História da termodinâmica

Guia de estudo · Revisado em 16/09/2026

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Em 1712 uma máquina de Thomas Newcomen já tirava água de uma mina de carvão na Inglaterra; em 1824 Sadi Carnot calculou o rendimento máximo dessas máquinas acreditando que o calor era um fluido que se conserva; só em 1850 alguém escreveu a primeira lei da termodinâmica, e a palavra entropia nasceu em 1865. Como uma ciência inteira foi construída de trás para a frente, da máquina para a teoria, e por que a banca do PAS gosta de perguntar quem fez o quê, quando e depois de quem?

O que você vai aprender

  • Situar no tempo a máquina a vapor de Newcomen (1712) e de Watt (patente de 1769, condensador separado) e explicar por que a engenharia térmica precedeu a ciência térmica em mais de um século.
  • Descrever a teoria do calórico (Lavoisier, 1787–1789), o que ela explicava bem (equilíbrio térmico, calorimetria, calor latente de Black) e por que era um modelo científico legítimo, não um erro ingênuo.
  • Explicar como o canhão de Rumford (1798), a medida de Mayer (1842) e as pás de Joule (1843–1850) derrubaram o calórico e estabeleceram o equivalente mecânico do calor (1 cal ≈ 4,2 J).
  • Reconhecer a conservação da energia como síntese coletiva de Mayer, Joule e Helmholtz (1842–1850) e como a base da primeira lei da termodinâmica, sem atribuí-la a um único autor.
  • Explicar o que Carnot demonstrou em 1824 (o rendimento máximo depende só das temperaturas das fontes) e o que ele não sabia (que o calor não se conserva), e por que o resultado sobreviveu à queda do calórico.
  • Datar a escala absoluta de Kelvin (1848), as formulações da segunda lei de Clausius (1850) e de Kelvin (1851) e o batismo da entropia (1865), ligando cada uma ao problema que resolvia.
  • Explicar a interpretação estatística de Maxwell e Boltzmann (1860–1877): a entropia como contagem de arranjos microscópicos, S = k log W, e a resistência dos energetistas ao atomismo.
  • Explicar como o movimento browniano (Brown, 1827), a teoria de Einstein (1905) e as medidas de Perrin (1908–1909) fecharam o caso dos átomos.
  • Relacionar a história da física térmica com a Revolução Industrial e a matriz energética: por que o carvão, por que o rendimento importou e por que o CO₂ da combustão vem da química, não da segunda lei.
  • Aplicar o protocolo de item de história da ciência (quem, quando, depois de quem, com que verbo) para desmontar anacronismos e atribuições trocadas, incluindo a ideia de que entropia é apenas desordem.

Em 1712, numa mina de carvão perto de Dudley, na Inglaterra, uma máquina de Thomas Newcomen começou a tirar água do fundo do poço. Uma caldeira fazia vapor, o vapor entrava num cilindro, um jato de água fria o condensava, e a pressão do ar empurrava o pistão para baixo, erguendo do outro lado de uma viga a haste de uma bomba. Doze vezes por minuto, sem cavalo nem braço. Ninguém no mundo sabia dizer o que era o calor que fazia isso funcionar. Um século depois, em 1824, um engenheiro francês de 28 anos, Sadi Carnot, calculou o rendimento máximo que uma máquina dessas poderia ter, e acertou, acreditando que o calor era um fluido invisível que passa do quente para o frio sem nunca se gastar. A conservação da energia só foi escrita nos anos 1840; a primeira lei da termodinâmica, em 1850; a palavra entropia nasceu em 1865; e a prova de que o calor é agitação de átomos, que para Carnot nem existiam, só se fechou em 1908, com um microscópio apontado para grãos de resina dançando na água.

Esta página conta essa história na ordem em que aconteceu, da máquina para a teoria, de Newcomen a Perrin. As leis em si, com as contas, ficam nas páginas primeira lei da termodinâmica e máquinas térmicas e segunda lei; temperatura, calor e calorimetria estão em temperatura e calor e calorimetria. Aqui o assunto é quem construiu esses conceitos, quando, depois de quem, e como a banca do PAS cobra isso.

A máquina veio antes da teoria

Quem imagina a ciência como uma fila ordenada, primeiro a teoria, depois a aplicação, precisa inverter a fila para entender a física térmica. A ordem real foi esta:

  • 1698–1712: Thomas Savery patenteia e Thomas Newcomen constrói máquinas a vapor que bombeiam água de minas. Ninguém tem uma teoria do calor.
  • 1769: James Watt patenteia o condensador separado; nas décadas seguintes, sua máquina move fábricas, e depois locomotivas. Continua não havendo teoria.
  • 1824: Carnot publica a análise do rendimento máximo, dentro da teoria do calórico, que estava errada no ponto principal.
  • 1842–1850: Mayer, Joule e Helmholtz estabelecem que calor é energia; Clausius e Kelvin reconciliam isso com Carnot e escrevem as duas leis.
  • 1865–1877: Clausius batiza a entropia; Boltzmann explica o que ela conta.
  • 1905–1909: Einstein e Perrin provam que os átomos existem.

A engenharia puxou a física por mais de um século, e é essa estrutura que a matriz do PAS 2 pede no código CN-E05, ao falar em história da física como processo coletivo, com autores, décadas e antecessores. O item de história da ciência não pergunta fórmula. Pergunta quem, quando e depois de quem, e planta o erro nesses três lugares: um conceito usado antes de existir (anacronismo), uma ideia na mão do autor errado (atribuição trocada), uma teoria que nasce do nada e descarta a anterior (gênio isolado). A página volta a essa lista no fim.

Newcomen, Watt e a máquina que bombeava minas

A Inglaterra do século XVII queimava carvão mineral em casa e nas forjas porque a madeira tinha ficado cara. As minas de carvão, cada vez mais fundas, inundavam. Tirar água de 50 metros de profundidade com baldes puxados por cavalos era caro e lento. Depois da bomba sem pistão de Thomas Savery (patente de 1698), que não servia para minas fundas, o negociante de ferragens Thomas Newcomen (1663–1729) pôs em 1712 a primeira máquina atmosférica a funcionar numa mina perto de Dudley.

Dois painéis. À esquerda, a máquina de Newcomen: uma caldeira embaixo alimenta um cilindro vertical com pistão; um jato de água fria entra no cilindro; no alto, um balancim apoiado num pivô liga o pistão, à direita, à haste da bomba, à esquerda, que desce para a mina. Setas indicam vapor entrando, água fria injetada, pistão descendo pela pressão atmosférica e a haste da bomba subindo. À direita, a máquina de Watt: o mesmo arranjo, mas com um condensador separado ligado ao cilindro por um tubo com válvula, marcado como frio, enquanto o cilindro é marcado como sempre quente.
A máquina atmosférica de Newcomen (1712) e o condensador separado de Watt (patente de 1769). Em Newcomen, o cilindro é resfriado a cada curso para condensar o vapor, e o vapor seguinte gasta carvão para reaquecê-lo. Watt condensa o vapor num vaso à parte, mantido frio, e o cilindro fica quente: a mesma água bombeada com cerca de um terço do carvão. Diagrama autoral.

