A prova do PAS 3 de 2025 deu três expressões de uma fábrica de carros elétricos e perguntou se a produção do segundo ano cobria a demanda e se o total produzido era "sempre divisível" pela demanda; a de 2022 deu três números de desmatamento e afirmou qual seria o quarto. O que um polinômio é, como se avalia, divide e fatora, e o que ele consegue prever sem que ninguém resolva equação nenhuma?
O que você vai aprender
Reconhecer um polinômio pela forma dos expoentes, identificar grau, coeficiente líder e termo independente e tratar o polinômio nulo como caso à parte.
Calcular o valor numérico de um polinômio e decidir, por substituição, se um número é raiz, sem resolver equação nenhuma.
Aplicar a identidade de polinômios para determinar coeficientes e prever o grau de uma soma e de um produto.
Dividir polinômios pelo método da chave e por Briot-Ruffini, obter o resto por x − r com o teorema do resto e traduzir divisibilidade por x − r em raiz.
Ler a forma fatorada: multiplicidade de uma raiz, contagem de raízes distintas e com multiplicidade, e o comportamento do gráfico em cada raiz.
Usar um polinômio como modelo: ler um gráfico deslocado, reconhecer o grau pelas diferenças constantes, prever o próximo valor e interpolar um polinômio de grau 2 a partir de três pontos ou do vértice.
Em 2025, a prova do PAS 3 descreveu uma fábrica de carros elétricos com três expressões: p1(x)=2x4−x3−10x2+234 e p2(x)=x4−x3+5x2+250 para as quantidades produzidas de dois modelos no ano x, e q(x)=50x+150 para a demanda. Um item perguntava se a produção do segundo ano dava conta da demanda; o seguinte afirmava que o total produzido era “sempre um número divisível” pela demanda. Nenhum dos dois pedia que se achasse raiz de coisa alguma: o primeiro se resolve trocando x por 2, o segundo cai com um único ano de conta. Três anos antes, em 2022, a banca deu os números do desmatamento da Amazônia Legal em 2019, 2020 e 2021 e afirmou qual seria o de 2022, “projetado por um polinômio do segundo grau”. Quem conhecia a assinatura de um polinômio de grau 2 numa tabela confirmou o número em três linhas.
É disso que esta página trata: o polinômio como objeto, e não a equação. O que ele é e o que não é; como se lê o grau e os coeficientes; o que significa avaliar e o que significa ser raiz; quando duas expressões são o mesmo polinômio; como se somam, multiplicam e, sobretudo, dividem, com o teorema do resto e o dispositivo de Briot-Ruffini; o que a forma fatorada mostra, inclusive a multiplicidade de uma raiz e o jeito como o gráfico toca o eixo; e, por fim, o polinômio como modelo de dados: ler um gráfico deslocado, reconhecer o grau pelas diferenças e prever o próximo valor. Resolver equações de grau 3 e 4, contar raízes complexas e usar as relações entre coeficientes e raízes é assunto da página de equações polinomiais; o número i e seus parentes vivem na página de números complexos; a parábola como função, com vértice e sinal, está na página de função quadrática e aparece aqui só como polinômio de grau 2.
Uma expressão é polinômio quando os expoentes se comportam
Uma loja cobra, por um lote de x peças, um valor que depende de x de várias maneiras: um custo fixo, um custo por peça, um desconto proporcional ao quadrado do lote. Somando tudo, aparece algo como C(x)=120+8x−0,02x2. Essa expressão é um polinômio: potências inteiras e não negativas de x, cada uma multiplicada por um número, e nada mais. Já x1, x, 2x e ∣x∣ não são, e o motivo é sempre o expoente ou a operação: x1=x−1 tem expoente negativo, x=x1/2 tem expoente fracionário, 2x tem o x no lugar errado e ∣x∣ não é potência de nada.
Polinômio, grau e coeficientes
Um polinômio na variável x é uma expressão do tipo p(x)=anxn+an−1xn−1+⋯+a1x+a0, em que n é inteiro não negativo e os números an,…,a0 são os coeficientes. Quando an=0, o grau de p é n (o maior expoente com coeficiente não nulo), an é o coeficiente líder e a0 é o termo independente, a parcela sem x. Um número sozinho, como 7, é um polinômio de grau 0. O polinômio nulo, com todos os coeficientes iguais a zero, não tem grau: ele é a exceção de todas as regras de contagem que vêm adiante.
Anatomia de um polinômio na forma reduzida: expoentes em ordem decrescente, um coeficiente por grau, inclusive o zero do grau que falta. É nessa forma que se lê o grau, o líder e o termo independente, e é ela que o dispositivo de Briot-Ruffini exige. Diagrama autoral.
A ordem em que as parcelas aparecem não muda o polinômio, mas muda a facilidade de ler. Em 5x−2x4+7+x2, a primeira providência é reescrever em ordem decrescente de expoente, a forma reduzida: −2x4+0x3+x2+5x+7. Agora o grau salta aos olhos (4), o líder é −2, o termo independente é 7, e o 0x3 lembra que o grau 3 está presente com coeficiente zero. Cinco coeficientes, do grau 4 ao grau 0: −2,0,1,5,7. Vale escrever o zero; o dispositivo de divisão da seção sobre Briot-Ruffini dá resultado errado para quem o pula.
O grau se lê depois de reduzir
3x3+x−3x3+5 parece ter grau 3, mas os dois termos cúbicos se cancelam e sobra x+5, de grau 1. Grau é o maior expoente que sobrevive à redução. O mesmo cuidado vale para expressões escritas como produto: (x2+1)(x2−1)−x4 é −1, grau 0, e não grau 4.
Um polinômio também pode ter mais de uma variável, como a área xy de um retângulo ou o volume xyz; o grau de cada parcela é a soma dos expoentes, e o grau do polinômio é o maior deles. Nesta página, salvo aviso, a variável é uma só e os coeficientes são números reais.
Valor numérico: trocar a letra pelo número. Raiz: o número que devolve zero
A pergunta mais frequente sobre um polinômio é a mais simples: quanto ele vale em determinado número. Em C(x)=120+8x−0,02x2, o custo de um lote de 100 peças é C(100)=120+800−200=720. Trocar a variável pelo número e fazer a conta, respeitando potências e sinais, é calcular o valor numérico. A segunda pergunta é a inversa, e tem nome próprio: para que valores da variável a expressão se anula?
