Transformações no plano

Guia de estudo · Revisado em 04/10/2026

BNCC · EM13MAT105

Um editor de imagens tem cinco botões que mexem numa figura inteira: mover, espelhar, girar, redimensionar e inclinar. Por trás de cada botão há uma regra única aplicada a todos os pontos, e quatro dos cinco cabem em quatro números. Que números são esses, como se lê neles o que a figura vai sofrer (e em que sentido gira), por que aplicar dois botões em ordens diferentes dá figuras diferentes, e como um único número, o determinante, diz quanto a área mudou e se a figura virou do avesso?

O que você vai aprender

  • Escrever uma translação como soma de um vetor fixo a cada ponto, descobrir o vetor a partir de um ponto e da sua imagem e reconhecer que ela preserva distâncias, direções e áreas, mas não deixa ponto algum no lugar.
  • Aplicar uma matriz 2×2 a um ponto escrito como coluna, ler nas colunas da matriz as imagens de (1, 0) e (0, 1) e construir a matriz de uma transformação a partir dessas duas imagens.
  • Reconhecer e escrever as matrizes das reflexões nos eixos e nas bissetrizes, das rotações de ângulo θ em torno da origem (sentido anti-horário positivo, sinal do seno decidindo o sentido), das homotetias e escalas e dos cisalhamentos.
  • Decidir em que quadrante cai a imagem de um ponto ou de um segmento aplicando a matriz a um ponto genérico (x, y) e lendo os sinais das coordenadas novas, como pediu o PAS 3 de 2025.
  • Compor transformações multiplicando matrizes na ordem certa (a primeira aplicada fica à direita), saber que em geral o produto não comuta e usar as exceções: rotações entre si, e rotações com homotetias.
  • Usar o valor absoluto do determinante como fator de área (e o sinal como indicador de orientação preservada ou invertida), reconhecendo que determinante zero achata o plano numa reta ou num ponto.
  • Encontrar os pontos fixos e as retas invariantes de uma transformação e usá-los para identificar o tipo (rotação, reflexão, cisalhamento, homotetia, translação).
  • Distinguir isometrias (translação, rotação, reflexão e reflexão deslizante, que preservam distâncias) de semelhanças (que multiplicam todas as distâncias por um mesmo fator), como pediu o PAS 1 de 2022 sobre a obra de Escher.
  • Ler figuras impressas: dizer qual matriz levou o quadrado unitário num dado paralelogramo e decidir se existe uma matriz que leva pontos dados em imagens dadas, contando condições e incógnitas, como no PAS 3 de 2022.
  • Evitar os erros clássicos: confundir o sentido do giro, trocar a ordem dos fatores na composição, tratar translação como matriz 2×2, esquecer que a origem é fixa por toda matriz e supor que quatro pontos cabem sempre em quatro incógnitas.

Um estudante monta o cartaz da feira de ciências num editor de imagens. Ele importa o logotipo da escola, que fica torto; usa o botão girar e o desenho roda; fica pequeno; usa redimensionar e ele cresce; precisa de uma cópia espelhada para o canto oposto; usa espelhar; por fim arrasta tudo para o centro da folha. Quatro botões, quatro operações, e nenhuma delas foi feita pixel a pixel: cada botão aplica a todos os pontos do logotipo a mesma regra, que recebe as coordenadas (x,y)(x, y) de um ponto e devolve as coordenadas (x′,y′)(x', y') do ponto de chegada. Arrastar é somar um par fixo a cada ponto. Girar, espelhar, redimensionar e inclinar são regras de outro tipo: x′x' e y′y' são combinações de xx e yy com coeficientes fixos, e os coeficientes cabem numa matriz 2×22 \times 2. É o que esta página estuda: as transformações do plano, as matrizes que as representam, o que acontece quando se aplica uma depois da outra e os números que dizem, sem desenhar nada, quanto a figura cresceu, se virou do avesso e que pontos ficaram parados.

A matriz é, aqui, um objeto em ação. A álgebra de matrizes em geral (soma, produto, inversa) está na página de matrizes; os quadrantes e a leitura de pontos, na de plano cartesiano; os senos e cossenos dos ângulos usados nas rotações, na de trigonometria no triângulo e na do ciclo trigonométrico.

Mover uma figura inteira é somar o mesmo par a todos os pontos

A operação mais simples é a translação: cada ponto se desloca a mesma distância na mesma direção. Se o deslocamento é “4 para a esquerda e 2 para cima”, o ponto (x,y)(x, y) vai para (x−4,y+2)(x - 4, y + 2). O par (−4,2)(-4, 2) é o vetor da translação; a regra é somar esse vetor a cada ponto.

Translação pelo vetor $\vec{v} = (a, b)$

T(x,y)=(x+a, y+b).T(x, y) = (x + a,\ y + b).

Toda translação preserva distâncias, ângulos, áreas e a direção dos segmentos: a figura chega congruente e “paralela” à original. Para descobrir o vetor, basta um ponto e a sua imagem: v⃗=P′−P\vec{v} = P' - P. Uma translação com v⃗≠(0,0)\vec{v} \neq (0, 0) não deixa nenhum ponto no lugar.

Plano cartesiano com um quadrilátero de vértices (1, 1), (5, 1), (6, 4) e (2, 3) e a sua cópia transladada pelo vetor (−4, 2), com vértices (−3, 3), (1, 3), (2, 6) e (−2, 5). Quatro setas iguais e paralelas ligam cada vértice ao seu correspondente, e o vetor (−4, 2) está desenhado em destaque a partir da origem.
Translação pelo vetor (−4,2)(-4, 2): as quatro setas que ligam cada vértice à sua imagem são cópias do mesmo vetor. A figura não gira, não cresce e não se deforma; só muda de lugar. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 1: achar o vetor e aplicar. Numa animação, o vértice A(3,−1)A(3, -1) de um triângulo foi parar em A′(−1,4)A'(-1, 4) por uma translação. Para onde foram os outros vértices, B(5,0)B(5, 0) e C(4,3)C(4, 3)? O vetor é A′−A=(−1−3, 4−(−1))=(−4,5)A' - A = (-1 - 3,\ 4 - (-1)) = (-4, 5). Logo B′=(5−4, 0+5)=(1,5)B' = (5 - 4,\ 0 + 5) = (1, 5) e C′=(4−4, 3+5)=(0,8)C' = (4 - 4,\ 3 + 5) = (0, 8). Conferência: o lado BCBC mede 12+32=10\sqrt{1^2 + 3^2} = \sqrt{10} e o lado B′C′B'C' mede (0−1)2+(8−5)2=10\sqrt{(0 - 1)^2 + (8 - 5)^2} = \sqrt{10}; distâncias preservadas, como toda translação exige.

Há um detalhe de estrutura que vai importar na seção seguinte: a translação não pode ser escrita como uma matriz 2×22 \times 2 aplicada ao ponto. Uma matriz leva a origem na origem (multiplicar qualquer matriz pela coluna (0,0)(0, 0) dá (0,0)(0, 0)), e uma translação de vetor não nulo tira a origem do lugar. Translação é soma; as transformações da próxima seção são produto.

As colunas da matriz dizem para onde vão (1,0)(1, 0) e (0,1)(0, 1)

Uma matriz M=(abcd)M = \begin{pmatrix} a & b \\ c & d \end{pmatrix} age sobre um ponto escrito como coluna, pela conta linha sobre coluna: a primeira linha de MM multiplica a coluna e produz a nova abscissa, a segunda linha produz a nova ordenada,

x′=ax+by,y′=cx+dy,isto eˊ,(x,y)↦(x′,y′).x' = ax + by, \qquad y' = cx + dy, \qquad \text{isto é,}\quad (x, y) \mapsto (x', y').

Aplique-a ao ponto (1,0)(1, 0): sai (a,c)(a, c), a primeira coluna. Aplique ao ponto (0,1)(0, 1): sai (b,d)(b, d), a segunda coluna. Essa leitura é a chave de toda a página: a primeira coluna é a imagem de (1,0)(1, 0) e a segunda é a imagem de (0,1)(0, 1). E como qualquer ponto se escreve (x,y)=x⋅(1,0)+y⋅(0,1)(x, y) = x \cdot (1, 0) + y \cdot (0, 1), a imagem de (x,y)(x, y) é xx vezes a primeira coluna mais yy vezes a segunda: M(x,y)=x⋅(a,c)+y⋅(b,d)M(x, y) = x \cdot (a, c) + y \cdot (b, d). A matriz fica inteiramente determinada por onde ela manda dois pontos, e a figura inteira vai atrás.

