Equações polinomiais

Guia de estudo · Revisado em 04/10/2026

A prova do PAS 3 de 2025 deu a produção anual de dois modelos de carro elétrico por dois polinômios de grau 4 e perguntou quantos carros saíam no ano em que as produções coincidiam; a de 2014 deu uma cúbica com uma raiz real conhecida e uma raiz complexa e cobrou o coeficiente. Ninguém resolve uma equação de grau 3 ou 4 por fórmula no vestibular: o que os coeficientes já contam sobre as raízes, quantas raízes existem de fato e como uma raiz à mostra, uma substituição ou um par conjugado fecham a equação inteira?

O que você vai aprender

  • Enunciar o teorema fundamental da álgebra na versão operacional (grau n = n raízes complexas, contadas com multiplicidade) e distinguir raízes distintas, raízes com multiplicidade e raízes reais.
  • Traduzir raiz em fator, rebaixar o grau de uma equação por Briot-Ruffini quando uma raiz está à mostra e resolver a quadrática que sobra.
  • Procurar uma primeira raiz pelos candidatos racionais p/q, pela soma dos coeficientes e por agrupamento.
  • Aplicar as relações de Girard (soma, produto e somas de produtos) em grau 2, 3 e geral para responder sobre as raízes sem calculá-las e para montar uma equação a partir das raízes.
  • Usar o par conjugado em coeficientes reais: completar as raízes, montar o fator quadrático (x − α)² + β², garantir raiz real em grau ímpar e obter o termo independente como produto de módulos ao quadrado.
  • Resolver biquadráticas e quárticas disfarçadas por substituição, filtrar as raízes da variável auxiliar e devolver ao contexto do problema.
  • Resolver equações com raízes sob condição (progressão aritmética, raiz dupla, raízes simétricas, parâmetro) combinando Girard com a forma fatorada.
  • Ler raízes num gráfico de polinômio: cruzamento é raiz de multiplicidade ímpar, tangência é multiplicidade par; traduzir F(t) = c em raízes de F − c e prever o efeito de uma translação.

Em 2025, a prova do PAS 3 descreveu uma fábrica de carros elétricos cuja produção anual de dois modelos seguia dois polinômios de grau 4, p1(x)=2x4−x3−10x2+234p_1(x) = 2x^4 - x^3 - 10x^2 + 234 e p2(x)=x4−x3+5x2+250p_2(x) = x^4 - x^3 + 5x^2 + 250, e pediu, num item de resposta numérica, quantos carros do primeiro modelo saíam no ano em que as duas produções coincidiam. A pergunta é uma equação de grau 4, p1(x)=p2(x)p_1(x) = p_2(x), e ninguém a resolve “por fórmula” numa prova. Quem a fechou fez três coisas: reconheceu que, passando tudo para um lado, só sobravam potências pares de xx; trocou x2x^2 por uma letra nova e resolveu uma equação do 2.º grau; e jogou fora a solução que não servia, porque um ano não tem quadrado negativo. Onze anos antes, em 2014, a banca deu uma cúbica 2x3+ax2+bx+c2x^3 + ax^2 + bx + c com uma única raiz real, 77, disse que 5+2i5 + 2i também era raiz e afirmou algo sobre o coeficiente aa. Nenhuma divisão, nenhuma fórmula: quem sabia que 5−2i5 - 2i vinha junto e que a soma das três raízes está escrita no coeficiente aa julgou o item em duas linhas.

É disso que esta página trata: a equação p(x)=0p(x) = 0 e o que se pode saber de suas raízes. Quantas raízes existem e em que regime contá-las; como uma raiz à mostra rebaixa o grau e deixa uma quadrática; onde procurar a primeira raiz quando ninguém a entrega; o que os coeficientes já contam sobre soma, produto e somas de produtos das raízes (as relações de Girard); por que, em coeficientes reais, raízes não reais andam aos pares e o que isso garante; a biquadrática e as equações que viram quadráticas com uma substituição; as raízes com condição (em progressão, dupla, simétricas, dependentes de um parâmetro); a leitura de raízes num gráfico; e um contexto físico em que uma biquadrática aparece por conta própria. O polinômio como objeto, com grau, valor numérico, divisão, teorema do resto e o dispositivo de Briot-Ruffini explicado passo a passo, está na página de polinômios, que esta página toma como pré-requisito; o número ii, o conjugado, a forma polar e as raízes de zn=wz^n = w estão na página de números complexos; a parábola como função, com vértice e sinal, na página de função quadrática. Aqui, cada uma dessas coisas é ferramenta, não assunto.

