Ciclo trigonométrico

Guia de estudo · Revisado em 03/10/2026

A prova do PAS disse que as pás de um helicóptero giram 600π radianos por minuto e perguntou quantos metros ele avança por rotação; em outro ano, deu cos(t² − 36t + 260) = 1 e pediu a temperatura. O que é, afinal, um radiano, e como um único círculo de raio 1 dá seno, cosseno e tangente de qualquer ângulo, de 0° a milhares de graus, negativos inclusive?

O que você vai aprender

  • Definir o radiano pelo comprimento do arco (1 rad é o ângulo cujo arco mede um raio), converter graus e radianos pela âncora 180° = π rad e estimar 1 rad ≈ 57,3° sem calculadora.
  • Calcular comprimento de arco (s = θr), área de setor (A = θr²/2) e número de voltas a partir de um ângulo em radianos, inclusive em rodas, relógios e trajetórias circulares.
  • Localizar um ângulo no círculo trigonométrico (raio 1, origem em (1, 0), sentido anti-horário positivo), ler seno e cosseno como ordenada e abscissa do ponto e a tangente como segmento no eixo das tangentes.
  • Determinar os sinais de seno, cosseno e tangente em cada quadrante e os valores notáveis em toda a volta (0, π/6, π/4, π/3, π/2, …, 2π), sem decorar: por simetria a partir do 1.º quadrante.
  • Reduzir ao 1.º quadrante pelas simetrias π − x, π + x, 2π − x e −x, usar ângulos complementares e justificar relações como cos(π/2 + x) = −sen x no próprio círculo.
  • Reconhecer arcos côngruos (x + 2kπ), achar a determinação principal, e resolver equações simples como sen x = 1/2, cos x = 1 e tg x = 1 em [0, 2π) e no conjunto de todas as soluções.

O bloco de 2019 do PAS 2 que falava de cinema (a cena do ataque de helicópteros embalada por Wagner) trazia um dado que parecia física e era só vocabulário: as pás do helicóptero giram, a cada minuto, “um ângulo igual a 600π600\pi radianos”; o aparelho voa a 90 km/h; quantos metros ele avança a cada rotação completa das pás? Há duas maneiras de encarar o “600π600\pi”. Uma é pegar a calculadora e obter 1 884,96, um número que não leva a lugar nenhum. A outra é lembrar que uma volta inteira vale 2π2\pi e ler 600π600\pi como 300 voltas; daí em diante a conta é de quarta série: 1 500 metros por minuto repartidos por 300 voltas por minuto dão 5 metros por volta. Na mesma prova, outro item deu cos⁡(t2−36t+260)=1\cos(t^2 - 36t + 260) = 1 e pediu a temperatura: a única trigonometria necessária era saber que o cosseno vale 1 só quando o ângulo é um número inteiro de voltas.

É disso que trata esta página. O triângulo retângulo define seno, cosseno e tangente para ângulos entre 0∘0^\circ e 90∘90^\circ e não vai além: não existe triângulo com um ângulo de 150∘150^\circ e outro reto, muito menos de 1 000∘1\,000^\circ ou de −30∘-30^\circ. O círculo trigonométrico (uma circunferência de raio 1 centrada na origem) remove a limitação: cada ângulo, de qualquer tamanho e de qualquer sinal, marca um ponto, e as coordenadas desse ponto são o cosseno e o seno. Antes dele, porém, é preciso trocar a unidade: o ângulo passa a ser medido pelo arco, em radianos, e é nessa unidade que a prova escreve π/4\pi/4, 600π600\pi e 2π2\pi. As funções seno e cosseno como ondas, com amplitude e período, são a página seguinte; aqui o ponto ainda não corre com o tempo, só fica parado onde o ângulo o colocou.

Um ângulo se mede pela abertura ou pelo arco

Um portão de garagem preso por dobradiças abre até encostar no muro lateral, e fica perpendicular à posição em que estava. Quanto ele girou? Dá para responder de dois jeitos. Pode-se olhar a abertura formada entre a posição fechada e a aberta, o ângulo propriamente dito; ou pode-se medir o rastro que a ponta livre do portão riscou no chão, o arco de circunferência cujo raio é a largura do portão. A primeira maneira dá os graus: a volta inteira foi dividida em 360360 partes (uma herança dos astrônomos da Babilônia, que contavam em base 60 e tinham um ano de cerca de 360 dias), e um quarto de volta são 90∘90^\circ. Uma variante é o grado, que divide a volta em 400400 partes (o ângulo reto vale 100 grados): foi criado na França revolucionária para “decimalizar” o ângulo, sobrevive em topografia e em uma tecla da calculadora científica (GRAD), e não aparece em prova nenhuma. Fica a menção, para ninguém confundir a tecla.

A segunda maneira é a que a matemática prefere. Em vez de dividir a volta em um número arbitrário de partes, mede-se o arco em raios: quantos raios cabem no arco que o ângulo recorta. Essa medida não depende de 360 nem de 400; depende só do círculo.

Radiano: o ângulo cujo arco mede um raio

Pegue um pedaço de barbante do tamanho exato do raio e assente-o sobre a circunferência, a partir de um ponto AA: o ângulo central que enxerga esse pedaço é, por definição, 1 radiano. Para um ângulo central qualquer, a medida em radianos é o número de “raios” que cabem no arco, isto é, o quociente entre arco e raio:

θ=sr.\theta = \frac{s}{r}.

O contorno completo tem comprimento 2πr2\pi r, portanto a volta mede 2πrr=2π\dfrac{2\pi r}{r} = 2\pi radianos, e as frações saem por divisão: π\pi para meia-volta, π2\dfrac{\pi}{2} para um quarto. Para passar de uma unidade à outra, basta uma proporção apoiada na igualdade 180∘=π180^\circ = \pi rad:

θrad=θgraus180 π,θgraus=θradπ 180.\theta_{\text{rad}} = \frac{\theta_{\text{graus}}}{180}\,\pi, \qquad \theta_{\text{graus}} = \frac{\theta_{\text{rad}}}{\pi}\,180.

Um radiano vale 180∘π≈57,3∘\dfrac{180^\circ}{\pi} \approx 57{,}3^\circ, pouco abaixo de 60∘60^\circ; a geometria explica o “pouco abaixo”: o lado do hexágono inscrito mede exatamente um raio e enxerga 60∘60^\circ, mas é uma corda, e o arco de 60∘60^\circ é mais comprido que ela; o arco que mede só um raio fecha, portanto, um ângulo menor. Um grau vale π180≈0,01745\dfrac{\pi}{180} \approx 0{,}01745 rad.

Dois painéis. À esquerda, uma circunferência de centro O e raio r; um arco destacado da mesma medida r, de A até B, e o ângulo central AOB marcado como 1 radiano, aproximadamente 57,3 graus; o arco vem rotulado como arco = r para mostrar que tem o mesmo comprimento do raio. À direita, a mesma circunferência com seis arcos de comprimento r marcados a partir de A, cobrindo 6 radianos, e um pedaço restante de 0,28 radiano até fechar a volta de 2 pi radianos, aproximadamente 6,28.
Um radiano é o ângulo cujo arco tem o comprimento do raio. Enrolando o raio sobre a circunferência, ele cabe seis vezes e sobra um pedaço: a volta mede 2π≈6,282\pi \approx 6{,}28 raios. Diagrama autoral.

A razão s/rs/r é um comprimento dividido por um comprimento: metro sobre metro, centímetro sobre centímetro. O radiano, portanto, não tem dimensão; a palavra “rad” é só um lembrete de que o ângulo está sendo medido pelo arco. É por isso que a prova pode escrever “600π600\pi radianos” e, na linha seguinte, dividir por 2π2\pi sem conversão nenhuma: 600π/2π=300600\pi/2\pi = 300, e o resultado é um número puro, o número de voltas.

A tabela das frações de volta ganha uma terceira linha:

fração da volta inteira 12\tfrac{1}{2} 13\tfrac{1}{3} 14\tfrac{1}{4} 16\tfrac{1}{6} 18\tfrac{1}{8} 112\tfrac{1}{12}
em graus 360∘360^\circ 180∘180^\circ 120∘120^\circ 90∘90^\circ 60∘60^\circ 45∘45^\circ 30∘30^\circ
em radianos 2π2\pi π\pi 2π3\dfrac{2\pi}{3} π2\dfrac{\pi}{2} π3\dfrac{\pi}{3} π4\dfrac{\pi}{4} π6\dfrac{\pi}{6}

A linha de baixo é a que a prova usa. Guarde dois reflexos: o denominador diz em quantas partes a meia-volta foi dividida (π/6\pi/6 é um sexto de meia-volta, 30∘30^\circ), e o numerador diz quantas dessas partes se tomam (5π/65\pi/6 são cinco sextos de meia-volta, 150∘150^\circ). Com isso, π/4\pi/4 se lê “45∘45^\circ” sem conta, e 7π/47\pi/4 se lê “sete oitavos de volta”, 315∘315^\circ.

Exemplo resolvido 1: conversões nas duas direções. Converta 210∘210^\circ, 135∘135^\circ e −30∘-30^\circ para radianos; 5π3\dfrac{5\pi}{3}, 7π4\dfrac{7\pi}{4} e 22 rad para graus.

Estratégia: proporção apoiada em 180∘=π180^\circ = \pi, simplificando a fração antes de multiplicar por π\pi.

