Por que o espelho do provador, mais baixo que você, mostra você da cabeça aos pés sem que precise recuar, enquanto a etiqueta refletida continua ao contrário a qualquer distância, e por que a mesma colher polida mostra você pequeno e de cabeça para baixo pelo lado de dentro e direito pelo lado de fora, sempre?
O que você vai aprender
Enunciar as duas leis da reflexão medindo os ângulos a partir da normal, distinguir reflexão especular de difusa e relacionar a lei da reflexão ao princípio do tempo mínimo de Fermat.
Construir a imagem de um objeto num espelho plano pelos prolongamentos dos raios refletidos e recitar sua ficha: virtual, direita, do mesmo tamanho, simétrica e enantiomorfa, sabendo por que 'isomorfa', 'real' e 'depende da distância' são erros.
Calcular distâncias objeto–imagem (2d) e velocidades relativas (2v) no espelho plano e explicar por que o tamanho aparente muda sem que o tamanho da imagem mude.
Determinar o comprimento mínimo de um espelho de corpo inteiro (metade da altura) e a posição de suas bordas, justificando por semelhança de triângulos por que o resultado não depende da distância; descrever o campo visual de um espelho plano.
Aplicar as regras da translação (imagem anda 2d) e da rotação (raio refletido gira 2θ) de um espelho plano e a fórmula N = 360°/α − 1 para a associação de dois espelhos, com os casos 90°, 60° e 45°.
Identificar os elementos de um espelho esférico (C, R, V, eixo principal, F) e usar f = R/2 nas condições de Gauss, reconhecendo a aberração esférica e o papel do espelho parabólico.
Traçar os quatro raios notáveis e construir geometricamente a imagem nos cinco casos do espelho côncavo e no caso único do convexo, ligando cada caso a uma aplicação.
Resolver a equação de Gauss 1/f = 1/p + 1/p′ e o aumento A = −p′/p com a convenção de sinais, nos dois sentidos (dado o espelho, achar a imagem; dada a imagem, achar o espelho), e ler o sinal de p′ como a natureza da imagem.
Explicar por que o retrovisor é convexo, o espelho de maquiagem é côncavo usado dentro do foco, o farol tem a lâmpada no foco, o forno solar concentra no foco e o telescópio refletor usa um espelho primário côncavo.
Resolver os itens do PAS sobre espelhos (2009/49, 2012/81–82, 2013/109–110, 2014/109–110, 2015/84–85, 2017/103 e 105, 2021/101–103) reconhecendo os erros plantados: R no lugar de f, F no lugar de C, convexo com imagem real, isomorfa no lugar de enantiomorfa.
No provador de uma loja, você recua três passos e a sua imagem parece encolher; volta, e ela cresce de novo. Mas a etiqueta da camisa, refletida, continua com as letras ao contrário e do mesmo tamanho ilegível, perto ou longe. E o espelho da parede é mais baixo que você e, mesmo assim, mostra você da cabeça aos pés, sem que precise se afastar para “caber”. Agora pegue uma colher de sopa bem polida: pelo lado de dentro, de longe, você aparece pequeno e de cabeça para baixo; aproxime até quase encostar no nariz e a imagem vira, fica direita e maior. Pelo lado de fora, você aparece sempre direito e sempre pequeno, a qualquer distância. Quatro observações de cinco minutos, e todas saem de uma única regra sobre como a luz volta de uma superfície lisa, mais um ponto chamado foco.
Esta página é a do assunto espelhos: as leis da reflexão, o espelho plano com tudo o que ele faz com a imagem (simetria, tamanho, campo visual, espelho de corpo inteiro, translação, rotação, associação de dois espelhos) e os espelhos esféricos, côncavo e convexo, com a construção geométrica das imagens, a equação de Gauss com a convenção de sinais e as aplicações que a banca gosta de citar: retrovisor, espelho de maquiagem, farol, forno solar, telescópio refletor. O que a luz faz ao atravessar uma superfície, com Snell e a reflexão total, está em refração da luz (página em preparação); as lentes, o olho e os óculos, em lentes e visão (página em preparação); a propagação retilínea, as sombras e a cor dos objetos, em princípios da óptica geométrica. A reflexão como fenômeno de qualquer onda, inclusive do som, está em fenômenos ondulatórios; aqui ela entra pelo caso que rende itens: a luz e o espelho.
Duas leis, uma régua: como a luz volta de uma superfície
Toda superfície devolve parte da luz que recebe. A diferença entre uma parede branca e um espelho não está em quanto refletem (uma parede caiada reflete mais luz que muitos espelhos), mas em como. A parede é rugosa na escala do comprimento de onda da luz: raios paralelos que chegam a ela saem espalhados em todas as direções, e por isso vemos a parede de qualquer lugar da sala, mas não vemos nada refletido nela. É a reflexão difusa. O espelho é liso nessa escala: raios paralelos que chegam saem paralelos, cada um obedecendo à mesma regra, e por isso ele forma imagens. É a reflexão especular (de speculum, espelho em latim). Uma poça de água parada, a superfície de um lago sem vento, o vidro de uma vitrine e a tela apagada de um celular fazem o mesmo papel.
As duas leis da reflexão
Tome o ponto em que um raio de luz atinge a superfície e trace ali a normal, a reta perpendicular à superfície. Chame de ângulo de incidênciai o ângulo entre o raio que chega e a normal, e de ângulo de reflexãor o ângulo entre o raio que sai e a normal. Então:
O raio incidente, o raio refletido e a normal estão no mesmo plano.
O ângulo de reflexão é igual ao ângulo de incidência: r=i.