O nome diz como funcionava. O vapor da caldeira, pouco acima da pressão do ar, enchia o cilindro enquanto o peso da haste da bomba puxava o pistão para cima; um jato de água fria condensava o vapor, a pressão lá dentro caía quase a zero, e era a pressão atmosférica, empurrando o pistão de cima, que fazia o curso de trabalho e erguia a haste da bomba do outro lado do balancim. A máquina de Dudley tinha um cilindro de meio metro de diâmetro e rendia o trabalho de uns cinco cavalos.

Ela desperdiçava carvão: a cada curso, o cilindro inteiro, de ferro, era resfriado pela água injetada, e o vapor seguinte tinha de reaquecê-lo. Convertia em trabalho menos de 1% do calor do carvão, e só compensava na boca da mina, onde o carvão miúdo sem comprador era quase grátis.

O que Watt mudou

James Watt (1736–1819), fabricante de instrumentos em Glasgow, consertava um modelo de máquina de Newcomen em 1763 e percebeu o desperdício: aquecer e esfriar o cilindro a cada ciclo. Em 1765 teve a ideia do condensador separado: um vaso à parte, mantido sempre frio, para onde o vapor era puxado e condensado, enquanto o cilindro ficava sempre quente. A patente é de 1769. Com o sócio Matthew Boulton, a partir de 1775, Watt vendeu máquinas que faziam o mesmo trabalho com cerca de um terço do carvão de uma Newcomen. Nos anos 1780, Watt acrescentou o movimento rotativo e definiu o cavalo-vapor. Watt não inventou a máquina a vapor; aperfeiçoou uma que existia havia meio século. Um item que o faz inventor troca o dono.

Exemplo resolvido (quanto carvão uma máquina queimava). Uma máquina de Newcomen ergue 10 toneladas de água por minuto de uma mina de 50 m de profundidade. O trabalho útil por minuto é W=mgh=10000×10×50=5,0×106W = mgh = 10\,000 \times 10 \times 50 = 5{,}0 \times 10^{6} J, ou seja, uma potência útil de 5,0×106/60835{,}0 \times 10^{6}/60 \approx 83 kW (uns 110 cavalos-vapor). Se o rendimento é de 1%, a potência térmica que a caldeira precisa fornecer é 83/0,01=830083/0{,}01 = 8\,300 kW, isto é, 8,3 MJ a cada segundo. Carvão mineral libera cerca de 30 MJ por quilograma; a máquina queima 8,3/300,288{,}3/30 \approx 0{,}28 kg por segundo, cerca de 1 tonelada de carvão por hora. Uma máquina de Watt com rendimento de 3% faria o mesmo serviço com uns 330 kg por hora. Conferência pela razão: rendimento três vezes maior, carvão três vezes menor, e 1000/33301\,000/3 \approx 330. É por isso que a pergunta “qual é o rendimento máximo possível?” valia dinheiro, e foi ela que Carnot resolveu.

Por que o carvão, por que o rendimento importou

A máquina a vapor não nasceu da ciência; nasceu de um problema de energia. Uma roda d’água só funciona ao lado do rio; um cavalo come e cansa; a lenha acabava. O carvão mineral era abundante na Inglaterra e concentrado: queimar um quilo libera uns 30 MJ. A máquina de Newcomen foi o primeiro dispositivo a transformar, em escala, esse calor em movimento, e a de Watt o primeiro a fazê-lo barato o bastante para sair da boca da mina. É esse par, máquina a vapor e carvão mineral, que os historiadores chamam de base técnica da Primeira Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra nas décadas finais do século XVIII: pela primeira vez a quantidade de coisas que uma sociedade produzia deixou de depender do número de braços.

O que a prova pergunta sobre isso, e pela porta de quem

A banca cobra a Revolução Industrial quase sempre pela História e pela Geografia, mas a energia é o elo. Em 2014, o PAS 1 afirmou que a lenha foi a principal fonte de energia da Primeira Revolução Industrial: errado, foi o carvão mineral (item 48). Em 2011, o PAS 2 chamou os moinhos de vento de grande ícone da Revolução Industrial: errado, o próprio texto-base dizia que eles perderam importância com a máquina a vapor e o carvão (item 53). Em 2012, o PAS 2 deu como certo que a Segunda Revolução Industrial aumentou o consumo de energia, obtido em parte na queima de carvão (item 79). E em 2023, um tipo C do PAS 2 trazia como distrator “durante a Primeira Revolução Industrial, a principal fonte de energia foi o petróleo”: petróleo e eletricidade são do fim do século XIX (item 94). A certidão de nascimento não se negocia: Inglaterra, décadas finais do século XVIII, máquina a vapor, carvão mineral.

O rendimento importou porque o carvão custava: numa fábrica de Manchester ou numa mina da Cornualha, cada tonelada vinha por estrada ou canal, e um engenheiro que fizesse a máquina render 3% em vez de 1% cortava a conta de combustível a um terço. Foi essa pressão, e não a curiosidade sobre a natureza do calor, que gerou a pergunta de Carnot em 1824: existe um limite para o rendimento, e de que ele depende?

Hoje o Brasil tem uma matriz elétrica em que o carvão pesa pouco (1,8% da oferta interna de eletricidade em 2020 e 2,6% em 2021, na tabela da Resenha Energética que o PAS 2 de 2024 usou como texto-base) e em que mais da metade da eletricidade vem de hidrelétricas, que não são máquinas térmicas: convertem a energia mecânica da água sem calor como etapa (o item 50 de 2024, que dizia o contrário, estava errado). A termodinâmica de Carnot continua valendo para as termelétricas a gás, óleo, biomassa, carvão e nucleares, que somaram entre 22% e 27% da oferta nesses dois anos e rejeitam ao ambiente mais da metade do calor que recebem. O detalhe está na página geração de energia elétrica.

O calórico: um modelo que funcionava

Enquanto as máquinas bombeavam, os filósofos naturais tentavam dizer o que era o calor. No fim do século XVIII a resposta dominante era: um fluido. Não um fluido comum, mas uma substância sutil, sem peso mensurável, que penetra os corpos, os dilata e passa do mais quente para o mais frio até igualar as temperaturas. Lavoisier, em 1787 e no Tratado elementar de química de 1789, deu-lhe o nome calórico e o pôs na lista das substâncias simples, ao lado do oxigênio e do hidrogênio.

Dois painéis. À esquerda, o modelo do calórico: um corpo quente e um corpo frio; um fluido representado por pontos vermelhos escorre do quente para o frio até as temperaturas se igualarem; um rótulo diz que a quantidade total de calórico se conserva; abaixo, a lista do que o modelo explicava (equilíbrio térmico, calorimetria, calor latente, Carnot) e do que não explicava (o atrito que gera calor sem fim, o trabalho que vira calor). À direita, o modelo da energia: um corpo com energia interna U recebe calor Q e trabalho W por setas; um rótulo diz que calor é energia em trânsito e que 1 caloria vale cerca de 4,2 joules.
Dois modelos para a mesma pergunta. O calórico (1789–1840s) era um fluido conservado que passa do quente para o frio; explicava a calorimetria e serviu a Carnot. A energia em trânsito (1850) diz que calor e trabalho são duas maneiras de mudar a energia interna de um corpo, e que um se converte no outro a uma taxa fixa, medida por Joule. Diagrama autoral.

