Probabilidade condicional

Guia de estudo · Revisado em 04/10/2026

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A prova do PAS 2 de 2024 descreveu um teste de vacina com 100 pessoas, 50 vacinadas, 40 com sintomas (5 delas vacinadas), e afirmou que a probabilidade condicional P(A/B), com A = infectados e B = vacinados, valia 4/5; a resposta certa era 1/10. A prova do PAS 3 do mesmo ano deu que 89 % dos moradores de áreas urbanas e 72 % dos de áreas rurais têm celular e perguntou, de quem tem celular, qual a chance de morar na cidade. Por que uma informação nova muda a probabilidade, por que o denominador é o que muda, e como se inverte uma condicional sem nenhuma fórmula além de uma tabela de 1 000 pessoas?

O que você vai aprender

  • Reconhecer numa frase a condição ("dado que", "sabendo que", "entre os", "dos que", "se ... então") e escrever P(A|B) = P(A ∩ B)/P(B), identificando que o evento depois da barra é o novo espaço amostral e que o denominador deixa de ser o total.
  • Ler uma tabela de dupla entrada, um gráfico de setores ou uma tabela de frequências como fonte de condicionais: escolher a linha ou a coluna que a condição fixa, dividir a célula pelo total dessa linha ou coluna e distinguir P(A|B) de P(B|A) e de P(A ∩ B).
  • Aplicar a regra do produto P(A ∩ B) = P(B)·P(A|B) em experimentos de dois estágios, desenhando a árvore com as probabilidades condicionais nos ramos do segundo nível (sorteios sem reposição, exames com falso positivo, heredogramas) e conferindo que as folhas somam 1.
  • Testar independência pela conta (P(A|B) = P(A), ou P(A ∩ B) = P(A)·P(B)) em vez da intuição, e explicar por que eventos mutuamente exclusivos com probabilidade positiva nunca são independentes.
  • Calcular a probabilidade de um evento que pode acontecer por vários caminhos somando os ramos (probabilidade total) e inverter uma condicional (de P(exame positivo | doente) para P(doente | exame positivo)) com uma tabela de frequências naturais de 1 000 ou 10 000 pessoas, sem decorar a fórmula de Bayes.
  • Usar o quadro de Punnett como espaço amostral condicionado ("sabendo que o filho tem o fenótipo dominante, a chance de ser heterozigoto é 2/3") e resolver heredogramas de duas gerações pela árvore.
  • Ler censos e pesquisas (IBGE, ensaios clínicos) em que a condicional aparece disfarçada de taxa por grupo, e resolver os itens do PAS nos formatos A (limiar), B (resposta numérica) e C, evitando os erros clássicos: trocar o condicionante, usar o total no denominador, multiplicar sem independência e cair na falácia do promotor.

Em dezembro de 2024, a prova do PAS 2 descreveu um teste de vacina: 100 pessoas, metade vacinada e metade com placebo; 40 ficaram com sintomas, 5 delas vacinadas e 35 do grupo placebo. O item 102 chamou de AA o conjunto dos infectados e de BB o dos vacinados e afirmou que “a probabilidade condicional P(A/B)=4/5P(A/B) = 4/5”. Uma semana antes, a prova do PAS 3 tinha dado números do IBGE (89 % dos moradores de áreas urbanas e 72 % dos de áreas rurais têm celular), mandado supor que 85 % das pessoas moram na cidade, e perguntado: de alguém que tem celular, qual é a chance de morar numa área urbana? Os dois itens eram falsos (P(A/B)=1/10P(A/B) = 1/10; a chance do morador urbano é cerca de 87,5 %, e não os 3/173/17 que o item propunha), e os dois erram pelo mesmo motivo: trocar de que grupo a fração está sendo tirada.

Esta página é sobre isso: o que acontece com uma probabilidade quando chega uma informação. A probabilidade de um evento é uma fração de casos favoráveis sobre casos possíveis, ou uma frequência numa tabela; a probabilidade condicional é a mesma fração depois que alguém avisa “o resultado está em BB”. O aviso não muda o que aconteceu; muda o conjunto dos casos possíveis, que deixa de ser o espaço amostral inteiro e passa a ser BB. Tudo o que vem a seguir (a regra do produto, a árvore com dependência, o teste de independência, a probabilidade total, a inversão da condicional que os livros chamam de Bayes) é consequência dessa troca de denominador. Contar e medir a chance simples são os passos anteriores; o “e” dos eventos independentes, que a página anterior já usou, reaparece aqui como caso particular.

A informação troca o espaço amostral

Uma escola tem 300 estudantes, 180 do turno da manhã e 120 do turno da tarde. Uma pesquisa perguntou quem pratica esporte no contraturno: 90 da manhã e 30 da tarde responderam que sim. Organizando em tabela de dupla entrada:

pratica esporte não pratica total
manhã 90 90 180
tarde 30 90 120
total 120 180 300

Sorteado um estudante da escola, a chance de ele praticar esporte é 120300=0,40\dfrac{120}{300} = 0{,}40. Agora alguém diz: “o sorteado é da manhã”. Os casos possíveis deixam de ser 300 e passam a ser os 180 da linha da manhã; entre eles, 90 praticam esporte. A chance recalculada é 90180=0,50\dfrac{90}{180} = 0{,}50. Se a informação fosse “é da tarde”, a linha seria a de baixo: 30120=0,25\dfrac{30}{120} = 0{,}25. Três perguntas, três denominadores, três números, e nenhum deles está errado: cada um responde à sua pergunta.

Tabela de dupla entrada com as linhas manhã (90 praticam esporte, 90 não, total 180) e tarde (30, 90, total 120) e a linha de totais (120, 180, 300). À esquerda, a tabela inteira com a célula 90 da manhã destacada e a conta 90 sobre 300. No centro, só a linha da manhã está colorida, as demais células apagadas, com a conta 90 sobre 180 igual a 0,50 e o rótulo dado que é da manhã. À direita, só a coluna pratica esporte está colorida, com a conta 90 sobre 120 igual a 0,75 e o rótulo dado que pratica esporte.
A mesma célula, 90 estudantes, dividida por três totais diferentes. Sem informação, o denominador é a escola inteira (300). "Dado que é da manhã" apaga a linha da tarde e o denominador vira 180. "Dado que pratica esporte" apaga a coluna da direita e o denominador vira 120. Diagrama autoral.
Probabilidade condicional

Sejam AA e BB dois eventos do mesmo espaço amostral, com P(B)>0P(B) > 0. A probabilidade de AA dado BB (lê-se “probabilidade de AA, sabendo-se que BB aconteceu”, ou “de AA condicionada a BB”) é o quociente P(A∣B)=P(A∩B)P(B)P(A \mid B) = \dfrac{P(A \cap B)}{P(B)}, em que A∩BA \cap B designa a ocorrência simultânea de AA e de BB. A notação da prova é P(A/B)P(A/B), com barra inclinada; o significado é o mesmo. Num espaço amostral equiprovável a fórmula vira uma contagem,

P(A∣B)=n(A∩B)n(B),P(A \mid B) = \frac{n(A \cap B)}{n(B)},

porque as duas probabilidades da fração têm o mesmo denominador n(S)n(S), que se cancela. Na tabela: a célula de AA e BB dividida pelo total da linha (ou da coluna) de BB. A ordem importa: P(A∣B)P(A \mid B) e P(B∣A)P(B \mid A) têm o mesmo numerador e denominadores diferentes.

Dois diagramas de Venn lado a lado, cada um com dois círculos A e B que se sobrepõem dentro de um retângulo S. No da esquerda, intitulado antes da informação, os dois círculos estão coloridos e a interseção marcada A e B, com a legenda P de A igual a área de A sobre área de S. No da direita, intitulado dado que B ocorreu, tudo o que está fora de B ficou cinza, o círculo B tem contorno grosso, a parte de A fora de B é só um tracejado e a interseção A e B está pintada em cor forte, com a legenda P de A dado B igual a área de A e B sobre área de B.
A condição no diagrama de Venn: depois da informação "BB ocorreu", o que está fora de BB deixa de contar, BB vira o novo espaço amostral e P(A∣B)P(A \mid B) é a fatia de BB ocupada por A∩BA \cap B. Diagrama autoral.

