A prova do PAS 3 de 2025 deu a produção anual de dois modelos de carro elétrico por dois polinômios de grau 4 e perguntou quantos carros saíam no ano em que as produções coincidiam; a de 2014 deu uma cúbica com uma raiz real conhecida e uma raiz complexa e cobrou o coeficiente. Ninguém resolve uma equação de grau 3 ou 4 por fórmula no vestibular: o que os coeficientes já contam sobre as raízes, quantas raízes existem de fato e como uma raiz à mostra, uma substituição ou um par conjugado fecham a equação inteira?
O que você vai aprender
Enunciar o teorema fundamental da álgebra na versão operacional (grau n = n raízes complexas, contadas com multiplicidade) e distinguir raízes distintas, raízes com multiplicidade e raízes reais.
Traduzir raiz em fator, rebaixar o grau de uma equação por Briot-Ruffini quando uma raiz está à mostra e resolver a quadrática que sobra.
Procurar uma primeira raiz pelos candidatos racionais p/q, pela soma dos coeficientes e por agrupamento.
Aplicar as relações de Girard (soma, produto e somas de produtos) em grau 2, 3 e geral para responder sobre as raízes sem calculá-las e para montar uma equação a partir das raízes.
Usar o par conjugado em coeficientes reais: completar as raízes, montar o fator quadrático (x − α)² + β², garantir raiz real em grau ímpar e obter o termo independente como produto de módulos ao quadrado.
Resolver biquadráticas e quárticas disfarçadas por substituição, filtrar as raízes da variável auxiliar e devolver ao contexto do problema.
Resolver equações com raízes sob condição (progressão aritmética, raiz dupla, raízes simétricas, parâmetro) combinando Girard com a forma fatorada.
Ler raízes num gráfico de polinômio: cruzamento é raiz de multiplicidade ímpar, tangência é multiplicidade par; traduzir F(t) = c em raízes de F − c e prever o efeito de uma translação.
Em 2025, a prova do PAS 3 descreveu uma fábrica de carros elétricos cuja produção anual de dois modelos seguia dois polinômios de grau 4, p1(x)=2x4−x3−10x2+234 e p2(x)=x4−x3+5x2+250, e pediu, num item de resposta numérica, quantos carros do primeiro modelo saíam no ano em que as duas produções coincidiam. A pergunta é uma equação de grau 4, p1(x)=p2(x), e ninguém a resolve “por fórmula” numa prova. Quem a fechou fez três coisas: reconheceu que, passando tudo para um lado, só sobravam potências pares de x; trocou x2 por uma letra nova e resolveu uma equação do 2.º grau; e jogou fora a solução que não servia, porque um ano não tem quadrado negativo. Onze anos antes, em 2014, a banca deu uma cúbica 2x3+ax2+bx+c com uma única raiz real, 7, disse que 5+2i também era raiz e afirmou algo sobre o coeficiente a. Nenhuma divisão, nenhuma fórmula: quem sabia que 5−2i vinha junto e que a soma das três raízes está escrita no coeficiente a julgou o item em duas linhas.
É disso que esta página trata: a equaçãop(x)=0 e o que se pode saber de suas raízes. Quantas raízes existem e em que regime contá-las; como uma raiz à mostra rebaixa o grau e deixa uma quadrática; onde procurar a primeira raiz quando ninguém a entrega; o que os coeficientes já contam sobre soma, produto e somas de produtos das raízes (as relações de Girard); por que, em coeficientes reais, raízes não reais andam aos pares e o que isso garante; a biquadrática e as equações que viram quadráticas com uma substituição; as raízes com condição (em progressão, dupla, simétricas, dependentes de um parâmetro); a leitura de raízes num gráfico; e um contexto físico em que uma biquadrática aparece por conta própria. O polinômio como objeto, com grau, valor numérico, divisão, teorema do resto e o dispositivo de Briot-Ruffini explicado passo a passo, está na página de polinômios, que esta página toma como pré-requisito; o número i, o conjugado, a forma polar e as raízes de zn=w estão na página de números complexos; a parábola como função, com vértice e sinal, na página de função quadrática. Aqui, cada uma dessas coisas é ferramenta, não assunto.
Toda equação de grau n tem exatamente n raízes, se você souber onde contar
Uma equação do 2.º grau com Δ<0 “não tem raiz”. Essa frase, repetida desde o 9.º ano, é falsa em metade: ela não tem raiz real. Nos números complexos, x2+9=0 tem duas raízes, 3i e −3i, e a conta fecha: grau 2, duas raízes. O que vale para o grau 2 vale para qualquer grau, e é o resultado que organiza toda esta página.
Equação algébrica e teorema fundamental da álgebra
Uma equação algébrica (ou polinomial) é p(x)=0, com p um polinômio de grau n≥1; suas soluções são as raízes de p. O teorema fundamental da álgebra, na forma que se usa em prova, diz que todo polinômio de grau n≥1 tem exatamente n raízes complexas, contadas com multiplicidade. Em consequência, p se escreve de uma única maneira como
p(x)=ank=1∏n(x−rk),
isto é, o coeficiente líder an multiplicado por um fator (x−rk) para cada raiz rk, repetida tantas vezes quanto sua multiplicidade. Reais são complexos também: as n raízes incluem as reais.
A palavra que decide a contagem é multiplicidade: o número de vezes que o fator (x−r) aparece na forma fatorada. Em p(x)=(x+3)(x−1)3(x2+4), o grau é 1+3+2=6 e há seis raízes com multiplicidade: −3 (simples), 1 três vezes (raiz tripla) e 2i e −2i (as de x2+4). Mas há só quatro raízes distintas (−3, 1, 2i, −2i) e só duas raízes reais distintas (−3 e 1). Três contagens, três respostas, e a prova escolhe uma delas no enunciado: “raízes”, “raízes distintas”, “raízes reais”. Ler o adjetivo antes de contar vale mais do que qualquer técnica desta página.
