A prova do PAS 2 escreveu a intensidade de uma orquestra como 80 − 20·cos(πt/4), a posição de um pistão como (21/5)·sen(200πt) e o ar nos pulmões de um animal como a·sen(bt) + c, e em cada caso perguntou por um máximo, um período ou um instante. Como três ou quatro números escritos numa fórmula descrevem por completo tudo o que sobe e desce, e como se leem sem calculadora?
O que você vai aprender
Explicar como a projeção de um ponto que gira com velocidade constante gera a senoide, e reconhecer seno e cosseno como funções reais com domínio ℝ, imagem [−1, 1] e período 2π, com zeros, máximos e mínimos localizados em múltiplos de π/2.
Ler a função geral f(t) = a + b·sen(ct + d) pelos quatro coeficientes: linha média a, amplitude |b|, período 2π/|c|, deslocamento −d/c e imagem [a − |b|, a + |b|], e explicar o efeito de cada coeficiente no gráfico, inclusive em resposta escrita.
Decidir, sem calcular posições, se um movimento periódico está na mesma posição em dois instantes, calcular o período de uma soma de ondas pelo mmc dos períodos e converter período em frequência (voltas por minuto, ciclos por segundo).
Localizar o instante do máximo e do mínimo de uma função com fase (o máximo do seno fica onde o argumento vale π/2, não onde ele zera) e calcular o valor da função num instante dado, reduzindo o argumento por voltas inteiras.
Escrever a lei de uma senoide a partir do gráfico, de uma tabela ou de uma descrição (máximo, mínimo, período, valor inicial), e escolher, entre gráficos, o que representa uma lei dada.
Resolver equações e inequações simples do tipo f(t) = k ou f(t) < k num intervalo, contando as soluções no gráfico ou no círculo, e reconhecer a tangente como função de período π com assíntotas em π/2 + kπ.
Em dezembro de 2024, depois de um bloco sobre a ária Habanera, da ópera Carmen, a prova do PAS 2 escreveu que a intensidade sonora de uma orquestra, durante 30 minutos de uma peça que se repete, era D(t)=80−20cos(4πt) decibéis, com t em minutos, e perguntou duas coisas: se a intensidade máxima era 80 dB e quantos minutos durava um ciclo. Um ano depois, no fim de um bloco sobre o motor a etanol, a posição de um pistão virou f(t)=521sen(200πt), e a pergunta foi se um ciclo durava mais de 0,012 s e se o pistão estava na mesma posição em t=80401 e t=80641. Nenhum dos quatro itens exigia calcular um seno ou um cosseno. Todos exigiam saber ler uma fórmula: em D(t), o 80 marca o centro da oscilação e o 20 mede a altura dela; o π/4 de D(t) e o 200π de f(t) fixam, sozinhos, a duração de cada ciclo. Quem reconhece a função de cada coeficiente responde em uma linha; quem não reconhece fica preso tentando calcular sen(200π⋅401/80).
É isso que esta página ensina. A trigonometria nasceu no triângulo, como razão entre lados (página própria), e foi solta no círculo, onde seno e cosseno passaram a valer para qualquer ângulo. Aqui damos o último passo: o ângulo vira uma variável que corre, o seno e o cosseno viram funções de uma variável real, e o gráfico delas, a onda, passa a modelar tudo o que sobe e desce, de marés a respiração, de rodas-gigantes a correntes elétricas. A onda física em si (velocidade, comprimento, interferência) tem página em Física; o que nos interessa aqui é a função.
A altura de um ponto que gira: de onde vem a onda
Olhe para o ponteiro dos segundos de um relógio de parede e acompanhe só a ponta dele, medindo a altura em relação ao chão. Aos 0 s a ponta está no alto; aos 15 s, na altura do centro; aos 30 s, embaixo; aos 45 s, de novo na altura do centro; aos 60 s, no alto outra vez, e tudo recomeça. A posição horizontal da ponta foi descartada de propósito: sobrou um único número, a altura, que oscila entre dois limites fixos e volta ao mesmo valor a cada minuto. Marcando esse número contra o tempo, o desenho que aparece no papel não é um círculo, é uma onda, e essa curva tem nome: é a cossenoide (ou a senoide, conforme o instante escolhido como zero) traçada por um ângulo que cresce com o tempo. A roda-gigante da figura abaixo faz a mesma coisa em escala maior, e com números que vamos reaproveitar.
Da roda ao gráfico: descartada a posição horizontal da cadeira, sobra a altura contra o tempo, e ela desenha h(t)=22−20cos(πt/18). Embarque a 2 m, topo a 42 m, uma volta a cada 36 s. Diagrama autoral.
Agora a mesma ideia no círculo trigonométrico: tome o ponto P da circunferência de raio 1 cujo raio forma o ângulo x, em radianos, com o eixo horizontal; a altura de P é senx e a abscissa é cosx. Ponha P a girar em ritmo constante. O ângulo x cresce sem parar (uma volta, 2π; duas voltas, 4π; e assim por diante), e a altura de P sobe até 1, desce até −1, volta a subir. A regra que leva cada valor de x à altura do ponto é a função seno; a que leva à abscissa é a função cosseno. O triângulo ficou para trás: x é qualquer número real, positivo ou negativo, maior que uma volta ou não.
Essa é a ponte entre a função e o mundo. A matriz do PAS a chama de projeção do movimento circular uniforme, e ela vale para qualquer objeto que gire em ritmo constante, do ponteiro do relógio ao eixo de um motor: a coordenada vertical (ou a horizontal) de um ponto desse objeto é um seno ou um cosseno do tempo. Vale também na direção contrária, para fenômenos em que nada gira: a caixa torácica que infla e esvazia, o nível do mar num porto, a pressão do ar num som, a corrente alternada da rede. Basta que algo se repita em ritmo fixo para que a mesma curva o descreva, e é isso que permite à prova apresentar a mesma função como orquestra, pistão, pulmão, palmito ou radiação ultravioleta: a roupagem muda, a Matemática não.
Em 2007, a prova do PAS 2 desenhou o motor de uma locomotiva: uma manivela de comprimento r presa à roda, fazendo o ângulo φ com a horizontal, e a altura h do pino da manivela acima da linha do centro. Perguntava, em um item tipo C, qual dos quatro gráficos descrevia h em função de φ no intervalo [0,π]. No triângulo retângulo formado pela manivela, h=rsenφ: zero em φ=0, máximo r em φ=π/2, zero de novo em φ=π, e a subida é curva, não reta. Dos quatro gráficos, só um era um arco de senoide; os outros eram um V, uma rampa que vira patamar e uma serra de duas retas. A resposta vem de saber a cara da onda.