Resolução: 210∘=210180π=76π=7π6210^\circ = \dfrac{210}{180}\pi = \dfrac{7}{6}\pi = \dfrac{7\pi}{6}. 135∘=135180π=34π=3π4135^\circ = \dfrac{135}{180}\pi = \dfrac{3}{4}\pi = \dfrac{3\pi}{4} (não 2π3\dfrac{2\pi}{3}, que seria 120∘120^\circ: a afirmação “135∘=2π/3135^\circ = 2\pi/3” é um item de certo/errado clássico, e é falsa). −30∘=−π6-30^\circ = -\dfrac{\pi}{6}: o sinal vai junto. No sentido contrário, 5π3=53⋅180∘=300∘\dfrac{5\pi}{3} = \dfrac{5}{3} \cdot 180^\circ = 300^\circ; 7π4=74⋅180∘=315∘\dfrac{7\pi}{4} = \dfrac{7}{4} \cdot 180^\circ = 315^\circ; 2 rad=2⋅180∘π=360∘3,1416≈114,6∘2 \text{ rad} = 2 \cdot \dfrac{180^\circ}{\pi} = \dfrac{360^\circ}{3{,}1416} \approx 114{,}6^\circ.

Conferência: 210∘210^\circ passa 30∘30^\circ de meia-volta, e 7π6\dfrac{7\pi}{6} passa π6\dfrac{\pi}{6} de π\pi. 315∘315^\circ falta 45∘45^\circ para a volta, e 7π4\dfrac{7\pi}{4} falta π4\dfrac{\pi}{4} para 2π2\pi. E 22 rad fica entre π2=90∘\dfrac{\pi}{2} = 90^\circ (1,5711{,}571 rad) e 2π3=120∘\dfrac{2\pi}{3} = 120^\circ (2,0942{,}094 rad): 114,6∘114{,}6^\circ cabe no intervalo, um pouco além da bissetriz do 2.º quadrante.

"π" não é uma unidade, e 2π não são "360 radianos"

Em “θ=π4\theta = \dfrac{\pi}{4}”, o π\pi é o número 3,14159…3{,}14159\ldots, e o ângulo mede 0,7850{,}785 radianos, que é 45∘45^\circ. Ninguém precisa multiplicar nada por 3,143{,}14: π\pi rad é 180∘180^\circ por definição, então a leitura é direta. O erro oposto é tratar o radiano como se fosse um grau pequeno: 2π2\pi radianos são 6,286{,}28 radianos, e não 360 de coisa alguma. Na calculadora, o modo importa: sen⁡(30)\operatorname{sen}(30) no modo RAD é o seno de 30 radianos (quase cinco voltas, 30−4⋅2π≈4,8730 - 4 \cdot 2\pi \approx 4{,}87 rad, cerca de 279∘279^\circ), que dá −0,988-0{,}988, e não 0,50{,}5. Se uma conta de prova deu seno negativo para um ângulo agudo, o modo da calculadora é o primeiro suspeito.

Girar vira andar: comprimento de arco, setor e voltas

A vantagem decisiva da medida em raios aparece quando a pergunta deixa de ser “quanto girou?” e passa a ser “quanto a ponta andou?”. Basta inverter a definição: se um ângulo θ\theta (em radianos) recorta um arco de raio rr, então s=θrs = \theta r, e a rotação vira um comprimento com uma única multiplicação. Um ponteiro de r=20r = 20 cm que gira π2\dfrac{\pi}{2} rad tem a ponta percorrendo π2⋅20≈31,4\dfrac{\pi}{2} \cdot 20 \approx 31{,}4 cm; uma roda de raio 0,30{,}3 m que gira 10π10\pi rad (cinco voltas) avança 10π⋅0,3≈9,410\pi \cdot 0{,}3 \approx 9{,}4 m. A fórmula exige radianos: com 9090 no lugar de π2\dfrac{\pi}{2}, a conta dá 1 800 cm e o ponteiro sairia do relógio.

Arco, setor e voltas

Para um ângulo central θ\theta em radianos numa circunferência de raio rr:

s=θ r(comprimento do arco),A=θ r22(aˊrea do setor circular),n=θ2π(nuˊmero de voltas).s = \theta\,r \qquad\text{(comprimento do arco)}, \qquad A = \frac{\theta\,r^2}{2} \qquad\text{(área do setor circular)}, \qquad n = \frac{\theta}{2\pi} \qquad\text{(número de voltas)}.

A área do setor sai da proporção: o setor é a fração θ2π\dfrac{\theta}{2\pi} do círculo, logo A=θ2π⋅πr2=θr22A = \dfrac{\theta}{2\pi} \cdot \pi r^2 = \dfrac{\theta r^2}{2}. Com o ângulo em graus, a fração é θ360\dfrac{\theta}{360} e as fórmulas viram s=θ360⋅2πrs = \dfrac{\theta}{360} \cdot 2\pi r e A=θ360⋅πr2A = \dfrac{\theta}{360} \cdot \pi r^2, que é como a página de áreas as apresenta.

Dois painéis. À esquerda, um setor circular de raio r e ângulo teta, com o arco s igual a teta vezes r destacado e a área do setor sombreada, igual a teta vezes r ao quadrado sobre 2. À direita, dois setores do mesmo ângulo de 30 graus, igual a pi sobre 6, com raios 12 e 4: os arcos medem 2 pi e 2 pi sobre 3, mostrando que o arco cresce com o raio enquanto o ângulo fica o mesmo.
O mesmo ângulo recorta arcos diferentes em raios diferentes (s=θrs = \theta r), mas a razão arco/raio é sempre a mesma: é ela que o radiano mede. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 2: o voo a 10 km de altitude. Em 2024, a prova do PAS 2 afirmou que um avião que sobrevoa Brasília e Lisboa a 10 km de altura, com as duas cidades distantes 7 280 km na superfície e o raio da Terra igual a 6 370 km, percorre mais de 50 km a mais que a distância medida no solo. Julgue.

Estratégia: os dois trajetos, no solo e a 10 km, são arcos do mesmo ângulo central, com raios RR e R+10R + 10. Pela definição de radiano, θ=s/R\theta = s/R, e o arco de cima é θ(R+10)\theta (R + 10). O excesso é θ⋅10\theta \cdot 10: dez vezes o ângulo em radianos.

Resolução: θ=7 2806 370≈1,143\theta = \dfrac{7\,280}{6\,370} \approx 1{,}143 rad (cerca de 65∘65^\circ). Excesso =1,143×10≈11,4= 1{,}143 \times 10 \approx 11{,}4 km. Muito menos que 50 km: item errado.

Conferência: o arco de cima é 7 280×6 3806 370=7 280×1,00157≈7 291,47\,280 \times \dfrac{6\,380}{6\,370} = 7\,280 \times 1{,}00157 \approx 7\,291{,}4 km, e 7 291,4−7 280=11,47\,291{,}4 - 7\,280 = 11{,}4 km. Quem tentou “projetar” 10 km de altura em cada ponta do trajeto, ou somou 10 km ao arco inteiro, perdeu de vista que a altitude muda o raio, e o arco é proporcional ao raio.

O helicóptero de 2019 cai no mesmo molde, com a diferença de que o giro das pás não é o que desloca o aparelho: a velocidade de voo vem dada à parte. Converta cada dado para “por minuto” e para “voltas”: 600π2π=300\dfrac{600\pi}{2\pi} = 300 rotações a cada minuto; 90 00090\,000 m a cada hora são 1 5001\,500 m a cada minuto. Em um minuto, portanto, as pás dão 300 voltas enquanto o helicóptero avança 1 500 m, o que dá 1 500/300=51\,500/300 = 5 m por volta (opção “mais de 4 m e menos de 6 m”). Nenhum seno, nenhum cosseno; o item testava apenas se o candidato sabia que 2π2\pi radianos fecham uma volta. Na direção oposta, um item do PAS 1 de 2014 deu uma roda de bicicleta de 26 polegadas de diâmetro (uma polegada =2,54= 2{,}54 cm, π=3,14\pi = 3{,}14) e perguntou se, a cada volta completa, a bicicleta avança mais de 2 m: a volta é 2πr=πd=3,14×66,04≈2072\pi r = \pi d = 3{,}14 \times 66{,}04 \approx 207 cm. Avança. E, em 2024, o PAS 1 colocou um telescópio no ponto de Lagrange L4L_4, que forma um triângulo equilátero com o Sol e a Terra: a distância em linha reta Terra–telescópio é o próprio raio rr da órbita, e o trajeto sobre a órbita, de L4L_4 até a Terra no sentido anti-horário, é o arco longo de 300∘=5π3300^\circ = \dfrac{5\pi}{3}, isto é, 5π3r\dfrac{5\pi}{3} r; a razão entre o trajeto e a distância, 5π3≈5,23\dfrac{5\pi}{3} \approx 5{,}23, era a resposta. Quem tomou o arco curto de 60∘60^\circ achou π3≈1,05\dfrac{\pi}{3} \approx 1{,}05: a orientação (“anti-horário”) escolhe qual dos dois arcos.

O relógio como círculo graduado

O ponteiro dos minutos dá uma volta em 60 minutos: 360∘60=6∘\dfrac{360^\circ}{60} = 6^\circ por minuto, ou 2π60=π30\dfrac{2\pi}{60} = \dfrac{\pi}{30} rad por minuto. O das horas dá uma volta em 12 horas: 30∘30^\circ por hora, 0,5∘0{,}5^\circ por minuto. Em 2022, o vestibular da UnB perguntou se, às 12 h 05 min, o ângulo entre os ponteiros é inferior a π6\dfrac{\pi}{6} rad. O dos minutos está em 5×6∘=30∘5 \times 6^\circ = 30^\circ; o das horas saiu do 12 e andou 5×0,5∘=2,5∘5 \times 0{,}5^\circ = 2{,}5^\circ; o ângulo entre eles é 27,5∘27{,}5^\circ, e π6=30∘\dfrac{\pi}{6} = 30^\circ: certo. Quem deixou o ponteiro das horas parado no 12 achou 30∘30^\circ exatos e ficou no limiar.

