A prova do PAS disse que as pás de um helicóptero giram 600π radianos por minuto e perguntou quantos metros ele avança por rotação; em outro ano, deu cos(t² − 36t + 260) = 1 e pediu a temperatura. O que é, afinal, um radiano, e como um único círculo de raio 1 dá seno, cosseno e tangente de qualquer ângulo, de 0° a milhares de graus, negativos inclusive?
O que você vai aprender
Definir o radiano pelo comprimento do arco (1 rad é o ângulo cujo arco mede um raio), converter graus e radianos pela âncora 180° = π rad e estimar 1 rad ≈ 57,3° sem calculadora.
Calcular comprimento de arco (s = θr), área de setor (A = θr²/2) e número de voltas a partir de um ângulo em radianos, inclusive em rodas, relógios e trajetórias circulares.
Localizar um ângulo no círculo trigonométrico (raio 1, origem em (1, 0), sentido anti-horário positivo), ler seno e cosseno como ordenada e abscissa do ponto e a tangente como segmento no eixo das tangentes.
Determinar os sinais de seno, cosseno e tangente em cada quadrante e os valores notáveis em toda a volta (0, π/6, π/4, π/3, π/2, …, 2π), sem decorar: por simetria a partir do 1.º quadrante.
Reduzir ao 1.º quadrante pelas simetrias π − x, π + x, 2π − x e −x, usar ângulos complementares e justificar relações como cos(π/2 + x) = −sen x no próprio círculo.
Reconhecer arcos côngruos (x + 2kπ), achar a determinação principal, e resolver equações simples como sen x = 1/2, cos x = 1 e tg x = 1 em [0, 2π) e no conjunto de todas as soluções.
O bloco de 2019 do PAS 2 que falava de cinema (a cena do ataque de helicópteros embalada por Wagner) trazia um dado que parecia física e era só vocabulário: as pás do helicóptero giram, a cada minuto, “um ângulo igual a 600π radianos”; o aparelho voa a 90 km/h; quantos metros ele avança a cada rotação completa das pás? Há duas maneiras de encarar o “600π”. Uma é pegar a calculadora e obter 1 884,96, um número que não leva a lugar nenhum. A outra é lembrar que uma volta inteira vale 2π e ler 600π como 300 voltas; daí em diante a conta é de quarta série: 1 500 metros por minuto repartidos por 300 voltas por minuto dão 5 metros por volta. Na mesma prova, outro item deu cos(t2−36t+260)=1 e pediu a temperatura: a única trigonometria necessária era saber que o cosseno vale 1 só quando o ângulo é um número inteiro de voltas.
É disso que trata esta página. O triângulo retângulo define seno, cosseno e tangente para ângulos entre 0∘ e 90∘ e não vai além: não existe triângulo com um ângulo de 150∘ e outro reto, muito menos de 1000∘ ou de −30∘. O círculo trigonométrico (uma circunferência de raio 1 centrada na origem) remove a limitação: cada ângulo, de qualquer tamanho e de qualquer sinal, marca um ponto, e as coordenadas desse ponto são o cosseno e o seno. Antes dele, porém, é preciso trocar a unidade: o ângulo passa a ser medido pelo arco, em radianos, e é nessa unidade que a prova escreve π/4, 600π e 2π. As funções seno e cosseno como ondas, com amplitude e período, são a página seguinte; aqui o ponto ainda não corre com o tempo, só fica parado onde o ângulo o colocou.
Um ângulo se mede pela abertura ou pelo arco
Um portão de garagem preso por dobradiças abre até encostar no muro lateral, e fica perpendicular à posição em que estava. Quanto ele girou? Dá para responder de dois jeitos. Pode-se olhar a abertura formada entre a posição fechada e a aberta, o ângulo propriamente dito; ou pode-se medir o rastro que a ponta livre do portão riscou no chão, o arco de circunferência cujo raio é a largura do portão. A primeira maneira dá os graus: a volta inteira foi dividida em 360 partes (uma herança dos astrônomos da Babilônia, que contavam em base 60 e tinham um ano de cerca de 360 dias), e um quarto de volta são 90∘. Uma variante é o grado, que divide a volta em 400 partes (o ângulo reto vale 100 grados): foi criado na França revolucionária para “decimalizar” o ângulo, sobrevive em topografia e em uma tecla da calculadora científica (GRAD), e não aparece em prova nenhuma. Fica a menção, para ninguém confundir a tecla.
A segunda maneira é a que a matemática prefere. Em vez de dividir a volta em um número arbitrário de partes, mede-se o arco em raios: quantos raios cabem no arco que o ângulo recorta. Essa medida não depende de 360 nem de 400; depende só do círculo.
Radiano: o ângulo cujo arco mede um raio
Pegue um pedaço de barbante do tamanho exato do raio e assente-o sobre a circunferência, a partir de um ponto A: o ângulo central que enxerga esse pedaço é, por definição, 1 radiano. Para um ângulo central qualquer, a medida em radianos é o número de “raios” que cabem no arco, isto é, o quociente entre arco e raio:
θ=rs.
O contorno completo tem comprimento 2πr, portanto a volta mede r2πr=2π radianos, e as frações saem por divisão: π para meia-volta, 2π para um quarto. Para passar de uma unidade à outra, basta uma proporção apoiada na igualdade 180∘=π rad:
θrad=180θgrausπ,θgraus=πθrad180.
Um radiano vale π180∘≈57,3∘, pouco abaixo de 60∘; a geometria explica o “pouco abaixo”: o lado do hexágono inscrito mede exatamente um raio e enxerga 60∘, mas é uma corda, e o arco de 60∘ é mais comprido que ela; o arco que mede só um raio fecha, portanto, um ângulo menor. Um grau vale 180π≈0,01745 rad.
Um radiano é o ângulo cujo arco tem o comprimento do raio. Enrolando o raio sobre a circunferência, ele cabe seis vezes e sobra um pedaço: a volta mede 2π≈6,28 raios. Diagrama autoral.