Seno e cosseno como funções: o que o gráfico mostra
As funções seno e cosseno
f(x)=senx e g(x)=cosx são funções de R em R, com x em radianos. Para as duas: domínio R, imagem [−1,1] e período 2π, isto é,
sen(x+2π)=senxecos(x+2π)=cosxpara todo x.
O seno parte de 0, vale 1 em π/2, volta a 0 em π, vale −1 em 3π/2 e fecha o ciclo em 2π. O cosseno parte de 1, zera em π/2, vale −1 em π, zera em 3π/2 e volta a 1 em 2π. As duas curvas são a mesma onda com um atraso de um quarto de volta entre elas: cosx=sen(x+2π), isto é, o cosseno chega a cada valor π/2 antes do seno. O seno é ímpar, sen(−x)=−senx (gráfico simétrico em relação à origem); o cosseno é par, cos(−x)=cosx (gráfico simétrico em relação ao eixo vertical).
Senoide e cossenoide em [−2π,2π]: mesma onda, mesmo período 2π, mesma imagem [−1,1]; o cosseno começa do topo, o seno começa do meio. Os marcos em múltiplos de π/2 são os únicos pontos que você precisa saber de cor. Diagrama autoral.
Três leituras do gráfico decidem itens inteiros.
Onde o seno vale 1? Em π/2 dentro da primeira volta, e no ponto correspondente de cada volta seguinte ou anterior: 2π+2kπ para todo inteiro k (2π, 25π, 29π, e também −23π). Infinitas vezes, uma por volta, e não em x=π, onde o seno volta a zero. Cada valor da imagem é atingido infinitas vezes. Se um item disser que existe um único x real com senx=1, está errado: periodicidade quer dizer precisamente que nenhum valor é atingido uma vez só.
Onde o cosseno vale 1? Só em 0 e nos múltiplos de 2π: cosθ=1⟺θ=2kπ. Onde vale −1? Em π, 3π, 5π: os múltiplos ímpares de π. Onde seno e cosseno valem zero? O seno zera nos múltiplos de π; o cosseno, nos múltiplos ímpares de π/2.
Como o cosseno é “o seno deslocado”? Deslize o gráfico do seno π/2 para a esquerda e ele vira o gráfico do cosseno; isso é o que cosx=sen(x+π/2) diz. Deslize π/2 para a direita e aparece −cosx: sen(x−π/2)=−cosx. Por isso uma função dada com seno pode sempre ser reescrita com cosseno e vice-versa, mudando só a fase; é também por isso que uma prova pode dar a mesma onda com seno em um ano e com cosseno no outro.
Em 2008, a prova do PAS 2 desenhou as margens de um trecho de rio como os gráficos de f(x)=sen(10πx) e g(x)=4+sen(10πx), com 0≤x≤10 e a unidade em metros, e afirmou que, estendidas a R, as duas funções tinham período 20π. O argumento é 10πx; ele completa uma volta (2π) quando x=20. O período é 20, um número, e o “π” do item estava no lugar errado: errado. O item vizinho afirmava que a equação g(x)=3 tinha pelo menos uma raiz em [0,10]. Como g(x)=3 exige sen(πx/10)=−1, isto é, 10πx=23π, x=15, fora do intervalo; e em [0,10] o argumento vai só de 0 a π, onde o seno nunca é negativo. Nenhuma raiz: errado também. Duas perguntas, dois olhares para o gráfico.
O seno é máximo em π?
Não. Em x=π o seno vale zero: o ponto P do círculo está do lado esquerdo, sobre o eixo horizontal. O máximo do seno fica em π/2, um quarto de volta, e o do cosseno fica em 0. Essa confusão derruba itens de “instante do máximo”: em 2021, a prova afirmou que a quantidade máxima de ar nos pulmões de um animal, modelada por f(t)=asen(bt)+c, ocorreria em t=π/b. Nesse instante o argumento é π e o seno é zero: f=c, a linha média, não o máximo. O máximo fica onde bt=π/2, isto é, t=2bπ. Errado.
Repetir é a propriedade: período, frequência e a soma de ondas
Função periódica, período e frequência
Chamamos f de periódica de período T quando há um número T>0 com f(t+T)=f(t) em todo ponto do domínio, tomando-se como período o menor T positivo que cumpre a condição. Repetir um valor em dois instantes isolados não basta: a curva inteira precisa reaparecer, idêntica, a cada passo de T. Para o seno e o cosseno puros, T=2π. A frequência é o número de ciclos por unidade de tempo, f=T1; se T está em segundos, f está em hertz (ciclos por segundo). Período e frequência são inversos: ciclo curto, frequência alta.
Há uma pergunta clássica que parece pedir uma conta e não pede: “o móvel ocupa a mesma posição nos instantes t1 e t2?”. Basta verificar se t2−t1 cabe um número inteiro de vezes no período; se cabe, a função devolve o mesmo valor, porque tudo nela se repete a cada T. Em 2025, com f(t)=521sen(200πt) e t em segundos, o item perguntou se o pistão estava na mesma posição em t=80401 e t=80641. A diferença é 80240=3 s. O período (a seção seguinte mostra de onde vem) é T=200π2π=0,01 s, e 3=300×0,01: trezentos ciclos inteiros. Mesma posição, certo. Os denominadores 80 estão ali para intimidar; nenhum passo da solução precisa deles.
O período de uma soma de ondas. Quando uma função é a soma de duas ondas de períodos T1 e T2, ela só repete quando as duas repetiram ao mesmo tempo: o período da soma é o menor múltiplo comum dos dois períodos. A prova de 2012 trouxe esse caso num bloco sobre um estádio: a componente norte-sul da velocidade do vento, registrada ao longo de uma semana (0≤t≤168 horas), obedecia a
v(t)=25sen(4πt+2π)+12cos(32πt+3π),
em cm/s, e um item afirmou que o vento se repetia diariamente porque o período de v era 24 horas. Tomadas em separado, as parcelas têm períodos 2π÷4π=8 h e 2π÷32π=3 h. Depois de 24 horas a primeira completou três ciclos e a segunda, oito, e só então as duas voltam juntas ao ponto de partida: mmc(8,3)=24. A função repete a cada dia: certo. Quem soma os períodos (8+3=11) ou toma só o primeiro (8) erra.
A soma de uma onda de período 8 h com uma de período 3 h repete a cada mmc(8,3)=24 h. A soma não é uma senoide, mas é periódica. Diagrama autoral com a função v(t) do item de 2012.
O mesmo raciocínio serve para ciclos que não vêm de fórmula nenhuma. Em 2018, quatro pás de turbinas distintas davam uma volta completa em 12, 9, 10 e 16 décimos de segundo, e o item afirmou que, estando todas na vertical em um instante, levariam mais de 2 minutos para voltar a estar. O menor múltiplo comum de 12, 9, 10 e 16 é 720 décimos de segundo, ou seja, 72 s, menos que 2 minutos: errado. É o período da soma, sem seno nenhum à vista.
