Uma quantia que dobra a cada ano leva quantos anos para virar mil vezes maior? Um som de 90 dB é quantas vezes mais intenso que um de 30 dB? Por que uma unidade de pH muda a acidez dez vezes? As três perguntas pedem o expoente, e o nome dele é logaritmo.
O que você vai aprender
Ler log_b y = x como a pergunta ao contrário da potência (que expoente leva a base b ao número y?), traduzir uma igualdade na outra e aplicar as condições de existência (base positiva e diferente de 1, logaritmando positivo) antes de qualquer conta.
Usar as consequências imediatas da definição (log_b 1 = 0, log_b b = 1, log_b b^k = k, b^(log_b x) = x) e o sinal do logaritmo (negativo entre 0 e 1) para calcular e conferir valores sem tabela, inclusive pelo sanduíche entre potências vizinhas.
Demonstrar e aplicar as propriedades do produto, do quociente, da potência e da mudança de base a partir das propriedades das potências, e reconhecer o que não é propriedade (log de soma, log de x² contra o quadrado do log).
Resolver equações exponenciais cujas bases não conversam com o logaritmo decimal ou natural e as constantes que a prova imprime (log 2 = 0,30; log 3 = 0,48; ln 2 = 0,7), e resolver equações e inequações logarítmicas simples respeitando o domínio e o sentido da base.
Descrever a função logarítmica como inversa da exponencial (domínio, imagem, ponto (1, 0), assíntota vertical, monotonia, simetria em y = x) e ler gráficos e eixos em escala logarítmica, em que passos iguais são fatores iguais.
Traduzir um degrau das escalas de pH, Richter, decibéis e carbono-14 no fator correspondente da grandeza, e decidir itens de limiar sobre essas escalas com a conta exata, nunca com a intuição linear.
Uma quantia dobra a cada ano. Quantos anos até R$ 1 000 passarem de R$ 1 000 000? A função exponencial responde à pergunta “quanto haverá depois de x anos”: 1000⋅2x. Aqui a pergunta é a outra, feita ao contrário: “quantos anos até chegar a um valor?”. Precisamos do expoente x tal que 2x=1000. Como 29=512 e 210=1024, a resposta está entre 9 e 10: no décimo ano a quantia já passou do milhão. Esse expoente tem nome: logaritmo. Um sussurro a 30 dB e um show a 90 dB diferem em intensidade por um fator de um milhão, e a escala dos decibéis só cabe numa régua porque conta quantos fatores de 10 há entre os dois. Uma chuva de pH 4 é cem vezes mais ácida que uma de pH 6, porque cada unidade a menos de pH é uma concentração dez vezes maior. Nas três cenas, o número que se lê é um expoente.
Esta página constrói o logaritmo por inteiro: a definição como pergunta invertida, as condições em que ele existe, as consequências imediatas que valem como conferência, as quatro propriedades demonstradas a partir das potências, o logaritmo decimal e o natural com as constantes que a prova imprime, as equações exponenciais que só fecham com log, as equações e inequações logarítmicas e seu domínio, a função logarítmica como espelho da exponencial, as escalas logarítmicas (pH, Richter, decibéis, carbono-14) e a leitura de eixos em escala log, e os erros que já viraram item. O milhão, o show e a chuva ácida voltam ao longo das seções, com os mesmos números.
A pergunta feita ao contrário: que expoente?
Toda potência junta três números: base, expoente e resultado. 25=32. Conhecidos dois deles, o terceiro se recupera. Conhecidos base e expoente, o resultado é a potência (25=?). Conhecidos expoente e resultado, a base é a raiz (?5=32, e a resposta é 532=2). Conhecidos base e resultado, o expoente é o logaritmo (2?=32, e a resposta é 5). As três operações são a mesma igualdade lida por três lados.
Logaritmo: o expoente que a base precisa
O logaritmo de y na base b é o expoente a que se eleva b para obter y:
logby=x⟺bx=y(b>0,b=1,y>0).
Lê-se “logaritmo de y na base b”. O número y é o logaritmando (ou antilogaritmo); b é a base; x, o resultado, é um expoente. As duas escritas dizem a mesma coisa, e a habilidade central da página é passar de uma para a outra sem hesitar:
forma logarítmica
forma exponencial
leitura
log232=5
25=32
2 precisa do expoente 5 para dar 32
log101000=3
103=1000
três fatores de 10
log5251=−2
5−2=251
expoente negativo, número entre 0 e 1
log93=21
91/2=3
expoente fracionário, raiz
log71=0
70=1
toda base elevada a zero dá 1
O logaritmo não é um símbolo novo com regras próprias: é a mesma tabela de potências consultada de trás para a frente. Quem sabe as fileiras de 2n, 3n e 10n da página de função exponencial já sabe dezenas de logaritmos. log381? Procure 81 na fileira do 3: 34=81, logo 4. log2(1/8)? 1/8=2−3, logo −3. log100,01? 0,01=10−2, logo −2.