Os ângulos se medem a partir da normal, nunca a partir da superfície. Um raio que chega fazendo 30° com o espelho tem ângulo de incidência de 60°; ele sai fazendo 60° com a normal do outro lado, e o ângulo entre o raio que chegou e o que saiu é 60°+60°=120°. Um raio que chega ao longo da própria normal (i=0) volta sobre si mesmo.
As duas leis da reflexão medem tudo a partir da normal: r=i. Numa superfície lisa (especular) raios paralelos saem paralelos e formam imagem; numa superfície rugosa (difusa) saem espalhados, e é isso que nos deixa ver os objetos, sem vê-los "refletidos". Diagrama autoral.
Essas leis não são um capricho da luz. Elas saem do comportamento de qualquer onda ao encontrar um obstáculo (a página de fenômenos ondulatórios mostra a mesma regra para ondas na água e para o som, o eco) e também de um princípio mais geral, que a banca já cobrou com nome e sobrenome: o princípio de Fermat, ou do tempo mínimo. Entre todos os caminhos que a luz poderia percorrer de um objeto até um observador tocando um espelho plano, o que ela de fato percorre é o de menor tempo; e, como no mesmo meio a velocidade não muda, é também o de menor comprimento. Se você desenhar vários caminhos do objeto ao olho com uma reflexão no espelho e medir, o mais curto é exatamente aquele em que os dois ângulos com a normal são iguais. Foi isso que a 2.ª etapa de 2014 perguntou: “O Princípio de Mínima Ação explica por que, na situação em questão, são iguais os ângulos que os raios incidente e refletido fazem com a normal em relação ao espelho.” Gabarito C. O item vizinho pedia para ordenar os tempos de quatro caminhos desenhados, e nós o lemos na seção “Como a banca pergunta”.
O que o espelho plano faz com a imagem
Ponha um objeto pontual (a ponta acesa de um palito, digamos) diante de um espelho plano e siga dois raios que saem dele e refletem. Os raios refletidos divergem, isto é, se afastam um do outro; nenhum deles se cruza de novo. Mas, se você os prolongar para trás, para dentro do espelho, os prolongamentos se cruzam num ponto atrás da superfície, e é de lá que a luz parece vir para quem olha. Esse ponto é a imagem. Como nenhum raio de luz passa por ele (atrás do espelho há parede), a imagem é virtual.
A ficha do espelho plano
Para qualquer objeto real diante de um espelho plano, a imagem é:
virtual: formada pelos prolongamentos dos raios refletidos, atrás do espelho; não pode ser projetada numa tela colocada ali, porque ali não chega luz;
simétrica ao objeto em relação ao plano do espelho: a imagem fica à mesma distância do espelho que o objeto, um de cada lado (d′=d), e o segmento objeto–imagem é perpendicular ao espelho;
do mesmo tamanho do objeto (i=o, ampliação A=+1);
direita: não fica de cabeça para baixo;
enantiomorfa: tem a forma do objeto, mas não é superponível a ele, como a mão direita e a mão esquerda. A simetria troca frente por trás; a troca aparente de esquerda por direita é consequência disso.
A distância entre uma pessoa e a própria imagem é 2d: a 3 m do espelho, ela está a 6 m da imagem; se avança 1 m, a imagem avança 1 m do outro lado, e a separação cai para 4 m. Se ela caminha para o espelho a 1 m/s, a imagem se aproxima dela a 2 m/s.
A imagem no espelho plano nasce dos prolongamentos dos raios refletidos: virtual, simétrica (d′=d), do mesmo tamanho e direita. O olho recebe raios divergentes e os lê como se viessem de um ponto atrás do espelho. Diagrama autoral.
Repare no que a ficha não diz. Ela não diz que a imagem “parece menor de longe”. A imagem de uma pessoa de 1,60 m mede 1,60 m a qualquer distância; o que encolhe quando você se afasta é o ângulo com que a imagem é vista, exatamente como um amigo do outro lado da rua “parece menor” sem ter mudado de tamanho. A 2.ª etapa de 2013 desenhou uma jovem de 1,60 m diante do espelho e afirmou: “Na situação apresentada, o tamanho da imagem refletida depende da distância que a jovem mantenha do espelho.” Gabarito E. Tamanho aparente e tamanho da imagem são coisas diferentes, e o item mora nessa diferença.
A ficha também não diz “isomorfa”. Em 2017, num texto sobre espelhos que distorcem, a banca escreveu: “A imagem de um objeto real formada por um espelho plano é virtual, isomorfa e do mesmo tamanho do objeto.” Duas palavras certas cercando uma errada. Isomorfo seria “da mesma forma e superponível”; a imagem é enantiomorfa, a forma espelhada, a que só se superpõe ao objeto depois de virada do avesso. Gabarito E. Quatro anos depois, sobre a fotografia Atrás da estação Saint Lazare, de Cartier-Bresson, em que um homem salta sobre uma poça e a água parada faz de espelho, a mesma palavra apareceu no sentido correto: o homem e o reflexo são simétricos em relação à superfície da água (item 101, C) e apresentam enantiomorfismo (item 102, C); a semelhança entre eles não é “astigmatismo”, que é um defeito de visão, não uma propriedade de espelhos (item 103, E).
"O espelho troca a esquerda pela direita"
Levante a mão direita diante do espelho: a imagem levanta a mão que está do mesmo lado que a sua direita. O que o espelho inverte é frente e trás: o que aponta para o espelho, na imagem, aponta para você. A troca de esquerda por direita é o que você percebe ao imaginar-se no lugar da imagem, virando 180° para encará-la; a letra impressa na camiseta aparece invertida porque a frente virou trás, não porque o espelho “sabe” onde é a esquerda. Isso é o enantiomorfismo: mesma forma, orientação oposta, sem superposição possível por deslocamento ou giro. E, sim, a imagem virtual se vê e se fotografa: a câmera recebe os mesmos raios divergentes que o olho e forma, no sensor, uma imagem real da imagem virtual. Virtual não é “inexistente”; é “não projetável no lugar onde parece estar”.