Frequência disfarçada. A prova de 2011 descreveu as duas engrenagens de um moinho de vento por F1(t)=sen(2πf1t) e F2(t)=sen(2πf2t), e o item afirmou que, se a engrenagem maior dá uma volta enquanto a menor dá 2,5, então f2=35f1. Para julgar é preciso saber o que f representa nessa forma de escrever. O período de sen(2πft) é 2π÷2πf=f1; logo f conta quantos ciclos (voltas) cabem em uma unidade de tempo. Duas voltas e meia da menor para cada volta da maior significa f2=2,5f1=25f1. O item trocou 25 por 35: errado. A forma sen(2πft) é a preferida da Física justamente porque exibe a frequência; a forma sen(ωt) exibe a frequência angularω=2πf, em radianos por segundo.
Linha média, amplitude, período e fase: a fórmula lida pelos coeficientes
Num porto do litoral norte, o marégrafo registra a água subindo e descendo em torno de um nível de referência: digamos que o nível médio fique a 2,1 m, que a água suba até 1,8 m acima dele e desça até 1,8 m abaixo, e que o ciclo se complete a cada 12 horas. Com isso a altura varia de 0,3 m a 3,9 m. Três informações bastaram para descrever o movimento inteiro: o centro da oscilação, a altura da oscilação e a duração de um ciclo. Falta só uma quarta, o horário da primeira preamar, para acertar o relógio. A fórmula que modela a maré guarda essas quatro informações em quatro posições fixas, e aprender a localizá-las é o centro desta página.
A família f(t) = a + b·sen(ct + d)
Toda função da forma
f(t)=a+bsen(ct+d)
(e a versão correspondente com cosseno) é a onda básica esticada e deslocada. Quatro coeficientes, quatro leituras:
coeficiente
nome
o que controla
em f(t)=5+2sen(6πt)
a
linha média
o centro da oscilação: a altura em torno da qual a curva sobe e desce
5
∣b∣
amplitude
a distância vertical da linha média até o topo (e até o fundo)
2
c
—
o ritmo do argumento, que fixa o períodoT=∣c∣2π
T=2π÷6π=12
d
fase
empurra a onda para o lado: o gráfico desloca-se de −cd
0
O seno nunca sai de [−1,1]; multiplicado por b e somado a a, ele leva f a oscilar entre a−∣b∣ e a+∣b∣: máximoa+∣b∣, mínimoa−∣b∣, imagem[a−∣b∣,a+∣b∣]. Quanto maior c, mais depressa o argumento percorre uma volta e mais curto fica o período: c para cima, T para baixo. A fase d não mexe em amplitude nem em período, e o mesmo vale para o sinal de b ou para a troca de seno por cosseno: os extremos continuam a±∣b∣, mudam apenas os instantes em que a curva os atinge.
Os quatro coeficientes vistos no gráfico de f(t)=5+2sen(πt/6): linha média 5, amplitude 2 (máximo 7, mínimo 3), período 2π÷(π/6)=12 e fase nula. Tudo isso se lê na fórmula sem calcular um único seno. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 1: a maré do porto.h(t)=2,1+1,8sen(6πt), com t em horas após a meia-noite e 0≤t≤24. Leitura dos coeficientes: a=2,1 é o nível médio; ∣b∣=1,8 é a amplitude, de modo que a água chega a 2,1+1,8=3,9 m e desce a 2,1−1,8=0,3 m; c=6π dá T=2π÷6π=12 h, duas preamares por dia. O horário da primeira preamar é o instante em que o seno atinge 1: 6πt=2π, t=3 h. A primeira baixa-mar, quando o seno chega a −1: 6πt=23π, t=9 h. Conferência:h(3)=3,9 e h(9)=0,3; nos zeros do seno (t=0, 6, 12) a água está no nível médio, 2,1 m. Diante de um item do tipo “em algum momento do dia a maré passa de 3,5 m”, a resposta é certo, mas só depois de uma segunda verificação: o instante do máximo pertence ao intervalo do problema? Aqui t=3∈[0,24], e a resposta se mantém. Quando o domínio é um intervalo curto, essa verificação pode inverter o gabarito.
Exemplo resolvido 2: a orquestra de 2024.D(t)=80−20cos(4πt), 0≤t≤30, t em minutos. O item afirmava que a intensidade máxima era 80 dB. Mas 80 ocupa a posição da linha média, e o termo −20cos(πt/4) oscila entre −20 e +20; a intensidade sobe, portanto, até 80+20=100 dB, no instante em que o cosseno vale −1 (4πt=π, t=4 min). Errado. O item vizinho, tipo C, perguntava quantos minutos leva um ciclo, entre 4, 5, 8 e 15: T=2π÷4π=8 minutos. Nos 30 minutos da peça cabem três ciclos inteiros e mais três quartos. Cada distrator corresponde a um descuido típico: quem usa π em vez de 2π obtém 4; quem divide a duração da peça por 2 chega a 15.
O coeficiente certo na afirmação errada
A banca gosta de pegar um número verdadeiro da fórmula e apresentá-lo como resposta de outra pergunta. “A intensidade máxima é 80” (2024): 80 é a linha média, não o teto. “A amplitude é 20 porque a função varia de −10 a 10” (2015, fluxo magnético ψ(t)=10cos(800πt)): 20 é a distância do fundo ao topo; a amplitude, medida da linha média até um extremo, é 10. “O valor da função em t=2 min é 110” (2020, Y(t)=220cos(120πt) com t em segundos): 2 minutos são 120 s, o argumento 120π×120=14400π é múltiplo de 2π e Y=220cos0=220, não 110. Nas três situações, o número falso era um pedaço autêntico da fórmula deslocado para a afirmação errada.
De trás para a frente: máximo e mínimo dados. Se o item fornece o máximo M e o mínimo m, a linha média é o ponto médio, a=2M+m, e a amplitude é metade da distância, ∣b∣=2M−m. Em 2008, a temperatura entre os anos 1000 e 1200 foi modelada por T(t)=13,75+asen[π(50t−1000)], e o item dizia: se as temperaturas máxima e mínima foram 13,8°C e 13,6°C, então a=0,2. Metade da distância é 213,8−13,6=0,1; o item afirmou a distância inteira. Errado. Observe ainda que o 13,75 impresso não coincide com o ponto médio dos extremos, 13,7: a inconsistência ficou ali de propósito, para que o estudante que raciocina “vai de 13,6 a 13,8, logo varia 0,2” tomasse esse 0,2 como amplitude. O período dessa função, já que estamos aqui: o argumento é 50π(t−1000)=50πt−20π, logo c=50π e T=100 anos.
