Por que a piscina parece mais rasa do que é, o canudo parece quebrado exatamente na linha d'água e um diamante lapidado brilha muito mais que um vidro cortado no mesmo formato, e o que uma única linha, n₁ sen θ₁ = n₂ sen θ₂, tem a ver com a fibra óptica que leva a internet até a sua casa?
O que você vai aprender
Definir o índice de refração absoluto n = c/v e o relativo n₂₁ = n₂/n₁ = v₁/v₂, ordenar meios por refringência (ar, água, vidro, diamante) e distinguir refringência de densidade.
Explicar o que muda e o que não muda quando a luz troca de meio: velocidade e comprimento de onda mudam, frequência (e cor) não; aplicar λ_meio = λ_vácuo / n.
Enunciar e aplicar a lei de Snell, n₁ sen θ₁ = n₂ sen θ₂, medindo os ângulos a partir da normal e usando os valores tabelados sen 30° = 1/2, sen 45° = √2/2, sen 60° = √3/2.
Prever o sentido do desvio (aproxima-se da normal ao entrar no meio mais refringente; afasta-se ao sair) e reconhecer que na incidência normal há refração sem desvio.
Deduzir o ângulo limite, sen L = n_menor/n_maior, enunciar as duas condições da reflexão total e calcular L para água (≈49°), vidro (≈42°), diamante (≈24°) e para índices que dão senos tabelados (n = 2 → 30°, n = √2 → 45°).
Explicar a fibra óptica (núcleo mais refringente que a casca, ângulo de aceitação), o prisma de reflexão total, o brilho do diamante e a miragem, e ler modelos em camadas de ar com índices diferentes (itens PAS 2 2009/106–109 e 2018/78).
Calcular a profundidade aparente num dioptro plano observado quase perpendicularmente, d' = d · n_observador / n_objeto, nos dois sentidos (piscina vista do ar; pescador visto pelo peixe).
Mostrar que a lâmina de faces paralelas devolve o raio emergente paralelo ao incidente, com deslocamento lateral e sem desvio angular, e ler as relações angulares e o índice numa figura com símbolos (PAS 2 2022/105–108).
Explicar a dispersão pelo prisma (n depende do comprimento de onda; violeta desvia mais; vermelho menos), ler um gráfico n × λ, descrever a formação do arco-íris e julgar itens sobre velocidade por cor (PAS 2 2010/118, 2022/107).
Reconhecer os erros plantados pela banca: ângulo medido com a superfície em vez da normal, reflexão total do menos para o mais refringente, frequência que 'muda', vermelho que 'desvia mais', condições inventadas para a fibra óptica.
Você está na beira de uma piscina de 2 m de profundidade e, olhando de cima, jura que o fundo está a um metro e meio. Mergulha um canudo num copo d’água e ele parece quebrado exatamente na linha em que a água começa, embora a mão sinta que está inteiro. Compara um diamante lapidado com um pedaço de vidro cortado no mesmo formato, sob a mesma lâmpada: o diamante devolve muito mais luz, em faíscas, e o vidro fica opaco ao lado dele. Nos três casos a luz trocou de meio, do ar para a água, da água para o ar, do ar para a pedra, e, ao trocar, mudou de velocidade. Quando uma frente de luz muda de velocidade entrando inclinada em outro meio, ela muda também de direção. É a refração, e a regra que diz quanto ela dobra cabe numa linha.
Esta página é a do assunto refração da luz: o índice de refração como medida da velocidade da luz em cada meio, a lei de Snell com os senos que a prova oferece, o sentido do desvio, o ângulo limite e a reflexão total com suas duas condições (a física da fibra óptica, do prisma de binóculo, do brilho do diamante e da miragem), o dioptro plano e a profundidade aparente, a lâmina de faces paralelas, e o prisma com a dispersão, em que cada cor tem seu próprio índice. A refração como fenômeno de qualquer onda, com o que muda e o que não muda na travessia, está em fenômenos ondulatórios; o raio, o meio e a propagação retilínea estão em princípios da óptica geométrica; a reflexão em superfícies polidas, em espelhos; a cor como frequência, em ondas eletromagnéticas. As lentes, o olho e os óculos, que são a refração organizada em superfícies curvas, têm página própria, em preparação. Aqui a ferramenta é uma só, a lei de Snell, e o que a banca do PAS faz com ela.
A luz muda de velocidade, e o número que mede isso é o índice de refração
No vácuo, a luz anda a c=3,0×108 m/s, e essa é a maior velocidade que existe. Dentro de qualquer material transparente ela anda mais devagar: na água, a cerca de 2,25×108 m/s; no vidro comum, a 2,0×108 m/s; no diamante, a 1,25×108 m/s. A razão entre a velocidade no vácuo e a velocidade no meio é um número sem unidade, sempre maior ou igual a 1, que caracteriza o meio.
Índice de refração absoluto e relativo
O índice de refração absoluto de um meio é
n=vc,
em que c é a velocidade da luz no vácuo e v a velocidade da luz nesse meio. Quanto maior n, mais devagar a luz anda ali, e mais refringente é o meio. Valores para guardar: vácuo, n=1 (ar, na prática, 1,0003≈1); água, 1,33≈4/3; álcool etílico, 1,36; vidro comum, 1,5; vidros densos, 1,6 a 1,9; diamante, 2,42.
O índice de refração relativo do meio 2 em relação ao meio 1 é a razão dos índices absolutos, que é a razão invertida das velocidades:
n21=n1n2=v2v1.
Do ar para a água, n21=1,33; da água para o ar, n21=1/1,33=0,75. Um índice relativo menor que 1 é normal: quer dizer apenas que a luz vai para um meio em que anda mais rápido.
O índice mede a lentidão: n=c/v. Ao entrar num meio de n maior, a luz perde velocidade e comprimento de onda na mesma proporção (λ=λ0/n), e a frequência, que é da fonte, não muda. Diagrama autoral.
O que acontece com a onda quando a velocidade cai? A página de fenômenos ondulatórios já respondeu, e vale repetir a divisão de responsabilidades, porque a banca vive trocando o dono de cada grandeza. A frequência é da fonte: a luz que sai de uma lâmpada tem a frequência que a lâmpada lhe deu, e trocar de meio não muda quantas cristas chegam por segundo (se chegam f cristas por segundo à superfície, saem f cristas por segundo do outro lado, senão elas se acumulariam ali). A velocidade é do meio. O comprimento de onda é o quociente dos dois, λ=v/f, e por isso encolhe na mesma proporção em que a velocidade cai:
λmeio=nλvaˊcuo.