O mesmo polinômio de grau 6 responde 6, 4 ou 2 conforme a pergunta: com multiplicidade, distintas ou reais distintas. O enunciado escolhe a contagem; a forma fatorada responde às três. Diagrama autoral.
Duas consequências do teorema aparecem na prova com frequência e merecem nome. A primeira: um polinômio de grau n tem no máximo n raízes reais distintas, e pode ter menos, inclusive nenhuma, como x4+16, que é positivo para todo x real. A segunda, que depende de os coeficientes serem reais, é o par conjugado, tratado numa seção própria adiante: as raízes não reais só aparecem em pares, e por isso um grau ímpar sempre deixa pelo menos uma raiz real.
Zero raízes reais não é zero raízes
x6+64=0 não tem solução real, porque x6≥0 para todo real x; e tem seis soluções complexas, porque o grau é 6. Quando o enunciado diz só “raízes”, a contagem é em C e dá sempre n; quando diz “raízes reais”, pode dar de 0 a n. Um item que afirme “a equação x4+1=0 não possui raízes” está errado; “não possui raízes reais” está certo.
Em 2010, a banca deu três polinômios, P(x)=x5−x4+x3−x2+x−1, Q(x)=x5+x4+x3+x2+x+1 e R(x)=x6−1, e afirmou, num item só, duas coisas: que P e Q têm cada um pelo menos uma raiz real, e que R só tem raízes reais. A primeira parte segue do grau ímpar; a segunda cai porque x6=1 só tem 1 e −1 como soluções reais, e as outras quatro raízes de R são complexas não reais: item errado, por metade. O mesmo bloco afirmou que P “possui quatro raízes complexas não reais, duas a duas conjugadas”: agrupando, P(x)=x4(x−1)+x2(x−1)+(x−1)=(x−1)(x4+x2+1), e o fator de grau 4 nunca zera num real (x4+x2+1≥1), logo suas quatro raízes são não reais e, em coeficientes reais, formam dois pares conjugados. Certo. Os dois itens juntos são a lição da seção: contar em C, e só depois perguntar quantas são reais.
Uma raiz à mostra rebaixa o grau
O teorema do fator, da página de polinômios, diz que r é raiz de p se, e somente se, x−r divide p(x). Para a equação, isso é uma máquina de rebaixar grau: conhecida uma raiz r, p(x)=(x−r)q(x) com q de grau n−1, e as outras raízes de p são as raízes de q. Numa cúbica, q é uma quadrática, e quadrática se resolve. Numa quártica com duas raízes conhecidas, dois rebaixamentos deixam uma quadrática também.
Raiz ⇔ fator, e a coreografia da cúbica
Se p(r)=0, então p(x)=(x−r)q(x), e o quociente q sai do dispositivo de Briot-Ruffini (coeficientes de p na linha de cima, r à esquerda, “desce o primeiro; multiplica por r e soma o próximo”). Para resolver p(x)=0 de grau 3 com uma raiz r conhecida: (1) confirme p(r)=0 por substituição; (2) divida por x−r; (3) resolva a quadrática q(x)=0 por soma e produto ou por Bhaskara; (4) volte ao enunciado e descarte o que o contexto não admite. Se r for raiz de q também, r é raiz dupla de p.
Exemplo 1. Resolver x3−7x2+7x+15=0 sabendo que −1 é raiz. Conferindo: (−1)3−7(1)+7(−1)+15=−1−7−7+15=0. Briot-Ruffini com r=−1 e coeficientes 1,−7,7,15: desce o 1; 1⋅(−1)−7=−8; −8⋅(−1)+7=15; 15⋅(−1)+15=0. Resto zero, como tinha de ser, e quociente x2−8x+15, cujas raízes têm soma 8 e produto 15: 3 e 5. As três raízes são −1, 3 e 5, e p(x)=(x+1)(x−3)(x−5). Conferência pelo termo independente: (1)(−3)(−5)=15, que é o 15 da equação.
Uma raiz conhecida vira um fator, o fator sai por Briot-Ruffini e o grau cai de 3 para 2. A quadrática que sobra fecha a equação. Diagrama autoral.
Exemplo 2. A equação x4−2x3−13x2+14x+24=0 tem raízes −1 e 2. Quais são as outras? Primeiro rebaixamento, por x+1: coeficientes 1,−2,−13,14,24 e r=−1 dão 1,−3,−10,24 e resto 0; sobra x3−3x2−10x+24. Segundo, por x−2: 1,−3,−10,24 com r=2 dão 1,−1,−12 e resto 0; sobra x2−x−12=(x−4)(x+3). Raízes: −1, 2, 4 e −3. Quatro raízes para o grau 4, nenhuma repetida. A conferência mais rápida é a soma: −1+2+4−3=2, e o coeficiente de x3 é −2; a seção sobre Girard explica por que esses dois números têm de ser opostos.
O zero do grau ausente e a raiz dupla escondida
Dois tropeços no rebaixamento. Primeiro: se a equação pula um grau, como x3−7x+6=0, a linha de coeficientes é 1,0,−7,6, com o zero no lugar do x2; sem ele, o dispositivo devolve um quociente errado com resto plausível. Segundo: a raiz usada para rebaixar pode ser raiz da quadrática que sobra. Em x3−5x2+8x−4=0, com a raiz 2, Briot-Ruffini dá x2−3x+2=(x−1)(x−2): o 2 reaparece, é raiz dupla, e a equação tem só duas raízes distintas, 1 e 2, embora tenha três com multiplicidade.
Como achar a primeira raiz quando ninguém a entrega
A cúbica da prova quase sempre chega com uma raiz dada, mas as listas de exercícios não têm essa gentileza, e saber onde procurar poupa tentativas. Há três buscas baratas, e as três partem de uma observação simples: se r é raiz, substituir r dá zero, logo o custo de testar um candidato é uma conta de valor numérico.
Candidatos racionais, soma dos coeficientes, agrupamento
Raízes racionais. Se p tem coeficientes inteiros e qp (fração irredutível) é raiz, então p divide o termo independente a0 e q divide o coeficiente líder an. Os candidatos são finitos: todos os ±divisor de andivisor de a0. Se o líder é 1, as raízes racionais são inteiras e dividem a0.