Metade da altura, a qualquer distância
Para ver os próprios pés no espelho, o raio que sai do pé e chega ao seu olho precisa tocar o espelho em algum ponto. Qual? Pelas leis da reflexão, com r=i, o triângulo formado pelo pé, pelo olho e pelo ponto de reflexão tem dois ângulos iguais com a normal, e o ponto de reflexão fica exatamente na metade da altura entre o pé e o olho. O mesmo vale para o topo da cabeça: o raio que vem de lá toca o espelho na metade da distância vertical entre o topo da cabeça e o olho. Logo, o espelho só precisa cobrir, na vertical, da metade da distância olho–pé (abaixo do olho) até a metade da distância olho–topo (acima do olho). Somando, metade da altura da pessoa.
Espelho de corpo inteiro: cada ponto do corpo é visto no ponto médio entre ele e o olho, então basta cobrir metade da altura, com a borda superior a meio caminho entre os olhos e o topo da cabeça. Afaste-se ou aproxime-se: os pontos médios acompanham e a faixa fica a mesma. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido: a jovem de 2013. Uma jovem de 1,60 m, com os olhos 10 cm abaixo do topo da cabeça (logo a 1,50 m do chão), quer ver a imagem completa num espelho plano vertical. Conta: para ver os pés, o espelho precisa descer até 1,50/2=0,75 m do chão; para ver o topo da cabeça, precisa subir até 1,50+0,10/2=1,55 m. Comprimento mínimo: 1,55−0,75=0,80 m. Conferência:1,60/2=0,80 m, metade da altura. Foi o item tipo C de 2013, gabarito D (80 cm), e as opções erradas (65, 70, 75 cm) são para quem divide o número errado ou desconta os 10 cm dos olhos duas vezes.
A geometria por trás da metade é a semelhança de triângulos da página de Tales: o ponto de reflexão é o ponto médio da vertical porque a imagem está tão longe do espelho quanto a pessoa, e uma reta que vai da imagem ao olho cruza o plano do espelho a meio caminho. Como a proporção não envolve a distância ao espelho, o resultado não depende de quanto você se afasta. Um espelho de 85 cm serve a qualquer pessoa de até 1,70 m; um de 80 cm não serve a alguém de 1,80 m, mesmo que ela recue até a outra parede: recuando, os pontos médios recuam junto, e a faixa necessária continua com 90 cm. A ideia de que “de longe cabe mais” vale para o ambiente refletido, que de fato aparece em maior extensão, e não para o próprio corpo.
Campo visual de um espelho plano
O campo visual é a região do espaço cujos pontos podem ser vistos refletidos por um observador fixo. Constrói-se assim: marque a imagem O′ do olho do observador (simétrica ao olho em relação ao espelho) e trace de O′ retas pelas bordas do espelho; a região à frente do espelho delimitada por essas retas é o campo. Quanto mais perto do espelho estiver o olho, mais aberto o cone, e mais coisas do ambiente aparecem. É por isso que um espelho pequeno perto do rosto mostra a sala inteira atrás de você, e o mesmo espelho longe mostra só um pedaço. O tamanho do seu corpo que aparece, porém, é fixado pela regra da metade e não muda com a distância.
Mova o espelho: a imagem anda o dobro
Duas situações em que o espelho se mexe, e não o objeto, decidem itens que parecem difíceis e não são.
Translação e rotação de um espelho plano
Translação. Se o espelho se afasta do objeto de uma distância d (perpendicularmente ao próprio plano), a imagem se afasta do objeto de 2d. Razão: antes, objeto e imagem estavam a x do espelho cada um, separados por 2x; depois, a x+d cada um, separados por 2(x+d). Em velocidades: espelho a v em relação ao objeto parado, imagem a 2v.
Rotação. Se o espelho gira um ângulo θ em torno de um eixo no seu plano, mantido fixo o raio incidente, o raio refletido gira 2θ. Razão: a normal gira θ, então o ângulo de incidência muda θ; como o ângulo de reflexão acompanha, o raio refletido se desvia de θ pelo lado da normal e de mais θ pela lei r=i: 2θ no total.
Translação de d move a imagem de 2d; rotação de θ gira o raio refletido de 2θ. Nos dois casos o fator 2 vem da simetria: o que o espelho faz, a imagem faz "do outro lado". Diagrama autoral.
O fator 2 da rotação é a base de instrumentos antigos e atuais. O galvanômetro de espelho do século XIX colava um espelhinho na bobina que girava: um giro minúsculo da bobina virava um giro dobrado de um ponto luminoso numa escala a metros de distância. O sextante dos navegadores mede a altura do Sol pela rotação de um espelho e traz a escala graduada já com o dobro dos ângulos. Nos scanners de código de barras e nos projetores a laser, um pequeno espelho oscilante varre o feixe por um ângulo duas vezes maior que o seu.
Exemplo resolvido. Um raio de luz incide num espelho plano com ângulo de incidência de 20°. Gira-se o espelho de 15° em torno de um eixo que passa pelo ponto de incidência, no sentido que aumenta o ângulo de incidência. Conta: a normal gira 15°, o novo ângulo de incidência é 20°+15°=35°, o novo ângulo de reflexão também é 35°. O ângulo entre incidente e refletido passou de 2×20°=40° para 2×35°=70°. Como o incidente não se mexeu, o refletido girou 70°−40°=30°, o dobro dos 15° do espelho. Conferência:2θ=2×15°=30°.
Dois espelhos, muitas imagens
Dois espelhos planos que formam um ângulo α entre si multiplicam as imagens: a imagem de um vira objeto para o outro, e assim por diante, até que uma imagem caia atrás dos dois espelhos e não possa mais ser refletida.
