Determinantes

Guia de estudo · Revisado em 04/10/2026

BNCC · EM13MAT301

A prova do PAS 3 de 2025 imprimiu a matriz 3×3 de um circuito elétrico e pediu, num item de resposta numérica, o determinante da matriz 2A. Quem calculou det A = 39 e dobrou marcou 78; a resposta certa era 312, oito vezes 39. Dois anos antes, a 2.ª etapa deu uma matriz 2×2 com temperaturas, fixou o determinante em −1/2 e afirmou que a incógnita era menor que 3 (era 3,75). O que é esse número que cada matriz quadrada carrega, por que ele mede área, decide se um sistema tem uma solução só e resolve o sistema por uma razão de determinantes, e por que dobrar a matriz o multiplica por 8?

O que você vai aprender

  • Calcular o determinante de uma matriz 2×2 (ad − bc) e interpretá-lo como a área com sinal do paralelogramo formado pelas duas linhas (ou colunas), reconhecendo que linhas proporcionais dão determinante zero.
  • Calcular um determinante 3×3 pela regra de Sarrus e pelo desenvolvimento de Laplace (cofatores), escolhendo a linha ou coluna com mais zeros e sabendo que Sarrus não vale para ordem 2 nem para ordem 4.
  • Usar as propriedades que poupam conta: linha nula ou linhas proporcionais anulam o determinante; trocar duas linhas troca o sinal; fator comum numa linha sai multiplicando; det(kA) = kⁿ·det A; det(Aᵀ) = det A; det(AB) = det A·det B; determinante de matriz triangular é o produto da diagonal; somar a uma linha um múltiplo de outra não altera o determinante.
  • Decidir se uma matriz quadrada é inversível pelo determinante (inversível ↔ det ≠ 0), escrever a inversa 2×2 pela adjunta e relacionar det(A⁻¹) = 1/det A.
  • Aplicar a regra de Cramer a sistemas 2×2 e 3×3 (cada incógnita é det A_j / det A, com a coluna j trocada pelos termos independentes), sabendo quando ela vale e quando o escalonamento é melhor.
  • Classificar um sistema n×n pelo determinante da matriz dos coeficientes (det ≠ 0 → possível e determinado; det = 0 → indeterminado ou impossível, a decidir pelo sistema), inclusive sistemas homogêneos (só a solução nula quando det ≠ 0) e sistemas com parâmetro.
  • Reconhecer o determinante de Vandermonde e explicar por que três pontos de abscissas distintas determinam uma única parábola.
  • Usar o determinante 3×3 com coordenadas para testar o alinhamento de três pontos (det = 0) e calcular a área de um triângulo (metade do módulo do determinante).
  • Ler itens com matriz impressa e julgar afirmações sobre determinante, inversibilidade e solução única, inclusive no formato de resposta numérica (tipo B) do PAS 3, evitando os erros de potência (det(2A) = 2·det A), de sinal na troca de linhas e de 'det = 0 logo impossível'.

A prova do PAS 3 de 2025 trouxe, impressa no texto-base, a matriz 3×33 \times 3 dos coeficientes de um circuito elétrico e, no único item de resposta numérica do bloco, mandou calcular o determinante de 2A2A. Quem fez a conta de det⁡A\det A chegou a 39; quem dobrou e marcou 78 errou, e quem respondeu 312 acertou, porque dobrar uma matriz de ordem 3 multiplica o determinante por 23=82^3 = 8. Dois anos antes, a 2.ª etapa tinha dado uma matriz 2×22 \times 2 com temperaturas da Amazônia, fixado o determinante em −12-\frac{1}{2} e afirmado que a entrada desconhecida era menor que 3; a conta dá 3,75, e o item era errado. Em 2013, a mesma etapa afirmou que a matriz de compras de uma família “é inversível”, e em 2021, que o determinante de uma matriz feita com três abscissas distintas “é não nulo”. Quatro provas, quatro perguntas sobre o mesmo número. O que é o determinante de uma matriz quadrada, por que ele mede uma área, decide se um sistema tem solução única, fornece essa solução por uma razão de determinantes e se multiplica por 8 quando a matriz dobra?

Esta página responde em cinco movimentos. Primeiro, o determinante 2×22 \times 2, ad−bcad - bc, lido como área de um paralelogramo com sinal, que é a origem de todas as propriedades. Depois, o 3×33 \times 3 por duas receitas, Sarrus e cofatores, e as propriedades que permitem calcular sem calcular. Em seguida, as duas aplicações centrais: a matriz inversível (determinante diferente de zero) e a regra de Cramer, com a classificação de um sistema pelo determinante, inclusive quando há um parâmetro ou quando o sistema é homogêneo. Por fim, duas leituras geométricas que a prova cobra como álgebra: o determinante de Vandermonde, que explica por que três pontos determinam uma parábola, e o determinante com coordenadas, que decide se três pontos estão alinhados e mede a área do triângulo. As operações com matrizes e a inversa como objeto estão na página de matrizes; o escalonamento e a montagem de sistemas a partir de texto, na página de sistemas lineares; a matriz que gira e deforma figuras, na página de transformações no plano, onde o determinante reaparece como fator de área.

Quatro números viram um só: ad − bc é uma área com sinal

Uma matriz 2×22 \times 2 guarda duas linhas, e a primeira pergunta que se faz a ela é se as duas linhas dizem coisas diferentes. Em (4182)\begin{pmatrix} 4 & 1 \\ 8 & 2 \end{pmatrix} não dizem: a segunda é o dobro da primeira, e quem conhece uma conhece a outra. Em (4113)\begin{pmatrix} 4 & 1 \\ 1 & 3 \end{pmatrix} dizem. O teste algébrico é curto: as linhas (a,b)(a, b) e (c,d)(c, d) são proporcionais exatamente quando ac=bd\frac{a}{c} = \frac{b}{d}, isto é, quando ad=bcad = bc, ou ainda quando ad−bc=0ad - bc = 0. Esse número, ad−bcad - bc, “produto da diagonal que desce menos produto da diagonal que sobe”, é o determinante da matriz. Na segunda matriz ele vale 4⋅3−1⋅1=114 \cdot 3 - 1 \cdot 1 = 11; na primeira, 4⋅2−1⋅8=04 \cdot 2 - 1 \cdot 8 = 0.

O que o número mede quando não é zero aparece no desenho. Marque (4,1)(4, 1) e (1,3)(1, 3) como vetores a partir da origem e feche o paralelogramo; o quarto vértice é (5,4)(5, 4). O retângulo de 55 por 44 que o envolve tem área 2020, e dele ficam de fora do paralelogramo dois triângulos de catetos 44 e 11 (área 22 cada), dois triângulos de catetos 11 e 33 (área 1,51{,}5 cada) e dois quadradinhos de lado 11 (área 11 cada): 20−4−3−2=1120 - 4 - 3 - 2 = 11. Com letras, a mesma conta dá (a+c)(b+d)−ab−cd−2bc=ad−bc(a + c)(b + d) - ab - cd - 2bc = ad - bc. O determinante é a área do paralelogramo das duas linhas, e as linhas proporcionais são o caso em que o paralelogramo se achata num segmento.

Dois painéis com plano cartesiano. À esquerda, os vetores u = (4, 1) e v = (1, 3) saindo da origem, o paralelogramo que eles formam preenchido em azul claro, com a conta 4 vezes 3 menos 1 vezes 1 igual a 11 e o rótulo área 11. À direita, os vetores (4, 1) e (8, 2) sobre a mesma reta, sem paralelogramo, com a conta 4 vezes 2 menos 1 vezes 8 igual a 0 e o rótulo área 0, linhas proporcionais.
O determinante 2×22 \times 2 é a área do paralelogramo formado pelas duas linhas da matriz. Se uma linha é múltiplo da outra, os vetores ficam sobre a mesma reta, o paralelogramo some e o determinante é zero. Diagrama autoral.
Determinante de ordem 2

Para A=(abcd)A = \begin{pmatrix} a & b \\ c & d \end{pmatrix},

det⁡A=∣abcd∣=ad−bc.\det A = \begin{vmatrix} a & b \\ c & d \end{vmatrix} = ad - bc.

As barras verticais são a notação de determinante (um número); os parênteses, a de matriz (uma tabela). Geometricamente, ∣det⁡A∣|\det A| é a área do paralelogramo cujos lados são as linhas (a,b)(a, b) e (c,d)(c, d) aplicadas na origem; o sinal diz a orientação: positivo quando o giro da primeira linha para a segunda é anti-horário, negativo quando é horário. A área do triângulo com os mesmos dois lados é a metade, 12∣ad−bc∣\frac{1}{2}|ad - bc|.

