Funções trigonométricas

Guia de estudo · Revisado em 03/10/2026

BNCC · EM13MAT306

A prova do PAS 2 escreveu a intensidade de uma orquestra como 80 − 20·cos(πt/4), a posição de um pistão como (21/5)·sen(200πt) e o ar nos pulmões de um animal como a·sen(bt) + c, e em cada caso perguntou por um máximo, um período ou um instante. Como três ou quatro números escritos numa fórmula descrevem por completo tudo o que sobe e desce, e como se leem sem calculadora?

O que você vai aprender

  • Explicar como a projeção de um ponto que gira com velocidade constante gera a senoide, e reconhecer seno e cosseno como funções reais com domínio ℝ, imagem [−1, 1] e período 2π, com zeros, máximos e mínimos localizados em múltiplos de π/2.
  • Ler a função geral f(t) = a + b·sen(ct + d) pelos quatro coeficientes: linha média a, amplitude |b|, período 2π/|c|, deslocamento −d/c e imagem [a − |b|, a + |b|], e explicar o efeito de cada coeficiente no gráfico, inclusive em resposta escrita.
  • Decidir, sem calcular posições, se um movimento periódico está na mesma posição em dois instantes, calcular o período de uma soma de ondas pelo mmc dos períodos e converter período em frequência (voltas por minuto, ciclos por segundo).
  • Localizar o instante do máximo e do mínimo de uma função com fase (o máximo do seno fica onde o argumento vale π/2, não onde ele zera) e calcular o valor da função num instante dado, reduzindo o argumento por voltas inteiras.
  • Escrever a lei de uma senoide a partir do gráfico, de uma tabela ou de uma descrição (máximo, mínimo, período, valor inicial), e escolher, entre gráficos, o que representa uma lei dada.
  • Resolver equações e inequações simples do tipo f(t) = k ou f(t) < k num intervalo, contando as soluções no gráfico ou no círculo, e reconhecer a tangente como função de período π com assíntotas em π/2 + kπ.

Em dezembro de 2024, depois de um bloco sobre a ária Habanera, da ópera Carmen, a prova do PAS 2 escreveu que a intensidade sonora de uma orquestra, durante 30 minutos de uma peça que se repete, era D(t)=80−20cos⁡ ⁣(πt4)D(t) = 80 - 20\cos\!\left(\dfrac{\pi t}{4}\right) decibéis, com tt em minutos, e perguntou duas coisas: se a intensidade máxima era 80 dB e quantos minutos durava um ciclo. Um ano depois, no fim de um bloco sobre o motor a etanol, a posição de um pistão virou f(t)=215sen⁡(200πt)f(t) = \dfrac{21}{5}\operatorname{sen}(200\pi t), e a pergunta foi se um ciclo durava mais de 0,012 s e se o pistão estava na mesma posição em t=40180t = \dfrac{401}{80} e t=64180t = \dfrac{641}{80}. Nenhum dos quatro itens exigia calcular um seno ou um cosseno. Todos exigiam saber ler uma fórmula: em D(t)D(t), o 80 marca o centro da oscilação e o 20 mede a altura dela; o π/4\pi/4 de D(t)D(t) e o 200π200\pi de f(t)f(t) fixam, sozinhos, a duração de cada ciclo. Quem reconhece a função de cada coeficiente responde em uma linha; quem não reconhece fica preso tentando calcular sen⁡(200π⋅401/80)\operatorname{sen}(200\pi \cdot 401/80).

É isso que esta página ensina. A trigonometria nasceu no triângulo, como razão entre lados (página própria), e foi solta no círculo, onde seno e cosseno passaram a valer para qualquer ângulo. Aqui damos o último passo: o ângulo vira uma variável que corre, o seno e o cosseno viram funções de uma variável real, e o gráfico delas, a onda, passa a modelar tudo o que sobe e desce, de marés a respiração, de rodas-gigantes a correntes elétricas. A onda física em si (velocidade, comprimento, interferência) tem página em Física; o que nos interessa aqui é a função.

A altura de um ponto que gira: de onde vem a onda

Olhe para o ponteiro dos segundos de um relógio de parede e acompanhe só a ponta dele, medindo a altura em relação ao chão. Aos 0 s a ponta está no alto; aos 15 s, na altura do centro; aos 30 s, embaixo; aos 45 s, de novo na altura do centro; aos 60 s, no alto outra vez, e tudo recomeça. A posição horizontal da ponta foi descartada de propósito: sobrou um único número, a altura, que oscila entre dois limites fixos e volta ao mesmo valor a cada minuto. Marcando esse número contra o tempo, o desenho que aparece no papel não é um círculo, é uma onda, e essa curva tem nome: é a cossenoide (ou a senoide, conforme o instante escolhido como zero) traçada por um ângulo que cresce com o tempo. A roda-gigante da figura abaixo faz a mesma coisa em escala maior, e com números que vamos reaproveitar.

À esquerda, uma roda-gigante de raio 20 metros com o eixo a 22 metros do chão e uma cadeira marcada; a altura da cadeira é a ordenada do ponto. À direita, o gráfico da altura em função do tempo: uma onda que parte de 2 metros em t igual a zero, sobe até 42 metros em t igual a 18 segundos, volta a 2 metros em t igual a 36 segundos e repete; a linha média tracejada está em 22 metros e a amplitude marcada vale 20 metros.
Da roda ao gráfico: descartada a posição horizontal da cadeira, sobra a altura contra o tempo, e ela desenha h(t)=22−20cos⁡(πt/18)h(t) = 22 - 20\cos(\pi t/18). Embarque a 2 m, topo a 42 m, uma volta a cada 36 s. Diagrama autoral.

Agora a mesma ideia no círculo trigonométrico: tome o ponto PP da circunferência de raio 1 cujo raio forma o ângulo xx, em radianos, com o eixo horizontal; a altura de PP é sen⁡x\operatorname{sen}x e a abscissa é cos⁡x\cos x. Ponha PP a girar em ritmo constante. O ângulo xx cresce sem parar (uma volta, 2π2\pi; duas voltas, 4π4\pi; e assim por diante), e a altura de PP sobe até 1, desce até −1-1, volta a subir. A regra que leva cada valor de xx à altura do ponto é a função seno; a que leva à abscissa é a função cosseno. O triângulo ficou para trás: xx é qualquer número real, positivo ou negativo, maior que uma volta ou não.

Essa é a ponte entre a função e o mundo. A matriz do PAS a chama de projeção do movimento circular uniforme, e ela vale para qualquer objeto que gire em ritmo constante, do ponteiro do relógio ao eixo de um motor: a coordenada vertical (ou a horizontal) de um ponto desse objeto é um seno ou um cosseno do tempo. Vale também na direção contrária, para fenômenos em que nada gira: a caixa torácica que infla e esvazia, o nível do mar num porto, a pressão do ar num som, a corrente alternada da rede. Basta que algo se repita em ritmo fixo para que a mesma curva o descreva, e é isso que permite à prova apresentar a mesma função como orquestra, pistão, pulmão, palmito ou radiação ultravioleta: a roupagem muda, a Matemática não.

Em 2007, a prova do PAS 2 desenhou o motor de uma locomotiva: uma manivela de comprimento rr presa à roda, fazendo o ângulo φ\varphi com a horizontal, e a altura hh do pino da manivela acima da linha do centro. Perguntava, em um item tipo C, qual dos quatro gráficos descrevia hh em função de φ\varphi no intervalo [0,π][0, \pi]. No triângulo retângulo formado pela manivela, h=rsen⁡φh = r\operatorname{sen}\varphi: zero em φ=0\varphi = 0, máximo rr em φ=π/2\varphi = \pi/2, zero de novo em φ=π\varphi = \pi, e a subida é curva, não reta. Dos quatro gráficos, só um era um arco de senoide; os outros eram um V, uma rampa que vira patamar e uma serra de duas retas. A resposta vem de saber a cara da onda.

Seno e cosseno como funções: o que o gráfico mostra

As funções seno e cosseno

f(x)=sen⁡xf(x) = \operatorname{sen}x e g(x)=cos⁡xg(x) = \cos x são funções de R\mathbb{R} em R\mathbb{R}, com xx em radianos. Para as duas: domínio R\mathbb{R}, imagem [−1,1][-1, 1] e período 2π2\pi, isto é,

sen⁡(x+2π)=sen⁡xecos⁡(x+2π)=cos⁡xpara todo x.\operatorname{sen}(x + 2\pi) = \operatorname{sen}x \quad\text{e}\quad \cos(x + 2\pi) = \cos x \quad \text{para todo } x.

O seno parte de 00, vale 11 em π/2\pi/2, volta a 00 em π\pi, vale −1-1 em 3π/23\pi/2 e fecha o ciclo em 2π2\pi. O cosseno parte de 11, zera em π/2\pi/2, vale −1-1 em π\pi, zera em 3π/23\pi/2 e volta a 11 em 2π2\pi. As duas curvas são a mesma onda com um atraso de um quarto de volta entre elas: cos⁡x=sen⁡ ⁣(x+π2)\cos x = \operatorname{sen}\!\left(x + \dfrac{\pi}{2}\right), isto é, o cosseno chega a cada valor π/2\pi/2 antes do seno. O seno é ímpar, sen⁡(−x)=−sen⁡x\operatorname{sen}(-x) = -\operatorname{sen}x (gráfico simétrico em relação à origem); o cosseno é par, cos⁡(−x)=cos⁡x\cos(-x) = \cos x (gráfico simétrico em relação ao eixo vertical).

