A etiqueta do chuveiro diz 4 400 W e 220 V. Quem lê esses dois números sabe a corrente que ele puxa, a resistência que esquenta a água, quanto custa um banho de quinze minutos, qual disjuntor o protege e o que acontece se alguém o ligar numa tomada de 110 V. O PAS pergunta em que posição da chave o chuveiro esquenta mais, se a rede de 25 A aguenta a casa inteira ligada e quanto se perde numa linha de transmissão. O que é, afinal, potência elétrica, e por que a mesma grandeza aparece como Ui, Ri² e U²/R?
O que você vai aprender
Definir potência elétrica como energia convertida por unidade de tempo, deduzir P = Ui a partir do trabalho W = qU sobre a carga que atravessa o dispositivo e usar o watt (1 W = 1 J/s = 1 V·A) com os prefixos mW, kW e MW.
Escrever a potência de um resistor nas três formas equivalentes P = Ui = Ri² = U²/R e escolher a forma certa pelo que está fixo no problema: a tensão da rede (U²/R) ou a corrente de um circuito em série (Ri²).
Explicar o efeito Joule pelas colisões dos elétrons com a rede do condutor, calcular o calor Q = Ri²Δt e aplicá-lo ao chuveiro, ao ferro e ao forno, inclusive na calorimetria do chuveiro (vazão e elevação de temperatura); reconhecer onde o efeito é indesejado (fios, linhas de transmissão) e por que a transmissão é feita em alta tensão.
Calcular a energia elétrica E = PΔt, converter joule e quilowatt-hora (1 kWh = 3,6 × 10⁶ J), ler uma fatura de energia (consumo em kWh, tarifa em R$/kWh, bandeiras tarifárias) e estimar o custo mensal de um aparelho.
Interpretar os valores nominais de uma etiqueta (220 V–5 500 W) como a potência sob a tensão indicada, prever o que acontece em outra tensão (P proporcional a U² em resistor fixo: 220 V ligado em 110 V dissipa um quarto) e explicar a chave verão/inverno e a chave seletora do chuveiro como troca de resistência, em que a posição mais quente é a de menor resistência.
Dimensionar disjuntor e fiação pela corrente i = P/U, explicar por que a mesma potência em 220 V puxa metade da corrente de 127 V e admite fio mais fino, e descrever o fusível como fio calibrado que funde por efeito Joule.
Comparar a eficiência luminosa (lúmens por watt) de lâmpadas incandescentes, fluorescentes e LED, reconhecendo o calor como perda e a potência elétrica como o que se paga, não como a luz que se obtém.
Ler e construir os gráficos P × U e P × i de um resistor fixo (parábolas) e E × t de um aparelho (reta cuja inclinação é a potência), extraindo potência e energia de figuras.
Evitar os erros clássicos: confundir potência com energia e W com Wh, tratar kWh como potência, usar U²/R com a tensão errada, somar potências nominais de aparelhos em série, supor que 220 V gasta mais ou que o chuveiro puxa a potência nominal em qualquer tensão.
Resolver os itens reais do PAS/UnB sobre o assunto (chuveiro com chave seletora de 2022, aparelhos da casa de 2009, fusíveis de 2012, bateria de 2011, efeito Joule na resistência interna de 2014, analogia hidráulica de 2015, LED do Itamaraty de 2023, raio de 2024, linha de transmissão de 2013, fatura de 2008 e refrigeradores de 2011 da 2.ª etapa) e o item do ENEM 2022 sobre o disjuntor da ducha.
A etiqueta na lateral do chuveiro diz “4 400 W – 220 V”. São dois números, e quem sabe lê-los fica sabendo de mais quatro coisas que a etiqueta não escreveu. A corrente que atravessa a resistência enquanto o banho corre: 20 A, mais do que qualquer outro aparelho da casa. A resistência do fio enrolado que esquenta a água: 11 Ω. O que um banho de quinze minutos custa na conta de luz: 1,1 kWh, uns noventa centavos. E o que aconteceria se alguém ligasse esse chuveiro numa tomada de 110 V: a água sairia morna, porque a potência cairia a um quarto, 1 100 W. O caderno do PAS 3 de 2022 desenhou um chuveiro com dois resistores de 11 Ω e uma chave de três posições e perguntou qual posição é “morno”, qual é “frio” e quanto vale a corrente em cada uma. Quem sabia que, sob a tensão fixa da tomada, menos resistência significa mais potência respondeu os três itens sem tocar na calculadora.
Esta é a página da potência elétrica: o que a grandeza mede e por que se escreve P=Ui; as duas outras formas, Ri2 e U2/R, e o critério para escolher entre elas; o efeito Joule, que faz o chuveiro esquentar e a linha de transmissão perder energia; a energia elétrica e o quilowatt-hora da conta de luz, com tarifa e bandeiras; o que a etiqueta de um aparelho promete e o que acontece quando a tomada entrega outra tensão; o dimensionamento de disjuntor, fio e fusível pela corrente; a eficiência luminosa que separa a lâmpada incandescente do LED; e a leitura dos gráficos P×U, P×i e E×t. No PAS/UnB o assunto é da 3.ª etapa e aparece quase sempre com um objeto da casa: o chuveiro de 2022 (itens 77 a 79), os aparelhos ligados à rede de 2009 (107 e 108), os fusíveis de 2012 (119 e 120), a bateria de 2011 (61), o LED do Itamaraty de 2023 (67) e o raio de 2024 (39); na 2.ª etapa, a fatura de energia de 2008 (84) e os refrigeradores de 2011 (110). A página pressupõe a corrente elétrica e a resistência elétrica e as leis de Ohm. A potência mecânica e o rendimento de máquinas têm página própria em potência e rendimento; a potência de um gerador real e seu rendimento ficam na página de geradores e receptores, em construção; a geração de energia elétrica explica de onde vêm os kWh que a conta cobra.
Potência é energia por segundo: de W = qU a P = Ui
Uma carga q que atravessa um dispositivo entre dois pontos com diferença de potencial U perde energia potencial elétrica qU; essa energia não desaparece, vira outra coisa dentro do dispositivo: calor no resistor, luz na lâmpada, movimento no motor, energia química na bateria que carrega. É a definição de potencial elétrico, energia por unidade de carga, posta a trabalhar. Se em um intervalo Δt passa a carga ΔQ, a energia convertida é W=ΔQ⋅U, e a energia convertida por unidade de tempo é
P=ΔtW=ΔtΔQU=iU.
