Um aplicativo cobra R$ 4 de bandeirada mais R$ 3 por quilômetro; a prova do PAS contou 319 interações em 44 horas de observação e, supondo ritmo constante, chegou a I(t) = 7,25t. Que estrutura o preço da corrida e a contagem de peixes compartilham, e o que uma reta sabe dizer sobre ela?
O que você vai aprender
Reconhecer a hipótese de taxa constante em um enunciado e traduzi-la em f(x) = ax + b, identificando a taxa a (com unidade composta) e o valor inicial b no contexto.
Explicar por que o gráfico de uma função afim é uma reta e descrever o efeito de mudar a (giro em torno de (0, b)) e de mudar b (deslocamento vertical, paralelismo).
Obter a lei a partir de dois pontos, de uma tabela ou de um gráfico, conferir com um terceiro ponto e decidir se um ponto pertence ao gráfico.
Determinar o zero, o intervalo de crescimento e o sinal de uma função afim pela leitura de a e b, sem confundir crescente com positiva.
Resolver inequações do 1.º grau e sistemas simples de duas retas para comparar planos, tarifas e movimentos, decidindo o lado pela taxa.
Distinguir proporcionalidade direta (b = 0) e função constante (a = 0), e julgar até onde um modelo afim vale, recusando extrapolações fora do domínio.
O aplicativo de transporte mostra o preço antes de o carro chegar: R$ 4 de bandeirada e R$ 3 por quilômetro rodado. Uma corrida de 1 km sai por R$ 7; de 2 km, R$ 10; de 10 km, R$ 34. Repare no que não muda: o décimo quilômetro é cobrado exatamente como o primeiro, R$ 3, e a bandeirada é paga uma vez só. Em dezembro de 2025, a prova do PAS 1 partiu de uma reportagem sobre recifes, com 319 interações entre peixes-limpadores e seus clientes contadas em 44 horas de observação, e propôs ao candidato que admitisse um ritmo constante de observação: nesse caso, o total de interações até o instante t seria I(t)=7,25t. O item não trazia gráfico nem a palavra “reta”; trazia uma hipótese sobre o ritmo e exigia uma única divisão, 319/44.
O preço da corrida e a contagem de peixes são, por baixo da roupa, a mesma estrutura: uma quantidade que recebe sempre o mesmo acréscimo a cada passo igual da outra. A matemática chama isso de função afim, ou função do 1.º grau, e a escreve como f(x)=ax+b. Esta página é sobre o que a e b dizem do fenômeno, por que o gráfico é uma reta, como ir da tabela à fórmula e da fórmula ao gráfico, onde a reta cruza o eixo, como comparar duas retas e onde o modelo deixa de valer. O conceito geral de função, a progressão aritmética e os juros simples têm páginas próprias; aqui aparecem só como vizinhos.
O que a afim descreve: acréscimos iguais a passos iguais
O que define o objeto não é a fórmula, e sim a regularidade que ela registra: na corrida, andar mais um quilômetro custa R$ 3 em qualquer trecho do percurso, no início ou no fim. Se o acréscimo por passo variasse, a fórmula teria de ser outra.
Função afim: taxa e valor inicial
Uma função afim é toda função da forma
f(x)=ax+b,
com a e b reais. O coeficiente a é a taxa de variação: quanto f muda a cada unidade de x. O coeficiente b=f(0) é o valor inicial: a saída quando a entrada é zero. Para a=0 ela é crescente se a>0 e decrescente se a<0; para a=0 ela é constante. Quando b=0, vira proporcionalidade direta, f(x)=ax.
Para a corrida, f(x)=3x+4, com x em quilômetros e f em reais: a=3 reais por quilômetro, b=4 reais, e f(10)=30+4=34 confere com o preço anunciado. A taxa sempre carrega uma unidade composta, com um “por” no meio: reais por quilômetro, metros por segundo, litros por minuto, pontos percentuais por ano. O valor inicial carrega a unidade da saída. Escrever as duas unidades é o jeito mais barato de não trocar a por b.
