A prova do PAS 2 de 2024 descreveu um teste de vacina com 100 pessoas, 40 delas com sintomas, sorteou duas e perguntou se a chance de pelo menos uma ter sintomas ficava abaixo de 0,6; depois mandou preencher uma tabela com as chances de 0, 1 e 2 sintomáticos entre os dois sorteados e desenhar um gráfico de pizza. Um ano depois, mandou comparar a chance de dois municípios do MATOPIBA saírem "do Maranhão ou da Bahia" com a de saírem "do Tocantins ou do Piauí" e acabou anulando o item. O que é, afinal, a probabilidade de um evento, como se calcula quando os casos são contados e quando vêm de uma tabela, e por que um "ou" mal lido derruba a conta inteira?
O que você vai aprender
Descrever o experimento aleatório, listar o espaço amostral (a grade 6 × 6 dos dois dados, as 4 sequências de duas moedas, as 100 duplas de algarismos) e escrever um evento como subconjunto, decidindo se os resultados listados têm a mesma chance antes de contar.
Calcular probabilidades clássicas como favoráveis sobre possíveis, usando combinações nos dois andares da fração quando o sorteio é simultâneo e o produto de frações sucessivas quando é um a um sem reposição, e conferir que os dois caminhos dão o mesmo número.
Aplicar as regras de toda probabilidade: valores entre 0 e 1, soma 1 sobre o espaço, complementar P(não A) = 1 − P(A), união P(A ou B) = P(A) + P(B) − P(A e B), com a soma simples só para eventos que não podem ocorrer juntos.
Reconhecer o "ou" inclusivo e o "ou" exclusivo num enunciado, calcular as leituras possíveis quando a frase admitir mais de uma e resolver "pelo menos um" pelo complementar (1 − P(nenhum)).
Ler uma tabela de frequências, de dupla entrada ou um gráfico de setores como fonte de probabilidades (a fração da linha, da coluna ou do total pedido), e montar a tabela de um espaço amostral não equiprovável conferindo que as probabilidades somam 1.
Multiplicar probabilidades apenas para eventos independentes (lançamentos sucessivos, sorteios com reposição, gestações, componentes de um circuito), desenhando a árvore quando o experimento tem etapas, e distinguir independência de exclusão mútua.
Resolver itens do PAS nos formatos A (limiar), B (resposta numérica com fator de escala) e D (resposta construída), e os erros clássicos: somar eventos que se sobrepõem, multiplicar sem independência, tratar casos de chances diferentes como equiprováveis e aceitar uma probabilidade maior que 1.
Em dezembro de 2024, a prova do PAS 2 descreveu um teste de vacina: 100 pessoas, 50 com a vacina e 50 com placebo; ao fim, 40 tinham sintomas da doença. O caderno sorteou duas dessas 100 pessoas e afirmou que a probabilidade de pelo menos uma delas ter sintomas “será inferior a 0,6”. Três linhas depois, o único item de resposta construída de Matemática daquela prova mandou preencher uma tabela com as chances de 0, 1 e 2 sintomáticos entre os dois sorteados e desenhar um gráfico de pizza com elas. Um ano depois, a mesma banca deu a tabela dos 336 municípios do MATOPIBA, sorteou dois e perguntou se a chance de ambos serem “do Maranhão ou da Bahia” superava a de ambos serem “do Tocantins ou do Piauí”; o item foi anulado no gabarito definitivo. Os três itens cabem numa única pergunta: o que é, em número, a chance de alguma coisa acontecer?
A resposta desta página é uma medida. Um experimento cujo resultado não se pode prever (um sorteio, um lançamento de dado, a escolha de uma pessoa numa lista) tem um conjunto de resultados possíveis, e a probabilidade distribui o número 1 entre eles: o que é impossível recebe 0, o que é certo recebe 1, e cada evento recebe a fatia que lhe cabe. Quando todos os resultados têm a mesma chance, a fatia é uma contagem dividida por outra, e por isso contar sem enumerar é o passo anterior a esta página. Quando as chances vêm de uma tabela de frequências, a fatia é a frequência relativa. As regras que ligam as fatias umas às outras (complementar, “ou”, “e”, “pelo menos um”) são poucas e valem nos dois casos. O que fica para a página seguinte é a chance recalculada depois de uma informação nova, a probabilidade condicional; aqui só se multiplica quando os eventos não se influenciam.
Antes de medir: o que pode acontecer
Lance dois dados comuns, um vermelho e um azul, e anote o par de faces. O resultado é imprevisível, mas a lista de todos os resultados possíveis não é: (1,1),(1,2),…,(6,6), trinta e seis pares, organizados numa grade de 6 linhas por 6 colunas. Essa lista tem nome.
Experimento aleatório, espaço amostral e evento
Um experimento aleatório é um procedimento que pode ser repetido nas mesmas condições e cujo resultado, em cada repetição, não se pode prever: lançar um dado, tirar uma carta do baralho, sortear duas pessoas numa lista de cem. O espaço amostralS é o conjunto de todos os resultados possíveis; n(S) é o número de elementos dele. Um evento é qualquer subconjunto de S: “sair soma 7” é o conjunto {(1,6),(2,5),(3,4),(4,3),(5,2),(6,1)}, com n(A)=6 elementos. O evento impossível é o conjunto vazio; o evento certo é o próprio S. Um evento com um único resultado ({(3,4)}) chama-se elementar.
O espaço amostral dos dois dados: 36 pares igualmente prováveis. "Soma 7" ocupa 6 células (a diagonal), "soma menor que 6" ocupa 10. As onze somas possíveis não têm a mesma chance: 7 aparece 6 vezes, 2 e 12 só uma. Diagrama autoral.
Escrever o espaço amostral é a metade do trabalho que mais se pula. Duas moedas lançadas têm quatro resultados, {KK,KC,CK,CC} (K = cara, C = coroa), e não três: “uma cara e uma coroa” acontece de duas maneiras, KC e CK. Dois algarismos escolhidos ao acaso formam 100 pares, de 00 a 99. Duas pessoas sorteadas entre 100 formam C100,2=4950 duplas. Quem não escreve (ou pelo menos conta) o espaço amostral acaba dividindo pelo número errado.
Em 2019, o PAS 3 descreveu o código dos candidatos a deputado federal: dois dígitos do partido seguidos de dois algarismos. O item afirmou que “a probabilidade de que a soma dos dois algarismos finais da inscrição de um candidato a deputado federal seja menor que 6 é superior a 20%”. Espaço amostral: os 100 pares de algarismos, de 00 a 99, todos com a mesma chance. Evento: soma menor que 6, isto é, soma 0, 1, 2, 3, 4 ou 5. Soma 0 tem 1 par (00); soma 1 tem 2 (01, 10); soma 2 tem 3; soma 3 tem 4; soma 4 tem 5; soma 5 tem 6. Total 1+2+3+4+5+6=21 pares, 10021=21%>20%. Certo. Os 33 partidos do enunciado não entram na conta: o item pergunta só pelos dois algarismos finais.