A razão s/r é um comprimento dividido por um comprimento: metro sobre metro, centímetro sobre centímetro. O radiano, portanto, não tem dimensão; a palavra “rad” é só um lembrete de que o ângulo está sendo medido pelo arco. É por isso que a prova pode escrever “600π radianos” e, na linha seguinte, dividir por 2π sem conversão nenhuma: 600π/2π=300, e o resultado é um número puro, o número de voltas.
A tabela das frações de volta ganha uma terceira linha:
fração da volta
inteira
21
31
41
61
81
121
em graus
360∘
180∘
120∘
90∘
60∘
45∘
30∘
em radianos
2π
π
32π
2π
3π
4π
6π
A linha de baixo é a que a prova usa. Guarde dois reflexos: o denominador diz em quantas partes a meia-volta foi dividida (π/6 é um sexto de meia-volta, 30∘), e o numerador diz quantas dessas partes se tomam (5π/6 são cinco sextos de meia-volta, 150∘). Com isso, π/4 se lê “45∘” sem conta, e 7π/4 se lê “sete oitavos de volta”, 315∘.
Exemplo resolvido 1: conversões nas duas direções. Converta 210∘, 135∘ e −30∘ para radianos; 35π, 47π e 2 rad para graus.
Estratégia: proporção apoiada em 180∘=π, simplificando a fração antes de multiplicar por π.
Resolução:210∘=180210π=67π=67π. 135∘=180135π=43π=43π (não 32π, que seria 120∘: a afirmação “135∘=2π/3” é um item de certo/errado clássico, e é falsa). −30∘=−6π: o sinal vai junto. No sentido contrário, 35π=35⋅180∘=300∘; 47π=47⋅180∘=315∘; 2 rad=2⋅π180∘=3,1416360∘≈114,6∘.
Conferência:210∘ passa 30∘ de meia-volta, e 67π passa 6π de π. 315∘ falta 45∘ para a volta, e 47π falta 4π para 2π. E 2 rad fica entre 2π=90∘ (1,571 rad) e 32π=120∘ (2,094 rad): 114,6∘ cabe no intervalo, um pouco além da bissetriz do 2.º quadrante.
"π" não é uma unidade, e 2π não são "360 radianos"
Em “θ=4π”, o π é o número 3,14159…, e o ângulo mede 0,785 radianos, que é 45∘. Ninguém precisa multiplicar nada por 3,14: π rad é180∘ por definição, então a leitura é direta. O erro oposto é tratar o radiano como se fosse um grau pequeno: 2π radianos são 6,28 radianos, e não 360 de coisa alguma. Na calculadora, o modo importa: sen(30) no modo RAD é o seno de 30 radianos (quase cinco voltas, 30−4⋅2π≈4,87 rad, cerca de 279∘), que dá −0,988, e não 0,5. Se uma conta de prova deu seno negativo para um ângulo agudo, o modo da calculadora é o primeiro suspeito.
Girar vira andar: comprimento de arco, setor e voltas
A vantagem decisiva da medida em raios aparece quando a pergunta deixa de ser “quanto girou?” e passa a ser “quanto a ponta andou?”. Basta inverter a definição: se um ângulo θ (em radianos) recorta um arco de raio r, então s=θr, e a rotação vira um comprimento com uma única multiplicação. Um ponteiro de r=20 cm que gira 2π rad tem a ponta percorrendo 2π⋅20≈31,4 cm; uma roda de raio 0,3 m que gira 10π rad (cinco voltas) avança 10π⋅0,3≈9,4 m. A fórmula exige radianos: com 90 no lugar de 2π, a conta dá 1 800 cm e o ponteiro sairia do relógio.
Arco, setor e voltas
Para um ângulo central θ em radianos numa circunferência de raio r:
s=θr(comprimento do arco),A=2θr2(aˊrea do setor circular),n=2πθ(nuˊmero de voltas).
A área do setor sai da proporção: o setor é a fração 2πθ do círculo, logo A=2πθ⋅πr2=2θr2. Com o ângulo em graus, a fração é 360θ e as fórmulas viram s=360θ⋅2πr e A=360θ⋅πr2, que é como a página de áreas as apresenta.
O mesmo ângulo recorta arcos diferentes em raios diferentes (s=θr), mas a razão arco/raio é sempre a mesma: é ela que o radiano mede. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 2: o voo a 10 km de altitude. Em 2024, a prova do PAS 2 afirmou que um avião que sobrevoa Brasília e Lisboa a 10 km de altura, com as duas cidades distantes 7 280 km na superfície e o raio da Terra igual a 6 370 km, percorre mais de 50 km a mais que a distância medida no solo. Julgue.
Estratégia: os dois trajetos, no solo e a 10 km, são arcos do mesmo ângulo central, com raios R e R+10. Pela definição de radiano, θ=s/R, e o arco de cima é θ(R+10). O excesso é θ⋅10: dez vezes o ângulo em radianos.
Resolução:θ=63707280≈1,143 rad (cerca de 65∘). Excesso =1,143×10≈11,4 km. Muito menos que 50 km: item errado.
Conferência: o arco de cima é 7280×63706380=7280×1,00157≈7291,4 km, e 7291,4−7280=11,4 km. Quem tentou “projetar” 10 km de altura em cada ponta do trajeto, ou somou 10 km ao arco inteiro, perdeu de vista que a altitude muda o raio, e o arco é proporcional ao raio.
O helicóptero de 2019 cai no mesmo molde, com a diferença de que o giro das pás não é o que desloca o aparelho: a velocidade de voo vem dada à parte. Converta cada dado para “por minuto” e para “voltas”: 2π600π=300 rotações a cada minuto; 90000 m a cada hora são 1500 m a cada minuto. Em um minuto, portanto, as pás dão 300 voltas enquanto o helicóptero avança 1 500 m, o que dá 1500/300=5 m por volta (opção “mais de 4 m e menos de 6 m”). Nenhum seno, nenhum cosseno; o item testava apenas se o candidato sabia que 2π radianos fecham uma volta. Na direção oposta, um item do PAS 1 de 2014 deu uma roda de bicicleta de 26 polegadas de diâmetro (uma polegada =2,54 cm, π=3,14) e perguntou se, a cada volta completa, a bicicleta avança mais de 2 m: a volta é 2πr=πd=3,14×66,04≈207 cm. Avança. E, em 2024, o PAS 1 colocou um telescópio no ponto de Lagrange L4, que forma um triângulo equilátero com o Sol e a Terra: a distância em linha reta Terra–telescópio é o próprio raio r da órbita, e o trajeto sobre a órbita, de L4 até a Terra no sentido anti-horário, é o arco longo de 300∘=35π, isto é, 35πr; a razão entre o trajeto e a distância, 35π≈5,23, era a resposta. Quem tomou o arco curto de 60∘ achou 3π≈1,05: a orientação (“anti-horário”) escolhe qual dos dois arcos.
