A prova do PAS 3 de 2025 imprimiu a matriz 3×3 de um circuito elétrico e pediu, num item de resposta numérica, o determinante da matriz 2A. Quem calculou det A = 39 e dobrou marcou 78; a resposta certa era 312, oito vezes 39. Dois anos antes, a 2.ª etapa deu uma matriz 2×2 com temperaturas, fixou o determinante em −1/2 e afirmou que a incógnita era menor que 3 (era 3,75). O que é esse número que cada matriz quadrada carrega, por que ele mede área, decide se um sistema tem uma solução só e resolve o sistema por uma razão de determinantes, e por que dobrar a matriz o multiplica por 8?
O que você vai aprender
Calcular o determinante de uma matriz 2×2 (ad − bc) e interpretá-lo como a área com sinal do paralelogramo formado pelas duas linhas (ou colunas), reconhecendo que linhas proporcionais dão determinante zero.
Calcular um determinante 3×3 pela regra de Sarrus e pelo desenvolvimento de Laplace (cofatores), escolhendo a linha ou coluna com mais zeros e sabendo que Sarrus não vale para ordem 2 nem para ordem 4.
Usar as propriedades que poupam conta: linha nula ou linhas proporcionais anulam o determinante; trocar duas linhas troca o sinal; fator comum numa linha sai multiplicando; det(kA) = kⁿ·det A; det(Aᵀ) = det A; det(AB) = det A·det B; determinante de matriz triangular é o produto da diagonal; somar a uma linha um múltiplo de outra não altera o determinante.
Decidir se uma matriz quadrada é inversível pelo determinante (inversível ↔ det ≠ 0), escrever a inversa 2×2 pela adjunta e relacionar det(A⁻¹) = 1/det A.
Aplicar a regra de Cramer a sistemas 2×2 e 3×3 (cada incógnita é det A_j / det A, com a coluna j trocada pelos termos independentes), sabendo quando ela vale e quando o escalonamento é melhor.
Classificar um sistema n×n pelo determinante da matriz dos coeficientes (det ≠ 0 → possível e determinado; det = 0 → indeterminado ou impossível, a decidir pelo sistema), inclusive sistemas homogêneos (só a solução nula quando det ≠ 0) e sistemas com parâmetro.
Reconhecer o determinante de Vandermonde e explicar por que três pontos de abscissas distintas determinam uma única parábola.
Usar o determinante 3×3 com coordenadas para testar o alinhamento de três pontos (det = 0) e calcular a área de um triângulo (metade do módulo do determinante).
Ler itens com matriz impressa e julgar afirmações sobre determinante, inversibilidade e solução única, inclusive no formato de resposta numérica (tipo B) do PAS 3, evitando os erros de potência (det(2A) = 2·det A), de sinal na troca de linhas e de 'det = 0 logo impossível'.
A prova do PAS 3 de 2025 trouxe, impressa no texto-base, a matriz 3×3 dos coeficientes de um circuito elétrico e, no único item de resposta numérica do bloco, mandou calcular o determinante de 2A. Quem fez a conta de detA chegou a 39; quem dobrou e marcou 78 errou, e quem respondeu 312 acertou, porque dobrar uma matriz de ordem 3 multiplica o determinante por 23=8. Dois anos antes, a 2.ª etapa tinha dado uma matriz 2×2 com temperaturas da Amazônia, fixado o determinante em −21 e afirmado que a entrada desconhecida era menor que 3; a conta dá 3,75, e o item era errado. Em 2013, a mesma etapa afirmou que a matriz de compras de uma família “é inversível”, e em 2021, que o determinante de uma matriz feita com três abscissas distintas “é não nulo”. Quatro provas, quatro perguntas sobre o mesmo número. O que é o determinante de uma matriz quadrada, por que ele mede uma área, decide se um sistema tem solução única, fornece essa solução por uma razão de determinantes e se multiplica por 8 quando a matriz dobra?
Esta página responde em cinco movimentos. Primeiro, o determinante 2×2, ad−bc, lido como área de um paralelogramo com sinal, que é a origem de todas as propriedades. Depois, o 3×3 por duas receitas, Sarrus e cofatores, e as propriedades que permitem calcular sem calcular. Em seguida, as duas aplicações centrais: a matriz inversível (determinante diferente de zero) e a regra de Cramer, com a classificação de um sistema pelo determinante, inclusive quando há um parâmetro ou quando o sistema é homogêneo. Por fim, duas leituras geométricas que a prova cobra como álgebra: o determinante de Vandermonde, que explica por que três pontos determinam uma parábola, e o determinante com coordenadas, que decide se três pontos estão alinhados e mede a área do triângulo. As operações com matrizes e a inversa como objeto estão na página de matrizes; o escalonamento e a montagem de sistemas a partir de texto, na página de sistemas lineares; a matriz que gira e deforma figuras, na página de transformações no plano, onde o determinante reaparece como fator de área.
Quatro números viram um só: ad − bc é uma área com sinal
Uma matriz 2×2 guarda duas linhas, e a primeira pergunta que se faz a ela é se as duas linhas dizem coisas diferentes. Em (4812) não dizem: a segunda é o dobro da primeira, e quem conhece uma conhece a outra. Em (4113) dizem. O teste algébrico é curto: as linhas (a,b) e (c,d) são proporcionais exatamente quando ca=db, isto é, quando ad=bc, ou ainda quando ad−bc=0. Esse número, ad−bc, “produto da diagonal que desce menos produto da diagonal que sobe”, é o determinante da matriz. Na segunda matriz ele vale 4⋅3−1⋅1=11; na primeira, 4⋅2−1⋅8=0.
O que o número mede quando não é zero aparece no desenho. Marque (4,1) e (1,3) como vetores a partir da origem e feche o paralelogramo; o quarto vértice é (5,4). O retângulo de 5 por 4 que o envolve tem área 20, e dele ficam de fora do paralelogramo dois triângulos de catetos 4 e 1 (área 2 cada), dois triângulos de catetos 1 e 3 (área 1,5 cada) e dois quadradinhos de lado 1 (área 1 cada): 20−4−3−2=11. Com letras, a mesma conta dá (a+c)(b+d)−ab−cd−2bc=ad−bc. O determinante é a área do paralelogramo das duas linhas, e as linhas proporcionais são o caso em que o paralelogramo se achata num segmento.
