1057 \cdot 15 = 105. 500=7⋅71+3500 = 7 \cdot 71 + 3, logo o último antes de 500 é 7⋅71=4977 \cdot 71 = 497. Número de termos: n=(497−105)/7+1=56+1=57n = (497 - 105)/7 + 1 = 56 + 1 = 57. Soma: S57=(105+497)⋅57/2=602⋅57/2=301⋅57=17 157S_{57} = (105 + 497) \cdot 57 / 2 = 602 \cdot 57 / 2 = 301 \cdot 57 = 17\,157.

Conferência: de 7⋅157 \cdot 15 a 7⋅717 \cdot 71 há 71−15+1=5771 - 15 + 1 = 57 múltiplos (contando os dois extremos), o que confirma nn sem a fórmula. E quem esquece o “+1+1” responde 56: entre as posições 15 e 71 há 56 saltos, mas 57 termos. É a mesma armadilha do n−1n - 1, vista pelo outro lado.

Linha numérica de 95 a 505 com uma faixa destacada entre 100 e 500. Dentro da faixa, marcas nos múltiplos de 7, com 105 e 497 rotulados como primeiro e último, e 98 e 504 fora da faixa em cinza. Abaixo, a fórmula n igual a 497 menos 105 sobre 7, mais 1, igual a 57, com o mais 1 destacado.
Entre 100 e 500, o primeiro múltiplo de 7 é 105 e o último é 497. Os saltos são (497−105)/7=56(497 - 105)/7 = 56; os termos são 56+1=5756 + 1 = 57. O +1+1 é a diferença entre contar cercas e contar postes. Diagrama autoral.

Se os extremos fossem inclusivos e múltiplos (por exemplo, “de 105 a 497”), nada mudaria; se a pergunta fosse “múltiplos de 7 até 500”, a1=7a_1 = 7 e n=71n = 71. A leitura do intervalo (aberto, fechado, a partir de onde) decide a1a_1 e ana_n antes de qualquer fórmula.

Os quatro erros que a banca planta

  1. Confundir nn com ana_n. “Qual é o vigésimo termo?” pede a20a_{20}; “em que posição está o 83?” pede nn. Leia o índice como endereço, não como valor.
  2. Multiplicar a razão por nn em vez de n−1n - 1. Templo Mayor (2025), blocos de pedra (2020), pilha de cadeiras: entre o primeiro e o nn-ésimo há n−1n - 1 saltos. Ao interpolar kk meios, os saltos são k+1k + 1. Ao contar termos, os termos são saltos +1+ 1.
  3. Somar como se fosse PG, ou tratar percentual como acréscimo fixo. PA soma; PG multiplica. “Aumenta 10%” não é PA. E PA de razão enorme ainda perde da PG no longo prazo (2023).
  4. Extrapolar o padrão sem confirmar a razão. Dois termos iguais de diferença não fazem PA; teste todas as diferenças, e, em tabelas com posições puladas, divida pela diferença das posições.

O essencial em meia página

  • PA: sequência em que an+1−an=ra_{n+1} - a_n = r para todo nn. Razão r>0r > 0 crescente, r<0r < 0 decrescente, r=0r = 0 constante. Acréscimo fixo é PA; acréscimo percentual é PG.
  • Termo geral: an=a1+(n−1)ra_n = a_1 + (n - 1) r; entre dois termos, an−am=(n−m)ra_n - a_m = (n - m) r. Conte saltos: são um a menos que os termos.
  • Reta: an=rn+(a1−r)a_n = rn + (a_1 - r) é uma função afim de domínio {1,2,3,…}\{1, 2, 3, \ldots\}; a razão é a taxa. Pontos (n,an)(n, a_n) alinhados. Função afim preserva PA (razão vira mrm r).
  • Propriedades: termo médio an=(an−1+an+1)/2a_n = (a_{n-1} + a_{n+1})/2; três termos em PA são x−r,x,x+rx - r, x, x + r e somam 3x3x; equidistantes dos extremos somam a1+ana_1 + a_n.
  • Interpolação: inserir kk meios entre aa e bb é criar k+1k + 1 saltos: r=(b−a)/(k+1)r = (b - a)/(k + 1).
  • Soma: Sn=(a1+an) n/2S_n = (a_1 + a_n)\, n / 2, número de termos vezes a média dos extremos; calcule ana_n antes, com n−1n - 1 saltos. Casos: 1+⋯+n=n(n+1)/21 + \cdots + n = n(n+1)/2; soma dos nn primeiros ímpares =n2= n^2.
  • Contexto: parcelas e depósitos (ana_n = o do mês, SnS_n = o acumulado), fileiras, blocos, datas com intervalo fixo, juros simples (saldos em PA de razão CiC i).
  • Contar termos: n=(an−a1)/r+1n = (a_n - a_1)/r + 1; se não der inteiro, não é termo. Múltiplos num intervalo: ache o primeiro e o último dentro do intervalo, depois nn.
  • Tabelas: compare diferenças só com posições que avançam igual; divida pelo passo das posições quando houver termos pulados; confira todos os pares.
  • Limiar: calcule o valor exato, depois compare (0,65 não é inferior a 0,60; 1 650 é superior a 1 600).

