O velocímetro marca 36 km/h durante toda a volta numa rotatória de 25 m de raio e, ainda assim, o carro está acelerando o tempo todo, puxado para o centro por 4 000 N de atrito. Como pode haver aceleração sem mudar a velocidade, quem faz o papel de força centrípeta em cada curva, por que a catraca da bicicleta gira mais depressa que a coroa, e o que decide se o carrinho passa pelo alto do loop?
O que você vai aprender
Definir período, frequência e velocidade angular, converter rpm em hertz e minutos em segundos, e usar ω = 2π/T = 2πf e v = ωR com ângulos em radianos.
Explicar por que um corpo em movimento circular uniforme tem aceleração embora o módulo da velocidade seja constante, e calcular a aceleração centrípeta por a = v²/R = ω²R, comparando casos com v fixo, ω fixo ou R fixo.
Reconhecer a força centrípeta como a resultante radial das forças reais (mv²/R), identificar quem desempenha esse papel em cada situação (atrito, tração, normal, gravitação) e rejeitar a força centrífuga no referencial inercial.
Determinar a velocidade máxima em curva plana horizontal, v² = μgR, e o raio mínimo r = v²/(μg), reconhecendo que a massa não entra.
Resolver curva inclinada sem atrito e pêndulo cônico pela decomposição da normal ou da tração, chegando a tan θ = v²/(gR).
Analisar o topo e a base de trajetórias circulares verticais (loop, roda-gigante): normal e peso aparente, velocidade mínima √(gR) no ponto alto e altura mínima de abandono 2,5R.
Aplicar as duas regras de transmissão de movimento, mesma velocidade na borda para correia, corrente ou contato e mesma velocidade angular para o mesmo eixo, a polias, engrenagens (razão de dentes) e à bicicleta.
Ler figuras de forças e transmissão, gráficos de ω(t) e dados em unidades cruzadas, julgar afirmações sobre satélites que giram com o mesmo período e conferir limiares numéricos com folga.
O ponteiro do velocímetro não sai dos 36 km/h enquanto o carro dá a volta numa rotatória de 25 m de raio. A 10 m/s, cada volta de 2π×25≈157 m leva uns 15,7 s, e durante todo esse tempo o carro está acelerando, embora o ponteiro não se mexa. O que muda a cada instante não é o tamanho da velocidade, e sim a sua direção, que gira com o carro; e um vetor que muda de direção é um vetor que mudou. Pela segunda lei de Newton, toda aceleração exige uma força, e aqui ela vem do atrito lateral entre pneus e asfalto, que aponta para o centro da curva e vale mv2/R=1000×100/25=4000 N para um carro de 1 000 kg, 40% do peso. Numa pista molhada em que o atrito não alcance esse valor, nada “arremessa” o carro para fora da curva: a força que o fazia virar deixa de existir, e por inércia ele segue em frente, numa reta tangente à circunferência.
Esse é o movimento circular uniforme (MCU): trajetória circular, velocidade de módulo constante, aceleração apontada para o centro. Ele descreve a rotatória, a ponta da pá de um ventilador, a coroa e a roda de uma bicicleta, o carrinho no alto do loop, a cadeira da roda-gigante, um ponto da superfície da Terra e o satélite que fica parado no céu. Esta página constrói as grandezas do giro (período, frequência, velocidade angular), explica por que existe aceleração com velocidade constante e como calculá-la, mostra que “força centrípeta” é o nome de um papel, e não de uma força a mais, e percorre os casos que a prova cobra: curva plana com atrito, curva inclinada, pêndulo cônico, loop vertical, roda-gigante e transmissão por correias e eixos. Vetores e as três leis de Newton são pressupostos: estão nas páginas de vetores e leis de Newton. Órbitas e a gravitação como força centrípeta têm páginas próprias: gravitação universal e leis de Kepler e órbitas; aqui o satélite aparece só como exemplo.
Uma volta mede 2πR: período, frequência e velocidade angular
Descrever um giro pede duas perguntas: quanto tempo leva uma volta e quantas voltas cabem em um segundo. O períodoT é o tempo de uma volta completa, em segundos. A frequênciaf é o número de voltas por segundo, em hertz (Hz), e é o inverso do período: f=1/T. Um ventilador que dá 5 voltas por segundo tem f=5 Hz e T=0,2 s.
Em uma volta, o corpo percorre o comprimento da circunferência, 2πR, e o raio que o liga ao centro varre um ângulo completo, 2π radianos. Dividindo os dois pelo tempo de uma volta nascem as duas velocidades do MCU: a escalar, v=2πR/T, em metros por segundo, e a angular, ω=2π/T, em radianos por segundo. Como as duas vêm do mesmo T, elas se ligam pelo raio:
v=ωR.
As grandezas do movimento circular uniforme
símbolo
leitura
unidade no SI
na rotatória de 25 m a 10 m/s
R
raio da trajetória
m
25 m
T
período: tempo de uma volta
s
15,7 s
f=1/T
frequência: voltas por segundo
Hz =s−1
≈0,064 Hz
ω=2π/T=2πf
velocidade angular: ângulo varrido por segundo
rad/s
0,4 rad/s
v=2πR/T=ωR
velocidade escalar (tangencial)
m/s
10 m/s
ac=v2/R=ω2R
aceleração centrípeta, para o centro
m/s²
4 m/s²
Em uma volta o ângulo varrido é 2π rad; em meia volta, π; em um quarto, π/2. Em um intervalo qualquer, Δθ=ωΔt e o arco percorrido é Δs=RΔθ=vΔt.