Transformação linear do plano

Uma transformação TT dada por uma matriz 2×22 \times 2 tem três propriedades que a definem: T(0,0)=(0,0)T(0, 0) = (0, 0) (a origem é fixa), T(P+Q)=T(P)+T(Q)T(P + Q) = T(P) + T(Q) e T(kP)=k T(P)T(kP) = k\,T(P). Consequências geométricas: retas vão em retas (ou se achatam num ponto), segmentos em segmentos, pontos médios em pontos médios, retas paralelas em retas paralelas. O quadrado unitário, de vértices (0,0)(0, 0), (1,0)(1, 0), (1,1)(1, 1) e (0,1)(0, 1), vai no paralelogramo de vértices (0,0)(0, 0), (a,c)(a, c), (a+b,c+d)(a + b, c + d) e (b,d)(b, d).

Dois painéis. À esquerda, o quadrado unitário com os vértices (0, 0), (1, 0), (1, 1) e (0, 1) e os vetores (1, 0) e (0, 1) em cores diferentes. À direita, o paralelogramo imagem pela matriz de entradas 3, −1, 1, 2: os vetores (3, 1) e (−1, 2) nas mesmas cores, o quarto vértice (2, 3), e a matriz escrita ao lado com a primeira coluna na cor do primeiro vetor e a segunda coluna na cor do segundo.
A matriz (3−112)\begin{pmatrix} 3 & -1 \\ 1 & 2 \end{pmatrix} manda (1,0)(1, 0) em (3,1)(3, 1) e (0,1)(0, 1) em (−1,2)(-1, 2): as duas colunas. O quadrado unitário vira o paralelogramo gerado por esses dois vetores, com o quarto vértice na soma (2,3)(2, 3). Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 2: construir a matriz pelas imagens. Uma transformação linear leva (1,0)(1, 0) em (3,1)(3, 1) e (0,1)(0, 1) em (−1,2)(-1, 2). Qual é a matriz, e para onde vai o ponto (2,3)(2, 3)? As imagens são as colunas: M=(3−112)M = \begin{pmatrix} 3 & -1 \\ 1 & 2 \end{pmatrix}. Então M(2,3)=(3⋅2+(−1)⋅3, 1⋅2+2⋅3)=(3,8)M(2, 3) = (3 \cdot 2 + (-1) \cdot 3,\ 1 \cdot 2 + 2 \cdot 3) = (3, 8). Conferência pela combinação: 2⋅(3,1)+3⋅(−1,2)=(6−3, 2+6)=(3,8)2 \cdot (3, 1) + 3 \cdot (-1, 2) = (6 - 3,\ 2 + 6) = (3, 8), o mesmo ponto.

Linha ou coluna?

As imagens de (1,0)(1, 0) e (0,1)(0, 1) são as colunas, não as linhas. A matriz (3−112)\begin{pmatrix} 3 & -1 \\ 1 & 2 \end{pmatrix} e a sua transposta (31−12)\begin{pmatrix} 3 & 1 \\ -1 & 2 \end{pmatrix} são transformações diferentes: a segunda leva (1,0)(1, 0) em (3,−1)(3, -1). Ao montar uma matriz a partir de uma figura, escreva cada imagem em pé.

Espelhar é trocar um sinal (ou trocar as coordenadas)

Uma reflexão leva cada ponto ao seu simétrico em relação a uma reta, o espelho. Com o espelho passando pela origem, a reflexão é linear e tem matriz; as quatro de prova são as dos eixos e das bissetrizes.

Espelho Regra Matriz
eixo xx (reta y=0y = 0) (x,y)↦(x,−y)(x, y) \mapsto (x, -y) (100−1)\begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 0 & -1 \end{pmatrix}
eixo yy (reta x=0x = 0) (x,y)↦(−x,y)(x, y) \mapsto (-x, y) (−1001)\begin{pmatrix} -1 & 0 \\ 0 & 1 \end{pmatrix}
bissetriz y=xy = x (x,y)↦(y,x)(x, y) \mapsto (y, x) (0110)\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}
bissetriz y=−xy = -x (x,y)↦(−y,−x)(x, y) \mapsto (-y, -x) (0−1−10)\begin{pmatrix} 0 & -1 \\ -1 & 0 \end{pmatrix}

Cada uma sai da leitura das colunas. Para o espelho y=xy = x, o ponto (1,0)(1, 0) vai para (0,1)(0, 1) e o ponto (0,1)(0, 1) vai para (1,0)(1, 0): as colunas são (0,1)(0, 1) e (1,0)(1, 0). Para o espelho y=−xy = -x, (1,0)(1, 0) vai para (0,−1)(0, -1) e (0,1)(0, 1) vai para (−1,0)(-1, 0).

Plano cartesiano com uma bandeirinha assimétrica em forma de L no primeiro quadrante, com vértice de referência em (4, 1), e as suas quatro imagens: refletida no eixo x, com o vértice em (4, −1); no eixo y, em (−4, 1); na bissetriz y = x, em (1, 4); e na bissetriz y = −x, em (−1, −4). As duas bissetrizes estão tracejadas. Em cada imagem a bandeirinha aparece com a orientação invertida, e ao lado de cada uma está a matriz correspondente.
As quatro reflexões de prova aplicadas à mesma figura. Repare que a figura refletida é a imagem "no espelho": tem as mesmas medidas, mas a orientação invertida (o que era sentido anti-horário no contorno ficou horário). Diagrama autoral.

Três fatos sobre reflexões que a prova gosta de testar:

  • Reflexão desfaz a si mesma. Refletir duas vezes no mesmo espelho devolve o ponto: S⋅S=IS \cdot S = I. Confira com o espelho y=xy = x: (0110)(0110)=(1001)\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 0 & 1 \end{pmatrix}.
  • Duas reflexões seguidas dão uma rotação. Refletir no eixo xx e depois no eixo yy leva (x,y)(x, y) em (−x,−y)(-x, -y): é a meia-volta em torno da origem, e não uma reflexão (não há espelho que leve (1,0)(1, 0) em (−1,0)(-1, 0) e (0,1)(0, 1) em (0,−1)(0, -1) ao mesmo tempo). Em geral, duas reflexões em espelhos que se cruzam formando um ângulo φ\varphi compõem uma rotação de 2φ2\varphi.
  • O determinante de uma reflexão é −1-1. 1⋅(−1)−0=−11 \cdot (-1) - 0 = -1, 0⋅0−1⋅1=−10 \cdot 0 - 1 \cdot 1 = -1: o sinal negativo é a marca da inversão de orientação, assunto de uma seção adiante.

A meia-volta (x,y)↦(−x,−y)(x, y) \mapsto (-x, -y), chamada às vezes de “simetria em relação à origem”, tem matriz (−100−1)\begin{pmatrix} -1 & 0 \\ 0 & -1 \end{pmatrix} e determinante +1+1: é uma rotação de 180°180°, e a figura chega girada, não espelhada.

Girar é usar seno e cosseno, e o sinal do seno escolhe o sentido

Para girar o plano de um ângulo θ\theta em torno da origem, basta saber para onde vão (1,0)(1, 0) e (0,1)(0, 1). O ponto (1,0)(1, 0) está sobre o círculo unitário no ângulo 0°0°; girado de θ\theta no sentido anti-horário, vai parar no ângulo θ\theta, isto é, em (cos⁡θ, sen θ)(\cos\theta,\ \mathrm{sen}\,\theta). O ponto (0,1)(0, 1) está no ângulo 90°90° e vai para 90°+θ90° + \theta, isto é, para (cos⁡(90°+θ), sen(90°+θ))=(−sen θ, cos⁡θ)(\cos(90° + \theta),\ \mathrm{sen}(90° + \theta)) = (-\mathrm{sen}\,\theta,\ \cos\theta). As duas imagens são as colunas.