O período num fenômeno elétrico. Em 2015, o fluxo magnético nas espiras de uma turbina era ψ(t)=10cos(800πt), com t em segundos, e o tipo C perguntava o período entre 1,25, 2,50, 10,00 e 400,00 milésimos de segundo. T=800π2π=4001 s =2,5 ms. A opção 1,25 é esquecer o 2 de 2π; 400 é confundir período com o coeficiente. Na rede elétrica brasileira, a tensão de uma tomada de 220 V oscila como v(t)=311sen(120πt) volts (311 V é o valor de pico), com período 120π2π=601 s: 60 ciclos por segundo, os 60 Hz da rede.
Onde a família a + b·sen(ct + d) aparece na prova
Som de orquestra (2024), pistão de motor (2025), ar nos pulmões (2021), frutos de um palmito ao longo do ano (2022), partícula oscilante (2020), pás de turbina (2018), perfil de uma encosta (2016), fluxo magnético (2015), sistema massa-mola (2013), índice de radiação ultravioleta (2012), vento (2012), temperatura de um clima antigo (2008), margens de um rio (2008). O cenário muda a cada prova; o gesto de leitura não: linha média, amplitude, período, fase.
O que cada coeficiente faz ao gráfico (o item D de 2016)
Em 2016, depois de dois itens sobre o perfil de uma encosta marítima dado por y(x)=−2cos(52πx)+3, o único item de resposta escrita da prova pediu: considerando y(x)=Acos(Bx+C)+D com constantes positivas, “redija um texto explicando o efeito, no gráfico, da variação do valor de um dos coeficientes”. É a tabela da seção anterior em português, e vale conhecer cada linha com a figura na cabeça.
Os quatro efeitos, um por painel, sempre contra a onda básica sent em cinza: a sobe ou desce tudo; b estica na vertical; c comprime ou estica na horizontal (muda o período); d desliza para o lado. Diagrama autoral.
Aumentar a (ou D) sobe o gráfico inteiro: máximos e mínimos sobem o mesmo tanto, a linha média sobe, e nada mais muda: nem a amplitude, nem o período, nem os instantes de máximo.
Aumentar ∣b∣ (ou A) estica a onda na vertical: máximos mais altos, mínimos mais baixos, afastando-se da linha média, que não muda; o período e os pontos onde a curva cruza a linha média ficam onde estavam. Trocar o sinal de b reflete a onda em torno da linha média: onde era máximo vira mínimo.
Aumentar c (ou B) comprime a onda na horizontal: mais ciclos cabem no mesmo intervalo porque o período c2πdiminui; amplitude e linha média não mudam. Dobrar c não dobra o período: reduz o período à metade.
Aumentar d (ou C) desloca o gráfico para a esquerda (com c>0), de cd unidades, sem mudar forma, altura nem período; só muda onde ficam os máximos e mínimos.
Um texto completo diz o efeito e o que não muda. “Com A maior, os máximos sobem e os mínimos descem a mesma quantidade; linha média e período ficam como estavam” é uma resposta inteira; “aumentar A aumenta a função” é meia.
Os dois itens que antecederam o tipo D mostram a família em uso. O perfil y(x)=−2cos(52πx)+3, com x em [−120,120] metros e um farol na origem: linha média 3, amplitude 2, mínimo y=1 (em x=0, onde o cosseno vale 1 e o sinal negativo o leva para baixo), máximo y=5, período 2π÷52π=5 m. O primeiro item afirmou que o perfil se repetia a cada 6 m: errado, o período é 5. O segundo afirmou que uma embarcação que colidisse com a encosta em x=−22,5 m estaria a menos de 23 m do farol. Em x=−22,5, o argumento é 52π⋅(−22,5)=−9π, cosseno −1, logo y=2+3=5. A distância até a origem é 22,52+52=506,25+25=531,25. Em vez de extrair a raiz, compare quadrados: 232=529<531,25, logo a distância passa de 23 m. Errado.
Comparar duas funções. Entre p(t)=3sen(2t) e q(t)=5sen(2t), qual tem maior amplitude e qual tem maior período? Amplitudes 3 e 5: q oscila mais alto. Períodos 22π=π e 1/22π=4π: q demora quatro vezes mais por ciclo. O coeficiente maior dentro do argumento (2 contra 21) dá o período menor. Em 2021, um animal com dificuldades respiratórias passou a ter ciclo mais curto e menos ar retido, e o novo modelo g(t)=a1sen(b1t)+c foi comparado ao antigo f(t)=asen(bt)+c: o item afirmou a1<a e b1<b. A primeira desigualdade é verdadeira (reter menos ar é oscilar com amplitude menor), e é ela que empresta plausibilidade à segunda. Mas um ciclo mais curto é um período menor, e, com T=b2π, encurtar T obriga b a crescer: b1>b. Errado. Guarde o reflexo: quanto maior o coeficiente de t, mais apertado o ciclo.
A fase decide onde fica o máximo
A fase d é o coeficiente mais maltratado, porque o seu efeito não é “d para a direita”. A forma mais segura de lê-la é fatorar o c: ct+d=c(t+cd)=c(t−t0) com t0=−cd. O gráfico de a+bsen(c(t−t0)) é o de a+bsen(ct) deslocado de t0 para a direita (se t0>0) ou para a esquerda (se t0<0). O número d sozinho está dentro do argumento, em radianos, e precisa ser dividido por c para virar um deslocamento na unidade de t.
Mas, para a maioria dos itens, nem é preciso deslocar nada: basta perguntar onde o argumento vale π/2 (máximo do seno), 0 (máximo do cosseno), π (mínimo do cosseno) ou 3π/2 (mínimo do seno).
Exemplo resolvido 3: o mês dos frutos (PAS 2 2022). A quantidade mensal de frutos maduros de um pé de palmito-juçara era F(t)=M+Msen(6(t−2)π), com M>0 e t o mês do ano (t=1 janeiro, t=12 dezembro). O item afirmava que o mês de mais frutos era fevereiro.
Estratégia: procurar o instante em que o argumento do seno vale 2π, porque é ali que o seno chega a 1 e a função ao seu máximo.
Resolução:6(t−2)π=2π⇒t−2=3⇒t=5: maio. Em fevereiro (t=2) o argumento zera e a função vale M, a linha média. Errado.
Conferência: o período é 2π÷6π=12 meses, um ciclo anual, e o máximo 2M em maio é seguido do mínimo 0 em novembro (t−2=9). A aposta do item era a confusão entre o ponto em que o seno começa (argumento zero) e o ponto em que ele é máximo (argumento π/2). Sem o deslocamento t−2, uma lei como M+Msen(6πt) teria o máximo em t=3, março.