O radiano mede o ângulo pelo arco: um radiano é o ângulo cujo arco tem o comprimento do raio, e por isso s=Rθ só funciona com θ em radianos. Uma volta são 2π≈6,28 rad, ou seja, 360∘=2π rad e 1 rad ≈57∘. Dizer que a rotatória tem ω=0,4 rad/s significa que o raio que vai do centro ao carro gira quatro décimos de radiano, uns 23∘, a cada segundo.
Exemplo resolvido (a rotatória em números).R=25 m e v=10 m/s. Comece pela volta: 2πR=157 m. Período: T=157/10=15,7 s. Frequência: f=1/15,7≈0,064 Hz, pouco mais de seis centésimos de volta por segundo. Velocidade angular: ω=v/R=10/25=0,4 rad/s; pelo período, 2π/15,7=0,4 rad/s, o mesmo valor por outro caminho. Em 5 s o carro varre 0,4×5=2 rad (uns 115∘) e percorre 10×5=50 m, que é 25×2: arco igual a raio vezes ângulo, como deve ser.
rpm não é hertz, minuto não é segundo
Motores, ventiladores e rodas vêm em rotações por minuto (rpm). Um hertz é uma volta por segundo, um minuto tem 60 segundos, logo f(Hz)=rpm/60. Um ventilador a 300 rpm faz 300/60=5 voltas por segundo: f=5 Hz, T=0,2 s, ω=2π×5=10π≈31,4 rad/s, e a ponta de uma pá a 0,5 m do eixo anda a v=31,4×0,5≈15,7 m/s. Quem esquece de dividir por 60 encontra ω≈1885 rad/s e uma ponta de pá a 942 m/s, quase três vezes a velocidade do som. O mesmo vale para o período: uma roda-gigante que dá uma volta em 2 minutos tem T=120 s, e não 2, antes de entrar em qualquer fórmula. Em 2015 a banca deu a fórmula prática RPM=1150/D para um aerogerador de pás de 35 m (D=70 m): RPM≈16,4, ou seja, f≈0,27 Hz, ω≈1,7 rad/s e uma ponta de pá a 1,7×35≈60 m/s. O item afirmava “inferior a 40 m/s”: errado.
Velocímetro parado, velocidade mudando: a aceleração centrípeta
Velocidade é um vetor: tem módulo, direção e sentido. No MCU o módulo fica fixo, mas o vetor gira, e um vetor que gira está mudando. Aceleração é variação de velocidade por tempo, a=Δv/Δt, e existe sempre que v muda, seja no módulo, seja na direção. Por isso o carro na rotatória acelera com o velocímetro parado: a aceleração não está esticando a velocidade, está girando-a.
Para onde aponta essa aceleração? Desenhe a velocidade em dois instantes próximos, v1 e v2, ambas tangentes à circunferência e do mesmo tamanho. Coloque-as com a mesma origem: o vetor diferença Δv=v2−v1 liga a ponta de uma à ponta da outra e, como os dois vetores têm o mesmo módulo, ele é perpendicular à velocidade média entre eles, isto é, aponta para o centro da circunferência. Quanto ao tamanho, os dois triângulos, o das velocidades (lados v, v, Δv) e o das posições (lados R, R, Δs), são semelhantes, porque a velocidade gira exatamente o mesmo ângulo Δθ que o raio. Logo Δv/v=Δs/R, e dividindo por Δt, com Δs/Δt=v:
ac=ΔtΔv=Rv⋅ΔtΔs=Rv2.
A velocidade é tangente e muda só de direção; a aceleração é perpendicular a ela e aponta para o centro. O triângulo das velocidades é semelhante ao triângulo dos raios, e dessa semelhança sai ac=v2/R. Diagrama autoral.
Aceleração centrípeta
No MCU a aceleração tem módulo constante, é perpendicular à velocidade e aponta sempre para o centro da circunferência (por isso centrípeta, “que busca o centro”):
ac=Rv2=ω2R=T24π2R.
Ela não altera o módulo de v, só a direção. Não há componente tangencial de aceleração no MCU; quando há (o carro que acelera na curva), o movimento é circular, mas não uniforme.
As três formas da mesma fórmula respondem a perguntas diferentes, e é aqui que a banca planta comparações. Com v fixo, ac=v2/R: dobrar o raio reduz a aceleração à metade (curva mais aberta é mais suave). Com ω fixo, ac=ω2R: dobrar o raio dobra a aceleração, porque o ponto mais distante do eixo anda mais rápido. Com R fixo, dobrar a velocidade quadruplica ac: é o v2 que decide quase todos os itens de curva. Antes de comparar, pergunte o que está sendo mantido constante.
Exemplo resolvido (mesma roda, dois pontos). Um disco gira a 2 Hz. Um ponto a 0,1 m do eixo e outro a 0,4 m têm a mesma ω=2π×2=4π≈12,6 rad/s e o mesmo período de 0,5 s. Velocidades: v=ωR, ou seja, 1,26 m/s e 5,03 m/s; o ponto quatro vezes mais longe anda quatro vezes mais rápido. Acelerações: ac=ω2R, ou seja, 158×0,1≈15,8 m/s² e 158×0,4≈63 m/s²; quatro vezes mais longe, quatro vezes mais aceleração. Conferindo pelo v2/R do ponto externo: 5,032/0,4=25,3/0,4≈63 m/s². Foi exatamente essa conta que a banca fez em 2014 com a roda de uma bicicleta (R=0,40 m, T=0,5 s): a aceleração da periferia, 63 m/s², não é inferior a 50 m/s².
