Por que a mesma lupa, ao sol, reúne a luz num ponto que queima papel, encostada num texto mostra as letras maiores e direitas e, afastada meio palmo, mostra-as de cabeça para baixo; e por que o oftalmologista receita 'menos dois' para quem não lê o quadro e 'mais dois' para quem afasta o jornal, se os dois olhos têm a mesma lente viva a dois centímetros da retina?
O que você vai aprender
Classificar uma lente delgada pela forma das bordas (finas ou grossas) e pelo contraste de índices com o meio, explicando por que uma lente de bordas finas é convergente no ar e pode ser divergente dentro de um meio mais refringente que ela.
Identificar os elementos de uma lente delgada (centro óptico, eixo principal, focos objeto e imagem, pontos antiprincipais) e traçar os três raios notáveis da convergente e da divergente.
Construir geometricamente a imagem nos cinco casos da lente convergente e no caso único da divergente, associando cada caso a um instrumento (câmera, projetor, colimador, lupa, óculos de míope).
Resolver a equação de Gauss 1/f = 1/p + 1/p′ e o aumento linear A = −p′/p com a convenção de sinais das lentes (f > 0 convergente, f < 0 divergente, p′ > 0 real, p′ < 0 virtual), nos dois sentidos: dada a lente achar a imagem, dada a imagem achar a lente.
Converter distância focal em vergência V = 1/f em dioptrias e vice-versa, ler uma receita de óculos (sinal, módulo, 'grau') e explicar qualitativamente a equação dos fabricantes.
Descrever o olho como sistema convergente (córnea + cristalino) que forma na retina uma imagem real e invertida, explicar a acomodação pelos músculos ciliares e definir ponto próximo e ponto remoto do olho normal.
Diagnosticar miopia, hipermetropia, presbiopia e astigmatismo pela posição em que a imagem cai em relação à retina, indicar a lente corretiva de cada um e calcular o grau do míope (V = −1/PR) e do hipermétrope/presbita a partir do ponto próximo.
Explicar qualitativamente como lupa, câmera fotográfica, projetor, microscópio composto e luneta astronômica combinam lentes e em que regime de Gauss cada lente trabalha.
Reconhecer os erros que a banca planta: divergente que 'forma imagem real', 'imagem real e invertida para qualquer p', globo do míope 'menor', 'convergente corrige miopia', 'grau' como unidade e o sinal de f na divergente.
Resolver os itens do PAS 2 sobre lentes e visão (2007/83, 2008/32–35, 2009/69, 2016/98, 2017/102, 2018/107, 2019/73–74, 2020/103–104, 2025/88, 91 e 94), inclusive os três tipo D de construção por raios notáveis e os dois tipo B de Gauss.
Uma lupa ao sol reúne a luz num ponto que queima papel. A mesma lupa, encostada num texto, mostra as letras maiores e direitas; afastada meio palmo, mostra-as de cabeça para baixo e menores. A câmera do celular faz do mundo inteiro uma imagem de poucos milímetros sobre o sensor; o projetor da sala faz de um chip do tamanho de uma unha uma tela de dois metros. E no consultório, o oftalmologista receita “menos dois” para a adolescente que aperta os olhos para ler o quadro e “mais dois” para o avô que afasta o jornal até o braço esticar, embora os dois tenham o mesmo aparelho: uma lente viva a uns dois centímetros de uma tela chamada retina. Todas essas máquinas são o mesmo objeto, um pedaço de material transparente com faces curvas, e a diferença entre queimar, ampliar, inverter e corrigir é, no fundo, uma só: a que distância da lente está o objeto, e onde se quer que a imagem caia.
Esta página é a do assunto lentes e visão: os tipos de lente delgada e o que faz uma lente convergir ou divergir; os elementos, os focos e os raios notáveis; a construção das imagens nos cinco casos da convergente e no caso único da divergente; a equação de Gauss e o aumento, com a convenção de sinais das lentes; a vergência em dioptrias, que é o “grau” dos óculos; o olho como sistema óptico, com a acomodação, o ponto próximo e o ponto remoto; as ametropias (miopia, hipermetropia, presbiopia, astigmatismo) com a conta do grau; e os instrumentos que combinam lentes: lupa, câmera, projetor, microscópio e luneta. O que acontece com um raio ao cruzar uma superfície, a lei de Snell, o ângulo limite e o prisma, está na página irmã de refração da luz; aqui a refração entra já organizada pela forma da lente. Os espelhos, com a mesma equação de Gauss e outra convenção, estão em espelhos; a propagação retilínea e as sombras, em princípios da óptica geométrica; a anatomia do olho e o caminho do sinal até o cérebro, em sistema nervoso.
Bordas finas, bordas grossas: o que faz uma lente convergir
Uma lente é um meio transparente limitado por duas superfícies, ao menos uma delas curva (em geral esférica). Quando a espessura da lente é pequena diante dos raios de curvatura das faces e das distâncias envolvidas, ela é chamada delgada, e é com lentes delgadas que a óptica escolar e a prova trabalham: tudo o que a lente faz com um raio pode ser atribuído a um único plano, o da lente, e a espessura não entra em conta nenhuma.
Cada face pode ser convexa (bojuda para fora), côncava (cavada) ou plana, e a combinação dá seis formas com nomes compostos: biconvexa, plano-convexa e côncavo-convexa, de um lado; bicôncava, plano-côncava e convexo-côncava, do outro. O nome cita a face de menor raio de curvatura por último quando as duas são curvas no mesmo sentido, mas o que interessa fisicamente é outra coisa: nas três primeiras o centro é mais grosso que as bordas; nas três últimas, o centro é mais fino que as bordas.
Seis formas, dois comportamentos. No ar, bordas finas convergem e bordas grossas divergem; a regra vale porque o vidro é mais refringente que o ar. Inverta o contraste de índices e a de bordas finas passa a divergir. Diagrama autoral.
Convergente ou divergente: forma e contraste de índices
Uma lente é convergente quando faz um feixe de raios paralelos ao eixo se reunir num ponto, o foco, do outro lado; é divergente quando faz o mesmo feixe se abrir, como se viesse de um ponto do lado de onde a luz veio. No ar, vidro, acrílico e água são mais refringentes que o meio, e vale a regra das bordas: bordas finas convergem, bordas grossas divergem. A razão está na refração: a luz anda mais devagar dentro da lente, e a parte mais grossa atrasa mais o raio que a atravessa; num centro grosso, o raio do meio se atrasa em relação aos das bordas, a frente de onda se curva para dentro e o feixe fecha. Num centro fino acontece o contrário.
