Geração de energia elétrica

Guia de estudo · Revisado em 16/09/2026

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Na seca de 2021 os reservatórios do Sudeste secaram, o operador do sistema ligou as termelétricas a gás e a conta de luz de todo o país subiu de bandeira. O que a chuva que não caiu em Minas tem a ver com o chuveiro em Brasília, e por que a eletricidade que sai de uma turbina a 700 km de distância chega à sua casa em vez de virar calor nos fios pelo caminho?

O que você vai aprender

  • Descrever a cadeia de conversões de qualquer usina (fonte → energia mecânica de rotação → gerador → transmissão → consumo), identificar em que elo cada tipo de usina difere e aplicar a conservação de energia com rendimento em cada etapa.
  • Calcular a potência hidráulica por P = ρQgh, distinguir usina com reservatório de usina a fio d'água e explicar por que a geração hidráulica depende do regime de chuvas.
  • Explicar a termelétrica como máquina térmica (combustão ou fissão → vapor → turbina → condensador), estimar o calor rejeitado a partir do rendimento e separar o limite da segunda lei das emissões da combustão.
  • Deduzir P = ½ρAv³ para o vento, usar o cubo da velocidade em comparações e citar o limite de Betz como teto de aproveitamento.
  • Usar a irradiância (W/m²) e a eficiência do painel para estimar a potência e a energia diária (kWh/m²) de um sistema fotovoltaico, e distinguir fotovoltaica de heliotérmica.
  • Reconhecer a fissão como fonte de calor de uma usina nuclear, ordenar a cadeia nuclear → térmica → mecânica → elétrica e estimar o calor necessário a partir do rendimento.
  • Enunciar o princípio do gerador (fluxo magnético variável induz tensão), reconhecer a corrente alternada de 60 Hz e a forma ε = ε_max sen(2πft), e explicar o que aumenta a fem induzida.
  • Justificar a transmissão em alta tensão por P = Ui e P_perdida = R·i², aplicar U_s/U_p = N_s/N_p e a conservação da potência no transformador ideal, e calcular perdas absolutas e percentuais.
  • Ler tabelas e gráficos da matriz elétrica brasileira (BEN/Resenha Energética), distinguir matriz energética de matriz elétrica, GW de GWh e fatia de volume, e usar o fator de capacidade para ligar potência instalada a energia gerada.
  • Julgar itens do PAS sobre geração de energia identificando os erros plantados: energia trocada por potência, transmissão em alta tensão 'porque a corrente vai mais rápido', eólica linear na velocidade, rendimento acima de 1 e cadeia de conversões com o elo errado.

Em 2021 choveu pouco nas cabeceiras dos rios de Minas, Goiás e São Paulo, e os reservatórios das grandes hidrelétricas do Sudeste chegaram ao fim do período seco com menos de um quarto do volume útil. Nenhuma turbina quebrou; faltou água para girar. O Operador Nacional do Sistema Elétrico acionou as termelétricas a gás, a óleo e a carvão, que produzem a mesma eletricidade a um custo várias vezes maior, e a diferença apareceu, para todo o país, na bandeira tarifária da conta de luz. A chuva que não caiu em Minas encareceu o banho em Brasília porque a eletricidade brasileira sai de umas poucas centenas de usinas, viaja por uma malha de mais de 180 mil quilômetros de linhas e chega à tomada como um só produto, sem etiqueta de origem.

Esta página segue esse caminho inteiro. Primeiro a máquina que toda usina tem em comum, o gerador, e o que muda de uma fonte para outra: água, vapor, vento, luz ou núcleo de urânio. Depois a conta de cada fonte, com a fórmula que a prova cobra: P=ρQghP = \rho Q g h na hidrelétrica, o cubo da velocidade na eólica, a irradiância na solar, o rendimento da máquina térmica na termelétrica e na nuclear. Em seguida o trecho entre a usina e a casa, onde a tensão é elevada a centenas de milhares de volts por uma razão que nada tem a ver com “ir mais rápido”. E, no fim, a tabela da matriz elétrica brasileira, que o PAS colocou na mesa em 2024 e 2025 e que se lê com duas distinções: matriz energética não é matriz elétrica, e gigawatt não é gigawatt-hora.

Toda usina é a mesma máquina: alguma coisa faz um gerador girar

Abra o esquema de qualquer usina e o último elo é sempre igual: um eixo girando dentro de um gerador. O que muda é o que faz o eixo girar. Na hidrelétrica, é a água que desce de um reservatório; na termelétrica e na nuclear, é o vapor produzido por uma caldeira ou por um reator; no parque eólico, é o vento sobre as pás. Só a solar fotovoltaica foge da regra, porque converte luz em eletricidade sem nada girar; a solar heliotérmica, que concentra o Sol com espelhos para produzir vapor, volta para dentro dela.

Diagrama em linhas paralelas. Quatro fontes à esquerda, água represada, combustível ou urânio, vento e luz solar, seguem por setas até uma coluna comum de energia mecânica de rotação na turbina, depois gerador e energia elétrica, depois transformador elevador, linha de transmissão e casa. A fonte térmica passa por uma caixa extra, caldeira ou reator e vapor, e a solar fotovoltaica salta direto da luz à eletricidade sem passar pela turbina. Setas vermelhas descendentes marcam perdas em cada elo.
A cadeia de conversões de uma usina. Água, vapor e vento chegam ao mesmo lugar, a rotação de uma turbina acoplada a um gerador; a termelétrica e a nuclear têm um elo a mais, o calor que vira vapor; a fotovoltaica pula a turbina. Da usina à casa, a energia ainda passa por transformadores e pela linha de transmissão, e cada elo entrega à frente menos do que recebeu. Diagrama autoral.
A cadeia de conversões e o rendimento em série

Uma usina é uma sequência de conversões de energia:

fonte    energia mecaˆnica de rotac¸a˜o    energia eleˊtrica    transmissa˜o    consumo.\text{fonte} \;\to\; \text{energia mecânica de rotação} \;\to\; \text{energia elétrica} \;\to\; \text{transmissão} \;\to\; \text{consumo}.

Em cada elo a energia se conserva (útil + dissipada = recebida) e a fração útil é o rendimento ηi\eta_i; em série, os rendimentos se multiplicam, ηtotal=η1η2ηn\eta_{\text{total}} = \eta_1 \,\eta_2 \cdots \eta_n, e Peleˊtrica=ηtotalPfonteP_{\text{elétrica}} = \eta_{\text{total}}\, P_{\text{fonte}}. A definição de potência e a regra do produto estão em potência e rendimento; aqui elas são ferramenta, e o que muda de uma fonte para outra são os números: turbina–gerador de hidrelétrica, perto de 90% da energia da água; termelétrica a vapor, 30 a 40% do calor da queima; painel fotovoltaico comercial, 15 a 22% da luz que recebe. A cadeia inteira, da fonte à tomada, é sempre menos eficiente que o seu pior elo.