Exemplo resolvido 4: o mínimo de ar nos pulmões (PAS 2 2021). Com f(t)=asen(bt)+c, a, b, c positivos e a<c, o item afirmou que, para 0≤t≤b2π, a quantidade mínima de ar era c−a litros. O intervalo [0,b2π] é exatamente um período, então o seno percorre todos os seus valores e chega a −1 (em bt=23π, t=2b3π, dentro do intervalo). Mínimo c−a, positivo porque a<c. Certo. O item vizinho, já visto na armadilha, afirmou o máximo em t=bπ: errado, porque aí o seno zera; o máximo é em 2bπ.
Valor num instante dado. Para calcular f num instante, reduza o argumento por voltas inteiras antes de qualquer tabela. Em 2012, o item perguntou se, no dia 9/8 ao meio-dia, o vento v(t)=25sen(4πt+2π)+12cos(32πt+3π) soprava a 25 cm/s para o norte. Meio-dia de 9/8 é t=60 h (dois dias e meio depois de 0 h de 7/8). Primeiro termo: 460π+2π=15π+2π; quinze meias-voltas levam ao lado esquerdo do círculo, mais um quarto de volta cai no ponto mais baixo: seno −1, termo −25. Segundo termo: 3120π+3π=40π+3π; vinte voltas inteiras não mudam nada, cos3π=21, termo 6. v(60)=−19: 19 cm/s para o sul. Errado. O outro item do bloco afirmava que em algum instante o vento atingiu 40 cm/s para o sul. O valor mais baixo que v pode alcançar exige as duas parcelas no mínimo simultaneamente, −25−12=−37; a função nunca desce a −40. Errado, e para decidir bastou lembrar que seno e cosseno não ultrapassam 1 em módulo.
Do gráfico à fórmula: ler e escrever a lei
A operação inversa, olhar um gráfico (ou uma tabela, ou uma descrição) e escrever a lei, é a leitura mais completa da família, e a prova a cobrou em tipo C e em tipo D.
Roteiro. (1) Máximo M e mínimo m no gráfico: linha média a=2M+m, amplitude ∣b∣=2M−m. (2) Distância entre dois máximos consecutivos (ou entre dois cruzamentos da linha média no mesmo sentido): o período T, e então c=T2π. (3) Valor em t=0 decide entre seno e cosseno e o sinal: começa na linha média subindo, +sen; na linha média descendo, −sen; no máximo, +cos; no mínimo, −cos. (4) Se nenhum dos quatro serve, há fase: localize o primeiro máximo t0 e escreva a+∣b∣cos(c(t−t0)).
Resolução: a curva ocupa a faixa de 0 a 10, logo o centro está em 5 e a amplitude também vale 5. Isso elimina C e D, cujas amplitudes valem 10 e que mergulhariam em valores negativos. O ciclo completo (0, 10, 0) ocupa os 640 min, portanto T=640 e c=6402π=320π, e A cai fora (T=1280). Resta B, que em t=0 dá 5−5cos0=0 e em t=320 dá 5−5cosπ=10, como o gráfico. B.
Conferência: a opção A, 5+5sen(πt/640), também começa em 0 e chega a 10 em t=320, mas em t=640 o argumento é π e a função volta a 5, não a 0: ela desenha só meio ciclo e termina na linha média. O terceiro ponto do gráfico desempata.
Duas ondas, dois fenômenos. Na maré, os quatro números saem direto da fórmula; na respiração, o máximo fica em π/(2b), e em π/b a função está na linha média (o erro do item de 2021). Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 7: a curva pelos ninhos (PAS 2 2019, tipo D). Ninhos de formigas nos pontos A(−4,5), B(−5,0), C(0,5), D(−2,−5) e E(1,0), unidade em metros; pedia-se os menores m e n não negativos para que f(x)=mcos(nπx) passasse por todos, e o esboço.
Estratégia: o ponto sobre o eixo vertical dá m; os zeros e os extremos dão n por meio do período.
Resolução:f(0)=mcos0=m=5 (ponto C). Com m=5, os pontos A e C são máximos e D é mínimo: entre o máximo em x=−4 e o máximo em x=0 cabe um período inteiro, T=4 (o mínimo em x=−2, no meio, confirma). Então nπ=T2π=2π, n=21. Conferência nos cinco: f(−4)=5cos(−2π)=5 ✓; f(−5)=5cos(−5π/2)=0 ✓; f(0)=5 ✓; f(−2)=5cos(−π)=−5 ✓; f(1)=5cos(π/2)=0 ✓. Com n=0 a função seria a constante 5 e não passaria por B, D e E; n=21 é o menor que serve. O esboço é uma cossenoide de amplitude 5 e período 4: máximos em x=−4,0,4; mínimos em x=−6,−2,2,6; zeros em x=±1,±3,±5.
Como esboçar qualquer uma. Marque a linha média, o máximo e o mínimo com retas tracejadas; divida um período em quatro partes iguais; marque os cinco pontos (início, quarto, metade, três quartos, fim) e ligue com uma curva suave, sem bicos. Para f(t)=5+2sen(πt/6): f(0)=5, f(3)=7, f(6)=5, f(9)=3, f(12)=5. Pronto: amplitude 2, linha média 5, período 12, tudo visível.
Modelos com unidades: segundos, horas, meses e graus
A fórmula só tem sentido com a unidade de t declarada, e o item costuma testá-la. Três cuidados.
A unidade do período é a de t. Em f(t)=521sen(200πt) com t em segundos (PAS 2 2025), T=200π2π=1001=0,010 s, e a afirmação “o pistão leva mais de 0,012 s para completar um ciclo” é errada: 0,010 não passa de 0,012. Repare no valor escolhido para o limiar: 0,012 fica 20 % acima do período verdadeiro, distância suficiente para quem calcula direito e pequena o bastante para absorver quem troca 2π por π (e encontra 0,005) ou calcula 200π1≈0,0016. Não há conversão a fazer: t em segundos, período em segundos.
Converter o período em frequência de rotação. Em 2018, o ângulo de uma pá de turbina com a vertical, em radianos, era f(t)=[1−cos(3πt)]×π, t em segundos, e o tipo C pedia a velocidade de rotação em voltas por minuto, com as faixas: menos de 60; de 60 a 120; de 120 a 180; mais de 180. Uma volta da pá corresponde a um ciclo do cosseno, cujo período é T=3π2π=32 s. Em um minuto cabem 60÷32=90 voltas: a faixa de 60 a 120. Nem o fator π nem o “1−” interferem no ritmo: eles mudam a escala e a posição da onda, enquanto a duração do ciclo depende apenas do coeficiente 3π colado ao t.
