Uma cerca de 16 metros, uma bola chutada para cima e o preço de um copo de açaí: por que a mesma curva responde onde fica o maior valor de cada um, e quanto ele vale?
O que você vai aprender
Reconhecer uma função quadrática f(x) = ax² + bx + c e antever o desenho da parábola a partir dos coeficientes (concavidade e abertura por a, corte no eixo y por c, posição do vértice por b em parceria com a), fazendo também o caminho inverso, do gráfico aos sinais.
Determinar as raízes pela fórmula resolvente, pela fatoração ou por soma e produto, interpretar o discriminante como contagem de raízes reais e escrever a forma fatorada.
Localizar o vértice por três caminhos (−b/2a, ponto médio das raízes, ponto médio de duas alturas iguais), calcular o valor máximo ou mínimo e decidir o extremo dentro do domínio de validade do modelo.
Passar da forma geral à forma canônica a(x − x_v)² + y_v completando o quadrado, ler o vértice e a imagem e descrever o gráfico como translação de y = ax².
Estudar o sinal do trinômio pela concavidade e pelas raízes e resolver inequações do 2.º grau, incluindo os casos de discriminante nulo e negativo.
Obter um coeficiente desconhecido a partir de um ponto de uma tabela, reconhecer uma quadrática pelas segundas diferenças constantes e modelar lançamento vertical, área máxima e receita ou lucro com demanda linear, distinguindo o instante do extremo do valor do extremo.
Dezesseis metros de tela e um canteiro retangular para fechar com eles. Com 1 m de largura sobram 7 m para o comprimento e a área é de 7 m²; com 2 m de largura, 12 m²; com 3 m, 15 m²; com 4 m, 16 m²; com 5 m, 15 m² outra vez, e a partir daí cada metro a mais de largura só faz a área diminuir. Uma bola chutada para o alto ganha altura, hesita e volta. Uma lanchonete que sobe o preço do copo de açaí arrecada mais por copo, até que o preço espante gente suficiente para o caixa do dia encolher. Cerca, bola e açaí não têm nada em comum à primeira vista, mas em cada caso há uma quantidade que cresce, culmina e cai, e a pergunta que interessa é a mesma: em que ponto está o máximo, e quanto ele vale?
Por trás das três situações há um só objeto, a função quadrática, e um só desenho, a parábola. Esta página percorre a parábola do começo ao fim: a marca que cada coeficiente deixa no gráfico, os cortes nos eixos, o vértice (onde está e quanto vale), o lado em que o trinômio é positivo, as outras escritas da mesma função e os disfarces que ela usa no PAS/UnB e no ENEM, do pequizeiro ao foguete. Canteiro, bola e açaí servem de fio condutor: cada seção retoma um deles, para que a ideia nova seja testada contra números que você já conhece.
Cinco contas do ensino fundamental que vão aparecer o tempo todo
Quadrado de um número é o produto dele por ele mesmo, e um número e seu oposto têm quadrados iguais: 52=25 e (−5)2=25. Dessa igualdade nasce a simetria da parábola. O sinal que vem antes da potência só entra depois dela: em −3t2, com t=2, primeiro 22=4, depois −3⋅4=−12. Pelo mesmo motivo, (−5)2 e −52 são números diferentes, 25 e −25.
Para avaliar uma fórmula, ponha o número no lugar da letra. Com f(x)=x2−6x+5, f(1)=1−6+5=0 e f(4)=16−24+5=−3. É a conferência mais barata que existe, e pega quase todo deslize de sinal antes que ele se propague.
Produto nulo, fator nulo. Se x(x−8)=0, então x=0 ou x−8=0, isto é, x=8. Boa parte das equações do 2.º grau desta página se resolve assim, sem fórmula.
Distribuir e fatorar são operações inversas.x(8−x)=8x−x2, que se costuma escrever −x2+8x; no sentido contrário, pôr o fator comum x para fora devolve x(8−x). Essa ida e volta aparece em quase toda seção.
O meio entre dois números é a média aritmética deles: entre 6 e 14 fica 10. Vai servir porque a parábola é simétrica: se dois pontos do gráfico estão na mesma altura, o eixo de simetria passa pela média das abscissas deles.
A função mais simples da família é f(x)=x2:
x
−3
−2
−1
0
1
2
3
x2
9
4
1
0
1
4
9
Leve os sete pares ao plano cartesiano e una os pontos: aparece um U com o ponto mais baixo em (0,0) e os dois ramos refletidos um no outro, já que f(−2)=f(2)=4. Observe como os valores mudam de uma coluna para a seguinte: as variações são −5,−3,−1,+1,+3,+5. Numa função afim a variação seria sempre a mesma e o gráfico, uma reta; aqui ela cresce a cada passo, e é essa aceleração que encurva o gráfico. Em g(x)=−x2 a tabela inteira troca de sinal (−9,−4,−1,0,−1,−4,−9) e o U fica de cabeça para baixo, com o ponto mais alto em (0,0). Quem decide entre fundo e topo é o sinal que acompanha o x2.
O que cada coeficiente faz com a parábola
De volta à tela de 16 m. Chame a largura de x: largura e comprimento somados dão metade da tela, 8 m, então o comprimento é 8−x e a área vale A(x)=x(8−x)=−x2+8x. A tabela da abertura mostrou essa área crescendo até 16 m² e recuando depois; o responsável pelo recuo é o termo −x2, que acaba vencendo o termo 8x quando a largura passa de certo ponto.