Valor numérico e raiz
O valor numérico de p em r é o número p(r) obtido ao substituir x por r. Um número r é raiz (ou zero) de p quando p(r)=0. Três valores se leem direto na forma reduzida, sem conta: p(0)=a0, o termo independente; p(1)=an+⋯+a1+a0, a soma de todos os coeficientes; e p(−1), a soma dos coeficientes com os sinais dos graus ímpares trocados. Consequência imediata: 1 é raiz exatamente quando a soma dos coeficientes é zero, e 0 é raiz exatamente quando o termo independente é zero.
Verificar se um número dado é raiz não exige técnica nenhuma: substitua. Esse reflexo vale mais do que qualquer método, porque a prova pede muito mais conferir do que achar. É −2 raiz de p(x)=2x3+3x2−2x? p(−2)=2⋅(−8)+3⋅4−2⋅(−2)=−16+12+4=0. É. E 0 também é, porque o termo independente é zero. Nenhuma equação foi resolvida.
Exemplo resolvido 1: a fábrica de 2025. Com p1(x)=2x4−x3−10x2+234, p2(x)=x4−x3+5x2+250 e q(x)=50x+150, o item 27 afirmava: “Caso se assuma que metade dos veículos demandados no segundo ano foram do tipo 1, então é correto concluir que a quantidade de veículos fabricados nesse ano foi suficiente para atender à demanda.”
Estratégia: identificar o ano (x=2), avaliar as três expressões e comparar produção com demanda, tipo a tipo.
Resolução:q(2)=100+150=250 veículos demandados; metade de cada tipo, 125 e 125. Produção: p1(2)=2⋅16−8−10⋅4+234=32−8−40+234=218 e p2(2)=16−8+20+250=278. Como 218≥125 e 278≥125, a produção de cada tipo cobre a metade que lhe cabe. Item certo.
Conferência: a parcela mais fácil de errar é −10x2 em x=2, que vale −40 e não −20; refeita a conta, o total 218+278=496 supera a demanda inteira, 250, com folga. O item mede leitura de três funções e uma substituição; procurar raízes aqui seria tempo perdido.
Como uma calculadora avalia um polinômio
Nenhuma calculadora calcula 2x3+3x2−2x elevando x ao cubo, depois ao quadrado e somando. Ela usa a forma aninhada ((2x+3)x−2)x: parte do coeficiente líder, multiplica por x, soma o coeficiente seguinte, e repete até o termo independente. Para x=−2: 2⋅(−2)+3=−1; (−1)(−2)−2=0; 0⋅(−2)+0=0. Três multiplicações em vez de seis, e nenhuma potência. Esse esquema, conhecido como método de Horner, é exatamente a conta do dispositivo de Briot-Ruffini, e é por isso que o último número daquele dispositivo é o valor numérico p(r).
Dois polinômios são iguais quando todos os coeficientes coincidem
Em (x+2)2 e x2+4 os valores coincidem em x=0: os dois dão 4. Em x=1, não: 9 contra 5. Coincidir num ponto, ou em vários, não faz duas expressões serem o mesmo polinômio; o que faz é a igualdade coeficiente a coeficiente, e (x+2)2=x2+4x+4 tem um 4x que x2+4 não tem.
Identidade de polinômios
Dois polinômios são idênticos (iguais para todo valor de x) quando têm o mesmo grau e os mesmos coeficientes, grau a grau. Em particular, um polinômio é o polinômio nulo quando todos os seus coeficientes são zero. Uma consequência que organiza boa parte desta página: um polinômio não nulo de grau n tem no máximo n raízes reais; logo, se um polinômio de grau no máximo n se anula em n+1 valores diferentes, ele é o polinômio nulo, e dois polinômios de grau no máximo n que coincidem em n+1 pontos são idênticos.
A última frase é o que permite dizer que três pontos determinam uma parábola, ideia que a seção sobre modelos usa. Antes disso, ela serve para achar coeficientes desconhecidos: expande-se um lado, compara-se com o outro, grau a grau.
Exemplo resolvido 2: coeficientes por identidade. Para que valores de a e b vale (x+a)(x−3)=x2+bx−12 para todo x?
Estratégia: expandir o produto, escrever na forma reduzida e igualar os coeficientes de mesmo grau.
Resolução:(x+a)(x−3)=x2−3x+ax−3a=x2+(a−3)x−3a. Termo independente: −3a=−12, logo a=4. Coeficiente de x: b=a−3=1.
Conferência:(x+4)(x−3) em x=1 dá 5⋅(−2)=−10, e x2+x−12 em x=1 dá 1+1−12=−10. Um ponto não prova a identidade, mas um ponto que falhasse a derrubaria; como passou, e a conta grau a grau fechou, está certo.
As operações seguem as regras da álgebra que você já usa, com uma atenção ao grau. Na soma e na subtração, agrupam-se os termos de mesmo grau; o sinal de menos distribui por todas as parcelas do segundo polinômio. No produto, cada termo de um fator multiplica cada termo do outro, e depois se reduz.
Grau da soma e do produto
Para polinômios não nulos p e q, o grau do produto é a soma dos graus: gr(p⋅q)=gr(p)+gr(q), porque os coeficientes líderes se multiplicam e nunca dão zero. O grau da soma é no máximo o maior dos dois graus, e pode ser menor quando os termos de maior grau se cancelam: (2x4−x)+(5−2x4)=5−x, grau 1, soma de dois polinômios de grau 4.
A prova gosta da palavra “necessariamente” nesse ponto: “a soma de dois polinômios de grau 4 é necessariamente de grau 4” é falsa, e um único contraexemplo, como o do conceito acima, encerra o julgamento. Já “o produto de dois polinômios de grau 4 tem grau 8” é sempre verdadeira.
Quociente e resto: a divisão para quando o grau cai abaixo do divisor
Dividir 23 por 5 dá quociente 4 e resto 3, e a frase completa é 23=5⋅4+3, com a condição de que a sobra seja menor que 5 (se sobrassem 5, cabia mais uma volta). Polinômios se dividem com a mesma gramática, dividendo igual a divisor vezes quociente mais sobra, e o que muda é o critério de parada: em vez de comparar tamanhos, comparam-se graus.