A regra, portanto, depende do contraste de índicesnlente/nmeio, e não só da forma. Uma lente biconvexa de vidro (n=1,5) mergulhada num líquido de índice 1,7 passa a ser divergente: a luz anda mais rápido dentro dela do que fora, e o centro grosso agora adianta o raio em vez de atrasá-lo. Uma bolha de ar dentro da água, de bordas finas, diverge. E uma lente imersa num líquido de índice igual ao seu não faz nada: some opticamente, porque não há mudança de velocidade nas faces. O símbolo da lente delgada registra o comportamento, não a forma: uma seta dupla com pontas para fora para a convergente, com pontas para dentro para a divergente.
A 2.ª etapa de 2025 fez desse contraste um item inteiro, dentro do bloco do olho modelado como esfera com lente: “Para que a lente delgada seja convergente, a velocidade da luz na região da lente deve ser menor que a velocidade da luz no ar.” Gabarito C: mais refringente é n maior, e n=c/v é v menor. O item fala de velocidade, não de índice, e é preciso traduzir; quem decorou “bordas finas convergem” sem a ressalva do meio não tem como julgar.
O que decide quanto uma lente converge é a equação dos fabricantes (ou de Halley), que a prova só pede em nível qualitativo:
f1=(nmeionlente−1)(R11+R21),
com R1 e R2 os raios de curvatura das faces (positivos para faces convexas, negativos para côncavas, infinito para a face plana). Três leituras bastam. Primeira: o fator (nlente/nmeio−1) é o contraste de índices; se ele muda de sinal, f muda de sinal e a lente troca de comportamento; se é zero, 1/f=0 e a lente desaparece. Segunda: raios de curvatura menores (lente mais “bojuda”) dão 1/f maior, isto é, foco mais curto e lente mais forte; uma lente de óculos de grau alto é visivelmente mais curva. Terceira: como o índice de refração varia com a cor (a dispersão, tratada em refração da luz), a distância focal também varia, e a luz azul foca um pouco antes da vermelha; é a aberração cromática, que a 2.ª etapa de 2007 cobrou no telescópio de Galileu (item 84, C: a focal da objetiva “não é a mesma para essas cores”) e que as objetivas modernas corrigem combinando vidros diferentes.
Focos, centro óptico e os três raios notáveis
Numa lente delgada, os elementos são poucos. O eixo principal é a reta que passa pelos centros de curvatura das duas faces. O centro ópticoO é o ponto do eixo no plano da lente: todo raio que passa por ele atravessa a lente sem se desviar (as duas faces ali são praticamente paralelas, e a lente delgada funciona como uma lâmina de espessura zero). O foco imagemF′ é o ponto onde se reúnem, depois da lente, os raios que chegaram paralelos ao eixo; o foco objetoF é o ponto simétrico, do outro lado: raios que saem dele (ou passam por ele) emergem paralelos ao eixo. Numa lente delgada imersa num só meio, F e F′ estão à mesma distância f do centro óptico, a distância focal. Os pontos a 2f de cada lado são os pontos antiprincipaisA e A′: um objeto sobre A tem imagem sobre A′, do mesmo tamanho.
Na convergente os dois focos são reais: a luz de fato passa por F′. Na divergente eles são virtuais: um feixe paralelo emerge abrindo-se como se viesse de um ponto do lado da entrada, e é esse ponto que se chama foco imagem F′; o foco objeto F fica do outro lado, e raios que apontam para ele emergem paralelos. Por isso, nos desenhos, F′ da divergente fica do lado do objeto, e F do lado oposto; é o inverso da convergente.
Os três raios notáveis resolvem qualquer construção: paralelo ao eixo sai por F′, por F sai paralelo, pelo centro óptico não se desvia. Na divergente os focos são virtuais e trocam de lado, mas as três regras são as mesmas. Diagrama autoral.
Os três raios notáveis
De cada ponto do objeto saem infinitos raios, e todos os que atravessam a lente se encontram (ou parecem se encontrar) no mesmo ponto da imagem. Basta então escolher os que têm trajeto conhecido:
Paralelo ao eixo → emerge passando pelo foco imagemF′ (na divergente, emerge como se viesse de F′).
Pelo foco objetoF (na divergente, dirigido aF) → emerge paralelo ao eixo.
Pelo centro ópticoO → não se desvia.
Dois bastam para localizar a imagem de um ponto; o terceiro serve de conferência. A prova gosta dos raios 1 e 3: os três itens do tipo D de lentes em vinte anos de PAS 2 (2016/98, 2018/107 e 2020/104) se resolvem com essa dupla, e o de 2020 a pede com todas as letras: “faça uso do raio notável que se propaga paralelamente ao eixo principal e do raio notável que se propaga passando pelo centro óptico”.
A construção é a mesma dos espelhos esféricos, com uma diferença que confunde quem vem de lá: na lente a luz atravessa, então a imagem real fica do lado oposto ao objeto, e a imagem virtual, do mesmo lado. No espelho é o contrário. Quem carrega a intuição do espelho para a lente troca “real” e “virtual” de lado; a convenção de sinais, adiante, resolve isso sem precisar decorar.
Cinco casos da convergente, um da divergente
Fixe a lente convergente e mova o objeto ao longo do eixo, de muito longe até quase encostar. A imagem percorre uma sequência que se repete em qualquer lente e que vale decorar pela lógica, não pela lista.