Graus dentro do argumento. Às vezes um modelo vem escrito com o argumento em graus, por exemplo a temperatura média mensal de uma cidade T(m)=22+5sen(30°⋅(m−4)), com m o mês. O período é o valor de m que faz o argumento completar 360°: 360÷30=12 meses. Convertendo 30°=6π rad, a mesma conta dá 2π÷6π=12. Tanto faz a unidade, desde que o 2π (ou os 360°) e o coeficiente estejam na mesma; o que não pode é misturar: 302π não é período de nada. E o máximo: 30(m−4)=90⇒m=7, julho, com T=27 °C; o mínimo em janeiro (m=1, argumento −90°), T=17 °C.
Dois cossenos e senos somados com a mesma frequência. Em 2013, o sistema massa-mola veio como x(t)=Acos(ωt)+Bsen(ωt). Com A=B>0 e a identidade fornecida sen(2θ)=2senθcosθ, o quadrado é x2=A2(cos2ωt+sen2ωt+2senωtcosωt)=A2(1+sen2ωt), máximo quando sen(2ωt)=1, isto é, 2ωt=2π, t=4ωπ; nesse instante x também é máximo (os dois termos são positivos e iguais): certo. O item seguinte afirmou que, com A e B positivos, o estiramento máximo seria A+B: errado, porque seno e cosseno de um mesmo ângulo nunca valem 1 ao mesmo tempo; o máximo de Acosθ+Bsenθ é A2+B2, e com A=B isso dá A2≈1,41A, menos que 2A. A soma de duas ondas de mesma frequência é outra onda de mesma frequência, com amplitude A2+B2 e uma fase.
Quando f(t) vale isso? Equações e inequações no gráfico
Resolver f(t)=k é perguntar em que instantes a onda cruza a reta horizontal y=k. Se k está estritamente entre o mínimo e o máximo, a onda cruza a reta duas vezes por período: uma subindo, outra descendo. Se k é o máximo ou o mínimo, toca uma vez por período. Se k está fora da imagem, nunca.
h(t)=6 tem duas soluções por período (uma na subida, outra na descida); h(t)=7, o máximo, tem uma; h(t)=8 não tem nenhuma. A inequação h(t)>6 é o trecho sombreado, entre as duas soluções. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 8: quando a onda vale 6. Para h(t)=5+2sen(6πt), encontre os instantes em [0,12) em que h(t)=6, e diga quantas soluções há em [0,36).
Estratégia: isole o seno, encontre os dois arcos do círculo com esse seno no primeiro período e depois some períodos.
Resolução:5+2sen(6πt)=6⇒sen(6πt)=21. Em um período, o argumento 6πt percorre [0,2π), e os arcos com seno 21 são 6π e 65π (o círculo mostra os dois, simétricos em relação ao eixo vertical). Logo 6πt=6π⇒t=1 e 6πt=65π⇒t=5. Em [0,36) cabem três períodos: seis soluções, 1, 5, 13, 17, 25, 29.
Conferência:1 e 5 são simétricos em relação a t=3, o instante do máximo, como devem ser. Quem usa só o arco 6π perde metade das soluções.
Inequação no mesmo gráfico. “Durante quanto tempo, em cada período, h(t)>6?” É o trecho em que a onda está acima da reta: entre as duas soluções, de 1 a 5, isto é, 4 unidades de tempo por período, um terço do período. Para “h(t)≥6,5”, a conta é a mesma com sen≥43, e o trecho fica mais curto, em torno do máximo. Inequações do tipo “f(t) nunca é negativa” se decidem só pelo mínimo: g(t)=7+5sen(πt) tem mínimo 7−5=2>0, logo nunca é negativa, sem resolver nada.
Quando o valor está fora da imagem. O item de 2008 sobre g(x)=3 com g(x)=4+sen(πx/10) em [0,10] é desse tipo com um detalhe: 3 está na imagem da função estendida a R (é o mínimo), mas não é atingido dentro do intervalo pedido, porque o argumento só vai até π e o seno não chega a −1. A pergunta “em que intervalo?” faz parte da equação.
A tangente é outra onda: período π e assíntotas
A função tangente, tgx=cosxsenx, herda as duas funções anteriores e tem uma estrutura diferente, que a prova raramente cobra mas que fecha o assunto.
A função tangente
Domínio: todos os reais exceto os zeros do cosseno, x=2π+kπ. Nesses pontos o gráfico tem assíntotas verticais: a tangente cresce sem limite ao se aproximar deles pela esquerda e vem de −∞ pela direita. Imagem: R inteiro, sem amplitude, sem máximo nem mínimo. Período: π, e não 2π, porque meia-volta troca o sinal do seno e do cosseno, e o quociente não muda: tg(x+π)=tgx. É ímpar, tg(−x)=−tgx, e crescente em cada ramo. Para f(x)=atg(bx+c)+d: período ∣b∣π, assíntotas onde bx+c=2π+kπ, e nada de “imagem [d−a,d+a]”: a tangente não tem teto.
A tangente: ramos crescentes entre assíntotas consecutivas, zeros em kπ, valor 1 em π/4, período π. Diagrama autoral.
Um uso da tangente como função apareceu em 2010, na contagem de renas de uma ilha: Q(t)=Mtg(76(t−1944)π)+N. A única trigonometria do item era tg0=0 (em 1944) e tg4π=1 (em 1963), que o círculo garante; o resto era álgebra. Repare na escolha do modelo: a tangente cresce sem limite perto de t=1944+38=1982, onde o argumento chegaria a π/2, uma explosão populacional que nenhum seno descreveria.
Como a banca pergunta
Os trinta itens reais desta página, de 2007 a 2025, cabem em sete formatos.
Máximo, mínimo ou amplitude direto da fórmula, ou amplitude a partir dos extremos (2024/45, 2015/88, 2021/98, 2025/80, 2008/69): a±∣b∣; amplitude é ∣b∣, a metade do curso.
Período direto da fórmula, em tipo A ou C (2024/46, 2025/78, 2015/89, 2016/105, 2008/47): T=∣c∣2π, na unidade de t.
Período disfarçado: soma de ondas (2012/97), frequência (2011/58), voltas por minuto (2018/86), coincidência de ciclos (2018/85), mesma posição (2025/79).
Instante do máximo ou valor num instante (2022/91, 2021/100, 2020/93, 2012/96, 2013/100, 2016/106): argumento igual a 2π (seno) ou 0 (cosseno); reduza por voltas inteiras.
Gráfico ↔ fórmula (2012/39, 2020/94, 2007/25, 2019/87): linha média, amplitude, período e valor inicial, nessa ordem.
Efeito de cada coeficiente e comparação de modelos (2016/107, 2021/99): c e T em sentidos opostos.
Existência de solução e limites (2008/48, 2012/95, 2013/101): seno e cosseno ficam entre −1 e 1, e dentro do intervalo pedido.
