Ao meio-dia a sombra de um poste tem borda nítida e serve para medir a altura dele; sob a luminária do teto a sombra da sua mão tem um miolo escuro e uma faixa borrada que cresce quando você levanta a mão; e em outubro de 2023 o Sol virou um anel de fogo sobre Natal enquanto em Brasília só perdia um pedaço. Por que a mesma luz em linha reta produz sombras tão diferentes, e como a geometria de fonte, obstáculo e anteparo explica eclipses e a imagem invertida de uma câmara escura?
O que você vai aprender
Definir raio e feixe de luz (paralelo, divergente, convergente) e explicar em que condição o modelo geométrico vale: obstáculos muito maiores que o comprimento de onda, com a difração como limite.
Classificar fontes de luz em primárias e secundárias, puntiformes e extensas, e explicar por que vemos objetos pela luz que eles refletem difusamente, e por que a Lua não é fonte primária.
Distinguir meios transparentes, translúcidos e opacos, e homogêneos de não homogêneos, ligando cada classe ao que acontece com os raios.
Enunciar e aplicar os três princípios da ótica geométrica: propagação retilínea (em meio homogêneo e transparente), independência dos raios e reversibilidade dos trajetos.
Calcular tamanhos de sombras com fonte puntiforme e com raios paralelos por semelhança de triângulos, montando a proporção com as distâncias medidas a partir da fonte, e medir alturas por sombras.
Explicar a diferença entre umbra, penumbra e antumbra com fonte extensa, prever como cada região muda com as distâncias e reconhecer a nitidez da sombra como assinatura do tamanho da fonte.
Descrever eclipses solares (total, parcial, anular) e lunares (total, parcial, penumbral) como sombras em escala astronômica, com as fases em que ocorrem, a inclinação de 5° que impede o eclipse mensal e os números do cone de umbra da Lua e da Terra.
Explicar a formação da imagem invertida na câmara escura de orifício, calcular o tamanho da imagem ou a distância do objeto por semelhança e discutir o compromisso entre nitidez e luminosidade do furo.
Ler a cor de um objeto e a ação de um filtro em linguagem de raios: transmitir ou refletir uma faixa e absorver as demais, sem criar cor.
Reconhecer os formatos em que ENEM, vestibulares e o PAS cobram o tema e desmontar os erros clássicos: ver o objeto, Lua que brilha, sombra que cresce ao Sol, eclipse todo mês, filtro que pinta.
Ao meio-dia, a sombra de um poste no chão tem borda tão nítida que dá para medir a altura do poste sem subir nele: a sombra dele está para a sombra de uma pessoa ao lado assim como a altura dele está para a altura da pessoa. À noite, sob a luminária do teto, a sombra da sua mão na mesa é outra coisa: um miolo escuro cercado por uma faixa acinzentada que se alarga quando você levanta a mão. Em 14 de outubro de 2023, quem estava em Natal ou em João Pessoa viu o Sol virar um anel de fogo por alguns minutos, enquanto em Brasília o mesmo Sol perdia só um pedaço, como uma bolacha mordida. Os três fatos são o mesmo fato. A luz anda em linha reta; um corpo opaco bloqueia parte dela; a geometria do que sobra depende só de três coisas: o tamanho da fonte, o tamanho do obstáculo e as distâncias entre eles e o anteparo.
Esta página é sobre a luz antes de qualquer espelho ou lente. É a parte da ótica que se resolve com régua: o que é um raio e quando esse modelo vale, o que é uma fonte e o que é um meio, os três princípios que governam o trajeto da luz, e as três consequências que a prova cobra, sombra e penumbra, eclipses e câmara escura. Reflexão em espelhos, refração e lentes são as páginas seguintes; a cor como frequência e a luz como onda estão em ondas eletromagnéticas. Aqui, a ferramenta matemática é uma só, a semelhança de triângulos, e ela vai aparecer em quase todas as seções.
O raio de luz é um modelo, e ele tem prazo de validade
Ninguém nunca viu um raio de luz. O que se vê num quarto empoeirado atravessado pelo sol da janela é um feixe: um volume de luz denunciado pela poeira que ele ilumina. O raio é a idealização desse feixe quando a largura vai a zero: uma linha orientada que indica o caminho e o sentido da luz. É um desenho, não um objeto. Mas é um desenho que funciona, e funciona por um motivo preciso.
Raio, feixe e o limite do modelo
Um raio de luz é a linha que representa a direção de propagação da luz em cada ponto. Um feixe é um conjunto de raios, e vem em três formas: paralelo (os raios não se aproximam nem se afastam: o Sol, por estar tão longe, chega assim), divergente (os raios se abrem a partir de um ponto: a lâmpada, a lanterna) e convergente (os raios se fecham para um ponto: a luz que sai de uma lupa apontada para o Sol). A ótica geométrica é a parte da ótica que trata a luz só com raios, sem perguntar o que a luz é. Ela vale enquanto os obstáculos, os orifícios e os objetos forem muito maiores que o comprimento de onda da luz, que no visível fica entre 400 e 700 nanômetros (bilionésimos de metro). Um poste, uma mão, um furo de agulha de meio milímetro são milhares de vezes maiores que isso; por isso a luz passa por eles em linha reta e o modelo funciona.
Quando o obstáculo encolhe até a escala do comprimento de onda, a luz deixa de andar reto: contorna a borda e forma franjas. É a difração, e ela é tratada em fenômenos ondulatórios. Guarde só a fronteira: fenda larga, raio; fenda da largura da onda, onda. É esse limite que impede de fazer uma câmara escura com furo de um centésimo de milímetro na esperança de uma imagem infinitamente nítida: abaixo de certo tamanho, o furo borra por difração o que ganhou em geometria. Voltaremos a isso.