Quando todos os resultados têm a mesma chance
Um dado honesto não prefere face nenhuma; um baralho bem embaralhado não prefere carta nenhuma; uma lista de 100 nomes sorteada por uma urna não prefere nome nenhum. Nesses casos, os n(S) resultados dividem o 1 em partes iguais, cada resultado elementar vale n(S)1, e a chance de um evento é o número de resultados que ele contém vezes essa fração.
Se os n(S) resultados do espaço amostral têm todos a mesma chance, a probabilidade de um evento A é
P(A)=n(S)n(A)=possiveisfavoraveis.
A fórmula tem uma condição escondida na primeira linha: todos os resultados com a mesma chance. Sem ela, a fração não mede nada.
Exemplo resolvido 1: a soma dos dois dados. Qual é a probabilidade de a soma de dois dados ser 7? Espaço amostral: 36 pares equiprováveis. Favoráveis: a diagonal da grade, 6 pares. P=366=61. E de a soma ser menor que 6? Dez células (somas 2, 3, 4 e 5, com 1, 2, 3 e 4 pares cada): P=3610=185≈0,278. Conferência: as onze somas, de 2 a 12, têm 1+2+3+4+5+6+5+4+3+2+1=36 pares, exatamente o espaço inteiro. Se a sua contagem das somas não fechar em 36, algum par ficou de fora ou entrou duas vezes.
Onze somas não são onze casos iguais
“A soma de dois dados vai de 2 a 12, são 11 resultados, logo a chance de soma 7 é 111.” Está errado, e o erro é o mais comum da probabilidade: aplicar favoráveis sobre possíveis a uma lista de resultados que não têm a mesma chance. A soma 7 sai de seis pares; a soma 2, de um só. O espaço equiprovável é o dos 36 pares, não o das 11 somas. Regra prática: desça até os resultados que o acaso trata igualmente (as faces, as cartas, as pessoas) e conte lá.
Em 2018, o PAS 3 desenhou uma roda-gigante de 16 cadeiras, com quatro posições marcadas P1 a P4, e afirmou: “a probabilidade de, em determinado instante, a cadeira de João e Juliana estar na posição P1 é inferior a 7%”. Dezesseis cadeiras, dezesseis posições igualmente prováveis num instante qualquer, uma favorável: 161=0,0625=6,25%<7%. Certo. O item testa só se você identifica n(S)=16 na figura e converte a fração em porcentagem.
Em 2023, a prova apresentou a escala de mi maior (sete notas) e a tabela dos sete acordes do campo harmônico, cada um com três notas da escala, e afirmou que, “ao serem tocadas no piano, ao acaso, três notas na escala de mi maior, a probabilidade de ser tocado um dos acordes do campo harmônico de mi maior é de 1/5”. Possíveis: trios de notas entre sete, C7,3=67×6×5=35. Favoráveis: os sete acordes da tabela. 357=51. Certo. A probabilidade saiu de uma combinação no denominador e de uma contagem na tabela no numerador, o molde que a próxima seção explora.
Contar é o passo anterior: combinações nos dois andares
Quando o experimento sorteia várias coisas de uma vez (duas pessoas, três animais, quatro vértices), o espaço amostral é o conjunto das escolhas possíveis, e contá-lo é um problema de combinação. O evento também. A probabilidade vira uma fração de duas combinações, e o cuidado é usar o mesmo critério em cima e embaixo: se o denominador conta conjuntos sem ordem (Cn,k), o numerador também conta conjuntos sem ordem.
Exemplo resolvido 2: duas pessoas entre cem (PAS 2 2024). No teste da vacina, 100 pessoas, 40 com sintomas e 60 sem; duas são escolhidas ao acaso. Qual é a probabilidade de pelo menos uma ter sintomas? Possíveis: C100,2=2100×99=4950 duplas. Contar as duplas com pelo menos um sintomático pela frente exige dois casos (exatamente um, 40×60=2400; os dois, C40,2=780), total 3180. Pelo complementar é mais curto: as duplas sem sintomático saem inteiras dos 60 sem sintomas, C60,2=260×59=1770, e
P(pelo menos um)=1−49501770=49503180≈0,642.
O item afirmou que seria inferior a 0,6: errado. Conferência pelo caminho sucessivo: a primeira pessoa sem sintomas tem chance 10060; sorteada ela, a segunda sem sintomas tem 9959; o produto 10060×9959=99003540≈0,358 é o mesmo 49501770. Os dois caminhos têm de bater, e bater é a melhor conferência que existe nesta página.
Os dois caminhos são os mesmos de sempre: a combinação conta o sorteio como simultâneo (duplas sem ordem em cima e embaixo); o produto sucessivo imagina as pessoas sorteadas uma de cada vez, com a segunda fração calculada no conjunto que sobrou (99 pessoas, 59 sem sintomas), porque a primeira pessoa não volta para a lista. “Sem reposição” é isso: o segundo sorteio acontece num conjunto menor.
Em 2016, o PAS 3 desenhou uma estrela de cinco pontas com dez vértices (as cinco pontas e os cinco vértices do pentágono interno) e pediu, em resposta numérica, a probabilidade de quatro vértices escolhidos ao acaso entre os dez serem colineares, multiplicada por 10 000. Possíveis: C10,4=210 quartetos de vértices. Favoráveis: cada um dos cinco segmentos da estrela contém exatamente quatro dos dez vértices (duas pontas e dois do pentágono), e não há outra reta com quatro deles; cinco quartetos. 2105=421≈0,0238; vezes 10 000, 238. O fator de escala só serve para que o número marcado caiba em três algarismos; não o esqueça, e não o aplique antes de terminar a fração.
Em 2017, a prova deu uma tabela de 1 200 bovinos distribuídos por três fazendas e três faixas de idade, com 280 animais com menos de 24 meses (90 da Tampa, 110 da Boa Vista e 80 da Monte Verde), e afirmou que, escolhidos ao acaso três animais entre os 280, a probabilidade de cada um ser de uma fazenda diferente “pode ser calculada pela expressão 280380×90×110”. O numerador está certo para o número de trios com um animal de cada fazenda, 90×110×80, mas o denominador 2803 conta sequências de três sorteios com reposição (o mesmo animal podendo sair três vezes), e um trio não é uma sequência. O denominador certo para o numerador sem ordem é C280,3; e, se quiséssemos contar com ordem, o numerador teria de ser multiplicado por 3!=6 e o denominador seria 280×279×278. A expressão do item mistura os critérios: errado. A probabilidade correta é C280,390×110×80≈0,219, e a expressão do item daria 0,036, seis vezes menor.
Em 2020, com a tabela das cinco vacinas (Madivax 16 doses e Tembulax 36, as duas de vírus inativado, num grupo de 100 pessoas), o PAS 3 pediu, em resposta numérica: dois indivíduos receberam vacinas de vírus inativado; qual a probabilidade de terem recebido vacinas diferentes, vezes 1 000? São 16+36=52 pessoas; duplas possíveis, C52,2=1326; favoráveis, uma de cada vacina, 16×36=576. 1326576≈0,4344, resposta 434. Pelo caminho sucessivo: 5216×5136+5236×5116=52×512×16×36=26521152, o mesmo número. Repare no fator 2 do caminho sucessivo: Madivax-depois-Tembulax e Tembulax-depois-Madivax são duas sequências e uma única dupla.