Número de imagens em dois espelhos a α
Quando 360°/α é um número inteiro n, o número de imagens é
N=α360°−1.
Se n for par, o resultado vale para qualquer posição do objeto entre os espelhos; se n for ímpar, vale para o objeto sobre a bissetriz do ângulo (fora dela, aparece uma imagem a mais, N=n). Casos de prova: α=90° dá 3 imagens; α=60° dá 5; α=45° dá 7; α=30° dá 11. Dois espelhos paralelos (α→0) dão, em princípio, infinitas imagens, cada uma mais distante e mais fraca que a anterior, porque cada reflexão perde um pouco de luz.
Dois espelhos a 60°: as imagens se distribuem sobre uma circunferência centrada no vértice, e a última cai atrás dos espelhos, onde não há mais reflexão. 360°/60°−1=5. Diagrama autoral.
Todas as imagens ficam sobre uma circunferência centrada no vértice dos espelhos e que passa pelo objeto, porque cada reflexão preserva a distância ao plano do espelho e, portanto, ao vértice. Esse é o desenho do caleidoscópio (três espelhos a 60° formam um padrão de simetria hexagonal) e o do provador com dois espelhos em ângulo, que deixa você ver as próprias costas. Um caso particular vale a pena guardar: em dois espelhos a 90°, uma das três imagens, a que fica “no canto”, é formada por dupla reflexão e é isomorfa ao objeto, não enantiomorfa, porque duas trocas frente–trás se cancelam. É a imagem em que você se vê como os outros o veem, com a parte do cabelo do lado certo.
A colher e o foco na metade do raio
Um espelho esférico é um pedaço (uma calota) de uma esfera com uma das faces polida. Se a face refletora é a de dentro, como o lado côncavo da colher, o espelho é côncavo; se é a de fora, como o dorso da colher, é convexo. Toda a geometria dos dois sai de meia dúzia de nomes.
Elementos de um espelho esférico e a distância focal
Centro de curvaturaC: o centro da esfera de que o espelho é um pedaço; raio de curvaturaR: o raio dessa esfera.
VérticeV: o ponto central da calota, o “meio” do espelho.
Eixo principal: a reta que passa por C e por V. Qualquer reta que passe por C é uma normal ao espelho, porque toda reta que sai do centro de uma esfera fura a superfície perpendicularmente.
Foco principalF: o ponto do eixo em que se cruzam (côncavo) ou de que parecem divergir (convexo) os raios que chegam paralelos ao eixo. Distância focalf=VF.
Para raios próximos do eixo e pouco inclinados, as chamadas condições de Gauss (também “condições de nitidez”), o foco fica na metade do raio de curvatura:
f=2R.
No côncavo o foco é real (à frente do espelho, a luz passa por ele: dá para acender um papel ali). No convexo o foco é virtual (atrás do espelho; os raios refletidos apenas parecem vir dele).
De onde vem a metade? Tome um raio paralelo ao eixo que atinge o espelho côncavo num ponto I. A normal em I é a reta IC. O raio refletido faz com IC o mesmo ângulo θ que o incidente fazia, e o incidente, sendo paralelo ao eixo, fazia com IC o mesmo ângulo θ que IC faz com o eixo. Assim, o triângulo CFI tem dois ângulos iguais a θ: é isósceles, com FI=FC. Se I está perto do vértice, FI≈FV, e então FV≈FC: o foco fica a meio caminho entre V e C. A aproximação “I perto do vértice” é a condição de Gauss.
Elementos e raios notáveis. No côncavo, F e C estão à frente, e o foco é real; no convexo, atrás, e o foco é virtual. Em ambos, f=R/2 nas condições de Gauss. Diagrama autoral.
A banca gosta dessa metade porque ela é fácil de errar de propósito. Em 2012, um texto sobre geração de energia com “espelhos côncavos de Gauss” que concentram a radiação solar em motores Stirling postos no foco afirmou: “Se o raio de curvatura do espelho de Gauss for de 9 m, então o motor de Stirling, para localizar-se no foco, deve ser posicionado no eixo principal do espelho, a 3 m do vértice.” Metade de 9 m são 4,5 m, não 3 m: gabarito E. Em 2015, o telescópio Hubble, com espelho primário “em forma da calota de uma esfera de 2 m de raio”, rendeu: “Caso não existisse o espelho secundário, o foco do telescópio mostrado na figura estaria a 1 m do vértice do espelho primário.”f=2/2=1 m: gabarito C.
Um esclarecimento que evita confusão: raios longe do eixo, num espelho esférico muito aberto, não passam pelo mesmo foco; depois de refletidos, cruzam o eixo um pouco antes dele, mais perto do espelho, e a imagem de um ponto vira uma mancha. É a aberração esférica. Por isso faróis, antenas e telescópios sérios usam espelhos parabólicos, cuja forma leva todos os raios paralelos ao eixo a um único foco, sem aproximação. Nas condições de Gauss, porém, esfera e parábola se comportam do mesmo jeito, e é com a esfera que a prova trabalha.
A colher, os dois lados
A colher de sopa é o laboratório de bolso do assunto. Pelo lado de dentro (côncavo), de longe você se vê pequeno e de cabeça para baixo: está além do centro de curvatura, a imagem é real, invertida e menor, e fica no ar entre você e a colher; os seus olhos a enxergam porque os raios que a formam seguem divergindo depois dela. Aproxime a colher: a imagem cresce, fica gigantesca e borrada quando você passa pelo foco e, mais perto ainda, vira, direita e aumentada, atrás da colher. Pelo lado de fora (convexo), nada disso acontece: sempre direito, sempre menor, sempre “dentro” da colher. Uma bola de Natal espelhada mostra a sala inteira do mesmo modo.
