A bateria do carro marca 12 V no voltímetro, acende o painel e o rádio, mas o motor de partida só faz um estalo. A pilha da gaveta acende o LED da lanterna e não move o carrinho. Nos dois casos a fonte ainda tem a tensão da etiqueta quando ninguém pede corrente e a perde justamente quando a corrente cresce. O que há dentro de uma pilha ou de uma bateria que faz a tensão cair sob carga, quanto da energia gerada chega de fato ao aparelho, e por que o mesmo motor que consome energia se comporta como um resistor quando trava?
O que você vai aprender
Definir força eletromotriz como a energia não elétrica convertida em elétrica por unidade de carga que atravessa o gerador (ε = W/q, em volts) e distinguir a fem da tensão medida nos terminais.
Explicar a origem da resistência interna (eletrólito, eletrodos, contatos, enrolamentos) e escrever a equação do gerador U = ε − ri, com os casos limites do circuito aberto (U = ε) e do curto-circuito (i_cc = ε/r).
Ler e construir a curva característica U × i de um gerador: intercepto ε no eixo das tensões, inclinação −r e corrente de curto-circuito no eixo das correntes; obter ε e r a partir de duas leituras de voltímetro e amperímetro.
Fazer o balanço de potência do gerador (P_gerada = εi, P_dissipada = ri², P_útil = Ui) e calcular o rendimento η = U/ε = R/(R + r).
Demonstrar que a potência transferida ao circuito externo é máxima quando R = r, com P_max = ε²/(4r) e rendimento de 50 %, e distinguir potência máxima de rendimento máximo.
Caracterizar o receptor pela força contraeletromotriz ε′ e pela resistência interna r′ (U = ε′ + r′i), fazer seu balanço de potência (P_consumida = Ui, P_útil = ε′i, P_dissipada = r′i²) e seu rendimento η = ε′/U; reconhecer o motor travado e a bateria em carga como casos particulares.
Resolver circuitos de uma malha com gerador, receptor e resistores pela lei de Pouillet, i = Σε/ΣR, incluindo todas as resistências internas, e verificar o resultado pela soma das tensões na volta completa.
Associar geradores em série (fems e resistências internas se somam) e geradores iguais em paralelo (mesma fem, resistência interna dividida, capacidade em ampère-hora somada) e prever a tensão e a autonomia de cada arranjo.
Usar corretamente amperímetro (em série, resistência interna pequena) e voltímetro (em paralelo, resistência interna grande), reconhecer o que cada um lê nos terminais de uma pilha com e sem carga e estimar o erro introduzido por um medidor real.
Aplicar o modelo do gerador real à bateria de automóvel na partida, ao banco de baterias, ao carregador de celular como receptor, à pilha fraca que acende o LED mas não move o motor e, qualitativamente, à curva característica de um painel solar.
Resolver os itens reais do PAS/UnB sobre o assunto (fem em circuito aberto e potência máxima de 2011, diodo retificador de 2011, motor real do bonde de 2017, gerador de 12 V com resistência interna de 2 Ω de 2013, bateria de lítio de 2020, pilhas do rádio de 2021, baterias em paralelo de 2023 e amperímetro de 2008), evitando os erros de tratar a fem como tensão nos terminais, trocar o sinal de r′i no receptor, confundir os rendimentos e esquecer r ao somar as resistências da malha.
Quem já ficou com o carro parado numa manhã fria conhece a cena. A chave gira, o painel acende, o rádio toca, e o motor de partida responde com um estalo seco e um zumbido curto. O voltímetro do painel marcava 12 V um segundo antes. A bateria não está “sem energia”: ela acende tudo o que pede pouca corrente e falha exatamente no único aparelho que pede muita, o motor de partida, que puxa 150 A ou 200 A por alguns segundos. O mesmo acontece com a pilha esquecida na gaveta: acende o LED da lanterna, que precisa de 20 mA, e não move o carrinho de brinquedo, que precisa de 1 A. Nos dois casos a fonte tem a tensão da etiqueta enquanto ninguém pede corrente e a perde quando a corrente cresce. O responsável é uma resistência que mora dentro da própria fonte, no eletrólito, nos eletrodos, nos contatos, e que desconta um pedaço da tensão para cada ampère que sai pelos terminais. Toda pilha, bateria, dínamo ou painel solar de verdade carrega essa resistência interna, e é ela que separa o gerador dos livros, com tensão fixa, do gerador que existe.
Esta é a página do gerador real e do seu par, o receptor. Ela define a força eletromotriz como energia por carga, deduz a equação U=ε−ri, ensina a ler a curva característica U×i com seu intercepto e sua inclinação, faz o balanço de potência do gerador e do receptor, demonstra em que condição a potência entregue ao circuito é máxima e por que esse ponto não é o de melhor rendimento, resolve circuitos de uma malha com gerador, receptor e resistores pela lei de Pouillet, compara pilhas em série e em paralelo, e explica o que um amperímetro e um voltímetro reais fazem com o circuito que medem. No PAS/UnB o assunto é da 3.ª etapa: a fem lida com o circuito aberto e a condição de potência máxima (2011, itens 56 e 65), o motor real do bonde (2017, item 91), o gerador de 12 V com resistência interna de 2 Ω ligado a um termômetro (2013, item 110), a bateria de lítio de 20 V e 1 Ω (2020, itens 111 e 112), as pilhas do rádio em série e em paralelo (2021, itens 85 a 87), as baterias de 4 V em paralelo (2023, item 95) e o amperímetro de resistência infinita (2008, item 70). A página pressupõe a corrente elétrica, a resistência elétrica e as leis de Ohm, a associação de resistores e a potência elétrica. Circuitos com duas ou mais malhas e sistemas de equações ficam na página de leis de Kirchhoff, em construção; o capacitor ligado ao circuito, na de capacitores; de onde vem a energia que as usinas geram, em geração de energia elétrica.
Força eletromotriz é energia por carga, não força
Um resistor só sabe fazer uma coisa com a energia elétrica: transformá-la em calor. Se um circuito tivesse só resistores e fios, a corrente pararia no primeiro instante, porque nada reporia a energia que os elétrons perdem nas colisões. O que mantém a corrente é um dispositivo que faz o caminho inverso, converte alguma outra forma de energia em energia elétrica e a entrega às cargas: é o gerador. Na pilha e na bateria, a energia é química, liberada pelas reações nos eletrodos. No dínamo e no alternador, é mecânica, vinda do eixo que gira. No painel solar, é a luz. Na termopilha, o calor. O nome “gerador” é da eletrodinâmica e não tem a ver com tamanho: uma pilha AA e a usina de Itaipu são geradores no mesmo sentido, dispositivos que elevam a energia potencial das cargas que os atravessam.
A grandeza que mede essa capacidade é a força eletromotriz, escrita ε e abreviada fem. Apesar do nome, herdado do século XIX, ela não é uma força: é a energia não elétrica convertida em elétrica por unidade de carga que atravessa o gerador,
ε=qWconvertida,
e por isso se mede em volts, joule por coulomb, como qualquer diferença de potencial. Uma pilha de 1,5 V entrega 1,5 J a cada coulomb que passa por dentro dela; uma bateria de carro de 12 V, 12 J por coulomb. Como a corrente é carga por segundo, a potência que o gerador converte é
Pgerada=εi,
energia por carga vezes carga por segundo. É a mesma conta P=Ui da página de potência elétrica, com a fem no lugar da tensão, e vale para qualquer gerador, químico, mecânico ou fotovoltaico.
Força eletromotriz (fem)
ε é a energia não elétrica convertida em energia elétrica por unidade de carga que atravessa o gerador: ε=W/q, em volts. Dentro do gerador, a corrente convencional vai do polo negativo para o polo positivo, subindo o potencial; fora dele, no circuito externo, vai do positivo para o negativo, descendo. A potência convertida é Pgerada=εi. A fem é uma propriedade do gerador (da química da pilha, do campo e da rotação do dínamo), não do circuito ligado a ele; a tensão nos terminaisU, ao contrário, depende da corrente que o circuito pede.