Exemplo resolvido 1 (o milhão). Uma quantia dobra a cada ano. Em quantos anos R$ 1 000 passam de R$ 1 000 000? A pergunta é 1000⋅2x=106, isto é, 2x=1000, e a resposta é x=log21000. Sem tabela, o sanduíche entre potências vizinhas: 29=512<1000<1024=210, logo 9<x<10; para um item que pergunte “em menos de 10 anos?”, isso basta. Com a propriedade da potência (que a seção seguinte demonstra): log21000=log2103=3log210; se o enunciado der log210≈3,32, então x≈9,96 anos. Conferência: 9,96 está entre 9 e 10, como o sanduíche mandava, e bem perto de 10, o que faz sentido porque 1 000 está bem perto de 1 024.
Quando o logaritmo existe, e o que ele vale de graça
As três condições da definição não são capricho: cada uma tapa um buraco.
Logaritmando positivo (y>0). Uma potência de base positiva nunca dá zero nem número negativo: 2x é positivo para todo x real. Logo log20 e log2(−8) não existem. Pergunta sem resposta não recebe símbolo.
Base positiva (b>0). Com base negativa, a potência nem está definida para todo expoente ((−2)1/2 não é real), e nos inteiros o sinal alterna: não há como inverter a operação de forma limpa.
Base diferente de 1 (b=1). Todas as potências de 1 valem 1: 1x=1. A pergunta “1?=5” não tem resposta, e “1?=1” tem infinitas. A base 1 não distingue nada.
Cinco consequências da definição (e uma conferência)
logb1=0 porque b0=1: o logaritmo de 1 é zero em qualquer base.
logbb=1 porque b1=b.
logbbk=k: o logaritmo desfaz a potência (log227=7, log1010−4=−4).
blogbx=x: a potência desfaz o logaritmo (2log25=5). As duas últimas dizem que exponencial e logaritmo de mesma base são operações inversas, uma desfaz a outra.
O sinal: números entre 0 e 1 têm logaritmo negativo (log100,01=−2), números maiores que 1 têm logaritmo positivo (para b>1). É esse sinal de menos que a fórmula do pH desfaz.
Duas consequências servem de conferência instantânea. Como log10100=2 e log101000=3, o logaritmo decimal de qualquer número entre 100 e 1 000 está entre 2 e 3: log10200, log10500 e log10999 começam todos com “2,”. Quem calcula log10200 e acha 1,3 ou 3,3 errou antes de arredondar. Do mesmo modo, log101000=3, e não 4: conta-se o número de zeros, isto é, de fatores 10, não o número de algarismos.
Em expressões com variável, a condição de existência vira uma inequação a resolver antes de qualquer transformação. log3(x−2) exige x−2>0, isto é, x>2. log2(x−1)+log2(x−3) exige as duas ao mesmo tempo, x>1 e x>3, logo x>3. Uma solução da equação transformada que não pertença ao domínio original não é solução: é o tropeço mais frequente das equações logarítmicas, tratado adiante.
Log de soma não é soma de logs
Não existe regra para logb(x+y). Teste: log2(8+8)=log216=4, e não log28+log28=3+3=6. Em base 10: log(10+10)=log20≈1,30, enquanto log10+log10=2. As propriedades que a seção seguinte demonstra tratam de produto, quociente e potência, nunca de soma ou diferença. Um contraexemplo numérico basta para rejeitar a suposta propriedade, e vale a pena ter um decorado.
As quatro propriedades vêm das potências, e por isso multiplicar vira somar
Cada propriedade do logaritmo é uma propriedade da potência lida ao contrário. Chame u=logbx e v=logby, isto é, x=bu e y=bv.
Produto.x⋅y=bu⋅bv=bu+v. Logo o expoente que dá xy é u+v:
logb(x⋅y)=logbx+logby.
Quociente.yx=bvbu=bu−v, logo
logb(yx)=logbx−logby.
Potência.xk=(bu)k=bku, logo
logb(xk)=k⋅logbx.
Um caso particular útil: logbnx=n1logbx, porque raiz é expoente 1/n.
Mudança de base. Quando a base disponível não é a que o problema pede, qualquer base c admissível serve de ponte. Se x=bu, aplique logc aos dois lados: logcx=u⋅logcb, e então
logbx=logcblogcx.
Como b=1, o denominador nunca é zero. Assim log25=log2log5=ln2ln5: a razão entre dois logaritmos na mesma base não depende de qual base foi usada. Um caso especial: logba=logab1.
Cada propriedade do logaritmo é uma propriedade da potência lida de trás para a frente: multiplicar potências soma expoentes, logo o log de um produto soma logs; elevar uma potência a k multiplica o expoente, logo logb(xk)=klogbx. Não há regra para soma. Diagrama autoral.
Leia-as no sentido dos exemplos: log2(8⋅4)=log28+log24=3+2=5, e de fato 25=32=8⋅4. log2(32/4)=5−2=3, e 23=8. log283=3⋅3=9, e 29=512=83. Nas três, o logaritmo transformou uma operação em outra mais simples um degrau abaixo: produto em soma, quociente em diferença, potência em produto. Foi para isso que ele nasceu, no século XVII, quando multiplicar números de sete algarismos à mão custava horas e as tábuas de logaritmos trocavam a multiplicação por uma soma e uma consulta.
Uma consequência com nome: aplicar log aos termos de uma progressão geométrica produz uma progressão aritmética. Se an=a1qn−1, então logan=loga1+(n−1)logq: os termos viram uma sequência que anda somando logq. Multiplicar pela razão virou somar o log da razão. Uma PG de razão 100 vira, em log decimal, uma PA de razão 2.