Dois gráficos empilhados no intervalo de menos dois pi a dois pi, com o eixo horizontal marcado em múltiplos de pi sobre dois. Em cima, a senoide: zeros em menos dois pi, menos pi, zero, pi e dois pi; máximos 1 em menos três pi sobre dois e pi sobre dois; mínimos menos 1 em menos pi sobre dois e três pi sobre dois; o gráfico é simétrico em relação à origem. Embaixo, a cossenoide: máximos 1 em menos dois pi, zero e dois pi; mínimos menos 1 em menos pi e pi; zeros nos múltiplos ímpares de pi sobre dois; o gráfico é simétrico em relação ao eixo vertical. Uma seta mostra que a cossenoide é a senoide deslocada de pi sobre dois para a esquerda.
Senoide e cossenoide em [−2π,2π][-2\pi, 2\pi]: mesma onda, mesmo período 2π2\pi, mesma imagem [−1,1][-1, 1]; o cosseno começa do topo, o seno começa do meio. Os marcos em múltiplos de π/2\pi/2 são os únicos pontos que você precisa saber de cor. Diagrama autoral.

Três leituras do gráfico decidem itens inteiros.

Onde o seno vale 1? Em π/2\pi/2 dentro da primeira volta, e no ponto correspondente de cada volta seguinte ou anterior: π2+2kπ\dfrac{\pi}{2} + 2k\pi para todo inteiro kk (π2\dfrac{\pi}{2}, 5π2\dfrac{5\pi}{2}, 9π2\dfrac{9\pi}{2}, e também −3π2-\dfrac{3\pi}{2}). Infinitas vezes, uma por volta, e não em x=πx = \pi, onde o seno volta a zero. Cada valor da imagem é atingido infinitas vezes. Se um item disser que existe um único xx real com sen⁡x=1\operatorname{sen}x = 1, está errado: periodicidade quer dizer precisamente que nenhum valor é atingido uma vez só.

Onde o cosseno vale 1? Só em 00 e nos múltiplos de 2π2\pi: cos⁡θ=1  ⟺  θ=2kπ\cos\theta = 1 \iff \theta = 2k\pi. Onde vale −1-1? Em π\pi, 3π3\pi, 5π5\pi: os múltiplos ímpares de π\pi. Onde seno e cosseno valem zero? O seno zera nos múltiplos de π\pi; o cosseno, nos múltiplos ímpares de π/2\pi/2.

Como o cosseno é “o seno deslocado”? Deslize o gráfico do seno π/2\pi/2 para a esquerda e ele vira o gráfico do cosseno; isso é o que cos⁡x=sen⁡(x+π/2)\cos x = \operatorname{sen}(x + \pi/2) diz. Deslize π/2\pi/2 para a direita e aparece −cos⁡x-\cos x: sen⁡(x−π/2)=−cos⁡x\operatorname{sen}(x - \pi/2) = -\cos x. Por isso uma função dada com seno pode sempre ser reescrita com cosseno e vice-versa, mudando só a fase; é também por isso que uma prova pode dar a mesma onda com seno em um ano e com cosseno no outro.

Em 2008, a prova do PAS 2 desenhou as margens de um trecho de rio como os gráficos de f(x)=sen⁡ ⁣(πx10)f(x) = \operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi x}{10}\right) e g(x)=4+sen⁡ ⁣(πx10)g(x) = 4 + \operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi x}{10}\right), com 0≤x≤100 \le x \le 10 e a unidade em metros, e afirmou que, estendidas a R\mathbb{R}, as duas funções tinham período 20π20\pi. O argumento é πx10\dfrac{\pi x}{10}; ele completa uma volta (2π2\pi) quando x=20x = 20. O período é 20, um número, e o “π\pi” do item estava no lugar errado: errado. O item vizinho afirmava que a equação g(x)=3g(x) = 3 tinha pelo menos uma raiz em [0,10][0, 10]. Como g(x)=3g(x) = 3 exige sen⁡(πx/10)=−1\operatorname{sen}(\pi x/10) = -1, isto é, πx10=3π2\dfrac{\pi x}{10} = \dfrac{3\pi}{2}, x=15x = 15, fora do intervalo; e em [0,10][0, 10] o argumento vai só de 00 a π\pi, onde o seno nunca é negativo. Nenhuma raiz: errado também. Duas perguntas, dois olhares para o gráfico.

O seno é máximo em π?

Não. Em x=πx = \pi o seno vale zero: o ponto PP do círculo está do lado esquerdo, sobre o eixo horizontal. O máximo do seno fica em π/2\pi/2, um quarto de volta, e o do cosseno fica em 00. Essa confusão derruba itens de “instante do máximo”: em 2021, a prova afirmou que a quantidade máxima de ar nos pulmões de um animal, modelada por f(t)=asen⁡(bt)+cf(t) = a\operatorname{sen}(bt) + c, ocorreria em t=π/bt = \pi/b. Nesse instante o argumento é π\pi e o seno é zero: f=cf = c, a linha média, não o máximo. O máximo fica onde bt=π/2bt = \pi/2, isto é, t=π2bt = \dfrac{\pi}{2b}. Errado.

Repetir é a propriedade: período, frequência e a soma de ondas

Função periódica, período e frequência

Chamamos ff de periódica de período TT quando há um número T>0T > 0 com f(t+T)=f(t)f(t + T) = f(t) em todo ponto do domínio, tomando-se como período o menor TT positivo que cumpre a condição. Repetir um valor em dois instantes isolados não basta: a curva inteira precisa reaparecer, idêntica, a cada passo de TT. Para o seno e o cosseno puros, T=2πT = 2\pi. A frequência é o número de ciclos por unidade de tempo, f=1Tf = \dfrac{1}{T}; se TT está em segundos, ff está em hertz (ciclos por segundo). Período e frequência são inversos: ciclo curto, frequência alta.

Há uma pergunta clássica que parece pedir uma conta e não pede: “o móvel ocupa a mesma posição nos instantes t1t_1 e t2t_2?”. Basta verificar se t2−t1t_2 - t_1 cabe um número inteiro de vezes no período; se cabe, a função devolve o mesmo valor, porque tudo nela se repete a cada TT. Em 2025, com f(t)=215sen⁡(200πt)f(t) = \dfrac{21}{5}\operatorname{sen}(200\pi t) e tt em segundos, o item perguntou se o pistão estava na mesma posição em t=40180t = \dfrac{401}{80} e t=64180t = \dfrac{641}{80}. A diferença é 24080=3\dfrac{240}{80} = 3 s. O período (a seção seguinte mostra de onde vem) é T=2π200π=0,01T = \dfrac{2\pi}{200\pi} = 0{,}01 s, e 3=300×0,013 = 300 \times 0{,}01: trezentos ciclos inteiros. Mesma posição, certo. Os denominadores 80 estão ali para intimidar; nenhum passo da solução precisa deles.

O período de uma soma de ondas. Quando uma função é a soma de duas ondas de períodos T1T_1 e T2T_2, ela só repete quando as duas repetiram ao mesmo tempo: o período da soma é o menor múltiplo comum dos dois períodos. A prova de 2012 trouxe esse caso num bloco sobre um estádio: a componente norte-sul da velocidade do vento, registrada ao longo de uma semana (0≤t≤1680 \le t \le 168 horas), obedecia a

v(t)=25sen⁡ ⁣(πt4+π2)+12cos⁡ ⁣(2πt3+π3),v(t) = 25\operatorname{sen}\!\left(\frac{\pi t}{4} + \frac{\pi}{2}\right) + 12\cos\!\left(\frac{2\pi t}{3} + \frac{\pi}{3}\right),

em cm/s, e um item afirmou que o vento se repetia diariamente porque o período de vv era 24 horas. Tomadas em separado, as parcelas têm períodos 2π÷π4=82\pi \div \dfrac{\pi}{4} = 8 h e 2π÷2π3=32\pi \div \dfrac{2\pi}{3} = 3 h. Depois de 24 horas a primeira completou três ciclos e a segunda, oito, e só então as duas voltam juntas ao ponto de partida: mmc⁡(8,3)=24\operatorname{mmc}(8, 3) = 24. A função repete a cada dia: certo. Quem soma os períodos (8+3=118 + 3 = 11) ou toma só o primeiro (8) erra.

Três gráficos empilhados de zero a 48 horas. O primeiro é uma onda de período 8 horas e amplitude 25; o segundo, uma onda de período 3 horas e amplitude 12; o terceiro é a soma das duas, uma curva irregular que se repete exatamente a cada 24 horas, com a repetição marcada por linhas verticais em 0, 24 e 48.
A soma de uma onda de período 8 h com uma de período 3 h repete a cada mmc⁡(8,3)=24\operatorname{mmc}(8, 3) = 24 h. A soma não é uma senoide, mas é periódica. Diagrama autoral com a função v(t)v(t) do item de 2012.