Centrípeta é um papel, não uma força a mais
Se há aceleração, há força resultante, e ela tem a direção da aceleração: para o centro. A segunda lei no MCU se escreve
Fres=mac=Rmv2=mω2R,
e essa resultante recebe o nome de força centrípeta. O nome engana muita gente: força centrípeta não é uma força nova que se acrescenta ao diagrama ao lado do peso, da normal e do atrito. É o papel que a resultante das forças reais desempenha quando o corpo faz curva. O método é sempre o mesmo: desenhe as forças que existem de verdade (peso, normal, tração, atrito, gravitação), escolha o eixo radial apontando para o centro, projete as forças nesse eixo e iguale a soma a mv2/R.
Quem faz o papel de centrípeta em cada cena
situação
forças reais
resultante radial (=mv2/R)
carro em curva plana horizontal
peso, normal (verticais, se cancelam) e atrito estático lateral
atrito
pedra girando num fio horizontal
tração (o peso é vertical e sai da conta se o fio for horizontal)
tração
pêndulo cônico, chapéu mexicano
peso e tração inclinada
componente horizontal da tração
curva inclinada sem atrito
peso e normal inclinada
componente horizontal da normal
roda-gigante, loop, lombada
peso e normal (ambos verticais no topo e na base)
soma algébrica de peso e normal
satélite, planeta em órbita circular
gravitação
gravitação
carga elétrica em campo magnético
força magnética
força magnética
Duas consequências imediatas. A primeira: um corpo em MCU não está em equilíbrio. Velocidade de módulo constante não é velocidade constante, e resultante nula produziria linha reta, não circunferência. Em 2017 a banca afirmou que um dançarino girando com velocidade constante “não estará submetido a nenhuma aceleração”: errado, cada ponto do corpo dele tem aceleração centrípeta. Em 2012, sobre um ciclista fazendo curva no plano horizontal, afirmou que “o ciclista e a bicicleta estão sujeitos a forças transversais ao deslocamento cuja resultante é diferente de zero”: certo, essa resultante transversal é a centrípeta. A segunda consequência: se a força que faz o papel de centrípeta desaparece (o fio arrebenta, o atrito acaba), não sobra nada apontando para o centro e o corpo segue pela tangente, em linha reta, com a velocidade que tinha, e não radialmente para fora.
Não existe força centrífuga no seu diagrama
O passageiro sente-se “jogado contra a porta” quando o carro faz a curva. Visto da calçada, um referencial inercial, o que acontece é outra coisa: nenhuma força empurra o passageiro para fora. O corpo dele insiste em manter a velocidade que tinha, em linha reta, enquanto o carro vira; o lado do carro, que acompanha a curva, é que se aproxima do passageiro, encosta nele e passa a empurrá-lo para dentro. Essa força da porta é a centrípeta do passageiro. “Força centrífuga” só aparece quando se escolhe descrever o movimento de dentro do carro, um referencial que está acelerando, e aí ela entra como força fictícia (de inércia) para consertar a segunda lei nesse referencial. Misturar as duas descrições, desenhando peso, normal, atrito e uma centrífuga, duplica forças e leva à conclusão errada de que a resultante na curva é nula. Na prova, trabalhe no referencial do chão e nunca escreva centrífuga.
Curva plana: o atrito decide a velocidade máxima
Em uma curva horizontal, sem inclinação lateral, peso e normal são verticais e se cancelam (N=mg). A única força horizontal é o atrito estático lateral entre pneus e piso, e é ele quem aponta para o centro: Fat=mv2/R. Mas o atrito estático tem um teto, Fat≤μN=μmg (página de atrito). Enquanto mv2/R ficar abaixo do teto, o carro curva; quando passa, derrapa. No limite,
μmg=Rmvmax2⟹vmax=μgRouRmin=μgv2.
A massa cancelou: um caminhão e uma moto com os mesmos pneus fazem a mesma curva na mesma velocidade máxima. O que muda a velocidade limite é o raio (curva mais aberta permite mais) e o coeficiente de atrito (pista molhada permite menos).
Curva plana: peso e normal se cancelam e sobra o atrito estático lateral como resultante, apontando para o centro. Sem atrito o carro não "sai para fora": segue a tangente. vmax=μgR, sem massa. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (rotatória do Distrito Federal). Rotatória plana de R=50 m, pista seca com μ=0,5. vmax=0,5×10×50=250≈15,8 m/s, uns 57 km/h. Com chuva, μ=0,25: vmax=125≈11,2 m/s, 40 km/h. Conferência: a 10 m/s (36 km/h) o carro de 1 000 kg precisa de mv2/R=1000×100/50=2000 N de atrito; o teto na pista molhada é 0,25×10000=2500 N, e o carro passa; a 20 m/s precisaria de 8 000 N e derraparia até em pista seca (5000 N). Dobrar a velocidade quadruplica a força exigida, e é por isso que o excesso de velocidade em curva é tão mais grave que em reta.
Foi essa a física dos dois itens de 2013 sobre uma moto em curva: “a força de atrito desempenha o papel de força centrípeta” (certo) e “o raio da curva pode ser determinado por r=v2/(μg)” (certo). Os dois estão resolvidos nos exercícios desta página.