O círculo de raio 1: um ponto para cada ângulo

Desenhe um sistema de eixos e, com centro na origem OO, uma circunferência de raio 1. Marque o ponto A=(1,0)A = (1, 0), onde ela corta o eixo xx positivo: é a origem dos arcos. Para um ângulo θ\theta, parta de AA e percorra sobre a circunferência um arco de medida θ\theta (em radianos, o arco mede exatamente θ\theta, porque r=1r = 1): no sentido anti-horário se θ>0\theta > 0, no sentido horário se θ<0\theta < 0. O ponto de chegada é P(θ)P(\theta), a extremidade do arco. Os dois eixos dividem o círculo em quatro quadrantes, numerados no sentido anti-horário a partir de AA: o 1.º vai de 00 a π2\dfrac{\pi}{2}, o 2.º de π2\dfrac{\pi}{2} a π\pi, o 3.º de π\pi a 3π2\dfrac{3\pi}{2} e o 4.º de 3π2\dfrac{3\pi}{2} a 2π2\pi.

Seno e cosseno como coordenadas; tangente como segmento

No círculo trigonométrico, o cosseno de θ\theta é a abscissa do ponto P(θ)P(\theta) e o seno é a sua ordenada:

P(θ)=(cos⁡θ, sen⁡θ).P(\theta) = (\cos\theta,\ \operatorname{sen}\theta).

Para um ângulo agudo isso coincide com as razões do triângulo retângulo OPQOPQ (com QQ o pé da perpendicular de PP ao eixo xx): a hipotenusa OPOP mede 1, o cateto adjacente OQOQ é o cosseno e o cateto oposto PQPQ é o seno. Para qualquer outro ângulo, a definição pelo círculo estende seno e cosseno, com sinais. Como PP está no círculo de raio 1, suas coordenadas satisfazem x2+y2=1x^2 + y^2 = 1:

cos⁡2θ+sen⁡2θ=1para todo θ,\cos^2\theta + \operatorname{sen}^2\theta = 1 \quad\text{para todo } \theta,

e cada uma delas fica presa em [−1,1][-1, 1]. A tangente é o quociente tg⁡θ=sen⁡θcos⁡θ\operatorname{tg}\theta = \dfrac{\operatorname{sen}\theta}{\cos\theta}, definida sempre que cos⁡θ≠0\cos\theta \ne 0, isto é, para θ≠π2+kπ\theta \ne \dfrac{\pi}{2} + k\pi. Geometricamente, trace a reta vertical x=1x = 1 (o eixo das tangentes, tangente ao círculo em AA) e prolongue o raio OPOP até cortá-la no ponto TT: a ordenada de TT é tg⁡θ\operatorname{tg}\theta. Quando PP se aproxima do topo do círculo, TT sobe sem limite: a tangente de π2\dfrac{\pi}{2} não existe.

Círculo de raio 1 centrado na origem O, com os eixos x e y e o ponto A igual a (1, 0). Um ângulo teta de 40 graus, marcado a partir do eixo x no sentido anti-horário, leva ao ponto P sobre o círculo. A abscissa de P, igual a cosseno de teta, aparece como segmento no eixo x; a ordenada, igual a seno de teta, como segmento vertical até P. A reta vertical x igual a 1, o eixo das tangentes, é cortada pelo prolongamento do raio OP no ponto T, cuja altura é a tangente de teta. Os quatro quadrantes estão numerados.
Seno e cosseno são as coordenadas de PP; a tangente é a altura em que o raio prolongado corta a reta x=1x = 1. Para θ=40∘\theta = 40^\circ: cos⁡θ≈0,77\cos\theta \approx 0{,}77, sen⁡θ≈0,64\operatorname{sen}\theta \approx 0{,}64, tg⁡θ≈0,84\operatorname{tg}\theta \approx 0{,}84. Diagrama autoral.

Por que a ordenada de TT é a tangente? Os triângulos OQPOQP (catetos cos⁡θ\cos\theta e sen⁡θ\operatorname{sen}\theta) e OATOAT (catetos 11 e ATAT) são semelhantes, pois têm o ângulo θ\theta em OO e um ângulo reto cada um. Logo AT1=sen⁡θcos⁡θ\dfrac{AT}{1} = \dfrac{\operatorname{sen}\theta}{\cos\theta}. A mesma construção explica a palavra: tangente é o segmento sobre a reta tangente; secante é o segmento OTOT, sobre a reta que corta (seca) o círculo, e mede 1cos⁡θ\dfrac{1}{\cos\theta}, por Pitágoras ou por semelhança.

Três funções a mais aparecem com nome próprio, todas definidas a partir das três primeiras: a secante sec⁡θ=1cos⁡θ\sec\theta = \dfrac{1}{\cos\theta}, a cossecante cossec⁡θ=1sen⁡θ\operatorname{cossec}\theta = \dfrac{1}{\operatorname{sen}\theta} e a cotangente cotg⁡θ=cos⁡θsen⁡θ=1tg⁡θ\operatorname{cotg}\theta = \dfrac{\cos\theta}{\operatorname{sen}\theta} = \dfrac{1}{\operatorname{tg}\theta}. Cada uma existe onde o denominador não zera. Dividindo a relação fundamental por cos⁡2θ\cos^2\theta nasce 1+tg⁡2θ=sec⁡2θ1 + \operatorname{tg}^2\theta = \sec^2\theta. Nesta página elas ficam na definição; nenhuma prova do PAS pediu mais do que isso.

Os quatro pontos sobre os eixos saem direto da figura, sem tabela: P(0)=(1,0)P(0) = (1, 0), P ⁣(π2)=(0,1)P\!\left(\dfrac{\pi}{2}\right) = (0, 1), P(π)=(−1,0)P(\pi) = (-1, 0) e P ⁣(3π2)=(0,−1)P\!\left(\dfrac{3\pi}{2}\right) = (0, -1). Logo cos⁡0=1\cos 0 = 1, sen⁡π2=1\operatorname{sen}\dfrac{\pi}{2} = 1, cos⁡π=−1\cos\pi = -1, sen⁡3π2=−1\operatorname{sen}\dfrac{3\pi}{2} = -1, e os senos de 00 e π\pi e os cossenos de π2\dfrac{\pi}{2} e 3π2\dfrac{3\pi}{2} são zero. Em 2024, o vestibular da UEG escreveu “um quarto do cosseno de 180∘180^\circ” no meio de uma equação para ver quem lembrava que isso é −14-\dfrac{1}{4}; em 2022, o PAS 2 escondeu cos⁡0=1\cos 0 = 1 dentro de uma fórmula de duas variáveis sobre uma fotografia de Cartier-Bresson. São os valores mais simples do círculo, e os mais cobrados.

Sinais por quadrante: a posição do ponto decide

Como o cosseno é a abscissa, ele é positivo à direita do eixo yy (1.º e 4.º quadrantes) e negativo à esquerda (2.º e 3.º). Como o seno é a ordenada, é positivo acima do eixo xx (1.º e 2.º) e negativo abaixo (3.º e 4.º). A tangente é o quociente dos dois: positiva quando os sinais coincidem (1.º e 3.º quadrantes), negativa quando diferem (2.º e 4.º).

Círculo trigonométrico dividido em quatro quadrantes numerados no sentido anti-horário a partir do eixo x positivo. Em cada quadrante, os sinais de seno, cosseno e tangente: primeiro quadrante, todos positivos; segundo, seno positivo, cosseno negativo, tangente negativa; terceiro, seno negativo, cosseno negativo, tangente positiva; quarto, seno negativo, cosseno positivo, tangente negativa. Um ponto em cada quadrante ilustra as coordenadas com seus sinais.
Os sinais não se decoram: cosseno é abscissa (positivo à direita), seno é ordenada (positivo em cima), tangente é o quociente. Diagrama autoral.
quadrante ângulo (rad) seno cosseno tangente
1.º 0<θ<π20 < \theta < \dfrac{\pi}{2} ++ ++ ++
2.º π2<θ<π\dfrac{\pi}{2} < \theta < \pi ++ −- −-
3.º π<θ<3π2\pi < \theta < \dfrac{3\pi}{2} −- −- ++
4.º 3π2<θ<2π\dfrac{3\pi}{2} < \theta < 2\pi −- ++ −-

Um vestibular do CEDERJ (2019) pediu apenas isto: se x=cos⁡2x = \cos 2 e y=sen⁡2y = \operatorname{sen} 2 (2 radianos), quais são os sinais de xx e yy? Como π2≈1,57<2<3,14≈π\dfrac{\pi}{2} \approx 1{,}57 < 2 < 3{,}14 \approx \pi, o ângulo de 2 rad está no 2.º quadrante (cerca de 114,6∘114{,}6^\circ): x<0x < 0 e y>0y > 0. Nenhum valor precisou ser calculado; bastou localizar o ponto. É o mesmo raciocínio que a prova do PAS 2 usou em 2023 ao perguntar se o seno de um ângulo de triângulo com cosseno −12-\dfrac{1}{2} era negativo: cosseno negativo coloca o ponto à esquerda, mas um ângulo de triângulo fica entre 00 e π\pi, na metade de cima, onde o seno é positivo. Não.