Na escola, AA = pratica esporte e BB = é da manhã: P(A∩B)=90300P(A \cap B) = \dfrac{90}{300}, P(B)=180300P(B) = \dfrac{180}{300}, e P(A∣B)=90/300180/300=90180=0,50P(A \mid B) = \dfrac{90/300}{180/300} = \dfrac{90}{180} = 0{,}50, o mesmo número da contagem direta. Invertendo, P(B∣A)=90120=0,75P(B \mid A) = \dfrac{90}{120} = 0{,}75: entre os que praticam esporte, três quartos são da manhã. E P(A∩B)=90300=0,30P(A \cap B) = \dfrac{90}{300} = 0{,}30 é uma terceira coisa, a chance de o sorteado ser da manhã e praticar esporte, medida na escola inteira.

As palavras que anunciam uma condicional são várias e a prova usa todas: “dado que”, “sabendo que”, “se … então a probabilidade de”, “entre os”, “dos que”, “selecionado um estudante da manhã”, “caso tenha sido aplicada uma vacina do tipo X”. Em todas elas, o grupo nomeado é o novo espaço amostral.

Três frações com o mesmo 90 em cima

P(A∣B)=90180P(A \mid B) = \dfrac{90}{180}, P(B∣A)=90120P(B \mid A) = \dfrac{90}{120} e P(A∩B)=90300P(A \cap B) = \dfrac{90}{300} têm o mesmo numerador, e é por isso que se confundem. A conjunta mede os dois eventos juntos sobre o total; cada condicional mede a célula sobre o grupo da condição. O item 102 do PAS 2 de 2024 cobrou exatamente isso: com AA = infectados e BB = vacinados, P(A∣B)P(A \mid B) é 5 infectados entre os 50 vacinados, 550=110\dfrac{5}{50} = \dfrac{1}{10}. O 45\dfrac{4}{5} do enunciado não é nenhuma das três frações legítimas; é o quociente 4050\dfrac{40}{50}, os 40 sintomáticos da amostra inteira divididos pelos 50 vacinados, uma razão entre grupos diferentes, ou então 1−151 - \dfrac{1}{5}. Errado. Antes de dividir, diga em voz alta: “entre os … , quantos …?”

Na tabela: a condição escolhe a linha

A tabela de dupla entrada é a casa natural da condicional, e a prova a usa em três formas: a tabela impressa, a tabela em prosa (como o teste da vacina) e o gráfico de setores. O procedimento é o mesmo nas três: localize o grupo da condição, some o que ele contém, e divida a parte pedida por essa soma.

Exemplo resolvido 1: cinco vacinas (PAS 3 2020). Um grupo de 100 pessoas recebeu 100 doses de 5 vacinas, aplicadas ao acaso: Madivax (vírus inativado) 16 doses, Tembulax (vírus inativado) 36, Corentax (vetor viral) 17, Parilax (RNA) 14 e Difomax (subunidade proteica) 17. O item afirmou: “caso tenha sido aplicada em um indivíduo uma vacina do tipo vírus inativado, a probabilidade de a Tembulax ter sido a vacina aplicada é maior que 60 %”. A condição é o tipo, vírus inativado: duas vacinas, 16+36=5216 + 36 = 52 pessoas. A parte pedida, Tembulax, são 36 delas. P(Tembulax∣inativado)=3652=913≈0,692P(\text{Tembulax} \mid \text{inativado}) = \dfrac{36}{52} = \dfrac{9}{13} \approx 0{,}692, maior que 60 %. Certo. Conferência: sem a condição, a Tembulax seria 36100=36%\dfrac{36}{100} = 36\%; a informação “é de vírus inativado” quase dobrou a chance, porque tirou do espaço as 48 pessoas das outras três vacinas. Quem divide por 100 chega a 36 % e julga errado.

Exemplo resolvido 2: o barco de refugiados (PAS 3 2021). Num barco há 150 refugiados de cinco países, e cada um fala só os idiomas oficiais do seu: Gâmbia (inglês) 60, Lesoto (sesoto e inglês) 25, Angola (português) 10, Etiópia (amárico) 25, Camarões (francês e inglês) 30. “Se um indivíduo do barco não fala inglês, então a probabilidade de ele ser angolano é maior que 35 %.” A condição é “não fala inglês”: gambianos, lesotos e camaroneses falam; sobram Angola e Etiópia, 10+25=3510 + 25 = 35 pessoas. Angolanos entre elas: 10. P(angolano∣na˜o fala ingleˆs)=1035=27≈28,6%P(\text{angolano} \mid \text{não fala inglês}) = \dfrac{10}{35} = \dfrac{2}{7} \approx 28{,}6\%, que não passa de 35 %. Errado. O item foi construído para quem lê a condição pela metade: 35 pessoas não falam inglês, e “35 %” é o número que aparece se alguém confunde a contagem do grupo com a resposta.

Exemplo resolvido 3: a pizza dos continentes (PAS 3 2008). Um gráfico de setores distribuía os usuários de Internet em 2008 por continente: Ásia 42,0 %, Américas 26,5 %, Europa 26,0 %, África 4,0 %, Oceania 1,5 %. “Pelas informações do gráfico, conclui-se que a probabilidade de um usuário de Internet, selecionado ao acaso, estar na Europa, sabendo-se que ele não está na Ásia, é inferior a 0,47.” A condição é o complementar de uma fatia: “não está na Ásia” reúne 100−42=58%100 - 42 = 58\% dos usuários. A Europa inteira está dentro desse grupo, 26 %. P(Europa∣na˜o Aˊsia)=2658≈0,448<0,47P(\text{Europa} \mid \text{não Ásia}) = \dfrac{26}{58} \approx 0{,}448 < 0{,}47. Certo. Aqui não há tabela com linhas e colunas; a condição é uma soma de fatias, e a conta é a fatia pedida sobre essa soma. Conferência: as quatro fatias fora da Ásia somam 26,5+26,0+4,0+1,5=5826{,}5 + 26{,}0 + 4{,}0 + 1{,}5 = 58, e as quatro condicionais (0,4570{,}457, 0,4480{,}448, 0,0690{,}069, 0,0260{,}026) somam 1, como toda distribuição de probabilidades sobre o novo espaço.

Dois painéis com a tabela do teste de vacina do PAS 2 de 2024: linhas vacinados (5 com sintomas, 45 sem, total 50) e placebo (35, 15, 50), coluna de totais 40, 60, 100. No painel da esquerda, a linha dos vacinados está destacada e a célula 5 em cor forte, com a conta P de A dado B igual a 5 sobre 50 igual a um décimo. No painel da direita, a coluna com sintomas está destacada e a mesma célula 5 em cor forte, com a conta P de B dado A igual a 5 sobre 40 igual a um oitavo. Abaixo, a fração 4 sobre 5 riscada com a legenda não é nenhuma das duas.
O teste da vacina de 2024 como tabela. P(infectado∣vacinado)=5/50P(\text{infectado} \mid \text{vacinado}) = 5/50 lê a linha dos vacinados; P(vacinado∣infectado)=5/40P(\text{vacinado} \mid \text{infectado}) = 5/40 lê a coluna dos infectados. O 4/54/5 do item não sai de linha nem de coluna. Diagrama autoral.

Repare numa consequência que a prova gosta de testar: a condicional restringe o espaço, mas nunca muda os casos favoráveis que estão fora dele. Se a pergunta é “dado que é da tarde, qual a chance de ser da manhã?”, a resposta é 0: a condição e o evento se excluem. E se o evento contém a condição (“dado que pratica esporte na manhã, qual a chance de praticar esporte?”), a resposta é 1.

A regra do produto e a árvore com dependência

A definição P(A∣B)=P(A∩B)P(B)P(A \mid B) = \dfrac{P(A \cap B)}{P(B)} é uma fração; multiplicada em cruz, vira uma receita para a conjunta.