A distinção que a banca mais gosta de testar está no segundo elo. Hidrelétrica e eólica movem a turbina diretamente com energia mecânica, a da água que desce ou a do vento que passa. Termelétrica e nuclear não: entre a fonte e a turbina existe calor, e isso faz delas máquinas térmicas, sujeitas ao teto da segunda lei da termodinâmica. O PAS 2 de 2024 afirmou que a geração hidráulica e a eólica “é análoga à observada na operação de uma máquina térmica, pelo fato de haver perda de energia na forma de calor no processo”, e o item era errado: perder calor por atrito não faz de uma máquina uma máquina térmica; máquina térmica é a que recebe calor de uma fonte quente e o converte parcialmente em trabalho. A hidrelétrica esquenta um pouco a água e os mancais, mas o calor não é a origem do trabalho.

Um elo antes da usina fecha a cadeia em quase todas as fontes: o Sol. É ele que evapora a água que a chuva devolve às cabeceiras (a energia hidrelétrica é solar em última análise, como o PAS 1 de 2008 deu como certo no item 104), que aquece o ar de forma desigual e produz o vento, que a fotossíntese guardou na biomassa e, há milhões de anos, no carvão e no petróleo. Só a nuclear e a geotérmica escapam: o urânio da Terra é anterior ao Sol.

Hidrelétrica: a potência de uma queda d’água é ρQgh

No Brasil, mais da metade da eletricidade vem de usinas hidrelétricas, e por isso o cenário preferido dos itens de energia elétrica é uma barragem. A fórmula da potência hidráulica está deduzida na página de potência e rendimento; aqui ela entra como ferramenta, e o que interessa é o que ela diz sobre a usina. A pergunta certa não é “quanta energia a represa guarda”, e sim quanta energia desce por segundo, porque é isso que a usina entrega de forma contínua.

Potência hidráulica

Se a usina turbina uma vazão QQ (volume por segundo, em m³/s) com desnível hh entre o reservatório e a turbina, a massa que desce a cada segundo é ρQ\rho Q, com ρ=1000\rho = 1\,000 kg/m³: cada metro cúbico de água pesa uma tonelada. A energia potencial liberada por segundo é

Phidr=mghΔt=ρQgh,P_{\text{hidr}} = \frac{mgh}{\Delta t} = \rho\,Q\,g\,h,

e a potência elétrica é Pel=ηρQghP_{\text{el}} = \eta\,\rho Q g h, com η0,9\eta \approx 0{,}9 para o conjunto turbina–gerador. A fórmula é linear em QQ e em hh: dobrar a vazão dobra a potência, dobrar o desnível também; dobrar a vazão e reduzir o desnível à metade deixa a potência como estava. Não há quadrado em lugar nenhum.

símbolo leitura em Itaipu (por unidade geradora)
QQ vazão turbinada, m³/s da ordem de 650 m³/s
hh desnível (queda), m cerca de 118 m
ρQ\rho Q massa por segundo, kg/s 650 t a cada segundo
PelP_{\text{el}} potência elétrica, W 700 MW

Exemplo resolvido: a ordem de grandeza de Itaipu. A usina tem 20 unidades geradoras de 700 MW, 14 GW no total, com queda de cerca de 118 m. Quanta água passa por cada turbina? Com η=0,9\eta = 0{,}9 e g=10g = 10 m/s²: Q=Pel/(ηρgh)=7×108/(0,9×1000×10×118)660Q = P_{\text{el}}/(\eta \rho g h) = 7 \times 10^8/(0{,}9 \times 1\,000 \times 10 \times 118) \approx 660 m³/s. Um rio médio inteiro atravessa cada máquina, 650 toneladas de água por segundo, e são vinte máquinas. É por isso que uma hidrelétrica grande só existe onde há um rio caudaloso e um desnível: vazão sem queda (a Amazônia plana) ou queda sem vazão (um riacho de serra) não fecham a conta.

Exemplo resolvido: o modelo que o PAS pediu por escrito. Em 2008, a 2.ª etapa deu o texto sobre a cadeia da hidrelétrica e listou as grandezas (altura da barragem HH, densidade DD, vazão QQ, aceleração gg) e pediu, em item tipo D, o modelo da potência hidráulica com justificativa. O modelo é P=DQgHP = D\,Q\,g\,H, e a justificativa cabe em três linhas: a massa que desce por segundo é DQDQ (densidade vezes volume por segundo); cada quilograma que desce HH metros libera gHgH joules de energia potencial; logo a energia liberada por segundo, que é a potência, é DQ×gHDQ \times gH. A conferência de unidades fecha: kg/m³ × m³/s × m/s² × m = kg·m²/s³ = J/s = W.

Dois cortes esquemáticos de barragens lado a lado. À esquerda, usina com reservatório: um grande lago acumulado atrás da barragem, o desnível h marcado entre a superfície do lago e a turbina na base, o conduto forçado e a vazão Q indicada; uma nota diz que o lago guarda energia para a estação seca. À direita, usina a fio d'água: o rio passa quase no nível natural, reservatório pequeno, mesmo esquema de turbina, e uma nota diz que a potência acompanha a vazão do rio a cada estação. Sob as duas, a fórmula P igual a rô Q g h.
Reservatório e fio d'água. Nas duas usinas a potência é ρQgh\rho Q g h; a diferença é o que acontece quando o rio muda. O reservatório é um estoque de energia potencial que se gasta na seca e se refaz nas chuvas; a usina a fio d'água alaga menos, mas gera só o que o rio traz naquele mês. Diagrama autoral.
Reservatório, fio d'água e a seca de 2021

Uma usina com reservatório (Furnas, Sobradinho, Três Marias) acumula a água das chuvas e a gasta ao longo do ano: o lago é uma bateria de energia potencial, e o operador do sistema decide quando descarregá-la. Uma usina a fio d’água (Belo Monte, Santo Antônio, Jirau) tem lago pequeno e turbina a vazão que o rio traz naquele momento: alaga menos floresta e desloca menos gente, mas na seca do Xingu Belo Monte, com 11,2 GW instalados, produz uma fração pequena da sua capacidade. Como a maior parte da nova geração hidráulica é a fio d’água e os grandes reservatórios são antigos, o sistema brasileiro depende cada vez mais de “seguros”: as termelétricas, que geram quando falta água, e a eólica do Nordeste, cujos ventos alísios são mais fortes justamente na estação seca. Em 2021 os dois seguros foram acionados ao mesmo tempo, e a bandeira tarifária pagou a conta.

Para pensar em escala nacional: Itaipu gerou 103 TWh no recorde de 2016, perto de um sexto da oferta interna de eletricidade do Brasil naquele ano (parte da produção vai ao Paraguai); a pequena central de 1 MW é exercício resolvido na aba de exercícios.

Termelétrica e nuclear: calor no meio do caminho

Uma termelétrica é um motor gigante. Alguma coisa queima (gás natural, carvão, óleo, bagaço de cana) ou se parte (o núcleo do urânio-235), o calor transforma água de uma caldeira em vapor a alta pressão, o vapor gira a turbina, a turbina gira o gerador, e o vapor que sai da turbina, já frio e a baixa pressão, é condensado de volta a água para recomeçar o ciclo. O PAS 2 de 2015 descreveu exatamente essas três etapas num texto da Furnas e deu como certo que, “na fase de condensação, o vapor, em temperatura e pressão menores, deixa a turbina e passa através de um condensador, onde retorna à forma líquida”. O condensador é a fonte fria; o calor que ele recebe é o que a máquina térmica não conseguiu transformar em trabalho.