Uma luz vermelha de 600 nm no ar tem 450 nm dentro da água e 400 nm dentro do vidro, e continua vermelha, porque a cor que o olho vê é decidida pela frequência, e a frequência não mudou. Este é o primeiro dos erros plantados: o item da 2.ª etapa de 2015 que fazia a frequência crescer quando o índice caía (n2=3n1/4⇒f2=4f1/3) está errado; quem muda nessa proporção é o comprimento de onda, não a frequência.
Refringente não é o mesmo que denso
“O vidro, por ser mais denso, facilita a transmissão da luz” é um item de aquecimento que se decide em duas palavras: mais refringente é mais lento, não mais rápido. E a refringência não acompanha a densidade em geral. O álcool etílico é menos denso que a água (0,79 contra 1,00 g/cm³) e mais refringente que ela (1,36 contra 1,33); alguns óleos e o benzeno são menos densos que a água e bem mais refringentes (n≈1,5). O que decide o índice é a maneira como os elétrons do material respondem ao campo elétrico da onda, não quanta massa há por centímetro cúbico. Fale em refringência e deixe a densidade para a hidrostática.
Exemplo resolvido: o diamante. Qual é a velocidade da luz dentro de um diamante (n=2,4) e quanto mede, ali, o comprimento de onda de uma luz que no vácuo tem 480 nm? Conta:v=c/n=3,0×108/2,4=1,25×108 m/s. Comprimento de onda: λ=480/2,4=200 nm. Conferência: a razão v/λ deve ser a frequência, que não pode ter mudado: 1,25×108/(200×10−9)=6,25×1014 Hz, e no vácuo 3,0×108/(480×10−9)=6,25×1014 Hz. Mesma frequência, mesma cor (azul); a luz apenas anda a menos da metade da velocidade e com ondas de menos da metade do comprimento.
Exemplo resolvido: de um meio para outro. A luz passa da água (n1=4/3) para o vidro (n2=3/2). Quantas vezes a velocidade muda? Conta:n21=n2/n1=(3/2)/(4/3)=9/8=1,125, e v1/v2=9/8: a luz no vidro anda a 8/9 da velocidade que tinha na água, uma queda de cerca de 11%. Conferência:vaˊgua=2,25×108 m/s, vvidro=2,0×108 m/s, e 2,25/2,0=1,125. Bate.
A lei de Snell: o produto n·sen θ não muda na travessia
Agora a luz chega inclinada à superfície que separa dois meios. Trace, no ponto de incidência, a normal, a reta perpendicular à superfície; chame de θ1 o ângulo entre o raio que chega e a normal (ângulo de incidência) e de θ2 o ângulo entre o raio que segue no segundo meio e a normal (ângulo de refração). Parte da luz volta, refletida, com o ângulo de reflexão igual ao de incidência, como na página de espelhos. A parte que atravessa obedece a uma regra descoberta experimentalmente por Willebrord Snell em 1621 e publicada por René Descartes em 1637 (por isso os livros brasileiros dizem “lei de Snell-Descartes”):
Lei de Snell
n1senθ1=n2senθ2.
O raio incidente, o raio refratado e a normal estão no mesmo plano, e o produto do índice pelo seno do ângulo com a normal é o mesmo dos dois lados da superfície. Como n e senθ crescem juntos num lado quando o produto é fixo, o meio de índice maior fica com o seno menor:
entrando no meio mais refringente (n2>n1), θ2<θ1: o raio se aproxima da normal;
entrando no meio menos refringente (n2<n1), θ2>θ1: o raio se afasta da normal;
na incidência normal (θ1=0), θ2=0: a luz muda de velocidade e de comprimento de onda, mas não desvia. Refração não exige desvio; o desvio é o que acontece quando a incidência é oblíqua.
O caminho é reversível: um raio que fizesse o percurso ao contrário seguiria exatamente a mesma trajetória. O desvio angular do raio é δ=∣θ1−θ2∣.
A banca não dá calculadora, e por isso todos os itens quantitativos de Snell usam ângulos cujo seno se sabe de cor e índices escolhidos para as contas fecharem:
ângulo
0°
30°
37°
45°
53°
60°
90°
seno
0
1/2
0,6
2/2≈0,71
0,8
3/2≈0,87
1
Com essa tabela, índices como 2≈1,41, 3≈1,73, 4/3, 3/2 e 2 produzem respostas redondas. Quando o texto-base dá “2=1,4” ou “sen45°=0,7”, use o valor dado, não o seu.
Snell: n1senθ1=n2senθ2, ângulos medidos a partir da **normal**. Do ar para a água o raio se aproxima da normal (45° → 32°); da água para o ar, afasta-se (32° → 45°). O mesmo caminho serve nos dois sentidos. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido: do ar para a água. Um raio chega à superfície de um lago fazendo 45° com a normal. Com que ângulo ele segue dentro da água (n=1,33)? Conta:1×sen45°=1,33×senθ2, logo senθ2=0,71/1,33=0,53, e θ2≈32°. Conferência: entrou no meio mais refringente e o ângulo caiu, de 45° para 32°, aproximando-se da normal, como manda a regra; o desvio foi de 13°. Se a conta tivesse dado um ângulo maior que 45°, o erro estaria na ordem dos índices.
Exemplo resolvido: com os senos tabelados. Um raio passa do ar para um vidro de índice 3 com incidência de 60°. Conta:1×sen60°=3senθ2⇒3/2=3senθ2⇒senθ2=1/2⇒θ2=30°. O raio desviou 30° em direção à normal. Conferência: o raio refratado (30° com a normal) e o refletido (60° com a normal, do outro lado) formam entre si 180°−30°−60°=90°: são perpendiculares. Fecha.
Exemplo resolvido: descobrir o índice. Um raio incide do ar a 45° sobre a superfície de um líquido e refrata a 30°. Qual é o índice do líquido? Conta:1×sen45°=nsen30°⇒2/2=n/2⇒n=2≈1,41. Conferência: maior que 1 (a luz entrou num meio onde anda mais devagar) e o ângulo diminuiu (45° → 30°). Um item que desse esses dados e pedisse “o índice multiplicado por 100” teria resposta 141.