Função quadrática e seus coeficientes
Chama-se função quadrática (ou função polinomial do 2.º grau) qualquer função que possa ser escrita como
f(x)=ax2+bx+c,
com a=0 e a, b, c números reais fixos, os coeficientes. A condição a=0 garante que o termo quadrático existe (com a=0 sobraria uma função afim). O gráfico de toda função quadrática é uma parábola, e os coeficientes se leem diretamente nela:
a controla a concavidade e a abertura. Se a>0, a parábola abre para cima e a função tem um valor mínimo; se a<0, abre para baixo e a função tem um valor máximo. Quanto maior ∣a∣, mais estreita a curva;
c é o valor da função em x=0, portanto a altura em que o gráfico cruza o eixo y;
b não tem leitura isolada: junto com a, ele fixa a abscissa do vértice, xv=−b/(2a).
Vale a leitura em mão dupla: da fórmula ao esboço (concavidade por a, corte em c) e do esboço de volta aos sinais de a, b e c.
No canteiro, A(x)=−x2+8x tem a=−1, b=8 e c=0. Sem calcular nada: a é negativo, a parábola abre para baixo, e por isso a área tem um valor máximo (16 m², na largura 4 m, como a tabela mostrou); c=0 significa que o gráfico passa pela origem: largura zero, área zero. Conferência com um ponto da tabela: A(3)=−9+24=15.
Anatomia da parábola f(x)=x2−6x+5: boca para cima (a=1>0), corte no eixo y em c=5, raízes 1 e 5, vértice (3,−4) e eixo de simetria x=3, a reta vertical pelo vértice (e pelo meio das raízes).
Agora o caminho inverso, com a figura acima. A parábola abre para cima: a tem de ser positivo. Ela atravessa o eixo y na altura 5: c=5. A função desenhada é f(x)=x2−6x+5, com a=1 e c=5, de acordo com a leitura. A reta vertical tracejada é o eixo de simetria: ela atravessa o vértice, e cada ponto de um lado tem um gêmeo, na mesma altura, do outro lado.
Mudar a abre, fecha ou vira a parábola; mudar c desliza o gráfico inteiro para cima ou para baixo, sem mexer em xv; mudar b desloca o vértice, e a direção depende do sinal de a: em y=x2+bx, b<0 leva o vértice para a direita.
O sinal de b depende do sinal de a
Não existe regra do tipo “b positivo, vértice à direita”. A abscissa do vértice é o quociente −b/(2a), e o sinal de a participa dele. Compare: f(x)=x2−6x+5 tem b=−6 e vértice em x=3, à direita do eixo y; g(x)=−2x2+12x−10 tem b=12 e vértice também à direita, em x=−12/(−4)=3. Mesma posição, sinais de b opostos, porque os sinais de a também são opostos. Diante de um item sobre o sinal de b, o roteiro é: a pela concavidade, posição do vértice pelo desenho, e b por último, como consequência dos dois. O PAS 1 de 2013 cobrou exatamente isso: a potência de uma motocicleta vinha num gráfico de concavidade para baixo com máximo em 110 km/h, e a única opção correta sobre as constantes era b>0, consequência de a<0 com xv>0.
Onde a parábola corta o eixo x: raízes, discriminante, soma e produto
Há duas larguras que deixam o canteiro sem área nenhuma: x=0 (não há largura) e x=8 (toda a metade da tela foi para a largura, e o comprimento ficou nulo). Na escrita fatorada A(x)=x(8−x) os dois valores saltam aos olhos, porque cada um anula um dos fatores. Esses valores de x em que a função vale zero são as raízes da função, e no gráfico correspondem aos pontos em que a parábola encontra o eixo x. Nem sempre a fatoração está à mostra; para esses casos existe um procedimento que serve para qualquer trinômio.
Raízes, discriminante, soma e produto
Raiz (ou zero) de f(x)=ax2+bx+c é todo x real que satisfaz f(x)=0. Para encontrá-las de uma só vez:
x=2a−b±Δ,Δ=b2−4ac.
O número Δ é o discriminante, e seu sinal diz quantas raízes reais a função tem. Δ>0: duas raízes distintas, e a parábola atravessa o eixo x em dois pontos. Δ=0: uma raiz dupla, o único ponto de contato com o eixo, que é o próprio vértice (a parábola tangencia o eixo). Δ<0: nenhuma raiz real; a curva permanece inteira acima ou inteira abaixo do eixo x. A função continua existindo, o que falta são os cruzamentos. Se x1 e x2 são as raízes,
x1+x2=−ab,x1⋅x2=ac,
e a função admite a forma fatoradaf(x)=a(x−x1)(x−x2). As relações de soma e produto também funcionam de trás para a frente: conhecidos S=x1+x2 e P=x1x2, as duas raízes são as soluções de x2−Sx+P=0.
Dois testes. No canteiro, a=−1, b=8 e c=0 dão Δ=64−0=64, Δ=8 e x=(−8±8)/(−2), ou seja, x=0 e x=8, as larguras já conhecidas. Soma 0+8=8=−b/a, produto 0=c/a. Forma fatorada: −1⋅(x−0)(x−8)=−x(x−8)=x(8−x), a expressão original. Na parábola da figura, f(x)=x2−6x+5: Δ=36−20=16, Δ=4, x=(6±4)/2, raízes 1 e 5. Por soma e produto chega-se ao mesmo sem a fórmula: procura-se um par de números com soma 6 e produto 5, e o par {1,5} é o único que serve.