Nos esquemas, o gerador aparece como duas barras paralelas, a longa e fina para o polo positivo e a curta e grossa para o negativo, e a fem ao lado. O sentido da corrente dentro dele é o que mais confunde quem começa: no circuito externo a corrente convencional sai do polo positivo, atravessa os resistores e volta ao negativo, descendo o potencial a cada resistor; dentro do gerador ela vai do negativo para o positivo, contra o que faria sozinha, e é justamente aí que a energia química ou mecânica é gasta para empurrá-la ladeira acima. Um gerador é uma bomba de carga, e a fem é a altura que a bomba consegue erguer cada coulomb.
gerador
fem típica
de onde vem a energia
pilha alcalina AA
1,5 V
reação zinco–dióxido de manganês
célula de íons de lítio
3,6 a 4,2 V
intercalação de lítio entre os eletrodos
bateria de carro (6 células de chumbo-ácido)
12,6 V
reação chumbo–ácido sulfúrico
célula fotovoltaica de silício
0,5 a 0,6 V
luz absorvida na junção
alternador de automóvel
13 a 14 V (retificados)
rotação do motor via correia
gerador de hidrelétrica
13,8 kV a 25 kV
queda d’água na turbina
Em potência elétrica apareceu o item 61 da 3.ª etapa de 2011, em que uma bateria de 12 V fornece 4 A por 5 minutos e diminui sua energia química em 12×4×300=14400 J. Essa é a fem em ação: 12 J por coulomb, 1 200 C em cinco minutos, 14,4 kJ retirados da química da bateria. Repare que a conta usou a fem como se toda ela chegasse ao circuito. Se a bateria fosse real, uma fração desses 14,4 kJ nem sairia dela.
A resistência interna e a equação do gerador
Dentro de uma pilha, a corrente atravessa o eletrólito, uma pasta ou um líquido condutor bem pior do que o cobre; atravessa os eletrodos, porosos e de metais pouco condutores; passa pelos contatos entre as peças. Dentro de um dínamo, atravessa metros de fio enrolado. Tudo isso tem resistência, e a soma se chama resistência interna, r. Ela não é um componente separado que alguém colocou lá; é a resistência do próprio caminho da corrente dentro da fonte. Numa pilha AA nova, r fica em torno de 0,15 a 0,3 Ω; numa bateria de carro nova, em alguns milésimos de ohm; numa pilha gasta, r cresce para vários ohms, porque os reagentes se esgotam e o eletrólito seca.
O efeito de r segue de um balanço de energia. Cada coulomb que atravessa o gerador ganha ε joules da conversão e perde ri joules em calor na resistência interna (é a lei de Ohm aplicada ao trecho interno: tensão =ri). O que sobra para o circuito externo, por coulomb, é a tensão entre os terminais:
U=ε−ri.
A equação do gerador real
U=ε−ri
U é a tensão entre os terminais (o que um voltímetro ligado a eles mede), ε a fem, r a resistência interna e i a corrente que o gerador fornece. Dois casos limites:
Circuito aberto (i=0): U=ε. Sem corrente não há queda interna, e os terminais mostram a fem inteira; é o que o voltímetro lê numa pilha solta na bancada.
Curto-circuito (U=0, terminais ligados por um fio ideal): a corrente é a máxima que o gerador consegue dar, icc=ε/r.
Num circuito de uma malha com resistência externa R, a corrente é i=R+rε e a tensão nos terminais é U=Ri: as duas expressões de U, a do gerador (ε−ri) e a do resistor (Ri), dão o mesmo número, e é isso que fecha a malha.
Volte ao carro. Uma bateria de 12,6 V com r=0,01 Ω alimentando o painel e o rádio, uns 5 A, perde 0,01×5=0,05 V: o voltímetro marca 12,55 V, nem se nota. Na partida, o motor pede 200 A e a queda interna é 0,01×200=2 V: os terminais caem para 10,6 V, as luzes do painel diminuem por um instante e o motor gira. Agora envelheça a bateria até r=0,05 Ω. Com 5 A, a queda é 0,25 V, e nada muda para o rádio. Com 200 A, a queda seria 10 V, sobrariam 2,6 V para o motor de partida, e ele não gira; a corrente real fica bem menor que 200 A, o estalo é o solenoide fechando e a partida falhando. A bateria “está com 12 V” e está morta para o único aparelho que importa. A pilha da gaveta é o mesmo caso em miniatura: com ε=1,4 V e r=5 Ω, ela entrega ao LED (20 mA) uma tensão 1,4−5×0,02=1,3 V, suficiente; ao motor do carrinho, que pediria 1 A, ela só consegue dar i=1,4/(5+1)≈0,23 A se o motor tiver 1 Ω, e o motor não vence o atrito.
"A bateria é de 12 V, então há 12 V no circuito"
A etiqueta traz a fem, e a fem é a tensão em circuito aberto. Assim que a corrente circula, a tensão nos terminais é ε−ri, sempre menor do que a etiqueta, e menor quanto maior a corrente. Um item que diga que “a diferença de potencial entre os terminais de um gerador real é igual à sua força eletromotriz” só está certo se completar “quando não há corrente”; foi exatamente essa a redação do item 56 da 3.ª etapa de 2011, gabarito certo. Sem essa condição, o item estaria errado.
Uma consequência que a prova gosta: o gerador ideal é o caso r=0. Entre os seus terminais a tensão é sempre a fem, independentemente do que esteja ligado ao resto do circuito, e a corrente que fornece é decidida pela resistência externa, sem limite. É o modelo usado sempre que o enunciado diz “bateria ideal” ou “sem resistência interna”, como a bateria de 24 V das dezesseis lâmpadas de 2023; um item que compare a tensão entre os terminais de uma fonte ideal em dois circuitos diferentes se julga sem conta nenhuma, porque ela é a fem nos dois. Quando o enunciado dá a resistência interna, ela entra na malha como um resistor a mais, em série com a fem, e esquecê-la é o erro mais comum do assunto.
A curva característica: uma reta que conta ε, r e a corrente de curto
A equação U=ε−ri é a de uma reta, com U no eixo vertical e i no horizontal. É a curva característica do gerador, e cada elemento da reta tem um significado físico.
O intercepto no eixo das tensões é ε: a tensão com corrente zero.
A inclinação é −r: cada ampère a mais derruba a tensão em r volts. Reta mais inclinada, gerador com mais resistência interna, pior sob carga.
O intercepto no eixo das correntes é a corrente de curto-circuito, icc=ε/r: a corrente que zera a tensão nos terminais.
Como a reta é definida por dois pontos, dois pares (i,U) medidos bastam para obter tudo. Suponha que uma pilha marque 1,50 V em circuito aberto e 1,20 V quando fornece 0,60 A. O intercepto dá ε=1,50 V; a inclinação dá r=(1,50−1,20)/0,60=0,50 Ω; a corrente de curto é 1,50/0,50=3,0 A. Se os dois pontos medidos não incluem o circuito aberto, a conta é a mesma com duas equações: com U1=ε−ri1 e U2=ε−ri2, a diferença dá r=(U1−U2)/(i2−i1) e depois ε=U1+ri1.
A curva característica do gerador é a reta U=ε−ri. O intercepto vertical é a fem (12 V), a inclinação é −r e o intercepto horizontal é a corrente de curto, ε/r. A pilha gasta tem a mesma fem e reta mais inclinada: cai mais depressa com a corrente. Diagrama autoral.
Ler a reta ao contrário
No gráfico U×i, o eixo vertical é tensão e o horizontal é corrente. Quem inverte lê a inclinação como −1/r e troca fem por corrente de curto. Confira sempre pelas unidades: o intercepto em volts é a fem; o intercepto em ampères é icc. E lembre que a reta do gerador desce: uma reta que sobe com a corrente é a curva característica de um receptor, assunto de uma seção adiante.
