Movimento circular uniforme

Guia de estudo · Revisado em 16/09/2026

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O velocímetro marca 36 km/h durante toda a volta numa rotatória de 25 m de raio e, ainda assim, o carro está acelerando o tempo todo, puxado para o centro por 4 000 N de atrito. Como pode haver aceleração sem mudar a velocidade, quem faz o papel de força centrípeta em cada curva, por que a catraca da bicicleta gira mais depressa que a coroa, e o que decide se o carrinho passa pelo alto do loop?

O que você vai aprender

  • Definir período, frequência e velocidade angular, converter rpm em hertz e minutos em segundos, e usar ω = 2π/T = 2πf e v = ωR com ângulos em radianos.
  • Explicar por que um corpo em movimento circular uniforme tem aceleração embora o módulo da velocidade seja constante, e calcular a aceleração centrípeta por a = v²/R = ω²R, comparando casos com v fixo, ω fixo ou R fixo.
  • Reconhecer a força centrípeta como a resultante radial das forças reais (mv²/R), identificar quem desempenha esse papel em cada situação (atrito, tração, normal, gravitação) e rejeitar a força centrífuga no referencial inercial.
  • Determinar a velocidade máxima em curva plana horizontal, v² = μgR, e o raio mínimo r = v²/(μg), reconhecendo que a massa não entra.
  • Resolver curva inclinada sem atrito e pêndulo cônico pela decomposição da normal ou da tração, chegando a tan θ = v²/(gR).
  • Analisar o topo e a base de trajetórias circulares verticais (loop, roda-gigante): normal e peso aparente, velocidade mínima √(gR) no ponto alto e altura mínima de abandono 2,5R.
  • Aplicar as duas regras de transmissão de movimento, mesma velocidade na borda para correia, corrente ou contato e mesma velocidade angular para o mesmo eixo, a polias, engrenagens (razão de dentes) e à bicicleta.
  • Ler figuras de forças e transmissão, gráficos de ω(t) e dados em unidades cruzadas, julgar afirmações sobre satélites que giram com o mesmo período e conferir limiares numéricos com folga.

O ponteiro do velocímetro não sai dos 36 km/h enquanto o carro dá a volta numa rotatória de 25 m de raio. A 10 m/s, cada volta de 2π×25≈1572\pi \times 25 \approx 157 m leva uns 15,7 s, e durante todo esse tempo o carro está acelerando, embora o ponteiro não se mexa. O que muda a cada instante não é o tamanho da velocidade, e sim a sua direção, que gira com o carro; e um vetor que muda de direção é um vetor que mudou. Pela segunda lei de Newton, toda aceleração exige uma força, e aqui ela vem do atrito lateral entre pneus e asfalto, que aponta para o centro da curva e vale mv2/R=1 000×100/25=4 000mv^2/R = 1\,000 \times 100/25 = 4\,000 N para um carro de 1 000 kg, 40% do peso. Numa pista molhada em que o atrito não alcance esse valor, nada “arremessa” o carro para fora da curva: a força que o fazia virar deixa de existir, e por inércia ele segue em frente, numa reta tangente à circunferência.

Esse é o movimento circular uniforme (MCU): trajetória circular, velocidade de módulo constante, aceleração apontada para o centro. Ele descreve a rotatória, a ponta da pá de um ventilador, a coroa e a roda de uma bicicleta, o carrinho no alto do loop, a cadeira da roda-gigante, um ponto da superfície da Terra e o satélite que fica parado no céu. Esta página constrói as grandezas do giro (período, frequência, velocidade angular), explica por que existe aceleração com velocidade constante e como calculá-la, mostra que “força centrípeta” é o nome de um papel, e não de uma força a mais, e percorre os casos que a prova cobra: curva plana com atrito, curva inclinada, pêndulo cônico, loop vertical, roda-gigante e transmissão por correias e eixos. Vetores e as três leis de Newton são pressupostos: estão nas páginas de vetores e leis de Newton. Órbitas e a gravitação como força centrípeta têm páginas próprias: gravitação universal e leis de Kepler e órbitas; aqui o satélite aparece só como exemplo.

Uma volta mede 2πR2\pi R: período, frequência e velocidade angular

Descrever um giro pede duas perguntas: quanto tempo leva uma volta e quantas voltas cabem em um segundo. O período TT é o tempo de uma volta completa, em segundos. A frequência ff é o número de voltas por segundo, em hertz (Hz), e é o inverso do período: f=1/Tf = 1/T. Um ventilador que dá 5 voltas por segundo tem f=5f = 5 Hz e T=0,2T = 0{,}2 s.

Em uma volta, o corpo percorre o comprimento da circunferência, 2πR2\pi R, e o raio que o liga ao centro varre um ângulo completo, 2π2\pi radianos. Dividindo os dois pelo tempo de uma volta nascem as duas velocidades do MCU: a escalar, v=2πR/Tv = 2\pi R/T, em metros por segundo, e a angular, ω=2π/T\omega = 2\pi/T, em radianos por segundo. Como as duas vêm do mesmo TT, elas se ligam pelo raio:

v=ωR.v = \omega R.

As grandezas do movimento circular uniforme
símbolo leitura unidade no SI na rotatória de 25 m a 10 m/s
RR raio da trajetória m 25 m
TT período: tempo de uma volta s 15,7 s
f=1/Tf = 1/T frequência: voltas por segundo Hz =s−1= \text{s}^{-1} ≈0,064\approx 0{,}064 Hz
ω=2π/T=2πf\omega = 2\pi/T = 2\pi f velocidade angular: ângulo varrido por segundo rad/s 0,4 rad/s
v=2πR/T=ωRv = 2\pi R/T = \omega R velocidade escalar (tangencial) m/s 10 m/s
ac=v2/R=ω2Ra_c = v^2/R = \omega^2 R aceleração centrípeta, para o centro m/s² 4 m/s²

Em uma volta o ângulo varrido é 2π2\pi rad; em meia volta, π\pi; em um quarto, π/2\pi/2. Em um intervalo qualquer, Δθ=ω Δt\Delta\theta = \omega\,\Delta t e o arco percorrido é Δs=R Δθ=v Δt\Delta s = R\,\Delta\theta = v\,\Delta t.

O radiano mede o ângulo pelo arco: um radiano é o ângulo cujo arco tem o comprimento do raio, e por isso s=Rθs = R\theta só funciona com θ\theta em radianos. Uma volta são 2π≈6,282\pi \approx 6{,}28 rad, ou seja, 360∘=2π360^\circ = 2\pi rad e 11 rad ≈57∘\approx 57^\circ. Dizer que a rotatória tem ω=0,4\omega = 0{,}4 rad/s significa que o raio que vai do centro ao carro gira quatro décimos de radiano, uns 23∘23^\circ, a cada segundo.