A reta guarda os dois coeficientes em lugares precisos: b é o corte do eixo vertical, aqui 4; a é o degrau, Δy/Δx=9/3=3 reais por quilômetro. Diagrama autoral.
A pergunta que decide qualquer item de função afim vem antes de qualquer conta: esta grandeza varia a taxa constante? Se o enunciado diz “a cada hora, mais 250 litros”, “R$ 0,50 por minuto excedente”, “velocidade constante” ou “aumentou a taxa constante”, a resposta é sim, o modelo é afim e o trabalho se reduz a identificar a e b no contexto. Se diz “aumenta 10% ao mês” ou “dobra a cada sessão”, a taxa não é constante e a reta não serve.
a não é b, e a unidade denuncia a troca
Em C(q)=3q+18, custo em reais de uma compra com entrega, 18 é a taxa de entrega (fixa, em reais) e 3 é o preço por unidade (em reais por unidade). Quem responde “o custo fixo é 3” trocou os papéis. A prova de 2006 construiu um item inteiro em cima dessa confusão: ofereceu dois candidatos a a e dois candidatos a b e distribuiu os quatro cruzamentos possíveis pelas alternativas; o b falso, 85, era a leitura no fim do trecho, e não a leitura no eixo. Pergunte-se sempre: qual dos dois números tem “por” na unidade? Esse é o a.
Por que o gráfico é uma reta, e o que a e b fazem com ela
O gráfico de uma função é o conjunto dos pontos (x,f(x)). Se a cada passo de 1 unidade em x a saída sobe sempre os mesmos a, então de qualquer ponto do gráfico para o seguinte se anda 1 para a direita e a para cima: os degraus são todos iguais, e pontos que sobem degraus iguais ficam alinhados. É por isso que o gráfico é uma reta. A recíproca também vale: escolhidos dois pontos quaisquer dela, perto ou longe um do outro, a divisão da subida pelo avanço dá sempre o mesmo número, e esse número é a. Dizer “taxa constante” e dizer “o gráfico é uma reta” é afirmar a mesma coisa, uma vez em palavras e outra em desenho.
Mudar a gira a reta em torno do ponto (0,b): mais íngreme, menos íngreme, descendo, horizontal. Mudar b desliza a reta para cima ou para baixo sem girar: retas com o mesmo a são paralelas. Diagrama autoral.
O painel da esquerda mostra o que a faz: com b fixo, a maior é reta mais inclinada; a negativo é reta descendo da esquerda para a direita; a=0 é reta horizontal, a função constante. O da direita mostra o que b faz: com a fixo, mudar b só levanta ou abaixa a reta. Duas retas com o mesmo a e b diferentes nunca se cruzam, e isso vai importar quando compararmos dois planos de preço.
Para traçar f(x)=ax+b bastam dois pontos, e os mais cômodos são o corte do eixo, (0,b), e o ponto um passo adiante, (1,a+b). Um terceiro ponto não é necessário para a reta, mas é a conferência mais barata que existe contra erro de conta.
Três retratos da mesma reta: tabela, gráfico e fórmula
A prova cobra a tradução nos dois sentidos, e a matriz do PAS pede com todas as letras “modos de conversão entre as representações gráficas e algébricas”. Tabela, gráfico e fórmula são três retratos do mesmo objeto, e o trabalho é passar de um retrato a outro sem perder nada.
Como extrair a e b de um retrato, e como desenhar a reta a partir deles
Chegando pela tabela ou pelo gráfico. A taxa sai de dois pontos: tome dois pontos A=(xA,yA) e B=(xB,yB) com coordenadas que se leiam sem adivinhação (cruzamentos de linha de grade, valores dados na tabela) e divida a variação da saída pela variação da entrada,
a=xB−xAyB−yA=ΔxΔy.