A tangente é positiva no 3.º quadrante

“Está embaixo e à esquerda, então é tudo negativo” vale para seno e cosseno, não para a tangente: (−)(−)=(+)\dfrac{(-)}{(-)} = (+). Na figura, o raio que aponta para o 3.º quadrante, prolongado para trás, corta o eixo das tangentes acima de AA. Assim tg⁡5π4=tg⁡225∘=+1\operatorname{tg}\dfrac{5\pi}{4} = \operatorname{tg} 225^\circ = +1, e tg⁡135∘=−1\operatorname{tg} 135^\circ = -1. O erro simétrico é dar sinal negativo ao cosseno do 4.º quadrante: em 315∘315^\circ o ponto está à direita, cos⁡315∘=+22\cos 315^\circ = +\dfrac{\sqrt{2}}{2}.

Valores notáveis na volta inteira: do 1.º quadrante para os outros três

A tabela de 30∘30^\circ, 45∘45^\circ e 60∘60^\circ continua valendo no círculo, porque para ângulos agudos as duas definições coincidem. Em radianos:

θ\theta π6\dfrac{\pi}{6} (30∘30^\circ) π4\dfrac{\pi}{4} (45∘45^\circ) π3\dfrac{\pi}{3} (60∘60^\circ)
sen⁡θ\operatorname{sen}\theta 12\dfrac{1}{2} 22\dfrac{\sqrt{2}}{2} 32\dfrac{\sqrt{3}}{2}
cos⁡θ\cos\theta 32\dfrac{\sqrt{3}}{2} 22\dfrac{\sqrt{2}}{2} 12\dfrac{1}{2}
tg⁡θ\operatorname{tg}\theta 33\dfrac{\sqrt{3}}{3} 11 3\sqrt{3}

Os outros doze pontos notáveis da volta são reflexos desses três. O ponto de 150∘150^\circ é o espelho do ponto de 30∘30^\circ em relação ao eixo yy: mesma altura, abscissa trocada de sinal. O de 210∘210^\circ é o de 30∘30^\circ refletido pela origem: as duas coordenadas trocam de sinal. O de 330∘330^\circ é o de 30∘30^\circ refletido no eixo xx. Em cada caso, os valores absolutos são os da tabela, e os sinais são os do quadrante.

Círculo trigonométrico com dezesseis pontos marcados: os quatro sobre os eixos (0, pi sobre 2, pi, 3 pi sobre 2) e os doze de ângulos múltiplos de 30 e 45 graus (pi sobre 6, pi sobre 4, pi sobre 3, 2 pi sobre 3, 3 pi sobre 4, 5 pi sobre 6, 7 pi sobre 6, 5 pi sobre 4, 4 pi sobre 3, 5 pi sobre 3, 7 pi sobre 4, 11 pi sobre 6). Cada ponto traz o ângulo em graus e radianos e o par de coordenadas (cosseno, seno), por exemplo 150 graus igual a 5 pi sobre 6 com coordenadas (menos raiz de 3 sobre 2, um meio).
Os valores notáveis em toda a volta: a cada ponto, o par (cosseno, seno). Só há três módulos a lembrar (12\tfrac12, 22\tfrac{\sqrt2}{2}, 32\tfrac{\sqrt3}{2}) e o quadrante dá o sinal. Diagrama autoral.

A tabela completa, para consulta:

θ\theta (rad) graus sen⁡θ\operatorname{sen}\theta cos⁡θ\cos\theta tg⁡θ\operatorname{tg}\theta
00 0∘0^\circ 00 11 00
π6\dfrac{\pi}{6} 30∘30^\circ 12\dfrac{1}{2} 32\dfrac{\sqrt{3}}{2} 33\dfrac{\sqrt{3}}{3}
π4\dfrac{\pi}{4} 45∘45^\circ 22\dfrac{\sqrt{2}}{2} 22\dfrac{\sqrt{2}}{2} 11
π3\dfrac{\pi}{3} 60∘60^\circ 32\dfrac{\sqrt{3}}{2} 12\dfrac{1}{2} 3\sqrt{3}
π2\dfrac{\pi}{2} 90∘90^\circ 11 00 não existe
2π3\dfrac{2\pi}{3} 120∘120^\circ 32\dfrac{\sqrt{3}}{2} −12-\dfrac{1}{2} −3-\sqrt{3}
3π4\dfrac{3\pi}{4} 135∘135^\circ 22\dfrac{\sqrt{2}}{2} −22-\dfrac{\sqrt{2}}{2} −1-1
5π6\dfrac{5\pi}{6} 150∘150^\circ 12\dfrac{1}{2} −32-\dfrac{\sqrt{3}}{2} −33-\dfrac{\sqrt{3}}{3}
π\pi 180∘180^\circ 00 −1-1 00
7π6\dfrac{7\pi}{6} 210∘210^\circ −12-\dfrac{1}{2} −32-\dfrac{\sqrt{3}}{2} 33\dfrac{\sqrt{3}}{3}
5π4\dfrac{5\pi}{4} 225∘225^\circ −22-\dfrac{\sqrt{2}}{2} −22-\dfrac{\sqrt{2}}{2} 11
4π3\dfrac{4\pi}{3} 240∘240^\circ −32-\dfrac{\sqrt{3}}{2} −12-\dfrac{1}{2} 3\sqrt{3}
3π2\dfrac{3\pi}{2} 270∘270^\circ −1-1 00 não existe
5π3\dfrac{5\pi}{3} 300∘300^\circ −32-\dfrac{\sqrt{3}}{2} 12\dfrac{1}{2} −3-\sqrt{3}
7π4\dfrac{7\pi}{4} 315∘315^\circ −22-\dfrac{\sqrt{2}}{2} 22\dfrac{\sqrt{2}}{2} −1-1
11π6\dfrac{11\pi}{6} 330∘330^\circ −12-\dfrac{1}{2} 32\dfrac{\sqrt{3}}{2} −33-\dfrac{\sqrt{3}}{3}
2π2\pi 360∘360^\circ 00 11 00

Repare na ordem dos módulos ao longo do 1.º quadrante: o seno cresce (00, 12\tfrac12, 22\tfrac{\sqrt2}{2}, 32\tfrac{\sqrt3}{2}, 11) e o cosseno percorre a mesma lista ao contrário. Isso serve de conferência: em π6\dfrac{\pi}{6} o ponto está “baixo e à direita”, perto de AA, então o seno é pequeno (12\tfrac12) e o cosseno grande (32\tfrac{\sqrt3}{2}). Quem troca os dois achou um ponto perto do topo, e a figura denuncia.

Exemplo resolvido 3: quatro valores fora do 1.º quadrante. Calcule cos⁡120∘\cos 120^\circ, sen⁡7π6\operatorname{sen}\dfrac{7\pi}{6}, tg⁡7π4\operatorname{tg}\dfrac{7\pi}{4} e cos⁡5π3\cos\dfrac{5\pi}{3}.

Estratégia: para cada ângulo, (1) localizar o quadrante, (2) achar o ângulo agudo de referência (a distância até o eixo xx mais próximo), (3) pegar o módulo na tabela e (4) aplicar o sinal do quadrante.

Resolução: 120∘120^\circ está no 2.º quadrante, a 60∘60^\circ do eixo xx (pois 180∘−120∘=60∘180^\circ - 120^\circ = 60^\circ); cosseno negativo ali: cos⁡120∘=−cos⁡60∘=−12\cos 120^\circ = -\cos 60^\circ = -\dfrac{1}{2}. 7π6=210∘\dfrac{7\pi}{6} = 210^\circ, 3.º quadrante, 30∘30^\circ além de π\pi; seno negativo: sen⁡7π6=−12\operatorname{sen}\dfrac{7\pi}{6} = -\dfrac{1}{2}. 7π4=315∘\dfrac{7\pi}{4} = 315^\circ, 4.º quadrante, a 45∘45^\circ da volta; tangente negativa: tg⁡7π4=−1\operatorname{tg}\dfrac{7\pi}{4} = -1. 5π3=300∘\dfrac{5\pi}{3} = 300^\circ, 4.º quadrante, a 60∘60^\circ da volta; cosseno positivo: cos⁡5π3=cos⁡60∘=12\cos\dfrac{5\pi}{3} = \cos 60^\circ = \dfrac{1}{2}.

Conferência: relação fundamental em 5π3\dfrac{5\pi}{3}: sen⁡5π3=−32\operatorname{sen}\dfrac{5\pi}{3} = -\dfrac{\sqrt{3}}{2} e (12)2+(−32)2=14+34=1\left(\dfrac{1}{2}\right)^2 + \left(-\dfrac{\sqrt{3}}{2}\right)^2 = \dfrac{1}{4} + \dfrac{3}{4} = 1. E cos⁡120∘=−12\cos 120^\circ = -\dfrac12 é exatamente o dado do bloco de 2023 do PAS 2 (área desmatada): “o cosseno do ângulo em AA vale −12-\dfrac12” significa que o ângulo é 120∘=2π3120^\circ = \dfrac{2\pi}{3}, e a soma dos outros dois ângulos do triângulo, π−2π3=π3\pi - \dfrac{2\pi}{3} = \dfrac{\pi}{3}, é menor que π2\dfrac{\pi}{2}, como o item afirmava.

Simetrias: tudo se reduz ao primeiro quadrante

O que o exemplo anterior fez caso a caso tem nome e fórmula. Quatro movimentos do círculo levam o ponto P(x)P(x), com xx agudo, aos outros três quadrantes, e um quinto troca os papéis de seno e cosseno.