E um aviso de formato: nas provas recentes, os itens de trigonometria não vêm dentro do texto longo do bloco, e sim depois dele, ligados a um “pressuposto” de duas linhas que traz a fórmula (o pistão em 2025, a orquestra em 2024). Leia o comando, localize esse pressuposto e extraia a, ∣b∣, c e d antes de qualquer conta. Metade dos itens da década se decide só com essas leituras.
O item que a banca anulou
Em 2025, o terceiro item do pistão afirmava: “a amplitude do movimento do pistão, ou seja, a distância máxima de deslocamento do pistão, é superior a 8 cm”. Pela definição matemática, a amplitude é ∣b∣=521=4,2 cm, e a afirmação seria falsa. Só que o próprio enunciado redefiniu a palavra como “distância máxima de deslocamento”, expressão que descreve o percurso entre as duas posições extremas, 2×4,2=8,4 cm, e com essa leitura a afirmação seria verdadeira. Diante de duas interpretações legítimas, a banca cancelou o item. O que fica para você é um hábito: diante da palavra “amplitude”, verifique de que referência ela está sendo medida; se o texto deixar dúvida, calcule pelas duas e compare antes de responder.
Os erros que a banca planta
Período lido como o coeficiente, ou sem o 2.T=c2π: em cos(800πt), T=4001 s, não 8001 nem 800. Em sen(πx/10), T=20, não 20π.
c grande, período grande. É o contrário: ciclo encurtado exige c maior (2021/99).
Período confundido com frequência. Um é o inverso do outro: f2=2,5f1 para 2,5 voltas por volta (2011/58).
Período da soma = soma dos períodos. É o mmc: 8 h e 3 h dão 24 h, não 11.
Amplitude = curso total, ou = máximo. Amplitude é ∣b∣; o curso entre extremos é 2∣b∣; o máximo é a+∣b∣ (2015/88, 2008/69, 2024/45).
Esquecer a linha média.a desloca a imagem inteira: [a−∣b∣,a+∣b∣], não [−∣b∣,∣b∣].
Máximo onde o argumento zera. O seno é máximo em π/2, zero em 0 e em π (2022/91, 2021/100).
Sinal da fase.sen(c(t−t0)) desloca para a direitat0; sen(ct+d) desloca para a esquerda d/c. Divida d por c antes de ler o deslocamento.
Unidade do argumento. 2 minutos são 120 segundos em Y(t)=220cos(120πt) (2020/93); 30° e π/6 rad são o mesmo coeficiente, mas 302π não é período de nada.
Soma de senos e cossenos somada “na mão”.Acosθ+Bsenθ não chega a A+B; chega a A2+B2 (2013/101).
Esquecer o intervalo.g(x)=3 tem solução em R, mas não em [0,10] (2008/48); o máximo existe na fórmula, mas é atingido dentro do domínio?
Transferir regras da senoide para a tangente. Período π, sem amplitude, sem imagem limitada, com assíntotas.
O essencial em meia página
Seno e cosseno como funções (x em rad): domínio R, imagem [−1,1], período 2π. Seno: 0,1,0,−1,0 em 0,2π,π,23π,2π. Cosseno: 1,0,−1,0,1. cosx=sen(x+π/2). Seno ímpar, cosseno par. Cada valor é atingido infinitas vezes; o seno é máximo em π/2, não em π.
Famíliaf(t)=a+bsen(ct+d): linha média a; amplitude ∣b∣; máximo a+∣b∣, mínimo a−∣b∣; período T=∣c∣2π; deslocamento −cd. c e T em sentidos opostos; d e o sinal de b não mudam extremos nem período.
De máximo e mínimo: a=2M+m, ∣b∣=2M−m. Frequência: f=T1; sen(2πft) exibe f; sen(ωt) exibe ω=2πf.
Mesma posição em t1 e t2: t2−t1 múltiplo inteiro de T. Soma de ondas: período =mmc dos períodos.
Instante do máximo: argumento =2π (seno) ou 0 (cosseno); do mínimo: 23π ou π. Valor num instante: reduza o argumento por voltas inteiras.
Do gráfico à lei: máximo e mínimo → a e ∣b∣; distância entre máximos → T → c; valor inicial → seno ou cosseno e sinal; primeiro máximo → fase.
Equação f(t)=k: duas soluções por período se m<k<M (uma subindo, outra descendo), uma se k é extremo, nenhuma fora da imagem; conte os períodos do intervalo. Inequação: trecho entre as soluções.
Tangente: período π, assíntotas em 2π+kπ, imagem R, sem amplitude.
Na prova: ache o pressuposto com a fórmula; extraia a, ∣b∣, c, d; unidade de t; em limiar com raiz, compare quadrados.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Aula 35 – Trigonometria – O Gráfico da Função Seno – Aula 01
Portal da Matemática OBMEP · 11:22
Introdução. O professor Silvio Freitas (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP) constrói o gráfico da função seno ponto a ponto a partir do círculo trigonométrico, marcando os valores em 0, π/2, π, 3π/2 e 2π e mostrando a repetição: é a seção “Seno e cosseno como funções: o que o gráfico mostra” desenhada no quadro, com a transição do círculo para a onda explicada devagar.
GRÁFICOS SENO E COSSENO - GUIA DEFINITIVO
Equaciona Com Paulo Pereira · 23:05
Aprofundamento. Um gráfico de cada vez, o professor Paulo Pereira esboça y = sen 2x, sen(x/2), 2sen x, (sen x)/2, 1 + sen x, sen x − 1, sen(x + π) e sen(2x − π): são exatamente os quatro efeitos da seção “O que cada coeficiente faz ao gráfico” (período, amplitude, linha média e fase), inclusive o caso com dois parâmetros combinados, que é o que a prova pede no tipo D.
PAS 2 | Matemática | Funções Trigonométricas - Seno e Cosseno | Prova de 2019 - Questão 87
PAS Digital · 10:30
Resolução. O item de resposta construída do PAS 2 de 2019 (a curva f(x) = m·cos(nπx) pelos ninhos de formigas), resolvido na íntegra com a determinação de m pelo ponto sobre o eixo vertical, de n pelo período entre máximos e o esboço do gráfico: é o exemplo resolvido “a curva pelos ninhos” da seção “Do gráfico à fórmula”, no formato em que a banca cobrou.
ENEM 2018 - Roda Gigante High Roller - Função Trigonométrica
Professor 1BERTO Matemática · 8:19
Aplicação. A questão da roda-gigante High Roller (ENEM 2018): a altura de uma cadeira em função do ângulo girado, modelada por uma senoide com linha média na altura do eixo e amplitude igual ao raio, e a escolha da lei entre as alternativas. É a seção “Filme só a altura: a roda-gigante vira onda” aplicada a um item de prova, com a leitura da fase pela posição inicial da cadeira.