Segundo aviso: o raio é uma linha no espaço, não no tempo. A luz tem velocidade finita, c=3×108 m/s no vácuo, e toda distância vira um atraso. A luz do Sol leva 8 min 20 s para chegar; a da Lua, 1,3 s. Quando a distância é astronômica, mede-se em ano-luz, a distância que a luz percorre em um ano, cerca de 9,5×1012 km. A estrela mais próxima depois do Sol está a 4,2 anos-luz: a luz que você vê dela hoje saiu de lá há mais de quatro anos. Olhar longe é olhar para trás. A conta com c e o espectro estão em ondas eletromagnéticas.
Um raio é a direção da luz; um feixe é um conjunto de raios. Paralelo (Sol), divergente (lâmpada) e convergente (lupa). O modelo vale enquanto os obstáculos forem muito maiores que o comprimento de onda da luz. Diagrama autoral.
Ver é receber luz: fontes primárias e secundárias
Você não vê a mesa. Você vê a luz que a mesa devolve para os seus olhos. A frase parece jogo de palavras, mas decide itens de prova e desmonta o erro mais antigo da ótica, a ideia de que o olho emite algo que “toca” o objeto. Apague a lâmpada e a mesa continua lá; o que sumiu foi a luz que ela reenviava. Um corpo é visível quando envia luz ao observador, seja luz que ele mesmo produz, seja luz que recebeu de outro corpo e devolveu.
Fontes de luz: primárias e secundárias, puntiformes e extensas
Uma fonte primária (ou corpo luminoso) produz a luz que emite: o Sol, o filamento da lâmpada, a chama, a tela do celular, o vaga-lume. Uma fonte secundária (corpo iluminado) só devolve luz que recebeu: a Lua, a parede, esta página, uma pessoa. Quase tudo o que você vê é fonte secundária. Uma fonte é puntiforme quando o tamanho dela é desprezível diante das distâncias envolvidas, e a luz sai de praticamente um ponto: uma lâmpada pequena vista de longe, uma estrela. É extensa quando o tamanho conta: a lâmpada fluorescente tubular, um painel de LED, o Sol visto da Terra (ele ocupa meio grau do céu, e esse meio grau é o que produz a penumbra das sombras ao ar livre).
A Lua é o exemplo que a prova gosta de usar, porque a linguagem comum diz que ela “brilha”. Ela não produz luz nenhuma: reflete cerca de 12% da luz do Sol que a atinge, uma fração parecida com a do asfalto, e nos parece brilhante só porque o céu ao redor é escuro. A parte iluminada da Lua é sempre a metade voltada para o Sol; o que muda ao longo do mês é quanto dessa metade fica voltada para nós. As fases são, portanto, um efeito de geometria entre fonte primária (Sol), fonte secundária (Lua) e observador (Terra), e não têm nada a ver com a sombra da Terra, um engano que voltará na seção dos eclipses.
Puntiforme ou extensa não é propriedade do objeto, é decisão de escala: a mesma lâmpada é puntiforme para a sombra de um poste a dez metros e extensa para a sombra de uma agulha a dois centímetros. Se o tamanho da fonte é desprezível diante das distâncias do problema, a sombra tem borda nítida; se não, aparece a penumbra.
"Vemos o objeto"
O que chega ao olho é luz, sempre. Um objeto opaco é visto porque reflete difusamente a luz que recebe, espalhando-a em todas as direções: por isso ele é visível de qualquer lugar da sala. Um espelho perfeito não é “visto”: vê-se nele a imagem de outras coisas. Um objeto que absorvesse toda a luz seria uma silhueta preta, e um objeto perfeitamente transparente seria invisível. A prova de 2016 (PAS 2, item 11) julgou exatamente isso diante de uma obra de Waldemar Cordeiro: se a obra não difundisse a luz, não seria possível vê-la, independentemente da posição do observador. Certo.
Transparente, translúcido, opaco: o que o meio faz com o raio
Um raio de luz precisa de um meio para atravessar, ou do vácuo. E o que o meio faz com ele cabe em três palavras, que o vocabulário da prova usa com precisão.
Os três tipos de meio
Um meio é transparente quando a luz o atravessa em trajetórias regulares, previsíveis, e permite ver nitidamente os objetos através dele: o ar, a água limpa, o vidro comum, o vácuo. É translúcido quando a luz o atravessa, mas em trajetórias irregulares, e os objetos do outro lado aparecem como manchas sem contorno: o vidro fosco do box, o papel vegetal, a neblina, o vidro do quebra-luz. É opaco quando a luz não o atravessa: a madeira, a parede, o metal, o próprio corpo. Dois adjetivos completam a lista, porque os princípios da próxima seção dependem deles: homogêneo é o meio que tem as mesmas propriedades em todos os pontos (o ar parado, a água em repouso); isotrópico é o meio que se comporta do mesmo jeito em todas as direções.
A classificação depende da espessura e da faixa de luz. Uma folha de papel é opaca; a mesma folha molhada de óleo fica translúcida. Um copo de água é transparente; um lago de dez metros é translúcido, e o fundo do oceano é opaco à luz, porque em cada metro parte dela é absorvida. O vidro comum é transparente ao visível e quase opaco ao ultravioleta: é por isso que não se bronzeia atrás de uma janela fechada, e essa seletividade por faixa está detalhada em ondas eletromagnéticas. Para a ótica geométrica, o que importa é o que a palavra promete: transparente permite traçar raios e prever onde eles chegam; translúcido espalha; opaco bloqueia, e onde há bloqueio há sombra.
E o que acontece com a luz que chega a um corpo? Ela se divide em três frações que somam o total: uma refletida (volta), uma absorvida (fica, virando energia interna) e uma transmitida (atravessa). Corpo opaco é aquele em que a transmitida é zero; corpo branco é o que reflete quase tudo; corpo preto, o que absorve quase tudo. Essa contabilidade é a base da cor dos objetos, que aqui entra só na seção de filtros, e do albedo, que está em propagação de calor.
Três princípios, e todo o resto sai deles
A ótica geométrica se sustenta em três afirmações sobre o comportamento dos raios. Nenhuma delas é uma lei sobre espelhos ou lentes; elas valem antes, e é delas que a reflexão e a refração vão herdar as regras.