A pilha gasta tem uma curva reveladora. Sua fem quase não muda com o uso, porque ela depende da química dos eletrodos; o que cresce é r. A reta parte do mesmo intercepto e fica cada vez mais inclinada: a mesma tensão em aberto e uma tensão muito menor sob carga. Por isso medir a tensão de uma pilha solta com o voltímetro não diz se ela está boa: uma pilha que marca 1,45 V em aberto pode marcar 0,9 V dentro do brinquedo. Os testadores de pilha decentes fazem a medição com uma carga ligada, isto é, medem um ponto da reta longe do intercepto.
Potência e rendimento do gerador: quem fica com quanto
A equação U=ε−ri vira um balanço de potência quando se multiplica tudo pela corrente:
εi=Ui+ri2.
O lado esquerdo é a potência gerada (ou total), a taxa em que o gerador converte energia química ou mecânica em elétrica. O primeiro termo da direita é a potência útil, entregue ao circuito externo pelos terminais. O segundo é a potência dissipada na resistência interna, o calor que esquenta a pilha em uso. A energia se conserva: o que é gerado ou sai pelos terminais ou vira calor dentro.
Balanço de potência e rendimento do gerador
Pgerada=εiPuˊtil=UiPdissipada=ri2
Pgerada=Puˊtil+Pdissipada
O rendimento é a fração da potência gerada que chega ao circuito:
η=PgeradaPuˊtil=εiUi=εU=R+rR.
A última forma vale para um resistor R ligado ao gerador: o rendimento é a fração da resistência total que está fora do gerador. Rendimento alto pede R≫r, isto é, corrente pequena diante da corrente de curto.
Um exemplo completo. Uma bateria de ε=12 V e r=1 Ω alimenta um resistor de 5 Ω. A corrente é i=12/(5+1)=2 A. A tensão nos terminais é U=12−1×2=10 V, e também U=5×2=10 V pelo resistor: a malha fecha. Potência gerada: 12×2=24 W. Potência útil: 10×2=20 W, ou 5×22=20 W. Potência dissipada dentro: 1×22=4 W. Soma: 20+4=24 W. Rendimento: 10/12=5/6≈83%, ou 5/(5+1), o mesmo número. Dos 24 J que a bateria converte por segundo, 20 J chegam ao resistor e 4 J esquentam a própria bateria.
A prova cobrou o balanço com um gerador de 12 V e r=2 Ω ligado a um termômetro de resistência, no item 110 da 3.ª etapa de 2013. O gráfico do caderno mostrava a resistência do termômetro crescendo linearmente com a temperatura, de 1 Ω a 0 °C até 21 Ω a 20 °C, um ohm por grau; a 19 °C, então, R=20 Ω. A corrente é i=12/(20+2)=6/11≈0,545 A, e a potência total fornecida pelo gerador é εi=12×6/11=72/11≈6,55 W, entre 6 W e 7 W, gabarito B. Quem esqueceu a resistência interna calculou i=0,6 A e P=7,2 W, caiu na opção C; quem usou Ui com U=20×6/11 achou a potência útil, 5,95 W, e caiu na A. O item testa se o candidato sabe que “potência total do gerador” é εi e que r entra na corrente.
A pilha que esquenta
Uma pilha em uso pesado fica morna, e um celular carregando rápido fica quente: é a potência ri2 na resistência interna. Uma célula de lítio com r=0,05 Ω descarregando a 3 A dissipa 0,05×9=0,45 W dentro dela; a 6 A, quatro vezes mais, 1,8 W. Por isso descargas rápidas aquecem mais que proporcionalmente, e por isso baterias de carro elétrico têm refrigeração: a perda interna cresce com o quadrado da corrente, como a perda numa linha de transmissão.
A potência máxima é entregue quando R = r, e isso não é o melhor rendimento
Volte à bateria de 12 V e 1 Ω e varie o resistor. Com R=5 Ω, a potência útil foi 20 W. Com R=1 Ω, igual a r: i=12/2=6 A e P=1×36=36 W, mais. Com R=0,5 Ω: i=12/1,5=8 A e P=0,5×64=32 W, já caiu. Com R=0, curto-circuito: 12 A de corrente e potência útil zero, porque U=0; todos os 144 W gerados viram calor dentro da bateria. Com R→∞, circuito aberto, corrente zero e potência zero. Entre os dois zeros há um máximo, e ele fica em R=r.
A demonstração é curta. A potência útil em função de R é
Puˊtil=Ri2=(R+r)2ε2R.
Escreva o denominador como (R+r)2=(R−r)2+4Rr. Então
Puˊtil=(R−r)2+4Rrε2R=4rε2⋅(R−r)2+4Rr4Rr,
e a fração da direita é no máximo 1, quando (R−r)2=0, ou seja, R=r. Logo
Pmaˊx=4rε2,em R=r,i=2rε=2icc,U=2ε.
Para a bateria de 12 V e 1 Ω: Pmaˊx=144/4=36 W, com 6 A e 6 V nos terminais, os números encontrados acima. Em função da corrente, Puˊtil=Ui=(ε−ri)i=εi−ri2 é uma parábola com concavidade para baixo, zero em i=0 e em i=icc, e vértice no meio, i=icc/2.
Potência máxima transferida
A potência entregue por um gerador de fem ε e resistência interna r a um resistor R é máxima quando R=r, e vale
Pmaˊx=4rε2.
Nesse ponto a corrente é metade da de curto-circuito, a tensão nos terminais é metade da fem e o rendimento é 50 %: metade da potência gerada vira calor dentro do gerador. Para os dois lados de R=r a potência útil diminui.
Potência útil e rendimento do mesmo gerador em função da corrente. A potência útil é máxima no meio do caminho (i=icc/2, R=r), justamente onde o rendimento já caiu a 50 %. Rendimento alto pede corrente pequena; potência alta pede corrente média; as duas coisas não acontecem juntas. Diagrama autoral.
Potência máxima não é rendimento máximo
São dois pontos diferentes da curva. O rendimento η=R/(R+r) cresce sem parar com R e se aproxima de 100 % quando R≫r, mas aí a potência útil é pequena, porque a corrente é pequena. A potência útil é máxima em R=r, onde η=50%. O item 65 da 3.ª etapa de 2011 afirmava que a potência fornecida pela fonte a uma resistência “é máxima quando o valor da resistência é o dobro do valor da resistência interna”: errado, é quando os dois são iguais. Na prática de engenharia, a escolha depende do objetivo: um amplificador que alimenta um alto-falante quer potência máxima e casa as impedâncias; uma rede elétrica quer rendimento e opera com R≫r, muito longe do ponto de potência máxima.
Uma leitura que vale guardar: no ponto de potência máxima o gerador está trabalhando a meia tensão e meia corrente de curto, e dissipando dentro de si tanto quanto entrega. Nenhuma pilha comercial é projetada para operar aí; os aparelhos são feitos para puxar correntes bem menores que icc, na região de rendimento alto. A condição R=r aparece em telecomunicações e áudio, onde o que importa é extrair o máximo sinal de uma fonte fraca, e a energia perdida não custa nada.
O receptor é o gerador ao contrário: U = ε′ + r′i
Um motor elétrico, um carregador enchendo uma bateria, uma cuba eletrolítica: os três recebem energia elétrica e a convertem em alguma outra forma que não é calor, mecânica, química. Chamam-se receptores. O resistor não é receptor, porque tudo o que recebe vira calor; o receptor é o componente que tem uma parcela útil, não térmica, na conta. A grandeza que mede essa parcela é a força contraeletromotriz, ε′: a energia elétrica convertida em energia útil por unidade de carga que atravessa o receptor, em volts, exatamente como a fem do gerador, mas no sentido inverso. Um motor de ε′=10 V converte 10 J em trabalho mecânico a cada coulomb que passa por ele.