Redução ao 1.º quadrante e ângulos complementares

Para qualquer xx (não só agudo), valem:

sen⁡(π−x)=sen⁡x,cos⁡(π−x)=−cos⁡x(reflexa˜o no eixo y: 2.∘ quadrante)sen⁡(π+x)=−sen⁡x,cos⁡(π+x)=−cos⁡x(reflexa˜o pela origem: 3.∘ quadrante)sen⁡(2π−x)=−sen⁡x,cos⁡(2π−x)=cos⁡x(reflexa˜o no eixo x: 4.∘ quadrante)sen⁡(−x)=−sen⁡x,cos⁡(−x)=cos⁡x(o mesmo ponto de 2π−x)\begin{aligned} \operatorname{sen}(\pi - x) &= \operatorname{sen}x, & \cos(\pi - x) &= -\cos x & &\text{(reflexão no eixo } y\text{: 2.}^{\circ}\text{ quadrante)}\\ \operatorname{sen}(\pi + x) &= -\operatorname{sen}x, & \cos(\pi + x) &= -\cos x & &\text{(reflexão pela origem: 3.}^{\circ}\text{ quadrante)}\\ \operatorname{sen}(2\pi - x) &= -\operatorname{sen}x, & \cos(2\pi - x) &= \cos x & &\text{(reflexão no eixo } x\text{: 4.}^{\circ}\text{ quadrante)}\\ \operatorname{sen}(-x) &= -\operatorname{sen}x, & \cos(-x) &= \cos x & &\text{(o mesmo ponto de } 2\pi - x\text{)} \end{aligned}

A tangente acompanha o quociente: tg⁡(π−x)=−tg⁡x\operatorname{tg}(\pi - x) = -\operatorname{tg}x, tg⁡(π+x)=tg⁡x\operatorname{tg}(\pi + x) = \operatorname{tg}x, tg⁡(−x)=−tg⁡x\operatorname{tg}(-x) = -\operatorname{tg}x. Os complementares trocam seno por cosseno, pela reflexão na bissetriz y=xy = x:

sen⁡ ⁣(π2−x)=cos⁡x,cos⁡ ⁣(π2−x)=sen⁡x,\operatorname{sen}\!\left(\tfrac{\pi}{2} - x\right) = \cos x, \qquad \cos\!\left(\tfrac{\pi}{2} - x\right) = \operatorname{sen}x,

e um quarto de volta a mais gira o ponto 90∘90^\circ: sen⁡ ⁣(π2+x)=cos⁡x\operatorname{sen}\!\left(\tfrac{\pi}{2} + x\right) = \cos x e cos⁡ ⁣(π2+x)=−sen⁡x\cos\!\left(\tfrac{\pi}{2} + x\right) = -\operatorname{sen}x.

Círculo trigonométrico com um ponto P de ângulo x igual a 35 graus no primeiro quadrante e seus três reflexos: pi menos x no segundo quadrante, com coordenadas (menos cosseno de x, seno de x); pi mais x no terceiro, com (menos cosseno de x, menos seno de x); e 2 pi menos x, igual a menos x, no quarto, com (cosseno de x, menos seno de x). Setas tracejadas indicam a reflexão no eixo y, pela origem e no eixo x. Um quinto ponto, pi sobre 2 menos x, mostra a troca de coordenadas (seno de x, cosseno de x) por reflexão na bissetriz.
As quatro cópias de um mesmo ângulo de referência: mesmos módulos, sinais do quadrante. O complementar troca as coordenadas de lugar. Diagrama autoral.

Duas dessas relações já renderam itens. Em 2011, a prova do PAS 2 desenhou um carro subindo uma rampa de inclinação θ\theta e marcou, no topo, o ângulo β\beta entre o prolongamento da rampa e a vertical, do lado de fora do triângulo; o item afirmava cos⁡β=−sen⁡θ\cos\beta = -\operatorname{sen}\theta. Para achar β\beta, conte os ângulos em volta do vértice superior da rampa. O triângulo da rampa é retângulo, com θ\theta no pé; o ângulo interno do topo, entre a rampa e a vertical, é o complemento, 90∘−θ90^\circ - \theta. Como β\beta está do lado de fora, entre o prolongamento da rampa e a mesma vertical, ele completa esse ângulo interno até 180∘180^\circ: β=180∘−(90∘−θ)=90∘+θ\beta = 180^\circ - (90^\circ - \theta) = 90^\circ + \theta. Então cos⁡β=cos⁡ ⁣(π2+θ)=−sen⁡θ\cos\beta = \cos\!\left(\dfrac{\pi}{2} + \theta\right) = -\operatorname{sen}\theta: certo. No círculo, o ponto de 90∘+θ90^\circ + \theta é o de θ\theta girado um quarto de volta: a abscissa nova é a ordenada antiga com sinal trocado. Em 2023, o vestibular da UNEB listou “tg⁡82∘=−tg⁡98∘\operatorname{tg} 82^\circ = -\operatorname{tg} 98^\circ” entre quatro afirmações: 98∘=180∘−82∘98^\circ = 180^\circ - 82^\circ, e a tangente de um suplemento é a tangente com sinal trocado. Verdadeira. Na mesma lista: “se σ=23π3\sigma = \dfrac{23\pi}{3}, então cos⁡σ=cos⁡60∘\cos\sigma = \cos 60^\circ”, que a próxima seção decide.

Exemplo resolvido 4: do seno ao cosseno, com sinal. Um ângulo α\alpha do 2.º quadrante tem sen⁡α=1213\operatorname{sen}\alpha = \dfrac{12}{13}. Determine cos⁡α\cos\alpha e tg⁡α\operatorname{tg}\alpha.

Estratégia: relação fundamental para o módulo, quadrante para o sinal. É o que a prova espera quando dá uma razão e pede outra sem fornecer o ângulo.

Resolução: cos⁡2α=1−144169=25169\cos^2\alpha = 1 - \dfrac{144}{169} = \dfrac{25}{169}, logo ∣cos⁡α∣=513|\cos\alpha| = \dfrac{5}{13}. No 2.º quadrante o cosseno é negativo: cos⁡α=−513\cos\alpha = -\dfrac{5}{13}. Tangente: tg⁡α=12/13−5/13=−125\operatorname{tg}\alpha = \dfrac{12/13}{-5/13} = -\dfrac{12}{5}.

Conferência: o terno 55-1212-1313 é pitagórico (25+144=16925 + 144 = 169); o ponto (−513,1213)\left(-\dfrac{5}{13}, \dfrac{12}{13}\right) está à esquerda e em cima, como o 2.º quadrante exige. A UNEB apresentou exatamente esta situação com a conclusão “o cosseno mede −113-\dfrac{1}{13}”, que é falsa: quem subtrai 1213\dfrac{12}{13} de 1, em vez de subtrair o quadrado, cai nela.

Mais de uma volta e voltas para trás: arcos côngruos

Depois de 2π2\pi, o ponto volta ao lugar de onde saiu. O ângulo de 390∘390^\circ (=360∘+30∘= 360^\circ + 30^\circ) termina no mesmo ponto que 30∘30^\circ; o de −330∘-330^\circ também (uma volta para trás e 30∘30^\circ para a frente dão o mesmo que 30∘30^\circ para a frente). Ângulos cujas extremidades coincidem chamam-se côngruos (ou coterminais); diferem por um número inteiro de voltas.

Arcos côngruos e determinação principal

xx e x′x' são côngruos quando x′=x+2kπx' = x + 2k\pi, com kk inteiro (em graus, x′=x+k⋅360∘x' = x + k \cdot 360^\circ). Seno, cosseno e tangente têm o mesmo valor em arcos côngruos:

sen⁡(x+2kπ)=sen⁡x,cos⁡(x+2kπ)=cos⁡x.\operatorname{sen}(x + 2k\pi) = \operatorname{sen}x, \qquad \cos(x + 2k\pi) = \cos x.

A determinação principal (ou primeira determinação positiva) de um arco é o seu côngruo no intervalo [0,2π)[0, 2\pi), isto é, em [0∘,360∘)[0^\circ, 360^\circ): o que sobra depois de retirar as voltas inteiras. A tangente repete antes, a cada meia-volta: tg⁡(x+kπ)=tg⁡x\operatorname{tg}(x + k\pi) = \operatorname{tg}x, porque P(x+π)P(x + \pi) é o reflexo de P(x)P(x) pela origem e o quociente de duas coordenadas com sinal trocado não muda.

Dois painéis. À esquerda, o círculo trigonométrico com um único ponto P marcado a 30 graus e três arcos que terminam nele: 30 graus (arco curto anti-horário), 390 graus (uma volta completa mais 30 graus, desenhado como um círculo interno que fecha a volta e continua até P) e menos 330 graus (arco horário quase completo). À direita, uma reta numérica dos ângulos, de menos 2 pi a 4 pi, com marcas em pi sobre 6, pi sobre 6 mais 2 pi e pi sobre 6 menos 2 pi, todas apontando para o mesmo ponto do círculo.
30∘30^\circ, 390∘390^\circ e −330∘-330^\circ terminam no mesmo ponto: são côngruos (x+2kπx + 2k\pi). O círculo guarda a posição; o número de voltas fica só no ângulo. Diagrama autoral.

Reduzir um ângulo não apaga o percurso: uma roda que girou 390∘390^\circ deu uma volta a mais que uma que girou 30∘30^\circ, e a pergunta decide o que interessa, a posição final (determinação principal) ou o deslocamento (ângulo total, como nos 600π600\pi radianos do helicóptero, que são 300 voltas e não “zero”, embora as pás terminem na posição em que começaram). Na página de MCU, a velocidade angular ω\omega é exatamente “quantos radianos por segundo”, e o número de voltas é ωt2π\dfrac{\omega t}{2\pi}.

Exemplo resolvido 5: três determinações principais. Encontre a determinação principal de 1 485∘1\,485^\circ, de −7π4-\dfrac{7\pi}{4} e de 23π3\dfrac{23\pi}{3}, e diga o valor do cosseno em cada caso.