O balanço de potência de uma máquina térmica

Uma termelétrica que entrega potência elétrica PelP_{\text{el}} com rendimento η\eta recebe da queima ou da fissão a potência térmica

Pq=PelηP_{\text{q}} = \frac{P_{\text{el}}}{\eta}

e rejeita à fonte fria (condensador, rio, torre de resfriamento, atmosfera)

Pf=PqPel=Pel(1η1).P_{\text{f}} = P_{\text{q}} - P_{\text{el}} = P_{\text{el}}\left(\frac{1}{\eta} - 1\right).

Com η\eta entre 0,30 e 0,40, a potência rejeitada é maior que a potência elétrica: uma usina de 500 MW a 35% recebe 500/0,351430500/0{,}35 \approx 1\,430 MW da caldeira e joga fora cerca de 930 MW de calor. O teto do rendimento é o de Carnot, ηmax=1Tf/Tq\eta_{\max} = 1 - T_{\text{f}}/T_{\text{q}} com temperaturas em kelvin; a física desse limite está na página de máquinas térmicas.

Exemplo resolvido: a usina nuclear à beira do rio (PAS 2 de 2010). Um governo planeja uma usina nuclear de 60 MW, com eficiência térmica de 30%, à margem de um rio de vazão 10 m³/s, e desvia parte da água para receber o calor rejeitado; a lei permite usar no máximo 25% da vazão do rio, e uma norma limita a 10 °C o aquecimento da água de resfriamento (c=4c = 4 kJ/(kg·K)). Potência recebida: 60/0,30=20060/0{,}30 = 200 MW; rejeitada: 20060=140200 - 60 = 140 MW, ou 1,4×1081{,}4 \times 10^8 J a cada segundo. Se a usina usar os 25% permitidos, 2,5 m³/s = 2 500 kg/s, o aquecimento é ΔT=1,4×108/(2500×4000)=14\Delta T = 1{,}4 \times 10^8/(2\,500 \times 4\,000) = 14 °C, acima do limite da norma; para ficar em 10 °C, ela precisaria de 1,4×108/(4000×10)=35001{,}4 \times 10^8/(4\,000 \times 10) = 3\,500 kg/s, 35% da vazão, acima do limite da lei. Obedecer a uma restrição obriga a violar a outra: o item 112, “a usina não poderá ser instalada, dado que seu projeto descumpre o que se menciona em I”, estava certo. E o item 111, que dava razão a ribeirinhos alegando que o rio, normalmente a 20 °C, “passará a um valor superior a 25 °C”, estava errado: quem vive à margem sente o rio inteiro, não o canal, e 140 MW diluídos nos 10 000 kg/s do rio aquecem a água em 1,4×108/(10000×4000)=3,51{,}4 \times 10^8/(10\,000 \times 4\,000) = 3{,}5 °C, para 23,5 °C. Duas restrições, uma só fórmula, P=mcΔT/ΔtP = mc\Delta T/\Delta t.

Emissões vêm da química, não da segunda lei

O PAS 2 de 2024 afirmou que, na termelétrica, “a queima de combustível fóssil produz gases de efeito estufa devido à impossibilidade de conversão completa de calor em trabalho em uma máquina térmica”. Errado, e o erro é de causa: o CO₂ sai da reação de combustão do carbono, e sairia igual, por tonelada queimada, numa máquina de rendimento 100%. A segunda lei decide quanto do calor vira trabalho; a química decide o que sai pela chaminé. São duas limitações independentes da mesma usina, e o item as cola com um “devido à”.

Na usina nuclear, o “algo que aquece a água” é a fissão: um nêutron parte o núcleo do urânio-235 em dois núcleos menores e libera, por quilograma de combustível, cerca de um milhão de vezes mais energia que a queima de um quilograma de carvão. Essa energia vem de uma pequena diferença de massa entre o núcleo original e os fragmentos, contabilizada por E=mc2E = mc^2; a fórmula fica para a física moderna e a equação nuclear para a página de Química, mas a cadeia é a que importa aqui:

nuclear    teˊrmica    mecaˆnica    eleˊtrica.\text{nuclear} \;\to\; \text{térmica} \;\to\; \text{mecânica} \;\to\; \text{elétrica}.

O PAS 2 de 2016, num bloco sobre o reator de Angra, escreveu “energia química em energia térmica” e o item era errado: a fissão não é reação química. E o PAS 3 de 2025 emendou, depois de uma primeira metade correta sobre E=mc2E = mc^2, que a eletricidade da usina nuclear sai “sem envolvimento dos princípios do eletromagnetismo”: errado, porque do vapor em diante a usina nuclear é igual a qualquer outra, e o gerador que transforma rotação em corrente é eletromagnetismo puro. Angra 1 e Angra 2 somam cerca de 2 GW e produzem por volta de 14 TWh por ano (14 053 GWh em 2020 e 14 705 GWh em 2021, pela tabela que o PAS usou), 2% da eletricidade brasileira, com um fator de aproveitamento alto porque uma usina nuclear trabalha perto da potência máxima o ano inteiro.

Exemplo resolvido: o tipo C de Carnot (PAS 2 de 2024, item 55). O caderno pediu a energia térmica necessária para gerar toda a eletricidade nuclear brasileira de 2020, 14 053 GWh pela tabela, supondo máquinas de Carnot entre 25 °C e 174 °C e conversão perfeita de trabalho em eletricidade. Temperaturas em kelvin: 298 K e 447 K. Rendimento: η=1298/4470,333\eta = 1 - 298/447 \approx 0{,}333. Energia térmica: 14053/0,3334220014\,053/0{,}333 \approx 42\,200 GWh, “superior a 40 000 GWh e inferior a 45 000 GWh”, opção C. Repare que o resultado é energia (GWh) porque o dado era energia; a fórmula Pq=Pel/ηP_{\text{q}} = P_{\text{el}}/\eta vale igualmente para potências e para energias no mesmo intervalo.

Eólica: por que o cubo da velocidade decide tudo

Um aerogerador retira energia cinética do ar que atravessa o círculo varrido pelas pás. A conta é a mesma da hidrelétrica, massa por segundo vezes energia por quilograma, com uma diferença que muda tudo: na hidrelétrica a velocidade da água só entra na vazão; no vento, ela entra três vezes.

Potência do vento: P = ½ρAv³

O ar de densidade ρ1,2\rho \approx 1{,}2 kg/m³ que passa com velocidade vv por um círculo de área A=πR2A = \pi R^2 (RR é o comprimento da pá) tem vazão Q=AvQ = Av, massa por segundo ρAv\rho A v e energia cinética 12v2\tfrac12 v^2 por quilograma. A potência que atravessa o círculo é

Pvento=12ρAv3.P_{\text{vento}} = \tfrac12\,\rho\,A\,v^3 .

