A cada dia, o relógio de um satélite de GPS, a 20 mil quilômetros de altura e 14 mil quilômetros por hora, ganha 38 milionésimos de segundo sobre o relógio do seu celular; se ninguém corrigisse esse descompasso, a posição no mapa escorregaria 11 quilômetros por dia. Por que um relógio em movimento atrasa e um relógio longe da Terra adianta? Por que nada ultrapassa a luz, por que um grama de matéria vale a energia de uma usina, e como a mesma teoria que ajusta o GPS prevê que a luz curva ao passar pelo Sol, que Mercúrio desliza 43 segundos de arco por século e que dois buracos negros fazem o espaço tremer?
O que você vai aprender
Enunciar o princípio da relatividade de Galileu, somar velocidades no cotidiano (trem e bola) e explicar por que esse mesmo procedimento falha com a luz: o resultado de Michelson e Morley (1887) e a velocidade c das equações de Maxwell.
Enunciar os dois postulados da relatividade restrita (1905) e reconhecer, em um item, a afirmação que os viola (velocidade da luz somada à da fonte, corpo com massa alcançando c, tempo absoluto).
Explicar por que a simultaneidade depende do referencial, com o experimento mental do trem e dos relâmpagos, sem confundir 'ver' com 'acontecer'.
Deduzir a dilatação do tempo com o relógio de luz e o teorema de Pitágoras, definir tempo próprio e fator de Lorentz γ = 1/√(1 − v²/c²), e calcular γ para 0,6c, 0,8c, 0,9c e 0,99c.
Aplicar a contração do comprimento L = L₀/γ na direção do movimento e resolver o caso dos múons nos dois referenciais (vida média dilatada para a Terra; atmosfera contraída para o múon), mostrando que as descrições concordam.
Explicar o paradoxo dos gêmeos em termos qualitativos (quem muda de referencial envelhece menos) e citar as confirmações experimentais: relógios em aviões (Hafele e Keating, 1971) e múons dos raios cósmicos.
Compor velocidades com a fórmula relativística w = (u + v)/(1 + uv/c²), verificando que 0,5c + 0,5c dá 0,8c e que luz mais qualquer velocidade dá c.
Interpretar E = mc² como energia de repouso, usar E = γmc², K = (γ − 1)mc² e E² = (pc)² + (mc²)², e calcular conversões de massa em energia na fissão (cerca de 0,1 % da massa), na fusão (0,7 %), na aniquilação elétron–pósitron (dois fótons de 511 keV) e no Sol (cerca de 4 milhões de toneladas por segundo).
Explicar por que c é inatingível para um corpo com massa (energia cinética cresce sem limite) e o que a expressão 'massa relativística' significava e por que hoje se prefere falar em energia e momento.
Ler a fórmula fornecida por um item (como a fração de energia perdida por radiação no síncrotron, proporcional a 1/(mc²)⁴) e montar a razão entre dois casos, como no item do PAS 3 de 2010 sobre elétrons e prótons; situar os aceleradores Sirius (elétrons de 3 GeV, γ ≈ 5 900) e LHC.
Enunciar o princípio da equivalência (elevador em queda livre e foguete acelerado) e descrever a gravidade como curvatura do espaço-tempo, reconhecendo os limites da analogia do lençol esticado.
Explicar a deflexão da luz pelo Sol, a diferença entre o valor 'newtoniano' (0,87″) e o da relatividade geral (1,75″), e estimar a ordem de grandeza com α = 4GM/(c²R).
Explicar o desvio gravitacional para o vermelho e o ritmo dos relógios em altitude (Δt/t ≈ gh/c²; Pound e Rebka, 1960), e reconstruir a conta do GPS: −7 µs por dia pela velocidade, +45 µs por dia pela gravidade mais fraca, saldo +38 µs, 11 km de erro por dia.
Citar e explicar os testes clássicos e modernos da relatividade geral: precessão do periélio de Mercúrio (43″ por século), lentes gravitacionais, raio de Schwarzschild r = 2GM/c² (3 km para o Sol, 9 mm para a Terra), imagens do EHT (M87*, 2019; Sagitário A*, 2022) e ondas gravitacionais (LIGO, 2015; Nobel de 2017).
Distinguir o que a relatividade afirma do que a frase 'tudo é relativo' sugere: c, as leis da física, a massa de repouso e a ordem causa–efeito são invariantes; o que muda de referencial é a medida de tempo, comprimento e simultaneidade.
Ler um gráfico de γ em função de v/c e um texto de divulgação sobre relatividade, separando efeito medido de metáfora, e situar Newton como caso-limite válido para v ≪ c e campos fracos.
O aplicativo de mapas do celular sabe onde você está porque recebe, de quatro ou mais satélites, a hora exata em que cada sinal saiu; multiplica o atraso de cada sinal pela velocidade da luz e obtém a distância a cada satélite; com as distâncias, triangula a posição. A conta é sensível: a luz percorre 300 metros em um milionésimo de segundo, e um relógio que erre por um milionésimo joga o carro na quadra errada. Os relógios de bordo são atômicos e muito bons. Só que há um descompasso: a 20 mil quilômetros de altitude e a 14 mil quilômetros por hora, o relógio de cada satélite ganha cerca de 38 milionésimos de segundo por dia sobre o do seu celular. Sem correção, o erro de posição somaria uns 11 quilômetros a cada dia; ao fim de uma semana, o aplicativo colocaria o carro em outro estado. Esse descompasso, com sinal e tamanho, estava previsto antes de existir satélite: Albert Einstein o deduziu em duas teorias, a relatividade restrita (1905), segundo a qual um relógio em movimento atrasa, e a relatividade geral (1915), segundo a qual um relógio afastado da Terra, num campo gravitacional mais fraco, adianta. No GPS, os dois efeitos acontecem ao mesmo tempo, com sinais opostos, e o segundo vence.
Esta página é a física por trás desse número. Ela começa onde a relatividade começou: na pergunta de Galileu sobre o que um passageiro pode saber do próprio movimento, e no fato experimental, do fim do século XIX, de que a luz não obedece à soma de velocidades que vale para bolas e trens. Depois vêm os dois postulados de 1905 e o que eles custam: a simultaneidade deixa de ser absoluta, relógios em movimento atrasam (com uma dedução de três linhas, pelo teorema de Pitágoras), réguas encolhem, velocidades não se somam como antes, e a massa de um corpo parado vale uma energia que a fissão, a fusão e o Sol liberam todos os dias. A segunda metade é a relatividade geral: a gravidade como forma do espaço-tempo, a luz que curva ao passar pelo Sol, os relógios que adiantam na altitude, Mercúrio, buracos negros e ondas gravitacionais. O episódio histórico de Sobral, com as expedições de 1919, o Observatório Nacional e a manchete do Times, está na página de história da física moderna; aqui fica a física da deflexão. A cosmologia, que usa a relatividade geral para descrever o universo em expansão, e a gravitação de Newton, que a relatividade geral contém como caso-limite, têm páginas próprias.
Galileu já sabia: dentro do navio, não dá para saber se ele anda
Em 1632, Galileu propôs um experimento mental que continua sendo o melhor ponto de partida. Feche-se no porão de um navio sem janelas, com moscas, peixes num aquário e uma garrafa pingando num balde. Com o navio parado, as moscas voam para todos os lados, os peixes nadam em qualquer direção, as gotas caem no balde. Agora o navio anda, em linha reta e com velocidade constante. Nada muda: as moscas não se acumulam na parede de trás, as gotas continuam caindo no balde, e você, sem olhar para fora, não tem como dizer se o navio está parado ou a 20 km/h. Esse é o princípio da relatividade de Galileu: as leis da mecânica são as mesmas em todos os referenciais que se movem uns em relação aos outros com velocidade constante, os referenciais inerciais. “Estar em repouso” não é um fato absoluto; é sempre repouso em relação a algo. A página do movimento uniforme usa essa ideia o tempo todo sem nomeá-la.
De um referencial para outro, o que muda é a velocidade atribuída a cada objeto, e a receita de Galileu para converter uma na outra é somar. Imagine um vagão de metrô a 90 km/h e, dentro dele, uma criança que rola uma bola pelo corredor, no sentido da marcha, a 15 km/h. Para quem espera na estação e vê o vagão passar, a bola corre a 105 km/h; rolada no sentido contrário, a 75 km/h. A receita serve para bolas, para carros que se cruzam na estrada, para o som que atravessa o vagão, e em três séculos de medidas ninguém achou um caso em que ela falhasse. O item do INSPER de 2019 que está nos exercícios testa exatamente isso: um objeto lançado dentro de um vagão cai no mesmo ponto do piso quer o trem ande a v ou a 2v, porque, dentro do vagão, a física é a mesma.
Referencial inercial e soma de velocidades de Galileu
Um referencial inercial é um sistema de coordenadas em que um corpo livre de forças permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme (vale a primeira lei de Newton). Dois referenciais inerciais se movem um em relação ao outro com velocidade constante v. Se um objeto tem velocidade u′ no referencial do trem, sua velocidade no referencial da plataforma é, segundo Galileu,
u=u′+v.
Essa regra supõe, sem dizer, duas coisas que parecem óbvias: que o tempo é o mesmo para os dois observadores (um segundo no trem é um segundo na plataforma) e que o comprimento de uma régua não depende de quem a mede. A relatividade de Einstein vai manter o princípio de Galileu e abandonar essas duas suposições.
A luz não obedece à regra: o éter que ninguém achou
No fim do século XIX, as equações de Maxwell previam que a luz é uma onda eletromagnética (ondas eletromagnéticas) e que ela se propaga no vácuo a uma velocidade fixa, c≈3,0×108 m/s, calculada só com constantes elétricas e magnéticas. Fixa em relação a quê? Toda onda conhecida tinha um meio: o som precisa de ar, a onda do mar precisa de água. Supôs-se então que a luz se propagava num meio invisível que preenchia o universo, o éter, e que c era a velocidade da luz em relação ao éter. A Terra, orbitando o Sol a 30 km/s, deveria atravessar esse éter como um carro atravessa o ar, e a luz medida a favor do “vento de éter” deveria ser um pouco mais rápida que a luz medida contra ele, na proporção de 30/300000=10−4.