O determinante 2×2 é a área do paralelogramo formado pelas duas linhas da matriz. Se uma linha é múltiplo da outra, os vetores ficam sobre a mesma reta, o paralelogramo some e o determinante é zero. Diagrama autoral.
Determinante de ordem 2
Para A=(acbd),
detA=acbd=ad−bc.
As barras verticais são a notação de determinante (um número); os parênteses, a de matriz (uma tabela). Geometricamente, ∣detA∣ é a área do paralelogramo cujos lados são as linhas (a,b) e (c,d) aplicadas na origem; o sinal diz a orientação: positivo quando o giro da primeira linha para a segunda é anti-horário, negativo quando é horário. A área do triângulo com os mesmos dois lados é a metade, 21∣ad−bc∣.
Três consequências já aparecem no caso 2×2 e se repetem em toda ordem. Se as duas linhas são proporcionais, os vetores estão na mesma reta, não há paralelogramo e o determinante é zero, como em (4,1) e (8,2). Se as linhas são trocadas de lugar, a área é a mesma, mas a orientação inverte: 1431=1−12=−11. E se uma linha é multiplicada por um número, a área é multiplicada pelo mesmo número: 8123=24−2=22, o dobro de 11. Guarde as três; elas são as propriedades da seção adiante, vistas no desenho.
O determinante de ordem 1 é o próprio número, det(a)=a, e isso ajuda a ler a fórmula de ordem 2 como uma regra: a vezes o que sobra quando se risca a linha e a coluna de a (o número d), menos b vezes o que sobra quando se risca a linha e a coluna de b (o número c). É essa leitura, não a das diagonais, que se generaliza para a ordem 3 e além.
Exemplo resolvido 1. A matriz (1,1x1,65) tem determinante −21. Quanto vale x? Pela fórmula, 1,1⋅5−1,6⋅x=−0,5, isto é, 5,5−1,6x=−0,5, logo 1,6x=6 e x=3,75. Conferência:5,5−1,6⋅3,75=5,5−6=−0,5. Foi o item 61 do PAS 2 de 2023, que afirmava “x será inferior a 3”: errado. O molde é o mais simples do assunto, uma equação do primeiro grau escondida num determinante, e o cuidado é de sinal: −bc com b=1,6 e c=x dá −1,6x, e o −21 fica do outro lado da igualdade.
Três por três: Sarrus, as seis diagonais
Para ordem 3 a fórmula tem seis parcelas, três com sinal positivo e três com sinal negativo, e a regra de Sarrus é só um jeito de enxergá-las. Copie as duas primeiras colunas à direita da matriz. As três diagonais que descem da esquerda para a direita dão as parcelas positivas; as três que sobem, as negativas.
Sarrus: repita as duas primeiras colunas, some os produtos das três diagonais que descem e subtraia os produtos das três que sobem. A regra só existe para ordem 3. Diagrama autoral.
Cada parcela usa exatamente um elemento de cada linha e um de cada coluna. As três primeiras são as diagonais “que descem” da matriz com as duas primeiras colunas repetidas; as três últimas, as “que sobem”. A regra não se estende à ordem 4 (um determinante 4×4 tem 24 parcelas, e as diagonais dariam só 8) nem se aplica à ordem 2 (ali não há colunas a repetir: é só ad−bc).
Exemplo resolvido 2.M=205142311. Diagonais que descem: 2⋅4⋅1=8, 1⋅1⋅5=5, 3⋅0⋅2=0; soma 13. Diagonais que sobem: 3⋅4⋅5=60, 2⋅1⋅2=4, 1⋅0⋅1=0; soma 64. detM=13−64=−51. Um determinante negativo é tão comum quanto um positivo; o sinal só diz a orientação das três linhas como vetores do espaço. A conferência vem na próxima seção, por outro caminho.
Dois hábitos evitam a maior parte dos erros de Sarrus. Escreva as seis parcelas antes de somar, cada uma com seu sinal, em vez de tentar fazer tudo de cabeça: uma troca de sinal numa parcela muda o resultado inteiro. E procure zeros: cada zero numa linha ou coluna anula duas das seis parcelas, e uma matriz com uma linha de zeros nem precisa de conta.
Laplace: o determinante por cofatores, para qualquer ordem
A regra de Sarrus é um atalho para a ordem 3. O método geral, que vale para toda ordem e explica a fórmula de ordem 2, é o desenvolvimento de Laplace: escolha uma linha (ou coluna) e some cada elemento dela multiplicado pelo seu cofator.
Menor, cofator e desenvolvimento de Laplace
O menorMij do elemento aij é o determinante da matriz que sobra ao riscar a linha i e a coluna j. O cofator é o menor com um sinal que depende da posição:
Cij=(−1)i+jMij.
Os sinais formam um tabuleiro de xadrez, + no canto superior esquerdo: +−+−+−+−+. O determinante é a soma dos elementos de qualquer linha ou coluna multiplicados pelos seus cofatores. Pela linha i:
detA=ai1Ci1+ai2Ci2+⋯+ainCin.
O resultado é o mesmo para qualquer linha ou coluna escolhida; escolha a que tem mais zeros.
Exemplo resolvido 3: a mesma matriz M por Laplace. A primeira coluna de M tem um zero, então o desenvolvimento por ela tem só duas parcelas. detM=2⋅C11+0⋅C21+5⋅C31. O menor M11 risca a linha 1 e a coluna 1: 4211=4−2=2, e o sinal da posição (1,1) é +, logo C11=2. O menor M31 risca a linha 3 e a coluna 1: 1431=1−12=−11; a posição (3,1) tem sinal (−1)4=+, logo C31=−11. Então detM=2⋅2+5⋅(−11)=4−55=−51. O mesmo valor de Sarrus, por um caminho independente: é assim que se confere um determinante 3×3 na prova.
