Geometria espacial

Guia de estudo · Revisado em 03/10/2026

BNCC · EM13MAT309BNCC · EM13MAT307

A prova descreve um tanque, um silo ou um tronco de árvore só com palavras, posiciona um plano e afirma qual figura aparece no corte; depois pede quanto metal, concreto ou papel reveste cada parte. Como enxergar a figura plana escondida dentro do sólido, ao cortar ou ao desenrolar, e medi-la sem ver o objeto?

O que você vai aprender

  • Classificar a posição relativa de duas retas no espaço (concorrentes, paralelas, reversas), de reta e plano e de dois planos, e decidir, sem desenhar, quando duas arestas de um sólido são reversas ou quando um plano é perpendicular a outro.
  • Nomear os sólidos da matriz (prisma, pirâmide, cilindro, cone, esfera, tronco) e seus elementos (base, altura, aresta lateral, apótema da base e da pirâmide, geratriz), e montar o triângulo retângulo raio-altura-geratriz do cone e o apótema-altura-apótema da pirâmide.
  • Ler e produzir vistas ortográficas (frontal, superior, lateral) e projeções ortogonais, sabendo que um segmento de comprimento L inclinado de um ângulo alfa em relação ao plano projeta-se com comprimento L cos alfa.
  • Reconhecer a seção plana de um sólido a partir da posição do plano: as seções do cubo (triângulo, quadrado, retângulo, pentágono, hexágono), do cilindro (círculo, retângulo, elipse), do cone (círculo, triângulo isósceles, cônicas), da esfera (sempre círculo) e do tronco (trapézio só pelo eixo), distinguindo seção transversal de seção meridiana e testando todo 'sempre' com o plano fora do eixo.
  • Planificar prismas, cilindros, pirâmides e cones e calcular área lateral e área total: 2πrh no cilindro, πrg no cone (setor de raio g e arco 2πr), perímetro da base vezes apótema sobre dois na pirâmide regular, 4πr² na esfera como fato, distinguindo 'lateral', 'total' e 'semiesfera' no comando do item.
  • Calcular a diagonal da face (a√2), a diagonal do cubo (a√3) e a do paralelepípedo (raiz de a² + b² + c²) aplicando Pitágoras duas vezes, distâncias entre pontos no espaço e o caminho mais curto sobre a superfície de um sólido pela planificação.
  • Aplicar a escala: medidas lineares multiplicadas por k multiplicam toda área por k² (e todo volume por k³), e usar a regra para decidir itens de limiar sem fórmula.

Em dezembro de 2016, a prova do PAS 2 mostrou o desenho de um tanque de água da chuva em forma de meio cilindro deitado, medindo 4 m de diâmetro por 6 m de comprimento, e pendurou nele três itens. Um dizia que, se diâmetro e comprimento fossem divididos por 2, a área total da superfície cairia para um quarto. Outro posicionava um plano pelos dois cantos opostos da face plana e perguntava que curva ele desenhava na parte curva do tanque: circunferência, elipse, parábola ou hipérbole. O terceiro pedia o volume. Nenhum dos três exigia fórmula nova; os dois primeiros exigiam enxergar: ver que todas as medidas lineares do tanque foram reduzidas na mesma razão, e ver que um plano inclinado em relação ao eixo de um cilindro corta a superfície numa elipse. No ano seguinte, um cilindro com um cone dentro e uma semiesfera em cima representava uma árvore do cerrado, e a prova pediu a altura do conjunto “tendo como referência a figura a seguir, que representa uma secção meridiana do esboço”: o sólido virou um desenho plano, e a conta virou Pitágoras.

É esse o assunto desta página: a geometria dos objetos de três dimensões vista pelas figuras planas que eles escondem. Primeiro, o vocabulário que permite falar de retas e planos no espaço sem desenhar (e saber quando duas arestas são reversas). Depois, os sólidos com seus nomes e elementos, as vistas que os representam no papel, as seções que um plano revela ao cortá-los, as planificações que a superfície revela ao ser desenrolada, e a medida dessas superfícies: quanto metal forma uma cúpula, quanto concreto forma uma parede, quanto papel envolve uma lata. Fecham a página as diagonais e distâncias no espaço e a regra de escala que resolve itens inteiros sem fórmula. Os poliedros e a relação de Euler, as cônicas, a esfera com seus círculos máximos e os volumes têm páginas próprias e aparecem aqui só como remissão.

O espaço tem um caso que o plano não tem: retas reversas

No plano, duas retas distintas ou se cortam num ponto ou são paralelas. No espaço, há uma terceira possibilidade, e ela é o primeiro conceito novo da geometria espacial. Pense numa ponte sobre uma estrada: a viga da ponte e a faixa da estrada não se cruzam (uma passa por cima da outra) e não são paralelas (uma vai de norte a sul, a outra de leste a oeste). Elas são reversas: não existe plano que contenha as duas.

Posições relativas no espaço

Duas retas distintas são concorrentes (um ponto comum; determinam um plano), paralelas (nenhum ponto comum e um plano que contém as duas) ou reversas (nenhum ponto comum e nenhum plano que contenha as duas). Retas reversas podem ser ortogonais, quando as direções formam 90°, sem serem perpendiculares no sentido de se cortarem.

Reta e plano: a reta está contida no plano, corta o plano num único ponto (reta secante) ou não o toca (reta paralela ao plano). Uma reta é perpendicular a um plano quando é perpendicular a todas as retas do plano que passam pelo seu pé; para garantir isso, basta que ela seja perpendicular a duas retas concorrentes do plano.

Dois planos distintos são paralelos (nenhum ponto comum) ou secantes (a interseção é sempre uma reta). Dois planos secantes formam um ângulo, medido entre duas retas, uma em cada plano, perpendiculares à reta de interseção no mesmo ponto; se esse ângulo é 90°, os planos são perpendiculares.

Um cubo é o laboratório dessas posições. Chame a base de ABCDABCD e a face de cima de EFGHEFGH, com EE sobre AA, FF sobre BB, GG sobre CC e HH sobre DD. As arestas ABAB e EFEF são paralelas (estão na mesma face da frente); ABAB e AEAE são concorrentes em AA; ABAB e CGCG são reversas: ABAB é horizontal na frente, CGCG é vertical no fundo, e nenhuma face, nenhum plano, contém as duas. Elas são, além disso, ortogonais. Repare que no desenho em perspectiva ABAB e CGCG podem até parecer se cruzar; a conclusão não vem do desenho, vem da posição.

Cubo ABCDEFGH em perspectiva cavaleira, base ABCD na frente e embaixo, face EFGH em cima. Três pares de arestas destacados: AB e EF, paralelas, em azul; AB e AE, concorrentes em A, em verde; AB e CG, reversas, em vermelho, com a observação de que não existe plano que contenha as duas. À direita, um plano horizontal alfa com duas retas r e s paralelas entre si e paralelas a alfa, contidas num plano inclinado beta que corta alfa: o plano das retas não é paralelo a alfa.
No cubo, as três posições de duas retas: paralelas, concorrentes e reversas. À direita, a armadilha clássica: duas retas paralelas a um plano podem estar num plano inclinado que corta esse plano. Diagrama autoral.

A prova do PAS 1 de 2008 desenhou exatamente esse laboratório: um cubo de aresta FGFG dentro de um paralelepípedo de arestas LKLK, LMLM e LNLN (uma caixa branca dentro de uma caixa de vidro, de uma obra do caderno) e afirmou que “sabendo-se que retas reversas não são coplanares, conclui-se que a reta que contém o segmento FGFG e a que contém o segmento KLKL são reversas”. Na figura, FGFG era uma aresta de profundidade do cubo, no nível do chão da caixa, e KLKL uma aresta horizontal da frente, no topo da caixa de vidro: direções diferentes (não paralelas) e alturas diferentes (não concorrentes). Reversas, item certo. O mesmo bloco trazia um item sobre planos: “se rr e ss são retas quaisquer paralelas entre si e também paralelas ao plano α\alpha, então existe um plano que contém essas retas, que é, necessariamente, paralelo ao plano α\alpha”. Errado: duas retas paralelas determinam, sim, um plano, mas ele pode estar inclinado em relação a α\alpha, como duas vigas horizontais num telhado de uma água só, paralelas ao chão sem que o telhado seja paralelo ao chão. O plano das retas é paralelo a α\alpha só se as retas forem paralelas a α\alpha e o plano não cortar α\alpha; a condição do item não garante isso.

