Refração da luz

Guia de estudo · Revisado em 17/09/2026

BNCC · EM13CNT103

Por que a piscina parece mais rasa do que é, o canudo parece quebrado exatamente na linha d'água e um diamante lapidado brilha muito mais que um vidro cortado no mesmo formato, e o que uma única linha, n₁ sen θ₁ = n₂ sen θ₂, tem a ver com a fibra óptica que leva a internet até a sua casa?

O que você vai aprender

  • Definir o índice de refração absoluto n = c/v e o relativo n₂₁ = n₂/n₁ = v₁/v₂, ordenar meios por refringência (ar, água, vidro, diamante) e distinguir refringência de densidade.
  • Explicar o que muda e o que não muda quando a luz troca de meio: velocidade e comprimento de onda mudam, frequência (e cor) não; aplicar λ_meio = λ_vácuo / n.
  • Enunciar e aplicar a lei de Snell, n₁ sen θ₁ = n₂ sen θ₂, medindo os ângulos a partir da normal e usando os valores tabelados sen 30° = 1/2, sen 45° = √2/2, sen 60° = √3/2.
  • Prever o sentido do desvio (aproxima-se da normal ao entrar no meio mais refringente; afasta-se ao sair) e reconhecer que na incidência normal há refração sem desvio.
  • Deduzir o ângulo limite, sen L = n_menor/n_maior, enunciar as duas condições da reflexão total e calcular L para água (≈49°), vidro (≈42°), diamante (≈24°) e para índices que dão senos tabelados (n = 2 → 30°, n = √2 → 45°).
  • Explicar a fibra óptica (núcleo mais refringente que a casca, ângulo de aceitação), o prisma de reflexão total, o brilho do diamante e a miragem, e ler modelos em camadas de ar com índices diferentes (itens PAS 2 2009/106–109 e 2018/78).
  • Calcular a profundidade aparente num dioptro plano observado quase perpendicularmente, d' = d · n_observador / n_objeto, nos dois sentidos (piscina vista do ar; pescador visto pelo peixe).
  • Mostrar que a lâmina de faces paralelas devolve o raio emergente paralelo ao incidente, com deslocamento lateral e sem desvio angular, e ler as relações angulares e o índice numa figura com símbolos (PAS 2 2022/105–108).
  • Explicar a dispersão pelo prisma (n depende do comprimento de onda; violeta desvia mais; vermelho menos), ler um gráfico n × λ, descrever a formação do arco-íris e julgar itens sobre velocidade por cor (PAS 2 2010/118, 2022/107).
  • Reconhecer os erros plantados pela banca: ângulo medido com a superfície em vez da normal, reflexão total do menos para o mais refringente, frequência que 'muda', vermelho que 'desvia mais', condições inventadas para a fibra óptica.

Você está na beira de uma piscina de 2 m de profundidade e, olhando de cima, jura que o fundo está a um metro e meio. Mergulha um canudo num copo d’água e ele parece quebrado exatamente na linha em que a água começa, embora a mão sinta que está inteiro. Compara um diamante lapidado com um pedaço de vidro cortado no mesmo formato, sob a mesma lâmpada: o diamante devolve muito mais luz, em faíscas, e o vidro fica opaco ao lado dele. Nos três casos a luz trocou de meio, do ar para a água, da água para o ar, do ar para a pedra, e, ao trocar, mudou de velocidade. Quando uma frente de luz muda de velocidade entrando inclinada em outro meio, ela muda também de direção. É a refração, e a regra que diz quanto ela dobra cabe numa linha.

Esta página é a do assunto refração da luz: o índice de refração como medida da velocidade da luz em cada meio, a lei de Snell com os senos que a prova oferece, o sentido do desvio, o ângulo limite e a reflexão total com suas duas condições (a física da fibra óptica, do prisma de binóculo, do brilho do diamante e da miragem), o dioptro plano e a profundidade aparente, a lâmina de faces paralelas, e o prisma com a dispersão, em que cada cor tem seu próprio índice. A refração como fenômeno de qualquer onda, com o que muda e o que não muda na travessia, está em fenômenos ondulatórios; o raio, o meio e a propagação retilínea estão em princípios da óptica geométrica; a reflexão em superfícies polidas, em espelhos; a cor como frequência, em ondas eletromagnéticas. As lentes, o olho e os óculos, que são a refração organizada em superfícies curvas, têm página própria, em preparação. Aqui a ferramenta é uma só, a lei de Snell, e o que a banca do PAS faz com ela.

A luz muda de velocidade, e o número que mede isso é o índice de refração

No vácuo, a luz anda a c=3,0×108c = 3{,}0 \times 10^8 m/s, e essa é a maior velocidade que existe. Dentro de qualquer material transparente ela anda mais devagar: na água, a cerca de 2,25×1082{,}25 \times 10^8 m/s; no vidro comum, a 2,0×1082{,}0 \times 10^8 m/s; no diamante, a 1,25×1081{,}25 \times 10^8 m/s. A razão entre a velocidade no vácuo e a velocidade no meio é um número sem unidade, sempre maior ou igual a 1, que caracteriza o meio.

Índice de refração absoluto e relativo

O índice de refração absoluto de um meio é

n=cv,n = \frac{c}{v},

em que cc é a velocidade da luz no vácuo e vv a velocidade da luz nesse meio. Quanto maior nn, mais devagar a luz anda ali, e mais refringente é o meio. Valores para guardar: vácuo, n=1n = 1 (ar, na prática, 1,000311{,}0003 \approx 1); água, 1,334/31{,}33 \approx 4/3; álcool etílico, 1,361{,}36; vidro comum, 1,51{,}5; vidros densos, 1,61{,}6 a 1,91{,}9; diamante, 2,422{,}42.

O índice de refração relativo do meio 2 em relação ao meio 1 é a razão dos índices absolutos, que é a razão invertida das velocidades:

n21=n2n1=v1v2.n_{21} = \frac{n_2}{n_1} = \frac{v_1}{v_2}.

Do ar para a água, n21=1,33n_{21} = 1{,}33; da água para o ar, n21=1/1,33=0,75n_{21} = 1/1{,}33 = 0{,}75. Um índice relativo menor que 1 é normal: quer dizer apenas que a luz vai para um meio em que anda mais rápido.

Quatro faixas horizontais empilhadas, rotuladas vácuo ou ar com n igual a 1, água com n igual a 1,33, vidro com n igual a 1,5 e diamante com n igual a 2,42. Em cada faixa há uma barra azul cujo comprimento é proporcional à velocidade da luz no meio, com os valores 3,0, 2,25, 2,0 e 1,24 vezes dez elevado a oito metros por segundo, e uma onda senoidal laranja desenhada com o mesmo número de cristas em todas as faixas, mas cada vez mais comprimida, com os comprimentos de onda 600, 450, 400 e 248 nanômetros para uma mesma luz de 600 nanômetros no vácuo. Uma nota no rodapé diz que a frequência é a mesma nas quatro faixas.
O índice mede a lentidão: n=c/vn = c/v. Ao entrar num meio de nn maior, a luz perde velocidade e comprimento de onda na mesma proporção (λ=λ0/n\lambda = \lambda_0/n), e a frequência, que é da fonte, não muda. Diagrama autoral.

O que acontece com a onda quando a velocidade cai? A página de fenômenos ondulatórios já respondeu, e vale repetir a divisão de responsabilidades, porque a banca vive trocando o dono de cada grandeza. A frequência é da fonte: a luz que sai de uma lâmpada tem a frequência que a lâmpada lhe deu, e trocar de meio não muda quantas cristas chegam por segundo (se chegam ff cristas por segundo à superfície, saem ff cristas por segundo do outro lado, senão elas se acumulariam ali). A velocidade é do meio. O comprimento de onda é o quociente dos dois, λ=v/f\lambda = v/f, e por isso encolhe na mesma proporção em que a velocidade cai:

λmeio=λvaˊcuon.\lambda_{\text{meio}} = \frac{\lambda_{\text{vácuo}}}{n}.