Estratégia: dividir por 360∘360^\circ (ou por 2π2\pi) e ficar com o resto; para ângulos negativos, somar voltas até cair em [0,2π)[0, 2\pi). Em radianos, escrever o ângulo como “nπn\pi mais um pedaço” e tirar os pares de π\pi.

Resolução: 1 485=4×360+451\,485 = 4 \times 360 + 45, logo a determinação principal é 45∘45^\circ e cos⁡1 485∘=cos⁡45∘=22\cos 1\,485^\circ = \cos 45^\circ = \dfrac{\sqrt{2}}{2}. Para −7π4-\dfrac{7\pi}{4}, somar uma volta: −7π4+2π=π4-\dfrac{7\pi}{4} + 2\pi = \dfrac{\pi}{4}; cos⁡ ⁣(−7π4)=cos⁡π4=22\cos\!\left(-\dfrac{7\pi}{4}\right) = \cos\dfrac{\pi}{4} = \dfrac{\sqrt{2}}{2}. Para 23π3\dfrac{23\pi}{3}: 233=7+23\dfrac{23}{3} = 7 + \dfrac{2}{3}, então 23π3=7π+2π3=6π+5π3\dfrac{23\pi}{3} = 7\pi + \dfrac{2\pi}{3} = 6\pi + \dfrac{5\pi}{3}; três voltas inteiras (6π6\pi) saem e fica 5π3=300∘\dfrac{5\pi}{3} = 300^\circ; cos⁡23π3=cos⁡300∘=cos⁡60∘=12\cos\dfrac{23\pi}{3} = \cos 300^\circ = \cos 60^\circ = \dfrac{1}{2}. A afirmação da UNEB era verdadeira.

Conferência: 300∘300^\circ está no 4.º quadrante, cosseno positivo, confere com +12+\dfrac12. E 7π7\pi é um número ímpar de meias-voltas: sozinho levaria ao ponto (−1,0)(-1, 0); mais 2π3\dfrac{2\pi}{3} a partir dali, no sentido anti-horário, chega a 300∘300^\circ. A figura fecha com a conta.

Um caso que a prova gosta: argumentos grandes dentro de seno e cosseno. Num item de 2012 do PAS 2 sobre a velocidade do vento, v(t)=25sen⁡ ⁣(πt4+π2)+12cos⁡ ⁣(2πt3+π3)v(t) = 25\operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi t}{4} + \dfrac{\pi}{2}\right) + 12\cos\!\left(\dfrac{2\pi t}{3} + \dfrac{\pi}{3}\right) com tt em horas, perguntava-se o vento ao meio-dia do terceiro dia, t=60t = 60. O primeiro argumento vira 15π+π215\pi + \dfrac{\pi}{2}: 15π15\pi são sete voltas (14π14\pi) mais meia-volta, então o ponto é o de π+π2=3π2\pi + \dfrac{\pi}{2} = \dfrac{3\pi}{2}, e o seno vale −1-1. O segundo vira 40π+π340\pi + \dfrac{\pi}{3}: vinte voltas inteiras não mudam nada, cos⁡π3=12\cos\dfrac{\pi}{3} = \dfrac12. Logo v(60)=−25+6=−19v(60) = -25 + 6 = -19 cm/s, vento para o sul, e o item, que afirmava 25 cm/s para o norte, era falso. O resto daquele bloco (amplitude, período) é assunto da página seguinte; a redução é desta.

Equações no círculo: quando o seno vale ½, o cosseno vale 1, a tangente vale 1

Resolver sen⁡x=12\operatorname{sen}x = \dfrac{1}{2} é perguntar: em que pontos do círculo a ordenada vale 12\dfrac12? A reta horizontal y=12y = \dfrac12 corta o círculo em dois pontos, um no 1.º quadrante (π6\dfrac{\pi}{6}) e seu espelho no 2.º (π−π6=5π6\pi - \dfrac{\pi}{6} = \dfrac{5\pi}{6}). Essas são as soluções em [0,2π)[0, 2\pi); cada volta a mais repete as duas. O círculo é o método: desenhe a reta, conte as interseções, nomeie-as pela simetria.

Soluções das equações elementares

Em uma volta, [0,2π)[0, 2\pi), e no conjunto de todas as soluções (kk inteiro):

sen⁡x=sen⁡a ⟹ x=a+2kπ  ou  x=(π−a)+2kπ(reta horizontal: dois pontos, simeˊtricos no eixo y)cos⁡x=cos⁡a ⟹ x=±a+2kπ(reta vertical: dois pontos, simeˊtricos no eixo x)tg⁡x=tg⁡a ⟹ x=a+kπ(reta pela origem: dois pontos opostos, uma soluc¸a˜o por meia-volta)\begin{aligned} \operatorname{sen}x = \operatorname{sen}a &\ \Longrightarrow\ x = a + 2k\pi \ \text{ ou }\ x = (\pi - a) + 2k\pi \quad\text{(reta horizontal: dois pontos, simétricos no eixo } y)\\ \cos x = \cos a &\ \Longrightarrow\ x = \pm a + 2k\pi \quad\text{(reta vertical: dois pontos, simétricos no eixo } x)\\ \operatorname{tg}x = \operatorname{tg}a &\ \Longrightarrow\ x = a + k\pi \quad\text{(reta pela origem: dois pontos opostos, uma solução por meia-volta)} \end{aligned}

Casos de uma solução por volta: sen⁡x=1\operatorname{sen}x = 1 só em x=π2+2kπx = \dfrac{\pi}{2} + 2k\pi; sen⁡x=−1\operatorname{sen}x = -1 só em 3π2+2kπ\dfrac{3\pi}{2} + 2k\pi; cos⁡x=1\cos x = 1 só em x=2kπx = 2k\pi; cos⁡x=−1\cos x = -1 só em x=π+2kπx = \pi + 2k\pi. Zeros: sen⁡x=0\operatorname{sen}x = 0 em x=kπx = k\pi; cos⁡x=0\cos x = 0 em x=π2+kπx = \dfrac{\pi}{2} + k\pi. E equações como sen⁡x=2\operatorname{sen}x = 2 não têm solução: a reta y=2y = 2 não toca o círculo.

Três itens do PAS 2 se decidiram com esse quadro. O de 2010 vinha num texto sobre uma população de renas que cresceu e desabou numa ilha do Alasca; a prova a descreveu pela função Q(t)=Mtg⁡ ⁣(t−194476π)+NQ(t) = M \operatorname{tg}\!\left(\dfrac{t - 1944}{76}\pi\right) + N e informou dois pontos da contagem, 29 renas no ano de 1944 e 6 000 no de 1963; o item afirmava que M×NM \times N passa de 200 000. Os dois anos foram escolhidos a dedo. Para t=1944t = 1944 a fração zera, tg⁡0=0\operatorname{tg} 0 = 0, e a função se reduz a NN: N=29N = 29. Para t=1963t = 1963 a diferença é 19, e 1976=14\dfrac{19}{76} = \dfrac{1}{4}: o argumento é π4\dfrac{\pi}{4}, cuja tangente é 1 (é o ponto do círculo em que seno e cosseno coincidem, 45∘45^\circ). Fica M+29=6 000M + 29 = 6\,000, M=5 971M = 5\,971, e 5 971×29=173 1595\,971 \times 29 = 173\,159, aquém dos 200 000: errado. Doze anos depois, em 2022, o cenário era uma fotografia célebre de Cartier-Bresson, um homem saltando sobre uma poça atrás de uma estação de trem de Paris, e sobre ela a prova pôs eixos cartesianos e uma regra para a profundidade da água em cada ponto (x,y)(x, y): 5−2cos⁡(4x+3y)5 - 2\cos(4x + 3y) centímetros. O item pedia a profundidade onde as retas x+y=1x + y = 1 e 2x+3y=62x + 3y = 6 se cruzam. O sistema dá x=−3x = -3 e y=4y = 4, e com esses valores 4x+3y=−12+12=04x + 3y = -12 + 12 = 0: o cosseno é de zero, vale 1, e a profundidade é 5−2=35 - 2 = 3 cm, como o item afirmava. Certo. Toda a dificuldade aparente estava no argumento de cara feia; uma vez que ele se anulou, restou o valor mais elementar do círculo.

Exemplo resolvido 6: o cosseno que vale exatamente 1. Em 2019, o PAS 2 apresentou um gráfico do INMET com a temperatura e a umidade relativa do ar em Brasília, hora a hora, das 9 h de 3/5/2019 às 8 h do dia seguinte. A temperatura (linha) partia de 18,5 ∘C18{,}5\,^\circ\text{C} às 9 h, subia até cerca de 26 ∘C26\,^\circ\text{C} entre 17 h e 20 h e caía para cerca de 20 ∘C20\,^\circ\text{C} da meia-noite às 8 h; a umidade (barras) fazia o caminho inverso, de mais de 90 % de manhã para 50–56 % entre 17 h e 20 h, de volta a 90 % de madrugada. O item, na íntegra: “Considere que, em determinado horário, a temperatura tt no DF, em graus Celsius, registrada no gráfico, tenha sido tal que cos⁡(t2−36t+260)=1\cos(t^2 - 36t + 260) = 1 e ∣t2−36t+260∣<2|t^2 - 36t + 260| < 2. Nesse caso, a partir das informações do gráfico, infere-se que a umidade relativa do ar no referido horário era superior a 60%.” Julgue.

Estratégia: cos⁡(algo)=1\cos(\text{algo}) = 1 obriga o “algo” a ser um múltiplo de 2π2\pi: 00, ±6,28\pm 6{,}28, ±12,57\pm 12{,}57, … A segunda condição, módulo menor que 2, elimina todos menos o zero. Sobra uma equação do 2.º grau.