Os cinco casos da lente convergente, com os valores de Gauss em cada painel (f=100 na escala do desenho). Duas fronteiras organizam tudo: o foco separa imagem real de virtual; o ponto antiprincipal separa imagem menor de maior. Diagrama autoral.
objeto (convergente)
imagem
onde ela cai
instrumento
além de A (p>2f)
real, invertida, menor
entre F′ e A′
câmera, olho
sobre A (p=2f)
real, invertida, igual
sobre A′
copiadora 1:1
entre A e F (f<p<2f)
real, invertida, maior
além de A′
projetor
sobre F (p=f)
imprópria (raios paralelos)
no infinito
colimador, lanterna
aquém de F (p<f)
virtual, direita, maior
do lado do objeto, além dele
lupa
qualquer, na divergente
virtual, direita, menor
entre a lente e F′
óculos de míope, olho mágico
Leia a tabela como um filme. Objeto muito longe: imagem pequena, invertida, quase sobre F′ (é assim que o Sol vira um ponto no foco da lupa e que a paisagem cabe no sensor da câmera). O objeto se aproxima: a imagem se afasta da lente e cresce; sobre A os dois se igualam; entre A e F a imagem já é maior que o objeto e vai para longe, o regime do projetor. O objeto chega ao foco: a imagem foge para o infinito, os raios saem paralelos. O objeto entra no foco: os raios emergentes já não se cruzam do outro lado; divergem, e é preciso prolongá-los para trás para achar onde parecem nascer. A imagem agora é virtual, do mesmo lado do objeto, mais longe da lente que ele, direita e maior: a lupa. Objeto e imagem real andam sempre em sentidos opostos (objeto aproxima, imagem afasta), e as duas fronteiras, F e A, separam real de virtual e menor de maior.
A divergente não escolhe: para qualquer objeto real, imagem virtual, direita e menor, entre a lente e F′. Em Gauss, f<0 e p>0 nunca dão p′>0. Diagrama autoral.
A divergente tem um caso só, e é isso que a banca explora. Os raios que saem dela sempre se abrem; os prolongamentos se cruzam do lado do objeto, entre a lente e F′, numa imagem virtual, direita e menor que o objeto, qualquer que seja a distância dele. Aproxime ou afaste o objeto e só o tamanho da imagem muda um pouco. A 2.ª etapa de 2025 escreveu, sobre a lente divergente do seu modelo de olho: “Para qualquer distância p do objeto, a imagem será real e invertida em relação ao objeto.” Gabarito E, por duas razões: a divergente nunca dá imagem real de objeto real, e mesmo uma convergente falharia na promessa “para qualquer p”, porque dentro do foco a imagem vira virtual e direita.
"Para qualquer distância do objeto"
Nenhuma lente convergente mantém o mesmo tipo de imagem para todo p: dentro do foco ela é virtual e direita, fora, real e invertida. Quem mantém é a divergente, e o que ela mantém é o oposto do que os itens costumam afirmar: sempre virtual, direita e menor. Sempre que um item disser “para qualquer distância”, teste a afirmação nas duas fronteiras, objeto muito longe e objeto colado na lente; se ela falha numa, o item está errado. E lembre a versão negativa da regra, que vale julgar por conta própria: “uma divergente forma imagem real se a distância focal for menor que a distância do objeto” é E para qualquer número que se ponha ali.
Gauss com sinais, agora para lentes
As duas equações são as mesmas dos espelhos esféricos; o que muda é onde ficam as coisas.
Equação de Gauss e aumento linear para lentes delgadas
Sendo p a distância do objeto à lente, p′ a distância da imagem à lente e f a distância focal,
f1=p1+p′1,A=oi=−pp′,
com a convenção:
f>0 lente convergente; f<0 lente divergente;
p>0 objeto real (do lado de onde vem a luz);
p′>0 imagem real, do lado oposto ao objeto, projetável; p′<0 imagem virtual, do mesmo lado do objeto;
Escreva a convenção antes de substituir números, e confira no fim se o sinal de A combina com o que o enunciado descreve. Na forma resolvida, 1/p′=1/f−1/p: na convergente, p′ é positivo quando p>f e negativo quando p<f; na divergente, com 1/f negativo, 1/p′ é soma de dois negativos e p′ é negativo sempre. A tabela dos casos inteira está dentro dessa linha.
Exemplo resolvido: a câmera de 5 cm da prova de 2019. Uma lente convergente de f=5 cm é a objetiva de uma câmera analógica simples. (1) Pessoa a 2 m =200 cm: 1/p′=1/5−1/200=40/200−1/200=39/200, logo p′≈5,1 cm; A=−5,1/200≈−0,026: imagem real, invertida, quase quarenta vezes menor, um pouco além do foco. É o que cabe num filme. (2) Objeto a 15 cm: 1/p′=1/5−1/15=3/15−1/15=2/15, p′=7,5 cm, A=−0,5: real, invertida, metade. (3) Objeto a 3 cm, dentro do foco: 1/p′=1/5−1/3=3/15−5/15=−2/15, p′=−7,5 cm, A=+2,5: virtual, direita, duas vezes e meia maior; a lente virou lupa. Conferência: nos três casos a lente foi a mesma e só p mudou; os sinais de p′ acompanham a tabela (fora do foco, positivo; dentro, negativo).
A prova de 2019 pendurou nessa câmera três itens. O 73, “Na situação em tela, a dioptria da lente é de 20 m⁻¹”, é C (a conta vem na seção seguinte). O 74, “Para que a imagem de um objeto maior que o filme seja real e inteiramente representada no filme, a distância do objeto à lente, no eixo óptico, deve ser inferior a 5 cm”, é E: a menos de 5 cm o objeto está dentro do foco e a imagem é virtual, que não se projeta em filme algum; imagem real e menor pede p>2f=10 cm. E o 75, tipo B, pedia a distância do objeto para a imagem no filme a 4 cm da lente; foi anulado, e a razão é física: 1/p=1/5−1/4<0. Imagem real de uma convergente está sempre além de F′; a 4 cm de uma lente de 5 cm não existe imagem real de objeto real.
Exemplo resolvido: o problema inverso. Um objeto a 12 cm de uma lente tem imagem virtual, direita, três vezes maior. Que lente é essa? Conta: imagem direita e virtual dá A=+3=−p′/p, logo p′=−36 cm. Gauss: 1/f=1/12+1/(−36)=3/36−1/36=2/36, f=+18 cm. Leitura:f positivo, lente convergente, com o objeto (12 cm) dentro do foco (18 cm): a lupa, como manda a tabela. Se a conta desse f negativo com imagem maior, haveria erro, porque a divergente só produz imagem menor.