Exemplo resolvido (a rotatória em números). R=25R = 25 m e v=10v = 10 m/s. Comece pela volta: 2πR=1572\pi R = 157 m. Período: T=157/10=15,7T = 157/10 = 15{,}7 s. Frequência: f=1/15,7≈0,064f = 1/15{,}7 \approx 0{,}064 Hz, pouco mais de seis centésimos de volta por segundo. Velocidade angular: ω=v/R=10/25=0,4\omega = v/R = 10/25 = 0{,}4 rad/s; pelo período, 2π/15,7=0,42\pi/15{,}7 = 0{,}4 rad/s, o mesmo valor por outro caminho. Em 5 s o carro varre 0,4×5=20{,}4 \times 5 = 2 rad (uns 115∘115^\circ) e percorre 10×5=5010 \times 5 = 50 m, que é 25×225 \times 2: arco igual a raio vezes ângulo, como deve ser.

rpm não é hertz, minuto não é segundo

Motores, ventiladores e rodas vêm em rotações por minuto (rpm). Um hertz é uma volta por segundo, um minuto tem 60 segundos, logo f(Hz)=rpm/60f(\text{Hz}) = \text{rpm}/60. Um ventilador a 300 rpm faz 300/60=5300/60 = 5 voltas por segundo: f=5f = 5 Hz, T=0,2T = 0{,}2 s, ω=2π×5=10π≈31,4\omega = 2\pi \times 5 = 10\pi \approx 31{,}4 rad/s, e a ponta de uma pá a 0,5 m do eixo anda a v=31,4×0,5≈15,7v = 31{,}4 \times 0{,}5 \approx 15{,}7 m/s. Quem esquece de dividir por 60 encontra ω≈1 885\omega \approx 1\,885 rad/s e uma ponta de pá a 942 m/s, quase três vezes a velocidade do som. O mesmo vale para o período: uma roda-gigante que dá uma volta em 2 minutos tem T=120T = 120 s, e não 2, antes de entrar em qualquer fórmula. Em 2015 a banca deu a fórmula prática RPM=1 150/D\text{RPM} = 1\,150/D para um aerogerador de pás de 35 m (D=70D = 70 m): RPM≈16,4\text{RPM} \approx 16{,}4, ou seja, f≈0,27f \approx 0{,}27 Hz, ω≈1,7\omega \approx 1{,}7 rad/s e uma ponta de pá a 1,7×35≈601{,}7 \times 35 \approx 60 m/s. O item afirmava “inferior a 40 m/s”: errado.

Velocímetro parado, velocidade mudando: a aceleração centrípeta

Velocidade é um vetor: tem módulo, direção e sentido. No MCU o módulo fica fixo, mas o vetor gira, e um vetor que gira está mudando. Aceleração é variação de velocidade por tempo, a⃗=Δv⃗/Δt\vec a = \Delta\vec v/\Delta t, e existe sempre que v⃗\vec v muda, seja no módulo, seja na direção. Por isso o carro na rotatória acelera com o velocímetro parado: a aceleração não está esticando a velocidade, está girando-a.

Para onde aponta essa aceleração? Desenhe a velocidade em dois instantes próximos, v⃗1\vec v_1 e v⃗2\vec v_2, ambas tangentes à circunferência e do mesmo tamanho. Coloque-as com a mesma origem: o vetor diferença Δv⃗=v⃗2−v⃗1\Delta\vec v = \vec v_2 - \vec v_1 liga a ponta de uma à ponta da outra e, como os dois vetores têm o mesmo módulo, ele é perpendicular à velocidade média entre eles, isto é, aponta para o centro da circunferência. Quanto ao tamanho, os dois triângulos, o das velocidades (lados vv, vv, Δv\Delta v) e o das posições (lados RR, RR, Δs\Delta s), são semelhantes, porque a velocidade gira exatamente o mesmo ângulo Δθ\Delta\theta que o raio. Logo Δv/v=Δs/R\Delta v/v = \Delta s/R, e dividindo por Δt\Delta t, com Δs/Δt=v\Delta s/\Delta t = v:

ac=ΔvΔt=vR⋅ΔsΔt=v2R.a_c = \frac{\Delta v}{\Delta t} = \frac{v}{R}\cdot\frac{\Delta s}{\Delta t} = \frac{v^2}{R}.

Circunferência com um ponto em três posições no sentido anti-horário. Em cada posição, a seta da velocidade é tangente à curva e a seta da aceleração aponta para o centro, perpendicular à velocidade. À direita, as velocidades de dois instantes vizinhos são desenhadas com a mesma origem e o vetor diferença delta v aponta para o centro; abaixo, a proporção delta v sobre v igual a delta s sobre R.
A velocidade é tangente e muda só de direção; a aceleração é perpendicular a ela e aponta para o centro. O triângulo das velocidades é semelhante ao triângulo dos raios, e dessa semelhança sai ac=v2/Ra_c = v^2/R. Diagrama autoral.
Aceleração centrípeta

No MCU a aceleração tem módulo constante, é perpendicular à velocidade e aponta sempre para o centro da circunferência (por isso centrípeta, “que busca o centro”):

ac=v2R=ω2R=4π2RT2.a_c = \frac{v^2}{R} = \omega^2 R = \frac{4\pi^2 R}{T^2}.

Ela não altera o módulo de v⃗\vec v, só a direção. Não há componente tangencial de aceleração no MCU; quando há (o carro que acelera na curva), o movimento é circular, mas não uniforme.

As três formas da mesma fórmula respondem a perguntas diferentes, e é aqui que a banca planta comparações. Com vv fixo, ac=v2/Ra_c = v^2/R: dobrar o raio reduz a aceleração à metade (curva mais aberta é mais suave). Com ω\omega fixo, ac=ω2Ra_c = \omega^2 R: dobrar o raio dobra a aceleração, porque o ponto mais distante do eixo anda mais rápido. Com RR fixo, dobrar a velocidade quadruplica aca_c: é o v2v^2 que decide quase todos os itens de curva. Antes de comparar, pergunte o que está sendo mantido constante.