Uma luz vermelha de 600 nm no ar tem 450 nm dentro da água e 400 nm dentro do vidro, e continua vermelha, porque a cor que o olho vê é decidida pela frequência, e a frequência não mudou. Este é o primeiro dos erros plantados: o item da 2.ª etapa de 2015 que fazia a frequência crescer quando o índice caía (n2=3n1/4f2=4f1/3n_2 = 3n_1/4 \Rightarrow f_2 = 4f_1/3) está errado; quem muda nessa proporção é o comprimento de onda, não a frequência.

Refringente não é o mesmo que denso

“O vidro, por ser mais denso, facilita a transmissão da luz” é um item de aquecimento que se decide em duas palavras: mais refringente é mais lento, não mais rápido. E a refringência não acompanha a densidade em geral. O álcool etílico é menos denso que a água (0,79 contra 1,00 g/cm³) e mais refringente que ela (1,36 contra 1,33); alguns óleos e o benzeno são menos densos que a água e bem mais refringentes (n1,5n \approx 1{,}5). O que decide o índice é a maneira como os elétrons do material respondem ao campo elétrico da onda, não quanta massa há por centímetro cúbico. Fale em refringência e deixe a densidade para a hidrostática.

Exemplo resolvido: o diamante. Qual é a velocidade da luz dentro de um diamante (n=2,4n = 2{,}4) e quanto mede, ali, o comprimento de onda de uma luz que no vácuo tem 480 nm? Conta: v=c/n=3,0×108/2,4=1,25×108v = c/n = 3{,}0 \times 10^8 / 2{,}4 = 1{,}25 \times 10^8 m/s. Comprimento de onda: λ=480/2,4=200\lambda = 480/2{,}4 = 200 nm. Conferência: a razão v/λv/\lambda deve ser a frequência, que não pode ter mudado: 1,25×108/(200×109)=6,25×10141{,}25 \times 10^8 / (200 \times 10^{-9}) = 6{,}25 \times 10^{14} Hz, e no vácuo 3,0×108/(480×109)=6,25×10143{,}0 \times 10^8 / (480 \times 10^{-9}) = 6{,}25 \times 10^{14} Hz. Mesma frequência, mesma cor (azul); a luz apenas anda a menos da metade da velocidade e com ondas de menos da metade do comprimento.

Exemplo resolvido: de um meio para outro. A luz passa da água (n1=4/3n_1 = 4/3) para o vidro (n2=3/2n_2 = 3/2). Quantas vezes a velocidade muda? Conta: n21=n2/n1=(3/2)/(4/3)=9/8=1,125n_{21} = n_2/n_1 = (3/2)/(4/3) = 9/8 = 1{,}125, e v1/v2=9/8v_1/v_2 = 9/8: a luz no vidro anda a 8/98/9 da velocidade que tinha na água, uma queda de cerca de 11%. Conferência: vaˊgua=2,25×108v_{\text{água}} = 2{,}25 \times 10^8 m/s, vvidro=2,0×108v_{\text{vidro}} = 2{,}0 \times 10^8 m/s, e 2,25/2,0=1,1252{,}25/2{,}0 = 1{,}125. Bate.

A lei de Snell: o produto n·sen θ não muda na travessia

Agora a luz chega inclinada à superfície que separa dois meios. Trace, no ponto de incidência, a normal, a reta perpendicular à superfície; chame de θ1\theta_1 o ângulo entre o raio que chega e a normal (ângulo de incidência) e de θ2\theta_2 o ângulo entre o raio que segue no segundo meio e a normal (ângulo de refração). Parte da luz volta, refletida, com o ângulo de reflexão igual ao de incidência, como na página de espelhos. A parte que atravessa obedece a uma regra descoberta experimentalmente por Willebrord Snell em 1621 e publicada por René Descartes em 1637 (por isso os livros brasileiros dizem “lei de Snell-Descartes”):

Lei de Snell

n1senθ1=n2senθ2.n_1\,\mathrm{sen}\,\theta_1 = n_2\,\mathrm{sen}\,\theta_2.

O raio incidente, o raio refratado e a normal estão no mesmo plano, e o produto do índice pelo seno do ângulo com a normal é o mesmo dos dois lados da superfície. Como nn e senθ\mathrm{sen}\,\theta crescem juntos num lado quando o produto é fixo, o meio de índice maior fica com o seno menor:

  • entrando no meio mais refringente (n2>n1n_2 > n_1), θ2<θ1\theta_2 < \theta_1: o raio se aproxima da normal;
  • entrando no meio menos refringente (n2<n1n_2 < n_1), θ2>θ1\theta_2 > \theta_1: o raio se afasta da normal;
  • na incidência normal (θ1=0\theta_1 = 0), θ2=0\theta_2 = 0: a luz muda de velocidade e de comprimento de onda, mas não desvia. Refração não exige desvio; o desvio é o que acontece quando a incidência é oblíqua.

O caminho é reversível: um raio que fizesse o percurso ao contrário seguiria exatamente a mesma trajetória. O desvio angular do raio é δ=θ1θ2\delta = |\theta_1 - \theta_2|.

A banca não dá calculadora, e por isso todos os itens quantitativos de Snell usam ângulos cujo seno se sabe de cor e índices escolhidos para as contas fecharem:

ângulo 30° 37° 45° 53° 60° 90°
seno 0 1/21/2 0,60{,}6 2/20,71\sqrt{2}/2 \approx 0{,}71 0,80{,}8 3/20,87\sqrt{3}/2 \approx 0{,}87 1

Com essa tabela, índices como 21,41\sqrt{2} \approx 1{,}41, 31,73\sqrt{3} \approx 1{,}73, 4/34/3, 3/23/2 e 22 produzem respostas redondas. Quando o texto-base dá “2=1,4\sqrt{2} = 1{,}4” ou “sen45°=0,7\mathrm{sen}\,45° = 0{,}7”, use o valor dado, não o seu.

Dois painéis. À esquerda, uma superfície horizontal separa o ar, em cima, da água, embaixo, com a normal tracejada vertical no ponto de incidência. Um raio azul chega do ar fazendo 45 graus com a normal, um raio laranja fino volta refletido a 45 graus e um raio azul mais grosso segue na água fazendo 32 graus com a normal, mais perto da vertical que o incidente; os arcos dos ângulos estão marcados e uma linha de conta diz 1 vezes seno de 45 graus igual a 1,33 vezes seno de teta 2, logo seno de teta 2 igual a 0,53 e teta 2 aproximadamente 32 graus. À direita, o mesmo desenho com a luz saindo da água para o ar: o raio na água faz 32 graus com a normal e o raio no ar faz 45 graus, afastando-se dela; um rótulo diz que o caminho é reversível e outro diz que na incidência normal não há desvio, com um raio vertical atravessando a superfície sem dobrar.
Snell: n1senθ1=n2senθ2n_1\,\mathrm{sen}\,\theta_1 = n_2\,\mathrm{sen}\,\theta_2, ângulos medidos a partir da **normal**. Do ar para a água o raio se aproxima da normal (45° → 32°); da água para o ar, afasta-se (32° → 45°). O mesmo caminho serve nos dois sentidos. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: do ar para a água. Um raio chega à superfície de um lago fazendo 45° com a normal. Com que ângulo ele segue dentro da água (n=1,33n = 1{,}33)? Conta: 1×sen45°=1,33×senθ21 \times \mathrm{sen}\,45° = 1{,}33 \times \mathrm{sen}\,\theta_2, logo senθ2=0,71/1,33=0,53\mathrm{sen}\,\theta_2 = 0{,}71/1{,}33 = 0{,}53, e θ232°\theta_2 \approx 32°. Conferência: entrou no meio mais refringente e o ângulo caiu, de 45° para 32°, aproximando-se da normal, como manda a regra; o desvio foi de 13°. Se a conta tivesse dado um ângulo maior que 45°, o erro estaria na ordem dos índices.

Exemplo resolvido: com os senos tabelados. Um raio passa do ar para um vidro de índice 3\sqrt{3} com incidência de 60°. Conta: 1×sen60°=3senθ23/2=3senθ2senθ2=1/2θ2=30°1 \times \mathrm{sen}\,60° = \sqrt{3}\,\mathrm{sen}\,\theta_2 \Rightarrow \sqrt{3}/2 = \sqrt{3}\,\mathrm{sen}\,\theta_2 \Rightarrow \mathrm{sen}\,\theta_2 = 1/2 \Rightarrow \theta_2 = 30°. O raio desviou 30° em direção à normal. Conferência: o raio refratado (30° com a normal) e o refletido (60° com a normal, do outro lado) formam entre si 180°30°60°=90°180° - 30° - 60° = 90°: são perpendiculares. Fecha.

