Associação de resistores

Guia de estudo · Revisado em 17/09/2026

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No pisca-pisca antigo, uma lâmpada queimada apaga a fieira inteira; na sua casa, o chuveiro desliga e a geladeira nem percebe. Dois jeitos de ligar as mesmas peças dão comportamentos opostos: por que ligar resistores em paralelo diminui a resistência total, por que a lâmpada de maior resistência brilha mais em série e menos em paralelo, e como reduzir um circuito enrolado a um único resistor sem errar quem está ligado a quem?

O que você vai aprender

  • Reconhecer uma associação em série pela corrente única que atravessa todos os resistores, somar as tensões parciais para obter a total e calcular R_eq = R₁ + R₂ + ..., percebendo que a equivalente é maior que qualquer resistor do grupo.
  • Usar o divisor de tensão em série (U_k = U · R_k / R_eq) para prever que o resistor de maior resistência recebe a maior parcela da tensão e a maior potência, e ler essa proporcionalidade como uma função linear da resistência.
  • Reconhecer uma associação em paralelo pela tensão única entre os mesmos dois nós, somar as correntes dos ramos e calcular 1/R_eq = 1/R₁ + 1/R₂ + ..., com as formas rápidas R₁R₂/(R₁ + R₂) para dois resistores e R/n para n iguais, conferindo que a equivalente é sempre menor que a menor resistência.
  • Usar o divisor de corrente em paralelo (o ramo de menor resistência recebe a maior corrente, em proporção inversa às resistências) e explicar por que os aparelhos de uma residência são ligados em paralelo e por que ligar mais aparelhos aumenta a corrente total no medidor.
  • Reduzir um circuito misto passo a passo: identificar nós, agrupar o que está em série dentro de um ramo e em paralelo entre os mesmos nós, redesenhar após cada redução e voltar do equivalente até a corrente e a tensão em cada resistor.
  • Prever o efeito de um curto-circuito (fio ideal em paralelo com um resistor anula esse resistor, diminui a equivalente e aumenta a corrente total) e de um circuito aberto (uma lâmpada queimada apaga toda a série, mas só o próprio ramo num paralelo), distinguindo as duas situações.
  • Comparar n resistores iguais em série e em paralelo: razão n² entre as equivalentes, e razão n² entre as potências totais sob a mesma tensão (4 para duas lâmpadas, como no item do farol do PAS 2012).
  • Ler a potência dissipada em cada resistor de uma associação como P = R i² em série (quem tem mais resistência brilha mais) e P = U²/R em paralelo (quem tem menos resistência brilha mais), sem confundir os dois casos.
  • Reconhecer a ponte de Wheatstone equilibrada (R₁R₄ = R₂R₃, nenhuma corrente no ramo central) e saber onde entram o amperímetro (em série com o ramo) e o voltímetro (em paralelo com o trecho) numa associação.
  • Resolver os itens reais do PAS/UnB (os quatro aparelhos de 2009, as lâmpadas do farol de 2012, a equivalente de 2014, os circuitos III a V de 2015, o fusível do bonde de 2017, a urna de 2019, as dezesseis lâmpadas de 2023 e o circuito 2 de 2025) e do ENEM (o cabo de 10 Ω), evitando somar inversos sem inverter, achar que paralelo aumenta a resistência, contar nós errado e confundir curto com circuito aberto.

Numa fieira antiga de luzes de Natal, as vinte lâmpadas formam um único caminho: a corrente que sai da tomada atravessa a primeira, depois a segunda, depois a terceira, e uma só queimada apaga todas. Nas tomadas da sua casa acontece o contrário: o chuveiro, a geladeira e a televisão estão cada um no seu caminho, todos ligados diretamente aos mesmos dois fios da rede. A geladeira não sabe se o chuveiro está ligado, e nenhum aparelho apaga o outro. São as mesmas peças (fonte, fios, resistores) ligadas de dois jeitos, e os dois jeitos dão comportamentos opostos.

Esta página é sobre esses dois jeitos e sobre tudo o que sai deles: por que ligar um resistor a mais em paralelo diminui a resistência total, por que a lâmpada de maior resistência brilha mais numa montagem e menos na outra, como reduzir um circuito enrolado a um único resistor sem errar quem está ligado a quem, o que um curto-circuito faz com o resto do circuito e como a banca transforma cada uma dessas ideias em item. Corrente, tensão e a lei de Ohm (U=RiU = Ri) são pré-requisitos e têm páginas próprias; aqui a fonte é sempre ideal, e o assunto é a geometria das ligações.

Duas perguntas decidem qualquer associação: quem compartilha a corrente, quem compartilha a tensão

Um circuito é um desenho com poucos símbolos: a fonte (dois traços paralelos, o mais longo é o polo positivo), o resistor (um retângulo ou um zigue-zague), o fio (uma linha, sem resistência), a chave, e às vezes um medidor (círculo com A ou V). Mas o que interessa não é o desenho, e sim a topologia: quais pontos estão ligados a quais. Três palavras organizam essa leitura.

Nó, ramo e a fonte ideal

é um ponto do circuito onde três ou mais fios se encontram. Dois pontos ligados por um fio sem resistência são, para todos os efeitos, o mesmo nó: têm o mesmo potencial.

Ramo é um trecho entre dois nós, percorrido por uma única corrente. Tudo o que está num mesmo ramo, sem nó no meio, está em série.

Fonte ideal é a que impõe uma tensão fixa UU entre seus terminais, aconteça o que acontecer no resto do circuito. Toda a página usa fontes ideais; a resistência interna de uma bateria real é assunto da página de geradores.

Com isso, toda associação, por mais enrolada que pareça, se decide respondendo a duas perguntas. Quem compartilha a corrente? Resistores atravessados pela mesma corrente, um depois do outro, sem desvio entre eles, estão em série. Quem compartilha a tensão? Resistores ligados entre os mesmos dois nós estão em paralelo, e a tensão sobre cada um é a mesma. As duas seções seguintes deduzem, de cada resposta, a resistência equivalente, isto é, o valor do único resistor que, posto no lugar do grupo, deixaria a fonte fornecer a mesma corrente.

Série: um caminho só, a mesma corrente e as tensões que se somam

Ligue R1R_1, R2R_2 e R3R_3 um depois do outro e feche o circuito com uma fonte. A carga que sai da fonte não tem para onde se desviar: a corrente ii que atravessa R1R_1 é a mesma que atravessa R2R_2 e R3R_3. Em cada resistor a lei de Ohm dá uma tensão, U1=R1iU_1 = R_1 i, U2=R2iU_2 = R_2 i, U3=R3iU_3 = R_3 i, e a tensão da fonte é a soma dessas três, porque o potencial, ao dar a volta completa, tem de descer exatamente o que subiu na fonte:

U=U1+U2+U3=(R1+R2+R3)i.U = U_1 + U_2 + U_3 = (R_1 + R_2 + R_3)\,i.