Potência elétrica
P=Ui
P é a energia elétrica convertida por unidade de tempo no dispositivo, em watts (W); U é a tensão entre os terminais, em volts; i é a corrente que o atravessa, em ampères. Como 1V=1J/C e 1A=1C/s, 1V⋅1A=1J/s=1W. A fórmula vale para qualquer dispositivo, ôhmico ou não, resistor, motor, LED ou bateria: é energia por carga vezes carga por segundo. A energia convertida num intervalo é
E=PΔt,
em joules se P está em watts e Δt em segundos; em quilowatts-hora se P está em quilowatts e Δt em horas.
dispositivo
potência típica
de onde vem o número
LED indicador
20 mW
2 V × 10 mA
carregador de celular
10 a 20 W
5 V × 2 A, ou 9 V × 2 A
lâmpada LED de sala
9 W
substitui a incandescente de 60 W
televisor
100 a 200 W
220 V × 0,5 a 0,9 A
geladeira (compressor ligado)
150 a 400 W
220 V × 0,7 a 1,8 A
micro-ondas
1 100 a 2 200 W
220 V × 5 a 10 A
chuveiro elétrico
4 400 a 7 500 W
220 V × 20 a 34 A
motor de partida de carro
1 a 2 kW
12 V × 100 a 200 A
raio (PAS 3 2024)
3×1012 W
108 V × 3×104 A
usina de Itaipu
14 GW
20 unidades de 700 MW
A fórmula P=Ui não é privilégio do resistor. Num motor, a energia qU entregue às cargas vira em parte trabalho mecânico no eixo e em parte calor nas bobinas; a potência elétrica Ui é o total que entra, e a mecânica é o que sobra depois das perdas. Numa bateria que carrega, a corrente entra pelo polo positivo e a energia UiΔt fica armazenada como energia química, menos o que esquenta a bateria. Num LED, a potência Ui se reparte entre luz e calor na junção. Em todos os casos a conta de entrada é a mesma: tensão entre os terminais vezes corrente que atravessa. O que muda de um dispositivo para outro é o destino da energia, e isso é a diferença entre potência consumida (o que entra) e potência útil (o que se queria), assunto da página de potência e rendimento. O resistor é o caso em que os dois coincidem para quem quer calor, e em que a potência útil é zero para quem queria outra coisa.
A tabela tem uma leitura escondida: a mesma potência pode nascer de tensão alta com corrente baixa ou de tensão baixa com corrente alta. O motor de partida do carro e o micro-ondas têm potências da mesma ordem, mas o primeiro trabalha a 12 V puxando centenas de ampères e o segundo a 220 V puxando dez. Essa troca entre U e i para a mesma P é o argumento inteiro da transmissão em alta tensão e da instalação em 220 V, como se verá adiante.
O item 61 da 3.ª etapa de 2011 é a fórmula na sua forma mais simples: uma bateria de 12 V fornece 4 A durante 5 minutos, e o item afirma que a energia química da bateria diminui em mais de 15 kJ. Energia é potência vezes tempo: P=12×4=48 W; E=48×300=14400 J =14,4 kJ. Menos de 15 kJ: errado. O item não pede nenhuma ideia além de E=UiΔt, mas exige converter os minutos em segundos e comparar com o limiar; quem calculou 12×4×5=240 e não soube o que fazer com o número ficou sem resposta. O raio de 2024 é o mesmo produto em outra escala: o texto-base dava 30 mil ampères sob 100 milhões de volts, e o item afirmava potência “em torno de 3 trilhões de watts”. P=108×3×104=3×1012 W. Certo, e resolvido só com prefixos e potências de 10.
Três fórmulas, uma grandeza: qual usar depende do que está fixo
Num resistor vale a lei de Ohm, U=Ri. Substituindo em P=Ui de duas maneiras:
P=Ui=(Ri)i=Ri2eP=Ui=URU=RU2.
As três escritas dão o mesmo número para o mesmo resistor na mesma situação; o exemplo da etiqueta confere: Ui=220×20=4400 W, Ri2=11×400=4400 W, U2/R=48400/11=4400 W. A escolha entre elas é de conveniência, e a regra prática é usar a que contém as duas grandezas que o problema deu. Mas há uma leitura mais profunda, que decide os itens de prova: as três fórmulas dizem coisas diferentes sobre o que acontece quando R muda, porque ao mudar R alguma outra grandeza muda junto.
O que está fixo decide a fórmula
Tensão fixa (aparelho ligado à tomada, resistores em paralelo com a rede): use P=U2/R. A potência é inversamente proporcional à resistência: menos resistência, mais potência. É o caso do chuveiro, da lâmpada e de todo aparelho doméstico.
Corrente fixa (resistores em série, todos atravessados pela mesma corrente; um fio que conduz uma corrente imposta pela carga): use P=Ri2. A potência é diretamente proporcional à resistência: mais resistência, mais potência. É o caso da perda em fios e linhas de transmissão.
P=Ui serve sempre, mas não responde “o que acontece se R dobra” sem que se saiba qual das duas, U ou i, ficou parada.
A mesma grandeza, três escritas, duas leituras opostas. Ligado à tomada, o resistor de menor resistência dissipa mais (P=U2/R); atravessado por uma corrente imposta, o de maior resistência dissipa mais (P=Ri2). Pergunte sempre o que ficou fixo. Diagrama autoral.
O chuveiro de 2022 é a prova disso. A figura do caderno mostra dois resistores, R1=11Ω e R2=11Ω, em série com uma chave seletora de três posições ligada à fonte de 220 V. Na posição 1, a corrente atravessa os dois resistores; na 2, só R2; na 3, o contato fica aberto. O texto informa apenas que as posições se chamam frio, morno e quente, e que “quente” consome mais energia. Com a tensão fixa em 220 V: posição 1, R=22Ω, P=48400/22=2200 W; posição 2, R=11Ω, P=4400 W; posição 3, circuito aberto, potência zero. Logo a posição 1 é o morno, com 2 200 W (item 77, certo); a posição 3 é o frio (item 78, certo); e na posição 1 a corrente é 2200/220=10 A, não 20 A (item 79, errado). O item 77 é o mais traiçoeiro dos três, porque a intuição diz “mais resistência, mais atrito, mais calor” e conclui que a posição com dois resistores é a quente. Essa intuição só vale com corrente fixa, e a tomada fixa a tensão.
"Mais resistência esquenta mais"
Sob tensão fixa, é o contrário: P=U2/R cai quando R cresce. A posição “quente” do chuveiro, a lâmpada mais forte e o ferro mais potente são os de menor resistência. O raciocínio “mais resistência, mais calor” é verdadeiro para um fio percorrido por uma corrente imposta (P=Ri2), e é por isso que o fio fino de uma extensão esquenta mais que o fio grosso da parede conduzindo a mesma corrente. Antes de responder, diga em voz alta o que está fixo.