Matriz de rotação de ângulo $\theta$ (anti-horário, centro na origem)

R(θ)=(cos⁡θ−sen θsen θcos⁡θ),R(θ)(xy)=(xcos⁡θ−y sen θx sen θ+ycos⁡θ).R(\theta) = \begin{pmatrix} \cos\theta & -\mathrm{sen}\,\theta \\ \mathrm{sen}\,\theta & \cos\theta \end{pmatrix}, \qquad R(\theta)\begin{pmatrix} x \\ y \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} x\cos\theta - y\,\mathrm{sen}\,\theta \\ x\,\mathrm{sen}\,\theta + y\cos\theta \end{pmatrix}.

Casos de prova: R(90°)=(0−110)R(90°) = \begin{pmatrix} 0 & -1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}, regra (x,y)↦(−y,x)(x, y) \mapsto (-y, x); R(180°)=(−100−1)R(180°) = \begin{pmatrix} -1 & 0 \\ 0 & -1 \end{pmatrix}, regra (x,y)↦(−x,−y)(x, y) \mapsto (-x, -y); R(−90°)=R(270°)=(01−10)R(-90°) = R(270°) = \begin{pmatrix} 0 & 1 \\ -1 & 0 \end{pmatrix}, regra (x,y)↦(y,−x)(x, y) \mapsto (y, -x), giro horário. Toda rotação preserva distâncias e áreas: det⁡R(θ)=cos⁡2θ+sen2θ=1\det R(\theta) = \cos^2\theta + \mathrm{sen}^2\theta = 1.

Círculo unitário num plano cartesiano. O vetor (1, 0) e a sua imagem no ângulo de 60 graus, o ponto (cos 60°, sen 60°) = (1/2, √3/2), com um arco marcando o ângulo. O vetor (0, 1) e a sua imagem no ângulo de 150 graus, o ponto (−√3/2, 1/2). Ao lado, a matriz de rotação de 60 graus com as colunas nas cores dos dois vetores.
A rotação de 60°60° lê-se nas colunas: (1,0)(1, 0) vai para (cos⁡60°,sen 60°)(\cos 60°, \mathrm{sen}\,60°) e (0,1)(0, 1) vai para (−sen 60°,cos⁡60°)(-\mathrm{sen}\,60°, \cos 60°), um quarto de volta à frente no círculo. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 3: girar um triângulo de 60°60°. Os vértices O(0,0)O(0, 0), P(2,0)P(2, 0) e Q(1,3)Q(1, \sqrt{3}) formam um triângulo equilátero de lado 2. Para onde vão por R(60°)R(60°)? Com cos⁡60°=12\cos 60° = \frac{1}{2} e sen 60°=32\mathrm{sen}\,60° = \frac{\sqrt{3}}{2}, a matriz é (1/2−3/23/21/2)\begin{pmatrix} 1/2 & -\sqrt{3}/2 \\ \sqrt{3}/2 & 1/2 \end{pmatrix}. A origem fica. P′=(2⋅12, 2⋅32)=(1,3)P' = (2 \cdot \frac{1}{2},\ 2 \cdot \frac{\sqrt{3}}{2}) = (1, \sqrt{3}): o vértice PP caiu exatamente sobre o antigo QQ. Q′=(12⋅1−32⋅3, 32⋅1+12⋅3)=(12−32, 3)=(−1,3)Q' = (\frac{1}{2} \cdot 1 - \frac{\sqrt{3}}{2} \cdot \sqrt{3},\ \frac{\sqrt{3}}{2} \cdot 1 + \frac{1}{2} \cdot \sqrt{3}) = (\frac{1}{2} - \frac{3}{2},\ \sqrt{3}) = (-1, \sqrt{3}). Conferência: as três imagens estão a distância 2 da origem (1+3=2\sqrt{1 + 3} = 2) e P′Q′P'Q' mede (−1−1)2+0=2\sqrt{(-1 - 1)^2 + 0} = 2: o triângulo chegou equilátero, como a rotação exige, e girou um sexto de volta, ocupando a posição vizinha num hexágono.

O sinal do seno é o que distingue o giro anti-horário do horário. Para θ=−90°\theta = -90°, cos⁡(−90°)=0\cos(-90°) = 0 e sen(−90°)=−1\mathrm{sen}(-90°) = -1, e a matriz fica (01−10)\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ -1 & 0 \end{pmatrix}. Comparada com R(90°)R(90°), a diferença é só a posição do −1-1: em cima à direita, anti-horário; embaixo à esquerda, horário.

O $-1$ muda de canto, e o sentido muda

(0−110)\begin{pmatrix} 0 & -1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix} leva (1,0)(1, 0) em (0,1)(0, 1): o eixo xx positivo sobe para o eixo yy positivo, giro anti-horário. (01−10)\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ -1 & 0 \end{pmatrix} leva (1,0)(1, 0) em (0,−1)(0, -1): o eixo xx positivo desce, giro horário. Em vez de memorizar qual é qual, faça o teste de um segundo: multiplique a matriz por (1,0)(1, 0) e veja se a imagem subiu ou desceu. O mesmo teste serve para qualquer ângulo: a primeira coluna é o destino de (1,0)(1, 0), e a altura dela (o seno) diz o sentido.

Plano cartesiano com um triângulo no primeiro quadrante, de vértices (1, 1), (5, 2) e (2, 4), e duas imagens: pela matriz de entradas 0, −1, 1, 0, o triângulo de vértices (−1, 1), (−2, 5) e (−4, 2) no segundo quadrante, com um arco anti-horário; pela matriz de entradas 0, 1, −1, 0, o triângulo de vértices (1, −1), (2, −5) e (4, −2) no quarto quadrante, com um arco horário. As duas matrizes estão escritas ao lado das respectivas imagens.
A mesma figura girada de um quarto de volta nos dois sentidos. Com (x,y)↦(−y,x)(x, y) \mapsto (-y, x) ela vai do primeiro ao segundo quadrante; com (x,y)↦(y,−x)(x, y) \mapsto (y, -x), do primeiro ao quarto. Os sinais das coordenadas novas decidem o quadrante antes de qualquer desenho. Diagrama autoral.

Na prova, a rotação costuma vir disfarçada de regra. O PAS 3 de 2025 descreveu, para cada ponto P(x,y)P(x, y) de um canavial, o ponto Q(a,b)Q(a, b) cujas coordenadas são as linhas do produto (01−10)(xy)\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ -1 & 0 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} x \\ y \end{pmatrix}, e afirmou que, se PP percorresse um segmento da reta 3x+4y=8003x + 4y = 800 situado no primeiro quadrante, os pontos QQ formariam um segmento no quarto quadrante. Feito o produto, a=ya = y e b=−xb = -x. Para um ponto do primeiro quadrante, x>0x > 0 e y>0y > 0, logo a>0a > 0 e b<0b < 0: quarto quadrante, e o item está certo. Que a transformação seja a rotação horária de 90°90° é informação extra, útil para saber que o segmento chega com o mesmo comprimento; o julgamento só precisou dos sinais. Dá para ir além e achar a reta de chegada: como x=−bx = -b e y=ay = a, a condição 3x+4y=8003x + 4y = 800 vira −3b+4a=800-3b + 4a = 800, ou 4a−3b=8004a - 3b = 800; as extremidades (8003,0)(\frac{800}{3}, 0) e (0,200)(0, 200) do segmento original vão para (0,−8003)(0, -\frac{800}{3}) e (200,0)(200, 0), e o segmento imagem desce do eixo xx positivo para o eixo yy negativo, atravessando o quarto quadrante.

Composição de rotações é a soma dos ângulos: girar β\beta e depois α\alpha é girar α+β\alpha + \beta, isto é, R(α)⋅R(β)=R(α+β)R(\alpha) \cdot R(\beta) = R(\alpha + \beta). Isso faz das rotações uma família rara em que a ordem não importa, e esconde duas fórmulas de trigonometria: a entrada da primeira linha e primeira coluna do produto é cos⁡αcos⁡β−sen α sen β\cos\alpha\cos\beta - \mathrm{sen}\,\alpha\,\mathrm{sen}\,\beta, que tem de ser cos⁡(α+β)\cos(\alpha + \beta); a entrada logo abaixo é sen αcos⁡β+cos⁡α sen β\mathrm{sen}\,\alpha\cos\beta + \cos\alpha\,\mathrm{sen}\,\beta, que tem de ser sen(α+β)\mathrm{sen}(\alpha + \beta). Girar e desgirar devolve a identidade: R(θ)⋅R(−θ)=R(0°)=IR(\theta) \cdot R(-\theta) = R(0°) = I, de modo que a inversa de uma rotação é a rotação do ângulo oposto, que é também a transposta da matriz.