O relógio como círculo graduado
O ponteiro dos minutos dá uma volta em 60 minutos: 60360∘=6∘ por minuto, ou 602π=30π rad por minuto. O das horas dá uma volta em 12 horas: 30∘ por hora, 0,5∘ por minuto. Em 2022, o vestibular da UnB perguntou se, às 12 h 05 min, o ângulo entre os ponteiros é inferior a 6π rad. O dos minutos está em 5×6∘=30∘; o das horas saiu do 12 e andou 5×0,5∘=2,5∘; o ângulo entre eles é 27,5∘, e 6π=30∘: certo. Quem deixou o ponteiro das horas parado no 12 achou 30∘ exatos e ficou no limiar.
O círculo de raio 1: um ponto para cada ângulo
Desenhe um sistema de eixos e, com centro na origem O, uma circunferência de raio 1. Marque o ponto A=(1,0), onde ela corta o eixo x positivo: é a origem dos arcos. Para um ângulo θ, parta de A e percorra sobre a circunferência um arco de medida θ (em radianos, o arco mede exatamente θ, porque r=1): no sentido anti-horário se θ>0, no sentido horário se θ<0. O ponto de chegada é P(θ), a extremidade do arco. Os dois eixos dividem o círculo em quatro quadrantes, numerados no sentido anti-horário a partir de A: o 1.º vai de 0 a 2π, o 2.º de 2π a π, o 3.º de π a 23π e o 4.º de 23π a 2π.
Seno e cosseno como coordenadas; tangente como segmento
No círculo trigonométrico, o cosseno de θ é a abscissa do ponto P(θ) e o seno é a sua ordenada:
P(θ)=(cosθ,senθ).
Para um ângulo agudo isso coincide com as razões do triângulo retângulo OPQ (com Q o pé da perpendicular de P ao eixo x): a hipotenusa OP mede 1, o cateto adjacente OQ é o cosseno e o cateto oposto PQ é o seno. Para qualquer outro ângulo, a definição pelo círculo estende seno e cosseno, com sinais. Como P está no círculo de raio 1, suas coordenadas satisfazem x2+y2=1:
cos2θ+sen2θ=1para todo θ,
e cada uma delas fica presa em [−1,1]. A tangente é o quociente tgθ=cosθsenθ, definida sempre que cosθ=0, isto é, para θ=2π+kπ. Geometricamente, trace a reta vertical x=1 (o eixo das tangentes, tangente ao círculo em A) e prolongue o raio OP até cortá-la no ponto T: a ordenada de T é tgθ. Quando P se aproxima do topo do círculo, T sobe sem limite: a tangente de 2π não existe.
Seno e cosseno são as coordenadas de P; a tangente é a altura em que o raio prolongado corta a reta x=1. Para θ=40∘: cosθ≈0,77, senθ≈0,64, tgθ≈0,84. Diagrama autoral.
Por que a ordenada de T é a tangente? Os triângulos OQP (catetos cosθ e senθ) e OAT (catetos 1 e AT) são semelhantes, pois têm o ângulo θ em O e um ângulo reto cada um. Logo 1AT=cosθsenθ. A mesma construção explica a palavra: tangente é o segmento sobre a reta tangente; secante é o segmento OT, sobre a reta que corta (seca) o círculo, e mede cosθ1, por Pitágoras ou por semelhança.
Três funções a mais aparecem com nome próprio, todas definidas a partir das três primeiras: a secantesecθ=cosθ1, a cossecantecossecθ=senθ1 e a cotangentecotgθ=senθcosθ=tgθ1. Cada uma existe onde o denominador não zera. Dividindo a relação fundamental por cos2θ nasce 1+tg2θ=sec2θ. Nesta página elas ficam na definição; nenhuma prova do PAS pediu mais do que isso.
Os quatro pontos sobre os eixos saem direto da figura, sem tabela: P(0)=(1,0), P(2π)=(0,1), P(π)=(−1,0) e P(23π)=(0,−1). Logo cos0=1, sen2π=1, cosπ=−1, sen23π=−1, e os senos de 0 e π e os cossenos de 2π e 23π são zero. Em 2024, o vestibular da UEG escreveu “um quarto do cosseno de 180∘” no meio de uma equação para ver quem lembrava que isso é −41; em 2022, o PAS 2 escondeu cos0=1 dentro de uma fórmula de duas variáveis sobre uma fotografia de Cartier-Bresson. São os valores mais simples do círculo, e os mais cobrados.
Sinais por quadrante: a posição do ponto decide
Como o cosseno é a abscissa, ele é positivo à direita do eixo y (1.º e 4.º quadrantes) e negativo à esquerda (2.º e 3.º). Como o seno é a ordenada, é positivo acima do eixo x (1.º e 2.º) e negativo abaixo (3.º e 4.º). A tangente é o quociente dos dois: positiva quando os sinais coincidem (1.º e 3.º quadrantes), negativa quando diferem (2.º e 4.º).
Os sinais não se decoram: cosseno é abscissa (positivo à direita), seno é ordenada (positivo em cima), tangente é o quociente. Diagrama autoral.
quadrante
ângulo (rad)
seno
cosseno
tangente
1.º
0<θ<2π
+
+
+
2.º
2π<θ<π
+
−
−
3.º
π<θ<23π
−
−
+
4.º
23π<θ<2π
−
+
−
Um vestibular do CEDERJ (2019) pediu apenas isto: se x=cos2 e y=sen2 (2 radianos), quais são os sinais de x e y? Como 2π≈1,57<2<3,14≈π, o ângulo de 2 rad está no 2.º quadrante (cerca de 114,6∘): x<0 e y>0. Nenhum valor precisou ser calculado; bastou localizar o ponto. É o mesmo raciocínio que a prova do PAS 2 usou em 2023 ao perguntar se o seno de um ângulo de triângulo com cosseno −21 era negativo: cosseno negativo coloca o ponto à esquerda, mas um ângulo de triângulo fica entre 0 e π, na metade de cima, onde o seno é positivo. Não.