Comparando com U=ReqiU = R_{eq}\,i, a resistência equivalente da série é a soma.

Associação em série

Mesma corrente em todos; tensões que se somam; resistência equivalente igual à soma:

Req=R1+R2++Rn.R_{eq} = R_1 + R_2 + \cdots + R_n.

A equivalente é maior que qualquer resistor do grupo: acrescentar um resistor no caminho sempre dificulta a passagem. Para nn resistores iguais a RR, Req=nRR_{eq} = nR.

A consequência mais cobrada da série é o divisor de tensão. Como a corrente é única, a tensão em cada resistor é proporcional à sua resistência:

Uk=Rki=URkReq.U_k = R_k\,i = U\,\frac{R_k}{R_{eq}}.

Quem tem mais resistência fica com a fatia maior da tensão. Num par de 2 kΩ e 4 kΩ ligado a 12 V, a corrente é 12/6000=212/6000 = 2 mA, e as tensões são 2000×0,002=42000 \times 0{,}002 = 4 V e 4000×0,002=84000 \times 0{,}002 = 8 V: o resistor de 4 kΩ recebe o dobro porque tem o dobro da resistência. Lida como função, Uk=iRkU_k = i \cdot R_k é uma função linear de RkR_k cujo coeficiente é a corrente do circuito; se a página de função afim está fresca na memória, o divisor de tensão é o exemplo físico mais limpo dela.

O pisca-pisca antigo e a lâmpada que apaga todas

As fieiras antigas de Natal ligavam vinte lâmpadas de 6 V em série numa tomada de 120 V: cada uma recebia 120/20=6120/20 = 6 V, exatamente a sua tensão de trabalho, sem transformador. O preço era o defeito famoso: uma lâmpada queimada abre o único caminho, a corrente cai a zero e as vinte apagam. Quem já passou uma tarde testando lâmpada por lâmpada conhece a série melhor do que imagina. E se a lâmpada queimada for retirada e o soquete fechado com um fio, as dezenove restantes recebem 120/196,3120/19 \approx 6{,}3 V cada, brilham um pouco mais e duram um pouco menos.

"A lâmpada mais perto da pilha brilha mais"

Em série, a corrente é a mesma em todos os componentes, do primeiro ao último, no instante em que o circuito fecha. Não há “corrente que se gasta” ao longo do caminho: a carga que entra num resistor sai dele por segundo na mesma quantidade. Duas lâmpadas iguais em série brilham igual, esteja a segunda a um centímetro ou a um quilômetro da primeira. Se forem diferentes, a que brilha mais é a de maior resistência, pela razão da seção sobre potência, e não a que está mais perto da fonte.

Paralelo: vários caminhos entre os mesmos dois pontos

Agora ligue R1R_1, R2R_2 e R3R_3 entre os mesmos dois nós, A e B, e ligue a fonte entre A e B. Cada resistor enxerga a tensão inteira da fonte, UU, porque está ligado diretamente aos dois polos. A corrente em cada ramo é a que a lei de Ohm dá para aquele resistor sozinho: i1=U/R1i_1 = U/R_1, i2=U/R2i_2 = U/R_2, i3=U/R3i_3 = U/R_3. No nó A, a corrente que chega da fonte se reparte entre os ramos; no nó B, as três se juntam de novo. A carga se conserva, logo

i=i1+i2+i3=U(1R1+1R2+1R3).i = i_1 + i_2 + i_3 = U\left(\frac{1}{R_1} + \frac{1}{R_2} + \frac{1}{R_3}\right).

Comparando com i=U/Reqi = U/R_{eq}, o que se soma no paralelo são os inversos das resistências.

Associação em paralelo

Mesma tensão em todos; correntes que se somam; inversos das resistências que se somam:

1Req=1R1+1R2++1Rn.\frac{1}{R_{eq}} = \frac{1}{R_1} + \frac{1}{R_2} + \cdots + \frac{1}{R_n}.

A equivalente é menor que a menor resistência do grupo: abrir um caminho a mais nunca dificulta a passagem. Dois casos rápidos: para dois resistores, Req=R1R2R1+R2R_{eq} = \dfrac{R_1 R_2}{R_1 + R_2} (produto sobre a soma, e só para dois); para nn resistores iguais a RR, Req=R/nR_{eq} = R/n.

Alguns números para fixar o “menor que a menor”. Um resistor de 6 Ω em paralelo com um de 3 Ω: 6×36+3=2\frac{6 \times 3}{6 + 3} = 2 Ω, menor que 3. Três resistores de 10 Ω, 20 Ω e 20 Ω: 110+120+120=2+1+120=420\frac{1}{10} + \frac{1}{20} + \frac{1}{20} = \frac{2 + 1 + 1}{20} = \frac{4}{20}, logo Req=5R_{eq} = 5 Ω, metade do menor. Cinco resistores de 60 Ω: 60/5=1260/5 = 12 Ω. Um resistor de 1 Ω em paralelo com um de 1 000 Ω: 100010010,999\frac{1000}{1001} \approx 0{,}999 Ω, praticamente o menor. Esse último exemplo tem uma leitura importante: em paralelo, o resistor pequeno manda. Quase toda a corrente passa por ele, e o grande quase não faz diferença. É o começo da ideia de curto-circuito, tratada adiante.

A consequência espelhada do divisor de tensão é o divisor de corrente. Como a tensão é única, a corrente em cada ramo é inversamente proporcional à sua resistência: ik=U/Rki_k = U/R_k. Para dois ramos, a fração da corrente total que vai para R1R_1 é

i1=iR2R1+R2,i_1 = i\,\frac{R_2}{R_1 + R_2},

com o outro resistor no numerador. Se 6 A chegam a um nó de onde saem ramos de 2 Ω e 4 Ω, o ramo de 2 Ω leva 6×46=46 \times \frac{4}{6} = 4 A e o de 4 Ω leva 2 A: o caminho mais fácil leva mais corrente, na proporção inversa das resistências (2 Ω para 4 Ω é 1 para 2; as correntes ficam 2 para 1).