Exemplo resolvido 2 (constantes impressas). Com log2=0,30 e log3=0,48, calcule log72, log5 e log0,15. Fatore: 72=23⋅32, logo log72=3log2+2log3=0,90+0,96=1,86. Conferência: 72 está entre 10 e 100, e 1,86 está entre 1 e 2. Para o 5, não há fator 5 na tabela, mas 5=10/2: log5=log10−log2=1−0,30=0,70. E 0,15=15/100=3⋅5/100: log0,15=0,48+0,70−2=−0,82, negativo como todo logaritmo de número entre 0 e 1. Com apenas log2 e log3 decorados, alcançam-se os logaritmos de 4, 5, 6, 8, 9, 12, 15, 16, 18, 20, 24, 25, 27 e de todo número cujos fatores primos são 2, 3 e 5.
log x² não é (log x)²
logb(x2)=2logbx é a propriedade da potência: o expoente sai como fator. Já (logbx)2 é o quadrado do resultado, outro número. Com x=100: log(1002)=log10000=4=2⋅2, mas (log100)2=22=4 também, e a coincidência engana. Troque para x=1000: log(10002)=6, enquanto (log1000)2=9. A notação log2x que alguns livros usam significa (logx)2; prefira os parênteses. E há um detalhe de domínio: logb(x2) existe para todo x=0, mas 2logbx só para x>0. A igualdade correta para todo x=0 é logb(x2)=2logb∣x∣.
Duas bases especiais: o 10 da nossa escrita e o e dos modelos contínuos
Quando a base não vem escrita, logy significa logaritmo decimal, base 10. É a base da nossa numeração: log10=1, log100=2, log1000000=6; o logaritmo decimal conta os fatores de 10, e sua parte inteira diz quantos algarismos o número tem antes da vírgula (um número com log entre 2 e 3 tem três algarismos). É a base do pH, dos decibéis e da escala Richter.
A segunda base é o número e≈2,718, e lny=logey é o logaritmo natural. Ele aparece sempre que um modelo é escrito como N(t)=N0ekt: populações, epidemias, decaimento radioativo, juros contínuos. Nada muda no que você aprendeu: ekt=(ek)t é uma exponencial de fator ek por unidade de tempo, e ln é o logaritmo que a desfaz, lnekt=kt. Uma leitura útil: ln(1+i)≈i para taxas pequenas (ln1,1≈0,095), e é daí que sai a regra do 70 dos juros compostos.
Os símbolos que a prova imprime, e os valores que vale saber
símbolo
leitura
valor aproximado
logy (sem base)
logaritmo decimal, base 10
log2≈0,30; log3≈0,48; log5≈0,70; log7≈0,85
lny
logaritmo natural, base e≈2,718
ln2≈0,69; ln3≈1,10; ln5≈1,61; ln10≈2,30
log2y
logaritmo binário
log210≈3,32; log23≈1,58
e−kt
exponencial decrescente de base e
tende a 0 quando t cresce
A conversão entre as duas bases usuais é a mudança de base: lny=logelogy≈2,30⋅logy. A banca imprime a constante que a conta exige (“assumindo ln2=0,7”, “considerando log2=0,30 e log3=0,48”), e a constante impressa é o mapa do caminho: se a sua conta não a usou, refaça. Saber os valores acima serve para conferir a ordem de grandeza, não para substituir o dado da prova.
Equações exponenciais que só fecham com logaritmo
Quando as duas bases conversam, não há logaritmo a calcular: 20,0032h=4=22 dá h=625 km igualando expoentes, e 32x−1=1/27 dá x=−1. O logaritmo entra quando as bases não conversam: 2x=10, 1,11t=2, e0,2t=3. Aí o método é um só: aplicar o logaritmo (na base que a prova forneceu) aos dois lados e descer o expoente pela propriedade da potência.
Método: log nos dois lados, expoente desce
Para resolver bx=y com bases que não conversam:
bx=y⟹logbx=logy⟹x⋅logb=logy⟹x=logblogy=logby.
A base do logaritmo aplicado pode ser qualquer uma (10, e, 2); a resposta é a mesma, porque a razão dos dois logaritmos não depende da base. Use a que tiver as constantes impressas.
Exemplo resolvido 3 (o tempo até um limiar). O volume de lixo de um depósito cresce 11% ao mês. Em quantos meses ele dobra? A equação é 1,11t=2. Bases que não conversam. Com log2=0,30 e log1,11=0,045 (dados do enunciado): t⋅log1,11=log2, logo t=0,30/0,045≈6,7 meses: o volume dobra no sétimo mês. Conferência pelo sanduíche: 1,116≈1,87<2<2,08≈1,117, logo 6<t<7. E pela regra do 70: 70/11≈6,4, mesma vizinhança. As três rotas concordam.
Exemplo resolvido 4 (meia-vida com ln2). A atividade de um radiofármaco decai segundo N(t)=N0e−0,014t, t em horas. Com ln2=0,7, qual é a meia-vida? Meia-vida é o t em que N=N0/2: e−0,014t=1/2. Aplicando ln: −0,014t=ln(1/2)=−ln2=−0,7, logo t=0,7/0,014=50 horas. Conferência: em 100 horas restaria (1/2)2=1/4, e e−1,4≈0,25. Repare no padrão que vale para todo decaimento N0e−kt: a meia-vida é T=kln2, e a constante k é Tln2. Foi exatamente essa relação, com t1/2=ln2/κ, que o PAS 2 de 2023 imprimiu no texto-base do item sobre o rádio-226 de Marie Curie.