Dois andares, um critério só
A fração de combinações só mede probabilidade se numerador e denominador contarem o mesmo tipo de objeto: duplas sem ordem sobre duplas sem ordem, ou sequências sobre sequências. C100,240×60 está certo (conjuntos sem ordem nos dois andares: 40×60 já é o número de duplas com um de cada grupo); 100×9940×60 está errado (duplas em cima, sequências embaixo) e dá metade do valor. Teste rápido: a soma das probabilidades de todos os casos (0, 1 e 2 sintomáticos) tem de dar 1. Com o critério misturado, não dá.
As regras que toda probabilidade obedece
A probabilidade clássica é a mais usada, mas não é a definição. A definição é uma lista de três regras, e qualquer maneira de atribuir números a eventos que as obedeça é uma probabilidade, venha ela de uma contagem, de uma tabela de frequências ou de um modelo.
As três regras e as consequências imediatas
Para eventos de um espaço amostral S:
0≤P(A)≤1 para todo evento A.
P(S)=1 (algum resultado acontece) e P(∅)=0.
Se A e Bnão podem ocorrer juntos (A∩B=∅), então P(A∪B)=P(A)+P(B).
Consequências. O complementar de A, escrito Aˉ ou Ac (“A não ocorre”), satisfaz P(Aˉ)=1−P(A), porque A e Aˉ não ocorrem juntos e um dos dois sempre ocorre. Se A está contido em B (sempre que A ocorre, B ocorre), então P(A)≤P(B). E a soma das probabilidades de todos os resultados elementares é 1, o que faz de “somar e ver se dá 1” a conferência universal de uma tabela de probabilidades.
A regra 1 derruba contas antes de qualquer interpretação: uma resposta como 57 ou 120% não é probabilidade de nada, e um item que leve a ela tem um erro no caminho. A regra 3 é a que exige leitura: ela só soma eventos que se excluem. A próxima seção é toda sobre o que fazer quando não se excluem.
“Ou”: somar só quando não há sobreposição
Tire uma carta de um baralho comum de 52 cartas. Qual é a chance de sair um rei ou uma carta de copas? Há 4 reis e 13 cartas de copas. Somar dá 524+5213=5217, mas a lista das cartas favoráveis tem 16 nomes, não 17: o rei de copas é rei e é de copas, e a soma o contou duas vezes. A conta certa desconta a carta comum: 4+13−1=16, P=5216=134.
"Ou" no diagrama de Venn. Com sobreposição (rei ou copas), a soma conta a interseção duas vezes e é preciso descontá-la: 4+13−1=16. Sem sobreposição (rei ou dama), os eventos são mutuamente exclusivos e a soma simples vale: 4+4=8. Diagrama autoral.
Probabilidade da união (a regra do "ou")
Para dois eventos quaisquer do mesmo espaço amostral,
P(A∪B)=P(A)+P(B)−P(A∩B),
em que A∪B é “A ou B (ou ambos)” e A∩B é “A e B ao mesmo tempo”. Quando A e B são mutuamente exclusivos (não podem ocorrer juntos, P(A∩B)=0), a fórmula vira a soma simples P(A)+P(B). Com três eventos que se excluem dois a dois, soma-se os três. Lê-se: “a chance de um ou outro é a soma das chances menos a chance de os dois juntos”.
Exemplo resolvido 3: duas leituras do “ou” na grade dos dados. Nos dois dados, qual é a chance de sair soma 7 ou pelo menos um 6? A = soma 7, 6 pares; B = pelo menos um 6: a última linha e a última coluna da grade, 6+6−1=11 pares (o par (6,6) está nas duas). A∩B: soma 7 com um 6, os pares (1,6) e (6,1), 2 pares. P(A∪B)=366+3611−362=3615=125. Conferência: marque na grade; são 6 células da diagonal mais 11 da borda, com 2 em comum: 15. Agora soma 7 ou soma 11: as duas somas não podem sair juntas, 366+362=368=92, sem desconto nenhum, porque a interseção é vazia.
Em 2008, o PAS 3 trouxe um gráfico de pizza da distribuição dos usuários de Internet pelos continentes (Ásia 42,0%, Américas 26,5%, Europa 26,0%, África 4,0%, Oceania 1,5%) e afirmou que, “ao se selecionar ao acaso um usuário de Internet no mundo, as chances de esse usuário estar na África ou nas Américas são superiores a 32%”. Um usuário está em um continente só: os eventos se excluem e a soma simples vale, 4,0%+26,5%=30,5%, que não supera 32%. Errado. As fatias da pizza são probabilidades prontas, e a conferência é que as cinco somam 100%.
Em 2010, a prova deu uma tabela com a avaliação da educação pública em duas pesquisas, 2006 (2 000 entrevistados: ótima/boa 25%, regular 45%, ruim/péssima 28%, não souberam 2%) e 2010 (2 200 entrevistados: 34%, 44%, 21%, 1%), e afirmou que, “se os conjuntos dos entrevistados de 2006 e de 2010 forem disjuntos, então, escolhendo-se, ao acaso, um desses entrevistados, a possibilidade de ele ter avaliado a educação pública brasileira como regular ou de não saber ou não ter respondido é superior a 0,47”. Aqui o espaço amostral é a união dos dois grupos, 2000+2200=4200 pessoas, e os percentuais precisam virar pessoas antes de somar: regular, 0,45×2000+0,44×2200=900+968=1868; não souberam, 0,02×2000+0,01×2200=40+22=62. Como ninguém deu duas respostas, as duas categorias se excluem: 42001868+62=42001930≈0,460<0,47. Errado. Quem soma os percentuais das duas pesquisas e divide por 2 (média simples: 247+45=46%) chega perto por acaso; o caminho certo passa pelas pessoas, porque as duas pesquisas têm tamanhos diferentes.
Em 2014, a tabela de uma clínica de fertilização listou, por faixa etária, as mulheres em tratamento e as que engravidaram (G.1: 370 e 185; G.2: 1 508 e 686; G.3: 1 032 e 284; G.4: 290 e 38; totais 3 200 e 1 193). “É inferior a 28% a chance de uma mulher que engravidou após o tratamento pertencer à faixa etária do grupo G.3 ou G.4.” O enunciado fixa o universo: as 1 193 que engravidaram. G.3 ou G.4, grupos que não se sobrepõem: 284+38=322. 1193322≈0,270<0,28. Certo. Repare que o denominador é a coluna das que engravidaram, não o total de 3 200: “uma mulher que engravidou” diz de que conjunto ela sai.
Em 2017, na tabela dos bovinos (Tampa 90, 230 e 140 animais nas faixas I<24, 24≤I≤36 e I>36 meses; Monte Verde 80, 150 e 110; total 1 200), o item afirmou que “a probabilidade de se escolher ao acaso um animal da Fazenda da Tampa ou da Fazenda Monte Verde e de idade menor ou igual a 36 meses é inferior a 40%”. Duas fazendas que se excluem, e uma condição de idade que vale para as duas: Tampa com até 36 meses, 90+230=320; Monte Verde com até 36 meses, 80+150=230; total 550 em 1200, ≈45,8%. Errado. Note a estrutura da frase: “(Tampa ou Monte Verde) e (idade ≤36)”; o “e” restringe as duas parcelas.