Em 1887, Albert Michelson e Edward Morley montaram em Cleveland um interferômetro capaz de detectar um deslocamento das franjas de interferência quarenta vezes menor que o previsto pelo vento de éter. Giraram o aparelho, repetiram em estações diferentes do ano, e o resultado foi sempre o mesmo: nenhuma diferença. A luz tinha a mesma velocidade em todas as direções, como se a Terra estivesse sempre parada em relação ao éter. Durante dezoito anos, físicos do porte de Lorentz e Poincaré tentaram salvar o éter com hipóteses auxiliares (o aparelho encolheria na direção do movimento, na medida exata para esconder o efeito). Em 1905, Einstein tomou o resultado como fato de partida, sem éter: a velocidade da luz é a mesma para todos, e o que precisa mudar é a nossa ideia de tempo e espaço. O resultado de Michelson e Morley é o que importa aqui; a montagem do interferômetro e a história do éter ficam para a página de história.
Dois postulados, e o segundo é o que dói
Os postulados da relatividade restrita (Einstein, 1905)
Primeiro postulado (princípio da relatividade). Todo referencial inercial é equivalente a qualquer outro para a formulação das leis físicas: nenhuma medida, seja com pêndulos, com circuitos ou com feixes de luz, realizada no interior de um laboratório sem janelas, revela se ele está em repouso ou em movimento retilíneo uniforme. Galileu havia dito isso da mecânica; Einstein estende a afirmação a cada lei da física, com o eletromagnetismo incluído.
Segundo postulado (constância de c). A velocidade da luz no vácuo, c=299792458 m/s (valor exato, por definição do metro desde 1983; nas contas, 3,0×108 m/s), tem um só valor para qualquer observador inercial: não importa se a fonte foge, se aproxima ou está parada, nem como se move quem faz a medida.
Consequência imediata: a regra u=u′+v não pode valer para a luz. Se a criança do vagão a 90 km/h acender uma lanterna e a apontar para a frente, ela mede a luz a c; quem está na estação também mede c, e não c+90 km/h. Para que isso seja possível, vagão e estação não podem estar contando os mesmos segundos nem medindo os mesmos metros.
O primeiro postulado é fácil de aceitar; o segundo contraria a intuição de todo mundo, porque a intuição foi treinada com bolas e trens, em velocidades em que a diferença entre Galileu e Einstein é de uma parte em 1014. É por isso que ele rende item. Um item segundo o qual “a luz emitida por uma nave que avança a 0,5c chega à Terra a 1,5c” ou “a luz de uma nave que se afasta chega mais devagar” está errado sem conta nenhuma: viola o segundo postulado. E um item que afirme que “a velocidade da luz depende do movimento da fonte” também. É o molde dos itens conceituais de vestibular sobre os postulados (UNICENTRO 2018 e UPE 2021, nos exercícios): uma frase que soa razoável e contradiz um postulado.
Vale dizer o que o segundo postulado não afirma. Ele fala da luz no vácuo. Na água ou no vidro, a luz anda mais devagar que c (é a refração), e partículas podem ultrapassá-la ali, produzindo o brilho azulado dos reatores nucleares, a radiação Cherenkov. O limite intransponível é c, a velocidade da luz no vácuo, não a velocidade da luz no meio.
“Ao mesmo tempo” depende de quem olha
O primeiro preço dos postulados é a simultaneidade. Einstein a explicou com um trem. Um vagão muito longo anda a velocidade v pelos trilhos. Dois raios caem ao mesmo tempo, um na frente e outro na traseira do vagão, deixando marcas nos trilhos e no trem. Um observador parado na plataforma, exatamente no meio das duas marcas dos trilhos, recebe os dois clarões no mesmo instante: para ele, os raios foram simultâneos. Um passageiro sentado exatamente no meio do vagão, porém, está se movendo ao encontro da luz que vem da frente e se afastando da luz que vem de trás. Ele recebe o clarão da frente antes do clarão de trás.
Até aqui é só geometria: o passageiro viu primeiro a luz da frente. O passo que importa vem agora. O passageiro sabe que está no meio do vagão e sabe (segundo postulado) que a luz viaja a c nos dois sentidos para ele. Se os dois clarões percorreram a mesma distância na mesma velocidade e um chegou antes, é porque saiu antes: no referencial do trem, o raio da frente caiu primeiro. Não é ilusão de óptica nem atraso de percepção; é a conclusão correta de um observador que aplica as leis da física no seu referencial. Dois eventos simultâneos para a plataforma não são simultâneos para o trem, e nenhum dos dois está “mais certo”. A simultaneidade de eventos em lugares diferentes é relativa.
Ver não é acontecer
Dois erros opostos aparecem em itens sobre simultaneidade. O primeiro é confundir o atraso da luz com a relatividade: um observador que vê um evento depois do outro porque está mais longe de um deles não está medindo simultaneidade relativa, está medindo distância, e isso já valia para Galileu. O segundo é o contrário, achar que a relatividade da simultaneidade é “só uma questão de percepção”: não é. Descontado o tempo de viagem da luz, observadores em movimento relativo ainda discordam sobre a ordem de eventos separados no espaço. O que nunca muda é a ordem de causa e efeito: se um evento pode ter causado o outro (um sinal a velocidade ≤c liga os dois), todos os referenciais concordam sobre qual veio primeiro.
O relógio de luz: a dilatação do tempo em três linhas
A dedução mais limpa da relatividade cabe num triângulo retângulo. Construa um relógio com dois espelhos paralelos separados pela distância d e um pulso de luz que vai e volta entre eles; cada ida e volta é um “tique”. Para quem viaja com o relógio (o referencial do próprio relógio), a luz percorre 2d, e o tique dura
Δt0=c2d.
Agora o relógio passa por você a velocidade v, na direção horizontal, perpendicular aos espelhos. Você vê o pulso sair do espelho de baixo, subir em diagonal (porque o espelho de cima se deslocou enquanto a luz subia), bater e descer em diagonal. Durante o tique, que para você dura Δt, o relógio andou vΔt; cada trecho diagonal é a hipotenusa de um triângulo de catetos d (vertical) e vΔt/2 (horizontal). Pelo segundo postulado, a luz anda a c também para você, logo cada hipotenusa mede cΔt/2. Pitágoras:
O mesmo tique visto de dois referenciais. Para quem viaja com o relógio, a luz sobe e desce na vertical; para quem vê o relógio passar, ela percorre duas diagonais mais longas, à mesma velocidade c, e por isso o tique demora mais. O triângulo retângulo é toda a dedução. Diagrama autoral.
Esse é o conteúdo da dilatação do tempo: entre dois tiques de um relógio que passa por você, o seu próprio relógio conta um intervalo maior; dito de outro modo, o relógio que viaja atrasa diante do seu, e o fator de atraso é γ (gama), o fator de Lorentz. Como v nunca alcança c, a raiz do denominador fica entre 0 e 1 e γ nunca é menor que 1: é exatamente 1 para um relógio parado, difere de 1 por menos de uma parte em um trilhão nas velocidades de um carro ou de um avião, e dispara para valores arbitrariamente grandes à medida que v chega perto de c. O intervalo Δt0, medido por quem está parado em relação ao relógio (ou, em geral, por quem vê os dois eventos acontecerem no mesmo lugar), chama-se tempo próprio, e é sempre o menor de todos.
Dilatação do tempo, tempo próprio e o fator de Lorentz
γ=1−(v/c)21≥1,Δt=γΔt0.
Δt0 é o tempo próprio: o intervalo entre dois eventos medido no referencial em que eles ocorrem no mesmo ponto (o relógio que viaja junto). Δt é o intervalo medido por quem vê esse relógio passar a velocidade v. Regra para não trocar: o relógio que se move é o que atrasa, e cada um dos dois observadores vê o relógio do outro atrasar, porque, para cada um, é o outro que se move. Isso não é contradição: eles também discordam sobre simultaneidade, e os dois relógios nunca são comparados no mesmo lugar duas vezes sem que um deles mude de referencial (é o paradoxo dos gêmeos, adiante).
Valores que resolvem quase todo item de conta:
v/c
1−v2/c2
γ
0,1
0,99
0,995
1,005
0,5
0,75
0,866
1,155
0,6
0,64
0,8
1,25
0,8
0,36
0,6
1,667
0,9
0,19
0,436
2,29
0,99
0,0199
0,141
7,09
0,999
0,002
0,0447
22,4
0,9999
0,0002
0,0141
70,7
Os pares 0,6c→γ=1,25 e 0,8c→γ=5/3 aparecem em quase toda questão porque usam o triângulo 3-4-5: com v=0,6c, 1−0,36=0,8; com v=0,8c, 1−0,64=0,6. Outro par limpo: v=12c/13 dá 1−144/169=5/13 e γ=2,6.
Exemplo resolvido 1: a nave a 0,8c. Uma nave passa pela Terra a 0,8c. O relógio de bordo marca 6 anos entre a partida e a chegada a uma estrela. (a) Quanto tempo a viagem dura para a Terra? (b) A que distância está a estrela, medida pela Terra?
(a) Os dois eventos (partida, chegada) ocorrem no mesmo lugar para a nave (dentro dela), logo 6 anos é o tempo próprio: Δt0=6 anos. Para a Terra, Δt=γΔt0=35×6=10 anos.
(b) Para a Terra, a nave andou 10 anos a 0,8c: d=0,8c×10 anos =8 anos-luz.
Conferência: a Terra vê a nave demorar 10 anos para 8 anos-luz, velocidade 0,8c, consistente. E a nave? Ela não mediu 8 anos-luz: mediu 8/γ=4,8 anos-luz percorridos em 6 anos, também a 0,8c. Essa segunda conta é a contração do comprimento da próxima seção; as duas descrições fecham.