O mesmo raciocínio serve para ciclos que não vêm de fórmula nenhuma. Em 2018, quatro pás de turbinas distintas davam uma volta completa em 12, 9, 10 e 16 décimos de segundo, e o item afirmou que, estando todas na vertical em um instante, levariam mais de 2 minutos para voltar a estar. O menor múltiplo comum de 12, 9, 10 e 16 é 720 décimos de segundo, ou seja, 72 s, menos que 2 minutos: errado. É o período da soma, sem seno nenhum à vista.

Frequência disfarçada. A prova de 2011 descreveu as duas engrenagens de um moinho de vento por F1(t)=sen⁡(2πf1t)F_1(t) = \operatorname{sen}(2\pi f_1 t) e F2(t)=sen⁡(2πf2t)F_2(t) = \operatorname{sen}(2\pi f_2 t), e o item afirmou que, se a engrenagem maior dá uma volta enquanto a menor dá 2,5, então f2=53f1f_2 = \dfrac{5}{3}f_1. Para julgar é preciso saber o que ff representa nessa forma de escrever. O período de sen⁡(2πft)\operatorname{sen}(2\pi f t) é 2π÷2πf=1f2\pi \div 2\pi f = \dfrac{1}{f}; logo ff conta quantos ciclos (voltas) cabem em uma unidade de tempo. Duas voltas e meia da menor para cada volta da maior significa f2=2,5f1=52f1f_2 = 2{,}5 f_1 = \dfrac{5}{2}f_1. O item trocou 52\dfrac{5}{2} por 53\dfrac{5}{3}: errado. A forma sen⁡(2πft)\operatorname{sen}(2\pi f t) é a preferida da Física justamente porque exibe a frequência; a forma sen⁡(ωt)\operatorname{sen}(\omega t) exibe a frequência angular ω=2πf\omega = 2\pi f, em radianos por segundo.

Linha média, amplitude, período e fase: a fórmula lida pelos coeficientes

Num porto do litoral norte, o marégrafo registra a água subindo e descendo em torno de um nível de referência: digamos que o nível médio fique a 2,1 m, que a água suba até 1,8 m acima dele e desça até 1,8 m abaixo, e que o ciclo se complete a cada 12 horas. Com isso a altura varia de 0,3 m a 3,9 m. Três informações bastaram para descrever o movimento inteiro: o centro da oscilação, a altura da oscilação e a duração de um ciclo. Falta só uma quarta, o horário da primeira preamar, para acertar o relógio. A fórmula que modela a maré guarda essas quatro informações em quatro posições fixas, e aprender a localizá-las é o centro desta página.

A família f(t) = a + b·sen(ct + d)

Toda função da forma

f(t)=a+bsen⁡(ct+d)f(t) = a + b\operatorname{sen}(ct + d)

(e a versão correspondente com cosseno) é a onda básica esticada e deslocada. Quatro coeficientes, quatro leituras:

coeficiente nome o que controla em f(t)=5+2sen⁡ ⁣(πt6)f(t) = 5 + 2\operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi t}{6}\right)
aa linha média o centro da oscilação: a altura em torno da qual a curva sobe e desce 55
∣b∣\lvert b\rvert amplitude a distância vertical da linha média até o topo (e até o fundo) 22
cc — o ritmo do argumento, que fixa o período T=2π∣c∣T = \dfrac{2\pi}{\lvert c\rvert} T=2π÷π6=12T = 2\pi \div \dfrac{\pi}{6} = 12
dd fase empurra a onda para o lado: o gráfico desloca-se de −dc-\dfrac{d}{c} 00

O seno nunca sai de [−1,1][-1, 1]; multiplicado por bb e somado a aa, ele leva ff a oscilar entre a−∣b∣a - \lvert b\rvert e a+∣b∣a + \lvert b\rvert: máximo a+∣b∣a + \lvert b\rvert, mínimo a−∣b∣a - \lvert b\rvert, imagem [a−∣b∣, a+∣b∣][a - \lvert b\rvert,\ a + \lvert b\rvert]. Quanto maior cc, mais depressa o argumento percorre uma volta e mais curto fica o período: cc para cima, TT para baixo. A fase dd não mexe em amplitude nem em período, e o mesmo vale para o sinal de bb ou para a troca de seno por cosseno: os extremos continuam a±∣b∣a \pm \lvert b\rvert, mudam apenas os instantes em que a curva os atinge.

Gráfico de f(t) igual a 5 mais 2 seno de pi t sobre 6, de t igual a zero a 24. A linha média tracejada está em 5; as linhas tracejadas do máximo e do mínimo estão em 7 e 3; uma seta vertical marca a amplitude 2 entre a linha média e o máximo; uma seta horizontal marca o período 12 entre dois máximos consecutivos, em t igual a 3 e t igual a 15; os cinco pontos de um ciclo estão marcados em t igual a 0, 3, 6, 9 e 12 com os valores 5, 7, 5, 3 e 5.
Os quatro coeficientes vistos no gráfico de f(t)=5+2sen⁡(πt/6)f(t) = 5 + 2\operatorname{sen}(\pi t/6): linha média 5, amplitude 2 (máximo 7, mínimo 3), período 2π÷(π/6)=122\pi \div (\pi/6) = 12 e fase nula. Tudo isso se lê na fórmula sem calcular um único seno. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 1: a maré do porto. h(t)=2,1+1,8sen⁡ ⁣(πt6)h(t) = 2{,}1 + 1{,}8\operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi t}{6}\right), com tt em horas após a meia-noite e 0≤t≤240 \le t \le 24. Leitura dos coeficientes: a=2,1a = 2{,}1 é o nível médio; ∣b∣=1,8\lvert b\rvert = 1{,}8 é a amplitude, de modo que a água chega a 2,1+1,8=3,92{,}1 + 1{,}8 = 3{,}9 m e desce a 2,1−1,8=0,32{,}1 - 1{,}8 = 0{,}3 m; c=π6c = \dfrac{\pi}{6} dá T=2π÷π6=12T = 2\pi \div \dfrac{\pi}{6} = 12 h, duas preamares por dia. O horário da primeira preamar é o instante em que o seno atinge 1: πt6=π2\dfrac{\pi t}{6} = \dfrac{\pi}{2}, t=3t = 3 h. A primeira baixa-mar, quando o seno chega a −1-1: πt6=3π2\dfrac{\pi t}{6} = \dfrac{3\pi}{2}, t=9t = 9 h. Conferência: h(3)=3,9h(3) = 3{,}9 e h(9)=0,3h(9) = 0{,}3; nos zeros do seno (t=0t = 0, 66, 1212) a água está no nível médio, 2,1 m. Diante de um item do tipo “em algum momento do dia a maré passa de 3,5 m”, a resposta é certo, mas só depois de uma segunda verificação: o instante do máximo pertence ao intervalo do problema? Aqui t=3∈[0,24]t = 3 \in [0, 24], e a resposta se mantém. Quando o domínio é um intervalo curto, essa verificação pode inverter o gabarito.

Exemplo resolvido 2: a orquestra de 2024. D(t)=80−20cos⁡ ⁣(πt4)D(t) = 80 - 20\cos\!\left(\dfrac{\pi t}{4}\right), 0≤t≤300 \le t \le 30, tt em minutos. O item afirmava que a intensidade máxima era 80 dB. Mas 80 ocupa a posição da linha média, e o termo −20cos⁡(πt/4)-20\cos(\pi t/4) oscila entre −20-20 e +20+20; a intensidade sobe, portanto, até 80+20=10080 + 20 = 100 dB, no instante em que o cosseno vale −1-1 (πt4=π\dfrac{\pi t}{4} = \pi, t=4t = 4 min). Errado. O item vizinho, tipo C, perguntava quantos minutos leva um ciclo, entre 4, 5, 8 e 15: T=2π÷π4=8T = 2\pi \div \dfrac{\pi}{4} = 8 minutos. Nos 30 minutos da peça cabem três ciclos inteiros e mais três quartos. Cada distrator corresponde a um descuido típico: quem usa π\pi em vez de 2π2\pi obtém 4; quem divide a duração da peça por 2 chega a 15.

O coeficiente certo na afirmação errada

A banca gosta de pegar um número verdadeiro da fórmula e apresentá-lo como resposta de outra pergunta. “A intensidade máxima é 80” (2024): 80 é a linha média, não o teto. “A amplitude é 20 porque a função varia de −10-10 a 10” (2015, fluxo magnético ψ(t)=10cos⁡(800πt)\psi(t) = 10\cos(800\pi t)): 20 é a distância do fundo ao topo; a amplitude, medida da linha média até um extremo, é 10. “O valor da função em t=2t = 2 min é 110” (2020, Y(t)=220cos⁡(120πt)Y(t) = 220\cos(120\pi t) com tt em segundos): 2 minutos são 120 s, o argumento 120π×120=14 400π120\pi \times 120 = 14\,400\pi é múltiplo de 2π2\pi e Y=220cos⁡0=220Y = 220\cos 0 = 220, não 110. Nas três situações, o número falso era um pedaço autêntico da fórmula deslocado para a afirmação errada.