Soma dos coeficientes.p(1) é a soma dos coeficientes: se ela dá zero, 1 é raiz. p(−1) é a soma dos coeficientes com os sinais dos graus ímpares trocados: se der zero, −1 é raiz.
Agrupamento. Quando os coeficientes se repetem em proporção, como em x3+2x2−9x−18, agrupe: x2(x+2)−9(x+2)=(x+2)(x2−9), e as raízes aparecem sem teste.
Exemplo 3. Resolver 2x3−3x2−11x+6=0. Não é mônico: os candidatos racionais são ±1,±2,±3,±6 (divisores de 6) divididos por 1 ou 2, isto é, ±1,±2,±3,±6,±21,±23. Soma dos coeficientes: 2−3−11+6=−6=0, então 1 não serve; p(−1)=−2−3+11+6=12, nem −1. Testando 3: 54−27−33+6=0. Briot-Ruffini por x−3: 2,−3,−11,6 com r=3 dão 2,3,−2 e resto 0; sobra 2x2+3x−2=0, com Δ=9+16=25 e raízes 4−3±5, isto é, 21 e −2. Raízes: 3, 21 e −2. Repare que 21 estava na lista de candidatos justamente por causa do líder 2: num mônico ela não existiria.
A lista de candidatos não garante raiz
O critério das raízes racionais diz onde uma raiz racional pode estar, não que ela existe. x3−2=0 tem candidatos ±1,±2, nenhum serve, e a única raiz real é 32, irracional. Esgotada a lista, pare de testar inteiros: ou a equação tem raízes irracionais (e o enunciado costuma dar uma delas, ou a estrutura permite uma substituição), ou o problema não pede as raízes, e sim algo que Girard responde sem elas.
Relações de Girard: os coeficientes já sabem a soma e o produto
Expanda (x−r1)(x−r2): dá x2−(r1+r2)x+r1r2. O coeficiente de x é a soma das raízes com o sinal trocado, e o termo independente é o produto. Quem já resolveu quadráticas “por soma e produto” usou isso. O mesmo acontece em qualquer grau, porque a forma fatorada é um produto de n fatores e cada coeficiente da expansão é uma soma de produtos das raízes, tomadas uma a uma, duas a duas, três a três, com sinais que alternam.
Em geral, para anxn+an−1xn−1+⋯+a0=0: a soma das raízes é −anan−1; a soma dos produtos duas a duas é +anan−2; a soma dos produtos três a três é −anan−3; e assim por diante, alternando o sinal, até o produto de todas, que vale (−1)nana0. As relações valem com todas as raízes, reais e não reais, contadas com multiplicidade.
O padrão não muda com o grau: soma com sinal negativo, pares com positivo, trios com negativo, sempre divididos pelo líder. O produto de todas termina com o sinal (−1)n. Diagrama autoral.
Exemplo 4. As raízes de x3−4x2+x+6=0 são −1, 2 e 3 (teste: −1−4−1+6=0; 8−16+2+6=0; 27−36+3+6=0). Girard confere: soma −1+2+3=4=−(−4); pares (−1)(2)+(−1)(3)+(2)(3)=−2−3+6=1, o coeficiente de x; produto (−1)(2)(3)=−6=−(6). Agora o que Girard faz de útil: responder sobre as raízes sem conhecê-las. A soma dos quadrados das raízes de qualquer cúbica x3+bx2+cx+d é (r1+r2+r3)2−2(r1r2+r1r3+r2r3)=b2−2c; aqui, 16−2=14, e de fato 1+4+9=14. A soma dos inversos é r1r2r3r1r2+r1r3+r2r3=−dc=−61, e de fato −1+21+31=−61.
Exemplo 5 (o caminho inverso). Qual é a equação mônica de grau 3 cujas raízes são 2, −1 e 5? Soma 6, pares 2(−1)+2(5)+(−1)(5)=−2+10−5=3, produto −10. Pela alternância de sinais: x3−6x2+3x+10=0. Conferindo com a raiz 2: 8−24+6+10=0. Montar a equação pelas raízes é o que a prova faz quando pede “o polinômio cujas raízes são…” e é o caminho mais curto para um item em que as raízes vêm no enunciado e os coeficientes são a incógnita.
A prova de 2014 é o retrato disso. O bloco dizia que f(x)=2x3+ax2+bx+c tem coeficientes racionais e que 7 é sua única raiz real. Um item supunha 5+2i raiz e afirmava a>−20. Com coeficientes reais, 5−2i é raiz também, e a soma das três é 7+5+5=17. Girard com líder 2: −2a=17, logo a=−34, que não é maior que −20. Errado. O limiar −20 foi colocado entre o −17 de quem esquece o líder e o −34 correto. Outro item do bloco supunha que α+βi, com α e β inteiros, fosse raiz, dava c=−14 e afirmava α+β<2. O produto das raízes é 7(α+βi)(α−βi)=7(α2+β2) e, por Girard, vale −2c=7. Então α2+β2=1 com inteiros e β=0 (a raiz não é real): α=0 e β=±1, e α+β=±1<2. Certo. Nenhum dos dois itens exigiu achar uma raiz.
Girard dá somas e produtos, não as raízes uma a uma
Três relações para três raízes parecem um sistema de três equações, mas ele não é linear: resolvê-lo é tão difícil quanto a equação original. Use Girard para o que ele dá sem conta (soma, produto, somas de produtos, combinações simétricas como a soma dos quadrados) e para montar a equação quando as raízes são dadas. Para achar as raízes, volte à raiz à mostra, aos candidatos racionais ou à substituição. E vigie o líder: em 2x3+ax2+…, a soma é −2a, não −a.
Com coeficientes reais, as raízes não reais andam em pares
Resolver x2−4x+5=0 dá x=24±−4=2±i. As duas raízes têm a mesma parte real e partes imaginárias opostas: são conjugadas. Não é coincidência da fórmula de Bhaskara, é propriedade de todo polinômio com coeficientes reais, e ela decide itens inteiros.