Mesmo a, mesmo b, três valores de c: subir a parábola muda Δ=16−4c de positivo para zero e para negativo. Com Δ<0 a curva não desaparece; ela só não encontra o eixo x.
Nos itens, a raiz tanto pode ser o pedido explícito (o instante em que algo volta ao chão, o ponto em que um arco toca o solo) quanto estar embutida numa equação que o contexto disfarça. A equação x2−x−1=0, cuja raiz positiva é a razão áurea φ=(1+5)/2≈1,618, apareceu no PAS 1 em 2021 e em 2024, com pedidos diferentes. No item de 2021, ambientado nas pirâmides de Gizé, bastava a relação de produto: φ⋅ψ=c/a=−1, de onde a raiz negativa é ψ=−1/φ, e ninguém precisou extrair raiz quadrada. No item de 2024, sobre as torres da Catedral de Reims, a afirmação era que φ é menor que 1,5; com 5≈2,236 vem φ≈3,236/2=1,618, e a afirmação é falsa. Já em 2019 o percurso foi de trás para a frente: dois grupos de pessoas somavam 162 e tinham produto 1 661, e a pergunta era quanto valia um deles. São as soluções de x2−162x+1661=0: Δ=26244−6644=19600=1402, x=(162±140)/2, portanto 151 e 11.
Δ menor que zero não é "sem gráfico" nem "sem resposta"
Um discriminante negativo informa apenas que a parábola não encontra o eixo x. Tudo o mais continua lá: vértice, imagem, trechos de crescimento e de decrescimento, um sinal que nunca muda. A função f(x)=x2+1, por exemplo, não se anula para nenhum x real e é positiva em toda a reta. Parar o raciocínio em “Δ<0” leva a dois erros simétricos: concluir que a função não existe, ou que uma inequação com esse trinômio é impossível, quando ela pode valer para todo número real (x2+1>0 é verdadeira sempre).
Vértice: quando acontece o extremo e quanto ele vale
Na tabela do canteiro, a maior área foi 16 m², na largura 4 m. Olhe a tabela de novo e repare nas repetições: A(3)=A(5)=15, A(2)=A(6)=12, A(1)=A(7)=7, A(0)=A(8)=0. Cada par de larguras com a mesma área tem o 4 exatamente no meio. O ponto do gráfico que fica nesse meio, o mais alto quando a parábola abre para baixo e o mais baixo quando abre para cima, chama-se vértice. Dele saem as duas perguntas que a prova mais repete sobre este assunto: em que valor de x o extremo acontece, e qual é o valor extremo.
Vértice, eixo de simetria e domínio
Toda parábola tem um eixo de simetria, uma reta vertical que a divide em duas metades refletidas. O vértice é o ponto da curva sobre esse eixo; é o ponto mais baixo do gráfico quando a>0 e o mais alto quando a<0. Suas coordenadas:
xv=−2ab,yv=f(xv)=−4aΔ.
A ordenada yv é o valor mínimo (a>0) ou máximo (a<0) que a função assume. Na prática basta memorizar xv e obter yv substituindo-o na fórmula; a expressão −Δ/(4a) é uma alternativa que leva ao mesmo resultado. Há dois atalhos que dispensam a fórmula de xv. Se as raízes são conhecidas, o vértice está a meio caminho entre elas: xv=(x1+x2)/2. Mais geralmente, dois valores de x com a mesma imagem são equidistantes do eixo: de f(6)=f(14) conclui-se xv=10, mesmo que 6 e 14 não sejam raízes e mesmo que a função não tenha raiz alguma. Por fim, quando a situação restringe x a um intervalo (um domínio como 10≤t≤45), o máximo ou o mínimo que interessa é o da função naquele intervalo: se o vértice cai dentro dele, é o vértice; se cai fora, o extremo está em uma das extremidades do intervalo.
A fórmula de yv sai da de xv. Troque x por −b/(2a) em ax2+bx+c e reduza ao denominador comum 4a:
No canteiro, A(x)=−x2+8x, o vértice pode ser achado de quatro maneiras, e as quatro têm de concordar. Pela fórmula: xv=−8/(2⋅(−1))=4 e A(4)=−16+32=16. Pelas raízes: (0+8)/2=4. Por duas alturas iguais: A(3)=A(5)=15, e o meio entre 3 e 5 é 4. Pela expressão de yv: Δ=64 e −64/(4⋅(−1))=16. Largura 4 m, comprimento 4 m: entre os retângulos de perímetro fixo, o de maior área é o quadrado. Agora suponha que, por causa de um muro ou de um caminho, só larguras entre 5 m e 7 m fossem permitidas. O vértice (x=4) está fora desse intervalo; dentro dele a área só decresce, e o maior valor possível é A(5)=15 m², na extremidade esquerda.