Onde a rotação de $90°$ mora

Girar uma foto no celular é aplicar R(90°)R(90°) ou R(−90°)R(-90°) a cada pixel, com a origem no centro da imagem. A ponte com os números complexos é direta: multiplicar um complexo por ii é girá-lo 90°90° no sentido anti-horário, e multiplicar por cos⁡θ+i sen θ\cos\theta + i\,\mathrm{sen}\,\theta é aplicar R(θ)R(\theta); a página de números complexos trata essa segunda linguagem para o mesmo giro. Os motores de jogos e os programas de desenho vetorial guardam cada objeto com uma matriz que acumula todos os giros, escalas e inclinações já aplicados, e multiplicam por ela só na hora de desenhar.

Ampliar, reduzir e esticar: homotetias e escalas

A homotetia de centro na origem e razão kk multiplica cada ponto por kk: (x,y)↦(kx,ky)(x, y) \mapsto (kx, ky), matriz kI=(k00k)kI = \begin{pmatrix} k & 0 \\ 0 & k \end{pmatrix}. Com k=2k = 2, todas as distâncias dobram e todas as áreas quadruplicam; com k=12k = \frac{1}{2}, as distâncias caem à metade e as áreas, a um quarto. Com kk negativo, a figura é ampliada por ∣k∣|k| e girada de 180°180°: −2I=2⋅R(180°)-2I = 2 \cdot R(180°). A homotetia preserva ângulos e a forma; é o protótipo da semelhança.

Quando os fatores são diferentes nos dois eixos, (k100k2)\begin{pmatrix} k_1 & 0 \\ 0 & k_2 \end{pmatrix}, a transformação é uma escala: (x,y)↦(k1x,k2y)(x, y) \mapsto (k_1 x, k_2 y). A matriz (2001/2)\begin{pmatrix} 2 & 0 \\ 0 & 1/2 \end{pmatrix} duplica as larguras e divide as alturas por 2; um círculo vira uma elipse, um quadrado vira um retângulo, ângulos mudam, mas a área não: 2⋅12=12 \cdot \frac{1}{2} = 1. Escalas com k1=1k_1 = 1 e k2=−1k_2 = -1 não são “esticar”, são a reflexão no eixo xx; o quadro das reflexões é o caso particular em que os fatores valem ±1\pm 1.

Exemplo resolvido 4: homotetia com centro fora da origem. Um arquiteto amplia uma planta por um fator 3 a partir do ponto C(1,1)C(1, 1), e não da origem. Para onde vai P(2,3)P(2, 3)? Uma homotetia de centro CC leva PP ao ponto P′=C+k(P−C)P' = C + k(P - C): o vetor de CC a PP é esticado por kk. Aqui P−C=(1,2)P - C = (1, 2), então P′=(1,1)+3⋅(1,2)=(4,7)P' = (1, 1) + 3 \cdot (1, 2) = (4, 7). Conferência: CC, PP e P′P' devem estar alinhados, com CP′=3⋅CPCP' = 3 \cdot CP: CP=1+4=5CP = \sqrt{1 + 4} = \sqrt{5} e CP′=9+36=35CP' = \sqrt{9 + 36} = 3\sqrt{5}. Em linguagem de matrizes, a conta é “translade CC para a origem, aplique 3I3I, translade de volta”: três passos em vez de uma matriz só, porque a homotetia centrada fora da origem não é linear (a origem sai do lugar).

Inclinar sem mudar a área: o cisalhamento

O cisalhamento horizontal de fator kk desliza cada ponto para a direita proporcionalmente à sua altura: (x,y)↦(x+ky, y)(x, y) \mapsto (x + ky,\ y), matriz (1k01)\begin{pmatrix} 1 & k \\ 0 & 1 \end{pmatrix}. Os pontos do eixo xx (altura zero) não se movem; os de altura 1 andam kk; os de altura 2 andam 2k2k. Um retângulo com a base no eixo xx vira um paralelogramo de mesma base e mesma altura, portanto de mesma área: det⁡=1⋅1−k⋅0=1\det = 1 \cdot 1 - k \cdot 0 = 1. É a transformação que os programas de texto usam para produzir um itálico sintético a partir de uma fonte reta (cada linha horizontal da letra desliza, com kk perto de 0,20{,}2, o que dá uma inclinação de uns 12°12°), e a que aparece quando um baralho de cartas empilhado é empurrado de lado. O cisalhamento vertical, (10k1)\begin{pmatrix} 1 & 0 \\ k & 1 \end{pmatrix}, faz o mesmo com os papéis dos eixos trocados: o eixo yy fica parado e os pontos sobem proporcionalmente a xx.

Três painéis com o quadrado unitário e a sua imagem. No primeiro, o cisalhamento de matriz 1, 1, 0, 1 transforma o quadrado num paralelogramo de vértices (0, 0), (1, 0), (2, 1) e (1, 1), com área 1 e determinante 1. No segundo, a matriz 2, 1, 1, 3 produz o paralelogramo de vértices (0, 0), (2, 1), (3, 4) e (1, 3), com área 5 e determinante 5. No terceiro, a matriz 1, 2, 2, 4 achata o quadrado num segmento sobre a reta y = 2x, com área 0 e determinante 0.
O quadrado unitário tem área 1; a sua imagem tem área ∣det⁡M∣|\det M|. O cisalhamento inclina sem mudar a área (determinante 1); a matriz (2113)\begin{pmatrix} 2 & 1 \\ 1 & 3 \end{pmatrix} quintuplica as áreas; a matriz (1224)\begin{pmatrix} 1 & 2 \\ 2 & 4 \end{pmatrix}, de determinante zero, achata todo o plano sobre a reta y=2xy = 2x. Diagrama autoral.

Aplicar uma depois da outra é multiplicar as matrizes, e a ordem importa

Se T1T_1 tem matriz M1M_1 e T2T_2 tem matriz M2M_2, aplicar primeiro T1T_1 e depois T2T_2 leva o ponto PP a M2(M1P)=(M2M1)PM_2(M_1 P) = (M_2 M_1) P. A transformação composta tem matriz M2⋅M1M_2 \cdot M_1: a primeira a agir é a que fica mais à direita, encostada no ponto. Como o produto de matrizes em geral não comuta, trocar a ordem das transformações muda o resultado.

Composição de transformações

“T1T_1 e depois T2T_2” tem matriz M2M1M_2 M_1 (lê-se da direita para a esquerda). A inversa de uma transformação, a que a desfaz, tem matriz M−1M^{-1}, e existe só quando det⁡M≠0\det M \neq 0. Comutam entre si: duas rotações (R(α)R(β)=R(α+β)=R(β)R(α)R(\alpha)R(\beta) = R(\alpha + \beta) = R(\beta)R(\alpha)), uma rotação e uma homotetia (kIkI comuta com qualquer matriz), duas escalas, duas translações. Não comutam, em geral: uma rotação e uma reflexão, uma reflexão e outra reflexão em espelho diferente, uma escala e uma rotação.

Exemplo resolvido 5: espelhar e girar nas duas ordens. Seja SS a reflexão no eixo xx e RR a rotação de 90°90° anti-horária. Aplique ao ponto (3,1)(3, 1) nas duas ordens. Primeiro SS, depois RR: S(3,1)=(3,−1)S(3, 1) = (3, -1), e R(3,−1)=(−(−1),3)=(1,3)R(3, -1) = (-(-1), 3) = (1, 3). Pela matriz composta, R⋅S=(0−110)(100−1)=(0110)R \cdot S = \begin{pmatrix} 0 & -1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 0 & -1 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}, a reflexão na bissetriz y=xy = x, que de fato leva (3,1)(3, 1) em (1,3)(1, 3). Primeiro RR, depois SS: R(3,1)=(−1,3)R(3, 1) = (-1, 3) e S(−1,3)=(−1,−3)S(-1, 3) = (-1, -3). Pela matriz, S⋅R=(100−1)(0−110)=(0−1−10)S \cdot R = \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 0 & -1 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} 0 & -1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 0 & -1 \\ -1 & 0 \end{pmatrix}, a reflexão na bissetriz y=−xy = -x, que leva (3,1)(3, 1) em (−1,−3)(-1, -3). Os dois resultados são reflexões (produto de uma reflexão por uma rotação inverte a orientação uma vez), mas em espelhos diferentes: (1,3)(1, 3) e (−1,−3)(-1, -3) são pontos distintos. Conferência: os dois resultados são simétricos em relação à origem, e isso tem explicação: S⋅R=R(180°)⋅(R⋅S)S \cdot R = R(180°) \cdot (R \cdot S), pois (−100−1)(0110)=(0−1−10)\begin{pmatrix} -1 & 0 \\ 0 & -1 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 0 & -1 \\ -1 & 0 \end{pmatrix}. Ambas as compostas têm determinante −1-1, e (1,3)(1, 3) e (−1,−3)(-1, -3) estão à mesma distância da origem que (3,1)(3, 1), 10\sqrt{10}: a isometria foi preservada nas duas ordens, mas o destino não.