Exemplo resolvido: o tipo B de 2020.“A figura a seguir ilustra um objeto localizado a 20 cm de uma lente delgada convergente, cuja distância focal é de 60 cm […] calcule a ampliação da imagem. Multiplique o valor encontrado por 10.” Objeto dentro do foco. 1/p′=1/60−1/20=1/60−3/60=−2/60, p′=−30 cm; A=−(−30)/20=+1,5. Marcação: 1,5×10=15, gabarito 015. O item 104, tipo D do mesmo bloco, pedia o desenho: os dois raios notáveis saem divergentes da lente e a imagem fica nos prolongamentos, do lado do objeto, a 30 cm, direita e uma vez e meia maior. Quem traçou os raios se cruzando do outro lado, como se o objeto estivesse além do foco, errou o desenho inteiro.
O sinal de $p'$ é a resposta, não um detalhe
Um p′ negativo não é conta errada: é a imagem do lado do objeto, virtual. Um f negativo não é conta errada: é a divergente. O erro mais comum de conta é esquecer o sinal de f na divergente e somar 1/f positivo, o que produz uma imagem real que a lente não forma. O segundo erro é trocar a convenção dos espelhos pela das lentes: nos dois casos p′>0 significa imagem real, mas no espelho “real” é na frente e na lente é do outro lado. Confira sempre com a tabela: objeto dentro do foco de uma convergente tem de dar p′<0 e A>1; se deu outra coisa, refaça.
Vergência: o “grau” dos óculos
Uma lente de distância focal curta desvia a luz mais que uma de distância focal longa: converge mais, ou diverge mais. A grandeza que mede essa “força” é o inverso da distância focal.
Vergência e dioptria
V=f1,f em metros,[V]=m−1=dioptria (di).
Convergente: V>0. Divergente: V<0. Uma lente de f=5 cm =0,05 m tem V=20 di (o item PAS 2 2019/73, C). Uma receita de “+2” indica f=+0,5 m, convergente; “−4” indica f=−0,25 m, divergente. Óculos “mais fortes” têm ∣V∣ maior e ∣f∣ menor. Para duas lentes delgadas justapostas (encostadas), as vergências se somam: V=V1+V2; por isso a caixa de lentes de prova do oftalmologista permite montar qualquer receita empilhando lentes, e por isso uma lente de +3 di sobre uma de −1 di equivale a uma de +2 di.
O “grau” da linguagem comum é a dioptria: “óculos de dois graus” são lentes de 2 di, com foco a meio metro. Grau, aqui, não é unidade de ângulo nem de temperatura; um item que diga “a lente tem distância focal de 2 graus” ou que troque dioptria por metro está errado por definição. O sinal, que a linguagem comum omite (“tenho dois graus”), é o que a física precisa: negativo, divergente, míope; positivo, convergente, hipermétrope ou presbita. Na receita completa aparecem ainda um valor “cilíndrico” e um “eixo”, que são do astigmatismo, adiante.
Duas conversões que caem sem aviso: de centímetros para dioptrias, divida 100 pela distância focal em centímetros (f=25 cm dá 4 di); de dioptrias para centímetros, divida 100 pela vergência (2,5 di dá 40 cm). O erro típico é usar a distância em centímetros direto no inverso: 1/5=0,2 não é dioptria de nada.
O olho: uma câmera que foca mudando a lente
O olho humano é um sistema convergente com cerca de 60 dioptrias: a córnea, a membrana transparente da frente, faz a maior parte da convergência (uns 40 di), porque é nela que a luz passa do ar para um meio de índice bem maior; o cristalino, uma lente biconvexa flexível logo atrás da pupila, faz o resto e, sobretudo, faz o ajuste. Atrás do cristalino, o humor vítreo, transparente, preenche o globo até a retina, a “tela” de células fotossensíveis que forra o fundo do olho, ligada ao cérebro pelo nervo óptico. Da córnea à retina vão uns 24 mm; do plano do cristalino à retina, uns 17 mm. Tudo isso, para a óptica geométrica, é uma lente convergente com uma tela fixa a p′≈17 mm.
O olho é uma câmera com um truque diferente: a distância lente–retina é fixa, então focar perto e longe exige mudar a distância focal. Os músculos ciliares engordam o cristalino para perto (acomodação) e o relaxam para longe; a imagem na retina é sempre real, invertida e menor. Diagrama autoral com Gauss (p′=2r fixo).
Imagem na retina, acomodação, ponto próximo e ponto remoto
Como o objeto está sempre muito além de 2f (o mundo fica a metros, e f é da ordem de 17 mm), a imagem na retina é real, invertida e menor: o primeiro caso da convergente. O cérebro aprende a interpretá-la como direita, e a inversão só reaparece em experimentos com óculos que invertem a cena (o cérebro se readapta em dias).
Numa câmera, f é fixo e o anel de foco muda p′, avançando a lente para objetos próximos. No olho é o contrário: p′ é fixo e o que muda é f. Para um objeto mais próximo (menor p), Gauss exige menor f, isto é, um sistema mais convergente: os músculos ciliares se contraem, o cristalino fica mais curvo e mais grosso, sua distância focal diminui. É a acomodação. Para longe, os músculos relaxam e o cristalino afina. A acomodação tem limites: o ponto remoto (PR) é o ponto mais distante que o olho foca com os músculos relaxados, no infinito para o olho normal; o ponto próximo (PP) é o mais perto que ele foca com o esforço máximo, cerca de 25 cm para o adulto jovem (e bem menos para a criança). Entre PP e PR fica o intervalo de visão nítida. Ler a 25 cm por horas cansa porque é o esforço máximo mantido.
Por que a foto sai de cabeça para baixo e o mundo não
A câmera e o olho fazem a mesma coisa: imagem real, invertida e menor de um objeto além de 2f. Na câmera, o software gira a imagem para o visor; no olho, o cérebro faz o giro. Uma diferença prática está no foco: a câmera do celular tem f da ordem de 4 mm e move a lente frações de milímetro para focar de 10 cm ao infinito; o olho mantém a lente no lugar e a deforma. Outra está na íris: a pupila abre e fecha (de 2 a 8 mm) para regular a luminosidade, como o diafragma da câmera, e não para focar. Quem confunde pupila com foco erra o item sobre acomodação.
