Função quadrática (função do 2.º grau)

Guia de estudo · Revisado em 15/09/2026

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Uma cerca de 16 metros, uma bola chutada para cima e o preço de um copo de açaí: por que a mesma curva responde onde fica o maior valor de cada um, e quanto ele vale?

O que você vai aprender

  • Reconhecer uma função quadrática f(x) = ax² + bx + c e antever o desenho da parábola a partir dos coeficientes (concavidade e abertura por a, corte no eixo y por c, posição do vértice por b em parceria com a), fazendo também o caminho inverso, do gráfico aos sinais.
  • Determinar as raízes pela fórmula resolvente, pela fatoração ou por soma e produto, interpretar o discriminante como contagem de raízes reais e escrever a forma fatorada.
  • Localizar o vértice por três caminhos (−b/2a, ponto médio das raízes, ponto médio de duas alturas iguais), calcular o valor máximo ou mínimo e decidir o extremo dentro do domínio de validade do modelo.
  • Passar da forma geral à forma canônica a(x − x_v)² + y_v completando o quadrado, ler o vértice e a imagem e descrever o gráfico como translação de y = ax².
  • Estudar o sinal do trinômio pela concavidade e pelas raízes e resolver inequações do 2.º grau, incluindo os casos de discriminante nulo e negativo.
  • Obter um coeficiente desconhecido a partir de um ponto de uma tabela, reconhecer uma quadrática pelas segundas diferenças constantes e modelar lançamento vertical, área máxima e receita ou lucro com demanda linear, distinguindo o instante do extremo do valor do extremo.

Dezesseis metros de tela e um canteiro retangular para fechar com eles. Com 1 m de largura sobram 7 m para o comprimento e a área é de 7 m²; com 2 m de largura, 12 m²; com 3 m, 15 m²; com 4 m, 16 m²; com 5 m, 15 m² outra vez, e a partir daí cada metro a mais de largura só faz a área diminuir. Uma bola chutada para o alto ganha altura, hesita e volta. Uma lanchonete que sobe o preço do copo de açaí arrecada mais por copo, até que o preço espante gente suficiente para o caixa do dia encolher. Cerca, bola e açaí não têm nada em comum à primeira vista, mas em cada caso há uma quantidade que cresce, culmina e cai, e a pergunta que interessa é a mesma: em que ponto está o máximo, e quanto ele vale?

Por trás das três situações há um só objeto, a função quadrática, e um só desenho, a parábola. Esta página percorre a parábola do começo ao fim: a marca que cada coeficiente deixa no gráfico, os cortes nos eixos, o vértice (onde está e quanto vale), o lado em que o trinômio é positivo, as outras escritas da mesma função e os disfarces que ela usa no PAS/UnB e no ENEM, do pequizeiro ao foguete. Canteiro, bola e açaí servem de fio condutor: cada seção retoma um deles, para que a ideia nova seja testada contra números que você já conhece.

Cinco contas do ensino fundamental que vão aparecer o tempo todo

Quadrado de um número é o produto dele por ele mesmo, e um número e seu oposto têm quadrados iguais: 52=255^2 = 25 e (−5)2=25(-5)^2 = 25. Dessa igualdade nasce a simetria da parábola. O sinal que vem antes da potência só entra depois dela: em −3t2-3t^2, com t=2t = 2, primeiro 22=42^2 = 4, depois −3⋅4=−12-3 \cdot 4 = -12. Pelo mesmo motivo, (−5)2(-5)^2 e −52-5^2 são números diferentes, 2525 e −25-25.

Para avaliar uma fórmula, ponha o número no lugar da letra. Com f(x)=x2−6x+5f(x) = x^2 - 6x + 5, f(1)=1−6+5=0f(1) = 1 - 6 + 5 = 0 e f(4)=16−24+5=−3f(4) = 16 - 24 + 5 = -3. É a conferência mais barata que existe, e pega quase todo deslize de sinal antes que ele se propague.

Produto nulo, fator nulo. Se x (x−8)=0x\,(x - 8) = 0, então x=0x = 0 ou x−8=0x - 8 = 0, isto é, x=8x = 8. Boa parte das equações do 2.º grau desta página se resolve assim, sem fórmula.

Distribuir e fatorar são operações inversas. x (8−x)=8x−x2x\,(8 - x) = 8x - x^2, que se costuma escrever −x2+8x-x^2 + 8x; no sentido contrário, pôr o fator comum xx para fora devolve x (8−x)x\,(8 - x). Essa ida e volta aparece em quase toda seção.

O meio entre dois números é a média aritmética deles: entre 6 e 14 fica 10. Vai servir porque a parábola é simétrica: se dois pontos do gráfico estão na mesma altura, o eixo de simetria passa pela média das abscissas deles.

A função mais simples da família é f(x)=x2f(x) = x^2:

xx −3-3 −2-2 −1-1 00 11 22 33
x2x^2 9 4 1 0 1 4 9

Leve os sete pares ao plano cartesiano e una os pontos: aparece um U com o ponto mais baixo em (0,0)(0, 0) e os dois ramos refletidos um no outro, já que f(−2)=f(2)=4f(-2) = f(2) = 4. Observe como os valores mudam de uma coluna para a seguinte: as variações são −5,−3,−1,+1,+3,+5-5, -3, -1, +1, +3, +5. Numa função afim a variação seria sempre a mesma e o gráfico, uma reta; aqui ela cresce a cada passo, e é essa aceleração que encurva o gráfico. Em g(x)=−x2g(x) = -x^2 a tabela inteira troca de sinal (−9,−4,−1,0,−1,−4,−9-9, -4, -1, 0, -1, -4, -9) e o U fica de cabeça para baixo, com o ponto mais alto em (0,0)(0, 0). Quem decide entre fundo e topo é o sinal que acompanha o x2x^2.

O que cada coeficiente faz com a parábola

De volta à tela de 16 m. Chame a largura de xx: largura e comprimento somados dão metade da tela, 8 m, então o comprimento é 8−x8 - x e a área vale A(x)=x (8−x)=−x2+8xA(x) = x\,(8 - x) = -x^2 + 8x. A tabela da abertura mostrou essa área crescendo até 16 m² e recuando depois; o responsável pelo recuo é o termo −x2-x^2, que acaba vencendo o termo 8x8x quando a largura passa de certo ponto.

Função quadrática e seus coeficientes

Chama-se função quadrática (ou função polinomial do 2.º grau) qualquer função que possa ser escrita como

f(x)=ax2+bx+c,f(x) = ax^2 + bx + c,

com a≠0a \neq 0 e aa, bb, cc números reais fixos, os coeficientes. A condição a≠0a \neq 0 garante que o termo quadrático existe (com a=0a = 0 sobraria uma função afim). O gráfico de toda função quadrática é uma parábola, e os coeficientes se leem diretamente nela:

  • aa controla a concavidade e a abertura. Se a>0a > 0, a parábola abre para cima e a função tem um valor mínimo; se a<0a < 0, abre para baixo e a função tem um valor máximo. Quanto maior ∣a∣|a|, mais estreita a curva;
  • cc é o valor da função em x=0x = 0, portanto a altura em que o gráfico cruza o eixo yy;
  • bb não tem leitura isolada: junto com aa, ele fixa a abscissa do vértice, xv=−b/(2a)x_v = -b/(2a).