Três consequências já aparecem no caso 2×22 \times 2 e se repetem em toda ordem. Se as duas linhas são proporcionais, os vetores estão na mesma reta, não há paralelogramo e o determinante é zero, como em (4,1)(4, 1) e (8,2)(8, 2). Se as linhas são trocadas de lugar, a área é a mesma, mas a orientação inverte: ∣1341∣=1−12=−11\begin{vmatrix} 1 & 3 \\ 4 & 1 \end{vmatrix} = 1 - 12 = -11. E se uma linha é multiplicada por um número, a área é multiplicada pelo mesmo número: ∣8213∣=24−2=22\begin{vmatrix} 8 & 2 \\ 1 & 3 \end{vmatrix} = 24 - 2 = 22, o dobro de 11. Guarde as três; elas são as propriedades da seção adiante, vistas no desenho.

O determinante de ordem 1 é o próprio número, det⁡(a)=a\det (a) = a, e isso ajuda a ler a fórmula de ordem 2 como uma regra: aa vezes o que sobra quando se risca a linha e a coluna de aa (o número dd), menos bb vezes o que sobra quando se risca a linha e a coluna de bb (o número cc). É essa leitura, não a das diagonais, que se generaliza para a ordem 3 e além.

Exemplo resolvido 1. A matriz (1,11,6x5)\begin{pmatrix} 1{,}1 & 1{,}6 \\ x & 5 \end{pmatrix} tem determinante −12-\frac{1}{2}. Quanto vale xx? Pela fórmula, 1,1⋅5−1,6⋅x=−0,51{,}1 \cdot 5 - 1{,}6 \cdot x = -0{,}5, isto é, 5,5−1,6x=−0,55{,}5 - 1{,}6x = -0{,}5, logo 1,6x=61{,}6x = 6 e x=3,75x = 3{,}75. Conferência: 5,5−1,6⋅3,75=5,5−6=−0,55{,}5 - 1{,}6 \cdot 3{,}75 = 5{,}5 - 6 = -0{,}5. Foi o item 61 do PAS 2 de 2023, que afirmava “xx será inferior a 3”: errado. O molde é o mais simples do assunto, uma equação do primeiro grau escondida num determinante, e o cuidado é de sinal: −bc-bc com b=1,6b = 1{,}6 e c=xc = x dá −1,6x-1{,}6x, e o −12-\frac{1}{2} fica do outro lado da igualdade.

Três por três: Sarrus, as seis diagonais

Para ordem 3 a fórmula tem seis parcelas, três com sinal positivo e três com sinal negativo, e a regra de Sarrus é só um jeito de enxergá-las. Copie as duas primeiras colunas à direita da matriz. As três diagonais que descem da esquerda para a direita dão as parcelas positivas; as três que sobem, as negativas.

A matriz 2, 1, 3; 0, 4, 1; 5, 2, 1 com as duas primeiras colunas repetidas à direita, formando cinco colunas. Três diagonais azuis descem da esquerda para a direita, com os produtos 2 vezes 4 vezes 1 igual a 8, 1 vezes 1 vezes 5 igual a 5 e 3 vezes 0 vezes 2 igual a 0. Três diagonais vermelhas sobem, com os produtos 3 vezes 4 vezes 5 igual a 60, 2 vezes 1 vezes 2 igual a 4 e 1 vezes 0 vezes 1 igual a 0. Embaixo, a conta 8 mais 5 mais 0 menos 60 menos 4 menos 0 igual a menos 51.
Sarrus: repita as duas primeiras colunas, some os produtos das três diagonais que descem e subtraia os produtos das três que sobem. A regra só existe para ordem 3. Diagrama autoral.
Determinante de ordem 3 pela regra de Sarrus

Para A=(a11a12a13a21a22a23a31a32a33)A = \begin{pmatrix} a_{11} & a_{12} & a_{13} \\ a_{21} & a_{22} & a_{23} \\ a_{31} & a_{32} & a_{33} \end{pmatrix},

det⁡A=a11a22a33+a12a23a31+a13a21a32−a13a22a31−a11a23a32−a12a21a33.\det A = a_{11}a_{22}a_{33} + a_{12}a_{23}a_{31} + a_{13}a_{21}a_{32} - a_{13}a_{22}a_{31} - a_{11}a_{23}a_{32} - a_{12}a_{21}a_{33}.

Cada parcela usa exatamente um elemento de cada linha e um de cada coluna. As três primeiras são as diagonais “que descem” da matriz com as duas primeiras colunas repetidas; as três últimas, as “que sobem”. A regra não se estende à ordem 4 (um determinante 4×44 \times 4 tem 24 parcelas, e as diagonais dariam só 8) nem se aplica à ordem 2 (ali não há colunas a repetir: é só ad−bcad - bc).

Exemplo resolvido 2. M=(213041521)M = \begin{pmatrix} 2 & 1 & 3 \\ 0 & 4 & 1 \\ 5 & 2 & 1 \end{pmatrix}. Diagonais que descem: 2⋅4⋅1=82 \cdot 4 \cdot 1 = 8, 1⋅1⋅5=51 \cdot 1 \cdot 5 = 5, 3⋅0⋅2=03 \cdot 0 \cdot 2 = 0; soma 13. Diagonais que sobem: 3⋅4⋅5=603 \cdot 4 \cdot 5 = 60, 2⋅1⋅2=42 \cdot 1 \cdot 2 = 4, 1⋅0⋅1=01 \cdot 0 \cdot 1 = 0; soma 64. det⁡M=13−64=−51\det M = 13 - 64 = -51. Um determinante negativo é tão comum quanto um positivo; o sinal só diz a orientação das três linhas como vetores do espaço. A conferência vem na próxima seção, por outro caminho.

Dois hábitos evitam a maior parte dos erros de Sarrus. Escreva as seis parcelas antes de somar, cada uma com seu sinal, em vez de tentar fazer tudo de cabeça: uma troca de sinal numa parcela muda o resultado inteiro. E procure zeros: cada zero numa linha ou coluna anula duas das seis parcelas, e uma matriz com uma linha de zeros nem precisa de conta.

Laplace: o determinante por cofatores, para qualquer ordem

A regra de Sarrus é um atalho para a ordem 3. O método geral, que vale para toda ordem e explica a fórmula de ordem 2, é o desenvolvimento de Laplace: escolha uma linha (ou coluna) e some cada elemento dela multiplicado pelo seu cofator.

Menor, cofator e desenvolvimento de Laplace

O menor MijM_{ij} do elemento aija_{ij} é o determinante da matriz que sobra ao riscar a linha ii e a coluna jj. O cofator é o menor com um sinal que depende da posição:

Cij=(−1)i+jMij.C_{ij} = (-1)^{i + j} M_{ij}.

Os sinais formam um tabuleiro de xadrez, ++ no canto superior esquerdo: (+−+−+−+−+)\begin{pmatrix} + & - & + \\ - & + & - \\ + & - & + \end{pmatrix}. O determinante é a soma dos elementos de qualquer linha ou coluna multiplicados pelos seus cofatores. Pela linha ii:

det⁡A=ai1Ci1+ai2Ci2+⋯+ainCin.\det A = a_{i1} C_{i1} + a_{i2} C_{i2} + \cdots + a_{in} C_{in}.

O resultado é o mesmo para qualquer linha ou coluna escolhida; escolha a que tem mais zeros.

Exemplo resolvido 3: a mesma matriz MM por Laplace. A primeira coluna de MM tem um zero, então o desenvolvimento por ela tem só duas parcelas. det⁡M=2⋅C11+0⋅C21+5⋅C31\det M = 2 \cdot C_{11} + 0 \cdot C_{21} + 5 \cdot C_{31}. O menor M11M_{11} risca a linha 1 e a coluna 1: ∣4121∣=4−2=2\begin{vmatrix} 4 & 1 \\ 2 & 1 \end{vmatrix} = 4 - 2 = 2, e o sinal da posição (1,1)(1, 1) é ++, logo C11=2C_{11} = 2. O menor M31M_{31} risca a linha 3 e a coluna 1: ∣1341∣=1−12=−11\begin{vmatrix} 1 & 3 \\ 4 & 1 \end{vmatrix} = 1 - 12 = -11; a posição (3,1)(3, 1) tem sinal (−1)4=+(-1)^{4} = +, logo C31=−11C_{31} = -11. Então det⁡M=2⋅2+5⋅(−11)=4−55=−51\det M = 2 \cdot 2 + 5 \cdot (-11) = 4 - 55 = -51. O mesmo valor de Sarrus, por um caminho independente: é assim que se confere um determinante 3×33 \times 3 na prova.