Quatro raios desenham qualquer imagem
Para localizar a imagem de um ponto não é preciso conta: bastam dois raios de trajeto conhecido saindo desse ponto. Onde os refletidos se cruzarem (ou onde os prolongamentos se cruzarem), está a imagem.
Os raios notáveis
Raio paralelo ao eixo principal reflete-se passando pelo foco (côncavo) ou como se viesse do foco (convexo).
Raio que passa (ou se dirige) pelo foco reflete-se paralelo ao eixo. É o anterior lido de trás para a frente: a luz faz o mesmo caminho nos dois sentidos.
Raio que passa (ou se dirige) pelo centro de curvatura reflete-se sobre si mesmo, porque chegou ao longo de uma normal.
Raio que atinge o vértice reflete-se simetricamente em relação ao eixo principal, porque ali a normal é o próprio eixo: no vértice o espelho se comporta como um espelho plano.
O quarto raio foi item em 2012: “Um raio de luz incidente sobre o vértice do espelho côncavo tem reflexão simétrica em relação ao eixo principal do espelho.” Gabarito C.
Com os raios 1 e 3 (ou 1 e 2) saindo do topo de um objeto em forma de seta apoiado no eixo, a imagem do topo é o cruzamento, e a imagem do pé fica sobre o eixo, na mesma vertical. Cinco posições do objeto diante do espelho côncavo dão cinco imagens diferentes, e é este o quadro que a prova espera pronto na cabeça.
Os cinco casos do espelho côncavo. A fronteira é o foco: além dele a imagem é real e invertida (menor, igual ou maior conforme o objeto esteja depois, sobre ou antes de C); sobre o foco não há imagem; aquém do foco a imagem é virtual, direita e maior. Diagrama autoral.
objeto (côncavo)
imagem
onde
uso
além de C (p>R)
real, invertida, menor
entre F e C
telescópio refletor, colher de longe
sobre C (p=R)
real, invertida, igual
sobre C
(caso de referência)
entre C e F (f<p<R)
real, invertida, maior
além de C
projeção ampliada num anteparo
sobre F (p=f)
imprópria (no infinito)
raios paralelos
farol, lanterna, holofote
entre F e V (p<f)
virtual, direita, maior
atrás do espelho
maquiagem, dentista, barbeiro
O convexo tem um único caso. Como F e C estão atrás do espelho, os raios refletidos de qualquer objeto real divergem, e só os prolongamentos se encontram: a imagem é sempre virtual, direita e menor, e fica entre o vértice e o foco. A 2.ª etapa de 2017 trocou a ficha para ver quem percebia: “Nas condições de nitidez de Gauss, a imagem de um objeto real formada por um espelho esférico convexo é virtual, invertida e maior que o objeto.” Virtual, sim; invertida e maior, nunca. Gabarito E.
O convexo não escolhe: para qualquer objeto real, imagem virtual, direita e menor, entre V e F. Aproxime ou afaste o objeto, e só o tamanho da imagem muda um pouco. Diagrama autoral.
Gauss com sinais
A construção geométrica diz como é a imagem; a equação de Gauss diz onde e quanto. Ela vale para côncavos e convexos, e para lentes também (a página de lentes e visão (página em preparação) a usa com a mesma forma), desde que se respeite uma convenção de sinais.
Equação de Gauss e aumento linear
Com p a distância do objeto ao vértice, p′ a distância da imagem ao vértice e f a distância focal,
f1=p1+p′1,A=oi=−pp′,
em que A é o aumento linear transversal: a altura da imagem i dividida pela do objeto o.
símbolo
sinal
leitura
f
f>0 côncavo; f<0 convexo
f=R/2 em módulo
p
p>0 para objeto real (à frente do espelho)
é o caso de toda a prova
p′
p′>0: imagem real, à frente, projetável; p′<0: imagem virtual, atrás
o sinal é a natureza da imagem
A
A>0: direita; A<0: invertida
∣A∣>1 maior, ∣A∣<1 menor
Em palavras: o inverso da distância focal é a soma dos inversos das distâncias do objeto e da imagem; a imagem é tantas vezes maior que o objeto quanto p′ é maior que p; e o sinal de menos no aumento traduz o fato de que imagem real de objeto real é invertida.
Escreva a convenção antes da conta, todas as vezes. Quatro exemplos cobrem o que a prova faz com a equação.
Exemplo 1: o espelho de maquiagem. Espelho côncavo com R=80 cm, logo f=+40 cm. O rosto está a p=20 cm, dentro do foco. p′1=401−201=401−2=−401, logo p′=−40 cm: imagem virtual, 40 cm atrás do espelho. A=−20(−40)=+2: direita e com o dobro do tamanho. É o quinto caso do quadro, e o sinal de p′ chegou sozinho à mesma conclusão que o desenho. Conferência: um espelho de maquiagem que mostrasse o rosto invertido não venderia; A>0 é o esperado.
Exemplo 2: o mesmo espelho, rosto longe. Agora p=120 cm, além de C (R=80 cm). p′1=401−1201=1203−1=1202, logo p′=+60 cm: imagem real, 60 cm à frente, entre F (40) e C (80). A=−12060=−0,5: invertida e com metade do tamanho. Primeiro caso do quadro. É por isso que, ao afastar a colher, você se vê pequeno e de cabeça para baixo.
Exemplo 3: o retrovisor. Espelho convexo com R=2 m, logo f=−1 m. Um carro está a p=10 m. p′1=−11−101=−1011, logo p′≈−0,91 m: virtual, 91 cm atrás do espelho. A=−10(−0,91)≈+0,09: direita e onze vezes menor. Mude p para 5 m ou 50 m e refaça: p′ continua negativo (entre 0 e −1 m) e A continua positivo e menor que 1, porque f negativo e p positivo nunca somam zero. Conferência: o convexo não escolhe.