Divisão euclidiana de polinômios
Para todo polinômio p(x) e todo divisor d(x)=0 há um único par de polinômios, o quocienteq(x) e o restor(x), com p(x)=d(x)⋅q(x)+r(x) e, além disso, r(x)=0 ou gr(r)<gr(d). Quando gr(p)≥gr(d), o grau do quociente é gr(p)−gr(d); quando gr(p)<gr(d), o quociente é zero e o resto é o próprio p. O resto de uma divisão por um polinômio de grau 2 tem grau no máximo 1: pode ser da forma ax+b, pode ser uma constante, pode ser zero. Resto zero é o que se chama divisível.
O método da chave reproduz a divisão longa de inteiros. Divide-se o termo de maior grau do dividendo pelo termo de maior grau do divisor, obtendo o primeiro termo do quociente; multiplica-se esse termo pelo divisor inteiro; subtrai-se do dividendo; repete-se com o que sobrou, até que o grau do que sobra fique menor que o do divisor.
Método da chave: a cada passo, o termo de maior grau do que sobrou dividido pelo termo de maior grau do divisor. A conta para quando o que sobra tem grau menor que o divisor: aqui, −x+5 é o resto. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 3: método da chave. Divida p(x)=2x3+x2−5x+3 por d(x)=x2−2.
Estratégia: o grau do quociente será 3−2=1 e o resto terá grau no máximo 1. Dois passos.
Resolução:2x3÷x2=2x; 2x⋅(x2−2)=2x3−4x; subtraindo de p: (2x3+x2−5x+3)−(2x3−4x)=x2−x+3. Segundo passo: x2÷x2=1; 1⋅(x2−2)=x2−2; subtraindo: (x2−x+3)−(x2−2)=−x+5. Grau 1, menor que 2: pare. Quociente q(x)=2x+1, resto r(x)=−x+5.
Conferência:(x2−2)(2x+1)+(−x+5)=2x3+x2−4x−2−x+5=2x3+x2−5x+3. Fecha com o dividendo. A conferência pela identidade p=d⋅q+r é obrigatória: um sinal trocado na subtração é o erro mais comum do método, e ele só aparece aqui.
A identidade vale para todo x; a fração, não
p(x)=d(x)⋅q(x)+r(x) é uma igualdade de polinômios, verdadeira para qualquer x. Dividir os dois lados por d(x) e escrever d(x)p(x)=q(x)+d(x)r(x) já exige d(x)=0. Em x−1x2−1=x+1, o lado direito vale 2 em x=1 e o esquerdo não existe ali. Simplificar uma fração não devolve os valores que o denominador proibiu.
Por x − r, o resto é um número: p®
Quando o divisor é x−r, de grau 1, o resto tem grau menor que 1: é uma constante. E essa constante tem um nome. Na identidade p(x)=(x−r)⋅q(x)+R, basta fazer x=r: o produto some, porque r−r=0, e sobra p(r)=R. O resto da divisão por x−r é o valor numérico de p em r. Para achar o resto, não é preciso dividir: substitua.
Teorema do resto e teorema do fator
Teorema do resto. Dividir p(x) por x−r deixa resto p(r). Com um divisor ax+b, a=0, o resto passa a ser p(−ab): o valor de p no número que anula o divisor.
Teorema do fator.x−r divide p(x) exatamente quando p(r)=0, e vice-versa: raiz dá fator, fator dá raiz. “Divisível por x−r” e “r é raiz” são a mesma afirmação com palavras diferentes.
Exemplo resolvido 4: resto sem dividir. Qual é o resto da divisão de p(x)=x4−3x2+2x−7 por x+2?
Estratégia:x+2=x−(−2), então r=−2 e o resto é p(−2). O sinal é a única armadilha.
Resolução:p(−2)=16−3⋅4+2⋅(−2)−7=16−12−4−7=−7. Resto −7.
Conferência: quem calcula p(2)=16−12+4−7=1 encontra o resto da divisão por x−2, outro divisor. Vale escrever o divisor como x−r antes de substituir. Para um divisor 3x−2, por exemplo, o resto de 3x2−5x+1 é p(32)=34−310+1=−1; e, de fato, 3x2−5x+1=(3x−2)(x−1)−1.
Exemplo resolvido 5: coeficiente que garante a divisibilidade. Para que valor de k o polinômio x3+kx−6 é divisível por x−2?
Estratégia: divisível por x−2 significa p(2)=0. Uma equação em k.
Resolução:8+2k−6=0, logo 2k=−2 e k=−1.
Conferência: com k=−1, x3−x−6=(x−2)(x2+2x+3); expandindo, x3+2x2+3x−2x2−4x−6=x3−x−6. O quociente x2+2x+3 apareceu na conferência, e a próxima seção mostra como obtê-lo em uma linha.
O teorema do fator transforma qualquer pergunta sobre divisibilidade por x−r numa pergunta sobre raiz, e às vezes a pergunta sobre raiz se responde com o sinal, sem conta nenhuma. Foi o caso em 2012, num bloco que descrevia os níveis de dois hormônios ao longo de um ciclo de 28 dias por funções definidas em dois trechos. A progesterona era dada por P(x)=2 para 0≤x≤12 e P(x)=2+100(x−12)2(x−28)2 para 12<x≤28.
Exemplo resolvido 6: divisível por algum x − r? O item 112 de 2012 afirmava: “A função P(x) é divisível por algum monômio g(x)=x−r, em que r∈[0,28].”
Estratégia: traduzir pelo teorema do fator: existe r no intervalo com P(r)=0? Olhar o sinal de P em cada trecho.
Resolução: no primeiro trecho P vale 2. No segundo, P é 2 mais um quadrado dividido por 100, portanto P(x)≥2. Em nenhum ponto de [0,28] a função se anula: não há raiz, logo não há fator x−r. Item errado.
Conferência: os únicos candidatos a zerar o quadrado são x=12 e x=28, e neles P vale exatamente 2. A pergunta usava a palavra “divisível” para testar se o aluno a traduz em “raiz”; quem tentou armar uma divisão por um x−r genérico não tinha por onde começar.
Divisibilidade de números não é divisibilidade de polinômios
A prova de 2025 (item 28) julgou “sempre divisível” o total produzido, p1(x)+p2(x), em relação à demanda q(x). A frase é sobre números, ano a ano, e cai no primeiro ano: p1(1)+p2(1)=225+255=480 e q(1)=200, com 480÷200=2,4. Item errado. Repare que o caminho inverso também não vale: x2+1 dividido por x+1 dá quociente x−1 e resto 2, portanto o polinômio não é divisível; mesmo assim, em x=1 os valores são 2 e 2, e 2÷2 é exato. Divisão exata de valores num ponto e divisibilidade dos polinômios são perguntas de mundos diferentes; o enunciado diz em qual mundo você está.