Regra do produto (probabilidade composta)

Para dois eventos com P(B)>0P(B) > 0,

P(A∩B)=P(B)⋅P(A∣B),P(A \cap B) = P(B) \cdot P(A \mid B),

lê-se: “a chance de os dois acontecerem é a chance do primeiro vezes a chance do segundo sabendo que o primeiro aconteceu”. Com três eventos, P(A∩B∩C)=P(A)⋅P(B∣A)⋅P(C∣A∩B)P(A \cap B \cap C) = P(A) \cdot P(B \mid A) \cdot P(C \mid A \cap B): cada fator é condicionado a tudo o que veio antes. Na árvore de probabilidades, cada nível depois do primeiro carrega condicionais, e a probabilidade de uma folha é o produto ao longo do ramo. As folhas somam 1.

Exemplo resolvido 4: a rifa sem reposição. Numa caixa há 10 cartões de uma rifa, 3 premiados e 7 em branco. Dois cartões são tirados em sequência, sem devolver o primeiro. No primeiro estágio, P(premiado)=310P(\text{premiado}) = \dfrac{3}{10} e P(branco)=710P(\text{branco}) = \dfrac{7}{10}. No segundo, a fração depende do que saiu: se o primeiro foi premiado, restam 9 cartões com 2 premiados, P(premiado∣premiado antes)=29P(\text{premiado} \mid \text{premiado antes}) = \dfrac{2}{9}; se o primeiro foi branco, restam 9 com 3 premiados, P(premiado∣branco antes)=39P(\text{premiado} \mid \text{branco antes}) = \dfrac{3}{9}. As quatro folhas:

ramo produto probabilidade
premiado, premiado 310⋅29\dfrac{3}{10} \cdot \dfrac{2}{9} 690\dfrac{6}{90}
premiado, branco 310⋅79\dfrac{3}{10} \cdot \dfrac{7}{9} 2190\dfrac{21}{90}
branco, premiado 710⋅39\dfrac{7}{10} \cdot \dfrac{3}{9} 2190\dfrac{21}{90}
branco, branco 710⋅69\dfrac{7}{10} \cdot \dfrac{6}{9} 4290\dfrac{42}{90}

Conferência: 6+21+21+42=906 + 21 + 21 + 42 = 90, as folhas somam 1. A chance de dois premiados é 690=115≈0,067\dfrac{6}{90} = \dfrac{1}{15} \approx 0{,}067; pelo caminho das combinações, C3,2C10,2=345=115\dfrac{C_{3,2}}{C_{10,2}} = \dfrac{3}{45} = \dfrac{1}{15}, o mesmo número. Quem multiplica 310⋅310=0,09\dfrac{3}{10} \cdot \dfrac{3}{10} = 0{,}09 está sorteando com reposição, um experimento diferente.

Diagrama de árvore com dois estágios para dois cartões tirados sem reposição de uma caixa com 3 premiados e 7 em branco. Do ponto inicial saem dois ramos, premiado com 3 décimos e branco com 7 décimos. Do ramo premiado saem premiado com 2 nonos e branco com 7 nonos; do ramo branco saem premiado com 3 nonos e branco com 6 nonos. As quatro folhas trazem os produtos 6 sobre 90, 21 sobre 90, 21 sobre 90 e 42 sobre 90, com a soma 90 sobre 90 igual a 1 ao lado. As duas folhas em que o segundo cartão é premiado estão destacadas, com a soma 27 sobre 90 igual a 3 décimos e o rótulo probabilidade total.
A árvore sem reposição: as frações do segundo nível são condicionais e mudam conforme o ramo (2/92/9 depois de um premiado, 3/93/9 depois de um branco). Cada folha é o produto do ramo; as folhas somam 1. As duas folhas destacadas somam a probabilidade total de o segundo cartão ser premiado: 3/103/10, a mesma do primeiro. Diagrama autoral.

A árvore tem uma vantagem sobre a fórmula: ela mostra todos os caminhos, e por isso responde perguntas que a fórmula sozinha esconde. Qual é a chance de o segundo cartão ser premiado? Há dois caminhos que terminam em “premiado” no segundo estágio: premiado-premiado (690\dfrac{6}{90}) e branco-premiado (2190\dfrac{21}{90}). Somando, 2790=310\dfrac{27}{90} = \dfrac{3}{10}: a mesma chance do primeiro cartão. Não é coincidência; sem informação sobre o primeiro sorteio, o segundo cartão é um cartão qualquer entre 10, e 3 são premiados. A ordem dos sorteios não cria vantagem para ninguém, o que é a razão de a rifa ser justa.

Sem reposição é a regra, não a exceção

Cartas de um baralho, nomes de uma lista, pessoas de uma turma, peças de um lote inspecionadas uma a uma: quase todo sorteio real é sem reposição, e a segunda fração depende da primeira. O produto simples P(A)⋅P(B)P(A) \cdot P(B) só vale para o que não se influencia: lançamentos de dados e moedas, gestações, sorteios com reposição (o cartão volta para a caixa) e populações tão grandes que tirar um indivíduo não muda a fração dos outros. Num ensaio com 100 pessoas, tirar uma muda o resto de 100 para 99; num país de 200 milhões, não muda nada que importe.

Independência é um teste de conta, não de intuição

Na escola dos 300, a informação “é da manhã” mudou a chance de praticar esporte de 0,40 para 0,50. Houve informação de fato: turno e esporte estão ligados nessa escola. Agora outra pergunta da mesma pesquisa: 60 estudantes usam óculos, 36 da manhã e 24 da tarde. Sorteado um estudante, P(oˊculos)=60300=0,20P(\text{óculos}) = \dfrac{60}{300} = 0{,}20. Dado que é da manhã: 36180=0,20\dfrac{36}{180} = 0{,}20. Dado que é da tarde: 24120=0,20\dfrac{24}{120} = 0{,}20. A informação sobre o turno não mudou nada. Turno e óculos são independentes nessa escola.

Independência pela condicional

Dois eventos AA e BB, com probabilidades positivas, são independentes quando saber que um ocorreu não altera a chance do outro:

P(A∣B)=P(A)⟺P(A∩B)=P(A)⋅P(B)⟺P(B∣A)=P(B).P(A \mid B) = P(A) \qquad \Longleftrightarrow \qquad P(A \cap B) = P(A) \cdot P(B) \qquad \Longleftrightarrow \qquad P(B \mid A) = P(B).

As três igualdades são equivalentes (basta substituir P(A∩B)=P(B)⋅P(A∣B)P(A \cap B) = P(B) \cdot P(A \mid B) na do meio). Se qualquer uma delas falhar, os eventos são dependentes, e a conjunta tem de ser calculada pela regra do produto com a condicional de verdade. Eventos mutuamente exclusivos com probabilidades positivas nunca são independentes: P(A∣B)=0≠P(A)P(A \mid B) = 0 \ne P(A). Saber que um aconteceu é saber que o outro não aconteceu, e isso é muita informação.

O teste é sempre o mesmo: compare a condicional com a probabilidade sem condição. Esporte: P(A∣manha˜)=0,50≠0,40=P(A)P(A \mid \text{manhã}) = 0{,}50 \ne 0{,}40 = P(A), dependentes. Óculos: 0,20=0,200{,}20 = 0{,}20, independentes. Pelo produto dá no mesmo: esporte e manhã, P(A)⋅P(B)=0,40×0,60=0,24P(A) \cdot P(B) = 0{,}40 \times 0{,}60 = 0{,}24 contra P(A∩B)=90300=0,30P(A \cap B) = \dfrac{90}{300} = 0{,}30, diferentes; óculos e manhã, 0,20×0,60=0,120{,}20 \times 0{,}60 = 0{,}12 contra 36300=0,12\dfrac{36}{300} = 0{,}12, iguais.

Duas observações sobre o que a independência não é. Primeira: ela não é uma propriedade dos temas (“turno não tem nada a ver com esporte”) e sim dos números; numa outra escola, a mesma pergunta pode dar outro resultado. Segunda: ela não é simetria de tamanhos. Na tabela dos óculos, a manhã tem mais usuários de óculos (36) que a tarde (24), e mesmo assim os eventos são independentes, porque a manhã tem mais estudantes na mesma proporção. O que se compara é a fração dentro de cada grupo, nunca a contagem.