"Não se cruzam, logo são paralelas"

No plano, sim; no espaço, não. Duas arestas de um sólido que não têm ponto comum podem ser paralelas (estão numa mesma face ou num plano diagonal) ou reversas. O teste é um só: existe um plano que contenha as duas? Se as duas arestas estão numa mesma face, existe. Se uma é horizontal e a outra vertical em faces diferentes, não existe. E “perpendicular a uma reta do plano” não faz uma reta perpendicular ao plano: no chão de uma sala, a linha dos azulejos de uma parede a outra é perpendicular à linha das portas, e nenhuma das duas é perpendicular ao chão. Perpendicular ao plano exige duas direções concorrentes do plano.

O ângulo entre dois planos aparece na prova disfarçado de telhado. Em 2024, um bloco do PAS 2 (anulado depois pela banca, por razões que o gabarito não detalha) mostrava um modelo de casa com cobertura de duas águas em forma de trapézios HQPEHQPE e GQPFGQPF e perguntava o cosseno do ângulo entre os planos das duas águas. O método, válido mesmo com o item anulado, é o desta página inteira: imagine um plano atravessando a casa de modo a formar ângulo reto com a cumeeira QPQP. A figura que ele desenha é uma seção, e nela as duas águas viram dois segmentos que se encontram no vértice do telhado; o ângulo entre os planos é o ângulo entre esses segmentos, um ângulo de triângulo, que a lei dos cossenos resolve com as medidas da figura. Ângulo entre planos é sempre ângulo de uma seção perpendicular à reta de interseção.

Cada sólido tem nome, e cada parte dele também

Os sólidos da prova vêm vestidos de objeto (tanque, silo, lata, tenda, cone de sinalização, bloco de pedra), e o primeiro gesto é nomear a forma por trás do objeto. Os sólidos se dividem em duas famílias. Os poliedros são fechados por polígonos (as faces), que se encontram em arestas, que concorrem em vértices: prismas, pirâmides, o cubo, o paralelepípedo. Os corpos redondos têm alguma superfície curva: cilindro, cone e esfera. A relação de Euler, os poliedros regulares e os capsídeos de vírus ficam na página de poliedros.

Os sólidos da matriz e seus elementos

Prisma: duas bases iguais e paralelas (polígonos congruentes), ligadas por faces laterais que são paralelogramos; se as arestas laterais são perpendiculares às bases, o prisma é reto e as faces laterais são retângulos; se, além disso, a base é um polígono regular, o prisma é regular. A altura hh é a distância entre as bases. O paralelepípedo reto-retângulo (a caixa de sapato) é o prisma de base retangular com faces retangulares, de arestas aa, bb e cc; o cubo é o caso a=b=ca = b = c.

Pirâmide: uma base poligonal e um vértice fora do plano dela; as faces laterais são triângulos. A altura é a distância do vértice ao plano da base. Na pirâmide regular (base regular e vértice sobre o centro da base), as arestas laterais são iguais, as faces laterais são triângulos isósceles congruentes, o apótema da pirâmide apa_p é a altura de uma face lateral e o apótema da base aba_b é a distância do centro da base ao meio de um lado. Esses três segmentos formam um triângulo retângulo: ap2=h2+ab2a_p^2 = h^2 + a_b^2.

Cilindro circular reto: dois círculos paralelos e congruentes, de raio rr, fechados por uma superfície curva. O eixo une os centros das duas bases; qualquer segmento traçado sobre a superfície curva paralelamente ao eixo, de uma base à outra, é uma geratriz, e mede o mesmo que a altura hh. O cilindro equilátero tem h=2rh = 2r.

Cone circular reto: uma base circular de raio rr, um vértice sobre a perpendicular pelo centro, altura hh e geratriz gg, que é qualquer segmento ligando o vértice à circunferência da base. Raio, altura e geratriz formam um triângulo retângulo com a geratriz na hipotenusa: g2=r2+h2g^2 = r^2 + h^2. O cone equilátero tem g=2rg = 2r.

Esfera: todos os pontos a distância rr do centro. Só tem centro e raio.

Tronco: o que sobra de uma pirâmide ou de um cone quando um plano paralelo à base corta e retira a ponta. O tronco de cone tem dois raios (RR e rr) e altura; o tronco de pirâmide, duas bases semelhantes.

Quatro sólidos em perspectiva com seus elementos nomeados. Prisma reto de base pentagonal: bases, face lateral retangular, aresta lateral e altura h. Pirâmide regular de base quadrada: vértice, aresta lateral, altura h, apótema da base a sub b e apótema da pirâmide a sub p, com o triângulo retângulo h, a sub b, a sub p destacado. Cilindro reto: raio r, eixo, geratriz igual à altura h. Cone reto: raio r, altura h e geratriz g formando um triângulo retângulo, com g ao quadrado igual a r ao quadrado mais h ao quadrado.
Os quatro sólidos que a prova desenha e os segmentos que ela mede. Nos dois sólidos de ponta (pirâmide e cone), o triângulo retângulo altura–apótema da base–apótema da pirâmide, ou altura–raio–geratriz, é a conta de quase todo item. Diagrama autoral.

Vale guardar os ternos pitagóricos que a banca prefere: raio 5 e altura 12 dão geratriz 13; raio 8 e altura 15, geratriz 17; e o 3-4-5 em qualquer escala (o silo de 2014 usa 4-3-5; o cone de sinalização mais adiante, 21-72-75). O cone equilátero de raio 3 tem geratriz 6 e altura 36−9=27=33≈5,2\sqrt{36 - 9} = \sqrt{27} = 3\sqrt{3} \approx 5{,}2. Em 2017, o esboço da árvore do cerrado usava exatamente esse cone (“o cone é equilátero, isto é, o tamanho da geratriz é igual ao diâmetro da base”, raio 3 m): a altura do cone era 333\sqrt{3}, e quem trocou geratriz por altura, ou altura por geratriz, errou dois itens de uma vez.

As faces laterais de um prisma reto são retângulos, e a prova gosta de medi-las. Em 2016, o PAS 1 mostrou um bloco em forma de prisma reto de 50 cm de altura cujas bases eram trapézios retângulos de bases 71 cm e 53 cm e altura 80 cm, e afirmou que a face ABCDABCD tinha área superior a 0,4 m². A face ABCDABCD é o retângulo apoiado no lado inclinado do trapézio: um lado mede 50 cm (a altura do prisma) e o outro é o lado oblíquo do trapézio, 802+(71−53)2=6 400+324=6 724=82\sqrt{80^2 + (71 - 53)^2} = \sqrt{6\,400 + 324} = \sqrt{6\,724} = 82 cm. Área 50×82=4 10050 \times 82 = 4\,100 cm² =0,41= 0{,}41 m². Certo, por uma margem de 100 cm². A face do sólido é uma figura plana; a única novidade é descobrir as medidas dela, e para isso serve o triângulo retângulo escondido no trapézio.

Apótema é o que a lona mede

Uma tenda de festa tem cobertura em forma de pirâmide de base quadrada com 6 m de lado e 4 m de altura. Quanto de lona cobre o telhado? Cada face é um triângulo isósceles de base 6 m cuja altura é o apótema da pirâmide: ap=h2+ab2=42+32=5a_p = \sqrt{h^2 + a_b^2} = \sqrt{4^2 + 3^2} = 5 m (o apótema da base é metade do lado, 3 m). Cada face: 6×52=15\frac{6 \times 5}{2} = 15 m²; quatro faces, 60 m² de lona. Quem usa a altura 4 em vez do apótema 5 acha 48 m² e compra lona de menos. A lona cobre a face, e a face é medida pelo apótema; a altura só serve para achá-lo.