Par conjugado e suas três consequências
Se p tem todos os coeficientes reais e z=α+βi (com β=0) é raiz, então o conjugado zˉ=α−βi também é raiz, com a mesma multiplicidade. Daí:
Fator quadrático real. O par α±βi produz o fator (x−α−βi)(x−α+βi)=(x−α)2+β2=x2−2αx+(α2+β2), de coeficientes reais e sem raiz real.
Grau ímpar tem raiz real. As não reais ocupam vagas aos pares; num grau ímpar sobra ao menos uma vaga, que só uma raiz real pode preencher.
Produto de conjugados é módulo ao quadrado.z⋅zˉ=α2+β2=∣z∣2, um número real positivo. Quando todas as raízes vêm em pares conjugados, o produto delas (e, por Girard, o termo independente dividido pelo líder) é um produto de módulos ao quadrado.
A hipótese “coeficientes reais” não é enfeite. O polinômio x−i tem coeficiente independente −i, tem raiz i e não tem raiz −i. A prova de 2016 afirmou, em um item isolado dentro de um bloco sobre uma estrela de cinco pontas: “se z for uma raiz complexa de um polinômio com coeficientes reais, então zˉ também será raiz desse polinômio”. Certo, palavra por palavra, e a hipótese está no meio da frase.
Com coeficientes reais, o eixo real é um espelho: cada raiz fora dele tem o reflexo também raiz. O par produz um fator quadrático real; num grau ímpar, sobra uma raiz no próprio eixo. Diagrama autoral.
Exemplo 6. Sabe-se que 2+i é raiz de x3−7x2+17x−15=0. Quais são as outras? Os coeficientes são reais, então 2−i é raiz. A terceira sai por Girard: a soma das três é 7, logo r3=7−(2+i)−(2−i)=3. Conferência: 27−63+51−15=0. Caminho alternativo, por divisão: o par conjugado dá o fator (x−2)2+1=x2−4x+5, e x3−7x2+17x−15 dividido por x2−4x+5 é x−3, com resto zero. Mais longo, mesma resposta. Em 2015, o item foi exatamente este molde: “1+i e o número real x0 são raízes de z3−5z2+8z−6=0; x0 é inferior a 4”. Soma das raízes 5, par 1±i somando 2, logo x0=3. Certo.
Exemplo 7 (montar pelo par). O polinômio mônico de grau 3 com coeficientes reais que tem raízes 2±3i e −1 é (x+1)[(x−2)2+9]=(x+1)(x2−4x+13)=x3−3x2+9x+13. Girard confere o termo independente: produto das raízes =(4+9)(−1)=−13=−a0, logo a0=13. Em 2017, com duas linhas de bonde desenhadas no plano complexo, a banca deu P(z)=z4+Az3+Bz2+Cz+D de coeficientes reais com raízes z1=3+8i (Tijuca) e z2=3−3i (Lapa) e afirmou D=1314. As quatro raízes são z1, zˉ1, z2, zˉ2; grau par e líder 1: D é o produto, ∣z1∣2⋅∣z2∣2=(9+64)(9+9)=73⋅18=1314. Certo, sem calcular A, B ou C.
Por que o conjugado é raiz
Conjugar respeita soma e produto: z+w=zˉ+wˉ e zw=zˉwˉ, e um número real é o próprio conjugado. Então, se p(z)=anzn+⋯+a0=0 com todos os ak reais, conjugar os dois lados dá anzˉn+⋯+a0=0ˉ=0, isto é, p(zˉ)=0. A demonstração cabe em duas linhas, e mostra onde a hipótese entra: se algum ak não fosse real, conjugá-lo o trocaria, e o polinômio do lado esquerdo seria outro.
Biquadrática: uma quadrática disfarçada
Uma equação de grau 4 em que só aparecem x4, x2 e o termo independente é uma quadrática em x2. Trocar x2 por uma letra a rebaixa para o 2.º grau; resolvida, cada valor da letra devolve as raízes em x por raiz quadrada. O cuidado inteiro está no caminho de volta.
Biquadrática, substituição e filtro
A equação ax4+bx2+c=0 é biquadrática. Com y=x2, ela vira ay2+by+c=0. Para cada raiz y da quadrática:
y>0 devolve duas raízes reais, x=y e x=−y;
y=0 devolve x=0, raiz dupla;
y<0 não devolve raiz real; devolve o par ±i∣y∣, que conta se o enunciado pede raízes em C.
Depois do filtro, o contexto corta de novo: se x é tempo, ano, comprimento ou frequência, só os valores positivos servem. A soma das quatro raízes de uma biquadrática é sempre zero (Girard: não há termo em x3), e as raízes reais vêm em pares simétricos.
A biquadrática é um funil: dois valores de y entram, cada y positivo devolve duas raízes reais, o negativo não devolve nenhuma, e o contexto ainda corta. Diagrama autoral.
Exemplo 8.x4+3x2−28=0. Com y=x2 a equação vira y2+3y−28=0, cujas raízes são 4 e −7 (soma −3, produto −28). Passando o filtro: de y=4 saem x=2 e x=−2; de y=−7 não sai raiz real nenhuma, só o par ±i7. Raízes reais: −2 e 2; raízes em C: ±2 e ±i7, quatro, como manda o grau. Quem “dobra tudo” e responde quatro raízes reais errou no filtro. Agora x4−10x2+9=0: y2−10y+9=0 dá y=1 ou y=9, os dois positivos: raízes ±1 e ±3, quatro reais. Soma zero, produto (1)(−1)(3)(−3)=9, o termo independente, como Girard prevê para grau par e líder 1.