As três leituras do "ou" e o item que a banca anulou
Em 2025, com a tabela do MATOPIBA (Maranhão 143 municípios, Tocantins 130, Piauí 33, Bahia 30, total 336) e dois municípios sorteados, o PAS 2 afirmou que “a probabilidade de os dois municípios selecionados serem do Maranhão ou da Bahia é maior que a probabilidade de ambos pertencerem ao Tocantins ou ao Piauí”. O item foi anulado no gabarito definitivo; a banca não divulga motivos, e esta página não especula sobre eles. O que ela faz é mostrar que a frase “os dois serem do Maranhão ou da Bahia” admite três leituras, e que as três dão contas diferentes (o denominador C336,2=56280 é o mesmo em todas, então basta comparar numeradores):
os dois saem do conjunto Maranhão ∪ Bahia (173 municípios): C173,2=14878 contra C163,2=13203 do lado Tocantins ∪ Piauí;
os dois são do Maranhão, ou os dois são da Bahia: C143,2+C30,2=10153+435=10588 contra C130,2+C33,2=8385+528=8913;
um município maranhense e um baiano: 143×30=4290; do outro lado, um tocantinense e um piauiense, 130×33=4290: empate exato.
Nas duas primeiras leituras o lado Maranhão–Bahia ganha; na terceira, nenhum ganha. Quando uma frase de probabilidade permitir mais de uma leitura do evento, calcule as leituras que o texto sustenta; se todas levarem ao mesmo julgamento, marque com segurança; se não, você encontrou a ambiguidade antes da banca.
O “ou” da linguagem comum é quase sempre inclusivo (“rei ou copas” inclui o rei de copas), e a fórmula da união já cuida disso. O “ou” exclusivo (“ou um, ou outro, não os dois”) é um evento diferente, P(A)+P(B)−2P(A∩B), e aparece pouco em prova; quando aparecer, o enunciado costuma dizer “exatamente um”.
“Pelo menos um”: entre pela porta dos fundos
“Pelo menos um” junta vários casos (um, ou dois, ou três, …) e por isso dá trabalho pela frente. O seu complementar é um caso só: nenhum. A regra que vale sempre:
P(pelo menos um)=1−P(nenhum).
Exemplo resolvido 4: moedas e dados. Duas moedas: a chance de pelo menos uma cara é 1−P(nenhuma cara)=1−P(CC)=1−41=43; pela frente seria P(KK)+P(KC)+P(CK)=43, o mesmo, com três parcelas. Três dados: a chance de pelo menos um 6 é 1−P(nenhum 6); “nenhum 6” em três lançamentos é (65)3=216125 (os lançamentos não se influenciam, e o produto é o assunto de uma seção adiante), logo P=1−216125=21691≈0,42. Pela frente seriam três casos (um 6, dois 6, três 6) com contagens separadas. Conferência numa versão pequena: com um dado só, 1−65=61, que é a chance de um 6, como tem de ser.
O item de 2024 do PAS 2 é esse molde com combinações: “pelo menos uma com sintomas” virou 1−C100,2C60,2 no Exemplo 2. E a variante que a mesma prova poderia ter feito, “a probabilidade de nenhuma das duas ter sintomas”, é a própria fração 49501770≈0,358, sem o 1 na frente. Leia a palavra antes de subtrair.
Loterias e a chance de "pelo menos uma vez"
Uma aposta simples da Mega-Sena (6 dezenas entre 60) tem chance C60,61=500638601 de acertar as seis; na Quina (5 entre 80), 240400161; na Lotofácil (15 entre 25), 32687601. Quem joga a Mega-Sena 100 vezes com apostas diferentes tem chance 50063860100, uma em cerca de 500 mil, e não “100 vezes mais chance” em nenhum sentido útil. Já num jogo repetido muitas vezes a regra do complementar muda a história: a chance de pelo menos um 6 em 10 lançamentos de um dado é 1−(65)10≈0,84, e em 30 lançamentos passa de 99%. Eventos raros ficam quase certos quando o número de tentativas é grande; eventos raríssimos, como as seis dezenas, não.
Quando a chance vem de uma tabela: a probabilidade frequentista
Nenhuma moeda real é perfeitamente honesta, e ninguém conhece a chance de um pneu furar listando “casos favoráveis”. Para esses experimentos, a probabilidade se estima repetindo: em n repetições, o evento ocorreu k vezes, e a frequência relativa nk é a estimativa. Quanto maior n, mais estável fica a fração.
Frequência relativa de caras ao longo de 500 lançamentos simulados de uma moeda honesta. No começo a fração salta; com muitos lançamentos ela se acomoda perto de 0,5, a probabilidade clássica. É a ideia da lei dos grandes números, aqui só na forma qualitativa. Diagrama autoral.
Probabilidade frequentista e a tabela que vira probabilidade
Se um experimento é repetido n vezes e o evento A ocorre em k delas, a frequência relativaf=nk estima P(A); para n grande, f se aproxima da probabilidade (lei dos grandes números, no enunciado qualitativo que a escola usa). Numa tabela de frequências de uma população (pessoas por renda, animais por fazenda, usuários por continente), a probabilidade de um indivíduo sorteado ao acaso pertencer a uma categoria é a frequência relativa da categoria: a linha dividida pelo total. É a probabilidade clássica aplicada ao conjunto das pessoas da tabela, cada uma com a mesma chance de ser sorteada.
Na prática do PAS, a tabela é a fonte mais comum de probabilidades, e a única dificuldade é decidir que total vai no denominador. Em 2014, com a tabela da fertilização, “a probabilidade de uma mulher do grupo G.1 engravidar com o tratamento de FIV foi superior a 0,55”: universo, as 370 mulheres do G.1; favoráveis, as 185 que engravidaram; 370185=0,5, que não supera 0,55. Errado. Em 2015, a tabela da população feminina do Distrito Federal por raça e renda familiar (em milhares: renda média alta 438, média baixa 602, baixa 164, total 1 204; pardas 631 e brancas 498 no total; na renda média alta, 194 pardas e 230 brancas) sustentou dois itens. “A probabilidade de uma mulher cujo nome tenha sido selecionado no arquivo pertencer a uma família com renda média baixa é inferior a 0,6”: 1204602=0,5. Certo. E, em resposta numérica, a probabilidade de o nome ser de uma mulher “parda ou branca e pertença a uma família com renda média alta”, vezes 1 000: a linha da renda média alta, colunas parda e branca, 194+230=424; 1204424≈0,3521; resposta 352. O “ou” entre parda e branca soma (uma mulher tem uma raça só na tabela); o “e” com a renda escolhe a linha.
Ler a tabela de dupla entrada: o evento escolhe células, o universo escolhe o total. "Renda média baixa" é uma linha inteira sobre o total geral (602/1 204); "parda ou branca e renda média alta" são duas células de uma linha sobre o total geral (424/1 204). Diagrama autoral.