Exemplo resolvido 2: quanto um avião dilata. Um avião voa a 900 km/h (250 m/s) durante 10 horas. Quanto o relógio de bordo fica atrasado diante de um relógio deixado no aeroporto, só pela dilatação do tempo?
v/c=250/(3×108)=8,3×10−7; v2/c2=6,9×10−13. Para v≪c, vale a aproximação γ−1≈21v2/c2=3,5×10−13. Em 10 h =36000 s, o atraso é Δt−Δt0=(γ−1)Δt0≈3,5×10−13×36000≈1,2×10−8 s, uns 12 nanossegundos. Minúsculo, mas relógios atômicos medem nanossegundos com folga: em outubro de 1971, Joseph Hafele e Richard Keating levaram quatro relógios de césio em voos comerciais ao redor do mundo e encontraram diferenças de dezenas a centenas de nanossegundos, compatíveis com a relatividade (a conta completa deles inclui também a gravidade e a rotação da Terra, e por isso os números são maiores que os 12 ns deste exemplo). Um item que apresente a dilatação do tempo como “previsão teórica ainda sem confirmação experimental” está errado desde 1971: ela é medida de rotina.
Onde γ é 1 e onde não é
A velocidade orbital da Terra (30 km/s) dá γ−1=5×10−9; a de um satélite de GPS (3,9 km/s), 8×10−11; a de uma bala (1 km/s), 6×10−12. Nada disso se vê num cronômetro, e é por isso que Newton funcionou por três séculos. Onde γ vale muito: elétrons de um tubo de raios X antigo (100 kV) chegam a 0,55c, γ=1,2; os múons dos raios cósmicos, 0,998c, γ≈16; os elétrons do acelerador Sirius, em Campinas, γ≈5900; os prótons do LHC, γ≈7000. A relatividade é física de laboratório de todos os dias; só não é física de cotidiano humano.
Réguas encolhem: a contração do comprimento e os múons que chegam ao chão
Se o tempo entre dois eventos depende do referencial, a distância também precisa depender, para que todos concordem sobre a velocidade. Uma régua de comprimento L0 em repouso (o comprimento próprio) é medida, por quem a vê passar a velocidade v, com
L=γL0=L01−v2/c2,
menor que L0. A contração só acontece na direção do movimento; as dimensões perpendiculares não mudam (é o que garantiu, no relógio de luz, que a distância d entre os espelhos fosse a mesma nos dois referenciais). E vale o mesmo aviso da dilatação: cada observador vê a régua do outro encolhida.
O exemplo que transforma isso de álgebra em fato são os múons. Raios cósmicos, prótons vindos do espaço, chocam-se com núcleos no alto da atmosfera, a uns 10 km de altitude, e produzem múons, partículas parecidas com o elétron, 200 vezes mais pesadas, que decaem com vida média de 2,2μs medida em repouso. Eles descem a v≈0,998c. A conta de Galileu diz que, em 2,2μs, um múon percorre
d=vΔt0=0,998×3×108×2,2×10−6≈660m.
Da altura em que nascem até o chão há 10 km, quinze vidas médias: a fração que sobreviveria seria e−15≈3×10−7 (quinze vidas médias são 15/0,69≈22 meias-vidas: (1/2)22), isto é, praticamente nenhum múon deveria ser detectado ao nível do mar. Detectam-se aos milhares por metro quadrado por minuto. A relatividade explica, e explica de dois jeitos que concordam.
No referencial da Terra, o múon é um relógio em movimento: sua vida média é dilatada para γ×2,2μs. Com v=0,998c, 1−0,9982=1−0,996=0,004, 0,004=0,063, γ≈16. A vida média vira 16×2,2≈35μs, e o alcance, 0,998×3×108×35×10−6≈10,5 km: os 10 km da atmosfera cabem em uma vida média, e uma fração substancial (e−1≈37%) chega ao chão.
No referencial do múon, ele está parado e vive seus 2,2μs; quem se move é a atmosfera, que sobe ao seu encontro a 0,998c e, por isso, está contraída: os 10 km viram 10/16≈0,63 km. Para percorrer 630 m a 0,998c bastam 2,1μs, menos que uma vida média. O múon chega.
O mesmo múon, dois referenciais. Para a Terra, o relógio do múon anda devagar e ele vive o bastante para descer 10 km; para o múon, a atmosfera que sobe ao seu encontro tem só 600 m. Dilatação do tempo e contração do comprimento são a mesma física vista de dois lugares. Diagrama autoral.
Qual efeito, em qual referencial
Vários itens de vestibular testam uma troca só: “no referencial do múon, a espessura da atmosfera é maior”. Errado: comprimento em movimento contrai. A pergunta certa a fazer é sempre “quem se move neste referencial?”. No referencial da Terra, move-se o múon: seu tempo dilata. No referencial do múon, move-se a atmosfera: seu comprimento contrai. Nunca os dois efeitos sobre o mesmo objeto no mesmo referencial, e nunca “o múon vê seu próprio relógio atrasar”: ninguém vê o próprio relógio fazer nada de estranho.
Exemplo resolvido 3: a nave que encolheu 29 %. Uma estação espacial mede o comprimento de uma nave em voo e o encontra 29 % menor que o comprimento medido com a nave parada na plataforma de lançamento. Qual é a velocidade da nave em relação à estação? (É o item da UEG de 2019 que está nos exercícios.)
L/L0=0,71=1−v2/c2. Elevando ao quadrado: 1−v2/c2=0,504, logo v2/c2=0,496 e v≈0,70c. Conferência pela tabela: v=0,7c dá 1−0,49=0,51=0,714, uma redução de 28,6 %, que é o “29 %” do enunciado.
O paradoxo dos gêmeos não é paradoxo
Se cada um vê o relógio do outro atrasar, o que acontece quando dois relógios se reencontram? Uma gêmea parte numa nave a 0,8c rumo a uma estrela a 8 anos-luz e volta; o irmão fica na Terra. Para o irmão, a viagem dura 2×8/0,8=20 anos. Para a gêmea, cada trecho é de 6 anos (exemplo 1): ela volta com 12 anos a mais, e o irmão, com 20. A gêmea é mais nova em 8 anos. Mas, do ponto de vista dela, era o irmão que se movia; não deveria ser ele o mais novo?
A situação não é simétrica, e é aí que o “paradoxo” se desfaz. O irmão permaneceu num único referencial inercial o tempo todo. A gêmea não: para voltar, teve de frear, inverter e acelerar, trocando de referencial inercial no meio do caminho. Quem muda de referencial é quem tem o tempo próprio menor; a relatividade restrita não diz que “tudo é simétrico”, diz que as leis são as mesmas nos referenciais inerciais, e a nave na volta não é o mesmo referencial inercial da nave na ida. (A contabilidade exata, feita com a relatividade da simultaneidade, mostra que, no instante em que a gêmea inverte o rumo, o “agora” dela na Terra salta vários anos para a frente; os dois lados fecham sem contradição.) O resultado não é especulação: é o que os múons fazem e o que os relógios de Hafele e Keating mediram, e o item da UFJF de 2024 nos exercícios o explora numa versão com dois viajantes.
Quanto o astronauta rejuvenesce
Seis meses na Estação Espacial Internacional, a 7,7 km/s, dão γ−1≈3,3×10−10, isto é, cerca de 5 milissegundos a menos de envelhecimento, descontado o efeito contrário da gravidade mais fraca a 400 km (que, na altitude da estação, é menor que o da velocidade). Um astronauta volta uns milésimos de segundo mais jovem que ficaria em terra. A ficção científica das viagens a 0,99c (“dormir 120 anos de nave e chegar 200 anos depois na Terra”, como no item da UEMA de 2022) usa a mesma fórmula, só com γ maior.
Velocidades não se somam: nada passa de c
Se a bola do trem obedecia a u=u′+v e a luz não, qual é a regra geral? A relatividade a fornece: um objeto que se move a u′ no referencial do trem, que por sua vez anda a v, tem, para a plataforma,
u=1+c2u′vu′+v.
O denominador é a correção. Para velocidades pequenas, u′v/c2 é desprezível e a fórmula vira a de Galileu (a bola a 15 km/h no vagão a 90 km/h dá 105 km/h menos 1,2×10−13 km/h). Para velocidades altas, ela impede o resultado de passar de c:
Duas naves se cruzam, cada uma a 0,5c em relação à Terra, em sentidos opostos. Galileu daria c de velocidade relativa; Einstein dá (0,5+0,5)/(1+0,25)=0,8c.
Uma nave a 0,9c dispara uma sonda a 0,9c à frente: (0,9+0,9)/(1+0,81)=1,8/1,81=0,994c. Ainda abaixo de c.
A nave a 0,5c acende um farol (u′=c): (c+0,5c)/(1+0,5)=c. A luz continua a c para a Terra, como o segundo postulado exigia. A fórmula foi construída para isso: c composta com qualquer velocidade dá c.
Trem a 0,5c: a reta de Galileu passa de c sem cerimônia; a curva de Einstein se encosta em c e não passa. Em velocidades pequenas (canto inferior esquerdo), as duas coincidem. Diagrama autoral.
É esse resultado que dá sentido à frase “limite de velocidade do universo”. Não é que falte motor: é que a própria operação de somar velocidades satura em c. E há uma segunda razão, energética, que vem a seguir.
Massa é energia: E = mc²
O último artigo de Einstein em 1905 tinha três páginas e uma pergunta no título: “A inércia de um corpo depende do seu conteúdo de energia?” A resposta é sim. Um corpo que emite energia E (luz, por exemplo) fica com massa menor em E/c2; um corpo que absorve energia fica mais pesado na mesma razão. Em geral, todo corpo de massa m, mesmo parado, possui uma energia de repouso
E0=mc2.
O fator c2=9×1016 J/kg é o que torna a equação dramática: um grama de qualquer coisa, se inteiramente convertido, vale 9×1013 J, o consumo elétrico de um mês de uma cidade de cem mil habitantes. Em condições comuns, essa energia fica trancada: queimar carvão libera energia química, que vem de uma variação de massa de uma parte em 1010, imensurável numa balança. Só nas reações nucleares a fração convertida se torna apreciável, e é por isso que E=mc2 ficou associada a elas.