Vale a leitura em mão dupla: da fórmula ao esboço (concavidade por aa, corte em cc) e do esboço de volta aos sinais de aa, bb e cc.

No canteiro, A(x)=−x2+8xA(x) = -x^2 + 8x tem a=−1a = -1, b=8b = 8 e c=0c = 0. Sem calcular nada: aa é negativo, a parábola abre para baixo, e por isso a área tem um valor máximo (16 m², na largura 4 m, como a tabela mostrou); c=0c = 0 significa que o gráfico passa pela origem: largura zero, área zero. Conferência com um ponto da tabela: A(3)=−9+24=15A(3) = -9 + 24 = 15.

Plano cartesiano com a parábola de boca para cima f(x) = x² − 6x + 5. Marcados: as raízes 1 e 5 sobre o eixo x, o intercepto c = 5 sobre o eixo y, o vértice (3, −4) como ponto mais baixo e o eixo de simetria vertical x = 3 tracejado. À direita, a leitura dos coeficientes: a maior que zero dá boca para cima; c é o corte no eixo y; delta igual a 16 dá duas raízes; x do vértice igual a 3 e y do vértice igual a −4.
Anatomia da parábola f(x)=x2−6x+5f(x) = x^2 - 6x + 5: boca para cima (a=1>0a = 1 > 0), corte no eixo yy em c=5c = 5, raízes 1 e 5, vértice (3,−4)(3, -4) e eixo de simetria x=3x = 3, a reta vertical pelo vértice (e pelo meio das raízes).

Agora o caminho inverso, com a figura acima. A parábola abre para cima: aa tem de ser positivo. Ela atravessa o eixo yy na altura 5: c=5c = 5. A função desenhada é f(x)=x2−6x+5f(x) = x^2 - 6x + 5, com a=1a = 1 e c=5c = 5, de acordo com a leitura. A reta vertical tracejada é o eixo de simetria: ela atravessa o vértice, e cada ponto de um lado tem um gêmeo, na mesma altura, do outro lado.

Três painéis. No primeiro, parábolas y = ax² com a igual a 2, 1, 0,5 e −1: quanto maior a, mais fechada; a negativo vira a boca para baixo. No segundo, y = x² − 4x + c com c igual a 1, 3 e 5: a mesma parábola deslocada para cima, cortando o eixo y em c, com o vértice sempre em x igual a 2. No terceiro, y = x² + bx com b igual a −4, 0 e 4: todas passam pela origem e o vértice desliza sobre a curva tracejada y = −x², à direita quando b é negativo e à esquerda quando b é positivo.
Mudar aa abre, fecha ou vira a parábola; mudar cc desliza o gráfico inteiro para cima ou para baixo, sem mexer em xvx_v; mudar bb desloca o vértice, e a direção depende do sinal de aa: em y=x2+bxy = x^2 + bx, b<0b < 0 leva o vértice para a direita.
O sinal de b depende do sinal de a

Não existe regra do tipo “bb positivo, vértice à direita”. A abscissa do vértice é o quociente −b/(2a)-b/(2a), e o sinal de aa participa dele. Compare: f(x)=x2−6x+5f(x) = x^2 - 6x + 5 tem b=−6b = -6 e vértice em x=3x = 3, à direita do eixo yy; g(x)=−2x2+12x−10g(x) = -2x^2 + 12x - 10 tem b=12b = 12 e vértice também à direita, em x=−12/(−4)=3x = -12/(-4) = 3. Mesma posição, sinais de bb opostos, porque os sinais de aa também são opostos. Diante de um item sobre o sinal de bb, o roteiro é: aa pela concavidade, posição do vértice pelo desenho, e bb por último, como consequência dos dois. O PAS 1 de 2013 cobrou exatamente isso: a potência de uma motocicleta vinha num gráfico de concavidade para baixo com máximo em 110 km/h, e a única opção correta sobre as constantes era b>0b > 0, consequência de a<0a < 0 com xv>0x_v > 0.

Onde a parábola corta o eixo x: raízes, discriminante, soma e produto

Há duas larguras que deixam o canteiro sem área nenhuma: x=0x = 0 (não há largura) e x=8x = 8 (toda a metade da tela foi para a largura, e o comprimento ficou nulo). Na escrita fatorada A(x)=x (8−x)A(x) = x\,(8 - x) os dois valores saltam aos olhos, porque cada um anula um dos fatores. Esses valores de xx em que a função vale zero são as raízes da função, e no gráfico correspondem aos pontos em que a parábola encontra o eixo xx. Nem sempre a fatoração está à mostra; para esses casos existe um procedimento que serve para qualquer trinômio.

Raízes, discriminante, soma e produto

Raiz (ou zero) de f(x)=ax2+bx+cf(x) = ax^2 + bx + c é todo xx real que satisfaz f(x)=0f(x) = 0. Para encontrá-las de uma só vez:

x=−b±Δ2a,Δ=b2−4ac.x = \frac{-b \pm \sqrt{\Delta}}{2a}, \qquad \Delta = b^2 - 4ac.

O número Δ\Delta é o discriminante, e seu sinal diz quantas raízes reais a função tem. Δ>0\Delta > 0: duas raízes distintas, e a parábola atravessa o eixo xx em dois pontos. Δ=0\Delta = 0: uma raiz dupla, o único ponto de contato com o eixo, que é o próprio vértice (a parábola tangencia o eixo). Δ<0\Delta < 0: nenhuma raiz real; a curva permanece inteira acima ou inteira abaixo do eixo xx. A função continua existindo, o que falta são os cruzamentos. Se x1x_1 e x2x_2 são as raízes,

x1+x2=−ba,x1⋅x2=ca,x_1 + x_2 = -\frac{b}{a}, \qquad x_1 \cdot x_2 = \frac{c}{a},

e a função admite a forma fatorada f(x)=a (x−x1)(x−x2)f(x) = a\,(x - x_1)(x - x_2). As relações de soma e produto também funcionam de trás para a frente: conhecidos S=x1+x2S = x_1 + x_2 e P=x1x2P = x_1 x_2, as duas raízes são as soluções de x2−Sx+P=0x^2 - Sx + P = 0.