De trás para a frente: máximo e mínimo dados. Se o item fornece o máximo MM e o mínimo mm, a linha média é o ponto médio, a=M+m2a = \dfrac{M + m}{2}, e a amplitude é metade da distância, ∣b∣=M−m2\lvert b\rvert = \dfrac{M - m}{2}. Em 2008, a temperatura entre os anos 1000 e 1200 foi modelada por T(t)=13,75+asen⁡ ⁣[π ⁣(t−100050)]T(t) = 13{,}75 + a\operatorname{sen}\!\left[\pi\!\left(\dfrac{t - 1000}{50}\right)\right], e o item dizia: se as temperaturas máxima e mínima foram 13,8 °C13{,}8\,°\text{C} e 13,6 °C13{,}6\,°\text{C}, então a=0,2a = 0{,}2. Metade da distância é 13,8−13,62=0,1\dfrac{13{,}8 - 13{,}6}{2} = 0{,}1; o item afirmou a distância inteira. Errado. Observe ainda que o 13,75 impresso não coincide com o ponto médio dos extremos, 13,7: a inconsistência ficou ali de propósito, para que o estudante que raciocina “vai de 13,6 a 13,8, logo varia 0,2” tomasse esse 0,2 como amplitude. O período dessa função, já que estamos aqui: o argumento é π(t−1000)50=π50t−20π\dfrac{\pi(t - 1000)}{50} = \dfrac{\pi}{50}t - 20\pi, logo c=π50c = \dfrac{\pi}{50} e T=100T = 100 anos.

O período num fenômeno elétrico. Em 2015, o fluxo magnético nas espiras de uma turbina era ψ(t)=10cos⁡(800πt)\psi(t) = 10\cos(800\pi t), com tt em segundos, e o tipo C perguntava o período entre 1,25, 2,50, 10,00 e 400,00 milésimos de segundo. T=2π800π=1400T = \dfrac{2\pi}{800\pi} = \dfrac{1}{400} s =2,5= 2{,}5 ms. A opção 1,25 é esquecer o 2 de 2π2\pi; 400 é confundir período com o coeficiente. Na rede elétrica brasileira, a tensão de uma tomada de 220 V oscila como v(t)=311sen⁡(120πt)v(t) = 311\operatorname{sen}(120\pi t) volts (311 V é o valor de pico), com período 2π120π=160\dfrac{2\pi}{120\pi} = \dfrac{1}{60} s: 60 ciclos por segundo, os 60 Hz da rede.

Onde a família a + b·sen(ct + d) aparece na prova

Som de orquestra (2024), pistão de motor (2025), ar nos pulmões (2021), frutos de um palmito ao longo do ano (2022), partícula oscilante (2020), pás de turbina (2018), perfil de uma encosta (2016), fluxo magnético (2015), sistema massa-mola (2013), índice de radiação ultravioleta (2012), vento (2012), temperatura de um clima antigo (2008), margens de um rio (2008). O cenário muda a cada prova; o gesto de leitura não: linha média, amplitude, período, fase.

O que cada coeficiente faz ao gráfico (o item D de 2016)

Em 2016, depois de dois itens sobre o perfil de uma encosta marítima dado por y(x)=−2cos⁡ ⁣(2πx5)+3y(x) = -2\cos\!\left(\dfrac{2\pi x}{5}\right) + 3, o único item de resposta escrita da prova pediu: considerando y(x)=Acos⁡(Bx+C)+Dy(x) = A\cos(Bx + C) + D com constantes positivas, “redija um texto explicando o efeito, no gráfico, da variação do valor de um dos coeficientes”. É a tabela da seção anterior em português, e vale conhecer cada linha com a figura na cabeça.

Quatro painéis, cada um com a onda de referência seno de t em cinza e uma onda modificada em cor. Painel a: a onda sobe inteira, de 0 para 2, mantendo forma e período (linha média). Painel b: a onda fica mais alta, com máximos em 2 e mínimos em menos 2, mantendo os zeros e o período (amplitude). Painel c: a onda fica comprimida, com o dobro de ciclos no mesmo intervalo (período pela metade). Painel d: a onda inteira desliza para a esquerda, com o máximo que estava em pi sobre dois indo para zero (fase).
Os quatro efeitos, um por painel, sempre contra a onda básica sen⁡t\operatorname{sen}t em cinza: aa sobe ou desce tudo; bb estica na vertical; cc comprime ou estica na horizontal (muda o período); dd desliza para o lado. Diagrama autoral.
  • Aumentar aa (ou DD) sobe o gráfico inteiro: máximos e mínimos sobem o mesmo tanto, a linha média sobe, e nada mais muda: nem a amplitude, nem o período, nem os instantes de máximo.
  • Aumentar ∣b∣\lvert b\rvert (ou AA) estica a onda na vertical: máximos mais altos, mínimos mais baixos, afastando-se da linha média, que não muda; o período e os pontos onde a curva cruza a linha média ficam onde estavam. Trocar o sinal de bb reflete a onda em torno da linha média: onde era máximo vira mínimo.
  • Aumentar cc (ou BB) comprime a onda na horizontal: mais ciclos cabem no mesmo intervalo porque o período 2πc\dfrac{2\pi}{c} diminui; amplitude e linha média não mudam. Dobrar cc não dobra o período: reduz o período à metade.
  • Aumentar dd (ou CC) desloca o gráfico para a esquerda (com c>0c > 0), de dc\dfrac{d}{c} unidades, sem mudar forma, altura nem período; só muda onde ficam os máximos e mínimos.

Um texto completo diz o efeito e o que não muda. “Com AA maior, os máximos sobem e os mínimos descem a mesma quantidade; linha média e período ficam como estavam” é uma resposta inteira; “aumentar AA aumenta a função” é meia.

Os dois itens que antecederam o tipo D mostram a família em uso. O perfil y(x)=−2cos⁡ ⁣(2πx5)+3y(x) = -2\cos\!\left(\dfrac{2\pi x}{5}\right) + 3, com xx em [−120,120][-120, 120] metros e um farol na origem: linha média 3, amplitude 2, mínimo y=1y = 1 (em x=0x = 0, onde o cosseno vale 1 e o sinal negativo o leva para baixo), máximo y=5y = 5, período 2π÷2π5=52\pi \div \dfrac{2\pi}{5} = 5 m. O primeiro item afirmou que o perfil se repetia a cada 6 m: errado, o período é 5. O segundo afirmou que uma embarcação que colidisse com a encosta em x=−22,5x = -22{,}5 m estaria a menos de 23 m do farol. Em x=−22,5x = -22{,}5, o argumento é 2π⋅(−22,5)5=−9π\dfrac{2\pi \cdot (-22{,}5)}{5} = -9\pi, cosseno −1-1, logo y=2+3=5y = 2 + 3 = 5. A distância até a origem é 22,52+52=506,25+25=531,25\sqrt{22{,}5^2 + 5^2} = \sqrt{506{,}25 + 25} = \sqrt{531{,}25}. Em vez de extrair a raiz, compare quadrados: 232=529<531,2523^2 = 529 < 531{,}25, logo a distância passa de 23 m. Errado.

Comparar duas funções. Entre p(t)=3sen⁡(2t)p(t) = 3\operatorname{sen}(2t) e q(t)=5sen⁡ ⁣(t2)q(t) = 5\operatorname{sen}\!\left(\dfrac{t}{2}\right), qual tem maior amplitude e qual tem maior período? Amplitudes 3 e 5: qq oscila mais alto. Períodos 2π2=π\dfrac{2\pi}{2} = \pi e 2π1/2=4π\dfrac{2\pi}{1/2} = 4\pi: qq demora quatro vezes mais por ciclo. O coeficiente maior dentro do argumento (22 contra 12\dfrac12) dá o período menor. Em 2021, um animal com dificuldades respiratórias passou a ter ciclo mais curto e menos ar retido, e o novo modelo g(t)=a1sen⁡(b1t)+cg(t) = a_1\operatorname{sen}(b_1 t) + c foi comparado ao antigo f(t)=asen⁡(bt)+cf(t) = a\operatorname{sen}(bt) + c: o item afirmou a1<aa_1 < a e b1<bb_1 < b. A primeira desigualdade é verdadeira (reter menos ar é oscilar com amplitude menor), e é ela que empresta plausibilidade à segunda. Mas um ciclo mais curto é um período menor, e, com T=2πbT = \dfrac{2\pi}{b}, encurtar TT obriga bb a crescer: b1>bb_1 > b. Errado. Guarde o reflexo: quanto maior o coeficiente de tt, mais apertado o ciclo.

A fase decide onde fica o máximo

A fase dd é o coeficiente mais maltratado, porque o seu efeito não é “dd para a direita”. A forma mais segura de lê-la é fatorar o cc: ct+d=c ⁣(t+dc)=c(t−t0)ct + d = c\!\left(t + \dfrac{d}{c}\right) = c(t - t_0) com t0=−dct_0 = -\dfrac{d}{c}. O gráfico de a+bsen⁡(c(t−t0))a + b\operatorname{sen}(c(t - t_0)) é o de a+bsen⁡(ct)a + b\operatorname{sen}(ct) deslocado de t0t_0 para a direita (se t0>0t_0 > 0) ou para a esquerda (se t0<0t_0 < 0). O número dd sozinho está dentro do argumento, em radianos, e precisa ser dividido por cc para virar um deslocamento na unidade de tt.

Mas, para a maioria dos itens, nem é preciso deslocar nada: basta perguntar onde o argumento vale π/2\pi/2 (máximo do seno), 00 (máximo do cosseno), π\pi (mínimo do cosseno) ou 3π/23\pi/2 (mínimo do seno).