Exemplo resolvido: descobrir o índice. Um raio incide do ar a 45° sobre a superfície de um líquido e refrata a 30°. Qual é o índice do líquido? Conta: 1×sen45°=nsen30°2/2=n/2n=21,411 \times \mathrm{sen}\,45° = n\,\mathrm{sen}\,30° \Rightarrow \sqrt{2}/2 = n/2 \Rightarrow n = \sqrt{2} \approx 1{,}41. Conferência: maior que 1 (a luz entrou num meio onde anda mais devagar) e o ângulo diminuiu (45° → 30°). Um item que desse esses dados e pedisse “o índice multiplicado por 100” teria resposta 141.

O ângulo é com a normal, nunca com a superfície

O tropeço mais frequente em item de refração não é de física, é de leitura: a figura marca um ângulo entre o raio e a superfície, e o candidato o joga direto na lei de Snell. Se o raio faz 30° com a superfície, o ângulo de incidência é 90°30°=60°90° - 30° = 60°, e sen60°=0,87\mathrm{sen}\,60° = 0{,}87, não 0,50{,}5. A 2.ª etapa de 2018 fez exatamente isso: um raio L1L_1 atravessa uma camada de ar frio e chega à interface com uma camada de ar quente “com um ângulo α=30°\alpha = 30°”, e a figura desenha o α\alpha entre o raio e a interface. Com a razão dos índices frio/quente igual a 2, a conta certa é 2×sen60°=1,73>12 \times \mathrm{sen}\,60° = 1{,}73 > 1: não há raio refratado e a luz é totalmente refletida de volta para o ar frio (opção D, o desenho com o raio voltando para cima). Quem usou 30° achou 2×0,5=12 \times 0{,}5 = 1, o raio “rasante”, e marcou a opção errada. Antes de qualquer conta, localize a normal na figura e meça a partir dela.

De onde vem a lei de Snell? Da mesma ideia que explica a reflexão, o princípio do tempo mínimo de Fermat: entre todos os caminhos que a luz poderia percorrer de um ponto no ar até um ponto na água, o que ela percorre é o de menor tempo, e como ela anda mais devagar na água, vale a pena encurtar o trecho dentro da água mesmo que isso alongue o trecho no ar, exatamente como um salva-vidas que corre pela areia e nada o mínimo possível. Fazendo a conta desse mínimo, sai senθ1/v1=senθ2/v2\mathrm{sen}\,\theta_1/v_1 = \mathrm{sen}\,\theta_2/v_2, que é Snell escrita com velocidades. A construção de Huygens, com frentes de onda que avançam mais devagar de um lado da fronteira e por isso giram, dá a mesma lei; é o que aparece na figura de uma frente de onda entrando inclinada na água rasa.

Do mais para o menos refringente há um teto: ângulo limite e reflexão total

Siga um raio que sai da água para o ar. Ele se afasta da normal: a 20° dentro da água, sai a cerca de 27° no ar; a 40°, sai a 59°; a 45°, sai a 70°. Quanto mais inclinado chega, mais inclinado sai, e o refratado vai se deitando sobre a superfície. Há um ângulo de incidência para o qual o refratado sai rasante, a 90° da normal, correndo pela própria superfície. Acima dele, Snell pediria um seno maior que 1, o que não existe: não há raio refratado, e toda a luz volta para dentro da água.

Ângulo limite e reflexão total

Quando a luz vai do meio mais refringente (n1n_1) para o menos refringente (n2<n1n_2 < n_1), o ângulo limite LL é o ângulo de incidência para o qual o ângulo de refração vale 90°:

n1senL=n2sen90°senL=n2n1=nmenornmaior.n_1\,\mathrm{sen}\,L = n_2\,\mathrm{sen}\,90° \quad\Rightarrow\quad \mathrm{sen}\,L = \frac{n_2}{n_1} = \frac{n_{\text{menor}}}{n_{\text{maior}}}.

Para θ1<L\theta_1 < L, há raio refratado (e um refletido fraco). Para θ1=L\theta_1 = L, o refratado sai rasante. Para θ1>L\theta_1 > L, não há raio refratado e toda a luz é refletida: reflexão total, com o ângulo de reflexão igual ao de incidência.

A reflexão total exige duas condições ao mesmo tempo: (1) a luz vem do meio mais refringente para o menos refringente; (2) o ângulo de incidência é maior que o ângulo limite. Faltando qualquer uma, há refração.

Valores para guardar (sempre em relação ao ar, n=1n = 1): água, senL=1/1,33=0,75\mathrm{sen}\,L = 1/1{,}33 = 0{,}75, L49°L \approx 49°; vidro comum, senL=1/1,5=2/3\mathrm{sen}\,L = 1/1{,}5 = 2/3, L42°L \approx 42°; diamante, senL=1/2,420,41\mathrm{sen}\,L = 1/2{,}42 \approx 0{,}41, L24°L \approx 24°. Índices que dão ângulo redondo: n=2senL=1/2L=30°n = 2 \Rightarrow \mathrm{sen}\,L = 1/2 \Rightarrow L = 30°; n=2L=45°n = \sqrt{2} \Rightarrow L = 45°; n=2/31,15L=60°n = 2/\sqrt{3} \approx 1{,}15 \Rightarrow L = 60°.

Uma superfície horizontal separa o vidro, embaixo, do ar, em cima; três raios saem do vidro em pontos diferentes, cada um com sua normal tracejada. O primeiro, azul, chega a 25 graus da normal e refrata para o ar a 39 graus, afastando-se da normal, com um raio refletido fino. O segundo, verde, chega a 42 graus, o ângulo limite, e o refratado sai rasante, deitado sobre a superfície, com a conta seno de L igual a 1 sobre 1,5 igual a 0,67. O terceiro, vermelho, chega a 60 graus e volta refletido a 60 graus, sem raio refratado, rotulado reflexão total. Um rótulo diz duas condições: do mais para o menos refringente e ângulo maior que L.
Do vidro (n=1,5n = 1{,}5) para o ar: abaixo de L42°L \approx 42° há refração afastando-se da normal; em LL o refratado sai rasante; acima de LL toda a luz volta. Diagrama autoral.

A álgebra denuncia a reflexão total sozinha. Se você aplicar Snell e obtiver senθ2>1\mathrm{sen}\,\theta_2 > 1, não errou a conta: descobriu que não há raio refratado. Foi o caso do item de 2018 lido acima (2×sen60°=1,732 \times \mathrm{sen}\,60° = 1{,}73). Vale a recíproca do teto: do meio menos refringente para o mais refringente, o raio se aproxima da normal e o seno sempre diminui; nunca falta refração, com incidência nenhuma. Do ar para a água ou para o vidro não existe reflexão total, por mais inclinado que o raio chegue. A banca cobra isso de duas maneiras, com a velocidade e com a refringência. Em 2010: “É possível ocorrer reflexão total da luz quando esta passa de um meio para outro com a diminuição de sua velocidade de propagação.” Velocidade que diminui é índice que aumenta, isto é, chegada ao meio mais refringente: o raio se aproxima da normal e sempre refrata. Gabarito E. Em 2019, sobre a fotografia de Cartier-Bresson em que um homem salta sobre uma poça e seu reflexo aparece na água parada: “A imagem mostra uma situação de reflexão interna total porque a água é mais refringente que o ar.” A luz que forma o reflexo vem do ar, o meio menos refringente, e bate na água: é reflexão comum, parcial, a mesma de qualquer espelho d’água. Reflexão interna total exigiria luz vindo de dentro da água. Gabarito E.