Dois painéis, cada um com uma figura em forma de L no primeiro quadrante e o caminho em duas etapas. No painel da esquerda, refletir no eixo x e depois girar 90 graus no sentido anti-horário leva a figura ao primeiro quadrante, espelhada em relação à bissetriz y = x. No painel da direita, girar primeiro e depois refletir leva a figura ao terceiro quadrante, espelhada em relação à bissetriz y = −x. Os produtos de matrizes R·S e S·R estão escritos em cada painel, com os resultados diferentes.
As mesmas duas transformações em ordens trocadas: R⋅SR \cdot S é a reflexão em y=xy = x e S⋅RS \cdot R é a reflexão em y=−xy = -x. A matriz da composta se escreve da direita para a esquerda: a primeira a agir fica junto do ponto. Diagrama autoral.

Um uso prático da composição é a rotação em torno de um ponto qualquer, que, como a homotetia de centro fora da origem, não é linear. Para girar de θ\theta em torno de CC: translade CC para a origem, aplique R(θ)R(\theta), translade de volta. Para girar 90°90° anti-horário em torno de C(2,1)C(2, 1) o ponto P(5,2)P(5, 2): P−C=(3,1)P - C = (3, 1); R(90°)(3,1)=(−1,3)R(90°)(3, 1) = (-1, 3); P′=(2,1)+(−1,3)=(1,4)P' = (2, 1) + (-1, 3) = (1, 4). Distância de CC a PP e a P′P': 10\sqrt{10} nas duas.

O determinante mede quanto a área mudou, e o sinal diz se a figura virou do avesso

A imagem do quadrado unitário por M=(abcd)M = \begin{pmatrix} a & b \\ c & d \end{pmatrix} é o paralelogramo gerado pelos vetores (a,c)(a, c) e (b,d)(b, d), e a área desse paralelogramo é ∣ad−bc∣=∣det⁡M∣|ad - bc| = |\det M|. Como toda figura pode ser aproximada por quadradinhos, e cada quadradinho vai num paralelogramo com área multiplicada pelo mesmo fator, vale em geral:

Determinante como fator de área

Para qualquer figura de área AA, a imagem por MM tem área ∣det⁡M∣⋅A|\det M| \cdot A. O sinal de det⁡M\det M diz o que aconteceu com a orientação: positivo, a figura chega com o mesmo sentido de percurso (o contorno que era anti-horário continua anti-horário); negativo, ela chega espelhada. Rotações, cisalhamentos e a identidade têm det⁡=1\det = 1 (área e orientação preservadas); reflexões têm det⁡=−1\det = -1 (área preservada, orientação invertida); homotetias de razão kk têm det⁡=k2\det = k^2; escalas têm det⁡=k1k2\det = k_1 k_2. Se det⁡M=0\det M = 0, a imagem de qualquer figura tem área zero: o plano inteiro é achatado numa reta (ou num ponto), a transformação não tem inversa e os pontos de chegada não permitem recuperar os de partida.

Exemplo resolvido 6: área de um triângulo transformado. O triângulo de vértices (0,0)(0, 0), (2,0)(2, 0) e (0,2)(0, 2) tem área 2. Qual é a área da sua imagem por M=(2113)M = \begin{pmatrix} 2 & 1 \\ 1 & 3 \end{pmatrix}? Pelo determinante, det⁡M=6−1=5\det M = 6 - 1 = 5, e a imagem tem área 5⋅2=105 \cdot 2 = 10. Conferência direta: as imagens dos vértices são (0,0)(0, 0), (4,2)(4, 2) e (2,6)(2, 6); a área do triângulo com um vértice na origem é metade do módulo do determinante dos outros dois, 12∣4⋅6−2⋅2∣=12⋅20=10\frac{1}{2}|4 \cdot 6 - 2 \cdot 2| = \frac{1}{2} \cdot 20 = 10. As duas contas fecham. Como det⁡M>0\det M > 0, o contorno (0,0)→(2,0)→(0,2)(0, 0) \to (2, 0) \to (0, 2), que é anti-horário, continua anti-horário na imagem.

O caso det⁡=0\det = 0 merece um exemplo. A matriz (1224)\begin{pmatrix} 1 & 2 \\ 2 & 4 \end{pmatrix} leva (x,y)(x, y) em (x+2y, 2x+4y)=(x+2y)⋅(1,2)(x + 2y,\ 2x + 4y) = (x + 2y) \cdot (1, 2): toda imagem é um múltiplo de (1,2)(1, 2), isto é, está sobre a reta y=2xy = 2x. O quadrado unitário vira um segmento, um círculo vira um segmento, e pontos diferentes, como (2,0)(2, 0) e (0,1)(0, 1), caem no mesmo lugar, (2,4)(2, 4). A segunda coluna é o dobro da primeira, e é exatamente por isso que o determinante se anula: as duas imagens básicas são paralelas, e o paralelogramo que elas geram é degenerado.

A mesa de Kuczyński (PAS 3 2022). Um texto-base da prova pôs a ilustração Jantar num plano cartesiano em decímetros, com os vértices da mesa em A(0,0)A(0, 0), B(−2,5)B(-2, 5), C(4,6)C(4, 6) e D(9,2)D(9, 2), e informou que a matriz 149(52−29)\frac{1}{49}\begin{pmatrix} 5 & 2 \\ -2 & 9 \end{pmatrix} leva esses pontos a A′A', B′B', C′C' e D′D', numa transformação que o texto chamou de cisalhamento. Vale aplicar a matriz: B′=149(5⋅(−2)+2⋅5, −2⋅(−2)+9⋅5)=149(0,49)=(0,1)B' = \frac{1}{49}(5 \cdot (-2) + 2 \cdot 5,\ -2 \cdot (-2) + 9 \cdot 5) = \frac{1}{49}(0, 49) = (0, 1); C′=149(20+12, −8+54)=(3249,4649)C' = \frac{1}{49}(20 + 12,\ -8 + 54) = (\frac{32}{49}, \frac{46}{49}); D′=149(45+4, −18+18)=(1,0)D' = \frac{1}{49}(45 + 4,\ -18 + 18) = (1, 0); A′=(0,0)A' = (0, 0). A mesa inclinada chega quase num quadrado de lado 1. O determinante é 1492(45+4)=149\frac{1}{49^2}(45 + 4) = \frac{1}{49}, de modo que a área da mesa imagem é 149\frac{1}{49} da original; e a área original, pela fórmula das coordenadas aplicada ao quadrilátero ABCDABCD, é 12∣0−32−46+0∣=39\frac{1}{2}|0 - 32 - 46 + 0| = 39 dm² (esse 39 foi a resposta de um item tipo B do mesmo bloco). A mesa transformada tem, portanto, área 3949\frac{39}{49} dm², pouco menos que 1, como convém a uma figura que cabe quase no quadrado unitário. No sentido estrito desta página, um cisalhamento tem determinante 1 e uma reta fixa ponto a ponto; a matriz impressa, com determinante 149\frac{1}{49}, inclina e encolhe, e o texto usou o nome no sentido largo de deformação que entorta a figura.