Exemplo resolvido 4: uma ordem 4, onde Sarrus não serve.N=1301012020100102. A primeira linha tem dois zeros: detN=1⋅C11+2⋅C13. O menor M11 é 120010102; pela terceira linha (dois zeros), vale 2⋅(+1)1201=2⋅1=2, e C11=+2. O menor M13 é 301120102; pela segunda linha, 2⋅(+1)3112=2⋅5=10, e a posição (1,3) tem sinal +, logo C13=10. detN=1⋅2+2⋅10=22. Cada determinante de ordem 4 vira uma soma de determinantes de ordem 3, cada um deles uma soma de ordem 2; com zeros bem escolhidos, a conta fica curta.
Sarrus em 2×2 e em 4×4, e o sinal do cofator
Sarrus é uma regra de ordem 3 e só de ordem 3. Aplicada a uma matriz 2×2, não há o que repetir (o determinante é ad−bc e pronto); aplicada a uma 4×4, dá um número errado, porque faltam 16 das 24 parcelas. Para ordem 4 ou maior, Laplace ou escalonamento. O outro erro é esquecer o sinal de posição: o cofator de a12 é −M12, o de a23 é −M23, o de a31 é +M31. Quem usa o menor no lugar do cofator costuma errar numa só parcela, o que basta.
As propriedades que calculam por você
Quase nenhum item de prova pede um determinante grande feito na força. Pede-se, em geral, que se reconheça o que acontece com o determinante quando a matriz é alterada de um jeito simples. Cada propriedade abaixo é uma conta que você não precisa fazer.
As quatro propriedades mais cobradas, numa matriz 2×2 em que todas se conferem à mão: troca de linhas, fator numa linha, linhas proporcionais e a matriz inteira multiplicada por um número. Diagrama autoral.
Propriedades dos determinantes (válidas em qualquer ordem n)
Linha (ou coluna) nula:detA=0.
Duas linhas iguais ou proporcionais:detA=0.
Troca de duas linhas: o determinante muda de sinal.
Fator comum numa linha: se uma linha é multiplicada por k, o determinante é multiplicado por k. (Logo um fator comum a toda uma linha pode ser posto para fora do determinante.)
Matriz inteira multiplicada por k: como todas as n linhas são multiplicadas, det(kA)=kndetA.
Transposta:detAT=detA. Por isso tudo o que vale para linhas vale para colunas.
Produto:det(AB)=detA⋅detB. Consequências: det(A2)=(detA)2 e, se A é inversível, det(A−1)=detA1.
Matriz triangular (todos os elementos acima, ou todos abaixo, da diagonal principal são zero) e, em particular, diagonal: o determinante é o produto dos elementos da diagonal principal. detIn=1.
Somar a uma linha um múltiplo de outra não altera o determinante (é a operação do escalonamento).
O que não vale: det(A+B) não é detA+detB, e det(kA) não é kdetA quando n>1.
Cada uma dessas regras tem uma leitura geométrica no caso 2×2. Linhas proporcionais são vetores na mesma reta (área zero). Trocar as linhas inverte a orientação (sinal). Multiplicar uma linha por k estica um lado do paralelogramo (área vezes k). Multiplicar a matriz inteira por k estica os dois lados (área vezes k2); em ordem 3, as três arestas de um paralelepípedo (volume vezes k3). Somar a uma linha um múltiplo da outra desliza um lado paralelamente ao outro, o que não muda a altura nem a área.
Dobrar a matriz dobra cada linha. Em ordem 2, a área fica 22=4 vezes maior; em ordem 3, o volume fica 23=8 vezes maior. O expoente conta as linhas multiplicadas, uma por dimensão, e não as entradas da matriz. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 5: três propriedades de uma vez. Calcule 211431652. A primeira linha tem fator comum 2 (propriedade 4): o determinante é 2111231352. Agora subtraia a primeira linha das outras duas (propriedade 9, que não altera nada): 210021−132−1. Pela primeira coluna (Laplace com dois zeros): 2⋅1⋅1−12−1=2⋅(−1+2)=2. Conferência por Sarrus na matriz original:2⋅3⋅2+4⋅5⋅1+6⋅1⋅1−6⋅3⋅1−2⋅5⋅1−4⋅1⋅2=12+20+6−18−10−8=2. O caminho das propriedades é o mesmo do escalonamento: zerar a primeira coluna abaixo do pivô e reduzir a ordem.
Exemplo resolvido 6: o determinante que é zero sem conta.147258369. As linhas são progressões aritméticas, e a terceira é 2⋅(4,5,6)−(1,2,3): combinação das outras duas. Subtraindo da terceira linha o dobro da segunda e somando a primeira (propriedade 9), ela vira (0,0,0), e o determinante é zero pela propriedade 1. Sarrus confirma: 45+84+96−105−48−72=0. Sempre que uma linha for soma, diferença ou múltiplo de outras, o determinante é zero, e isso é exatamente o que “as equações não são independentes” quer dizer na linguagem dos sistemas.
Exemplo resolvido 7: o item de resposta numérica de 2025, com outra matriz. Se A é de ordem 3 e detA=21, quanto vale det(2A)? Pela propriedade 5, det(2A)=23⋅21=168. Se a matriz fosse de ordem 2, seria 22⋅21=84; de ordem 4, 24⋅21=336. E se só uma linha fosse dobrada, o determinante seria 42, pela propriedade 4. O item 85 do PAS 3 de 2025 foi este molde com detA=39 e resposta 312; quem aplicou a propriedade 4 no lugar da 5 chegou a 78. Numa resposta numérica ninguém mostra as duas opções lado a lado, então a defesa tem de vir antes da conta: contar as linhas da matriz e multiplicar uma vez por linha.
det(kA) = k·det A e det(A + B) = det A + det B
A primeira igualdade só vale para n=1. Para uma matriz 3×3 multiplicada por 2, o determinante fica 8 vezes maior; por 3, 27 vezes; por −1, (−1)3=−1 vezes (o determinante troca de sinal). Para uma 2×2 multiplicada por −1, o determinante não muda ((−1)2=1). A segunda igualdade nunca é regra: det(1001)+det(−100−1)=1+1=2, mas a soma das matrizes é a matriz nula, de determinante 0. O determinante é multiplicativo (produto), não aditivo.