Uma precisão que evita uma confusão: em qualquer superfície, com qualquer ângulo, sempre há alguma reflexão. É por isso que você vê o próprio rosto no vidro da janela à noite e a paisagem refletida no lago, sem que haja reflexão total (a luz vem do ar). O que a reflexão total acrescenta é a palavra total: acima de LL, a fração refletida passa a ser 100%, e a refratada, zero. Antes de LL, a fração refletida cresce com o ângulo, e é por isso que o reflexo do Sol baixo no mar ofusca mais do que o do Sol a pino.

Exemplo resolvido: a terebintina de 2020. A prova deu uma tabela de propriedades da terebintina (um solvente de tintas) com índice de refração 1,5, e afirmou que um raio vindo de dentro do líquido em direção à superfície livre sofre reflexão total “se o raio incidir com um ângulo superior a arcsen(2/3), em relação à direção normal à superfície livre”. Conta: do líquido (n=1,5n = 1{,}5) para o ar (n=1n = 1), senL=1/1,5=2/3\mathrm{sen}\,L = 1/1{,}5 = 2/3, logo L=arcsen(2/3)42°L = \mathrm{arcsen}(2/3) \approx 42°. Acima disso, reflexão total. Conferência: as duas condições estão satisfeitas: o raio vem do meio mais refringente (o item diz “proveniente da terebintina”) e o ângulo é maior que LL, medido em relação à normal (o item diz “em relação à direção normal”). Gabarito C. Repare no cuidado do enunciado com a normal: quando a banca escreve a referência, é porque em outro item ela vai deixar de escrever.

Exemplo resolvido: dois índices, um limite. Um raio de luz se propaga num vidro de índice 1,6 e chega à interface com uma camada de água (n=1,33n = 1{,}33) por cima. Qual é o ângulo limite? E se a camada fosse de ar? Conta: vidro–água: senL=1,33/1,6=0,83\mathrm{sen}\,L = 1{,}33/1{,}6 = 0{,}83, L56°L \approx 56°; vidro–ar: senL=1/1,6=0,625\mathrm{sen}\,L = 1/1{,}6 = 0{,}625, L39°L \approx 39°. Conferência: quanto mais parecidos os índices, mais perto de 1 fica o seno e maior o ângulo limite; no caso extremo de índices iguais, L=90°L = 90°, e não há interface nenhuma. Foi isso que derrubou uma das condições inventadas pelo item 98 de 2023, lido a seguir: com n1=n2n_1 = n_2 não há reflexão total porque não há fronteira.

Onde a reflexão total trabalha: fibra, prisma, diamante, miragem

A reflexão total é o espelho mais perfeito que existe: nenhuma superfície metálica reflete 100% da luz, mas uma interface vidro–ar acima do ângulo limite reflete tudo. Quatro tecnologias e um fenômeno natural vivem disso.

A fibra óptica

Uma fibra óptica é um fio de vidro fino como um cabelo, com um núcleo de índice n1n_1 envolto por uma casca de índice n2n_2 um pouco menor, e uma capa plástica só para proteção. A luz injetada no núcleo com pequena inclinação chega à interface núcleo–casca com ângulo de incidência grande, acima do limite, e é devolvida ao núcleo; bate do outro lado, volta; e segue em zigue-zague por quilômetros, sem sair. Injetada inclinada demais, chega à interface com ângulo menor que o limite, refrata para a casca e se perde. Existe, portanto, um ângulo máximo de injeção (o cone de aceitação da fibra) para que o sinal fique confinado. O sinal de internet que chega à sua casa por fibra é luz infravermelha presa desse jeito.

Corte longitudinal de uma fibra óptica: uma faixa central clara rotulada núcleo com n1 igual a 1,50, faixas cinzentas acima e abaixo rotuladas casca com n2 igual a 1,20 e o ar à esquerda com n0 igual a 1. Um raio azul entra pela face esquerda com pequena inclinação, refrata um pouco em direção ao eixo e depois segue em zigue-zague, refletindo-se totalmente na interface núcleo casca com ângulos de 70 graus marcados em relação às normais tracejadas; uma conta diz seno de L igual a 1,20 sobre 1,50 igual a 0,80, L igual a 53 graus, e 70 graus é maior que 53 graus. Um segundo raio, vermelho, entra muito inclinado, chega à interface com 50 graus e refrata para a casca, rotulado escapa, 50 graus é menor que L. Um raio cinza segue reto pelo eixo, rotulado raio axial.
Núcleo mais refringente que a casca: o raio injetado com pouca inclinação chega à interface acima do ângulo limite e fica preso; o injetado inclinado demais chega abaixo de LL e refrata para a casca. É o bloco de 2023, itens 97 a 102. Diagrama autoral.

Em 2023 a fibra óptica ancorou um bloco de seis itens de Física, quatro deles desta página. O texto-base fixava n1>n2>n0=1n_1 > n_2 > n_0 = 1 e desenhava dois raios: ii, pelo eixo, e jj, em zigue-zague. O item 97 afirmava que o raio jj refrata ao entrar, “o que implica perda de energia da onda eletromagnética correspondente”. Refratar de fato ocorre (o raio jj entra inclinado e dobra), mas refração é mudança de direção e velocidade, não perda de energia; a energia da onda é transmitida, e o que se perde numa entrada é a pequena parte refletida, que o item não menciona. Gabarito E. O item 98 listou “as seguintes condições: n1=n2n_1 = n_2, ângulo de incidência na interface inferior a 45° e r22r1r_2 \geq 2r_1. Três condições, três erros: índices iguais não formam interface; a incidência precisa ficar acima do limite, não abaixo de um número qualquer; e os raios das camadas não entram na condição. Gabarito E. O item 100 afirmava que os raios ii e jj, partindo juntos de o1o_1, chegam a o2o_2 “com a mesma diferença de tempos, independentemente das frequências”, mantidos os demais parâmetros. O raio jj percorre um caminho mais longo, em zigue-zague, e chega depois; a diferença de tempos depende da geometria (os ângulos α\alpha e β\beta e o comprimento dd) e da velocidade no núcleo, e nada disso foi mudado. Num modelo em que n1n_1 é um número fixo, como o texto-base o descreve, a cor não entra na conta. Gabarito C. O item 101 dizia que, aumentando o ângulo de injeção α\alpha de 0 a 90°, “a partir de determinado valor, o raio jj não sofrerá reflexão total na interface entre o núcleo e a casca, independentemente dos valores de r1r_1 e r2r_2. É o ângulo máximo de aceitação: injeção mais inclinada dá incidência menos inclinada na interface, e abaixo de LL a luz refrata para a casca; os raios das camadas não interferem. Gabarito C.

Prisma de reflexão total, diamante e catadióptrico

No prisma de reflexão total, um prisma de vidro de seção triangular retângula isósceles (ângulos de 45°, 45° e 90°), a luz entra perpendicularmente por uma face menor, chega à hipotenusa com 45° de incidência (maior que os 42° do limite vidro–ar) e é totalmente refletida, saindo pela outra face menor com 90° de desvio. Binóculos usam pares desses prismas para encurtar o tubo e endireitar a imagem; periscópios simples e câmeras reflex também. Nenhuma prata, nenhuma perda.

O diamante (n=2,42n = 2{,}42) tem ângulo limite de 24°: quase toda a luz que entra pela face de cima e bate nas faces de baixo chega acima do limite, é refletida por dentro uma, duas vezes, e só encontra saída de volta pela face de cima, rumo ao olho de quem o observa. A lapidação brilhante escolhe os ângulos das faces para isso. Um vidro do mesmo formato (L=42°L = 42°) deixa escapar pelo fundo boa parte da luz. O brilho não é da pedra; é da geometria mais o índice.

A miragem é refração sem interface nítida. Numa estrada de asfalto ao sol, o ar junto ao chão está muito mais quente, e portanto menos denso e menos refringente, que o ar um pouco acima. Um raio que desce inclinado do céu vai atravessando camadas de índice cada vez menor: afasta-se da normal a cada uma, deita-se, e num certo ponto chega ao ângulo limite e volta para cima, encurvado. O olho do motorista recebe luz do céu vinda de baixo e a interpreta como um “lago” brilhante sobre o asfalto, que some quando ele se aproxima. O tremular do ar sobre uma chama é a mesma coisa em pequena escala: bolsões de ar quente em movimento desviam a luz de modo variável. A banca já pendurou isso numa obra de arte (2007, item 12: linhas onduladas verticais que “remetem à ideia do movimento convectivo associado ao calor, que provoca o tremular de imagens devido à variação do índice de refração do ar”, gabarito C) e num modelo em camadas (2018, item 78, o do ar frio e ar quente sobre uma queimada, lido na armadilha da normal).