Dois testes. No canteiro, a=−1a = -1, b=8b = 8 e c=0c = 0 dão Δ=64−0=64\Delta = 64 - 0 = 64, Δ=8\sqrt{\Delta} = 8 e x=(−8±8)/(−2)x = (-8 \pm 8)/(-2), ou seja, x=0x = 0 e x=8x = 8, as larguras já conhecidas. Soma 0+8=8=−b/a0 + 8 = 8 = -b/a, produto 0=c/a0 = c/a. Forma fatorada: −1⋅(x−0)(x−8)=−x (x−8)=x (8−x)-1 \cdot (x - 0)(x - 8) = -x\,(x - 8) = x\,(8 - x), a expressão original. Na parábola da figura, f(x)=x2−6x+5f(x) = x^2 - 6x + 5: Δ=36−20=16\Delta = 36 - 20 = 16, Δ=4\sqrt{\Delta} = 4, x=(6±4)/2x = (6 \pm 4)/2, raízes 1 e 5. Por soma e produto chega-se ao mesmo sem a fórmula: procura-se um par de números com soma 6 e produto 5, e o par {1,5}\{1, 5\} é o único que serve.

Três parábolas de boca para cima com o mesmo eixo x igual a 2. À esquerda, x² − 4x + 3 cruza o eixo x em 1 e 3: delta positivo, duas raízes. No centro, x² − 4x + 4 apenas toca o eixo em x igual a 2, que é o vértice: delta zero, raiz dupla. À direita, x² − 4x + 6 fica inteira acima do eixo, com vértice em (2, 2): delta negativo, nenhuma raiz real, mas a parábola existe.
Mesmo aa, mesmo bb, três valores de cc: subir a parábola muda Δ=16−4c\Delta = 16 - 4c de positivo para zero e para negativo. Com Δ<0\Delta < 0 a curva não desaparece; ela só não encontra o eixo xx.

Nos itens, a raiz tanto pode ser o pedido explícito (o instante em que algo volta ao chão, o ponto em que um arco toca o solo) quanto estar embutida numa equação que o contexto disfarça. A equação x2−x−1=0x^2 - x - 1 = 0, cuja raiz positiva é a razão áurea φ=(1+5)/2≈1,618\varphi = (1 + \sqrt{5})/2 \approx 1{,}618, apareceu no PAS 1 em 2021 e em 2024, com pedidos diferentes. No item de 2021, ambientado nas pirâmides de Gizé, bastava a relação de produto: φ⋅ψ=c/a=−1\varphi \cdot \psi = c/a = -1, de onde a raiz negativa é ψ=−1/φ\psi = -1/\varphi, e ninguém precisou extrair raiz quadrada. No item de 2024, sobre as torres da Catedral de Reims, a afirmação era que φ\varphi é menor que 1,51{,}5; com 5≈2,236\sqrt{5} \approx 2{,}236 vem φ≈3,236/2=1,618\varphi \approx 3{,}236/2 = 1{,}618, e a afirmação é falsa. Já em 2019 o percurso foi de trás para a frente: dois grupos de pessoas somavam 162 e tinham produto 1 661, e a pergunta era quanto valia um deles. São as soluções de x2−162x+1661=0x^2 - 162x + 1661 = 0: Δ=26 244−6 644=19 600=1402\Delta = 26\,244 - 6\,644 = 19\,600 = 140^2, x=(162±140)/2x = (162 \pm 140)/2, portanto 151 e 11.

Δ menor que zero não é "sem gráfico" nem "sem resposta"

Um discriminante negativo informa apenas que a parábola não encontra o eixo xx. Tudo o mais continua lá: vértice, imagem, trechos de crescimento e de decrescimento, um sinal que nunca muda. A função f(x)=x2+1f(x) = x^2 + 1, por exemplo, não se anula para nenhum xx real e é positiva em toda a reta. Parar o raciocínio em “Δ<0\Delta < 0” leva a dois erros simétricos: concluir que a função não existe, ou que uma inequação com esse trinômio é impossível, quando ela pode valer para todo número real (x2+1>0x^2 + 1 > 0 é verdadeira sempre).

Vértice: quando acontece o extremo e quanto ele vale

Na tabela do canteiro, a maior área foi 16 m², na largura 4 m. Olhe a tabela de novo e repare nas repetições: A(3)=A(5)=15A(3) = A(5) = 15, A(2)=A(6)=12A(2) = A(6) = 12, A(1)=A(7)=7A(1) = A(7) = 7, A(0)=A(8)=0A(0) = A(8) = 0. Cada par de larguras com a mesma área tem o 4 exatamente no meio. O ponto do gráfico que fica nesse meio, o mais alto quando a parábola abre para baixo e o mais baixo quando abre para cima, chama-se vértice. Dele saem as duas perguntas que a prova mais repete sobre este assunto: em que valor de xx o extremo acontece, e qual é o valor extremo.

Vértice, eixo de simetria e domínio

Toda parábola tem um eixo de simetria, uma reta vertical que a divide em duas metades refletidas. O vértice é o ponto da curva sobre esse eixo; é o ponto mais baixo do gráfico quando a>0a > 0 e o mais alto quando a<0a < 0. Suas coordenadas:

xv=−b2a,yv=f(xv)=−Δ4a.x_v = -\frac{b}{2a}, \qquad y_v = f(x_v) = -\frac{\Delta}{4a}.

A ordenada yvy_v é o valor mínimo (a>0a > 0) ou máximo (a<0a < 0) que a função assume. Na prática basta memorizar xvx_v e obter yvy_v substituindo-o na fórmula; a expressão −Δ/(4a)-\Delta/(4a) é uma alternativa que leva ao mesmo resultado. Há dois atalhos que dispensam a fórmula de xvx_v. Se as raízes são conhecidas, o vértice está a meio caminho entre elas: xv=(x1+x2)/2x_v = (x_1 + x_2)/2. Mais geralmente, dois valores de xx com a mesma imagem são equidistantes do eixo: de f(6)=f(14)f(6) = f(14) conclui-se xv=10x_v = 10, mesmo que 6 e 14 não sejam raízes e mesmo que a função não tenha raiz alguma. Por fim, quando a situação restringe xx a um intervalo (um domínio como 10≤t≤4510 \leq t \leq 45), o máximo ou o mínimo que interessa é o da função naquele intervalo: se o vértice cai dentro dele, é o vértice; se cai fora, o extremo está em uma das extremidades do intervalo.

A fórmula de yvy_v sai da de xvx_v. Troque xx por −b/(2a)-b/(2a) em ax2+bx+cax^2 + bx + c e reduza ao denominador comum 4a4a:

a⋅b24a2−b22a+c=b24a−2b24a+4ac4a=−b2+4ac4a=−Δ4a.a \cdot \frac{b^2}{4a^2} - \frac{b^2}{2a} + c = \frac{b^2}{4a} - \frac{2b^2}{4a} + \frac{4ac}{4a} = \frac{-b^2 + 4ac}{4a} = -\frac{\Delta}{4a}.