O receptor também tem resistência interna, r′: o fio do enrolamento do motor, o eletrólito da bateria em carga. Cada coulomb que o atravessa entrega ε′ joules para a conversão útil e r′i joules para o calor, e por isso a tensão que o circuito precisa aplicar nos seus terminais é a soma:
U=ε′+r′i.
A equação do receptor
U=ε′+r′i
U é a tensão aplicada nos terminais, ε′ a força contraeletromotriz (a parte útil, por coulomb) e r′ a resistência interna. Multiplicando pela corrente:
O rendimento do receptor é a fração da potência recebida que vira forma útil:
η′=PconsumidaPuˊtil=Uiε′i=Uε′.
A curva característica U×i do receptor é uma reta que sobe, com intercepto ε′ e inclinação +r′. Dentro do receptor a corrente convencional entra pelo polo positivo e sai pelo negativo, descendo o potencial: ele é um degrau para baixo na malha, como um resistor, mas um degrau que não é só calor.
Um exemplo com números. Um motor de ε′=10 V e r′=2 Ω é percorrido por 1,5 A. A tensão nos seus terminais é U=10+2×1,5=13 V. Ele consome 13×1,5=19,5 W; converte em trabalho mecânico 10×1,5=15 W; esquenta com 2×1,52=4,5 W. Soma: 15+4,5=19,5 W, fecha. Rendimento: 10/13≈77%. Repare no paralelo com o gerador: lá o útil era Ui e o total εi; aqui o total é Ui e o útil ε′i. As fórmulas são as mesmas com os papéis trocados, e trocar o sinal de r′i é o erro que mais custa item neste assunto: no gerador a resistência interna tira tensão dos terminais (U=ε−ri), no receptor ela exige tensão a mais (U=ε′+r′i).
O balanço de potência do gerador e do receptor é o mesmo desenho com a seta de entrada trocada de lado. No gerador, entra energia não elétrica (εi) e sai energia elétrica (Ui) mais calor (ri2). No receptor, entra energia elétrica (Ui) e sai energia útil (ε′i) mais calor (r′i2). O rendimento é sempre útil sobre total: U/ε no gerador, ε′/U no receptor. Diagrama autoral.
Motor travado é resistor
A força contraeletromotriz de um motor vem do movimento: é o eixo girando dentro do campo magnético que gera a tensão contrária. Se o eixo trava, ε′=0, e o motor vira um resistor de resistência r′. O motor do exemplo, com 13 V aplicados e o eixo preso, puxa 13/2=6,5 A em vez de 1,5 A, e dissipa 13×6,5=84,5 W inteiramente em calor no enrolamento: mais de quatro vezes a corrente normal, nenhuma parcela útil. É por isso que um motor travado queima, que o liquidificador com a faca presa cheira a plástico quente, e que a corrente de partida de qualquer motor (no instante em que ainda não gira) é muito maior que a de regime. A mesma lógica vale no sentido oposto: um motor girando sem carga nenhuma, livre, acelera até que ε′ quase iguala U, e a corrente cai a quase zero.
A bateria em carga é o segundo receptor que a prova conhece. Quando o carregador aplica nos terminais de uma célula de lítio uma tensão maior que a fem dela, a corrente entra pelo polo positivo, a reação química corre ao contrário e a bateria armazena energia: ela é um receptor de ε′ igual à sua fem e r′ igual à sua resistência interna. Uma célula de ε′=3,7 V e r′=0,2 Ω ligada a um carregador que impõe 4,2 V nos terminais recebe i=(4,2−3,7)/0,2=2,5 A; dos 4,2×2,5=10,5 W que entram, 3,7×2,5=9,25 W viram energia química e 0,2×2,52=1,25 W viram calor, e o celular esquenta no carregador. A mesma célula, descarregando a 2,5 A, entregaria 3,7−0,2×2,5=3,2 V nos terminais: a resistência interna cobra na ida e na volta. O item 91 da 3.ª etapa de 2017 cobrou a ideia pelo lado do motor do bonde: se o motor não fosse ideal, “seria necessário inserir um resistor para representar a sua resistência interna” no esquema do circuito, e o gabarito é certo. Motor real é ε′ em série com r′, e o resistor a mais no desenho é esse r′.
A lei de Pouillet resolve a malha inteira numa linha
Com um gerador, um receptor e resistores numa única malha, a corrente é a mesma em todos, e a lei das malhas (a soma das tensões numa volta completa é zero) vira uma só equação. Percorra a malha no sentido da corrente: o gerador sobe ε e desce ri; o receptor desce ε′ e desce r′i; cada resistor desce Ri. Somando e igualando a zero,
ε−ri−ε′−r′i−Ri=0⟹i=r+r′+Rε−ε′.
Lei de Pouillet
Numa malha única,
i=∑R∑ε−∑ε′:
a corrente é a soma das fems dos geradores menos a soma das forças contraeletromotrizes dos receptores, dividida pela soma de todas as resistências da malha, as externas, as internas dos geradores e as internas dos receptores. Se a conta der negativa, a corrente circula no sentido oposto ao suposto, e o componente que você chamou de receptor é na verdade quem está fornecendo. Com um gerador só e nenhum receptor, a lei se reduz a i=ε/(R+r), a equação da primeira seção.
Volte ao gerador de 12 V e 1 Ω e ligue a ele o motor de 10 V e 2 Ω em série com um resistor de 2 Ω. Pouillet: i=(12−10)/(1+2+2)=2/5=0,4 A. É pouco, porque sobram só 2 V de “fem líquida” para empurrar a corrente por 5 Ω. Confira pela volta: 12−1×0,4−10−2×0,4−2×0,4=12−0,4−10−0,8−0,8=0. Fecha. Balanço: o gerador converte 12×0,4=4,8 W, perde 1×0,16=0,16 W dentro e entrega 4,64 W; o motor recebe (10+0,8)×0,4=4,32 W, converte 4 W em trabalho e esquenta 0,32 W; o resistor dissipa 2×0,16=0,32 W. E 4,32+0,32=4,64 W, o que o gerador entregou. Cada joule tem endereço.
Troque o motor por um de ε′=6 V e r′=1 Ω: i=(12−6)/(1+1+2)=1,5 A, e a volta fecha de novo, 12−1,5−6−1,5−3=0. Agora o motor converte 6×1,5=9 W em trabalho com rendimento 6/(6+1,5)=80%, e o gerador trabalha com rendimento (12−1,5)/12=87,5%. O rendimento do conjunto, do que a bateria converte ao que o motor entrega, é 9/18=50%: metade da energia química virou calor em algum lugar da malha.
O bloco de 2020 da 3.ª etapa é o caso em que a resistência interna decide a conta: a figura trazia uma bateria de lítio de 20 V, com r=1 Ω, alimentando um resistor R e, depois dele, dois resistores iguais de 20 Ω em paralelo (R1=R2), cada um percorrido por 0,5 A. O par em paralelo tem corrente total de 1 A e tensão 20×0,5=10 V, equivalente a 10 Ω. Pouillet na malha reduzida: 20=1×(1+R+10), logo R=9 Ω, a resposta 009 do item 112, tipo B. E a potência total dissipada nos resistores, item 111, é 9×12+10=19 W, não os 10 W do enunciado, que contava só o par e esquecia R: errado. O degrau que separa esse bloco de uma conta de associação é o r=1 Ω somado dentro do parêntese: quem o esquece acha R=10 Ω e erra o tipo B por um. Malhas com duas fontes que não se reduzem a uma linha, como o circuito de três malhas da obra da UFPR cobrado em 2025 ou a malha com duas baterias em oposição de 2014, pedem as leis de Kirchhoff completas e ficam na página delas.
Pilhas em série ou em paralelo: tensão ou autonomia
Quatro pilhas de 1,5 V num controle remoto estão em série; duas baterias de carro ligadas para dar partida num caminhão estão em paralelo. Os dois arranjos resolvem problemas diferentes.