Curva inclinada e pêndulo cônico: uma componente faz o serviço
Autódromos, velódromos e trevos rodoviários inclinam a pista para dentro da curva. Sem atrito, as forças sobre o carro são o peso (vertical) e a normal, agora inclinada de θ com a vertical, perpendicular à pista. A componente vertical da normal equilibra o peso, Ncosθ=mg; a componente horizontal aponta para o centro e faz o papel de centrípeta, Nsenθ=mv2/R. Dividindo uma pela outra,
tanθ=gRv2.
Para cada inclinação existe uma velocidade que dispensa o atrito por completo; acima dela o atrito ajuda para dentro, abaixo dela, para fora. Uma curva de 100 m de raio projetada para 20 m/s (72 km/h) precisa de tanθ=400/1000=0,4, uns 22∘. Em 2014 a banca pediu, num item de resposta construída, que se desenhassem e nomeassem as forças que mantêm uma bicicleta em curva num plano inclinado com atrito: peso no centro de massa, normal perpendicular à pista e atrito ao longo dela.
O pêndulo cônico é a mesma geometria com uma tração no lugar da normal. Uma esfera presa a um fio gira em círculo horizontal de raio R, com o fio fazendo ângulo θ com a vertical. Vertical: Tcosθ=mg. Radial: Tsenθ=mv2/R. Logo v2=gRtanθ, e a massa cancela de novo. Em 2021 o “chapéu mexicano” de um parque de diversões rendeu exatamente esse item: “a velocidade escalar v que manterá a bola na situação ilustrada é tal que v=Rgtanθ”, certo. Note o que não vale: a tração não é igual ao peso (é mg/cosθ, maior que ele), e o peso não faz papel de centrípeta (é vertical; o centro está na horizontal).
Pêndulo cônico (chapéu mexicano, PAS 2021): a componente vertical da tração sustenta o peso e a componente horizontal faz o papel de centrípeta. tanθ=v2/(gR), sem massa. A curva inclinada sem atrito tem a mesma geometria com a normal no lugar da tração. Diagrama autoral.
Loop, roda-gigante e o ponto alto: o peso ajuda ou atrapalha
Quando a circunferência está no plano vertical, o peso entra na conta radial e o resultado depende do ponto. Nos dois pontos mais cobrados, o topo e a base, peso e normal são ambos verticais, e basta uma soma com sinal, sempre tomando o sentido para o centro como positivo.
Roda-gigante (a pessoa está sentada, apoiada no banco, e a normal aponta para cima nos dois pontos). Na base, o centro está acima: N−mg=mv2/R, logo N=m(g+v2/R), maior que o peso; a pessoa se sente mais pesada. No topo, o centro está abaixo: mg−N=mv2/R, logo N=m(g−v2/R), menor que o peso; a pessoa se sente mais leve. A balança que ela levasse no colo marcaria a normal, o chamado peso aparente, e não o peso, que é mg nos dois lugares. Se a velocidade crescesse até v2/R=g, a normal no topo se anularia e a pessoa perderia contato com o banco: flutuaria por um instante. Uma roda-gigante de 10 m de raio a 5 m/s tem v2/R=2,5 m/s²: uma pessoa de 60 kg pesa 600 N e sente 450 N no topo e 750 N na base.
Roda-gigante: o peso é 600 N nos dois pontos, mas a normal (o que a balança marcaria) é 450 N no topo e 750 N na base. A resultante vale mv2/R=150 N e aponta para o centro nas duas posições. Diagrama autoral.
Loop vertical (o carrinho corre por dentro do trilho; no topo, a normal do trilho aponta para baixo, para o centro). No topo: N+mg=mv2/R, logo N=m(v2/R−g). O carrinho só continua no trilho enquanto N≥0, isto é, enquanto v2≥gR. A velocidade mínima no ponto alto é
vmin=gR,
e nela a normal é zero: o peso sozinho faz o papel de centrípeta. Abaixo dessa velocidade o carrinho se desprende e cai em trajetória parabólica antes de completar o loop. Na base, como na roda-gigante, N=m(g+v2/R).
A montanha-russa simplificada do PAS 2009 redesenhada: A a 100 cm, B a 50 cm, *loop* de 50 cm de diâmetro (R=0,25 m). No topo D, normal e peso apontam para o centro; a condição para não despencar é vD2≥gR=2,5 m²/s². Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (o loop do PAS 2009). Bloco de 100 g solto do repouso em A, a 1,0 m de altura, trilho sem atrito, loop de raio 0,25 m (g=10 m/s²). Chegando ao topo D, a 0,5 m, a conservação de energia dá vD2=2g(1,0−0,5)=10 m²/s², vD≈3,2 m/s, maior que gR=2,5≈1,6 m/s: o bloco passa. Normal no topo: N=m(vD2/R−g)=0,1×(40−10)=3 N, apontando para baixo. Os quatro itens da banca: “para não despencar em D é necessário que a normal seja nula” (errado: nula é o caso-limite; o necessário é N≥0, e aqui N=3 N); “o peso aparente no topo será necessariamente nulo” (errado, pelo mesmo motivo); “solto em A, chega a D com mais de 1,4 m/s” (certo, 3,2 m/s); “solto em B, a 0,5 m, passa por C com componente horizontal da força igual a 10 N” (errado: de B até C, na altura do centro, o bloco desce 0,5−0,25=0,25 m, vC2=5 m²/s², e a normal, horizontal em C, vale mvC2/R=0,1×5/0,25=2 N). A altura mínima para completar o loop partindo do repouso sai da mesma conta: vD2=gR exige 2g(h−2R)=gR, logo hmin=2,5R=0,625 m, e é por isso que o ponto B, a 0,5 m, não serve.