O valor inicial é a altura em que a reta atravessa o eixo vertical, quando esse ponto está visível; quando não está, basta levar um dos pontos conhecidos à igualdade y=ax+b, já com o a calculado, e isolar b. Partindo da fórmula. Dois pontos bastam para o traçado: o do eixo, (0,b), e o que fica uma unidade adiante, (1,a+b). Antes de prolongar a reta, pergunte até onde a entrada faz sentido; se o fenômeno só existe para x entre 0 e 8, o retrato correto é o segmento, não a reta inteira.
Dois pontos determinam a reta: a=18/3=6 reais por unidade, e 28=6⋅2+b dá b=16. O corte do eixo, (0,16), é ao mesmo tempo o valor inicial e a conferência. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 1: da tabela à fórmula. Uma gráfica cobra R$ 28 por 2 banners e R$ 46 por 5 banners, e o preço varia a taxa constante com a quantidade. Escreva a lei do preço e diga quanto custam 12 banners.
Estratégia: taxa constante autoriza C(q)=aq+b. Dois pontos dão a; um deles dá b; o outro confere.
Resolução:a=(46−28)/(5−2)=18/3=6 reais por banner. Em C(q)=6q+b, o ponto (2,28) dá 28=12+b, logo b=16. Lei: C(q)=6q+16. Para 12 banners, C(12)=72+16=88 reais.
Conferência: o segundo ponto precisa bater: C(5)=30+16=46. Bate. Leitura dos coeficientes: R$ 16 é um custo fixo (arte, montagem), R$ 6 é o preço de cada banner. E o domínio é {0,1,2,…}: banners são contados em inteiros, e a fórmula aceitar q=2,5 não torna dois banners e meio possíveis.
O sentido inverso, da fórmula ao ponto, é a pergunta “este ponto pertence ao gráfico?”. Um ponto (x0,y0) pertence quando f(x0)=y0, e nada além disso. Em 2012, a prova ajustou uma reta aos tempos dos vencedores olímpicos dos 100 metros rasos, com f(1900)=10,8 s e f(1960)=10,2 s, e afirmou que (1920;10,5) pertencia ao gráfico. A taxa é −0,6/60=−0,01 segundo por ano; em 20 anos a reta cai 0,2, e f(1920)=10,6. O ponto não pertence. O valor 10,5 foi escolhido para quem estima “meio caminho” em vez de calcular um terço do caminho.
b é o corte do eixo, não o fim do trecho
Num gráfico com três trechos retos, a massa de uma pessoa partia de 70 kg no dia 0 e chegava a 85 kg no dia 360. A lei do primeiro trecho é f(x)=241x+70: o b é 70, a leitura no eixo, e não 85, que é onde o trecho termina. E o a é 15/360=1/24 kg por dia, não 360/15=24, que seria “dias por quilo”. Inverter Δy/Δx e ler b no lugar errado são os dois erros que a banca oferece como alternativas.
Onde a reta cruza o eixo: zero, crescimento e sinal
Três perguntas têm resposta no sinal de a e no valor de −b/a: onde a função vale zero, se ela sobe ou desce, e onde é positiva ou negativa.
Zero, monotonia e sinal de uma função afim
Para a=0, o zero (ou raiz) é a única entrada com saída nula:
ax+b=0⟹x=−ab.
A função é crescente se a>0 e decrescente se a<0, em todo o domínio, sem exceção. O sinal troca só no zero: se a>0, f<0 antes do zero e f>0 depois; se a<0, o contrário. Regra curta: à direita do zero, f tem o sinal de a.
Mesmo zero, sinais trocados: f(x)=2x−8 sobe e é positiva depois de 4; g(x)=−2x+8 desce e é positiva antes de 4. O sinal de a decide de que lado fica cada faixa. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 2: o zero como data. O volume de um reservatório, em milhares de litros, cai a taxa constante: era 200 em t=0 e 100 em t=5 dias. Em que instante o reservatório fica vazio, e o que significa V(12)?
Estratégia: converter os dois pontos em lei, calcular o zero, interpretar.
Resolução:b=200 (leitura em t=0); a=(100−200)/(5−0)=−20 mil litros por dia. V(t)=200−20t. Vazio quando V=0: t=200/20=10 dias.