Exemplo resolvido (mesma roda, dois pontos). Um disco gira a 2 Hz. Um ponto a 0,1 m do eixo e outro a 0,4 m têm a mesma ω=2π×2=4π≈12,6\omega = 2\pi \times 2 = 4\pi \approx 12{,}6 rad/s e o mesmo período de 0,5 s. Velocidades: v=ωRv = \omega R, ou seja, 1,261{,}26 m/s e 5,035{,}03 m/s; o ponto quatro vezes mais longe anda quatro vezes mais rápido. Acelerações: ac=ω2Ra_c = \omega^2 R, ou seja, 158×0,1≈15,8158 \times 0{,}1 \approx 15{,}8 m/s² e 158×0,4≈63158 \times 0{,}4 \approx 63 m/s²; quatro vezes mais longe, quatro vezes mais aceleração. Conferindo pelo v2/Rv^2/R do ponto externo: 5,032/0,4=25,3/0,4≈635{,}03^2/0{,}4 = 25{,}3/0{,}4 \approx 63 m/s². Foi exatamente essa conta que a banca fez em 2014 com a roda de uma bicicleta (R=0,40R = 0{,}40 m, T=0,5T = 0{,}5 s): a aceleração da periferia, 6363 m/s², não é inferior a 50 m/s².

Centrípeta é um papel, não uma força a mais

Se há aceleração, há força resultante, e ela tem a direção da aceleração: para o centro. A segunda lei no MCU se escreve

Fres=m ac=mv2R=m ω2R,F_{\text{res}} = m\,a_c = \frac{m v^2}{R} = m\,\omega^2 R,

e essa resultante recebe o nome de força centrípeta. O nome engana muita gente: força centrípeta não é uma força nova que se acrescenta ao diagrama ao lado do peso, da normal e do atrito. É o papel que a resultante das forças reais desempenha quando o corpo faz curva. O método é sempre o mesmo: desenhe as forças que existem de verdade (peso, normal, tração, atrito, gravitação), escolha o eixo radial apontando para o centro, projete as forças nesse eixo e iguale a soma a mv2/Rmv^2/R.

Quem faz o papel de centrípeta em cada cena
situação forças reais resultante radial (=mv2/R= mv^2/R)
carro em curva plana horizontal peso, normal (verticais, se cancelam) e atrito estático lateral atrito
pedra girando num fio horizontal tração (o peso é vertical e sai da conta se o fio for horizontal) tração
pêndulo cônico, chapéu mexicano peso e tração inclinada componente horizontal da tração
curva inclinada sem atrito peso e normal inclinada componente horizontal da normal
roda-gigante, loop, lombada peso e normal (ambos verticais no topo e na base) soma algébrica de peso e normal
satélite, planeta em órbita circular gravitação gravitação
carga elétrica em campo magnético força magnética força magnética

Duas consequências imediatas. A primeira: um corpo em MCU não está em equilíbrio. Velocidade de módulo constante não é velocidade constante, e resultante nula produziria linha reta, não circunferência. Em 2017 a banca afirmou que um dançarino girando com velocidade constante “não estará submetido a nenhuma aceleração”: errado, cada ponto do corpo dele tem aceleração centrípeta. Em 2012, sobre um ciclista fazendo curva no plano horizontal, afirmou que “o ciclista e a bicicleta estão sujeitos a forças transversais ao deslocamento cuja resultante é diferente de zero”: certo, essa resultante transversal é a centrípeta. A segunda consequência: se a força que faz o papel de centrípeta desaparece (o fio arrebenta, o atrito acaba), não sobra nada apontando para o centro e o corpo segue pela tangente, em linha reta, com a velocidade que tinha, e não radialmente para fora.

Não existe força centrífuga no seu diagrama

O passageiro sente-se “jogado contra a porta” quando o carro faz a curva. Visto da calçada, um referencial inercial, o que acontece é outra coisa: nenhuma força empurra o passageiro para fora. O corpo dele insiste em manter a velocidade que tinha, em linha reta, enquanto o carro vira; o lado do carro, que acompanha a curva, é que se aproxima do passageiro, encosta nele e passa a empurrá-lo para dentro. Essa força da porta é a centrípeta do passageiro. “Força centrífuga” só aparece quando se escolhe descrever o movimento de dentro do carro, um referencial que está acelerando, e aí ela entra como força fictícia (de inércia) para consertar a segunda lei nesse referencial. Misturar as duas descrições, desenhando peso, normal, atrito e uma centrífuga, duplica forças e leva à conclusão errada de que a resultante na curva é nula. Na prova, trabalhe no referencial do chão e nunca escreva centrífuga.

Curva plana: o atrito decide a velocidade máxima

Em uma curva horizontal, sem inclinação lateral, peso e normal são verticais e se cancelam (N=mgN = mg). A única força horizontal é o atrito estático lateral entre pneus e piso, e é ele quem aponta para o centro: Fat=mv2/RF_{\text{at}} = mv^2/R. Mas o atrito estático tem um teto, Fat≤μN=μmgF_{\text{at}} \le \mu N = \mu m g (página de atrito). Enquanto mv2/Rmv^2/R ficar abaixo do teto, o carro curva; quando passa, derrapa. No limite,

μmg=mvmax⁡2R⟹vmax⁡=μgRouRmin⁡=v2μg.\mu m g = \frac{m v_{\max}^2}{R} \quad\Longrightarrow\quad v_{\max} = \sqrt{\mu g R} \quad\text{ou}\quad R_{\min} = \frac{v^2}{\mu g}.

A massa cancelou: um caminhão e uma moto com os mesmos pneus fazem a mesma curva na mesma velocidade máxima. O que muda a velocidade limite é o raio (curva mais aberta permite mais) e o coeficiente de atrito (pista molhada permite menos).

Dois painéis. À esquerda, um carro visto de trás numa pista horizontal, com o centro da curva marcado à esquerda: peso para baixo, normal para cima com o mesmo tamanho, e a força de atrito horizontal apontando para o centro da curva. À direita, a mesma curva vista de cima: o carro na trajetória circular, a velocidade tangente, o atrito para o centro e, tracejada, a reta tangente que o carro seguiria sem atrito.
Curva plana: peso e normal se cancelam e sobra o atrito estático lateral como resultante, apontando para o centro. Sem atrito o carro não "sai para fora": segue a tangente. vmax⁡=μgRv_{\max} = \sqrt{\mu g R}, sem massa. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (rotatória do Distrito Federal). Rotatória plana de R=50R = 50 m, pista seca com μ=0,5\mu = 0{,}5. vmax⁡=0,5×10×50=250≈15,8v_{\max} = \sqrt{0{,}5 \times 10 \times 50} = \sqrt{250} \approx 15{,}8 m/s, uns 57 km/h. Com chuva, μ=0,25\mu = 0{,}25: vmax⁡=125≈11,2v_{\max} = \sqrt{125} \approx 11{,}2 m/s, 40 km/h. Conferência: a 10 m/s (36 km/h) o carro de 1 000 kg precisa de mv2/R=1 000×100/50=2 000mv^2/R = 1\,000 \times 100/50 = 2\,000 N de atrito; o teto na pista molhada é 0,25×10 000=2 5000{,}25 \times 10\,000 = 2\,500 N, e o carro passa; a 20 m/s precisaria de 8 000 N e derraparia até em pista seca (5 0005\,000 N). Dobrar a velocidade quadruplica a força exigida, e é por isso que o excesso de velocidade em curva é tão mais grave que em reta.