No canteiro, A(x)=−x2+8xA(x) = -x^2 + 8x, o vértice pode ser achado de quatro maneiras, e as quatro têm de concordar. Pela fórmula: xv=−8/(2⋅(−1))=4x_v = -8/(2 \cdot (-1)) = 4 e A(4)=−16+32=16A(4) = -16 + 32 = 16. Pelas raízes: (0+8)/2=4(0 + 8)/2 = 4. Por duas alturas iguais: A(3)=A(5)=15A(3) = A(5) = 15, e o meio entre 3 e 5 é 4. Pela expressão de yvy_v: Δ=64\Delta = 64 e −64/(4⋅(−1))=16-64/(4 \cdot (-1)) = 16. Largura 4 m, comprimento 4 m: entre os retângulos de perímetro fixo, o de maior área é o quadrado. Agora suponha que, por causa de um muro ou de um caminho, só larguras entre 5 m e 7 m fossem permitidas. O vértice (x=4x = 4) está fora desse intervalo; dentro dele a área só decresce, e o maior valor possível é A(5)=15A(5) = 15 m², na extremidade esquerda.

O PAS 1 de 2011 descreveu uma população de gaivotões por g(t)=50t2−800t+3 250g(t) = 50t^2 - 800t + 3\,250, com 6≤t≤126 \leq t \leq 12 (tt em meses), e afirmou num item que a população “atingiu valores menores que 50”. Como a=50>0a = 50 > 0, o mínimo está no vértice: tv=800/100=8t_v = 800/100 = 8, que pertence ao intervalo, e g(8)=3 200−6 400+3 250=50g(8) = 3\,200 - 6\,400 + 3\,250 = 50. A população chega a 50 e não desce dali: a afirmação é falsa, e a distância entre o certo e o errado foi de zero indivíduo. Esse é o item de limiar, o molde que a banca mais usa com o vértice: em vez de perguntar o valor extremo, ela afirma que ele ultrapassa (ou não alcança) certo número, e cabe a você achar xvx_v, obter o valor e compará-lo. Outro exemplo é o pequizeiro de 2023, Q(t)=−2t2+108t−576Q(t) = -2t^2 + 108t - 576 em 10≤t≤4510 \leq t \leq 45: tv=27t_v = 27 está no domínio, Q(27)=−1 458+2 916−576=882Q(27) = -1\,458 + 2\,916 - 576 = 882, e o item que dizia “mais de 800 frutos” está certo. Note como o limiar é escolhido rente ao valor real (800 para 882; “menos que 50” para exatamente 50): estimativas grosseiras não decidem o item, só a conta completa.

Três confusões em torno do vértice que já custaram itens

(1) Confundir a abscissa com a ordenada do vértice. Um item que pergunta quando quer xvx_v; um que pergunta quanto quer yvy_v. “No instante 2 s” não é resposta para “qual é a altura máxima?”. (2) Perder um sinal em xv=−b/(2a)x_v = -b/(2a). Em Q(t)=−2t2+108t−576Q(t) = -2t^2 + 108t - 576, o numerador é −108-108 e o denominador é 2⋅(−2)=−42 \cdot (-2) = -4; negativo sobre negativo dá +27+27. Quem esquece o sinal de aa encontra −27-27, um instante negativo, e não sabe o que fazer com ele. (3) Esquecer o intervalo de validade. O extremo que vale é o da função dentro do domínio dado; e, numa parábola de boca para baixo, o mínimo jamais está no vértice: fica numa das extremidades. O PAS 1 de 2017 explorou isso com a velocidade do vento v(t)=−5t272+5t3+20v(t) = -\tfrac{5t^2}{72} + \tfrac{5t}{3} + 20, para 0≤t≤240 \leq t \leq 24: o máximo cai em tv=12t_v = 12 (meio-dia) e o mínimo nas pontas, v(0)=v(24)=20v(0) = v(24) = 20 km/h.

A mesma parábola, outra escrita: forma canônica e translações

f(x)=x2−6x+5f(x) = x^2 - 6x + 5 pode ser escrita como (x−3)2−4(x - 3)^2 - 4. Confira abrindo: (x−3)2−4=x2−6x+9−4=x2−6x+5(x - 3)^2 - 4 = x^2 - 6x + 9 - 4 = x^2 - 6x + 5. A nova escrita mostra o vértice por simples leitura: um quadrado nunca é negativo, então (x−3)2−4≥−4(x - 3)^2 - 4 \geq -4, com igualdade só em x=3x = 3. Mínimo −4-4 em x=3x = 3, sem fórmula.

Forma canônica (ou forma de vértice)

Toda função quadrática se escreve como

f(x)=a (x−xv)2+yv,f(x) = a\,(x - x_v)^2 + y_v,

com (xv,yv)(x_v, y_v) o vértice. O gráfico é a parábola y=ax2y = ax^2 transladada: xvx_v unidades na horizontal (para a direita se xv>0x_v > 0) e yvy_v na vertical. Para chegar lá a partir de ax2+bx+cax^2 + bx + c, complete o quadrado: ponha aa em evidência, some e subtraia (b/2a)2(b/2a)^2 dentro do parêntese. Consequência imediata: a imagem da função é [yv,+∞)[y_v, +\infty) se a>0a > 0 e (−∞,yv](-\infty, y_v] se a<0a < 0; e ff é decrescente à esquerda de xvx_v e crescente à direita quando a>0a > 0 (o contrário quando a<0a < 0).

Um exemplo com a≠1a \neq 1: h(t)=−5t2+20th(t) = -5t^2 + 20t. Fator comum: −5 (t2−4t)-5\,(t^2 - 4t). Metade de −4-4 é −2-2, e (−2)2=4(-2)^2 = 4: −5 (t2−4t+4−4)=−5 (t−2)2+20-5\,(t^2 - 4t + 4 - 4) = -5\,(t - 2)^2 + 20. Vértice (2,20)(2, 20), máximo 20, imagem (−∞,20](-\infty, 20], e o gráfico é y=−5t2y = -5t^2 deslocado 2 para a direita e 20 para cima. É a bola da seção do lançamento, mais adiante.

A prova já trouxe a quadrática nessa forma. No PAS 1 de 2022, a projeção de uma componente do déficit habitacional era c(a)=θ (a−2016)2+γc(a) = \theta\,(a - 2016)^2 + \gamma, com θ\theta e γ\gamma calculados a partir dos valores de 2016 e 2017 (2 800 000 e 3 000 000). Leitura: o vértice está em a=2016a = 2016, e c(2016)=γ=2 800 000c(2016) = \gamma = 2\,800\,000; então c(2017)=θ+γ=3 000 000c(2017) = \theta + \gamma = 3\,000\,000 dá θ=200 000\theta = 200\,000; e c(2021)=200 000⋅25+2 800 000=7 800 000c(2021) = 200\,000 \cdot 25 + 2\,800\,000 = 7\,800\,000, mais que o dobro de 2 800 000. Quem reconhece a forma canônica lê o vértice sem conta e usa um ponto para achar o único coeficiente que falta.