Exemplo resolvido 4: uma ordem 4, onde Sarrus não serve. N=(1020310102101002)N = \begin{pmatrix} 1 & 0 & 2 & 0 \\ 3 & 1 & 0 & 1 \\ 0 & 2 & 1 & 0 \\ 1 & 0 & 0 & 2 \end{pmatrix}. A primeira linha tem dois zeros: det⁡N=1⋅C11+2⋅C13\det N = 1 \cdot C_{11} + 2 \cdot C_{13}. O menor M11M_{11} é ∣101210002∣\begin{vmatrix} 1 & 0 & 1 \\ 2 & 1 & 0 \\ 0 & 0 & 2 \end{vmatrix}; pela terceira linha (dois zeros), vale 2⋅(+1)∣1021∣=2⋅1=22 \cdot (+1)\begin{vmatrix} 1 & 0 \\ 2 & 1 \end{vmatrix} = 2 \cdot 1 = 2, e C11=+2C_{11} = +2. O menor M13M_{13} é ∣311020102∣\begin{vmatrix} 3 & 1 & 1 \\ 0 & 2 & 0 \\ 1 & 0 & 2 \end{vmatrix}; pela segunda linha, 2⋅(+1)∣3112∣=2⋅5=102 \cdot (+1)\begin{vmatrix} 3 & 1 \\ 1 & 2 \end{vmatrix} = 2 \cdot 5 = 10, e a posição (1,3)(1, 3) tem sinal ++, logo C13=10C_{13} = 10. det⁡N=1⋅2+2⋅10=22\det N = 1 \cdot 2 + 2 \cdot 10 = 22. Cada determinante de ordem 4 vira uma soma de determinantes de ordem 3, cada um deles uma soma de ordem 2; com zeros bem escolhidos, a conta fica curta.

Sarrus em 2×2 e em 4×4, e o sinal do cofator

Sarrus é uma regra de ordem 3 e só de ordem 3. Aplicada a uma matriz 2×22 \times 2, não há o que repetir (o determinante é ad−bcad - bc e pronto); aplicada a uma 4×44 \times 4, dá um número errado, porque faltam 16 das 24 parcelas. Para ordem 4 ou maior, Laplace ou escalonamento. O outro erro é esquecer o sinal de posição: o cofator de a12a_{12} é −M12-M_{12}, o de a23a_{23} é −M23-M_{23}, o de a31a_{31} é +M31+M_{31}. Quem usa o menor no lugar do cofator costuma errar numa só parcela, o que basta.

As propriedades que calculam por você

Quase nenhum item de prova pede um determinante grande feito na força. Pede-se, em geral, que se reconheça o que acontece com o determinante quando a matriz é alterada de um jeito simples. Cada propriedade abaixo é uma conta que você não precisa fazer.

Quatro painéis. No primeiro, a matriz 4, 1; 1, 3 com determinante 11 e, ao lado, a mesma com as linhas trocadas, 1, 3; 4, 1, com determinante menos 11, legenda trocar linhas muda o sinal. No segundo, a matriz 8, 2; 1, 3 com determinante 22, legenda uma linha vezes 2, determinante vezes 2. No terceiro, a matriz 4, 1; 8, 2 com determinante 0, legenda linhas proporcionais. No quarto, a matriz 8, 2; 2, 6, que é a matriz inteira vezes 2, com determinante 44, legenda a matriz inteira vezes 2, determinante vezes 2 ao quadrado.
As quatro propriedades mais cobradas, numa matriz 2×22 \times 2 em que todas se conferem à mão: troca de linhas, fator numa linha, linhas proporcionais e a matriz inteira multiplicada por um número. Diagrama autoral.
Propriedades dos determinantes (válidas em qualquer ordem n)
  1. Linha (ou coluna) nula: det⁡A=0\det A = 0.
  2. Duas linhas iguais ou proporcionais: det⁡A=0\det A = 0.
  3. Troca de duas linhas: o determinante muda de sinal.
  4. Fator comum numa linha: se uma linha é multiplicada por kk, o determinante é multiplicado por kk. (Logo um fator comum a toda uma linha pode ser posto para fora do determinante.)
  5. Matriz inteira multiplicada por kk: como todas as nn linhas são multiplicadas, det⁡(kA)=kndet⁡A\det(kA) = k^n \det A.
  6. Transposta: det⁡AT=det⁡A\det A^{\mathsf T} = \det A. Por isso tudo o que vale para linhas vale para colunas.
  7. Produto: det⁡(AB)=det⁡A⋅det⁡B\det(AB) = \det A \cdot \det B. Consequências: det⁡(A2)=(det⁡A)2\det(A^2) = (\det A)^2 e, se AA é inversível, det⁡(A−1)=1det⁡A\det(A^{-1}) = \dfrac{1}{\det A}.
  8. Matriz triangular (todos os elementos acima, ou todos abaixo, da diagonal principal são zero) e, em particular, diagonal: o determinante é o produto dos elementos da diagonal principal. det⁡In=1\det I_n = 1.
  9. Somar a uma linha um múltiplo de outra não altera o determinante (é a operação do escalonamento).

O que não vale: det⁡(A+B)\det(A + B) não é det⁡A+det⁡B\det A + \det B, e det⁡(kA)\det(kA) não é kdet⁡Ak \det A quando n>1n > 1.

Cada uma dessas regras tem uma leitura geométrica no caso 2×22 \times 2. Linhas proporcionais são vetores na mesma reta (área zero). Trocar as linhas inverte a orientação (sinal). Multiplicar uma linha por kk estica um lado do paralelogramo (área vezes kk). Multiplicar a matriz inteira por kk estica os dois lados (área vezes k2k^2); em ordem 3, as três arestas de um paralelepípedo (volume vezes k3k^3). Somar a uma linha um múltiplo da outra desliza um lado paralelamente ao outro, o que não muda a altura nem a área.

Dois painéis. À esquerda, um paralelogramo pequeno de área 11 formado pelos vetores (4, 1) e (1, 3) e, sobreposto, o paralelogramo formado por (8, 2) e (2, 6), com área 44, quatro vezes maior, com a legenda n igual a 2, fator k ao quadrado. À direita, um paralelepípedo esquemático e outro com as três arestas dobradas, de volume 8 vezes maior, com a legenda n igual a 3, fator k ao cubo, e a conta det(2A) igual a 8 vezes det A.
Dobrar a matriz dobra cada linha. Em ordem 2, a área fica 22=42^2 = 4 vezes maior; em ordem 3, o volume fica 23=82^3 = 8 vezes maior. O expoente conta as linhas multiplicadas, uma por dimensão, e não as entradas da matriz. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 5: três propriedades de uma vez. Calcule ∣246135112∣\begin{vmatrix} 2 & 4 & 6 \\ 1 & 3 & 5 \\ 1 & 1 & 2 \end{vmatrix}. A primeira linha tem fator comum 2 (propriedade 4): o determinante é 2∣123135112∣2 \begin{vmatrix} 1 & 2 & 3 \\ 1 & 3 & 5 \\ 1 & 1 & 2 \end{vmatrix}. Agora subtraia a primeira linha das outras duas (propriedade 9, que não altera nada): 2∣1230120−1−1∣2 \begin{vmatrix} 1 & 2 & 3 \\ 0 & 1 & 2 \\ 0 & -1 & -1 \end{vmatrix}. Pela primeira coluna (Laplace com dois zeros): 2⋅1⋅∣12−1−1∣=2⋅(−1+2)=22 \cdot 1 \cdot \begin{vmatrix} 1 & 2 \\ -1 & -1 \end{vmatrix} = 2 \cdot (-1 + 2) = 2. Conferência por Sarrus na matriz original: 2⋅3⋅2+4⋅5⋅1+6⋅1⋅1−6⋅3⋅1−2⋅5⋅1−4⋅1⋅2=12+20+6−18−10−8=22 \cdot 3 \cdot 2 + 4 \cdot 5 \cdot 1 + 6 \cdot 1 \cdot 1 - 6 \cdot 3 \cdot 1 - 2 \cdot 5 \cdot 1 - 4 \cdot 1 \cdot 2 = 12 + 20 + 6 - 18 - 10 - 8 = 2. O caminho das propriedades é o mesmo do escalonamento: zerar a primeira coluna abaixo do pivô e reduzir a ordem.

Exemplo resolvido 6: o determinante que é zero sem conta. ∣123456789∣\begin{vmatrix} 1 & 2 & 3 \\ 4 & 5 & 6 \\ 7 & 8 & 9 \end{vmatrix}. As linhas são progressões aritméticas, e a terceira é 2⋅(4,5,6)−(1,2,3)2 \cdot (4, 5, 6) - (1, 2, 3): combinação das outras duas. Subtraindo da terceira linha o dobro da segunda e somando a primeira (propriedade 9), ela vira (0,0,0)(0, 0, 0), e o determinante é zero pela propriedade 1. Sarrus confirma: 45+84+96−105−48−72=045 + 84 + 96 - 105 - 48 - 72 = 0. Sempre que uma linha for soma, diferença ou múltiplo de outras, o determinante é zero, e isso é exatamente o que “as equações não são independentes” quer dizer na linguagem dos sistemas.