A tangente é positiva no 3.º quadrante
“Está embaixo e à esquerda, então é tudo negativo” vale para seno e cosseno, não para a tangente: (−)(−)=(+). Na figura, o raio que aponta para o 3.º quadrante, prolongado para trás, corta o eixo das tangentes acima de A. Assim tg45π=tg225∘=+1, e tg135∘=−1. O erro simétrico é dar sinal negativo ao cosseno do 4.º quadrante: em 315∘ o ponto está à direita, cos315∘=+22.
Valores notáveis na volta inteira: do 1.º quadrante para os outros três
A tabela de 30∘, 45∘ e 60∘ continua valendo no círculo, porque para ângulos agudos as duas definições coincidem. Em radianos:
θ
6π (30∘)
4π (45∘)
3π (60∘)
senθ
21
22
23
cosθ
23
22
21
tgθ
33
1
3
Os outros doze pontos notáveis da volta são reflexos desses três. O ponto de 150∘ é o espelho do ponto de 30∘ em relação ao eixo y: mesma altura, abscissa trocada de sinal. O de 210∘ é o de 30∘ refletido pela origem: as duas coordenadas trocam de sinal. O de 330∘ é o de 30∘ refletido no eixo x. Em cada caso, os valores absolutos são os da tabela, e os sinais são os do quadrante.
Os valores notáveis em toda a volta: a cada ponto, o par (cosseno, seno). Só há três módulos a lembrar (21, 22, 23) e o quadrante dá o sinal. Diagrama autoral.
A tabela completa, para consulta:
θ (rad)
graus
senθ
cosθ
tgθ
0
0∘
0
1
0
6π
30∘
21
23
33
4π
45∘
22
22
1
3π
60∘
23
21
3
2π
90∘
1
0
não existe
32π
120∘
23
−21
−3
43π
135∘
22
−22
−1
65π
150∘
21
−23
−33
π
180∘
0
−1
0
67π
210∘
−21
−23
33
45π
225∘
−22
−22
1
34π
240∘
−23
−21
3
23π
270∘
−1
0
não existe
35π
300∘
−23
21
−3
47π
315∘
−22
22
−1
611π
330∘
−21
23
−33
2π
360∘
0
1
0
Repare na ordem dos módulos ao longo do 1.º quadrante: o seno cresce (0, 21, 22, 23, 1) e o cosseno percorre a mesma lista ao contrário. Isso serve de conferência: em 6π o ponto está “baixo e à direita”, perto de A, então o seno é pequeno (21) e o cosseno grande (23). Quem troca os dois achou um ponto perto do topo, e a figura denuncia.
Exemplo resolvido 3: quatro valores fora do 1.º quadrante. Calcule cos120∘, sen67π, tg47π e cos35π.
Estratégia: para cada ângulo, (1) localizar o quadrante, (2) achar o ângulo agudo de referência (a distância até o eixo x mais próximo), (3) pegar o módulo na tabela e (4) aplicar o sinal do quadrante.
Resolução:120∘ está no 2.º quadrante, a 60∘ do eixo x (pois 180∘−120∘=60∘); cosseno negativo ali: cos120∘=−cos60∘=−21. 67π=210∘, 3.º quadrante, 30∘ além de π; seno negativo: sen67π=−21. 47π=315∘, 4.º quadrante, a 45∘ da volta; tangente negativa: tg47π=−1. 35π=300∘, 4.º quadrante, a 60∘ da volta; cosseno positivo: cos35π=cos60∘=21.
Conferência: relação fundamental em 35π: sen35π=−23 e (21)2+(−23)2=41+43=1. E cos120∘=−21 é exatamente o dado do bloco de 2023 do PAS 2 (área desmatada): “o cosseno do ângulo em A vale −21” significa que o ângulo é 120∘=32π, e a soma dos outros dois ângulos do triângulo, π−32π=3π, é menor que 2π, como o item afirmava.
Simetrias: tudo se reduz ao primeiro quadrante
O que o exemplo anterior fez caso a caso tem nome e fórmula. Quatro movimentos do círculo levam o ponto P(x), com x agudo, aos outros três quadrantes, e um quinto troca os papéis de seno e cosseno.
Redução ao 1.º quadrante e ângulos complementares
Para qualquer x (não só agudo), valem:
sen(π−x)sen(π+x)sen(2π−x)sen(−x)=senx,=−senx,=−senx,=−senx,cos(π−x)cos(π+x)cos(2π−x)cos(−x)=−cosx=−cosx=cosx=cosx(reflexa˜o no eixo y: 2.∘ quadrante)(reflexa˜o pela origem: 3.∘ quadrante)(reflexa˜o no eixo x: 4.∘ quadrante)(o mesmo ponto de 2π−x)
A tangente acompanha o quociente: tg(π−x)=−tgx, tg(π+x)=tgx, tg(−x)=−tgx. Os complementares trocam seno por cosseno, pela reflexão na bissetriz y=x:
sen(2π−x)=cosx,cos(2π−x)=senx,
e um quarto de volta a mais gira o ponto 90∘: sen(2π+x)=cosx e cos(2π+x)=−senx.
As quatro cópias de um mesmo ângulo de referência: mesmos módulos, sinais do quadrante. O complementar troca as coordenadas de lugar. Diagrama autoral.