Foi essa a física dos dois itens de 2013 sobre uma moto em curva: “a força de atrito desempenha o papel de força centrípeta” (certo) e “o raio da curva pode ser determinado por r=v2/(μg)r = v^2/(\mu g)” (certo). Os dois estão resolvidos nos exercícios desta página.

Curva inclinada e pêndulo cônico: uma componente faz o serviço

Autódromos, velódromos e trevos rodoviários inclinam a pista para dentro da curva. Sem atrito, as forças sobre o carro são o peso (vertical) e a normal, agora inclinada de θ\theta com a vertical, perpendicular à pista. A componente vertical da normal equilibra o peso, Ncos⁡θ=mgN\cos\theta = mg; a componente horizontal aponta para o centro e faz o papel de centrípeta, Nsen⁡θ=mv2/RN\operatorname{sen}\theta = mv^2/R. Dividindo uma pela outra,

tan⁡θ=v2gR.\tan\theta = \frac{v^2}{gR}.

Para cada inclinação existe uma velocidade que dispensa o atrito por completo; acima dela o atrito ajuda para dentro, abaixo dela, para fora. Uma curva de 100 m de raio projetada para 20 m/s (72 km/h) precisa de tan⁡θ=400/1 000=0,4\tan\theta = 400/1\,000 = 0{,}4, uns 22∘22^\circ. Em 2014 a banca pediu, num item de resposta construída, que se desenhassem e nomeassem as forças que mantêm uma bicicleta em curva num plano inclinado com atrito: peso no centro de massa, normal perpendicular à pista e atrito ao longo dela.

O pêndulo cônico é a mesma geometria com uma tração no lugar da normal. Uma esfera presa a um fio gira em círculo horizontal de raio RR, com o fio fazendo ângulo θ\theta com a vertical. Vertical: Tcos⁡θ=mgT\cos\theta = mg. Radial: Tsen⁡θ=mv2/RT\operatorname{sen}\theta = mv^2/R. Logo v2=gRtan⁡θv^2 = gR\tan\theta, e a massa cancela de novo. Em 2021 o “chapéu mexicano” de um parque de diversões rendeu exatamente esse item: “a velocidade escalar vv que manterá a bola na situação ilustrada é tal que v=Rgtan⁡θv = \sqrt{Rg\tan\theta}”, certo. Note o que não vale: a tração não é igual ao peso (é mg/cos⁡θmg/\cos\theta, maior que ele), e o peso não faz papel de centrípeta (é vertical; o centro está na horizontal).

Esfera presa por um fio a um eixo vertical, girando em círculo horizontal de raio R; o fio faz ângulo teta com a vertical. Sobre a esfera, o peso para baixo e a tração ao longo do fio; a tração está decomposta numa componente vertical, igual ao peso, e numa componente horizontal apontando para o centro do círculo. Ao lado, as duas equações: T cos teta igual a mg e T sen teta igual a m v ao quadrado sobre R, e a conclusão v ao quadrado igual a g R tan teta.
Pêndulo cônico (chapéu mexicano, PAS 2021): a componente vertical da tração sustenta o peso e a componente horizontal faz o papel de centrípeta. tan⁡θ=v2/(gR)\tan\theta = v^2/(gR), sem massa. A curva inclinada sem atrito tem a mesma geometria com a normal no lugar da tração. Diagrama autoral.

Loop, roda-gigante e o ponto alto: o peso ajuda ou atrapalha

Quando a circunferência está no plano vertical, o peso entra na conta radial e o resultado depende do ponto. Nos dois pontos mais cobrados, o topo e a base, peso e normal são ambos verticais, e basta uma soma com sinal, sempre tomando o sentido para o centro como positivo.

Roda-gigante (a pessoa está sentada, apoiada no banco, e a normal aponta para cima nos dois pontos). Na base, o centro está acima: N−mg=mv2/RN - mg = mv^2/R, logo N=m(g+v2/R)N = m(g + v^2/R), maior que o peso; a pessoa se sente mais pesada. No topo, o centro está abaixo: mg−N=mv2/Rmg - N = mv^2/R, logo N=m(g−v2/R)N = m(g - v^2/R), menor que o peso; a pessoa se sente mais leve. A balança que ela levasse no colo marcaria a normal, o chamado peso aparente, e não o peso, que é mgmg nos dois lugares. Se a velocidade crescesse até v2/R=gv^2/R = g, a normal no topo se anularia e a pessoa perderia contato com o banco: flutuaria por um instante. Uma roda-gigante de 10 m de raio a 5 m/s tem v2/R=2,5v^2/R = 2{,}5 m/s²: uma pessoa de 60 kg pesa 600 N e sente 450 N no topo e 750 N na base.

Roda-gigante vista de lado com duas cadeiras destacadas, uma no topo e outra na base. Em cada cadeira, o peso aponta para baixo e a normal do banco para cima; a seta da aceleração centrípeta aponta para o centro da roda: para baixo no topo, para cima na base. Ao lado do topo, N igual a m vezes g menos v ao quadrado sobre R, com o exemplo 450 N; ao lado da base, N igual a m vezes g mais v ao quadrado sobre R, com o exemplo 750 N, para uma pessoa de 60 kg, R de 10 m e v de 5 m/s.
Roda-gigante: o peso é 600 N nos dois pontos, mas a normal (o que a balança marcaria) é 450 N no topo e 750 N na base. A resultante vale mv2/R=150mv^2/R = 150 N e aponta para o centro nas duas posições. Diagrama autoral.