Em 2016, a prova listou 14 caixas de som de uma orquestra de laptops, em sete pares com a mesma frequência predominante (A e A’, 60 Hz; B e B’, 170; C e C’, 310; D e D’, 7 500; E e E’, 2 200; F e F’, 1 550; G e G’, 5 100), e afirmou: “escolhendo-se ao acaso uma caixa de som com frequência predominante maior que 2 000 Hz, a probabilidade de que a caixa escolhida seja a G ou a G’ será maior que 40%”. O universo é fixado pela frase: caixas acima de 2 000 Hz, os pares D, E e G, seis caixas. Favoráveis: G e G’, duas. 62≈33%<40%. Errado. O item testa se você restringe o espaço amostral ao que o enunciado descreve antes de contar; quem divide por 14 chega a 142≈14% e julga o mesmo, mas pelo motivo errado.
Quando os resultados não têm a mesma chance: o espaço com pesos
A soma de dois dados já mostrou um espaço amostral cujos resultados têm chances diferentes: as onze somas. A maneira honesta de tratar um espaço assim é dar a cada resultado a sua probabilidade numa tabela, calculada a partir de um espaço equiprovável mais fino (os 36 pares) ou de frequências, e conferir que a coluna soma 1. A partir daí, as regras valem como sempre: a chance de um evento é a soma das chances dos resultados que ele contém.
Exemplo resolvido 5: a tabela e a pizza. Uma urna tem 3 bolas verdes e 5 amarelas; duas bolas são retiradas de uma vez. Chame de A0, A1 e A2 os eventos “0, 1 ou 2 bolas verdes entre as retiradas”. O espaço S={A0,A1,A2} tem três resultados que não são equiprováveis, e o jeito de medir cada um é descer ao espaço das duplas, C8,2=28, que é equiprovável:
Evento
Duplas favoráveis
Probabilidade
A0 (nenhuma verde)
C5,2=10
2810≈0,357
A1 (uma verde)
3×5=15
2815≈0,536
A2 (duas verdes)
C3,2=3
283≈0,107
Conferência:10+15+3=28 e 0,357+0,536+0,107=1,000. No gráfico de pizza, cada fatia tem o ângulo central proporcional à probabilidade: 0,357×360∘≈129∘, 0,536×360∘≈193∘ e 0,107×360∘≈39∘, que somam 361∘ por causa dos arredondamentos (com as frações exatas, 2810,2815,283 de 360∘, a soma é exata).
Espaço amostral não equiprovável: três resultados com três chances diferentes, medidas no espaço das 28 duplas e organizadas em tabela. A pizza converte cada probabilidade em ângulo (p×360∘) e só fecha o círculo se a coluna somar 1. Diagrama autoral.
Foi exatamente esse o item de resposta construída de 2024: duas pessoas sorteadas entre as 100 do teste da vacina, cada uma infectada (I) ou não (N), e o espaço S={A0,A1,A2} com A0={N,N}, A1={I,N} e A2={I,I}; a banca pediu a tabela de P(x=0), P(x=1) e P(x=2) e o gráfico de pizza. Com 40 infectados e 60 não infectados: P(0)=C100,2C60,2=49501770≈0,36, P(1)=495040×60=49502400≈0,48, P(2)=4950C40,2=4950780≈0,16; soma 49501770+2400+780=49504950=1. As fatias: cerca de 129∘, 175∘ e 57∘. O item inteiro está resolvido entre os exercícios desta página, no formato em que a prova o cobrou; o que a banca queria ver era um espaço legítimo, não equiprovável, medido com cuidado e conferido pela soma.
Tratar como iguais chances que são diferentes
“São três resultados possíveis, 0, 1 ou 2 verdes, logo cada um tem chance 31.” É o mesmo erro das onze somas. Um espaço amostral pode ser escrito com poucos resultados, mas a fórmula favoráveis sobre possíveis só funciona no espaço em que o acaso não tem preferência. O sinal de alerta: resultados que “juntam” vários casos de um espaço mais fino (uma verde pode ser qualquer das 15 duplas mistas; nenhuma verde, só 10). Sempre que um resultado for um conjunto de casos, meça o conjunto.
“E”: multiplicar só quando os eventos são independentes
Lance uma moeda e depois um dado. A chance de cara e 6? A moeda não sabe o que o dado vai fazer: dos 12 resultados {K1,…,K6,C1,…,C6}, igualmente prováveis, um só é K6, e 121=21×61. A chance do “e” saiu do produto das chances. Isso vale sempre que os dois eventos não se influenciam.
A árvore multiplica ao longo do ramo. À esquerda, moeda e dado são independentes e as frações do segundo nível não mudam: 21×61=121. À direita, duas bolas sem reposição: a fração do segundo nível depende do que saiu no primeiro (72 depois de uma verde), e o produto 83×72=283 reproduz a tabela do Exemplo 5. Diagrama autoral.
Eventos independentes e a regra do produto
Dois eventos A e B são independentes quando a ocorrência de um não altera a chance do outro: lançamentos sucessivos de dados ou moedas, sorteios com reposição, gestações diferentes de um mesmo casal, componentes de um circuito que falham por motivos próprios, pessoas escolhidas em grupos separados. Para eventos independentes,
P(A∩B)=P(A)×P(B),
e, com vários, o produto de todas as probabilidades. Sorteios sem reposição não são independentes: a segunda fração se calcula no conjunto que sobrou (é o que a árvore mostra e o que a probabilidade condicional formaliza). Independente não é o mesmo que mutuamente exclusivo: dois eventos que se excluem com chances positivas não são independentes, porque a ocorrência de um zera a chance do outro.
Exemplo resolvido 6: o circuito. Três componentes, A, B e C, estão ligados em série e falham de modo independente, com probabilidades de falha 10%, 20% e 25%. Em série, a corrente só passa se os três funcionarem. P(todos funcionam)=0,90×0,80×0,75=0,54; P(nao passa corrente)=1−0,54=0,46. Pela frente seria somar sete casos (falha só A, só B, só C, A e B, …); o complementar resolve numa linha. Conferência: se os três fossem perfeitos (falha 0), 1−1=0; se um deles falhasse sempre, 1−0=1. Os extremos batem. Em paralelo, a lógica inverte: a corrente só deixa de passar se todos falharem, 0,10×0,20×0,25=0,005.
Em 2008, com a pizza dos usuários de Internet (Ásia 42%), o PAS 3 afirmou que, “considerando que três usuários de Internet no mundo sejam selecionados ao acaso, as chances de os três estarem na Ásia são superiores a 7%”. Numa população de centenas de milhões, sortear três pessoas é, para todos os efeitos, sortear com reposição: as três escolhas são independentes e 0,423=0,074=7,4%>7%. Certo. (O produto exato sem reposição difere na quinta casa decimal.)
Em 2018, na roda-gigante de 16 cadeiras e no carrossel de 8 cavalos, “a probabilidade de José estar em um dos quatro cavalos visíveis e João e Juliana estarem em uma das três cadeiras entre as posições P3 e P4 é superior a 10%”. O carrossel e a roda-gigante param em posições que não dependem uma da outra: P=84×163=12812=0,09375=9,4%<10%. Errado. O “e” multiplicou porque os dois brinquedos são independentes; os números 4, 8, 3 e 16 vêm da figura e do texto.