Duas frases resumem o modelo do olho que a prova usa, e o bloco da 2.ª etapa de 2025 as tornou literais: o globo é uma esfera de raio r com uma lente delgada na superfície, e a imagem tem de cair no fundo, a 2r da lente. No tipo B daquele bloco (item 94), com r=12 mm e f=16 mm, “imagem dentro do globo” virou p′≤24 mm, e Gauss deu a menor distância do objeto: 1/p=1/16−1/24=1/48, p=48 mm, gabarito 048. A leitura do item ensina uma regra de prova: o texto-base dizia “lente divergente”, mas a figura desenhava um perfil biconvexo com o foco F2 dentro do globo, e o comando fornecia f positivo e pedia imagem dentro do globo, coisa que divergente nenhuma faz; resolve-se com os dados do comando, sem brigar com o texto durante a prova, e o gabarito definitivo confirmou 048.
Quando a imagem erra a retina
O olho normal (emétrope) leva a imagem de um objeto distante exatamente à retina com os músculos relaxados. Quando a geometria do globo ou a convergência do sistema não combinam, a imagem cai antes ou depois da retina, e o que chega a ela é uma mancha em vez de um ponto: a visão fica borrada. São as ametropias, e a lente de fora entra para devolver a imagem ao lugar.
As duas ametropias e suas correções, lado a lado. Míope: imagem antes da retina, lente divergente (V<0) que atrasa a convergência. Hipermétrope: imagem atrás, lente convergente (V>0) que a adianta. O par trocado é o erro de fábrica do tema. Diagrama autoral com geometria de Gauss.
Miopia, hipermetropia, presbiopia, astigmatismo
Miopia. O olho converge demais, ou o globo é longo demais: a imagem de objetos distantes se forma antes da retina. O míope vê bem de perto (o objeto próximo tem imagem mais longe, que alcança a retina) e mal de longe; seu ponto remoto é finito, a uma distância PR. Correção: lente divergente (V<0), que atrasa a convergência e traz o infinito para o ponto remoto: a lente deve conjugar, de um objeto no infinito (1/p=0), uma imagem virtual em p′=−PR; Gauss dá f=−PR e
Vmıˊope=−PR1.
Hipermetropia. O olho converge de menos, ou o globo é curto: a imagem de objetos próximos “cairia” atrás da retina; o hipermétrope enxerga longe com esforço de acomodação e perto com dificuldade; seu ponto próximo está afastado (mais de 25 cm). Correção: lente convergente (V>0), que adianta o encontro dos raios. Conta: a lente deve formar, de um objeto na distância de leitura desejada d (em geral 25 cm), uma imagem virtual sobre o ponto próximo real: 1/f=1/d−1/PP.
Presbiopia (“vista cansada”). Com a idade, o cristalino enrijece e os músculos ciliares perdem a capacidade de encurtar f: a acomodação diminui e o ponto próximo se afasta, embora o longe continue nítido. Não é um defeito de geometria do globo, mas de elasticidade, e chega a quase todos a partir dos 40–45 anos. Correção: convergente para perto (óculos de leitura), calculada como a do hipermétrope. Um míope presbita precisa de divergente para longe e de convergente para perto: lentes bifocais ou multifocais.
Astigmatismo. A córnea (às vezes o cristalino) não tem simetria de revolução: é mais curva num plano que no outro, e cada plano foca a uma distância diferente. Linhas verticais e horizontais não ficam nítidas ao mesmo tempo; a imagem de um ponto é um traço. Correção com lentes cilíndricas (ou esferocilíndricas), que só têm vergência num plano, montadas com o eixo na orientação certa; é o terceiro número da receita. Astigmatismo é defeito do olho, não propriedade de espelho: a 2.ª etapa de 2021 chamou de “astigmatismo” a semelhança entre um homem e seu reflexo numa poça, item E.
Exemplo resolvido: o míope de 50 cm. Um míope vê nítido só até 50 cm. Conta: a lente deve conjugar, de um objeto no infinito, uma imagem virtual a 50 cm: 1/f=0+1/(−0,5), logo f=−0,5 m e V=−2 di. “Menos dois”, na linguagem da óptica. Conferência:∣f∣=PR; uma lente divergente de foco 50 cm forma de qualquer objeto distante uma imagem virtual a até 50 cm dela, exatamente dentro do alcance desse olho. Um hipermétrope cuja receita diz +2 di usa f=+0,5 m, uma convergente que, sozinha, faria de lupa fraca.
Exemplo resolvido: os óculos de leitura. Uma pessoa só foca, sem esforço excessivo, a partir de 1 m, e quer ler a 25 cm. Conta: objeto em p=0,25 m, imagem virtual no ponto próximo, p′=−1,0 m: 1/f=1/0,25−1/1,0=4−1=3, V=+3 di, f≈33 cm. Leitura: convergente, com o livro (25 cm) dentro do foco (33 cm), como uma lupa que joga a página para o lugar onde o olho consegue focar. Se a conta desse imagem real (p′>0) para óculos, haveria erro: óculos sempre oferecem ao olho uma imagem virtual, no intervalo de visão nítida dele.
O item de 2017, dentro do texto sobre espelhos que distorcem, trouxe a ametropia pela porta da causa: “Indivíduos com alto grau de miopia veem a imagem refletida no espelho desfocada, porque o globo ocular de um míope é menor do que o de uma pessoa com visão normal.” Gabarito E. A imagem no espelho está longe (atrás dele), e o míope de fato a vê desfocada; a causa, porém, está invertida: o globo do míope é mais longo, e por isso a imagem cai antes da retina. Globo curto é hipermetropia. O item é a versão anatômica da troca convergente/divergente, e cai da mesma forma: localize onde a imagem cai (antes ou atrás) e tudo o mais decorre.
A pupila como diafragma e o "efeito furinho"
Aperte os olhos ou olhe através de um furo minúsculo num papel e a cena fica mais nítida, mesmo sem óculos. Não é mágica da lente: é a pupila artificial reduzindo o cone de raios que entra no olho. Um cone mais fino produz uma mancha menor na retina quando a imagem cai fora dela, e a mancha menor parece foco. A câmera fotográfica usa o mesmo princípio ao fechar o diafragma para aumentar a profundidade de campo; a câmara escura da página de princípios da óptica geométrica é o caso-limite, sem lente nenhuma. O preço, nos dois casos, é a luz: fecha-se o furo, escurece a imagem.