Resolução: t2−36t+260=0t^2 - 36t + 260 = 0; Δ=362−4⋅260=1 296−1 040=256\Delta = 36^2 - 4 \cdot 260 = 1\,296 - 1\,040 = 256; t=36±162t = \dfrac{36 \pm 16}{2}, isto é, t=10t = 10 ou t=26t = 26. A temperatura de 10 ∘C10\,^\circ\text{C} não aparece no gráfico (o mínimo foi 18,5 ∘C18{,}5\,^\circ\text{C}); a de 26 ∘C26\,^\circ\text{C} ocorreu entre 17 h e 20 h, quando as barras de umidade marcavam entre 50 % e 56 %, abaixo de 60 %. Item errado.

Conferência: 102−360+260=010^2 - 360 + 260 = 0 e 262−936+260=676−676=026^2 - 936 + 260 = 676 - 676 = 0. Quem ignorou a condição do módulo teria infinitas temperaturas candidatas (t2−36t+260=2kπt^2 - 36t + 260 = 2k\pi para cada kk) e nenhuma conclusão; a condição extra existe justamente porque cos⁡x=1\cos x = 1 tem uma solução por volta, e o item precisava de uma só.

"cos x = 1 tem uma solução" e "sen x = 2 tem duas"

Toda equação trigonométrica tem ou nenhuma solução (valor fora de [−1,1][-1, 1]) ou infinitas (as mesmas de uma volta, repetidas a cada 2kπ2k\pi). Num intervalo fechado, conte: sen⁡x=12\operatorname{sen}x = \dfrac12 tem duas soluções em [0,2π)[0, 2\pi), quatro em [0,4π)[0, 4\pi), e uma só em [0,π2]\left[0, \dfrac{\pi}{2}\right]. Quando um item fala em “a solução”, ele restringiu o intervalo em algum lugar do enunciado (como o “∣…∣<2|\ldots| < 2” de 2019): procure a restrição antes de responder.

Exemplo resolvido 7: três equações em uma volta e em geral. Resolva, em [0,2π)[0, 2\pi) e em R\mathbb{R}: (a) cos⁡x=−12\cos x = -\dfrac{1}{2}; (b) tg⁡x=1\operatorname{tg}x = 1; © 2sen⁡x+1=02\operatorname{sen}x + 1 = 0.

Resolução: (a) A reta vertical x=−12x = -\dfrac12 corta o círculo nos pontos de referência 60∘60^\circ à esquerda: 2π3\dfrac{2\pi}{3} e 4π3\dfrac{4\pi}{3}. Geral: x=±2π3+2kπx = \pm\dfrac{2\pi}{3} + 2k\pi (o “−2π3-\dfrac{2\pi}{3}” é o côngruo de 4π3\dfrac{4\pi}{3}). (b) Tangente 1 em π4\dfrac{\pi}{4} (1.º quadrante) e em π4+π=5π4\dfrac{\pi}{4} + \pi = \dfrac{5\pi}{4} (3.º): duas em uma volta. Geral: x=π4+kπx = \dfrac{\pi}{4} + k\pi. © sen⁡x=−12\operatorname{sen}x = -\dfrac12: reta horizontal y=−12y = -\dfrac12, pontos de referência 30∘30^\circ na metade de baixo: 7π6\dfrac{7\pi}{6} e 11π6\dfrac{11\pi}{6}. Geral: x=7π6+2kπx = \dfrac{7\pi}{6} + 2k\pi ou x=11π6+2kπx = \dfrac{11\pi}{6} + 2k\pi (equivalente a x=−π6+2kπx = -\dfrac{\pi}{6} + 2k\pi ou 7π6+2kπ\dfrac{7\pi}{6} + 2k\pi).

Conferência: em (a), cos⁡4π3=cos⁡240∘\cos\dfrac{4\pi}{3} = \cos 240^\circ, 3.º quadrante, cosseno negativo com módulo cos⁡60∘=12\cos 60^\circ = \dfrac12. Em (b), tg⁡5π4=−2/2−2/2=1\operatorname{tg}\dfrac{5\pi}{4} = \dfrac{-\sqrt2/2}{-\sqrt2/2} = 1. Em ©, sen⁡11π6=sen⁡(−30∘)=−12\operatorname{sen}\dfrac{11\pi}{6} = \operatorname{sen}(-30^\circ) = -\dfrac12.

Ler uma figura com círculo: raio, origem, sentido

Nem sempre o círculo da prova tem raio 1 nem está centrado na origem, e a leitura começa por três perguntas: qual é o raio, de onde o ângulo é medido e em que sentido. Num círculo de raio rr centrado na origem, o ponto de ângulo θ\theta é (rcos⁡θ, rsen⁡θ)(r\cos\theta,\ r\operatorname{sen}\theta): as coordenadas do círculo unitário multiplicadas por rr. Num círculo de centro (a,b)(a, b), soma-se o centro: (a+rcos⁡θ, b+rsen⁡θ)(a + r\cos\theta,\ b + r\operatorname{sen}\theta). É por esse caminho que a posição de um ponto que gira (o assento de um brinquedo de parque, a extremidade de uma pá de turbina, um dente de engrenagem) se escreve como “um número vezes seno ou cosseno mais uma constante”: a próxima página faz esse ângulo correr com o tempo.

O ângulo é medido, por convenção, a partir do eixo xx positivo e no sentido anti-horário. Quando a figura marca o ângulo a partir da vertical (uma pá que “faz ângulo φ\varphi com a reta vertical”, um pêndulo), o ângulo com o eixo xx é π2−φ\dfrac{\pi}{2} - \varphi, e seno e cosseno trocam de lugar: a altura do ponto passa a ser rcos⁡φr\cos\varphi. Foi esse detalhe que uma prova de 2018 do PAS 2 colocou no enunciado de uma turbina (“o ângulo que uma das pás fazia com uma reta imaginária vertical”), embora o item perguntasse só a velocidade de rotação, em voltas por minuto. Na página de vetores, a mesma convenção dá as componentes: um vetor de módulo vv e ângulo θ\theta com a horizontal tem componentes vcos⁡θv\cos\theta e vsen⁡θv\operatorname{sen}\theta, e um que faz ângulo θ\theta com a vertical tem as componentes trocadas.

No PAS 3, o círculo unitário volta na forma trigonométrica dos números complexos: um número de módulo 1 e argumento θ\theta é o ponto (cos⁡θ,sen⁡θ)(\cos\theta, \operatorname{sen}\theta), e multiplicar por ii gira o ponto um quarto de volta. Em 2016, uma estrela de cinco pontas foi desenhada com os vértices do pentágono interno sobre a circunferência unitária, e o enunciado dizia que esses vértices eram as raízes de z5=−1z^5 = -1; um item afirmou que o primeiro deles tinha coordenadas (cos⁡π10,sen⁡π10)\left(\cos\dfrac{\pi}{10}, \operatorname{sen}\dfrac{\pi}{10}\right), isto é, ângulo de 18∘18^\circ. As raízes de z5=−1z^5 = -1 têm argumentos π5,3π5,π,7π5,9π5\dfrac{\pi}{5}, \dfrac{3\pi}{5}, \pi, \dfrac{7\pi}{5}, \dfrac{9\pi}{5}: o vértice do 1.º quadrante está em 36∘36^\circ, e o item era falso. A conta é a desta página; o contexto, da outra.

O radiano tem cerca de 150 anos de nome, e o grau tem 4 000

A divisão da volta em 360 partes vem dos astrônomos babilônicos, que contavam em base 60; os gregos a adotaram, e Ptolomeu, no século II, já tabelava cordas de arcos de meio em meio grau. A ideia de medir o ângulo pelo arco em raios é bem mais recente: Roger Cotes, em 1714, na Logometria, tratou essa medida como a “natural” para o ângulo, mas sem lhe dar nome. Segundo o historiador Florian Cajori, a palavra radian apareceu impressa pela primeira vez em 5 de junho de 1873, em questões de exame de James Thomson, professor de engenharia no Queen’s College de Belfast e irmão mais velho do físico Lord Kelvin; Thomas Muir, em St Andrews, hesitava na mesma época entre rads, radials e radians (fonte: biografia de Cotes e verbete radian do arquivo MacTutor, Universidade de St Andrews). O grado, a terceira unidade, nasceu com o sistema métrico da Revolução Francesa (década de 1790) como “grau decimal” e quase ficou restrito aos teodolitos. Na prova, só duas unidades existem; e, quando o enunciado escreve π\pi, só uma.