Energia de repouso, energia total e energia cinética relativística
Em movimento, a energia total de um corpo de massa m a velocidade v é
E=γmc2,
e a energia cinética é o que excede a energia de repouso:
K=E−mc2=(γ−1)mc2.
Para v≪c, γ−1≈21v2/c2 e K≈21mv2: a fórmula de Newton é o caso-limite. Para v→c, γ→∞ e K→∞: acelerar um corpo com massa até c exigiria energia infinita, e é por isso que nenhum corpo com massa atinge a velocidade da luz, por maior que seja a energia fornecida. O momento relativístico é p=γmv, e energia e momento se ligam pela relação
E2=(pc)2+(mc2)2,
válida para tudo, inclusive para partículas sem massa como o fóton, para as quais E=pc (e que, por não terem massa, só podem existir a c). Nessa formulação, m é a massa de repouso, a mesma em todos os referenciais; é ela que aparece nas tabelas (mec2=0,511 MeV, mpc2=938 MeV).
A expressão “massa relativística”, γm, aparece em textos de divulgação e em livros antigos: ela traduz a ideia de que o corpo “fica mais pesado” perto de c e por isso é mais difícil de acelerar. Hoje os físicos evitam a expressão, porque ela confunde: o que cresce com a velocidade é a energia (e o momento), e a resistência à aceleração depende até da direção da força; a massa m de uma partícula é uma propriedade dela, como a carga, e não muda com o movimento. Se um item disser “a massa do elétron aumenta com a velocidade”, leia como “a energia aumenta”: a frase é um resquício de linguagem, não um erro físico grave, mas “o elétron se torna infinitamente pesado e por isso não atinge c” está dizendo, de forma torta, o que K→∞ diz direito.
Exemplo resolvido 4: o elétron de 1 MV. Um elétron é acelerado do repouso por uma diferença de potencial de 1 milhão de volts. Qual é a sua velocidade? (mec2=0,511 MeV.)
A energia cinética é K=1 MeV. Pela conta de Newton, v=2K/m=c2K/(mc2)=c2/0,511=1,98c: impossível, e o sinal de que Newton saiu do domínio dele. Relativisticamente, γ=1+K/(mc2)=1+1/0,511=2,96, e
cv=1−γ21=1−0,114=0,941.
O elétron chega a 0,94c. Conferência: dobrar a tensão para 2 MV dá γ=4,91 e v=0,979c; a velocidade quase não mudou, mas a energia dobrou. É o retrato de um acelerador: a partir de certo ponto, a energia que se injeta vai quase toda para γ, e quase nada para v.
Exemplo resolvido 5: o Sol emagrece. O Sol irradia 3,8×1026 W. Quanta massa ele converte em energia a cada segundo? E em um ano? Que fração da sua massa (2,0×1030 kg) é isso?
m=E/c2=3,8×1026/(9×1016)≈4,2×109 kg por segundo: pouco mais de 4 milhões de toneladas por segundo. Em um ano (3,16×107 s), 1,3×1017 kg. Em 4,6 bilhões de anos de vida, 6×1026 kg, isto é, 3×10−4 da massa atual: o Sol perdeu, por radiação, menos de um milésimo de si mesmo desde que nasceu. (Com a potência arredondada para 3,6×1026 W, como alguns enunciados trazem, a conta dá exatamente 4×109 kg/s: 4 milhões de toneladas.)
De onde a energia nuclear sai: fissão, fusão e aniquilação
O balanço de massa é o que une os três processos. Em cada um, a soma das massas depois é menor que a soma antes, e a diferença Δm sai como energia Δmc2, em geral na forma de energia cinética dos produtos e de radiação.
Fissão. Um núcleo de urânio-235 absorve um nêutron e se parte em dois fragmentos mais leves, mais dois ou três nêutrons, liberando cerca de 200 MeV por núcleo. A massa do urânio é de cerca de 235 u × 931,5 MeV/u ≈2,19×105 MeV; a fração convertida é 200/(2,19×105)≈0,09%, menos de um milésimo. Parece pouco, mas é um milhão de vezes mais que numa reação química: um quilograma de urânio-235 fissionado inteiro libera 8×1013 J, o equivalente a quase 3 mil toneladas de carvão. Na usina, essa energia vira calor, o calor vira vapor, o vapor gira uma turbina, e a turbina gira um gerador, onde a eletricidade nasce por indução eletromagnética: a página de geração de energia elétrica percorre a cadeia, e o item 93 do PAS 3 de 2025, reusado nos exercícios, foi escrito para derrubar quem lê “fissão e E=mc2”, concorda, e não repara que a oração final dispensava o eletromagnetismo.
Fusão. No centro do Sol, quatro prótons viram, por uma cadeia de reações, um núcleo de hélio-4 (mais dois pósitrons e dois neutrinos). Quatro prótons têm 4×938,27=3753,1 MeV de massa; o núcleo de hélio-4 tem 3727,4 MeV. A diferença é de 25,7 MeV; descontada a massa dos dois pósitrons criados (1,0 MeV) e somada a energia das duas aniquilações deles com elétrons do meio (2,0 MeV), o total liberado é 26,7 MeV: 0,7 % da massa inicial: a fusão converte uma fração oito vezes maior que a fissão. É dessa conta que saem as 4 milhões de toneladas por segundo do exemplo 5, e é essa a reação que os projetos de fusão controlada (ITER, na França) tentam reproduzir. Note que a massa não “some” porque átomos são “extintos”, como diz um distrator clássico: os prótons continuam existindo dentro do hélio; o que diminui é a massa do conjunto ligado, porque a energia de ligação foi embora.
Aniquilação. Quando um elétron encontra sua antipartícula, o pósitron, os dois desaparecem e viram dois fótons de 511 keV cada um (mec2 de cada partícula), emitidos em sentidos opostos para conservar o momento. É a conversão de 100 % da massa em energia, e é o que faz funcionar a tomografia por emissão de pósitrons (PET): um radiofármaco emite pósitrons dentro do paciente, cada pósitron se aniquila com um elétron a poucos milímetros, e o aparelho detecta os pares de fótons de 511 keV que saem em linha reta pelos dois lados, reconstruindo de onde vieram.
processo
reação
energia liberada
fração da massa
química (queima de carvão)
C + O₂ → CO₂
4 eV por molécula
10−10
fissão
²³⁵U + n → fragmentos + 2–3 n
200 MeV por núcleo
9×10−4
fusão
4 ¹H → ⁴He + 2e⁺ + 2ν
26,7 MeV
7×10−3
aniquilação
e⁻ + e⁺ → 2γ
1,022 MeV
1
E = mc² não é "energia vira massa quando a partícula acelera"
Três leituras erradas que a prova planta. (1) “A radiação gama, por ter muita energia, tem massa de repouso elevada”: fótons não têm massa de repouso; E=mc2 não se aplica a eles, E=pc sim. (2) “Na fissão a massa é totalmente convertida em energia”: é menos de 0,1 %. (3) “E=mc2 vale só para reações nucleares”: vale para qualquer variação de energia, inclusive a química; só não se mede nas reações químicas porque a fração é de uma parte em dez bilhões.
Aceleradores: a fórmula vem no enunciado, a conta é uma razão
Nenhum lugar na Terra é mais relativístico que um acelerador de partículas. No Sirius, o síncrotron do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, elétrons de 3 GeV circulam num anel de 518 m: γ=E/(mec2)=3000/0,511≈5900, e v/c=1−1/γ2=0,999999986, a 4 m/s da velocidade da luz. No LHC, em Genebra, prótons de 6,8 TeV têm γ=6800/0,938≈7200 e dão 11 mil voltas por segundo nos 27 km do anel. Os projetistas não usam 21mv2 para nada: toda a engenharia (os campos magnéticos que curvam o feixe, as cavidades que o aceleram, o tempo de voo) é feita com E=γmc2 e p=γmv.
Mantidas em círculo por campos magnéticos, as partículas carregadas têm aceleração centrípeta, e carga acelerada irradia (é a luz síncrotron que o Sirius produz de propósito, para iluminar amostras com raios X; a página de força magnética trata o movimento circular da carga no campo, e o item 88 do PAS 3 de 2010, reusado aqui, cobra exatamente a origem da radiação). Essa radiação custa energia à partícula, e a fração perdida por volta cresce muito depressa com a energia e cai muito depressa com a massa: para a mesma energia e o mesmo raio, ela é proporcional a E3/(mc2)4. A banca não espera que você saiba essa fórmula; ela a fornece e pede a leitura da dependência. É a única conta relativística das 18 provas do PAS 3, e vale como molde.
Exemplo resolvido 6: elétron contra próton no síncrotron (PAS 3 2010, item 89). “Ao emitir radiação durante uma volta em um síncrotron, a partícula carregada perde energia. Considere que, para altas velocidades, a fórmula relativística para a fração de energia perdida pela radiação, ΔE, em relação à energia total por ciclo, E, seja dada por EΔE=3ε0rq2⋅(mc2)4E3, em que m e q são, respectivamente, a massa e a carga da partícula, ε0 é a permissividade elétrica do espaço livre, e r, o raio do círculo descrito pela partícula. Nessas condições, um elétron perderá mais de 1013 vezes energia por ciclo que um próton.”
Estratégia. Antes de substituir qualquer valor, monte o quociente entre a fração do elétron e a fração do próton. Elétron e próton têm a mesma carga em módulo (q2 igual), e o item compara os dois à mesma energia total E e no mesmo raio r; ε0 é constante. Na razão, tudo isso cancela:
(ΔE/E)p(ΔE/E)e=(mec2)4(mpc2)4=(memp)4.
Conta.mp/me≈1836≈1,8×103. Quarta potência: (1,8)4×1012. Como 1,82=3,24 e 3,242≈10,5, a razão vale ≈1,05×1013, que é maior que 1013. Certo (gabarito oficial C).