Propagação retilínea, independência e reversibilidade
1. Propagação retilínea. Em um meio homogêneo e transparente, a luz se propaga em linha reta. É o princípio que cria a sombra, o eclipse e a câmara escura, e o que permite medir uma altura por uma sombra. As duas condições importam: em meio não homogêneo, como o ar quente sobre o asfalto, o raio encurva e produz a miragem (assunto de refração).
2. Independência dos raios. Raios que se cruzam seguem cada um o seu caminho como se o outro não existisse. A luz de dois projetores que se cruzam no palco não se desvia nem se mistura; cada feixe chega ao seu destino intacto. É o que torna possível uma sala cheia de gente ver, ao mesmo tempo, coisas diferentes: os raios de todos os objetos atravessam o mesmo ar em todas as direções sem se atrapalhar.
3. Reversibilidade. Se um raio vai de A a B por certo caminho, um raio de B a A percorre o mesmo caminho em sentido contrário. A trajetória não depende do sentido. Se você vê os olhos do motorista no retrovisor, o motorista vê os seus: a luz dos olhos dele chega a você pelo mesmo trajeto que a dos seus chega a ele.
A independência dos raios tem uma história que a prova já usou. Em 1690, Christiaan Huygens argumentou que, se a luz fosse feita de partículas de matéria lançadas do objeto ao olho, como flechas ou balas, raios vindos de direções opostas se atrapalhariam ao se cruzar; como eles se atravessam “sem se atrapalharem”, a luz não podia ser transporte de matéria. Era um argumento contra o modelo corpuscular defendido por Newton, e o ENEM de 2019 transformou o trecho em item. Você não precisa tomar partido na disputa: hoje se sabe que a luz tem os dois lados, como contará a página de dualidade onda-partícula, ainda em preparação. Precisa reconhecer o princípio por trás do argumento: raios independentes.
A reversibilidade parece a mais inofensiva das três e é a que mais rende nas páginas seguintes: é ela que garante que uma lente que reúne raios paralelos no foco também transforma em paralelos os raios que saem do foco, o que faz o farol do carro e o projetor funcionarem. Um aviso: reversível é a trajetória, não a intensidade. De um quarto escuro você vê quem está na rua iluminada; a pessoa na rua não o vê porque a luz que sai de você é fraca demais, não porque ela não faça o caminho de volta.
A sombra é um problema de semelhança de triângulos
Coloque um corpo opaco entre uma fonte puntiforme e um anteparo. Os raios que passam rente à borda do corpo delimitam, no anteparo, uma região que não recebe luz nenhuma: a sombra. Como os raios são retas, a borda da sombra é a projeção da borda do corpo, e o tamanho da sombra sai de uma proporção.
Fonte puntiforme: os raios que tangenciam a borda do disco formam dois triângulos semelhantes com vértice na fonte. A sombra tem borda nítida e cresce à medida que o anteparo se afasta ou o disco se aproxima da fonte. Diagrama autoral.
A geometria da sombra com fonte puntiforme
Fonte puntiforme F, corpo opaco de tamanho d a uma distância a da fonte, anteparo a uma distância b atrás do corpo. Os triângulos com vértice em F, um com base no corpo e outro com base na sombra, são semelhantes:
dD=aa+b
em que D é o tamanho da sombra. Como a+b>a, a sombra é sempre maior que o corpo quando a fonte é puntiforme e próxima; ela cresce quando o corpo se aproxima da fonte (a diminui) ou quando o anteparo se afasta (b aumenta). No limite em que a fonte está infinitamente longe, como o Sol, os raios chegam paralelos, a é enorme diante de b, a razão vale 1 e a sombra tem o mesmo tamanho do corpo, qualquer que seja a distância ao anteparo.
Esse último caso, o dos raios paralelos, é o que permite medir alturas com sombras. Ao Sol, a sombra de um poste e a de uma estaca ao lado dele são produzidas por raios que fazem o mesmo ângulo com o chão: os dois triângulos, altura e sombra, são semelhantes, e altura está para sombra na mesma razão nos dois. Um poste que projeta 4 m de sombra ao lado de uma pessoa de 1,5 m que projeta 2 m mede 1,5×4/2=3 m. Se, no mesmo instante, um poste de 6 m projeta 9 m, um muro de 2 m projeta 9×2/6=3 m. É a mesma conta com que Tales mediu a pirâmide, e ela está detalhada em Teorema de Tales e semelhança.
Raios paralelos: altura e sombra guardam a mesma razão para todos os objetos no mesmo instante (6/9=2/3), o que permite medir alturas sem subir. Ao Sol, a sombra de uma pessoa numa parede tem o tamanho dela em qualquer posição; só a nitidez muda. Diagrama autoral.
Exemplo com fonte puntiforme. Uma lâmpada pequena está a 1,2 m acima de uma mesa; um disco opaco de 10 cm de diâmetro é mantido paralelo à mesa a 40 cm de altura. Qual é o diâmetro da sombra na mesa? A distância da lâmpada ao disco é a=1,2−0,4=0,8 m; da lâmpada à mesa, a+b=1,2 m. Então D=10×1,2/0,8=15 cm. Conferindo: o disco está a dois terços do caminho da lâmpada até a mesa, então a sombra deve ser 3/2 do disco, e 15/10=3/2. Se o disco subir para 60 cm de altura, a=0,6 m e D=10×1,2/0,6=20 cm: mais perto da fonte, sombra maior, como manda a fórmula. É o princípio do teatro de sombras: a mão a meio caminho entre a lâmpada e a tela produz uma sombra com o dobro do tamanho da mão.
A prova prefere a versão inversa: dar a sombra e pedir uma distância. Um vestibular de 2024 mostrou uma caneta de 20 cm, mantida paralela a uma mesa a 15 cm de altura, cuja sombra sob uma lâmpada media 22 cm, e pediu a altura da lâmpada. Com a lâmpada a uma altura H, a distância da lâmpada à caneta é H−15 e a proporção fica 22/20=H/(H−15), logo 22H−330=20H e H=165 cm. Repare que a proporção usa a distância da fonte ao objeto e da fonte ao anteparo, nunca a distância do objeto ao anteparo sozinha: esse é o erro de montagem mais comum.