Um ensaio de vacina é um teste de independência disfarçado. No teste de 2024, P(sintomas∣vacinado)=550=0,10P(\text{sintomas} \mid \text{vacinado}) = \dfrac{5}{50} = 0{,}10 e P(sintomas∣placebo)=3550=0,70P(\text{sintomas} \mid \text{placebo}) = \dfrac{35}{50} = 0{,}70; sem condição, P(sintomas)=40100=0,40P(\text{sintomas}) = \dfrac{40}{100} = 0{,}40. As três são diferentes: vacina e sintomas são dependentes, e no sentido bom, a vacina reduziu o risco. A razão entre os dois riscos, 0,100,70=17\dfrac{0{,}10}{0{,}70} = \dfrac{1}{7}, diz que o vacinado adoeceu sete vezes menos; a redução relativa, 1−17≈86%1 - \dfrac{1}{7} \approx 86\%, é o número que os ensaios clínicos chamam de eficácia. Se os dois riscos fossem iguais, a vacina não teria feito diferença, e “ser vacinado” e “adoecer” seriam independentes. O cotidiano que a matriz do PAS pede (decidir se um tratamento ou um método vale a pena) é a comparação de duas condicionais.

Supor independência porque dá menos trabalho

“Dois estudantes sorteados; a chance de os dois praticarem esporte é 0,4×0,4=0,160{,}4 \times 0{,}4 = 0{,}16.” Só se o sorteio fosse com reposição. Sem reposição, 120300×119299≈0,159\dfrac{120}{300} \times \dfrac{119}{299} \approx 0{,}159, e a diferença é pequena porque a escola é grande. Com 10 cartões, 310×29≈0,067\dfrac{3}{10} \times \dfrac{2}{9} \approx 0{,}067 contra 0,090{,}09, e a diferença decide um item de limiar. O reflexo certo: pergunte se o segundo sorteio acontece no mesmo conjunto do primeiro. Se o conjunto mudou, a segunda fração é uma condicional.

Somar os ramos: a probabilidade total

A rifa já mostrou o padrão: um evento do segundo estágio pode acontecer por vários caminhos, e a sua probabilidade é a soma das folhas que terminam nele. Esse procedimento tem nome e uma forma geral.

Probabilidade total

Se o espaço amostral está dividido em grupos B1,B2,…,BkB_1, B_2, \ldots, B_k que não se sobrepõem e cobrem tudo (todo resultado está em exatamente um deles), então, para qualquer evento AA,

P(A)=P(B1)⋅P(A∣B1)+P(B2)⋅P(A∣B2)+⋯+P(Bk)⋅P(A∣Bk).P(A) = P(B_1) \cdot P(A \mid B_1) + P(B_2) \cdot P(A \mid B_2) + \cdots + P(B_k) \cdot P(A \mid B_k).

Lê-se: “a chance de AA é a média das chances de AA em cada grupo, pesada pelo tamanho de cada grupo”. Cada parcela é um ramo da árvore; a soma percorre todos os ramos que chegam a AA.

Exemplo resolvido 5: quem tem celular (PAS 3 2024). O IBGE informou que, em 2022, 89,0 % dos moradores de áreas urbanas e 72,0 % dos de áreas rurais tinham celular. Supondo, como o item mandou, que 85 % das pessoas morem em área urbana e 15 % em área rural, qual é a fração de pessoas com celular? Dois grupos, dois ramos: P(celular)=0,85×0,89+0,15×0,72=0,7565+0,1080=0,8645P(\text{celular}) = 0{,}85 \times 0{,}89 + 0{,}15 \times 0{,}72 = 0{,}7565 + 0{,}1080 = 0{,}8645, cerca de 86,5 %. Conferência: o resultado tem de ficar entre 72 % e 89 %, e mais perto de 89 % porque o grupo urbano é maior. Fica. O IBGE publicou 85 % para a população inteira com mais de 10 anos; a diferença vem da hipótese de 85 % de moradores urbanos que o item escolheu, não de erro de conta.

Na escola: P(esporte)=P(manha˜)⋅P(esporte∣manha˜)+P(tarde)⋅P(esporte∣tarde)=0,60×0,50+0,40×0,25=0,30+0,10=0,40P(\text{esporte}) = P(\text{manhã}) \cdot P(\text{esporte} \mid \text{manhã}) + P(\text{tarde}) \cdot P(\text{esporte} \mid \text{tarde}) = 0{,}60 \times 0{,}50 + 0{,}40 \times 0{,}25 = 0{,}30 + 0{,}10 = 0{,}40, que é 120300\dfrac{120}{300}, como tem de ser. A probabilidade total é a maneira de reconstruir a coluna de totais a partir das linhas.

Inverter a condicional: Bayes com uma tabela de 1 000 pessoas

A pergunta que o item do IBGE fez de verdade não era “quem tem celular?”, e sim o contrário: “se uma pessoa tem celular, qual é a chance de ela morar na área urbana?”. Os dados vêm numa direção (P(celular∣urbana)=0,89P(\text{celular} \mid \text{urbana}) = 0{,}89) e a pergunta vai na outra (P(urbana∣celular)P(\text{urbana} \mid \text{celular})). Inverter uma condicional é o problema mais importante desta página, e o mais fácil de errar: a tentação é responder 0,890{,}89, ou “85 %”, sem perceber que a condição trocou de lado.

O método que nunca falha é contar pessoas. Imagine 1 000 pessoas. Moram na cidade 850850; têm celular 0,89×850=756,50{,}89 \times 850 = 756{,}5. Moram no campo 150150; têm celular 0,72×150=1080{,}72 \times 150 = 108. Pessoas com celular: 756,5+108=864,5756{,}5 + 108 = 864{,}5. Das pessoas com celular, moram na cidade 756,5756{,}5. Logo

P(urbana∣celular)=756,5864,5=1 5131 729≈0,875.P(\text{urbana} \mid \text{celular}) = \frac{756{,}5}{864{,}5} = \frac{1\,513}{1\,729} \approx 0{,}875.

O item afirmou 317≈0,176\dfrac{3}{17} \approx 0{,}176. Errado, e por muito: entre quem tem celular, quase 9 em 10 moram na cidade, porque a cidade é maior e tem mais celulares por pessoa. Conferência: a resposta tem de ser maior que 85 % (a informação “tem celular” favorece o grupo urbano, que tem mais celulares) e menor que 1. 0,8750{,}875 cabe.

Inversão da condicional (teorema de Bayes)

Com P(A)>0P(A) > 0 e P(B)>0P(B) > 0,

P(B∣A)=P(A∩B)P(A)=P(B)⋅P(A∣B)P(A),P(B \mid A) = \frac{P(A \cap B)}{P(A)} = \frac{P(B) \cdot P(A \mid B)}{P(A)},

e o denominador P(A)P(A) se calcula pela probabilidade total, somando os ramos. Lê-se: “a chance de BB dado AA é a fatia do ramo BB-e-AA dentro de todos os ramos que chegam a AA”. A fórmula é a árvore lida de trás para a frente, e a maneira mais segura de aplicá-la é uma tabela de frequências naturais: escolha um total redondo (1 000 ou 10 000), distribua pelos grupos, dentro de cada grupo distribua pelo evento, e divida a célula pelo total da coluna do evento.

Exemplo resolvido 6: o exame com falso positivo. Uma doença atinge 2 % da população. Um exame detecta a doença em 90 % dos doentes (sensibilidade) e dá resultado negativo em 95 % dos saudáveis (especificidade), isto é, 5 % dos saudáveis recebem um falso positivo. Uma pessoa sorteada da população faz o exame e o resultado é positivo. Qual é a chance de ela estar doente?

Com 1 000 pessoas: doentes, 0,02×1 000=200{,}02 \times 1\,000 = 20; saudáveis, 980980. Entre os 20 doentes, 0,90×20=180{,}90 \times 20 = 18 positivos e 2 negativos. Entre os 980 saudáveis, 0,05×980=490{,}05 \times 980 = 49 positivos e 931931 negativos. Positivos no total: 18+49=6718 + 49 = 67. Doentes entre os positivos:

P(doente∣positivo)=1867≈0,27.P(\text{doente} \mid \text{positivo}) = \frac{18}{67} \approx 0{,}27.