A instalação da casa é um grande paralelo

Todo aparelho da sua casa está ligado entre os mesmos dois fios da rede: fase e neutro (127 V) ou fase e fase (220 V). É um paralelo com dezenas de ramos, e é por isso que cada aparelho recebe a tensão nominal inteira, funciona independentemente dos outros e pode ser ligado ou desligado sem apagar ninguém. Cada aparelho que se liga abre mais um ramo: a resistência equivalente da casa cai e a corrente total no medidor sobe, somando as correntes de todos (i=Pk/Ui = \sum P_k/U). O disjuntor do quadro fica em série com o circuito que protege, porque só assim a corrente total passa por ele, e abre quando a soma ultrapassa o limite. Ligar aparelhos demais numa mesma extensão é exatamente isto: somar correntes de ramos em paralelo até passar do que o fio e o fusível suportam.

Somar inversos e esquecer de inverter; achar que paralelo aumenta a resistência

O erro de conta mais comum do assunto: calcular 16+13=12\frac{1}{6} + \frac{1}{3} = \frac{1}{2} e responder “Req=0,5R_{eq} = 0{,}5 Ω”. O que se obteve foi 1/Req1/R_{eq}; a resistência é o inverso, 2 Ω. Antídoto de dez segundos: a equivalente do paralelo tem de dar menos que a menor do grupo e mais que a menor dividida pelo número de resistores. Para 6 Ω e 3 Ω, a resposta tem de estar entre 1,5 Ω e 3 Ω; 0,5 Ω está fora, 2 Ω está dentro.

O erro conceitual irmão é achar que “mais resistores” significa “mais resistência” em qualquer arranjo. Em paralelo é o contrário: cada resistor acrescentado é um caminho a mais, e a equivalente cai. Item que diz “ao ligar um segundo resistor em paralelo, a resistência equivalente aumenta” morre na definição.

Série e paralelo lado a lado: o mesmo par, dois comportamentos

Vale pôr as duas associações na mesma mesa, com os mesmos resistores e a mesma fonte, e ver tudo mudar.

Exemplo resolvido 1. Uma bateria ideal de 12 V alimenta um resistor de 6 Ω e um de 3 Ω, primeiro em série e depois em paralelo. Corrente, tensão e potência em cada resistor nos dois casos.

Em série. Req=6+3=9R_{eq} = 6 + 3 = 9 Ω. Corrente única: i=12/9=1,33i = 12/9 = 1{,}33 A. Tensões: 6×1,33=86 \times 1{,}33 = 8 V no de 6 Ω e 3×1,33=43 \times 1{,}33 = 4 V no de 3 Ω; somam 12 V, como devem. Potências (P=Ri2P = Ri^2): 6×1,332=10,76 \times 1{,}33^2 = 10{,}7 W e 3×1,332=5,33 \times 1{,}33^2 = 5{,}3 W; total 16 W, que é Ui=12×1,33Ui = 12 \times 1{,}33. O resistor maior recebe mais tensão e mais potência.

Em paralelo. Req=6×39=2R_{eq} = \frac{6 \times 3}{9} = 2 Ω (menor que 3). Tensão única: 12 V nos dois. Correntes: 12/6=212/6 = 2 A e 12/3=412/3 = 4 A; somam 6 A, e de fato 12/2=612/2 = 6 A. Potências (P=U2/RP = U^2/R): 144/6=24144/6 = 24 W e 144/3=48144/3 = 48 W; total 72 W. O resistor menor recebe mais corrente e mais potência.

Conferência. A mesma dupla dissipa 72 W em paralelo e 16 W em série: 4,5 vezes mais. Faz sentido: sob a mesma tensão, P=U2/ReqP = U^2/R_{eq}, e a razão entre as equivalentes é 9/2=4,59/2 = 4{,}5. Menos resistência, sob a mesma tensão, é mais potência.

Dois circuitos com a mesma bateria de 12 V e os mesmos resistores de 6 e 3 ohms: à esquerda em série, com a corrente única de 1,33 A e as tensões de 8 V e 4 V marcadas; à direita em paralelo, com a tensão única de 12 V e as correntes de 2 A e 4 A marcadas nos ramos e 6 A na fonte

Quando os resistores são iguais, a comparação vira uma fórmula. nn resistores iguais a RR dão nRnR em série e R/nR/n em paralelo; a razão entre as duas equivalentes é

RserRpar=nRR/n=n2.\frac{R_{ser}}{R_{par}} = \frac{nR}{R/n} = n^2.

E como, sob a mesma tensão, a potência total é U2/ReqU^2/R_{eq}, a potência em paralelo é n2n^2 vezes a potência em série. Duas lâmpadas iguais: razão 4. Três: 9. Quatro: 16. O caso n=2n = 2 é o item do farol de carro da 3.ª etapa de 2012, resolvido na seção sobre a banca.

Circuito misto: reduza, redesenhe, repita

Um circuito misto é um que tem trechos em série e trechos em paralelo ao mesmo tempo. Não há fórmula única; há um procedimento, e ele funciona sempre que o circuito puder ser reduzido a um único resistor (os que não podem, como a ponte desequilibrada, ficam para as leis de Kirchhoff).

O roteiro da redução
  1. Marque os nós (três ou mais fios se encontrando). Pontos ligados por fio sem resistência são o mesmo nó.
  2. Série dentro do ramo: resistores num mesmo ramo, sem nó entre eles, viram um só, pela soma.
  3. Paralelo entre os mesmos nós: resistores que ligam os mesmos dois nós viram um só, pelos inversos.
  4. Redesenhe o circuito com o resistor novo no lugar do grupo e volte ao passo 1, até sobrar um resistor ligado à fonte.
  5. Volte do equivalente para o circuito original: corrente total, depois a tensão em cada bloco, depois a corrente em cada ramo.
  6. Confira: a potência da fonte, UiUi, tem de ser igual à soma das potências Rkik2R_k i_k^2 de todos os resistores.

Exemplo resolvido 2. Uma fonte ideal de 18 V alimenta o circuito: R1=2R_1 = 2 Ω em série com um bloco; no bloco, R2=6R_2 = 6 Ω está em paralelo com um ramo formado por R3=4R_3 = 4 Ω e R4=8R_4 = 8 Ω em série. Corrente em cada resistor.

Passo 1, nós. Há dois nós no bloco: chame de P o ponto onde R1R_1 termina e o bloco começa, e de Q o ponto onde o bloco termina e volta para a fonte. R2R_2 liga P a Q; o ramo R3R_3R4R_4 também liga P a Q.

Passo 2, série dentro do ramo. R3R_3 e R4R_4 estão num mesmo ramo, sem nó entre eles: 4+8=124 + 8 = 12 Ω.