Três vistas e uma perspectiva: desenhar o sólido sem mentir

Todo desenho de um sólido numa folha é uma projeção, e toda projeção perde alguma coisa. A perspectiva cavaleira (a das figuras de cubo desta página) conserva a face da frente em verdadeira grandeza e desenha as arestas de profundidade inclinadas, em geral a 45° e reduzidas à metade: ângulos retos viram ângulos de 45° ou 135°, e comprimentos iguais aparecem diferentes. É por isso que nunca se mede um ângulo no desenho em perspectiva; mede-se na figura plana que a seção ou a vista fornece.

As vistas ortográficas fazem o contrário: projetam o sólido perpendicularmente sobre três planos (vista frontal, vista superior ou planta, vista lateral), e cada uma conserva as medidas do que está paralelo ao seu plano. Uma lata vista de frente é um retângulo 2r×h2r \times h; vista de cima, um círculo de raio rr. Um cone visto de frente é um triângulo isósceles; visto de cima, um círculo com um ponto no centro (o vértice). Um bloco em L feito de cubinhos tem vista superior que diz quantos cubinhos ocupam cada posição do chão, e vista frontal que diz quantos andares há em cada coluna.

À esquerda, um sólido em perspectiva formado por um cilindro com um cone em cima, e as suas três vistas ortográficas: frontal, um retângulo com um triângulo isósceles em cima; superior, um círculo com um ponto central; lateral, igual à frontal. À direita, um bloco em L feito de quatro cubinhos em perspectiva isométrica, com as vistas frontal, superior e lateral desenhadas em malha quadriculada, e uma haste de 10 cm inclinada 60 graus em relação à mesa, cuja projeção ortogonal sobre a mesa mede 10 vezes cosseno de 60 graus, igual a 5 cm.
As três vistas de um sólido e a projeção ortogonal de um segmento: o que está paralelo ao plano de projeção aparece em verdadeira grandeza; o que está inclinado encolhe pelo cosseno do ângulo. Diagrama autoral.
Projeção ortogonal e distância a um plano

A projeção ortogonal de um ponto PP sobre um plano é o pé HH da perpendicular baixada de PP ao plano; PHPH é a distância de PP ao plano, o menor de todos os segmentos de PP a um ponto do plano. A projeção de um segmento de comprimento LL que forma um ângulo α\alpha com o plano mede

L′=Lcos⁡α:L' = L\cos\alpha:

igual a LL se o segmento é paralelo ao plano (α=0\alpha = 0), um ponto se é perpendicular (α=90°\alpha = 90°), e algo entre os dois nos demais casos. A projeção de uma figura plana paralela ao plano é uma cópia congruente; a de uma figura inclinada é uma figura menor.

Uma haste de 10 cm apoiada sobre a mesa a 60° projeta uma “sombra vertical” de 10×cos⁡60°=510 \times \cos 60° = 5 cm. Se, em vez do ângulo, o item dá a projeção (8 cm para uma haste de 10 cm), a diferença de altura entre as pontas sai de Pitágoras: 102−82=6\sqrt{10^2 - 8^2} = 6 cm. Haste, projeção e desnível formam um triângulo retângulo com a haste na hipotenusa; o erro de somar 8 com 6 para obter a haste é o erro de esquecer que a hipotenusa não é soma de catetos.

Cortar para enxergar: as seções

Um tomógrafo não vê o corpo inteiro: vê fatias. Cada imagem que ele produz é o desenho que um plano deixaria se atravessasse o paciente naquela altura, e o médico reconstrói o volume empilhando essas figuras planas. A geometria espacial faz o caminho inverso com a mesma ideia: dado o sólido e a posição do plano, qual figura aparece no corte? Num cilindro deitado, o plano vertical dá um retângulo e o plano inclinado dá uma elipse; num cone, a altura do corte decide o tamanho do círculo; numa esfera, não importa a direção, o corte é sempre circular. A figura que o plano desenha dentro do sólido é a seção, e a prova quase nunca entrega a faca: ela descreve o sólido, diz por onde o plano passa e espera que você enxergue a figura de olhos fechados.

Seção plana e as três posições do plano

Quando um plano atravessa um sólido, o conjunto dos pontos comuns aos dois é a seção plana do sólido por esse plano. Três posições do plano respondem por quase todos os itens:

Plano paralelo à base (seção transversal): a seção reproduz a base. Círculo de mesmo raio no cilindro; círculo menor no cone, tanto menor quanto mais perto do vértice; polígono congruente à base no prisma; polígono semelhante à base na pirâmide, com razão k=h′/hk = h'/h (altura da ponta sobre altura total).

Plano que contém o eixo (seção meridiana ou axial): mostra o perfil do sólido. Retângulo 2r×h2r \times h no cilindro; triângulo isósceles de base 2r2r e lados gg no cone; no tronco de cone, um trapézio isósceles de bases 2R2R e 2r2r; no cilindro equilátero o retângulo é um quadrado, e no cone equilátero o triângulo é equilátero.

Plano oblíquo ao eixo que atravessa todas as geratrizes: a seção é uma elipse, tanto no cilindro quanto no cone.

A esfera não distingue direções: seja qual for a inclinação do plano, a seção é um círculo. O maior deles aparece quando o plano passa pelo centro e chama-se círculo máximo; o seu raio é o da esfera.

A ordem de leitura é sempre a mesma: classifique o plano antes de julgar a figura. Paralelo à base? Contém o eixo? Perpendicular à base, mas fora do eixo? Inclinado? Cada resposta determina a seção, e a maior parte dos erros vem de pular essa pergunta.

As seções do cubo

Um cubo pode ser cortado em triângulo, quadrado, retângulo, pentágono e hexágono, e é um bom exercício produzir cada um. Um plano paralelo a uma face corta um quadrado igual à face. Um plano que passa por duas arestas opostas (paralelas, uma em cada uma de duas faces opostas) corta um retângulo de lados aa e a2a\sqrt{2}: um lado é a aresta, o outro é a diagonal de uma face. Um plano que corta três arestas que saem do mesmo vértice produz um triângulo; quando passa pelos três vértices vizinhos de um vértice, o triângulo é equilátero de lado a2a\sqrt{2}, porque os três lados são diagonais de faces. Um plano que atravessa cinco faces corta um pentágono (irregular). E um plano perpendicular a uma diagonal do cubo, passando pelo centro, corta as seis faces pelos pontos médios de seis arestas: um hexágono regular de lado a22\frac{a\sqrt{2}}{2}.

Quatro cubos iguais em perspectiva, cada um com uma seção destacada em cor: no primeiro, um triângulo equilátero pelos três vértices vizinhos de um vértice, de lado a raiz de 2; no segundo, um quadrado paralelo a uma face; no terceiro, um retângulo de lados a e a raiz de 2 passando por duas arestas opostas; no quarto, um hexágono regular pelos pontos médios de seis arestas, de lado a raiz de 2 sobre 2.
Quatro seções do mesmo cubo. A forma depende só de quantas faces o plano atravessa e de como: três faces dão triângulo, quatro dão quadrilátero, seis dão hexágono. Diagrama autoral.

O triângulo equilátero das diagonais foi um item inteiro em 2008: no cubo da caixa branca, II, JJ e HH eram três vértices que, dois a dois, estavam ligados por diagonais de faces (uma da face de cima, uma da frente, uma da esquerda); o item afirmava que o ângulo IJ^HI\hat{J}H media 60°, e estava certo, porque o triângulo IJHIJH tem os três lados iguais a a2a\sqrt{2}. Sem nenhuma conta trigonométrica: três lados iguais, três ângulos de 60°.

Cilindro, cone, tronco e o quantificador escondido

Tome uma lata de raio 5 cm e altura 15 cm. Qualquer plano paralelo às bases a corta num círculo de raio 5, não importa a altura. O plano que passa pelo eixo corta um retângulo de 10 cm por 15 cm. Desloque agora o plano, ainda vertical (paralelo ao eixo), para 3 cm de distância do eixo: a seção continua retangular, apenas mais estreita. A largura passa a ser a corda que esse plano recorta no círculo da base, 252−32=2×4=82\sqrt{5^2 - 3^2} = 2 \times 4 = 8 cm, enquanto os 15 cm de altura se mantêm, já que as geratrizes do cilindro são todas verticais. Se o plano se inclinar em relação ao eixo e cruzar a superfície curva de ponta a ponta, a seção vira uma elipse.