Um exemplo com as duas leituras juntas. Duas lâmpadas idênticas, de 100 W e 220 V, ligadas em série numa tomada de 220 V. Cada lâmpada tem R=U2/P=48400/100=484Ω; em série, 968Ω; a corrente é 220/968≈0,227 A, e cada lâmpada recebe 110 V. A potência de cada uma é U2/R=1102/484=25 W, e a do conjunto é 50 W, não 200 W. Somar potências nominais só vale quando cada aparelho está sob a sua tensão nominal, isto é, em paralelo com a rede; em série a tensão se divide e a potência cai com o quadrado dela. Já dois chuveiros de 4 400 W em paralelo na mesma rede dissipam 8 800 W, porque cada um vê os 220 V para os quais foi feito.
Efeito Joule: por que o fio esquenta
Dentro de um metal, os elétrons livres são acelerados pelo campo elétrico e, a cada fração de picossegundo, colidem com os íons da rede cristalina, entregando a eles a energia que acabaram de ganhar. A rede vibra mais: o metal esquenta. A energia que a fonte entregou às cargas, qU, acaba inteira como energia térmica no resistor. Esse é o efeito Joule, ou efeito térmico da corrente, estudado por James Prescott Joule por volta de 1840: o calor liberado em um resistor é proporcional à resistência, ao quadrado da corrente e ao tempo.
Lei de Joule
Q=Ri2Δt=UiΔt=RU2Δt
Q é a energia térmica liberada, em joules; é a energia elétrica E=PΔt de um resistor, no qual toda a potência vira calor. Num resistor puro, potência dissipada e potência convertida em calor são a mesma coisa; num motor ou numa bateria que carrega, só a parte Ri2 das resistências internas vira calor, e o resto vira movimento ou energia química.
O efeito Joule por dentro e por fora. Cada colisão transfere para a rede a energia que o elétron ganhou do campo; a soma de trilhões de colisões por segundo é o calor Q=Ri2Δt. Na resistência do chuveiro, esse calor vai para a água que passa: 4 400 W aquecem 50 g por segundo em cerca de 21 °C. Diagrama autoral.
O chuveiro é o exemplo em que o efeito Joule é o produto, não o desperdício. Uma resistência de 4 400 W entrega 4 400 J a cada segundo à água que a atravessa. Com vazão de 3 L/min, passam 50 g de água por segundo; como o calor específico da água é 4,2J/(g⋅∘C), a elevação de temperatura é
ΔT=(massa por segundo)×cP=50×4,24400≈21∘C.
Água a 22 °C sai a uns 43 °C. Abrir mais o registro dobra a vazão e divide a elevação de temperatura por dois, o que todo mundo já sentiu no banho; é a conservação de energia da calorimetria aplicada ao circuito. O ENEM de 2022 montou um item inteiro sobre isso: a tabela do manual de uma ducha dava a elevação de temperatura em função da vazão em cada nível, e pedia o disjuntor adequado. A potência do nível superquente sai de P=(vaza˜o)×c×ΔT=50×4,2×30=6300 W; a corrente em 220 V é 6300/220≈28,6 A; o disjuntor é o múltiplo de 5 A imediatamente superior, 30 A. O item liga calorimetria, potência e instalação numa só conta.
Ferro de passar, forno elétrico, secador de cabelo, torradeira, aquecedor de ambiente e a lâmpada incandescente são todos resistores projetados para esquentar: o fio de níquel-cromo, de alta resistividade, é enrolado de modo a ter a resistência que dá a potência desejada sob 220 V (ou 127 V). Um ferro de 1 200 W em 127 V tem R=1272/1200≈13Ω e puxa 9,4 A; o mesmo ferro para 220 V tem R=48400/1200≈40Ω e puxa 5,5 A. Aparelhos de potência igual para tensões diferentes têm resistências diferentes, e é por isso que a etiqueta traz sempre os dois números.
Onde o efeito Joule é indesejado, a fórmula certa é P=Ri2, porque a corrente é imposta pela carga. O fio da parede que leva 20 A ao chuveiro tem, digamos, 0,1 Ω de ida e volta: dissipa 0,1×400=40 W ao longo do caminho, o equivalente a uma lâmpada antiga acesa dentro da parede. Um fio subdimensionado, com o dobro da resistência, dissipa 80 W, esquenta mais, derrete o isolamento com o tempo e é a origem de boa parte dos incêndios elétricos. Na escala das linhas de transmissão, a perda por efeito Joule é o que decide a tensão de operação, e o item 105 da 3.ª etapa de 2013 cobrou exatamente isso: uma usina envia 220 kW por uma linha de 0,40 Ω, e o item afirmava que a transmissão em 22 000 V perde, em percentual, mais que em 200 V. Em 22 000 V a corrente é i=P/U=220000/22000=10 A e a perda é Ri2=0,40×100=40 W, 0,02 % do que se envia. Em 200 V a corrente seria 1 100 A e a perda 0,40×11002≈484 kW, maior que a própria potência transmitida: a linha não entregaria nada. Errado, portanto. Dividir a corrente por 100 divide a perda por 10 000; é por isso que a energia viaja em dezenas ou centenas de milhares de volts e só desce a 127 ou 220 V no transformador do poste, assunto da página de geração de energia elétrica.
O carregador que esquenta e o fio que não deveria
O carregador do celular fica morno porque parte dos seus 10 a 20 W vira calor nas resistências internas dos componentes, efeito Joule inevitável. Já o fio de uma extensão fina que fica quente ao alimentar um aquecedor é um aviso: a resistência do fio é grande demais para a corrente que passa, e a potência Ri2 perdida nele está aquecendo o plástico. A solução nunca é um fio mais comprido, e sim mais grosso, ou mais curto.
Energia elétrica e consumo: o quilowatt-hora e a conta de luz
A conta de luz não cobra potência; cobra energia. O medidor da entrada da casa integra a potência ao longo do mês e registra o resultado em quilowatts-hora: a energia que uma potência de 1 kW converte em 1 hora.
O quilowatt-hora
1kWh=1000W×3600s=3,6×106J
O kWh é unidade de energia, não de potência. Para calcular o consumo de um aparelho, multiplique a potência em quilowatts pelo tempo em horas: E(kWh)=P(kW)×Δt(h). Para converter em joules, multiplique por 3,6×106. O custo é E× tarifa, com a tarifa em reais por quilowatt-hora.