Passo 3, paralelo entre P e Q. 6 Ω e 12 Ω ligam os mesmos dois nós: 6×1218=4\frac{6 \times 12}{18} = 4 Ω. Confere: menor que 6, maior que 3.

Passo 4, redesenhe. Sobrou R1=2R_1 = 2 Ω em série com 4 Ω: Req=6R_{eq} = 6 Ω.

Passo 5, volte. Corrente total: i=18/6=3i = 18/6 = 3 A; é a corrente em R1R_1. Tensão em R1R_1: 2×3=62 \times 3 = 6 V. Tensão no bloco (entre P e Q): 186=1218 - 6 = 12 V, ou 4×3=124 \times 3 = 12 V. Corrente em R2R_2: 12/6=212/6 = 2 A. Corrente no ramo R3R_3R4R_4: 12/12=112/12 = 1 A, a mesma em R3R_3 e em R4R_4. As correntes dos ramos somam 2+1=32 + 1 = 3 A, a corrente total.

Passo 6, confira. Fonte: 18×3=5418 \times 3 = 54 W. Resistores: 2×32=182 \times 3^2 = 18, 6×22=246 \times 2^2 = 24, 4×12=44 \times 1^2 = 4, 8×12=88 \times 1^2 = 8; soma 18+24+4+8=5418 + 24 + 4 + 8 = 54 W. Fecha.

Redução passo a passo do circuito misto de 18 V: no primeiro quadro, R1 de 2 ohms em série com o bloco onde R2 de 6 ohms está em paralelo com R3 de 4 ohms e R4 de 8 ohms em série, nós P e Q marcados; no segundo, R3 e R4 viram 12 ohms; no terceiro, 6 e 12 em paralelo viram 4 ohms; no quarto, 2 e 4 em série viram 6 ohms, com a corrente total de 3 A; setas mostram a volta com as correntes de 2 A e 1 A nos ramos

O que separa quem acerta de quem erra o misto raramente é a conta. É o passo 1: identificar corretamente o que está em série e o que está em paralelo, e refazer o desenho depois de cada redução em vez de tentar enxergar tudo de uma vez. A seção seguinte é sobre esse passo.

Redesenhe antes de calcular: nós, ramos e a topologia

Dois circuitos com o mesmo desenho podem ser eletricamente diferentes, e dois desenhos diferentes podem ser o mesmo circuito. O que decide é a topologia: quais nós existem e quem liga quem. Os itens com figura costumam esconder um paralelo numa forma que parece série, ou vice-versa.

O teste é sempre o mesmo: nomeie os nós. Percorra cada fio a partir de um terminal da fonte; todo ponto que você alcança sem atravessar componente algum pertence ao mesmo nó, e recebe a mesma letra. Depois olhe cada resistor e anote entre quais duas letras ele está. Dois resistores entre as mesmas duas letras estão em paralelo, não importa se um está desenhado em cima e o outro do outro lado da página. Um resistor que está sozinho entre duas letras que mais nenhum resistor compartilha está em série com o que vem antes e depois dele naquele ramo.

Dois desenhos do mesmo circuito: à esquerda, um retângulo com fios em ângulos que parecem pôr três resistores em série; à direita, o redesenho com os nós A, B e C nomeados e coloridos, mostrando que dois dos resistores ligam os mesmos nós A e B e estão em paralelo, e o terceiro liga B a C, em série com o par; a resistência equivalente aparece embaixo

Uma técnica que ajuda muito nos circuitos enrolados é a regra do varal (ou linha de potenciais): desenhe cada nó como uma linha horizontal, uma abaixo da outra na ordem em que os potenciais caem, e pendure cada resistor entre as duas linhas que ele liga. Resistores pendurados entre as mesmas duas linhas estão em paralelo; uma sequência de linhas com um resistor entre cada par é uma série. O circuito de cinco resistores da 3.ª etapa de 2014 (item 117), resolvido na seção da banca, é o exercício ideal para essa técnica: no desenho original, um resistor de 4 Ω parece estar em paralelo com um de 6 Ω; nomeando os nós, ele está em série com o par 3 Ω ∥ 6 Ω, e o de 6 Ω de baixo é que está em paralelo com esse ramo inteiro.

Duas armadilhas de contagem. Fio não é nó: um ponto onde só dois fios se encontram é uma esquina do desenho, não um nó; contar esquinas como nós fabrica paralelos que não existem. Fio sem resistência une nós: se dois pontos estão ligados por um fio puro, eles são um só nó, e um resistor ligado entre eles tem tensão zero, isto é, está em curto-circuito, a próxima seção.

Curto-circuito não é circuito aberto

Os dois defeitos clássicos de um circuito são opostos, e os itens costumam trocá-los.

Curto-circuito e circuito aberto

Curto-circuito sobre um componente: um fio de resistência praticamente nula ligado em paralelo com ele. Os dois terminais do componente ficam no mesmo potencial, a tensão sobre ele vai a zero e a corrente dele também: toda a corrente passa pelo fio. Para o resto do circuito, é como se o componente não existisse (tivesse sido substituído por um fio). A resistência equivalente do conjunto diminui e a corrente total fornecida pela fonte aumenta.

Circuito aberto num ramo: o ramo é interrompido (lâmpada queimada, chave aberta, fio partido). A corrente nesse ramo vai a zero. Em série, o único caminho se interrompe e tudo para. Em paralelo, só aquele ramo deixa de conduzir; os outros continuam recebendo a mesma tensão e as mesmas correntes, e a corrente total diminui do valor que passava pelo ramo perdido.

Um exemplo com números. Três resistores de 4 Ω em série numa fonte de 12 V: Req=12R_{eq} = 12 Ω e i=1i = 1 A. Ponha um fio em paralelo com o resistor do meio: ele sai do circuito, Req=8R_{eq} = 8 Ω e i=1,5i = 1{,}5 A. A corrente subiu, e os dois resistores que sobraram passaram a receber 6 V cada, em vez de 4 V: dissipam mais, esquentam mais. Agora, em vez do fio, queime o resistor do meio (circuito aberto): i=0i = 0, os três apagam. Mesmo lugar, efeitos opostos.