O PAS 1 de 2011 descreveu uma população de gaivotões por g(t)=50t2−800t+3250, com 6≤t≤12 (t em meses), e afirmou num item que a população “atingiu valores menores que 50”. Como a=50>0, o mínimo está no vértice: tv=800/100=8, que pertence ao intervalo, e g(8)=3200−6400+3250=50. A população chega a 50 e não desce dali: a afirmação é falsa, e a distância entre o certo e o errado foi de zero indivíduo. Esse é o item de limiar, o molde que a banca mais usa com o vértice: em vez de perguntar o valor extremo, ela afirma que ele ultrapassa (ou não alcança) certo número, e cabe a você achar xv, obter o valor e compará-lo. Outro exemplo é o pequizeiro de 2023, Q(t)=−2t2+108t−576 em 10≤t≤45: tv=27 está no domínio, Q(27)=−1458+2916−576=882, e o item que dizia “mais de 800 frutos” está certo. Note como o limiar é escolhido rente ao valor real (800 para 882; “menos que 50” para exatamente 50): estimativas grosseiras não decidem o item, só a conta completa.
Três confusões em torno do vértice que já custaram itens
(1) Confundir a abscissa com a ordenada do vértice. Um item que pergunta quando quer xv; um que pergunta quanto quer yv. “No instante 2 s” não é resposta para “qual é a altura máxima?”. (2) Perder um sinal em xv=−b/(2a). Em Q(t)=−2t2+108t−576, o numerador é −108 e o denominador é 2⋅(−2)=−4; negativo sobre negativo dá +27. Quem esquece o sinal de a encontra −27, um instante negativo, e não sabe o que fazer com ele. (3) Esquecer o intervalo de validade. O extremo que vale é o da função dentro do domínio dado; e, numa parábola de boca para baixo, o mínimo jamais está no vértice: fica numa das extremidades. O PAS 1 de 2017 explorou isso com a velocidade do vento v(t)=−725t2+35t+20, para 0≤t≤24: o máximo cai em tv=12 (meio-dia) e o mínimo nas pontas, v(0)=v(24)=20 km/h.
A mesma parábola, outra escrita: forma canônica e translações
f(x)=x2−6x+5 pode ser escrita como (x−3)2−4. Confira abrindo: (x−3)2−4=x2−6x+9−4=x2−6x+5. A nova escrita mostra o vértice por simples leitura: um quadrado nunca é negativo, então (x−3)2−4≥−4, com igualdade só em x=3. Mínimo −4 em x=3, sem fórmula.
Forma canônica (ou forma de vértice)
Toda função quadrática se escreve como
f(x)=a(x−xv)2+yv,
com (xv,yv) o vértice. O gráfico é a parábola y=ax2transladada: xv unidades na horizontal (para a direita se xv>0) e yv na vertical. Para chegar lá a partir de ax2+bx+c, complete o quadrado: ponha a em evidência, some e subtraia (b/2a)2 dentro do parêntese. Consequência imediata: a imagem da função é [yv,+∞) se a>0 e (−∞,yv] se a<0; e f é decrescente à esquerda de xv e crescente à direita quando a>0 (o contrário quando a<0).
Um exemplo com a=1: h(t)=−5t2+20t. Fator comum: −5(t2−4t). Metade de −4 é −2, e (−2)2=4: −5(t2−4t+4−4)=−5(t−2)2+20. Vértice (2,20), máximo 20, imagem (−∞,20], e o gráfico é y=−5t2 deslocado 2 para a direita e 20 para cima. É a bola da seção do lançamento, mais adiante.
A prova já trouxe a quadrática nessa forma. No PAS 1 de 2022, a projeção de uma componente do déficit habitacional era c(a)=θ(a−2016)2+γ, com θ e γ calculados a partir dos valores de 2016 e 2017 (2 800 000 e 3 000 000). Leitura: o vértice está em a=2016, e c(2016)=γ=2800000; então c(2017)=θ+γ=3000000 dá θ=200000; e c(2021)=200000⋅25+2800000=7800000, mais que o dobro de 2 800 000. Quem reconhece a forma canônica lê o vértice sem conta e usa um ponto para achar o único coeficiente que falta.
Para que lado o trinômio é positivo: sinal e inequações do 2.º grau
Em que larguras a fórmula A(x)=−x2+8x devolve uma área positiva? Só entre 0 e 8. Uma “largura” de 10 m, por exemplo, exigiria comprimento 8−10=−2 m e daria área −20 m², um número sem significado para o canteiro, mas que a função produz sem reclamar. Determinar onde uma função quadrática é positiva, onde é negativa e onde ultrapassa um valor dado é o estudo do sinal, e quase sempre um esboço com a concavidade e as raízes resolve.
Sinal do trinômio e inequação do 2.º grau
Dois dados bastam para conhecer o sinal de f(x)=ax2+bx+c em toda a reta: para onde a parábola abre e onde ela corta o eixo x. Caso Δ>0: a função tem o mesmo sinal de a para x fora do intervalo das raízes, o sinal contrário ao de a para x entre as raízes, e vale zero nas próprias raízes. Caso Δ=0: a função tem o sinal de a em todo x, com a única exceção da raiz dupla, onde se anula. Caso Δ<0: não há raiz, a parábola não toca o eixo, e a função tem o sinal de a em todo número real. Resolver uma inequação do 2.º grau como f(x)>k é estudar o sinal do trinômio f(x)−k, que também é quadrático e obedece à mesma regra. O resultado é sempre um conjunto de números reais: pode ser um intervalo entre duas raízes, a união de duas semirretas, a reta toda ou nenhum número.
Mesmas raízes, sinais trocados: x2−8x+12 é negativo só entre 2 e 6; −x2+8x−12 é positivo só entre 2 e 6. O sinal de a diz quem manda fora das raízes.