Nos itens de 2.ª etapa, essa conta aparece de dois jeitos. Ou o modelo é dado e se pergunta quando ele atinge um valor (e0,2t=3⇒t=ln3/0,2=5,5 anos, PAS 2 2019), ou dois valores são dados e se pergunta a constante (e150k=17/16⇒k=(ln17−ln16)/150, PAS 2 2023). Nos dois, o logaritmo é a ferramenta que tira o desconhecido do expoente.
Equações e inequações logarítmicas: domínio primeiro, base decide o sentido
Uma equação logarítmica tem a incógnita dentro do logaritmando. O roteiro tem três passos, e o primeiro é o que os alunos pulam: (1) escreva o domínio (condições de existência); (2) junte tudo num só logaritmo com as propriedades e volte à forma exponencial, ou iguale logaritmandos quando os dois lados são logaritmos na mesma base (logbu=logbv⟺u=v, porque a função é injetora); (3) descarte as soluções fora do domínio.
Exemplo resolvido 5 (a raiz que não serve). Resolva log2(x−1)+log2(x−3)=3. Domínio: x>1 e x>3, logo x>3. Juntando: log2[(x−1)(x−3)]=3, e pela definição (x−1)(x−3)=23=8, isto é, x2−4x+3=8, ou x2−4x−5=0, cujas raízes são x=5 e x=−1. A raiz −1 está fora do domínio (log2(−2) não existe): descartada. Solução: x=5. Conferência: log24+log22=2+1=3. Quem pula o passo 1 apresenta duas respostas, e uma delas não é número nenhum.
Outros dois formatos frequentes. Logaritmo igual a logaritmo: log3(2x+1)=log3(x+5) dá 2x+1=x+5, x=4, e o domínio (x>−1/2) confirma. Incógnita na base: logx25=2 dá x2=25, e das raízes ±5 só x=5 é base admissível.
Nas inequações, a base decide o sentido. Como logb é crescente para b>1, aplicar ou retirar o logaritmo mantém a desigualdade; para 0<b<1 a função é decrescente e o sentido inverte. Sempre com o domínio junto:
log2x>3: base maior que 1, logo x>23=8.
log1/2x>3: base entre 0 e 1, logo x<(1/2)3=1/8; com o domínio, 0<x<1/8.
log3(x−2)≤1: domínio x>2; base maior que 1, x−2≤3, logo 2<x≤5.
O mesmo cuidado vale ao passar da exponencial para o expoente: (1/2)x>(1/2)5 dá x<5, não x>5.
A função logarítmica é a exponencial vista no espelho
Fixe uma base b>1, digamos 2. A exponencial f(x)=2x leva cada expoente ao seu resultado: 3↦8. A função logarítmica g(x)=log2x faz o caminho de volta: 8↦3. Uma desfaz a outra, g(f(x))=log22x=x e f(g(x))=2log2x=x: são funções inversas, no sentido da página de funções. E funções inversas têm gráficos simétricos em relação à reta y=x: o ponto (3,8) de uma é o ponto (8,3) da outra.
f(x)=2x e g(x)=log2x são inversas: cada ponto (a,b) de uma é o ponto (b,a) da outra, e os dois gráficos são reflexos na reta y=x. A assíntota horizontal da exponencial vira a assíntota vertical do logaritmo. Diagrama autoral.
Tudo o que a exponencial tem no eixo y, o logaritmo tem no eixo x, e vice-versa. A imagem da exponencial (y>0) vira o domínio do logaritmo (x>0); o intercepto (0,1) vira (1,0); a assíntota horizontal y=0 vira a assíntota vertical x=0.
Anatomia do gráfico de g(x) = log_b x
Domínio: x>0 (só números positivos têm logaritmo). Imagem: todos os reais; o logaritmo cresce sem teto e desce sem piso, apenas devagar.
Pontos fixos: passa por (1,0), porque logb1=0, e por (b,1), porque logbb=1. Duas leituras rápidas da base num gráfico: onde a curva vale 1, ali está b.
Assíntota vertical: a reta x=0 (o eixo y). Quando x se aproxima de zero pela direita, logbx dispara para −∞ (se b>1) sem que a curva toque o eixo.
Monotonia: crescente para b>1, decrescente para 0<b<1. log2x e log1/2x=−log2x são reflexos um do outro no eixo x.
Concavidade (para b>1): para baixo. A curva sobe cada vez mais devagar: de x=1 a x=2 sobe 1; de 2 a 4, mais 1; de 4 a 8, mais 1. Multiplicar x por b soma 1 a y, em qualquer trecho.
Injetora: valores diferentes de x dão logaritmos diferentes. É o que autoriza “cortar o log” nas equações (logbu=logbv⇒u=v).
g(x)=log2x (crescente) e h(x)=log1/2x=−log2x (decrescente) passam por (1,0) e têm o eixo y como assíntota vertical. Em g, dobrar x soma 1 a y: passos iguais em y são fatores iguais em x. Diagrama autoral.