Não era uma ideia tola. O calórico explicava muito bem o que se podia medir na época:

  • Equilíbrio térmico. Corpos em contato acabam na mesma temperatura, como dois vasos comunicantes com água: o fluido passa até nivelar.
  • Calorimetria. Joseph Black, em Glasgow, na década de 1760, mostrou que corpos diferentes precisam de quantidades diferentes de “calor” para subir um grau (o que hoje chamamos calor específico) e que a mistura de água quente com água fria obedece a uma conta simples de conservação. Lavoisier e Laplace, em 1783, construíram um calorímetro de gelo para medir calores específicos. Toda a calorimetria que você usa hoje (Q=mcΔTQ = mc\,\Delta T) nasceu dentro do modelo do calórico, e a unidade caloria também.
  • Calor latente. Black descobriu que o gelo derrete e a água ferve absorvendo calor sem mudar de temperatura; no modelo, o calórico “se combinava” com a substância e ficava escondido, latente.
  • Dilatação e o termômetro. O fluido penetrando o corpo e afastando suas partes explicava por que os corpos se expandem ao esquentar.

O calórico foi o quadro em que trabalharam Fourier, que em 1822 publicou a teoria matemática da condução do calor sem se comprometer com a natureza dele, e Carnot, em 1824. Um modelo que prevê é um modelo que se usa.

O calórico não era "burrice"

Item de história da ciência que trata o calórico como erro ingênuo está mal contado. O modelo tinha o que se exige de uma teoria científica: explicava fatos, permitia medir (o calorímetro), previa (a mistura de líquidos, a fusão do gelo) e organizava uma disciplina inteira. O que ele não tinha era resposta para uma pergunta que só ficou aguda com as máquinas: quando o atrito esquenta um corpo, de onde vem o calórico? A resposta oficial, “estava escondido e foi espremido para fora”, não resistiu ao experimento de um homem que fabricava canhões.

Rumford e o canhão: o calor que não acaba

Benjamin Thompson (1753–1814), americano que lutou do lado britânico e virou conde de Rumford a serviço da Baviera, dirigia o arsenal de Munique. Em 1798 partiu de uma observação que qualquer operário conhecia: quando se perfura o tubo de um canhão de bronze com uma broca cega, o metal fica quente, muito quente. Rumford mergulhou o canhão numa caixa com uns 8,5 kg de água (18,77 libras, anotou ele), pôs dois cavalos a girar a broca e, em duas horas e meia, a água ferveu. Continuou girando: continuou saindo calor. Sem limite aparente.

O argumento é simples e forte. Se o calor é um fluido contido no metal, a quantidade dele é finita e uma hora acaba, como a água de uma esponja espremida; mas o calor do atrito não acabava enquanto os cavalos andassem. Logo, escreveu Rumford, o calor não pode ser uma substância; deve ser movimento, produzido continuamente à custa do trabalho dos cavalos. Ele mostrou ainda que o calor específico das aparas de bronze não tinha mudado, o que derrubava a defesa de que o calórico teria sido espremido para fora por uma mudança na estrutura do metal.

Rumford estava certo, e quase ninguém mudou de ideia, por três razões que valem para qualquer modelo científico. Primeiro, ele não tinha uma lei quantitativa: dizer que calor é movimento não permitia calcular nada, enquanto o calórico permitia. Segundo, o calórico continuava explicando bem a radiação e o calor latente, que a ideia de movimento não explicava na época. Terceiro, os melhores físicos matemáticos da geração seguinte, Laplace, Poisson, Fourier, Carnot, trabalhavam no quadro do calórico e produziam resultados. Um experimento isolado não derruba um modelo produtivo; é preciso outro modelo que faça o mesmo e mais. Esse outro modelo demorou quase cinquenta anos.

Joule, Mayer e o equivalente mecânico do calor

A pergunta certa não era “o que é o calor”, mas “quanto trabalho vale uma caloria”. Quem respondeu foram, quase ao mesmo tempo e sem se conhecerem, um médico alemão e um cervejeiro inglês.

Julius Robert Mayer (1814–1878), médico de bordo, partiu de uma observação fisiológica feita em Java em 1840 (o sangue venoso dos marinheiros nos trópicos era mais vermelho) e generalizou: calor, trabalho e movimento são formas de uma mesma coisa que se conserva. Em 1842 publicou, num periódico de química, uma estimativa do valor de conversão a partir da diferença entre os calores específicos do ar a pressão constante e a volume constante: cerca de 365 quilogrâmetros por quilocaloria, uns 3,6 J por caloria, a 15% do valor certo, com raciocínio correto e dados ruins. Ninguém deu atenção.

James Prescott Joule (1818–1889), filho de um cervejeiro de Manchester e aluno particular de John Dalton, tinha um laboratório em casa e termômetros feitos sob encomenda, capazes de ler 1/200 de grau Fahrenheit. Em 1843 mediu o calor produzido por uma corrente elétrica gerada mecanicamente e obteve um primeiro valor do que chamou equivalente mecânico do calor. Em 1845 fez o experimento que ficou famoso: pesos que descem fazem girar pás dentro de um recipiente com água; a água esquenta; compara-se o trabalho dos pesos com o calor recebido pela água. Em 1847 apresentou os resultados em Oxford, numa sessão a que quase ninguém deu importância, exceto um professor de Glasgow de 23 anos, William Thomson, que fez perguntas. Em 1850, na Philosophical Transactions, Joule publicou o valor definitivo: 772 libras-pé de trabalho aquecem 1 libra de água em 1 °F, o que dá cerca de 4,15 joules por caloria. O valor moderno é 4,186 J/cal.

Um recipiente isolado com água, no centro; dentro dele, um eixo vertical com pás. O eixo é movido por um fio que passa por roldanas no alto e desce dos dois lados até dois pesos iguais, que caem uma altura h, indicada por uma seta. Um termômetro está mergulhado na água. Rótulos: pesos m, altura h, pás, água de massa M, termômetro. Abaixo, a igualdade trabalho dos pesos igual a calor recebido pela água, com 1 caloria igual a cerca de 4,2 joules.
O experimento das pás de Joule (1845–1850). Os pesos que descem realizam trabalho 2mgh2mgh sobre as pás; a água recebe esse trabalho como energia interna e sua temperatura sobe ΔT\Delta T. Igualando 2mgh2mgh a McΔTMc\,\Delta T, sai a taxa de conversão: cerca de 4,2 J para cada caloria. A dificuldade era medir um ΔT\Delta T de frações de grau. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (refazendo Joule). Dois pesos de 13 kg cada descem 1,6 m e são recolocados no alto vinte vezes, girando as pás num recipiente com 6 kg de água. O trabalho realizado sobre a água é W=2×13×10×1,6×20=8320W = 2 \times 13 \times 10 \times 1{,}6 \times 20 = 8\,320 J. Se todo esse trabalho vira energia interna da água, a temperatura sobe ΔT=W/(Mc)=8320/(6000×4,19)0,33\Delta T = W/(Mc) = 8\,320/(6\,000 \times 4{,}19) \approx 0{,}33 °C, um terço de grau. Conferência com a caloria: 8 320 J são 8320/4,1919868\,320/4{,}19 \approx 1\,986 cal, e 1 986 cal em 6 000 g de água dão 1986/60000,331\,986/6\,000 \approx 0{,}33 °C. É esse número pequeno que explica a diferença entre Rumford e Joule: um efeito de um terço de grau, medido com termômetros de centésimo, repetido durante anos, com correções para o calor perdido pelas paredes e pelo atrito das roldanas; o artigo que refaz o experimento (nos links desta página) mostra como isso é difícil fora de um laboratório de precisão.