Três painéis de um circuito de 12 V com três resistores de 4 ohms em série: no primeiro, a situação normal com 1 A; no segundo, um fio em paralelo com o resistor do meio, que fica cinza e com tensão zero, e a corrente sobe para 1,5 A; no terceiro, o resistor do meio queimado, circuito aberto, corrente zero e todos apagados

O curto sobre a fonte inteira é o caso extremo e perigoso: um fio ligando os dois polos de uma tomada é um paralelo de resistência quase nula com toda a casa, a corrente dispara e o disjuntor tem de abrir antes que o fio derreta. É por isso que o fusível e o disjuntor ficam em série com o que protegem: a corrente do circuito passa por eles. Um fusível ligado em paralelo com um componente não protege nada, porque a corrente do componente não o atravessa; é o erro plantado no item do bonde de 2017, na seção da banca.

Um caso mais sutil, e bem cobrado, é o curto dentro de um paralelo. Nas dezesseis lâmpadas de 2023 (quatro ramos de quatro lâmpadas de 4 Ω em série, sob 24 V), trocar uma lâmpada por um fio baixa a resistência do ramo dela de 16 Ω para 12 Ω. A corrente daquele ramo sobe de 1,5 A para 2 A; os outros três ramos não mudam, porque continuam sob 24 V; e a corrente total da bateria sobe de 6 A para 6,5 A. A pergunta “aumenta a corrente total fornecida pela bateria?” tem resposta sim, e a conta mostra por quanto.

Quem brilha mais? A potência em cada resistor

Potência elétrica, consumo e kWh têm página própria. Aqui, a potência entra só como leitura de uma associação: dada a montagem, qual resistor dissipa mais, isto é, qual lâmpada brilha mais. A resposta depende da montagem, e é o contrário de um caso para o outro.

Em série, a corrente ii é a mesma em todos, então a forma útil é P=Ri2P = R\,i^2: com ii fixa, a potência é proporcional a RR. Brilha mais quem tem mais resistência. Em paralelo, a tensão UU é a mesma em todos, então a forma útil é P=U2/RP = U^2/R: com UU fixa, a potência é inversamente proporcional a RR. Brilha mais quem tem menos resistência.

Uma lâmpada de 100 Ω e uma de 200 Ω, em série numa fonte: a de 200 Ω dissipa o dobro. As mesmas duas em paralelo: a de 100 Ω dissipa o dobro. A mesma lâmpada é a mais brilhante numa montagem e a mais fraca na outra, e nenhuma das duas posições tem a ver com a distância até a fonte.

Duas montagens com lâmpadas de 100 e 200 ohms: em série, a lâmpada de 200 ohms desenhada mais brilhante, com a anotação P igual a R i ao quadrado, mesma corrente; em paralelo, a lâmpada de 100 ohms desenhada mais brilhante, com a anotação P igual a U ao quadrado sobre R, mesma tensão

"Mesma tensão, mesma potência"

Em paralelo, as lâmpadas recebem a mesma tensão, e é tentador concluir que brilham igual. Só brilham igual se tiverem a mesma resistência. Com UU igual, P=U2/RP = U^2/R varia com RR: a de menor resistência puxa mais corrente e dissipa mais. Do mesmo modo, em série “mesma corrente” não significa “mesma potência”: P=Ri2P = Ri^2 varia com RR.

Duas lâmpadas iguais dão a comparação mais limpa, e é a que a banca usou no farol de 2012. Em paralelo, cada uma recebe UU e o conjunto dissipa 2U2/R2U^2/R. Em série, cada uma recebe U/2U/2 e o conjunto dissipa U2/(2R)U^2/(2R). A razão é 4, o n2n^2 da seção anterior; e as lâmpadas em paralelo, além de brilharem quatro vezes mais no total, têm a vantagem decisiva de que uma queimada não apaga a outra.

Divisores: a tensão em série e a corrente em paralelo, com um cabo no caminho

O divisor de tensão da série aparece disfarçado num problema muito real: o cabo de alimentação. Todo fio tem resistência, e um cabo comprido ou fino, ligado em série com o aparelho, fica com uma parte da tensão da rede. Quanto mais corrente passa, maior a queda no cabo e menor a tensão que sobra para o aparelho.

Exemplo resolvido 3. Uma casa é ligada à rede de 120 V por um cabo cuja resistência total (ida e volta) é 2 Ω. Dentro da casa, três lâmpadas de 60 Ω estão em paralelo. Qual é a tensão nas lâmpadas? E se uma quarta lâmpada igual for ligada?

Três lâmpadas. O paralelo das três: 60/3=2060/3 = 20 Ω. Em série com o cabo: Req=22R_{eq} = 22 Ω. Corrente total: i=120/22=5,45i = 120/22 = 5{,}45 A. Tensão nas lâmpadas, pelo divisor: UL=120×2022=109,1U_L = 120 \times \frac{20}{22} = 109{,}1 V. O cabo ficou com 120109,1=10,9120 - 109{,}1 = 10{,}9 V, isto é, 2×5,452 \times 5{,}45.

Quatro lâmpadas. Paralelo: 60/4=1560/4 = 15 Ω. Req=17R_{eq} = 17 Ω, i=7,06i = 7{,}06 A, UL=120×1517=105,9U_L = 120 \times \frac{15}{17} = 105{,}9 V. A quarta lâmpada aumentou a corrente total e a queda no cabo (agora 14,1 V), e a tensão que sobra para todas caiu. As quatro brilham menos do que as três brilhavam.

Conferência. Sem cabo (R=0R = 0), ULU_L seria 120 V para qualquer número de lâmpadas: o divisor só existe porque há uma resistência em série. E a tensão nas lâmpadas cai quando a resistência do paralelo cai, exatamente como o divisor prevê: UL=URparRpar+RcaboU_L = U\,\frac{R_{par}}{R_{par} + R_{cabo}} é uma fração que diminui quando o numerador diminui.

Dois painéis de divisores: à esquerda, o divisor de tensão em série com um cabo de 2 ohms e a carga de 20 ohms sob 120 V, com a fórmula U da carga igual a U vezes R da carga sobre a soma e o valor 109 V; à direita, o divisor de corrente em paralelo, com 6 A chegando a um nó e saindo 4 A pelo ramo de 2 ohms e 2 A pelo ramo de 4 ohms, com a fórmula da fração de corrente

Esse é o mecanismo do item do ENEM 2019 sobre o cabo mal dimensionado de 10 Ω, ligado a uma casa com lâmpadas de 200 Ω e uma televisão de 50 Ω que só funciona acima de 90 V (é uma das questões da aba de exercícios). A pergunta “quantas lâmpadas podem ser ligadas sem a TV desligar” é o divisor de tensão lido ao contrário: a cada lâmpada ligada em paralelo, a resistência da casa cai, a corrente no cabo sobe, a queda no cabo cresce e a tensão na TV diminui, até cruzar o limite. E é também o motivo pelo qual a luz da casa pisca quando o chuveiro liga: o chuveiro é um ramo de baixa resistência que aumenta a corrente no cabo de entrada e rouba alguns volts de todos os outros ramos.