O banho de quinze minutos no chuveiro de 4 400 W: P=4,4 kW, Δt=0,25 h, E=1,1 kWh, que são 3,96×106 J, quase quatro milhões de joules. Em uma casa com quatro pessoas, um banho por dia cada, são 4,4 kWh por dia e 132 kWh por mês, só de chuveiro. A uma tarifa de R$ 0,85 por kWh (valor de exemplo, usado em toda a página; a tarifa real depende da distribuidora e do mês), isso dá R$ 112 mensais. O chuveiro elétrico é, de longe, o aparelho que mais pesa na conta de uma casa brasileira sem ar-condicionado; a geladeira vem em segundo, não por potência, mas por ficar ligada o mês inteiro.
Energia é potência vezes tempo, e a conta soma os dois lados: o chuveiro pesa pela potência, a geladeira pelo tempo. Dez lâmpadas LED juntas consomem em um mês menos que três banhos. Valores ilustrativos. Diagrama autoral.
A fatura traz, além do consumo em kWh, a tarifa aplicada e os tributos. O item 84 da 2.ª etapa de 2008 reproduziu uma fatura real da distribuidora de Brasília, com consumo de 360 kWh à tarifa de R$ 0,3442 por kWh, e afirmava que o gasto mensal de uma família que toma banho uma hora por dia num chuveiro de 5 000 W supera R$ 40,00. Energia: 5kW×1h×30=150 kWh; custo: 150×0,3442=R$51,63. Certo. A tarifa de 2008 parece pequena hoje: em 2025 e 2026 a tarifa residencial com tributos fica, conforme a distribuidora, entre R$ 0,70 e R$ 1,00 por kWh.
Desde 2015 a conta tem ainda as bandeiras tarifárias, um sinal de preço definido mensalmente pela ANEEL conforme o custo de geração. Bandeira verde: sem acréscimo. Amarela: acréscimo de R$ 0,01885 por kWh. Vermelha patamar 1: R$ 0,04463 por kWh. Vermelha patamar 2: R$ 0,07877 por kWh (valores publicados na página da agência, consultada em setembro de 2026). Nos meses de reservatórios baixos, quando as termelétricas entram para suprir a hidráulica, a bandeira sobe, e os 436 kWh da figura custam R$ 34 a mais na vermelha 2 do que na verde. Ler a fatura é reconhecer essas linhas: consumo medido (kWh), tarifa (R$/kWh), bandeira, iluminação pública e tributos.
Um orçamento de energia se monta aparelho por aparelho, e o exercício revela onde a conta pesa. Considere uma casa com: chuveiro de 5 500 W usado 40 minutos por dia no total; geladeira cuja potência média ao longo do dia, contando as paradas do compressor, é 120 W; ar-condicionado de 1 200 W por 6 horas nas noites de 20 dias do mês; televisor de 100 W por 4 horas diárias; oito lâmpadas LED de 9 W por 5 horas; e um conjunto de aparelhos em espera (roteador, micro-ondas com relógio, televisor em stand-by) somando 25 W o dia inteiro. Em um mês de 30 dias: chuveiro, 5,5×(40/60)×30=110 kWh; geladeira, 0,12×720=86,4 kWh; ar-condicionado, 1,2×6×20=144 kWh; televisor, 0,1×4×30=12 kWh; lâmpadas, 0,072×5×30=10,8 kWh; espera, 0,025×720=18 kWh. Total: 381 kWh, uns R$ 324 a R$ 0,85 por kWh. Três coisas saltam da lista. O ar-condicionado e o chuveiro, juntos, são dois terços da conta. A geladeira, com potência média da ordem da de uma lâmpada incandescente antiga, é o terceiro maior item, porque nunca desliga. E os 25 W de espera, que ninguém vê, custam mais que todas as lâmpadas da casa: 18 kWh por mês, R$ 15, por aparelhos que não estão fazendo nada. Reduzir o banho de 40 para 30 minutos economiza mais que trocar todas as lâmpadas.
Para comparar aparelhos, o Brasil usa a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, do Inmetro, e o selo Procel, dado aos modelos mais eficientes de cada categoria. A etiqueta informa o consumo mensal em kWh/mês para um uso padronizado, o que permite dividir pela capacidade e comparar. O item 110 da 2.ª etapa de 2011 fez exatamente isso: dois refrigeradores, um de 240 L consumindo 22,8 kWh/mês e outro de 262 L consumindo 23,4 kWh/mês, e a afirmação de que o primeiro seria mais eficiente “por capacidade de armazenamento”. Consumo por litro: 22,8/240=0,095 kWh/L contra 23,4/262=0,089 kWh/L. O maior gasta menos por litro: a afirmação estava errada. A conversão “1 Wh = 3 600 J” dada no item era distração: dividir os dois consumos pela mesma constante não muda a comparação.
Watt, watt-hora e quilowatt-hora
W mede potência (energia por segundo). Wh e kWh medem energia (potência vezes tempo). “Uma lâmpada de 9 W” está certa; “um chuveiro consumiu 4 400 W num banho” está errada: consumiu 1,1 kWh, ou 4,4 kW durante quinze minutos. E o item 77 do PAS de 2022 escreveu “o consumo será de 2.200 w de potência”, mistura de unidades que aparece assim no caderno e que você não deve repetir na resolução. Por fim, kWh não é “quilowatt por hora”: é quilowatt vezes hora.
Valores nominais: o que a etiqueta promete e o que a tomada entrega
“5 500 W – 220 V” é uma promessa condicional: o aparelho dissipa 5 500 W se ligado em 220 V. A grandeza que o fabricante fixou de fato é a resistência: R=U2/P=48400/5500=8,8Ω. Ligue esse chuveiro em 110 V e a resistência continua 8,8 Ω, mas a potência passa a 1102/8,8=1375 W, um quarto da nominal. A tensão caiu à metade; a potência, ao quadrado da metade. A água sai morna, e a corrente, que seria 25 A, cai a 12,5 A.
Potência em tensão diferente da nominal
Para um resistor fixo, P=U2/R, logo
PnominalP=(UnominalU)2.
Tensão pela metade: potência a um quarto. Tensão 10 % abaixo (198 V em vez de 220 V): potência 19 % abaixo (0,9² = 0,81). Tensão pelo dobro: potência quadruplicada, e o aparelho de 110 V ligado em 220 V queima em segundos, porque a resistência foi feita para dissipar um quarto daquilo.
Dois jeitos de mudar a potência de um chuveiro. Mudar a tensão com a mesma resistência (à esquerda) altera P com o quadrado de U. Mudar a resistência com a mesma tensão (à direita, o chuveiro do PAS 3 de 2022) altera P ao inverso de R: quente é a posição com menos fio no caminho. Diagrama autoral.
A chave verão/inverno do chuveiro comum é a mesma ideia da chave seletora de 2022: trocar a resistência. Um chuveiro de 220 V com 3 200 W no inverno tem R=48400/3200≈15Ω; na posição verão, com 2 200 W, a resistência em uso é 48400/2200=22Ω. Verão é a posição de maior resistência, e por isso menor potência e menor corrente (10 A contra 14,5 A). A chave liga ou desliga um trecho do fio resistivo, e a tomada continua a entregar os mesmos 220 V.