Loop vertical (o carrinho corre por dentro do trilho; no topo, a normal do trilho aponta para baixo, para o centro). No topo: N+mg=mv2/RN + mg = mv^2/R, logo N=m(v2/R−g)N = m(v^2/R - g). O carrinho só continua no trilho enquanto N≥0N \ge 0, isto é, enquanto v2≥gRv^2 \ge gR. A velocidade mínima no ponto alto é

vmin⁡=gR,v_{\min} = \sqrt{gR},

e nela a normal é zero: o peso sozinho faz o papel de centrípeta. Abaixo dessa velocidade o carrinho se desprende e cai em trajetória parabólica antes de completar o loop. Na base, como na roda-gigante, N=m(g+v2/R)N = m(g + v^2/R).

Rampa que desce da esquerda até um loop circular de centro O, com os pontos A, no alto da rampa a 100 cm, B a 50 cm, C no lado direito do loop na altura do centro e D no topo; o loop tem 50 cm de diâmetro. No ponto D, o peso e a normal do trilho apontam ambos para baixo, para o centro. Ao lado, a equação N mais mg igual a m v ao quadrado sobre R e a condição v ao quadrado maior ou igual a g R para não cair.
A montanha-russa simplificada do PAS 2009 redesenhada: A a 100 cm, B a 50 cm, *loop* de 50 cm de diâmetro (R=0,25R = 0{,}25 m). No topo D, normal e peso apontam para o centro; a condição para não despencar é vD2≥gR=2,5v_D^2 \ge gR = 2{,}5 m²/s². Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (o loop do PAS 2009). Bloco de 100 g solto do repouso em A, a 1,0 m de altura, trilho sem atrito, loop de raio 0,25 m (g=10g = 10 m/s²). Chegando ao topo D, a 0,5 m, a conservação de energia dá vD2=2g(1,0−0,5)=10v_D^2 = 2g(1{,}0 - 0{,}5) = 10 m²/s², vD≈3,2v_D \approx 3{,}2 m/s, maior que gR=2,5≈1,6\sqrt{gR} = \sqrt{2{,}5} \approx 1{,}6 m/s: o bloco passa. Normal no topo: N=m(vD2/R−g)=0,1×(40−10)=3N = m(v_D^2/R - g) = 0{,}1 \times (40 - 10) = 3 N, apontando para baixo. Os quatro itens da banca: “para não despencar em D é necessário que a normal seja nula” (errado: nula é o caso-limite; o necessário é N≥0N \ge 0, e aqui N=3N = 3 N); “o peso aparente no topo será necessariamente nulo” (errado, pelo mesmo motivo); “solto em A, chega a D com mais de 1,4 m/s” (certo, 3,2 m/s); “solto em B, a 0,5 m, passa por C com componente horizontal da força igual a 10 N” (errado: de B até C, na altura do centro, o bloco desce 0,5−0,25=0,250{,}5 - 0{,}25 = 0{,}25 m, vC2=5v_C^2 = 5 m²/s², e a normal, horizontal em C, vale mvC2/R=0,1×5/0,25=2mv_C^2/R = 0{,}1 \times 5/0{,}25 = 2 N). A altura mínima para completar o loop partindo do repouso sai da mesma conta: vD2=gRv_D^2 = gR exige 2g(h−2R)=gR2g(h - 2R) = gR, logo hmin⁡=2,5R=0,625h_{\min} = 2{,}5R = 0{,}625 m, e é por isso que o ponto B, a 0,5 m, não serve.

Rotatórias, centrífugas e a Terra

As rotatórias do Distrito Federal são o contexto favorito da banca para a curva plana, e o motivo é o objetivo de trânsito e mobilidade da matriz: a velocidade segura numa rotatória cresce com a raiz do raio e cai com a chuva. A centrífuga da máquina de lavar tira a água pelo mesmo princípio ao contrário: a 1 200 rpm (f=20f = 20 Hz, ω≈126\omega \approx 126 rad/s) um tambor de 25 cm de raio tem ac=ω2R≈3 950a_c = \omega^2 R \approx 3\,950 m/s², uns 400 gg; a roupa é mantida em círculo pelas paredes do tambor, mas a água, que passa pelos furos, não recebe força nenhuma para o centro e sai pela tangente. E o próprio chão gira: um ponto do equador dá uma volta de 2π×6 4002\pi \times 6\,400 km em 24 h, a v≈465v \approx 465 m/s, com ac=v2/R≈0,034a_c = v^2/R \approx 0{,}034 m/s², três milésimos de gg, o suficiente para uma balança marcar um pouco menos no equador que nos polos.

Rodas acopladas: correia iguala vv, eixo iguala ω\omega

Motores, bicicletas, relógios e guindastes transmitem giro de uma roda a outra, e dois casos resolvem quase tudo.

Mesmo eixo (ou mesmo corpo rígido). Dois discos presos ao mesmo eixo, ou dois pontos do mesmo disco, giram juntos: dão o mesmo número de voltas no mesmo tempo, logo têm a mesma velocidade angular ω\omega e o mesmo período. Suas velocidades escalares são proporcionais aos raios, v=ωRv = \omega R: a borda anda mais rápido que o miolo. Em 2012 a banca afirmou que “em um disco que gira com velocidade angular constante, um ponto na borda tem velocidade escalar maior que um ponto próximo ao centro”: certo. Num carrossel, os cavalinhos da borda e do centro completam a volta no mesmo tempo, mas os da borda correm mais.

Correia, corrente ou contato direto. Duas polias ligadas por uma correia que não escorrega, duas engrenagens em contato ou a coroa e a catraca ligadas pela corrente da bicicleta compartilham a velocidade escalar da borda: a correia é uma só e não estica, então cada ponto dela anda com a mesma rapidez, e essa rapidez é a da borda das duas rodas. Assim v1=v2v_1 = v_2, ou seja, ω1R1=ω2R2\omega_1 R_1 = \omega_2 R_2: a roda menor gira mais depressa, na razão inversa dos raios. Em engrenagens e coroas dentadas, o número de dentes é proporcional ao raio, e a relação vira ω1Z1=ω2Z2\omega_1 Z_1 = \omega_2 Z_2, ou f1Z1=f2Z2f_1 Z_1 = f_2 Z_2: a cada volta da coroa de 44 dentes passam 44 elos de corrente, que fazem uma catraca de 11 dentes dar 4 voltas.