Ao Sol, afastar-se da parede não muda o tamanho da sombra
Sob a luz de uma lâmpada, quanto mais perto da lâmpada, maior a sombra: a intuição está certa, e a fórmula confirma. Mas a mesma intuição falha ao Sol. Os raios solares chegam paralelos, e a sombra de uma pessoa numa parede tem o tamanho da pessoa, esteja ela a um passo ou a dez metros da parede. O que muda com a distância é a nitidez: perto da parede a sombra é bem recortada; longe, a borda se esfuma, porque o Sol não é puntiforme. Um vestibular de 2024 mostrou as duas fotos, uma sombra nítida e outra borrada, e a resposta era: mesma altura, nitidez diferente, a borrada é a de quem estava mais longe da parede.
Penumbra: o que a fonte extensa acrescenta
Troque a lâmpada puntiforme por uma fonte que tem tamanho, um painel de LED, uma lâmpada tubular ou o disco do Sol. Cada ponto da fonte produz a sua própria sombra nítida do corpo, ligeiramente deslocada da sombra produzida pelo ponto vizinho. A soma de todas essas sombras tem duas regiões distintas.
Fonte extensa: a região que não recebe luz de nenhum ponto da fonte é a umbra; a que recebe luz de parte da fonte é a penumbra; além do vértice do cone de umbra, a antumbra, de onde o disco parece menor que a fonte e se vê um anel. Diagrama autoral.
Umbra, penumbra e antumbra
Sombra (ou umbra, do latim para sombra) é a região do espaço que não recebe luz de nenhum ponto da fonte: quem está nela não vê a fonte. Penumbra é a região que recebe luz de alguns pontos da fonte e não de outros: quem está nela vê a fonte parcialmente coberta pelo corpo, e a luminosidade cresce gradualmente do miolo escuro para a borda iluminada. Se o corpo é menor que a fonte, o cone de umbra se fecha num vértice a certa distância; além dele começa a antumbra, uma região de onde o corpo aparece inteiramente dentro do disco da fonte, deixando um anel de luz em volta. Com fonte puntiforme só existe sombra, de borda nítida; a penumbra é a assinatura de uma fonte extensa.
O tamanho de cada região sai da mesma semelhança de triângulos de antes, aplicada aos raios que saem das extremidades da fonte. Vale fazer uma conta completa, porque ela é o modelo do eclipse solar em escala de mesa. Uma fonte circular de 20 cm de diâmetro ilumina um disco opaco de 10 cm de diâmetro colocado a 40 cm dela, com os centros alinhados. Onde termina a umbra? O raio que sai da extremidade superior da fonte e tangencia a borda superior do disco desce 5 cm em 40 cm (de 10 cm acima do eixo para 5 cm acima do eixo): inclinação de 1 para 8. Ele cruza o eixo 40 cm depois do disco, isto é, a 80 cm da fonte, e ali, por simetria, encontra o raio que sobe da extremidade inferior. O cone de umbra tem 40 cm de comprimento atrás do disco; num anteparo a 20 cm do disco, o raio descendente está a 10−60/8=2,5 cm do eixo, e a umbra é um disco de 5 cm de diâmetro. A penumbra é delimitada pelo raio que sai da extremidade inferior da fonte e passa pela borda superior do disco: ele sobe 15 cm em 40 cm, e a 60 cm da fonte está a −10+60×15/40=12,5 cm do eixo; a penumbra é uma coroa entre 5 cm e 25 cm de diâmetro. Agora afaste o anteparo para 80 cm atrás do disco (120 cm da fonte): o raio descendente já cruzou o eixo, não há umbra, e o centro do anteparo está na antumbra, iluminado por um anel da fonte que o disco não cobre. A penumbra ali tem 2×(−10+120×15/40)=70 cm de diâmetro. Confira o sentido: mais longe do disco, a umbra encolhe até sumir e a penumbra cresce, exatamente o que se vê ao levantar a mão sob a luminária.
É por isso que a sombra de uma pessoa ao ar livre tem borda esfumada. O Sol tem meio grau de diâmetro aparente; a penumbra de uma borda cresce cerca de 1 cm para cada metro de distância entre o corpo e o chão (a tangente de meio grau é aproximadamente 0,009). A sombra dos pés é nítida; a da cabeça, a 1,7 m do chão, tem uma faixa borrada de uns 1,5 cm. E é por isso, também, que trocar a lâmpada de filamento da sala por um painel de LED grande faz a sombra dos objetos ficar mais “suave”: mesma umbra encolhida, mais penumbra.
Fotografia e a luz "dura" e "suave"
Fotógrafos chamam de luz dura a de uma fonte pequena e distante, que produz sombras de borda nítida e alto contraste, o sol do meio-dia ou o flash direto; e de luz suave a de uma fonte extensa, que envolve o rosto em penumbra e apaga a marca das sombras, a janela grande num dia nublado ou o flash rebatido no teto. O softbox de estúdio não faz mágica nenhuma: ele apenas aumenta o tamanho aparente da fonte para que a penumbra engula a umbra. Toda a “qualidade” da luz de um retrato é a razão entre o tamanho da fonte e a distância ao modelo.
Eclipses são sombras em escala astronômica
Um eclipse acontece quando um corpo entra na sombra de outro. É a mesma geometria da seção anterior com três esferas: o Sol como fonte extensa (1,4 milhão de quilômetros de diâmetro), a Lua e a Terra como corpos opacos, separados por 150 milhões de quilômetros (Sol–Terra) e cerca de 384 mil quilômetros (Terra–Lua).
Eclipse solar: a Terra entra na sombra da Lua (Lua nova); a umbra é uma mancha de até 270 km e a penumbra cobre milhares de quilômetros. Eclipse lunar: a Lua entra na sombra da Terra (Lua cheia); a umbra da Terra tem 2,6 Luas de diâmetro àquela distância. Fora de escala. Diagrama autoral.