Briot-Ruffini: a divisão por x − r em uma linha
O método da chave funciona para qualquer divisor, mas para o divisor x−r existe um atalho que cabe numa linha de números. Escrevem-se os coeficientes do dividendo em ordem decrescente de grau, sem pular grau (zero onde faltar), e o número r à esquerda. Desce-se o primeiro coeficiente; a partir daí, cada número da linha de baixo é o anterior multiplicado por r, somado ao coeficiente de cima. A linha de baixo contém, da esquerda para a direita, os coeficientes do quociente (de grau uma unidade menor que o do dividendo) e, por último, o resto.
Briot-Ruffini: desce o líder; depois, "vezes r, mais o próximo". A linha de baixo lê-se como quociente (um grau a menos) e, no fim, resto, que tem de coincidir com p(r). Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 7: o dispositivo. Divida p(x)=2x3−5x2+7 por x−3.
Estratégia: coeficientes 2,−5,0,7 (o 0 é o grau 1, que falta) e r=3.
Resolução: desce o 2. Depois: 2⋅3+(−5)=1; 1⋅3+0=3; 3⋅3+7=16. Linha de baixo: 2,1,3∣16. Quociente 2x2+x+3, resto 16.
Conferência: teorema do resto: p(3)=54−45+7=16. Bate. E (x−3)(2x2+x+3)+16=2x3−5x2−9+16=2x3−5x2+7. Quem esquece o zero do grau 1 obtém 2,1,10 e “resto” 10, que não é p(3): a conferência pelo valor numérico denuncia o erro na hora.
Por que o dispositivo funciona? Porque ele é a forma aninhada do polinômio, a mesma que a calculadora usa: 2x3−5x2+0x+7=((2x−5)x+0)x+7. Avaliar em x=3 de dentro para fora produz exatamente 2, depois 1, depois 3, depois 16, e os três números intermediários são os coeficientes do quociente. Dividir por x−r e avaliar em r são a mesma conta.
Dois cuidados completam o método. O divisor precisa estar na forma x−r: para x+2, o número à esquerda é −2. E, para um divisor ax+b com a=1, divide-se por x+ab e depois se divide o quociente por a; o resto não muda.
Exemplo resolvido 8: divisor com coeficiente líder diferente de 1. Divida p(x)=2x3−x2+4x−2 por 2x−1.
Estratégia:2x−1=2(x−21). Briot-Ruffini com r=21 e depois o quociente dividido por 2.
Resolução: coeficientes 2,−1,4,−2. Desce o 2; 2⋅21−1=0; 0⋅21+4=4; 4⋅21−2=0. Por x−21: quociente 2x2+0x+4, resto 0. Por 2x−1: quociente 22x2+4=x2+2, resto 0. Logo p(x)=(2x−1)(x2+2).
Conferência:(2x−1)(x2+2)=2x3+4x−x2−2=2x3−x2+4x−2. Divisível, como o resto zero já dizia, e 21 é raiz de p: p(21)=41−41+2−2=0.
Um uso frequente do dispositivo é rebaixar o grau quando uma raiz é conhecida: se r é raiz, dividir por x−r dá resto zero e um quociente de grau menor, que carrega as demais raízes. Para x3+4x2+x−6, a soma dos coeficientes é 1+4+1−6=0, então 1 é raiz; Briot-Ruffini com r=1 dá 1,5,6∣0, e x3+4x2+x−6=(x−1)(x2+5x+6)=(x−1)(x+2)(x+3). O que fazer com o quociente quando ele tem grau 2 ou mais, e como garantir que não falta raiz, é a matéria da página de equações polinomiais.
Um dispositivo com dois sobrenomes e uma ideia chinesa
Paolo Ruffini publicou a regra em 1804, na Itália, como parte de um trabalho sobre a impossibilidade de resolver por fórmula a equação de grau 5; Charles Briot, francês, a divulgou em livros didáticos do século XIX, e no Brasil os dois nomes ficaram colados. A conta em si é mais antiga: o esquema de “multiplica e soma” para avaliar polinômios aparece no tratado de Qin Jiushao, de 1247, e William Horner o redescobriu em 1819. É o mesmo algoritmo que roda dentro de uma calculadora.
A forma fatorada mostra as raízes e conta quantas vezes cada uma vale
x3−4x2+4x esconde suas raízes; x(x−2)2 as expõe. Um produto é zero exatamente quando um dos fatores é zero, então as raízes são 0 e 2, lidas sem conta. A forma fatorada diz ainda uma coisa que a forma expandida não diz: o fator (x−2) aparece duas vezes. Essa repetição é a multiplicidade, e ela tem consequência tanto na contagem quanto no desenho do gráfico.
Forma fatorada e multiplicidade
Pelo teorema do fator, cada raiz real r de p fornece um fator (x−r), e dividir por ele rebaixa o grau. Repetindo o processo, um polinômio de grau n com raízes reais r1,…,rk se escreve
p(x)=an(x−r1)m1(x−r2)m2⋯(x−rk)mk⋅s(x),
em que mi é a multiplicidade da raiz ri (quantas vezes seu fator aparece) e s(x) é um polinômio sem raízes reais (ou a constante 1). A soma m1+⋯+mk não passa de n: um polinômio de grau n tem no máximo n raízes reais, contadas com multiplicidade. Raiz de multiplicidade 1 é simples; 2, dupla; 3, tripla. Em x(x−2)2 há dois valores distintos de raiz, 0 e 2, mas três raízes se cada uma for contada tantas vezes quanto a sua multiplicidade. (Que a contagem fecha exatamente em n quando se admitem raízes complexas é o Teorema Fundamental da Álgebra, tratado na página de equações polinomiais.)
Fatorar é desfazer uma multiplicação, e três ferramentas resolvem quase tudo no ensino médio. Fator comum: x3−4x2+4x=x(x2−4x+4). Produtos notáveis: x2−4x+4=(x−2)2, x2−9=(x−3)(x+3), x3−8=(x−2)(x2+2x+4). Agrupamento, quando as parcelas se organizam em pares com fator comum: x3+2x2−9x−18=x2(x+2)−9(x+2)=(x+2)(x2−9)=(x+2)(x−3)(x+3). Para um fator de grau 2 que não se reconhece de olho, a soma e o produto das raízes ou a fórmula resolutiva, assuntos da página de função quadrática.