O mesmo raciocínio explica por que um fabricante que quer um chuveiro “mais quente” para a mesma rede tem de baixar a resistência: 8 Ω em 220 V dão 6 050 W; 11 Ω dão 4 400 W. E explica a pergunta inversa, frequente em múltipla escolha: a resistência do chuveiro de 4 400 W na posição inverno é 11 Ω, porque R=U2/P, não porque alguém a mediu com um ohmímetro.
Um exemplo com a tensão fora do nominal em outra direção. A rede de uma rua cai a 198 V num fim de tarde de verão, 10 % abaixo dos 220 V. Um forno de 2 000 W nominais passa a dissipar 2000×0,92=1620 W, 19 % a menos, e demora mais para assar; a corrente cai de 9,1 A para 8,2 A. Já um aparelho de 127 V ligado por engano em 220 V recebe (220/127)2≈3 vezes a potência nominal: um secador de 1 500 W tentaria dissipar 4 500 W numa resistência projetada para um terço disso, e a resistência funde em segundos. Aparelhos eletrônicos com fonte chaveada (carregadores, notebooks, televisores) escapam dessa regra porque não são resistores fixos: a fonte ajusta a corrente para entregar a mesma potência entre 100 e 240 V, o que a etiqueta “100–240 V” declara. A regra P∝U2 é dos aparelhos resistivos: chuveiro, ferro, forno, lâmpada incandescente, aquecedor.
O "110" que é 127
No Brasil quase nenhuma rede é de 110 V: as tensões padronizadas de baixa tensão são 127 V e 220 V, e “110” ficou na linguagem por herança de instalações antigas. Um chuveiro de 220 V ligado em 127 V dissipa (127/220)2≈0,33 da potência nominal, um terço, e não exatamente um quarto; o “um quarto” desta página usa 110 V para a conta redonda, e é assim que os livros e a prova costumam propor. Leia a tensão no enunciado antes de dividir por quatro.
Potência e corrente na instalação: disjuntor, fio e fusível
Toda instalação elétrica é dimensionada pela corrente, e a corrente de um aparelho sai da potência: i=P/U. É a conta de uma linha que decide o disjuntor e a bitola do fio de cada circuito da casa. O chuveiro de 5 500 W em 220 V puxa 25 A; o de 7 500 W, 34 A. Um forno elétrico de 3 300 W em 127 V puxa 26 A; em 220 V, 15 A.
Corrente pela potência e o disjuntor
i=UP
O disjuntor é um interruptor automático que desarma quando a corrente supera seu valor nominal por tempo suficiente; protege o fio contra o aquecimento por efeito Joule, não a pessoa contra o choque (isso é o DR). Escolhe-se um disjuntor de corrente nominal um pouco acima da corrente do circuito, e um fio cuja capacidade de condução seja igual ou maior que a do disjuntor. Valores de referência da norma brasileira de instalações (NBR 5410), para fios de cobre em eletroduto embutido, na coluna de três condutores carregados, a mais conservadora (com dois condutores a norma admite um pouco mais): 2,5 mm² para até cerca de 21 A (disjuntor de 20 A, tomadas de uso geral); 4 mm² para cerca de 28 A (disjuntor de 25 A); 6 mm² para cerca de 36 A (disjuntor de 32 A, chuveiro de 5 500 W); 10 mm² para cerca de 50 A (disjuntor de 40 ou 50 A, chuveiros de 7 500 W ou mais).
A corrente também dita a vantagem do 220 V. A mesma potência, em tensão dobrada, puxa metade da corrente. A perda no fio da instalação é Ri2; metade da corrente, um quarto da perda, ou, o que interessa ao instalador, um fio de metade da seção para a mesma perda. É por isso que chuveiros e aparelhos de grande potência vêm em 220 V mesmo em cidades cuja rede de tomadas é 127 V: o fio pode ser mais fino e o disjuntor, menor. E é por isso que “220 V gasta mais” é falso: um chuveiro de 5 500 W em 220 V e um de 5 500 W em 127 V consomem a mesma energia por banho, 5,5 kW vezes o tempo. O de 127 V, porém, puxa 43 A e exige fio de 10 mm².
Mesma potência, duas tensões. Em 220 V a corrente cai à metade, a perda no fio cai a um quarto e o fio pode ser mais fino. O disjuntor e o fusível são escolhidos pela corrente, nunca pela potência sozinha. Bitolas e correntes de referência da NBR 5410 para cobre em eletroduto. Diagrama autoral.
O item 107 da 3.ª etapa de 2009 é o dimensionamento feito ao contrário: dada a corrente máxima da rede, cabem todos os aparelhos? A figura mostrava uma rede de 220 V com chuveiro de 4 400 W, televisor de 220 W, geladeira de 440 W e lâmpada de 110 W. Potência total: 5 170 W; corrente total: 5170/220=23,5 A, abaixo dos 25 A permitidos. Certo: tudo pode funcionar ao mesmo tempo. Os aparelhos estão em paralelo, cada um sob 220 V, e por isso as potências (e as correntes) se somam. O item 108 do mesmo bloco cobrou a energia: “no mesmo tempo, o televisor precisará duas vezes mais energia que a geladeira”. Como E=PΔt, no mesmo tempo a razão das energias é a razão das potências, e a geladeira (440 W) gasta o dobro do televisor (220 W), não a metade. Errado.
O fusível é o antepassado do disjuntor e continua dentro de carros, fontes e aparelhos: um fio fino, de metal de baixo ponto de fusão, calibrado para fundir quando a corrente passa do valor nominal. Ele funciona por efeito Joule: P=Ri2 no filamento cresce com o quadrado da corrente, e acima da corrente de projeto o calor gerado supera o que o filamento consegue dissipar, a temperatura sobe até a fusão e o circuito abre. O fusível de 12 A não “sabe” a potência do aparelho; sabe a corrente. O bloco de 2012 pôs isso em cena: dois ramos em paralelo sob 220 V, com fusíveis de 12 A (ramo A) e 7 A (ramo B), e uma tabela de aparelhos. Um micro-ondas de 2 200 W no ramo A puxa 10 A, abaixo de 12 A; uma geladeira de 880 W no ramo B puxa 4 A, abaixo de 7 A. Nada rompe: a afirmação de que a rede foi “subdimensionada” para esse uso estava errada (item 119). O item 120 trocava os fusíveis por dois resistores de 44 Ω e perguntava a potência total dissipada, “desconsiderando-se as resistências internas dos dispositivos A e B”: cada resistor fica sozinho sob 220 V e dissipa 48400/44=1100 W; os dois, 2 200 W. Certo. Repare que a corrente de cada ramo, 5 A, ficaria dentro do limite de ambos os fusíveis originais; o item pede só a conta da potência sob tensão fixa.