Do mesmo vidro, quatro máquinas
Cada instrumento óptico escolhe um regime da tabela dos casos, e às vezes combina dois.
O mesmo vidro, quatro máquinas. Lupa (p<f), câmera e olho (p>2f), projetor (f<p<2f) diferem só pela posição do objeto; a luneta junta duas lentes com os focos no mesmo ponto para que um feixe paralelo saia paralelo, mais inclinado. Diagrama autoral com valores de Gauss.
A lupa é uma convergente com o objeto dentro do foco: imagem virtual, direita e maior, do mesmo lado, que o olho vê confortavelmente se estiver perto do seu ponto remoto. Quanto menor f, maior a ampliação possível, e por isso as lupas fortes são pequenas e bojudas. A câmera fotográfica e o olho trabalham com o objeto além de 2f: imagem real, invertida e menor sobre o sensor, o filme ou a retina, um pouco além de F′. O projetor (de slides, de cinema, o datashow) inverte a câmera: o objeto pequeno e muito iluminado fica um pouco além do foco, entre F e A, e a imagem real, invertida e muito maior cai na tela, a metros; o chip é montado de cabeça para baixo para a cena aparecer de pé. O colimador e a lanterna põem a fonte no foco e produzem um feixe paralelo. A mesma lupa faz os três primeiros papéis conforme a distância, e é essa a resposta à pergunta da abertura: ao sol, a lupa é câmera do Sol (objeto no infinito, imagem no foco, e ali a energia se concentra); encostada no texto, é lupa; afastada meio palmo do texto e olhada de longe, é câmera de novo, e a imagem real e invertida flutua no ar entre a lente e o olho.
A lente de gelo e o fator 25
A 2.ª etapa de 2008 pôs um homem na neve tentando acender jornal com uma lente de gelo moldada numa calota esférica: raio 10 cm, foco 50 cm, jornal a 40 cm. Quatro itens saíram daí. A calota cheia de água congelada dá uma lente plano-convexa (item 32, C). A lente não “aumenta a energia do feixe”: concentra a mesma potência numa área menor (item 33, E). A distância ideal até o jornal é o foco, 50 cm, onde o Sol, no infinito, forma imagem, e não 30 cm (item 35, E). E, a 40 cm, antes do foco, o cone de luz ainda tem raio 10×(50−40)/50=2 cm; a potência que entrou por um círculo de 10 cm passa por um de 2 cm, e a intensidade fica (10/2)2=25 vezes maior (item 34, C). Semelhança de triângulos, conservação da energia e a ficha do foco, tudo num só texto-base.
Dois instrumentos combinam duas lentes, e a lógica é sempre “uma forma a imagem, a outra a amplia”. No microscópio composto, a objetiva, de distância focal curta, tem a amostra logo além do seu foco e forma, dentro do tubo, uma imagem real, invertida e ampliada (regime de projetor); a ocular recebe essa imagem dentro do seu foco e funciona como lupa, produzindo a imagem final virtual, ainda maior, invertida em relação à amostra. A ampliação total é o produto das duas. Na luneta astronômica (telescópio refrator de Kepler), a objetiva é convergente e de distância focal longa: recebe os raios praticamente paralelos do astro e forma no seu foco uma imagem real, pequena e invertida; a ocular, de distância focal curta, tem o foco no mesmo ponto e faz de lupa dessa imagem. Com os focos coincidentes, raios que entram paralelos saem paralelos (sistema afocal), o olho relaxado vê a imagem no infinito, invertida, ampliada em ângulo por fob/foc, e o tubo mede cerca de fob+foc. Uma objetiva de 100 cm com ocular de 5 cm amplia 20 vezes: era a ampliação do telescópio que Galileu construiu em 1609, citada no texto-base da 2.ª etapa de 2007. No arranjo particular de Galileu, a ocular era divergente, o que dá imagem final direita; em nenhum arranjo a objetiva é divergente, porque uma divergente não forma imagem real para a ocular ampliar. O item 83 daquele ano, “No telescópio de Galileu, a objetiva é uma lente divergente, a ocular é uma lente convergente e a distância focal da lente objetiva é menor que a da lente ocular”, é E três vezes.
A câmara lúcida dos desenhistas, cobrada em 2009 num texto sobre David Hockney, é o contraexemplo útil: feita só de espelhos planos (um semiespelhado, um fixo), sobrepõe para o olho a cena e o papel, mas a imagem que ela forma é virtual; nenhum raio chega à base onde o desenhista vê a cena. Por isso “é possível obter-se uma fotografia do referido objeto a partir do uso de um filme posicionado na base” é E (item 69): filme registra luz que o atinge, e imagem virtual não se projeta. Fotografar exige lente convergente e imagem real, como na câmera.
Como a banca pergunta
As lentes são o assunto de óptica em que a prova mais pediu para desenhar: três itens do tipo D em vinte anos, todos com a mesma receita de dois raios notáveis. O primeiro, em 2016 (item 98), dava f=6 cm e objeto a 18 cm e pedia o esboço, as características e a relação algébrica entre os tamanhos: raio paralelo saindo por F′, raio pelo centro seguindo reto, imagem real, invertida e com metade do tamanho a 9 cm (1/p′=1/6−1/18=1/9, A=−9/18=−1/2). O segundo, em 2018 (item 107), era o telescópio refrator com as lentes B e O de focos coincidentes: raios paralelos convergem em F, imagem intermediária real e invertida, e saem paralelos pela ocular. O terceiro, em 2020 (item 104), veio com o tipo B da ampliação 1,5 (item 103, 015): objeto dentro do foco, raios divergentes, imagem virtual nos prolongamentos. Nos três, o erro que zera o item é cruzar os raios do lado errado.