Painel superior: três cilindros iguais com seções destacadas: plano paralelo às bases, círculo; plano contendo o eixo, retângulo de lados 2r e h; plano oblíquo que corta todas as geratrizes, elipse. Um quarto cilindro mostra um plano vertical fora do eixo cortando um retângulo mais estreito, de largura igual à corda 2 raiz de r ao quadrado menos d ao quadrado. Painel inferior: um cone com seção meridiana, triângulo isósceles de base 2r e lados g, e seção transversal, círculo menor; um tronco de cone com o plano pelo eixo cortando um trapézio isósceles e um plano vertical fora do eixo cortando uma figura de lados curvos, com a legenda: fora do eixo não é trapézio.
No cilindro, todo plano vertical que não seja tangente recorta um retângulo, consequência das geratrizes verticais; no tronco de cone, o trapézio aparece apenas quando o plano contém o eixo, porque as geratrizes inclinadas, encontradas por um plano deslocado, produzem lados curvos. Diagrama autoral.

Essa diferença entre cilindro e tronco de cone decidiu dois itens em provas seguidas, com a mesma pergunta e gabaritos opostos. Em 2018, o PAS 2 mostrou um corte de tronco de árvore em forma de cilindro circular reto e afirmou: “as seções do corte I por planos verticais, mas não tangentes à sua casca, serão retângulos”. Certo: plano vertical é paralelo às geratrizes, que são verticais; ele as corta em segmentos verticais de comprimento igual à altura, e a figura fecha com dois segmentos horizontais (as cordas nas duas bases). Em 2019, um bloco de pedra-sabão em forma de tronco de cone de 21 cm de altura e raios 10 cm e 12 cm; o item: “se o bloco for cortado por um plano perpendicular à base, a figura que se verá sobre o plano será sempre a de um quadrilátero com dois lados paralelos”. Errado, e a palavra decisiva é sempre. Quando o plano perpendicular à base passa pelo eixo, a figura é de fato um trapézio isósceles, com bases de 20 cm e 24 cm. Basta, porém, afastar esse plano do eixo, mantendo-o perpendicular à base, para que ele encontre a superfície lateral inclinada ao longo de curvas (arcos de hipérbole): a figura passa a ter dois lados retos (as cordas nas bases) e dois lados curvos, e deixa de ser quadrilátero.

O "sempre" de uma seção

Uma frase como “a seção é um retângulo” pode descrever corretamente os planos que passam pelo eixo e falhar em todos os outros. Diante de um “sempre”, “qualquer” ou “todo plano”, procure o plano torto: o deslocado do eixo, o inclinado, o que passa rente à borda. No cilindro reto, o plano vertical deslocado ainda produz retângulo (geratrizes verticais); no cone e no tronco de cone, não (geratrizes inclinadas). Na esfera, qualquer plano produz círculo; no cilindro e no cone, o plano oblíquo produz elipse. Uma afirmação verdadeira para a seção especial e falsa para as outras é um item errado pronto, e a banca já o escreveu.

A prova de 2016 transformou a seção num tipo C. No tanque semicilíndrico deitado, com a face plana retangular em cima, os pontos AA e BB eram cantos opostos dessa face, um em cada base semicircular. “Se um plano divide o tanque ao meio e contém os pontos AA e BB, então a curva formada pela interseção desse plano com a superfície da figura que representa o tanque (o semicilindro sem a face plana) é parte de uma: circunferência, elipse, parábola ou hipérbole.” O plano que passa por AA e por BB e divide o tanque ao meio está inclinado em relação ao eixo (horizontal) e cruza a superfície curva desde uma base até a outra: é o caso oblíquo do conceito, com todas as geratrizes atravessadas. Elipse. Para sair uma circunferência o plano teria de ser perpendicular ao eixo; parábola e hipérbole nascem do cone (a página de cônicas explica por quê) e nunca de um cilindro.

A seção meridiana resolve o sólido composto

Quando o sólido é uma composição (cilindro com cone, semiesfera com cone), a seção pelo eixo empilha os perfis e transforma a pergunta num problema de geometria plana. Foi assim em 2017, num item de resposta numérica.

Exemplo resolvido 1: a altura do esboço da árvore. Um desenhista representou uma árvore do cerrado com um cilindro circular reto de raio 3 m, um cone circular reto equilátero (geratriz igual ao diâmetro da base) com o vértice no centro da base do cilindro e a base coincidindo com o círculo de base de uma semiesfera, e a semiesfera, que representa a copa, com a circunferência da borda sobre a superfície do cilindro. A prova apresentou “a figura a seguir, que representa uma secção meridiana do esboço” (um triângulo com o vértice voltado para baixo, coroado por um semicírculo, com um ponto marcando o centro do diâmetro) e pediu a altura da árvore, do vértice do cone ao topo da superfície esférica, em metros, multiplicada por 100, sem a parte fracionária.

Estratégia: a seção meridiana é o perfil: o triângulo (cone) e o semicírculo (semiesfera) compartilham o diâmetro de 6 m. A altura procurada é a altura do triângulo mais o raio do semicírculo.

Resolução: cone equilátero de raio 3: geratriz g=2r=6g = 2r = 6, altura h=62−32=27=33≈5,196h = \sqrt{6^2 - 3^2} = \sqrt{27} = 3\sqrt{3} \approx 5{,}196 m. A semiesfera de raio 3 soma os seus 3 m: 5,196+3=8,1965{,}196 + 3 = 8{,}196 m. Multiplicando por 100 e descartando a parte decimal, a marcação é 819.

Conferência: o triângulo tem lado 6, e a altura de um triângulo equilátero é 632=33\frac{6\sqrt{3}}{2} = 3\sqrt{3}, mesma conta por outro caminho. A seção fez o sólido virar desenho, e nenhuma fórmula de volume entrou.

O tronco de cone também se resolve pelo perfil. A prova de 2012 descreveu o estádio olímpico de Londres como um tronco de cone de 30 m de altura cuja geratriz fazia um ângulo α\alpha com a vertical; a seção meridiana mostra um trapézio, e no triângulo retângulo da lateral (cateto vertical 30 m, cateto horizontal igual ao avanço b−ab - a da borda de cima sobre a de baixo) a relação é 30tg⁡α=b−a30\operatorname{tg}\alpha = b - a, não a secante que o item afirmava. A seção transversal, por sua vez, foi o tema de dois itens do PAS 1 de 2025 sobre o Templo Mayor de Tenochtitlán: um trapézio com ângulos e área para calcular. Seção é figura plana; depois de reconhecê-la, o trabalho pertence às páginas de ângulos, áreas e trigonometria.

Abrir a superfície sobre a mesa: planificações

Quem já montou uma caixa de papelão sabe que ela chega à loja plana: um recorte com abas que, dobrado nas vincadas, fecha o paralelepípedo. A indústria faz o mesmo com o tubo de batata chips (uma folha enrolada mais duas tampas) e com o chapéu de festa (um pedaço de círculo que, fechado, vira cone). Esse recorte plano que se dobra no sólido, sem esticar nem rasgar o material, é a planificação; e a razão de ela importar aqui é prática: medir uma área no plano é fácil, medir sobre uma superfície curva não é. Nem tudo se planifica. A esfera é o contraexemplo famoso: não existe recorte plano que se feche nela sem deformação, e por isso a área da esfera vem de outra fórmula, não de um desenrolar.

As planificações que a prova usa

Prisma reto: as duas bases mais uma fileira de retângulos (as faces laterais), um para cada lado da base; a fileira inteira é um retângulo de base igual ao perímetro da base e altura hh.

Cilindro reto: dois círculos de raio rr e um retângulo cuja base mede 2πr2\pi r (a volta completa da base) e cuja altura é hh.

Pirâmide regular: a base mais os triângulos isósceles das faces, cada um de base igual ao lado da base e altura igual ao apótema da pirâmide apa_p.