Um número com dois pais e um nome emprestado
A ideia de eliminar incógnitas por um número calculado a partir dos coeficientes apareceu quase ao mesmo tempo em dois lugares que não se falavam: o japonês Seki Takakazu publicou em 1683 um método com tabelas de coeficientes, e Gottfried Leibniz descreveu em 1693, numa carta ao Marquês de l’Hôpital, a condição para que três equações lineares em duas incógnitas fossem compatíveis, que é um determinante 3×3 igual a zero. A palavra “determinante” é de Gauss (1801), para outro objeto; Cauchy a adotou em 1812 no sentido atual e provou a regra do produto. A regra das diagonais para ordem 3 é de Pierre Frédéric Sarrus (1833), e a de Cramer, de Gabriel Cramer (1750), que a publicou num apêndice sobre curvas algébricas.
Inversível ou não: o determinante responde
Uma matriz quadrada A é inversível quando existe A−1 com A⋅A−1=I. Aplicando a regra do produto a essa igualdade, detA⋅detA−1=detI=1. Logo, se a inversa existe, detA não pode ser zero (zero vezes qualquer coisa nunca dá 1), e detA−1=detA1. A recíproca também vale, e é a razão de ser do determinante nos itens de prova.
Inversibilidade e a inversa 2×2
A é inversível se, e somente se, detA=0. Nesse caso, det(A−1)=detA1. Para ordem 2,
A=(acbd)⟹A−1=ad−bc1(d−c−ba).
A matriz entre parênteses é a adjunta de A (a transposta da matriz dos cofatores: C11=d, C12=−c, C21=−b, C22=a). Em qualquer ordem vale A−1=detA1adjA, mas a banca não pede a inversa 3×3 por esse caminho; pede só se ela existe.
Exemplo resolvido 8.A=(4113) tem detA=11=0, logo é inversível, e A−1=111(3−1−14). Conferência:A⋅A−1=111(12−13−3−4+4−1+12)=111(110011)=I. E detA−1=1211(12−1)=111, como a regra manda. Já B=(4263) tem detB=12−12=0: não é inversível, e a receita da adjunta pediria uma divisão por zero.
Exemplo resolvido 9: a matriz das compras (PAS 2 2013, item 108). O caderno trouxe uma tabela com os pacotes de café, arroz e açúcar comprados em três meses, A=322211101, e o item afirmou: “a matriz A é inversível”. Pela terceira coluna, que tem um zero: detA=1⋅C13+0+1⋅C33. C13=+2211=0 (linhas iguais) e C33=+3221=3−4=−1. detA=−1=0: inversível, certo. Conferência por Sarrus:3+0+2−2−0−4=−1. Repare que a prova não pediu a inversa, só a sua existência; é sempre assim com ordem 3.
A mesma pergunta aparece disfarçada de outras maneiras: “o sistema A⋅X=B tem solução única” (sim, se A é inversível, e a solução é X=A−1B); “as colunas de A são independentes”; “o sistema homogêneo A⋅X=0 só tem a solução nula”. Todas são a frase detA=0 em outra roupa.
Regra de Cramer: cada incógnita é uma razão de determinantes
Resolva o sistema ax+by=e, cx+dy=f por adição: multiplique a primeira por d, a segunda por b e subtraia. O y some e fica (ad−bc)x=ed−bf. O coeficiente de x é detA, e o lado direito é o determinante da matriz em que a coluna de x foi trocada pela coluna dos termos independentes: efbd=ed−bf. Da mesma forma, eliminando x, (ad−bc)y=af−ce=acef. É a regra de Cramer, e ela vale em qualquer ordem.
Regra de Cramer: a incógnita j é o determinante da matriz com a coluna j trocada pelos termos independentes, dividido pelo determinante da matriz dos coeficientes. Só vale quando detA=0. Diagrama autoral.
Regra de Cramer
Para um sistema A⋅X=B com n equações, n incógnitas e detA=0, a incógnita xj vale
xj=detAdetAj,
em que Aj é a matriz A com a coluna j substituída pela coluna B dos termos independentes. Se detA=0, a regra não se aplica: o sistema não tem solução única (é indeterminado ou impossível), e a decisão fica com o escalonamento.
Exemplo resolvido 10: um 2×2.2x+3y=8 e x−y=−1. detA=213−1=−2−3=−5. detAx=8−13−1=−8+3=−5, logo x=−5−5=1. detAy=218−1=−2−8=−10, logo y=−5−10=2. Conferência:2+6=8 e 1−2=−1.
Pela primeira linha: detA=1⋅(2−2)−1⋅(−6−1)+1⋅(6+1)=0+7+7=14. Diferente de zero: Cramer se aplica. Troque a primeira coluna por B: detAx=410−61−1211−2=4(2−2)−1(−20+6)+1(20−6)=0+14+14=28, logo x=2. Troque a segunda: detAy=131410−611−2=1(−20+6)−4(−6−1)+1(−18−10)=−14+28−28=−14, logo y=−1. Troque a terceira: detAz=1311−12410−6=1(6−20)−1(−18−10)+4(6+1)=−14+28+28=42, logo z=3. Conferência na segunda equação:6+1+3=10; na terceira:2−2−6=−6. Quatro determinantes 3×3 para três incógnitas: Cramer é cômodo quando só uma incógnita interessa (um item que afirma “z é maior que 2” pede só detA e detAz) e trabalhoso quando se quer a solução inteira, caso em que o escalonamento costuma ser mais curto.