Que pontos ficam parados? Pontos fixos e retas invariantes

Um ponto fixo de uma transformação TT é um ponto PP com T(P)=PT(P) = P. Para uma matriz, a condição MP=PMP = P é um sistema linear homogêneo, (M−I)P=0(M - I)P = 0, e as soluções dizem muito sobre o tipo da transformação:

Transformação Pontos fixos Retas invariantes (levadas em si mesmas)
translação, v⃗≠0\vec{v} \neq 0 nenhum todas as retas paralelas a v⃗\vec{v}
rotação de θ≠0°\theta \neq 0° em torno de OO só a origem nenhuma (para θ=180°\theta = 180°, todas as retas pela origem)
reflexão num espelho rr todos os pontos de rr rr e todas as retas perpendiculares a rr
homotetia de razão k≠1k \neq 1 só a origem todas as retas pela origem
cisalhamento horizontal todos os pontos do eixo xx todas as retas horizontais y=cy = c
identidade todos todas

Uma reta invariante é uma reta que a transformação leva em si mesma, mesmo que os pontos dela troquem de lugar: no cisalhamento horizontal, a reta y=2y = 2 é invariante (cada ponto dela desliza 2k2k para a direita, mas continua na reta), enquanto só o eixo xx é fixo ponto a ponto. Essa distinção decide itens do tipo “a transformação deixa a reta rr no lugar”: é preciso saber se a pergunta é sobre a reta como conjunto ou sobre cada um dos seus pontos.

Exemplo resolvido 7: identificar uma transformação pelos pontos fixos. A matriz M=(3−210)M = \begin{pmatrix} 3 & -2 \\ 1 & 0 \end{pmatrix} deixa algum ponto parado além da origem? A condição M(x,y)=(x,y)M(x, y) = (x, y) dá 3x−2y=x3x - 2y = x e x=yx = y. Da segunda, y=xy = x; na primeira, 3x−2x=x3x - 2x = x, verdadeiro para todo xx. Logo toda a reta y=xy = x é fixa ponto a ponto. Não é uma reflexão (o determinante vale 0+2=20 + 2 = 2, e reflexões têm det⁡=−1\det = -1) nem um cisalhamento (que teria det⁡=1\det = 1): é uma transformação que fixa a bissetriz e estica o resto do plano, multiplicando as áreas por 2. Conferência: M(1,1)=(3−2,1)=(1,1)M(1, 1) = (3 - 2, 1) = (1, 1) e M(5,5)=(15−10,5)=(5,5)M(5, 5) = (15 - 10, 5) = (5, 5); já M(1,0)=(3,1)M(1, 0) = (3, 1) saiu do lugar.

Isometrias e semelhanças: o que se preserva

Isometria e semelhança

Uma isometria (do grego, “mesma medida”) é uma transformação que preserva distâncias: a imagem de qualquer segmento tem o comprimento do original. As isometrias do plano são de quatro tipos: translação, rotação, reflexão e reflexão deslizante (reflexão seguida de translação paralela ao espelho). Toda isometria preserva também ângulos e áreas, e leva uma figura numa figura congruente. Uma semelhança de razão k>0k > 0 multiplica todas as distâncias por kk: preserva ângulos e a forma, multiplica áreas por k2k^2 e leva uma figura numa figura semelhante; a homotetia é o exemplo-padrão, e toda semelhança é uma isometria composta com uma homotetia.

Quando a isometria é linear (fixa a origem), a matriz tem um formato reconhecível: as colunas, imagens de (1,0)(1, 0) e (0,1)(0, 1), têm comprimento 1 e são perpendiculares. Se o determinante é +1+1, a matriz é uma rotação R(θ)R(\theta); se é −1-1, uma reflexão num espelho pela origem. Uma semelhança linear de razão kk é kk vezes uma dessas: (11−11)\begin{pmatrix} 1 & 1 \\ -1 & 1 \end{pmatrix}, por exemplo, tem colunas (1,−1)(1, -1) e (1,1)(1, 1), perpendiculares e de comprimento 2\sqrt{2}; ela é 2⋅R(−45°)\sqrt{2} \cdot R(-45°), uma rotação horária de 45°45° com ampliação por 2\sqrt{2}, e o seu determinante, 2=(2)22 = (\sqrt{2})^2, confirma o fator de área.

As isometrias são o vocabulário dos ladrilhamentos: cobrir o plano com cópias de um mesmo motivo é repetir o motivo por translações, rotações, reflexões e reflexões deslizantes, e as gravuras de M. C. Escher, com peixes, pássaros e lagartos que se encaixam sem fresta, são o exemplo clássico. O PAS 1 de 2022 pendurou um bloco de seis itens na xilogravura Metamorphosis I, e um deles afirmou que isometrias são movimentos rígidos, como rotação e translação, mas que não seria possível verificar transformações desse tipo na obra: o item está errado, porque o padrão de losangos repetidos da gravura nasce justamente de deslocar e espelhar um único motivo. A definição da primeira metade estava certa; a conclusão a contradizia.

Quatro painéis lado a lado, cada um com um mesmo motivo assimétrico em forma de T invertido e a sua cópia. No primeiro, a cópia está deslocada para cima e para a direita, translação, com uma seta indicando o vetor. No segundo, a cópia está girada de 90 graus em torno de um ponto marcado, rotação. No terceiro, a cópia está espelhada em relação a uma reta vertical tracejada, reflexão. No quarto, a cópia está espelhada em relação a uma reta horizontal e deslocada ao longo dela, reflexão deslizante, com uma seta indicando o deslocamento.
As quatro isometrias do plano, aplicadas ao mesmo motivo: translação, rotação, reflexão e reflexão deslizante. Em todas, a cópia tem as mesmas medidas do original; nas duas últimas, a orientação está invertida. Ladrilhamentos como os de Escher são repetições do motivo por essas quatro operações. Diagrama autoral.
Dezessete e só dezessete

Há exatamente 17 maneiras essencialmente diferentes de combinar isometrias para repetir um motivo por todo o plano, os chamados grupos de papel de parede, classificados no fim do século XIX (Fedorov, 1891). Padrões de azulejos, de tecidos e de gravuras se encaixam sempre num desses 17 tipos, e Escher, que não era matemático, os redescobriu na prática estudando os mosaicos da Alhambra, em Granada, onde se encontram exemplares de boa parte deles.

Ler a figura: qual matriz fez isso?

Na prova, o caminho inverso é frequente: a figura original e a imagem estão impressas, e o item pergunta pela matriz, ou afirma que uma certa matriz (ou “uma única matriz”) faz a transformação. O método tem dois passos.

Passo 1, com o quadrado unitário. Se a figura de partida é o quadrado unitário, os dois vértices da imagem adjacentes à origem são as colunas da matriz. Um paralelogramo de vértices (0,0)(0, 0), (3,1)(3, 1), (4,3)(4, 3) e (1,2)(1, 2) vem de M=(3112)M = \begin{pmatrix} 3 & 1 \\ 1 & 2 \end{pmatrix}, colunas (3,1)(3, 1) e (1,2)(1, 2); o quarto vértice tem de ser a soma das colunas, (4,3)(4, 3), e é. Se o quarto vértice impresso não fosse a soma, não haveria matriz: a figura não seria a imagem linear de um quadrado.

Passo 2, com pontos quaisquer. Se a prova dá pontos PP, QQ, …\ldots e as imagens P′P', Q′Q', …\ldots, cada ponto gera duas equações nas quatro incógnitas aa, bb, cc, dd (uma para a abscissa da imagem, outra para a ordenada). Dois pontos não alinhados com a origem geram quatro equações e determinam a matriz sozinhos. Um terceiro ponto não acrescenta incógnita nenhuma: a sua imagem já está forçada pela matriz encontrada, e o item se decide conferindo se a imagem forçada coincide com a impressa. A origem, por sua vez, não gera informação (vai sempre em si mesma) e não pode ir a lugar nenhum fora da origem.