A bomba de pneu e a lata de aerossol

A bomba manual de bicicleta esquenta depois de dez bombadas, sem fogo por perto; a lata de desodorante gela na mão. As duas cenas são o experimento de Joule ao contrário e ao direito: trabalho de compressão virando energia interna (o ar da bomba esquenta), e energia interna virando trabalho de expansão (o gás da lata esfria). No mundo do calórico, a bomba era um mistério a remendar (“o calórico foi espremido”); no mundo de Joule, é uma conta: ΔU=QW\Delta U = Q - W, com Q0Q \approx 0. O item 89 do PAS 2 de 2017 e o item 67 de 2025 plantaram o erro exatamente aí, fazendo a temperatura subir “por entrada de calor” numa compressão rápida. A conta está na página primeira lei; a história dela está aqui.

A conservação da energia: uma síntese com três donos

Entre 1842 e 1850 a ideia de que calor, trabalho, movimento, eletricidade e química são formas de uma única grandeza que se conserva apareceu em vários lugares, com vários nomes. Mayer a formulou em 1842 como princípio geral, sem experimento próprio. Joule a mediu, entre 1843 e 1850, no laboratório. Hermann von Helmholtz (1821–1894), fisiologista e físico, publicou em 1847 Sobre a conservação da força (Kraft, a palavra alemã da época para o que hoje chamamos energia), uma dedução matemática geral a partir da mecânica, cobrindo calor, eletricidade e magnetismo. Nenhum dos três partiu do trabalho dos outros (Helmholtz conhecia apenas resultados iniciais de Joule). Houve depois uma briga de prioridade, com Mayer defendido pelos alemães e Joule pelos ingleses.

A palavra energia no sentido atual foi imposta na década de 1850 por Thomson e por William Rankine, e termodinâmica é de Thomson (1849). Foi Rudolf Clausius, em 1850, quem escreveu a coisa como uma lei da física do calor: existe uma grandeza, a energia interna UU de um corpo, que muda pelo calor recebido e pelo trabalho realizado, ΔU=QW\Delta U = Q - W. É o que chamamos hoje primeira lei da termodinâmica.

Primeira lei, na forma que a prova usa

ΔU=QW,\Delta U = Q - W,

com Q>0Q > 0 quando o sistema recebe calor e W>0W > 0 quando o sistema realiza trabalho sobre a vizinhança. A lei tem três autores para o princípio (Mayer, Joule, Helmholtz), um para a medida (Joule) e um para a forma termodinâmica (Clausius, 1850). Um item que a atribui a um só, ou que a data antes de 1842, ou que faz Carnot usá-la em 1824, está errado. As quatro transformações, as áreas no diagrama p×Vp \times V e os ciclos estão em primeira lei da termodinâmica.

Repare no verbo que a banca usa quando conta essa história direito. Em 2024, o PAS 2 deu como certo que Newton, “dando sequência aos princípios elaborados, entre outros, por Galileu Galilei e Johannes Kepler”, formulou a gravitação universal (item 99), e que as teorias de Copérnico “contribuíram” para a compreensão de que a Terra gira em torno do Sol (item 101). É o vocabulário do processo coletivo, e a conservação da energia é o caso exemplar dele.

Carnot, 1824: o rendimento antes de saber o que era calor

Voltemos vinte anos, a Paris. Nicolas Léonard Sadi Carnot (1796–1832), filho do general Lazare Carnot e engenheiro formado na Escola Politécnica, publicou em 1824, aos 28 anos, um livro fino que vendeu pouco: Reflexões sobre a potência motriz do fogo. A pergunta era a de um engenheiro que via a Inglaterra dominar o mundo com máquinas a vapor: existe um limite para o trabalho que se pode obter de uma dada quantidade de calor? E de que depende: do fluido, do projeto, ou de outra coisa?

Carnot pensava com o calórico. A analogia que usou foi a da queda d’água: assim como uma roda produz trabalho quando a água cai de um nível alto para um baixo, sem que a água se gaste, uma máquina produz trabalho quando o calórico cai de uma temperatura alta para uma baixa, sem que o calórico se gaste. O trabalho dependeria da “altura da queda”, isto é, da diferença de temperaturas, e da quantidade de calórico que passa. Com essa imagem, ele fez duas coisas que sobreviveram à morte do calórico.

Primeiro, imaginou uma máquina ideal, sem atrito e sem trocas de calor com diferença de temperatura, funcionando num ciclo de quatro etapas entre uma fonte quente e uma fonte fria, e reversível: capaz de rodar ao contrário, devolvendo o calor à fonte quente com o mesmo trabalho. É o que chamamos hoje ciclo de Carnot. Segundo, demonstrou, por um argumento de absurdo (se uma máquina pudesse render mais que a reversível, acoplando as duas obteríamos trabalho do nada), que nenhuma máquina entre as mesmas duas temperaturas pode render mais que a reversível, e que o rendimento da reversível não depende do fluido nem do projeto, só das duas temperaturas.

À esquerda, um diagrama pressão por volume com duas curvas isotérmicas, a quente e a fria, e duas curvas adiabáticas mais inclinadas, formando um ciclo fechado com os pontos A, B, C e D; uma seta indica calor entrando na isotérmica quente e outra calor saindo na isotérmica fria; a área interna está marcada como trabalho. À direita, o esquema de uma máquina térmica: um retângulo entre uma fonte quente em cima e uma fonte fria embaixo; setas mostram calor da fonte quente entrando, trabalho saindo para o lado e calor rejeitado descendo para a fonte fria. Abaixo, a frase de Carnot em 1824, o rendimento máximo depende só das temperaturas, e a fórmula de 1848 a 1850, rendimento igual a um menos a razão entre as temperaturas fria e quente, em kelvin.
O ciclo de Carnot em forma qualitativa (a representação no diagrama p×Vp \times V é de Clapeyron, 1834) e a máquina entre duas fontes. Carnot, em 1824, provou que o rendimento máximo depende só das temperaturas; a fórmula ηmax=1Tf/Tq\eta_{\max} = 1 - T_f/T_q só pôde ser escrita quando Kelvin definiu a escala absoluta (1848) e Clausius corrigiu a premissa do calórico (1850). Diagrama autoral.

O que Carnot não tinha: a fórmula. Sem escala absoluta de temperatura e acreditando que todo o calor recebido da fonte quente chegava à fonte fria, ele não podia escrever η=1Tf/Tq\eta = 1 - T_f/T_q; para ele, o trabalho saía da queda do calórico, não da conversão de parte dele. Suas notas, publicadas depois da morte, mostram que nos últimos anos ele passou a duvidar do calórico, mas morreu de cólera em 1832, aos 36 anos, sem publicar. Em 1834, Émile Clapeyron reescreveu o argumento com matemática e o desenhou no diagrama pressão por volume, a forma em que Thomson e Clausius o leram nos anos 1840.

Carnot não conhecia a conservação da energia

A banca ainda não escreveu o item da linha térmica do CN-E05, mas o molde dela permite prever a frase: “A análise do rendimento máximo das máquinas térmicas, publicada por Sadi Carnot, apoiou-se no princípio da conservação da energia, que já estava consolidado pelos trabalhos de Joule quando Carnot escreveu sua obra.” Errado: Carnot é de 1824; Joule, da década de 1840. A frase põe o efeito antes da causa, o anacronismo clássico. A versão certa é a inversa: a análise de Carnot precedeu o princípio da conservação da energia, estabelecido nas décadas seguintes por Mayer, Joule e Helmholtz. Confira a seta no tempo antes de julgar.