Exemplo resolvido 9: contar raízes de dois jeitos. Quantas raízes reais distintas tem p(x)=(x2+4)(x−1)3(x+5), e quantas contadas com multiplicidade? Qual é o grau de p?
Estratégia: ler fator a fator. x2+4 é sempre positivo para x real: não contribui com raiz real. (x−1)3 dá a raiz 1 com multiplicidade 3; (x+5) dá −5, simples.
Resolução: raízes reais distintas: 1 e −5, duas. Com multiplicidade: 3+1=quatro. Grau: 2+3+1=6.
Conferência: o grau 6 e as quatro raízes reais com multiplicidade deixam 6−4=2 “vagas”, que correspondem ao fator x2+4 sem raízes reais. A contagem fecha; o que a prova testa é se você responde à pergunta feita, “distintas” ou “com multiplicidade”, e não à outra.
No gráfico, a multiplicidade se vê. Perto de uma raiz simples, o fator (x−r) troca de sinal ao passar por r, e a curva atravessa o eixo. Perto de uma raiz dupla, (x−r)2 é positivo dos dois lados: a curva encosta no eixo e volta, sem trocar de sinal. Multiplicidade ímpar atravessa; par tangencia. Uma raiz tripla atravessa, mas achatando-se junto ao eixo, como x3 na origem.
Multiplicidade ímpar atravessa o eixo (simples em −3, 4 e 0; tripla em 2, com o achatamento); multiplicidade par tangencia (dupla em 1). Contar pontos de contato não é contar raízes com multiplicidade. Diagrama autoral.
Há também o que o gráfico faz longe das raízes. Para ∣x∣ grande, o termo líder anxn domina todos os outros, e o sinal de p(x) é o sinal de anxn. Com grau ímpar, xn tem sinais opostos em +∞ e em −∞: o gráfico vem de um lado do eixo e vai para o outro, logo atravessa o eixo pelo menos uma vez. Logo, com coeficientes reais, grau ímpar garante pelo menos uma raiz real, e isso continua valendo depois de qualquer deslocamento do gráfico, para cima, para baixo ou para o lado, porque deslocar não muda o grau. Com grau par, as duas pontas vão para o mesmo lado, e um deslocamento vertical pode tirar o gráfico do eixo por completo: x6−1 tem as raízes reais 1 e −1, mas x6−1+2=x6+1 é positivo em toda a reta. Foi exatamente esse o item 43 do PAS 3 de 2010, que afirmava, para P e Q de grau 5 e R(x)=x6−1, que qualquer translação dos gráficos de P e Q preserva raízes reais, “afirmação que não pode ser feita em relação ao gráfico da função polinomial y=R(x)”. Certo, e decidido pela paridade do grau, sem uma conta.
As pontas do gráfico dependem só do grau e do sinal do coeficiente líder. Grau ímpar cruza o eixo sempre, deslocado ou não; grau par pode sair do eixo com um deslocamento vertical. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 10: raízes compartilhadas, lidas na fatoração. O bloco de 2010 apresentava P(x)=x5−x4+x3−x2+x−1, Q(x)=x5+x4+x3+x2+x+1 e R(x)=x6−1, e dois itens afirmavam: “As raízes de Q(x) são também raízes de R(x)” (item 40) e “O conjunto das raízes de P(x) é disjunto do conjunto das raízes de Q(x)” (item 42).
Estratégia: procurar fatorações que liguem os três polinômios. Multiplicar Q por (x−1) é a primeira tentativa, porque Q tem a cara de uma soma de potências.
Resolução:(x−1)⋅Q(x)=x6−1=R(x): os termos se cancelam em cascata. Então toda raiz de Q anula R, e o item 40 é certo. Para P, agrupamento: P(x)=x4(x−1)+x2(x−1)+(x−1)=(x−1)(x4+x2+1), e x4+x2+1=(x2+1)2−x2=(x2+x+1)(x2−x+1). Agora, (x−1)(x2+x+1)=x3−1: toda raiz de x2+x+1 satisfaz x3=1, logo x6=1, logo é raiz de R; como não é 1, é raiz de Q (pois R=(x−1)Q). As duas raízes de x2+x+1 pertencem a P e a Q: os conjuntos não são disjuntos, e o item 42 é errado.
Conferência: as raízes de x2+x+1 não são reais (o discriminante é 1−4<0), e é por isso que o item é sutil: P e Q não compartilham nenhuma raiz real, e quem só pensa em raízes reais marca certo. “Raiz”, sem adjetivo, inclui as complexas; a página de equações polinomiais trata delas.
Raiz dupla é um instante só
Se a diferença entre o preço de uma ação e o preço de abertura do dia, em reais, segue L(t)=(t−3)2(t−8) ao longo do pregão, a ação volta ao preço de abertura em dois instantes, t=3 e t=8, e não em três. A multiplicidade conta na álgebra; no tempo, no espaço e no gráfico, o que se conta são valores distintos. O comando do item diz qual contagem ele quer.
Polinômio como modelo: ler o gráfico, prever pelas diferenças, interpolar
A matriz do PAS lista, entre as aplicações de polinômios, a previsão de preços e a propagação de doenças, e a banca cumpre: o polinômio chega como preço, como população, como desmatamento, como trajetória. Em todos os casos, as perguntas usam só o que esta página já apresentou, valor numérico e raiz, mais uma ideia nova: a assinatura do grau numa tabela.
Ler um gráfico deslocado
Se F(t)=p(t)+c, o gráfico de F é o de p erguido de c. As raízes de p são os instantes em que F vale exatamente c; p positivo significa F acima de c. Essa tradução foi o bloco inteiro de 2013, sobre o preço do gás natural nos Estados Unidos depois do gás de xisto. O texto dizia que o preço, em dólares por milhar de pés cúbicos, a partir de 2007, era F(t)=p(t)+6, com p(t)=a5t5+a4t4+⋯+a1t+a0 e a5, a4 e a0 constantes positivas, e trazia o gráfico de y=p(t) no intervalo t0≤t≤t3, com t0 para 2007, t1 para 2008, t2 para 2010 e t3 para 2013.