Quando usar cada método, então? Cramer quando o sistema é 2×2, quando há um parâmetro nos coeficientes (o determinante vira uma expressão no parâmetro, e a discussão fica imediata) ou quando se quer uma única incógnita de um 3×3. Escalonamento quando se quer todas as incógnitas, quando o sistema é maior que 3×3 ou quando detA=0 e é preciso decidir entre indeterminado e impossível.
Classificar pelo determinante: det ≠ 0 é determinado; det = 0 é o resto
A regra de Cramer carrega a classificação dentro dela. Se detA=0, cada incógnita tem um valor e só um: o sistema é possível e determinado. Se detA=0, a fórmula divide por zero, e isso quer dizer que as equações não são independentes: alguma linha de A é combinação das outras. Nesse caso o sistema é possível e indeterminado (se os termos independentes respeitam a mesma combinação) ou impossível (se a contradizem), e o determinante não distingue os dois casos.
O determinante decide o primeiro degrau da classificação. Quando ele é zero, o sistema não é determinado, mas só o escalonamento diz se é indeterminado ou impossível; no homogêneo, zero significa infinitas soluções. Diagrama autoral.
Classificação de um sistema n×n pelo determinante
detA=0: SPD, solução única, para qualquer coluna B.
detA=0: SPI ou SI, nunca determinado. Para decidir, escalone: linha 0=0 é indeterminado; linha 0=k com k=0 é impossível.
Sistema homogêneo (B=0): a solução nula (0,0,…,0) sempre existe, então ele nunca é impossível. detA=0 significa que a solução nula é a única; detA=0 significa infinitas soluções, inclusive não nulas.
Exemplo resolvido 12: os dois destinos do determinante zero.x+2y=3 e 2x+4y=6: detA=4−4=0. A segunda equação é o dobro da primeira, inclusive no termo independente: linha 0=0, indeterminado, infinitas soluções (toda a reta x+2y=3). Troque o 6 por 7: detA continua zero, mas o dobro da primeira equação diz 2x+4y=6 e a segunda diz 7: linha 0=1, impossível. Mesma matriz, mesmo determinante, respostas opostas. É por isso que “detA=0, logo o sistema é impossível” é uma frase falsa, e a banca sabe disso.
Exemplo resolvido 13: o sistema homogêneo dos aparelhos elétricos (PAS 2 2008, item 89). A tabela do caderno registrava quantas horas cada um de três aparelhos ficou ligado em cada mês, A=8425100101510, e o item afirmou que o sistema homogêneo com essa matriz “possui solução (x0,y0,z0) em que x0=0”. Pela terceira linha, que tem um zero: detA=2⋅(+1)5101015+0+10⋅(+1)84510=2(75−100)+10(80−20)=−50+600=550. Diferente de zero: a única solução do homogêneo é a nula, com x0=0. Errado. Não foi preciso resolver sistema nenhum; o determinante respondeu sozinho. (Com uma linha em comum, o item anterior do mesmo bloco, que dizia que os consumos saíam de A⋅X=B, estava certo pelo mesmo motivo: detA=0 garante solução única para qualquer B.)
Exemplo resolvido 14: um parâmetro na matriz. Para que valores de m o sistema x+y+z=1, x+2y+3z=2, x+4y+mz=3 é determinado? Pela primeira linha, detA=1(2m−12)−1(m−3)+1(4−2)=2m−12−m+3+2=m−7. Para m=7, SPD. Para m=7, o determinante é zero e é preciso olhar o sistema: subtraindo a primeira equação das outras, y+2z=1 e 3y+6z=2; a segunda é o triplo da primeira no lado esquerdo e não no direito (3=2): impossível. Então o sistema é determinado para todo m=7 e impossível para m=7; não há valor de m que o torne indeterminado. Conferência de detA com m=7 por Sarrus:14+3+4−2−12−7=0.
Exemplo resolvido 15: o depósito de carvão (PAS 2 2015, item 98). As três negociações do texto davam 3x+4y+5z=148, 2x+7y+2z=166 e 4x−Cy+7z=68 (C toneladas devolvidas entram com sinal negativo), e o item afirmou: “independentemente do valor positivo de C, o sistema será sempre possível e determinado”. A matriz dos coeficientes é 32447−C527, e pela primeira linha: detA=3(49+2C)−4(14−8)+5(−2C−28)=147+6C−24−10C−140=−17−4C. Esse número só é zero para C=−417, que é negativo. Para todo C>0, detA=−17−4C<0=0: SPD, certo. Veja o que o determinante poupou: em vez de escalonar com uma letra dentro e discutir a última linha, bastou uma expressão do primeiro grau em C e a pergunta “ela se anula para algum C positivo?”.
"det = 0, logo impossível" e "det ≠ 0, logo tem solução não nula"
As duas frases invertem o que o determinante diz. Determinante zero exclui a solução única, mas deixa dois destinos (indeterminado ou impossível), e só o escalonamento escolhe. Determinante diferente de zero num sistema homogêneo não “garante solução”: garante que a única solução é a nula; o item de 2008 foi escrito para quem lê “tem solução” como “tem solução interessante”. Antes de julgar, escreva a frase completa: detA=0 equivale a “uma e só uma solução, seja qual for B”; detA=0 equivale a “ou nenhuma ou infinitas”.
Vandermonde: por que três pontos de abscissas distintas determinam a parábola
Uma parábola y=ax2+bx+c que passa por (x0,y0), (x1,y1) e (x2,y2) obedece a três equações lineares em a, b, c, uma por ponto: axi2+bxi+c=yi. A matriz dos coeficientes é V=x02x12x22x0x1x2111, chamada de matriz de Vandermonde, e a pergunta “existe uma única parábola?” é a pergunta “detV=0?”. O PAS 2 de 2021 fez exatamente essa pergunta no item 59, com x0<x1<x2, e a resposta é sim.
Para ver por quê, calcule detV com as propriedades. Subtraia a primeira linha das outras duas (propriedade 9): as duas novas linhas ficam (x12−x02,x1−x0,0) e (x22−x02,x2−x0,0). Desenvolva pela terceira coluna, que agora só tem o 1 da primeira linha, com sinal (−1)1+3=+:
detV=x12−x02x22−x02x1−x0x2−x0.