Exemplo resolvido 8: existe a matriz? Uma transformação linear deveria levar P(1,2)P(1, 2) em P′(3,1)P'(3, 1) e Q(2,−1)Q(2, -1) em Q′(1,−3)Q'(1, -3). (a) Encontre a matriz. (b) Ela pode levar R(3,1)R(3, 1) em R′(4,2)R'(4, 2)? (a) Da abscissa: a⋅1+b⋅2=3a \cdot 1 + b \cdot 2 = 3 e a⋅2+b⋅(−1)=1a \cdot 2 + b \cdot (-1) = 1; da segunda, b=2a−1b = 2a - 1, e na primeira a+4a−2=3a + 4a - 2 = 3, logo a=1a = 1 e b=1b = 1. Da ordenada: c+2d=1c + 2d = 1 e 2c−d=−32c - d = -3; d=2c+3d = 2c + 3, c+4c+6=1c + 4c + 6 = 1, c=−1c = -1 e d=1d = 1. A matriz é M=(11−11)M = \begin{pmatrix} 1 & 1 \\ -1 & 1 \end{pmatrix} (a semelhança 2⋅R(−45°)\sqrt{2} \cdot R(-45°) da seção anterior). (b) A imagem de RR está forçada: M(3,1)=(3+1, −3+1)=(4,−2)M(3, 1) = (3 + 1,\ -3 + 1) = (4, -2), e não (4,2)(4, 2). Nenhuma matriz cumpre as três exigências; uma afirmação do tipo “existe uma única matriz que leva PP, QQ e RR em P′P', Q′Q' e R′R'” seria falsa. Conferência: M(1,2)=(3,−1+2)=(3,1)M(1, 2) = (3, -1 + 2) = (3, 1) e M(2,−1)=(1,−2−1)=(1,−3)M(2, -1) = (1, -2 - 1) = (1, -3), as duas imagens dadas.

Quatro pontos não cabem em quatro incógnitas

A intuição “quatro incógnitas, quatro pontos, a conta fecha” é a isca. Cada ponto fora da origem impõe duas condições, e a origem não impõe nenhuma. Três pontos fora da origem impõem seis condições sobre quatro números, e em geral não há solução. Julgue contando condições, não pontos.

Foi exatamente essa a armadilha do PAS 3 de 2022: sobre os vértices da mesa, A(0,0)A(0, 0), B(−2,5)B(-2, 5), C(4,6)C(4, 6) e D(9,2)D(9, 2), um item afirmou que existe uma única matriz (abcd)\begin{pmatrix} a & b \\ c & d \end{pmatrix} que transforma AA, BB, CC e DD em A′(0,0)A'(0, 0), B′(1,0)B'(1, 0), C′(0,1)C'(0, 1) e D′(1,1)D'(1, 1). A origem vai sozinha. As condições sobre BB e CC determinam a matriz: −2a+5b=1-2a + 5b = 1 e 4a+6b=04a + 6b = 0 dão a=−316a = -\frac{3}{16} e b=18b = \frac{1}{8}; −2c+5d=0-2c + 5d = 0 e 4c+6d=14c + 6d = 1 dão c=532c = \frac{5}{32} e d=116d = \frac{1}{16}. A imagem de DD fica forçada em (9a+2b, 9c+2d)=(−2716+416, 4532+432)=(−2316,4932)(9a + 2b,\ 9c + 2d) = (-\frac{27}{16} + \frac{4}{16},\ \frac{45}{32} + \frac{4}{32}) = (-\frac{23}{16}, \frac{49}{32}), longe de (1,1)(1, 1). Não existe matriz alguma, e “existe uma única” é falso: item errado. Há um atalho geométrico: os pontos A′A', B′B', D′D' e C′C' são os vértices de um quadrado, cujo vértice oposto à origem é a soma B′+C′B' + C'; se DD fosse a imagem linear correspondente, DD teria de ser B+C=(2,11)B + C = (2, 11), e é (9,2)(9, 2). A mesa não é um paralelogramo, e uma transformação linear nunca leva um quadrilátero que não é paralelogramo num paralelogramo de área não nula (se det⁡M=0\det M = 0 a imagem é um segmento, e o quadrado A′B′D′C′A'B'D'C' tem área 1).

Como a banca pergunta

Os itens de transformações do PAS chegam com um texto-base (um canavial, uma ilustração, uma gravura) e pedem, em geral, uma destas cinco coisas:

  1. Executar uma regra dada e ler sinais. A matriz vem impressa; o item afirma em que quadrante cai a imagem de um segmento ou de uma região. Aplique a matriz a (x,y)(x, y) com letras, escreva x′x' e y′y' e leia os sinais. Foi o item de 2025.
  2. Decidir se existe (ou se é única) a matriz que leva pontos dados em imagens dadas. Conte condições (duas por ponto fora da origem) contra as quatro incógnitas; com dois pontos independentes a matriz está determinada, e o terceiro ponto é um teste. Foi o item de 2022.
  3. Reconhecer isometrias numa obra. A afirmação costuma trazer uma definição correta seguida de uma conclusão falsa sobre a figura, ou o contrário. Separe as duas metades e julgue cada uma. Foi o item do PAS 1 de 2022 sobre Escher.
  4. Compor e comparar ordens. “Aplicar M1M_1 e depois M2M_2 equivale a aplicar M1M2M_1 M_2”: falso em geral, a composta é M2M1M_2 M_1. Exceções a lembrar: duas rotações, rotação com homotetia.
  5. Área e determinante. “A imagem do triângulo tem a mesma área”: verdadeiro se ∣det⁡∣=1|\det| = 1 (rotação, reflexão, cisalhamento), falso em caso contrário; a área da imagem é ∣det⁡∣|\det| vezes a área original.

O item tipo B pode pedir o determinante, uma coordenada da imagem de um ponto ou a área da figura transformada; o tipo C, qual das matrizes impressas faz uma certa transformação. Em todos, a conta é curta; o que decide é a leitura das colunas e dos sinais.

Os erros que mais derrubam

  • Sentido do giro. (0−110)\begin{pmatrix} 0 & -1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix} e (01−10)\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ -1 & 0 \end{pmatrix} diferem só na posição do −1-1 e giram em sentidos opostos. Aplique a (1,0)(1, 0): se a imagem tem ordenada positiva, o giro é anti-horário.
  • Ordem da composição. “Primeiro T1T_1, depois T2T_2” é M2M1M_2 M_1, com a primeira à direita. Entre as transformações de prova, trocam de ordem sem mudar o resultado: rotações entre si, escalas entre si e qualquer uma delas com uma homotetia; reflexão com rotação, ou com reflexão em outro espelho, em geral não.
  • Translação como matriz 2×22 \times 2. Não existe: a matriz fixa a origem, a translação não. Translação é soma de vetor; rotação em torno de um ponto fora da origem e homotetia de centro fora da origem são “transladar, aplicar a matriz, transladar de volta”.
  • Linhas no lugar de colunas. As imagens de (1,0)(1, 0) e (0,1)(0, 1) são as colunas. A transposta é outra transformação (para rotações, é a rotação oposta).
  • Determinante em vez de módulo. O fator de área é ∣det⁡∣|\det|; o sinal informa a orientação. Uma reflexão tem det⁡=−1\det = -1 e preserva a área.
  • “Quatro pontos, quatro incógnitas”. Cada ponto fora da origem impõe duas condições; a origem, nenhuma. Três pontos independentes em geral não têm matriz.
  • Confundir reta invariante com pontos fixos. No cisalhamento horizontal, toda reta y=cy = c é invariante, mas só o eixo xx é fixo ponto a ponto.
  • Chamar a meia-volta de reflexão. (x,y)↦(−x,−y)(x, y) \mapsto (-x, -y) é R(180°)R(180°), determinante +1+1: a figura chega girada, com a orientação preservada.