O gráfico impresso: a curva parte, em t0, de um valor positivo um pouco abaixo de 6,5; sobe até o máximo 6,5 em t1; desce, cruza o eixo t e chega ao mínimo −2,5 em t2; sobe, cruza o eixo de novo, faz uma elevação curta e baixa acima do eixo, torna a cruzá-lo para baixo, passa por um vale raso e cruza o eixo pela quarta vez, terminando em t3 ligeiramente acima do eixo. Linhas tracejadas marcam os valores 6,5 e −2,5 no eixo y e as abscissas t0, t1, t2 e t3. Quatro cruzamentos com o eixo no intervalo desenhado; e o eixo y fica à esquerda de t0, de modo que todo o intervalo desenhado está em t>0.
Deslocar o gráfico para cima de c não muda os instantes: F(t)=c exatamente onde p(t)=0. Para perguntas sobre "o preço valeu c", procure as raízes de p. Diagrama autoral.
Estratégia: traduzir cada frase para p. Preço 6 é F=6, isto é, p=0. Preço em 2008 é F(t1)=p(t1)+6. A natureza das raízes sai do grau (5), das pontas (líder positivo) e do gráfico.
Resolução:94: p(t)=0 ocorre nos quatro cruzamentos, então o preço foi exatamente 6 dólares quatro vezes, não “no máximo três”. Errado. 96: p(t1)=6,5, logo F(t1)=12,5>12. Certo. 97: grau 5 significa cinco raízes no total, o que elimina A e D de saída. As quatro raízes visíveis são positivas (estão à direita do eixo y, em t>0). A quinta tem de ser real, porque o grau é ímpar e coeficientes reais; e, como a0=p(0)>0 enquanto p(t)→−∞ quando t→−∞ (líder positivo, grau ímpar), a curva cruza o eixo em algum t<0: a quinta raiz é negativa. Opção C.
Conferência: o enunciado deu a0>0 e a5>0 por um motivo, e os dois dados foram usados exatamente para localizar a quinta raiz. O item 95 do mesmo bloco, sobre a raiz de maior módulo, está nos exercícios desta página; ele precisa também de a4>0.
Prever pelas diferenças
Uma grandeza medida em instantes igualmente espaçados, t=0,1,2,…, deixa uma assinatura nas diferenças entre valores consecutivos. Se p tem grau 1, as diferenças são constantes. Se p tem grau 2, as diferenças mudam, mas as diferenças das diferenças são constantes. O motivo cabe numa linha: (t+1)2−t2=2t+1, de grau 1; subtrair valores consecutivos de um polinômio derruba o grau em uma unidade, porque os termos líderes se cancelam. Grau 2 vira grau 1 na primeira diferença e constante na segunda.
Diferenças constantes e grau
Para valores p(0),p(1),p(2),… de um polinômio de grau n, as n-ésimas diferenças são constantes, e são a primeira ordem de diferenças que fica constante. Grau 1: primeiras diferenças constantes (é a progressão aritmética). Grau 2: segundas diferenças constantes. Grau 3: terceiras. Para prever o próximo valor, estende-se a tabela de baixo para cima: repete-se a diferença constante, soma-se à última diferença da ordem acima, e assim até o valor.
A assinatura do grau 2: segundas diferenças constantes. A previsão se faz subindo a tabela: 1,3 repetida, 2,1+1,3=3,4, 13+3,4=16,4. Nenhum coeficiente foi calculado. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 12: o desmatamento de 2022. O item 76 do PAS 3 de 2022 dizia: “Supondo-se que o desmatamento em 2022 possa ser projetado por um polinômio do segundo grau sob a forma d(a)=f1+f2a+f3a2, em que a represente o ano, e de forma tal que os coeficientes f1, f2 e f3 sejam calculados considerando-se que d(2019)=10,1, d(2020)=10,9 e d(2021)=13, conclui-se que o desmatamento em 2022 será de 16,4 mil km².”
Estratégia: anos consecutivos, polinômio de grau 2: segundas diferenças constantes. Montar a tabela e estendê-la um passo.
Resolução: diferenças: 10,9−10,1=0,8 e 13−10,9=2,1. Segunda diferença: 2,1−0,8=1,3. Próxima diferença: 2,1+1,3=3,4. Previsão: 13+3,4=16,4. Item certo.
Conferência: pelo caminho longo, com s=a−2019 para não carregar números de quatro dígitos: d=c+bs+a′s2 com d(0)=10,1, d(1)=10,9, d(2)=13. Então c=10,1; b+a′=0,8; 2b+4a′=2,9. Da segunda e da terceira, a′=0,65 e b=0,15; e d(3)=10,1+0,45+5,85=16,4. Mesmo número, três vezes mais contas. A troca de variável, aliás, é o cuidado de quem monta o sistema: com a=2019 direto, os quadrados passam de quatro milhões.
Previsão é hipótese, não medição
O item não afirma que o desmatamento de 2022 foi de 16,4 mil km²; afirma o que a parábola ajustada a três pontos projeta. Um polinômio que passa por três dados é uma escolha de modelo, e três pontos podem ser ajustados por infinitas curvas de outros tipos. A conta é certa; a confiança no número depende de o fenômeno continuar se comportando como nos três anos medidos, e isso o polinômio não garante.
Interpolar: achar o polinômio que passa pelos dados
Pela identidade de polinômios, dois polinômios de grau no máximo 2 que coincidem em três pontos são o mesmo: três pontos determinam um polinômio de grau 2, assim como dois pontos determinam uma reta. Achá-lo é resolver três equações nos três coeficientes. Quando um dos dados é o vértice, o ponto de máximo ou de mínimo em tv, a forma p(t)=α(t−tv)2+p(tv) já traz duas das três condições embutidas, e sobra um único número a determinar.
Exemplo resolvido 13: a quadrática com máximo em 2010. O item 93 do PAS 3 de 2023, tipo B, vinha com um gráfico da população de imigrantes mexicanos nos Estados Unidos, em milhões, de 1910 a 2010, de dez em dez anos: 0,22; 0,48; 0,64; 0,35; 0,45; 0,57; 0,76; 2,19; 4,28; 9,16 e 11,73. O comando: “Suponha que a população anual de imigrantes entre 2000 e 2010 seja dada pela função quadrática p(t)=at2+bt+c, em milhões, em que a, b e c são constantes e cujo valor máximo corresponde ao ano de 2010. Nesse caso, calcule, em milhões, a população registrada no ano de 2004. Multiplique o valor encontrado por 10.”