Exemplo resolvido 3: o mês dos frutos (PAS 2 2022). A quantidade mensal de frutos maduros de um pé de palmito-juçara era F(t)=M+Msen⁡ ⁣((t−2)π6)F(t) = M + M\operatorname{sen}\!\left(\dfrac{(t - 2)\pi}{6}\right), com M>0M > 0 e tt o mês do ano (t=1t = 1 janeiro, t=12t = 12 dezembro). O item afirmava que o mês de mais frutos era fevereiro.

Estratégia: procurar o instante em que o argumento do seno vale π2\dfrac{\pi}{2}, porque é ali que o seno chega a 1 e a função ao seu máximo.

Resolução: (t−2)π6=π2⇒t−2=3⇒t=5\dfrac{(t - 2)\pi}{6} = \dfrac{\pi}{2} \Rightarrow t - 2 = 3 \Rightarrow t = 5: maio. Em fevereiro (t=2t = 2) o argumento zera e a função vale MM, a linha média. Errado.

Conferência: o período é 2π÷π6=122\pi \div \dfrac{\pi}{6} = 12 meses, um ciclo anual, e o máximo 2M2M em maio é seguido do mínimo 00 em novembro (t−2=9t - 2 = 9). A aposta do item era a confusão entre o ponto em que o seno começa (argumento zero) e o ponto em que ele é máximo (argumento π/2\pi/2). Sem o deslocamento t−2t - 2, uma lei como M+Msen⁡ ⁣(πt6)M + M\operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi t}{6}\right) teria o máximo em t=3t = 3, março.

Exemplo resolvido 4: o mínimo de ar nos pulmões (PAS 2 2021). Com f(t)=asen⁡(bt)+cf(t) = a\operatorname{sen}(bt) + c, aa, bb, cc positivos e a<ca < c, o item afirmou que, para 0≤t≤2πb0 \le t \le \dfrac{2\pi}{b}, a quantidade mínima de ar era c−ac - a litros. O intervalo [0,2πb]\left[0, \dfrac{2\pi}{b}\right] é exatamente um período, então o seno percorre todos os seus valores e chega a −1-1 (em bt=3π2bt = \dfrac{3\pi}{2}, t=3π2bt = \dfrac{3\pi}{2b}, dentro do intervalo). Mínimo c−ac - a, positivo porque a<ca < c. Certo. O item vizinho, já visto na armadilha, afirmou o máximo em t=πbt = \dfrac{\pi}{b}: errado, porque aí o seno zera; o máximo é em π2b\dfrac{\pi}{2b}.

Valor num instante dado. Para calcular ff num instante, reduza o argumento por voltas inteiras antes de qualquer tabela. Em 2012, o item perguntou se, no dia 9/8 ao meio-dia, o vento v(t)=25sen⁡ ⁣(πt4+π2)+12cos⁡ ⁣(2πt3+π3)v(t) = 25\operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi t}{4} + \dfrac{\pi}{2}\right) + 12\cos\!\left(\dfrac{2\pi t}{3} + \dfrac{\pi}{3}\right) soprava a 25 cm/s para o norte. Meio-dia de 9/8 é t=60t = 60 h (dois dias e meio depois de 0 h de 7/8). Primeiro termo: 60π4+π2=15π+π2\dfrac{60\pi}{4} + \dfrac{\pi}{2} = 15\pi + \dfrac{\pi}{2}; quinze meias-voltas levam ao lado esquerdo do círculo, mais um quarto de volta cai no ponto mais baixo: seno −1-1, termo −25-25. Segundo termo: 120π3+π3=40π+π3\dfrac{120\pi}{3} + \dfrac{\pi}{3} = 40\pi + \dfrac{\pi}{3}; vinte voltas inteiras não mudam nada, cos⁡π3=12\cos\dfrac{\pi}{3} = \dfrac12, termo 66. v(60)=−19v(60) = -19: 19 cm/s para o sul. Errado. O outro item do bloco afirmava que em algum instante o vento atingiu 40 cm/s para o sul. O valor mais baixo que vv pode alcançar exige as duas parcelas no mínimo simultaneamente, −25−12=−37-25 - 12 = -37; a função nunca desce a −40-40. Errado, e para decidir bastou lembrar que seno e cosseno não ultrapassam 1 em módulo.

Do gráfico à fórmula: ler e escrever a lei

A operação inversa, olhar um gráfico (ou uma tabela, ou uma descrição) e escrever a lei, é a leitura mais completa da família, e a prova a cobrou em tipo C e em tipo D.

Roteiro. (1) Máximo MM e mínimo mm no gráfico: linha média a=M+m2a = \dfrac{M + m}{2}, amplitude ∣b∣=M−m2\lvert b\rvert = \dfrac{M - m}{2}. (2) Distância entre dois máximos consecutivos (ou entre dois cruzamentos da linha média no mesmo sentido): o período TT, e então c=2πTc = \dfrac{2\pi}{T}. (3) Valor em t=0t = 0 decide entre seno e cosseno e o sinal: começa na linha média subindo, +sen⁡+\operatorname{sen}; na linha média descendo, −sen⁡-\operatorname{sen}; no máximo, +cos⁡+\cos; no mínimo, −cos⁡-\cos. (4) Se nenhum dos quatro serve, há fase: localize o primeiro máximo t0t_0 e escreva a+∣b∣cos⁡(c(t−t0))a + \lvert b\rvert\cos(c(t - t_0)).

Exemplo resolvido 5: o índice UV de Natal (PAS 2 2012). O gráfico impresso era um sino: índice R=0R = 0 às 6 h 00 min, máximo 10 às 11 h 20 min e de volta a 0 às 16 h 40 min; tt contava minutos a partir das 6 h, 0≤t≤6400 \le t \le 640. As opções: (A) 5+5sen⁡(πt/640)5 + 5\operatorname{sen}(\pi t/640); (B) 5−5cos⁡(πt/320)5 - 5\cos(\pi t/320); © 10sen⁡(πt/320)10\operatorname{sen}(\pi t/320); (D) −10cos⁡(πt/640)-10\cos(\pi t/640).

Resolução: a curva ocupa a faixa de 0 a 10, logo o centro está em 5 e a amplitude também vale 5. Isso elimina C e D, cujas amplitudes valem 10 e que mergulhariam em valores negativos. O ciclo completo (00, 1010, 00) ocupa os 640 min, portanto T=640T = 640 e c=2π640=π320c = \dfrac{2\pi}{640} = \dfrac{\pi}{320}, e A cai fora (T=1280T = 1280). Resta B, que em t=0t = 0 dá 5−5cos⁡0=05 - 5\cos 0 = 0 e em t=320t = 320 dá 5−5cos⁡π=105 - 5\cos\pi = 10, como o gráfico. B.

Conferência: a opção A, 5+5sen⁡(πt/640)5 + 5\operatorname{sen}(\pi t/640), também começa em 0 e chega a 10 em t=320t = 320, mas em t=640t = 640 o argumento é π\pi e a função volta a 5, não a 0: ela desenha só meio ciclo e termina na linha média. O terceiro ponto do gráfico desempata.

Dois painéis. À esquerda, a maré h(t) igual a 2,1 mais 1,8 seno de pi t sobre 6, de 0 a 24 horas: linha média em 2,1 metros, máximos 3,9 metros em t igual a 3 e 15 horas, mínimos 0,3 metros em t igual a 9 e 21 horas, período 12 horas marcado. À direita, o ciclo respiratório f(t) igual a c mais a seno de bt em um período: linha média c, máximo c mais a em t igual a pi sobre 2b, mínimo c menos a em t igual a 3 pi sobre 2b, e o ponto t igual a pi sobre b marcado sobre a linha média, com a legenda de que ali o seno é zero.
Duas ondas, dois fenômenos. Na maré, os quatro números saem direto da fórmula; na respiração, o máximo fica em π/(2b)\pi/(2b), e em π/b\pi/b a função está na linha média (o erro do item de 2021). Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 6: escolher o gráfico de uma lei (PAS 2 2020). Y(t)=220cos⁡(120πt)Y(t) = 220\cos(120\pi t), tt em segundos, e quatro gráficos de “o primeiro período”: (A) começa em 220 e termina em t=160t = \dfrac{1}{60}; (B) começa em 110 e termina em 1120\dfrac{1}{120}; © começa em 0, sobe até 220, termina em 1120\dfrac{1}{120}; (D) começa em 0, sobe até 110, termina em 160\dfrac{1}{60}. Dois fatos bastam: Y(0)=220Y(0) = 220 (cosseno começa no máximo, o que elimina C e D, que começam em zero como um seno) e T=2π120π=160T = \dfrac{2\pi}{120\pi} = \dfrac{1}{60} s (elimina B). A. O item vizinho, “Y=110Y = 110 em t=2t = 2 min”, já foi desmontado na armadilha: 2 min =120= 120 s dá um argumento múltiplo de 2π2\pi e Y=220Y = 220.

Exemplo resolvido 7: a curva pelos ninhos (PAS 2 2019, tipo D). Ninhos de formigas nos pontos A(−4,5)A(-4, 5), B(−5,0)B(-5, 0), C(0,5)C(0, 5), D(−2,−5)D(-2, -5) e E(1,0)E(1, 0), unidade em metros; pedia-se os menores mm e nn não negativos para que f(x)=mcos⁡(nπx)f(x) = m\cos(n\pi x) passasse por todos, e o esboço.