Exemplo 4: o tipo B do dentista. Espelho côncavo de f=2 cm; dente a p=1 cm. Pede-se a ampliação, multiplicada por 100. p′1=21−11=−21, logo p′=−2 cm e A=−1(−2)=2. Marcação: 200. Se o seu A der negativo com o objeto dentro do foco, há erro de sinal: refaça.
O caminho inverso também aparece: dada a imagem, achar o espelho. Um objeto a 30 cm de um espelho produz imagem real, invertida e duas vezes maior; qual é a distância focal? A=−2=−p′/p dá p′=60 cm (positivo, real, coerente). f1=301+601=603, logo f=20 cm, côncavo, e o objeto (30 cm) está de fato entre F (20) e C (40): terceiro caso, imagem maior e além de C. Tudo fecha.
O sinal de p' é a resposta, não um detalhe
Quem esquece que p′<0 significa “imagem virtual, atrás do espelho” acaba dizendo que o espelho de maquiagem projeta o rosto a 40 cm à frente, ou que o retrovisor forma imagem real. Regra: termine toda conta de Gauss com uma frase, “imagem a tantos centímetros atrás/à frente, direita/invertida, maior/menor”, e compare com o quadro dos cinco casos. Se a frase contradisser o quadro, o erro é de sinal. Segundo tropeço frequente: usar R no lugar de f. A equação leva a distância focal; se o enunciado dá o raio de curvatura, divida por 2 antes de qualquer coisa (2012/81 vive disso).
Onde cada espelho trabalha
Cada aplicação é um dos casos do quadro escolhido por uma razão.
Retrovisor externo e espelho de segurança de loja e garagem (convexo): imagem menor para cada objeto significa mais objetos dentro da mesma moldura; o campo de visão é muito maior que o de um espelho plano do mesmo tamanho. O preço é a advertência gravada nos retrovisores americanos, objects in mirror are closer than they appear: como a imagem é menor, o cérebro a lê como mais distante.
Espelho de maquiagem, de barbeiro, de dentista (côncavo, objeto entre F e V): imagem virtual, direita e ampliada, com A tipicamente entre 2 e 5. Se você afastar o rosto além do foco, a imagem vira: o espelho “estraga” para o uso.
Farol, lanterna, holofote, antena parabólica (côncavo, fonte no foco): raios que saem do foco refletem-se paralelos ao eixo, e a luz vai longe sem se espalhar. A antena faz o caminho inverso: ondas que chegam paralelas de um satélite concentram-se no receptor posto no foco.
Forno solar e usina heliotérmica (côncavo, Sol no infinito): a radiação chega paralela e concentra-se no foco, onde se põe a panela, o motor Stirling (o texto de 2012) ou o tubo com o fluido que vai virar vapor. Temperaturas de centenas de graus com espelhos e nada mais.
Telescópio refletor (côncavo, objeto no infinito): o espelho primário forma no foco uma imagem real, pequena e invertida da estrela; um espelho secundário desvia essa luz para a ocular ou para os instrumentos. Newton construiu o primeiro em 1668; o Hubble tem um primário de 2,4 m e o James Webb, 6,5 m em 18 segmentos hexagonais. Espelhos não sofrem aberração cromática (a reflexão não separa as cores, a refração separa) e podem ser apoiados por trás, o que permite diâmetros que nenhuma lente aguentaria.
Periscópio (dois espelhos planos a 45°): cada reflexão desvia a luz de 90° e a imagem final, depois de duas inversões frente–trás, é direita e isomorfa.
Sobre o Hubble, o item de 2015 que dependia da figura merece o raciocínio completo, porque ele é geometria pura. O primário tem R=2 m e f=1 m; a luz chega paralela e converge para F. O item propunha um espelho secundário plano no ponto médio da distância focal, a 0,5 m do vértice, e afirmava que sua altura deveria ser um quarto da altura H do primário. Mas o cone de luz que sai do primário com largura H se fecha até zero em F: a meio caminho, por semelhança de triângulos, sua largura é H/2, não H/4. Gabarito E. Um espelho de H/4 deixaria passar metade da luz por fora.
Como a banca pergunta
Os espelhos são presença regular na 2.ª etapa, quase sempre em pares pendurados num texto de outra área (arte, astronomia, energia). A lista abaixo é a arqueologia do assunto, com o que decidiu cada item.
Ficha do espelho plano, palavra por palavra. 2013/109 (“tamanho depende da distância”, E); 2017/103 (“isomorfa”, E); 2021/101–103 (simétricos, C; enantiomorfismo, C; “astigmatismo”, E). Decide-se recitando a ficha: virtual, direita, mesmo tamanho, simétrica, enantiomorfa.
Espelho de corpo inteiro. 2013/110, tipo C, gabarito D (80 cm para 1,60 m). Metade da altura, borda superior a meio caminho entre olhos e topo.
Fermat e a lei da reflexão. 2014/110 (C) e 2014/109 (E). A figura de 2014 trazia o objeto e o observador à mesma altura, 40 cm acima de um espelho plano, em posições simétricas (−40 cm e +40 cm de uma régua), e quatro caminhos L1 a L4 tocando o espelho em −30, −20, −10 e 0 cm. O caminho de menor tempo é o simétrico, que toca o espelho em 0 (ângulos iguais): L4. Logo t4<t3<t2<t1, o contrário da ordem afirmada. Ler uma figura de óptica é achar a simetria antes de medir qualquer coisa.
Foco na metade do raio. 2012/81 (9 m → 4,5 m, não 3 m: E); 2015/85 (2 m → 1 m: C). E a normal no vértice, 2012/82 (C).
Ficha do convexo. 2017/105 (“virtual, invertida e maior”: E). Convexo é direita e menor, sem exceção.