O que esse teto vale para uma máquina de Watt (vapor a uns 110 °C, condensação a uns 30 °C: cerca de 21%, contra os 3% reais) e como se calcula, refrigeradores incluídos, está em máquinas térmicas e segunda lei. A lição histórica fica: as máquinas estavam longe do teto, e o caminho para subir era aumentar a temperatura da fonte quente, com vapor a alta pressão, como fizeram as locomotivas de Stephenson (1829) e as máquinas da Cornualha nas décadas seguintes.

Kelvin, 1848: uma escala que não depende do termômetro

William Thomson (1824–1907), o jovem que fez perguntas a Joule em Oxford, foi feito Lorde Kelvin em 1892; o nome da unidade vem daí. Ele conhecia Carnot pela versão de Clapeyron, lida em Paris em 1845, e em 1848 atacou um problema que hoje parece óbvio: as escalas de temperatura da época dependiam da substância do termômetro. Mercúrio e álcool não se dilatam na mesma proporção, e “50 graus” num termômetro não eram os mesmos no outro. Não havia uma temperatura absoluta.

Thomson propôs defini-la pela máquina de Carnot, já que o rendimento da reversível depende só das temperaturas e de nenhuma substância. No artigo de 1848, Sobre uma escala termométrica absoluta fundada na teoria de Carnot, um grau é o intervalo em que uma unidade de calor, descendo pela máquina reversível, produz sempre o mesmo trabalho; a escala não depende de termômetro nenhum e aponta para um zero natural, a cerca de 273 graus abaixo do zero Celsius. Em 1854, já aceitando Joule, Thomson deu à definição a forma que se usa até hoje: a razão entre duas temperaturas é a razão entre os calores que a máquina reversível troca com as duas fontes, e o zero é a temperatura da fonte fria em que ela converteria todo o calor em trabalho. É a escala Kelvin; Thomson e Joule mediram na mesma década como os gases reais se desviam dela.

Kelvin: a escala em que as razões fazem sentido

T(K)=θ(C)+273T(\text{K}) = \theta(^\circ\text{C}) + 273. Uma diferença de temperatura vale o mesmo número nas duas escalas; uma razão só faz sentido em kelvin. É por isso que a fórmula do rendimento máximo, 1Tf/Tq1 - T_f/T_q, exige kelvin: ela nasceu junto com a escala, do mesmo argumento de Carnot. O item 104 do PAS 2 de 2012 dizia que um motor Stirling ideal, com o rendimento de Carnot, entre 250 °C e 25 °C tem rendimento de 75%: errado; a conta em kelvin dá 1298/52343%1 - 298/523 \approx 43\%. O item 93 de 2015 dizia que, com a fonte fria a 0 K, a eficiência da máquina de Carnot é sempre a mesma, seja qual for a fonte quente: certo, 10/Tq=11 - 0/T_q = 1 para qualquer TqT_q. Os dois itens são história aplicada: testam o zero absoluto de Kelvin e o teorema de Carnot. Hoje o kelvin é definido fixando a constante de Boltzmann (k=1,380649×1023k = 1{,}380\,649 \times 10^{-23} J/K, desde 2019); a escala continua a de Thomson.

Clausius reconcilia Carnot e Joule (1850) e batiza a entropia (1865)

Em 1850 a física do calor tinha um problema lógico. Joule dizia que o calor se converte em trabalho e, portanto, não se conserva. Carnot dizia que o calor passa inteiro da fonte quente para a fria e o trabalho vem da queda. Os dois não podiam estar certos, mas os dois tinham resultados bons. Thomson, em 1849, escreveu que, se Joule estava certo, o argumento de Carnot caía.

Rudolf Clausius (1822–1888), professor em Berlim, mostrou no artigo Sobre a força motriz do calor (1850) que não era preciso sacrificar nada, bastava trocar uma premissa. Numa máquina, parte do calor recebido da fonte quente vira trabalho (Joule) e o restante é rejeitado à fonte fria; e o teorema de Carnot continua valendo desde que se aceite um segundo princípio, independente do primeiro: o calor não passa por si só de um corpo frio para um corpo quente. Com isso, Clausius escreveu a primeira lei na forma ΔU=QW\Delta U = Q - W e enunciou a segunda lei. Thomson deu em 1851 uma formulação equivalente: nenhum dispositivo que opere em ciclo pode converter em trabalho todo o calor retirado de uma única fonte. Uma máquina que fizesse isso respeitaria a primeira lei (a energia fecha a conta) e violaria a segunda: é a ideia de que nenhuma máquina aproveita tudo, e é o que o item 51 do PAS 2 de 2024 errou ao atribuir os gases de efeito estufa das termelétricas à “impossibilidade de conversão completa de calor em trabalho”: o CO₂ vem da combustão, não da segunda lei.

Faltava dar nome à grandeza que a segunda lei governa. Clausius mostrou em 1854 que, num ciclo reversível, a soma das parcelas Q/TQ/T (calor trocado dividido pela temperatura absoluta em que é trocado) é zero, e que nos ciclos reais é negativa. Isso define uma função de estado: uma grandeza que, como a energia interna, só depende do estado do sistema e volta ao valor inicial quando o ciclo fecha. Em 1865 ele a batizou entropia, do grego tropé, “transformação”, escolhida para rimar com energia, e fechou o artigo com duas frases: a energia do universo é constante; a entropia do universo tende a um máximo.

Entropia, no que a prova cobra

ΔS=QT(processo reversıˊvel a temperatura T).\Delta S = \frac{Q}{T}\quad(\text{processo reversível a temperatura } T).

A entropia é função de estado: do fluido de trabalho de uma máquina, ela volta ao valor inicial a cada ciclo (PAS 2 2024, item 52: “Depois de um ciclo completo de funcionamento, não se verifica aumento da entropia do fluido de trabalho das máquinas térmicas”, certo). Quem cresce nos processos reais é a entropia do universo, sistema mais vizinhança, porque as trocas de calor entre a máquina e as fontes acontecem com diferença de temperatura e são irreversíveis. Confundir “a do fluido” com “a do universo” é o erro que a banca planta. O diagrama T×ST \times S, em que a área é calor, está na página máquinas térmicas e segunda lei.

Exemplo resolvido (por que o calor não sobe sozinho). Uma parcela de 1 000 J de calor passa de um corpo a 400 K para um corpo a 300 K, ambos grandes o bastante para não mudar de temperatura. O corpo quente perde entropia: ΔSq=1000/400=2,5\Delta S_q = -1\,000/400 = -2{,}5 J/K. O frio ganha: ΔSf=+1000/300+3,33\Delta S_f = +1\,000/300 \approx +3{,}33 J/K. Total: +0,83+0{,}83 J/K, positivo, como manda a segunda lei. Se o calor fizesse o caminho inverso, do frio para o quente, o total seria 0,83-0{,}83 J/K, negativo, o que a segunda lei proíbe. Conferência: a parcela ganha pelo frio é sempre maior porque o mesmo QQ é dividido por um TT menor. Esse é o enunciado de Clausius de 1850 escrito com a grandeza de 1865: o calor desce a ladeira da temperatura porque descer aumenta a entropia total.