O ângulo é com a normal, nunca com a superfície
O tropeço mais frequente em item de refração não é de física, é de leitura: a figura marca um ângulo entre o raio e a superfície, e o candidato o joga direto na lei de Snell. Se o raio faz 30° com a superfície, o ângulo de incidência é 90°−30°=60°, e sen60°=0,87, não 0,5. A 2.ª etapa de 2018 fez exatamente isso: um raio L1 atravessa uma camada de ar frio e chega à interface com uma camada de ar quente “com um ângulo α=30°”, e a figura desenha o α entre o raio e a interface. Com a razão dos índices frio/quente igual a 2, a conta certa é 2×sen60°=1,73>1: não há raio refratado e a luz é totalmente refletida de volta para o ar frio (opção D, o desenho com o raio voltando para cima). Quem usou 30° achou 2×0,5=1, o raio “rasante”, e marcou a opção errada. Antes de qualquer conta, localize a normal na figura e meça a partir dela.
De onde vem a lei de Snell? Da mesma ideia que explica a reflexão, o princípio do tempo mínimo de Fermat: entre todos os caminhos que a luz poderia percorrer de um ponto no ar até um ponto na água, o que ela percorre é o de menor tempo, e como ela anda mais devagar na água, vale a pena encurtar o trecho dentro da água mesmo que isso alongue o trecho no ar, exatamente como um salva-vidas que corre pela areia e nada o mínimo possível. Fazendo a conta desse mínimo, sai senθ1/v1=senθ2/v2, que é Snell escrita com velocidades. A construção de Huygens, com frentes de onda que avançam mais devagar de um lado da fronteira e por isso giram, dá a mesma lei; é o que aparece na figura de uma frente de onda entrando inclinada na água rasa.
Do mais para o menos refringente há um teto: ângulo limite e reflexão total
Siga um raio que sai da água para o ar. Ele se afasta da normal: a 20° dentro da água, sai a cerca de 27° no ar; a 40°, sai a 59°; a 45°, sai a 70°. Quanto mais inclinado chega, mais inclinado sai, e o refratado vai se deitando sobre a superfície. Há um ângulo de incidência para o qual o refratado sai rasante, a 90° da normal, correndo pela própria superfície. Acima dele, Snell pediria um seno maior que 1, o que não existe: não há raio refratado, e toda a luz volta para dentro da água.
Ângulo limite e reflexão total
Quando a luz vai do meio mais refringente (n1) para o menos refringente (n2<n1), o ângulo limiteL é o ângulo de incidência para o qual o ângulo de refração vale 90°:
n1senL=n2sen90°⇒senL=n1n2=nmaiornmenor.
Para θ1<L, há raio refratado (e um refletido fraco). Para θ1=L, o refratado sai rasante. Para θ1>L, não há raio refratado e toda a luz é refletida: reflexão total, com o ângulo de reflexão igual ao de incidência.
A reflexão total exige duas condições ao mesmo tempo: (1) a luz vem do meio mais refringente para o menos refringente; (2) o ângulo de incidência é maior que o ângulo limite. Faltando qualquer uma, há refração.
Valores para guardar (sempre em relação ao ar, n=1): água, senL=1/1,33=0,75, L≈49°; vidro comum, senL=1/1,5=2/3, L≈42°; diamante, senL=1/2,42≈0,41, L≈24°. Índices que dão ângulo redondo: n=2⇒senL=1/2⇒L=30°; n=2⇒L=45°; n=2/3≈1,15⇒L=60°.
Do vidro (n=1,5) para o ar: abaixo de L≈42° há refração afastando-se da normal; em L o refratado sai rasante; acima de L toda a luz volta. Diagrama autoral.
A álgebra denuncia a reflexão total sozinha. Se você aplicar Snell e obtiver senθ2>1, não errou a conta: descobriu que não há raio refratado. Foi o caso do item de 2018 lido acima (2×sen60°=1,73). Vale a recíproca do teto: do meio menos refringente para o mais refringente, o raio se aproxima da normal e o seno sempre diminui; nunca falta refração, com incidência nenhuma. Do ar para a água ou para o vidro não existe reflexão total, por mais inclinado que o raio chegue. A banca cobra isso de duas maneiras, com a velocidade e com a refringência. Em 2010: “É possível ocorrer reflexão total da luz quando esta passa de um meio para outro com a diminuição de sua velocidade de propagação.” Velocidade que diminui é índice que aumenta, isto é, chegada ao meio mais refringente: o raio se aproxima da normal e sempre refrata. Gabarito E. Em 2019, sobre a fotografia de Cartier-Bresson em que um homem salta sobre uma poça e seu reflexo aparece na água parada: “A imagem mostra uma situação de reflexão interna total porque a água é mais refringente que o ar.” A luz que forma o reflexo vem do ar, o meio menos refringente, e bate na água: é reflexão comum, parcial, a mesma de qualquer espelho d’água. Reflexão interna total exigiria luz vindo de dentro da água. Gabarito E.
Uma precisão que evita uma confusão: em qualquer superfície, com qualquer ângulo, sempre há alguma reflexão. É por isso que você vê o próprio rosto no vidro da janela à noite e a paisagem refletida no lago, sem que haja reflexão total (a luz vem do ar). O que a reflexão total acrescenta é a palavra total: acima de L, a fração refletida passa a ser 100%, e a refratada, zero. Antes de L, a fração refletida cresce com o ângulo, e é por isso que o reflexo do Sol baixo no mar ofusca mais do que o do Sol a pino.
Exemplo resolvido: a terebintina de 2020. A prova deu uma tabela de propriedades da terebintina (um solvente de tintas) com índice de refração 1,5, e afirmou que um raio vindo de dentro do líquido em direção à superfície livre sofre reflexão total “se o raio incidir com um ângulo superior a arcsen(2/3), em relação à direção normal à superfície livre”. Conta: do líquido (n=1,5) para o ar (n=1), senL=1/1,5=2/3, logo L=arcsen(2/3)≈42°. Acima disso, reflexão total. Conferência: as duas condições estão satisfeitas: o raio vem do meio mais refringente (o item diz “proveniente da terebintina”) e o ângulo é maior que L, medido em relação à normal (o item diz “em relação à direção normal”). Gabarito C. Repare no cuidado do enunciado com a normal: quando a banca escreve a referência, é porque em outro item ela vai deixar de escrever.