A última propriedade da lista é a alma das escalas logarítmicas. Numa reta comum, andar um passo soma uma unidade à grandeza. Numa escala logarítmica, andar um passo multiplica a grandeza por um fator fixo. É o que permite pôr na mesma régua de uma dezena de unidades um sussurro e uma turbina, um tremor imperceptível e um terremoto devastador.
Numa régua comum, de 1 a 1 000 000 os primeiros valores somem. Na régua logarítmica, marca-se o expoente: distâncias iguais são fatores iguais, +1 degrau =×10, +3 degraus =×1000. Diagrama autoral.
As escalas logarítmicas: pH, Richter, decibéis e carbono-14
Um sussurro e um show de rock diferem em intensidade sonora por um fator de um milhão. Numa régua comum, o sussurro seria um risco invisível ao lado do show. A escala dos decibéis mede não a intensidade, mas quantos fatores de 10 ela contém: sussurro perto de 30 dB, show perto de 90 dB; os 60 dB de diferença são seis fatores de 10, um milhão. Acidez, terremotos e a idade de um sítio arqueológico se medem do mesmo jeito.
As quatro escalas do currículo
Numa escala logarítmica, distâncias iguais na escala correspondem a fatores iguais na grandeza: +1 na escala =× fator fixo.
escala
fórmula
um degrau significa
exemplo
pH
pH=−log10[H+]
uma unidade a menos de pH = concentração de H+ 10 vezes maior
do pH 7 ao pH 4, acidez ×1000
Richter
magnitude ↔log10 da amplitude sísmica
+1 = amplitude ×10 (energia ≈×32)
magnitude 7 contra 5: amplitude ×100
decibéis
L=10⋅log10(I/I0), I0=10−12 W/m² o limiar da audição
+10 dB = intensidade ×10
+30 dB =×1000
carbono-14
fração restante (1/2)t/5730
cada 5 730 anos (meia-vida) = metade
11 460 anos: resta 1/4
pH. A concentração de íons H+ numa solução vai de 10−14 a 1 mol/L, catorze ordens de grandeza. O pH é o expoente com o sinal trocado: [H+]=10−5 mol/L é pH 5; 10−7 é pH 7 (neutro). O sinal de menos existe porque os expoentes são negativos e é mais cômodo ler números positivos; a consequência é que pH menor é mais ácido. Uma unidade de pH é um fator 10 na concentração; duas, um fator 100. Quando a concentração não é potência exata de 10, entram as propriedades: [H+]=2×10−3 dá pH=−(log2−3)=3−0,30=2,7.
A escala de pH: cada unidade a menos é uma concentração de H+ dez vezes maior. A chuva ácida de pH 4 tem cem vezes mais H+ que a chuva comum de pH 6. Os valores dos exemplos são típicos, não exatos. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 6 (calagem no Cerrado). Uma produtora corrigiu a acidez do solo com calcário, e o pH subiu de 5 para 6. O item a julgar: “a concentração de íons H+ passou a valer um décimo da inicial”. Traduza cada pH em concentração: pH 5 corresponde a [H+]=10−5 mol/L; pH 6, a 10−6 mol/L. A razão entre os dois valores é 10, com o valor final menor; dividir por 10 é ficar com um décimo. Certo. O passo de uma unidade na escala esconde uma queda de dez vezes na grandeza medida: é assim que o logaritmo comprime.
Decibéis. O nível sonoro compara a intensidade I com o limiar da audição I0=10−12 W/m²: L=10log(I/I0). O próprio limiar vale 0 dB (log1=0); o limiar da dor, I=1 W/m², vale 10log1012=120 dB. Cada 10 dB a mais multiplicam a intensidade por 10; 3 dB a mais quase a dobram (100,3=2). Foi essa conta que o PAS 2 de 2015 pediu num tipo B: um amplificador que multiplica a intensidade por 72×109 adiciona 10log(72×109)=10(3log2+2log3+9)≈108 dB.
Richter. A magnitude é o logaritmo decimal da amplitude registrada no sismógrafo (com uma correção pela distância). Uma unidade a mais é amplitude dez vezes maior; em energia liberada, cada unidade multiplica por cerca de 32 (101,5), e duas unidades, por cerca de 1 000. Amplitude e energia são grandezas diferentes na mesma escala, e trocar uma pela outra é distrator clássico. A tabela impressa no PAS 1 de 2016 dizia isso em massa de TNT: magnitude 2,0 equivale a 6 kg, 3,0 a 181 kg, 4,0 a 6 t e 5,0 a 199 t, cerca de 32 vezes por degrau (a última linha da tabela, 1 270 t para a magnitude 6,0, foge ao padrão das anteriores, mas era o dado impresso, e o item usava a tabela como estava).
Decibéis e Richter: em ambas, somar na escala é multiplicar na grandeza. Do sussurro (30 dB) ao show (90 dB), a intensidade é multiplicada por 106. Na Richter, +1 é amplitude ×10 e energia ×32: grandezas diferentes na mesma escala. Diagrama autoral.