Conferência:V(5)=200−100=100, bate com o dado. V(12)=−40 é o que a fórmula devolve, mas volume negativo não existe: o modelo vale em [0,10], e o gráfico é um segmento que termina no eixo. Num item de julgamento que afirme “no 12.º dia o reservatório terá −40 mil litros”, a resposta é E, não porque a conta esteja errada, mas porque a fórmula saiu do domínio.
Crescente não é positiva
f(x)=4x−20 é crescente em toda a reta, inclusive em x=1, onde vale −16. Ser crescente é uma frase sobre a direção (entradas maiores dão saídas maiores); ser positiva é uma frase sobre o lugar (acima do eixo). Na reta dos 100 metros, m=−0,01 é negativo e a função é decrescente, mas todos os valores f(t) são tempos positivos. O item de 2012 que dizia “m é negativo, pois f é decrescente” era certo; quem o marcou errado provavelmente olhou para os valores de f, todos positivos, e concluiu que nada ali podia ser negativo, atribuindo ao coeficiente o sinal que pertence às saídas.
Uma consequência que vale testar: “toda função afim decrescente tem raiz positiva” é falso. f(x)=−2x−4 é decrescente e zera em x=−2. O zero é −b/a, e seu sinal depende de ae de b.
Inequações do 1.º grau: a mesma reta, uma pergunta de faixa
Uma inequação do 1.º grau é a pergunta “para quais x a reta está acima (ou abaixo) de certa altura?”. Resolver ax+b>c é achar o x em que a reta atinge c e decidir de que lado ela fica acima. O gráfico responde sem conta nenhuma; a álgebra confirma.
Exemplo resolvido 3: quando o preço ultrapassa um limite. O valor de uma cesta básica, em reais, é V(t)=600+8t, com t em meses desde o início do acompanhamento. A partir de que mês o valor ultrapassa R$ 850?
Estratégia: montar 600+8t>850, isolar t e traduzir a fronteira para o domínio inteiro dos meses.
Resolução:8t>250, logo t>31,25. Como t é número inteiro de meses, o primeiro mês em que o valor passa de 850 é t=32.
Conferência:V(31)=600+248=848<850 e V(32)=600+256=856>850. A fronteira 31,25 não é resposta: é o ponto em que a reta cruza a altura 850, e a resposta é o primeiro inteiro depois dela. Um item que afirmasse “o valor ultrapassou R$ 850 antes de completados 36 meses” seria C.
Quando a é negativo, há um passo que derruba muita gente: dividir os dois lados por um número negativo inverte o sentido da desigualdade. Em −2x+8>0, tem-se −2x>−8 e, dividindo por −2, x<4. O gráfico de g(x)=−2x+8 confirma: a reta desce, está acima do eixo antes do zero. Quem esquece de inverter escreve x>4 e acerta o zero errando o lado. O esboço da reta é a conferência.
Duas retas, uma decisão: encontro e comparação de planos
Todo dia alguém compara dois planos: telefonia com franquia, estacionamento com hora cheia, dois fretes. Cada plano é uma afim do consumo, e a pergunta “qual compensa?” é a pergunta “onde as retas se cruzam?”.
Encontro de duas retas
Duas funções afins f(x)=a1x+b1 e g(x)=a2x+b2 têm o mesmo valor onde a1x+b1=a2x+b2, isto é, em
x∗=a1−a2b2−b1(a1=a2).
Antes de x∗ uma das duas é menor; depois, a outra. Quem tem a maior taxa acaba maior para x grande, mesmo que parta de um valor inicial menor. Se a1=a2 e b1=b2, as retas são paralelas e nunca se encontram: um plano é sempre mais caro que o outro.
Plano I: 40+0,50m. Plano II: 60+0,25m. Empatam em m=80 minutos, pagando R$ 80. Antes disso o plano de valor inicial menor é o mais barato; depois, vence o de menor taxa. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 4: qual plano compensa. Uma operadora oferece o plano I, R$ 40 fixos mais R$ 0,50 por minuto, e o plano II, R$ 60 fixos mais R$ 0,25 por minuto. Para quais consumos mensais o plano II é o mais barato?