Duas dessas relações já renderam itens. Em 2011, a prova do PAS 2 desenhou um carro subindo uma rampa de inclinação θ e marcou, no topo, o ângulo β entre o prolongamento da rampa e a vertical, do lado de fora do triângulo; o item afirmava cosβ=−senθ. Para achar β, conte os ângulos em volta do vértice superior da rampa. O triângulo da rampa é retângulo, com θ no pé; o ângulo interno do topo, entre a rampa e a vertical, é o complemento, 90∘−θ. Como β está do lado de fora, entre o prolongamento da rampa e a mesma vertical, ele completa esse ângulo interno até 180∘: β=180∘−(90∘−θ)=90∘+θ. Então cosβ=cos(2π+θ)=−senθ: certo. No círculo, o ponto de 90∘+θ é o de θ girado um quarto de volta: a abscissa nova é a ordenada antiga com sinal trocado. Em 2023, o vestibular da UNEB listou “tg82∘=−tg98∘” entre quatro afirmações: 98∘=180∘−82∘, e a tangente de um suplemento é a tangente com sinal trocado. Verdadeira. Na mesma lista: “se σ=323π, então cosσ=cos60∘”, que a próxima seção decide.
Exemplo resolvido 4: do seno ao cosseno, com sinal. Um ângulo α do 2.º quadrante tem senα=1312. Determine cosα e tgα.
Estratégia: relação fundamental para o módulo, quadrante para o sinal. É o que a prova espera quando dá uma razão e pede outra sem fornecer o ângulo.
Resolução:cos2α=1−169144=16925, logo ∣cosα∣=135. No 2.º quadrante o cosseno é negativo: cosα=−135. Tangente: tgα=−5/1312/13=−512.
Conferência: o terno 5-12-13 é pitagórico (25+144=169); o ponto (−135,1312) está à esquerda e em cima, como o 2.º quadrante exige. A UNEB apresentou exatamente esta situação com a conclusão “o cosseno mede −131”, que é falsa: quem subtrai 1312 de 1, em vez de subtrair o quadrado, cai nela.
Mais de uma volta e voltas para trás: arcos côngruos
Depois de 2π, o ponto volta ao lugar de onde saiu. O ângulo de 390∘ (=360∘+30∘) termina no mesmo ponto que 30∘; o de −330∘ também (uma volta para trás e 30∘ para a frente dão o mesmo que 30∘ para a frente). Ângulos cujas extremidades coincidem chamam-se côngruos (ou coterminais); diferem por um número inteiro de voltas.
Arcos côngruos e determinação principal
x e x′ são côngruos quando x′=x+2kπ, com k inteiro (em graus, x′=x+k⋅360∘). Seno, cosseno e tangente têm o mesmo valor em arcos côngruos:
sen(x+2kπ)=senx,cos(x+2kπ)=cosx.
A determinação principal (ou primeira determinação positiva) de um arco é o seu côngruo no intervalo [0,2π), isto é, em [0∘,360∘): o que sobra depois de retirar as voltas inteiras. A tangente repete antes, a cada meia-volta: tg(x+kπ)=tgx, porque P(x+π) é o reflexo de P(x) pela origem e o quociente de duas coordenadas com sinal trocado não muda.
30∘, 390∘ e −330∘ terminam no mesmo ponto: são côngruos (x+2kπ). O círculo guarda a posição; o número de voltas fica só no ângulo. Diagrama autoral.
Reduzir um ângulo não apaga o percurso: uma roda que girou 390∘ deu uma volta a mais que uma que girou 30∘, e a pergunta decide o que interessa, a posição final (determinação principal) ou o deslocamento (ângulo total, como nos 600π radianos do helicóptero, que são 300 voltas e não “zero”, embora as pás terminem na posição em que começaram). Na página de MCU, a velocidade angular ω é exatamente “quantos radianos por segundo”, e o número de voltas é 2πωt.
Exemplo resolvido 5: três determinações principais. Encontre a determinação principal de 1485∘, de −47π e de 323π, e diga o valor do cosseno em cada caso.
Estratégia: dividir por 360∘ (ou por 2π) e ficar com o resto; para ângulos negativos, somar voltas até cair em [0,2π). Em radianos, escrever o ângulo como “nπ mais um pedaço” e tirar os pares de π.
Resolução:1485=4×360+45, logo a determinação principal é 45∘ e cos1485∘=cos45∘=22. Para −47π, somar uma volta: −47π+2π=4π; cos(−47π)=cos4π=22. Para 323π: 323=7+32, então 323π=7π+32π=6π+35π; três voltas inteiras (6π) saem e fica 35π=300∘; cos323π=cos300∘=cos60∘=21. A afirmação da UNEB era verdadeira.
Conferência:300∘ está no 4.º quadrante, cosseno positivo, confere com +21. E 7π é um número ímpar de meias-voltas: sozinho levaria ao ponto (−1,0); mais 32π a partir dali, no sentido anti-horário, chega a 300∘. A figura fecha com a conta.
Um caso que a prova gosta: argumentos grandes dentro de seno e cosseno. Num item de 2012 do PAS 2 sobre a velocidade do vento, v(t)=25sen(4πt+2π)+12cos(32πt+3π) com t em horas, perguntava-se o vento ao meio-dia do terceiro dia, t=60. O primeiro argumento vira 15π+2π: 15π são sete voltas (14π) mais meia-volta, então o ponto é o de π+2π=23π, e o seno vale −1. O segundo vira 40π+3π: vinte voltas inteiras não mudam nada, cos3π=21. Logo v(60)=−25+6=−19 cm/s, vento para o sul, e o item, que afirmava 25 cm/s para o norte, era falso. O resto daquele bloco (amplitude, período) é assunto da página seguinte; a redução é desta.
Equações no círculo: quando o seno vale ½, o cosseno vale 1, a tangente vale 1
Resolver senx=21 é perguntar: em que pontos do círculo a ordenada vale 21? A reta horizontal y=21 corta o círculo em dois pontos, um no 1.º quadrante (6π) e seu espelho no 2.º (π−6π=65π). Essas são as soluções em [0,2π); cada volta a mais repete as duas. O círculo é o método: desenhe a reta, conte as interseções, nomeie-as pela simetria.
Soluções das equações elementares
Em uma volta, [0,2π), e no conjunto de todas as soluções (k inteiro):
senx=senacosx=cosatgx=tga⟹x=a+2kπ ou x=(π−a)+2kπ(reta horizontal: dois pontos, simeˊtricos no eixo y)⟹x=±a+2kπ(reta vertical: dois pontos, simeˊtricos no eixo x)⟹x=a+kπ(reta pela origem: dois pontos opostos, uma soluc¸a˜o por meia-volta)
Casos de uma solução por volta: senx=1 só em x=2π+2kπ; senx=−1 só em 23π+2kπ; cosx=1 só em x=2kπ; cosx=−1 só em x=π+2kπ. Zeros: senx=0 em x=kπ; cosx=0 em x=2π+kπ. E equações como senx=2 não têm solução: a reta y=2 não toca o círculo.