Exemplo resolvido: dois índices, um limite. Um raio de luz se propaga num vidro de índice 1,6 e chega à interface com uma camada de água (n=1,33) por cima. Qual é o ângulo limite? E se a camada fosse de ar? Conta: vidro–água: senL=1,33/1,6=0,83, L≈56°; vidro–ar: senL=1/1,6=0,625, L≈39°. Conferência: quanto mais parecidos os índices, mais perto de 1 fica o seno e maior o ângulo limite; no caso extremo de índices iguais, L=90°, e não há interface nenhuma. Foi isso que derrubou uma das condições inventadas pelo item 98 de 2023, lido a seguir: com n1=n2 não há reflexão total porque não há fronteira.
Onde a reflexão total trabalha: fibra, prisma, diamante, miragem
A reflexão total é o espelho mais perfeito que existe: nenhuma superfície metálica reflete 100% da luz, mas uma interface vidro–ar acima do ângulo limite reflete tudo. Quatro tecnologias e um fenômeno natural vivem disso.
A fibra óptica
Uma fibra óptica é um fio de vidro fino como um cabelo, com um núcleo de índice n1 envolto por uma casca de índice n2 um pouco menor, e uma capa plástica só para proteção. A luz injetada no núcleo com pequena inclinação chega à interface núcleo–casca com ângulo de incidência grande, acima do limite, e é devolvida ao núcleo; bate do outro lado, volta; e segue em zigue-zague por quilômetros, sem sair. Injetada inclinada demais, chega à interface com ângulo menor que o limite, refrata para a casca e se perde. Existe, portanto, um ângulo máximo de injeção (o cone de aceitação da fibra) para que o sinal fique confinado. O sinal de internet que chega à sua casa por fibra é luz infravermelha presa desse jeito.
Núcleo mais refringente que a casca: o raio injetado com pouca inclinação chega à interface acima do ângulo limite e fica preso; o injetado inclinado demais chega abaixo de L e refrata para a casca. É o bloco de 2023, itens 97 a 102. Diagrama autoral.
Em 2023 a fibra óptica ancorou um bloco de seis itens de Física, quatro deles desta página. O texto-base fixava n1>n2>n0=1 e desenhava dois raios: i, pelo eixo, e j, em zigue-zague. O item 97 afirmava que o raio j refrata ao entrar, “o que implica perda de energia da onda eletromagnética correspondente”. Refratar de fato ocorre (o raio j entra inclinado e dobra), mas refração é mudança de direção e velocidade, não perda de energia; a energia da onda é transmitida, e o que se perde numa entrada é a pequena parte refletida, que o item não menciona. Gabarito E. O item 98 listou “as seguintes condições: n1=n2, ângulo de incidência na interface inferior a 45° e r2≥2r1”. Três condições, três erros: índices iguais não formam interface; a incidência precisa ficar acima do limite, não abaixo de um número qualquer; e os raios das camadas não entram na condição. Gabarito E. O item 100 afirmava que os raios i e j, partindo juntos de o1, chegam a o2“com a mesma diferença de tempos, independentemente das frequências”, mantidos os demais parâmetros. O raio j percorre um caminho mais longo, em zigue-zague, e chega depois; a diferença de tempos depende da geometria (os ângulos α e β e o comprimento d) e da velocidade no núcleo, e nada disso foi mudado. Num modelo em que n1 é um número fixo, como o texto-base o descreve, a cor não entra na conta. Gabarito C. O item 101 dizia que, aumentando o ângulo de injeção α de 0 a 90°, “a partir de determinado valor, o raio j não sofrerá reflexão total na interface entre o núcleo e a casca, independentemente dos valores de r1 e r2”. É o ângulo máximo de aceitação: injeção mais inclinada dá incidência menos inclinada na interface, e abaixo de L a luz refrata para a casca; os raios das camadas não interferem. Gabarito C.
Prisma de reflexão total, diamante e catadióptrico
No prisma de reflexão total, um prisma de vidro de seção triangular retângula isósceles (ângulos de 45°, 45° e 90°), a luz entra perpendicularmente por uma face menor, chega à hipotenusa com 45° de incidência (maior que os 42° do limite vidro–ar) e é totalmente refletida, saindo pela outra face menor com 90° de desvio. Binóculos usam pares desses prismas para encurtar o tubo e endireitar a imagem; periscópios simples e câmeras reflex também. Nenhuma prata, nenhuma perda.
O diamante (n=2,42) tem ângulo limite de 24°: quase toda a luz que entra pela face de cima e bate nas faces de baixo chega acima do limite, é refletida por dentro uma, duas vezes, e só encontra saída de volta pela face de cima, rumo ao olho de quem o observa. A lapidação brilhante escolhe os ângulos das faces para isso. Um vidro do mesmo formato (L=42°) deixa escapar pelo fundo boa parte da luz. O brilho não é da pedra; é da geometria mais o índice.
A miragem é refração sem interface nítida. Numa estrada de asfalto ao sol, o ar junto ao chão está muito mais quente, e portanto menos denso e menos refringente, que o ar um pouco acima. Um raio que desce inclinado do céu vai atravessando camadas de índice cada vez menor: afasta-se da normal a cada uma, deita-se, e num certo ponto chega ao ângulo limite e volta para cima, encurvado. O olho do motorista recebe luz do céu vinda de baixo e a interpreta como um “lago” brilhante sobre o asfalto, que some quando ele se aproxima. O tremular do ar sobre uma chama é a mesma coisa em pequena escala: bolsões de ar quente em movimento desviam a luz de modo variável. A banca já pendurou isso numa obra de arte (2007, item 12: linhas onduladas verticais que “remetem à ideia do movimento convectivo associado ao calor, que provoca o tremular de imagens devido à variação do índice de refração do ar”, gabarito C) e num modelo em camadas (2018, item 78, o do ar frio e ar quente sobre uma queimada, lido na armadilha da normal).
À esquerda, o modelo de camadas de 2018: ângulo de 30° com a interface é 60° com a normal, e 2×sen60°>1 dá reflexão total (opção D). À direita, a miragem: o ar quente junto ao asfalto é menos refringente, o raio do céu se encurva para cima e o olho o lê como um lago. Diagrama autoral.