Estratégia: escrever as duas leis, igualar para achar o encontro, decidir o lado pela taxa.
Resolução:PI(m)=40+0,5m e PII(m)=60+0,25m. Encontro: 40+0,5m=60+0,25m, logo 0,25m=20 e m=80 minutos, com os dois planos custando R$ 80. Como o plano I tem a taxa maior, ele fica mais caro depois do encontro: o plano II é o mais barato para m>80.
Conferência: em m=100, PI=90 e PII=85: II mais barato. Em m=60, PI=70 e PII=75: I mais barato. Um item que afirmasse “o plano II é o mais vantajoso para qualquer consumo superior a 70 minutos” seria E: entre 70 e 80 minutos o plano I ainda ganha.
A mesma estrutura resolve o encontro de dois móveis em movimento uniforme (mesma posição, mesmo instante) e a pergunta “quando a produção paga o investimento”: receita R(q)=15q e custo C(q)=2000+7q empatam em q=250 unidades, e a partir daí há lucro.
Dois casos especiais: proporcionalidade direta e função constante
Quando b=0, a reta passa pela origem e f(x)=ax é uma proporcionalidade direta: dobrar a entrada dobra a saída, e a razão f(x)/x é sempre a. Foi exatamente o item de 2025: se as interações foram observadas a taxa constante, e em t=0 nada tinha sido observado, então I(t)=at com a=319/44=7,25 interações por hora. A conta fechou exata, o item era C. Repare no que autoriza b=0: não a fórmula, mas o fato de a contagem começar do zero.
Quando a=0, a função é constante: f(x)=b para todo x, o gráfico é uma reta horizontal e a taxa de variação é nula. No gráfico da massa corporal de 2006, o segundo trecho, constante em 85 kg do dia 360 ao 540, é uma função constante. Ela continua sendo função afim no sentido amplo desta página, mas não tem zero (a menos que b=0) e não é crescente nem decrescente, e é por isso que as afirmações sobre raiz única e monotonia supõem a=0.
Três casos da mesma fórmula ax+b: com b=0 a reta passa pela origem e dobrar x dobra y (proporcionalidade direta, y/x=a sempre); com b=0 a reta é paralela mas deslocada, e o que se preserva é o acréscimo, não a razão; com a=0 a reta é horizontal, a taxa é nula e não há zero. Diagrama autoral.
"Linear" quer dizer duas coisas
Nos livros brasileiros, função linear costuma ser o caso b=0, e função afim o caso geral ax+b. A prova do PAS, porém, escreve “função linear f(t)=mt+h” para a reta dos 100 metros, com h=0, e “função linear f(x)=ax+b” para a demanda de água de 2016. É o uso da geometria analítica e da física: linear porque o gráfico é uma linha reta. Ao ler um item, não gaste tempo com o nome; procure a taxa constante.
A reta como modelo: custo, tarifa, velocidade, temperatura
A função afim aparece vestida de fenômeno, quase nunca com o nome na frente. Quatro roupas voltam sempre.
Situação
Fórmula
a
b
Custo com parcela fixa
C(q)=6q+16
preço por unidade
custo fixo
Tarifa por uso
P(m)=40+0,5m
preço por minuto
assinatura
Movimento uniforme
s(t)=s0+vt
velocidade
posição inicial
Escala de temperatura
F(C)=1,8C+32
graus F por grau C
leitura de 0 °C
No movimento uniforme, a matriz do PAS cita a afim nominalmente: posição inicial é o b, velocidade é o a, e “quando passa pela origem” é o zero. A conversão Celsius–Fahrenheit é a afim que não passa pela origem e tem uma pergunta clássica: as duas escalas coincidem onde 1,8C+32=C, isto é, em C=−40. Como F é afim de C, uma sequência de temperaturas em progressão aritmética continua em progressão aritmética depois de convertida, com razão multiplicada por 1,8: função afim preserva passos iguais, e foi um item de 2012.