Ponte de Wheatstone: quando o ramo do meio não conduz

Há um arranjo de quatro resistores que aparece em todo laboratório de eletricidade e, de vez em quando, em prova: a ponte de Wheatstone. Dois ramos em paralelo, cada um com dois resistores em série (R1R_1 e R2R_2 num ramo, R3R_3 e R4R_4 no outro), e um quinto elemento, em geral um galvanômetro, ligando os pontos do meio dos dois ramos.

Cada ramo é um divisor de tensão. O ponto do meio do primeiro ramo está a uma fração R2R1+R2\frac{R_2}{R_1 + R_2} da tensão total acima do polo negativo; o do segundo, a R4R3+R4\frac{R_4}{R_3 + R_4}. Se as duas frações forem iguais, os dois pontos do meio estão no mesmo potencial, e nenhuma corrente passa pelo galvanômetro: a ponte está equilibrada. A igualdade das frações se rearranja em

R1R4=R2R3,R_1 R_4 = R_2 R_3,

produtos cruzados iguais. Nesse caso, o ramo do meio pode ser retirado (ou substituído por um fio, tanto faz) sem que nada mude no resto, e o circuito volta a ser um paralelo simples de duas séries.

Ponte de Wheatstone com quatro resistores em dois ramos paralelos, R1 e R2 no ramo de cima, R3 e R4 no ramo de baixo, e um galvanômetro ligando os pontos do meio; a condição de equilíbrio R1 vezes R4 igual a R2 vezes R3 e a anotação de que, no equilíbrio, os dois pontos do meio têm o mesmo potencial e a corrente no galvanômetro é zero

A utilidade histórica é a medida de resistência: com R1R_1, R2R_2 conhecidos e R3R_3 ajustável, gira-se R3R_3 até o galvanômetro zerar, e R4R_4 desconhecido sai de R4=R2R3/R1R_4 = R_2 R_3 / R_1. Sensores de deformação, balanças eletrônicas e termômetros de resistência usam pontes até hoje, porque a ponte transforma uma pequena variação de resistência numa tensão fácil de medir. Para a prova, o que importa é o critério: produtos cruzados iguais, corrente zero no meio. Se os produtos forem diferentes, a ponte está desequilibrada, o ramo do meio conduz e o circuito não se reduz por série e paralelo; é território das leis de Kirchhoff.

Medidores dentro da associação

Amperímetro e voltímetro têm sua página em corrente elétrica; aqui só o essencial de como eles entram numa associação, porque os itens perguntam o que cada um lê.

O amperímetro mede a corrente que o atravessa, então entra em série com o ramo cuja corrente se quer, e o ideal tem resistência zero, para não mudar a corrente que veio medir. Colocado no fio que sai da fonte, lê a corrente total; colocado num ramo do paralelo, lê só a corrente daquele ramo. O voltímetro mede a tensão entre seus dois terminais, então entra em paralelo com o trecho cuja tensão se quer, e o ideal tem resistência infinita, para não desviar corrente. Ligado entre os dois nós de um paralelo, lê a tensão comum a todos os ramos; ligado sobre um resistor da série, lê a fatia daquele resistor no divisor de tensão.

Trocar os dois é o erro de laboratório clássico: voltímetro em série abre o circuito (resistência infinita no caminho, corrente zero, e ele lê a tensão da fonte inteira); amperímetro em paralelo com um componente é um curto-circuito sobre o componente (resistência zero, corrente enorme pelo medidor, fusível do aparelho queimado).

Como a banca pergunta

O assunto é o mais espalhado da eletrodinâmica na 3.ª etapa: apareceu em mais da metade das dezoito provas de 2008 a 2025, quase sempre num bloco com figura, e frequenta todos os formatos, inclusive os raros, como o item de resposta numérica e o de múltipla escolha. Os itens abaixo estão na aba de exercícios, verbatim; aqui vai a leitura de cada um.

Os quatro aparelhos (2009, itens 109 e 110). Chuveiro, televisor, geladeira e lâmpada ligados à rede de uma residência. “A resistência equivalente dos quatro é a soma direta das resistências”: aparelhos na rede estão em paralelo, somam-se os inversos, não as resistências. Errado. O item 110 põe a mesma fórmula com outro nome: a média harmônica de quatro números é α=4/(1R1++1R4)\alpha = 4/\left(\frac{1}{R_1} + \cdots + \frac{1}{R_4}\right), e a equivalente do paralelo é Re=1/(1R1++1R4)R_e = 1/\left(\frac{1}{R_1} + \cdots + \frac{1}{R_4}\right); logo Re=α/4=0,25αR_e = \alpha/4 = 0{,}25\,\alpha. Certo. Quem conhece a definição de média harmônica julga sem calcular resistência nenhuma.

O farol do carro (2012, itens 117 e 118). Duas figuras com bateria e duas lâmpadas idênticas: na figura I, em paralelo; na figura II, em série. “Apenas o circuito II garante que uma lâmpada continue acesa se a outra for danificada”: é o paralelo (figura I) que garante isso; em série, uma queimada abre o caminho das duas. Errado. O item 118 pede a razão entre as intensidades luminosas totais (I dividido por II): 2U2/R2U^2/R sobre U2/(2R)U^2/(2R), razão 4, o n2n^2 com n=2n = 2.

Os cinco resistores (2014, item 117). Figura com R1=9R_1 = 9 Ω num fio que sai do terminal A; depois um bloco entre dois nós: um ramo com R3=4R_3 = 4 Ω em série com o par R5=3R_5 = 3 Ω e R4=6R_4 = 6 Ω em paralelo, e outro ramo só com R2=6R_2 = 6 Ω; e o fio até o terminal B. Redução: 36=23 \parallel 6 = 2; 4+2=64 + 2 = 6; 66=36 \parallel 6 = 3; 9+3=9 + 3 = 12 Ω. Cada linha é um passo do roteiro, e o único perigo é ler a figura errado no primeiro.

Barragens e lâmpadas (2015, itens 101 e 102). Circuito III: uma lâmpada de 100 Ω em 24 V. Circuito IV: duas lâmpadas em paralelo, 50 Ω. Circuito V: duas em série, 200 Ω. Item 101: “a corrente em V é o dobro da corrente na bateria de IV”: em V, 24/200=0,1224/200 = 0{,}12 A; em IV, 24/50=0,4824/50 = 0{,}48 A; V tem um quarto de IV, não o dobro. Errado. Item 102: soma das equivalentes de III, IV e V: 100+50+200=100 + 50 + 200 = 350.