Para o canteiro, a=−1 e raízes 0 e 8: a área é positiva apenas entre as raízes, 0<x<8, exatamente o que a geometria exige. Uma pergunta mais fina: quais larguras dão mais de 12 m² de área? A condição A(x)>12 equivale a −x2+8x−12>0, e esse é o trinômio g do painel direito da figura. Suas raízes têm soma 8 e produto 12, logo são 2 e 6 (de fato, A(2)=−4+16=12). Com a<0, o trinômio é positivo entre as raízes: 2<x<6, o que inclui as larguras 3, 4 e 5 da tabela da abertura e exclui 2 e 6, em que a área é exatamente 12. E A(x)>20? O trinômio −x2+8x−20 tem Δ=64−80=−16<0, portanto conserva o sinal de a, negativo, para todo x: nenhuma largura serve. Coerente, porque a maior área possível é 16 m².
Um item do PAS 1 de 2018 modelava a chuva diária de maio por I(x)=−0,1x2+3x+10, com x o dia do mês (1≤x≤31), e afirmava que o índice passou de 30 mm em menos de dez dias. É uma inequação disfarçada: I(x)>30, ou −0,1x2+3x−20>0. Multiplicar por −10 troca o sentido da desigualdade e limpa os decimais: x2−30x+200<0. As raízes são 10 e 20 (soma 30, produto 200), a parábola abre para cima, e o trinômio é negativo entre elas: 10<x<20. Os dias inteiros nesse intervalo vão de 11 a 19, nove ao todo. Menos de dez: item certo. Em 2019 veio o caso oposto: uma das condições de um item era x2−x+12≤0, mas Δ=1−48<0 com a>0 torna esse trinômio positivo para qualquer x real, e a condição não pode ser satisfeita por número nenhum. Nenhuma alternativa sobrevivia, e a banca anulou o item. Quem domina o sinal do trinômio percebe a falha ainda na leitura.
Da tabela à fórmula: coeficiente desconhecido e segundas diferenças
A prova raramente dá os três coeficientes. Ela dá uma tabela, ou dois ou três pontos, e pergunta algo que depende de um coeficiente que você precisa achar. O método é sempre o mesmo: substitua um ponto conhecido na fórmula e resolva a equação do 1.º grau que sobra.
No pequizeiro de 2023, a tabela dava a produção de frutos de um pequizeiro por ano após o plantio: 80, 117, 152, 185, 216, 245 para t=10,11,…,15. Um item propunha Q(t)=−t2+bt−400 e afirmava que b>80. O ponto Q(10)=80 resolve: −100+10b−400=80, logo 10b=580 e b=58, muito aquém de 80. Item errado. Um segundo ponto da tabela serve de prova dos nove: Q(11)=−121+638−400=117, igual ao valor impresso.
Há um teste que diz, antes de qualquer fórmula, se uma tabela com passos iguais em x é quadrática. Na função afim, as diferenças entre valores consecutivos são constantes. Na quadrática, são as segundas diferenças: as diferenças das diferenças. No pequizeiro: 117−80=37, 152−117=35, 185−152=33, 216−185=31, 245−216=29. As primeiras diferenças formam uma progressão aritmética de razão −2; e, quando o passo em x é 1, a segunda diferença vale 2a. Aqui 2a=−2, a=−1: a banca não escolheu −t2 por acaso. Com a=−1 e dois pontos, Q(10)=80 e Q(11)=117, o sistema −100+10b+c=80 e −121+11b+c=117 dá, subtraindo, −21+b=37, b=58 e c=−400: a fórmula inteira sai da tabela.
Quando os pontos vêm sem tabela, a simetria costuma ser o caminho curto. No PAS 1 de 2021, uma partícula de ar em convecção tinha posição p(t)=at2+bt+c (km, t em horas): 3 km em t=0, 11 km após 10 minutos e de volta a 3 km após mais 20 minutos. Mesma altura em t=0 e t=0,5 h: vértice em t=0,25. Uma função que vale 3 nesses dois instantes pode ser escrita como p(t)=3+kt(t−0,5), para alguma constante k, porque a parcela kt(t−0,5) se anula em ambos. O terceiro dado fixa k: p(1/6)=11 dá k⋅61⋅(−31)=8, isto é, −k/18=8 e k=−144. No vértice, p(0,25)=3+(−144)(0,25)(−0,25)=3+9=12 km. O item dizia “altura máxima de 12 km”: certo. Três pontos, nenhum sistema 3×3.
A parábola do tempo: lançamento vertical
Uma bola é chutada verticalmente para cima a 20 m/s. Um segundo depois está a 15 m do chão; aos 2 s, a 20 m, e nesse instante sua velocidade é zero; aos 3 s, de novo a 15 m, agora descendo; aos 4 s, de volta ao chão. A altura cresce, culmina e decresce, e a curva que registra a altura ao longo do tempo é um arco de parábola com a abertura voltada para baixo. A razão está na gravidade: a cada segundo ela retira da velocidade a mesma quantidade (cerca de 10 m/s), e uma velocidade que decresce em linha reta produz uma altura que depende do quadrado do tempo.