Rotatórias, centrífugas e a Terra
As rotatórias do Distrito Federal são o contexto favorito da banca para a curva plana, e o motivo é o objetivo de trânsito e mobilidade da matriz: a velocidade segura numa rotatória cresce com a raiz do raio e cai com a chuva. A centrífuga da máquina de lavar tira a água pelo mesmo princípio ao contrário: a 1 200 rpm (f=20 Hz, ω≈126 rad/s) um tambor de 25 cm de raio tem ac=ω2R≈3950 m/s², uns 400 g; a roupa é mantida em círculo pelas paredes do tambor, mas a água, que passa pelos furos, não recebe força nenhuma para o centro e sai pela tangente. E o próprio chão gira: um ponto do equador dá uma volta de 2π×6400 km em 24 h, a v≈465 m/s, com ac=v2/R≈0,034 m/s², três milésimos de g, o suficiente para uma balança marcar um pouco menos no equador que nos polos.
Rodas acopladas: correia iguala v, eixo iguala ω
Motores, bicicletas, relógios e guindastes transmitem giro de uma roda a outra, e dois casos resolvem quase tudo.
Mesmo eixo (ou mesmo corpo rígido). Dois discos presos ao mesmo eixo, ou dois pontos do mesmo disco, giram juntos: dão o mesmo número de voltas no mesmo tempo, logo têm a mesma velocidade angularω e o mesmo período. Suas velocidades escalares são proporcionais aos raios, v=ωR: a borda anda mais rápido que o miolo. Em 2012 a banca afirmou que “em um disco que gira com velocidade angular constante, um ponto na borda tem velocidade escalar maior que um ponto próximo ao centro”: certo. Num carrossel, os cavalinhos da borda e do centro completam a volta no mesmo tempo, mas os da borda correm mais.
Correia, corrente ou contato direto. Duas polias ligadas por uma correia que não escorrega, duas engrenagens em contato ou a coroa e a catraca ligadas pela corrente da bicicleta compartilham a velocidade escalar da borda: a correia é uma só e não estica, então cada ponto dela anda com a mesma rapidez, e essa rapidez é a da borda das duas rodas. Assim v1=v2, ou seja, ω1R1=ω2R2: a roda menor gira mais depressa, na razão inversa dos raios. Em engrenagens e coroas dentadas, o número de dentes é proporcional ao raio, e a relação vira ω1Z1=ω2Z2, ou f1Z1=f2Z2: a cada volta da coroa de 44 dentes passam 44 elos de corrente, que fazem uma catraca de 11 dentes dar 4 voltas.
As duas regras da transmissão. Correia ou corrente: mesma velocidade na borda (ωara=ωbrb). Mesmo eixo: mesma velocidade angular (ωb=ωc). Na bicicleta, coroa e catraca obedecem à primeira; catraca e roda, à segunda. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (a bicicleta do PAS 2014). Coroa ra=10 cm, catraca rb=5 cm, roda rc=40 cm; o pedal gira 45∘ (um oitavo de volta) em 0,1 s, sem deslizamento. Período da coroa: Ta=8×0,1=0,8 s, ωa=2π/0,8≈7,85 rad/s. Corrente: ωara=ωbrb, logo ωb=7,85×10/5=15,7 rad/s; com metade do raio, a catraca completa duas voltas para cada volta da coroa. Mesmo eixo: ωc=ωb=15,7 rad/s, e o período da roda é Tc=2π/15,7=0,4 s (o item que afirmava “superior a 0,5 s” estava errado). Velocidade da bicicleta: a da borda da roda, v=ωcrc=15,7×0,40≈6,3 m/s, uns 23 km/h. Conferência pela razão de dentes: a roda dá ra/rb=2 voltas por pedalada, e 2×2π×0,40=5,0 m por pedalada, em 0,8 s, dá 6,3 m/s. O tipo C do mesmo bloco pedia a relação correta entre ωa, ωb e ωc: ωb=ωc; ωa=ωb (mesma corrente não iguala ω), ωa=4ωc e ωc=0,125ωb estão erradas. E um item de outro bloco de 2014 dizia que, para ganhar velocidade sem mudar o ritmo das pedaladas, o ciclista deveria passar para uma catraca com mais dentes: errado; catraca com mais dentes gira menos vezes por pedalada, e a bicicleta anda menos. Marcha “pesada” é catraca pequena.
Satélites e o giro que compartilha o período
Um satélite em órbita circular é um MCU cuja centrípeta é a gravitação; a conta de v e T a partir da massa do planeta fica para a página de gravitação universal. Mas duas ideias desta página bastam para muitos itens. A primeira: o raio da órbita se mede do centro do planeta, r=RTerra+h. Em 2025 a banca afirmou que um satélite lançado para uma órbita a 800 km de altura, desde o lançamento até completar uma volta, percorre 800+1600π km: errado, porque a volta mede 2π(6400+800)=14400π km, e não 2π×800. A segunda: corpos que giram juntos compartilham o período, de modo que a velocidade de cada um é proporcional ao raio, v=2πr/T, e o raio maior corresponde à velocidade maior. O telescópio James Webb fica “estacionado” no ponto L2, girando em torno do Sol com o mesmo período que a Terra, num raio 1 % maior; a banca pediu, em 2024, a razão entre as velocidades vezes 100: mesmo T, raios na razão 1,01, marcação 101. Um satélite geoestacionário é o mesmo raciocínio com a Terra: T=24 h, órbita no plano do equador, no sentido da rotação, r≈42000 km, e por isso as antenas parabólicas ficam fixas apontando para o mesmo ponto do céu; sua velocidade é 2π×4,2×107/86400≈3,1 km/s. O que decide esse raio (a terceira lei de Kepler) está na página de leis de Kepler e órbitas.