Verificação. O sentido físico bate: por isso os síncrotrons de luz usam elétrons (irradiam muito, que é o que se quer) e os colisores de alta energia, como o LHC, usam prótons (irradiam pouco, e a energia não escapa pelas paredes). A armadilha está na margem: 1,05×1013 passa de 1013 por 5 %; com mp/me=1836 exatos, (1836)4=1,14×1013, folga maior. Quem “sente” a ordem de grandeza sem elevar à quarta (“uns mil vezes”) erra por um fator de bilhões.
Lendo o gráfico de γ
A curva de γ em função de v/c é a figura que resume a relatividade restrita, e um item pode pedi-la lida. Três coisas para enxergar nela.
O fator de Lorentz. Até metade da velocidade da luz, a curva mal sai de 1 e Newton descreve tudo; acima de 0,9c, cada centésimo a mais de velocidade custa muito mais γ do que o anterior; em v=c ela não existe. Os pontos do cotidiano (um avião, um satélite, a própria Terra em órbita) ficam todos esmagados no canto esquerdo. Diagrama autoral.
Primeiro: a curva começa em 1, não em 0; γ=1 é “nenhum efeito”, e em todo o trecho até 0,3c ela está abaixo de 1,05. Um item que diga que “os efeitos relativísticos são proporcionais à velocidade” está errado: eles são praticamente nulos até velocidades enormes e depois crescem de forma explosiva. Segundo: a curva tem assíntota vertical em v=c. Não há valor de γ para v=c nem para v>c (a raiz fica nula ou imaginária): a figura mostra, sem equação, que a luz é um limite e não um recorde. Terceiro: a leitura inversa. Um relógio que marca metade do tempo (item da UEG de 2024) está em γ=2, e a curva devolve v≈0,87c; uma régua encolhida a 60 % está em γ=1,67, isto é, 0,8c.
A relatividade geral: o peso que desaparece na queda livre
A relatividade restrita deixou uma pendência. A gravitação de Newton age instantaneamente a qualquer distância: se o Sol sumisse, a Terra sairia da órbita no mesmo instante. Num universo em que nenhum sinal viaja mais rápido que a luz, isso não pode ser. Einstein levou dez anos (1905–1915) para resolver, e o ponto de partida foi uma observação que ele chamou de “o pensamento mais feliz da minha vida”.
A observação é a de quem já esteve numa torre de queda livre de parque de diversões. No instante em que o freio solta a cadeira, o celular que você segurava frouxo deixa de pesar na mão; aberta a mão, ele fica parado diante do seu rosto, e um pingente no pescoço sobe e flutua. Nada o empurra para o piso da cadeira porque você, a cadeira e o celular descem com a mesma aceleração g, e, para quem está lá dentro, o peso deixou de existir enquanto a queda dura. Os astronautas em órbita vivem nessa condição o tempo inteiro: a 400 km de altura, a atração da Terra ainda é 89 % da que se sente no chão (gravitação universal), e eles não pesam nada porque caem sem parar ao redor do planeta, numa queda livre que nunca chega ao fim. O espelho dessa situação é um foguete com os motores ligados, acelerando a 9,8 m/s² num ponto do espaço afastado de qualquer estrela ou planeta: ali, o celular que escapa da mão vai de encontro ao piso com a mesma aceleração que teria em Brasília, e uma balança debaixo das botas marca o peso de sempre.
O princípio da equivalência: gravidade e aceleração, mesma física local
Um campo gravitacional uniforme e um referencial em aceleração constante produzem, dentro de uma cabine pequena e sem janelas, resultados idênticos em qualquer medida: quem está lá dentro não tem como decidir entre “estou apoiado na superfície de um planeta onde a gravidade vale g” e “estou num foguete que acelera a g no vácuo”, nem entre “caio livremente num campo gravitacional” e “flutuo longe de qualquer massa”. A restrição “local” tem conteúdo físico. Numa cabine larga, dois corpos soltos em queda livre sobre a Terra se aproximam um do outro, porque cada um cai rumo ao centro do planeta; numa cabine alta, a atração é um pouco menor junto ao teto do que junto ao piso. Esses efeitos de maré são a marca que um campo gravitacional verdadeiro deixa e que uma aceleração não imita, e são justamente eles que a geometria do espaço-tempo curvo descreve.
Do princípio da equivalência Einstein extraiu uma consequência imediata, sem nenhuma equação: se a gravidade é indistinguível de aceleração, e num foguete acelerado um raio de luz que entra por uma janela atinge a parede oposta um pouco abaixo do ponto de entrada (porque o foguete subiu enquanto a luz atravessava), então a luz também cai num campo gravitacional. E, pelo mesmo raciocínio, um relógio no piso do foguete acelerado atrasa em relação a um relógio no teto; logo, relógios mais fundo num campo gravitacional andam mais devagar. A teoria completa de 1915 deu a esses dois efeitos os números exatos.
Gravidade como geometria: o espaço-tempo curvo
A ideia central da relatividade geral cabe numa frase de John Wheeler, aqui na ordem em que ele a formulou: o espaço-tempo diz à matéria como mover-se; a matéria diz ao espaço-tempo como curvar-se. A gravidade deixa de ser uma força transmitida à distância e passa a ser a forma do próprio espaço-tempo. Um planeta não é “puxado” pelo Sol: ele segue o caminho mais reto possível (uma geodésica) num espaço-tempo que a massa do Sol deformou, como um avião que voa “em linha reta” sobre a Terra descreve, visto do espaço, um arco de círculo máximo. A luz faz o mesmo: segue geodésicas, e por isso curva perto de uma massa.
A analogia do lençol: uma massa afunda a superfície e os corpos contornam a depressão. Ela ajuda a ver por que trajetórias se curvam, mas tem um defeito de origem: usa a gravidade “de baixo” para explicar a gravidade. Na teoria, não há “baixo”; o que curva é o espaço-tempo, inclusive o tempo, e é a curvatura do tempo que responde pela maior parte do que sentimos como peso. Diagrama autoral.
O lençol é uma analogia, não um mecanismo
A imagem do lençol esticado com uma bola de boliche no centro aparece em todo texto de divulgação e em alguns itens. Serve para uma coisa: mostrar que “curvatura” pode substituir “força” na descrição de uma trajetória. Falha em três. (1) Ela usa a gravidade da Terra, puxando a bolinha para o fundo da depressão, para explicar a gravidade; na teoria, não existe “para baixo”. (2) Ela só curva o espaço, em duas dimensões; a relatividade geral curva o espaço-tempo de quatro dimensões, e, para corpos lentos como os planetas, o efeito dominante é a curvatura do tempo (relógios andando em ritmos diferentes em alturas diferentes), não a do espaço. (3) A bolinha no lençol perde energia por atrito e espirala para o centro; um planeta em órbita não. Use a imagem para o que ela serve e desconfie de item que a trate como descrição literal.
Para campos fracos e velocidades baixas (todo o Sistema Solar, com folga), as equações de Einstein reproduzem a lei de Newton: a relatividade geral contém Newton como caso-limite, do mesmo modo que a restrita contém a mecânica clássica. É com Newton que se calculam as órbitas dos satélites de GPS; é com Einstein que se corrigem os relógios deles. Os dois trabalham juntos, cada um no seu domínio.
A luz curva: 0,87″ ou 1,75″?
A primeira previsão testável da teoria foi o desvio da luz de uma estrela ao passar rente ao Sol. A ideia de que a luz “cai” não era nova: tratando a luz como uma partícula newtoniana com velocidade c atraída pela massa do Sol, Johann von Soldner calculou, em 1801, um desvio de cerca de 0,87 segundo de arco na borda solar, e o próprio Einstein, em 1911, usando só o princípio da equivalência, chegou ao mesmo valor. A teoria completa de 1915 dobrou o número: 1,75″. A diferença vem da curvatura do espaço, que a versão de 1911 ignorava e que contribui com a outra metade. É esse fator 2 que transforma a medida do eclipse num julgamento entre duas físicas: 0,87″ significaria “a luz tem peso num espaço plano”; 1,75″ significa “o próprio espaço é curvo”.
A ordem de grandeza da deflexão
Para um raio que passa a uma distância b do centro de um corpo de massa M, a relatividade geral prevê o ângulo de desvio (em radianos)
α=c2b4GM,
o dobro do valor newtoniano 2GM/(c2b). Na borda do Sol (b=R⊙): G=6,67×10−11 N·m²/kg², M=2,0×1030 kg, R=7,0×108 m, c2=9×1016 m²/s²:
Como 1′′=1/3600 de grau =4,85×10−6 rad, α≈1,75′′. É o ângulo sob o qual se vê uma moeda de 1 real a 3 km de distância; medi-lo em chapas fotográficas de 1919 foi uma proeza, e a página de história conta como se fez. O desvio cai com 1/b: uma estrela vista a dois raios solares do centro desvia 0,87″; a dez raios, 0,17″.
Duas previsões para a mesma estrela: 0,87″ se a luz fosse uma partícula pesada num espaço plano; 1,75″ se o espaço-tempo é curvo. As expedições de 1919 mediram 1,98′′±0,12′′ em Sobral e 1,61′′±0,30′′ em Príncipe. Ângulos exagerados milhões de vezes. Diagrama autoral.
O mesmo efeito, com massas maiores, produz as lentes gravitacionais: a luz de uma galáxia distante, ao passar por um aglomerado de galáxias no caminho, é desviada e chega à Terra por vários caminhos, formando imagens múltiplas, arcos e, quando o alinhamento é perfeito, um anel de Einstein. O primeiro caso, um quasar visto em dobro, foi identificado em 1979; hoje as lentes são ferramenta de rotina para pesar aglomerados (inclusive a matéria escura deles, que a cosmologia discute) e para enxergar galáxias que, sem a ampliação, seriam fracas demais.
Relógios na altitude: o desvio gravitacional para o vermelho e o GPS
A segunda previsão trata do ritmo dos relógios. Quanto mais fundo no poço de potencial de uma massa um relógio está, mais lentos são os seus tiques; afastado dela, ele acelera. Para dois relógios separados por uma altura h num campo aproximadamente uniforme g, a diferença de ritmo é
ΔtΔtalto−Δtbaixo≈c2gh.