Na direção oposta trabalha a refração atmosférica. O ar fica mais denso, e mais refringente, à medida que se desce da alta atmosfera até o solo. A luz de uma estrela que entra inclinada vai se aproximando da normal camada a camada, e o observador no chão, que prolonga para trás o último trecho do raio, vê a estrela mais alta (mais perto do zênite) do que ela realmente está. Perto do horizonte o efeito chega a meio grau, o próprio diâmetro do Sol: quando você vê o Sol tocar o horizonte, ele geometricamente já se pôs, e o disco aparece achatado porque a borda de baixo é erguida mais que a de cima. A 2.ª etapa de 2009 modelou isso com quatro camadas de índices 1,00, 1,10, 1,00 e 1,05 e um raio entrando a 45°; a leitura completa dos três itens está em “Como a banca pergunta”.
A piscina parece mais rasa: dioptro plano e profundidade aparente
Um dioptro plano é uma superfície plana que separa dois meios transparentes: a superfície de uma piscina, de um aquário, de um copo. Olhe de cima para uma moeda no fundo. Os raios que saem da moeda e chegam ao seu olho atravessam a superfície afastando-se da normal (água → ar); o olho os prolonga para trás em linha reta e os vê cruzarem-se num ponto acima da moeda. A imagem é virtual, e o fundo parece mais raso.
Profundidade aparente (observação quase perpendicular)
Para quem olha de cima quase na vertical, de modo que os ângulos com a normal sejam pequenos e senθ≈tgθ, a distância aparente d′ do objeto à superfície se relaciona com a distância real d por
dd′=nobjetonobservador.
Piscina vista do ar: d′=d×1/1,33=0,75d; 2 m de água parecem 1,5 m. Pescador visto pelo peixe: d′=d×1,33; uma garça a 1,5 m acima da água parece, ao peixe, estar a 2 m. A imagem fica sobre a mesma vertical do objeto; só a distância muda.
A dedução é a semelhança de triângulos da página de Tales. Um raio sai do objeto, a profundidade d, e atinge a superfície a uma distância horizontal x da vertical do objeto: tgθobj=x/d. O prolongamento do raio refratado passa pela imagem, a profundidade d′, sobre a mesma vertical: tgθobs=x/d′. Snell dá nobjsenθobj=nobssenθobs, e para ângulos pequenos os senos podem ser trocados pelas tangentes: nobjx/d=nobsx/d′, donde a fórmula. Para quem olha muito inclinado, a imagem sobe ainda mais e se desloca lateralmente; é o caso do canudo, cuja parte submersa parece erguida e quebrada na linha d’água.
Do ar, o fundo parece mais raso: d′=d×nar/naˊgua=0,75d. Da água, o que está no ar parece mais longe: ×1,33. A imagem fica na mesma vertical; só a distância muda. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido: o pé no fundo. Uma piscina tem 1,80 m de água (n=4/3). A que profundidade o fundo parece estar para quem olha de cima, de pé na borda? E um mergulhador deitado no fundo, olhando para cima, vê a superfície a que distância? Conta: de fora, d′=1,80×(1)/(4/3)=1,80×0,75=1,35 m. De dentro, o mergulhador vê objetos que estão no ar, não a superfície em si; a lâmpada do teto a 3 m da água parece estar a 3×4/3=4 m. Conferência: o fundo “sobe” 45 cm, quase meio metro de diferença entre o que se vê e o que se pisa, o que explica o salto que acaba em pé batido no fundo. O objeto no ar visto da água se afasta, o objeto na água visto do ar se aproxima: a razão dos índices sempre com o índice de quem olha em cima.
Exemplo resolvido: a espessura do vidro. Um aquário tem parede de vidro (n=1,5) com 3 cm de espessura, e um peixe está encostado nela por dentro. Para quem olha de fora, quase perpendicularmente, o peixe parece a que distância da face externa do vidro? Conta: só o vidro entra, e d′=3×1/1,5=2 cm. Conferência: uma lâmina de vidro sempre parece mais fina do que é, na razão 1/n; a diferença, 3−2=1 cm, é o que a lâmina “encolhe” aos olhos, e é o mesmo cálculo que dá a espessura aparente de um vidro de mesa.
A lâmina de faces paralelas desloca o raio sem desviá-lo
Uma placa de vidro com as duas faces paralelas (o vidro de uma janela, uma lâmina de microscópio, a peça da prova de 2022) faz a luz refratar duas vezes: entra, aproximando-se da normal; sai, afastando-se dela pelo mesmo ângulo. Como as duas normais são paralelas, o raio que emerge é paralelo ao que entrou: a lâmina não muda a direção da luz, só a desloca lateralmente. Por isso a paisagem vista por uma janela não fica torta, mesmo que o vidro seja grosso.
Lâmina de faces paralelas
Com o raio chegando do ar a θ1 da normal, na primeira face narsenθ1=nvsenθ2; na segunda face, nvsenθ2=narsenθ3. Logo senθ3=senθ1 e θ3=θ1: desvio angular zero, raio emergente paralelo ao incidente. O deslocamento lateralΔ (a distância entre o raio emergente e o prolongamento do incidente) cresce com a espessura e da lâmina, com o índice e com o ângulo de incidência; para incidência normal, Δ=0. Dentro da lâmina, o raio percorre, na horizontal, d=etgθ2.
Duas refrações iguais e opostas: o raio sai paralelo ao que entrou, apenas deslocado. Os símbolos (α com a superfície, ϕ com a normal, d e e) são os da figura A do bloco de 2022. Diagrama autoral.
Em 2022 a banca pôs um laser vermelho (635 nm) incidindo numa peça de vidro de faces paralelas e pendurou quatro itens escritos com os símbolos da figura: na figura A, a peça é horizontal, o laser chega fazendo αcom a superfície, refrata fazendo ϕcom a vertical (a normal), percorre a distância horizontal d dentro da peça de espessura e; na figura B, a peça é inclinada até que o raio refletido fique horizontal, a incidência com a superfície passa a ser θ e o raio transmitido faz β com a superfície oposta.
Item 105:“A relação entre os ângulos α e θ é θ=α/2.” O laser não se mexeu: seu raio continua fazendo α com a horizontal. Na figura B o refletido é horizontal, e incidente e refletido fazem o mesmo ângulo θ com a superfície, um de cada lado: o ângulo entre os dois raios é 2θ. Mas esse ângulo é exatamente o que o incidente faz com a horizontal, α. Logo 2θ=α. Gabarito C.
Item 106:“O índice de refração da peça pode ser obtido pela equação nv=nar1+e2/d2cosα.” Ângulo de incidência com a normal: 90°−α, cujo seno é cosα. Snell: narcosα=nvsenϕ. Geometria dentro da peça: tgϕ=d/e, logo senϕ=d/d2+e2. Então nv=narcosα⋅d2+e2/d=narcosα1+e2/d2. Gabarito C.