Exemplo resolvido 7: o item de resposta numérica de 2025, com outra matriz. Se AA é de ordem 3 e det⁡A=21\det A = 21, quanto vale det⁡(2A)\det(2A)? Pela propriedade 5, det⁡(2A)=23⋅21=168\det(2A) = 2^3 \cdot 21 = 168. Se a matriz fosse de ordem 2, seria 22⋅21=842^2 \cdot 21 = 84; de ordem 4, 24⋅21=3362^4 \cdot 21 = 336. E se só uma linha fosse dobrada, o determinante seria 4242, pela propriedade 4. O item 85 do PAS 3 de 2025 foi este molde com det⁡A=39\det A = 39 e resposta 312; quem aplicou a propriedade 4 no lugar da 5 chegou a 78. Numa resposta numérica ninguém mostra as duas opções lado a lado, então a defesa tem de vir antes da conta: contar as linhas da matriz e multiplicar uma vez por linha.

det(kA) = k·det A e det(A + B) = det A + det B

A primeira igualdade só vale para n=1n = 1. Para uma matriz 3×33 \times 3 multiplicada por 2, o determinante fica 8 vezes maior; por 3, 27 vezes; por −1-1, (−1)3=−1(-1)^3 = -1 vezes (o determinante troca de sinal). Para uma 2×22 \times 2 multiplicada por −1-1, o determinante não muda ((−1)2=1(-1)^2 = 1). A segunda igualdade nunca é regra: det⁡(1001)+det⁡(−100−1)=1+1=2\det \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 0 & 1 \end{pmatrix} + \det \begin{pmatrix} -1 & 0 \\ 0 & -1 \end{pmatrix} = 1 + 1 = 2, mas a soma das matrizes é a matriz nula, de determinante 0. O determinante é multiplicativo (produto), não aditivo.

Um número com dois pais e um nome emprestado

A ideia de eliminar incógnitas por um número calculado a partir dos coeficientes apareceu quase ao mesmo tempo em dois lugares que não se falavam: o japonês Seki Takakazu publicou em 1683 um método com tabelas de coeficientes, e Gottfried Leibniz descreveu em 1693, numa carta ao Marquês de l’Hôpital, a condição para que três equações lineares em duas incógnitas fossem compatíveis, que é um determinante 3×33 \times 3 igual a zero. A palavra “determinante” é de Gauss (1801), para outro objeto; Cauchy a adotou em 1812 no sentido atual e provou a regra do produto. A regra das diagonais para ordem 3 é de Pierre Frédéric Sarrus (1833), e a de Cramer, de Gabriel Cramer (1750), que a publicou num apêndice sobre curvas algébricas.

Inversível ou não: o determinante responde

Uma matriz quadrada AA é inversível quando existe A−1A^{-1} com A⋅A−1=IA \cdot A^{-1} = I. Aplicando a regra do produto a essa igualdade, det⁡A⋅det⁡A−1=det⁡I=1\det A \cdot \det A^{-1} = \det I = 1. Logo, se a inversa existe, det⁡A\det A não pode ser zero (zero vezes qualquer coisa nunca dá 1), e det⁡A−1=1det⁡A\det A^{-1} = \frac{1}{\det A}. A recíproca também vale, e é a razão de ser do determinante nos itens de prova.

Inversibilidade e a inversa 2×2

AA é inversível se, e somente se, det⁡A≠0\det A \neq 0. Nesse caso, det⁡(A−1)=1det⁡A\det(A^{-1}) = \dfrac{1}{\det A}. Para ordem 2,

A=(abcd)⟹A−1=1ad−bc(d−b−ca).A = \begin{pmatrix} a & b \\ c & d \end{pmatrix} \quad \Longrightarrow \quad A^{-1} = \frac{1}{ad - bc} \begin{pmatrix} d & -b \\ -c & a \end{pmatrix}.

A matriz entre parênteses é a adjunta de AA (a transposta da matriz dos cofatores: C11=dC_{11} = d, C12=−cC_{12} = -c, C21=−bC_{21} = -b, C22=aC_{22} = a). Em qualquer ordem vale A−1=1det⁡Aadj⁡AA^{-1} = \frac{1}{\det A} \operatorname{adj} A, mas a banca não pede a inversa 3×33 \times 3 por esse caminho; pede só se ela existe.

Exemplo resolvido 8. A=(4113)A = \begin{pmatrix} 4 & 1 \\ 1 & 3 \end{pmatrix} tem det⁡A=11≠0\det A = 11 \neq 0, logo é inversível, e A−1=111(3−1−14)A^{-1} = \frac{1}{11} \begin{pmatrix} 3 & -1 \\ -1 & 4 \end{pmatrix}. Conferência: A⋅A−1=111(12−1−4+43−3−1+12)=111(110011)=IA \cdot A^{-1} = \frac{1}{11} \begin{pmatrix} 12 - 1 & -4 + 4 \\ 3 - 3 & -1 + 12 \end{pmatrix} = \frac{1}{11} \begin{pmatrix} 11 & 0 \\ 0 & 11 \end{pmatrix} = I. E det⁡A−1=1121(12−1)=111\det A^{-1} = \frac{1}{121}(12 - 1) = \frac{1}{11}, como a regra manda. Já B=(4623)B = \begin{pmatrix} 4 & 6 \\ 2 & 3 \end{pmatrix} tem det⁡B=12−12=0\det B = 12 - 12 = 0: não é inversível, e a receita da adjunta pediria uma divisão por zero.

Exemplo resolvido 9: a matriz das compras (PAS 2 2013, item 108). O caderno trouxe uma tabela com os pacotes de café, arroz e açúcar comprados em três meses, A=(321210211)A = \begin{pmatrix} 3 & 2 & 1 \\ 2 & 1 & 0 \\ 2 & 1 & 1 \end{pmatrix}, e o item afirmou: “a matriz AA é inversível”. Pela terceira coluna, que tem um zero: det⁡A=1⋅C13+0+1⋅C33\det A = 1 \cdot C_{13} + 0 + 1 \cdot C_{33}. C13=+∣2121∣=0C_{13} = +\begin{vmatrix} 2 & 1 \\ 2 & 1 \end{vmatrix} = 0 (linhas iguais) e C33=+∣3221∣=3−4=−1C_{33} = +\begin{vmatrix} 3 & 2 \\ 2 & 1 \end{vmatrix} = 3 - 4 = -1. det⁡A=−1≠0\det A = -1 \neq 0: inversível, certo. Conferência por Sarrus: 3+0+2−2−0−4=−13 + 0 + 2 - 2 - 0 - 4 = -1. Repare que a prova não pediu a inversa, só a sua existência; é sempre assim com ordem 3.

A mesma pergunta aparece disfarçada de outras maneiras: “o sistema A⋅X=BA \cdot X = B tem solução única” (sim, se AA é inversível, e a solução é X=A−1BX = A^{-1} B); “as colunas de AA são independentes”; “o sistema homogêneo A⋅X=0A \cdot X = 0 só tem a solução nula”. Todas são a frase det⁡A≠0\det A \neq 0 em outra roupa.

Regra de Cramer: cada incógnita é uma razão de determinantes

Resolva o sistema ax+by=eax + by = e, cx+dy=fcx + dy = f por adição: multiplique a primeira por dd, a segunda por bb e subtraia. O yy some e fica (ad−bc)x=ed−bf(ad - bc)x = ed - bf. O coeficiente de xx é det⁡A\det A, e o lado direito é o determinante da matriz em que a coluna de xx foi trocada pela coluna dos termos independentes: ∣ebfd∣=ed−bf\begin{vmatrix} e & b \\ f & d \end{vmatrix} = ed - bf. Da mesma forma, eliminando xx, (ad−bc)y=af−ce=∣aecf∣(ad - bc)y = af - ce = \begin{vmatrix} a & e \\ c & f \end{vmatrix}. É a regra de Cramer, e ela vale em qualquer ordem.