Dois painéis. À esquerda, o modelo em camadas de 2018: três faixas horizontais, ar frio em cima com n maior, ar quente no meio com n menor e queimada embaixo; um raio vermelho L1 desce da direita, chega à interface ar frio ar quente fazendo 30 graus com a interface, isto é, 60 graus com a normal tracejada, e volta refletido para o ar frio, rotulado 2 vezes seno de 60 graus igual a 1,73, maior que 1, reflexão total. À direita, a miragem: um asfalto escuro, camadas de ar com n crescendo para cima indicadas por um gradiente, um raio azul que vem do céu e vai se encurvando para cima ao se aproximar do chão, um olho à direita que recebe o raio de baixo e um tracejado que prolonga o raio recebido até um lago aparente desenhado sobre a estrada.
À esquerda, o modelo de camadas de 2018: ângulo de 30° com a interface é 60° com a normal, e 2×sen60°>12 \times \mathrm{sen}\,60° > 1 dá reflexão total (opção D). À direita, a miragem: o ar quente junto ao asfalto é menos refringente, o raio do céu se encurva para cima e o olho o lê como um lago. Diagrama autoral.

Na direção oposta trabalha a refração atmosférica. O ar fica mais denso, e mais refringente, à medida que se desce da alta atmosfera até o solo. A luz de uma estrela que entra inclinada vai se aproximando da normal camada a camada, e o observador no chão, que prolonga para trás o último trecho do raio, vê a estrela mais alta (mais perto do zênite) do que ela realmente está. Perto do horizonte o efeito chega a meio grau, o próprio diâmetro do Sol: quando você vê o Sol tocar o horizonte, ele geometricamente já se pôs, e o disco aparece achatado porque a borda de baixo é erguida mais que a de cima. A 2.ª etapa de 2009 modelou isso com quatro camadas de índices 1,00, 1,10, 1,00 e 1,05 e um raio entrando a 45°; a leitura completa dos três itens está em “Como a banca pergunta”.

A piscina parece mais rasa: dioptro plano e profundidade aparente

Um dioptro plano é uma superfície plana que separa dois meios transparentes: a superfície de uma piscina, de um aquário, de um copo. Olhe de cima para uma moeda no fundo. Os raios que saem da moeda e chegam ao seu olho atravessam a superfície afastando-se da normal (água → ar); o olho os prolonga para trás em linha reta e os vê cruzarem-se num ponto acima da moeda. A imagem é virtual, e o fundo parece mais raso.

Profundidade aparente (observação quase perpendicular)

Para quem olha de cima quase na vertical, de modo que os ângulos com a normal sejam pequenos e senθtgθ\mathrm{sen}\,\theta \approx \mathrm{tg}\,\theta, a distância aparente dd' do objeto à superfície se relaciona com a distância real dd por

dd=nobservadornobjeto.\frac{d'}{d} = \frac{n_{\text{observador}}}{n_{\text{objeto}}}.

Piscina vista do ar: d=d×1/1,33=0,75dd' = d \times 1/1{,}33 = 0{,}75\,d; 2 m de água parecem 1,5 m. Pescador visto pelo peixe: d=d×1,33d' = d \times 1{,}33; uma garça a 1,5 m acima da água parece, ao peixe, estar a 2 m. A imagem fica sobre a mesma vertical do objeto; só a distância muda.

A dedução é a semelhança de triângulos da página de Tales. Um raio sai do objeto, a profundidade dd, e atinge a superfície a uma distância horizontal xx da vertical do objeto: tgθobj=x/d\mathrm{tg}\,\theta_{\text{obj}} = x/d. O prolongamento do raio refratado passa pela imagem, a profundidade dd', sobre a mesma vertical: tgθobs=x/d\mathrm{tg}\,\theta_{\text{obs}} = x/d'. Snell dá nobjsenθobj=nobssenθobsn_{\text{obj}}\,\mathrm{sen}\,\theta_{\text{obj}} = n_{\text{obs}}\,\mathrm{sen}\,\theta_{\text{obs}}, e para ângulos pequenos os senos podem ser trocados pelas tangentes: nobjx/d=nobsx/dn_{\text{obj}}\,x/d = n_{\text{obs}}\,x/d', donde a fórmula. Para quem olha muito inclinado, a imagem sobe ainda mais e se desloca lateralmente; é o caso do canudo, cuja parte submersa parece erguida e quebrada na linha d’água.

Corte de uma piscina com água azul-clara até uma superfície horizontal e ar acima. No fundo, a 2,0 metros da superfície, há uma moeda laranja; dois raios azuis saem dela, chegam à superfície perto da vertical e refratam para o ar afastando-se das normais tracejadas até um olho desenhado acima, ligeiramente à direita. Os prolongamentos tracejados dos raios refratados se cruzam sobre a vertical da moeda a 1,5 metro da superfície, onde está desenhada a imagem da moeda em traço tracejado. Cotas marcam d igual a 2,0 metros e d linha igual a 1,5 metro, com a conta d linha igual a d vezes 1 sobre 1,33. No canto direito, um pequeno painel mostra um peixe na água olhando para uma garça a 1,5 metro acima da superfície, com a imagem da garça tracejada a 2,0 metros, rotulado do peixe para a garça: vezes 1,33.
Do ar, o fundo parece mais raso: d=d×nar/naˊgua=0,75dd' = d \times n_{\text{ar}}/n_{\text{água}} = 0{,}75\,d. Da água, o que está no ar parece mais longe: ×1,33\times 1{,}33. A imagem fica na mesma vertical; só a distância muda. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: o pé no fundo. Uma piscina tem 1,80 m de água (n=4/3n = 4/3). A que profundidade o fundo parece estar para quem olha de cima, de pé na borda? E um mergulhador deitado no fundo, olhando para cima, vê a superfície a que distância? Conta: de fora, d=1,80×(1)/(4/3)=1,80×0,75=1,35d' = 1{,}80 \times (1)/(4/3) = 1{,}80 \times 0{,}75 = 1{,}35 m. De dentro, o mergulhador vê objetos que estão no ar, não a superfície em si; a lâmpada do teto a 3 m da água parece estar a 3×4/3=43 \times 4/3 = 4 m. Conferência: o fundo “sobe” 45 cm, quase meio metro de diferença entre o que se vê e o que se pisa, o que explica o salto que acaba em pé batido no fundo. O objeto no ar visto da água se afasta, o objeto na água visto do ar se aproxima: a razão dos índices sempre com o índice de quem olha em cima.

Exemplo resolvido: a espessura do vidro. Um aquário tem parede de vidro (n=1,5n = 1{,}5) com 3 cm de espessura, e um peixe está encostado nela por dentro. Para quem olha de fora, quase perpendicularmente, o peixe parece a que distância da face externa do vidro? Conta: só o vidro entra, e d=3×1/1,5=2d' = 3 \times 1/1{,}5 = 2 cm. Conferência: uma lâmina de vidro sempre parece mais fina do que é, na razão 1/n1/n; a diferença, 32=13 - 2 = 1 cm, é o que a lâmina “encolhe” aos olhos, e é o mesmo cálculo que dá a espessura aparente de um vidro de mesa.

A lâmina de faces paralelas desloca o raio sem desviá-lo

Uma placa de vidro com as duas faces paralelas (o vidro de uma janela, uma lâmina de microscópio, a peça da prova de 2022) faz a luz refratar duas vezes: entra, aproximando-se da normal; sai, afastando-se dela pelo mesmo ângulo. Como as duas normais são paralelas, o raio que emerge é paralelo ao que entrou: a lâmina não muda a direção da luz, só a desloca lateralmente. Por isso a paisagem vista por uma janela não fica torta, mesmo que o vidro seja grosso.