Item 107:“Caso o feixe de laser seja substituído por outro de cor verde, com comprimento de onda igual a 532 nm, a distância d permanecerá inalterada.” O índice do vidro depende da cor (a seção seguinte explica); para o verde ele é um pouco maior, ϕ fica um pouco menor e d=etgϕ diminui. Gabarito E.
Item 108:“Na situação ilustrada pela figura B, a relação angular entre o raio transmitido e o raio incidente é β=θ/1,5.” Lâmina de faces paralelas: o transmitido sai paralelo ao incidente, então faz com a superfície oposta o mesmo ângulo que o incidente fazia com a primeira: β=θ, qualquer que seja o índice. O “1,5” é o índice típico do vidro posto onde não tem função. Gabarito E.
Quatro itens, nenhuma conta com número: só Snell nas duas faces, um triângulo retângulo e a leitura cuidadosa de qual ângulo é com a superfície e qual é com a normal.
O prisma separa as cores porque n depende da cor
Num prisma, as duas faces por onde a luz entra e sai não são paralelas, e por isso os dois desvios não se cancelam: o raio sai desviado em direção à base do prisma (a face oposta ao ângulo de abertura). Se o índice fosse um só para toda a luz, o prisma desviaria a luz branca inteira num único ângulo e a devolveria branca. Não é o que acontece.
Dispersão
O índice de refração de um meio material depende do comprimento de onda da luz: em todos os vidros e líquidos transparentes comuns, n é maior para o violeta e menor para o vermelho (num vidro típico, 1,53 para o violeta e 1,51 para o vermelho). Índice maior é desvio maior: a luz violeta desvia mais, a vermelha desvia menos, e a luz branca, que é a soma de todas, se abre em espectro ao sair do prisma, na ordem vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil, violeta. É a dispersão. No vácuo não há dispersão: todas as cores andam a c.
A cor é decidida pela frequência, que não muda na refração. O que o prisma faz é dar a cada frequência uma velocidade, e portanto um índice e um desvio, ligeiramente diferentes. A frase “o índice de refração é inversamente proporcional ao comprimento de onda” (usada pela banca em 2010) é um modelo simplificado dessa dependência: comprimento de onda menor, índice maior, velocidade menor.
No prisma, cada cor tem seu índice e seu desvio; o violeta, com n maior, desvia mais. O gráfico n×λ de um vidro típico desce com o comprimento de onda. Diagrama autoral.
A banca cobra a dispersão pela velocidade. Em 2010, num texto sobre o espectrógrafo de prisma: “Se, em um meio material, o índice de refração for inversamente proporcional ao comprimento de onda, então, nesse meio, a velocidade da luz verde será maior que a velocidade da luz vermelha.” O verde tem comprimento de onda menor que o vermelho; índice inversamente proporcional ao comprimento de onda dá índice maior para o verde; índice maior é velocidade menor. O item afirmou o contrário. Gabarito E. Em 2022, o item 107 lido acima: trocar o laser vermelho pelo verde muda o índice e muda a distância percorrida dentro do vidro.
Exemplo resolvido: ler o gráfico. Um gráfico dá, para um vidro, n=1,60 em 400 nm (violeta) e n=1,50 em 700 nm (vermelho). Qual é a razão entre as velocidades do vermelho e do violeta nesse vidro, e qual cor sai mais desviada de um prisma feito dele? Conta:vverm/vviol=nviol/nverm=1,60/1,50=1,067: o vermelho anda cerca de 6,7% mais rápido. Sai mais desviado o violeta, de índice maior. Conferência: com incidência de 30° do ar, o violeta refrata a senθ=0,5/1,60=0,3125 (θ≈18,2°) e o vermelho a 0,5/1,50=0,333 (θ≈19,5°): o violeta fica mais perto da normal já na primeira face, e o prisma amplia a diferença na segunda.
O arco-íris
O arco-íris é um prisma esférico de água repetido em milhões de gotas. Em cada gota, a luz do Sol refrata ao entrar (e se dispersa), reflete na parede de trás e refrata de novo ao sair, voltando na direção geral de onde veio. Por causa da geometria da esfera, a luz de cada cor sai concentrada num ângulo bem definido em relação ao raio incidente: cerca de 42° para o vermelho e 40° para o violeta. Por isso o arco-íris só aparece com o Sol atrás do observador, é um arco de 42° de raio em torno do ponto oposto ao Sol, e tem o vermelho por fora e o violeta por dentro. O arco secundário, mais fraco e mais aberto (a cerca de 51°), vem de duas reflexões internas e tem as cores invertidas. Note o que o arco-íris não é: não é reflexão total (a incidência interna fica abaixo do limite da água, e parte da luz escapa pela parede de trás, o que o torna fraco), e não é difração.
A dispersão tem um preço nas lentes: se cada cor tem seu índice, cada cor tem sua distância focal, e uma lente simples forma imagens com bordas coloridas, a aberração cromática. A banca a cobrou em 2007 a propósito do telescópio de Galileu, e a solução (lentes duplas de vidros diferentes) fica para a página de lentes e visão.
Como a banca pergunta
A refração é o assunto de óptica mais frequente da 2.ª etapa, e quase nunca vem sozinha: pendurada num texto de astronomia, de arte, de incêndio florestal, de telecomunicações. A lista abaixo é a arqueologia do assunto, com o que decidiu cada item.
Sentido da reflexão total. 2010/121 (“com a diminuição de sua velocidade”, E); 2019/70 (poça de Cartier-Bresson, “reflexão interna total porque a água é mais refringente”, E). Decide-se perguntando de onde vem a luz: só há reflexão total saindo do meio mais refringente.
Conta do ângulo limite. 2020/105 (terebintina, senL=1/1,5=2/3, “arcsen(2/3)”, C). Escreva senL=nmenor/nmaior e confira a referência: normal.
Ângulo com a superfície. 2018/78, tipo C, gabarito D: α=30° com a interface é 60° com a normal, 2×sen60°>1, reflexão total; o desenho certo é o do raio voltando para o ar frio.
Fibra óptica. 2023/97 (refração “implica perda de energia”, E), 98 (condições inventadas, E), 100 (diferença de tempos independe da frequência no modelo, C), 101 (ângulo máximo de injeção, C). Os vizinhos 99 e 102 são de ondas eletromagnéticas.