Dois painéis. À esquerda, duas polias de raios diferentes ligadas por uma correia: as setas de velocidade nas bordas têm o mesmo tamanho e a legenda diz mesma v, omega 1 R 1 igual a omega 2 R 2, a menor gira mais depressa. À direita, dois discos de raios diferentes presos ao mesmo eixo: a legenda diz mesma omega e mesmo período, e as setas de velocidade na borda do disco maior são maiores. Abaixo, a bicicleta do PAS 2014: coroa de 10 cm ligada por corrente à catraca de 5 cm, que está no eixo da roda de 40 cm.
As duas regras da transmissão. Correia ou corrente: mesma velocidade na borda (ωara=ωbrb\omega_a r_a = \omega_b r_b). Mesmo eixo: mesma velocidade angular (ωb=ωc\omega_b = \omega_c). Na bicicleta, coroa e catraca obedecem à primeira; catraca e roda, à segunda. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (a bicicleta do PAS 2014). Coroa ra=10r_a = 10 cm, catraca rb=5r_b = 5 cm, roda rc=40r_c = 40 cm; o pedal gira 45∘45^\circ (um oitavo de volta) em 0,1 s, sem deslizamento. Período da coroa: Ta=8×0,1=0,8T_a = 8 \times 0{,}1 = 0{,}8 s, ωa=2π/0,8≈7,85\omega_a = 2\pi/0{,}8 \approx 7{,}85 rad/s. Corrente: ωara=ωbrb\omega_a r_a = \omega_b r_b, logo ωb=7,85×10/5=15,7\omega_b = 7{,}85 \times 10/5 = 15{,}7 rad/s; com metade do raio, a catraca completa duas voltas para cada volta da coroa. Mesmo eixo: ωc=ωb=15,7\omega_c = \omega_b = 15{,}7 rad/s, e o período da roda é Tc=2π/15,7=0,4T_c = 2\pi/15{,}7 = 0{,}4 s (o item que afirmava “superior a 0,5 s” estava errado). Velocidade da bicicleta: a da borda da roda, v=ωcrc=15,7×0,40≈6,3v = \omega_c r_c = 15{,}7 \times 0{,}40 \approx 6{,}3 m/s, uns 23 km/h. Conferência pela razão de dentes: a roda dá ra/rb=2r_a/r_b = 2 voltas por pedalada, e 2×2π×0,40=5,02 \times 2\pi \times 0{,}40 = 5{,}0 m por pedalada, em 0,8 s, dá 6,36{,}3 m/s. O tipo C do mesmo bloco pedia a relação correta entre ωa\omega_a, ωb\omega_b e ωc\omega_c: ωb=ωc\omega_b = \omega_c; ωa=ωb\omega_a = \omega_b (mesma corrente não iguala ω\omega), ωa=4ωc\omega_a = 4\omega_c e ωc=0,125 ωb\omega_c = 0{,}125\,\omega_b estão erradas. E um item de outro bloco de 2014 dizia que, para ganhar velocidade sem mudar o ritmo das pedaladas, o ciclista deveria passar para uma catraca com mais dentes: errado; catraca com mais dentes gira menos vezes por pedalada, e a bicicleta anda menos. Marcha “pesada” é catraca pequena.

Satélites e o giro que compartilha o período

Um satélite em órbita circular é um MCU cuja centrípeta é a gravitação; a conta de vv e TT a partir da massa do planeta fica para a página de gravitação universal. Mas duas ideias desta página bastam para muitos itens. A primeira: o raio da órbita se mede do centro do planeta, r=RTerra+hr = R_{\text{Terra}} + h. Em 2025 a banca afirmou que um satélite lançado para uma órbita a 800 km de altura, desde o lançamento até completar uma volta, percorre 800+1 600π800 + 1\,600\pi km: errado, porque a volta mede 2π(6 400+800)=14 400π2\pi(6\,400 + 800) = 14\,400\pi km, e não 2π×8002\pi \times 800. A segunda: corpos que giram juntos compartilham o período, de modo que a velocidade de cada um é proporcional ao raio, v=2πr/Tv = 2\pi r/T, e o raio maior corresponde à velocidade maior. O telescópio James Webb fica “estacionado” no ponto L2, girando em torno do Sol com o mesmo período que a Terra, num raio 1 % maior; a banca pediu, em 2024, a razão entre as velocidades vezes 100: mesmo TT, raios na razão 1,011{,}01, marcação 101. Um satélite geoestacionário é o mesmo raciocínio com a Terra: T=24T = 24 h, órbita no plano do equador, no sentido da rotação, r≈42 000r \approx 42\,000 km, e por isso as antenas parabólicas ficam fixas apontando para o mesmo ponto do céu; sua velocidade é 2π×4,2×107/86 400≈3,12\pi \times 4{,}2 \times 10^7/86\,400 \approx 3{,}1 km/s. O que decide esse raio (a terceira lei de Kepler) está na página de leis de Kepler e órbitas.

Trabalho nulo na curva

A força centrípeta é sempre perpendicular à velocidade, e força perpendicular ao deslocamento não realiza trabalho. Por isso a gravitação não altera a energia cinética de um satélite em órbita circular, e o atrito lateral da rotatória, embora seja atrito, não aquece a pista nem freia o carro: ele só vira a velocidade. Em 2024 a banca escreveu que “o trabalho realizado pelas forças gravitacionais sobre o telescópio em movimento circular é nulo”, e o gabarito foi certo. A página de trabalho de uma força desenvolve o argumento.

Como ler a figura e os dados da prova

Itens de movimento circular vêm com figura ou com números em unidades cruzadas, e o primeiro minuto é de leitura.

  1. Ache o centro e desenhe o eixo radial apontando para ele. No topo do loop o centro está abaixo; na base, acima; na curva plana, para o lado. A resultante tem de apontar para lá.
  2. Identifique a ligação entre as rodas. Correia, corrente ou contato: mesma vv na borda. Mesmo eixo ou mesmo disco: mesma ω\omega. Na figura da bicicleta de 2014, a corrente liga rar_a a rbr_b, e rbr_b e rcr_c estão no mesmo eixo.
  3. Converta antes de calcular. rpm dividido por 60 vira Hz; minutos vezes 60 viram segundos; km/h dividido por 3,6 vira m/s; centímetros divididos por 100 viram metros. A fórmula ac=ω2Ra_c = \omega^2 R com RR em centímetros dá um resultado cem vezes maior que o certo.
  4. Leia o ângulo como fração de volta. 45∘45^\circ é 1/81/8 de volta; 90∘90^\circ, 1/41/4; 600π600\pi rad são 300 voltas. Em 2019 (PAS 2) as pás de um helicóptero giravam 600π600\pi rad por minuto, ou seja, 5 voltas por segundo: cada rotação dura 0,2 s e, a 90 km/h (25 m/s), o helicóptero avança 5 m por volta.
  5. Gráfico de ω\omega contra tt: no MCU é uma reta horizontal. Se o eixo é puxado por um peso em queda livre (PAS 2020), v=gtv = gt cresce linearmente e ω=v/R=gt/R\omega = v/R = gt/R também: uma reta que sai da origem.
  6. Confira o limiar com folga. A banca costuma pedir “superior a” ou “inferior a”: 63 m/s² contra 50, 60 m/s contra 40, 0,4 s contra 0,5. Se a conta fechar em cima do limiar, refaça as conversões.