Eclipse solar e eclipse lunar
Eclipse solar: a Lua fica entre o Sol e a Terra, e a sombra da Lua atinge a Terra. Só pode acontecer na Lua nova. Quem está na umbra vê o Sol totalmente coberto (eclipse total); quem está na penumbra vê o Sol parcialmente coberto (parcial); quem está na antumbra, quando o cone de umbra termina antes de chegar ao chão, vê a Lua menor que o Sol e um anel de Sol em volta dela (eclipse anular). Eclipse lunar: a Terra fica entre o Sol e a Lua, e a Lua entra na sombra da Terra. Só pode acontecer na Lua cheia. É total quando a Lua inteira mergulha na umbra, parcial quando só parte dela entra, penumbral quando ela atravessa só a penumbra e apenas escurece um pouco.
Os números explicam as diferenças que a prova cobra. O cone de umbra da Lua tem comprimento L tal que os triângulos Sol–vértice e Lua–vértice sejam semelhantes: L/DLua=(d+L)/DSol, com d a distância Sol–Lua. Com DSol=1,4×106 km, DLua=3,5×103 km e d=1,5×108 km,
A umbra da Lua mede cerca de 375 mil quilômetros. A distância Terra–Lua varia entre 363 mil e 406 mil quilômetros. Quando a Lua está mais perto, a ponta da umbra alcança o chão e o eclipse é total numa mancha de no máximo uns 270 km de largura, que varre a Terra a mais de 1 700 km/h; a totalidade dura poucos minutos, nunca mais que sete e meio. Quando a Lua está mais longe, a umbra termina no espaço, a Terra fica na antumbra e o eclipse é anular, como o de 14 de outubro de 2023 sobre o Nordeste brasileiro. O próximo eclipse solar total visível do Brasil será em 12 de agosto de 2045.
A umbra da Terra é outra história: com o dobro do diâmetro da Lua, o cone tem cerca de 1,4 milhão de quilômetros, e na distância da Lua ainda mede uns 9 200 km de largura, quase 2,6 diâmetros lunares. A Lua leva mais de uma hora para atravessá-la, e a totalidade de um eclipse lunar pode passar de uma hora e meia. Mais: como a Lua inteira está escurecida, o eclipse lunar é visto por todo o hemisfério noturno da Terra ao mesmo tempo, enquanto o solar total é visto por uma faixa estreita. É por isso que, do mesmo lugar, se veem muito mais eclipses lunares do que solares totais, embora eles ocorram em números parecidos por ano. Durante a totalidade a Lua não some: fica avermelhada, porque a atmosfera da Terra refrata e espalha um pouco de luz solar para dentro da umbra, deixando passar mais o vermelho. Esse detalhe é refração; a geometria da sombra prevê escuridão, e o vermelho é a atmosfera corrigindo o modelo.
Eclipse todo mês? E as fases são a sombra da Terra?
Se a Lua dá uma volta em torno da Terra a cada 29,5 dias, por que não há um eclipse solar em toda Lua nova e um lunar em toda Lua cheia? Porque a órbita da Lua está inclinada cerca de 5° em relação ao plano da órbita da Terra em torno do Sol. Na maioria dos meses, a Lua nova passa acima ou abaixo da linha Sol–Terra e a sombra dela erra a Terra; a Lua cheia passa acima ou abaixo da umbra terrestre. Só quando a fase coincide com o cruzamento dos dois planos (a linha dos nodos) há eclipse, em duas temporadas por ano. Um item do ENEM de 2019 pediu exatamente essa explicação diante da figura plana dos livros, que sugere alinhamento a cada meia volta. E o segundo engano: as fases da Lua não são a sombra da Terra. A parte escura da Lua na fase crescente é a metade dela que não está voltada para o Sol, a noite lunar; a sombra da Terra só toca a Lua no eclipse lunar, e nesse caso a borda da sombra é um arco de círculo grande, bem diferente do terminador reto ou pouco curvo das fases. Foi vendo esse arco circular em todos os eclipses lunares que Aristóteles concluiu que a Terra é esférica, como conta a história da astronomia.
Em 29 de maio de 1919, a umbra da Lua passou por Sobral (CE) e escureceu o céu o bastante para se fotografarem estrelas junto ao Sol e medir o desvio da luz delas previsto pela relatividade geral. A relatividade fica para a 3.ª etapa; o item de vestibular sobre Sobral costuma pedir só a geometria: quem se coloca entre quem, e de quem é a sombra que toca a Terra.
Câmara escura de orifício: a imagem antes da lente
Faça um furo pequeno numa das faces de uma caixa fechada e ponha papel vegetal na face oposta. Aponte o furo para uma janela iluminada, cubra a cabeça e a caixa com um pano escuro, e a janela aparece no papel: invertida e pequena, mas com cores e movimento. É a câmara escura de orifício, o ancestral da câmera fotográfica, e ela não tem lente nenhuma. É a propagação retilínea, e só ela, formando uma imagem.
Cada ponto do objeto envia um só raio pelo orifício até o anteparo; os raios se cruzam no furo e a imagem sai invertida. Os triângulos objeto–furo e imagem–furo são semelhantes: i/o=p′/p. Diagrama autoral.
A geometria da câmara escura
De cada ponto do objeto sai luz em todas as direções, mas só um raio, o que passa pelo orifício, alcança o anteparo. Como todos os raios se cruzam no furo, o topo do objeto é projetado embaixo e a base em cima: a imagem é invertida (de cima para baixo e da esquerda para a direita). Os triângulos com vértice no orifício, um com base no objeto e outro com base na imagem, são semelhantes:
oi=pp′
em que o é a altura do objeto, p a distância do objeto ao orifício, i a altura da imagem e p′ a profundidade da câmara (distância do orifício ao anteparo). A imagem cresce quando a câmara é mais funda (p′ maior) ou o objeto está mais perto (p menor).