FUNÇÃO TANGENTE (DOMÍNIO, IMAGEM, PERÍODO E PARIDADE) (AULA 16/24)
Equaciona Com Paulo Pereira · 15:05
Complemento. Esboço do gráfico da tangente com domínio x ≠ π/2 + kπ, imagem ℝ, período π e paridade ímpar, exatamente o conteúdo da seção “A tangente é outra onda: período π e assíntotas”; útil para quem precisa ver por que a tangente não tem amplitude nem imagem limitada.
A altura de uma cabine ao longo do tempo é uma onda: linha média na altura do eixo, amplitude igual ao raio, período igual ao tempo de uma volta.Da roda ao gráfico: descartada a posição horizontal da cadeira, sobra a altura contra o tempo, e ela desenha h(t)=22−20cos(πt/18). Embarque a 2 m, topo a 42 m, uma volta a cada 36 s. Diagrama autoral.Senoide e cossenoide em [−2π,2π]: mesma onda, mesmo período 2π, mesma imagem [−1,1]; o cosseno começa do topo, o seno começa do meio. Os marcos em múltiplos de π/2 são os únicos pontos que você precisa saber de cor. Diagrama autoral.A soma de uma onda de período 8 h com uma de período 3 h repete a cada mmc(8,3)=24 h. A soma não é uma senoide, mas é periódica. Diagrama autoral com a função v(t) do item de 2012.Os quatro coeficientes vistos no gráfico de f(t)=5+2sen(πt/6): linha média 5, amplitude 2 (máximo 7, mínimo 3), período 2π÷(π/6)=12 e fase nula. Tudo isso se lê na fórmula sem calcular um único seno. Diagrama autoral.Os quatro efeitos, um por painel, sempre contra a onda básica sent em cinza: a sobe ou desce tudo; b estica na vertical; c comprime ou estica na horizontal (muda o período); d desliza para o lado. Diagrama autoral.Duas ondas, dois fenômenos. Na maré, os quatro números saem direto da fórmula; na respiração, o máximo fica em π/(2b), e em π/b a função está na linha média (o erro do item de 2021). Diagrama autoral.h(t)=6 tem duas soluções por período (uma na subida, outra na descida); h(t)=7, o máximo, tem uma; h(t)=8 não tem nenhuma. A inequação h(t)>6 é o trecho sombreado, entre as duas soluções. Diagrama autoral.A tangente: ramos crescentes entre assíntotas consecutivas, zeros em kπ, valor 1 em π/4, período π. Diagrama autoral.O ar nos pulmões ao longo do tempo oscila em torno de um volume médio: linha média c, amplitude a e período 2π/b na função a·sen(bt) + c da prova de 2021.O ângulo de uma pá com a vertical se repete a cada volta; do período em segundos saem as voltas por minuto, como no item de 2018.Entre a marca da maré alta e o nível da maré baixa está o curso total; a amplitude é a metade, medida a partir do nível médio.Uma peça que se repete em ciclos é um fenômeno periódico; a prova de 2024 modelou a intensidade sonora de uma orquestra por 80 − 20·cos(πt/4) e cobrou o máximo e o período.A corrente alternada da rede brasileira é 2·sen(120πt): período 1/60 s, 60 ciclos por segundo, o que o osciloscópio desenha como uma senoide.Um perfil de encosta modelado por −2cos(2πx/5) + 3 repete-se a cada 5 m; a distância de um ponto da encosta ao farol sai por Pitágoras, com o valor da função no ponto.O giro do virabrequim vira o sobe-e-desce do pistão: a posição em função do tempo é uma senoide, e o tempo de um ciclo é o período.
Rota PAS 2
Trigonometria: do triângulo ao fenômeno periódico · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Trigonometria: do triângulo ao fenômeno periódico · Do círculo à onda: seno e cosseno como funções do tempo; A onda vestida de fenômeno: amplitude, período e linha média; Leia como na prova: um bloco de 18 itens (motor a etanol, PAS 2 2025); Como a banca cobra (O histórico); Resolvidos (maré, corrente alternada tipo C, roda-gigante tipo B); Exercícios 3–10, 13–17; Banco de treino T7–T13, T15–T22
Recorte por assunto: só as funções e seus parâmetros. As razões no triângulo e as duas leis ficam em trigonometria-no-triangulo; radianos, círculo trigonométrico, sinais e redução ao 1.º quadrante ficam em ciclo-trigonometrico. A fórmula do item 2024/45 foi conferida no caderno (D(t) = 80 − 20·cos(πt/4)) e corrigida no capítulo.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe), 2.ª etapa · 2007 (item 25), 2008 (itens 47, 48 e 69), 2011 (item 58), 2012 (itens 39, 95, 96 e 97), 2013 (itens 100 e 101), 2015 (itens 88 e 89), 2016 (itens 105, 106 e 107), 2018 (itens 85 e 86), 2019 (item 87), 2020 (itens 93 e 94), 2021 (itens 98, 99 e 100), 2022 (item 91), 2024 (itens 45 e 46), 2025 (itens 78, 79 e 80 — este anulado, só na teoria)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB.txt e em pesquisa/classificacao-pas2/AAAA.json. Os cadernos de 2011 e 2016 não trazem os números dos itens no texto extraído; a numeração foi conferida na imagem.
Cadernos em PDF (figuras e fórmulas dos itens) · Páginas renderizadas a 130–400 dpi: mecanismo biela–manivela e os quatro gráficos de h(φ) (2007, p. 5); margens do rio Paraíba do Sul f(x) = sen(πx/10) e g(x) = 4 + sen(πx/10) (2008, p. 7); T(t) = 13,75 + a·sen[π(t − 1000)/50] (2008, p. 9); engrenagens do moinho (2011, p. 9); gráfico em sino do índice UV (2012, p. 7); v(t) do vento (2012, p. 15); x(t) = A cos ωt + B sen ωt (2013, p. 13); ψ(t) = 10cos(800πt) (2015, p. 15); gráfico da encosta y(x) = −2cos(2πx/5) + 3 (2016, p. 15); turbina f(t) = [1 − cos(3πt)]·π (2018, p. 12); ninhos de formigas e f(x) = m·cos(nπx) (2019, p. 10); os quatro gráficos de Y(t) = 220cos(120πt) (2020, parte 2, p. 9); ciclo respiratório (2021, parte 2, p. 9); palmito-juçara (2022, p. 12); orquestra D(t) = 80 − 20cos(πt/4) (2024, p. 7); pistão f(t) = (21/5)sen(200πt) (2025, parte 2, p. 7)
Toda figura impressa foi descrita em texto neutro no campo text das questões, com eixos, escalas, máximos, mínimos e rótulos.