Lâmina de faces paralelas

Com o raio chegando do ar a θ1\theta_1 da normal, na primeira face narsenθ1=nvsenθ2n_{\text{ar}}\,\mathrm{sen}\,\theta_1 = n_v\,\mathrm{sen}\,\theta_2; na segunda face, nvsenθ2=narsenθ3n_v\,\mathrm{sen}\,\theta_2 = n_{\text{ar}}\,\mathrm{sen}\,\theta_3. Logo senθ3=senθ1\mathrm{sen}\,\theta_3 = \mathrm{sen}\,\theta_1 e θ3=θ1\theta_3 = \theta_1: desvio angular zero, raio emergente paralelo ao incidente. O deslocamento lateral Δ\Delta (a distância entre o raio emergente e o prolongamento do incidente) cresce com a espessura ee da lâmina, com o índice e com o ângulo de incidência; para incidência normal, Δ=0\Delta = 0. Dentro da lâmina, o raio percorre, na horizontal, d=etgθ2d = e\,\mathrm{tg}\,\theta_2.

Uma lâmina de vidro cinza-clara horizontal, de espessura e, com o ar acima e abaixo. Um raio azul chega do alto à esquerda fazendo o ângulo alfa com a superfície, isto é, 90 menos alfa com a normal tracejada; um raio laranja fino volta refletido; o raio refratado atravessa a lâmina fazendo o ângulo fi com a normal e percorre a distância horizontal d, marcada com cotas tracejadas, até a face de baixo, de onde sai para o ar paralelo ao raio incidente, com o mesmo ângulo alfa com a superfície. O prolongamento tracejado do raio incidente, sem a lâmina, aparece ao lado do raio emergente, e a distância entre os dois está cotada como deslocamento lateral. Um rótulo diz raio emergente paralelo ao incidente, desvio angular zero, e outro traz n v igual a n ar vezes cosseno de alfa sobre seno de fi.
Duas refrações iguais e opostas: o raio sai paralelo ao que entrou, apenas deslocado. Os símbolos (α\alpha com a superfície, ϕ\phi com a normal, dd e ee) são os da figura A do bloco de 2022. Diagrama autoral.

Em 2022 a banca pôs um laser vermelho (635 nm) incidindo numa peça de vidro de faces paralelas e pendurou quatro itens escritos com os símbolos da figura: na figura A, a peça é horizontal, o laser chega fazendo α\alpha com a superfície, refrata fazendo ϕ\phi com a vertical (a normal), percorre a distância horizontal dd dentro da peça de espessura ee; na figura B, a peça é inclinada até que o raio refletido fique horizontal, a incidência com a superfície passa a ser θ\theta e o raio transmitido faz β\beta com a superfície oposta.

  • Item 105: “A relação entre os ângulos α\alpha e θ\theta é θ=α/2\theta = \alpha/2.” O laser não se mexeu: seu raio continua fazendo α\alpha com a horizontal. Na figura B o refletido é horizontal, e incidente e refletido fazem o mesmo ângulo θ\theta com a superfície, um de cada lado: o ângulo entre os dois raios é 2θ2\theta. Mas esse ângulo é exatamente o que o incidente faz com a horizontal, α\alpha. Logo 2θ=α2\theta = \alpha. Gabarito C.
  • Item 106: “O índice de refração da peça pode ser obtido pela equação nv=nar1+e2/d2cosαn_v = n_{\text{ar}}\sqrt{1 + e^2/d^2}\,\cos\alpha.” Ângulo de incidência com a normal: 90°α90° - \alpha, cujo seno é cosα\cos\alpha. Snell: narcosα=nvsenϕn_{\text{ar}}\cos\alpha = n_v\,\mathrm{sen}\,\phi. Geometria dentro da peça: tgϕ=d/e\mathrm{tg}\,\phi = d/e, logo senϕ=d/d2+e2\mathrm{sen}\,\phi = d/\sqrt{d^2 + e^2}. Então nv=narcosαd2+e2/d=narcosα1+e2/d2n_v = n_{\text{ar}}\cos\alpha \cdot \sqrt{d^2 + e^2}/d = n_{\text{ar}}\cos\alpha\sqrt{1 + e^2/d^2}. Gabarito C.
  • Item 107: “Caso o feixe de laser seja substituído por outro de cor verde, com comprimento de onda igual a 532 nm, a distância dd permanecerá inalterada.” O índice do vidro depende da cor (a seção seguinte explica); para o verde ele é um pouco maior, ϕ\phi fica um pouco menor e d=etgϕd = e\,\mathrm{tg}\,\phi diminui. Gabarito E.
  • Item 108: “Na situação ilustrada pela figura B, a relação angular entre o raio transmitido e o raio incidente é β=θ/1,5\beta = \theta/1{,}5.” Lâmina de faces paralelas: o transmitido sai paralelo ao incidente, então faz com a superfície oposta o mesmo ângulo que o incidente fazia com a primeira: β=θ\beta = \theta, qualquer que seja o índice. O “1,5” é o índice típico do vidro posto onde não tem função. Gabarito E.

Quatro itens, nenhuma conta com número: só Snell nas duas faces, um triângulo retângulo e a leitura cuidadosa de qual ângulo é com a superfície e qual é com a normal.

O prisma separa as cores porque n depende da cor

Num prisma, as duas faces por onde a luz entra e sai não são paralelas, e por isso os dois desvios não se cancelam: o raio sai desviado em direção à base do prisma (a face oposta ao ângulo de abertura). Se o índice fosse um só para toda a luz, o prisma desviaria a luz branca inteira num único ângulo e a devolveria branca. Não é o que acontece.

Dispersão

O índice de refração de um meio material depende do comprimento de onda da luz: em todos os vidros e líquidos transparentes comuns, nn é maior para o violeta e menor para o vermelho (num vidro típico, 1,53 para o violeta e 1,51 para o vermelho). Índice maior é desvio maior: a luz violeta desvia mais, a vermelha desvia menos, e a luz branca, que é a soma de todas, se abre em espectro ao sair do prisma, na ordem vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil, violeta. É a dispersão. No vácuo não há dispersão: todas as cores andam a cc.

A cor é decidida pela frequência, que não muda na refração. O que o prisma faz é dar a cada frequência uma velocidade, e portanto um índice e um desvio, ligeiramente diferentes. A frase “o índice de refração é inversamente proporcional ao comprimento de onda” (usada pela banca em 2010) é um modelo simplificado dessa dependência: comprimento de onda menor, índice maior, velocidade menor.

Dois painéis. À esquerda, um prisma triangular cinza-claro com o vértice para cima; um feixe branco chega pela esquerda à face esquerda e, dentro do prisma e na saída pela face direita, abre-se em um leque de sete raios coloridos, do vermelho, em cima, o menos desviado, ao violeta, embaixo, o mais desviado, todos desviados para a base do prisma; um rótulo diz violeta desvia mais e outro diz desvio para a base. À direita, um gráfico com o comprimento de onda em nanômetros no eixo horizontal, de 400 a 700, e o índice de refração n no eixo vertical, de 1,50 a 1,54; uma curva decrescente e suave passa por 1,532 em 400 nanômetros e por 1,512 em 700 nanômetros, com os pontos violeta, verde e vermelho marcados e as leituras n violeta igual a 1,532 e n vermelho igual a 1,512.
No prisma, cada cor tem seu índice e seu desvio; o violeta, com nn maior, desvia mais. O gráfico n×λn \times \lambda de um vidro típico desce com o comprimento de onda. Diagrama autoral.

A banca cobra a dispersão pela velocidade. Em 2010, num texto sobre o espectrógrafo de prisma: “Se, em um meio material, o índice de refração for inversamente proporcional ao comprimento de onda, então, nesse meio, a velocidade da luz verde será maior que a velocidade da luz vermelha.” O verde tem comprimento de onda menor que o vermelho; índice inversamente proporcional ao comprimento de onda dá índice maior para o verde; índice maior é velocidade menor. O item afirmou o contrário. Gabarito E. Em 2022, o item 107 lido acima: trocar o laser vermelho pelo verde muda o índice e muda a distância percorrida dentro do vidro.