Exemplo. Uma lata de 20 cm de comprimento, com um furo de agulha numa tampa e papel vegetal na outra, apontada para um poste de 4 m a 20 m de distância: i=o×p′/p=4×0,20/20=0,04 m, isto é, 4 cm, de cabeça para baixo. Uma árvore de 12 m a 30 m, numa câmara de 25 cm: i=12×0,25/30=0,10 m, 10 cm. Conferindo a segunda: o objeto está a 120 câmaras de distância (30/0,25), então a imagem deve ser 120 vezes menor que o objeto, e 12/120=0,10 m. A versão inversa também aparece: para que uma pessoa de 1,8 m caiba numa imagem de 9 cm numa câmara de 30 cm de fundo, p=o×p′/i=1,8×0,30/0,09=6 m.
O tamanho do orifício é um compromisso entre duas exigências contrárias. Furo grande deixa passar muita luz (imagem clara), mas cada ponto do objeto vira uma mancha do tamanho do furo no anteparo, e a imagem fica borrada: a nitidez exige furo pequeno. Furo pequeno demais, porém, encontra o limite do modelo de raios: quando o diâmetro chega a poucos décimos de milímetro, a difração alarga a mancha em vez de encolhê-la. Para uma câmara de 20 cm de fundo e luz visível, o melhor furo tem cerca de meio milímetro. A lente resolve o dilema ao juntar num só ponto os raios que passam por uma abertura grande, e é por isso que a câmera fotográfica trocou o furo pela lente; mas a imagem invertida, a proporção por semelhança e a ideia de “um raio por ponto” continuam lá, e voltam na página de lentes e visão (em preparação), onde o olho é uma câmara escura com lente e a retina é o papel vegetal.
Dois milênios e meio de câmara escura
O filósofo chinês Mozi, no século V a.C., já descrevia a imagem invertida formada por um furo numa sala escura. Ibn al-Haytham (Alhazen), em Basra e no Cairo por volta do ano 1021, usou a câmara escura para demonstrar que a luz vai do objeto ao olho, e não o contrário, derrubando a teoria dos raios visuais. Pintores do Renascimento usaram câmaras do tamanho de um quarto para traçar perspectivas, e foi Kepler quem, em 1604, deu o nome camera obscura. A fotografia nasceu quando se pôs, no lugar do papel vegetal, uma superfície que reagisse à luz.
Uma aplicação que a prova gosta: medir o diâmetro do Sol com um furo. Um cartão furado projeta a imagem do Sol numa superfície a uma distância h; mede-se o diâmetro d da imagem. Com H a distância Sol–Terra, a semelhança dá DSol=d⋅H/h. Com uma imagem de 9,3 mm numa projeção a 1,00 m e H=1,5×108 km, sai DSol=9,3×10−3×1,5×108/1≈1,4×106 km, o valor certo. A razão d/h≈0,0093 é a tangente do meio grau do diâmetro aparente do Sol, o mesmo número que dava o crescimento da penumbra por metro. É a mesma geometria vista de dois lados: na câmara escura o Sol é o objeto; na penumbra, ele é a fonte.
Cor lida como raio: o que um filtro faz
A cor de um objeto é assunto da página de ondas eletromagnéticas: a cor é a frequência da luz, e um corpo opaco tem a cor da luz que reflete, absorvendo as demais. Aqui interessa só a versão que se desenha com raios, porque ela decide itens com uma frase. A luz branca do Sol é a mistura de todas as cores visíveis. Um filtro é um meio transparente para uma faixa de cor e opaco para as outras: o filtro vermelho deixa passar o vermelho e absorve o resto. Ele não acrescenta cor nenhuma à luz; ele subtrai. Por isso luz branca atravessando um filtro vermelho sai vermelha, e luz azul pura tentando atravessar um filtro vermelho não sai: o filtro fica preto para ela.
Com objetos é a mesma contabilidade. Um pigmento verde devolve a componente verde da luz que recebe. Sob luz branca, ele parece verde. Sob luz monocromática azul, não recebe verde nenhum e não tem o que devolver: parece preto. Uma tela com pigmentos puros azul, verde e amarelo, iluminada só por luz azul num quarto escuro, mostra azul e preto, e mais nada. A prova do PAS 2 de 2020 afirmou que um observador veria “azul, verde e preto” diante da Noite estrelada iluminada assim, e o item estava errado por causa do verde. Em 2014 (item 56), a regra veio em estado puro e certa: a cor que se vê de um objeto depende da cor que ele consegue refletir e da cor da luz que o ilumina. Regra de duas linhas, três itens.
Filtro e pigmento fazem a mesma coisa: transmitem ou refletem uma faixa e absorvem o resto. Nenhum dos dois cria cor; ambos subtraem. Sob luz que não contém a cor que ele devolve, o pigmento parece preto. Diagrama autoral.
"O filtro pinta a luz"
Um filtro não adiciona cor: ele remove as outras. Dois filtros em série só deixam passar o que os dois deixam passar; um vermelho seguido de um verde não produz amarelo, produz escuro. E um pigmento não “tem” cor sozinho: tem a capacidade de devolver certa faixa, que só se manifesta se essa faixa chegar até ele. Sempre que o item disser “sob luz monocromática”, pergunte primeiro o que a luz contém, depois o que o objeto devolve, e só então o que o olho vê.
Como a banca pergunta
Nas 19 provas da 2.ª etapa de 2007 a 2025, sombra, penumbra, eclipse e câmara escura não renderam item algum. Os princípios da ótica entraram na prova pela porta lateral: pela cor de um corpo opaco (2014/56, certo; 2020/18, errado) e pela reflexão difusa que torna uma obra visível de qualquer posição (2016/11, certo), sempre pendurados numa obra visual do caderno. Isso não torna esta página dispensável, pelo contrário: a matriz vigente lista “fenômenos óticos” no CN-E03, e os itens de espelhos, refração e lentes das próximas páginas pressupõem tudo o que está aqui, do raio à semelhança de triângulos. Quando o assunto vier direto, ele vai vir no formato em que o ENEM e os vestibulares já o cobram há anos:
A frase de definição (tipo A): “a Lua é uma fonte primária”, “a luz se propaga em linha reta em qualquer meio”, “a sombra de uma pessoa ao Sol cresce quando ela se afasta da parede”. Todas erradas por uma palavra: Lua reflete; linha reta exige meio homogêneo; ao Sol a sombra tem o tamanho do corpo. Leia o adjetivo.