Cone reto: um círculo de raio rr e um setor circular com raio igual à geratriz gg; o arco desse setor tem o comprimento da volta da base, 2πr2\pi r. O ângulo do setor é a fração que esse arco é da circunferência completa de raio gg:

θ=2πr2πg×360°=rg×360°.\theta = \frac{2\pi r}{2\pi g} \times 360° = \frac{r}{g} \times 360°.

Esfera: não se planifica. A área dela vem de uma fórmula, não de um desenho.

Três planificações com medidas. Cilindro de raio 5 cm e altura 15 cm: dois círculos de raio 5 e um retângulo de 2 pi vezes 5, igual a 31,4 cm, por 15 cm. Cone de raio 4 cm e geratriz 10 cm: um círculo de raio 4 e um setor circular de raio 10 cujo arco mede 2 pi vezes 4, igual a 8 pi, com ângulo de 144 graus, dois quintos da volta. Pirâmide regular de base quadrada com lado 6 m e altura 4 m: um quadrado de lado 6 com quatro triângulos isósceles de base 6 e altura igual ao apótema 5 m, e o apótema de 5 m tracejado numa das faces.
As três planificações que medem: o retângulo da lateral do cilindro, o setor da lateral do cone (ângulo 360°⋅r/g360° \cdot r/g) e os triângulos da lateral da pirâmide (altura igual ao apótema). Diagrama autoral.

Pense numa casquinha de sorvete com 4 cm de raio e 10 cm de geratriz. Aberta, ela vira um setor de raio 10 cm cujo arco tem o comprimento da boca da casquinha, 2π×4=8π2\pi \times 4 = 8\pi cm. Um círculo inteiro de raio 10 teria volta de 20π20\pi; o setor ocupa, portanto, 8π20π=25\frac{8\pi}{20\pi} = \frac{2}{5} dele, o que corresponde a 25×360°=144°\frac{2}{5} \times 360° = 144°. A relação funciona nos dois sentidos: se um item diz que a lateral de um copo cônico de papel, planificada, é um semicírculo, então o arco mede πg\pi g e a base tem contorno 2πr2\pi r; igualando, r=g/2r = g/2, e o cone é equilátero (g=2rg = 2r), com ângulo de 60° entre geratriz e base. Setor de um quarto de volta (90°) significa r=g/4r = g/4.

As planificações do cubo têm uma pergunta clássica: dobrada a planificação, que faces ficam opostas? O cubo tem onze planificações diferentes (dos 35 hexaminós, os arranjos de seis quadrados unidos por lados, só onze fecham um cubo; o recurso da Casa das Ciências listado nos links mostra as onze), e duas regras valem em todas: faces vizinhas na planificação nunca ficam opostas, e, em três quadrados seguidos numa mesma fileira, os das pontas ficam opostos. Na “escada” de seis quadrados, que não tem três numa fileira, cada face fica oposta à terceira seguinte ao longo da escada. Essa pergunta foi item do ENEM e está nos exercícios desta página.

As primeiras planificações impressas

Albrecht Dürer, o gravador de Nuremberg, publicou em 1525 o tratado Underweysung der Messung mit dem Zirckel und Richtscheyt (“Instrução sobre a medição com compasso e régua”), cujo quarto livro traz as primeiras planificações impressas de poliedros, entre elas as dos cinco sólidos regulares: o leitor recortava o desenho e montava o sólido. Era um manual para pintores e ourives, e é o mesmo gesto da aula de hoje: para entender a superfície de um sólido, abra-o sobre a mesa.

Quanto material reveste cada sólido: áreas lateral e total

Pintar um silo, revestir uma cúpula, rotular uma lata: em cada caso o que se compra é material para cobrir a casca do sólido, e a medida pedida é a da superfície, não a do espaço interno (essa é o volume, com página própria). O caminho da resposta é a planificação: abra a superfície, reconheça a figura plana que aparece e aplique a área dela.

Área lateral, área total e as fórmulas

Prisma reto: área lateral Aℓ=(perıˊmetro da base)×hA_\ell = (\text{perímetro da base}) \times h; área total =Aℓ+2Ab= A_\ell + 2A_b. Paralelepípedo de arestas aa, bb, cc: At=2(ab+bc+ca)A_t = 2(ab + bc + ca). Cubo de aresta aa: At=6a2A_t = 6a^2.

Cilindro reto: Aℓ=2πrhA_\ell = 2\pi r h (o retângulo); At=2πrh+2πr2=2πr(r+h)A_t = 2\pi r h + 2\pi r^2 = 2\pi r(r + h).

Pirâmide regular: Aℓ=(perıˊmetro da base)×ap2A_\ell = \dfrac{(\text{perímetro da base}) \times a_p}{2} (os triângulos); At=Aℓ+AbA_t = A_\ell + A_b.

Cone reto: Aℓ=πrgA_\ell = \pi r g (o setor: área =12×arco×raio=12⋅2πr⋅g= \frac{1}{2} \times \text{arco} \times \text{raio} = \frac{1}{2} \cdot 2\pi r \cdot g); At=πrg+πr2=πr(r+g)A_t = \pi r g + \pi r^2 = \pi r (r + g).

Esfera: A=4πr2A = 4\pi r^2, o equivalente a quatro círculos máximos. A casca curva de uma semiesfera mede metade disso, 2πr22\pi r^2; o círculo plano que a fecharia só entra quando o enunciado o menciona.

Lateral exclui as bases; total as inclui. “Sem tampa” significa uma base só.

A área lateral do cone merece uma conferência, porque é a fórmula que mais se confunde. O setor de raio gg e arco 2πr2\pi r é a fração rg\frac{r}{g} do círculo de raio gg, cuja área é πg2\pi g^2: rg×πg2=πrg\frac{r}{g} \times \pi g^2 = \pi r g. Lê-se “pi vezes raio vezes geratriz”, e a altura hh não aparece. Ela só entra, via Pitágoras, quando o item dá rr e hh e esconde gg.

Dedução da área lateral do cone: à esquerda, um cone de raio r, altura h e geratriz g; à direita, o setor circular de raio g e arco 2 pi r, cuja área é a fração r sobre g da área pi g ao quadrado do círculo completo, resultando em pi r g. Abaixo, o exemplo numérico do cone de sinalização de raio 21 cm e altura 72 cm: geratriz 75 cm pelo triângulo 21-72-75, área lateral pi vezes 21 vezes 75, igual a 1575 pi, cerca de 4950 centímetros quadrados.
A lateral do cone é um setor: fração r/gr/g do círculo de raio gg, logo πrg\pi r g. No cone de sinalização de raio 21 cm e altura 72 cm, a geratriz é 75 cm e a lateral mede 1 575π≈4 9501\,575\pi \approx 4\,950 cm², quase meio metro quadrado de plástico. Diagrama autoral.

Um tubo de batata chips de raio 4 cm e altura 25 cm: a lateral de papelão é 2π×4×25=200π≈6282\pi \times 4 \times 25 = 200\pi \approx 628 cm²; a tampa plástica e o fundo metálico somam 2×16π=32π≈1002 \times 16\pi = 32\pi \approx 100 cm²; a superfície toda, 232π≈729232\pi \approx 729 cm², e a lateral responde por 86 % dela, o que explica por que o fabricante economiza no papelão, não na tampa. Um cone de sinalização de trânsito de raio 21 cm e altura 72 cm tem geratriz 75 cm (os três números formam o triângulo 7-24-25 ampliado por 3) e lateral π×21×75=1 575π≈4 950\pi \times 21 \times 75 = 1\,575\pi \approx 4\,950 cm². Uma caixa de pizza cilíndrica de raio 16 cm e altura 4 cm, item do PAS 3 de 2024: área total 2π×162+2π×16×4=512π+128π=640π2\pi \times 16^2 + 2\pi \times 16 \times 4 = 512\pi + 128\pi = 640\pi cm², e o item, que afirmava exatamente 640π640\pi, estava certo. Repare que a prova deixou a resposta em função de π\pi: nenhuma aproximação, nenhuma margem, só a fórmula montada certa.