Uma vez porque mais ar passa por segundo, duas vezes porque cada quilograma traz 12v2\tfrac12 v^2. Dobrar a velocidade do vento multiplica a potência por 8; passar de 6 para 12 m/s, idem. Nenhuma turbina captura tudo: para extrair energia do ar é preciso deixá-lo sair pelo outro lado mais devagar, e o limite de Betz mostra que a fração máxima aproveitável é 16/2759%16/27 \approx 59\%. Turbinas reais ficam entre 40 e 50% da potência do vento, e a potência elétrica é Pel=Cp12ρAv3P_{\text{el}} = C_p \, \tfrac12 \rho A v^3, com CpC_p o coeficiente de potência.

Gráfico da potência em função da velocidade do vento para um aerogerador com pás de 35 metros. A curva da potência do vento sobe como um cubo: cerca de 1,2 megawatt a 8 metros por segundo, 4 megawatts a 12 metros por segundo, quase 9,5 megawatts a 16 metros por segundo. Uma segunda curva, o limite de Betz, fica em 59 por cento da primeira, e uma terceira, a potência elétrica real, em cerca de 50 por cento até saturar em 2 megawatts, potência nominal da máquina, a partir de 12 metros por segundo. Uma nota mostra que dobrar a velocidade multiplica a potência por oito.
O cubo da velocidade. Para pás de 35 m (A3850A \approx 3\,850 m²), a potência do vento vale cerca de 1,2 MW a 8 m/s e 4 MW a 12 m/s: metade a mais de velocidade, potência multiplicada por 1,533,41{,}5^3 \approx 3{,}4. O limite de Betz corta a curva em 59%; a máquina real fica perto de 50% e satura na potência nominal, 2 MW, a partir da velocidade de projeto. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: o aerogerador de Osório. O PAS 1 de 2015 descreveu o complexo de Osório (RS): 150 MW instalados, 75 aerogeradores, pás de 35 m em torres de 100 m. Cada máquina tem, portanto, 2 MW de potência instalada, e a área varrida é A=π×3523850A = \pi \times 35^2 \approx 3\,850 m². A potência do vento a 12 m/s: 12×1,2×3850×123=0,6×3850×17284,0×106\tfrac12 \times 1{,}2 \times 3\,850 \times 12^3 = 0{,}6 \times 3\,850 \times 1\,728 \approx 4{,}0 \times 10^6 W. Com Cp=0,5C_p = 0{,}5, saem os 2 MW nominais: os números da placa da máquina e a fórmula combinam. Agora um dia de vento fraco, 6 m/s: a potência do vento cai a 4,0/8=0,54{,}0/8 = 0{,}5 MW, e a máquina entrega cerca de 250 kW, um oitavo do nominal. É por isso que o fator de capacidade de um parque eólico, a energia gerada dividida pela energia que a potência instalada geraria funcionando o tempo todo, fica em torno de 40% no Nordeste e abaixo disso em quase todo o resto do mundo; e é por isso que a torre é alta: o vento a 100 m é mais forte e mais constante que a 20 m, e cada 10% a mais de velocidade são 33% a mais de potência.

Solar: irradiância, eficiência e o quilowatt-hora por metro quadrado

O Sol entrega ao topo da atmosfera cerca de 1 360 W em cada metro quadrado perpendicular aos raios; ao meio-dia de céu limpo, chega ao chão perto de 1 000 W/m². Esse número, a irradiância, é uma potência por área, e é o ponto de partida de qualquer conta solar.

Fotovoltaica: potência e energia por metro quadrado

Um painel de área AA e eficiência η\eta sob irradiância II entrega

P=ηIA.P = \eta\,I\,A .

Com η=0,20\eta = 0{,}20 e I=1000I = 1\,000 W/m², saem 200 W por metro quadrado de painel, no melhor instante do dia. Como o Sol muda de altura e some à noite, a energia de um dia é a irradiação diária, medida em kWh/m² por dia: no Brasil, entre 4,5 e 6 kWh/m² por dia conforme a região e a estação (o semiárido nordestino e o Centro-Oeste estão no alto dessa faixa). Multiplicada pela eficiência, dá a energia elétrica diária por metro quadrado: 0,20×5=1,00{,}20 \times 5 = 1{,}0 kWh/m² por dia, em números redondos.

Exemplo resolvido: o telhado de uma casa. Uma família consome 300 kWh por mês, 10 kWh por dia. Com irradiação de 5 kWh/m² por dia e painéis de 20%, cada metro quadrado rende 1 kWh por dia, e são necessários cerca de 10 m² de painel; na prática, com perdas do inversor, sujeira e temperatura, os projetistas dimensionam 20 a 30% a mais, 12 a 13 m². Em potência de placa, isso é 12,5×200=250012{,}5 \times 200 = 2\,500 W, um sistema “de 2,5 kWp”, e a conta bate com o que se vê nos orçamentos. Repare no que aconteceu com as unidades: a irradiação em kWh/m² por dia já traz o tempo dentro, então o resultado saiu direto em energia por dia, sem multiplicar por horas.

Os itens de prova costumam explorar dois pontos. O primeiro é a cor do painel: o PAS 2 de 2024 deu como certo que as placas fotovoltaicas “devem ser escuras para aumentar a absorção da radiação solar, o que diminui, em consequência, a reflexão”, e é isso mesmo: o que se reflete não se absorve, e o que não se absorve não vira corrente. O segundo é a intensidade com a distância: a potência PP do Sol se espalha por uma esfera de área 4πR24\pi R^2, então a irradiância a uma distância RR é I=P/(4πR2)I = P/(4\pi R^2); a 4R4R ela cai a 1/161/16, e para um planeta a 4R4R receber a mesma irradiância que a Terra o Sol teria de ter potência 16P16P, resposta do tipo C de 2012 (item 83), num texto sobre espelhos concentrando luz em motores Stirling. Essa segunda tecnologia é a heliotérmica: espelhos côncavos ou calhas parabólicas concentram a luz em um receptor, esquentam um fluido a centenas de graus e daí em diante a usina é uma termelétrica comum, com vapor, turbina e gerador. É solar, mas passa por calor, e portanto é máquina térmica; a fotovoltaica, não.

Esquema com o Sol acima e um painel de um metro quadrado abaixo. Uma seta larga desce com 1000 watts por metro quadrado ao meio-dia. Do painel, com eficiência de 20 por cento, sai uma seta menor de 200 watts elétricos e uma seta cinza de 800 watts em calor e reflexão. À direita, um gráfico da irradiância ao longo de um dia, em forma de sino do nascer ao pôr do Sol, com a área sob a curva marcada como cerca de 5 quilowatts-hora por metro quadrado por dia, e a anotação de que 20 por cento disso, 1 quilowatt-hora por metro quadrado por dia, vira eletricidade.
Irradiância e irradiação. Ao meio-dia chegam cerca de 1 000 W a cada metro quadrado e um painel de 20% converte 200 W; ao longo do dia a irradiância sobe e desce, e a área sob a curva, perto de 5 kWh/m² no Brasil, é a energia disponível: cerca de 1 kWh de eletricidade por metro quadrado de painel por dia. Diagrama autoral.