Um exame que acerta 90 % dos doentes e 95 % dos saudáveis deixa quem recebe um positivo com uma chance de só 27 % de estar doente. Não há erro: a doença é rara, e os 5 % de falsos positivos de um grupo enorme (49 pessoas) pesam mais que os 90 % de acertos de um grupo pequeno (18 pessoas). Conferência: se a doença fosse comum (prevalência 50 %), seriam 450 positivos verdadeiros contra 25 falsos, e P(doente∣positivo)≈0,95P(\text{doente} \mid \text{positivo}) \approx 0{,}95. A chance depois do exame depende da chance antes dele.

Diagrama em árvore com frequências naturais a partir de 1 000 pessoas. O nó inicial 1 000 se divide em 20 doentes e 980 saudáveis. Os 20 doentes se dividem em 18 exame positivo e 2 exame negativo; os 980 saudáveis se dividem em 49 exame positivo e 931 exame negativo. As duas caixas de exame positivo, 18 e 49, estão destacadas e ligadas por uma chave a uma conta à direita: 18 sobre 18 mais 49 igual a 18 sobre 67, aproximadamente 27 por cento. Abaixo, uma barra horizontal com 67 unidades, 18 em cor forte e 49 em cor fraca, mostrando a proporção.
Bayes sem fórmula: 1 000 pessoas, 2 % doentes, 90 % de sensibilidade, 5 % de falsos positivos. Entre os 67 positivos, só 18 estão doentes: 18/67≈27%18/67 \approx 27\%. A doença rara faz os falsos positivos do grupo grande superarem os acertos do grupo pequeno. Diagrama autoral.

Pela fórmula, o mesmo número: P(doente∣positivo)=0,02×0,900,02×0,90+0,98×0,05=0,0180,018+0,049=0,0180,067≈0,27P(\text{doente} \mid \text{positivo}) = \dfrac{0{,}02 \times 0{,}90}{0{,}02 \times 0{,}90 + 0{,}98 \times 0{,}05} = \dfrac{0{,}018}{0{,}018 + 0{,}049} = \dfrac{0{,}018}{0{,}067} \approx 0{,}27. A tabela e a fórmula são a mesma conta; a tabela tem a vantagem de deixar visíveis as 49 pessoas que a intuição esquece.

A falácia do promotor

“A chance de um inocente ter esse perfil é de 1 em 100 000; logo, a chance de o réu ser inocente é de 1 em 100 000.” A primeira frase é P(perfil∣inocente)P(\text{perfil} \mid \text{inocente}); a segunda, P(inocente∣perfil)P(\text{inocente} \mid \text{perfil}), e as duas não são a mesma coisa. Numa cidade de 2 milhões de pessoas, 1 em 100 000 significa cerca de 20 inocentes com o perfil, além do culpado: entre os 21 que combinam, a chance de um deles, escolhido só pelo perfil, ser o culpado é de cerca de 121\dfrac{1}{21}, não de 99,999 %. É o exame com falso positivo em outra roupa: a evidência é rara entre os inocentes, mas os inocentes são muitos. Toda vez que uma frase com “dado que” for virada ao contrário, refaça a tabela.

Exames de triagem e a segunda opinião

Programas de rastreamento (mamografia, teste do pezinho, testes rápidos) trabalham com doenças raras na população testada, e por isso a maioria dos positivos de triagem é falsa; o protocolo é sempre confirmar com um segundo exame, mais específico. A conta muda quando a pessoa já tem sintomas ou histórico: a prevalência no grupo dela é maior, e o mesmo resultado positivo passa a valer mais. Entender P(doente∣positivo)P(\text{doente} \mid \text{positivo}) é o que separa um susto de uma decisão, e é o motivo de a matriz do PAS citar escolhas com risco probabilístico como aplicação.

Quando a banca escreve Bayes: o classificador de vídeos (PAS 3 2022)

Em 2022, a prova do PAS 3 descreveu um classificador do tipo naive Bayes: 28 vídeos foram analisados, 16 classificados como contendo discurso de ódio (DODO) e 12 como não contendo (∼ ⁣DO\sim\!DO), e uma tabela registrou quantas vezes cada uma de dez palavras-chave, P1P_1 a P10P_{10}, apareceu em cada classe (totais de 40 ocorrências nos vídeos sem discurso de ódio e 50 nos com). Para um vídeo novo em que só apareceu a palavra P2P_2 (3 ocorrências na classe ∼ ⁣DO\sim\!DO, 2 na classe DODO), o enunciado mostrou as duas contas:

P(∼ ⁣DO∣P2)=P(P2∣∼ ⁣DO)⋅P(∼ ⁣DO)P(P2)=340⋅1228590=81140,P(DO∣P2)=250⋅1628590=72175,P(\sim\!DO \mid P_2) = \frac{P(P_2 \mid \sim\!DO) \cdot P(\sim\!DO)}{P(P_2)} = \frac{\frac{3}{40} \cdot \frac{12}{28}}{\frac{5}{90}} = \frac{81}{140}, \qquad P(DO \mid P_2) = \frac{\frac{2}{50} \cdot \frac{16}{28}}{\frac{5}{90}} = \frac{72}{175},

e concluiu que o vídeo deve ser classificado como sem discurso de ódio, porque a primeira é maior. É exatamente a inversão da seção anterior: P(palavra∣classe)P(\text{palavra} \mid \text{classe}) é a célula da tabela sobre o total da classe (3 de 40; 2 de 50); P(classe)P(\text{classe}) é a fração de vídeos (12 e 16 de 28); e P(P2)=590P(P_2) = \dfrac{5}{90} é a frequência da palavra entre todas as 90 ocorrências. Conferência das contas do enunciado: 340⋅1228=361 120\dfrac{3}{40} \cdot \dfrac{12}{28} = \dfrac{36}{1\,120}, dividido por 590\dfrac{5}{90} dá 36×901 120×5=3 2405 600=81140\dfrac{36 \times 90}{1\,120 \times 5} = \dfrac{3\,240}{5\,600} = \dfrac{81}{140}; e 250⋅1628=321 400\dfrac{2}{50} \cdot \dfrac{16}{28} = \dfrac{32}{1\,400}, vezes 905\dfrac{90}{5}, 2 8807 000=72175\dfrac{2\,880}{7\,000} = \dfrac{72}{175}. Batem. (As duas não somam exatamente 1, 0,579+0,411=0,990{,}579 + 0{,}411 = 0{,}99, porque o denominador comum 590\dfrac{5}{90} é uma estimativa da frequência da palavra; para classificar, basta comparar os numeradores.)

Os três itens pendurados nesse texto usam a tabela de três maneiras.