Cada linha tem um fator comum (propriedade 4): x1−x0 na primeira, x2−x0 na segunda, porque x12−x02=(x1−x0)(x1+x0). Então
Um produto de diferenças entre as abscissas, duas a duas. Ele é zero se, e só se, duas abscissas coincidem. Com x0<x1<x2, as três diferenças são não nulas e detV=0: certo, e a parábola é única. Conferência com números: para x0=1, x1=2, x2=4, a fórmula dá (2−1)(4−1)(2−4)=1⋅3⋅(−2)=−6, e Sarrus na matriz 1416124111 dá 2+16+16−32−4−4=−6.
O caso que falha é instrutivo. Se dois pontos têm a mesma abscissa, como (1,2) e (1,5), duas linhas de V ficam iguais, detV=0, e de fato nenhuma função passa por dois pontos de mesma abscissa com ordenadas diferentes: o sistema é impossível. Se os dois pontos fossem iguais, o sistema seria indeterminado (infinitas parábolas pelos dois pontos restantes). O determinante avisa que algo deu errado; o sistema diz o quê. A resolução do sistema em a, b, c por escalonamento, com números, está na página de sistemas lineares; o uso da parábola obtida, na de função quadrática.
Determinante e geometria: três pontos alinhados e a área do triângulo
A matriz de Vandermonde tem uma prima mais simples, com as coordenadas de três pontos e uma coluna de uns, que resolve duas perguntas clássicas do plano cartesiano.
Alinhamento e área por determinante
Para A(xA,yA), B(xB,yB) e C(xC,yC), seja
D=xAxBxCyAyByC111.
Os três pontos estão alinhados se, e somente se, D=0. Se não estão, a área do triânguloABC é 21∣D∣. O sinal de D diz se A→B→C percorre o triângulo no sentido anti-horário (positivo) ou horário (negativo).
A razão é a mesma do 2×2. Subtraindo a primeira linha das outras duas, D vira o determinante 2×2 dos vetores AB=(xB−xA,yB−yA) e AC=(xC−xA,yC−yA), que é a área do paralelogramo formado por eles; o triângulo é a metade, e o paralelogramo degenera (área zero) exatamente quando AB e AC têm a mesma direção, isto é, quando C está na reta AB.
Com uma coluna de uns ao lado das coordenadas, o determinante 3×3 é zero quando os três pontos estão na mesma reta e, caso contrário, vale o dobro da área do triângulo. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 16.A(1,1), B(3,2), C(7,4) estão alinhados? D=137124111=1(2−4)−1(3−7)+1(12−14)=−2+4−2=0. Sim. Conferência pela inclinação: de A a B, 3−12−1=21; de A a C, 7−14−1=21. Troque C por C′(5,6): D=1(2−6)−1(3−5)+1(18−10)=−4+2+8=6, os pontos não estão alinhados e a área do triângulo ABC′ é 26=3. Conferência: os vetores AB=(2,1) e AC′=(4,5) dão 2415=10−4=6, o mesmo número.
Exemplo resolvido 17: um ponto desconhecido. Para que valor de k os pontos (2,1), (4,5) e (k,9) estão alinhados? D=24k159111=2(5−9)−1(4−k)+1(36−5k)=−8−4+k+36−5k=24−4k. D=0 dá k=6. Conferência: a reta por (2,1) e (4,5) tem inclinação 2 e equação y=2x−3; em x=6, y=9. Para k=8, por exemplo, D=24−32=−8, e o triângulo tem área 4.
Onde o determinante trabalha
Um programa de desenho vetorial guarda cada ampliação, giro ou espelhamento de uma figura como uma matriz 2×2; o módulo do determinante é o fator pelo qual as áreas foram multiplicadas, e o sinal negativo avisa que a figura foi espelhada. Um simulador de circuitos, antes de resolver o sistema das correntes, testa se o determinante da matriz é zero: se for, a rede está mal especificada (um laço sem resistência, por exemplo) e não há solução única. Em cartografia, cada projeção distorce áreas de um modo que varia de ponto a ponto, e a distorção local é um determinante (o jacobiano da transformação). Em todos os casos, o número mede a mesma coisa que no paralelogramo: quanto uma região é esticada ou achatada.
Como a banca pergunta
Os seis itens reais desta página (cinco do PAS 2 e o de 2025 do PAS 3) cabem em quatro moldes, e cada um tem uma defesa própria.
Determinante como equação do primeiro grau (tipo A). “Se detA=−21, então x<3” (2023/61, E; x=3,75). Escreva ad−bc, iguale ao valor e isole; o limiar fica perto do valor certo de propósito.
Existência: inversível, SPD, só a solução nula (tipo A). “A matriz A é inversível” (2013/108, C; detA=−1); “o sistema será sempre SPD para todo C>0” (2015/98, C; detA=−17−4C); “o homogêneo tem solução com x0=0” (2008/89, E; detA=550); “o determinante de Vandermonde é não nulo” (2021/59, C). A pergunta é sempre detA=0; calcule o determinante, com Laplace pela linha de mais zeros, e traduza.
Propriedade embutida num número (tipo B). “Calcule o determinante de 2A” (2025/85, 312). Dois passos: o determinante da matriz impressa e a propriedade kn. O erro previsto pela banca é usar k1, e nenhuma alternativa impressa o denuncia.
A matriz impressa no texto-base, com o item dependendo dela. A tabela de 2013, a tabela de horas de 2008, a matriz de Vandermonde de 2021 e a matriz A de 2025 foram impressas no caderno; o item só faz sentido com a matriz à vista. Antes de julgar, copie a matriz para o rascunho conferindo linha a linha, porque uma entrada trocada muda o determinante e o gabarito.