O essencial em meia página

  • Translação: (x,y)↦(x+a,y+b)(x, y) \mapsto (x + a, y + b); soma de vetor, não matriz; preserva tudo, não fixa ponto algum; v⃗=P′−P\vec{v} = P' - P.
  • Matriz 2×22 \times 2: (x,y)↦(ax+by,cx+dy)(x, y) \mapsto (ax + by, cx + dy); colunas = imagens de (1,0)(1, 0) e (0,1)(0, 1); origem fixa; quadrado unitário vai no paralelogramo das colunas.
  • Reflexões: eixo xx (100−1)\begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 0 & -1 \end{pmatrix}; eixo yy (−1001)\begin{pmatrix} -1 & 0 \\ 0 & 1 \end{pmatrix}; y=xy = x (0110)\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}; y=−xy = -x (0−1−10)\begin{pmatrix} 0 & -1 \\ -1 & 0 \end{pmatrix}. det⁡=−1\det = -1; S2=IS^2 = I; duas reflexões = rotação do dobro do ângulo entre os espelhos.
  • Rotação: R(θ)=(cos⁡θ−sen θsen θcos⁡θ)R(\theta) = \begin{pmatrix} \cos\theta & -\mathrm{sen}\,\theta \\ \mathrm{sen}\,\theta & \cos\theta \end{pmatrix}, anti-horária; R(90°)R(90°): (x,y)↦(−y,x)(x, y) \mapsto (-y, x); R(−90°)R(-90°): (x,y)↦(y,−x)(x, y) \mapsto (y, -x); R(180°)R(180°): (x,y)↦(−x,−y)(x, y) \mapsto (-x, -y). det⁡=1\det = 1; R(α)R(β)=R(α+β)R(\alpha)R(\beta) = R(\alpha + \beta); inversa =R(−θ)== R(-\theta) = transposta.
  • Homotetia e escala: kIkI (distâncias ×k\times k, áreas ×k2\times k^2, k<0k < 0 inclui meia-volta); (k100k2)\begin{pmatrix} k_1 & 0 \\ 0 & k_2 \end{pmatrix} (áreas ×k1k2\times k_1 k_2). Centro fora da origem: P′=C+k(P−C)P' = C + k(P - C).
  • Cisalhamento: (1k01)\begin{pmatrix} 1 & k \\ 0 & 1 \end{pmatrix}, (x,y)↦(x+ky,y)(x, y) \mapsto (x + ky, y); eixo xx fixo; det⁡=1\det = 1, área preservada.
  • Composição: “T1T_1 depois T2T_2” =M2M1= M_2 M_1; não comuta em geral; rotações comutam entre si e com homotetias.
  • Determinante: área da imagem =∣det⁡M∣⋅= |\det M| \cdot área; sinal negativo = orientação invertida; det⁡=0\det = 0 achata o plano numa reta, sem inversa.
  • Pontos fixos: resolva MP=PMP = P. Rotação e homotetia: só a origem; reflexão: o espelho inteiro; cisalhamento: o eixo; translação: nenhum.
  • Isometrias: translação, rotação, reflexão, reflexão deslizante; preservam distâncias (figura congruente). Semelhança: distâncias ×k\times k, áreas ×k2\times k^2 (figura semelhante). Matriz de isometria linear: colunas unitárias e perpendiculares; det⁡=+1\det = +1 rotação, −1-1 reflexão.
  • Na prova: regra dada → aplique a (x,y)(x, y) e leia sinais; “existe a matriz?” → duas condições por ponto, a origem não conta, o terceiro ponto é teste; obra de arte → separe definição e conclusão.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Transformações no plano: reflexão, translação e rotação de figuras geométricas
Professora Gisele Ramos - Matemática · 10:11
Introdução. Segundo a descrição da autora, a aula “fala sobre transformações no plano, tais como a reflexão, a translação e rotação”, mostra “a composição destas transformações” e explica “o que é um eixo de reflexão, um vetor de translação e um centro de rotação”, com capítulos marcados (Reflexão 00:00, Translação 02:36, Rotação 04:43). É a geometria das seções “Mover uma figura inteira é somar o mesmo par a todos os pontos”, “Espelhar é trocar um sinal” e “Girar é usar seno e cosseno”, antes das matrizes.
Transformações Lineares - Projeção, Reflexão, Rotação, Ampliação
Matemática Na Vida · 23:39
Aprofundamento. A descrição do autor promete “o que é uma transformação linear”, “como calcular as transformações lineares, encontrar vetores a partir de uma transformação linear” e “as transformações lineares de projeção, reflexão, rotação e ampliação ou redução”: é o conteúdo das seções “As colunas da matriz dizem para onde vão (1, 0) e (0, 1)”, das reflexões, da rotação e da homotetia, com a matriz de cada uma escrita por extenso.
Transformação no plano: cisalhamento
Matna - Matemática com a professora Naara · 10:28
Aplicação. Aula dedicada só ao cisalhamento (“nesta aula, iremos discutir e aplicar cisalhamento no plano”, na descrição da autora): a matriz com 1 na diagonal e o fator fora dela, o deslizamento proporcional à altura e o efeito sobre o quadrado. É a seção “Inclinar sem mudar a área: o cisalhamento”, e serve de ponte para o texto-base da mesa de Kuczyński do PAS 3 de 2022.
Isometrias no Plano
O Geogebra · 13:00
Aplicação com ferramenta. “Reflexões, translações e rotações de figuras no GeoGebra”, segundo a descrição do canal: mostra como construir cada isometria com os comandos do programa e ver a figura e a imagem ao mesmo tempo. Complementa a seção “Isometrias e semelhanças: o que se preserva” e a figura das quatro isometrias; quem quiser testar as matrizes da página pode usar o comando AplicarMatriz do GeoGebra.
PAS 3 UnB 2025 - Item 26 | Matrizes x Geometria Analítica - Prof. Tatarin
Matemática Linda · 10:37
Resolução de prova. O professor Tatarin resolve “passo a passo o item 26 de Geometria Analítica do PAS 3 UnB 2025” (a descrição traz o enunciado completo: a matriz de giro horário aplicada aos pontos do segmento 3x + 4y = 800 do canavial). É o item real tratado na seção “Girar é usar seno e cosseno” e vinculado nos exercícios desta página; vale assistir depois de tentar sozinho.
Rota PAS 3
Matrizes e sistemas: a álgebra que liga circuitos · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Matrizes e sistemas: a álgebra que liga circuitos · Antes de começar (ideia 5: sinais dos quadrantes e a tabela de senos e cossenos); O que cai daqui (linha Transformações do plano e rotações, MAT5/MAT6); Transformações do plano: a máquina de girar pontos (conceito da matriz 2×2 e da matriz de rotação, item PAS 3 2025/26, composição R(α)R(β) = R(α + β), armadilha do sentido); Como a banca cobra (item PAS 3 2022/117 e o texto-base de Kuczyński); síntese (Transformações); Banco de treino T1, T2, T8 e T9

    Recorte por assunto: só a matriz como movimento do plano. O capítulo foi fonte de fatos, de recorte e dos dois itens reais do PAS 3; a abertura, os exemplos, os números, as figuras e a ordem desta página são próprios, e a página amplia o capítulo com translação, reflexões, homotetia, cisalhamento, determinante como área, pontos fixos e isometrias. Fora: álgebra geral de matrizes (matematica/matrizes), determinantes 3×3 e Cramer (matematica/determinantes), complexos como rotação (página futura de números complexos).

  • Rota PAS 1 — Geometria plana: ladrilhamento e isometrias · Ladrilhar o plano (condição dos 360°) e Na prova (item PAS 1 2022/98, isometrias na xilogravura Metamorphosis I de Escher); síntese (Ladrilhamento)

    Só a definição de isometria e o item real, reusado por GUID da página angulos-e-poligonos; o ladrilhamento em si é assunto da página de ângulos e polígonos.

  • Mapa de itens de Matemática do PAS 3 (p1-mat a p4-mat + grep nas três classificações) · Linhas TP: PAS 3 2025/26, PAS 3 2022/117 e PAS 1 2022/98; a ponte com complexos (2016/90 e 2021/113) fica para a página de números complexos

    Mapa vinculante do bloco; os três itens desta página foram abertos na imagem do caderno a 150 dpi.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 3 2025 (item 26, gabarito C), PAS 3 2022 (texto-base de Pawel Kuczyński, itens 117 a 120; gabarito 117 E), PAS 1 2022 (texto-base de Escher, itens 95 a 100; gabarito 98 E)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos lidos nos GAB oficiais e conferidos em classificacao-pas3/2025.json, classificacao-pas3/2022.json e classificacao/2022.json.

  • Cadernos em PDF (figuras e matrizes impressas) · 2025-PAS3 p. 5 do PDF (a matriz [[0, 1], [−1, 0]] impressa no item 26); 2022-PAS3 p. 16 do PDF (Figura VI com A = (0, 0), B = (−2, 5), C = (4, 6), D = (9, 2); a matriz (1/49)[[5, 2], [−2, 9]] chamada de cisalhamento no texto-base; Figura VII com A′ = (0, 0), B′ = (0, 1), C′ = (32/49, 46/49), D′ = (1, 0)); 2022-PAS1 p. 11 do PDF (Metamorphosis I e o item 98)

    Páginas abertas a 150 dpi. O caderno de 2022 escreve B = (−2, 5), e a Figura VII confirma (a matriz impressa leva B em (0, 1), C em (32/49, 46/49) e D em (1, 0)); o livro Rota PAS 3 trazia B(2, 5) e foi corrigido.