Exemplo resolvido: ler o gráfico. Um gráfico dá, para um vidro, n=1,60n = 1{,}60 em 400 nm (violeta) e n=1,50n = 1{,}50 em 700 nm (vermelho). Qual é a razão entre as velocidades do vermelho e do violeta nesse vidro, e qual cor sai mais desviada de um prisma feito dele? Conta: vverm/vviol=nviol/nverm=1,60/1,50=1,067v_{\text{verm}}/v_{\text{viol}} = n_{\text{viol}}/n_{\text{verm}} = 1{,}60/1{,}50 = 1{,}067: o vermelho anda cerca de 6,7% mais rápido. Sai mais desviado o violeta, de índice maior. Conferência: com incidência de 30° do ar, o violeta refrata a senθ=0,5/1,60=0,3125\mathrm{sen}\,\theta = 0{,}5/1{,}60 = 0{,}3125 (θ18,2°\theta \approx 18{,}2°) e o vermelho a 0,5/1,50=0,3330{,}5/1{,}50 = 0{,}333 (θ19,5°\theta \approx 19{,}5°): o violeta fica mais perto da normal já na primeira face, e o prisma amplia a diferença na segunda.

O arco-íris

O arco-íris é um prisma esférico de água repetido em milhões de gotas. Em cada gota, a luz do Sol refrata ao entrar (e se dispersa), reflete na parede de trás e refrata de novo ao sair, voltando na direção geral de onde veio. Por causa da geometria da esfera, a luz de cada cor sai concentrada num ângulo bem definido em relação ao raio incidente: cerca de 42° para o vermelho e 40° para o violeta. Por isso o arco-íris só aparece com o Sol atrás do observador, é um arco de 42° de raio em torno do ponto oposto ao Sol, e tem o vermelho por fora e o violeta por dentro. O arco secundário, mais fraco e mais aberto (a cerca de 51°), vem de duas reflexões internas e tem as cores invertidas. Note o que o arco-íris não é: não é reflexão total (a incidência interna fica abaixo do limite da água, e parte da luz escapa pela parede de trás, o que o torna fraco), e não é difração.

A dispersão tem um preço nas lentes: se cada cor tem seu índice, cada cor tem sua distância focal, e uma lente simples forma imagens com bordas coloridas, a aberração cromática. A banca a cobrou em 2007 a propósito do telescópio de Galileu, e a solução (lentes duplas de vidros diferentes) fica para a página de lentes e visão.

Como a banca pergunta

A refração é o assunto de óptica mais frequente da 2.ª etapa, e quase nunca vem sozinha: pendurada num texto de astronomia, de arte, de incêndio florestal, de telecomunicações. A lista abaixo é a arqueologia do assunto, com o que decidiu cada item.

  • Sentido da reflexão total. 2010/121 (“com a diminuição de sua velocidade”, E); 2019/70 (poça de Cartier-Bresson, “reflexão interna total porque a água é mais refringente”, E). Decide-se perguntando de onde vem a luz: só há reflexão total saindo do meio mais refringente.
  • Conta do ângulo limite. 2020/105 (terebintina, senL=1/1,5=2/3\mathrm{sen}\,L = 1/1{,}5 = 2/3, “arcsen(2/3)”, C). Escreva senL=nmenor/nmaior\mathrm{sen}\,L = n_{\text{menor}}/n_{\text{maior}} e confira a referência: normal.
  • Ângulo com a superfície. 2018/78, tipo C, gabarito D: α=30°\alpha = 30° com a interface é 60° com a normal, 2×sen60°>12 \times \mathrm{sen}\,60° > 1, reflexão total; o desenho certo é o do raio voltando para o ar frio.
  • Fibra óptica. 2023/97 (refração “implica perda de energia”, E), 98 (condições inventadas, E), 100 (diferença de tempos independe da frequência no modelo, C), 101 (ângulo máximo de injeção, C). Os vizinhos 99 e 102 são de ondas eletromagnéticas.
  • Lâmina de faces paralelas com símbolos. 2022/105 (θ=α/2\theta = \alpha/2, C), 106 (fórmula do índice, C), 107 (trocar a cor muda dd, E), 108 (β=θ/1,5\beta = \theta/1{,}5, E: é β=θ\beta = \theta).
  • Dispersão pela velocidade. 2010/118 (verde mais rápido que vermelho, E). Índice maior é velocidade menor.
  • Refração atmosférica em camadas. 2009, itens 106, 107 e 109. O texto-base desenhava a atmosfera em quatro camadas, C0C_0 (acima de 60 km, n=1,00n = 1{,}00), C1C_1 (de 60 a 30 km, n=1,10n = 1{,}10), C2C_2 (de 30 a 12 km, n=1,00n = 1{,}00 de novo) e C3C_3 (de 12 km ao solo, n=1,05n = 1{,}05), com um raio de estrela entrando a 45° em H=60H = 60 km. Item 106: o trecho do raio dentro de C2C_2, entre os planos P1P_1 (30 km) e P2P_2 (12 km), “é a hipotenusa de um triângulo retângulo cujos catetos sejam l1l_1 e l2l_2; é correto afirmar que l1=l2=15l_1 = l_2 = 15 km”. Como C2C_2 tem o mesmo índice de C0C_0, o invariante de Snell devolve o raio a 45° dentro dela (1,00senθ2=1,00sen45°1{,}00\,\mathrm{sen}\,\theta_2 = 1{,}00\,\mathrm{sen}\,45°), e os catetos são de fato iguais; mas o cateto vertical é a espessura da camada, 3012=1830 - 12 = 18 km, e não 15. E, pelo número, não pela geometria. Item 107: o observador no solo vê a estrela “mais para o lado do ponto ⓐ que para o lado do ponto ⓑ”. O raio se aproxima da normal ao descer para camadas mais refringentes; o observador prolonga o último trecho, mais vertical, e vê a estrela mais perto do zênite que a posição real; na figura, ⓐ estava do lado do horizonte. E. Item 109, tipo B: “calcule o valor do produto n3senθ3n_3\,\mathrm{sen}\,\theta_3” na camada C3C_3, multiplicado por 100. Snell diz que o produto é o mesmo em todas as camadas: n3senθ3=n0sen45°=1,00×0,707=0,707n_3\,\mathrm{sen}\,\theta_3 = n_0\,\mathrm{sen}\,45° = 1{,}00 \times 0{,}707 = 0{,}707; vezes 100, 070. Três itens, uma ideia: o invariante de Snell atravessa quantas camadas houver.
  • Miragem e índice do ar. 2007/12 (linhas onduladas, convecção e “variação do índice de refração do ar”, C).
  • Refração como fenômeno ondulatório. 2015/65 (frequência que “muda” com o índice, E) e 2025/90 (refração “não ocorre em ondas materiais”, E), da página de fenômenos ondulatórios.

Fora do PAS, o ENEM cobra o mesmo assunto com contexto (piscina, fibra óptica, arco-íris, canudo no copo), quase sempre em item conceitual de sentido do desvio ou de condição da reflexão total.

Os erros que a prova planta

Dez tropeços, um por linha
  1. Medir o ângulo com a superfície. A lei de Snell usa o ângulo com a normal; 30° com a superfície é 60° com a normal (2018/78).
  2. Reflexão total do menos para o mais refringente. Não existe: do ar para a água ou para o vidro o raio sempre refrata, aproximando-se da normal (2010/121, 2019/70).
  3. Uma condição só. Reflexão total exige duas: sentido do mais para o menos refringente e incidência acima de LL (2023/98).
  4. Fração invertida no ângulo limite. senL=nmenor/nmaior\mathrm{sen}\,L = n_{\text{menor}}/n_{\text{maior}}; ao contrário daria seno maior que 1.
  5. Frequência que muda. Na refração mudam vv e λ\lambda; ff e a cor não mudam (2015/65). λmeio=λ0/n\lambda_{\text{meio}} = \lambda_0/n.
  6. Refringente igual a denso. Álcool é menos denso e mais refringente que a água. Fale em índice, não em densidade.
  7. Vermelho que desvia mais. No prisma e na gota, o violeta tem nn maior e desvia mais; o vermelho, menos. Índice maior é velocidade menor (2010/118).
  8. Refração que “perde energia” ou que “não ocorre” na incidência normal. Refração é mudança de velocidade; na incidência normal ela ocorre sem desvio; energia não se perde no ato de refratar (2023/97).
  9. Lâmina que desvia. Faces paralelas devolvem o raio paralelo ao incidente; β=θ\beta = \theta, e nenhum índice entra (2022/108).
  10. Profundidade aparente com a razão invertida. Quem olha do ar vê o fundo mais raso (×0,75\times 0{,}75); quem olha da água vê o que está fora mais longe (×1,33\times 1{,}33). O índice de quem olha fica em cima.