Trabalho nulo na curva
A força centrípeta é sempre perpendicular à velocidade, e força perpendicular ao deslocamento não realiza trabalho. Por isso a gravitação não altera a energia cinética de um satélite em órbita circular, e o atrito lateral da rotatória, embora seja atrito, não aquece a pista nem freia o carro: ele só vira a velocidade. Em 2024 a banca escreveu que “o trabalho realizado pelas forças gravitacionais sobre o telescópio em movimento circular é nulo”, e o gabarito foi certo. A página de trabalho de uma força desenvolve o argumento.
Como ler a figura e os dados da prova
Itens de movimento circular vêm com figura ou com números em unidades cruzadas, e o primeiro minuto é de leitura.
Ache o centro e desenhe o eixo radial apontando para ele. No topo do loop o centro está abaixo; na base, acima; na curva plana, para o lado. A resultante tem de apontar para lá.
Identifique a ligação entre as rodas. Correia, corrente ou contato: mesma v na borda. Mesmo eixo ou mesmo disco: mesma ω. Na figura da bicicleta de 2014, a corrente liga ra a rb, e rb e rc estão no mesmo eixo.
Converta antes de calcular. rpm dividido por 60 vira Hz; minutos vezes 60 viram segundos; km/h dividido por 3,6 vira m/s; centímetros divididos por 100 viram metros. A fórmula ac=ω2R com R em centímetros dá um resultado cem vezes maior que o certo.
Leia o ângulo como fração de volta.45∘ é 1/8 de volta; 90∘, 1/4; 600π rad são 300 voltas. Em 2019 (PAS 2) as pás de um helicóptero giravam 600π rad por minuto, ou seja, 5 voltas por segundo: cada rotação dura 0,2 s e, a 90 km/h (25 m/s), o helicóptero avança 5 m por volta.
Gráfico de ω contra t: no MCU é uma reta horizontal. Se o eixo é puxado por um peso em queda livre (PAS 2020), v=gt cresce linearmente e ω=v/R=gt/R também: uma reta que sai da origem.
Confira o limiar com folga. A banca costuma pedir “superior a” ou “inferior a”: 63 m/s² contra 50, 60 m/s contra 40, 0,4 s contra 0,5. Se a conta fechar em cima do limiar, refaça as conversões.
Como a banca cobra
Movimento circular rendeu perto de vinte itens no PAS 1 desde 2006, com intervalos de dois ou três anos entre uma aparição e a seguinte, e esteve nas duas últimas provas da janela vigente, 2024 e 2025. Quatro padrões cobrem quase tudo:
Transmissão (tipo A e C): mesma v na corrente, mesma ω no eixo; períodos e acelerações de uma roda a partir da outra. O bloco da bicicleta de 2014 (itens 71, 72, 73 e 84) é o modelo; 2012/79 (borda do disco) é a versão de uma frase.
Grandezas do giro com conversão (tipo A e B): rpm e diâmetro do aerogerador (2015/71), radianos por minuto do helicóptero (PAS 2 2019/90), razão de velocidades com o mesmo período (2024/97, resposta 101), comprimento da órbita medido do centro (2025/42).
A resultante na curva (tipo A): atrito como centrípeta e r=v2/(μg) (2013/95 e 96); resultante transversal não nula (2012/78); giro com velocidade constante tem aceleração (2017/40); pêndulo cônico v2=gRtanθ (2021/64); componente horizontal da força em trajetória circular (2009/112).
O ponto alto (tipo A): normal e peso aparente no topo do loop, condição para não despencar, velocidade mínima e altura de abandono (2009/109 a 111).
Os contextos vêm dos objetivos da matriz e das obras do triênio: rotatórias e curvas de estrada (mobilidade), bicicleta, ventiladores e aerogeradores (energia), parques de diversões, o James Webb e os satélites (espaço), o trem de Villa-Lobos e o fouetté do balé (arte). Quando uma obra do triênio tiver algo que gira, releia-a com esta página na cabeça: período, raio e velocidade viram dados de item.
Os sete erros que a prova planta
Achar que velocidade de módulo constante é aceleração zero. O vetor muda de direção; há ac=v2/R e resultante mv2/R para o centro (2017/40, errado; 2012/78, certo).
Desenhar uma força centrífuga. No referencial do chão ela não existe; o corpo tende a seguir em linha reta e quem o segura na curva é a porta, o fio, o trilho, o atrito.
Igualar ω em rodas ligadas por correia. Correia e corrente igualam v na borda; a roda menor gira mais depressa (ωara=ωbrb). Mesmo eixo iguala ω (2014/73: ωb=ωc).
Usar rpm como Hz e minuto como segundo. Divida rpm por 60; multiplique minutos por 60. Centímetros viram metros antes de ω2R.
Confundir v fixo com ω fixo ao comparar acelerações. Com ω fixo, ac∝R (a borda acelera mais); com v fixo, ac∝1/R.
Achar que no topo do loop a normal tem de ser zero. Zero é o limite (v=gR); acima disso N=m(v2/R−g)>0 e o carrinho passa com folga (2009/109 e 110, ambos errados). Na roda-gigante, a normal do topo é m(g−v2/R), menor que o peso, e a da base, m(g+v2/R).