Estratégia: o ponto sobre o eixo vertical dá mm; os zeros e os extremos dão nn por meio do período.

Resolução: f(0)=mcos⁡0=m=5f(0) = m\cos 0 = m = 5 (ponto CC). Com m=5m = 5, os pontos AA e CC são máximos e DD é mínimo: entre o máximo em x=−4x = -4 e o máximo em x=0x = 0 cabe um período inteiro, T=4T = 4 (o mínimo em x=−2x = -2, no meio, confirma). Então nπ=2πT=π2n\pi = \dfrac{2\pi}{T} = \dfrac{\pi}{2}, n=12n = \dfrac12. Conferência nos cinco: f(−4)=5cos⁡(−2π)=5f(-4) = 5\cos(-2\pi) = 5 ✓; f(−5)=5cos⁡(−5π/2)=0f(-5) = 5\cos(-5\pi/2) = 0 ✓; f(0)=5f(0) = 5 ✓; f(−2)=5cos⁡(−π)=−5f(-2) = 5\cos(-\pi) = -5 ✓; f(1)=5cos⁡(π/2)=0f(1) = 5\cos(\pi/2) = 0 ✓. Com n=0n = 0 a função seria a constante 5 e não passaria por BB, DD e EE; n=12n = \dfrac12 é o menor que serve. O esboço é uma cossenoide de amplitude 5 e período 4: máximos em x=−4,0,4x = -4, 0, 4; mínimos em x=−6,−2,2,6x = -6, -2, 2, 6; zeros em x=±1,±3,±5x = \pm 1, \pm 3, \pm 5.

Como esboçar qualquer uma. Marque a linha média, o máximo e o mínimo com retas tracejadas; divida um período em quatro partes iguais; marque os cinco pontos (início, quarto, metade, três quartos, fim) e ligue com uma curva suave, sem bicos. Para f(t)=5+2sen⁡(πt/6)f(t) = 5 + 2\operatorname{sen}(\pi t/6): f(0)=5f(0) = 5, f(3)=7f(3) = 7, f(6)=5f(6) = 5, f(9)=3f(9) = 3, f(12)=5f(12) = 5. Pronto: amplitude 2, linha média 5, período 12, tudo visível.

Modelos com unidades: segundos, horas, meses e graus

A fórmula só tem sentido com a unidade de tt declarada, e o item costuma testá-la. Três cuidados.

A unidade do período é a de tt. Em f(t)=215sen⁡(200πt)f(t) = \dfrac{21}{5}\operatorname{sen}(200\pi t) com tt em segundos (PAS 2 2025), T=2π200π=1100=0,010T = \dfrac{2\pi}{200\pi} = \dfrac{1}{100} = 0{,}010 s, e a afirmação “o pistão leva mais de 0,012 s para completar um ciclo” é errada: 0,010 não passa de 0,012. Repare no valor escolhido para o limiar: 0,012 fica 20 % acima do período verdadeiro, distância suficiente para quem calcula direito e pequena o bastante para absorver quem troca 2π2\pi por π\pi (e encontra 0,005) ou calcula 1200π≈0,0016\dfrac{1}{200\pi} \approx 0{,}0016. Não há conversão a fazer: tt em segundos, período em segundos.

Converter o período em frequência de rotação. Em 2018, o ângulo de uma pá de turbina com a vertical, em radianos, era f(t)=[1−cos⁡(3πt)]×πf(t) = [1 - \cos(3\pi t)] \times \pi, tt em segundos, e o tipo C pedia a velocidade de rotação em voltas por minuto, com as faixas: menos de 60; de 60 a 120; de 120 a 180; mais de 180. Uma volta da pá corresponde a um ciclo do cosseno, cujo período é T=2π3π=23T = \dfrac{2\pi}{3\pi} = \dfrac23 s. Em um minuto cabem 60÷23=9060 \div \dfrac23 = 90 voltas: a faixa de 60 a 120. Nem o fator π\pi nem o “1−1 -” interferem no ritmo: eles mudam a escala e a posição da onda, enquanto a duração do ciclo depende apenas do coeficiente 3π3\pi colado ao tt.

Graus dentro do argumento. Às vezes um modelo vem escrito com o argumento em graus, por exemplo a temperatura média mensal de uma cidade T(m)=22+5sen⁡(30°⋅(m−4))T(m) = 22 + 5\operatorname{sen}(30° \cdot (m - 4)), com mm o mês. O período é o valor de mm que faz o argumento completar 360°360°: 360÷30=12360 \div 30 = 12 meses. Convertendo 30°=π630° = \dfrac{\pi}{6} rad, a mesma conta dá 2π÷π6=122\pi \div \dfrac{\pi}{6} = 12. Tanto faz a unidade, desde que o 2π2\pi (ou os 360°360°) e o coeficiente estejam na mesma; o que não pode é misturar: 2π30\dfrac{2\pi}{30} não é período de nada. E o máximo: 30(m−4)=90⇒m=730(m - 4) = 90 \Rightarrow m = 7, julho, com T=27T = 27 °C; o mínimo em janeiro (m=1m = 1, argumento −90°-90°), T=17T = 17 °C.

Dois cossenos e senos somados com a mesma frequência. Em 2013, o sistema massa-mola veio como x(t)=Acos⁡(ωt)+Bsen⁡(ωt)x(t) = A\cos(\omega t) + B\operatorname{sen}(\omega t). Com A=B>0A = B > 0 e a identidade fornecida sen⁡(2θ)=2sen⁡θcos⁡θ\operatorname{sen}(2\theta) = 2\operatorname{sen}\theta\cos\theta, o quadrado é x2=A2(cos⁡2ωt+sen⁡2ωt+2sen⁡ωtcos⁡ωt)=A2(1+sen⁡2ωt)x^2 = A^2(\cos^2\omega t + \operatorname{sen}^2\omega t + 2\operatorname{sen}\omega t\cos\omega t) = A^2(1 + \operatorname{sen}2\omega t), máximo quando sen⁡(2ωt)=1\operatorname{sen}(2\omega t) = 1, isto é, 2ωt=π22\omega t = \dfrac{\pi}{2}, t=π4ωt = \dfrac{\pi}{4\omega}; nesse instante xx também é máximo (os dois termos são positivos e iguais): certo. O item seguinte afirmou que, com AA e BB positivos, o estiramento máximo seria A+BA + B: errado, porque seno e cosseno de um mesmo ângulo nunca valem 1 ao mesmo tempo; o máximo de Acos⁡θ+Bsen⁡θA\cos\theta + B\operatorname{sen}\theta é A2+B2\sqrt{A^2 + B^2}, e com A=BA = B isso dá A2≈1,41AA\sqrt2 \approx 1{,}41A, menos que 2A2A. A soma de duas ondas de mesma frequência é outra onda de mesma frequência, com amplitude A2+B2\sqrt{A^2 + B^2} e uma fase.

Quando f(t) vale isso? Equações e inequações no gráfico

Resolver f(t)=kf(t) = k é perguntar em que instantes a onda cruza a reta horizontal y=ky = k. Se kk está estritamente entre o mínimo e o máximo, a onda cruza a reta duas vezes por período: uma subindo, outra descendo. Se kk é o máximo ou o mínimo, toca uma vez por período. Se kk está fora da imagem, nunca.

Gráfico de h(t) igual a 5 mais 2 seno de pi t sobre 6 de 0 a 24, com a reta horizontal y igual a 6 cruzando a onda em quatro pontos marcados: t igual a 1 e 5 no primeiro período, e os mesmos mais 12 no segundo, 13 e 17. A região onde a onda está acima da reta, entre 1 e 5 e entre 13 e 17, aparece sombreada. As retas y igual a 7 e y igual a 8 também estão desenhadas: a primeira toca a onda uma vez por período, a segunda não toca.
h(t)=6h(t) = 6 tem duas soluções por período (uma na subida, outra na descida); h(t)=7h(t) = 7, o máximo, tem uma; h(t)=8h(t) = 8 não tem nenhuma. A inequação h(t)>6h(t) > 6 é o trecho sombreado, entre as duas soluções. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 8: quando a onda vale 6. Para h(t)=5+2sen⁡ ⁣(πt6)h(t) = 5 + 2\operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi t}{6}\right), encontre os instantes em [0,12)[0, 12) em que h(t)=6h(t) = 6, e diga quantas soluções há em [0,36)[0, 36).

Estratégia: isole o seno, encontre os dois arcos do círculo com esse seno no primeiro período e depois some períodos.

Resolução: 5+2sen⁡ ⁣(πt6)=6⇒sen⁡ ⁣(πt6)=125 + 2\operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi t}{6}\right) = 6 \Rightarrow \operatorname{sen}\!\left(\dfrac{\pi t}{6}\right) = \dfrac12. Em um período, o argumento πt6\dfrac{\pi t}{6} percorre [0,2π)[0, 2\pi), e os arcos com seno 12\dfrac12 são π6\dfrac{\pi}{6} e 5π6\dfrac{5\pi}{6} (o círculo mostra os dois, simétricos em relação ao eixo vertical). Logo πt6=π6⇒t=1\dfrac{\pi t}{6} = \dfrac{\pi}{6} \Rightarrow t = 1 e πt6=5π6⇒t=5\dfrac{\pi t}{6} = \dfrac{5\pi}{6} \Rightarrow t = 5. Em [0,36)[0, 36) cabem três períodos: seis soluções, 11, 55, 1313, 1717, 2525, 2929.