A aplicação que a matriz do PAS cita pelo nome é a genética mendeliana, e ela é um exercício de espaço amostral e de produto. No cruzamento Aa×Aa, o quadro de Punnett tem quatro resultados equiprováveis (AA, Aa, aA, aa), logo P(aa)=41 e P(fenotipo dominante)=43. Em 2018, o PAS 3 descreveu a Glória-da-manhã, cujo alelo P (flor púrpura) domina p (flor rosa), e pediu, em resposta numérica, quantas de 1 400 plantas-filhas de pais heterozigotos teriam flores rosa: 41×1400=350. Gestações sucessivas são independentes: a chance de um casal Aa×Aa ter dois filhos aa é (41)2=161, e a de pelo menos um aa em dois filhos é 1−(43)2=167. Em 2021, a prova descreveu João, portador em heterozigose de uma mutação de herança autossômica dominante, casado com Maria, sem a mutação; o filho Pedro casou com Ana, também sem a mutação, e tiveram Marcos. O risco de Marcos ter a mutação, em porcentagem: Pedro herdou a mutação com chance 21; se Pedro a tem, Marcos a herda com chance 21; ao longo do ramo da árvore, 21×21=41=25%. Em 2008, o item de genética pediu a chance de uma mulher produzir um gameta com todos os 23 cromossomos de origem paterna, sem crossing-over, vezes 415: cada par de cromossomos manda para o gameta o paterno ou o materno com chance 21, independentemente dos outros, (21)23; vezes 415=230, dá 230−23=27=128. A conta inteira é a regra do produto com 23 fatores.
Multiplicar o que não é independente, e somar o que não se exclui
Os dois erros simétricos da página. Multiplicar sem independência: tirar duas bolas sem reposição e escrever (83)2 para “duas verdes” (o certo é 83×72); usar 2803 no denominador de um sorteio de três animais distintos (o item de 2017). Somar com sobreposição:P(rei)+P(copas) sem descontar o rei de copas. O teste para o produto: a chance do segundo evento mudaria se eu soubesse o resultado do primeiro? Se sim, não é independente. O teste para a soma: os dois eventos podem acontecer juntos? Se sim, desconte a interseção.
Uma consequência que a banca gosta de cobrar em forma de julgamento: se P(A)=0,6 e P(B)=0,5, então A e Bnão podem ser mutuamente exclusivos, porque a soma simples daria 1,1>1, violando a primeira regra; eles obrigatoriamente se sobrepõem em pelo menos 0,1. E se A e B fossem independentes, a interseção valeria 0,6×0,5=0,3 e a união 0,6+0,5−0,3=0,8.
Quando os casos não se contam: comprimentos e áreas
Um alvo circular de raio 20 cm tem um centro de raio 5 cm. Uma seta que atinge o alvo em um ponto “ao acaso”, sem preferência por região nenhuma, tem que chance de acertar o centro? Não há casos para contar: há infinitos pontos. A fração passa a ser de áreas: π×202π×52=40025=161. É a probabilidade geométrica: a medida (comprimento, área ou volume) da região favorável dividida pela medida da região total, com a hipótese de que o ponto não prefere lugar nenhum.
O mesmo raciocínio com comprimentos: um ônibus passa a cada 15 minutos, e você chega ao ponto num instante qualquer, sem saber o horário. A chance de esperar no máximo 3 minutos é 153=51, a fração do intervalo em que a espera é curta. Quando a figura do item tiver um quadrado com um círculo inscrito e perguntar pela chance de um ponto cair no círculo, a resposta é (2r)2πr2=4π≈0,785, independentemente do raio.
Chance, probabilidade e porcentagem: a mesma coisa em três roupas
“A chance é de 1 em 6”, “a probabilidade é 61”, “cerca de 16,7%”: três maneiras de dizer o mesmo número, e a prova usa as três. Fração, decimal e porcentagem se convertem como sempre (61≈0,167=16,7%), e a comparação com um limiar (“superior a 7%”, “inferior a 0,6”) exige pôr os dois lados na mesma roupa. Há uma quarta forma, menos escolar: a razão de chances, “3 para 1”, que compara favoráveis com desfavoráveis em vez de favoráveis com o total; “3 para 1 contra o 6” significa 5 desfavoráveis para 1 favorável… e o leitor desatento troca 51 por 61. Em prova, fique com favoráveis sobre o total.
Dados, cartas e o jogo honesto
Um jogo é honesto quando o valor esperado do ganho é zero, o que acontece quando o prêmio é inversamente proporcional à chance: pagar 1 real para apostar num número do dado e receber 6 reais se ele sair é honesto (61×6=1); receber 5 reais é desfavorável ao apostador. As loterias oficiais pagam muito menos que o inverso da chance, e é assim que financiam prêmios e repasses. No baralho de 52 cartas, as chances de uma carta: um naipe, 5213=41; uma figura (valete, dama, rei), 5212=133; um ás, 524=131; ás ou figura, 5216=134 (sem sobreposição); figura ou copas, 5212+13−3=5222 (três figuras de copas na interseção).
Como a banca pergunta
Os 22 itens reais desta página (dois do PAS 2 e vinte do PAS 3) cabem em cinco formatos.
Fração de uma tabela, de um gráfico ou de uma figura, com limiar, tipo A (e, uma vez, tipo B): usuário na África ou nas Américas, 30,5% contra 32% (2008/64); G.1 que engravidou, 0,5 contra 0,55 (2014/108); G.3 ou G.4, 0,270 contra 0,28 (2014/107); renda média baixa, 0,5 contra 0,6 (2015/71); parda ou branca e renda média alta, 352 em resposta numérica (2015/72); caixas acima de 2 000 Hz, 33% contra 40% (2016/64); Tampa ou Monte Verde até 36 meses, 45,8% contra 40% (2017/63); regular ou não respondeu em duas pesquisas, 0,460 contra 0,47 (2010/45); a cadeira em P1, 6,25% contra 7% (2018/44); soma dos dois algarismos menor que 6, 21% contra 20% (2019/92). O trabalho é escolher o universo e as células certas; a conta é uma divisão.
Combinações nos dois andares, tipos A e B: pelo menos uma com sintomas, 0,642 contra 0,6 (2024/104); sete acordes em 35 trios (2023/77); quatro vértices colineares, 238 (2016/94); vacinas diferentes, 434 (2020/87); a expressão com 2803 (2017/64); três refugiados sem idioma comum, 52 (2021/50).
Produto de independentes, tipo A: três usuários na Ásia, 0,423 (2008/65); cavalo visível e cadeira entre P3 e P4, 84×163 (2018/43).
Genética como espaço amostral e produto, tipo B: 350 plantas rosa (2018/98); 25% para Marcos (2021/110); 27=128 (2008/107).
Resposta construída, tipo D: a tabela P(0),P(1),P(2) e a pizza (2024/105). Escreva as três probabilidades, confira que somam 1, converta cada uma em ângulo; cada passo certo vale crédito.