Lâmina de faces paralelas com símbolos. 2022/105 (θ=α/2, C), 106 (fórmula do índice, C), 107 (trocar a cor muda d, E), 108 (β=θ/1,5, E: é β=θ).
Dispersão pela velocidade. 2010/118 (verde mais rápido que vermelho, E). Índice maior é velocidade menor.
Refração atmosférica em camadas. 2009, itens 106, 107 e 109. O texto-base desenhava a atmosfera em quatro camadas, C0 (acima de 60 km, n=1,00), C1 (de 60 a 30 km, n=1,10), C2 (de 30 a 12 km, n=1,00 de novo) e C3 (de 12 km ao solo, n=1,05), com um raio de estrela entrando a 45° em H=60 km. Item 106: o trecho do raio dentro de C2, entre os planos P1 (30 km) e P2 (12 km), “é a hipotenusa de um triângulo retângulo cujos catetos sejam l1 e l2; é correto afirmar que l1=l2=15 km”. Como C2 tem o mesmo índice de C0, o invariante de Snell devolve o raio a 45° dentro dela (1,00senθ2=1,00sen45°), e os catetos são de fato iguais; mas o cateto vertical é a espessura da camada, 30−12=18 km, e não 15. E, pelo número, não pela geometria. Item 107: o observador no solo vê a estrela “mais para o lado do ponto ⓐ que para o lado do ponto ⓑ”. O raio se aproxima da normal ao descer para camadas mais refringentes; o observador prolonga o último trecho, mais vertical, e vê a estrela mais perto do zênite que a posição real; na figura, ⓐ estava do lado do horizonte. E. Item 109, tipo B: “calcule o valor do produto n3senθ3” na camada C3, multiplicado por 100. Snell diz que o produto é o mesmo em todas as camadas: n3senθ3=n0sen45°=1,00×0,707=0,707; vezes 100, 070. Três itens, uma ideia: o invariante de Snell atravessa quantas camadas houver.
Miragem e índice do ar. 2007/12 (linhas onduladas, convecção e “variação do índice de refração do ar”, C).
Refração como fenômeno ondulatório. 2015/65 (frequência que “muda” com o índice, E) e 2025/90 (refração “não ocorre em ondas materiais”, E), da página de fenômenos ondulatórios.
Fora do PAS, o ENEM cobra o mesmo assunto com contexto (piscina, fibra óptica, arco-íris, canudo no copo), quase sempre em item conceitual de sentido do desvio ou de condição da reflexão total.
Os erros que a prova planta
Dez tropeços, um por linha
Medir o ângulo com a superfície. A lei de Snell usa o ângulo com a normal; 30° com a superfície é 60° com a normal (2018/78).
Reflexão total do menos para o mais refringente. Não existe: do ar para a água ou para o vidro o raio sempre refrata, aproximando-se da normal (2010/121, 2019/70).
Uma condição só. Reflexão total exige duas: sentido do mais para o menos refringente e incidência acima de L (2023/98).
Fração invertida no ângulo limite.senL=nmenor/nmaior; ao contrário daria seno maior que 1.
Frequência que muda. Na refração mudam v e λ; f e a cor não mudam (2015/65). λmeio=λ0/n.
Refringente igual a denso. Álcool é menos denso e mais refringente que a água. Fale em índice, não em densidade.
Vermelho que desvia mais. No prisma e na gota, o violeta tem n maior e desvia mais; o vermelho, menos. Índice maior é velocidade menor (2010/118).
Refração que “perde energia” ou que “não ocorre” na incidência normal. Refração é mudança de velocidade; na incidência normal ela ocorre sem desvio; energia não se perde no ato de refratar (2023/97).
Lâmina que desvia. Faces paralelas devolvem o raio paralelo ao incidente; β=θ, e nenhum índice entra (2022/108).
Profundidade aparente com a razão invertida. Quem olha do ar vê o fundo mais raso (×0,75); quem olha da água vê o que está fora mais longe (×1,33). O índice de quem olha fica em cima.
O essencial em meia página
Índice:n=c/v≥1; ar 1, água 1,33 (4/3), vidro 1,5, diamante 2,42. Maior n = mais refringente = mais lento. Relativo: n21=n2/n1=v1/v2. Na refração f não muda; v e λ caem na razão 1/n: λmeio=λ0/n.
Snell:n1senθ1=n2senθ2, ângulos com a normal. Entra no mais refringente: aproxima-se da normal; sai: afasta-se. Incidência normal: refrata sem desviar. Senos: 30° → 1/2; 45° → 2/2; 60° → 3/2; 37°/53° → 0,6/0,8.
Ângulo limite:senL=nmenor/nmaior; água 49°, vidro 42°, diamante 24°; n=2 → 30°, n=2 → 45°. Reflexão total = do mais para o menos refringente eθ>L. Seno maior que 1 na conta = não há refratado.
Aplicações: fibra óptica (núcleo n1 > casca n2; ângulo máximo de injeção; 2023/97–101); prisma de reflexão total (45° > 42°); diamante (L=24°, luz presa); miragem (ar quente menos refringente, raio encurva para cima; 2018/78, 2007/12); refração atmosférica (estrela parece mais alta; 2009/106–109, invariante nsenθ=0,707).
Dioptro plano (visão quase perpendicular): d′/d=nobs/nobj; piscina de 2 m parece 1,5 m; o peixe vê a garça a 1,5 m como se estivesse a 2 m.
Lâmina de faces paralelas: emergente paralelo ao incidente (desvio angular zero), deslocamento lateral cresce com e, n e θ; d=etgϕ; 2022/105–108 (θ=α/2; nv=narcosα1+e2/d2; cor muda d; β=θ).
Prisma e dispersão:n depende de λ (maior para o violeta); violeta desvia mais, vermelho menos; desvio para a base; luz branca abre em espectro; 2010/118 (verde mais lento que vermelho). Arco-íris: refração + reflexão interna + refração na gota; Sol atrás; 42° vermelho por fora, 40° violeta por dentro.
Protocolo do item: (1) de onde vem a luz e para onde vai, qual meio é mais refringente; (2) onde está a normal na figura; (3) Snell com os senos tabelados; (4) se o seno passar de 1, reflexão total; (5) frequência fixa, cor fixa.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
A Lei de Snell Explicada (Como a Refração Funciona?)