Associação de geradores
Em série (o positivo de uma no negativo da seguinte): somam-se as fems, e somam-se também as resistências internas,
εs=ε1+ε2+⋯,rs=r1+r2+⋯.
n pilhas iguais: nε e nr. A corrente é a mesma em todas, e a carga que cada uma fornece é a mesma: a capacidade (em ampère-hora) do conjunto é a de uma pilha só.
Em paralelo (positivos juntos, negativos juntos; só com geradores iguais): a fem fica a mesma e a resistência interna se divide,
εp=ε,rp=nr.
A corrente total se reparte entre as pilhas, cada uma fornece 1/n dela, e a capacidade do conjunto é a soma: n vezes a de uma.
O ampère-hora (Ah) é unidade de carga: 1 Ah é a carga transportada por 1 A durante 1 hora, 3600 C. Uma pilha de 2 000 mAh fornece 0,2 A por 10 horas, ou 1 A por 2 horas (na prática um pouco menos, porque a capacidade cai em correntes altas).
Pegue duas pilhas de 1,5 V, 0,3 Ω e 2 000 mAh. Em série: 3 V, 0,6 Ω, 2 000 mAh. Em paralelo: 1,5 V, 0,15 Ω, 4 000 mAh. A energia armazenada é a mesma nos dois arranjos, 3×2=6 Wh ou 1,5×4=6 Wh, como tem de ser, porque são as mesmas duas pilhas. O que muda é a forma: a série oferece tensão, o paralelo oferece corrente e autonomia. Um rádio que precisa de 3 V para funcionar só liga com a série; um LED de 1,5 V dura o dobro com o paralelo. Foi exatamente o par de circuitos do bloco de 2021 da 3.ª etapa: um rádio com tensão mínima de funcionamento de 3 V, alimentado no circuito I por duas pilhas de 1,5 V e 2 000 mAh em série entre os pontos a e b, e no circuito II por duas iguais em paralelo entre c e d. A capacidade total entre c e d é 2×2000=4000 mAh =4 Ah (item 85, certo); a série do circuito I fornece 3 V, que é a tensão mínima do rádio, então afirmar que ela “não fornece a tensão mínima” é errado (item 86); e, no tipo C do item 87, Vdc=1,5 V é menor que Vba=3,0 V, opção D, enquanto as outras trocam a tensão da série pela do paralelo ou vice-versa. Dois anos depois, em 2023, a banca repetiu a definição num item curto: três baterias de íons de lítio de 4 V em paralelo não equivalem a um gerador de 12 V (errado); paralelo mantém 4 V e triplica a capacidade, e 12 V exigiria as três em série.
As mesmas duas pilhas, duas montagens. Em série, as fems se somam (3 V) e a capacidade é a de uma pilha (2 000 mAh); em paralelo, a fem é a de uma (1,5 V) e as capacidades se somam (4 000 mAh). A energia total é igual nos dois casos. É o par de circuitos do rádio a pilha do PAS de 2021. Diagrama autoral.
A pilha ao contrário e o paralelo de pilhas diferentes
Uma pilha invertida numa série de quatro não “cancela” a vizinha de forma inocente: as fems somam 1,5+1,5+1,5−1,5=3 V em vez de 6 V, e a pilha invertida, atravessada pela corrente ao contrário, trabalha como receptor, sendo carregada à força, o que uma pilha comum não aguenta: esquenta, vaza. E ligar em paralelo pilhas de fems diferentes, ou uma nova com uma gasta, cria uma corrente que circula entre elas mesmo sem carga nenhuma: com 1,6 V e 1,4 V e 0,3 Ω cada, i=(1,6−1,4)/(0,3+0,3)≈0,33 A ficam girando da pilha mais forte para a mais fraca até as duas se igualarem, gastando energia em calor. A regra do paralelo pede geradores iguais; por isso os manuais mandam trocar todas as pilhas de uma vez.
Medidores reais: o que o amperímetro e o voltímetro fazem com o circuito
Todo medidor rouba um pouco do que mede, porque é um componente a mais no circuito. O amperímetro entra em série com o ramo cuja corrente se quer e tem resistência interna RA pequena, idealmente zero; se RA fosse grande, ele mesmo reduziria a corrente que veio medir. O voltímetro entra em paralelo com o trecho cuja tensão se quer e tem resistência interna RV grande, idealmente infinita; se RV fosse pequena, ele desviaria corrente por dentro de si e mudaria a tensão que veio medir. A definição decidiu o item 70 da 3.ª etapa de 2008, num circuito em que um amperímetro media a corrente de uma célula fotoelétrica: “uma das exigências para que o amperímetro não interfira na medida é que ele tenha resistência infinita” é errado, porque infinita é a do voltímetro; a do amperímetro tem de ser nula.
Com os dois medidores se mede o que uma pilha tem dentro. A reta U=ε−ri fica definida por dois pontos, e o experimento clássico de laboratório é este:
Com a pilha em aberto, só o voltímetro ligado aos terminais, a corrente é praticamente zero (RV enorme) e a leitura é a fem: ε=1,58 V, digamos.
Liga-se um resistor de 10 Ω aos terminais, com o amperímetro em série e o voltímetro ainda em paralelo com a pilha. O voltímetro cai para 1,50 V e o amperímetro marca 0,15 A (que é 1,50/10, conferindo).
r=(ε−U)/i=(1,58−1,50)/0,15≈0,53 Ω.
Com uma pilha gasta a mesma montagem dá, por exemplo, 1,45 V em aberto e 0,95 V com os 10 Ω: i=0,095 A e r=0,50/0,095≈5,3 Ω, dez vezes a da pilha nova. É a medida que o testador de pilhas faz, e é a medida que o voltímetro sozinho, em aberto, não consegue fazer.
Dois pontos bastam. Em aberto, o voltímetro lê a fem (1,58 V); com a carga, o voltímetro lê U (1,50 V) e o amperímetro lê i (0,15 A). A inclinação da reta entre os dois pontos é −r: r=0,08/0,15≈0,53 Ω. A corrente de curto, onde a reta cortaria o eixo horizontal, seria ε/r≈3 A. Diagrama autoral.
Quanto o medidor real atrapalha? Dá para estimar com as mesmas equações. Um voltímetro digital comum tem RV=10 MΩ; ligado à pilha de r=0,5 Ω, puxa 1,58/(107) A, menos de um microampère, e derruba a tensão em 0,5×1,6×10−7 V: nada mensurável. A leitura “em aberto” é a fem para todos os efeitos. Já um amperímetro com RA=0,1 Ω inserido na malha do gerador de 12 V e 1 Ω com o resistor de 5 Ω muda a corrente de 12/6=2 A para 12/6,1≈1,97 A, 1,6 % a menos: tolerável. Mas o mesmo amperímetro ligado diretamente aos terminais de uma bateria de carro (r=0,01 Ω), na tentativa de “medir a corrente de curto”, leria 12,6/(0,01+0,1)≈115 A em vez dos 1 260 A reais, porque a resistência do medidor domina a malha, e provavelmente queimaria o fusível do aparelho no caminho. O medidor só não interfere quando sua resistência é desprezível diante das outras do ramo (amperímetro) ou enorme diante das do trecho (voltímetro).
Trocar os medidores de lugar
Voltímetro em série abre o circuito: sua resistência enorme zera a corrente, e ele passa a ler a fem inteira da fonte, porque com i=0 não há queda em lugar nenhum. Amperímetro em paralelo com um componente é um curto-circuito sobre ele: resistência quase nula entre dois pontos, corrente enorme pelo medidor, fusível queimado. Em item de prova, “voltímetro em série” e “amperímetro em paralelo” são erros de definição e se julgam sem conta. E lembre o que o voltímetro nos terminais lê quando há corrente: U=ε−ri, não ε; a etiqueta de 12 V da bateria é a leitura em aberto.