O fusível do bonde (2017, item 89). “O circuito continuaria protegido se o fusível fosse conectado em paralelo com o reostato.” Fusível protege porque a corrente do circuito passa por ele, em série; em paralelo com o reostato ele viraria um segundo caminho, e a corrente do motor deixaria de atravessá-lo. Errado.

A urna eletrônica (2019, item 89). Fonte de 12 V, três ramos em paralelo, cada um com uma chave e um resistor (2 Ω, 4 Ω, 6 Ω). “Se somente S2S_2 for fechada, o sistema dissipará 48 W”: só o ramo de 4 Ω conduz, P=U2/R=144/4=36P = U^2/R = 144/4 = 36 W, não 48. Errado. (O item 90 do mesmo bloco, sobre a corrente no nó com S1S_1 e S3S_3 fechadas, é a lei dos nós e está na página de Kirchhoff.)

As dezesseis lâmpadas (2023, itens 100 a 103). Bateria ideal de 24 V em paralelo com quatro ramos, cada um com quatro lâmpadas de 4 Ω em série. Cada ramo: 16 Ω, corrente 24/16=1,524/16 = 1{,}5 A; quatro ramos: 6 A na bateria. Item 100, “uma lâmpada queimada apaga todas”: abre só o ramo dela; as outras doze continuam. Errado. Item 101, “uma lâmpada trocada por um curto aumenta a corrente total”: o ramo cai para 12 Ω e 2 A, a total vai a 6,5 A. Certo. Item 102, “potência por lâmpada superior a 10 W”: P=Ri2=4×1,52=9P = Ri^2 = 4 \times 1{,}5^2 = 9 W. Errado. Item 103, potência total da bateria: 24×6=24 \times 6 = 144 W.

O circuito 2 (2025, itens 90 e 91). A prova editou um circuito de três malhas retirando um resistor e uma fonte; o que sobrou foram dois ramos em paralelo entre A e D, cada um com 1+2=31 + 2 = 3 Ω, sob uma fonte de 7 V. Req=1,5R_{eq} = 1{,}5 Ω, corrente total 14/314/3 A, corrente em cada ramo (pontos B e C) 7/37/3 A: item 90, opção B. Potência dissipada pela equivalente: U2/Req=49/1,5=98/3U^2/R_{eq} = 49/1{,}5 = 98/3 W: item 91, opção C. O distrator 14/314/3 do item 90 é a corrente total, para quem confunde a corrente do ramo com a da fonte. Um circuito de aparência assustadora virou série-e-paralelo assim que a topologia foi lida; o item 88 do mesmo bloco, sobre as resistências de 1 Ω e 2 Ω do circuito 2, foi anulado e por isso não entra na aba de exercícios.

O padrão dos oito blocos é claro. O erro proposto está na definição (trocar o que é comum a série e a paralelo; somar resistências em paralelo; achar que série protege), na leitura da figura (quem liga em quem) e no efeito de um defeito (curto contra aberto, ramo contra circuito inteiro). A conta em si costuma ser de uma linha.

Os erros que mais custam item

Oito confusões e a correção de cada uma
  1. “Em série, todos têm a mesma tensão” / “em paralelo, a mesma corrente.” É o contrário: série compartilha corrente, paralelo compartilha tensão. Repita como mantra antes de ler qualquer item.
  2. Somar resistências em paralelo. Em paralelo somam-se os inversos; a equivalente tem de dar menos que a menor do grupo.
  3. Somar os inversos e esquecer de inverter. 16+13=12\frac{1}{6} + \frac{1}{3} = \frac{1}{2}1/Req1/R_{eq}; a resposta é 2 Ω, não 0,5 Ω.
  4. “Mais resistores, mais resistência.” Só em série. Em paralelo, cada resistor a mais é um caminho a mais, e a equivalente cai.
  5. “A lâmpada mais perto da pilha brilha mais.” Em série a corrente é a mesma em todas; brilha mais a de maior resistência, onde quer que esteja.
  6. Confundir curto-circuito com circuito aberto. Curto: o componente some, a equivalente cai, a corrente total sobe. Aberto: o ramo para; em série tudo para, em paralelo só aquele ramo.
  7. Contar nós errado. Esquina de dois fios não é nó; pontos ligados por fio puro são o mesmo nó. Nomeie os nós antes de decidir o que é série e o que é paralelo.
  8. Usar a fórmula do produto sobre a soma para três resistores. R1R2R1+R2\frac{R_1 R_2}{R_1 + R_2} só vale para dois. Para três ou mais, volte aos inversos (ou aplique a fórmula de dois duas vezes).