  • Item 114 (certo): “a probabilidade de o vídeo conter discurso de ódio e nele estiver contida a palavra P5P_5 é 4/504/50”. P5P_5 aparece 4 vezes nos 50 registros da classe DODO, e 450\dfrac{4}{50} é a célula que o classificador usa como P(P5∣DO)P(P_5 \mid DO): a frequência da palavra dentro da classe. O gabarito oficial julgou o item certo com essa leitura. Vale notar que a frase, lida à risca, descreve uma conjunta, e a conjunta seria P(P5∣DO)⋅P(DO)=450⋅1628≈0,046P(P_5 \mid DO) \cdot P(DO) = \dfrac{4}{50} \cdot \dfrac{16}{28} \approx 0{,}046; em prova, a leitura que vale é a da tabela do classificador, e o número 450\dfrac{4}{50} está nela.
  • Item 115 (certo): “um vídeo que contém as palavras P1P_1, P4P_4 e P6P_6 será classificado como um vídeo que contém discurso de ódio”. O método naive (“ingênuo”) supõe as palavras independentes dentro de cada classe e multiplica as condicionais. Classe ∼ ⁣DO\sim\!DO: 740⋅540⋅240⋅1228=7064 000⋅1228≈0,00047\dfrac{7}{40} \cdot \dfrac{5}{40} \cdot \dfrac{2}{40} \cdot \dfrac{12}{28} = \dfrac{70}{64\,000} \cdot \dfrac{12}{28} \approx 0{,}00047. Classe DODO: 450⋅750⋅650⋅1628=168125 000⋅1628≈0,00077\dfrac{4}{50} \cdot \dfrac{7}{50} \cdot \dfrac{6}{50} \cdot \dfrac{16}{28} = \dfrac{168}{125\,000} \cdot \dfrac{16}{28} \approx 0{,}00077. O denominador P(P1∩P4∩P6)P(P_1 \cap P_4 \cap P_6) aparece igual nas duas frações e não precisa ser calculado; 0,00077>0,000470{,}00077 > 0{,}00047, discurso de ódio. Certo.
  • Item 116 (errado): “a probabilidade de o vídeo não conter discurso de ódio e nele estiverem contidas as palavras P5P_5, P8P_8 e P9P_9 é superior a 2 %”. Mesmo produto na classe ∼ ⁣DO\sim\!DO: 940⋅440⋅540⋅1228=18064 000⋅1228≈0,0012\dfrac{9}{40} \cdot \dfrac{4}{40} \cdot \dfrac{5}{40} \cdot \dfrac{12}{28} = \dfrac{180}{64\,000} \cdot \dfrac{12}{28} \approx 0{,}0012, cerca de 0,12 %. Mesmo sem o fator 1228\dfrac{12}{28}, o produto das três frações dá 0,0028=0,28%0{,}0028 = 0{,}28\%, longe dos 2 %. Errado em qualquer leitura.

O que esse bloco ensina para além do item: a palavra independentes no texto-base não era enfeite. A multiplicação das condicionais de várias palavras só é legítima sob a hipótese de independência dentro da classe; é por isso que o método se chama ingênuo. A prova deu a hipótese; o candidato só precisou usá-la.

Genética: o quadro de Punnett com condição

A matriz do PAS 2 cita a genética mendeliana como aplicação de probabilidade, e a primeira lei de Mendel é, para esta página, um espaço amostral de quatro resultados equiprováveis. Nas ervilhas de Mendel, o alelo AA (semente amarela) domina o alelo aa (semente verde). No cruzamento de duas plantas heterozigotas, Aa×AaAa \times Aa, cada planta manda um alelo com chance 12\dfrac{1}{2}, e o quadro de Punnett lista AAAA, AaAa, aAaA e aaaa, cada um com 14\dfrac{1}{4}. Fenótipos: amarela (AAAA, AaAa, aAaA) com 34\dfrac{3}{4}; verde (aaaa) com 14\dfrac{1}{4}. A chance de uma semente amarela ser heterozigota, sem mais informação, é 24=12\dfrac{2}{4} = \dfrac{1}{2}.

Agora a condição. Uma semente dessa geração é escolhida e é amarela. Qual é a chance de ela ser heterozigota? O espaço amostral deixou de ter 4 casos: a informação “amarela” eliminou o aaaa, e sobraram 3 casos, AAAA, AaAa e aAaA, ainda equiprováveis. Dois deles são heterozigotos:

P(Aa∣amarela)=P(Aa∩amarela)P(amarela)=2/43/4=23.P(Aa \mid \text{amarela}) = \frac{P(Aa \cap \text{amarela})}{P(\text{amarela})} = \frac{2/4}{3/4} = \frac{2}{3}.

Não é 12\dfrac{1}{2}. A informação sobre o fenótipo encolheu o quadro de quatro para três células, e a fração mudou.

Dois quadros de Punnett lado a lado para o cruzamento Aa por Aa, com os alelos A e a nas margens. No quadro da esquerda, as quatro células AA, Aa, aA e aa estão todas coloridas, a célula aa em outro tom, com a legenda 4 casos, P de Aa igual a 2 sobre 4. No quadro da direita, a célula aa está riscada e apagada, as três restantes coloridas e as duas heterozigotas destacadas, com a legenda dado que é amarela: 3 casos, P de Aa igual a 2 sobre 3.
O quadro de Punnett de Aa×AaAa \times Aa antes e depois da informação. Sem condição, 4 casos e P(Aa)=2/4P(Aa) = 2/4. Sabendo que a semente é amarela, a célula aaaa sai do espaço amostral: 3 casos e P(Aa∣amarela)=2/3P(Aa \mid \text{amarela}) = 2/3. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 7: aconselhamento genético. Uma doença de herança autossômica recessiva se manifesta só em quem tem genótipo aaaa. Um casal sem a doença tem um filho afetado. (a) Qual é a chance de o próximo filho ter a doença? (b) Sabendo que o próximo filho nasceu sem a doença, qual é a chance de ele ser portador (AaAa)? © Qual é a chance de dois próximos filhos nascerem ambos sem a doença?

(a) O filho afetado é aaaa e recebeu um aa de cada pai; como os pais não têm a doença, os dois são AaAa. Cada gestação é um cruzamento Aa×AaAa \times Aa: P(aa)=14P(aa) = \dfrac{1}{4}. O filho afetado já nascido não muda a chance dos próximos (gestações são independentes); ele só serviu para descobrir os genótipos dos pais. (b) “Nasceu sem a doença” é a condição: 3 casos, 2 heterozigotos, 23\dfrac{2}{3}. © Gestações independentes, cada uma com chance 34\dfrac{3}{4} de filho sem a doença: 34×34=916\dfrac{3}{4} \times \dfrac{3}{4} = \dfrac{9}{16}. A chance de pelo menos um dos dois ter a doença é o complementar, 1−916=7161 - \dfrac{9}{16} = \dfrac{7}{16}. Conferência: (b) pela fórmula, P(Aa∣na˜o aa)=2/43/4=23P(Aa \mid \text{não } aa) = \dfrac{2/4}{3/4} = \dfrac{2}{3}; © os quatro resultados de duas gestações (doente-doente 116\dfrac{1}{16}, doente-sadio 316\dfrac{3}{16}, sadio-doente 316\dfrac{3}{16}, sadio-sadio 916\dfrac{9}{16}) somam 1.

A árvore resolve também os heredogramas de duas gerações. Se um avô é AaAa para uma doença autossômica dominante (quem tem o alelo AA manifesta a doença) e a avó é aaaa, cada filho recebe o AA com chance 12\dfrac{1}{2}; se o filho recebeu, cada neto recebe com chance 12\dfrac{1}{2}. Ao longo do ramo, a chance de um neto ter a doença sem nenhuma outra informação é 12×12=14\dfrac{1}{2} \times \dfrac{1}{2} = \dfrac{1}{4}. Mas se o pai do neto for examinado e tiver a doença, a condição fixa o primeiro ramo e a chance do neto sobe para 12\dfrac{1}{2}; se o pai não tiver, cai para 0. A informação sobre a geração do meio reescreve a árvore.

Censos e pesquisas: a condicional disfarçada de taxa

Quase toda taxa de um censo ou de uma pesquisa é uma probabilidade condicional com outro nome. “Taxa de desocupação” é a fração de desocupados entre as pessoas na força de trabalho, e não entre todos os habitantes: a condição é estar procurando emprego ou empregado. “Mortalidade infantil” conta mortes entre os nascidos vivos do ano. “89 % dos moradores de áreas urbanas têm celular” é P(celular∣urbana)P(\text{celular} \mid \text{urbana}). Ler o denominador de cada taxa é o mesmo exercício de identificar a condição numa frase.

Exemplo resolvido 8: os municípios do MATOPIBA. A tabela que a prova do PAS 2 de 2025 extraiu de um texto sobre o cerrado dividia a região entre os quatro estados que a formam: Maranhão 143 municípios (33 % do território), Tocantins 130 (38 %), Piauí 33 (11 %) e Bahia 30 (18 %), total 336. (a) Sorteado um município da região, sabendo que ele é do Maranhão ou da Bahia, qual é a chance de ser baiano? (b) Sorteados dois municípios, um depois do outro, qual é a chance de o segundo ser baiano sabendo que o primeiro foi? © Qual é a chance de os dois serem baianos?