Onde o modelo aparece: a partida do carro, o banco de baterias e o painel solar
A partida do carro. A bateria de 12 V (seis células de chumbo-ácido de 2,1 V em série, fem de 12,6 V) tem capacidade típica de 60 Ah e resistência interna de 5 a 20 mΩ quando nova. O motor de partida pede de 150 A a 300 A por dois ou três segundos. Com r=0,01 Ω e 200 A, os terminais caem a 10,6 V, e tudo funciona. No frio, o eletrólito fica mais viscoso e a reação mais lenta, o que sobe r; numa bateria velha, as placas sulfatadas sobem r de novo. Com r=0,05 Ω, a queda a 200 A seria 10 V, e sobrariam 2,6 V para o motor: ele não gira, embora o voltímetro marcasse 12,35 V um segundo antes, com o painel puxando 5 A. É a cena da abertura, e é uma leitura direta de U=ε−ri: a mesma fonte serve ao aparelho de corrente pequena e falha no de corrente grande. O “chupeta” com outro carro liga uma segunda bateria em paralelo, que divide a corrente e, com a resistência interna do conjunto reduzida, devolve a tensão nos terminais.
O banco de baterias. Um nobreak, um sistema solar residencial ou um carro elétrico guardam dezenas ou centenas de células. Elas se organizam em série até a tensão desejada (um carro elétrico típico usa cerca de 96 células de lítio em série, 3,7 V cada, para chegar a uns 350 V) e em paralelo para somar capacidade e dividir a corrente em cada célula. A escolha da tensão alta tem a mesma razão da linha de transmissão: para a mesma potência, mais tensão é menos corrente, e menos corrente é menos perda ri2 nos cabos, nos conectores e dentro das próprias células.
O painel solar. Uma célula fotovoltaica é um gerador cuja fonte de energia é a luz, e seu comportamento mostra o que acontece quando o modelo linear U=ε−ri deixa de valer. A curva característica de um painel não é uma reta: a corrente fica quase constante, perto da corrente de curto-circuitoicc, enquanto a tensão sobe, e só despenca perto da tensão de circuito abertoUca. O produto Ui tem um máximo no “joelho” da curva, o ponto de potência máxima, tipicamente com tensão em torno de 80 % de Uca. Um painel de Uca=40 V e icc=10 A entrega perto de 32×9,4≈300 W nesse ponto, e muito menos tanto em curto (tensão zero) quanto em aberto (corrente zero), exatamente como o gerador da seção da potência máxima. A diferença é que o painel não tem um r fixo: a inclinação da curva muda ao longo dela. Os controladores de carga chamados MPPT (rastreamento do ponto de potência máxima) ajustam a resistência que o painel enxerga para mantê-lo no joelho, porque a luz e a temperatura deslocam a curva o dia inteiro: mais luz sobe icc quase proporcionalmente; mais calor baixa Uca.
A curva característica de um painel fotovoltaico, com a corrente no eixo vertical: quase plana perto da corrente de curto (icc) e em queda brusca perto da tensão de circuito aberto (Uca). A potência Ui é a área do retângulo até o ponto de operação e é máxima no joelho. Com metade da luz, icc cai pela metade e Uca quase não muda. A reta cinza mostra o que seria um gerador linear com os mesmos extremos. Diagrama autoral.
O carregador e o retificador. O carregador de celular é, visto da célula, o gerador que a carrega; visto da tomada, é um receptor que converte a corrente alternada de 127 V ou 220 V em contínua de 5 V. O primeiro passo dessa conversão é o retificador, feito de diodos, componentes que deixam a corrente passar num sentido e a bloqueiam no outro. Um diodo só, em série com a fonte alternada, corta as meias-ondas de um dos sinais e deixa passar as outras: o resultado é uma corrente que pulsa só para o lado positivo, com intervalos de zero entre os pulsos, a retificação de meia onda. Quatro diodos em ponte invertem as meias-ondas negativas em vez de cortá-las e produzem pulsos positivos sem intervalos, a retificação de onda completa. Foi o item 63 da 3.ª etapa de 2011, tipo C: a forma de onda da fonte era uma senoide, o enunciado definia o diodo como “dispositivo que permite a passagem de corrente elétrica em um sentido, mas não, no sentido oposto”, e a opção certa, A, era o gráfico com as meias-ondas positivas separadas por trechos nulos; a opção com todos os lobos positivos e sem intervalos é a onda completa, que um diodo sozinho não produz.
Por que a pilha fraca ainda acende o relógio
Um relógio de parede puxa décimos de miliampère; uma lanterna de LED, dezenas de miliampères; um carrinho com motor, um ampère. Uma pilha com ε=1,4 V e r=5 Ω entrega 1,4−5×0,0002≈1,4 V ao relógio, 1,4−5×0,02=1,3 V ao LED e menos de 0,7 V a qualquer coisa que peça mais de 0,15 A. A “pilha fraca” não perdeu a fem: perdeu a capacidade de fornecer corrente, porque r subiu. Por isso a dica caseira de passar as pilhas do brinquedo para o controle remoto funciona: o controle pede pouca corrente e não sente o r alto.
Como a banca pergunta
O gerador real e seus vizinhos renderam itens em sete provas da 3.ª etapa entre 2008 e 2023, quase sempre em bloco com figura, e nos três formatos: certo/errado, resposta numérica (2020) e múltipla escolha (2011, 2013, 2021). O bloco de 2025 sobre o circuito de três malhas, que também cobra a fonte ideal, fica inteiro na página de leis de Kirchhoff. Os itens estão na aba de exercícios, verbatim; aqui vai a leitura de cada um.
A fem em circuito aberto (2011, item 56). “A diferença de potencial entre os terminais de um gerador elétrico real, como uma bateria, é igual à sua força eletromotriz, caso ele não esteja ligado a um circuito e não haja corrente através dos seus terminais.” É U=ε−ri com i=0. Certo. A condição final é o que salva o item; sem ela, estaria errado.
A potência máxima (2011, item 65). “A potência fornecida por uma fonte de força eletromotriz a uma resistência é máxima quando o valor da resistência é o dobro do valor da resistência interna da fonte.” É quando R=r, não o dobro. Errado. O item testa se o candidato conhece a condição, não se sabe demonstrá-la; a demonstração está na seção da potência máxima para quem quiser.
O diodo retificador (2011, item 63, tipo C). Senoide na entrada, “passagem de corrente em um sentido, mas não no sentido oposto”: meias-ondas positivas com intervalos de zero, opção A. A opção com lobos positivos sem intervalo é a onda completa (ponte de quatro diodos); a de lobos negativos inverte o sentido; a trapezoidal é um ceifamento, não uma retificação.
O gerador de 12 V e 2 Ω (2013, item 110, tipo C). O gráfico do caderno dá a resistência do termômetro: 1 Ω a 0 °C, subindo 1 Ω por grau, 20 Ω a 19 °C. “Potência total fornecida pelo gerador” é εi, com i=12/(20+2)=6/11 A: 72/11≈6,5 W, “superior a 6 W e inferior a 7 W”, opção B. Esquecer r dá 7,2 W (opção C); calcular a potência útil Ui dá 5,95 W (opção A). O mesmo gráfico serviu ao item 111 do bloco, tipo B, que pedia a resistência a 50 °C (51 Ω) e está na página de temperatura e calor.
O motor real do bonde (2017, item 91). “Se o motor não fosse considerado um sistema elétrico ideal, então, no circuito da figura III, seria necessário inserir um resistor para representar a sua resistência interna.” Receptor real é ε′ em série com r′. Certo. O item 89 do mesmo bloco, sobre o fusível em paralelo com o reostato, está na página de associação de resistores; o 90, sobre o raio do fio do reostato, na de resistência elétrica.
A bateria de lítio com r = 1 Ω (2020, itens 111 e 112). Par em paralelo de 20 Ω com 0,5 A em cada: 10 V e 1 A. Pouillet com a resistência interna: 20=1×(1+R+10), R=9 Ω, marcação 009 (item 112). Potência total nos resistores: 9+10=19 W, e não 10 W (item 111, errado). O item 114 do bloco, tipo D, pedia o esboço do potencial ao longo do circuito: sobe 20 na fem, desce 1 em r, desce 9 em R, desce 10 no par; é a lei das malhas desenhada, e fica na página de leis de Kirchhoff, em construção.