Exemplo resolvido 5: construir o modelo a partir do comando (item 94 do PAS 1 de 2016, tipo D). O comando do item reunia alguns dados sobre o abastecimento do DF: a demanda de água, medida uma vez por ano, é diretamente proporcional ao número de habitantes; a população de 2016 era de 2,8 milhões de pessoas e o consumo daquele ano, de 7 mil litros por segundo; para 2018 a demanda prevista era de 9,5 mil litros por segundo; e, dentro do triênio 2016–2018, o consumo anual podia ser descrito por f(x)=ax+b, com 2016≤x≤2018. Três tarefas: a população estimada para 2018, os valores das constantes a e b e o gráfico de f no triênio.
Estratégia: a proporcionalidade dá a população; os dois pontos (2016,7000) e (2018,9500) dão a e b; o gráfico é um segmento entre eles.
Resolução:7000/2800000=2,5 litros por segundo para cada mil habitantes; 9500/2,5=3800 mil, ou seja, 3,8 milhões. a=(9500−7000)/(2018−2016)=2500/2=1250 litros por segundo a cada ano. b=7000−1250⋅2016=7000−2520000=−2513000. Gráfico: segmento de reta crescente de (2016,7000) a (2018,9500), e só ele.
Conferência:f(2018)=1250⋅2018−2513000=2522500−2513000=9500. Bate. O b negativo e enorme não tem significado: é o que a reta valeria no “ano zero”, fora de qualquer domínio razoável. Se a variável fosse “anos desde 2016”, a mesma reta seria f(x)=1250x+7000, com um b legível. Mas o comando fixou x como o ano-calendário, e a resposta corrigida é a que respeita essa escolha: quem entregou b=7000 respondeu a outra pergunta.
O tempo dos 100 metros que chegaria a zero
A reta de 2012, f(t)=mt+h com m=−0,01 s por ano, desconta um centésimo de segundo do tempo do vencedor a cada ano que passa. Prolongada indefinidamente, ela cruzaria o eixo em t=1900+10,8/0,01=2980, que é justamente o último ano do domínio escolhido pela banca, e a partir dali devolveria tempos negativos. O item tipo D pedia um texto explicando por que a função não serve para prever um futuro distante, e três argumentos bastam: ninguém percorre 100 metros em zero segundo; o corpo humano tem um teto de velocidade que nenhuma reta descendente respeita; e os recordes reais melhoram cada vez menos a cada década, o que já contradiz a hipótese de queda uniforme. O modelo afim foi ajustado a um intervalo e descreve bem o que acontece dentro dele; a fórmula continua produzindo números fora, só que esses números deixam de corresponder a alguma coisa.
Ler uma reta num gráfico ou numa tabela de verdade
Gráficos de prova vêm com escala, trechos e ruído, e três cuidados separam a leitura correta da leitura a olho.
A inclinação visual depende da escala. Uma reta que “parece íngreme” pode ter taxa pequena se o eixo vertical estiver esticado. A taxa se calcula pelas coordenadas, Δy/Δx, nunca pelo ângulo no papel. Duas retas em gráficos com escalas diferentes não se comparam pelo desenho.
Trecho reto não é a curva inteira. Um gráfico pode ser formado por vários segmentos de reta emendados, cada qual com a sua taxa, e cada lei só vale no intervalo do seu segmento. Os dois itens de 2006 sobre a massa corporal exploraram isso de maneiras opostas: um pedia a fórmula do trecho inicial, o outro pedia uma previsão com o trecho final. No terceiro período, entre os dias 540 e 660, a massa recuava de 85 kg para 73 kg: queda de 12 kg ao longo de 120 dias, a=−0,1 kg por dia. Para chegar aos 70 kg restavam 3 kg, que a essa taxa consomem mais 30 dias; a data pedida é o dia 660+30=690. No fundo, é a raiz de uma função afim vestida de calendário, e a conta só usa o trecho ao qual a pergunta se refere.