O depósito de carvão e o esboço da árvore

Em 2015, o PAS 2 desenhou o perfil (uma seção meridiana: um retângulo com um semicírculo em cima) de um depósito de carvão. O corpo era um cilindro com 40 m de altura e base de 120 m de diâmetro; a cobertura, uma semiesfera que “se encaixa perfeitamente” nele. A superfície esférica é de metal, as paredes laterais do cilindro são de concreto e o piso é de cerâmica, com π=3,14\pi = 3{,}14. Dois itens de área, cada um nomeando um material.

Exemplo resolvido 2: parede, cúpula e piso. “A área da parede de concreto do depósito é superior a 15.000 m².” Parede é a lateral do cilindro, raio 60 m: 2πrh=2×3,14×60×40=15 0722\pi r h = 2 \times 3{,}14 \times 60 \times 40 = 15\,072 m². Superior a 15 000: certo, por 72 m². “Para construir a semiesfera gastou-se mais de 25.000 m² de metal.” Casca da semiesfera: 2πr2=2×3,14×3 600=22 6082\pi r^2 = 2 \times 3{,}14 \times 3\,600 = 22\,608 m². Menos de 25 000: errado. O piso, se fosse perguntado, seria πr2=11 304\pi r^2 = 11\,304 m² de cerâmica.

Conferência: o limiar do concreto está a 0,5 % do valor, e o do metal a 10 %: no primeiro, só a conta completa decide; no segundo, quem usou 4πr24\pi r^2 (esfera inteira, 45 216) marcou certo e perdeu. Cada material cobre uma superfície diferente, e o substantivo que o enunciado escolhe (“parede”, “cobertura”, “piso”) decide qual fórmula entra: leia-o antes dos números.

Em 2017, o esboço da árvore rendeu o item de limiar mais apertado do assunto: “a área da superfície lateral do cone é inferior a 50 m²”, com o cone equilátero de raio 3 m. Geratriz g=2r=6g = 2r = 6; lateral πrg=3,14×3×6=56,52\pi r g = 3{,}14 \times 3 \times 6 = 56{,}52 m², que não é inferior a 50: errado. Quem trocou a geratriz pela altura (33≈5,23\sqrt{3} \approx 5{,}2) achou 49,049{,}0 e marcou certo. O limiar foi posto exatamente entre o valor certo e o valor do erro mais comum.

Sólidos compostos: a lateral de cada peça

Exemplo resolvido 3: a lateral do silo. Em 2014, a prova empilhou um cone sobre um cilindro: o cilindro, circular reto, tinha 27 cm de altura e base de 8 cm de diâmetro; o cone, também reto, apoiava-se nessa base com 3 cm de altura. Pediu-se, em item de resposta numérica, a área lateral do sólido, em cm², com π=3,14\pi = 3{,}14.

Estratégia: a “lateral” do sólido composto soma a lateral do cilindro à lateral do cone; ficam de fora o círculo do fundo e a base do cone, que está colada ao cilindro e não é superfície exposta. Para o cone, Pitágoras dá a geratriz.

Resolução: raio 4 cm. Cilindro: 2πrh=2×3,14×4×27=678,242\pi r h = 2 \times 3{,}14 \times 4 \times 27 = 678{,}24 cm². Cone: g=42+32=5g = \sqrt{4^2 + 3^2} = 5 cm, lateral πrg=3,14×4×5=62,8\pi r g = 3{,}14 \times 4 \times 5 = 62{,}8 cm². Soma: 741,04741{,}04 cm²; marcação 741.

Conferência: a lateral do cone é pequena (um “chapéu” baixo, 3 cm de altura sobre 8 cm de diâmetro) diante da lateral do cilindro, como a figura sugere; e 44–33–55 é o triângulo que a banca sempre escolhe.

Na mesma prova, o outro sólido era um cilindro de 26 cm de altura e 6 cm de diâmetro com um anel plano (raio interno 3 cm, raio externo 4 cm) e uma semiesfera de raio 4 cm por cima, um cogumelo. O item: “a área da superfície do sólido formado pela semiesfera e pelo anel é superior a 130 cm²”. Semiesfera: 2π×16=100,482\pi \times 16 = 100{,}48 cm²; anel: π(42−32)=21,98\pi(4^2 - 3^2) = 21{,}98 cm², contado uma vez, pela face de baixo, a única exposta; total 122,46122{,}46 cm², inferior a 130. Errado. Quem contou o anel duas vezes (144,4) marcou certo. O anel é uma chapa: tem área, não tem volume, e a face colada à semiesfera não é superfície do sólido.

Três adjetivos, três armadilhas

Lateral exclui as bases: a lateral do silo não inclui o fundo nem a base do cone. Semiesfera é metade de 4πr24\pi r^2, ou seja, 2πr22\pi r^2, e não metade de πr2\pi r^2 (a cúpula de 60 m: 22 608 m², aquém dos 25 000 afirmados). E diâmetro é o dobro do raio: em 2022, o PAS 2 afirmou que “a área da superfície da casca de cada fruto é igual a π\pi cm²” para frutos esféricos de 1 cm de diâmetro; com r=0,5r = 0{,}5, 4π×0,25=π4\pi \times 0{,}25 = \pi cm², certo; quem usou r=1r = 1 achou 4π4\pi e errou um item certo.

O barril de petróleo de 2009 juntou tudo num item só: barris cilíndricos de 50 cm de diâmetro e 159 litros de capacidade, fabricados (lateral, tampa e fundo) com chapas de latão de 3 m², um milhão deles, e a afirmação de que bastariam menos de 500 000 chapas. A capacidade dá a altura: a base tem área 3,14×252=1 962,53{,}14 \times 25^2 = 1\,962{,}5 cm², e 159 litros são 159 000 cm³, logo h=159 000/1 962,5≈81h = 159\,000 / 1\,962{,}5 \approx 81 cm (área da base vezes altura é o volume do cilindro, que a página de volumes desenvolve). Área total: 2×1 962,5+2×3,14×25×81≈3 925+12 717=16 6422 \times 1\,962{,}5 + 2 \times 3{,}14 \times 25 \times 81 \approx 3\,925 + 12\,717 = 16\,642 cm² ≈1,66\approx 1{,}66 m² por barril; um milhão de barris, 1,66 milhão de m²; dividido por 3 m² por chapa, cerca de 555 000 chapas, mais de 500 000. Errado. Unidades: centímetros até o fim, metros quadrados só na hora de dividir pela chapa (11 m² =10 000= 10\,000 cm²).

Diagonais e distâncias: Pitágoras duas vezes

Quanto mede o maior segmento que cabe dentro de uma caixa? É a diagonal do paralelepípedo, de um vértice ao vértice oposto, e ela sai de Pitágoras aplicado duas vezes: uma na face de baixo, outra num plano vertical.

Diagonal da face, diagonal do sólido, distância entre pontos

Num paralelepípedo reto-retângulo de arestas aa, bb, cc: a diagonal da face de lados aa e bb mede df=a2+b2d_f = \sqrt{a^2 + b^2}; a diagonal do sólido mede

D=df2+c2=a2+b2+c2.D = \sqrt{d_f^2 + c^2} = \sqrt{a^2 + b^2 + c^2}.

No cubo de aresta aa: diagonal da face a2a\sqrt{2}, diagonal do cubo a3a\sqrt{3}. A distância entre dois pontos quaisquer do espaço é a diagonal do paralelepípedo cujas arestas são as diferenças das três coordenadas, (Δx)2+(Δy)2+(Δz)2\sqrt{(\Delta x)^2 + (\Delta y)^2 + (\Delta z)^2}.

Paralelepípedo de arestas 3, 4 e 12 em perspectiva. Na base, a diagonal da face de lados 3 e 4 mede 5. O triângulo retângulo vertical formado por essa diagonal de 5, pela aresta vertical 12 e pela diagonal do sólido tem hipotenusa 13. Ao lado, um cubo de aresta a com a diagonal da face a raiz de 2 e a diagonal do cubo a raiz de 3, e o triângulo equilátero formado por três diagonais de faces que saem de vértices vizinhos, com ângulos de 60 graus.
Pitágoras duas vezes: na face (32+42=523^2 + 4^2 = 5^2) e no plano vertical que contém a diagonal da face e a aresta (52+122=1325^2 + 12^2 = 13^2). No cubo, três diagonais de faces fecham um triângulo equilátero. Diagrama autoral.