O gerador: fluxo magnético variável vira tensão

Chegamos ao elo que todas as usinas compartilham. Um gerador é uma bobina (ou um conjunto delas) que gira dentro de um campo magnético, ou, o que dá o mesmo, ímãs que giram em volta de bobinas paradas, como nas grandes máquinas de Itaipu. O que produz a tensão é a variação do fluxo magnético através das espiras: a lei de Faraday diz que a força eletromotriz induzida é a taxa com que o fluxo muda. Fluxo constante, bobina parada em campo fixo, tensão zero; fluxo variando, tensão.

O gerador de corrente alternada

O fluxo por uma espira de área AA em um campo BB é Φ=BAcosθ\Phi = BA\cos\theta, com θ\theta o ângulo entre o campo e a normal à espira. Se a bobina de NN espiras gira com frequência ff, o ângulo cresce como θ=2πft\theta = 2\pi f t, o fluxo oscila entre +BA+BA e BA-BA, e a fem induzida oscila junto:

ε(t)=εmaxsen(2πft),εmax=NBA(2πf).\varepsilon(t) = \varepsilon_{\max}\,\text{sen}(2\pi f t), \qquad \varepsilon_{\max} = N\,B\,A\,(2\pi f).

Como a fem troca de sinal a cada meia-volta, a corrente inverte o sentido: é a corrente alternada. No Brasil, f=60f = 60 Hz, então 2πf=120π2\pi f = 120\pi rad/s e um gerador comercial de 220 V de pico produz ε=220sen(120πt)\varepsilon = 220\,\text{sen}(120\pi t) V, expressão que o PAS 3 de 2010 deu como certa (item 63). A fem cresce com o número de espiras, a intensidade do campo, a área da bobina e a frequência de rotação; para mudar o fluxo também serve manter a bobina parada e variar o campo (opção correta do tipo C do mesmo caderno, item 64). O motor elétrico é o gerador ao contrário: corrente numa espira dentro de um campo produz torque, e energia elétrica vira mecânica.

À esquerda, uma espira retangular vista em perspectiva entre os polos norte e sul de um ímã, com o eixo de rotação e a seta de giro; o fluxo magnético é indicado por linhas horizontais atravessando a espira. Quatro posições da espira, a 0, 90, 180 e 270 graus, aparecem em miniatura. À direita, o gráfico da força eletromotriz em função do tempo: uma senoide com pico de 220 volts, período de um sessenta avos de segundo, e a equação fem igual a 220 seno de 120 pi t. Setas ligam cada posição da espira ao ponto correspondente da senoide: fluxo máximo dá fem zero, fluxo zero dá fem máxima.
O gerador de corrente alternada. A espira gira no campo; o fluxo BAcosθBA\cos\theta oscila e a fem, que é a taxa de variação do fluxo, oscila defasada: onde o fluxo é máximo (espira de frente para o campo), a fem é zero; onde o fluxo se anula, a fem é máxima. Sessenta voltas por segundo dão ε=220sen(120πt)\varepsilon = 220\,\text{sen}(120\pi t) V. Diagrama autoral.

O PAS 3 de 2025 resumiu a página inteira num item certo: a geração “por meio das turbinas acionadas por vapor é equivalente ao modo de geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas, que consiste essencialmente em girar enormes espiras condutoras em um potente campo magnético, gerando-se corrente elétrica devido à variação de fluxo magnético através das espiras, conforme descrito pela lei de indução de Faraday”. Nuclear, termelétrica, hidrelétrica e eólica diferem só no que faz o eixo girar. O mesmo bloco cobrou uma consequência menos óbvia: a corrente alternada é não estacionária, cargas oscilando irradiam, e um gerador de corrente alternada perde uma fração da energia como ondas eletromagnéticas (item 92, certo). A perda é pequena diante do efeito Joule, mas existe. Lei de Lenz, fem de movimento e o restante da indução têm tratamento próprio na página de eletromagnetismo; aqui basta a regra: sem variação de fluxo, sem tensão.

Transmissão: por que 500 000 volts

A eletricidade sai do gerador em alguns milhares de volts e é imediatamente elevada, numa subestação ao lado da usina, a 230 kV, 500 kV ou mais: as linhas que trazem a energia de Itaipu para São Paulo operam em 765 kV em corrente alternada e em ±600 kV em corrente contínua. Perto da cidade, outras subestações abaixam a tensão para 138 kV e 13,8 kV, e o transformador cinza do poste entrega os 220 V ou 127 V da casa. Toda essa ginástica tem um único motivo, e ele não é “a energia ir mais rápido”. É a perda nos fios.

Perda na linha e a razão da alta tensão

A potência transmitida por uma linha é P=UiP = U\,i: tensão vezes corrente. Para a mesma potência, elevar a tensão reduz a corrente na mesma proporção, i=P/Ui = P/U. A perda por efeito Joule nos condutores de resistência RR é

Pperdida=Ri2=R(PU)2.P_{\text{perdida}} = R\,i^2 = R\left(\frac{P}{U}\right)^2 .

Multiplicar a tensão por 10 divide a corrente por 10 e a perda por 100; por 100, a perda cai 10 000 vezes. A fração perdida é Pperdida/P=RP/U2P_{\text{perdida}}/P = RP/U^2: para uma potência e uma linha dadas, ela só depende do inverso do quadrado da tensão. Por isso as linhas longas trabalham em centenas de quilovolts e usam cabos grossos de alumínio com alma de aço (menor RR); a velocidade com que o sinal elétrico se propaga é a mesma em qualquer tensão.

Esquema da usina à casa em uma linha: gerador, transformador elevador, linha de transmissão de 10 quilômetros com resistência de 0,40 ohm, transformador abaixador e casa. Abaixo, duas linhas de conta lado a lado para 220 quilowatts transmitidos. Em 22 000 volts: corrente de 10 ampères, perda de 0,40 vezes 100 igual a 40 watts, 0,02 por cento. Em 220 volts: corrente de 1 000 ampères, perda de 0,40 vezes um milhão igual a 400 quilowatts, maior que a própria potência transmitida, marcada com um sinal de impossível. Uma barra compara visualmente as duas perdas.
A mesma linha, duas tensões. Para levar 220 kW por 10 km de fio com 0,40 Ω: a 22 kV a corrente é de 10 A e a linha perde 40 W, dois centésimos de por cento; a 220 V a corrente seria de 1 000 A e a perda, 0,40×106=4000{,}40 \times 10^6 = 400 kW, mais do que a usina envia. Em baixa tensão a energia nem chegaria. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: a cidadezinha do PAS 3 de 2013. Uma hidrelétrica envia 220 kW a uma cidade a 10 km; a resistência total da linha é 0,40 Ω. Em 22 000 V, a corrente é i=220000/22000=10i = 220\,000/22\,000 = 10 A e a perda, 0,40×102=400{,}40 \times 10^2 = 40 W, ou 40/2200000,02%40/220\,000 \approx 0{,}02\%. Em 220 V, a corrente seria i=220000/220=1000i = 220\,000/220 = 1\,000 A, a perda 0,40×10002=4000000{,}40 \times 1\,000^2 = 400\,000 W, maior que os 220 kW enviados: a linha não entregaria nada, o fio derreteria antes. O item 105, “uma linha de transmissão em 22 000 V apresenta perda de energia, em valores percentuais, maior que uma linha de transmissão em 200 V”, estava errado, e o tipo C do item 106, que pedia as correntes na linha de alta tensão e na rede da casa para os mesmos 220 kW, tinha resposta “10 e 1 000” (opção D). Já em 2009, com a mesma linha de 0,40 Ω, o item 100 afirmava que a transmissão seria “mais eficiente” em 220 V que em 220 000 V, “pois a perda de potência na linha será 1 000 vezes menor no primeiro caso”: errado duas vezes, porque a perda é menor em alta tensão e a razão entre as perdas é 10002=1061\,000^2 = 10^6, não 1 000.