Estratégia: vértice em 2010, com p(2010)=11,73 lido no gráfico; o único coeficiente livre sai de p(2000)=9,16. Depois, avaliar em 2004.
Resolução:p(t)=α(t−2010)2+11,73. Em t=2000: 100α+11,73=9,16, logo α=−0,0257. Em t=2004: p(2004)=−0,0257⋅36+11,73=−0,9252+11,73=10,8048. Vezes 10: 108,048; desprezada a parte fracionária, 108.
Conferência:α negativo confirma que 2010 é máximo, e não mínimo. E 2004 está mais perto de 2010 do que 2000, então p(2004) tem de ficar entre 9,16 e 11,73, mais perto do segundo: 10,8 passa no teste. Quem expande at2+bt+c com t na casa dos milhares resolve o mesmo problema com números enormes; a forma com vértice é a escolha de quem lê o enunciado antes de calcular.
Uma trajetória escrita como x em função de y
Em 2012, um bloco sobre futebol desenhava o campo num plano cartesiano com a linha de gol sobre o eixo y, o canto oposto em K(100,36) e, portanto, a linha de meio de campo na reta x=50. O item 81 afirmava: “Se, em uma partida de futebol, um jogador se deslocar em uma trajetória descrita pela função x=f(y)=y4+y3−y2+y+48, em que −3 m≤y≤2 m, então, nesse deslocamento, o atleta não cruzará a linha de meio do campo.”
Exemplo resolvido 14: cruzar a linha é f(y) = 50 ter solução.
Estratégia: a trajetória tem x dado em função de y; cruzar a linha x=50 é existir y no intervalo com f(y)=50, ou, mais simples, f passar de um lado para o outro de 50. Avaliar f em alguns valores inteiros do intervalo.
Resolução:f(0)=48, à esquerda da linha. f(1)=1+1−1+1+48=50, em cima da linha. f(2)=16+8−4+2+48=70, à direita. Do outro lado do intervalo, f(−3)=81−27−9−3+48=90, bem à direita, e f(−2)=16−8−4−2+48=50, de novo sobre a linha. A trajetória começa à direita da linha (y=−3), vai para a esquerda (y=−1 dá f=46) e volta para a direita: cruza a linha de meio de campo, duas vezes. Item errado.
Conferência: nenhuma equação de grau 4 foi resolvida; bastou avaliar em inteiros e notar que uma curva contínua que vale 46 num ponto e 70 em outro passa por 50 entre eles. O menor valor de f no intervalo fica perto de y≈−1,3, em torno de 45,7, mas isso é mais do que o item exige.
Os erros que mais derrubam
Ler o grau antes de reduzir. Termos que se cancelam não contam; o grau de uma soma pode ser menor que os graus das parcelas, e “necessariamente” costuma ser a palavra falsa do item.
Confundir o divisor com o número. O resto por x+2 é p(−2); por x−2, é p(2); por 3x−2, é p(32). Escreva o divisor como x−r antes de substituir.
Pular o grau que falta no Briot-Ruffini. Sem o zero do x1 em 2x3−5x2+7, a linha de baixo sai errada. A conferência r=p(r) denuncia.
Esquecer o a do divisor ax+b. O quociente de Briot-Ruffini por x−r precisa ser dividido por a; o resto, não.
Dividir “valores” como se fossem polinômios.480÷200 num ano não diz nada sobre p ser divisível por q; e resto não nulo na divisão de polinômios não impede que num ponto a divisão de valores seja exata.
Contar raiz dupla como dois instantes. Multiplicidade é contagem algébrica; no gráfico e no tempo contam-se valores distintos. Leia se o comando pede “distintas” ou “com multiplicidade”.
Trocar p(t) por p(t)+c. Se o preço é F=p+6, “preço igual a 6” é p=0, e “preço maior que 12” é p>6.
Montar o sistema quando as diferenças resolvem. Para prever o próximo valor de um modelo de grau 2 em anos consecutivos, três subtrações e duas somas bastam; o sistema 3×3 com anos de quatro dígitos é o caminho mais lento e mais sujeito a erro.
Responder a raiz quando o comando pede o valor. No tipo B, releia o comando: muitas vezes a resposta é p avaliado na raiz, ou o valor multiplicado por 10, e não a raiz.
O essencial em meia página
Polinômio: soma de akxk com expoentes inteiros não negativos. x1, x, 2x e ∣x∣ não são. Grau = maior expoente que sobrevive à redução; líderan; termo independentea0=p(0). O polinômio nulo não tem grau.
Valor numérico: substituir. p(1) = soma dos coeficientes, então 1 é raiz quando a soma é zero; 0 é raiz quando a0=0. Verificar raiz é substituir, nunca resolver.
Identidade: iguais grau a grau. Grau no máximo n e n+1 raízes ⇒ polinômio nulo; n+1 pontos determinam um polinômio de grau ≤n. Grau do produto = soma dos graus; grau da soma ≤ maior grau.
Divisão: p=d⋅q+r, com r=0 ou gr(r)<gr(d); gr(q)=gr(p)−gr(d). Método da chave para qualquer divisor; conferir sempre pela identidade.
Teorema do resto: resto por x−r é p(r); por ax+b, é p(−b/a). Teorema do fator: divisível por x−r⇔r é raiz.
Briot-Ruffini: coeficientes sem pular grau, r à esquerda, “vezes r, mais o próximo”; saída = quociente (um grau a menos) e resto =p(r). Divisor ax+b: use r=−b/a e divida o quociente por a.
Fatoração: fator comum, produtos notáveis, agrupamento; cada raiz r vira um fator (x−r). Multiplicidade = quantas vezes o fator aparece; distintas = com multiplicidade; no máximo n raízes reais com multiplicidade.
Gráfico: multiplicidade ímpar atravessa o eixo, par tangencia. Pontas pelo termo líder: grau ímpar sempre cruza o eixo (mesmo deslocado); grau par pode sair do eixo com um deslocamento vertical.