Dois avisos de formato. Primeiro, o item de probabilidade quase sempre vem pendurado numa tabela ou numa figura de outra disciplina (a pizza dos usuários de Internet, a tabela da clínica, a roda-gigante, o campo harmônico), e o dado que falta está lá: leia a tabela inteira antes de dividir. Segundo, nos itens de resposta numérica, o fator de escala (vezes 1 000, vezes 10 000, vezes 415) existe para a resposta caber em três algarismos; aplique-o por último e despreze a parte fracionária só no fim.
O limiar que não pune, e o que pune
O item de 2024 (0,642 contra 0,6) não derruba quem calcula “exatamente uma” (0,485) nem quem esquece o 1 na frente (0,358): os dois julgam “inferior a 0,6” como certo e erram. O de 2014 (0,5 contra 0,55) derruba quem usa o total de 3 200 no denominador (3200185=0,058) e quem usa 1 193 (1193185=0,155), e salva quem usa 370. A lição: o limiar fica onde o erro mais comum leva; escolha o denominador com a frase do enunciado, não com o maior número da tabela.
Os erros que mais derrubam
Favoráveis sobre possíveis num espaço que não é equiprovável. Onze somas, três resultados “0, 1 ou 2 verdes”: desça ao espaço em que todos os casos têm a mesma chance e conte lá.
Denominador errado na tabela. “Uma mulher do grupo G.1” fixa o denominador em 370; “uma mulher que engravidou”, em 1 193; “uma caixa com mais de 2 000 Hz”, em 6. O universo está na frase.
Somar sem descontar a interseção. Rei ou copas: 4+13−1. Só eventos que se excluem somam direto.
Multiplicar sem independência. Sem reposição, a segunda fração muda (83×72, não (83)2); 2803 no lugar de C280,3.
“Pelo menos um” pela frente, com casos esquecidos.1−P(nenhum); e não confundir “pelo menos um” com “nenhum” nem com “exatamente um”.
Dois andares com critérios diferentes. Duplas sem ordem sobre sequências ordenadas dá metade do valor; confira somando os casos até 1.
Probabilidade maior que 1, ou negativa.57, 120%, 0,6+0,5=1,1: a conta está errada em algum lugar, ou os eventos não se excluem.
Percentuais de bases diferentes somados. 45% de 2 000 e 44% de 2 200 não se somam como percentuais; converta em pessoas primeiro.
Independente confundido com exclusivo. Exclusivos com chance positiva nunca são independentes.
Fator de escala aplicado cedo demais, ou esquecido. Termine a fração, multiplique, só então despreze a parte fracionária.
“Ou” com mais de uma leitura. Se o conjunto favorável puder ser lido de dois jeitos, calcule os dois; a comparação da tabela do MATOPIBA empata numa das leituras.
O essencial em meia página
Vocabulário: experimento aleatório; espaço amostral S (todos os resultados); evento (subconjunto de S); impossível (∅), certo (S), elementar.
Clássica:P(A)=n(S)n(A)só com resultados equiprováveis. Dois dados: 36 pares; soma 7 em 6 deles. Duas moedas: 4 resultados. Dois algarismos: 100.
Contagem a serviço: sorteio simultâneo de k entre n, Cn,k embaixo e combinações em cima; ou produto sucessivo sem reposição (10060×9959). Os dois caminhos dão o mesmo número; mesmo critério nos dois andares.
Regras:0≤P≤1; P(S)=1; P(Aˉ)=1−P(A); a tabela de um espaço soma 1.
“Ou”:P(A∪B)=P(A)+P(B)−P(A∩B); soma simples só para mutuamente exclusivos. Percentuais de bases diferentes: converta em pessoas antes.
“Pelo menos um”:1−P(nenhum). Duas moedas: 43. Três dados sem 6: (65)3.
Frequentista:P≈nk; na tabela, a célula (ou a linha) sobre o total que a frase fixa. Grandes números: a frequência relativa se acomoda perto da probabilidade.
Não equiprovável: tabela de probabilidades medida num espaço mais fino; conferir a soma 1; pizza com ângulo p×360∘.
“E”:P(A∩B)=P(A)P(B) só para independentes (lançamentos, com reposição, gestações, componentes). Sem reposição, a segunda fração muda. Exclusivo não é independente.
Geométrica: razão de comprimentos ou áreas (centro do alvo, 161; círculo no quadrado, 4π).
Na prova: ache o universo na frase e o dado na tabela ou figura; escreva a fração; compare com o limiar na mesma roupa (fração, decimal ou porcentagem); fator de escala por último.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Probabilidade - Introdução - Parte 03 - Aula 71
Portal da Matemática OBMEP · 12:29
Introdução. O professor Josimar Silva (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP) define o que é uma probabilidade num espaço amostral finito, resolve um exemplo e termina definindo o espaço amostral não equiprovável: são as seções “Quando todos os resultados têm a mesma chance” e “Quando os resultados não têm a mesma chance” desta página, no ritmo de uma aula de 2.º ano.
Probabilidade - Introdução - Parte 02 - Aula 70
Portal da Matemática OBMEP · 7:59
Aprofundamento. Na mesma série, a aula apresenta a frequência relativa como caminho para a probabilidade quando não dá para listar casos equiprováveis: é a seção “Quando a chance vem de uma tabela: a probabilidade frequentista” desta página, com a ideia de que a fração se acomoda quando o número de repetições cresce.
Probabilidade da união de dois eventos - Matemática - Ensino Médio
Canal Futura · 8:38
Aprofundamento. Vídeo curto do Canal Futura sobre a regra do “ou”: a probabilidade da união é a soma das probabilidades menos a probabilidade de os dois eventos ocorrerem ao mesmo tempo, com o caso dos eventos mutuamente exclusivos: é a seção “‘Ou’: somar só quando não há sobreposição” desta página, com o diagrama de Venn desenhado.
Probabilidade em eventos dependentes e independentes | Ferretto+
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 28:12
Aplicação. O professor Ferretto resolve urnas com e sem reposição, dois cobradores de pênalti e uma equipe de enfermagem, mostrando quando as probabilidades se multiplicam e calculando “pelo menos um” pelo complementar: são as seções “‘E’: multiplicar só quando os eventos são independentes” e “‘Pelo menos um’: entre pela porta dos fundos” desta página. A parte sobre eventos dependentes antecipa a página de probabilidade condicional.
Probabilidade no ENEM | Questões resolvidas
Escola de Números com Thyago Araujo · 25:51
Resolução. Questões de probabilidade que já caíram no ENEM, resolvidas uma a uma (o sorteio entre seguidores de um perfil, de 2017, entre outras), com a identificação do espaço amostral e dos casos favoráveis em cada uma: é o treino da seção “Como a banca pergunta” desta página, no formato de múltipla escolha que complementa o julgamento Certo/Errado do PAS.