As pilhas do rádio (2021, itens 85 a 87). Circuito I: duas pilhas de 1,5 V e 2 000 mAh em série entre a e b, negativo em a. Circuito II: duas iguais em paralelo entre c e d, negativos em c. Item 85: capacidade entre c e d igual a 4 Ah: 2×2000 mAh. Certo. Item 86: “no circuito I, o conjunto não fornece a tensão mínima” de 3 V: fornece exatamente 3 V. Errado. Item 87, tipo C: Vdc=1,5 V e Vba=3,0 V, logo Vdc<Vba, opção D; as opções A e B trocam série por paralelo e a C dá 1,5 V à série.
As três baterias de 4 V (2023, item 95). “A associação em paralelo de três baterias de íons de lítio de 4 V cada é equivalente a um gerador de 12 V.” Em paralelo a tensão continua 4 V; para chegar a 12 V seria preciso ligá-las em série. Errado. Um item de uma linha, no meio de um bloco de Química e Português sobre o texto das baterias de Yoshino.
O amperímetro (2008, item 70). Resistência infinita é a do voltímetro; a do amperímetro tem de ser nula. Errado.
O padrão é nítido. A banca planta o erro na condição (fem igual à tensão só sem corrente; potência máxima só em R=r), na definição (série soma tensão, paralelo soma capacidade; amperímetro nulo, voltímetro infinito; motor real tem r′) e na omissão de r (o 1 Ω de 2020, os 2 Ω de 2013). A conta, quando existe, cabe numa linha, desde que a resistência interna esteja nela.
Os erros que mais custam item
Nove confusões e a correção de cada uma
“A bateria é de 12 V, logo há 12 V no circuito.” 12 V é a fem, a tensão em aberto. Com corrente, U=ε−ri, sempre menos.
Esquecer r na corrente. A malha é ε=i(R+r); r entra em série com tudo. O 1 Ω de 2020 e os 2 Ω de 2013 decidiram os itens.
Trocar potência total por útil. “Potência do gerador” ou “fornecida pela fem” é εi; “entregue ao circuito” é Ui; a diferença, ri2, esquenta a fonte.
Potência máxima em R=2r ou em R=r/2. É em R=r, com P=ε2/(4r) e rendimento de 50 %.
Potência máxima = rendimento máximo. São pontos diferentes: o rendimento cresce com R e só chega perto de 100 % com corrente pequena.
Sinal de r′i no receptor. Gerador: U=ε−ri. Receptor: U=ε′+r′i. A resistência interna tira tensão de quem fornece e exige tensão de quem recebe.
Paralelo soma tensão. Não: série soma fem (e r); paralelo de iguais mantém a fem, divide r e soma capacidade.
Amperímetro infinito, voltímetro nulo. Ao contrário: amperímetro em série com R→0; voltímetro em paralelo com R→∞.
Ler a curva ao contrário. No gráfico U×i do gerador, o intercepto em volts é ε, a inclinação é −r, o intercepto em ampères é icc. A reta do receptor sobe; a do gerador desce.
O essencial em meia página
Fem: ε=W/q, energia não elétrica convertida em elétrica por coulomb, em volts. Potência gerada =εi. Propriedade do gerador, não do circuito.
Gerador real: U=ε−ri. Aberto: U=ε. Curto: icc=ε/r. Ideal: r=0, impõe ε nos terminais sempre. Malha com R: i=ε/(R+r).
Curva característica: reta decrescente em U×i; intercepto ε, inclinação −r, corte em icc. Dois pontos medidos dão ε e r: r=(U1−U2)/(i2−i1).
Balanço do gerador: εi=Ui+ri2. Rendimento η=U/ε=R/(R+r).
Potência máxima: em R=r, Pmaˊx=ε2/(4r), com i=icc/2, U=ε/2 e η=50%. Rendimento alto pede R≫r.
Receptor: U=ε′+r′i. Ui=ε′i+r′i2. Rendimento η′=ε′/U. Curva sobe. Motor travado: ε′=0, resistor r′, corrente alta. Bateria em carga: receptor com ε′= fem.
Pouillet (uma malha): i=(∑ε−∑ε′)/∑R, com todas as resistências, internas incluídas. Confira pela volta: soma das tensões zero.
Geradores em série: ε e r se somam; capacidade de uma. Iguais em paralelo: mesma ε, r/n, capacidade ×n. Energia total igual nos dois arranjos. 1 Ah =3600 C.
Medidores: amperímetro em série, RA→0; voltímetro em paralelo, RV→∞. Voltímetro nos terminais com corrente lê ε−ri; em aberto, lê ε.
Aplicações: partida do carro (r sobe com frio e idade; falha só na corrente grande); banco de baterias (série para tensão, paralelo para capacidade); painel solar (curva não linear, potência máxima no joelho); diodo retifica meia onda.
Fora daqui: malhas com duas fontes que não reduzem (Kirchhoff); capacitor no circuito (capacitores); Galvani, Volta e a invenção da pilha (história da eletricidade, fora do recorte desta página).
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
1. Força eletromotriz
Física Sem Neura · 5:35
Introdução. Cinco minutos e meio, a primeira aula da playlist de Eletrodinâmica II do canal, que a descrição apresenta como a sequência sobre “Geradores e Receptores”: o que é a força eletromotriz, por que se mede em volts e por que não é uma força. É a seção “Força eletromotriz é energia por carga, não força” desta página, em registro direto e sem rodeios; assista antes de ler e confira na tabela das fems típicas que a definição vale para pilha, alternador e painel solar do mesmo jeito.
Geradores elétricos Força eletromotriz, resistência interna e Corrente de curto circuito
DaLuz Aulas · 10:31
Aprofundamento. Dez minutos sobre uma questão de leitura de gráfico: a descrição traz o enunciado, “o gráfico abaixo representa curva característica de um gerador. Calcule a fem, a resistência interna e a corrente de curto-circuito de cada gerador”, com três geradores dados por pares (i, U) diferentes (50 V em aberto e 37,5 V com 5 A; 12 V com 4 A e curto de 10 A; 20 V com 2 A e 14 V com 5 A). É exatamente o método da seção “A curva característica: uma reta que conta ε, r e a corrente de curto”: intercepto, inclinação e dois pontos. Resolva os três antes de ver e compare com as questões da aba de exercícios sobre a curva característica (o gerador de 9,0 V que cai a 6,0 V com 3,0 A) e sobre o voltímetro na bateria de 12,0 V.
Aula de Física - Lei de Pouillet Generalizada
Física com o Betão · 9:04
Aplicação ao receptor. Nove minutos que, segundo a descrição, fazem “um complemento da lei de Pouillet, introduzindo o receptor elétrico ao circuito” e mostram “como se calcula a corrente elétrica estabelecida em um circuito simples, quando temos gerador elétrico, resistência equivalente e receptor elétrico”. É o par de seções “O receptor é o gerador ao contrário” e “A lei de Pouillet resolve a malha inteira numa linha”: fem a favor soma, força contraeletromotriz subtrai, todas as resistências no denominador. Veja depois de resolver o exemplo resolvido do gerador de 12 V com o motor de 6 V e a questão numérica do gerador de 24 V com o receptor de 12 V, e confira o sinal de r′i.
Resolução do PAS 3 UnB 2021 - Eletrodinâmica: Circuitos elétricos de baterias
Física+ · 25:14
Resolução de itens reais. Vinte e cinco minutos do professor Matheus Aguiar sobre o bloco do rádio a pilha da 3.ª etapa de 2021, com capítulos marcados na descrição: “04:50 Análise do circuito / 15:52 Questão 85 / 19:50 Questão 86 / 21:12 Questão 87”. São os itens 85, 86 e 87 de 2021 da aba de exercícios desta página, lidos na seção “Pilhas em série ou em paralelo: tensão ou autonomia”: capacidade em ampère-hora do paralelo, tensão mínima do rádio na série e o tipo C que compara V_dc com V_ba. Resolva os três itens antes e compare o caminho.