Ciência Todo Dia · 7:02
Introdução. Sete minutos animados do Curso de Física Básica do canal (capítulo 8, episódio 2) sobre o que acontece quando a luz troca de meio: reflexão, refração, a relação com a velocidade da luz e a lei de Snell, exatamente as seções “A luz muda de velocidade” e “A lei de Snell” desta página, em formato de vídeo para assistir antes de ler. A descrição do autor resume o roteiro (refração exige índices diferentes; a lei de Snell explica o desvio).
REFLEXÃO TOTAL DA LUZ - ÓPTICA - Aula 9 - Prof. Boaro
Professor Boaro · 21:12
Aprofundamento. Vinte e um minutos de quadro dedicados só ao ângulo limite e à reflexão total, a aula 9 da playlist de óptica geométrica do professor, com a dedução de sen L = n_menor/n_maior e as duas condições que a banca do PAS cobra (2010/121, 2019/70, 2020/105, 2023/98). É a seção “Do mais para o menos refringente há um teto” conduzida passo a passo; a descrição do vídeo identifica o tema e a posição na playlist.
Aula 13 – Dispersão Óptica – Prisma de Newton
Portal da Física OBMEP · 8:48
Aplicação. Nove minutos do Portal da Física da OBMEP (IMPA), aula 13 da trilha de refração do professor Rafael Juca: dispersão cromática, decomposição da luz branca no prisma e formação do arco-íris, conforme a descrição do autor. Cobre a seção “O prisma separa as cores porque n depende da cor” e o box do arco-íris, e serve de base para os itens 2010/118 e 2022/107.
Reflexão Total
Física Up - Profa. Carina Vellosa · 22:32
Resolução. Vinte e dois minutos com a teoria da reflexão total seguida de exercícios de vestibular resolvidos, listados na descrição do vídeo: um da UFRR sobre uma tabela de índices de refração (em qual par de meios há reflexão total com incidência grande) e um da FUVEST sobre a fibra óptica com núcleo e revestimento, além de miragens. É o treino das seções “Do mais para o menos refringente há um teto” e “Onde a reflexão total trabalha” com o mesmo tipo de dado que o PAS usa (índices tabelados, fibra com casca).
O índice mede a lentidão: n=c/v. Ao entrar num meio de n maior, a luz perde velocidade e comprimento de onda na mesma proporção (λ=λ0/n), e a frequência, que é da fonte, não muda. Diagrama autoral.Snell: n1senθ1=n2senθ2, ângulos medidos a partir da normal. Do ar para a água o raio se aproxima da normal (45° → 32°); da água para o ar, afasta-se (32° → 45°). O mesmo caminho serve nos dois sentidos. Diagrama autoral.Do vidro (n=1,5) para o ar: abaixo de L≈42° há refração afastando-se da normal; em L o refratado sai rasante; acima de L toda a luz volta. Diagrama autoral.Núcleo mais refringente que a casca: o raio injetado com pouca inclinação chega à interface acima do ângulo limite e fica preso; o injetado inclinado demais chega abaixo de L e refrata para a casca. É o bloco de 2023, itens 97 a 102. Diagrama autoral.À esquerda, o modelo de camadas de 2018: ângulo de 30° com a interface é 60° com a normal, e 2×sen60°>1 dá reflexão total (opção D). À direita, a miragem: o ar quente junto ao asfalto é menos refringente, o raio do céu se encurva para cima e o olho o lê como um lago. Diagrama autoral.Do ar, o fundo parece mais raso: d′=d×nar/naˊgua=0,75d. Da água, o que está no ar parece mais longe: ×1,33. A imagem fica na mesma vertical; só a distância muda. Diagrama autoral.Duas refrações iguais e opostas: o raio sai paralelo ao que entrou, apenas deslocado. Os símbolos (α com a superfície, ϕ com a normal, d e e) são os da figura A do bloco de 2022. Diagrama autoral.No prisma, cada cor tem seu índice e seu desvio; o violeta, com n maior, desvia mais. O gráfico n×λ de um vidro típico desce com o comprimento de onda. Diagrama autoral.
Rota PAS 2
Ótica geométrica e introdução à física moderna · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Ótica geométrica e introdução à física moderna · Refração, Snell e a reflexão total (conceito: índice, Snell, ângulo limite, dispersão; exemplo-guia ar–água, peixe, vidro e diamante; fibra óptica e miragem; figura do ângulo limite; itens 2010/121 e 118, 2007/84, 2023/98 e 100; armadilha das duas condições; checagem vidro–ar); Como a banca cobra (histórico de refração, dispersão e reflexão total); Síntese (Refração); Protocolo do item de óptica (3); Aquecimento, item 2 (vidro 'mais denso'); Banco de treino T4, T10, T12–T16
Recorte por assunto: só a seção de refração, o histórico de refração/dispersão/reflexão total e os itens de treino correspondentes. Espelhos, lentes, olho, interação luz-matéria e dualidade ficam nas páginas irmãs. A página acrescenta, ausentes do capítulo, o índice relativo, a tabela de senos da banca, o dioptro plano com profundidade aparente, a lâmina de faces paralelas com a leitura completa do bloco de 2022, o prisma de reflexão total, a refração atmosférica do bloco de 2009 e o gráfico n × λ.
Rota PAS 2 — Ondulatória: som, luz e ondas do mar · Leia como na prova: dois itens de ondas dentro de uma fibra óptica (texto-base de 2023 e a partilha dos itens 97 a 102 entre ondulatória e óptica geométrica); Na prova (fronteira entre CN-E02 e CN-E03)
Remissão: a metade ondulatória do bloco da fibra óptica (itens 99 e 102) está em ondas eletromagnéticas; aqui entram os itens geométricos 97, 98, 100 e 101.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 2 2009 (itens 106, 107 e 109), 2010 (itens 118 e 121), 2018 (item 78), 2019 (item 70), 2020 (item 105, Parte 2), 2022 (itens 105 a 108), 2023 (itens 97, 98, 100 e 101)
Itens reproduzidos verbatim com os textos-base; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas2/AAAA.json. Figuras de 2009 (p. 16 do caderno), 2018 (p. 12, caderno Apolo), 2022 (p. 14) e 2023 (p. 14) rasterizadas a 130 dpi e descritas em texto neutro. O item 2010/122 (tipo C da gota de chuva) foi deixado de fora: as opções A e B têm o mesmo desenho e diferem só pelo rótulo. O item 2007/84 (distância focal por cor) fica para lentes e visão.