O item de 2025 que abre esta página é a biquadrática com contexto. Igualar p1(x)=p2(x) dá 2x4−x3−10x2+234=x4−x3+5x2+250, ou seja, x4−15x2−16=0: o x3 cancela, e sobra uma biquadrática. Com y=x2: y2−15y−16=0, raízes y=16 e y=−1. O −1 morre no filtro; x2=16 dá x=±4, e o contexto (x≥1 anos) deixa x=4. A resposta pedida não era o ano, e sim a produção: p1(4)=2⋅256−64−160+234=522. Conferindo pelo outro lado, p2(4)=256−64+80+250=522. Se as duas contas não batessem, o erro estaria na raiz.
Soma dos $y$ não é soma dos $x$, e a resposta raramente é a raiz
Dois deslizes de fim de conta. Quando o comando pede a soma das raízes reais de uma biquadrática, a resposta é a soma dos x (que, entre ±y, dá zero), não a soma dos y. E num item de resposta numérica, releia o que foi pedido antes de marcar: em 2025 a pergunta era a produção no ano da coincidência, p1(4)=522, não o ano 4.
A mesma ideia resolve equações que não são biquadráticas mas têm um bloco repetido. Exemplo 9.(x2−5x)2−2(x2−5x)−24=0. Com u=x2−5x: u2−2u−24=0, logo u=6 ou u=−4. De volta: x2−5x−6=0 dá x=6 ou x=−1; x2−5x+4=0 dá x=1 ou x=4. Quatro raízes reais distintas: −1, 1, 4 e 6. A prova de 2012 fez isso com duas curvas de hormônios: igualar as expressões 8+10003(x−12)2(x−28)2 e 2+100(x−12)2(x−28)2 dá, com k=(x−12)2(x−28)2, a equação 6=100010k−3k, isto é, 7k=6000, e o item afirmava exatamente que os instantes de igualdade são as soluções de 7(x−12)2(x−28)2=6000. Certo; a prova não pediu para resolver. Quem quisesse contar as raízes reais faria u=(x−12)(x−28): u=±6000/7≈±29,3, e cada nível corta a parábola u(x), cujo mínimo é −64 em x=20, em dois pontos: quatro raízes reais.
Há ainda o caso em que o termo independente falta: x é fator comum, e 0 é raiz. Exemplo 10.x3+2x2−8x=0 é x(x2+2x−8)=x(x+4)(x−2)=0: raízes 0, −4 e 2. Em 2018, num mapa do Rio Grande do Sul em que cada cidade era um ponto (x,y) identificado com z=x+iy, a banca afirmou que “apenas para uma” das cidades o número complexo era raiz de z3−12z=0. Fatorando, z(z2−12)=0: raízes 0, 23 e −23, as três reais, as duas últimas irracionais (≈±3,46). A tabela trazia Porto Alegre (200,0), Candelária (20,35), Agudo (−25,40), Santa Maria (−80,30), Pelotas (40,−220), Santana do Livramento (−280,−90), Cruz Alta (−84,187) e Caxias do Sul (210,80), nenhuma em (±3,46;0); a única raiz presente é a origem, Cachoeira do Sul. Certo. Equações da forma zn=w com w qualquer, como z5=−1, têm n raízes dispostas num polígono regular e são assunto da página de números complexos; aqui elas entram só como fatores, como na seção seguinte.
Fatorar por blocos: quando as raízes vêm em grupos
A forma fatorada não precisa ser feita de fatores de grau 1. Se um conjunto de raízes é o conjunto das soluções de z5=−1, o fator que as reúne é z5+1; se outro conjunto é o das soluções de z5=L5, o fator é z5−L5. Um polinômio cujas raízes são exatamente a união dos dois conjuntos é o produto (z5+1)(z5−L5), de grau 10, e expandir dá z10+(1−L5)z5−L5. Foi o item tipo C de 2016, na estrela de cinco pontas cujos vértices internos resolviam z5=−1 e cujos vértices externos resolviam z5=L5, com L=23+5: entre quatro opções que só diferiam nos sinais, a certa era z10+(1−L5)z5−L5. Quem tentou escrever dez fatores de grau 1 não terminou; quem multiplicou dois blocos terminou em uma linha.
Exemplo 11. Qual polinômio mônico de grau 5 tem como raízes as três raízes cúbicas de 8 e os dois números ±3i? Os três primeiros são as soluções de x3=8, reunidas em x3−8; os outros dois, de x2=−9, reunidas em x2+9. Produto: (x3−8)(x2+9)=x5+9x3−8x2−72. Grau 5, cinco raízes, uma real (2) e quatro não reais em dois pares conjugados, como o grau ímpar e os coeficientes reais exigem.
Raízes com condição: progressões, raiz dupla e parâmetros
Um molde clássico de lista e de prova entrega uma informação sobre as raízes no lugar de uma raiz: “estão em progressão aritmética”, “uma é o dobro da outra”, “a equação tem raiz dupla”, “duas raízes são simétricas”. Em todos esses casos, Girard transforma a condição numa raiz concreta, e o rebaixamento faz o resto.
Girard mais a condição
Raízes em PA (r−d, r, r+d): a soma é 3r, logo a raiz do meio é r=−3ab e pode ser conferida por substituição; as outras saem rebaixando o grau ou pelo produto, r(r2−d2).
Raízes simétricas (a e −a entre as três): a soma das duas é zero, logo a terceira é a soma total, −ab; e o produto das duas é −a2.
Raiz dupla (r, r, s): a soma é 2r+s, o produto é r2s e a soma dos pares é r2+2rs; três equações para duas incógnitas e um parâmetro.
Uma raiz é o dobro da outra (r, 2r, s): 3r+s, 2r2+3rs, 2r2s.
Escreva as raízes com a condição embutida, aplique Girard e resolva o sistema, que agora é pequeno.
Exemplo 12. As raízes de x3−9x2+23x−15=0 estão em progressão aritmética. Chamando-as de r−d, r, r+d, a soma é 3r=9, logo r=3. Conferindo: 27−81+69−15=0. Rebaixando por x−3: 1,−9,23,−15 com r=3 dão 1,−6,5, e x2−6x+5=(x−1)(x−5). Raízes 1, 3, 5: razão 2. Pelo produto: r(r2−d2)=15 dá 3(9−d2)=15, d2=4, mesmo resultado.