Maxwell, Boltzmann e a entropia como contagem

A termodinâmica de Clausius e Kelvin era completa e não dizia o que o calor é. A hipótese cinética era velha: Daniel Bernoulli, em 1738, já tinha deduzido a pressão de um gás como o bombardeio de partículas nas paredes, e o próprio Clausius, em 1857, calculou a velocidade média das moléculas (centenas de metros por segundo) e, no ano seguinte, introduziu o livre caminho médio para explicar por que um perfume demora a atravessar a sala se as moléculas são tão rápidas.

James Clerk Maxwell (1831–1879), em 1860, deu o passo que muda a natureza da física: em vez de atribuir a todas as moléculas a mesma velocidade, tratou as velocidades como uma distribuição estatística, com a fração de moléculas em cada faixa de velocidade a uma dada temperatura. Temperatura passou a ser medida da energia cinética média; pressão, viscosidade e condução de calor saíram da estatística. Em 1867, numa carta, Maxwell imaginou um “ser” minúsculo (o demônio de Maxwell, nome dado por Thomson) que, abrindo e fechando uma portinhola entre dois compartimentos, separaria moléculas rápidas de lentas sem gastar trabalho: a segunda lei, sugeria ele, é estatística, não absoluta.

Ludwig Boltzmann (1844–1906), em Viena e Graz, levou a ideia até o fim. Em 1872 mostrou, com o teorema H, como um gás fora de equilíbrio evolui para a distribuição de Maxwell, e em 1877 publicou a relação que está gravada em seu túmulo, em Viena: a entropia de um estado macroscópico é proporcional ao logaritmo do número de arranjos microscópicos compatíveis com ele,

S=klogW.S = k \log W.

(Boltzmann escreveu a proporcionalidade; a forma com a constante kk e a letra é de Planck, em 1900.) A segunda lei ganha uma leitura: um sistema isolado evolui para os estados macroscópicos que têm mais arranjos microscópicos, simplesmente porque são muito mais numerosos; a entropia máxima é o estado mais provável. Não é uma força que empurra o universo para a “desordem”; é contagem.

Uma caixa dividida em duas metades com quatro partículas. Três colunas mostram os macroestados possíveis: quatro partículas à esquerda e nenhuma à direita, com um arranjo; três à esquerda e uma à direita, com quatro arranjos; duas de cada lado, com seis arranjos. Barras proporcionais ao número de arranjos acompanham cada coluna. Abaixo, a fórmula S igual a k vezes o logaritmo de W e a frase: o gás se espalha porque há mais arranjos, não porque busca desordem.
Entropia como contagem. Com quatro partículas em duas metades, o macroestado "duas de cada lado" tem 6 arranjos, "quatro de um lado" tem 1. Com 102310^{23} partículas a razão vira um número com dezenas de bilhões de algarismos: o gás se espalha porque a repartição uniforme é esmagadoramente mais provável. Boltzmann, 1877. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (contando arranjos). Quatro moléculas numa caixa dividida em duas metades iguais. Cada molécula pode estar à esquerda ou à direita: 24=162^4 = 16 arranjos igualmente prováveis. O macroestado “todas à esquerda” corresponde a 1 arranjo (W=1W = 1); “três à esquerda e uma à direita”, a 4; “duas de cada lado”, a 6. A entropia S=klnWS = k \ln W do estado uniforme supera a do estado concentrado em kln61,8kk \ln 6 \approx 1{,}8\,k. Conferência pela probabilidade: a chance de encontrar as quatro de um mesmo lado é 2/16=12,5%2/16 = 12{,}5\%, o que acontece com quatro moléculas o tempo todo. Com 100 moléculas, a chance de todas estarem à esquerda é 1/210010301/2^{100} \approx 10^{-30}; com 102310^{23}, a idade do universo não dá para esperar. O gás que escapa de uma lata nunca volta sozinho para dentro: não é proibido, é improvável demais. A segunda lei, para Boltzmann, é a lei dos grandes números.

Entropia não é "desordem", sem mais

A tradução “entropia é desordem” é um atalho que funciona em dois exemplos e falha em muitos. A entropia é uma função de estado definida por Clausius pelo calor trocado sobre a temperatura, e lida por Boltzmann como o logaritmo do número de arranjos microscópicos compatíveis com o estado macroscópico, a energia fixa. “Desordem” não é grandeza física, não tem unidade e depende de quem olha. Água líquida tem mais entropia que gelo porque suas moléculas têm mais arranjos acessíveis, e aí a intuição coincide; mas óleo e água que se separam em duas camadas aumentam a entropia total (o “arrumado” é o estado mais provável, contando os arranjos da água em torno do óleo). Item que define entropia como desordem e daí conclui algo está em terreno movediço; item que a define como grandeza que volta ao início no ciclo do fluido e cresce no universo está em terreno firme.

Boltzmann passou os últimos trinta anos de vida defendendo os átomos. Josef Loschmidt (1876) objetou que leis mecânicas reversíveis não poderiam gerar uma lei irreversível; Boltzmann respondeu que a irreversibilidade é probabilística. Ernst Mach e Wilhelm Ostwald, líderes do energetismo, sustentavam que a física devia falar só de energia e de grandezas mensuráveis, e que os átomos, nunca vistos, eram hipótese metafísica. Boltzmann, deprimido e doente, matou-se em Duino, perto de Trieste, em setembro de 1906. Dois anos depois, o caso se fechou a favor dele.

Brown, Einstein e Perrin: o caso dos átomos se fecha

Em 1827 o botânico Robert Brown observou ao microscópio que grãos de pólen suspensos em água tremiam sem parar, num zigue-zague sem direção; o mesmo acontecia com pó de rocha. Por oitenta anos o movimento browniano ficou como curiosidade. Em maio de 1905, Albert Einstein, então funcionário do escritório de patentes de Berna, mostrou que, se a água é feita de moléculas em agitação térmica, um grão pequeno o bastante seria empurrado por elas de modo desigual e executaria exatamente esse zigue-zague, com um deslocamento médio que cresce com a raiz quadrada do tempo e um coeficiente que depende da temperatura, da viscosidade, do tamanho do grão e do número de Avogadro. Era uma previsão mensurável: quem medisse o deslocamento de grãos contaria as moléculas.

Jean Perrin, em Paris, fez a medida entre 1908 e 1909, com grãos de resina de tamanho conhecido, e obteve para o número de Avogadro valores entre 6×10236 \times 10^{23} e 7×10237 \times 10^{23} por vários métodos independentes e concordantes. Ostwald, o energetista, escreveu em 1909 que os experimentos de Perrin o convenciam da existência dos átomos. A hipótese cinética passou de modelo útil a fato medido, e a entropia como contagem de arranjos deixou de ser interpretação para ser definição.

O que faz um modelo ser aceito

A história desta página é uma sequência de modelos que ganharam e perderam a confiança de quem os usava. Os critérios foram sempre os mesmos.