Os erros que a banca planta

  • Tratar π\pi como número a multiplicar. “π3\dfrac{\pi}{3} radianos” lê-se 60∘60^\circ, direto; “600π600\pi radianos” lê-se 300 voltas. Calcular 3,14×6003{,}14 \times 600 é perder tempo e o item.
  • Radianos na fórmula do arco com o ângulo em graus. s=θrs = \theta r só com θ\theta em radianos; com graus, s=θ360⋅2πrs = \dfrac{\theta}{360} \cdot 2\pi r.
  • Confundir ângulo girado com distância percorrida. 600π600\pi rad é o giro; a distância é o giro vezes o raio. E o deslocamento do helicóptero é outra coisa ainda: vem da velocidade.
  • Altitude somada ao arco. A 10 km de altura, o arco cresce na proporção do raio (θ⋅10\theta \cdot 10 km), não em 10 km por ponta.
  • Sinal da tangente no 3.º quadrante. Seno e cosseno negativos dão tangente positiva: tg⁡225∘=1\operatorname{tg} 225^\circ = 1.
  • Cosseno negativo arrastando o seno. Ângulo de triângulo fica em (0,π)(0, \pi): seno sempre positivo, mesmo com cosseno −12-\dfrac12.
  • Redução com o ângulo de referência errado. O ângulo de referência é a distância até o eixo xx, não até o eixo yy: para 120∘120^\circ é 60∘60^\circ (e não 30∘30^\circ).
  • Subtrair o seno em vez do quadrado do seno. cos⁡2=1−sen⁡2\cos^2 = 1 - \operatorname{sen}^2: com sen⁡=1213\operatorname{sen} = \dfrac{12}{13}, cos⁡=±513\cos = \pm\dfrac{5}{13}, não ±113\pm\dfrac{1}{13}.
  • “cos⁡x=1\cos x = 1 tem uma única solução”. Tem uma por volta: x=2kπx = 2k\pi. Quando o enunciado fala de “a” solução, alguma restrição no texto (um intervalo, um módulo) ficou encarregada de eliminar as outras; ache-a.
  • Ponteiro das horas parado. Em 12 h 05 min ele já andou 2,5∘2{,}5^\circ; o ângulo entre os ponteiros é 27,5∘27{,}5^\circ, não 30∘30^\circ.
  • Calculadora no modo errado. sen⁡(30)\operatorname{sen}(30) em RAD dá −0,988-0{,}988. Seno negativo de ângulo agudo é alarme.
  • Determinação principal com resto negativo. −7π4-\dfrac{7\pi}{4} não é “−315∘-315^\circ e pronto”: some 2π2\pi e chegue a π4\dfrac{\pi}{4}.

O essencial em meia página

  • Radiano: θ=s/r\theta = s/r; 1 rad é o ângulo cujo arco mede um raio; 1 rad≈57,3∘1 \text{ rad} \approx 57{,}3^\circ. Volta =2π= 2\pi, meia-volta =π= \pi, π2=90∘\dfrac{\pi}{2} = 90^\circ, π3=60∘\dfrac{\pi}{3} = 60^\circ, π4=45∘\dfrac{\pi}{4} = 45^\circ, π6=30∘\dfrac{\pi}{6} = 30^\circ. Conversão pela âncora 180∘=π180^\circ = \pi. Grado: 400400 por volta, só a tecla.
  • Girar vira andar: s=θrs = \theta r; setor A=θr22A = \dfrac{\theta r^2}{2}; voltas =θ2π= \dfrac{\theta}{2\pi}. Tudo com θ\theta em radianos.
  • Círculo trigonométrico: raio 1, origem dos arcos em (1,0)(1, 0), anti-horário positivo. P(θ)=(cos⁡θ,sen⁡θ)P(\theta) = (\cos\theta, \operatorname{sen}\theta); tangente é a altura em que o raio prolongado corta a reta x=1x = 1. cos⁡2+sen⁡2=1\cos^2 + \operatorname{sen}^2 = 1; tg⁡=sen⁡/cos⁡\operatorname{tg} = \operatorname{sen}/\cos (não existe em π2+kπ\dfrac{\pi}{2} + k\pi). Sec, cossec e cotg são as inversas multiplicativas.
  • Sinais: cosseno positivo à direita, seno positivo em cima, tangente positiva no 1.º e no 3.º quadrantes.
  • Valores: três módulos (12\tfrac12, 22\tfrac{\sqrt2}{2}, 32\tfrac{\sqrt3}{2}) e os quatro pontos dos eixos (cos⁡0=1\cos 0 = 1, sen⁡π2=1\operatorname{sen}\tfrac{\pi}{2} = 1, cos⁡π=−1\cos\pi = -1, sen⁡3π2=−1\operatorname{sen}\tfrac{3\pi}{2} = -1). O quadrante dá o sinal.
  • Redução: π−x\pi - x (seno igual, cosseno troca), π+x\pi + x (os dois trocam), 2π−x=−x2\pi - x = -x (seno troca, cosseno igual), π2−x\dfrac{\pi}{2} - x (seno e cosseno trocam de lugar), cos⁡ ⁣(π2+x)=−sen⁡x\cos\!\left(\dfrac{\pi}{2} + x\right) = -\operatorname{sen}x.
  • Côngruos: x+2kπx + 2k\pi mesmo ponto, mesmos valores; determinação principal em [0,2π)[0, 2\pi); tangente repete a cada π\pi.
  • Equações: sen⁡x=sen⁡a⇒x=a\operatorname{sen}x = \operatorname{sen}a \Rightarrow x = a ou π−a\pi - a (+2kπ+2k\pi); cos⁡x=cos⁡a⇒x=±a\cos x = \cos a \Rightarrow x = \pm a (+2kπ+2k\pi); tg⁡x=tg⁡a⇒x=a+kπ\operatorname{tg}x = \operatorname{tg}a \Rightarrow x = a + k\pi. cos⁡x=1⇔x=2kπ\cos x = 1 \Leftrightarrow x = 2k\pi. Nenhuma ou infinitas soluções; num intervalo, conte.
  • Na prova: leia π\pi como 180∘180^\circ, localize o ponto antes de calcular, procure a restrição que escolhe uma solução, e não some altitude a arco.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

ARCOS: MEDIDAS E COMPRIMENTO - GRAU E RADIANO (AULA 1/24)
Equaciona Com Paulo Pereira · 14:53
Introdução. Primeira aula da série de trigonometria na circunferência: arco e ângulo central, medida e comprimento de arco, as unidades grau e radiano e a regra de três com π rad = 180°. É a seção “Um ângulo se mede pela abertura ou pelo arco” e o começo de “Girar vira andar” (s = θr), com as conversões feitas no quadro passo a passo.
Circunferência trigonométrica
Portal da Matemática OBMEP · 18:09
Aprofundamento. Aula do módulo Círculo Trigonométrico do Portal da Matemática (IMPA/OBMEP, 1.º ano, professora Kity Guedes) sobre localizar ângulos na circunferência trigonométrica a partir da medida em radianos: origem dos arcos, sentido anti-horário, quadrantes e as frações de volta (π/6, π/4, π/3, …). Treina exatamente a leitura “denominador = em quantas partes a meia-volta foi dividida” da seção “O círculo de raio 1: um ponto para cada ângulo”.
SENO E COSSENO NA CIRCUNFERÊNCIA TRIGONOMÉTRICA (AULA 4/24)
Equaciona Com Paulo Pereira · 17:30
Mecanismo. Define seno e cosseno como coordenadas do ponto na circunferência, faz o paralelo com as razões do triângulo retângulo, e trabalha as simetrias, os arcos notáveis e os arcos de eixo (0, π/2, π, 3π/2): são as seções “Seno e cosseno como coordenadas”, “Sinais por quadrante” e “Valores notáveis na volta inteira” em sequência, com o círculo desenhado e preenchido no quadro.
REDUÇÃO AO PRIMEIRO QUADRANTE | TRIGONOMETRIA
Dicasdemat Sandro Curió · 14:05
Aplicação. Redução ao 1.º quadrante de seno e cosseno por simetria (π − x, π + x, 2π − x), com vários ângulos resolvidos, inclusive em radianos: é a seção “Simetrias: tudo se reduz ao primeiro quadrante” e o exemplo resolvido 3 em ritmo de exercício. Veja depois de entender a figura das quatro cópias do ângulo de referência.
EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS (FUNDAMENTAIS) (AULA 22/24)
Equaciona Com Paulo Pereira · 13:32
Resolução. As três equações fundamentais sen x = sen a, cos x = cos a e tg x = tg a resolvidas no círculo (reta horizontal, reta vertical, reta pela origem) com as soluções gerais em 2kπ e kπ: é o quadro da seção “Equações no círculo” e os exemplos resolvidos 6 e 7. Terceiro vídeo da mesma série porque fecha o ciclo aberto pelas aulas 1 e 4 com a mesma notação.
Rota PAS 2
Trigonometria: do triângulo ao fenômeno periódico · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Trigonometria: do triângulo ao fenômeno periódico · Radianos e o círculo trigonométrico: o ângulo medido pelo arco; Antes de começar (tabela das frações de volta); Como a banca cobra (O histórico: radianos e círculo); Resolvidos e Banco de treino T5, T14

    Recorte por assunto: só a medida de arcos e o círculo. As razões no triângulo e as duas leis ficam em trigonometria-no-triangulo; seno e cosseno como funções do tempo, amplitude e período ficam em funcoes-trigonometricas.

  • Rota PAS 1 — Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · Razões trigonométricas (tabela de 30°, 45° e 60°, relação fundamental e ângulos complementares), usadas aqui como ponto de partida para o 1.º quadrante

    Só a tabela do 1.º quadrante é retomada; o restante do capítulo pertence às páginas de geometria plana.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 2: 2010 (item 81), 2011 (item 96), 2019 (itens 76 e 90), 2022 (itens 102 e 103), 2023 (item 63), 2024 (item 98); PAS 1: 2014 (item 86), 2024 (item 98); PAS 3: 2016 (item 91, só mencionado)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB.txt e nas classificações pesquisa/classificacao-pas2/AAAA.json e classificacao/AAAA.json.

  • Cadernos em PDF (figuras e fórmulas dos itens) · Páginas renderizadas a 150–300 dpi: fórmula Q(t) das renas (PAS 2 2010, p. 13 do caderno), gráfico INMET de temperatura e umidade (PAS 2 2019, item 76), fórmula 5 − 2cos(4x + 3y) sobre a foto de Cartier-Bresson (PAS 2 2022), item do voo Brasília–Lisboa (PAS 2 2024)

    O gráfico impresso de 2019 foi descrito em texto neutro no campo text da questão, com os valores lidos hora a hora.