Modelo: F=p+c vale c onde p=0. Grau n⇔n-ésimas diferenças constantes em instantes igualmente espaçados; prever = estender a tabela. Interpolar grau 2 = três pontos, ou vértice + um ponto na forma α(t−tv)2+p(tv). Trajetória x=f(y) cruza x=c quando f passa por c: avalie em inteiros.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
POLINÔMIOS INTRODUÇÃO (DEFINIÇÃO, COEFICIENTES E GRAU) (1/12)
Equaciona Com Paulo Pereira · 11:19
Introdução. Primeira aula de um curso de doze sobre polinômios: o que é a expressão, o que são variável, coeficientes e grau, com exemplos do que é e do que não é polinômio. É a seção “Uma expressão é polinômio quando os expoentes se comportam” em aula, para quem parte do zero.
Divisão de Polinômios - Briot-Ruffini - Professora Angela Matemática
Professora Angela Matemática · 11:05
Aprofundamento. Dois exemplos completos de divisão por x−r com o dispositivo de Briot-Ruffini, com a montagem da linha de coeficientes e a leitura do quociente e do resto: a seção “Briot-Ruffini: a divisão por x − r em uma linha” e os exemplos resolvidos 7 e 8, passo a passo no quadro.
Multiplicidade de uma Raiz
Portal da Matemática OBMEP · 9:13
Aplicação. Aula do Portal da Matemática (IMPA) para o 3.º ano: a decomposição de um polinômio em fatores e a definição de multiplicidade de uma raiz, com a contagem de raízes distintas e com multiplicidade. É a seção “A forma fatorada mostra as raízes e conta quantas vezes cada uma vale” e o exemplo resolvido 9.
Exercícios: Teorema do Resto
Portal da Matemática OBMEP · 13:15
Resolução. Exercícios resolvidos com o teorema do resto: achar o resto sem dividir, determinar um coeficiente para que a divisão seja exata e usar o teorema do fator. O mesmo movimento da seção “Por x − r, o resto é um número: p®” e dos exemplos resolvidos 4 e 5, em ritmo de lista.
A fábrica de carros elétricos da prova de 2025 era três polinômios: duas produções e uma demanda. Avaliar, comparar e julgar divisibilidade, sem resolver equação nenhuma.Anatomia de um polinômio na forma reduzida: expoentes em ordem decrescente, um coeficiente por grau, inclusive o zero do grau que falta. É nessa forma que se lê o grau, o líder e o termo independente, e é ela que o dispositivo de Briot-Ruffini exige. Diagrama autoral.Método da chave: a cada passo, o termo de maior grau do que sobrou dividido pelo termo de maior grau do divisor. A conta para quando o que sobra tem grau menor que o divisor: aqui, −x+5 é o resto. Diagrama autoral.Briot-Ruffini: desce o líder; depois, “vezes r, mais o próximo”. A linha de baixo lê-se como quociente (um grau a menos) e, no fim, resto, que tem de coincidir com p(r). Diagrama autoral.Multiplicidade ímpar atravessa o eixo (simples em −3, 4 e 0; tripla em 2, com o achatamento); multiplicidade par tangencia (dupla em 1). Contar pontos de contato não é contar raízes com multiplicidade. Diagrama autoral.As pontas do gráfico dependem só do grau e do sinal do coeficiente líder. Grau ímpar cruza o eixo sempre, deslocado ou não; grau par pode sair do eixo com um deslocamento vertical. Diagrama autoral.Deslocar o gráfico para cima de c não muda os instantes: F(t)=c exatamente onde p(t)=0. Para perguntas sobre “o preço valeu c”, procure as raízes de p. Diagrama autoral.A assinatura do grau 2: segundas diferenças constantes. A previsão se faz subindo a tabela: 1,3 repetida, 2,1+1,3=3,4, 13+3,4=16,4. Nenhum coeficiente foi calculado. Diagrama autoral.Dividir 23 por 5: quociente 4, resto 3, e o resto é menor que o divisor. Polinômios se dividem com a mesma gramática, com “menor” trocado por “de grau menor”.O preço do gás natural de 2013 era F(t)=p(t)+6: cada vez que a curva de p cruzava o eixo, o preço valia exatamente 6 dólares. Quatro cruzamentos, quatro vezes.Em 2012, a trajetória do jogador era x=f(y), uma quártica. Saber se ele cruza a linha x=50 é avaliar f em alguns valores de y, não resolver a equação.Quando o nível é (t−2)2(t−5), ele toca a referência em t=2 sem atravessá-la: raiz dupla tangencia. São três raízes com multiplicidade, mas só dois instantes.Três números de desmatamento, um polinômio de grau 2 e a assinatura das segundas diferenças constantes: a previsão de 2022 saiu em três linhas, sem calcular coeficiente.Uma calculadora avalia um polinômio pela forma aninhada: multiplica por x, soma o próximo coeficiente, repete. É a mesma conta do dispositivo de Briot-Ruffini.
Rota PAS 3
Polinômios e equações algébricas: onde as raízes decidem · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Polinômios e equações algébricas: onde as raízes decidem · Antes de começar; Polinômio e raiz; Dividir polinômios é como dividir números inteiros; Fatorar é enxergar as raízes (só a parte de fatoração e multiplicidade); Polinômios como modelo; Leia como na prova (bloco de 2025); Como a banca cobra; Resolvido 1
Recorte por assunto: o polinômio como objeto (grau, valor numérico, identidade, operações, divisão, fatoração, multiplicidade, modelo). A resolução de equações de grau 3 e 4, as relações entre coeficientes e raízes, o par conjugado e o Teorema Fundamental da Álgebra ficam na página equacoes-polinomiais; números complexos, na página numeros-complexos.
Rota PAS 3 — Resoluções do banco de treino (Parte IV, Matemática) · T1, T3, T4, T5, T6, T19, T20, T22
Gabaritos e caminhos de resolução dos itens reais de 2010, 2022 e 2025 reusados nesta página.
Rota PAS 3 — Resoluções dos exercícios do capítulo (Parte IV, Matemática) · Itens 1, 2, 4, 6–9, 12, 15, 22
Conferência de gabaritos dos moldes de divisão, resto, grau e multiplicidade.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2010 (itens 40, 42 e 43), 2012 (itens 81 e 112), 2013 (itens 94 a 97), 2022 (item 76), 2023 (item 93), 2025 (itens 27 e 28)
Itens reproduzidos verbatim; figuras de 2012, 2013 e 2023 descritas a partir da imagem do caderno (utils/material/PAS/provas/); gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json.