Exemplo 13. Para que valores de k a equação x3−3x+k=0 tem raiz dupla? Raízes r, r, s. Não há termo em x2: 2r+s=0, logo s=−2r. Pares: r2+2rs=−3, isto é, r2−4r2=−3, r2=1, r=±1. Produto: r2s=−k, logo k=−r2s=2r: k=2 (raízes 1, 1, −2) ou k=−2 (raízes −1, −1, 2). Conferindo k=2: x3−3x+2=(x−1)2(x+2), e 1−3+2=0. No gráfico de y=x3−3x, esses são os dois valores de −k em que a reta horizontal passa pelo máximo ou pelo mínimo local e tangencia a curva.
Exemplo 14. A equação x3−2x2−9x+18=0 tem duas raízes simétricas. A terceira, então, é a soma total, 2; conferindo, 8−8−18+18=0. Rebaixando por x−2: 1,−2,−9,18 dão 1,0,−9, e x2−9=0 devolve o par ±3. (O agrupamento x2(x−2)−9(x−2) chega ao mesmo lugar.)
Quando a equação vem da física: o sistema massa-mola
Biquadráticas não nascem só em listas. Um bloco preso a uma mola, puxado e solto, oscila com uma frequência que depende da constante k da mola e da massa m do bloco, e a condição que a determina é mω2=k, uma equação do 2.º grau em ω (a frequência angular, em rad/s) com uma única raiz positiva, ω=k/m. Ponha dois blocos iguais entre três molas iguais, parede–mola–bloco–mola–bloco–mola–parede, e a condição para os dois oscilarem no mesmo ritmo vira uma equação em que ω aparece à quarta e ao quadrado. Chamando κ=k/m (a razão entre a constante da mola e a massa), ela se escreve
ω4−4κω2+3κ2=0.
É uma biquadrática em ω, e suas duas raízes positivas são as duas frequências possíveis do conjunto, os chamados modos normais. A física dá nome a cada uma: no modo de frequência menor, os blocos avançam e recuam juntos, e a mola central viaja com eles sem mudar de comprimento; no modo de frequência maior, eles se aproximam e se afastam, e é a mola central, comprimida e esticada pelos dois lados, que endurece o conjunto e acelera o ritmo. A física fornece a equação; a matemática desta página a resolve.
Dois blocos, duas frequências: a biquadrática em ω tem duas raízes positivas, uma para cada modo de oscilação. A raiz negativa de cada par não é movimento e sai no filtro. Diagrama autoral.
Exemplo 15. Blocos de m=1 kg e molas de k=5 N/m, logo κ=5. A equação fica ω4−20ω2+75=0. Com u=ω2: u2−20u+75=0, soma 20 e produto 75, logo u=5 ou u=15. Frequências: ω=5≈2,24 rad/s e ω=15≈3,87 rad/s; as raízes −5 e −15 não são movimento. Duas conferências antes de responder. Girard na quadrática em u: soma 5+15=20 e produto 5⋅15=75, os dois coeficientes da equação. E a estrutura: u2−4κu+3κ2=(u−κ)(u−3κ) para qualquer κ, de modo que as duas frequências são sempre κ e 3κ; a primeira é a de um bloco isolado preso a uma mola de constante k (no modo 1 a mola central não trabalha), e a segunda a supera por um fator 3 que não depende de m nem de k. Se um item pedir “a soma das frequências”, a resposta é 5+15, não 5+15: o quadrado esquecido é o erro mais previsível desse contexto.
Outras biquadráticas da natureza
Barras que vibram, pêndulos acoplados e circuitos elétricos ligados em cadeia produzem o mesmo tipo de equação: as frequências possíveis saem de polinômios em ω2, e o número de modos é o número de raízes positivas. É por isso que uma guitarra com duas cordas acopladas por uma ponte, ou dois pêndulos unidos por uma mola fraca, trocam energia num vaivém regular: cada modo tem sua frequência, e o movimento real é a soma dos dois.
Ler o gráfico: cruzar é raiz simples, encostar é raiz dupla
Num gráfico de y=p(x), as raízes reais são os pontos em que a curva encontra o eixo horizontal. Mas o encontro tem dois jeitos, e cada jeito informa a multiplicidade.
Cruzamento, tangência e deslocamento
Raiz de multiplicidade ímpar (simples, tripla…): a curva atravessa o eixo, passando de um sinal ao outro. Com multiplicidade 3 ou mais, ela se achata junto ao eixo antes de atravessar.
Raiz de multiplicidade par (dupla, quádrupla…): a curva tangencia o eixo, encosta e volta, sem trocar de sinal.
Nível c. Os instantes em que F(t)=c são as raízes de F(t)−c: no gráfico, os pontos em que a curva encontra a reta horizontal y=c. Cruzar essa reta é raiz simples de F−c; tangenciá-la, raiz dupla.
Translação. Deslocar o gráfico para cima ou para baixo muda quais raízes são reais, mas não o grau; um grau ímpar continua cruzando o eixo depois de qualquer deslocamento, um grau par pode deixar de cruzar.
Em −2 a curva encosta e volta: raiz dupla. Em 1 e 4 ela atravessa: raízes simples. A reta y=c conta quantas vezes p(x)=c tem solução real: duas aqui, uma só quando a reta passa pelo máximo local, nenhuma acima dele. Diagrama autoral.
Exemplo 16. O gráfico da figura é o de p(x)=−201(x+2)2(x−1)(x−4). Grau 4, líder negativo: a curva desce nas duas pontas. Raízes reais distintas: três (−2, 1, 4); com multiplicidade: quatro, e nenhuma não real. Na tangência em −2 o sinal não troca; entre 1 e 4 a curva fica acima do eixo e fora disso, abaixo (exceto no toque). A equação p(x)=c, para c pequeno e positivo, tem duas raízes reais, entre 1 e 4; para c igual ao máximo local, uma raiz dupla; para c maior, nenhuma real, mas quatro complexas, porque o grau é 4.