Uma caixa de 3×4×123 \times 4 \times 12: diagonal da base 5, diagonal do sólido 25+144=13\sqrt{25 + 144} = 13; uma vareta de 13 cm cabe deitada na diagonal, uma de 14 não cabe. Um cubo de aresta 10 cm: diagonal da face 102≈14,110\sqrt{2} \approx 14{,}1 cm, diagonal do cubo 103≈17,310\sqrt{3} \approx 17{,}3 cm. Em 2022, o PAS 1 pediu, num item de resposta numérica sobre o poliedro de uma gravura de Escher, o comprimento do segmento que ligava dois vértices opostos de um cubo de aresta ℓ/2\ell/2 com ℓ=1 200\ell = \sqrt{1\,200}: 1 20023=3 6002=30\frac{\sqrt{1\,200}}{2}\sqrt{3} = \frac{\sqrt{3\,600}}{2} = 30. Diagonal do cubo é aresta vezes 3\sqrt{3}; o resto foi escolher ℓ\ell para a raiz fechar.

O mesmo bloco de Escher trazia um item de área: o poliedro era “um cubo de lado ℓ\ell com recorte de um cubo menor de lado ℓ/2\ell/2” num vértice, e o item afirmava que a área superficial do poliedro, contando as três faces não visíveis, coincidia com a de um cubo de lado ℓ\ell. Certo: ao retirar o cubinho do canto, três quadrados de lado ℓ/2\ell/2 saem de três faces do cubo grande, e três quadrados iguais, as paredes internas do recorte, aparecem no lugar; a área total não muda, 6ℓ26\ell^2. Um entalhe num canto não muda a área; muda o volume.

O caminho mais curto sobre a caixa

Uma formiga está num vértice de uma caixa de 30×20×1030 \times 20 \times 10 cm e quer chegar ao vértice oposto andando pela superfície. Ela não pode usar a diagonal interna (900+400+100=1 400≈37,4\sqrt{900 + 400 + 100} = \sqrt{1\,400} \approx 37{,}4 cm), que atravessa o interior. O caminho mais curto pela superfície se encontra planificando: abra as duas faces que a formiga atravessa e ligue os dois vértices por uma reta. Há três jeitos de abrir, conforme a aresta que o caminho cruza, e cada um dá uma hipotenusa: cruzando a aresta de 30 cm (as faces de 30×2030 \times 20 e 30×1030 \times 10 abrem num retângulo de 3030 por 20+1020 + 10), 302+(20+10)2=1 800≈42,4\sqrt{30^2 + (20 + 10)^2} = \sqrt{1\,800} \approx 42{,}4 cm; cruzando a aresta de 20 cm, 202+(30+10)2=2 000≈44,7\sqrt{20^2 + (30 + 10)^2} = \sqrt{2\,000} \approx 44{,}7 cm; cruzando a aresta de 10 cm, 102+(30+20)2=2 600≈51\sqrt{10^2 + (30 + 20)^2} = \sqrt{2\,600} \approx 51 cm. O menor é 42,4 cm, cruzando a aresta mais longa: são as duas medidas menores que se somam, e o retângulo aberto fica o mais próximo possível de um quadrado. Dentro do sólido, a reta é a diagonal; sobre a superfície, a reta aparece na planificação.

Escala: comprimentos vezes k, áreas vezes k², volumes vezes k³

Amplie um sólido multiplicando cada comprimento dele por um mesmo fator kk: as áreas saem multiplicadas por k2k^2 e os volumes por k3k^3, seja qual for a forma. A regra dispensa a fórmula da área; a única exigência é que a ampliação (ou a redução) tenha sido uniforme em todas as direções. Uma lata cujo raio e cuja altura triplicam consome nove vezes mais folha de metal; se as duas medidas caem a um terço, a área cai a um nono.

Escala em comprimentos, áreas e volumes

Sólidos semelhantes com razão de semelhança kk (toda medida linear multiplicada por kk) têm áreas na razão k2k^2 e volumes na razão k3k^3. Uma maquete 1:50 tem áreas 2 5002\,500 vezes menores e volumes 125 000125\,000 vezes menores. A regra exige que todas as medidas mudem na mesma razão; se só o raio dobra e a altura fica, a lateral do cilindro dobra (2πrh2\pi r h é linear em rr) e a base quadruplica.

Foi a regra que resolveu o primeiro item do tanque de 2016: “se o diâmetro e a altura do tanque fossem ambos divididos por 2, então a área total da superfície do tanque seria dividida por 4”. Diâmetro e comprimento são todas as medidas lineares do semicilindro; divididas por 2, k=12k = \frac{1}{2} e toda área fica dividida por 22=42^2 = 4. Certo, sem montar a área do semicilindro (meia lateral, mais a face retangular, mais dois semicírculos), que chegaria ao mesmo lugar em cinco linhas. Para volumes a razão é k3k^3: metade das medidas, um oitavo do volume; e a ponta de um cone cortado a meia altura (k=12k = \frac{1}{2}) tem um oitavo do volume do cone inteiro, o que a página de volumes de pirâmides e cones usa para o tronco.

Como a banca pergunta

Os itens de geometria espacial do PAS quase nunca abrem bloco próprio: pegam carona num texto-base de outra disciplina (uma foto de árvore do cerrado, uma obra de Escher, um bloco de pedra-sabão, uma pintura com caixas de pizza) e trazem os seus dados consigo. Três moldes se repetem.

  • A seção afirmada. A banca descreve o sólido, posiciona um plano e afirma a figura, muitas vezes com um “sempre” (2018/49 certo, 2019/69 errado) ou num tipo C de quatro curvas (2016/64). Classifique o plano antes de olhar para a afirmação.
  • O limiar de área. “A área da parede é superior a 15 000 m²” (2015), “a lateral do cone é inferior a 50 m²” (2017), “a casca mede π\pi cm²” (2022), “área total igual a 640π640\pi” (2024). Os limiares ficam colados ao valor (15 000 contra 15 072, em 2015) ou entre o valor certo e o do erro mais comum (geratriz por altura, raio por diâmetro, semiesfera por esfera): conta completa, com o π\pi do comando.
  • A resposta numérica. Lateral do sólido composto (2014, resposta 741), altura pela seção meridiana (2017, resposta 819), diagonal do cubo (2022, resposta 030). Três dígitos, parte fracionária desprezada, nunca em branco.

E um molde mais raro, de posição relativa: duas arestas reversas, duas retas paralelas a um plano, um ângulo entre diagonais de faces (2008). Esses se decidem no vocabulário, sem conta.

Os erros que a banca planta

  • Geratriz no lugar da altura, ou altura no lugar da geratriz. A lateral do cone é πrg\pi r g; o volume usa hh. Cone equilátero de raio 3: g=6g = 6, h=33h = 3\sqrt{3} (2017).
  • Diâmetro no lugar do raio. Fruto de 1 cm de diâmetro: r=0,5r = 0{,}5, área π\pi (2022). Caixa de pizza de 16 cm de raio: 16 é o raio mesmo (2024).
  • Semiesfera como metade do círculo. 2πr22\pi r^2, não 12πr2\frac{1}{2}\pi r^2 (2015).
  • Lateral com base. A lateral do silo não tem fundo nem a base do cone (2014).
  • Chapa contada duas vezes. O anel colado à semiesfera só expõe uma face (2014).
  • “Sempre” aceito sem testar o plano fora do eixo. No tronco de cone, o trapézio exige que o plano contenha o eixo (2019).
  • Elipse na esfera. Toda seção de esfera é círculo; a elipse aparece ao cortar cilindro ou cone obliquamente (2016).
  • “Não se cruzam, logo paralelas.” No espaço podem ser reversas (2008).
  • Perpendicular a uma reta do plano, logo perpendicular ao plano. São precisas duas retas concorrentes.
  • Ângulo lido na perspectiva. 45° no desenho pode ser 90° no sólido; meça na seção ou na vista.
  • Escala sem elevar. Metade das medidas: área por 4, volume por 8 (2016).
  • Diagonal do cubo como a2a\sqrt{2}. a2a\sqrt{2} é a da face; a do cubo é a3a\sqrt{3} (2022).
  • Unidade. 11 m² =10 000= 10\,000 cm²; 159 litros =159 000= 159\,000 cm³ (2009).