O formato que a 3.ª etapa reserva ao assunto é o tipo B: um número inteiro de até três dígitos, com a instrução de desprezar a parte fracionária. Determinantes de ordem 3 com entradas pequenas e uma propriedade por cima (kA, AT, troca de linhas, AB) cabem nesse molde; áreas de triângulos e paralelogramos, multiplicadas por 10 ou 100 para virar inteiro, também. A mecânica é a mesma de qualquer item B: calcule exato, aplique a multiplicação pedida, só então despreze a fração.
Os erros que mais derrubam
Sarrus fora da ordem 3. Em 2×2 é só ad−bc; em 4×4 Sarrus dá um número errado. Laplace vale sempre.
Esquecer o sinal do cofator.Cij=(−1)i+jMij: tabuleiro de xadrez com + no canto superior esquerdo.
det(kA)=kdetA. É kndetA. Dobrar uma 3×3 multiplica o determinante por 8 (2025/85). Só uma linha dobrada multiplica por 2.
Trocar linhas sem trocar o sinal. Cada troca inverte o sinal; duas trocas devolvem o original.
Somar determinantes de matrizes somadas.det(A+B)=detA+detB. O determinante é multiplicativo: det(AB)=detAdetB.
“det = 0, logo impossível.” Zero só exclui a solução única; indeterminado ou impossível é decisão do escalonamento.
“det ≠ 0, logo o homogêneo tem solução não nula.” É o contrário: só a nula (2008/89).
Usar Cramer com detA=0. A fórmula divide por zero; a regra não se aplica.
Errar a coluna trocada em Cramer.Aj troca a coluna j (a da incógnita que se quer) pela coluna B, não a linha.
Perder sinal em entradas negativas no Sarrus. Escreva as seis parcelas com sinal antes de somar; confira por Laplace.
Esquecer a metade na área do triângulo.∣D∣ é a área do paralelogramo; o triângulo é 21∣D∣.
Copiar a matriz impressa com uma entrada trocada. Confira linha a linha antes de qualquer conta.
O essencial em meia página
Ordem 2:acbd=ad−bc = área (com sinal) do paralelogramo das linhas; triângulo = metade. Linhas proporcionais → 0.
Ordem 3: Sarrus (repita duas colunas; três diagonais descendo positivas, três subindo negativas) ou Laplace (elemento × cofator ao longo de uma linha/coluna; Cij=(−1)i+jMij; escolha a linha com mais zeros). Sarrus só em ordem 3.
Propriedades: linha nula → 0; linhas iguais/proporcionais → 0; troca de linhas → sinal; fator k numa linha → kdet; det(kA)=kndetA; detAT=detA; det(AB)=detAdetB; detA−1=1/detA; triangular → produto da diagonal; Li←Li+kLj não altera. Não vale: det(A+B)=detA+detB.
Inversível ⇔ detA=0. Inversa 2×2: troque a diagonal principal, troque o sinal da outra e divida por ad−bc (2013/108: det=−1, inversível).
Cramer:xj=detAj/detA, com a coluna j trocada por B; só com detA=0. Bom para 2×2, parâmetro e uma incógnita só.
Classificação:detA=0 → SPD; detA=0 → SPI ou SI (escalone para decidir). Homogêneo: det=0 → só a nula (2008/89); det=0 → infinitas. Parâmetro: calcule detA como expressão e veja onde se anula (2015/98: −17−4C, nunca para C>0).
Vandermonde:detx02x12x22x0x1x2111=(x1−x0)(x2−x0)(x1−x2); zero só com abscissas repetidas; abscissas distintas → parábola única (2021/59).
Coordenadas:D=xAxBxCyAyByC111; D=0 ⇔ alinhados; área do triângulo =21∣D∣.
Prova: equação escondida em ad−bc (2023/61); “inversível / SPD / só a nula” = det=0; tipo B com propriedade (2A em ordem 3 → ×8, 2025/85); copie a matriz impressa conferindo.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Determinantes de vetores no plano
Portal da Matemática OBMEP · 9:58
Introdução. Aula da professora Priscilla Guez no módulo “Determinantes como áreas” (IMPA/OBMEP): segundo a descrição da autora, “introduzimos os determinantes. Para isso usamos uma definição de determinantes como área orientada. Trabalhamos alguns exemplos”. É a seção “Quatro números viram um só: ad − bc é uma área com sinal” desta página, com a mesma leitura geométrica do 2×2 e do sinal como orientação.
Exemplos especiais de determinantes
Portal da Matemática OBMEP · 9:47
Aprofundamento do caso zero. Na aula seguinte do mesmo módulo, a autora mostra “que o determinante é zero, quando a figura formada por dois vetores não tem área”: é o painel direito da primeira figura desta página (linhas proporcionais) e a base das propriedades “linha nula” e “linhas proporcionais” da seção “As propriedades que calculam por você”.
Determinantes: o teorema de Laplace
Equaciona Com Paulo Pereira · 16:10
Aprofundamento. O professor “trabalha com as noções de menor complementar e cofator de um elemento de uma matriz quadrada, para poder trabalhar o teorema de Laplace”, que “é utilizado para calcular determinantes de ordem superior” (descrição do autor). É a seção “Laplace: o determinante por cofatores, para qualquer ordem”, com o tabuleiro de sinais e a escolha da linha com mais zeros.
Determinantes: propriedades
Equaciona Com Paulo Pereira · 12:06
Propriedades. A descrição do autor lista o que o vídeo cobre: “fila nula; filas paralelas permutadas; filas iguais ou proporcionais; matriz transposta; multiplicação de fila por número real e Teorema de Binet” (o determinante do produto). É a lista da seção “As propriedades que calculam por você”, inclusive a que decide o item tipo B de 2025 (fila multiplicada por número → det(kA) = kⁿ·det A).
Sistemas Lineares 4 (Cramer)
Prof. Iury Kersnowsky · 17:57
Aplicação e resolução. Aula “sobre a Regra de Cramer, que ajuda muito na resolução e classificação de sistemas lineares n × n” (descrição do autor): cobre as duas seções finais de álgebra desta página, “Regra de Cramer: cada incógnita é uma razão de determinantes” e “Classificar pelo determinante”, com a razão det A_j / det A e a leitura do caso det A = 0.