Esquema da regra de Cramer para o sistema 2x + 3y = 8, x − y = −1. À esquerda, a matriz A dos coeficientes, 2, 3; 1, −1, com determinante −5. No meio, a matriz A x, em que a primeira coluna foi substituída pela coluna 8, −1, destacada em laranja, com determinante −5, e a razão x = −5 dividido por −5 = 1. À direita, a matriz A y, em que a segunda coluna foi substituída pela coluna 8, −1, destacada em laranja, com determinante −10, e a razão y = −10 dividido por −5 = 2. Embaixo, a conferência 2 mais 6 igual a 8 e 1 menos 2 igual a menos 1.
Regra de Cramer: a incógnita jj é o determinante da matriz com a coluna jj trocada pelos termos independentes, dividido pelo determinante da matriz dos coeficientes. Só vale quando det⁡A≠0\det A \neq 0. Diagrama autoral.
Regra de Cramer

Para um sistema A⋅X=BA \cdot X = B com nn equações, nn incógnitas e det⁡A≠0\det A \neq 0, a incógnita xjx_j vale

xj=det⁡Ajdet⁡A,x_j = \frac{\det A_j}{\det A},

em que AjA_j é a matriz AA com a coluna jj substituída pela coluna BB dos termos independentes. Se det⁡A=0\det A = 0, a regra não se aplica: o sistema não tem solução única (é indeterminado ou impossível), e a decisão fica com o escalonamento.

Exemplo resolvido 10: um 2×2. 2x+3y=82x + 3y = 8 e x−y=−1x - y = -1. det⁡A=∣231−1∣=−2−3=−5\det A = \begin{vmatrix} 2 & 3 \\ 1 & -1 \end{vmatrix} = -2 - 3 = -5. det⁡Ax=∣83−1−1∣=−8+3=−5\det A_x = \begin{vmatrix} 8 & 3 \\ -1 & -1 \end{vmatrix} = -8 + 3 = -5, logo x=−5−5=1x = \frac{-5}{-5} = 1. det⁡Ay=∣281−1∣=−2−8=−10\det A_y = \begin{vmatrix} 2 & 8 \\ 1 & -1 \end{vmatrix} = -2 - 8 = -10, logo y=−10−5=2y = \frac{-10}{-5} = 2. Conferência: 2+6=82 + 6 = 8 e 1−2=−11 - 2 = -1.

Exemplo resolvido 11: um 3×3.

{x+y+z=43x−y+z=10x+2y−2z=−6,A=(1113−1112−2),B=(410−6).\begin{cases} x + y + z = 4 \\ 3x - y + z = 10 \\ x + 2y - 2z = -6 \end{cases}, \qquad A = \begin{pmatrix} 1 & 1 & 1 \\ 3 & -1 & 1 \\ 1 & 2 & -2 \end{pmatrix}, \quad B = \begin{pmatrix} 4 \\ 10 \\ -6 \end{pmatrix}.

Pela primeira linha: det⁡A=1⋅(2−2)−1⋅(−6−1)+1⋅(6+1)=0+7+7=14\det A = 1 \cdot (2 - 2) - 1 \cdot (-6 - 1) + 1 \cdot (6 + 1) = 0 + 7 + 7 = 14. Diferente de zero: Cramer se aplica. Troque a primeira coluna por BB: det⁡Ax=∣41110−11−62−2∣=4(2−2)−1(−20+6)+1(20−6)=0+14+14=28\det A_x = \begin{vmatrix} 4 & 1 & 1 \\ 10 & -1 & 1 \\ -6 & 2 & -2 \end{vmatrix} = 4(2 - 2) - 1(-20 + 6) + 1(20 - 6) = 0 + 14 + 14 = 28, logo x=2x = 2. Troque a segunda: det⁡Ay=∣14131011−6−2∣=1(−20+6)−4(−6−1)+1(−18−10)=−14+28−28=−14\det A_y = \begin{vmatrix} 1 & 4 & 1 \\ 3 & 10 & 1 \\ 1 & -6 & -2 \end{vmatrix} = 1(-20 + 6) - 4(-6 - 1) + 1(-18 - 10) = -14 + 28 - 28 = -14, logo y=−1y = -1. Troque a terceira: det⁡Az=∣1143−11012−6∣=1(6−20)−1(−18−10)+4(6+1)=−14+28+28=42\det A_z = \begin{vmatrix} 1 & 1 & 4 \\ 3 & -1 & 10 \\ 1 & 2 & -6 \end{vmatrix} = 1(6 - 20) - 1(-18 - 10) + 4(6 + 1) = -14 + 28 + 28 = 42, logo z=3z = 3. Conferência na segunda equação: 6+1+3=106 + 1 + 3 = 10; na terceira: 2−2−6=−62 - 2 - 6 = -6. Quatro determinantes 3×33 \times 3 para três incógnitas: Cramer é cômodo quando só uma incógnita interessa (um item que afirma “zz é maior que 2” pede só det⁡A\det A e det⁡Az\det A_z) e trabalhoso quando se quer a solução inteira, caso em que o escalonamento costuma ser mais curto.

Quando usar cada método, então? Cramer quando o sistema é 2×22 \times 2, quando há um parâmetro nos coeficientes (o determinante vira uma expressão no parâmetro, e a discussão fica imediata) ou quando se quer uma única incógnita de um 3×33 \times 3. Escalonamento quando se quer todas as incógnitas, quando o sistema é maior que 3×33 \times 3 ou quando det⁡A=0\det A = 0 e é preciso decidir entre indeterminado e impossível.

Classificar pelo determinante: det ≠ 0 é determinado; det = 0 é o resto

A regra de Cramer carrega a classificação dentro dela. Se det⁡A≠0\det A \neq 0, cada incógnita tem um valor e só um: o sistema é possível e determinado. Se det⁡A=0\det A = 0, a fórmula divide por zero, e isso quer dizer que as equações não são independentes: alguma linha de AA é combinação das outras. Nesse caso o sistema é possível e indeterminado (se os termos independentes respeitam a mesma combinação) ou impossível (se a contradizem), e o determinante não distingue os dois casos.

Fluxograma. No topo, a caixa sistema A X = B, n equações e n incógnitas. Primeira decisão: det A é diferente de zero? Se sim, seta verde para a caixa possível e determinado, solução única, Cramer ou escalonamento. Se não, seta para a caixa escalonar: aparece uma linha 0 = 0 ou uma linha 0 = k? Dois ramos: linha 0 = 0 leva a possível e indeterminado, infinitas soluções; linha 0 = k com k diferente de 0 leva a impossível. Um ramo à parte: se B é a coluna nula, sistema homogêneo, det diferente de zero dá só a solução nula e det igual a zero dá infinitas soluções, inclusive não nulas.
O determinante decide o primeiro degrau da classificação. Quando ele é zero, o sistema não é determinado, mas só o escalonamento diz se é indeterminado ou impossível; no homogêneo, zero significa infinitas soluções. Diagrama autoral.
Classificação de um sistema n×n pelo determinante
  • det⁡A≠0\det A \neq 0: SPD, solução única, para qualquer coluna BB.
  • det⁡A=0\det A = 0: SPI ou SI, nunca determinado. Para decidir, escalone: linha 0=00 = 0 é indeterminado; linha 0=k0 = k com k≠0k \neq 0 é impossível.
  • Sistema homogêneo (B=0B = 0): a solução nula (0,0,…,0)(0, 0, \ldots, 0) sempre existe, então ele nunca é impossível. det⁡A≠0\det A \neq 0 significa que a solução nula é a única; det⁡A=0\det A = 0 significa infinitas soluções, inclusive não nulas.

Exemplo resolvido 12: os dois destinos do determinante zero. x+2y=3x + 2y = 3 e 2x+4y=62x + 4y = 6: det⁡A=4−4=0\det A = 4 - 4 = 0. A segunda equação é o dobro da primeira, inclusive no termo independente: linha 0=00 = 0, indeterminado, infinitas soluções (toda a reta x+2y=3x + 2y = 3). Troque o 6 por 7: det⁡A\det A continua zero, mas o dobro da primeira equação diz 2x+4y=62x + 4y = 6 e a segunda diz 7: linha 0=10 = 1, impossível. Mesma matriz, mesmo determinante, respostas opostas. É por isso que “det⁡A=0\det A = 0, logo o sistema é impossível” é uma frase falsa, e a banca sabe disso.

Exemplo resolvido 13: o sistema homogêneo dos aparelhos elétricos (PAS 2 2008, item 89). A tabela do caderno registrava quantas horas cada um de três aparelhos ficou ligado em cada mês, A=(8510410152010)A = \begin{pmatrix} 8 & 5 & 10 \\ 4 & 10 & 15 \\ 2 & 0 & 10 \end{pmatrix}, e o item afirmou que o sistema homogêneo com essa matriz “possui solução (x0,y0,z0)(x_0, y_0, z_0) em que x0≠0x_0 \neq 0”. Pela terceira linha, que tem um zero: det⁡A=2⋅(+1)∣5101015∣+0+10⋅(+1)∣85410∣=2(75−100)+10(80−20)=−50+600=550\det A = 2 \cdot (+1)\begin{vmatrix} 5 & 10 \\ 10 & 15 \end{vmatrix} + 0 + 10 \cdot (+1)\begin{vmatrix} 8 & 5 \\ 4 & 10 \end{vmatrix} = 2(75 - 100) + 10(80 - 20) = -50 + 600 = 550. Diferente de zero: a única solução do homogêneo é a nula, com x0=0x_0 = 0. Errado. Não foi preciso resolver sistema nenhum; o determinante respondeu sozinho. (Com uma linha em comum, o item anterior do mesmo bloco, que dizia que os consumos saíam de A⋅X=BA \cdot X = B, estava certo pelo mesmo motivo: det⁡A≠0\det A \neq 0 garante solução única para qualquer BB.)