Com h=1 m, isso dá 1,1×10−16: o relógio na mesa adianta, em relação ao relógio no chão, um segundo a cada 300 milhões de anos. Parece inalcançável, e por isso o primeiro teste, feito por Robert Pound e Glen Rebka em Harvard, em 1960, usou o que se tinha de mais preciso: raios gama de 14,4 keV emitidos por ferro-57 subindo a torre de 22,5 m de um laboratório. A luz que sobe num campo gravitacional perde energia, logo chega com frequência menor, deslocada para o vermelho (o desvio gravitacional para o vermelho); a fração prevista era gh/c2=9,8×22,5/(9×1016)=2,5×10−15, e foi medida com 10 % de precisão (depois 1 %). Hoje relógios ópticos detectam a diferença de ritmo entre dois pontos separados por um centímetro de altura.
Para alturas grandes, o campo não é uniforme e usa-se o potencial completo: a diferença fracionária de ritmo entre um relógio na superfície (r=R) e outro à distância r do centro da Terra é
(a) Restrita.v/c=3870/(3×108)=1,29×10−5; γ−1≈21(v/c)2=8,3×10−11. Em um dia, 86400×8,3×10−11=7,2×10−6 s: o relógio em movimento atrasa 7 µs.
(b) Geral.c2GM(R1−r1)=9×10163,99×1014(6,37×1061−2,66×1071)=4,43×10−3×(1,570−0,376)×10−7=5,3×10−10. Em um dia, 86400×5,3×10−10=4,6×10−5 s: o relógio de bordo, instalado onde o poço de potencial é menos profundo, ganha 46 µs sobre o relógio do chão (o valor costuma ser arredondado para 45).
Os dois Einsteins no mesmo satélite: a velocidade atrasa o relógio (restrita), a altitude o adianta (geral), e o segundo efeito é seis vezes maior. O saldo, 38 µs por dia, é corrigido antes do lançamento. Diagrama autoral com os valores do exemplo 7.
O GPS como teste diário da relatividade
Cada posição que o celular mostra é uma confirmação da relatividade geral feita bilhões de vezes por dia. Isso responde a um item típico: uma frase que afirme que “a relatividade geral não tem consequência prática fora da astronomia, porque seus efeitos só aparecem em escalas cósmicas” está errada. O mesmo vale para a restrita: os tubos de raios X dos hospitais, os aceleradores de radioterapia e as câmaras de televisão antigas, com elétrons a uma fração apreciável de c, são projetados com γ na conta. A relatividade não aposentou Newton nem virou peça de vitrine: traçou a fronteira de validade da mecânica clássica e foi parar nos manuais de engenharia.
Mercúrio, buracos negros e o espaço que treme
A precessão do periélio de Mercúrio. A órbita de Mercúrio não é uma elipse fixa: o ponto mais próximo do Sol (o periélio) gira lentamente, cerca de 575″ por século em relação às estrelas fixas, e o eixo da elipse dá uma volta completa a cada 225 mil anos. Quase tudo isso (cerca de 530″ por século) é explicado por Newton, pelas perturbações dos outros planetas. Sobrava um resto de 43 segundos de arco por século que ninguém explicava, e que Urbain Le Verrier, o mesmo que previra Netuno, havia identificado em 1859; chegou-se a propor um planeta a mais, Vulcano, entre Mercúrio e o Sol. Em novembro de 1915, Einstein calculou o que sua teoria previa para a órbita mais próxima e mais excêntrica do Sistema Solar: 43″ por século, sem planeta nenhum. Foi o primeiro teste da relatividade geral, e o único feito com dados que já existiam.
Buracos negros e o raio de Schwarzschild. Semanas depois da publicação das equações, Karl Schwarzschild, servindo no exército alemão, encontrou a solução exata para o espaço-tempo em torno de uma massa esférica. Ela tem um raio crítico,
rs=c22GM,
o raio de Schwarzschild: se toda a massa M couber dentro dele, nada que esteja aquém, nem a luz, consegue sair. É um buraco negro, e rs é o seu horizonte de eventos. Para o Sol, rs=2×6,67×10−11×2,0×1030/(9×1016)≈3,0 km: o Sol, com 700 mil km de raio, precisaria encolher 230 mil vezes para virar um. Para a Terra, 9 mm. Para o buraco negro do centro da Via Láctea, Sagitário A*, com 4 milhões de massas solares, rs≈1,2×107 km, 17 raios solares; para o de M87, com 6,5 bilhões de massas solares, rs≈1,9×1010 km, 130 vezes a distância Terra–Sol. Note que rs é proporcional à massa: buraco negro grande não é denso; o de M87 tem densidade média menor que a do ar. Em 10 de abril de 2019, a colaboração Event Horizon Telescope, uma rede de radiotelescópios do tamanho da Terra, mostrou ao público o primeiro retrato da “sombra” de um buraco negro, o de M87; em 12 de maio de 2022, a de Sagitário A*. A sombra é cerca de 2,6 vezes maior que o horizonte, porque a luz que passa perto é desviada, pela mesma física da deflexão da seção anterior, só que com ângulos de dezenas de graus, não de segundos de arco.
Ondas gravitacionais. Em 1916, Einstein mostrou que massas aceleradas produzem ondulações na curvatura do espaço-tempo que viajam a c: ondas gravitacionais, o análogo gravitacional das ondas eletromagnéticas. Ele mesmo duvidou que fossem detectáveis, porque a distorção prevista é absurdamente pequena. Em 14 de setembro de 2015, os dois interferômetros do LIGO, nos Estados Unidos, com braços de 4 km, registraram uma variação de comprimento de uma parte em 1021 (alguns milésimos do diâmetro de um próton em 4 km): o sinal, batizado GW150914 e anunciado em fevereiro de 2016, era a fusão de dois buracos negros de 36 e 29 massas solares, a 1,3 bilhão de anos-luz, que viraram um só de 62 massas solares. As 3 massas solares que faltam na soma foram emitidas como ondas gravitacionais, E=Δmc2 numa escala que, nos milissegundos finais, superou a potência luminosa de todas as estrelas do universo observável somadas. O Nobel de Física de 2017 foi para Rainer Weiss, Barry Barish e Kip Thorne “por contribuições decisivas para o detector LIGO e a observação de ondas gravitacionais”. Em 2017, a fusão de duas estrelas de nêutrons foi vista ao mesmo tempo em ondas gravitacionais e em luz, confirmando, com uma diferença de segundos em 130 milhões de anos de viagem, que as duas viajam à mesma velocidade c.
teste
previsão
medida
ano
precessão do periélio de Mercúrio
43″/século
43″/século (dados de Le Verrier, 1859)
1915
deflexão da luz pelo Sol
1,75″
1,98±0,12′′ (Sobral), 1,61±0,30′′ (Príncipe)
1919
desvio gravitacional para o vermelho
gh/c2=2,5×10−15 em 22,5 m
confirmado a 10 % (1960), 1 % (1964)
1960
relógios em movimento e em altitude
dezenas a centenas de ns por volta ao mundo
Hafele–Keating; GPS desde 1978
1971
ondas gravitacionais
distorção de 10−21
GW150914, LIGO
2015
sombra de buraco negro
anel de ≈2,6rs
M87* (2019), Sgr A* (2022), EHT
2019
O que a relatividade não diz
A palavra “relatividade” fez a teoria passar, na cultura, por uma doutrina de que “tudo é relativo” e “depende do ponto de vista”. O matemático Felix Klein propôs chamá-la teoria dos invariantes, e o próprio Einstein admitiu, em carta de 1921, que o nome “relatividade” era infeliz e alimentava confusões filosóficas. Com razão: o conteúdo da teoria é a lista do que não muda de um referencial para outro.
c, a velocidade da luz no vácuo: todo observador inercial encontra o mesmo valor; isso é postulado de partida, não resultado derivado.
As leis da física: nenhum referencial inercial tem leis privilegiadas; cada observador faz física válida com as próprias medidas.
A massa de repouso de uma partícula, a carga elétrica, o número de tiques que um relógio dá entre dois eventos pelos quais ele passa (o tempo próprio) são invariantes.
A ordem causal: se um evento pode ter causado outro, todos concordam sobre qual veio antes. O que varia é a ordem de eventos que não podem se influenciar.
O intervaloc2Δt2−Δx2 que separa dois eventos: todos os referenciais calculam o mesmo número; é o análogo, no espaço-tempo, da distância entre dois pontos, que não muda quando se gira o sistema de eixos. A dilatação do tempo e a contração do comprimento são o que sobra quando se olha só para Δt ou só para Δx, como a sombra de um bastão muda com a orientação sem que o bastão mude.
O que depende do referencial são medidas de tempo, comprimento, simultaneidade, velocidade, energia e momento; e elas dependem de um modo preciso, calculável, que todos os observadores podem reproduzir. “Para você passaram 10 anos e para mim 6” não é opinião: é o que os dois relógios mostram quando se reencontram, e qualquer um dos dois calcula o número do outro. A teoria é o contrário de relativismo: é um conjunto de regras rígidas sobre como traduzir as medidas de um observador nas de outro.
Também não diz que “o tempo é uma ilusão”, que “é possível voltar no passado” (a dilatação só faz relógios andarem mais devagar, nunca para trás) nem que “a massa aumenta até o infinito” (é a energia que cresce). E a relatividade não aboliu Newton: delimitou. Para v≪c e campos fracos, as equações de Einstein viram as de Newton, e a órbita do satélite de GPS, cujo relógio Einstein ajusta, foi desenhada com as equações de Newton. O item 67 do PAS 1 de 2023 afirmava que, com a reformulação einsteiniana do espaço-tempo, a teoria de Newton teria sido “completamente descartada”; está errado por isso, e sua página é a de gravitação universal.