Três itens do PAS 2 se decidiram com esse quadro. O de 2010 vinha num texto sobre uma população de renas que cresceu e desabou numa ilha do Alasca; a prova a descreveu pela função Q(t)=Mtg(76t−1944π)+N e informou dois pontos da contagem, 29 renas no ano de 1944 e 6 000 no de 1963; o item afirmava que M×N passa de 200 000. Os dois anos foram escolhidos a dedo. Para t=1944 a fração zera, tg0=0, e a função se reduz a N: N=29. Para t=1963 a diferença é 19, e 7619=41: o argumento é 4π, cuja tangente é 1 (é o ponto do círculo em que seno e cosseno coincidem, 45∘). Fica M+29=6000, M=5971, e 5971×29=173159, aquém dos 200 000: errado. Doze anos depois, em 2022, o cenário era uma fotografia célebre de Cartier-Bresson, um homem saltando sobre uma poça atrás de uma estação de trem de Paris, e sobre ela a prova pôs eixos cartesianos e uma regra para a profundidade da água em cada ponto (x,y): 5−2cos(4x+3y) centímetros. O item pedia a profundidade onde as retas x+y=1 e 2x+3y=6 se cruzam. O sistema dá x=−3 e y=4, e com esses valores 4x+3y=−12+12=0: o cosseno é de zero, vale 1, e a profundidade é 5−2=3 cm, como o item afirmava. Certo. Toda a dificuldade aparente estava no argumento de cara feia; uma vez que ele se anulou, restou o valor mais elementar do círculo.
Exemplo resolvido 6: o cosseno que vale exatamente 1. Em 2019, o PAS 2 apresentou um gráfico do INMET com a temperatura e a umidade relativa do ar em Brasília, hora a hora, das 9 h de 3/5/2019 às 8 h do dia seguinte. A temperatura (linha) partia de 18,5∘C às 9 h, subia até cerca de 26∘C entre 17 h e 20 h e caía para cerca de 20∘C da meia-noite às 8 h; a umidade (barras) fazia o caminho inverso, de mais de 90 % de manhã para 50–56 % entre 17 h e 20 h, de volta a 90 % de madrugada. O item, na íntegra: “Considere que, em determinado horário, a temperatura t no DF, em graus Celsius, registrada no gráfico, tenha sido tal que cos(t2−36t+260)=1 e ∣t2−36t+260∣<2. Nesse caso, a partir das informações do gráfico, infere-se que a umidade relativa do ar no referido horário era superior a 60%.” Julgue.
Estratégia:cos(algo)=1 obriga o “algo” a ser um múltiplo de 2π: 0, ±6,28, ±12,57, … A segunda condição, módulo menor que 2, elimina todos menos o zero. Sobra uma equação do 2.º grau.
Resolução:t2−36t+260=0; Δ=362−4⋅260=1296−1040=256; t=236±16, isto é, t=10 ou t=26. A temperatura de 10∘C não aparece no gráfico (o mínimo foi 18,5∘C); a de 26∘C ocorreu entre 17 h e 20 h, quando as barras de umidade marcavam entre 50 % e 56 %, abaixo de 60 %. Item errado.
Conferência:102−360+260=0 e 262−936+260=676−676=0. Quem ignorou a condição do módulo teria infinitas temperaturas candidatas (t2−36t+260=2kπ para cada k) e nenhuma conclusão; a condição extra existe justamente porque cosx=1 tem uma solução por volta, e o item precisava de uma só.
"cos x = 1 tem uma solução" e "sen x = 2 tem duas"
Toda equação trigonométrica tem ou nenhuma solução (valor fora de [−1,1]) ou infinitas (as mesmas de uma volta, repetidas a cada 2kπ). Num intervalo fechado, conte: senx=21 tem duas soluções em [0,2π), quatro em [0,4π), e uma só em [0,2π]. Quando um item fala em “a solução”, ele restringiu o intervalo em algum lugar do enunciado (como o “∣…∣<2” de 2019): procure a restrição antes de responder.
Nem sempre o círculo da prova tem raio 1 nem está centrado na origem, e a leitura começa por três perguntas: qual é o raio, de onde o ângulo é medido e em que sentido. Num círculo de raio r centrado na origem, o ponto de ângulo θ é (rcosθ,rsenθ): as coordenadas do círculo unitário multiplicadas por r. Num círculo de centro (a,b), soma-se o centro: (a+rcosθ,b+rsenθ). É por esse caminho que a posição de um ponto que gira (o assento de um brinquedo de parque, a extremidade de uma pá de turbina, um dente de engrenagem) se escreve como “um número vezes seno ou cosseno mais uma constante”: a próxima página faz esse ângulo correr com o tempo.
O ângulo é medido, por convenção, a partir do eixo x positivo e no sentido anti-horário. Quando a figura marca o ângulo a partir da vertical (uma pá que “faz ângulo φ com a reta vertical”, um pêndulo), o ângulo com o eixo x é 2π−φ, e seno e cosseno trocam de lugar: a altura do ponto passa a ser rcosφ. Foi esse detalhe que uma prova de 2018 do PAS 2 colocou no enunciado de uma turbina (“o ângulo que uma das pás fazia com uma reta imaginária vertical”), embora o item perguntasse só a velocidade de rotação, em voltas por minuto. Na página de vetores, a mesma convenção dá as componentes: um vetor de módulo v e ângulo θ com a horizontal tem componentes vcosθ e vsenθ, e um que faz ângulo θ com a vertical tem as componentes trocadas.