Modelo O que previa e media Por que foi aceito Por que caiu (ou não)
Calórico (1780s–1840s) Calorimetria, equilíbrio, calor latente, condução (Fourier), rendimento (Carnot) Explicava tudo que se media; permitia calcular Não explicava o atrito sem fim (Rumford); Joule mediu a conversão trabalho–calor e o fluido perdeu a razão de ser
Calor como movimento (Rumford, 1798) Nada quantitativo Não foi aceito na época Sem lei numérica, um experimento não derruba um modelo produtivo
Conservação da energia (1842–1850) O equivalente mecânico, 4,2 J/cal, medido de vários modos Síntese: mecânica, calor, eletricidade e química numa grandeza; medida reprodutível Não caiu; virou a primeira lei
Teorema de Carnot (1824) Rendimento máximo só depende das temperaturas Reformulado por Clausius sem o calórico; deu a escala Kelvin e a segunda lei Não caiu; mudou de premissa e sobreviveu
Teoria cinética e entropia estatística (1857–1877) Velocidades moleculares, viscosidade, S=klogWS = k \log W Resistência dos energetistas: átomos não eram observados Aceita depois de Einstein (1905) e Perrin (1908–1909): previsão + medida

Três coisas decidem: previsão testável, medida que a confirma e síntese, a capacidade de juntar áreas que pareciam separadas. O calórico tinha as duas primeiras dentro do seu alcance e perdeu a terceira para a energia; a teoria cinética tinha a síntese e esperou décadas pela medida. Nenhum modelo foi derrubado por um gênio sozinho: cada um foi corrigido por gente que trabalhava com o anterior.

O que aconteceu e quando: a linha do tempo que protege do anacronismo

Linha do tempo horizontal de 1690 a 1910, em três faixas. Faixa das máquinas, em âmbar: Savery 1698, Newcomen 1712, Watt 1769, Stephenson 1829. Faixa do calor como energia, em azul: Black anos 1760, Lavoisier 1789 calórico, Rumford 1798, Fourier 1822, Mayer 1842, Joule 1843 a 1850, Helmholtz 1847, Clausius 1850 primeira lei. Faixa da segunda lei e dos átomos, em vermelho: Carnot 1824, Clapeyron 1834, Kelvin 1848 escala absoluta, Clausius 1850 e Kelvin 1851 segunda lei, Clausius 1865 entropia, Maxwell 1860, Boltzmann 1872 e 1877, Einstein 1905, Perrin 1908. Uma chave marca o intervalo de mais de um século entre a primeira máquina e a primeira lei.
Quem, quando, em que faixa. Repare que a faixa das máquinas começa mais de um século antes da primeira lei; que Carnot (1824) está antes de Mayer, Joule e Helmholtz (1842–1850); e que a entropia (1865) é anterior à explicação estatística (1877) e à prova dos átomos (1905–1909). Diagrama autoral.
Quando Quem O quê
1698 Savery patente da “máquina para elevar água pelo fogo”
1712 Newcomen máquina atmosférica bombeando uma mina perto de Dudley
anos 1760 Black calor específico e calor latente, em Glasgow
1769 Watt patente do condensador separado; Boulton & Watt a partir de 1775
1783–1789 Lavoisier (e Laplace) calorímetro de gelo; o calórico na lista das substâncias simples
1798 Rumford o canhão de Munique: atrito gera calor sem limite
1822 Fourier teoria matemática da condução do calor
1824 Carnot Reflexões sobre a potência motriz do fogo: o rendimento máximo depende só das temperaturas
1834 Clapeyron o ciclo de Carnot no diagrama p×Vp \times V
1842 Mayer conservação da energia como princípio; primeira estimativa do equivalente
1843–1850 Joule equivalente mecânico do calor: 772 libras-pé, 4,15 J/cal
1847 Helmholtz Sobre a conservação da força
1848 Thomson (Kelvin) escala absoluta de temperatura fundada em Carnot
1850 Clausius primeira lei (ΔU=QW\Delta U = Q - W) e segunda lei (o calor não sobe sozinho)
1851 Thomson segunda lei na forma “nenhum ciclo converte todo o calor de uma fonte em trabalho”
1857–1860 Clausius, Maxwell teoria cinética: velocidades moleculares, distribuição de Maxwell
1865 Clausius a palavra entropia; “a entropia do universo tende a um máximo”
1872–1877 Boltzmann teorema H; entropia como logaritmo do número de arranjos
1905 Einstein teoria do movimento browniano
1908–1909 Perrin medida do número de Avogadro pelo movimento browniano; os átomos são aceitos

Os anacronismos que a prova planta

Item de história da ciência se confere com um protocolo de três perguntas: quem fez, quando, antes ou depois de quem; e com uma quarta, o verbo. Os erros de fábrica são sempre os mesmos.

  1. Teoria antes da máquina. “A primeira lei orientou os engenheiros que projetaram as primeiras máquinas a vapor”: Newcomen é de 1712, a primeira lei de 1850. A engenharia veio antes por mais de um século.
  2. Carnot com a conservação da energia. Carnot (1824) não conhecia Joule (1840s). Item que o faz “apoiar-se” nela inverte a seta.
  3. Watt inventor. Watt aperfeiçoou (condensador separado, 1769) uma máquina que Newcomen construíra em 1712.
  4. Calórico como burrice. Era um modelo que media e previa; caiu quando outro modelo fez o mesmo e mais.
  5. Entropia na mão errada, ou na data errada. Entropia é de Clausius (1865), não de Newton, não de Carnot, não de Kelvin; a leitura estatística é de Boltzmann (1877).
  6. Conservação da energia com um só dono. Mayer, Joule e Helmholtz, 1842–1850; Clausius deu a forma termodinâmica.
  7. “Descartou completamente”, “tornou obsoletas”. Boltzmann não tornou obsoletas as leis da termodinâmica: explicou-as. Einstein não descartou Newton: delimitou-o (PAS 1 2023, item 67, errado ao dizer que a teoria de Newton foi “completamente descartada”).
  8. Fonte de energia fora de época. Lenha, petróleo ou moinho de vento como base da Primeira Revolução Industrial (PAS 1 2014/48, PAS 2 2011/53, PAS 2 2023/94-D): era carvão mineral e máquina a vapor.
  9. Entropia é “desordem” e ponto. É função de estado (calor sobre temperatura) e contagem de arranjos; volta ao início no ciclo do fluido, cresce no universo.
  10. Máquina térmica onde não há calor. Hidrelétrica e eólica não são máquinas térmicas (PAS 2 2024/50, errado); e o CO₂ da termelétrica vem da combustão, não da segunda lei (2024/51, errado).

Como a banca cobra. O código CN-E05 da matriz do PAS 2 (“História da Física: termodinâmica, óptica e física moderna”) existe desde dezembro de 2022 e estreou em 2024 com dois itens, ambos sobre mecânica e astronomia (99 e 101), ambos certos, com verbo de continuidade; em 2025 ficou em zero. A linha térmica ainda não rendeu item real, e a versão que a banca escreveria é a da armadilha sobre Carnot. Enquanto isso, a história térmica entra pela porta dos vizinhos: pela História e Geografia, com a Revolução Industrial e suas fontes de energia (2011/53, 2012/79, 2014/48, 2023/94; PAS 3 2009/52), e pela Física das máquinas, com o teorema de Carnot e a escala Kelvin em ação (2012/104, 2013/93, 2015/93, 2024/52). Leia o texto-base procurando datas e nomes: a banca costuma deixar neles a resposta.