Carbono-14. Todo ser vivo repõe carbono-14 enquanto vive; morto, o isótopo só decai, com meia-vida de 5 730 anos. Medir a fração restante e perguntar “quantas meias-vidas se passaram?” é a pergunta invertida desta página: (1/2)t/5730=f dá t=5730⋅log1/2f=5730⋅log(1/2)logf. Com fração 1/8, são três meias-vidas, 17 190 anos, sem log nenhum. Com fração 20%, t=5730⋅−log2log0,2=5730⋅0,300,70≈13370 anos. O PAS 2 de 2018 cobrou a versão sem log: 320 desintegrações por minuto no material vivo contra 5 no derivado de petróleo é uma razão 64 =26, seis meias-vidas, cerca de 34 mil anos.
Escala não é grandeza
Dobrar o pH não dobra a acidez: de pH 6 para pH 3, a concentração de H+ fica mil vezes maior. Passar de 40 dB para 80 dB não dobra o som: multiplica a intensidade por 10000. Um terremoto de magnitude 8 não é “o dobro” de um de magnitude 4: a amplitude é 10000 vezes maior e a energia, um milhão. Uma amostra com 1/8 do carbono-14 original tem três meias-vidas, não oito. Antes de julgar qualquer afirmação sobre uma escala logarítmica, traduza o degrau da escala em fator da grandeza. É o gesto único que decide todos os itens desse tipo.
Onde mais o logaritmo mede
Ordens de grandeza. Dizer que dois números diferem em “três ordens de grandeza” é dizer que seus logaritmos decimais diferem em 3: um é mil vezes o outro. Notação científica é logaritmo disfarçado: 6,0×1023 tem log≈23,8.
Quantos algarismos.2100 tem quantos algarismos? log2100=100log2≈30,1, logo o número está entre 1030 e 1031: tem 31 algarismos. Não é preciso calculá-lo.
Eixos de gráfico. Gráficos de população mundial, de casos numa epidemia ou de preços ao longo de décadas costumam vir com o eixo vertical em escala logarítmica, em que cada divisão multiplica por 10. Nessa escala, uma exponencial vira uma reta (porque log(a⋅bt)=loga+tlogb, uma função afim de t), e a inclinação da reta é logb, o fator de crescimento. Duas epidemias com retas paralelas crescem à mesma taxa, ainda que uma esteja dez vezes acima da outra.
Regra do 70. Dobrar a juros compostos exige (1+i)t=2; aplicando ln, tln(1+i)=ln2≈0,7, e como ln(1+i)≈i para taxas pequenas, t≈0,7/i: com a taxa em porcentagem, 70/i períodos. A 10% ao mês, 7 meses; a 2% ao ano, 35 anos.
Informação. Um byte tem 8 bits e distingue 28=256 estados; o número de bits necessário para distinguir N estados é log2N. Uma senha de 10 algarismos tem 1010 possibilidades, cerca de log21010≈33 bits.
A régua de cálculo
Antes das calculadoras, engenheiros multiplicavam com uma régua de cálculo: duas réguas em escala logarítmica que deslizam uma sobre a outra. Como log(xy)=logx+logy, somar comprimentos nas réguas era multiplicar números. A régua que levou a Apollo 11 à Lua em 1969 tinha uns 25 cm e três algarismos de precisão. O instrumento saiu de uso nos anos 1970, mas a ideia continua nos eixos logarítmicos de todo gráfico de crescimento longo.
Ler o item como a banca escreve
O item de logaritmo raramente diz “logaritmo”. Ele imprime um modelo com ekt ou 2t/T e pergunta quando; ou imprime uma fórmula de escala (L=10log(I/I0), pH=−log[H+]) e afirma um degrau como fator; ou fornece “log2=0,30 e log3=0,48” e pede um número que só se alcança fatorando. O protocolo:
Iguale bases antes de chamar o log.20,0032h=4 não precisa de logaritmo. Só quando as bases não conversam (1,11t=2, e0,2t=3) o log entra.
Sanduíche primeiro, em item de julgamento. “log200 está entre 2 e 3?” se decide com 100<200<1000. “2x=100, então 6<x<7?” se decide com 64<100<128. Muitos itens do tipo A não pedem o valor, pedem a posição.
Trate a constante impressa como mapa.ln2=0,7, log23=1,58, ln17−ln16: a constante indica a fatoração que a banca espera. Se a sua conta não a usou, a rota está errada.
Fatore o logaritmando.log72=3log2+2log3; log5=1−log2; log99=2log3+log11. A tabela da prova só tem primos pequenos.
Domínio antes, descarte depois. Toda equação logarítmica devolve candidatos; só os que respeitam x>0 (ou x−1>0, etc.) são soluções.
Escala → fator. Antes de julgar “dobra”, “dez vezes”, “inferior a”, converta o degrau da escala no fator da grandeza e compare o exato com o limiar.
Leia o gráfico pelos pontos certos. Numa curva logarítmica, o cruzamento com o eixo x é x=1, e o ponto onde y=1 revela a base. Num eixo em escala log, uma reta é uma exponencial, e “estabilizar” exige um patamar que uma exponencial sobre um logaritmo nunca alcança (PAS 2 2018: população ∝e0,005t sobre área ∝lnt não estabiliza).
Os erros que a banca já transformou em item
Log de soma.log2(8+8)=4, não 6. Não há propriedade para soma nem para diferença.
logb(x2) contra (logbx)2. O primeiro é 2logb∣x∣; o segundo, o quadrado do resultado. Teste com 1 000: 6 contra 9.