Em 2013, a banca desenhou o gráfico de um polinômio de grau 5 com a5, a4 e a0 positivos, cruzando o eixo quatro vezes em instantes positivos, e afirmou que a raiz de maior módulo era negativa e maior, em módulo, que a soma das positivas. A quinta raiz é real (grau ímpar) e negativa, porque p(0)=a0>0 e o líder positivo leva a curva a −∞ à esquerda; e, por Girard, a soma das cinco é −a5a4<0, logo a negativa supera em módulo a soma das quatro positivas. Certo. Em 2012, num gráfico de hormônios, o item tipo C perguntava quantas raízes reais tinha H(x)−C0, em que H era a curva do estradiol e C0, um valor fixado no eixo vertical: a resposta era o número de pontos em que a curva encontrava a reta horizontal y=C0 no desenho, quatro. É a regra do nível c em estado puro: “a função vale c” é “F−c tem raiz”.
Pontos de contato não são raízes com multiplicidade
Um gráfico de grau 5 que toca o eixo três vezes pode ter três raízes reais distintas e cinco com multiplicidade (uma tangência conta dupla, e ainda pode faltar um par conjugado invisível). Quando o item pergunta “quantas raízes”, decida antes se é com multiplicidade, se são distintas ou se são reais, e lembre que raízes não reais nunca aparecem no desenho.
Como a banca pergunta
Os itens de equações polinomiais do PAS 3 repetem poucos moldes, e vale reconhecê-los pelo texto.
Verificar sem resolver. “O número complexo que representa a pontuação do álcool, 56+85i, é raiz de x3−112x2+10361x” (2012). Fatore o x e resolva a quadrática: Δ=1122−4⋅10361=−28900=−1702, raízes 2112±170i=56±85i. Certo. Ou substitua: (56+85i)2=−4089+9520i, e p(z)/z=(−4089+9520i)−112(56+85i)+10361=0. O álcool só pôde ser raiz de um polinômio real porque o conjugado dele entrou junto.
Par conjugado como teorema (2016/89) e par conjugado com conta (2014/106: se r2=1−i é raiz, r3=1+i e r2r3=(1−i)(1+i)(1+i)2=22i=i; certo).
Girard contra um limiar (2014/104, a=−34 contra −20; 2014/105, produto 7 e α2+β2=1).
Cúbica com raiz à mostra (2015/109; 2018/87 com o fator z).
Biquadrática em contexto (2025/29, resposta 522), quártica em u (2012/114) e nível c num gráfico (2012/115, 2013/94–97).
Forma fatorada por blocos (2016/93) e contagem em C contra contagem em R (2010/39 e 41).
O protocolo que resolve todos: leia o adjetivo da contagem; substitua antes de resolver; se os coeficientes são reais, complete os pares; se uma raiz está à mostra, rebaixe; se só há potências pares, substitua e filtre; se a pergunta é sobre soma ou produto, Girard; e, no tipo B, releia o comando antes de marcar.
Os erros que mais derrubam
Contar no regime errado. “Raízes” é em C e dá n; “raízes reais” pode dar menos; “distintas” ignora a multiplicidade. O item de 2010 sobre R(x)=x6−1 caiu em quem achou que seis raízes eram seis raízes reais.
Esquecer o líder em Girard. Em 2x3+ax2+…, a soma é −a/2. O limiar −20 de 2014 foi plantado para pegar quem leu −a.
Trocar o sinal do produto. Em grau ímpar o produto é −a0/an; em grau par, +a0/an. Em x3−6x2+3x+10, o produto das raízes é −10.
Completar o par sem a hipótese. O conjugado só é raiz garantida com coeficientes reais; x−i é o contraexemplo mínimo.
Não filtrar a biquadrática.y<0 não devolve raiz real; dobrar as duas raízes y e responder “quatro reais” é o erro de 2025.
Somar os y em vez dos x, ou responder a raiz quando o comando pede o polinômio avaliado nela (522, não 4).
Pular o zero do grau ausente no Briot-Ruffini: x3−7x+6 tem coeficientes 1,0,−7,6.
Confundir pontos de contato com raízes. Tangência é raiz dupla; raízes não reais não aparecem no gráfico; a reta y=c conta as raízes de F−c, não as de F.
Testar inteiros sem fim. Os candidatos racionais são finitos; esgotados, a raiz é irracional ou o problema pede outra coisa.
O essencial em meia página
Teorema fundamental da álgebra: grau n = n raízes em C, com multiplicidade; p(x)=an∏(x−rk). Três contagens: com multiplicidade, distintas, reais.
Raiz ⇔ fator:p(r)=0⇔(x−r)∣p(x). Raiz conhecida: Briot-Ruffini rebaixa o grau; resolva a quadrática que sobra; volte ao contexto.
Primeira raiz: candidatos ±div(an)div(a0); soma dos coeficientes zero ⇒ 1 é raiz; agrupamento.
Biquadrática:y=x2; y>0 dá ±y, y=0 dá 0 dupla, y<0 dá ±i∣y∣; soma dos x é zero; corte pelo contexto. Bloco repetido: u= bloco.
Condições: PA ⇒ raiz do meio =−3ab; simétricas ⇒ terceira =−ab; raiz dupla ⇒ r,r,s em Girard.
Gráfico: ímpar cruza, par tangencia; F=c ⇔ raiz de F−c; translação não muda o grau.
Massa-mola acoplado: com κ=k/m, ω4−4κω2+3κ2=0, ω2=κ ou 3κ; a resposta é ω, não ω2.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Teorema Fundamental da Álgebra
Portal da Matemática OBMEP · 13:29
Introdução. Aula do Portal da Matemática (IMPA) para o 3.º ano: o enunciado do teorema fundamental da álgebra e, como consequência, o teorema da decomposição, que escreve o polinômio como produto de fatores de grau 1. É a seção “Toda equação de grau n tem exatamente n raízes, se você souber onde contar” em aula, com a demonstração que a página só resume.