Medir o raio da órbita da superfície.r=RTerra+h (2025/42, errado). E quem gira junto tem o mesmo T: a razão de velocidades é a razão de raios (2024/97).
O essencial em meia página
Grandezas:T (s), f=1/T (Hz), ω=2π/T=2πf (rad/s), v=2πR/T=ωR (m/s). Uma volta =2π rad =2πR de arco. rpm ÷ 60 = Hz.
Aceleração centrípeta:ac=v2/R=ω2R, perpendicular a v, para o centro; muda só a direção da velocidade. Dobrar v quadruplica; com ω fixo, ac∝R; com v fixo, ac∝1/R.
Força centrípeta: é a resultante radial, F=mv2/R; não é força nova. Quem faz o papel: atrito (curva plana), tração (fio), componente horizontal da normal ou da tração (curva inclinada, pêndulo cônico), peso ± normal (topo e base), gravitação (órbita). Não existe centrífuga no referencial inercial. Sem centrípeta, sai pela tangente.
Curva plana:vmax=μgR, Rmin=v2/(μg); a massa cancela. Rotatória de 50 m com μ=0,5: 15,8 m/s.
Curva inclinada sem atrito e pêndulo cônico:tanθ=v2/(gR), ou v=gRtanθ (PAS 2021/64, certo).
Topo do loop:N+mg=mv2/R; não cai se v2≥gR; vmin=gR com N=0; altura mínima de abandono 2,5R. Roda-gigante: topo N=m(g−v2/R), base N=m(g+v2/R); peso aparente é a normal.
Transmissão: correia/corrente/contato → mesma v na borda, ω1R1=ω2R2 (dentes: f1Z1=f2Z2); mesmo eixo/mesmo disco → mesma ω, v∝R. Bicicleta 2014: ωb=ωc, Troda=0,4 s, ac da periferia ≈63 m/s² para T=0,5 s.
Satélites: raio do centro, r=RT+h (2025/42: 14400π km, não 1600π); mesmo período → v∝r (2024/97: 101). Geoestacionário: T=24 h, equatorial, ≈42000 km, ≈3,1 km/s.
Trabalho da centrípeta: zero, porque é perpendicular ao deslocamento (2024/92, certo).
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Movimento circular uniforme
Ítalo Reann - Física sem fronteira · 13:13
Introdução em treze minutos. A descrição do vídeo anuncia exatamente o conteúdo: “introdução ao movimento circular uniforme; nessa aula abordaremos os conceitos período, frequência e a relação entre velocidade angular e escalar”. É a seção “Uma volta mede 2πR: período, frequência e velocidade angular” desta página em aula falada, com o mesmo trio T, f e ω e a ligação v = ωR, para quem está vendo o assunto pela primeira vez.
MCU: Aceleração e força centrípeta | Física
Como é bom ser nerd - Pura Física · 20:48
Aprofundamento de vinte minutos dedicado só à aceleração e à força centrípeta: a descrição diz que a aula dá “sequência ao estudo do MCU” para “estudar a força e a aceleração centrípeta, grandezas muito importantes na formação do MCU”. Cobre as seções “Velocímetro parado, velocidade mudando” e “Centrípeta é um papel, não uma força a mais” desta página: por que existe aceleração com velocidade constante, a = v²/R e a resultante para o centro.
Movimento Circular | Transmissão por correia, transmissão por contato e transmissão por eixo
Maurício Física · 18:58
Aplicação às rodas acopladas. A descrição enuncia as três regras que a seção “Rodas acopladas: correia iguala v, eixo iguala ω” desta página usa: “transmissão por correia: todos os pontos da correia possuem a mesma velocidade linear”; “por contato: mesma velocidade linear, sentidos de giro opostos”; “por eixo: todos os discos terão a mesma velocidade angular”, e termina resolvendo dois exercícios de MCU. É a física do bloco da bicicleta do PAS 2014 (itens 71 a 73).
FORÇA CENTRÍPETA - APLICAÇÕES DAS LEIS DE NEWTON - EXERC.- AULA 14 - Prof Boaro ILIMIT EDUCATION
Professor Boaro · 24:01
Resolução de exercícios de vestibular sobre força centrípeta: a descrição reproduz os enunciados resolvidos, como o avião de brinquedo preso a um fio de 4,0 m que suporta 20 N de tração (PUC-SP) e o astronauta na espaçonave cilíndrica de 10 m de raio (UFPB). São os casos “tração como centrípeta” e “normal como centrípeta” das seções sobre o fio e sobre a roda-gigante desta página, com o método completo no quadro; confira antes que, no avião, v = √(TR/m) = √(20 × 4/0,8) = 10 m/s.