Lendo um texto de divulgação sobre relatividade
A matriz do PAS 1 lista “espaço-tempo” entre as noções de física moderna, e a do PAS 3 lista a relatividade restrita e a geral; nenhuma das duas pede contas pesadas. O que elas pedem é ler um texto, em geral de divulgação ou de obra do caderno, e julgar frases. Quatro verificações resolvem a maioria.
Restrita ou geral? Velocidade, dilatação do tempo por movimento, contração, E=mc2, limite c: restrita (1905). Gravidade, curvatura, deflexão da luz, relógios em altitude, Mercúrio, buracos negros, ondas gravitacionais, Sobral: geral (1915). A troca é a armadilha mais barata de fabricar.
Postulado violado? Qualquer frase que some velocidade à luz, que faça um corpo com massa chegar a c, que diga “tempo absoluto” ou “a velocidade da luz depende da fonte” está errada sem conta.
Qual relógio, qual referencial? O relógio que se move atrasa; a régua que se move encolhe; o relógio mais fundo no campo gravitacional atrasa. “No referencial do múon, a atmosfera é mais espessa” inverte o efeito.
Metáfora ou medida? “A massa curva o espaço como uma bola num lençol” é metáfora; “o GPS adianta 38 µs por dia” é medida. Um item que converta a metáfora em afirmação literal (o planeta “rola para o fundo”, o espaço “é um tecido”) saiu da física.
Exemplo resolvido 8: três frases de um texto de divulgação. Julgue: (I) “Como mostrou Einstein em 1905, um astronauta que viaje a velocidades próximas à da luz envelhece mais devagar do que quem fica na Terra, efeito já medido com relógios atômicos em aviões.” (II) “A mesma teoria de 1905 explica por que a luz das estrelas se curva ao passar pelo Sol, o que foi confirmado em Sobral em 1919.” (III) “Segundo E=mc2, a energia liberada na fissão do urânio corresponde à conversão integral da massa do núcleo em energia.”
(I) Certa. Dilatação do tempo, restrita, 1905; a medida em aviões é Hafele e Keating (1971), e os múons confirmam o mesmo. (II) Errada. A deflexão da luz pela gravidade é previsão da relatividade geral (1915), não da restrita; Sobral e 1919 estão certos, a teoria não. (III) Errada. Na fissão converte-se menos de 0,1 % da massa; “integral” só vale para a aniquilação matéria–antimatéria. Conferência: as três frases têm pedaços verdadeiros (nomes, datas, lugares) servindo de isca; o erro está sempre num único termo (restrita/geral; integral/parcial).
Como a banca pergunta
Nas 18 provas do PAS 3 entre 2008 e 2025, a relatividade rendeu dois itens, ambos reproduzidos nesta página: a conta de razão do síncrotron de 2010 (item 89, a fórmula fornecida, (mp/me)4) e a frase sobre fissão e E=mc2 de 2025 (item 93, correta na física e errada na oração final sobre o eletromagnetismo). A relatividade geral, Sobral e o GPS nunca renderam item, apesar de o vídeo da BBC sobre o eclipse estar na lista de obras do triênio 2025–2027: é tema anunciado sem histórico. O precedente mais próximo está na etapa vizinha: o PAS 2 de 2024 estreou história da ciência com um item conceitual sobre Copérnico e o movimento da Terra (item 101), sem conta nenhuma. No PAS 1, o item 67 de 2023 (Newton “completamente descartado”) mostra o molde do item de estatuto: delimitar não é descartar. Nos vestibulares, o padrão é outro e mais numérico: dilatação e contração com 0,6c, 0,8c, 12c/13 (UERJ 2023, UEG 2024, UEMA 2022, UEG 2019), paradoxo dos gêmeos (UEL 2023, UFJF 2024), E=mc2 com o Sol e a fissão, postulados (UNICENTRO 2018), o trem de Einstein e a simultaneidade (UEG 2025) e a deflexão de Sobral (UFRGS 2019). Os exercícios desta página cobrem os dois estilos.
Os erros que a prova planta
Somar velocidade à luz. “A luz da nave chega à Terra a 1,5c.” Nunca: a composição relativística satura em c, e c composta com qualquer velocidade dá c.
Corpo com massa a c. “Com energia suficiente, a nave atinge a velocidade da luz.” K=(γ−1)mc2→∞ quando v→c.
Trocar o efeito pelo referencial. O relógio que se move atrasa, a régua que se move encolhe. “A atmosfera é mais espessa para o múon” inverte; “o astronauta vê o próprio relógio atrasar” não existe.
Dilatar e contrair o mesmo objeto no mesmo referencial. Para a Terra, o múon vive mais; para o múon, a atmosfera é mais curta. Um efeito por referencial.
Restrita por geral. Sobral, deflexão, GPS pela altitude, buracos negros e ondas gravitacionais são a geral (1915); dilatação por velocidade e E=mc2 são a restrita (1905).
“Massa vira energia integralmente”. Fissão: 0,1 %; fusão: 0,7 %; só a aniquilação converte tudo.
Fóton com massa. “A radiação gama tem massa de repouso elevada por ter muita energia”: fóton tem m=0 e E=pc.
“Tudo é relativo”.c, as leis, a massa de repouso, o tempo próprio e a ordem causal são invariantes; o que muda são as medidas, de um modo calculável.
“Newton foi descartado”. Newton é o caso-limite v≪c, campos fracos; as órbitas dos satélites continuam sendo calculadas com as equações dele.
Lençol como mecanismo. A analogia usa a gravidade para explicar a gravidade; a teoria curva o espaço-tempo, inclusive o tempo.
O essencial em meia página
Galileu: as leis da mecânica são as mesmas em todo referencial inercial; velocidades se somam, u=u′+v. Michelson e Morley (1887): a luz não obedece; nenhum “vento de éter”.
Postulados (1905): (1) nenhum referencial inercial é privilegiado: as leis valem iguais em cada um; (2) c tem o mesmo valor para qualquer observador, mova-se ou não a fonte. Nada com massa, nenhum sinal, passa de c.
Simultaneidade é relativa para eventos em lugares diferentes; a ordem causa–efeito não.
Dilatação do tempo: Δt=γΔt0, γ=1/1−v2/c2≥1; Δt0 é o tempo próprio (relógio que viaja junto). O relógio que se move atrasa. 0,6c→1,25; 0,8c→5/3; 12c/13→2,6.
Contração do comprimento: L=L0/γ, só na direção do movimento. Múons: para a Terra, vida de 2,2 µs vira 35 µs; para o múon, 10 km viram 0,6 km. Concordam.
Gêmeos: quem muda de referencial (acelera para voltar) envelhece menos; sem paradoxo. Hafele–Keating (1971) mediu.
Composição de velocidades: u=(u′+v)/(1+u′v/c2); 0,5c+0,5c=0,8c; c+v=c.
Massa–energia: E0=mc2; E=γmc2; K=(γ−1)mc2 (vira 21mv2 para v≪c, vai a infinito para v→c); E2=(pc)2+(mc2)2; fóton: E=pc, m=0. Fissão 0,1 %, fusão 0,7 %, aniquilação 100 % (dois fótons de 511 keV). Sol: 4 milhões de toneladas por segundo.
Princípio da equivalência: nenhuma medida local separa um campo gravitacional de uma aceleração; quem cai livremente não sente peso. Logo a luz cai e relógios mais fundo no campo atrasam.
Relatividade geral (1915): gravidade é a curvatura do espaço-tempo; Newton é o caso-limite de campo fraco.
Deflexão da luz: α=4GM/(c2b); na borda do Sol, 1,75″, duas vezes os 0,87″ da conta newtoniana; medida em 1919 (Sobral). Lentes gravitacionais.
Relógios na altitude: ritmo relativo ≈gh/c2 (Pound–Rebka, 1960). GPS: −7μs/dia (velocidade) +45μs/dia (altitude) =+38μs/dia → 11 km/dia; corrigido na fábrica.
Invariantes: c, leis, massa de repouso, tempo próprio, ordem causal. “Tudo é relativo” não é a teoria.
Exercícios temporariamente indisponíveis
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Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Teoria da Relatividade Especial ou Restrita - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 9:27
Introdução. Nove minutos e meio da videoaula do Brasil Escola que, segundo a descrição do canal, apresenta “a Teoria da Relatividade Especial, de Albert Einstein, a qual propõe elasticidade no tempo, no espaço e na massa dos corpos”, com links do próprio canal para os postulados de Einstein, a dilatação do tempo e o paradoxo dos gêmeos. É a porta de entrada das seções “Dois postulados, e o segundo é o que dói” e “O relógio de luz”: o aluno chega com o vocabulário (postulado, referencial, dilatação, contração) e encontra aqui a dedução e as contas. Aviso de leitura: a “elasticidade na massa” é a linguagem antiga da massa relativística, que a seção sobre E = mc² discute.
Por que E = mc² ? (Mapeado)
Ciência Mapeada · 16:03
Aprofundamento. Dezesseis minutos com capítulos marcados na descrição (“Defeito de massa”, “Equivalência energia-massa”, “Velocidade da luz”, “Relatividade/fator de Lorentz”, “Deduzindo E=mc²”), que o autor apoia no artigo original de Einstein de 1905 citado na descrição. Cobre as seções “Massa é energia” e “De onde a energia nuclear sai”: o defeito de massa como ponto de partida, o fator de Lorentz e a dedução da equação, no nível em que a página pede que se entenda por que a fissão converte 0,1 % e a aniquilação, 100 %.
A Relatividade Geral Explicada
Ciência Todo Dia · 10:48
Relatividade geral. Onze minutos do canal de Pedro Loos sobre a teoria que, nas palavras da descrição, “prevê coisas como buracos negros” e “muda a nossa maneira de entender gravidade e campos gravitacionais”, respondendo “como exatamente essa teoria da relatividade de Einstein funciona”. É o complemento das seções “A gravidade que some no elevador” e “Gravidade como geometria”: o vídeo constrói a intuição da curvatura do espaço-tempo; a página acrescenta o princípio da equivalência com o foguete, as ressalvas à analogia do lençol e as contas da deflexão e do GPS.