(a) A condição reúne 143+30=173143 + 30 = 173 municípios; baianos entre eles, 30: 30173≈0,173\dfrac{30}{173} \approx 0{,}173. Os percentuais de área não entram, porque o sorteio é de municípios, não de hectares. (b) Sem reposição, restam 335 municípios com 29 baianos: 29335≈0,087\dfrac{29}{335} \approx 0{,}087, um pouco abaixo da chance do primeiro (30336≈0,089\dfrac{30}{336} \approx 0{,}089). © Regra do produto: 30336×29335=870112 560≈0,0077\dfrac{30}{336} \times \dfrac{29}{335} = \dfrac{870}{112\,560} \approx 0{,}0077; pelas combinações, C30,2C336,2=43556 280\dfrac{C_{30,2}}{C_{336,2}} = \dfrac{435}{56\,280}, o mesmo valor. Conferência: (a) a chance sem condição, 30336≈0,089\dfrac{30}{336} \approx 0{,}089, é menor que 0,1730{,}173; a informação “Maranhão ou Bahia” descartou 163 municípios que não eram baianos e nenhum que era, então a chance tinha de subir.

Dois paradoxos que só a condicional resolve

Os dois filhos. Uma família tem dois filhos. Sabendo que pelo menos um é menino, qual é a chance de os dois serem meninos? O espaço amostral das duas crianças, em ordem de nascimento, é {MM,MF,FM,FF}\{MM, MF, FM, FF\}, com 14\dfrac{1}{4} cada. A informação elimina FFFF; restam três casos, um favorável: 13\dfrac{1}{3}, e não 12\dfrac{1}{2}. Se a informação fosse “o mais velho é menino”, restariam MMMM e MFMF, e a resposta seria 12\dfrac{1}{2}. Duas frases parecidas, duas condições, dois espaços.

Monty Hall. Três portas, um prêmio atrás de uma delas. Você escolhe uma; o apresentador, que sabe onde está o prêmio, abre outra porta, vazia, e oferece a troca. Trocar dobra a chance: a porta escolhida tinha 13\dfrac{1}{3} e continua com 13\dfrac{1}{3} (o apresentador sempre consegue abrir uma porta vazia, qualquer que seja a sua escolha, então a abertura não dá informação sobre a sua porta); os 23\dfrac{2}{3} restantes, que estavam espalhados pelas duas outras portas, se concentram na que ficou fechada. A tabela de 300 jogos deixa claro: em 100 o prêmio está na sua porta (trocar perde), em 200 está em outra (o apresentador abre a vazia e trocar ganha). O paradoxo existe porque o apresentador escolhe a porta sabendo onde está o prêmio; se ele abrisse ao acaso e por sorte a porta fosse vazia, a chance da troca seria 12\dfrac{1}{2}.

Como a banca pergunta

Os oito itens reais desta página (um do PAS 2, sete do PAS 3) cabem em quatro formatos.

  1. Condicional lida numa tabela ou num gráfico, com limiar ou com valor afirmado, tipo A: P(A/B)=4/5P(A/B) = 4/5 no teste da vacina, que é 5/505/50 (PAS 2 2024/102); Tembulax dado vírus inativado, 36/52≈69%36/52 \approx 69\% contra 60 % (2020/85); angolano dado que não fala inglês, 10/35≈29%10/35 \approx 29\% contra 35 % (2021/48); Europa dado que não está na Ásia, 26/58≈0,44826/58 \approx 0{,}448 contra 0,47 (2008/66). O trabalho é achar o grupo da condição e somar o que ele contém; a conta é uma divisão.
  2. Inversão da condicional, tipo A: morar na cidade dado que tem celular, 0,8750{,}875 contra 3/173/17 (2024/95). Os dados vêm numa direção e a pergunta vai na outra; a tabela de 1 000 pessoas resolve.
  3. Classificador bayesiano com a hipótese de independência dada no texto, tipo A: a célula 4/504/50 (2022/114), a comparação dos dois produtos (2022/115), o produto das três frações contra 2 % (2022/116). O texto-base traz a fórmula pronta; o candidato aplica.
  4. Genética e árvore, tipos A e B: a matriz da 2.ª etapa cita a genética mendeliana nominalmente, e a 3.ª etapa já cobrou heredogramas em resposta numérica (o risco de 25 % de um neto, em 2021, está resolvido na página anterior). O formato esperado aqui é a condicional no quadro de Punnett (“sabendo que o fenótipo é dominante”) e a árvore de duas gerações.

Dois avisos. Primeiro, o item de condicional quase sempre vem pendurado numa tabela de outra disciplina (vacinas, refugiados, usuários de Internet, classificador de vídeos, censo do IBGE), e a condição é uma linha, uma coluna ou uma soma de fatias dessa tabela: leia a tabela inteira antes de dividir. Segundo, os distratores são frações legítimas da mesma tabela com o denominador errado (36/10036/100 no lugar de 36/5236/52; 5/405/40 ou 40/5040/50 no lugar de 5/505/50; 0,890{,}89 ou 0,850{,}85 no lugar de 0,8750{,}875). Quando a sua resposta coincidir com um número que aparece pronto no enunciado, desconfie.

Denominador cheio

O erro mais frequente não é esquecer a fórmula; é dividir pelo total da tabela depois de ler a condição. “Dado que é de vírus inativado” e dividir por 100; “sabendo que não está na Ásia” e dividir por 100 %; “dos que praticam esporte” e dividir por 300. Em todos esses casos a resposta sai menor que a certa, e o item de limiar foi escrito para punir exatamente isso. A condição sempre reduz o denominador; se o seu não mudou, você não usou a informação.

Os erros que mais derrubam

  • Trocar o condicionante. P(A∣B)P(A \mid B) e P(B∣A)P(B \mid A) têm o mesmo numerador e denominadores diferentes: 5/505/50 não é 5/405/40; “89 % dos urbanos têm celular” não é “89 % de quem tem celular é urbano”. Leia qual grupo vem depois de “dado que”.
  • Confundir a condicional com a conjunta. P(A∩B)=90/300P(A \cap B) = 90/300 mede os dois eventos sobre o total; P(A∣B)=90/180P(A \mid B) = 90/180 mede AA dentro de BB. A conjunta é sempre menor ou igual às duas condicionais.
  • Dividir pelo total depois de ler a condição. A condição reduz o denominador ao grupo nomeado: 52, não 100; 35, não 150; 58 %, não 100 %.
  • Multiplicar sem independência. Sem reposição, a segunda fração é condicional (3/10⋅2/93/10 \cdot 2/9, não (3/10)2(3/10)^2). O produto simples só vale quando a conta confirma P(A∣B)=P(A)P(A \mid B) = P(A).
  • Declarar independência pela intuição, ou pela contagem. Independência é P(A∣B)=P(A)P(A \mid B) = P(A), uma igualdade numérica; compare frações dentro dos grupos, nunca os totais (36 e 24 usuários de óculos podem ser independentes do turno).
  • Tratar exclusivos como independentes. Se AA e BB não podem ocorrer juntos e têm chance positiva, P(A∣B)=0≠P(A)P(A \mid B) = 0 \ne P(A): dependentes.
  • Esquecer ramos na probabilidade total. P(A)P(A) soma todos os caminhos que chegam a AA (urbano-com-celular e rural-com-celular); um ramo esquecido estraga o denominador da inversão.
  • Responder a condicional direta quando a pergunta é a inversa. “Dado positivo, doente?” não é “dado doente, positivo?”; 90 % de sensibilidade virou 27 % na tabela de 1 000.
  • Esquecer a prevalência. Na inversão, a chance antes da informação pesa tanto quanto a precisão do exame: doença rara, positivo pouco informativo.
  • Falácia do promotor. “Raro entre inocentes” não é “quase certamente culpado”; conte quantos inocentes combinam.
  • Não reduzir o quadro de Punnett. “Sabendo que é dominante” tira o aaaa: 2/32/3 heterozigoto, não 1/21/2.
  • Confundir “pelo menos um é menino” com “o primeiro é menino”. 1/31/3 e 1/21/2 saem de condições diferentes sobre o mesmo espaço.