Luz por watt: incandescente, fluorescente e LED
Uma lâmpada é comprada pela luz e paga pela potência. Uma incandescente de 60 W e uma LED de 9 W emitem quase a mesma luz, cerca de 800 lúmens; a diferença de 51 W é calor. A grandeza que separa as duas é a eficiência luminosa (rigorosamente, eficácia luminosa): lúmens de luz visível por watt de potência elétrica.
tecnologia
eficiência luminosa aproximada
para 800 lm
do total, quanto vira calor
incandescente
13 a 15 lm/W
60 W
cerca de 95 %
halógena
18 a 25 lm/W
42 W
cerca de 90 %
fluorescente compacta
55 a 70 lm/W
14 W
cerca de 75 %
LED
90 a 150 lm/W
6 a 9 W
cerca de 60 %
A incandescente é um resistor levado a 2 700 K: o filamento de tungstênio emite radiação térmica, e só uma fração pequena dela cai na faixa visível; o resto é infravermelho, que a mão sente como calor perto do bulbo. A fluorescente excita um gás e converte o ultravioleta em luz visível no pó do tubo, sem precisar aquecer nada a milhares de graus. O LED emite luz diretamente na passagem da corrente por uma junção semicondutora, na cor certa, e é por isso a tecnologia que dá mais luz por watt. Em todos os casos, a potência elétrica P=Ui é o que se paga; a luz é a parte útil, e o calor é a perda, o rendimento visto pela ótica da potência e do rendimento de qualquer máquina.
A mesma luz, potências muito diferentes. A incandescente converte em luz visível uns 5 % do que consome; o LED, dez vezes mais por watt. Como a conta cobra a potência elétrica e não a luz, a economia anual de uma única lâmpada paga o LED em poucos meses. Valores típicos. Diagrama autoral.
O PAS cobrou a eficiência luminosa em 2023 (item 67): um LED “ilumina 120 lúmens por watt”, a iluminação geral de um ambiente pede 200 lúmens por metro quadrado, e o hall do Palácio do Itamaraty tem 2 800 m². Fluxo necessário: 200×2800=560000 lm. Cada lâmpada de 10 W dá 120×10=1200 lm. Número de lâmpadas: 560000/1200≈467, mais de 400: certo. A conta usa “lúmens por watt” como um fator de conversão, exatamente como se usa km/L de um carro. Com incandescentes de 15 lm/W seriam necessárias oito vezes mais potência para a mesma luz.
A lâmpada que virou aquecedor
Quando o Brasil e a União Europeia começaram a retirar as incandescentes do mercado, na década de 2010, um fabricante europeu passou a vendê-las como “aquecedores de ambiente de 60 W”, porque, tecnicamente, é o que elas são: 95 % da energia vira calor. Um LED de 9 W no lugar de cada incandescente de 60 W, aceso cinco horas por dia, economiza cerca de 93 kWh por ano por lâmpada, o equivalente a uns 85 banhos de quinze minutos no chuveiro de 4 400 W.
Ler gráficos: P × U, P × i e E × t
Três gráficos aparecem em itens de potência, e cada um tem uma forma que denuncia a fórmula.
Para um resistor fixo, P=U2/R em função de U é uma parábola pela origem, com concavidade para cima: dobrar a tensão quadruplica a potência. Quanto menor a resistência, mais fechada a parábola (mais potência para a mesma tensão). Do mesmo modo, P=Ri2 em função de i é uma parábola, e agora a mais fechada é a de maior resistência. Se um gráfico de P contra U fosse uma reta, o dispositivo não seria um resistor de resistência constante; seria, por exemplo, uma fonte de corrente constante (P=Ui com i fixo).
Para um aparelho de potência constante, a energia consumida em função do tempo, E=Pt, é uma reta pela origem, cuja inclinação é a potência. Dois aparelhos ligados ao mesmo tempo dão duas retas, e a mais íngreme é a de maior potência; um aparelho que muda de potência (o chuveiro que sai do morno para o quente) dá uma linha quebrada, mais íngreme depois da troca. Se a potência varia continuamente, a energia é a área sob a curva P×t, a mesma leitura da carga como área sob i×t na página de corrente.
Três gráficos, três leituras. P×U e P×i de um resistor fixo são parábolas, mas a resistência menor é a curva mais fechada no primeiro e a menos fechada no segundo. E×t a potência constante é uma reta cuja inclinação é a potência. Diagrama autoral.
O item 100 da 3.ª etapa de 2015 pedia uma leitura de figura desse tipo, disfarçada de analogia: duas barragens de mesma altura h, uma com um tubo (I) e outra com dois tubos em paralelo (II), ao lado de três circuitos com lâmpadas de 100 Ω e baterias de 24 V: uma lâmpada (III), duas em paralelo (IV) e duas em série (V). O item afirmava que “a razão entre as energias gravitacionais nos sistemas I e II é igual à razão entre as energias elétricas nos circuitos IV e V”. A energia gravitacional por quilograma de água, gh, é a mesma nas duas barragens (mesma altura): razão 1. A energia elétrica convertida por segundo é U2/Req: em IV, Req=50Ω e P=576/50=11,5 W; em V, Req=200Ω e P=576/200=2,9 W; razão 4. As razões não coincidem: errado. A analogia hidráulica do texto vale para a resistência (mais tubos em paralelo, menos resistência), não para a energia.
Como a banca pergunta
O padrão dos itens de potência no PAS é estável: um objeto doméstico com etiqueta, uma figura ou tabela, e duas ou três habilidades cobradas em sequência.
A fórmula das grandezas dadas. Tensão e corrente: P=Ui (raio de 2024, bateria de 2011). Tensão e resistência: P=U2/R (chuveiro de 2022, resistores de 44 Ω de 2012). Corrente e resistência: P=Ri2 (linha de transmissão de 2013, resistência interna de 2014).
Tensão fixa, resistência variável. A posição mais quente é a de menor resistência (2022/77). Quem responde “mais resistência, mais calor” perde o item.
Corrente pela potência.i=P/U para decidir se uma rede de 25 A aguenta todos os aparelhos (2009/107), se um fusível de 12 A rompe (2012/119) ou qual disjuntor protege a ducha (ENEM 2022).
Energia em tempo igual. A razão das energias é a razão das potências (2009/108): a geladeira de 440 W gasta o dobro do televisor de 220 W.