Para que lado o trinômio é positivo: sinal e inequações do 2.º grau

Em que larguras a fórmula A(x)=−x2+8xA(x) = -x^2 + 8x devolve uma área positiva? Só entre 0 e 8. Uma “largura” de 10 m, por exemplo, exigiria comprimento 8−10=−28 - 10 = -2 m e daria área −20-20 m², um número sem significado para o canteiro, mas que a função produz sem reclamar. Determinar onde uma função quadrática é positiva, onde é negativa e onde ultrapassa um valor dado é o estudo do sinal, e quase sempre um esboço com a concavidade e as raízes resolve.

Sinal do trinômio e inequação do 2.º grau

Dois dados bastam para conhecer o sinal de f(x)=ax2+bx+cf(x) = ax^2 + bx + c em toda a reta: para onde a parábola abre e onde ela corta o eixo xx. Caso Δ>0\Delta > 0: a função tem o mesmo sinal de aa para xx fora do intervalo das raízes, o sinal contrário ao de aa para xx entre as raízes, e vale zero nas próprias raízes. Caso Δ=0\Delta = 0: a função tem o sinal de aa em todo xx, com a única exceção da raiz dupla, onde se anula. Caso Δ<0\Delta < 0: não há raiz, a parábola não toca o eixo, e a função tem o sinal de aa em todo número real. Resolver uma inequação do 2.º grau como f(x)>kf(x) > k é estudar o sinal do trinômio f(x)−kf(x) - k, que também é quadrático e obedece à mesma regra. O resultado é sempre um conjunto de números reais: pode ser um intervalo entre duas raízes, a união de duas semirretas, a reta toda ou nenhum número.

Dois painéis com as mesmas raízes 2 e 6. À esquerda, f(x) = x² − 8x + 12, boca para cima: faixas verdes de f positiva à esquerda de 2 e à direita de 6, faixa vermelha de f negativa entre 2 e 6. À direita, g(x) = −x² + 8x − 12, boca para baixo: faixa verde de g positiva entre 2 e 6 e faixas vermelhas de g negativa fora desse intervalo. Abaixo, a regra: fora das raízes o sinal de a, entre elas o oposto; com delta negativo, o sinal de a em toda a reta.
Mesmas raízes, sinais trocados: x2−8x+12x^2 - 8x + 12 é negativo só entre 2 e 6; −x2+8x−12-x^2 + 8x - 12 é positivo só entre 2 e 6. O sinal de aa diz quem manda fora das raízes.

Para o canteiro, a=−1a = -1 e raízes 0 e 8: a área é positiva apenas entre as raízes, 0<x<80 < x < 8, exatamente o que a geometria exige. Uma pergunta mais fina: quais larguras dão mais de 12 m² de área? A condição A(x)>12A(x) > 12 equivale a −x2+8x−12>0-x^2 + 8x - 12 > 0, e esse é o trinômio gg do painel direito da figura. Suas raízes têm soma 8 e produto 12, logo são 2 e 6 (de fato, A(2)=−4+16=12A(2) = -4 + 16 = 12). Com a<0a < 0, o trinômio é positivo entre as raízes: 2<x<62 < x < 6, o que inclui as larguras 3, 4 e 5 da tabela da abertura e exclui 2 e 6, em que a área é exatamente 12. E A(x)>20A(x) > 20? O trinômio −x2+8x−20-x^2 + 8x - 20 tem Δ=64−80=−16<0\Delta = 64 - 80 = -16 < 0, portanto conserva o sinal de aa, negativo, para todo xx: nenhuma largura serve. Coerente, porque a maior área possível é 16 m².

Um item do PAS 1 de 2018 modelava a chuva diária de maio por I(x)=−0,1x2+3x+10I(x) = -0{,}1x^2 + 3x + 10, com xx o dia do mês (1≤x≤311 \leq x \leq 31), e afirmava que o índice passou de 30 mm em menos de dez dias. É uma inequação disfarçada: I(x)>30I(x) > 30, ou −0,1x2+3x−20>0-0{,}1x^2 + 3x - 20 > 0. Multiplicar por −10-10 troca o sentido da desigualdade e limpa os decimais: x2−30x+200<0x^2 - 30x + 200 < 0. As raízes são 10 e 20 (soma 30, produto 200), a parábola abre para cima, e o trinômio é negativo entre elas: 10<x<2010 < x < 20. Os dias inteiros nesse intervalo vão de 11 a 19, nove ao todo. Menos de dez: item certo. Em 2019 veio o caso oposto: uma das condições de um item era x2−x+12≤0x^2 - x + 12 \leq 0, mas Δ=1−48<0\Delta = 1 - 48 < 0 com a>0a > 0 torna esse trinômio positivo para qualquer xx real, e a condição não pode ser satisfeita por número nenhum. Nenhuma alternativa sobrevivia, e a banca anulou o item. Quem domina o sinal do trinômio percebe a falha ainda na leitura.

Da tabela à fórmula: coeficiente desconhecido e segundas diferenças

A prova raramente dá os três coeficientes. Ela dá uma tabela, ou dois ou três pontos, e pergunta algo que depende de um coeficiente que você precisa achar. O método é sempre o mesmo: substitua um ponto conhecido na fórmula e resolva a equação do 1.º grau que sobra.

No pequizeiro de 2023, a tabela dava a produção de frutos de um pequizeiro por ano após o plantio: 80, 117, 152, 185, 216, 245 para t=10,11,…,15t = 10, 11, \ldots, 15. Um item propunha Q(t)=−t2+bt−400Q(t) = -t^2 + bt - 400 e afirmava que b>80b > 80. O ponto Q(10)=80Q(10) = 80 resolve: −100+10b−400=80-100 + 10b - 400 = 80, logo 10b=58010b = 580 e b=58b = 58, muito aquém de 80. Item errado. Um segundo ponto da tabela serve de prova dos nove: Q(11)=−121+638−400=117Q(11) = -121 + 638 - 400 = 117, igual ao valor impresso.

Há um teste que diz, antes de qualquer fórmula, se uma tabela com passos iguais em xx é quadrática. Na função afim, as diferenças entre valores consecutivos são constantes. Na quadrática, são as segundas diferenças: as diferenças das diferenças. No pequizeiro: 117−80=37117 - 80 = 37, 152−117=35152 - 117 = 35, 185−152=33185 - 152 = 33, 216−185=31216 - 185 = 31, 245−216=29245 - 216 = 29. As primeiras diferenças formam uma progressão aritmética de razão −2-2; e, quando o passo em xx é 1, a segunda diferença vale 2a2a. Aqui 2a=−22a = -2, a=−1a = -1: a banca não escolheu −t2-t^2 por acaso. Com a=−1a = -1 e dois pontos, Q(10)=80Q(10) = 80 e Q(11)=117Q(11) = 117, o sistema −100+10b+c=80-100 + 10b + c = 80 e −121+11b+c=117-121 + 11b + c = 117 dá, subtraindo, −21+b=37-21 + b = 37, b=58b = 58 e c=−400c = -400: a fórmula inteira sai da tabela.