A semelhança de triângulos disfarçada (tipos A, B e C): poste e sombra; lâmpada, objeto e sombra; câmara escura. A montagem certa usa distâncias medidas a partir da fonte (ou do furo). O item de 2024 da caneta (H=165 cm) e o do diâmetro do Sol (D=dH/h) são o padrão.
Quem se coloca entre quem (tipo C, ENEM/vestibular): eclipse solar é a Lua entre o Sol e a Terra e a sombra da Lua na Terra, em Lua nova; lunar é a Terra entre o Sol e a Lua, em Lua cheia. Os distratores trocam a ordem ou trocam sombra por penumbra. O item de Sobral (1919) é esse.
Por que não há eclipse todo mês (ENEM 2019): inclinação de 5° entre as órbitas; o alinhamento só ocorre na linha dos nodos.
Ler um mapa de eclipse: faixa de 100% é umbra (total), faixas de porcentagem menor são penumbra (parcial), fora delas o Sol está inteiro. Um vestibular de 2019 pediu exatamente a leitura do mapa do eclipse de 2 de julho daquele ano.
Cor sob luz monocromática (PAS 2 2014/56, 2020/18): o que a luz traz, o que o pigmento devolve, o que sobra.
Vizinhos disfarçados: o espelho de Manet que “viola os princípios da ótica geométrica” (2009/49) é a lei da reflexão, assunto da página de espelhos (em preparação); a miragem, a poça “mais refringente” e a fibra óptica são refração; o olho como câmara escura com lente é a página de lentes e visão (em preparação).
Os erros que a prova planta
Dez tropeços, um por linha
“Vemos o objeto.” Vemos a luz que ele envia. Um objeto opaco é visível porque reflete difusamente; sem difusão, não se vê (2016/11).
“A Lua brilha.” A Lua é fonte secundária: reflete cerca de 12% da luz do Sol. As fases são a metade iluminada vista de ângulos diferentes, não a sombra da Terra.
“A luz anda em linha reta.” Só em meio homogêneo e transparente. No ar quente sobre o asfalto, o raio encurva.
Sombra confundida com penumbra. Umbra: não vê nenhum ponto da fonte. Penumbra: vê parte da fonte. Fonte puntiforme não faz penumbra.
“Ao Sol, a sombra cresce quando me afasto da parede.” Raios paralelos: mesmo tamanho; muda a nitidez.
Proporção montada com a distância errada. Use as distâncias medidas a partir da fonte: D/d=(a+b)/a, nunca b/a. Na câmara escura, a partir do furo: i/o=p′/p.
Câmara escura de cabeça para cima. A imagem é invertida, sempre; e furo maior dá imagem mais clara e menos nítida.
Eclipse solar em Lua cheia. Solar: Lua nova, Lua entre Sol e Terra. Lunar: Lua cheia, Terra entre Sol e Lua.
“Eclipse todo mês.” A órbita da Lua está inclinada 5°; só há eclipse quando a fase coincide com a linha dos nodos.
“O filtro acrescenta cor.” Filtro subtrai: deixa passar a sua faixa e absorve o resto. Pigmento sob luz que não traz a cor dele parece preto.
O essencial em meia página
Raio: linha orientada que representa a direção da luz; feixe: conjunto de raios, paralelo (Sol), divergente (lâmpada) ou convergente (lupa). A ótica geométrica vale se os obstáculos são muito maiores que λ (400–700 nm); abaixo disso, difração. A luz demora: c=3×108 m/s; ano-luz ≈9,5×1012 km.
Três princípios: propagação retilínea (meio homogêneo e transparente); independência dos raios (cruzam-se sem se afetar: Huygens, ENEM 2019); reversibilidade (mesmo caminho nos dois sentidos: retrovisor).
Sombra, fonte puntiforme: D/d=(a+b)/a, distâncias a partir da fonte; borda nítida; cresce ao aproximar o corpo da fonte ou afastar o anteparo. Sol (raios paralelos): sombra do tamanho do corpo; alturas por sombras: h1/s1=h2/s2 (poste 6 m/9 m → muro 2 m/3 m).
Fonte extensa: umbra (nenhum ponto da fonte visível), penumbra (parte da fonte), antumbra (além do vértice da umbra: anel). Ao Sol, a penumbra cresce ~1 cm por metro de altura do corpo.
Eclipses: solar = sombra da Lua na Terra, Lua nova; total (umbra, faixa ≤ 270 km, ≤ 7,5 min), parcial (penumbra), anular (antumbra; Lua longe: umbra de ~375 mil km < distância Terra–Lua). Lunar = Lua na sombra da Terra, Lua cheia; umbra terrestre ~9 200 km na Lua (2,6 Luas), totalidade até ~1 h 40 min, visível de todo o hemisfério noturno. Não há eclipse todo mês: inclinação de 5°. Fases ≠ sombra da Terra.
Câmara escura: um raio por ponto pelo furo; imagem invertida; i/o=p′/p (furo como vértice). Lata de 20 cm, poste de 4 m a 20 m → 4 cm. Furo maior: mais luz, menos nitidez; furo mínimo ~0,5 mm por difração. Diâmetro do Sol: D=dH/h.
Cor como raio: filtro transmite a sua faixa e absorve o resto (subtrai, não pinta); pigmento devolve a sua faixa; sob luz sem essa faixa, parece preto (2014/56 C; 2020/18 E).
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Aula 01 - Óptica Geométrica - Conceitos Iniciais
Davi Oliveira - Física 2.0 · 12:17
Introdução. Doze minutos com os conceitos que abrem a página: o que é luz para a ótica geométrica, raio e feixe, fontes primárias e secundárias, meios transparentes, translúcidos e opacos, e os três princípios. É o conteúdo das seções “O raio de luz é um modelo”, “Ver é receber luz” e “Três princípios” em formato de aula, para assistir antes de ler.