Altura em função do tempo
Para um corpo lançado na vertical e sujeito apenas à gravidade (sem resistência do ar), a altura em cada instante t é
h(t)=h0+v0t−21gt2,
em que h0 é a altura de partida, v0 a velocidade de lançamento (positiva para cima) e g≈10 m/s² a aceleração da gravidade. Trata-se de uma função quadrática em t com a=−g/2, b=v0 e c=h0. O coeficiente a é negativo, de modo que existe altura máxima: ela é atingida no instante tv=v0/g e vale h(tv)=h0+v02/(2g). Os zeros de h são os instantes em que o corpo está no nível do solo. Se partiu do solo (h0=0), as raízes são t=0 e t=2v0/g, e a simetria da parábola garante que subida e descida duram o mesmo. Há itens em que a parábola é a própria trajetória, com a altura dada em função da distância horizontal percorrida (um chute, um jato d’água, um arco): o gráfico muda de significado, mas continua sendo uma parábola com concavidade para baixo, e seu vértice é o ponto mais alto do voo.
Foguete de garrafa PET com h(t)=20t−5t2: topo em t=2 s a 20 m, volta ao solo em 4 s, e acima de 15 m entre t=1 e t=3. O gráfico é altura contra tempo, não o desenho do voo.
Bola a 20 m/s, do chão (h0=0), com g=10 m/s²: h(t)=20t−5t2. Instante do topo: tv=20/10=2 s. Altura máxima: h(2)=40−20=20 m, que coincide com v02/(2g)=400/20=20. Zeros: 20t−5t2=5t(4−t)=0 dá t=0 e t=4; quatro segundos no ar, dois subindo e dois descendo. Os valores da abertura conferem: h(1)=20−5=15 e h(3)=60−45=15. É a parábola da figura (lá, um foguete de garrafa PET com a mesma função), e os pontos (1,15) e (3,15) marcados nela são esse par de alturas iguais. Mude agora o ponto de partida: a mesma bola, lançada de uma sacada a 25 m, tem h(t)=25+20t−5t2. O instante do topo não muda (tv depende só de v0 e g), e a altura máxima passa a 25+20=45 m; mas o retorno ao solo é a raiz positiva de 25+20t−5t2=0, ou t2−4t−5=0, cujas raízes são −1 e 5: a bola chega ao chão em t=5 s, e não em 4. Subida e descida só duram o mesmo quando o ponto de chegada está na altura do ponto de partida.
No PAS 1 de 2025 a pergunta veio em letras. A subida de um foguete era h(t)=vLFt−gt2/2, e o item pedia a altura máxima entre quatro opções: vLF2/g, vLF/g, vLF2/(2g) e vLF/(2g). Vértice em símbolos: tv=vLF/g, que é a opção B, o instante do topo e não a altura, posta ali para quem troca xv por yv; e h(tv)=vLF2/g−vLF2/(2g)=vLF2/(2g), opção C. Dá para decidir antes da conta: velocidade ao quadrado dividida por aceleração tem dimensão de comprimento; velocidade dividida por aceleração dá tempo, o que elimina B e D de saída. E dá para conferir depois, com números: v=20 e g=10 é a bola desta seção, altura máxima 20 m, e das quatro expressões só v2/(2g)=400/20 dá 20 (as outras dão 40, 2 e 1).
A parábola do dinheiro e do terreno: receita, lucro e área máxima
Uma lanchonete vende açaí no copo e já testou vários preços. A 10 reais o copo, saem 100 copos por dia: 1 000 reais de caixa. A 20 reais, 80 copos e 1 600 reais. A 30 reais, 60 copos e 1 800 reais. A 40 reais, 40 copos e 1 600 reais. A 50 reais, só 20 copos e 1 000 reais. Cada 10 reais a mais no preço afastam 20 clientes; o caixa cresce até 1 800 e depois recua. Subir o preço aumenta o que entra por copo e reduz o número de copos, e a disputa entre as duas coisas tem um vencedor que muda de lado.
Receita com demanda linear
Suponha que a quantidade vendida diminua linearmente com o preço: q(p)=α−βp, uma função afim decrescente em que α é quanto sairia a preço zero e β mede quantos compradores se perdem por unidade de preço. A receita (ou faturamento) é o produto do preço pela quantidade:
R(p)=p⋅q(p)=αp−βp2,
uma função quadrática em p com coeficiente a=−β negativo, logo com valor máximo. Ela se anula em p=0 (sem preço não há receita) e em p=α/β (o preço que zera a demanda), e o vértice fica no meio desses dois valores: o preço de receita máxima é p∗=α/(2β). Faturamento não é lucro. O lucro é a receita menos o custo de produção, L(p)=R(p)−C, e quando cada unidade vendida custa algo para ser produzida, o preço que maximiza o lucro é outro, diferente de p∗.
Para o açaí, α=120 e β=2: q(p)=120−2p e R(p)=120p−2p2. Zeros em p=0 e p=60, vértice em p∗=30 e R(30)=30⋅60=1800 reais, o maior valor da tabela. Agora o custo: se cada copo custa 2 reais para preparar, o custo diário é 2q=240−4p e o lucro vale L(p)=120p−2p2−(240−4p)=−2p2+124p−240, com vértice em p=124/4=31 e L(31)=−1922+3844−240=1682 reais. O preço de lucro máximo ficou acima do de receita máxima: vender um pouco menos também significa gastar menos com matéria-prima. A tabela confirma a posição do vértice: a 30 reais o lucro é 1800−120=1680; a 32 reais, R(32)=32⋅56=1792 e o custo é 2⋅56=112, lucro 1680 de novo. Alturas iguais em 30 e 32, vértice em 31.
Açaí com demanda q(p)=120−2p: receita máxima de 1 800 reais a 30 reais o copo; com custo de 2 reais por copo, o lucro máximo (1 682 reais) fica em 31 reais. Duas parábolas, dois vértices.