O essencial em meia página

  • A ordem real: Savery 1698 e Newcomen 1712 (máquina atmosférica, bomba de mina, rendimento abaixo de 1%) → Watt 1769 (condensador separado, um terço do carvão; cavalo-vapor) → Revolução Industrial (Inglaterra, fim do século XVIII, carvão mineral) → Carnot 1824 → conservação da energia 1842–1850 → entropia 1865 → Boltzmann 1877 → átomos provados 1905–1909. A engenharia puxou a física.
  • Calórico (Lavoisier, 1789): fluido conservado que passa do quente para o frio; explicava calorimetria, equilíbrio, calor latente (Black, 1760s); modelo legítimo, não burrice. Caiu com Rumford (1798, o canhão: atrito gera calor sem fim, logo calor é movimento) e Joule (1843–1850, as pás: 772 libras-pé, 1 cal ≈ 4,2 J); Mayer (1842) chegou antes ao princípio, com dados ruins.
  • Conservação da energia: Mayer, Joule, Helmholtz (1842–1850), três donos; Clausius (1850) escreve ΔU=QW\Delta U = Q - W. Verbo certo: “contribuíram”, “dando sequência”.
  • Carnot (1824): máquina ideal reversível entre duas fontes; nenhuma rende mais; o teto depende só das temperaturas. Pensava com calórico, não conhecia a conservação da energia (item favorito da banca, errado quando afirma o contrário). Clapeyron (1834) desenha o ciclo em p×Vp \times V.
  • Kelvin (1848): escala absoluta fundada em Carnot, zero a −273 °C; razões só em kelvin: ηmax=1Tf/Tq\eta_{\max} = 1 - T_f/T_q (2012/104 errado com 75%; 2015/93 certo com Tf=0T_f = 0).
  • Clausius (1850, 1865): parte do calor vira trabalho, o resto é rejeitado; o calor não sobe sozinho (segunda lei; Kelvin 1851: nenhum ciclo converte todo o calor de uma fonte). Entropia = função de estado, ΔS=Q/T\Delta S = Q/T; volta ao início no ciclo do fluido (2024/52 certo), cresce no universo.
  • Maxwell (1860) e Boltzmann (1872–1877): velocidades como distribuição; S=klogWS = k \log W; segunda lei como lei dos grandes números; resistência de Mach e Ostwald; Boltzmann morre em 1906.
  • Brown (1827), Einstein (1905), Perrin (1908–1909): o movimento browniano prevê e mede o número de Avogadro; os átomos são aceitos.
  • Aceitação de um modelo: previsão, medida, síntese. Protocolo do item de história: quem, quando, antes ou depois de quem, e o verbo. Desconfie de “inventou”, “provou”, “descartou completamente”, “já consolidado” e de qualquer fonte de energia fora de época.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Termodinâmica, 200 anos de história
Gerando Respostas · 4:09
Introdução. Em quatro minutos, o vídeo percorre os primórdios da ciência do calor a partir dos motores a vapor e chega ao impacto industrial e científico das leis da termodinâmica, tomando como marco os 200 anos do livro de Carnot (1824). A descrição do autor anuncia exatamente esse arco. É o resumo da seção “A máquina veio antes da teoria” e da linha do tempo desta página, bom para assistir antes de ler.
Motor à vapor de Thomas Newcomen: Revolução Industrial
Prof. Silvânio Barcelos · 9:28
Aplicação histórica. Um professor de História explica o motor a vapor como dispositivo que dá movimento a outras máquinas, situa os antecessores (a eolípila de Hierão, Papin e Savery no fim do século XVII) e chega a Newcomen e ao aperfeiçoamento de Watt, ligando a máquina ao carvão e à fábrica. A descrição do autor traz essa cronologia. Complementa a seção “Newcomen, Watt e a máquina que bombeava minas” e o esquema da máquina de balancim desta página.
O Experimento de Joule! Calor e Temperatura.
Flávio Cunha · 3:04
Experimento decisivo. Exposição curta e contextualizada do experimento de Joule, a transformação de energia gravitacional (pesos que descem) em calor (água que esquenta pelas pás), com a diferença entre calor e temperatura que o experimento exige. A descrição do autor marca o vídeo como história da física e experimento de Joule. É a figura “As pás de Joule” e o exemplo resolvido da seção “Joule, Mayer e o equivalente mecânico do calor” desta página.
O que é entropia? | Segunda lei de termodinâmica [Entropia não é desordem!]
Físicadu · 8:50
Aprofundamento conceitual. O autor parte do incômodo de todo aluno do ensino médio com a palavra entropia, mostra que ela é uma grandeza bem definida e a apresenta pela segunda lei, com um exemplo do livro de Blundell, recusando a tradução preguiçosa “entropia é desordem”. A descrição do autor diz isso com todas as letras. É o argumento da seção “Clausius batiza a entropia” e da armadilha “Entropia não é ‘desordem’, sem mais” desta página; assista depois de ler a parte de Boltzmann.
Rota PAS 2
Leis da termodinâmica e máquinas térmicas · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Leis da termodinâmica e máquinas térmicas · Abertura (bomba de pneu, aerossol, capô do carro); Antes de começar: dez minutos de aquecimento (calor × temperatura, joule e caloria, kelvin, rendimento); O que cai daqui (CN-E05 História da Física); De Copérnico a Boltzmann: como a física térmica foi construída (linha do tempo com donos, três erros de fábrica, exemplo-guia Carnot × Joule, checagem, imagem da máquina de balancim); Como a banca cobra (2024/99, 2024/101); Síntese (História CN-E05); Banco de treino T21 e T23

    Recorte por assunto: só a história e a construção dos conceitos térmicos. As leis em si, as transformações, os ciclos e o rendimento ficam nas páginas primeira-lei-da-termodinamica e maquinas-termicas-e-segunda-lei-da-termodinamica. A página acrescenta, ausentes do capítulo, Newcomen, Black, Lavoisier e o calórico, Rumford, Fourier, Clapeyron, Maxwell, o movimento browniano, Einstein e Perrin, com datas conferidas.

  • Rota PAS 2 — Da oficina à fábrica: Revolução Industrial e trabalho (Geografia) · Aquecimento 4 (máquina precisa de energia: carvão mineral, petróleo e eletricidade por época); Da oficina à fábrica: o que a Revolução Industrial mudou (itens 2013/72, 2023/92, 2008/21, 2012/77, 2016/77, 2019/51; armadilha 'data e lugar de nascimento não se negociam'); Segunda Revolução Industrial (2023/90, 2012/79, 2023/94)

    Usado para a relação entre máquina a vapor, carvão e fábrica, e para os itens reais de Revolução Industrial que a página reproduz pelo ângulo da energia.

  • Rota PAS 2 — A era das fábricas: Revolução Industrial (História) · Cronologia mínima (Watt patenteia a máquina a vapor aperfeiçoada, 1769); Da oficina à fábrica (conceito de Revolução Industrial, tabela de condições: carvão e ferro, máquina de Watt); Aço, ciência e eletricidade: a Segunda Revolução Industrial

    Datas e quadro da Revolução Industrial; a página trata a parte física (energia, máquina, rendimento) e remete o restante à História.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2014 (item 48), 2023 (item 67); PAS 2 2011 (item 53), 2012 (itens 62, 79 e 104), 2013 (item 93), 2015 (item 93), 2023 (item 94, citado no texto), 2024 (itens 50, 51, 52, 99 e 101); PAS 3 2009 (item 52)

    Itens reproduzidos verbatim com os textos-base; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao[-pas2|-pas3]/AAAA.json; figuras dos cadernos de 2011, 2012, 2013 e 2015 lidas nos PDFs rasterizados e descritas em texto neutro. PAS 2 2013/92 (rendimento de 25% com 157 °C e 57 °C, gabarito oficial C) excluído: a conta dá 23%, gabarito oficial questionável. Itens 2005/72, 2023/89 e 2023/94 não entram como exercícios por se decidirem por História/Geografia, não pelo ângulo energia.