Consumo e custo. Potência em kW vezes horas vezes tarifa (PAS 2 2008/84); consumo por unidade de capacidade para comparar eficiência (PAS 2 2011/110).
Um fator de conversão disfarçado. Lúmens por watt (2023/67) funciona como qualquer razão: multiplica pela potência, divide pela necessidade.
A unidade como pista. O item 111 de 2014 afirmava que “a energia dissipada por efeito joule na resistência interna r2=1Ω é superior a 1 W”: energia em watts é uma mistura de unidades, mas o que decide o item é a conta. Do gráfico do potencial, as duas fem valem 4 V e 2 V em oposição, a resistência total da malha é 2+5+1=8Ω e a corrente é i=2/8=0,25 A; a potência em r2 é i2r2=0,0625 W, muito abaixo de 1 W. Errado.
Erros que custam item
Confundir potência com energia. Potência é energia por segundo; energia é potência vezes tempo. “O chuveiro consome 4 400 W por banho” não faz sentido; “consome 4,4 kW durante 15 minutos, ou 1,1 kWh” faz.
Tratar kWh como potência. kWh é energia: 3,6×106 J. E não é “quilowatt por hora”.
Usar U2/R com a tensão errada. Em série, cada resistor recebe só uma parte da tensão da fonte; a fórmula pede a tensão nos terminais daquele resistor. Duas lâmpadas de 100 W em série em 220 V dissipam 50 W no total, não 200 W.
Somar potências nominais em série. As potências nominais só se somam em paralelo com a rede, quando cada aparelho vê a sua tensão nominal.
“220 V gasta mais.” A energia depende da potência e do tempo, não da tensão. O aparelho de 220 V puxa metade da corrente e permite fio mais fino; a conta é a mesma.
“Mais resistência, mais calor” sob tensão fixa. Sob tensão fixa é o contrário; sob corrente fixa, é verdade. Nomeie o que está fixo (2022/77).
Achar que o aparelho puxa a potência nominal em qualquer tensão. A etiqueta vale para a tensão indicada; em 110 V o chuveiro de 220 V dissipa um quarto.
Escolher disjuntor pela potência. O disjuntor é escolhido pela corrente i=P/U; o mesmo chuveiro exige disjuntor diferente em 127 V e em 220 V.
Esquecer as unidades do tempo. Minutos em segundos para joules; horas para kWh. 12×4×5=240 não é energia em nada (2011/61).
Ler a eficiência luminosa como potência. Lúmens por watt é razão; multiplica pela potência para dar luz. Uma lâmpada de mais watts não é necessariamente mais clara.
O essencial em meia página
Potência elétrica: P=Ui, energia convertida por segundo, em watts (1 W =1 J/s =1 V·A). Vale para qualquer dispositivo. Vem de W=qU dividido pelo tempo.
Num resistor: P=Ui=Ri2=U2/R. Tensão fixa (tomada): U2/R, menos resistência é mais potência. Corrente fixa (série, fios): Ri2, mais resistência é mais potência.
Efeito Joule: colisões dos elétrons com a rede; Q=Ri2Δt. Desejado no chuveiro, ferro e forno; indesejado em fios e linhas, por isso a transmissão em alta tensão: dividir i por 100 divide a perda por 10 000.
Energia: E=PΔt. 1 kWh =3,6×106 J. Custo =E(kWh)× tarifa (R$/kWh) + bandeira. kWh é energia, não potência.
Etiqueta “220 V – 5 500 W”: R=U2/P=8,8Ω fixa; em 110 V, P/4=1375 W. Chave verão/inverno e chave seletora trocam R; quente = menor R.
Instalação: i=P/U decide disjuntor e bitola. 220 V puxa metade da corrente de 127 V para a mesma potência (perda no fio ÷4). Fusível = fio que funde por efeito Joule.
Lâmpadas: eficiência luminosa em lm/W; incandescente ∼15, LED ∼100; o resto é calor. Paga-se a potência, compra-se a luz.
Gráficos: P×U e P×i de resistor fixo são parábolas; E×t a potência constante é reta de inclinação P; energia = área sob P×t.
Itens do PAS: chuveiro com chave (2022/77–79), aparelhos e rede de 25 A (2009/107–108), fusíveis (2012/119–120), bateria 12 V × 4 A × 300 s (2011/61), i2r na resistência interna (2014/111), analogia hidráulica (2015/100), LED em lm/W (2023/67), raio P=Ui (2024/39), linha de transmissão (2013/105–106), fatura (PAS 2 2008/84), refrigeradores (PAS 2 2011/110).
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
POTÊNCIA ELÉTRICA | ELETRODINÂMICA | AULA 3 - Professor Boaro
Professor Boaro · 11:25
Introdução. Onze minutos da série de Eletrodinâmica do canal, aula 3, dedicada só à potência elétrica: a definição, o watt e a passagem para as formas Ri2 e U2/R via lei de Ohm, com exemplos resolvidos na lousa. É a seção “Potência é energia por segundo” e a abertura de “Três fórmulas, uma grandeza” desta página em versão falada; assista antes de ler se a fórmula ainda for nova.
EFEITO JOULE: como a energia elétrica vira calor | RESUMO DE FÍSICA PARA O ENEM
Curso Enem Gratuito · 12:47
Aprofundamento. Quase treze minutos em que o professor Otávio Seco explica, segundo a descrição do próprio vídeo, como as colisões dos elétrons com os átomos do condutor caracterizam a resistência e o que isso tem a ver com o efeito Joule. É o mecanismo microscópico da seção “Efeito Joule: por que o fio esquenta” desta página, com a lei Q=Ri2Δt e os aparelhos que aproveitam o calor.
Como calcular o consumo elétrico em R$?
Mundo da Elétrica · 7:19
Aplicação. Sete minutos de eletricista: a descrição do canal promete ensinar a calcular o consumo de chuveiro, ar-condicionado, geladeira e outros aparelhos e quanto isso representa na conta de luz, partindo da tarifa cobrada pela distribuidora e da corrente ou da potência do aparelho. É a seção “Energia elétrica e consumo: o quilowatt-hora e a conta de luz” feita com aparelhos reais e uma planilha, útil para quem quer montar o orçamento da própria casa.
Resolução do PAS 3 UnB 2022 - Circuitos elétricos - Potência e Resistores
Física+ · 17:36
Resolução de itens reais. O professor Matheus Aguiar resolve a prova de Física da 3.ª etapa de 2022; a descrição do vídeo marca os capítulos dos itens 77 (14:17), 78 (16:08) e 79 (16:24), o bloco do chuveiro com chave seletora, e reproduz o texto-base do caderno. São os três itens reproduzidos na aba de exercícios desta página e discutidos nas seções “Três fórmulas, uma grandeza” e “Como a banca pergunta”; resolva antes de assistir e compare o caminho.