O transformador

Duas bobinas enroladas no mesmo núcleo de ferro, sem contato elétrico. A corrente alternada da bobina primária (NpN_p espiras) cria no núcleo um fluxo magnético que varia o tempo todo; o núcleo leva esse fluxo à bobina secundária (NsN_s espiras), onde a variação induz uma fem. As tensões ficam na razão das espiras:

UsUp=NsNp.\frac{U_s}{U_p} = \frac{N_s}{N_p}.

Mais espiras na secundária, tensão maior (transformador elevador, na saída da usina); menos, tensão menor (abaixador, no poste). No transformador ideal a potência se conserva, Upip=UsisU_p\,i_p = U_s\,i_s: elevar a tensão cem vezes é reduzir a corrente cem vezes; ninguém cria energia enrolando fio. Transformador não altera a frequência e não funciona com corrente contínua constante, porque fluxo constante não induz nada.

Dois números para fixar. O poste da rua recebe 13 800 V e entrega 220 V: razão 220/138001/63220/13\,800 \approx 1/63, a secundária tem cerca de 63 vezes menos espiras que a primária. E o transformador do consumidor do PAS 3 de 2009, que recebia 22 000 V e entregava 220 V, precisava de 100 vezes menos espiras na secundária; o item 101 dizia “100 vezes mais” e estava errado, enquanto o 102, “o funcionamento de um transformador pode ser adequadamente explicado com base na lei de Faraday”, estava certo. Em 2011 a banca escreveu que o transformador é “uma máquina de corrente contínua que transforma corrente de alta frequência em corrente de baixa frequência”: duas inversões numa frase, e o item era errado.

"Em alta tensão a corrente vai mais rápido"

Não. A tensão alta não acelera nada; ela reduz a corrente necessária para transportar a mesma potência, e a perda no fio depende do quadrado da corrente. Outras versões do mesmo erro: “o transformador eleva a potência” (não: conserva, no ideal; perde um pouco, no real); “alta tensão reduz a resistência da linha” (a resistência é do fio, não da tensão); “a perda cai na proporção da tensão” (cai com o quadrado). E lembre que o efeito Joule é o motivo de a linha existir em alta tensão, mas o cálculo de R=ρL/AR = \rho L/A e de circuitos pertence às páginas de corrente elétrica e resistência elétrica.

Da usina até a tomada, o Brasil perde, entre transmissão e distribuição, perto de 15% da energia gerada, contando perdas técnicas e comerciais; num país de 8,5 milhões de km² com as usinas longe dos centros de consumo, esse número seria muito maior sem a alta tensão.

A matriz elétrica brasileira: ler a tabela sem trocar as unidades

Em 2024, o PAS 2 colocou na prova a tabela de oferta interna de energia elétrica da Resenha Energética Brasileira (Ministério de Minas e Energia, 2022), com os anos de 2020 e 2021, e pendurou nela oito itens de Física e Geografia. Em 2025, voltou com a tabela do consumo final de energia por fonte, da mesma publicação. Saber ler essas tabelas é parte da física da geração, e começa por duas distinções.

Matriz energética, matriz elétrica; GW, GWh

Matriz energética é o conjunto de todas as fontes que movem o país, o diesel do caminhão e o gás do fogão inclusive, medido em uma unidade comum (tep). Matriz elétrica é o recorte menor: só as fontes que geram eletricidade. No Brasil, a energética é cerca de 45 a 50% renovável (o transporte rodoviário puxa o petróleo); a elétrica é bem mais: 83,8% renovável em 2020 e 78,1% em 2021, pela tabela da Resenha, e acima de 85% desde 2022, com a hidráulica na frente. Na tabela da matriz elétrica, a coluna em GWh mede energia gerada em um ano; a potência instalada de uma usina ou do país se mede em GW. Liga-se uma à outra pelo tempo e pelo fator de capacidade:

Eano=Pinstalada×8760 h×FC.E_{\text{ano}} = P_{\text{instalada}} \times 8\,760\ \text{h} \times FC .

Uma usina que funcionasse o ano inteiro na potência máxima teria FC=1FC = 1; hidrelétricas brasileiras ficam em 0,5 a 0,75, nucleares em 0,8 a 0,9, eólicas em 0,3 a 0,45, solares em 0,15 a 0,25. Por isso 1 GW eólico gera, no ano, pouco mais da metade da energia de 1 GW hidráulico e menos da metade da de 1 GW nuclear.

Gráfico de barras horizontais da participação de cada fonte na oferta interna de energia elétrica do Brasil em 2020 e 2021, dados da Resenha Energética Brasileira 2022. Hidráulica: 60,7 e 53,4 por cento. Gás natural: 9,1 e 12,8. Eólica: 8,7 e 10,6. Bagaço de cana: 5,9 e 5,1. Solar: 1,6 e 2,5. Carvão: 1,8 e 2,6. Óleo: 1,4 e 2,6. Nuclear: 2,2 e 2,2. Cada fonte tem duas barras, uma para cada ano, com o valor escrito ao lado. Uma nota registra o total de 653 481 gigawatts-hora em 2020 e 679 212 em 2021, e que a queda da hidráulica em 2021 foi coberta por gás, óleo e carvão.
A matriz elétrica em dois anos. Dados da tabela da *Resenha Energética Brasileira* 2022 usada pelo PAS 2 de 2024 (oferta interna, exclui importação e "outras"). Na seca de 2021 a hidráulica perdeu 7,3 pontos e o gás ganhou 3,7; eólica e solar cresceram por razão estrutural. Total: 653 481 GWh em 2020, 679 212 GWh em 2021. Diagrama autoral.

Três leituras que a tabela permite e a prova cobra. Fatia: a hidráulica em 2021 é 362818/679212=0,534362\,818/679\,212 = 0{,}534, os 53,4% da coluna. Volume × fatia: a nuclear ficou em 2,2% nos dois anos, mas cresceu de 14 053 para 14 705 GWh; fatia igual não é volume igual, porque o bolo cresceu. O que a tabela não diz: nada sobre regiões, setores de consumo ou a matriz energética total; um item que conclua sobre “a energia do país” a partir da tabela da eletricidade trocou de matriz. O item 54 de 2024, tipo C, pediu a causa da supremacia hidráulica, e a resposta era a “riqueza de recursos hidráulicos” (planaltos com desnível e rios caudalosos), não a inesgotabilidade da água, que a seca do próprio ano desmentia; o item 49 usou a leitura correta (matriz elétrica majoritariamente renovável) para pendurar nela uma “ausência de impactos ambientais” das hidrelétricas, e caiu por isso. Em 2025, o item 82 deu como certo que a participação da solar e da eólica cresce “em função do desenvolvimento tecnológico no emprego dessas fontes e da consequente redução de custos”, que é a tese estrutural: de 2021 para cá, eólica e solar somadas já passaram de um quinto da eletricidade gerada, e a solar, contando os telhados, é a fonte que mais cresce.