O essencial em meia página

  • Retas no espaço: concorrentes, paralelas ou reversas (sem plano comum). Reta ⊥\perp plano exige perpendicularidade a duas retas concorrentes do plano. Planos secantes se cortam numa reta; o ângulo entre eles é o ângulo de uma seção perpendicular a essa reta. Duas retas paralelas a um plano não garantem plano paralelo.
  • Sólidos: prisma (bases iguais, laterais paralelogramos; reto = retângulos), pirâmide (apótema da pirâmide ap2=h2+ab2a_p^2 = h^2 + a_b^2), cilindro (geratriz = altura), cone (g2=r2+h2g^2 = r^2 + h^2; equilátero g=2rg = 2r), esfera, tronco. Pitágoras “em pé”: 3-4-5, 6-8-10, 21-72-75.
  • Vistas: frontal, superior, lateral; projeção ortogonal de um segmento L′=Lcos⁡αL' = L\cos\alpha; nunca meça ângulo na perspectiva.
  • Seções: paralela à base reproduz a base (semelhante, na pirâmide e no cone); pelo eixo mostra o perfil (retângulo, triângulo isósceles, trapézio); oblíqua ao eixo, elipse (cilindro e cone); esfera, sempre círculo. Cubo: triângulo, quadrado, retângulo a×a2a \times a\sqrt{2}, pentágono, hexágono regular. Teste o “sempre” com o plano fora do eixo.
  • Planificações: cilindro, retângulo 2πr×h2\pi r \times h; cone, setor de raio gg e arco 2πr2\pi r, ângulo 360°⋅r/g360° \cdot r/g; pirâmide, triângulos de altura apa_p; esfera não se planifica.
  • Áreas: cilindro Aℓ=2πrhA_\ell = 2\pi r h, At=2πr(r+h)A_t = 2\pi r(r + h); cone Aℓ=πrgA_\ell = \pi r g, At=πr(r+g)A_t = \pi r(r + g); prisma Aℓ=A_\ell = perímetro ×h\times h; pirâmide Aℓ=A_\ell = perímetro ×ap/2\times a_p / 2; cubo 6a26a^2; paralelepípedo 2(ab+bc+ca)2(ab + bc + ca); esfera 4πr24\pi r^2, semiesfera 2πr22\pi r^2. Lateral sem bases, total com bases, chapa colada não conta.
  • Diagonais: face a2+b2\sqrt{a^2 + b^2}; sólido a2+b2+c2\sqrt{a^2 + b^2 + c^2}; cubo a2a\sqrt{2} e a3a\sqrt{3}. Caminho mais curto pela superfície: planifique e trace a reta.
  • Escala: comprimentos ×k\times k, áreas ×k2\times k^2, volumes ×k3\times k^3.
  • Na prova: nomeie o sólido, classifique o plano, desenhe a seção ou a planificação, use o π\pi do comando, confira o limiar com a conta completa, e desconfie de todo “sempre”.

Exercícios temporariamente indisponíveis

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Flashcards temporariamente indisponíveis

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Retas e planos no espaço - Aula 01
Portal da Matemática OBMEP · 14:45
Introdução. O professor Eduardo Corrêa (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP) apresenta retas coplanares e não coplanares e os elementos que determinam um plano: é a seção “O espaço tem um caso que o plano não tem: retas reversas” explicada no quadro, com o cubo como laboratório, antes dos itens do PAS 1 de 2008 sobre arestas reversas.
Posições relativas entre reta e plano. Perpendicularismo - Aula 02
Portal da Matemática OBMEP · 12:18
Aprofundamento. Posições relativas entre reta e plano, o critério de perpendicularismo (duas retas concorrentes do plano) e, como aplicação, o cálculo da diagonal de um paralelepípedo: liga a seção de retas e planos à seção “Diagonais e distâncias: Pitágoras duas vezes” num só raciocínio.
Área da Superfície de um Cilindro - Aula 28
Portal da Matemática OBMEP · 10:30
Mecanismo. A área do cilindro deduzida pela planificação da superfície lateral (o retângulo 2πr × h) e, pela mesma planificação, o comprimento de um barbante esticado sobre a lateral: são as seções “Desenrolar para medir” e “Área de superfície” em aula, com o caminho mais curto pela superfície que a página resolve na caixa da formiga.
Área da Superfície de um Cone - Aula 32
Portal da Matemática OBMEP · 11:56
Aprofundamento. A planificação da lateral do cone como setor circular de raio g e arco 2πr, e daí a fórmula πrg: é exatamente a dedução da figura “A lateral do cone é um setor” e o item do cone equilátero do PAS 2 de 2017, em que geratriz e altura se confundem.
Um Problema na Superfície de um Cone - Aula 33
Portal da Matemática OBMEP · 7:29
Resolução. Comprimento mínimo de um barbante esticado sobre a superfície de um cone, resolvido planificando o cone e traçando a reta no setor: o treino do exemplo resolvido da formiga na caixa, agora num corpo redondo, para fixar que o menor caminho pela superfície aparece na planificação.
Rota PAS 2
Geometria espacial: sólidos, cônicas e projeções · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Geometria espacial: sólidos, cônicas e projeções · Antes de começar (vocabulário dos sólidos, Pitágoras em pé, escala k²); Sólidos e seções: a figura que o plano revela; Área de superfície: medir desenrolando; Leia como na prova (itens 2024/58–59, anulados); Como a banca cobra (2018/49, 2019/69, 2017/88, 2016/64, 2014/96 e 99, 2015/102 e 104, 2016/63, 2017/86, 2022/92); Resolvidos (seção meridiana, tipo B); Exercícios 1 a 5 e 14; Banco de treino T1 a T3, T11 a T17

    Recorte por assunto: só posições relativas, sólidos e elementos, vistas, seções, planificações, áreas de superfície, diagonais e escala. Cônicas, poliedros e relação de Euler, esfera e círculo máximo e projeções cartográficas do mesmo capítulo pertencem às páginas conicas, poliedros e geometria-da-esfera.

  • Rota PAS 2 — Medida de volume: Cavalieri e os sólidos compostos · O que cai daqui (lista dos itens de área e seção remetidos à Parte II, incl. 2009/114); Antes de começar (unidades ao quadrado e ao cubo; escala 1:50); Pirâmide, cone e tronco (semelhança k da ponta; só a remissão)

    Usado apenas para o mapa de itens do bloco e para as remissões às quatro páginas de volume; nenhuma fórmula de volume é desenvolvida nesta página.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1: 2008 (itens 112, 114 e 115), 2016 (item 68), 2022 (item 97; item 100 reusado por GUID), 2020 (item 67 reusado), 2025 (item 25 reusado), 2013 (item 50 reusado); PAS 2: 2009 (item 114), 2012 (item 93 reusado), 2014 (itens 96 e 99), 2015 (itens 102 e 104), 2016 (itens 63 e 64), 2017 (itens 86 e 88, caderno cifrado), 2018 (item 49), 2019 (item 69), 2022 (item 92), 2024 (itens 58 e 59, anulados, só na teoria); PAS 3: 2024 (item 88)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB.txt e nas classificações pesquisa/classificacao/AAAA.json, classificacao-pas2/AAAA.json e classificacao-pas3/AAAA.json.

  • Cadernos em PDF (figuras dos itens) · Páginas renderizadas a 130–300 dpi: cubo dentro do paralelepípedo (PAS 1 2008, p. 17 do caderno), prisma trapezoidal (2016), poliedro de Escher (2022); cilindro com cone e cilindro com anel e semiesfera (PAS 2 2014), perfil do depósito de carvão (2015), tanque semicilíndrico (2016), esboço da árvore e sua seção meridiana (2017, caderno cifrado), cortes de tronco (2018), bloco e panela de pedra-sabão (2019), palmito-juçara (2022); caixa de pizza (PAS 3 2024)

    Toda figura impressa foi descrita em texto neutro no campo text das questões, com todos os rótulos e a topologia do sólido.