O essencial em meia página

  • Índice: n=c/v1n = c/v \geq 1; ar 1, água 1,33 (4/3), vidro 1,5, diamante 2,42. Maior nn = mais refringente = mais lento. Relativo: n21=n2/n1=v1/v2n_{21} = n_2/n_1 = v_1/v_2. Na refração ff não muda; vv e λ\lambda caem na razão 1/n1/n: λmeio=λ0/n\lambda_{\text{meio}} = \lambda_0/n.
  • Snell: n1senθ1=n2senθ2n_1\,\mathrm{sen}\,\theta_1 = n_2\,\mathrm{sen}\,\theta_2, ângulos com a normal. Entra no mais refringente: aproxima-se da normal; sai: afasta-se. Incidência normal: refrata sem desviar. Senos: 30° → 1/2; 45° → 2/2\sqrt{2}/2; 60° → 3/2\sqrt{3}/2; 37°/53° → 0,6/0,8.
  • Ângulo limite: senL=nmenor/nmaior\mathrm{sen}\,L = n_{\text{menor}}/n_{\text{maior}}; água 49°, vidro 42°, diamante 24°; n=2n = 2 → 30°, n=2n = \sqrt{2} → 45°. Reflexão total = do mais para o menos refringente e θ>L\theta > L. Seno maior que 1 na conta = não há refratado.
  • Aplicações: fibra óptica (núcleo n1n_1 > casca n2n_2; ângulo máximo de injeção; 2023/97–101); prisma de reflexão total (45° > 42°); diamante (L=24°L = 24°, luz presa); miragem (ar quente menos refringente, raio encurva para cima; 2018/78, 2007/12); refração atmosférica (estrela parece mais alta; 2009/106–109, invariante nsenθ=0,707n\,\mathrm{sen}\,\theta = 0{,}707).
  • Dioptro plano (visão quase perpendicular): d/d=nobs/nobjd'/d = n_{\text{obs}}/n_{\text{obj}}; piscina de 2 m parece 1,5 m; o peixe vê a garça a 1,5 m como se estivesse a 2 m.
  • Lâmina de faces paralelas: emergente paralelo ao incidente (desvio angular zero), deslocamento lateral cresce com ee, nn e θ\theta; d=etgϕd = e\,\mathrm{tg}\,\phi; 2022/105–108 (θ=α/2\theta = \alpha/2; nv=narcosα1+e2/d2n_v = n_{\text{ar}}\cos\alpha\sqrt{1 + e^2/d^2}; cor muda dd; β=θ\beta = \theta).
  • Prisma e dispersão: nn depende de λ\lambda (maior para o violeta); violeta desvia mais, vermelho menos; desvio para a base; luz branca abre em espectro; 2010/118 (verde mais lento que vermelho). Arco-íris: refração + reflexão interna + refração na gota; Sol atrás; 42° vermelho por fora, 40° violeta por dentro.
  • Protocolo do item: (1) de onde vem a luz e para onde vai, qual meio é mais refringente; (2) onde está a normal na figura; (3) Snell com os senos tabelados; (4) se o seno passar de 1, reflexão total; (5) frequência fixa, cor fixa.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

A Lei de Snell Explicada (Como a Refração Funciona?)
Ciência Todo Dia · 7:02
Introdução. Sete minutos animados do Curso de Física Básica do canal (capítulo 8, episódio 2) sobre o que acontece quando a luz troca de meio: reflexão, refração, a relação com a velocidade da luz e a lei de Snell, exatamente as seções “A luz muda de velocidade” e “A lei de Snell” desta página, em formato de vídeo para assistir antes de ler. A descrição do autor resume o roteiro (refração exige índices diferentes; a lei de Snell explica o desvio).
REFLEXÃO TOTAL DA LUZ - ÓPTICA - Aula 9 - Prof. Boaro
Professor Boaro · 21:12
Aprofundamento. Vinte e um minutos de quadro dedicados só ao ângulo limite e à reflexão total, a aula 9 da playlist de óptica geométrica do professor, com a dedução de sen L = n_menor/n_maior e as duas condições que a banca do PAS cobra (2010/121, 2019/70, 2020/105, 2023/98). É a seção “Do mais para o menos refringente há um teto” conduzida passo a passo; a descrição do vídeo identifica o tema e a posição na playlist.
Aula 13 – Dispersão Óptica – Prisma de Newton
Portal da Física OBMEP · 8:48
Aplicação. Nove minutos do Portal da Física da OBMEP (IMPA), aula 13 da trilha de refração do professor Rafael Juca: dispersão cromática, decomposição da luz branca no prisma e formação do arco-íris, conforme a descrição do autor. Cobre a seção “O prisma separa as cores porque n depende da cor” e o box do arco-íris, e serve de base para os itens 2010/118 e 2022/107.
Reflexão Total
Física Up - Profa. Carina Vellosa · 22:32
Resolução. Vinte e dois minutos com a teoria da reflexão total seguida de exercícios de vestibular resolvidos, listados na descrição do vídeo: um da UFRR sobre uma tabela de índices de refração (em qual par de meios há reflexão total com incidência grande) e um da FUVEST sobre a fibra óptica com núcleo e revestimento, além de miragens. É o treino das seções “Do mais para o menos refringente há um teto” e “Onde a reflexão total trabalha” com o mesmo tipo de dado que o PAS usa (índices tabelados, fibra com casca).
Rota PAS 2
Ótica geométrica e introdução à física moderna · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Ótica geométrica e introdução à física moderna · Refração, Snell e a reflexão total (conceito: índice, Snell, ângulo limite, dispersão; exemplo-guia ar–água, peixe, vidro e diamante; fibra óptica e miragem; figura do ângulo limite; itens 2010/121 e 118, 2007/84, 2023/98 e 100; armadilha das duas condições; checagem vidro–ar); Como a banca cobra (histórico de refração, dispersão e reflexão total); Síntese (Refração); Protocolo do item de óptica (3); Aquecimento, item 2 (vidro 'mais denso'); Banco de treino T4, T10, T12–T16

    Recorte por assunto: só a seção de refração, o histórico de refração/dispersão/reflexão total e os itens de treino correspondentes. Espelhos, lentes, olho, interação luz-matéria e dualidade ficam nas páginas irmãs. A página acrescenta, ausentes do capítulo, o índice relativo, a tabela de senos da banca, o dioptro plano com profundidade aparente, a lâmina de faces paralelas com a leitura completa do bloco de 2022, o prisma de reflexão total, a refração atmosférica do bloco de 2009 e o gráfico n × λ.

  • Rota PAS 2 — Ondulatória: som, luz e ondas do mar · Leia como na prova: dois itens de ondas dentro de uma fibra óptica (texto-base de 2023 e a partilha dos itens 97 a 102 entre ondulatória e óptica geométrica); Na prova (fronteira entre CN-E02 e CN-E03)

    Remissão: a metade ondulatória do bloco da fibra óptica (itens 99 e 102) está em ondas eletromagnéticas; aqui entram os itens geométricos 97, 98, 100 e 101.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 2 2009 (itens 106, 107 e 109), 2010 (itens 118 e 121), 2018 (item 78), 2019 (item 70), 2020 (item 105, Parte 2), 2022 (itens 105 a 108), 2023 (itens 97, 98, 100 e 101)

    Itens reproduzidos verbatim com os textos-base; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas2/AAAA.json. Figuras de 2009 (p. 16 do caderno), 2018 (p. 12, caderno Apolo), 2022 (p. 14) e 2023 (p. 14) rasterizadas a 130 dpi e descritas em texto neutro. O item 2010/122 (tipo C da gota de chuva) foi deixado de fora: as opções A e B têm o mesmo desenho e diferem só pelo rótulo. O item 2007/84 (distância focal por cor) fica para lentes e visão.