Leitura de figura com semelhança. 2015/84 (secundário plano a f/2 precisa de H/2, não H/4: E).
Arte e óptica. 2009/49, sobre Um bar no Folies-Bergère, de Manet: o quadro mostra ao fundo um grande espelho, e o reflexo da moça do balcão aparece deslocado muito para a direita, com um cliente refletido diante dela que não existe do lado de cá, e garrafas em posições que não batem com as do balcão. O item afirmava que há no quadro “representação de objetos que viola os princípios da óptica geométrica”: gabarito C, e é um dos casos raros em que a banca pede para aplicar a simetria do espelho plano a uma pintura. A resposta não é uma opinião de crítico: é a ficha da imagem simétrica confrontada com a tela.
Dois itens de 2017 (104 e 109), que perguntavam se o espelho da fotografia “certamente não é plano” e “certamente não é esférico”, foram anulados: a foto não permitia decidir. Guarde a lição: “certamente” num item de leitura de imagem é sinal de que a banca pode estar pedindo mais do que a figura dá.
Os erros que a prova planta
Nove tropeços, um por linha
“A imagem virtual não se vê.” Vê-se e fotografa-se; virtual quer dizer “formada por prolongamentos, não projetável onde parece estar”. Toda imagem de espelho plano é virtual, e você se olha nela todo dia.
“A imagem no espelho plano fica menor de longe.” O tamanho da imagem é o do objeto; o que muda é o ângulo visual (2013/109).
“Isomorfa” e “real” para a imagem do plano: é enantiomorfa e virtual (2017/103).
“O espelho troca esquerda e direita.” Troca frente e trás; a inversão lateral é a leitura que fazemos disso.
Espelho de corpo inteiro que “depende da distância”. É metade da altura, sempre; recuar não faz caber mais do corpo, só mais do ambiente.
Usar R no lugar de f.f=R/2; 9 m de raio dão foco a 4,5 m (2012/81); 2 m dão 1 m (2015/85).
Confundir F com C nos cinco casos. Sobre C a imagem é igual e invertida; sobre F não há imagem; entre F e V a imagem é virtual e maior.
Convexo que “forma imagem real” ou “invertida e maior” (2017/105). O convexo só faz virtual, direita e menor.
Sinal de p′ ignorado.p′<0 é imagem atrás do espelho; A=−p′/p positivo é imagem direita. Termine a conta com a frase completa e compare com o quadro.
O essencial em meia página
Leis da reflexão: raio incidente, refletido e normal no mesmo plano; r=i, medidos a partir da normal. Raio a 30° do espelho: i=60°, ângulo entre os raios 120°. Especular (lisa, forma imagem) × difusa (rugosa, permite ver os objetos). Fermat: o caminho real é o de menor tempo, e é o dos ângulos iguais (2014/110).
Espelho plano: imagem virtual, direita, do mesmo tamanho, simétrica (d′=d) e enantiomorfa (frente↔trás). Distância objeto–imagem 2d; aproxima-se a 2v. Tamanho não depende da distância (2013/109); “isomorfa” é erro (2017/103); “astigmatismo” é defeito de visão, não de espelho (2021/103).
Corpo inteiro: espelho de metade da altura, borda superior a meio caminho entre olhos e topo, independente da distância (1,60 m → 80 cm, 2013/110 D). Campo visual: imagem do olho + bordas do espelho; cresce quando o olho se aproxima.
Translação de d: imagem anda 2d (velocidade 2v). Rotação de θ: raio refletido gira 2θ.
Dois espelhos a α:N=360°/α−1 (90° → 3; 60° → 5; 45° → 7); paralelos → infinitas; imagens sobre uma circunferência centrada no vértice; a imagem de dupla reflexão a 90° é isomorfa.
Esféricos: côncavo (face interna, F real) × convexo (face externa, F virtual); C, V, eixo, f=R/2 nas condições de Gauss (raios paraxiais); espelho aberto → aberração esférica → parabólico.
Raios notáveis: paralelo ↔ foco; pelo centro volta sobre si; no vértice, simétrico ao eixo (2012/82).
Côncavo, cinco casos: além de C: real, invertida, menor; em C: igual; entre C e F: maior; em F: imprópria (farol); entre F e V: virtual, direita, maior (maquiagem). Convexo, um caso: virtual, direita, menor (retrovisor, campo amplo).
Aplicações: retrovisor/segurança (convexo); maquiagem/dentista (côncavo, p<f); farol/antena (fonte ou receptor no foco); forno solar/Stirling (Sol no infinito → foco; 2012); telescópio refletor (Newton 1668; Hubble 2,4 m, R=2 m no item de 2015 → f=1 m; secundário a f/2 precisa de H/2).
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Espelhos planos - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 7:38
Introdução. Sete minutos e meio do professor Rafael Helerbrock sobre o espelho plano: reflexão regular, formação da imagem pelos prolongamentos dos raios e a ficha da imagem (virtual, direita, mesmo tamanho, simétrica). É o conteúdo das seções “Duas leis, uma régua” e “O que o espelho plano faz com a imagem” em formato de aula, para assistir antes de ler; a descrição do vídeo aponta ainda para textos sobre translação e associação de espelhos planos, assuntos das duas seções seguintes.
ESPELHOS ESFÉRICOS (II) - COMO SE FORMAM AS IMAGENS EM ESPELHOS ESFÉRICOS? - Aula 6 - Prof. Boaro
Professor Boaro · 25:02
Aprofundamento. Vinte e cinco minutos dedicados só à construção geométrica: os raios notáveis e a formação das imagens no côncavo, caso a caso, e no convexo. É a seção “Quatro raios desenham qualquer imagem” desenhada no quadro, com o professor conduzindo cada traçado; assista com o quadro dos cinco casos ao lado e confira, ao final, a ficha única do convexo que derrubou o item PAS 2 2017/105.