Na tabela, compare diferenças só com passos iguais. Uma tabela é afim quando a diferença das saídas dividida pela diferença das entradas dá sempre o mesmo número. Com entradas 0, 2, 5 e saídas 16, 28, 46, os acréscimos 12 e 18 não são iguais, mas 12/2=18/3=6: é afim, com a=6. Quem compara 12 com 18 diretamente e conclui “não é reta” esqueceu que os passos eram 2 e 3. Quando as entradas avançam de 1 em 1 (semanas, meses, filas de arquibancada), as saídas formam uma lista em que cada termo supera o anterior pela mesma quantia: é a progressão aritmética, os pontos de uma reta vistos apenas nas entradas inteiras, assunto de página própria.
O essencial em meia página
Função afimf(x)=ax+b: a é a taxa de variação (unidade com “por”), b=f(0) é o valor inicial. Taxa constante no enunciado é o sinal de que o modelo é afim.
Gráfico: reta. b é o corte do eixo vertical; a é o degrau Δy/Δx entre dois pontos quaisquer. Mudar a gira a reta em torno de (0,b); mudar b desliza sem girar; mesmo a é paralelismo.
Da tabela ou do gráfico à fórmula: a por dois pontos, b pelo eixo ou por substituição; conferir com um terceiro ponto. Da fórmula ao gráfico: (0,b) e (1,a+b), respeitando o domínio (segmento, não reta sem fim).
Zero: x=−b/a. Crescente se a>0, decrescente se a<0, em todo o domínio. Sinal: à direita do zero, f tem o sinal de a. Crescente não é positiva; o sinal de a não é o sinal de f.
Inequação do 1.º grau: achar onde a reta cruza a altura pedida e decidir o lado; dividir por negativo inverte a desigualdade; em domínio inteiro, a resposta é o primeiro inteiro depois da fronteira.
Encontro de retas: igualar as leis; x∗=(b2−b1)/(a1−a2); depois do encontro vence quem tem a maior taxa; paralelas (a1=a2) não se encontram.
Casos: b=0 é proporcionalidade direta (contagem que começa do zero: I(t)=7,25t); a=0 é função constante (reta horizontal, sem crescimento).
Modelos: custo fixo mais preço por unidade; tarifa com assinatura; s=s0+vt; F=1,8C+32. Função afim preserva progressão aritmética.
O domínio manda: o modelo vale onde foi calibrado; V(12)=−40 litros e tempo de corrida zero são a fórmula fora do mundo. Leia b no eixo, não no fim do trecho; calcule a taxa pelas coordenadas, não pelo ângulo no papel.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Função do Primeiro Grau (Função Afim): Conceitos Iniciais (Aula 1 de 9)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 12:49
Introdução. Define a função afim f(x)=ax+b, nomeia os coeficientes e mostra os primeiros exemplos numéricos: é a seção “Uma grandeza que muda sempre no mesmo ritmo” em aula, para quem parte do zero.
Função do Primeiro Grau (Função Afim): Coeficiente Angular e Coeficiente Linear (Aula 5 de 9)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 26:10
Aprofundamento. Liga cada coeficiente a um lugar da reta, o corte do eixo e a inclinação, e usa isso para construir gráficos: o conteúdo das seções “Por que o gráfico é uma reta” e “Da tabela ao gráfico, do gráfico à fórmula”.
FUNÇÃO AFIM - LEI DE FORMAÇÃO | FUNÇÃO POLINOMIAL DO PRIMEIRO GRAU \Prof. Gis/ - AULA 6
Gis com Giz · 25:01
Aplicação. Encontra a lei f(x)=ax+b a partir de dois pontos ou de dados do problema, com vários exemplos: o movimento do exemplo resolvido 1 (da tabela à fórmula) e do exemplo 5 (demanda de água), feito passo a passo.