Exemplo resolvido 14: um parâmetro na matriz. Para que valores de mm o sistema x+y+z=1x + y + z = 1, x+2y+3z=2x + 2y + 3z = 2, x+4y+mz=3x + 4y + mz = 3 é determinado? Pela primeira linha, det⁡A=1(2m−12)−1(m−3)+1(4−2)=2m−12−m+3+2=m−7\det A = 1(2m - 12) - 1(m - 3) + 1(4 - 2) = 2m - 12 - m + 3 + 2 = m - 7. Para m≠7m \neq 7, SPD. Para m=7m = 7, o determinante é zero e é preciso olhar o sistema: subtraindo a primeira equação das outras, y+2z=1y + 2z = 1 e 3y+6z=23y + 6z = 2; a segunda é o triplo da primeira no lado esquerdo e não no direito (3≠23 \neq 2): impossível. Então o sistema é determinado para todo m≠7m \neq 7 e impossível para m=7m = 7; não há valor de mm que o torne indeterminado. Conferência de det⁡A\det A com m=7m = 7 por Sarrus: 14+3+4−2−12−7=014 + 3 + 4 - 2 - 12 - 7 = 0.

Exemplo resolvido 15: o depósito de carvão (PAS 2 2015, item 98). As três negociações do texto davam 3x+4y+5z=1483x + 4y + 5z = 148, 2x+7y+2z=1662x + 7y + 2z = 166 e 4x−Cy+7z=684x - Cy + 7z = 68 (CC toneladas devolvidas entram com sinal negativo), e o item afirmou: “independentemente do valor positivo de CC, o sistema será sempre possível e determinado”. A matriz dos coeficientes é (3452724−C7)\begin{pmatrix} 3 & 4 & 5 \\ 2 & 7 & 2 \\ 4 & -C & 7 \end{pmatrix}, e pela primeira linha: det⁡A=3(49+2C)−4(14−8)+5(−2C−28)=147+6C−24−10C−140=−17−4C\det A = 3(49 + 2C) - 4(14 - 8) + 5(-2C - 28) = 147 + 6C - 24 - 10C - 140 = -17 - 4C. Esse número só é zero para C=−174C = -\frac{17}{4}, que é negativo. Para todo C>0C > 0, det⁡A=−17−4C<0≠0\det A = -17 - 4C < 0 \neq 0: SPD, certo. Veja o que o determinante poupou: em vez de escalonar com uma letra dentro e discutir a última linha, bastou uma expressão do primeiro grau em CC e a pergunta “ela se anula para algum CC positivo?”.

"det = 0, logo impossível" e "det ≠ 0, logo tem solução não nula"

As duas frases invertem o que o determinante diz. Determinante zero exclui a solução única, mas deixa dois destinos (indeterminado ou impossível), e só o escalonamento escolhe. Determinante diferente de zero num sistema homogêneo não “garante solução”: garante que a única solução é a nula; o item de 2008 foi escrito para quem lê “tem solução” como “tem solução interessante”. Antes de julgar, escreva a frase completa: det⁡A≠0\det A \neq 0 equivale a “uma e só uma solução, seja qual for BB”; det⁡A=0\det A = 0 equivale a “ou nenhuma ou infinitas”.

Vandermonde: por que três pontos de abscissas distintas determinam a parábola

Uma parábola y=ax2+bx+cy = ax^2 + bx + c que passa por (x0,y0)(x_0, y_0), (x1,y1)(x_1, y_1) e (x2,y2)(x_2, y_2) obedece a três equações lineares em aa, bb, cc, uma por ponto: axi2+bxi+c=yia x_i^2 + b x_i + c = y_i. A matriz dos coeficientes é V=(x02x01x12x11x22x21)V = \begin{pmatrix} x_0^2 & x_0 & 1 \\ x_1^2 & x_1 & 1 \\ x_2^2 & x_2 & 1 \end{pmatrix}, chamada de matriz de Vandermonde, e a pergunta “existe uma única parábola?” é a pergunta “det⁡V≠0\det V \neq 0?”. O PAS 2 de 2021 fez exatamente essa pergunta no item 59, com x0<x1<x2x_0 < x_1 < x_2, e a resposta é sim.

Para ver por quê, calcule det⁡V\det V com as propriedades. Subtraia a primeira linha das outras duas (propriedade 9): as duas novas linhas ficam (x12−x02, x1−x0, 0)(x_1^2 - x_0^2,\ x_1 - x_0,\ 0) e (x22−x02, x2−x0, 0)(x_2^2 - x_0^2,\ x_2 - x_0,\ 0). Desenvolva pela terceira coluna, que agora só tem o 1 da primeira linha, com sinal (−1)1+3=+(-1)^{1+3} = +:

det⁡V=∣x12−x02x1−x0x22−x02x2−x0∣.\det V = \begin{vmatrix} x_1^2 - x_0^2 & x_1 - x_0 \\ x_2^2 - x_0^2 & x_2 - x_0 \end{vmatrix}.

Cada linha tem um fator comum (propriedade 4): x1−x0x_1 - x_0 na primeira, x2−x0x_2 - x_0 na segunda, porque x12−x02=(x1−x0)(x1+x0)x_1^2 - x_0^2 = (x_1 - x_0)(x_1 + x_0). Então

det⁡V=(x1−x0)(x2−x0)∣x1+x01x2+x01∣=(x1−x0)(x2−x0)(x1−x2).\det V = (x_1 - x_0)(x_2 - x_0) \begin{vmatrix} x_1 + x_0 & 1 \\ x_2 + x_0 & 1 \end{vmatrix} = (x_1 - x_0)(x_2 - x_0)(x_1 - x_2).

Um produto de diferenças entre as abscissas, duas a duas. Ele é zero se, e só se, duas abscissas coincidem. Com x0<x1<x2x_0 < x_1 < x_2, as três diferenças são não nulas e det⁡V≠0\det V \neq 0: certo, e a parábola é única. Conferência com números: para x0=1x_0 = 1, x1=2x_1 = 2, x2=4x_2 = 4, a fórmula dá (2−1)(4−1)(2−4)=1⋅3⋅(−2)=−6(2 - 1)(4 - 1)(2 - 4) = 1 \cdot 3 \cdot (-2) = -6, e Sarrus na matriz (1114211641)\begin{pmatrix} 1 & 1 & 1 \\ 4 & 2 & 1 \\ 16 & 4 & 1 \end{pmatrix} dá 2+16+16−32−4−4=−62 + 16 + 16 - 32 - 4 - 4 = -6.

O caso que falha é instrutivo. Se dois pontos têm a mesma abscissa, como (1,2)(1, 2) e (1,5)(1, 5), duas linhas de VV ficam iguais, det⁡V=0\det V = 0, e de fato nenhuma função passa por dois pontos de mesma abscissa com ordenadas diferentes: o sistema é impossível. Se os dois pontos fossem iguais, o sistema seria indeterminado (infinitas parábolas pelos dois pontos restantes). O determinante avisa que algo deu errado; o sistema diz o quê. A resolução do sistema em aa, bb, cc por escalonamento, com números, está na página de sistemas lineares; o uso da parábola obtida, na de função quadrática.

Determinante e geometria: três pontos alinhados e a área do triângulo

A matriz de Vandermonde tem uma prima mais simples, com as coordenadas de três pontos e uma coluna de uns, que resolve duas perguntas clássicas do plano cartesiano.

Alinhamento e área por determinante

Para A(xA,yA)A(x_A, y_A), B(xB,yB)B(x_B, y_B) e C(xC,yC)C(x_C, y_C), seja

D=∣xAyA1xByB1xCyC1∣.D = \begin{vmatrix} x_A & y_A & 1 \\ x_B & y_B & 1 \\ x_C & y_C & 1 \end{vmatrix}.

Os três pontos estão alinhados se, e somente se, D=0D = 0. Se não estão, a área do triângulo ABCABC é 12∣D∣\frac{1}{2}|D|. O sinal de DD diz se A→B→CA \to B \to C percorre o triângulo no sentido anti-horário (positivo) ou horário (negativo).