Os itens tipo A seguem cinco padrões. Absolutização (“para qualquer distância”, 2025/88, E). Termo trocado na ficha de um instrumento (objetiva divergente em Galileu, 2007/83, E; globo do míope “menor”, 2017/102, E; filme numa imagem virtual, 2009/69, E). Conta de uma linha com Gauss ou vergência (20 dioptrias, 2019/73, C; foco a 50 cm e não 30, 2008/35, E; distância inferior a 5 cm para imagem real, 2019/74, E). Conservação de energia disfarçada de óptica (a lente “aumenta a energia”, 2008/33, E; o fator 25, 2008/34, C). E contraste de índices (velocidade menor na lente convergente, 2025/91, C; calota congelada vira plano-convexa, 2008/32, C). Os tipo B são dois, e ambos Gauss puro com escala no comando: 2020/103 (ampliação × 10 = 015) e 2025/94 (menor p para imagem dentro do globo = 048, com três dígitos e zero à esquerda).
O bloco de 2025 ensina ainda a ler um texto-base misto. Sete itens pendurados em duas frases sobre lágrima e soro fisiológico: três de Química (89, 92 e 93), um de ondulatória geral (o 90: a refração “não ocorre em ondas materiais”, E) e três de lentes (88, 91 e 94). Varra os itens pelos substantivos, separe os seus, e volte ao texto procurando um dado, não lendo do início: “lente delgada divergente” está na terceira frase, “esfera de raio r” também, “espessura desprezível” está no comando. O item 88 se decide pela ficha da divergente, o 91 pela definição de índice e o 94 por uma soma de frações; a anatomia e a química do texto não entram em nenhum deles.
Os erros que a prova planta
Dez tropeços, um por linha
Divergente com imagem real. Não existe para objeto real: f<0 e p>0 dão p′<0 sempre. Virtual, direita, menor, ponto.
“Para qualquer p” numa convergente. Dentro do foco a imagem vira virtual e direita; a promessa falha.
Esquecer o sinal de f na divergente. Somar 1/f positivo produz uma imagem que a lente não forma.
Confundir o lado da imagem real. Na lente, real é do outro lado; no espelho, é na frente. A convenção p′>0 = real vale nos dois, mas o desenho muda.
Miopia com convergente. O míope já converge demais; a correção é divergente (V<0). Convergente é hipermétrope e presbita.
Globo do míope “menor”. É mais longo; a imagem cai antes da retina. Globo curto é hipermetropia.
Imagem na retina “direita”. É real, invertida e menor; o cérebro a interpreta direita.
“Grau” como unidade física. É o nome popular da dioptria (m−1); f em metros no inverso, e o sinal faz parte da receita.
A lente “aumenta a energia”. Concentra a mesma potência numa área menor; a intensidade cresce, a energia não.
Objetiva divergente ou de foco curto. A objetiva de luneta é convergente e de foco longo; a ocular é que tem foco curto. Astigmatismo é defeito do olho, não propriedade de espelho.
O essencial em meia página
Tipos. No ar: bordas finas (biconvexa, plano-convexa, côncavo-convexa) convergem; bordas grossas (bicôncava, plano-côncava, convexo-côncava) divergem. Vale se nlente>nmeio; contraste invertido troca o comportamento; contraste nulo apaga a lente. Fabricantes: 1/f=(nlente/nmeio−1)(1/R1+1/R2), só qualitativo.
Elementos. Centro óptico O (raio não se desvia), focos F e F′ a f de cada lado (reais na convergente, virtuais e trocados de lado na divergente), antiprincipais a 2f.
Raios notáveis. Paralelo → por F′; por F → paralelo; por O → reto. Dois bastam; é a receita dos três tipo D (2016/98, 2018/107, 2020/104).
Casos. Convergente: p>2f real, invertida, menor (câmera, olho); p=2f igual; f<p<2f real, invertida, maior (projetor); p=f imprópria; p<f virtual, direita, maior (lupa). Divergente: sempre virtual, direita, menor.
Gauss.1/f=1/p+1/p′, A=−p′/p; f>0 convergente, f<0 divergente; p′>0 real (outro lado), p′<0 virtual (mesmo lado); A<0 invertida. Convenção antes dos números; imagem real de convergente está sempre além de F′ (2019/75 anulado).
Vergência.V=1/f, f em metros, em dioptrias; +2 di → 0,5 m; −4 di → −0,25 m; f=5 cm → 20 di. Justapostas somam.
Olho. Córnea + cristalino, convergente; imagem real, invertida e menor na retina; p′ fixo, foca mudando f (acomodação pelos músculos ciliares); PR no infinito, PP ≈ 25 cm.
Ametropias. Miopia: imagem antes, globo longo, divergente, V=−1/PR. Hipermetropia: imagem atrás, globo curto, convergente, 1/f=1/d−1/PP. Presbiopia: acomodação perdida com a idade, convergente para perto. Astigmatismo: curvaturas desiguais, lentes cilíndricas.
Instrumentos. Lupa (p<f), câmera e olho (p>2f), projetor (f<p<2f), colimador (p=f). Microscópio: objetiva projeta, ocular amplia. Luneta: objetiva convergente de foco longo + ocular de foco curto, focos coincidentes, G=fob/foc, imagem invertida no infinito.
Protocolo do item. Identifique o tipo e o lado do foco; divergente não escolhe; com números, Gauss com sinais; olho e óculos, localize onde a imagem cai (antes ou atrás da retina) e a lente sai por lógica; “para qualquer” e “aumenta a energia” são sinais de item errado.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
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LENTES ESFÉRICAS: O que são, tipos, características e formação da imagem | Aula de Física para Enem
Curso Enem Gratuito · 8:16
Introdução. Oito minutos que fazem o que a seção “Bordas finas, bordas grossas: o que faz uma lente convergir” faz no papel: separar convergente de divergente pela forma das bordas e pelo meio, apresentar os raios notáveis de cada uma e mostrar, num traçado, como a imagem aparece. A descrição do vídeo anuncia exatamente esse recorte (diferenciar convergente e divergente e os raios notáveis de cada uma); assista antes de ler, para chegar à seção “Focos, centro óptico e os três raios notáveis” com os desenhos na cabeça.
LENTES ESFÉRICAS (II) - FORMAÇÃO DE IMAGENS - ÓPTICA Aula 14 - Prof Boaro
Professor Boaro · 20:47
Aprofundamento. Vinte e um minutos só de construção geométrica: a aula 14 da playlist de óptica do professor Boaro discute, caso a caso, a formação das imagens nas lentes convergentes e divergentes, com os raios traçados no quadro. É a seção “Cinco casos da convergente, um da divergente” em movimento; assista com o quadro dos casos ao lado e confira, ao final, a ficha única da divergente que derrubou o item PAS 2 2025/88.