Quando os pontos vêm sem tabela, a simetria costuma ser o caminho curto. No PAS 1 de 2021, uma partícula de ar em convecção tinha posição p(t)=at2+bt+cp(t) = at^2 + bt + c (km, tt em horas): 3 km em t=0t = 0, 11 km após 10 minutos e de volta a 3 km após mais 20 minutos. Mesma altura em t=0t = 0 e t=0,5t = 0{,}5 h: vértice em t=0,25t = 0{,}25. Uma função que vale 3 nesses dois instantes pode ser escrita como p(t)=3+k t (t−0,5)p(t) = 3 + k\,t\,(t - 0{,}5), para alguma constante kk, porque a parcela k t (t−0,5)k\,t\,(t - 0{,}5) se anula em ambos. O terceiro dado fixa kk: p(1/6)=11p(1/6) = 11 dá k⋅16⋅(−13)=8k \cdot \tfrac{1}{6} \cdot (-\tfrac{1}{3}) = 8, isto é, −k/18=8-k/18 = 8 e k=−144k = -144. No vértice, p(0,25)=3+(−144)(0,25)(−0,25)=3+9=12p(0{,}25) = 3 + (-144)(0{,}25)(-0{,}25) = 3 + 9 = 12 km. O item dizia “altura máxima de 12 km”: certo. Três pontos, nenhum sistema 3×3.

A parábola do tempo: lançamento vertical

Uma bola é chutada verticalmente para cima a 20 m/s. Um segundo depois está a 15 m do chão; aos 2 s, a 20 m, e nesse instante sua velocidade é zero; aos 3 s, de novo a 15 m, agora descendo; aos 4 s, de volta ao chão. A altura cresce, culmina e decresce, e a curva que registra a altura ao longo do tempo é um arco de parábola com a abertura voltada para baixo. A razão está na gravidade: a cada segundo ela retira da velocidade a mesma quantidade (cerca de 10 m/s), e uma velocidade que decresce em linha reta produz uma altura que depende do quadrado do tempo.

Altura em função do tempo

Para um corpo lançado na vertical e sujeito apenas à gravidade (sem resistência do ar), a altura em cada instante tt é

h(t)=h0+v0 t−12 g t2,h(t) = h_0 + v_0\,t - \tfrac{1}{2}\,g\,t^2,

em que h0h_0 é a altura de partida, v0v_0 a velocidade de lançamento (positiva para cima) e g≈10g \approx 10 m/s² a aceleração da gravidade. Trata-se de uma função quadrática em tt com a=−g/2a = -g/2, b=v0b = v_0 e c=h0c = h_0. O coeficiente aa é negativo, de modo que existe altura máxima: ela é atingida no instante tv=v0/gt_v = v_0/g e vale h(tv)=h0+v02/(2g)h(t_v) = h_0 + v_0^2/(2g). Os zeros de hh são os instantes em que o corpo está no nível do solo. Se partiu do solo (h0=0h_0 = 0), as raízes são t=0t = 0 e t=2v0/gt = 2v_0/g, e a simetria da parábola garante que subida e descida duram o mesmo. Há itens em que a parábola é a própria trajetória, com a altura dada em função da distância horizontal percorrida (um chute, um jato d’água, um arco): o gráfico muda de significado, mas continua sendo uma parábola com concavidade para baixo, e seu vértice é o ponto mais alto do voo.

Gráfico de h(t) = 20t − 5t², com t em segundos no eixo horizontal e h em metros no vertical. A parábola de boca para baixo sai do solo em t igual a 0, atinge o topo em (2, 20), marcado em vermelho com o eixo de simetria tracejado, e volta ao solo em t igual a 4. Os pontos (1, 15) e (3, 15) estão à mesma altura, e a faixa entre t igual a 1 e t igual a 3 marca os instantes em que a bola está acima de 15 metros. À direita, a leitura: a = −5 é −g/2, b = 20 é a velocidade inicial, c = 0 é a altura inicial, t do vértice = v₀/g = 2 s, altura máxima = v₀²/2g = 20 m.
Foguete de garrafa PET com h(t)=20t−5t2h(t) = 20t - 5t^2: topo em t=2t = 2 s a 20 m, volta ao solo em 4 s, e acima de 15 m entre t=1t = 1 e t=3t = 3. O gráfico é altura contra tempo, não o desenho do voo.

Bola a 20 m/s, do chão (h0=0h_0 = 0), com g=10g = 10 m/s²: h(t)=20t−5t2h(t) = 20t - 5t^2. Instante do topo: tv=20/10=2t_v = 20/10 = 2 s. Altura máxima: h(2)=40−20=20h(2) = 40 - 20 = 20 m, que coincide com v02/(2g)=400/20=20v_0^2/(2g) = 400/20 = 20. Zeros: 20t−5t2=5t (4−t)=020t - 5t^2 = 5t\,(4 - t) = 0 dá t=0t = 0 e t=4t = 4; quatro segundos no ar, dois subindo e dois descendo. Os valores da abertura conferem: h(1)=20−5=15h(1) = 20 - 5 = 15 e h(3)=60−45=15h(3) = 60 - 45 = 15. É a parábola da figura (lá, um foguete de garrafa PET com a mesma função), e os pontos (1,15)(1, 15) e (3,15)(3, 15) marcados nela são esse par de alturas iguais. Mude agora o ponto de partida: a mesma bola, lançada de uma sacada a 25 m, tem h(t)=25+20t−5t2h(t) = 25 + 20t - 5t^2. O instante do topo não muda (tvt_v depende só de v0v_0 e gg), e a altura máxima passa a 25+20=4525 + 20 = 45 m; mas o retorno ao solo é a raiz positiva de 25+20t−5t2=025 + 20t - 5t^2 = 0, ou t2−4t−5=0t^2 - 4t - 5 = 0, cujas raízes são −1-1 e 5: a bola chega ao chão em t=5t = 5 s, e não em 4. Subida e descida só duram o mesmo quando o ponto de chegada está na altura do ponto de partida.

No PAS 1 de 2025 a pergunta veio em letras. A subida de um foguete era h(t)=vLF t−g t2/2h(t) = v_{LF}\,t - g\,t^2/2, e o item pedia a altura máxima entre quatro opções: vLF2/gv_{LF}^2/g, vLF/gv_{LF}/g, vLF2/(2g)v_{LF}^2/(2g) e vLF/(2g)v_{LF}/(2g). Vértice em símbolos: tv=vLF/gt_v = v_{LF}/g, que é a opção B, o instante do topo e não a altura, posta ali para quem troca xvx_v por yvy_v; e h(tv)=vLF2/g−vLF2/(2g)=vLF2/(2g)h(t_v) = v_{LF}^2/g - v_{LF}^2/(2g) = v_{LF}^2/(2g), opção C. Dá para decidir antes da conta: velocidade ao quadrado dividida por aceleração tem dimensão de comprimento; velocidade dividida por aceleração dá tempo, o que elimina B e D de saída. E dá para conferir depois, com números: v=20v = 20 e g=10g = 10 é a bola desta seção, altura máxima 20 m, e das quatro expressões só v2/(2g)=400/20v^2/(2g) = 400/20 dá 20 (as outras dão 40, 2 e 1).