Equação de Gauss - Espelhos Esféricos
Física Up - Profa. Carina Vellosa · 8:54
Aplicação. Nove minutos com a equação de Gauss e a convenção de sinais aplicadas a dois problemas enunciados na descrição do vídeo: objeto a 1 cm de um côncavo de foco 0,5 cm (posição e natureza da imagem) e imagem virtual a 50 cm atrás do espelho com objeto a 2 m (achar f e o tipo de espelho). São os dois sentidos da conta da seção “Gauss com sinais”: dado o espelho, achar a imagem; dada a imagem, achar o espelho.
5 EXERCÍCIOS ESPELHOS ESFÉRICOS - Equação de Gauss, aumento, formação de imagens e raios notáveis.
Física e Exercício · 45:40
Resolução. Cinco exercícios de espelhos esféricos resolvidos do início ao fim, com Gauss, aumento linear e raios notáveis, precedidos de uma revisão da teoria (foco real e virtual, centro de curvatura como dobro da distância focal, cinco casos), conforme a descrição detalhada do autor. Use depois dos exercícios desta página para conferir método e sinais nas seções “Gauss com sinais” e “Quatro raios desenham qualquer imagem”; é longo (45 min), então vale pular direto para os exercícios se a teoria já estiver firme.
As duas leis da reflexão medem tudo a partir da normal: r=i. Numa superfície lisa (especular) raios paralelos saem paralelos e formam imagem; numa rugosa (difusa) saem espalhados, e é isso que nos deixa ver os objetos. Diagrama autoral.A imagem no espelho plano nasce dos prolongamentos dos raios refletidos: virtual, simétrica (d′=d), do mesmo tamanho e direita. O olho recebe raios divergentes e os lê como se viessem de um ponto atrás do espelho. Diagrama autoral.Espelho de corpo inteiro: cada ponto do corpo é visto no ponto médio entre ele e o olho, então basta cobrir metade da altura, com a borda superior a meio caminho entre os olhos e o topo da cabeça. Afaste-se ou aproxime-se: a faixa fica a mesma (PAS 2 2013/110, 80 cm). Diagrama autoral.Translação de d move a imagem de 2d; rotação de θ gira o raio refletido de 2θ. Nos dois casos o fator 2 vem da simetria: o que o espelho faz, a imagem faz “do outro lado”. Diagrama autoral.Dois espelhos a 60°: as imagens se distribuem sobre uma circunferência centrada no vértice, e a última cai atrás dos espelhos, onde não há mais reflexão. 360°/60°−1=5. Diagrama autoral.Elementos e raios notáveis. No côncavo, F e C estão à frente e o foco é real; no convexo, atrás, e o foco é virtual. Em ambos, f=R/2 nas condições de Gauss. Diagrama autoral.Os cinco casos do espelho côncavo, com os valores de Gauss em cada painel (f=160 na escala do desenho). A fronteira é o foco: além dele a imagem é real e invertida; sobre ele não há imagem; aquém dele a imagem é virtual, direita e maior. Diagrama autoral.O convexo não escolhe: para qualquer objeto real, imagem virtual, direita e menor, entre V e F. Aproxime ou afaste o objeto e só o tamanho da imagem muda um pouco; em Gauss, f<0 e p>0 nunca dão p′>0. Diagrama autoral.
Rota PAS 2
Ótica geométrica e introdução à física moderna · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Ótica geométrica e introdução à física moderna · Espelho plano: a imagem do outro lado (conceito, exemplo-guia da loja, itens 2013/109, 2017/103, 2014/110, armadilha 'isomorfa', checagem); Espelhos esféricos: o foco na metade do raio (elementos, f = R/2, Gauss e ampliação com tabela de sinais, exemplo-guia maquiagem e colher, itens 2012/81–82, 2015/85, 2017/105, checagem do retrovisor); Como a banca cobra (histórico dos itens de espelhos); Resolvidos (espelho da loja, espelho do dentista tipo B); Síntese (Espelhos); Protocolo do item de óptica (1) e (2)
Recorte por assunto: só as duas seções de espelhos, os itens de espelhos do histórico e os dois resolvidos correspondentes. Refração, lentes, olho, interação luz-matéria e dualidade ficam nas páginas irmãs. A página acrescenta, ausentes do capítulo, reflexão especular × difusa, campo visual, translação e rotação do espelho, associação de dois espelhos, raios notáveis com os cinco casos desenhados, aberração esférica e o raciocínio do item 2015/84.
Rota PAS 2 — Língua Portuguesa, texto-base de 2017 (Espelho: o reflexo de cada um) · Transcrição do texto-base de Gil Epifânia (prova de 2017), usada para reproduzir verbatim o bloco dos itens 102 a 109
Texto conferido contra a imagem da página 16 do caderno Madeira de 2017 (o texto extraído desse ano é ilegível).
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 2 2009 (item 49), 2012 (itens 81 e 82), 2013 (itens 109 e 110), 2014 (itens 109 e 110), 2015 (itens 84 e 85), 2017 (itens 103 e 105, do PDF), 2021 (itens 101 a 103, do PDF da Parte 2)
Itens reproduzidos verbatim com os textos-base; gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas2/AAAA.json. Figuras de 2013 (p. 14 do caderno Aleijadinho), 2014 (p. 18 do caderno Georgina), 2015 (p. 14 do caderno Taunay), 2017 (p. 16 do caderno Madeira) e 2021 (Parte 2, p. 10) rasterizadas a 130 dpi e descritas em texto neutro. Itens 2017/104 e 109 (anulados) e 2011/89–95 (geometria analítica do espelho côncavo) não entram.