O essencial em meia página

  • Definição: P(A∣B)=P(A∩B)P(B)=n(A∩B)n(B)P(A \mid B) = \dfrac{P(A \cap B)}{P(B)} = \dfrac{n(A \cap B)}{n(B)} no caso equiprovável. O evento depois da barra é o novo espaço amostral; o denominador deixa de ser o total.
  • Na tabela: a condição escolhe a linha (ou a coluna, ou a soma de fatias); a resposta é a célula sobre o total dessa linha. P(A∣B)≠P(B∣A)≠P(A∩B)P(A \mid B) \ne P(B \mid A) \ne P(A \cap B), mesmo numerador.
  • Produto: P(A∩B)=P(B)⋅P(A∣B)P(A \cap B) = P(B) \cdot P(A \mid B); na árvore, o segundo nível carrega condicionais, a folha é o produto do ramo, as folhas somam 1. Sem reposição: 310⋅29\dfrac{3}{10} \cdot \dfrac{2}{9}.
  • Independência: P(A∣B)=P(A)⇔P(A∩B)=P(A)⋅P(B)P(A \mid B) = P(A) \Leftrightarrow P(A \cap B) = P(A) \cdot P(B). É um teste de conta; exclusivos com chance positiva nunca são independentes.
  • Total: P(A)=∑P(Bi)⋅P(A∣Bi)P(A) = \sum P(B_i) \cdot P(A \mid B_i), somando os ramos; o resultado fica entre a menor e a maior condicional.
  • Inversão (Bayes): P(B∣A)=P(B)⋅P(A∣B)P(A)P(B \mid A) = \dfrac{P(B) \cdot P(A \mid B)}{P(A)}; faça com 1 000 pessoas: grupos, depois o evento em cada grupo, depois a célula sobre a coluna. Exame com prevalência 2 %, sensibilidade 90 %, falso positivo 5 %: 18/67≈27%18/67 \approx 27\%.
  • Genética: Aa×AaAa \times Aa tem 4 casos; “dado dominante” deixa 3, P(Aa∣dominante)=2/3P(Aa \mid \text{dominante}) = 2/3; gestações independentes multiplicam; heredograma de duas gerações é árvore (1/2⋅1/21/2 \cdot 1/2).
  • Censos: toda taxa “entre os X” é P(⋅∣X)P(\cdot \mid X); risco por grupo num ensaio é condicional, e eficácia compara dois riscos.
  • Na prova: ache o grupo da condição na tabela, some-o, divida; se a pergunta inverter a condição, monte a tabela de 1 000; se o texto disser “independentes”, multiplique; desconfie de respostas que já aparecem prontas no enunciado.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Probabilidade - Probabilidade Condicional - Aula 82
Portal da Matemática OBMEP · 11:11
Introdução. O professor Josimar Silva (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP, 2.º ano) define a probabilidade condicional como o cálculo da probabilidade numa redução do espaço amostral e resolve um primeiro exemplo: é a seção “A informação troca o espaço amostral” desta página, com a mesma ideia de que o grupo da condição vira o novo total.
Probabilidade - Probabilidade Condicional e Multiplicação de Probabilidades, parte 2 - Aula 84
Portal da Matemática OBMEP · 9:09
Aprofundamento. Na mesma série, a aula resolve uma urna com 20 bolas (12 pretas e 8 brancas) com duas retiradas, comparando os casos com e sem reposição e multiplicando as probabilidades ao longo dos ramos: é a seção “A regra do produto e a árvore com dependência” desta página, com a segunda fração condicionada ao que saiu primeiro.
ENEM: preparação nota 1000 — Probabilidade condicional (Aula #6)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 12:25
Aplicação. O professor Ferretto calcula condicionais em tabelas sem usar fórmula, só pela leitura da linha ou da coluna que a condição seleciona, e resolve a questão do ENEM 2017 (Libras) sobre a acurácia de um teste rápido em doentes e sadios: são as seções “Na tabela: a condição escolhe a linha” e o exame com falso positivo desta página, no formato de múltipla escolha.
Entenda o Teorema de Bayes (ótima explicação!)
Didática Tech · 20:29
Aprofundamento. Explica a inversão da condicional (teorema de Bayes) a partir de uma pergunta que a maioria das pessoas erra, e liga o teorema ao classificador naive Bayes usado em aprendizado de máquina: é a seção “Inverter a condicional: Bayes com uma tabela de 1 000 pessoas” e o bloco do classificador de vídeos do PAS 3 de 2022 desta página.
Probabilidade Condicional - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 19:14
Resolução. Aula do canal do Brasil Escola com questões de probabilidade condicional resolvidas de dois modos, pela fórmula P(A|B) = P(A ∩ B)/P(B) e pela contagem direta no espaço reduzido: é o treino da seção “Como a banca pergunta” desta página, útil para conferir que os dois caminhos dão o mesmo número.
Rota PAS 2
Contagem, probabilidade e estatística: decidir sob incerteza · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Contagem, probabilidade e estatística: decidir sob incerteza · Probabilidade condicional: quando uma informação encolhe o mundo (conceito, independência, genética mendeliana, quadro de Punnett, checagem); Aquecimento (tabela vacinou × gripou); Leia como na prova: o bloco do MATOPIBA; Como a banca cobra (item 2024/102); Resolvidos (probabilidade condicional, item tipo C); Nível 2 itens 6 a 9; Nível 3 item 17; Banco de treino T6, T9 a T11, T21

    Recorte por assunto: só a chance recalculada depois de uma informação (condicional, produto, árvore com dependência, independência como teste, total, Bayes informal, genética com condição). A probabilidade simples, o complementar e a união ficam na página anterior (probabilidade); a contagem, em analise-combinatoria; a leitura crítica de tabelas e as medidas de resumo, nas páginas de estatística. O capítulo foi fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números e ordem desta página são próprios.

  • Mapa de itens do bloco contagem / probabilidade / estatística do PAS 2 · Itens atribuídos a probabilidade-condicional: PAS 2 2024/102; PAS 3 2008/66, 2020/85, 2021/48, 2022/114, 2022/116, 2024/95; acrescentado nesta sessão o PAS 3 2022/115 (classificação naive Bayes, mesmo texto-base de 114 e 116)

    Mapa vinculante; os 8 itens foram abertos na imagem do caderno a 200 dpi e as contas refeitas contra o gabarito oficial definitivo (GAB.txt).

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe), 2.ª e 3.ª etapas · PAS 2: 2024 (item 102). PAS 3: 2008 (item 66), 2020 parte 2 (item 85), 2021 parte 2 (item 48), 2022 (itens 114, 115 e 116), 2024 (item 95)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB.txt (2008: C; 2020: C; 2021: E; 2022: C, C, E; 2024 PAS 3: E; 2024 PAS 2: E). A pizza dos usuários de Internet (2008), as tabelas das vacinas (2020), dos refugiados (2021), das palavras-chave do classificador (2022) e a tabela do IBGE (2024) foram descritas em texto neutro no campo de apoio de cada questão.

  • Cadernos em PDF (figuras e textos-base dos itens) · 2024-PAS2 p. 12 (teste de vacina, itens 102 a 105); 2008-PAS3 p. 9 impressa, p. 10 do PDF (gráfico de setores dos usuários de Internet, itens 64 a 68); 2020-PAS3 parte 2 p. 7 (tabela das 5 vacinas, itens 83 a 87); 2021-PAS3 parte 2 p. 5 (tabela dos 150 refugiados, itens 47 a 50); 2022-PAS3 p. 15 (classificador naive Bayes, tabela de 10 palavras-chave, itens 114 a 116); 2024-PAS3 p. 13 (dados do IBGE sobre celulares, itens 95 a 98)

    Páginas rasterizadas a 200 dpi; os dados impressos (percentuais da pizza, linhas das tabelas, as duas fórmulas do classificador com 3/40, 12/28, 5/90, 81/140 e 2/50, 16/28, 72/175) foram lidos na imagem e transcritos nas questões.