POLINÔMIOS - RELAÇÕES DE GIRARD (11/12)
Equaciona Com Paulo Pereira · 14:48
Aprofundamento. Aula dedicada às relações de Girard: a soma e o produto do 2.º grau estendidos ao grau 3 e aos graus seguintes, com a dedução pela forma fatorada e exercícios de aplicação. Acompanha a seção “Relações de Girard: os coeficientes já sabem a soma e o produto” e os exemplos resolvidos 4 e 5.
EQUAÇÕES BIQUADRADAS: Definição e Método de Resolução | Matemática Básica - Aula 18
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 16:36
Aplicação. Definição da equação biquadrada e o método de resolução por substituição, com a volta às raízes em x e o cuidado com os valores negativos da variável auxiliar: a seção “Biquadrática: uma quadrática disfarçada” e o exemplo resolvido 8, passo a passo no quadro.
Unicamp 2006 (2ª Fase) | Equações Algébricas | Relações de Girard e Briot Ruffini | Prof. W4L
Waldemática · 16:15
Resolução. Questão de vestibular com as três raízes de uma cúbica em progressão aritmética: determinar o parâmetro pela soma das raízes (Girard) e depois achar todas as raízes, reais e complexas, com Briot-Ruffini. É o molde da seção “Raízes com condição: progressões, raiz dupla e parâmetros” e do exemplo resolvido 12, em ritmo de prova.
Duas produções anuais dadas por polinômios de grau 4; o ano em que coincidem é a raiz de uma biquadrática, e a resposta é a produção nesse ano, não o ano.O mesmo polinômio de grau 6 responde 6, 4 ou 2 conforme a pergunta: com multiplicidade, distintas ou reais distintas. O enunciado escolhe a contagem; a forma fatorada responde às três. Diagrama autoral.Uma raiz conhecida vira um fator, o fator sai por Briot-Ruffini e o grau cai de 3 para 2. A quadrática que sobra fecha a equação. Diagrama autoral.O padrão não muda com o grau: soma com sinal negativo, pares com positivo, trios com negativo, sempre divididos pelo líder. O produto de todas termina com o sinal (−1)n. Diagrama autoral.Com coeficientes reais, o eixo real é um espelho: cada raiz fora dele tem o reflexo também raiz. O par produz um fator quadrático real; num grau ímpar, sobra uma raiz no próprio eixo. Diagrama autoral.A biquadrática é um funil: dois valores de y entram, cada y positivo devolve duas raízes reais, o negativo não devolve nenhuma, e o contexto ainda corta. Diagrama autoral.Em −2 a curva encosta e volta: raiz dupla. Em 1 e 4 ela atravessa: raízes simples. A reta y=c conta quantas vezes p(x)=c tem solução real: duas aqui, uma só quando a reta passa pelo máximo local, nenhuma acima dele. Diagrama autoral.Dois blocos, duas frequências: a biquadrática em ω tem duas raízes positivas, uma para cada modo de oscilação. A raiz negativa de cada par não é movimento e sai no filtro. Diagrama autoral.O sistema acoplado tem dois modos de oscilação; suas frequências são as duas raízes positivas de uma biquadrática em ω.A biquadrática é um funil: os valores de y entram, o filtro descarta os negativos, e o contexto ainda corta o que não serve.Com coeficientes reais, o eixo real é um espelho: cada raiz fora dele tem o reflexo também raiz, e num grau ímpar sobra uma raiz na própria linha.Cada raiz à mostra rebaixa o grau em um degrau: de 3 para 2, de 2 para as duas últimas raízes.As relações de Girard equilibram as raízes com os coeficientes: a soma das três está escrita num único coeficiente, antes de qualquer conta.Encostar sem atravessar é raiz de multiplicidade par; atravessar é raiz simples. A linha de referência é o nível c, e cada encontro é uma raiz de F − c.
Rota PAS 3
Polinômios e equações algébricas: onde as raízes decidem · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Polinômios e equações algébricas: onde as raízes decidem · Polinômio e raiz (só o Teorema Fundamental, o par conjugado e o grau ímpar); Fatorar é enxergar as raízes (contagem com multiplicidade e relações de Girard); Cúbicas com uma raiz à mostra e a biquadrática; O sistema massa-mola; Leia como na prova (item 29 de 2025); Como a banca cobra; Resolvidos 2 e 3
Recorte por assunto: a equação p(x) = 0 e suas raízes. O polinômio como objeto (grau, valor numérico, divisão, teorema do resto, Briot-Ruffini como técnica, fatoração como leitura e o polinômio como modelo de dados) fica na página polinomios; raízes n-ésimas de complexos e forma polar ficam em numeros-complexos; a parábola como função, em funcao-quadratica. Exemplos, números e ordem desta página são próprios.
Rota PAS 3 — Resoluções do banco de treino (Parte IV, Matemática) · T2, T7, T9, T10, T11, T12, T13, T14, T15, T16, T17, T21
Gabaritos e caminhos de resolução dos itens reais de 2010, 2012, 2014, 2015, 2016, 2018 e 2025 reusados nesta página; conferidos de novo item a item.
Rota PAS 3 — Resoluções dos exercícios do capítulo (Parte IV, Matemática) · Itens 3, 5, 7, 8, 12, 13, 14, 16, 17
Conferência dos moldes de contagem de raízes, biquadrática com parâmetro, par conjugado e raiz dupla.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2010 (itens 39 e 41), 2012 (itens 53, 114 e 115), 2013 (item 95, por GUID), 2014 (itens 104, 105 e 106), 2015 (item 109), 2016 (itens 89 e 93), 2017 (item 86), 2018 (item 87), 2025 (item 29)
Itens reproduzidos verbatim; figuras de 2012 (dispersão das drogas e curvas hormonais), 2016 (estrela), 2017 (linhas de bonde) e 2018 (mapa e tabela) lidas na imagem do caderno (utils/material/PAS/provas/, 150–300 dpi); gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json.