A parábola do dinheiro e do terreno: receita, lucro e área máxima

Uma lanchonete vende açaí no copo e já testou vários preços. A 10 reais o copo, saem 100 copos por dia: 1 000 reais de caixa. A 20 reais, 80 copos e 1 600 reais. A 30 reais, 60 copos e 1 800 reais. A 40 reais, 40 copos e 1 600 reais. A 50 reais, só 20 copos e 1 000 reais. Cada 10 reais a mais no preço afastam 20 clientes; o caixa cresce até 1 800 e depois recua. Subir o preço aumenta o que entra por copo e reduz o número de copos, e a disputa entre as duas coisas tem um vencedor que muda de lado.

Receita com demanda linear

Suponha que a quantidade vendida diminua linearmente com o preço: q(p)=α−βpq(p) = \alpha - \beta p, uma função afim decrescente em que α\alpha é quanto sairia a preço zero e β\beta mede quantos compradores se perdem por unidade de preço. A receita (ou faturamento) é o produto do preço pela quantidade:

R(p)=p⋅q(p)=αp−βp2,R(p) = p \cdot q(p) = \alpha p - \beta p^2,

uma função quadrática em pp com coeficiente a=−βa = -\beta negativo, logo com valor máximo. Ela se anula em p=0p = 0 (sem preço não há receita) e em p=α/βp = \alpha/\beta (o preço que zera a demanda), e o vértice fica no meio desses dois valores: o preço de receita máxima é p∗=α/(2β)p^* = \alpha/(2\beta). Faturamento não é lucro. O lucro é a receita menos o custo de produção, L(p)=R(p)−CL(p) = R(p) - C, e quando cada unidade vendida custa algo para ser produzida, o preço que maximiza o lucro é outro, diferente de p∗p^*.

Para o açaí, α=120\alpha = 120 e β=2\beta = 2: q(p)=120−2pq(p) = 120 - 2p e R(p)=120p−2p2R(p) = 120p - 2p^2. Zeros em p=0p = 0 e p=60p = 60, vértice em p∗=30p^* = 30 e R(30)=30⋅60=1 800R(30) = 30 \cdot 60 = 1\,800 reais, o maior valor da tabela. Agora o custo: se cada copo custa 2 reais para preparar, o custo diário é 2q=240−4p2q = 240 - 4p e o lucro vale L(p)=120p−2p2−(240−4p)=−2p2+124p−240L(p) = 120p - 2p^2 - (240 - 4p) = -2p^2 + 124p - 240, com vértice em p=124/4=31p = 124/4 = 31 e L(31)=−1 922+3 844−240=1 682L(31) = -1\,922 + 3\,844 - 240 = 1\,682 reais. O preço de lucro máximo ficou acima do de receita máxima: vender um pouco menos também significa gastar menos com matéria-prima. A tabela confirma a posição do vértice: a 30 reais o lucro é 1 800−120=1 6801\,800 - 120 = 1\,680; a 32 reais, R(32)=32⋅56=1 792R(32) = 32 \cdot 56 = 1\,792 e o custo é 2⋅56=1122 \cdot 56 = 112, lucro 1 6801\,680 de novo. Alturas iguais em 30 e 32, vértice em 31.

Gráfico com o preço em reais no eixo horizontal, de 0 a 60, e valores em reais no vertical. A parábola azul da receita R(p) = 120p − 2p² zera em p igual a 0 e p igual a 60 e culmina em (30, 1 800). A curva tracejada verde do lucro L(p) = R(p) menos 2 vezes a quantidade fica abaixo e culmina em (31, 1 682): o preço que maximiza o lucro difere do que maximiza a receita. Rótulos indicam que preço baixo vende muito e fatura pouco, e preço alto vende quase nada.
Açaí com demanda q(p)=120−2pq(p) = 120 - 2p: receita máxima de 1 800 reais a 30 reais o copo; com custo de 2 reais por copo, o lucro máximo (1 682 reais) fica em 31 reais. Duas parábolas, dois vértices.

O mesmo molde vale para terreno. Com 30 m de tela e um canteiro encostado num muro (o lado junto ao muro não leva tela), chame de xx cada um dos dois lados perpendiculares ao muro: sobram 30−2x30 - 2x para o lado paralelo, e A(x)=x (30−2x)=−2x2+30xA(x) = x\,(30 - 2x) = -2x^2 + 30x. Zeros em 0 e 15, vértice em x=7,5x = 7{,}5, área máxima A(7,5)=7,5⋅15=112,5A(7{,}5) = 7{,}5 \cdot 15 = 112{,}5 m². O pomar do PAS 1 de 2008 tem a mesma estrutura: com 60 pés de maçã, cada pé dava 400 maçãs, e cada árvore acrescentada ao terreno reduzia em 4 a produção de cada pé. Com xx árvores a mais, a produção total é (60+x)(400−4x)(60 + x)(400 - 4x), produto de uma afim crescente por uma afim decrescente, com zeros em x=−60x = -60 e x=100x = 100; o vértice está no meio, x=20x = 20, isto é, 80 árvores, e a produção máxima é 80⋅320=25 60080 \cdot 320 = 25\,600 maçãs. O item que afirmava produção máxima “inferior a 25 000” era errado.

Onde mais a parábola aparece

O jato de uma fonte, o cabo principal de uma ponte pênsil (carregado uniformemente pelo tabuleiro), o espelho do farol de um carro, a antena parabólica (a parábola como cônica tem um foco, e é nele que fica o receptor). Nas ciências, a área de um círculo em função do raio (A=πr2A = \pi r^2), a energia cinética em função da velocidade (mv2/2mv^2/2) e a distância de frenagem de um carro, que quadruplica quando a velocidade dobra. Em cada caso, a pergunta “dobrar a entrada faz o quê com a saída?” tem resposta diferente da reta: quadruplica.