Conferência: 11 e 55 são simétricos em relação a t=3t = 3, o instante do máximo, como devem ser. Quem usa só o arco π6\dfrac{\pi}{6} perde metade das soluções.

Inequação no mesmo gráfico. “Durante quanto tempo, em cada período, h(t)>6h(t) > 6?” É o trecho em que a onda está acima da reta: entre as duas soluções, de 11 a 55, isto é, 4 unidades de tempo por período, um terço do período. Para “h(t)≥6,5h(t) \ge 6{,}5”, a conta é a mesma com sen⁡≥34\operatorname{sen} \ge \dfrac34, e o trecho fica mais curto, em torno do máximo. Inequações do tipo “f(t)f(t) nunca é negativa” se decidem só pelo mínimo: g(t)=7+5sen⁡(πt)g(t) = 7 + 5\operatorname{sen}(\pi t) tem mínimo 7−5=2>07 - 5 = 2 > 0, logo nunca é negativa, sem resolver nada.

Quando o valor está fora da imagem. O item de 2008 sobre g(x)=3g(x) = 3 com g(x)=4+sen⁡(πx/10)g(x) = 4 + \operatorname{sen}(\pi x/10) em [0,10][0, 10] é desse tipo com um detalhe: 3 está na imagem da função estendida a R\mathbb{R} (é o mínimo), mas não é atingido dentro do intervalo pedido, porque o argumento só vai até π\pi e o seno não chega a −1-1. A pergunta “em que intervalo?” faz parte da equação.

A tangente é outra onda: período π e assíntotas

A função tangente, tg⁡x=sen⁡xcos⁡x\operatorname{tg}x = \dfrac{\operatorname{sen}x}{\cos x}, herda as duas funções anteriores e tem uma estrutura diferente, que a prova raramente cobra mas que fecha o assunto.

A função tangente

Domínio: todos os reais exceto os zeros do cosseno, x≠π2+kπx \ne \dfrac{\pi}{2} + k\pi. Nesses pontos o gráfico tem assíntotas verticais: a tangente cresce sem limite ao se aproximar deles pela esquerda e vem de −∞-\infty pela direita. Imagem: R\mathbb{R} inteiro, sem amplitude, sem máximo nem mínimo. Período: π\pi, e não 2π2\pi, porque meia-volta troca o sinal do seno e do cosseno, e o quociente não muda: tg⁡(x+π)=tg⁡x\operatorname{tg}(x + \pi) = \operatorname{tg}x. É ímpar, tg⁡(−x)=−tg⁡x\operatorname{tg}(-x) = -\operatorname{tg}x, e crescente em cada ramo. Para f(x)=atg⁡(bx+c)+df(x) = a\operatorname{tg}(bx + c) + d: período π∣b∣\dfrac{\pi}{\lvert b\rvert}, assíntotas onde bx+c=π2+kπbx + c = \dfrac{\pi}{2} + k\pi, e nada de “imagem [d−a,d+a][d - a, d + a]”: a tangente não tem teto.

Gráfico da função tangente de menos três pi sobre dois a três pi sobre dois, com assíntotas verticais tracejadas em menos três pi sobre dois, menos pi sobre dois, pi sobre dois e três pi sobre dois. Três ramos crescentes passam pelos zeros em menos pi, zero e pi, cada ramo indo de menos infinito a mais infinito; os pontos de valor 1 em pi sobre 4 e menos 1 em menos pi sobre 4 estão marcados; o período pi está indicado entre dois zeros consecutivos.
A tangente: ramos crescentes entre assíntotas consecutivas, zeros em kπk\pi, valor 1 em π/4\pi/4, período π\pi. Diagrama autoral.

Um uso da tangente como função apareceu em 2010, na contagem de renas de uma ilha: Q(t)=Mtg⁡ ⁣((t−1944)π76)+NQ(t) = M\operatorname{tg}\!\left(\dfrac{(t - 1944)\pi}{76}\right) + N. A única trigonometria do item era tg⁡0=0\operatorname{tg}0 = 0 (em 1944) e tg⁡π4=1\operatorname{tg}\dfrac{\pi}{4} = 1 (em 1963), que o círculo garante; o resto era álgebra. Repare na escolha do modelo: a tangente cresce sem limite perto de t=1944+38=1982t = 1944 + 38 = 1982, onde o argumento chegaria a π/2\pi/2, uma explosão populacional que nenhum seno descreveria.

Como a banca pergunta

Os trinta itens reais desta página, de 2007 a 2025, cabem em sete formatos.

  1. Máximo, mínimo ou amplitude direto da fórmula, ou amplitude a partir dos extremos (2024/45, 2015/88, 2021/98, 2025/80, 2008/69): a±∣b∣a \pm \lvert b\rvert; amplitude é ∣b∣\lvert b\rvert, a metade do curso.
  2. Período direto da fórmula, em tipo A ou C (2024/46, 2025/78, 2015/89, 2016/105, 2008/47): T=2π∣c∣T = \dfrac{2\pi}{\lvert c\rvert}, na unidade de tt.
  3. Período disfarçado: soma de ondas (2012/97), frequência (2011/58), voltas por minuto (2018/86), coincidência de ciclos (2018/85), mesma posição (2025/79).
  4. Instante do máximo ou valor num instante (2022/91, 2021/100, 2020/93, 2012/96, 2013/100, 2016/106): argumento igual a π2\dfrac{\pi}{2} (seno) ou 00 (cosseno); reduza por voltas inteiras.
  5. Gráfico ↔ fórmula (2012/39, 2020/94, 2007/25, 2019/87): linha média, amplitude, período e valor inicial, nessa ordem.
  6. Efeito de cada coeficiente e comparação de modelos (2016/107, 2021/99): cc e TT em sentidos opostos.
  7. Existência de solução e limites (2008/48, 2012/95, 2013/101): seno e cosseno ficam entre −1-1 e 11, e dentro do intervalo pedido.

E um aviso de formato: nas provas recentes, os itens de trigonometria não vêm dentro do texto longo do bloco, e sim depois dele, ligados a um “pressuposto” de duas linhas que traz a fórmula (o pistão em 2025, a orquestra em 2024). Leia o comando, localize esse pressuposto e extraia aa, ∣b∣\lvert b\rvert, cc e dd antes de qualquer conta. Metade dos itens da década se decide só com essas leituras.

O item que a banca anulou

Em 2025, o terceiro item do pistão afirmava: “a amplitude do movimento do pistão, ou seja, a distância máxima de deslocamento do pistão, é superior a 8 cm”. Pela definição matemática, a amplitude é ∣b∣=215=4,2\lvert b\rvert = \dfrac{21}{5} = 4{,}2 cm, e a afirmação seria falsa. Só que o próprio enunciado redefiniu a palavra como “distância máxima de deslocamento”, expressão que descreve o percurso entre as duas posições extremas, 2×4,2=8,42 \times 4{,}2 = 8{,}4 cm, e com essa leitura a afirmação seria verdadeira. Diante de duas interpretações legítimas, a banca cancelou o item. O que fica para você é um hábito: diante da palavra “amplitude”, verifique de que referência ela está sendo medida; se o texto deixar dúvida, calcule pelas duas e compare antes de responder.

Os erros que a banca planta

  • Período lido como o coeficiente, ou sem o 2. T=2πcT = \dfrac{2\pi}{c}: em cos⁡(800πt)\cos(800\pi t), T=1400T = \dfrac{1}{400} s, não 1800\dfrac{1}{800} nem 800. Em sen⁡(πx/10)\operatorname{sen}(\pi x/10), T=20T = 20, não 20π20\pi.
  • cc grande, período grande. É o contrário: ciclo encurtado exige cc maior (2021/99).
  • Período confundido com frequência. Um é o inverso do outro: f2=2,5f1f_2 = 2{,}5f_1 para 2,5 voltas por volta (2011/58).
  • Período da soma = soma dos períodos. É o mmc: 8 h e 3 h dão 24 h, não 11.
  • Amplitude = curso total, ou = máximo. Amplitude é ∣b∣\lvert b\rvert; o curso entre extremos é 2∣b∣2\lvert b\rvert; o máximo é a+∣b∣a + \lvert b\rvert (2015/88, 2008/69, 2024/45).
  • Esquecer a linha média. aa desloca a imagem inteira: [a−∣b∣,a+∣b∣][a - \lvert b\rvert, a + \lvert b\rvert], não [−∣b∣,∣b∣][-\lvert b\rvert, \lvert b\rvert].
  • Máximo onde o argumento zera. O seno é máximo em π/2\pi/2, zero em 00 e em π\pi (2022/91, 2021/100).
  • Sinal da fase. sen⁡(c(t−t0))\operatorname{sen}(c(t - t_0)) desloca para a direita t0t_0; sen⁡(ct+d)\operatorname{sen}(ct + d) desloca para a esquerda d/cd/c. Divida dd por cc antes de ler o deslocamento.
  • Unidade do argumento. 2 minutos são 120 segundos em Y(t)=220cos⁡(120πt)Y(t) = 220\cos(120\pi t) (2020/93); 30° e π/6\pi/6 rad são o mesmo coeficiente, mas 2π30\dfrac{2\pi}{30} não é período de nada.
  • Soma de senos e cossenos somada “na mão”. Acos⁡θ+Bsen⁡θA\cos\theta + B\operatorname{sen}\theta não chega a A+BA + B; chega a A2+B2\sqrt{A^2 + B^2} (2013/101).
  • Esquecer o intervalo. g(x)=3g(x) = 3 tem solução em R\mathbb{R}, mas não em [0,10][0, 10] (2008/48); o máximo existe na fórmula, mas é atingido dentro do domínio?
  • Transferir regras da senoide para a tangente. Período π\pi, sem amplitude, sem imagem limitada, com assíntotas.