Base esquecida.log100=2 é base 10; ln100≈4,6 é base e; log2100≈6,6. Sem base escrita, é 10. Nos modelos com e, é ln que desfaz o expoente, e a banca imprime ln, não log.
Logaritmando negativo aceito.log2(x−3) com x=1 não é “log2(−2)= algum número”: não existe. Raiz fora do domínio é descartada, não “resposta negativa”.
“Dobrar o valor dobra o log”.log200≈2,30 e log400≈2,60: dobrar o número somalog2≈0,30, não dobra o logaritmo. É a mesma confusão que faz alguém achar que 80 dB é “o dobro” de 40 dB.
Contar algarismos em vez de zeros.log1000=3 (três fatores de 10), não 4. Ao contrário, um número com log entre 30 e 31 tem 31 algarismos, não 30.
Inverter o sentido na base errada.log1/2x>3 dá x<1/8 (e x>0), porque a função de base entre 0 e 1 é decrescente. Quem mantém o sentido acha x>1/8.
Amplitude por energia na Richter.+1 na magnitude é amplitude ×10; em energia, ×32. O item “uma unidade a mais multiplica por 10 a energia liberada” é Errado.
Arredondar antes da hora. Com log2=0,301 e log3=0,477, o item 2015/83 dá 108,57 dB: quem usa 0,3 e 0,5 acha 109 e, no tipo B, marca errado. Carregue as casas fornecidas até o fim e só então despreze a parte fracionária.
Ler decaimento como logaritmo. Uma massa que decai não é “função logaritmo M0log(kt)” (PAS 2 2011, item 46, Errado): a função logarítmica cresce sem teto e é negativa para kt<1; o decaimento é exponencial, M0e−kt, positivo e decrescente.
O essencial em meia página
Definição: logby=x⟺bx=y, com b>0, b=1 e y>0. Logaritmo é o expoente; é a tabela de potências lida ao contrário.
Consequências: logb1=0, logbb=1, logbbk=k, blogbx=x; entre 0 e 1 o log é negativo. Sanduíche entre potências vizinhas localiza qualquer log sem tabela.
Propriedades (das potências): logb(xy)=logbx+logby; logb(x/y)=logbx−logby; logbxk=klogbx; logbx=logcblogcx. Nada para soma. Log de PG é PA.
Bases: log é base 10 (conta fatores de 10; pH, dB, Richter); ln é base e≈2,718 (modelos ekt; meia-vida T=ln2/k). Valores: log2≈0,30, log3≈0,48, ln2≈0,69; a prova imprime os que usa.
Equação exponencial com bases que não conversam: log nos dois lados, expoente desce, x=logy/logb. Bases que conversam: iguale expoentes, sem log.
Equação logarítmica: domínio primeiro, junte num só log, volte à exponencial, descarte o que está fora do domínio. Inequação: base >1 mantém o sentido; base entre 0 e 1 inverte.
Funçãologbx: inversa de bx, espelho na reta y=x; domínio x>0, imagem R, passa por (1,0) e (b,1), assíntota vertical x=0, crescente se b>1; multiplicar x por b soma 1 a y.
Escalas: +1 na escala =× fator. pH: ×10 em [H+] por unidade a menos. Decibéis: +10 dB =×10. Richter: +1=×10 em amplitude, ×32 em energia. C-14: meia-vida 5 730 anos, (1/2)t/5730. Escala não é grandeza: traduza o degrau em fator antes de julgar.
Eixo em escala log: exponencial vira reta; a inclinação é o log do fator.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Logaritmo: definição – Aula 2
Gis com Giz · 13:18
Introdução. Define o logaritmo a partir da potência (logaritmando, base e resultado), impõe as condições de existência (logaritmando maior que zero, base maior que zero e diferente de 1) e calcula logaritmos simples passando à forma exponencial: é a seção “A pergunta feita ao contrário: que expoente?” e a seção “Quando o logaritmo existe” em aula, para quem parte das potências.
Função Logarítmica e Gráfico (Aula 11 de 14)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 28:31
Aprofundamento. Define a função logarítmica, constrói o gráfico ponto a ponto para base maior que 1 e base entre 0 e 1 e determina a inversa, mostrando a relação com a exponencial: é a seção “A função logarítmica é a exponencial vista no espelho”, com domínio, assíntota vertical, monotonia e a simetria em y=x.
pH e Escala Logarítmica
Professor Viégas · 10:27
Aplicação. Calcula o pH de duas soluções a partir da concentração de íons hidrogênio usando as propriedades do logaritmo (suco de limão com [H+]=10−3 e uma amostra de chuva com concentração que não é potência exata de 10), e depois mostra medições reais de pH de alimentos: é a parte do pH da seção “As escalas logarítmicas” com a conta aberta e o fenômeno na bancada.
Logaritmo no ENEM | Questões resolvidas
Escola de Números com Thyago Araujo · 30:39
Resolução. Itens reais do ENEM sobre logaritmo e função logarítmica (entre eles o da Lei de Zipf, de 2021) resolvidos em ritmo de prova, com fatoração do logaritmando e uso das constantes fornecidas: é o trabalho das seções “Equações exponenciais que só fecham com logaritmo” e “Ler o item como a banca escreve”.