No PAS 3, o círculo unitário volta na forma trigonométrica dos números complexos: um número de módulo 1 e argumento θ é o ponto (cosθ,senθ), e multiplicar por i gira o ponto um quarto de volta. Em 2016, uma estrela de cinco pontas foi desenhada com os vértices do pentágono interno sobre a circunferência unitária, e o enunciado dizia que esses vértices eram as raízes de z5=−1; um item afirmou que o primeiro deles tinha coordenadas (cos10π,sen10π), isto é, ângulo de 18∘. As raízes de z5=−1 têm argumentos 5π,53π,π,57π,59π: o vértice do 1.º quadrante está em 36∘, e o item era falso. A conta é a desta página; o contexto, da outra.
O radiano tem cerca de 150 anos de nome, e o grau tem 4 000
A divisão da volta em 360 partes vem dos astrônomos babilônicos, que contavam em base 60; os gregos a adotaram, e Ptolomeu, no século II, já tabelava cordas de arcos de meio em meio grau. A ideia de medir o ângulo pelo arco em raios é bem mais recente: Roger Cotes, em 1714, na Logometria, tratou essa medida como a “natural” para o ângulo, mas sem lhe dar nome. Segundo o historiador Florian Cajori, a palavra radian apareceu impressa pela primeira vez em 5 de junho de 1873, em questões de exame de James Thomson, professor de engenharia no Queen’s College de Belfast e irmão mais velho do físico Lord Kelvin; Thomas Muir, em St Andrews, hesitava na mesma época entre rads, radials e radians (fonte: biografia de Cotes e verbete radian do arquivo MacTutor, Universidade de St Andrews). O grado, a terceira unidade, nasceu com o sistema métrico da Revolução Francesa (década de 1790) como “grau decimal” e quase ficou restrito aos teodolitos. Na prova, só duas unidades existem; e, quando o enunciado escreve π, só uma.
Os erros que a banca planta
Tratar π como número a multiplicar. “3π radianos” lê-se 60∘, direto; “600π radianos” lê-se 300 voltas. Calcular 3,14×600 é perder tempo e o item.
Radianos na fórmula do arco com o ângulo em graus.s=θr só com θ em radianos; com graus, s=360θ⋅2πr.
Confundir ângulo girado com distância percorrida.600π rad é o giro; a distância é o giro vezes o raio. E o deslocamento do helicóptero é outra coisa ainda: vem da velocidade.
Altitude somada ao arco. A 10 km de altura, o arco cresce na proporção do raio (θ⋅10 km), não em 10 km por ponta.
Sinal da tangente no 3.º quadrante. Seno e cosseno negativos dão tangente positiva: tg225∘=1.
Cosseno negativo arrastando o seno. Ângulo de triângulo fica em (0,π): seno sempre positivo, mesmo com cosseno −21.
Redução com o ângulo de referência errado. O ângulo de referência é a distância até o eixo x, não até o eixo y: para 120∘ é 60∘ (e não 30∘).
Subtrair o seno em vez do quadrado do seno.cos2=1−sen2: com sen=1312, cos=±135, não ±131.
“cosx=1 tem uma única solução”. Tem uma por volta: x=2kπ. Quando o enunciado fala de “a” solução, alguma restrição no texto (um intervalo, um módulo) ficou encarregada de eliminar as outras; ache-a.
Ponteiro das horas parado. Em 12 h 05 min ele já andou 2,5∘; o ângulo entre os ponteiros é 27,5∘, não 30∘.
Calculadora no modo errado.sen(30) em RAD dá −0,988. Seno negativo de ângulo agudo é alarme.
Determinação principal com resto negativo.−47π não é “−315∘ e pronto”: some 2π e chegue a 4π.
O essencial em meia página
Radiano: θ=s/r; 1 rad é o ângulo cujo arco mede um raio; 1 rad≈57,3∘. Volta =2π, meia-volta =π, 2π=90∘, 3π=60∘, 4π=45∘, 6π=30∘. Conversão pela âncora 180∘=π. Grado: 400 por volta, só a tecla.
Girar vira andar: s=θr; setor A=2θr2; voltas =2πθ. Tudo com θ em radianos.
Círculo trigonométrico: raio 1, origem dos arcos em (1,0), anti-horário positivo. P(θ)=(cosθ,senθ); tangente é a altura em que o raio prolongado corta a reta x=1. cos2+sen2=1; tg=sen/cos (não existe em 2π+kπ). Sec, cossec e cotg são as inversas multiplicativas.
Sinais: cosseno positivo à direita, seno positivo em cima, tangente positiva no 1.º e no 3.º quadrantes.
Valores: três módulos (21, 22, 23) e os quatro pontos dos eixos (cos0=1, sen2π=1, cosπ=−1, sen23π=−1). O quadrante dá o sinal.
Redução: π−x (seno igual, cosseno troca), π+x (os dois trocam), 2π−x=−x (seno troca, cosseno igual), 2π−x (seno e cosseno trocam de lugar), cos(2π+x)=−senx.
Côngruos: x+2kπ mesmo ponto, mesmos valores; determinação principal em [0,2π); tangente repete a cada π.
Equações: senx=sena⇒x=a ou π−a (+2kπ); cosx=cosa⇒x=±a (+2kπ); tgx=tga⇒x=a+kπ. cosx=1⇔x=2kπ. Nenhuma ou infinitas soluções; num intervalo, conte.
Na prova: leia π como 180∘, localize o ponto antes de calcular, procure a restrição que escolhe uma solução, e não some altitude a arco.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
ARCOS: MEDIDAS E COMPRIMENTO - GRAU E RADIANO (AULA 1/24)
Equaciona Com Paulo Pereira · 14:53
Introdução. Primeira aula da série de trigonometria na circunferência: arco e ângulo central, medida e comprimento de arco, as unidades grau e radiano e a regra de três com π rad = 180°. É a seção “Um ângulo se mede pela abertura ou pelo arco” e o começo de “Girar vira andar” (s = θr), com as conversões feitas no quadro passo a passo.
Circunferência trigonométrica
Portal da Matemática OBMEP · 18:09
Aprofundamento. Aula do módulo Círculo Trigonométrico do Portal da Matemática (IMPA/OBMEP, 1.º ano, professora Kity Guedes) sobre localizar ângulos na circunferência trigonométrica a partir da medida em radianos: origem dos arcos, sentido anti-horário, quadrantes e as frações de volta (π/6, π/4, π/3, …). Treina exatamente a leitura “denominador = em quantas partes a meia-volta foi dividida” da seção “O círculo de raio 1: um ponto para cada ângulo”.