O mesmo molde vale para terreno. Com 30 m de tela e um canteiro encostado num muro (o lado junto ao muro não leva tela), chame de x cada um dos dois lados perpendiculares ao muro: sobram 30−2x para o lado paralelo, e A(x)=x(30−2x)=−2x2+30x. Zeros em 0 e 15, vértice em x=7,5, área máxima A(7,5)=7,5⋅15=112,5 m². O pomar do PAS 1 de 2008 tem a mesma estrutura: com 60 pés de maçã, cada pé dava 400 maçãs, e cada árvore acrescentada ao terreno reduzia em 4 a produção de cada pé. Com x árvores a mais, a produção total é (60+x)(400−4x), produto de uma afim crescente por uma afim decrescente, com zeros em x=−60 e x=100; o vértice está no meio, x=20, isto é, 80 árvores, e a produção máxima é 80⋅320=25600 maçãs. O item que afirmava produção máxima “inferior a 25 000” era errado.
Onde mais a parábola aparece
O jato de uma fonte, o cabo principal de uma ponte pênsil (carregado uniformemente pelo tabuleiro), o espelho do farol de um carro, a antena parabólica (a parábola como cônica tem um foco, e é nele que fica o receptor). Nas ciências, a área de um círculo em função do raio (A=πr2), a energia cinética em função da velocidade (mv2/2) e a distância de frenagem de um carro, que quadruplica quando a velocidade dobra. Em cada caso, a pergunta “dobrar a entrada faz o quê com a saída?” tem resposta diferente da reta: quadruplica.
Os erros que a banca já transformou em item
Trocar xv por yv. Quando se pergunta quanto, a resposta é a ordenada do vértice, não o instante em que ela ocorre. No foguete de 2025, v/g é um tempo; a altura é v2/(2g).
Ler o sinal de b sozinho. Só −b/(2a) posiciona o vértice; leia a na boca primeiro.
“Δ<0, então não existe.” Existe a função, existe o vértice, existe o sinal constante; só não existem raízes reais.
Confundir raiz com vértice. Raiz é onde a função vale zero; vértice é onde ela é máxima ou mínima. Num lançamento do solo, as raízes são a saída e a chegada, e o vértice é o topo, no meio delas.
Esquecer o domínio. Vértice fora do intervalo de validade manda o extremo para a ponta; boca para baixo tem o mínimo na ponta, nunca no vértice.
Confundir altura contra tempo com trajetória. A bola lançada para cima sobe e desce na mesma vertical; a parábola do gráfico h×t não é o desenho do voo. Quando a prova dá y em função da distância horizontal x, aí sim a curva é a trajetória.
Estimar num item de limiar. O limiar é posto rente ao valor exato: faça a conta até o fim.
O essencial em meia página
Forma e gráfico: f(x)=ax2+bx+c, a=0, parábola. a>0: abre para cima, mínimo; a<0: abre para baixo, máximo. c=f(0) é a altura do corte no eixo y. b só posiciona o vértice em parceria com a.
Raízes: x=(−b±Δ)/(2a), Δ=b2−4ac. Δ>0: duas; Δ=0: uma dupla (tangencia); Δ<0: nenhuma real. Soma das raízes −b/a e produto c/a; forma fatorada a(x−x1)(x−x2).
Vértice: xv=−b/(2a); é também o meio entre as raízes e o meio entre dois x de imagens iguais. yv=f(xv)=−Δ/(4a). Pedem xv ou yv? O vértice está no domínio?
Forma canônica: f(x)=a(x−xv)2+yv; imagem [yv,+∞) ou (−∞,yv]; gráfico de ax2 transladado.
Sinal: fora das raízes, sinal de a; entre elas, o oposto; Δ<0: sinal de a em toda a reta. Inequação do 2.º grau: leve tudo para um lado e estude o sinal do trinômio que sobra.
Tabela: coeficiente desconhecido sai de um ponto impresso; segundas diferenças constantes (=2a para passo 1) denunciam a quadrática.
Lançamento: h(t)=h0+v0t−21gt2; topo em tv=v0/g, altura h0+v02/(2g); do solo, subida e descida com a mesma duração.
Receita: q=α−βp dá R=αp−βp2, máxima em p∗=α/(2β); lucro máximo em outro preço quando produzir custa.
E a pergunta da abertura? Cerca, bola e açaí são a mesma conta porque cada um é um produto de duas grandezas que se movem em sentidos opostos: largura vezes um comprimento que encolhe, tempo vezes uma velocidade que a gravidade consome, preço vezes uma quantidade que o preço afasta. O produto de uma afim crescente por uma afim decrescente é uma quadrática com a<0, e seu máximo fica a meio caminho entre os dois zeros: onde uma das grandezas ainda não é zero e a outra já não é tudo.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Função do Segundo Grau (Função Quadrática): Conceitos Iniciais (Aula 1 de 9)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 14:40
Introdução. Define a função quadrática f(x)=ax2+bx+c, nomeia os coeficientes e mostra os primeiros valores numéricos e o formato do gráfico: é a seção “O que a, b e c dizem do desenho” em aula, para quem parte do zero.
Coordenadas do vértice da parábola - Função quadrática - Aula 3 (Prof. Gis)
Gis com Giz · 37:37
Aprofundamento. Deduz e aplica xv=−b/2a e yv=−Δ/4a em vários exemplos, com a leitura de máximo e mínimo pela concavidade: o conteúdo da seção “Vértice: quando acontece o extremo e quanto ele vale”, inclusive a diferença entre o instante e o valor do extremo.