Velocímetro parado e aceleração o tempo todo: na rotatória, o atrito dos pneus puxa o carro para o centro com mv2/R. A física do balão de Brasília abre esta página.A velocidade é tangente e muda só de direção; a aceleração é perpendicular a ela e aponta para o centro. O triângulo das velocidades é semelhante ao triângulo dos raios, e dessa semelhança sai ac=v2/R. Diagrama autoral.Curva plana: peso e normal se cancelam e sobra o atrito estático lateral como resultante, apontando para o centro. Sem atrito o carro não “sai para fora”: segue a tangente. vmax=μgR, sem massa. Diagrama autoral.Pêndulo cônico (chapéu mexicano, PAS 2021): a componente vertical da tração sustenta o peso e a componente horizontal faz o papel de centrípeta. tanθ=v2/(gR), sem massa. A curva inclinada sem atrito tem a mesma geometria com a normal no lugar da tração. Diagrama autoral.Roda-gigante: o peso é 600 N nos dois pontos, mas a normal (o que a balança marcaria) é 450 N no topo e 750 N na base. A resultante vale mv2/R=150 N e aponta para o centro nas duas posições. Diagrama autoral.A montanha-russa simplificada do PAS 2009 redesenhada: A a 100 cm, B a 50 cm, loop de 50 cm de diâmetro (R=0,25 m). No topo D, normal e peso apontam para o centro; a condição para não despencar é vD2≥gR=2,5 m²/s². Diagrama autoral.As duas regras da transmissão. Correia ou corrente: mesma velocidade na borda (ωara=ωbrb). Mesmo eixo: mesma velocidade angular (ωb=ωc). Na bicicleta, coroa e catraca obedecem à primeira; catraca e roda, à segunda. Diagrama autoral.Curva inclinada: a componente horizontal da normal faz o papel de centrípeta, e a pista é projetada para uma velocidade em que o atrito lateral nem precisa entrar.Pás de 35 m a 16 rpm: a ponta passa de 60 m/s. Foi o item do PAS 2015 que exigia converter rotações por minuto antes de qualquer conta.No alto do loop, trilho e peso empurram para o centro: N+mg=mv2/R. O carrinho só passa se v2≥gR, e é a velocidade, não um cinto, que o mantém no trilho.Corrente iguala a velocidade das bordas: a catraca pequena gira mais depressa que a coroa. Catraca e roda, no mesmo eixo, giram juntas. Foi o bloco da bicicleta do PAS 2014.Pêndulo cônico em tamanho real: a componente horizontal da tração das correntes é a centrípeta, e tanθ=v2/(gR) vale para qualquer massa. PAS 2021, item 64.A 1 200 rpm o tambor de 25 cm impõe à roupa uns 400 g de aceleração centrípeta, feita pela parede. A água, sem parede que a segure, sai pela tangente pelos furos.No topo a pessoa se sente mais leve, na base mais pesada: a balança marca m(g−v2/R) e m(g+v2/R). O peso não mudou; a normal mudou.
Rota PAS 1
Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (ideia 6, uma volta completa mede 2πR; ideia 4, dobrar e quadruplicar); O que cai daqui (movimento circular: 17 itens 2006–2025, formatos A, B, C); Movimento circular uniforme: a curva que exige força para o centro (âncora da rotatória, quadro de grandezas, força centrípeta como papel da resultante, regras de transmissão, exemplo-guia, item 2014/73, checagem, pílula do James Webb); Como a banca cobra (itens 2024/97 e 2025/42 e o histórico do movimento circular); Estratégia (porta 2: curva); Exercícios nível 1 (carrossel) e nível 2 (rotatórias do Distrito Federal, itens 10 a 12; polias do motor e do tambor, item 18); Banco de treino T5 a T8 (disco, motocicleta na rotatória, coroa e catraca, ventilador a 300 rpm)
Recorte por assunto: cinemática e dinâmica do movimento circular uniforme. O livro trata o tema numa seção; a página acrescenta a dedução geométrica de a = v²/R, a tabela de quem faz o papel de centrípeta, a curva inclinada e o pêndulo cônico, o loop e a roda-gigante com normal e peso aparente, a razão de dentes em engrenagens, a leitura de rpm e de gráficos de ω(t), a Terra em rotação e a centrífuga, além dos itens reais de 2006 a 2025 não detalhados no capítulo. Órbitas, geoestacionário e Kepler ficam nas páginas de gravitação; vetores, leis de Newton e atrito são pré-requisitos.
Rota PAS 1 — Gravitação universal, órbitas e a física que mudou de novo · Aquecimento (ideia 4, velocidade numa volta completa: roda-gigante e satélite baixo); Lembrete sobre aceleração centrípeta e força centrípeta como força real; Geoestacionário e GPS (condições da órbita geoestacionária, altura não é raio)
Usado só para a menção ao satélite geoestacionário e à regra 'raio se mede do centro'; o conteúdo de órbitas fica nas páginas de gravitação e de Kepler.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2006 (item 110, roda da locomotiva em O Trenzinho do Caipira), 2009 (itens 109 a 112, montanha-russa com loop), 2012 (itens 78 e 79, ciclista em curva e disco), 2013 (itens 95 e 96, moto em curva, reusados da página de atrito), 2014 (itens 71 a 73, bicicleta coroa–catraca–roda; item 84, catraca com mais dentes), 2015 (item 71, rpm do aerogerador), 2017 (item 40, dançarino em giro), 2020 Parte 2 (item 70, gráfico de ω da roda puxada por um peso), 2021 Parte 2 (item 64, chapéu mexicano), 2024 (item 97, razão de velocidades James Webb–Terra; item 92, reusado de trabalho de uma força), 2025 Parte 2 (item 42, volta completa da órbita); PAS 2 2019 (item 90, pás do helicóptero)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao[-pas2]/AAAA.json. Figuras impressas (loop de 2009 com cotas de 100 cm, 50 cm e diâmetro 50 cm; bicicleta de 2014 com o pedal deslocando 45°; roda e polia de 2020 com o gráfico ω × t; chapéu mexicano de 2021; figuras I e II do James Webb de 2024) foram lidas nas páginas dos cadernos em PDF (utils/material/PAS/provas/) e descritas em texto neutro no suporte das questões. O item 2017/40 vem de caderno cifrado e foi transcrito da imagem da página 8 do PDF.