Óptica: Visão - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 10:25
Aplicação. Dez minutos da videoaula do Brasil Escola sobre as anomalias ópticas da visão e o tipo de lente que corrige cada uma, conforme a descrição do canal, que aponta ainda para textos sobre defeitos da visão e sobre o olho como instrumento óptico. É a seção “Quando a imagem erra a retina” contada por outro professor: miopia com imagem antes da retina e lente divergente, hipermetropia com imagem atrás e lente convergente. Use para fixar o par correto antes do item 2017/102.
5 EXERCÍCIOS LENTES ESFÉRICAS - Equação de Gauss, aumento, formação de imagens e raios notáveis.
Física e Exercício · 46:10
Resolução. Cinco exercícios de lentes delgadas resolvidos do início ao fim com a equação de Gauss e a do aumento, precedidos de uma revisão da teoria (bordas finas e grossas, foco real e virtual, pontos antiprincipais como o dobro da focal, raios notáveis), conforme a descrição detalhada do autor. Use depois dos exercícios desta página para conferir método e sinais nas seções “Gauss com sinais, agora para lentes” e “Focos, centro óptico e os três raios notáveis”; é longo (46 min), então pule a revisão se a teoria já estiver firme.
Seis formas, dois comportamentos. No ar, bordas finas convergem e bordas grossas divergem; a regra vale porque o vidro é mais refringente que o ar. Inverta o contraste de índices (uma bolha de ar na água) e a de bordas finas passa a divergir. Diagrama autoral.Os três raios notáveis resolvem qualquer construção: paralelo ao eixo sai por F′, por F sai paralelo, pelo centro óptico não se desvia. Na divergente os focos são virtuais e trocam de lado, mas as três regras são as mesmas. Diagrama autoral.Os cinco casos da lente convergente, com os valores de Gauss em cada painel (f=100 na escala do desenho). Duas fronteiras organizam tudo: o foco separa imagem real de virtual; o ponto antiprincipal separa imagem menor de maior. Diagrama autoral.A divergente não escolhe: para qualquer objeto real, imagem virtual, direita e menor, entre a lente e F′. Em Gauss, f<0 e p>0 nunca dão p′>0; foi isso que derrubou o item PAS 2 2025/88. Diagrama autoral.O olho é uma câmera com um truque diferente: a distância lente–retina é fixa, então focar perto e longe exige mudar a distância focal. Os músculos ciliares engordam o cristalino para perto (acomodação) e o relaxam para longe; a imagem na retina é sempre real, invertida e menor. Diagrama autoral com Gauss (p′=2r fixo).As duas ametropias e suas correções, lado a lado. Míope: imagem antes da retina, lente divergente (V<0) que atrasa a convergência. Hipermétrope: imagem atrás, lente convergente (V>0) que a adianta. O par trocado é o erro de fábrica do tema (PAS 2 2017/102). Diagrama autoral com geometria de Gauss.O mesmo vidro, quatro máquinas. Lupa (p<f), câmera e olho (p>2f), projetor (f<p<2f) diferem só pela posição do objeto; a luneta junta duas lentes com os focos no mesmo ponto para que um feixe paralelo saia paralelo, mais inclinado, e o olho relaxado veja a imagem ampliada em ângulo. Diagrama autoral com valores de Gauss.
Rota PAS 2
Ótica geométrica e introdução à física moderna · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Ótica geométrica e introdução à física moderna · Lentes: a refração organizada (conceito com tabela dos casos, exemplo-guia da câmera de 5 cm, figura dos raios notáveis, itens 2016/98, 2018/107, 2020/103–104, 2019/74, 2008/33 e 35, 2007/83, 2009/69, armadilha 'para qualquer distância', checagem da divergente); O olho e os óculos: quando a imagem erra a retina (conceito, exemplo-guia do míope de 50 cm, lembrete das dioptrias, item 2017/102, checagem); Leia como na prova: três itens de ótica dentro de um olho (bloco 2025/88–94 com roteiro de leitura); Como a banca cobra (histórico de lentes e olho, itens 2025/88 e 94); Síntese (Lentes e olho); Banco de treino T6–T9 e T25
Recorte por assunto: só as duas seções de lentes e olho, o bloco de 2025 e os itens de lentes do histórico. Espelhos, Snell, reflexão total e prisma ficam nas páginas irmãs. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a classificação das seis formas de lente, os pontos antiprincipais, o terceiro raio notável, a equação dos fabricantes qualitativa, ponto próximo e ponto remoto, presbiopia e astigmatismo com mais detalhe, a conta do hipermétrope, câmera versus olho (acomodação por f e por p′), microscópio composto e o item 2008/34 do fator 25.
Rota PAS 2 — Língua Portuguesa, texto-base de 2017 (Espelho: o reflexo de cada um) · Transcrição do texto-base de Gil Epifânia (prova de 2017), usada para reproduzir verbatim o texto do item 102
Texto conferido pela página irmã de espelhos contra a imagem da página 16 do caderno Madeira de 2017 (o texto extraído desse ano é ilegível).
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 2 2007 (item 83), 2008 (itens 32 a 35), 2009 (item 69), 2016 (item 98, do PDF), 2017 (item 102, do PDF), 2018 (item 107), 2019 (itens 73 e 74), 2020 Parte 2 (itens 103 e 104), 2025 Parte 2 (itens 88, 91 e 94)
Itens reproduzidos verbatim com os textos-base; gabaritos conferidos nos arquivos GAB de cada ano. Figuras de 2007 (p. 15 do caderno), 2008 (p. 7), 2009 (p. 10), 2016 (p. 15 do caderno Alice), 2018 (p. 16 do caderno Apolo), 2019 (p. 10), 2020 Parte 2 (p. 10) e 2025 Parte 2 (p. 8) rasterizadas a 130 dpi e descritas em texto neutro com todos os rótulos impressos. Itens 2019/75 (anulado: com f = 5 cm não existe imagem real a 4 cm) e 2008/36 (calorimetria) não entram; 2009/70–71 são Artes e geometria da câmara lúcida.