Antes de os dados caírem, ninguém sabe o resultado; mas todos sabem a lista dos 36 resultados possíveis e quanto vale cada um. Probabilidade é medir a chance antes de o acaso decidir.O espaço amostral dos dois dados: 36 pares igualmente prováveis. “Soma 7” ocupa 6 células (a diagonal), “soma menor que 6” ocupa 10. As onze somas possíveis não têm a mesma chance: 7 aparece 6 vezes, 2 e 12 só uma. Diagrama autoral.“Ou” no diagrama de Venn. Com sobreposição (rei ou copas), a soma conta a interseção duas vezes e é preciso descontá-la: 4+13−1=16. Sem sobreposição (rei ou dama), os eventos são mutuamente exclusivos e a soma simples vale: 4+4=8. Diagrama autoral.Frequência relativa de caras ao longo de 500 lançamentos simulados de uma moeda honesta. No começo a fração salta; com muitos lançamentos ela se acomoda perto de 0,5, a probabilidade clássica. É a ideia da lei dos grandes números, aqui só na forma qualitativa. Diagrama autoral.Ler a tabela de dupla entrada: o evento escolhe células, o universo escolhe o total. “Renda média baixa” é uma linha inteira sobre o total geral (602/1 204); “parda ou branca e renda média alta” são duas células de uma linha sobre o total geral (424/1 204). Diagrama autoral.Espaço amostral não equiprovável: três resultados com três chances diferentes, medidas no espaço das 28 duplas e organizadas em tabela. A pizza converte cada probabilidade em ângulo (p×360∘) e só fecha o círculo se a coluna somar 1. Diagrama autoral.A árvore multiplica ao longo do ramo. Moeda e dado são independentes e as frações do segundo nível não mudam: 21×61=121. Duas bolas sem reposição: a fração do segundo nível depende do que saiu no primeiro (72 depois de uma verde), e o produto 83×72=283 reproduz a tabela do espaço não equiprovável. Diagrama autoral.Uma urna com papéis de duas cores é o espaço amostral mais honesto que existe: cada papel tem a mesma chance, e a probabilidade de uma cor é a fração de papéis daquela cor.Lance uma moeda dez vezes e a fração de caras pode ser qualquer coisa; lance quinhentas e ela se acomoda perto de 0,5. É assim que a frequência relativa vira probabilidade.Um ensaio de vacina produz uma tabela: quem recebeu a dose, quem recebeu placebo, quem teve sintomas. Dessa tabela saem probabilidades prontas, e o único cuidado é escolher o total certo para o denominador.Rei ou copas: 4 reis mais 13 cartas de copas dá 17, mas o rei de copas foi contado duas vezes. São 16 cartas, e o desconto da interseção é a regra do “ou”.Dezesseis cabines, uma posição marcada: a chance de uma cabine estar ali num instante qualquer é 1 em 16. O carrossel ao lado para em posições que não dependem da roda, e o “e” entre os dois multiplica.Seis dezenas entre sessenta: uma aposta simples tem uma chance em 50 063 860. Jogar cem vezes muda pouco; o que muda a história são eventos repetidos muitas vezes, não eventos raríssimos.
Rota PAS 2
Contagem, probabilidade e estatística: decidir sob incerteza · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Contagem, probabilidade e estatística: decidir sob incerteza · Probabilidade: medir a chance de um evento (conceito, propriedades, complementar, armadilha, checagem); Leia como na prova: o bloco do MATOPIBA (item 53, anulado, e as leituras do "ou"); Como a banca cobra (itens 2024/104 e 2024/105); Resolvidos (item A de limiar: combinação e probabilidade); Exercícios 3, 4 e 14; Banco de treino T7, T8 e T22
Recorte por assunto: só a probabilidade simples. A contagem é a página anterior (analise-combinatoria); a condicional, a independência testada em tabela e a genética com condição ficam em probabilidade-condicional; a leitura de dados e as medidas de resumo, nas páginas de estatística. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números e ordem desta página são próprios.
Mapa de itens do bloco contagem / probabilidade / estatística do PAS 2 · Itens atribuídos a probabilidade: PAS 2 2024/104, 2024/105 (tipo D) e 2025/53 (anulado, só teoria); PAS 3 2008/64, 2008/65, 2008/107, 2010/45, 2014/107, 2014/108, 2015/71, 2015/72, 2016/64, 2016/94, 2017/63, 2017/64, 2018/43, 2018/44, 2018/98, 2019/92, 2020/87, 2021/50, 2021/110, 2023/77; 2009/112 (anulado) e 2021/49 (gabarito oficial em desacordo com a conta) ficam fora dos exercícios
Mapa vinculante; todos os itens marcados PR foram abertos na imagem do caderno (140 dpi) e as contas refeitas contra o gabarito oficial definitivo.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe), 2.ª e 3.ª etapas · PAS 2: 2024 (itens 104 e 105), 2025 (item 53, anulado). PAS 3: 2008 (itens 64, 65 e 107), 2010 (item 45), 2014 (itens 107 e 108), 2015 (itens 71 e 72), 2016 (itens 64 e 94), 2017 (itens 63 e 64), 2018 (itens 43, 44 e 98), 2019 (item 92), 2020 (item 87), 2021 (itens 50 e 110), 2023 (item 77)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB.txt e nas classificações (classificacao-pas2/, classificacao-pas3/). As tabelas e figuras impressas (pizza dos usuários de Internet de 2008, tabela da FIV de 2014, tabela raça × renda de 2015, caixas de som de 2016, bovinos por fazenda de 2017, roda-gigante de 2018, vacinas de 2020, refugiados de 2021, acordes de 2023) foram descritas em texto neutro no campo de apoio de cada questão.
Cadernos em PDF (figuras e textos-base dos itens) · 2024-PAS2 p. 12 (teste de vacina, itens 102–105 e a tabela e o círculo do item D); 2025-PAS2 parte 2 p. 4 (tabela do MATOPIBA, itens 51–54); 2008-PAS3 p. 9–12 (gráfico de pizza dos usuários de Internet; gameta de origem paterna); 2010-PAS3 p. 8 (tabela da avaliação da educação pública, 2006 e 2010); 2014-PAS3 p. 16 (tabela da FIV por faixa etária); 2015-PAS3 p. 10 (tabela raça × renda familiar do DF); 2016-PAS3 p. 9 e 13 (caixas de som; estrela de 5 pontas com 10 vértices); 2017-PAS3 p. 9 (tabela dos 1 200 bovinos por fazenda e idade); 2018-PAS3 p. 8 e 13 (roda-gigante de 16 cadeiras e carrossel de 8 cavalos; Glória-da-manhã); 2019-PAS3 p. 11 (código do candidato a deputado); 2020-PAS3 parte 2 p. 7 (tabela das 5 vacinas); 2021-PAS3 parte 2 p. 5 e 13 (tabela dos 150 refugiados; síndrome de Brugada); 2023-PAS3 p. 10 (tabela dos acordes do campo harmônico de mi maior)
Numeração impressa no rodapé do caderno (nos PDFs de 2008 a 2019 a página do arquivo é uma adiante). Páginas abertas a 140 dpi pelo escritor e reconferidas a 200 dpi na revisão; os dados impressos (percentuais da pizza, linhas das tabelas, 16 cadeiras com P1 a P4, 10 vértices e 5 segmentos de 4 pontos na estrela) foram lidos na imagem e transcritos nas questões.