A razão é a mesma do 2×22 \times 2. Subtraindo a primeira linha das outras duas, DD vira o determinante 2×22 \times 2 dos vetores AB⃗=(xB−xA,yB−yA)\vec{AB} = (x_B - x_A, y_B - y_A) e AC⃗=(xC−xA,yC−yA)\vec{AC} = (x_C - x_A, y_C - y_A), que é a área do paralelogramo formado por eles; o triângulo é a metade, e o paralelogramo degenera (área zero) exatamente quando AB⃗\vec{AB} e AC⃗\vec{AC} têm a mesma direção, isto é, quando CC está na reta ABAB.

Dois painéis com plano cartesiano. À esquerda, os pontos A(1, 1), B(3, 2) e C(7, 4) sobre uma mesma reta tracejada, com o determinante das coordenadas calculado igual a 0 e o rótulo alinhados. À direita, os pontos A(1, 1), B(3, 2) e C(5, 6) formando um triângulo preenchido em azul claro, com o determinante igual a 6 e a área igual a metade de 6, que é 3.
Com uma coluna de uns ao lado das coordenadas, o determinante 3×33 \times 3 é zero quando os três pontos estão na mesma reta e, caso contrário, vale o dobro da área do triângulo. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 16. A(1,1)A(1, 1), B(3,2)B(3, 2), C(7,4)C(7, 4) estão alinhados? D=∣111321741∣=1(2−4)−1(3−7)+1(12−14)=−2+4−2=0D = \begin{vmatrix} 1 & 1 & 1 \\ 3 & 2 & 1 \\ 7 & 4 & 1 \end{vmatrix} = 1(2 - 4) - 1(3 - 7) + 1(12 - 14) = -2 + 4 - 2 = 0. Sim. Conferência pela inclinação: de AA a BB, 2−13−1=12\frac{2 - 1}{3 - 1} = \frac{1}{2}; de AA a CC, 4−17−1=12\frac{4 - 1}{7 - 1} = \frac{1}{2}. Troque CC por C′(5,6)C'(5, 6): D=1(2−6)−1(3−5)+1(18−10)=−4+2+8=6D = 1(2 - 6) - 1(3 - 5) + 1(18 - 10) = -4 + 2 + 8 = 6, os pontos não estão alinhados e a área do triângulo ABC′ABC' é 62=3\frac{6}{2} = 3. Conferência: os vetores AB⃗=(2,1)\vec{AB} = (2, 1) e AC′⃗=(4,5)\vec{AC'} = (4, 5) dão ∣2145∣=10−4=6\begin{vmatrix} 2 & 1 \\ 4 & 5 \end{vmatrix} = 10 - 4 = 6, o mesmo número.

Exemplo resolvido 17: um ponto desconhecido. Para que valor de kk os pontos (2,1)(2, 1), (4,5)(4, 5) e (k,9)(k, 9) estão alinhados? D=∣211451k91∣=2(5−9)−1(4−k)+1(36−5k)=−8−4+k+36−5k=24−4kD = \begin{vmatrix} 2 & 1 & 1 \\ 4 & 5 & 1 \\ k & 9 & 1 \end{vmatrix} = 2(5 - 9) - 1(4 - k) + 1(36 - 5k) = -8 - 4 + k + 36 - 5k = 24 - 4k. D=0D = 0 dá k=6k = 6. Conferência: a reta por (2,1)(2, 1) e (4,5)(4, 5) tem inclinação 2 e equação y=2x−3y = 2x - 3; em x=6x = 6, y=9y = 9. Para k=8k = 8, por exemplo, D=24−32=−8D = 24 - 32 = -8, e o triângulo tem área 4.

Onde o determinante trabalha

Um programa de desenho vetorial guarda cada ampliação, giro ou espelhamento de uma figura como uma matriz 2×22 \times 2; o módulo do determinante é o fator pelo qual as áreas foram multiplicadas, e o sinal negativo avisa que a figura foi espelhada. Um simulador de circuitos, antes de resolver o sistema das correntes, testa se o determinante da matriz é zero: se for, a rede está mal especificada (um laço sem resistência, por exemplo) e não há solução única. Em cartografia, cada projeção distorce áreas de um modo que varia de ponto a ponto, e a distorção local é um determinante (o jacobiano da transformação). Em todos os casos, o número mede a mesma coisa que no paralelogramo: quanto uma região é esticada ou achatada.

Como a banca pergunta

Os seis itens reais desta página (cinco do PAS 2 e o de 2025 do PAS 3) cabem em quatro moldes, e cada um tem uma defesa própria.

  1. Determinante como equação do primeiro grau (tipo A). “Se det⁡A=−12\det A = -\frac{1}{2}, então x<3x < 3” (2023/61, E; x=3,75x = 3{,}75). Escreva ad−bcad - bc, iguale ao valor e isole; o limiar fica perto do valor certo de propósito.
  2. Existência: inversível, SPD, só a solução nula (tipo A). “A matriz AA é inversível” (2013/108, C; det⁡A=−1\det A = -1); “o sistema será sempre SPD para todo C>0C > 0” (2015/98, C; det⁡A=−17−4C\det A = -17 - 4C); “o homogêneo tem solução com x0≠0x_0 \neq 0” (2008/89, E; det⁡A=550\det A = 550); “o determinante de Vandermonde é não nulo” (2021/59, C). A pergunta é sempre det⁡A≠0\det A \neq 0; calcule o determinante, com Laplace pela linha de mais zeros, e traduza.
  3. Propriedade embutida num número (tipo B). “Calcule o determinante de 2A2A” (2025/85, 312). Dois passos: o determinante da matriz impressa e a propriedade knk^n. O erro previsto pela banca é usar k1k^1, e nenhuma alternativa impressa o denuncia.
  4. A matriz impressa no texto-base, com o item dependendo dela. A tabela de 2013, a tabela de horas de 2008, a matriz de Vandermonde de 2021 e a matriz AA de 2025 foram impressas no caderno; o item só faz sentido com a matriz à vista. Antes de julgar, copie a matriz para o rascunho conferindo linha a linha, porque uma entrada trocada muda o determinante e o gabarito.

O formato que a 3.ª etapa reserva ao assunto é o tipo B: um número inteiro de até três dígitos, com a instrução de desprezar a parte fracionária. Determinantes de ordem 3 com entradas pequenas e uma propriedade por cima (kAkA, ATA^{\mathsf T}, troca de linhas, ABAB) cabem nesse molde; áreas de triângulos e paralelogramos, multiplicadas por 10 ou 100 para virar inteiro, também. A mecânica é a mesma de qualquer item B: calcule exato, aplique a multiplicação pedida, só então despreze a fração.

Os erros que mais derrubam

  • Sarrus fora da ordem 3. Em 2×22 \times 2 é só ad−bcad - bc; em 4×44 \times 4 Sarrus dá um número errado. Laplace vale sempre.
  • Esquecer o sinal do cofator. Cij=(−1)i+jMijC_{ij} = (-1)^{i+j} M_{ij}: tabuleiro de xadrez com ++ no canto superior esquerdo.
  • det⁡(kA)=kdet⁡A\det(kA) = k \det A. É kndet⁡Ak^n \det A. Dobrar uma 3×33 \times 3 multiplica o determinante por 8 (2025/85). Só uma linha dobrada multiplica por 2.
  • Trocar linhas sem trocar o sinal. Cada troca inverte o sinal; duas trocas devolvem o original.
  • Somar determinantes de matrizes somadas. det⁡(A+B)≠det⁡A+det⁡B\det(A + B) \neq \det A + \det B. O determinante é multiplicativo: det⁡(AB)=det⁡Adet⁡B\det(AB) = \det A \det B.
  • “det = 0, logo impossível.” Zero só exclui a solução única; indeterminado ou impossível é decisão do escalonamento.
  • “det ≠ 0, logo o homogêneo tem solução não nula.” É o contrário: só a nula (2008/89).
  • Usar Cramer com det⁡A=0\det A = 0. A fórmula divide por zero; a regra não se aplica.
  • Errar a coluna trocada em Cramer. AjA_j troca a coluna jj (a da incógnita que se quer) pela coluna BB, não a linha.
  • Perder sinal em entradas negativas no Sarrus. Escreva as seis parcelas com sinal antes de somar; confira por Laplace.
  • Esquecer a metade na área do triângulo. ∣D∣|D| é a área do paralelogramo; o triângulo é 12∣D∣\frac{1}{2}|D|.
  • Copiar a matriz impressa com uma entrada trocada. Confira linha a linha antes de qualquer conta.