Somar comprimentos numa régua logarítmica é multiplicar números: foi assim que engenheiros multiplicaram por três séculos. O logaritmo é o expoente, e a curva que se achata é o seu gráfico.Cada propriedade do logaritmo é uma propriedade da potência lida de trás para a frente: multiplicar potências soma expoentes, logo o log de um produto soma logs; elevar uma potência a k multiplica o expoente, logo logb(xk)=klogbx. Não há regra para soma. Diagrama autoral.f(x)=2x e g(x)=log2x são inversas: cada ponto (a,b) de uma é o ponto (b,a) da outra, e os dois gráficos são reflexos na reta y=x. A assíntota horizontal da exponencial vira a assíntota vertical do logaritmo. Diagrama autoral.g(x)=log2x (crescente) e h(x)=log1/2x=−log2x (decrescente) passam por (1,0) e têm o eixo y como assíntota vertical. Em g, dobrar x soma 1 a y: passos iguais em y são fatores iguais em x. Diagrama autoral.Numa régua comum, de 1 a 1 000 000 os primeiros valores somem. Na régua logarítmica, marca-se o expoente: distâncias iguais são fatores iguais, +1 degrau =×10, +3 degraus =×1000. Diagrama autoral.A escala de pH: cada unidade a menos é uma concentração de H+ dez vezes maior. A chuva ácida de pH 4 tem cem vezes mais H+ que a chuva comum de pH 6. Os valores dos exemplos são típicos, não exatos. Diagrama autoral.Decibéis e Richter: em ambas, somar na escala é multiplicar na grandeza. Do sussurro (30 dB) ao show (90 dB), a intensidade é multiplicada por 106. Na Richter, +1 é amplitude ×10 e energia ×32: grandezas diferentes na mesma escala. Diagrama autoral.Medir a fração de carbono-14 que resta e perguntar quantas meias-vidas de 5 730 anos se passaram é um logaritmo disfarçado de escavação: com 1/8 do original, três meias-vidas, 17 190 anos.As tábuas de logaritmos, do século XVII ao XX, trocavam uma multiplicação de sete algarismos por uma soma e duas consultas: log(xy) = log x + log y, a propriedade que deu origem a tudo.Chuva ácida de pH 4 contra chuva comum de pH 6: duas unidades de pH, cem vezes mais íons H⁺. Cada unidade a menos é um fator 10 na concentração.Na escala Richter, uma unidade a mais é amplitude dez vezes maior e energia cerca de 32 vezes maior. Magnitude 7 contra 5: cem vezes a amplitude, mil vezes a energia.Sussurro a 30 dB, show a 90 dB: seis degraus de 10 dB, um fator de um milhão na intensidade. Só a escala logarítmica põe os dois na mesma régua.Uma quantia que dobra a cada ano: quantos anos até ficar mil vezes maior? Entre 9 e 10, porque 2⁹ = 512 e 2¹⁰ = 1 024. A pergunta pede o expoente, e o expoente se chama logaritmo.
Rota PAS 1
Exponencial, logaritmo e PG: o crescimento que a intuição não vê · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Exponencial, logaritmo e PG: o crescimento que a intuição não vê · Logaritmo: a pergunta feita ao contrário (definição, tabela de símbolos, exemplo do milhão, regra do 70, os três jeitos de a banca cobrar, armadilha do log de soma, checagem log 200); Escalas logarítmicas: pH, Richter, decibéis e carbono-14 (tabela das quatro escalas, sussurro × show, régua logarítmica, armadilha escala não é grandeza, checagem Richter); Resolvido Calagem no Cerrado; exercícios N1 item 4, N2 itens 13 e 14, N3 itens 17 e 18; treino T15 a T17 e T19; Síntese
Recorte por assunto: só o logaritmo e a função logarítmica. A exponencial entra como ponte (a pergunta 'quanto haverá' contra a pergunta 'quando'); PG, juros compostos e os modelos exponenciais têm páginas próprias. Acrescentados ao recorte do capítulo: demonstração das quatro propriedades a partir das potências, mudança de base, logaritmo natural e o número e, anatomia do gráfico da função logarítmica e a simetria em y = x, equações e inequações logarítmicas com domínio, leitura de eixos em escala log, ordens de grandeza e número de algarismos, erros comuns com contraexemplos numéricos.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 1: 2016 (item 73, Física). PAS 2: 2009 (itens 104 e 105), 2011 (itens 46 e 50), 2012 (item 84), 2015 (itens 82, 83 e 94), 2016 (item 32), 2017 (item 85, transcrito da imagem de utils/material/PAS/provas/2017-PAS2-Prova.pdf, p. 11), 2018 (itens 62, 90 e 91), 2019 (item 105), 2021 (item 96), 2022 (item 96), 2023 (itens 62, 107 e 110). PAS 3: 2022 (item 72, Química)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao[-pasN]/AAAA.json. Fórmulas perdidas na extração (2015/94, 2023/107, 2011/50, 2009/104) conferidas na imagem do caderno em utils/material/PAS/provas/. Os itens de Química (2018/62, 2023/110, PAS 3 2022/72) e de Física (2015/82, 2016/73) foram mantidos porque a conta é a da escala logarítmica; recebem o nó de Matemática e o texto-base declara a origem. Os itens 2016/32, 2012/84, 2023/62, 2021/96, 2022/96 e 2019/105 são reutilizados por GUID da página de função exponencial.