Como a banca cobra

Movimento circular rendeu perto de vinte itens no PAS 1 desde 2006, com intervalos de dois ou três anos entre uma aparição e a seguinte, e esteve nas duas últimas provas da janela vigente, 2024 e 2025. Quatro padrões cobrem quase tudo:

  1. Transmissão (tipo A e C): mesma vv na corrente, mesma ω\omega no eixo; períodos e acelerações de uma roda a partir da outra. O bloco da bicicleta de 2014 (itens 71, 72, 73 e 84) é o modelo; 2012/79 (borda do disco) é a versão de uma frase.
  2. Grandezas do giro com conversão (tipo A e B): rpm e diâmetro do aerogerador (2015/71), radianos por minuto do helicóptero (PAS 2 2019/90), razão de velocidades com o mesmo período (2024/97, resposta 101), comprimento da órbita medido do centro (2025/42).
  3. A resultante na curva (tipo A): atrito como centrípeta e r=v2/(μg)r = v^2/(\mu g) (2013/95 e 96); resultante transversal não nula (2012/78); giro com velocidade constante tem aceleração (2017/40); pêndulo cônico v2=gRtan⁡θv^2 = gR\tan\theta (2021/64); componente horizontal da força em trajetória circular (2009/112).
  4. O ponto alto (tipo A): normal e peso aparente no topo do loop, condição para não despencar, velocidade mínima e altura de abandono (2009/109 a 111).

Os contextos vêm dos objetivos da matriz e das obras do triênio: rotatórias e curvas de estrada (mobilidade), bicicleta, ventiladores e aerogeradores (energia), parques de diversões, o James Webb e os satélites (espaço), o trem de Villa-Lobos e o fouetté do balé (arte). Quando uma obra do triênio tiver algo que gira, releia-a com esta página na cabeça: período, raio e velocidade viram dados de item.

Os sete erros que a prova planta

  1. Achar que velocidade de módulo constante é aceleração zero. O vetor muda de direção; há ac=v2/Ra_c = v^2/R e resultante mv2/Rmv^2/R para o centro (2017/40, errado; 2012/78, certo).
  2. Desenhar uma força centrífuga. No referencial do chão ela não existe; o corpo tende a seguir em linha reta e quem o segura na curva é a porta, o fio, o trilho, o atrito.
  3. Igualar ω\omega em rodas ligadas por correia. Correia e corrente igualam vv na borda; a roda menor gira mais depressa (ωara=ωbrb\omega_a r_a = \omega_b r_b). Mesmo eixo iguala ω\omega (2014/73: ωb=ωc\omega_b = \omega_c).
  4. Usar rpm como Hz e minuto como segundo. Divida rpm por 60; multiplique minutos por 60. Centímetros viram metros antes de ω2R\omega^2 R.
  5. Confundir vv fixo com ω\omega fixo ao comparar acelerações. Com ω\omega fixo, ac∝Ra_c \propto R (a borda acelera mais); com vv fixo, ac∝1/Ra_c \propto 1/R.
  6. Achar que no topo do loop a normal tem de ser zero. Zero é o limite (v=gRv = \sqrt{gR}); acima disso N=m(v2/R−g)>0N = m(v^2/R - g) > 0 e o carrinho passa com folga (2009/109 e 110, ambos errados). Na roda-gigante, a normal do topo é m(g−v2/R)m(g - v^2/R), menor que o peso, e a da base, m(g+v2/R)m(g + v^2/R).
  7. Medir o raio da órbita da superfície. r=RTerra+hr = R_{\text{Terra}} + h (2025/42, errado). E quem gira junto tem o mesmo TT: a razão de velocidades é a razão de raios (2024/97).

O essencial em meia página

  • Grandezas: TT (s), f=1/Tf = 1/T (Hz), ω=2π/T=2πf\omega = 2\pi/T = 2\pi f (rad/s), v=2πR/T=ωRv = 2\pi R/T = \omega R (m/s). Uma volta =2π= 2\pi rad =2πR= 2\pi R de arco. rpm ÷ 60 = Hz.
  • Aceleração centrípeta: ac=v2/R=ω2Ra_c = v^2/R = \omega^2 R, perpendicular a v⃗\vec v, para o centro; muda só a direção da velocidade. Dobrar vv quadruplica; com ω\omega fixo, ac∝Ra_c \propto R; com vv fixo, ac∝1/Ra_c \propto 1/R.
  • Força centrípeta: é a resultante radial, F=mv2/RF = mv^2/R; não é força nova. Quem faz o papel: atrito (curva plana), tração (fio), componente horizontal da normal ou da tração (curva inclinada, pêndulo cônico), peso ±\pm normal (topo e base), gravitação (órbita). Não existe centrífuga no referencial inercial. Sem centrípeta, sai pela tangente.
  • Curva plana: vmax⁡=μgRv_{\max} = \sqrt{\mu g R}, Rmin⁡=v2/(μg)R_{\min} = v^2/(\mu g); a massa cancela. Rotatória de 50 m com μ=0,5\mu = 0{,}5: 15,8 m/s.
  • Curva inclinada sem atrito e pêndulo cônico: tan⁡θ=v2/(gR)\tan\theta = v^2/(gR), ou v=gRtan⁡θv = \sqrt{gR\tan\theta} (PAS 2021/64, certo).
  • Topo do loop: N+mg=mv2/RN + mg = mv^2/R; não cai se v2≥gRv^2 \ge gR; vmin⁡=gRv_{\min} = \sqrt{gR} com N=0N = 0; altura mínima de abandono 2,5R2{,}5R. Roda-gigante: topo N=m(g−v2/R)N = m(g - v^2/R), base N=m(g+v2/R)N = m(g + v^2/R); peso aparente é a normal.
  • Transmissão: correia/corrente/contato → mesma vv na borda, ω1R1=ω2R2\omega_1 R_1 = \omega_2 R_2 (dentes: f1Z1=f2Z2f_1 Z_1 = f_2 Z_2); mesmo eixo/mesmo disco → mesma ω\omega, v∝Rv \propto R. Bicicleta 2014: ωb=ωc\omega_b = \omega_c, Troda=0,4T_{\text{roda}} = 0{,}4 s, aca_c da periferia ≈63\approx 63 m/s² para T=0,5T = 0{,}5 s.
  • Satélites: raio do centro, r=RT+hr = R_{\text{T}} + h (2025/42: 14 400π14\,400\pi km, não 1 600π1\,600\pi); mesmo período → v∝rv \propto r (2024/97: 101). Geoestacionário: T=24T = 24 h, equatorial, ≈42 000\approx 42\,000 km, ≈3,1\approx 3{,}1 km/s.
  • Trabalho da centrípeta: zero, porque é perpendicular ao deslocamento (2024/92, certo).