O essencial em meia página

  • Ordem 2: ∣abcd∣=ad−bc\begin{vmatrix} a & b \\ c & d \end{vmatrix} = ad - bc = área (com sinal) do paralelogramo das linhas; triângulo = metade. Linhas proporcionais → 0.
  • Ordem 3: Sarrus (repita duas colunas; três diagonais descendo positivas, três subindo negativas) ou Laplace (elemento × cofator ao longo de uma linha/coluna; Cij=(−1)i+jMijC_{ij} = (-1)^{i+j} M_{ij}; escolha a linha com mais zeros). Sarrus só em ordem 3.
  • Propriedades: linha nula → 0; linhas iguais/proporcionais → 0; troca de linhas → sinal; fator kk numa linha → kdet⁡k \det; det⁡(kA)=kndet⁡A\det(kA) = k^n \det A; det⁡AT=det⁡A\det A^{\mathsf T} = \det A; det⁡(AB)=det⁡Adet⁡B\det(AB) = \det A \det B; det⁡A−1=1/det⁡A\det A^{-1} = 1/\det A; triangular → produto da diagonal; Li←Li+kLjL_i \leftarrow L_i + kL_j não altera. Não vale: det⁡(A+B)=det⁡A+det⁡B\det(A + B) = \det A + \det B.
  • Inversível ⇔ det⁡A≠0\det A \neq 0. Inversa 2×22 \times 2: troque a diagonal principal, troque o sinal da outra e divida por ad−bcad - bc (2013/108: det⁡=−1\det = -1, inversível).
  • Cramer: xj=det⁡Aj/det⁡Ax_j = \det A_j / \det A, com a coluna jj trocada por BB; só com det⁡A≠0\det A \neq 0. Bom para 2×22 \times 2, parâmetro e uma incógnita só.
  • Classificação: det⁡A≠0\det A \neq 0 → SPD; det⁡A=0\det A = 0 → SPI ou SI (escalone para decidir). Homogêneo: det⁡≠0\det \neq 0 → só a nula (2008/89); det⁡=0\det = 0 → infinitas. Parâmetro: calcule det⁡A\det A como expressão e veja onde se anula (2015/98: −17−4C-17 - 4C, nunca para C>0C > 0).
  • Vandermonde: det⁡(x02x01x12x11x22x21)=(x1−x0)(x2−x0)(x1−x2)\det \begin{pmatrix} x_0^2 & x_0 & 1 \\ x_1^2 & x_1 & 1 \\ x_2^2 & x_2 & 1 \end{pmatrix} = (x_1 - x_0)(x_2 - x_0)(x_1 - x_2); zero só com abscissas repetidas; abscissas distintas → parábola única (2021/59).
  • Coordenadas: D=∣xAyA1xByB1xCyC1∣D = \begin{vmatrix} x_A & y_A & 1 \\ x_B & y_B & 1 \\ x_C & y_C & 1 \end{vmatrix}; D=0D = 0 ⇔ alinhados; área do triângulo =12∣D∣= \frac{1}{2}|D|.
  • Prova: equação escondida em ad−bcad - bc (2023/61); “inversível / SPD / só a nula” = det⁡≠0\det \neq 0; tipo B com propriedade (2A2A em ordem 3 → ×8\times 8, 2025/85); copie a matriz impressa conferindo.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Determinantes de vetores no plano
Portal da Matemática OBMEP · 9:58
Introdução. Aula da professora Priscilla Guez no módulo “Determinantes como áreas” (IMPA/OBMEP): segundo a descrição da autora, “introduzimos os determinantes. Para isso usamos uma definição de determinantes como área orientada. Trabalhamos alguns exemplos”. É a seção “Quatro números viram um só: ad − bc é uma área com sinal” desta página, com a mesma leitura geométrica do 2×2 e do sinal como orientação.
Exemplos especiais de determinantes
Portal da Matemática OBMEP · 9:47
Aprofundamento do caso zero. Na aula seguinte do mesmo módulo, a autora mostra “que o determinante é zero, quando a figura formada por dois vetores não tem área”: é o painel direito da primeira figura desta página (linhas proporcionais) e a base das propriedades “linha nula” e “linhas proporcionais” da seção “As propriedades que calculam por você”.
Determinantes: o teorema de Laplace
Equaciona Com Paulo Pereira · 16:10
Aprofundamento. O professor “trabalha com as noções de menor complementar e cofator de um elemento de uma matriz quadrada, para poder trabalhar o teorema de Laplace”, que “é utilizado para calcular determinantes de ordem superior” (descrição do autor). É a seção “Laplace: o determinante por cofatores, para qualquer ordem”, com o tabuleiro de sinais e a escolha da linha com mais zeros.
Determinantes: propriedades
Equaciona Com Paulo Pereira · 12:06
Propriedades. A descrição do autor lista o que o vídeo cobre: “fila nula; filas paralelas permutadas; filas iguais ou proporcionais; matriz transposta; multiplicação de fila por número real e Teorema de Binet” (o determinante do produto). É a lista da seção “As propriedades que calculam por você”, inclusive a que decide o item tipo B de 2025 (fila multiplicada por número → det(kA) = kⁿ·det A).
Sistemas Lineares 4 (Cramer)
Prof. Iury Kersnowsky · 17:57
Aplicação e resolução. Aula “sobre a Regra de Cramer, que ajuda muito na resolução e classificação de sistemas lineares n × n” (descrição do autor): cobre as duas seções finais de álgebra desta página, “Regra de Cramer: cada incógnita é uma razão de determinantes” e “Classificar pelo determinante”, com a razão det A_j / det A e a leitura do caso det A = 0.
Rota PAS 3
Matrizes e sistemas: a álgebra que liga circuitos · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Matrizes e sistemas: a álgebra que liga circuitos · O que cai daqui (linha Determinantes, MAT7); Sistemas lineares (itens PAS 2 2015/98 e 2008/89, só o enunciado e a nota sobre o homogêneo); Do circuito ao sistema (a matriz A do sistema (*) de 2025, usada só como item reusado); Determinantes: o número que decide (conceito, itens 2023/61, 2021/59, 2013/108, armadilha da potência, checagem); Leia como na prova e Como a banca cobra (item 2025/85, tipo B); Resolvidos (determinante com propriedade); exercícios 3, 13, 16 e 17; Banco de treino T5, T6, T12, T16, T19 e T22

    Recorte por assunto: o determinante como número (2×2 e área, Sarrus, Laplace), propriedades, inversibilidade, Cramer, classificação de sistemas e parâmetro, Vandermonde, colinearidade e área. Fora: operações com matrizes e inversa como objeto (matematica/matrizes), escalonamento e montagem de sistemas (matematica/sistemas-lineares), transformações do plano (matematica/transformacoes-no-plano), a física do circuito (fisica/leis-de-kirchhoff). O capítulo foi fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, matrizes, números, figuras e ordem desta página são próprios.

  • Mapa de itens de Matemática do PAS 3 (p1-mat a p4-mat + grep nas três classificações) · Itens marcados DT: PAS 2 2013/108, 2008/89, 2015/98, 2021/59, 2023/61; reuso por GUID de PAS 3 2025/85 (leis-de-kirchhoff)

    Mapa vinculante; os cinco itens desta página foram abertos na imagem do caderno a 200 dpi. O grep adicional nas três classificações por 'determinante|Cramer|Sarrus|inversível' não acrescentou item fora dos já distribuídos (as únicas entradas são 2021/59 e 2023/61 do PAS 2, além de notas gerais da classificação de 2010 e 2025 do PAS 3).

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 2: 2008 (itens 87 a 89), 2013 (itens 106 a 108), 2015 (itens 98 a 100), 2021 Parte 2 (itens 58 a 60), 2023 (itens 60 a 62); PAS 3: 2025 (item 85)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos lidos nos GAB oficiais e conferidos em classificacao-pas2/AAAA.json (2013/108 C, 2008/89 E, 2015/98 C, 2021/59 C, 2023/61 E) e classificacao-pas3/2025.json (2025/85 = 312).

  • Cadernos em PDF (tabelas e matrizes impressas) · 2013-PAS2 p. 16 do PDF (p. 14 do caderno Aleijadinho): tabela mês × produto (3, 2, 1; 2, 1, 0; 2, 1, 1) e o item 108; 2008-PAS2 p. 13 do PDF (p. 12 do caderno): tabela das horas (abril 8, 5, 10 e 18 kWh; maio 4, 10, 15 e 17; junho 2, 0, 10 e 5), as colunas X e B e o item 89 com a coluna (x₀, y₀, z₀) impressa; 2015-PAS2 p. 18 do PDF (p. 17 do caderno Taunay): as três negociações e o item 98; 2021-PAS2 Parte 2 p. 5: o item 59 com a matriz A = (x₀², x₀, 1; x₁², x₁, 1; x₂², x₂, 1) impressa; 2023-PAS2 p. 10 do PDF: o texto-base da Amazônia e o item 61 com a matriz (1,1 1,6; x 5) impressa

    Páginas abertas a 200 dpi; todas as matrizes e números usados na teoria e nas questões foram lidos na imagem.