O essencial em meia página

  • Seno e cosseno como funções (xx em rad): domínio R\mathbb{R}, imagem [−1,1][-1, 1], período 2π2\pi. Seno: 0,1,0,−1,00, 1, 0, -1, 0 em 0,π2,π,3π2,2π0, \dfrac{\pi}{2}, \pi, \dfrac{3\pi}{2}, 2\pi. Cosseno: 1,0,−1,0,11, 0, -1, 0, 1. cos⁡x=sen⁡(x+π/2)\cos x = \operatorname{sen}(x + \pi/2). Seno ímpar, cosseno par. Cada valor é atingido infinitas vezes; o seno é máximo em π/2\pi/2, não em π\pi.
  • Família f(t)=a+bsen⁡(ct+d)f(t) = a + b\operatorname{sen}(ct + d): linha média aa; amplitude ∣b∣\lvert b\rvert; máximo a+∣b∣a + \lvert b\rvert, mínimo a−∣b∣a - \lvert b\rvert; período T=2π∣c∣T = \dfrac{2\pi}{\lvert c\rvert}; deslocamento −dc-\dfrac{d}{c}. cc e TT em sentidos opostos; dd e o sinal de bb não mudam extremos nem período.
  • De máximo e mínimo: a=M+m2a = \dfrac{M + m}{2}, ∣b∣=M−m2\lvert b\rvert = \dfrac{M - m}{2}. Frequência: f=1Tf = \dfrac{1}{T}; sen⁡(2πft)\operatorname{sen}(2\pi f t) exibe ff; sen⁡(ωt)\operatorname{sen}(\omega t) exibe ω=2πf\omega = 2\pi f.
  • Mesma posição em t1t_1 e t2t_2: t2−t1t_2 - t_1 múltiplo inteiro de TT. Soma de ondas: período =mmc⁡= \operatorname{mmc} dos períodos.
  • Instante do máximo: argumento =π2= \dfrac{\pi}{2} (seno) ou 00 (cosseno); do mínimo: 3π2\dfrac{3\pi}{2} ou π\pi. Valor num instante: reduza o argumento por voltas inteiras.
  • Do gráfico à lei: máximo e mínimo → aa e ∣b∣\lvert b\rvert; distância entre máximos → TT → cc; valor inicial → seno ou cosseno e sinal; primeiro máximo → fase.
  • Equação f(t)=kf(t) = k: duas soluções por período se m<k<Mm < k < M (uma subindo, outra descendo), uma se kk é extremo, nenhuma fora da imagem; conte os períodos do intervalo. Inequação: trecho entre as soluções.
  • Tangente: período π\pi, assíntotas em π2+kπ\dfrac{\pi}{2} + k\pi, imagem R\mathbb{R}, sem amplitude.
  • Na prova: ache o pressuposto com a fórmula; extraia aa, ∣b∣\lvert b\rvert, cc, dd; unidade de tt; em limiar com raiz, compare quadrados.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Aula 35 – Trigonometria – O Gráfico da Função Seno – Aula 01
Portal da Matemática OBMEP · 11:22
Introdução. O professor Silvio Freitas (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP) constrói o gráfico da função seno ponto a ponto a partir do círculo trigonométrico, marcando os valores em 0, π/2, π, 3π/2 e 2π e mostrando a repetição: é a seção “Seno e cosseno como funções: o que o gráfico mostra” desenhada no quadro, com a transição do círculo para a onda explicada devagar.
GRÁFICOS SENO E COSSENO - GUIA DEFINITIVO
Equaciona Com Paulo Pereira · 23:05
Aprofundamento. Um gráfico de cada vez, o professor Paulo Pereira esboça y = sen 2x, sen(x/2), 2sen x, (sen x)/2, 1 + sen x, sen x − 1, sen(x + π) e sen(2x − π): são exatamente os quatro efeitos da seção “O que cada coeficiente faz ao gráfico” (período, amplitude, linha média e fase), inclusive o caso com dois parâmetros combinados, que é o que a prova pede no tipo D.
PAS 2 | Matemática | Funções Trigonométricas - Seno e Cosseno | Prova de 2019 - Questão 87
PAS Digital · 10:30
Resolução. O item de resposta construída do PAS 2 de 2019 (a curva f(x) = m·cos(nπx) pelos ninhos de formigas), resolvido na íntegra com a determinação de m pelo ponto sobre o eixo vertical, de n pelo período entre máximos e o esboço do gráfico: é o exemplo resolvido “a curva pelos ninhos” da seção “Do gráfico à fórmula”, no formato em que a banca cobrou.
ENEM 2018 - Roda Gigante High Roller - Função Trigonométrica
Professor 1BERTO Matemática · 8:19
Aplicação. A questão da roda-gigante High Roller (ENEM 2018): a altura de uma cadeira em função do ângulo girado, modelada por uma senoide com linha média na altura do eixo e amplitude igual ao raio, e a escolha da lei entre as alternativas. É a seção “Filme só a altura: a roda-gigante vira onda” aplicada a um item de prova, com a leitura da fase pela posição inicial da cadeira.
FUNÇÃO TANGENTE (DOMÍNIO, IMAGEM, PERÍODO E PARIDADE) (AULA 16/24)
Equaciona Com Paulo Pereira · 15:05
Complemento. Esboço do gráfico da tangente com domínio x ≠ π/2 + kπ, imagem ℝ, período π e paridade ímpar, exatamente o conteúdo da seção “A tangente é outra onda: período π e assíntotas”; útil para quem precisa ver por que a tangente não tem amplitude nem imagem limitada.
Rota PAS 2
Trigonometria: do triângulo ao fenômeno periódico · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Trigonometria: do triângulo ao fenômeno periódico · Do círculo à onda: seno e cosseno como funções do tempo; A onda vestida de fenômeno: amplitude, período e linha média; Leia como na prova: um bloco de 18 itens (motor a etanol, PAS 2 2025); Como a banca cobra (O histórico); Resolvidos (maré, corrente alternada tipo C, roda-gigante tipo B); Exercícios 3–10, 13–17; Banco de treino T7–T13, T15–T22

    Recorte por assunto: só as funções e seus parâmetros. As razões no triângulo e as duas leis ficam em trigonometria-no-triangulo; radianos, círculo trigonométrico, sinais e redução ao 1.º quadrante ficam em ciclo-trigonometrico. A fórmula do item 2024/45 foi conferida no caderno (D(t) = 80 − 20·cos(πt/4)) e corrigida no capítulo.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe), 2.ª etapa · 2007 (item 25), 2008 (itens 47, 48 e 69), 2011 (item 58), 2012 (itens 39, 95, 96 e 97), 2013 (itens 100 e 101), 2015 (itens 88 e 89), 2016 (itens 105, 106 e 107), 2018 (itens 85 e 86), 2019 (item 87), 2020 (itens 93 e 94), 2021 (itens 98, 99 e 100), 2022 (item 91), 2024 (itens 45 e 46), 2025 (itens 78, 79 e 80 — este anulado, só na teoria)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB.txt e em pesquisa/classificacao-pas2/AAAA.json. Os cadernos de 2011 e 2016 não trazem os números dos itens no texto extraído; a numeração foi conferida na imagem.

  • Cadernos em PDF (figuras e fórmulas dos itens) · Páginas renderizadas a 130–400 dpi: mecanismo biela–manivela e os quatro gráficos de h(φ) (2007, p. 5); margens do rio Paraíba do Sul f(x) = sen(πx/10) e g(x) = 4 + sen(πx/10) (2008, p. 7); T(t) = 13,75 + a·sen[π(t − 1000)/50] (2008, p. 9); engrenagens do moinho (2011, p. 9); gráfico em sino do índice UV (2012, p. 7); v(t) do vento (2012, p. 15); x(t) = A cos ωt + B sen ωt (2013, p. 13); ψ(t) = 10cos(800πt) (2015, p. 15); gráfico da encosta y(x) = −2cos(2πx/5) + 3 (2016, p. 15); turbina f(t) = [1 − cos(3πt)]·π (2018, p. 12); ninhos de formigas e f(x) = m·cos(nπx) (2019, p. 10); os quatro gráficos de Y(t) = 220cos(120πt) (2020, parte 2, p. 9); ciclo respiratório (2021, parte 2, p. 9); palmito-juçara (2022, p. 12); orquestra D(t) = 80 − 20cos(πt/4) (2024, p. 7); pistão f(t) = (21/5)sen(200πt) (2025, parte 2, p. 7)

    Toda figura impressa foi descrita em texto neutro no campo text das questões, com eixos, escalas, máximos, mínimos e rótulos.