A mesma grandeza, três escritas, duas leituras opostas. Ligado à tomada, o resistor de menor resistência dissipa mais (P=U2/R); atravessado por uma corrente imposta, o de maior resistência dissipa mais (P=Ri2). Pergunte sempre o que ficou fixo. Diagrama autoral.O efeito Joule por dentro e por fora. Cada colisão transfere para a rede a energia que o elétron ganhou do campo; a soma de trilhões de colisões por segundo é o calor Q=Ri2Δt. Na resistência do chuveiro, esse calor vai para a água que passa: 4 400 W aquecem 50 g por segundo em cerca de 21 °C. Diagrama autoral.Energia é potência vezes tempo, e a conta soma os dois lados: o chuveiro pesa pela potência, a geladeira pelo tempo. Dez lâmpadas LED juntas consomem em um mês menos que três banhos. Valores ilustrativos. Diagrama autoral.Dois jeitos de mudar a potência de um chuveiro. Mudar a tensão com a mesma resistência (à esquerda) altera P com o quadrado de U. Mudar a resistência com a mesma tensão (à direita, o chuveiro do PAS 3 de 2022) altera P ao inverso de R: quente é a posição com menos fio no caminho. Diagrama autoral.Mesma potência, duas tensões. Em 220 V a corrente cai à metade, a perda no fio cai a um quarto e o fio pode ser mais fino. O disjuntor e o fusível são escolhidos pela corrente, nunca pela potência sozinha. Bitolas e correntes de referência da NBR 5410 para cobre em eletroduto. Diagrama autoral.A mesma luz, potências muito diferentes. A incandescente converte em luz visível uns 5 % do que consome; o LED, dez vezes mais por watt. Como a conta cobra a potência elétrica e não a luz, a economia anual de uma única lâmpada paga o LED em poucos meses. Valores típicos. Diagrama autoral.Três gráficos, três leituras. P×U e P×i de um resistor fixo são parábolas, mas a resistência menor é a curva mais fechada no primeiro e a menos fechada no segundo. E×t a potência constante é uma reta cuja inclinação é a potência. Diagrama autoral.
Rota PAS 3
Circuitos elétricos: da tomada às leis de Kirchhoff · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Circuitos elétricos: da tomada às leis de Kirchhoff · Corrente, resistência e potência: o vocabulário do circuito (conceito P = Ui = Ri² = U²/R e E = PΔt com 1 kWh = 3,6 × 10⁶ J; exemplo-guia da etiqueta 4 400 W–220 V com i = 20 A, R = 11 Ω e o banho de 15 minutos; itens 2022/77 a 79 do chuveiro com chave seletora, 2024/39 do raio, 2009/107 e 108 dos aparelhos da casa; armadilha 'mais resistência não é mais calor' sob tensão fixa; checagem do chuveiro abaixo de 25 A); Como a banca cobra (potência pela fórmula das grandezas dadas); Resolvidos no formato da prova (a perda na linha de transmissão, molde do item 2013/105); Banco de treino (itens 5 a 11: chuveiro de 5 500 W, instalação com disjuntor de 30 A, posição verão/inverno, dois chuveiros em série)
Recorte por assunto: esta página cobre potência elétrica, efeito Joule, energia e consumo, valores nominais, dimensionamento de disjuntor e fio, eficiência luminosa e a leitura dos gráficos P × U, P × i e E × t. Corrente (i = ΔQ/Δt, sentido, CC/CA) fica em corrente elétrica; resistência, leis de Ohm e R = ρL/A ficam em resistência elétrica e leis de Ohm; série e paralelo, geradores reais (potência do gerador, rendimento, potência máxima), leis de Kirchhoff e capacitores têm páginas próprias na fila. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a dedução de P = Ui a partir de W = qU, o mecanismo microscópico do efeito Joule, a calorimetria do chuveiro, a fatura de energia com tarifa e bandeiras, o selo Procel, a chave verão/inverno, a bitola dos fios, o fusível, a eficiência luminosa em lúmens por watt e os gráficos.
Rota PAS 1 — Trabalho, energia e potência · Antes de começar (ideia 3: 'por segundo' é uma taxa, watt e quilowatt-hora); Potência e rendimento (tabela de unidades com 1 kWh = 3,6 × 10⁶ J, o chuveiro de 5 000 W por 10 minutos = 0,83 kWh); O essencial (kWh é energia, não potência)
Usado só para alinhar a definição de watt e de quilowatt-hora com a página irmã de potência e rendimento, de onde duas questões autorais (chuveiro de 6 000 W e ferro de 1 200 W) são reutilizadas por GUID.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2022 (itens 77 a 79, p. 11, figura do chuveiro com R1 = 11 Ω, R2 = 11 Ω, chave seletora 1-2-3 e fonte de 220 V); 2009 (itens 107 e 108, p. 15 do caderno, figura da rede A-B com chuveiro 4.400 W, televisor 220 W, geladeira 440 W e lâmpada 110 W); 2012 (itens 119 e 120, caderno Fraternidade p. 22, figura dos fusíveis f1 e f2 em ramos paralelos e tabela de potências); 2014 (item 111, caderno Aranha p. 17, gráfico do potencial da malha única, mesmo bloco dos itens 112 e 113 da página de corrente); 2015 (item 100, caderno Salgado p. 17, figuras I e II da barragem e III, IV e V dos circuitos de lâmpadas); 2011 (item 61, caderno Metropolitan p. 14, texto-base do museu virtual de máquinas eletromagnéticas; o caderno em texto não traz números, o item foi conferido na imagem); PAS 2 2008 (item 84, p. 11, fatura da CEB com tarifa R$ 0,3442 por kWh); PAS 2 2011 (item 110, caderno Itaipu p. 17, quadro dos refrigeradores RE28 e RE29)
Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto e conferidos na imagem dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ rasterizados a 130 dpi (figuras a 300 dpi); gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2022: 77 C, 78 C, 79 E; 2009: 107 C, 108 E; 2012: 119 E, 120 C; 2014: 111 E; 2015: 100 E; 2011: 61 E; PAS 2 2008: 84 C; PAS 2 2011: 110 E) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas[2|3]/AAAA.json. As figuras impressas foram descritas em texto neutro, nomeando todos os rótulos. Os itens 2024/39 (raio), 2023/67 (LED do Itamaraty), 2013/105 e 2013/106 (linha de transmissão) já existiam no banco do Hub e são reutilizados pelo GUID; o item ENEM 2022 da ducha, o UEMG 2019 do custo do banho e o CEDERJ 2019 do disjuntor são reutilizados pelo GUID do banco central.