PRINCÍPIOS DA ÓPTICA E ECLIPSES - ÓPTICA - Aula 2 - Prof. Boaro
Professor Boaro · 29:21
Aprofundamento. Meia hora que liga os princípios às consequências: propagação retilínea, independência e reversibilidade, depois sombra, penumbra e os eclipses solar e lunar desenhados com os cones de sombra da Lua e da Terra. É a sequência das seções “Penumbra: o que a fonte extensa acrescenta” e “Eclipses são sombras em escala astronômica”; compare o desenho dele com o diagrama dos eclipses desta página.
Como fazer CINEMA NA CAIXA | câmara escura - EXPERIÊNCIA de FÍSICA
Manual do Mundo · 4:42
Aplicação. Menos de cinco minutos para construir uma câmara escura com uma caixa, um furo e papel vegetal e ver a rua aparecer invertida no fundo. É a seção “Câmara escura de orifício” feita com as mãos: repare no efeito de aumentar o furo (mais luz, menos nitidez) e meça a imagem para conferir a proporção i/o=p′/p.
Aula 05 - Óptica Geométrica I - Exercícios: câmara escura e eclipses
Portal da Física OBMEP · 11:41
Resolução. Dois exercícios resolvidos passo a passo pelo professor Rafael Juca (Portal da Física da OBMEP/IMPA): um de formação de imagem em câmara escura, com a semelhança de triângulos montada a partir do furo, e um de eclipses solar e lunar. Assista depois de resolver os exercícios desta página sobre câmara escura e eclipses e compare o método.
Um raio é a direção da luz; um feixe é um conjunto de raios. Paralelo (Sol), divergente (lâmpada) e convergente (lupa). O modelo vale enquanto os obstáculos forem muito maiores que o comprimento de onda da luz. Diagrama autoral.Fonte puntiforme: os raios que tangenciam a borda do disco formam dois triângulos semelhantes com vértice na fonte, D/d=(a+b)/a. A sombra tem borda nítida e cresce quando o anteparo se afasta ou o disco se aproxima da fonte. Diagrama autoral.Fonte extensa: a região que não recebe luz de nenhum ponto da fonte é a umbra; a que recebe luz de parte da fonte é a penumbra; além do vértice do cone de umbra, a antumbra, de onde o disco parece menor que a fonte e se vê um anel. Diagrama autoral.Eclipse solar: a Terra entra na sombra da Lua (Lua nova); a umbra é uma mancha de até 270 km e a penumbra cobre milhares de quilômetros. Eclipse lunar: a Lua entra na sombra da Terra (Lua cheia); a umbra da Terra tem 2,6 Luas de diâmetro àquela distância. Fora de escala. Diagrama autoral.Cada ponto do objeto envia um só raio pelo orifício até o anteparo; os raios se cruzam no furo e a imagem sai invertida. Os triângulos objeto–furo e imagem–furo são semelhantes: i/o=p′/p. Diagrama autoral.Raios paralelos: altura e sombra guardam a mesma razão para todos os objetos no mesmo instante (6/9=2/3), o que permite medir alturas sem subir. Ao Sol, a sombra de uma pessoa numa parede tem o tamanho dela em qualquer posição; só a nitidez muda. Diagrama autoral.Filtro e pigmento fazem a mesma coisa: transmitem ou refletem uma faixa e absorvem o resto. Nenhum dos dois cria cor; ambos subtraem. Sob luz que não contém a cor que ele devolve, o pigmento parece preto. Diagrama autoral.
Rota PAS 2
Ótica geométrica e introdução à física moderna · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Ótica geométrica e introdução à física moderna · Abertura (colher, retrovisor, óculos, placa solar, câmera); Antes de começar: dez minutos de aquecimento (ideia 4: semelhança de triângulos, poste e sombra, exemplo-guia da câmara escura de lata; checagem poste 6 m/9 m → muro 2 m/3 m); O que cai daqui (tabela e radar: 'Raios, sombras e cor', 2 itens, 2020 e 2022); Raios, sombras e a cor das coisas (propagação retilínea, três destinos da luz, cor refletida, albedo, reflexão especular e difusa, limite do modelo de raios, itens 2014/56, 2020/18, 2022/59, 2016/11 e 2009/49); Leia como na prova (roteiro de leitura do bloco); Como a banca cobra (histórico por assunto)
Recorte por assunto: só os princípios, as fontes, os meios, sombra/penumbra, eclipses e câmara escura. O capítulo é curto neste recorte; a página acrescenta, com dados conferidos, umbra/penumbra/antumbra, a geometria dos eclipses (cone de umbra da Lua ≈ 375 mil km, inclinação de 5°, datas de 2023, 2025, 2045 e 1919) e a câmara escura (histórico, furo ótimo). Espelhos, refração, dispersão, lentes e olho ficam nas páginas irmãs; a cor como frequência está em ondas-eletromagneticas.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) e classificações por tema · PAS 2 2014 (item 56), 2016 (item 11), 2020 (item 18), reutilizados por GUID das páginas ondas-eletromagneticas e fenomenos-ondulatorios; varredura das classificações da 1.ª, 2.ª e 3.ª etapas (2005–2025) por sombra, penumbra, eclipse, câmara escura e propagação retilínea
A varredura não encontrou item de sombra, eclipse ou câmara escura em nenhuma etapa; os itens reservados ao bloco de óptica (2009/106–107 e 109, 2010/118 e 121, 2014/110, 2018/78, 2019/70, 2020/105, 2022/105–107, 2023/97–98 e 100–101) são de refração e espelhos e ficaram para as páginas irmãs. Os itens reais desta página vêm do ENEM (2019 regular e PPL) e de vestibulares (FATEC 2019, UEA 2019 e 2024, UFU 2024, UECE 2024, INSPER 2019), vinculados por GUID do banco central após leitura das figuras.