O essencial em meia página

  • Série: um caminho; mesma corrente; tensões se somam; Req=R1+R2+R_{eq} = R_1 + R_2 + \cdots (maior que qualquer um). nn iguais: nRnR.
  • Divisor de tensão: Uk=URkReqU_k = U\,\dfrac{R_k}{R_{eq}}; o maior resistor recebe a maior tensão. Cabo em série com a carga rouba tensão: Ucarga=URcargaRcarga+RcaboU_{carga} = U\,\dfrac{R_{carga}}{R_{carga} + R_{cabo}}.
  • Paralelo: vários caminhos entre os mesmos dois nós; mesma tensão; correntes se somam; 1Req=1R1+1R2+\dfrac{1}{R_{eq}} = \dfrac{1}{R_1} + \dfrac{1}{R_2} + \cdots (menor que a menor). Dois: R1R2R1+R2\dfrac{R_1 R_2}{R_1 + R_2}. nn iguais: R/nR/n.
  • Divisor de corrente (dois ramos): i1=iR2R1+R2i_1 = i\,\dfrac{R_2}{R_1 + R_2}; o menor resistor recebe a maior corrente.
  • Série × paralelo de nn iguais: razão n2n^2 entre as equivalentes e entre as potências totais sob a mesma tensão (2 lâmpadas: 4).
  • Misto: marque os nós; série dentro do ramo (soma); paralelo entre os mesmos nós (inversos); redesenhe; repita; volte para as correntes; confira Ui=Rkik2Ui = \sum R_k i_k^2.
  • Curto-circuito: fio em paralelo anula o componente; ReqR_{eq} cai, corrente total sobe. Circuito aberto: ramo para; série apaga tudo, paralelo só o ramo. Fusível e disjuntor: em série.
  • Quem brilha mais: série, P=Ri2P = Ri^2, o de maior RR; paralelo, P=U2/RP = U^2/R, o de menor RR.
  • Casa: aparelhos em paralelo (tensão nominal inteira, independência); mais aparelhos, menos ReqR_{eq}, mais corrente no medidor.
  • Ponte de Wheatstone: equilibrada se R1R4=R2R3R_1 R_4 = R_2 R_3; então corrente zero no ramo do meio.
  • Medidores: amperímetro em série (R0R \to 0); voltímetro em paralelo (RR \to \infty).
  • Fonte ideal: impõe UU entre os terminais, sempre; resistência interna é assunto de geradores; malhas com duas fontes que não reduzem, de Kirchhoff.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Resistores: Nunca mais erre mista! | Eletrodinâmica - Aula 7
Maurício Física · 13:59
Introdução. Catorze minutos que, segundo a descrição do canal, começam “do básico, explicando os tipos de associação de resistores, incluindo a associação em série, em paralelo e mista” e mostram “como calcular a resistência equivalente em cada caso”. É o roteiro das seções “Série: um caminho só”, “Paralelo: vários caminhos entre os mesmos dois pontos” e “Circuito misto: reduza, redesenhe, repita” desta página, com a lousa fazendo as reduções que aqui estão nas figuras; assista antes de ler e refaça as contas dele com a nossa regra do “menor que a menor”.
REGRA DO VARAL_Aula 1_COMO REDESENHAR UM CIRCUITO ELÉTRICO
Física Light - Prof JH · 12:52
Aprofundamento. Treze minutos sobre a “Regra do Varal (também conhecida como Linha de Potenciais)”, que a descrição apresenta como “um importante método para redesenharmos circuitos elétricos complicados de uma maneira mais fácil de ser resolvida”. É exatamente a técnica da seção “Redesenhe antes de calcular: nós, ramos e a topologia”: cada nó vira um varal, cada resistor vira uma peça pendurada entre dois varais, e o que está em paralelo salta aos olhos. Use no circuito de cinco resistores do PAS 2014 (q08) e nos diagramas enganosos da seção.
Brilho de Lâmpadas: Associações em Série e em Paralelo
Física Sem Neura · 4:36
Aplicação. Menos de cinco minutos, diretos, sobre a pergunta que a banca mais gosta de fazer sem número: qual lâmpada brilha mais. O vídeo compara a associação em série e em paralelo de lâmpadas e mostra quando a de maior resistência é a mais brilhante (série, P = Ri²) e quando é a menos brilhante (paralelo, P = U²/R). É a seção “Quem brilha mais? A potência em cada resistor” desta página e o par de itens 2012/117–118 do farol; veja depois de resolver q28 e q37.
Resolução do PAS 3 UnB 2023 | Circuitos elétricos - associação de resistores (lâmpadas)
Física+ · 27:19
Resolução de itens reais. Vinte e sete minutos do professor Matheus Aguiar resolvendo o bloco das dezesseis lâmpadas da 3.ª etapa de 2023, com capítulos marcados na descrição: “04:44 Questão 100 / 06:23 Questão 101 / 14:23 Questão 102 / 27:17 Questão 103”. São as questões q13 a q16 desta página, discutidas na seção “Como a banca pergunta”: a lâmpada queimada que apaga só o próprio ramo, o curto-circuito que aumenta a corrente total, os 9 W por lâmpada e os 144 W da bateria. Resolva antes de assistir e compare o caminho.
Rota PAS 3
Eletrodinâmica: dispositivos, circuitos e leis de Kirchhoff · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Eletrodinâmica: dispositivos, circuitos e leis de Kirchhoff · Série e paralelo: dois jeitos de ligar (fieira de Natal e tomadas da casa; conceito série/paralelo/curto-circuito/fusível; exemplo-guia de 6 Ω e 3 Ω em 12 V; figura das duas associações; itens 2009/109–110, 2012/117–118, 2017/89, 2023/100–103; armadilha dos dois transplantes; checagem do paralelo); Leia como na prova: o bloco dos circuitos da UFPR (circuito 2 de 2025, itens 90 e 91); Como a banca cobra (histórico do assunto, item 2025/90); Resolvidos no formato da prova (dois ramos e um nó); Banco de treino (itens de associação)

    Recorte por assunto: série, paralelo, misto, curto-circuito, divisores, comparação série × paralelo, potência por resistor como leitura, ponte de Wheatstone qualitativa, medidores na associação, leitura e redesenho de diagramas. Corrente, resistência e leis de Ohm são pré-requisitos com páginas próprias; potência, consumo e kWh ficam em potência elétrica; gerador com resistência interna e associação de pilhas ficam em geradores e receptores; malhas com duas fontes (circuito 1 de 2025, itens 80–85, 87 e 89; bloco de 2014; item 2019/90) ficam em leis de Kirchhoff; o capacitor da urna (2019/91) fica em capacitores. A página acrescenta, ausentes do capítulo, o divisor de tensão e de corrente como fórmulas, o redesenho topológico por nós, a ponte de Wheatstone, a razão n² entre série e paralelo de n iguais, a leitura de brilho por resistor e a lista de erros comuns.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2009 (itens 109 e 110, figura dos quatro aparelhos, p. 16 do PDF); 2012 (itens 117 e 118, figuras I e II das lâmpadas, p. 23); 2014 (item 117, figura dos cinco resistores, p. 19); 2015 (itens 101 e 102, figuras I a V, p. 18); 2017 (item 89, figuras I a III do bonde, caderno Liberdade, p. 14, transcrito da imagem porque o texto extraído é cifrado); 2019 (item 89, figura da urna, p. 12); 2023 (itens 100 a 103, figura das dezesseis lâmpadas, p. 12); 2025 (itens 90 e 91, figuras dos circuitos 1 e 2, p. 11)

    Itens reproduzidos verbatim dos cadernos e conferidos na imagem dos PDFs a 130–260 dpi; gabaritos lidos nas tabelas dos arquivos GAB (2009/109 E, 110 C; 2012/117 E, 118 = 4; 2014/117 = 12; 2015/101 E, 102 = 350; 2017/89 E; 2019/89 E; 2023/100 E, 101 C, 102 E, 103 = 144; 2025/90 B, 91 C) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. O caderno de 2009 usa a letra α para a média harmônica no item 110 (mantida). As figuras impressas foram descritas em texto neutro nos enunciados, nomeando todos os rótulos e a topologia (quem liga em quem). Os itens anulados 2014/116 e 2025/88 não foram usados. O item ENEM 2019 do cabo de 10 Ω é reutilizado pelo GUID do banco central.