A bateria marca 12 V no multímetro, acende o painel e não gira o motor de partida: a tensão nos terminais é U=ε−ri, e só a corrente grande da partida revela a resistência interna que o frio e a idade fizeram crescer. Toda fonte real tem essa resistência dentro de si; esta página é sobre o que ela faz.A curva característica do gerador é a reta U=ε−ri. O intercepto vertical é a fem (12 V), a inclinação é −r e o intercepto horizontal é a corrente de curto, ε/r. A pilha gasta tem a mesma fem e reta mais inclinada: cai mais depressa com a corrente. Diagrama autoral.Potência útil e rendimento do mesmo gerador em função da corrente. A potência útil é máxima no meio do caminho (i=icc/2, R=r), justamente onde o rendimento já caiu a 50 %. Rendimento alto pede corrente pequena; potência alta pede corrente média; as duas coisas não acontecem juntas. Diagrama autoral.O balanço de potência do gerador e do receptor é o mesmo desenho com a seta de entrada trocada de lado. No gerador entra energia não elétrica (εi) e saem energia elétrica (Ui) e calor (ri2); no receptor entra energia elétrica (Ui) e saem energia útil (ε′i) e calor (r′i2). O rendimento é sempre útil sobre total: U/ε no gerador, ε′/U no receptor. Diagrama autoral.As mesmas duas pilhas, duas montagens. Em série, as fems se somam (3 V) e a capacidade é a de uma pilha (2 000 mAh); em paralelo, a fem é a de uma (1,5 V) e as capacidades se somam (4 000 mAh). A energia total é igual nos dois casos. É o par de circuitos do rádio a pilha do PAS de 2021. Diagrama autoral.Dois pontos bastam. Em aberto, o voltímetro lê a fem (1,58 V); com a carga, o voltímetro lê U (1,50 V) e o amperímetro lê i (0,15 A). A inclinação da reta entre os dois pontos é −r: r=0,08/0,15≈0,53 Ω. A corrente de curto, onde a reta cortaria o eixo horizontal, seria ε/r≈3 A. Diagrama autoral.A curva característica de um painel fotovoltaico, com a corrente no eixo vertical: quase plana perto da corrente de curto (icc) e em queda brusca perto da tensão de circuito aberto (Uca). A potência Ui é a área do retângulo até o ponto de operação e é máxima no joelho. Com metade da luz, icc cai pela metade e Uca quase não muda. A reta cinza mostra o que seria um gerador linear com os mesmos extremos. Diagrama autoral.No carregador, a bateria do celular é um receptor: recebe Ui, guarda ε′i como energia química e dissipa r′i2 em calor, que a câmera térmica vê. Carregar mais rápido é dobrar a corrente e quadruplicar a parcela que esquenta.O enrolamento de cobre é a resistência interna r′ do receptor; o giro do rotor no campo dos ímãs é a origem da força contraeletromotriz ε′. Travado, o motor perde ε′ e vira um resistor: a corrente dispara e o cobre esquenta. É por isso que U=ε′+r′i.A mesma pilha gasta acende o LED, que pede 20 mA, e não move o carrinho, que pede 1 A. A fem quase não mudou com o uso; o que subiu foi a resistência interna, e a queda ri só pesa quando a corrente é grande.A chupeta liga as duas baterias em paralelo: positivo com positivo, negativo com negativo. A fem continua 12 V, mas a resistência interna do conjunto cai e a corrente de partida se divide entre as duas; a tensão nos terminais sob os 200 A do motor de arranque deixa de desabar.Quatro pilhas de 1,5 V em série dão 6 V, e a resistência interna do conjunto é a soma das quatro; a capacidade em ampère-hora continua a de uma pilha. Uma pilha invertida tira 3 V do conjunto e é carregada ao contrário pelas outras.O painel é um gerador cuja curva U×i não é uma reta: corrente quase constante até o joelho e queda brusca perto da tensão de circuito aberto. A sombra derruba a corrente de curto, e o controlador ajusta a carga para manter o painel no ponto de potência máxima.Instrumentos preparados para investigar a pilha. Na montagem, o amperímetro entra em série e o voltímetro em paralelo aos terminais; leituras sob cargas distintas permitem analisar a reta U=ε−ri.
Rota PAS 3
Circuitos elétricos: da tomada às leis de Kirchhoff · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Circuitos elétricos: da tomada às leis de Kirchhoff · Geradores reais, medidores e o capacitor no circuito (pilha fraca e bateria velha do carro; conceito U = ε − ri, circuito aberto, curto-circuito, i = ε/(r + R), potência máxima em R = r, pilhas em série e em paralelo, amperímetro e voltímetro; tabela ε, r, U, i_cc; exemplo-guia da bateria de 12 V e 1 Ω com 5 Ω, 1 Ω e 0,5 Ω; itens 2011/56 e 65, 2017/91, 2020/111, 2023/95 e 2008/70; armadilha 'a fem não é a tensão da bateria em uso'; checagem do amperímetro em série); Como a banca cobra (histórico 'Gerador real, pilhas, medidores e capacitor', item 2020/112 resolvido, 2013/110 e 2021/85–87 no inventário); Resolvidos no formato da prova (malha com duas fontes em oposição, item tipo B); Banco de treino (T13, T14, T19)
Recorte por assunto: esta página cobre o gerador real (fem, resistência interna, equação, curva característica, curto-circuito), o balanço de potência e o rendimento do gerador, a potência máxima transferida, o receptor (força contraeletromotriz, equação, potência e rendimento, motor travado, bateria em carga), o circuito de uma malha pela lei de Pouillet, a associação de geradores, os medidores reais e as aplicações (bateria de carro, banco de baterias, carregador, pilha fraca, painel solar). O capacitor no circuito fica em capacitores; malhas com duas ou mais fontes e sistemas lineares ficam em leis de Kirchhoff; Galvani e Volta ficam em história da eletricidade; série e paralelo de resistores entram só como ferramenta. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a definição de fem como energia por carga, a dedução de U = ε − ri por balanço de energia, a curva característica com intercepto e inclinação, a demonstração de P_max em R = r com η = 50 %, o receptor com U = ε′ + r′i e seu rendimento, a lei de Pouillet, a medição de ε e r com dois pontos, o erro do medidor real, a bateria do carro na partida e a curva do painel solar.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2011 (itens 56 e 63, caderno Metropolitan p. 14, texto-base do museu virtual de máquinas eletromagnéticas e figura do diodo retificador; item 65, p. 15, bloco dos circuitos magnéticos); 2013 (item 110, caderno Próton p. 15, gráfico R × T do termômetro de resistência); 2017 (item 91, caderno Liberdade p. 14, figuras I a III do bonde; texto extraído cifrado, item transcrito da imagem); 2020 (itens 111 e 112, Parte 2 p. 11, figura da bateria de lítio de 20 V e 1 Ω com R1, R2 e R); 2021 (itens 85 a 87, Parte 2 p. 10, figura dos circuitos I e II do rádio a pilha); 2023 (item 95, p. 12, texto-base das baterias de íons de lítio de Yoshino)
Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto e conferidos na imagem dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ rasterizados a 130 dpi, figuras a 300 dpi; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2011: 56 C, 63 A, 65 E; 2013: 110 B; 2017: 91 C; 2020: 111 E, 112 = 009; 2021: 85 C, 86 E, 87 D; 2023: 95 E) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. O caderno de 2013 grafa 'força eletromatriz' (mantido, com sic na resolução). As figuras impressas foram descritas em texto neutro nos enunciados, nomeando todos os rótulos e a topologia. O item 2008/70 (amperímetro de resistência infinita) já existe no banco do Hub pela página de corrente elétrica e é reutilizado pelo GUID.