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Movimento circular uniforme
Ítalo Reann - Física sem fronteira · 13:13
Introdução em treze minutos. A descrição do vídeo anuncia exatamente o conteúdo: “introdução ao movimento circular uniforme; nessa aula abordaremos os conceitos período, frequência e a relação entre velocidade angular e escalar”. É a seção “Uma volta mede 2πR: período, frequência e velocidade angular” desta página em aula falada, com o mesmo trio T, f e ω e a ligação v = ωR, para quem está vendo o assunto pela primeira vez.
MCU: Aceleração e força centrípeta | Física
Como é bom ser nerd - Pura Física · 20:48
Aprofundamento de vinte minutos dedicado só à aceleração e à força centrípeta: a descrição diz que a aula dá “sequência ao estudo do MCU” para “estudar a força e a aceleração centrípeta, grandezas muito importantes na formação do MCU”. Cobre as seções “Velocímetro parado, velocidade mudando” e “Centrípeta é um papel, não uma força a mais” desta página: por que existe aceleração com velocidade constante, a = v²/R e a resultante para o centro.
Movimento Circular | Transmissão por correia, transmissão por contato e transmissão por eixo
Maurício Física · 18:58
Aplicação às rodas acopladas. A descrição enuncia as três regras que a seção “Rodas acopladas: correia iguala v, eixo iguala ω” desta página usa: “transmissão por correia: todos os pontos da correia possuem a mesma velocidade linear”; “por contato: mesma velocidade linear, sentidos de giro opostos”; “por eixo: todos os discos terão a mesma velocidade angular”, e termina resolvendo dois exercícios de MCU. É a física do bloco da bicicleta do PAS 2014 (itens 71 a 73).
FORÇA CENTRÍPETA - APLICAÇÕES DAS LEIS DE NEWTON - EXERC.- AULA 14 - Prof Boaro ILIMIT EDUCATION
Professor Boaro · 24:01
Resolução de exercícios de vestibular sobre força centrípeta: a descrição reproduz os enunciados resolvidos, como o avião de brinquedo preso a um fio de 4,0 m que suporta 20 N de tração (PUC-SP) e o astronauta na espaçonave cilíndrica de 10 m de raio (UFPB). São os casos “tração como centrípeta” e “normal como centrípeta” das seções sobre o fio e sobre a roda-gigante desta página, com o método completo no quadro; confira antes que, no avião, v = √(TR/m) = √(20 × 4/0,8) = 10 m/s.
Rota PAS 1
Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · PAS 1

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 1 — Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (ideia 6, uma volta completa mede 2πR; ideia 4, dobrar e quadruplicar); O que cai daqui (movimento circular: 17 itens 2006–2025, formatos A, B, C); Movimento circular uniforme: a curva que exige força para o centro (âncora da rotatória, quadro de grandezas, força centrípeta como papel da resultante, regras de transmissão, exemplo-guia, item 2014/73, checagem, pílula do James Webb); Como a banca cobra (itens 2024/97 e 2025/42 e o histórico do movimento circular); Estratégia (porta 2: curva); Exercícios nível 1 (carrossel) e nível 2 (rotatórias do Distrito Federal, itens 10 a 12; polias do motor e do tambor, item 18); Banco de treino T5 a T8 (disco, motocicleta na rotatória, coroa e catraca, ventilador a 300 rpm)

    Recorte por assunto: cinemática e dinâmica do movimento circular uniforme. O livro trata o tema numa seção; a página acrescenta a dedução geométrica de a = v²/R, a tabela de quem faz o papel de centrípeta, a curva inclinada e o pêndulo cônico, o loop e a roda-gigante com normal e peso aparente, a razão de dentes em engrenagens, a leitura de rpm e de gráficos de ω(t), a Terra em rotação e a centrífuga, além dos itens reais de 2006 a 2025 não detalhados no capítulo. Órbitas, geoestacionário e Kepler ficam nas páginas de gravitação; vetores, leis de Newton e atrito são pré-requisitos.

  • Rota PAS 1 — Gravitação universal, órbitas e a física que mudou de novo · Aquecimento (ideia 4, velocidade numa volta completa: roda-gigante e satélite baixo); Lembrete sobre aceleração centrípeta e força centrípeta como força real; Geoestacionário e GPS (condições da órbita geoestacionária, altura não é raio)

    Usado só para a menção ao satélite geoestacionário e à regra 'raio se mede do centro'; o conteúdo de órbitas fica nas páginas de gravitação e de Kepler.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2006 (item 110, roda da locomotiva em O Trenzinho do Caipira), 2009 (itens 109 a 112, montanha-russa com loop), 2012 (itens 78 e 79, ciclista em curva e disco), 2013 (itens 95 e 96, moto em curva, reusados da página de atrito), 2014 (itens 71 a 73, bicicleta coroa–catraca–roda; item 84, catraca com mais dentes), 2015 (item 71, rpm do aerogerador), 2017 (item 40, dançarino em giro), 2020 Parte 2 (item 70, gráfico de ω da roda puxada por um peso), 2021 Parte 2 (item 64, chapéu mexicano), 2024 (item 97, razão de velocidades James Webb–Terra; item 92, reusado de trabalho de uma força), 2025 Parte 2 (item 42, volta completa da órbita); PAS 2 2019 (item 90, pás do helicóptero)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao[-pas2]/AAAA.json. Figuras impressas (loop de 2009 com cotas de 100 cm, 50 cm e diâmetro 50 cm; bicicleta de 2014 com o pedal deslocando 45°; roda e polia de 2020 com o gráfico ω × t; chapéu mexicano de 2021; figuras I e II do James Webb de 2024) foram lidas nas páginas dos cadernos em PDF (utils/material/PAS/provas/) e descritas em texto neutro no suporte das questões. O item 2017/40 vem de caderno cifrado e foi transcrito da imagem da página 8 do PDF.