Os erros que a banca já transformou em item

  • Trocar xvx_v por yvy_v. Quando se pergunta quanto, a resposta é a ordenada do vértice, não o instante em que ela ocorre. No foguete de 2025, v/gv/g é um tempo; a altura é v2/(2g)v^2/(2g).
  • Ler o sinal de bb sozinho. Só −b/(2a)-b/(2a) posiciona o vértice; leia aa na boca primeiro.
  • “Δ<0\Delta < 0, então não existe.” Existe a função, existe o vértice, existe o sinal constante; só não existem raízes reais.
  • Confundir raiz com vértice. Raiz é onde a função vale zero; vértice é onde ela é máxima ou mínima. Num lançamento do solo, as raízes são a saída e a chegada, e o vértice é o topo, no meio delas.
  • Esquecer o domínio. Vértice fora do intervalo de validade manda o extremo para a ponta; boca para baixo tem o mínimo na ponta, nunca no vértice.
  • Confundir altura contra tempo com trajetória. A bola lançada para cima sobe e desce na mesma vertical; a parábola do gráfico h×th \times t não é o desenho do voo. Quando a prova dá yy em função da distância horizontal xx, aí sim a curva é a trajetória.
  • Estimar num item de limiar. O limiar é posto rente ao valor exato: faça a conta até o fim.

O essencial em meia página

  • Forma e gráfico: f(x)=ax2+bx+cf(x) = ax^2 + bx + c, a≠0a \neq 0, parábola. a>0a > 0: abre para cima, mínimo; a<0a < 0: abre para baixo, máximo. c=f(0)c = f(0) é a altura do corte no eixo yy. bb só posiciona o vértice em parceria com aa.
  • Raízes: x=(−b±Δ)/(2a)x = (-b \pm \sqrt{\Delta})/(2a), Δ=b2−4ac\Delta = b^2 - 4ac. Δ>0\Delta > 0: duas; Δ=0\Delta = 0: uma dupla (tangencia); Δ<0\Delta < 0: nenhuma real. Soma das raízes −b/a-b/a e produto c/ac/a; forma fatorada a(x−x1)(x−x2)a(x - x_1)(x - x_2).
  • Vértice: xv=−b/(2a)x_v = -b/(2a); é também o meio entre as raízes e o meio entre dois xx de imagens iguais. yv=f(xv)=−Δ/(4a)y_v = f(x_v) = -\Delta/(4a). Pedem xvx_v ou yvy_v? O vértice está no domínio?
  • Forma canônica: f(x)=a(x−xv)2+yvf(x) = a(x - x_v)^2 + y_v; imagem [yv,+∞)[y_v, +\infty) ou (−∞,yv](-\infty, y_v]; gráfico de ax2ax^2 transladado.
  • Sinal: fora das raízes, sinal de aa; entre elas, o oposto; Δ<0\Delta < 0: sinal de aa em toda a reta. Inequação do 2.º grau: leve tudo para um lado e estude o sinal do trinômio que sobra.
  • Tabela: coeficiente desconhecido sai de um ponto impresso; segundas diferenças constantes (=2a= 2a para passo 1) denunciam a quadrática.
  • Lançamento: h(t)=h0+v0t−12gt2h(t) = h_0 + v_0 t - \tfrac{1}{2}gt^2; topo em tv=v0/gt_v = v_0/g, altura h0+v02/(2g)h_0 + v_0^2/(2g); do solo, subida e descida com a mesma duração.
  • Receita: q=α−βpq = \alpha - \beta p dá R=αp−βp2R = \alpha p - \beta p^2, máxima em p∗=α/(2β)p^* = \alpha/(2\beta); lucro máximo em outro preço quando produzir custa.

E a pergunta da abertura? Cerca, bola e açaí são a mesma conta porque cada um é um produto de duas grandezas que se movem em sentidos opostos: largura vezes um comprimento que encolhe, tempo vezes uma velocidade que a gravidade consome, preço vezes uma quantidade que o preço afasta. O produto de uma afim crescente por uma afim decrescente é uma quadrática com a<0a < 0, e seu máximo fica a meio caminho entre os dois zeros: onde uma das grandezas ainda não é zero e a outra já não é tudo.

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Função do Segundo Grau (Função Quadrática): Conceitos Iniciais (Aula 1 de 9)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 14:40
Introdução. Define a função quadrática f(x)=ax2+bx+cf(x) = ax^2 + bx + c, nomeia os coeficientes e mostra os primeiros valores numéricos e o formato do gráfico: é a seção “O que a, b e c dizem do desenho” em aula, para quem parte do zero.
Coordenadas do vértice da parábola - Função quadrática - Aula 3 (Prof. Gis)
Gis com Giz · 37:37
Aprofundamento. Deduz e aplica xv=−b/2ax_v = -b/2a e yv=−Δ/4ay_v = -\Delta/4a em vários exemplos, com a leitura de máximo e mínimo pela concavidade: o conteúdo da seção “Vértice: quando acontece o extremo e quanto ele vale”, inclusive a diferença entre o instante e o valor do extremo.
Função do 2.º grau: estudo do sinal
Equaciona Com Paulo Pereira · 12:20
Aplicação. Faz o estudo do sinal pela concavidade e pelas raízes, nos três casos do discriminante, como base para resolver inequações: é a seção “Para que lado o trinômio é positivo” com o esboço feito na lousa.
Função Quadrática no ENEM | Questões resolvidas
Escola de Números com Thyago Araujo · 24:34
Resolução. Itens reais do ENEM em que a quadrática vem vestida de fenômeno (imagem de um valor, vértice como máximo, raízes por soma e produto): o mesmo trabalho das seções “A parábola do tempo” e “A parábola do dinheiro e do terreno”, em ritmo de prova.
Rota PAS 1
Função quadrática por inteiro · PAS 1

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 1 — Função quadrática por inteiro · Antes de começar (cinco ideias e a tabela de x²); Função quadrática: a grandeza que sobe e depois desce; Raízes: onde a parábola corta o eixo horizontal; Vértice: onde fica o máximo (ou o mínimo) e quanto ele vale; Sinal: para que lado o trinômio é positivo; Lançamento vertical: a parábola do tempo; Receita do monopolista: a parábola do dinheiro; Leia como na prova (bloco de 2025); Como a banca cobra este capítulo; resolvidos (receita máxima, altura máxima tipo B, simetria sem raízes); exercícios 4, 9, 14 e 15; banco de treino T3–T6, T9–T13, T16, T18–T22

    Recorte por assunto: a parábola inteira, das raízes à modelagem. A forma canônica e as segundas diferenças foram acrescentadas ao recorte do capítulo (que as declara fora do histórico do PAS 1) porque pertencem ao assunto; a razão áurea aparece só como equação do 2.º grau.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 1 2006 (item 21), 2008 (itens 75 a 77), 2009 (item 48), 2011 (itens 77 a 79), 2013 (itens 99 e 100), 2016 (item 85), 2017 (itens 99 e 100, transcritos da imagem do caderno em utils/material/PAS/provas/2017-PAS1-Prova.pdf, p. 16), 2018 (itens 99 e 100), 2019 (item 99), 2020 (itens 86 e 87), 2021 (itens 38 e 56), 2022 (item 40), 2023 (itens 20 e 21), 2024 (itens 47 e 49), 2025 (item 50)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json. Itens que dependiam de figura impressa (2006 cachoeira, 2013 gráfico da potência, 2019 gráfico do IBGE, 2020 foto do arco) trazem descrição neutra da figura no texto de apoio.