Função do 2.º grau: estudo do sinal
Equaciona Com Paulo Pereira · 12:20
Aplicação. Faz o estudo do sinal pela concavidade e pelas raízes, nos três casos do discriminante, como base para resolver inequações: é a seção “Para que lado o trinômio é positivo” com o esboço feito na lousa.
Função Quadrática no ENEM | Questões resolvidas
Escola de Números com Thyago Araujo · 24:34
Resolução. Itens reais do ENEM em que a quadrática vem vestida de fenômeno (imagem de um valor, vértice como máximo, raízes por soma e produto): o mesmo trabalho das seções “A parábola do tempo” e “A parábola do dinheiro e do terreno”, em ritmo de prova.
O jato sobe, para um instante e cai: a curva é uma parábola de boca para baixo, e o ponto mais alto fica no meio entre a saída e a queda.Anatomia da parábola f(x)=x2−6x+5: boca para cima (a>0), corte no eixo y em c=5, raízes 1 e 5, vértice (3,−4) e eixo de simetria x=3, que passa pelo vértice e pelo ponto médio das raízes. Diagrama autoral.Mudar a abre, fecha ou vira a parábola; mudar c desliza o gráfico inteiro na vertical sem mexer em xv; mudar b desloca o vértice, e a direção depende do sinal de a: em y=x2+bx, b<0 leva o vértice para a direita. Diagrama autoral.Mesmo a, mesmo b, três valores de c: subir a parábola muda Δ=16−4c de positivo para zero e para negativo. Com Δ<0 a curva não desaparece; ela só não encontra o eixo x. Diagrama autoral.Mesmas raízes, sinais trocados: x2−8x+12 é negativo só entre 2 e 6; −x2+8x−12 é positivo só entre 2 e 6. Fora das raízes manda o sinal de a; com Δ<0, ele manda na reta inteira. Diagrama autoral.Lançamento vertical h(t)=20t−5t2: topo em tv=v0/g=2 s a v02/2g=20 m, volta ao solo em 4 s (mesmo tempo subindo e descendo) e acima de 15 m entre t=1 e t=3. O gráfico é altura contra tempo, não o desenho do voo. Diagrama autoral.Demanda q(p)=120−2p: a receita R(p)=120p−2p2 zera em 0 e em 60 e é máxima no meio, p=30, com 1 800 reais. Com custo de 2 reais por copo, o lucro L(p)=−2p2+124p−240 é máximo em p=31: dois vértices, dois preços. Diagrama autoral.A produção anual de frutos de um pequizeiro cresce, culmina e decai ao longo da vida da árvore: foi essa parábola que o PAS 2023 pôs numa tabela e perguntou pelo ano de maior produção.Intervalos de tempo iguais, distâncias diferentes: perto do topo o foguete quase para. A altura em função do tempo é uma parábola, e o gráfico não é o desenho do voo.Dois pés no chão são as raízes; o topo é o vértice, no meio delas. Foi assim que o PAS 2020 pediu a altura de um arco a partir da distância de 12 m entre os pés.Preço maior, menos clientes: a receita é preço vezes quantidade, uma parábola com máximo. Depois de certo preço, subir mais faz o caixa encolher.Cruza, toca ou flutua: os três casos do discriminante. Delta negativo não apaga a parábola; só tira os cortes com o eixo.Mesma tela, larguras diferentes: a área sobe, atinge o máximo no quadrado e volta a cair. É a parábola A(x) = x(10 − x) vista de cima.
Rota PAS 1
Função quadrática por inteiro · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Função quadrática por inteiro · Antes de começar (cinco ideias e a tabela de x²); Função quadrática: a grandeza que sobe e depois desce; Raízes: onde a parábola corta o eixo horizontal; Vértice: onde fica o máximo (ou o mínimo) e quanto ele vale; Sinal: para que lado o trinômio é positivo; Lançamento vertical: a parábola do tempo; Receita do monopolista: a parábola do dinheiro; Leia como na prova (bloco de 2025); Como a banca cobra este capítulo; resolvidos (receita máxima, altura máxima tipo B, simetria sem raízes); exercícios 4, 9, 14 e 15; banco de treino T3–T6, T9–T13, T16, T18–T22
Recorte por assunto: a parábola inteira, das raízes à modelagem. A forma canônica e as segundas diferenças foram acrescentadas ao recorte do capítulo (que as declara fora do histórico do PAS 1) porque pertencem ao assunto; a razão áurea aparece só como equação do 2.º grau.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 1 2006 (item 21), 2008 (itens 75 a 77), 2009 (item 48), 2011 (itens 77 a 79), 2013 (itens 99 e 100), 2016 (item 85), 2017 (itens 99 e 100, transcritos da imagem do caderno em utils/material/PAS/provas/2017-PAS1-Prova.pdf, p. 16), 2018 (itens 99 e 100), 2019 (item 99), 2020 (itens 86 e 87), 2021 (itens 38 e 56), 2022 (item 40), 2023 (itens 20 e 21), 2024 (itens 47 e 49), 2025 (item 50)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json. Itens que dependiam de figura impressa (2006 cachoeira, 2013 gráfico da potência, 2019 gráfico do IBGE, 2020 foto do arco) trazem descrição neutra da figura no texto de apoio.