Cada ladrilho é um paralelogramo, e a área de um paralelogramo cabe num único número feito com quatro coordenadas: o determinante.O determinante 2×2 é a área do paralelogramo formado pelas duas linhas da matriz. Se uma linha é múltiplo da outra, os vetores ficam sobre a mesma reta, o paralelogramo some e o determinante é zero. Diagrama autoral.Sarrus: repita as duas primeiras colunas, some os produtos das três diagonais que descem e subtraia os produtos das três que sobem. A regra só existe para ordem 3. Diagrama autoral.As quatro propriedades mais cobradas, numa matriz 2×2 em que todas se conferem à mão: troca de linhas, fator numa linha, linhas proporcionais e a matriz inteira multiplicada por um número. Diagrama autoral.Dobrar a matriz dobra cada linha. Em ordem 2, a área fica 22=4 vezes maior; em ordem 3, o volume fica 23=8 vezes maior. O expoente conta as linhas multiplicadas, uma por dimensão, e não as entradas da matriz. Diagrama autoral.Regra de Cramer: a incógnita j é o determinante da matriz com a coluna j trocada pelos termos independentes, dividido pelo determinante da matriz dos coeficientes. Só vale quando detA=0. Diagrama autoral.O determinante decide o primeiro degrau da classificação. Quando ele é zero, o sistema não é determinado, mas só o escalonamento diz se é indeterminado ou impossível; no homogêneo, zero significa infinitas soluções. Diagrama autoral.Com uma coluna de uns ao lado das coordenadas, o determinante 3×3 é zero quando os três pontos estão na mesma reta e, caso contrário, vale o dobro da área do triângulo. Diagrama autoral.Três pontos alinhados têm determinante zero; o quarto, fora da linha, forma um triângulo cuja área é metade do módulo do determinante.Temperaturas numa matriz 2×2, determinante fixado em −1/2: a incógnita sai de uma equação do primeiro grau (3,75, e não menos que 3).A tabela de compras de três produtos em três meses virou matriz na prova de 2013, e a pergunta foi se ela era inversível: determinante diferente de zero.O circuito da prova de 2025 virou uma matriz 3×3; dobrar a matriz inteira multiplica o determinante por 2³ = 8, não por 2.Dois vetores saindo do mesmo ponto fecham um paralelogramo; a área dele é o determinante 2×2 das coordenadas.Três pontos de abscissas distintas determinam uma única parábola porque o determinante de Vandermonde não se anula.
Rota PAS 3
Matrizes e sistemas: a álgebra que liga circuitos · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Matrizes e sistemas: a álgebra que liga circuitos · O que cai daqui (linha Determinantes, MAT7); Sistemas lineares (itens PAS 2 2015/98 e 2008/89, só o enunciado e a nota sobre o homogêneo); Do circuito ao sistema (a matriz A do sistema (*) de 2025, usada só como item reusado); Determinantes: o número que decide (conceito, itens 2023/61, 2021/59, 2013/108, armadilha da potência, checagem); Leia como na prova e Como a banca cobra (item 2025/85, tipo B); Resolvidos (determinante com propriedade); exercícios 3, 13, 16 e 17; Banco de treino T5, T6, T12, T16, T19 e T22
Recorte por assunto: o determinante como número (2×2 e área, Sarrus, Laplace), propriedades, inversibilidade, Cramer, classificação de sistemas e parâmetro, Vandermonde, colinearidade e área. Fora: operações com matrizes e inversa como objeto (matematica/matrizes), escalonamento e montagem de sistemas (matematica/sistemas-lineares), transformações do plano (matematica/transformacoes-no-plano), a física do circuito (fisica/leis-de-kirchhoff). O capítulo foi fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, matrizes, números, figuras e ordem desta página são próprios.
Mapa de itens de Matemática do PAS 3 (p1-mat a p4-mat + grep nas três classificações) · Itens marcados DT: PAS 2 2013/108, 2008/89, 2015/98, 2021/59, 2023/61; reuso por GUID de PAS 3 2025/85 (leis-de-kirchhoff)
Mapa vinculante; os cinco itens desta página foram abertos na imagem do caderno a 200 dpi. O grep adicional nas três classificações por 'determinante|Cramer|Sarrus|inversível' não acrescentou item fora dos já distribuídos (as únicas entradas são 2021/59 e 2023/61 do PAS 2, além de notas gerais da classificação de 2010 e 2025 do PAS 3).
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 2: 2008 (itens 87 a 89), 2013 (itens 106 a 108), 2015 (itens 98 a 100), 2021 Parte 2 (itens 58 a 60), 2023 (itens 60 a 62); PAS 3: 2025 (item 85)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos lidos nos GAB oficiais e conferidos em classificacao-pas2/AAAA.json (2013/108 C, 2008/89 E, 2015/98 C, 2021/59 C, 2023/61 E) e classificacao-pas3/2025.json (2025/85 = 312).
Cadernos em PDF (tabelas e matrizes impressas) · 2013-PAS2 p. 16 do PDF (p. 14 do caderno Aleijadinho): tabela mês × produto (3, 2, 1; 2, 1, 0; 2, 1, 1) e o item 108; 2008-PAS2 p. 13 do PDF (p. 12 do caderno): tabela das horas (abril 8, 5, 10 e 18 kWh; maio 4, 10, 15 e 17; junho 2, 0, 10 e 5), as colunas X e B e o item 89 com a coluna (x₀, y₀, z₀) impressa; 2015-PAS2 p. 18 do PDF (p. 17 do caderno Taunay): as três negociações e o item 98; 2021-PAS2 Parte 2 p. 5: o item 59 com a matriz A = (x₀², x₀, 1; x₁², x₁, 1; x₂², x₂, 1) impressa; 2023-PAS2 p. 10 do PDF: o texto-base da Amazônia e o item 61 com a matriz (1,1 1,6; x 5) impressa
Páginas abertas a 200 dpi; todas as matrizes e números usados na teoria e nas questões foram lidos na imagem.