A Teoria da Relatividade e o GPS, entenda a relação.
Brasil com Ciência · 3:36
Aplicação. Três minutos e meio em que, segundo a descrição, “o pesquisador Reinaldo Rosa, do INPE” explica “a relação entre as teorias desenvolvidas por Einstein e sua aplicação prática com a tecnologia de GPS”. É a situação concreta da abertura da página e do exemplo resolvido 7 na voz de um pesquisador de instituto público: os dois efeitos (velocidade e altitude) e a necessidade de corrigir os relógios dos satélites.
Resolução de questões - Relatividade restrita - Problema 1 - Dilatação do tempo
Física Absoluta · 6:51
Resolução. Sete minutos resolvendo o problema transcrito na descrição: um astronauta “10,00 anos mais velho que a filha” viaja “10 anos (no seu referencial)” em ida e volta e volta “10,00 anos mais moço que a filha”; pede-se “o parâmetro de velocidade β da nave” e “que distância o astronauta atingiu nessa viagem, antes de voltar, vista da Terra”. É o exemplo resolvido 1 e a seção do paradoxo dos gêmeos em forma de questão: identificar o tempo próprio, obter γ e converter em velocidade e distância.
Sistemas de navegação por satélite levam em conta efeitos relativísticos sobre os relógios. Na composição, satélites e sinais estão representados fora de escala.O mesmo tique visto de dois referenciais. Para quem viaja com o relógio, a luz sobe e desce na vertical; para quem vê o relógio passar, ela percorre duas diagonais mais longas, à mesma velocidade c, e por isso o tique demora mais. O triângulo retângulo é toda a dedução: (cΔt/2)2=d2+(vΔt/2)2 dá Δt=γΔt0. Diagrama autoral.O fator de Lorentz γ=1/1−v2/c2. Até metade da velocidade da luz a curva mal sai de 1 e Newton descreve tudo; acima de 0,9c cada centésimo a mais de velocidade custa muito mais γ; em v=c ela não existe. Os pontos do cotidiano ficam esmagados na origem; os múons a 0,998c já estão fora da escala. Diagrama autoral.O mesmo múon, dois referenciais. Para a Terra, o relógio do múon anda devagar (vida média de 2,2 µs vira 35 µs) e ele desce 10 km; para o múon, a atmosfera que sobe ao seu encontro tem só 0,6 km. Dilatação do tempo e contração do comprimento são a mesma física vista de dois lugares. Diagrama autoral.Trem a 0,5c: a reta de Galileu passa de c sem cerimônia; a curva de Einstein, u=(u′+v)/(1+u′v/c2), se encosta em c e não passa. Os dois pontos marcados são os casos de prova: 0,5c+0,5c=0,8c e c+0,5c=c. Diagrama autoral.A analogia do lençol: uma massa afunda a superfície, o planeta contorna a depressão, a luz se desvia. Ajuda a ver por que trajetórias se curvam, mas usa a gravidade ‘de baixo’ para explicar a gravidade; na teoria curva-se o espaço-tempo, inclusive o tempo, e o planeta segue uma geodésica sem nada que o puxe para o fundo. Diagrama autoral.Duas previsões para a mesma estrela: 0,87′′ se a luz fosse uma partícula pesada num espaço plano; 1,75′′ se o espaço-tempo é curvo. As expedições de 1919 mediram 1,98′′±0,12′′ em Sobral e 1,61′′±0,30′′ em Príncipe. Ângulos exagerados milhões de vezes; o desvio cai com 1/b. Diagrama autoral.Os dois Einsteins no mesmo satélite: a velocidade atrasa o relógio em 7 µs por dia (restrita), a altitude o adianta em 45 µs por dia (geral), e o saldo de 38 µs por dia, que multiplicado por c daria 11 km de erro diário, é corrigido no oscilador de bordo antes do lançamento. Diagrama autoral com os valores do exemplo resolvido 7.Princípio da equivalência: dentro de uma cabine fechada, queda livre é indistinguível de ausência de gravidade, e aceleração é indistinguível de gravidade.Em 14 de setembro de 2015, os braços de 4 km do LIGO encolheram e esticaram por uma parte em 10²¹ com a passagem da onda gravitacional de dois buracos negros em fusão.A bola jogada no trem soma velocidades; a luz da lanterna não: a plataforma e o passageiro medem a mesma velocidade c. É o segundo postulado.Múons nascem a 10 km de altura e viveriam 660 m sem relatividade; chegam ao chão porque, para nós, seu relógio anda devagar, e, para eles, a atmosfera é fina.O raio de Schwarzschild é r = 2GM/c²; a sombra fotografada pelo EHT é cerca de 2,6 vezes maior que o horizonte porque a luz que passa perto é fortemente desviada.Só durante um eclipse total se fotografam estrelas perto do Sol; o deslocamento delas nas chapas, 1,75 segundo de arco na borda, é o dobro do que uma luz newtoniana sofreria.No Sirius, em Campinas, elétrons de 3 GeV têm γ ≈ 5 900 e estão a 4 m/s da velocidade da luz; mantidos em círculo, irradiam a luz síncrotron que ilumina os experimentos.
Rota PAS 3
Física moderna e sua história: relatividade, cosmologia e o quantum · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Física moderna e sua história: relatividade, cosmologia e o quantum · Relatividade restrita: o limite de velocidade do universo (abertura com o trem e a lanterna; conceito com os dois postulados, dilatação do tempo Δt = γΔt₀, contração L = L₀/γ, simultaneidade relativa, Newton como caso-limite, E = mc² e o balanço das reações nucleares; exemplo-guia dos múons a 0,998c — 660 m sem relatividade, γ ≈ 16, 35 µs, atmosfera contraída a 0,6 km — e do Sol convertendo 4 × 10⁹ kg/s; figura γ × v/c; lembrete dos valores 0,6c → γ = 1,25 e 0,8c → γ ≈ 1,67; 'Na prova' com o item PAS 3 2010/89 do síncrotron, (m_p/m_e)⁴ ≈ 1,05 × 10¹³; armadilha 'postulado antes da intuição'; checagem do feixe de luz emitido pela nave); Relatividade geral e o eclipse de Sobral (elevador em queda e foguete acelerado; princípio da equivalência; gravidade como curvatura; três consequências testáveis — luz curva 1,75″, o dobro do newtoniano; relógios mais lentos onde a gravidade é mais intensa; precessão de Mercúrio — e os testes do século XXI; exemplo-guia do GPS: 14 000 km/h, 20 000 km, γ − 1 ≈ 8 × 10⁻¹¹, −7 µs, +45 µs, saldo 38 µs, 11 km por dia); box 'Como a banca cobra' (2025/93 e 2010/89 detalhados; relatividade geral: nenhum item em 18 provas); Banco de treino T1–T15 (texto-base da fissão, do síncrotron, dos postulados e do vídeo de Sobral; T11 tipo B do Sol em milhões de toneladas)
Recorte por assunto: esta é a página canônica da relatividade, restrita e geral. Do capítulo a página toma o fio (postulados → dilatação → múons → E = mc²; equivalência → curvatura → deflexão → GPS) e os dois itens reais do recorte. A página acrescenta, ausentes do capítulo: a relatividade de Galileu e o problema do éter; a dedução do relógio de luz por Pitágoras; a simultaneidade com o trem e os relâmpagos; o paradoxo dos gêmeos e Hafele–Keating; a composição relativística de velocidades; E = γmc², K = (γ − 1)mc² e E² = (pc)² + (mc²)²; a aniquilação e o PET; o significado de 'massa relativística'; Sirius e LHC; a conta de ordem de grandeza da deflexão (4GM/c²R); Pound–Rebka e a conta completa do GPS; precessão, lentes, raio de Schwarzschild, EHT e LIGO; a seção sobre o que a relatividade não diz. O episódio histórico de Sobral (expedições, Morize, chapas, anúncio de 1919) fica em historia-da-fisica-moderna; cosmologia, física quântica e gravitação newtoniana têm páginas próprias, remetidas em related.
Rota PAS 1 — Gravitação, satélites e o céu: do geocentrismo ao GPS · Espaço-tempo, incerteza e Big Bang: o século da física (abertura com o GPS do carro: 38 µs por dia, 11 km de erro; lembrete do microssegundo = 300 m de luz; conceito com restrita e geral — c igual para todos, dilatação do tempo, curvatura do espaço-tempo, Newton válido no seu domínio; exemplo-guia do GPS com −7 µs e +45 µs; o estatuto das teorias: delimitada não é descartada; checagem da gravitação como curvatura)
Do capítulo da 1.ª etapa a página toma a abertura do GPS como situação concreta e o argumento sobre o estatuto de Newton diante de Einstein, que a matriz do PAS 1 nomeia como 'espaço-tempo' entre as noções de física moderna.
Mapa de itens do bloco de física moderna (PAS 3 p4-fis + PAS 1 p4-fis) · §2 relatividade: 2010/89 (criar; conferido na imagem do caderno PAS 3 2010, p. 15), 2025/93 (reusar por GUID de geracao-de-energia-eletrica), 2010/88 (reusar por GUID de forca-magnetica); relatividade geral e Sobral: nenhum item em 18 provas do PAS 3
Grep adicional de 'relativ', 'E = mc', 'dilatação', 'Einstein' nas três raízes do banco: itens de vestibulares (UEG 2019/2024/2025, UEMG 2022, UEL 2023, UFJF 2024, UERJ 2023, UNICENTRO 2018, UPE 2021, UEMA 2022, UECE 2018, UFRGS 2019, INSPER 2019, UEMG 2019) lidos um a um; os íntegros e resolvidos reusados por GUID, os com dado físico errado (UFT 2019, 1 kWh = 3 600 J) ou dependentes de texto ausente (UnB 2022) deixados de fora. UEG 2025/2 (questão 30, simultaneidade): o gabarito raspado (C) contradizia a física; conferido no Gabarito Oficial Definitivo da UEG (3/6/2025), que dá B — arquivo corrigido e item reusado.