Exemplo resolvido: GW e GWh na mesma frase. A capacidade instalada do Brasil em 2021 era da ordem de 180 GW, e a oferta, 679 212 GWh. Potência média gerada no ano: 679212 GWh/8760 h77,5679\,212\ \text{GWh}/8\,760\ \text{h} \approx 77{,}5 GW, e o fator de capacidade do sistema, 77,5/1800,4377{,}5/180 \approx 0{,}43. Itaipu sozinha: 14 GW instalados e cerca de 90 000 GWh num ano de boa hidrologia (a média da última década ficou perto de 85 000), FC=90000/(14×8760)0,73FC = 90\,000/(14 \times 8\,760) \approx 0{,}73. A página institucional da usina já escreveu “14 GWh de potência instalada”, e o deslize é exatamente o que a prova planta: GW é potência, GWh é energia; 14 GWh é o que Itaipu produz em uma hora a plena carga.

Balbina, ou potência por quilômetro quadrado

O PAS 1 de 2009 lembrou que a hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, alagou 2 360 km² de floresta, quase a mesma área de Tucuruí, e produz 31 vezes menos eletricidade. A explicação está inteira em ρQgh\rho Q g h: Balbina foi construída em terreno plano, com desnível de poucas dezenas de metros e vazão modesta, e o item tipo C apontava a “declividade do terreno” como o fator a considerar para não repetir o desastre. Área alagada mede o custo; potência mede o benefício; a razão entre os dois é o que distingue um bom sítio hidrelétrico de um ruim.

Os oito erros que a prova planta

  1. Trocar energia por potência. “Gera 2 MW de energia”, “14 GWh de potência instalada”, “a tabela mostra a potência de cada fonte” (mostra GWh, energia). MW e GW são potência; MWh, GWh e TWh são energia; 1 kWh = 3,6 MJ.
  2. “Alta tensão porque a corrente vai mais rápido.” A tensão alta reduz a corrente para a mesma potência; a perda Ri2Ri^2 cai com o quadrado. Multiplicar UU por 100 divide a perda por 10 000.
  3. Transformador que cria potência ou muda frequência. No ideal, Upip=UsisU_p i_p = U_s i_s; a frequência que entra é a que sai; corrente contínua constante não o atravessa. Abaixador tem menos espiras na secundária.
  4. Eólica linear na velocidade. Pv3P \propto v^3: dobrar o vento é multiplicar por 8, não por 2. E nenhuma turbina passa do limite de Betz (59%).
  5. Hidrelétrica com quadrado. P=ρQghP = \rho Q g h é linear em QQ e em hh. Dobrar a vazão dobra a potência; a velocidade da água só entra pela vazão.
  6. Chamar hidrelétrica de máquina térmica (ou negar que a heliotérmica seja). Máquina térmica é a que recebe calor de uma fonte quente: termelétrica, nuclear, heliotérmica. Hidrelétrica, eólica e fotovoltaica não passam por calor como fonte.
  7. Cadeia com o elo errado. Fissão libera energia nuclear, não química; a eletricidade da usina nuclear nasce num gerador, que é eletromagnetismo; o CO₂ da termelétrica vem da combustão, não da segunda lei.
  8. Rendimento acima de 1 ou energia “destruída”. O útil nunca supera o total; os 10% que a turbina–gerador não converte viram calor, e continuam existindo em uma forma que a usina não vende.

Quando o item vier com “pois”, “devido a” ou “portanto”, julgue as duas metades separadamente: a banca gosta de colar uma justificativa errada a uma conclusão certa (a hidrelétrica é renovável, pois seus impactos ambientais são de fácil equacionamento: errado em 2008) ou uma causa trocada a um fato verdadeiro (a termelétrica emite CO₂, devido à conversão incompleta de calor em trabalho: errado em 2024).