SENO E COSSENO NA CIRCUNFERÊNCIA TRIGONOMÉTRICA (AULA 4/24)
Equaciona Com Paulo Pereira · 17:30
Mecanismo. Define seno e cosseno como coordenadas do ponto na circunferência, faz o paralelo com as razões do triângulo retângulo, e trabalha as simetrias, os arcos notáveis e os arcos de eixo (0, π/2, π, 3π/2): são as seções “Seno e cosseno como coordenadas”, “Sinais por quadrante” e “Valores notáveis na volta inteira” em sequência, com o círculo desenhado e preenchido no quadro.
REDUÇÃO AO PRIMEIRO QUADRANTE | TRIGONOMETRIA
Dicasdemat Sandro Curió · 14:05
Aplicação. Redução ao 1.º quadrante de seno e cosseno por simetria (π − x, π + x, 2π − x), com vários ângulos resolvidos, inclusive em radianos: é a seção “Simetrias: tudo se reduz ao primeiro quadrante” e o exemplo resolvido 3 em ritmo de exercício. Veja depois de entender a figura das quatro cópias do ângulo de referência.
Resolução. As três equações fundamentais sen x = sen a, cos x = cos a e tg x = tg a resolvidas no círculo (reta horizontal, reta vertical, reta pela origem) com as soluções gerais em 2kπ e kπ: é o quadro da seção “Equações no círculo” e os exemplos resolvidos 6 e 7. Terceiro vídeo da mesma série porque fecha o ciclo aberto pelas aulas 1 e 4 com a mesma notação.
Uma cabine é localizada por um ângulo medido a partir da horizontal do eixo: o raio é a hipotenusa de 1, a altura é o seno e o avanço é o cosseno. Girar vira andar.Um radiano é o ângulo cujo arco tem o comprimento do raio. Enrolando o raio sobre a circunferência, ele cabe seis vezes e sobra um pedaço: a volta mede 2π≈6,28 raios. Diagrama autoral.O mesmo ângulo recorta arcos diferentes em raios diferentes (s=θr), mas a razão arco/raio é sempre a mesma: é ela que o radiano mede. Diagrama autoral.Seno e cosseno são as coordenadas de P; a tangente é a altura em que o raio prolongado corta a reta x=1. Para θ=40∘: cosθ≈0,77, senθ≈0,64, tgθ≈0,84. Diagrama autoral.Os sinais não se decoram: cosseno é abscissa (positivo à direita), seno é ordenada (positivo em cima), tangente é o quociente. Diagrama autoral.Os valores notáveis em toda a volta: a cada ponto, o par (cosseno, seno). Só há três módulos a lembrar (21, 22, 23) e o quadrante dá o sinal. Diagrama autoral.As quatro cópias de um mesmo ângulo de referência: mesmos módulos, sinais do quadrante. O complementar troca as coordenadas de lugar. Diagrama autoral.30∘, 390∘ e −330∘ terminam no mesmo ponto: são côngruos (x+2kπ). O círculo guarda a posição; o número de voltas fica só no ângulo. Diagrama autoral.600π radianos por minuto são 300 voltas por minuto: a 90 km/h (1 500 m/min), o helicóptero avança 5 m a cada rotação das pás.Representação ilustrativa, com altitude e tamanho do avião fora de escala. A 10 km de altura, o trajeto Brasília–Lisboa é um arco do mesmo ângulo central com raio 10 km maior: apenas 11 km a mais que os 7 280 km no solo.O ponteiro dos minutos anda 6° por minuto e o das horas, 0,5°: às 3 h 40 min o ângulo entre eles é 130°, não 150°, porque o das horas também se move.A fatia é um setor circular: fração θ/2π do círculo, área θr²/2 e borda (o arco) igual a θr, com θ em radianos.Uma sombra que mede um ângulo de 1/8 de radiano e um arco de 800 km bastam: r = s/θ = 6 400 km. Foi assim que Eratóstenes mediu a Terra.Teodolitos ainda usam o grado, 1/400 da volta: a terceira unidade de ângulo, que existe na calculadora (GRAD) e não aparece na prova.sen(30) no modo RAD é o seno de 30 radianos, quase cinco voltas: −0,988. Seno negativo de ângulo agudo é o alarme de que o modo está errado.
Rota PAS 2
Trigonometria: do triângulo ao fenômeno periódico · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Trigonometria: do triângulo ao fenômeno periódico · Radianos e o círculo trigonométrico: o ângulo medido pelo arco; Antes de começar (tabela das frações de volta); Como a banca cobra (O histórico: radianos e círculo); Resolvidos e Banco de treino T5, T14
Recorte por assunto: só a medida de arcos e o círculo. As razões no triângulo e as duas leis ficam em trigonometria-no-triangulo; seno e cosseno como funções do tempo, amplitude e período ficam em funcoes-trigonometricas.
Rota PAS 1 — Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · Razões trigonométricas (tabela de 30°, 45° e 60°, relação fundamental e ângulos complementares), usadas aqui como ponto de partida para o 1.º quadrante
Só a tabela do 1.º quadrante é retomada; o restante do capítulo pertence às páginas de geometria plana.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 2: 2010 (item 81), 2011 (item 96), 2019 (itens 76 e 90), 2022 (itens 102 e 103), 2023 (item 63), 2024 (item 98); PAS 1: 2014 (item 86), 2024 (item 98); PAS 3: 2016 (item 91, só mencionado)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB.txt e nas classificações pesquisa/classificacao-pas2/AAAA.json e classificacao/AAAA.json.
Cadernos em PDF (figuras e fórmulas dos itens) · Páginas renderizadas a 150–300 dpi: fórmula Q(t) das renas (PAS 2 2010, p. 13 do caderno), gráfico INMET de temperatura e umidade (PAS 2 2019, item 76), fórmula 5 − 2cos(4x + 3y) sobre a foto de Cartier-Bresson (PAS 2 2022), item do voo Brasília–Lisboa (PAS 2 2024)
O gráfico impresso de 2019 foi descrito em texto neutro no campo text da questão, com os valores lidos hora a hora.