Exercícios temporariamente indisponíveis

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Flashcards temporariamente indisponíveis

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Progressão Aritmética PA: Introdução (aula 1 de 6)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 11:17
Introdução. Define a PA, nomeia a razão e classifica as progressões em crescente, decrescente e constante com exemplos numéricos: é a seção “O que faz uma sequência ser aritmética” em aula, para quem parte do zero.
Progressão Aritmética - P. A. - Soma dos Termos, Soma de Gauss, Fórmula e Exemplos
Dr John - O Canal da Matemática · 11:09
Aprofundamento. Refaz a soma de Gauss (o par a1+ana_1 + a_n repetido nn vezes) e chega a Sn=(a1+an)n/2S_n = (a_1 + a_n) n / 2, aplicando à PA (3,7,11,…)(3, 7, 11, \ldots) com 50 termos: é a dedução da seção “Somar sem somar: o par de Gauss”, com o cuidado de calcular ana_n antes.
Progressão Aritmética — Não há dúvida besta 2022
Prof. Kelven Lima · 6:37
Aplicação. Um caminhoneiro percorre 500 km no primeiro dia e 25 km a menos a cada dia seguinte; em quantos dias completa 3 600 km? Termo geral e soma numa PA decrescente com pergunta de acumulado, o mesmo raciocínio das seções “A PA vestida de fenômeno” e do exemplo resolvido 3.
Progressão Aritmética PA: Questões Comentadas - Parte 1
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 34:38
Resolução. Questões de vestibular resolvidas em ritmo de prova, com termo geral, contagem de termos e soma: o treino das seções “Termo geral: conte saltos, não termos” e “Ler uma tabela e contar termos num intervalo”.
Rota PAS 1
Conjuntos, funções e a reta: função afim e PA · PAS 1

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 1 — Conjuntos, funções e a reta: função afim e PA · PA: a reta que pisa só nos inteiros (conceito, exemplo-guia da pilha de cadeiras, figura da PA como afim, itens 2011/54 e 57, 2020/90-91, 2008/39-41, armadilha 'conte razões, não termos', checagem); Juros simples: a PA do dinheiro (só como ponte); box Como a banca cobra (2025/23, 2023/89); estratégia 'três reflexos'; resolvido 'PA — limiar de soma'; banco de treino T13-T20 e T22; resumo do capítulo

    Recorte por assunto: só a PA. A função afim, o conceito de função, os conjuntos e os juros simples do mesmo capítulo pertencem às páginas funcao-afim, funcoes, conjuntos e juros-simples-e-compostos; a PG e o confronto PA × PG aprofundam-se em progressao-geometrica.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2008 (itens 39, 40, 41 e 43), 2011 (itens 54, 55 e 57), 2016 (item 86), 2020 (itens 90 e 91), 2022 (item 42), 2023 (item 89), 2025 (item 23); PAS 2 2023 (item 18); PAS 1 2012 (item 70, reutilizado por GUID da página funcao-afim)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json e classificacao-pas2/. Os itens 2007/55 e 2015/89 dependem de valores impressos em figura e entram como variantes autorais identificadas.