O essencial em meia página

  • Cadeia: fonte → mecânica de rotação → gerador → transmissão → consumo; ηtotal=η1η2\eta_{\text{total}} = \eta_1 \eta_2 \cdots; o que não sai útil sai como calor. Toda usina, menos a fotovoltaica, termina em um eixo girando um gerador.
  • Hidrelétrica: P=ρQghP = \rho Q g h, linear em QQ e hh; massa por segundo =ρQ= \rho Q; η0,9\eta \approx 0{,}9. Reservatório guarda energia para a seca; fio d’água gera o que o rio traz. Itaipu: 20 × 700 MW = 14 GW, h118h \approx 118 m, Q650Q \approx 650 m³/s por turbina.
  • Termelétrica e nuclear: máquinas térmicas; Pq=Pel/ηP_{\text{q}} = P_{\text{el}}/\eta, Pf=PqPelP_{\text{f}} = P_{\text{q}} - P_{\text{el}}; η\eta de 30 a 40%, teto de Carnot 1Tf/Tq1 - T_{\text{f}}/T_{\text{q}}; CO₂ vem da combustão; fissão é energia nuclear, e a usina nuclear é igual às outras do vapor em diante.
  • Eólica: Pvento=12ρAv3P_{\text{vento}} = \tfrac12 \rho A v^3, A=πR2A = \pi R^2, ρar1,2\rho_{\text{ar}} \approx 1{,}2 kg/m³; dobrar vv dá 8×; limite de Betz 16/2759%16/27 \approx 59\%; máquinas reais 40 a 50%; fator de capacidade ~0,4 no Nordeste.
  • Solar: irradiância ~1 000 W/m² ao meio-dia; P=ηIAP = \eta I A; painel de 20% → 200 W/m²; irradiação de 4,5 a 6 kWh/m² por dia no Brasil → ~1 kWh/m² por dia de eletricidade; I1/R2I \propto 1/R^2. Heliotérmica passa por calor; fotovoltaica, não.
  • Gerador: fluxo variável → fem; ε=εmaxsen(2πft)\varepsilon = \varepsilon_{\max}\,\text{sen}(2\pi f t), f=60f = 60 Hz → 120π120\pi; εmax=NBA(2πf)\varepsilon_{\max} = NBA\,(2\pi f); corrente alternada, não estacionária, irradia um pouco.
  • Transmissão: P=UiP = Ui; Pperdida=Ri2=RP2/U2P_{\text{perdida}} = R i^2 = R P^2/U^2; tensão ×10 → perda ÷100. Transformador: Us/Up=Ns/NpU_s/U_p = N_s/N_p, Upip=UsisU_p i_p = U_s i_s, só corrente alternada, frequência inalterada.
  • Matriz: energética ≠ elétrica; GW (potência) ≠ GWh (energia); E=P×8760 h×FCE = P \times 8\,760\ \text{h} \times FC; hidráulica 53 a 61% em 2020–2021, renováveis 78 a 84%; eólica e solar em crescimento estrutural.
  • Vizinhos: P=W/ΔtP = W/\Delta t e rendimento em potência e rendimento; energia cinética e potencial em energia; P=UiP = Ui, efeito Joule e R=ρL/AR = \rho L/A em corrente elétrica e resistência elétrica; Carnot e entropia em máquinas térmicas; radiação de correntes alternadas em ondas eletromagnéticas.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Como funciona uma usina hidrelétrica?
Agência Nacional de Energia Elétrica · 6:34
Introdução, pela agência reguladora. Em seis minutos e meio, o vídeo institucional da ANEEL parte da roda d’água, mostra a barragem, o conduto, a turbina e o gerador, explica o que é uma usina a fio d’água, lista as maiores hidrelétricas do país e fecha com características e impactos. É a seção “Hidrelétrica: a potência de uma queda d’água é ρQgh” e o box “Reservatório, fio d’água e a seca de 2021” em imagens, sem contas.
Lei de Faraday - Indução eletromagnética - Eletromagnetismo Aula 12 - Prof. Marcelo Boaro
Professor Boaro · 23:23
Aprofundamento do princípio do gerador. O professor Boaro discute em detalhe o fluxo magnético em espiras, a consequência da variação desse fluxo para a produção de corrente, a lei de Lenz e a lei de Faraday, em aula de quadro de 23 minutos. É a base física da seção “O gerador: fluxo magnético variável vira tensão”, que a página apresenta só no essencial.
Por que a transmissão de energia elétrica é realizada em alta tensão?
Elétrica sem Limites · 8:25
Aplicação. Em oito minutos, o vídeo demonstra, com exemplos e cálculos simplificados, por que a transmissão a longas distâncias é feita em alta tensão e por que seria inviável em baixa tensão: é a conta da seção “Transmissão: por que 500 000 volts” (i = P/U e perda R·i²) feita com números de linhas reais.
PAS 2 - 2024 (48 a 55) - Física
Ideia Física · 25:07
Resolução do PAS. Resolve o bloco inteiro da tabela da Resenha Energética Brasileira do PAS 2 de 2024: placas fotovoltaicas escuras, ausência de impactos das hidrelétricas, geração hidráulica e eólica como “máquina térmica”, gases de efeito estufa e segunda lei, entropia, supremacia hidráulica e o tipo C de Carnot com os 14 053 GWh nucleares. Cinco desses itens estão nesta página (seções “Termelétrica e nuclear”, “Solar” e “A matriz elétrica brasileira”); o vídeo mostra a mesma leitura em ritmo de prova. Atenção: a numeração dos itens no vídeo segue outro caderno da mesma prova.
Rota PAS 1
Trabalho, energia, potência e conservação · PAS 1

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 1 — Trabalho, energia, potência e conservação · Da represa à tomada: de onde vem a energia elétrica (cadeia de conversões da hidrelétrica, P = ρQgh, exemplo-guia da usina de 1 MW, itens 2008/104 e 2019/82, checagem do Sol, CN1/CN2); Potência e rendimento (valores de referência); Como a banca cobra (histórico de energia elétrica: 2007/31, 2008/103–104); Resolvidos (pequena central hidrelétrica tipo B); Banco de treino (texto-base da usina de 80 m e 200 m³/s, tipo C da vazão dobrada)

    Recorte por assunto: a página cobre a geração de energia elétrica em todas as fontes. Potência e rendimento em geral, trabalho e energia mecânica, corrente elétrica e efeito Joule e máquinas térmicas têm páginas próprias e entram aqui só como ferramenta.

  • Rota PAS 3 — Magnetismo e eletromagnetismo: do ímã à ressonância magnética · Geradores, transformadores e motores: as três máquinas (conceito do gerador de corrente alternada, transformador U_s/U_p = N_s/N_p, conservação da potência, perda R·i², exemplo-guia do poste de 13 800 V; itens 2010/63–64, 2009/101–102, 2011/59); Leia como na prova: o bloco das usinas e da radioatividade (itens 2025/92, 93 e 94)

    Só o essencial do gerador e do transformador entra aqui; a lei de Faraday, a lei de Lenz e a fem de movimento ficam para a página de indução eletromagnética.

  • Rota PAS 2 — Leis da termodinâmica e máquinas térmicas · Do motor a etanol à termelétrica: as máquinas térmicas do Brasil (cadeia química/nuclear → térmica → mecânica → elétrica, rendimento de 30 a 40%, hidrelétrica e eólica não são máquinas térmicas; itens 2024/51, 2016/92, 2014/100–102, 2025/74 anulado)

    A física do ciclo (Carnot, entropia, diagrama p × V) pertence à página de máquinas térmicas; aqui entra só o balanço de potência da termelétrica.

  • Rota PAS 2 — Recursos naturais, matriz energética e combustíveis (Geografia) · Duas matrizes: toda a energia do país e só a eletricidade (tabela da Resenha Energética 2022, itens 2008/92, 2009/115); Ler uma tabela de energia: fatia, volume e o que ela não diz; Hidreletricidade: renovável, barata de operar e cheia de custos (reservatório × fio d'água, itens 2008/93 e 96, 2024/49 e 54); Eólica, solar e biomassa (intermitência, alísios, itens 2010/89, 2012/33, 2018/82, 2008/94)

    Usado só para os dados da matriz elétrica e a distinção matriz energética × elétrica; a geografia das fontes (onde e por quê) fica com a página de Geografia.

  • Rota PAS 3 — Radioatividade: o relógio dentro do núcleo (Química) · Fissão, usinas e rejeitos: a radioatividade como questão pública (fissão do urânio-235, reação em cadeia, barras de controle, 'uma usina nuclear é uma chaleira grande')

    Só a fissão como fonte de calor; equação nuclear, meia-vida e rejeitos ficam na página de Química.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2009 (item 59, tipo C); PAS 2 2008 (itens 90 tipo D, 93, 96), 2010 (itens 111 e 112), 2012 (item 83, tipo C), 2014 (itens 101 e 102), 2015 (item 86), 2016 (item 92, transcrito do caderno pelo Rota PAS 2), 2024 (itens 48, 49, 51, 54 e 55 e a tabela da Resenha Energética), 2025 (item 82); PAS 3 2009 (itens 100, 101 e 102), 2010 (itens 63 e 64), 2011 (item 59, transcrito pelo Rota PAS 3), 2013 (itens 105 e 106), 2025 (itens 92, 93 e 94)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/, classificacao-pas2/ e classificacao-pas3/. Figuras impressas (esquema da linha de transmissão de 2009 e 2013, gerador de 2010, mecanismos I a IV de 2014, ciclo da termelétrica de 2015) descritas em texto neutro. Os itens 2008/103, 2008/104, 2015/70, PAS 2 2014/100, PAS 2 2009/116 e PAS 2 2024/50 são reusados por GUID da página potencia-e-rendimento.