Função Afim no ENEM | Questões resolvidas
Escola de Números com Thyago Araujo · 21:32
Resolução. Itens reais do ENEM em que a função afim vem vestida de fenômeno (tarifa, custo, comparação de propostas): o mesmo trabalho das seções “Duas retas, uma decisão” e “A reta como modelo”, em ritmo de prova.
Bandeirada fixa mais um valor por quilômetro: o preço da corrida é uma função afim da distância, e os postes igualmente espaçados são a taxa constante vista da janela.A reta guarda os dois coeficientes em lugares precisos: b é o corte do eixo vertical, aqui 4; a é o degrau, Δy/Δx=9/3=3 reais por quilômetro. Diagrama autoral.Mudar a gira a reta em torno do ponto (0,b): mais íngreme, menos íngreme, descendo, horizontal. Mudar b desliza a reta para cima ou para baixo sem girar: retas com o mesmo a são paralelas. Diagrama autoral.Dois pontos determinam a reta: a=18/3=6 reais por unidade, e 28=6⋅2+b dá b=16. O corte do eixo, (0,16), é ao mesmo tempo o valor inicial e a conferência. Diagrama autoral.Mesmo zero, sinais trocados: f(x)=2x−8 sobe e é positiva depois de 4; g(x)=−2x+8 desce e é positiva antes de 4. O sinal de a decide de que lado fica cada faixa. Diagrama autoral.Plano I: 40+0,50m. Plano II: 60+0,25m. Empatam em m=80 minutos, pagando R$ 80. Antes disso o plano de valor inicial menor é o mais barato; depois, vence o de menor taxa. Diagrama autoral.Três casos da mesma fórmula ax+b: com b=0 a reta passa pela origem e dobrar x dobra y (proporcionalidade direta, y/x=a sempre); com b=0 a reta é paralela mas deslocada, e o que se preserva é o acréscimo, não a razão; com a=0 a reta é horizontal, a taxa é nula e não há zero. Diagrama autoral.Cada quilômetro a mais soma as mesmas moedas: degraus iguais é o que faz os topos ficarem alinhados numa reta.Cada plano é uma reta do consumo: um começa mais barato, o outro sobe mais devagar. A pergunta “qual compensa?” é a pergunta “onde as retas se cruzam?”.F = 1,8C + 32 é uma função afim que não passa pela origem: mesma água, dois números. As escalas só coincidem em −40 graus.Vazão constante é taxa negativa constante: o volume cai em linha reta e o modelo acaba onde a reta toca o eixo. Depois disso, a fórmula calcula, mas não há água negativa.Em 2012, a prova ajustou uma reta aos tempos dos vencedores olímpicos dos 100 metros. Estendida para sempre, a reta chegaria a tempo zero em 2980: um modelo vale só onde foi calibrado.Um gráfico real pode ter vários trechos retos, cada um com sua taxa: a lei vale por trecho, e b se lê no eixo, não no fim do trecho anterior.
Rota PAS 1
Conjuntos, funções e a reta: função afim e PA · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Conjuntos, funções e a reta: função afim e PA · Antes de começar (ideias 2, 3 e 5); Função afim: a grandeza que muda sempre no mesmo ritmo; Do gráfico à fórmula e de volta; Domínio, imagem e crescimento (armadilha crescente/percentual, como ponte); resolvido 'afim — do gráfico à decisão'; exercícios 3, 6, 7, 8, 13, 14 e 15; banco de treino T5, T7, T9, T10, T11, T21 e T22; box Como a banca cobra
Recorte por assunto: só a função afim. O conceito geral de função, a PA e os juros simples do mesmo capítulo pertencem às páginas funcoes, progressao-aritmetica e juros-simples-e-compostos.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2006 (itens 46 e 47), 2012 (itens 70, 72, 73 e 75), 2016 (item 94), 2018 (item 44), 2021 (item 37), 2025 (item 86)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json. Os itens 2006/46-47, 2012/72-73 e 75, 2021/37 e 2025/86 já existem em data/hub/questions (criados pela página funcoes) e são vinculados por GUID, sem duplicação.