Toda equação de grau n tem exatamente n raízes, se você souber onde contar

Uma equação do 2.º grau com Δ<0\Delta < 0 “não tem raiz”. Essa frase, repetida desde o 9.º ano, é falsa em metade: ela não tem raiz real. Nos números complexos, x2+9=0x^2 + 9 = 0 tem duas raízes, 3i3i e −3i-3i, e a conta fecha: grau 2, duas raízes. O que vale para o grau 2 vale para qualquer grau, e é o resultado que organiza toda esta página.

Equação algébrica e teorema fundamental da álgebra

Uma equação algébrica (ou polinomial) é p(x)=0p(x) = 0, com pp um polinômio de grau n≥1n \geq 1; suas soluções são as raízes de pp. O teorema fundamental da álgebra, na forma que se usa em prova, diz que todo polinômio de grau n≥1n \geq 1 tem exatamente nn raízes complexas, contadas com multiplicidade. Em consequência, pp se escreve de uma única maneira como

p(x)=an∏k=1n(x−rk),p(x) = a_n \prod_{k=1}^{n} (x - r_k),

isto é, o coeficiente líder ana_n multiplicado por um fator (x−rk)(x - r_k) para cada raiz rkr_k, repetida tantas vezes quanto sua multiplicidade. Reais são complexos também: as nn raízes incluem as reais.

A palavra que decide a contagem é multiplicidade: o número de vezes que o fator (x−r)(x - r) aparece na forma fatorada. Em p(x)=(x+3)(x−1)3(x2+4)p(x) = (x + 3)(x - 1)^3(x^2 + 4), o grau é 1+3+2=61 + 3 + 2 = 6 e há seis raízes com multiplicidade: −3-3 (simples), 11 três vezes (raiz tripla) e 2i2i e −2i-2i (as de x2+4x^2 + 4). Mas há só quatro raízes distintas (−3-3, 11, 2i2i, −2i-2i) e só duas raízes reais distintas (−3-3 e 11). Três contagens, três respostas, e a prova escolhe uma delas no enunciado: “raízes”, “raízes distintas”, “raízes reais”. Ler o adjetivo antes de contar vale mais do que qualquer técnica desta página.

O polinômio (x + 3)(x − 1)³(x² + 4) com três contagens lado a lado: seis raízes com multiplicidade (−3, 1, 1, 1, 2i, −2i), quatro raízes distintas (−3, 1, 2i, −2i) e duas raízes reais distintas (−3 e 1), cada contagem numa coluna com os números em destaque.
O mesmo polinômio de grau 6 responde 6, 4 ou 2 conforme a pergunta: com multiplicidade, distintas ou reais distintas. O enunciado escolhe a contagem; a forma fatorada responde às três. Diagrama autoral.

Duas consequências do teorema aparecem na prova com frequência e merecem nome. A primeira: um polinômio de grau nn tem no máximo nn raízes reais distintas, e pode ter menos, inclusive nenhuma, como x4+16x^4 + 16, que é positivo para todo xx real. A segunda, que depende de os coeficientes serem reais, é o par conjugado, tratado numa seção própria adiante: as raízes não reais só aparecem em pares, e por isso um grau ímpar sempre deixa pelo menos uma raiz real.

Zero raízes reais não é zero raízes

x6+64=0x^6 + 64 = 0 não tem solução real, porque x6≥0x^6 \geq 0 para todo real xx; e tem seis soluções complexas, porque o grau é 6. Quando o enunciado diz só “raízes”, a contagem é em C\mathbb{C} e dá sempre nn; quando diz “raízes reais”, pode dar de 00 a nn. Um item que afirme “a equação x4+1=0x^4 + 1 = 0 não possui raízes” está errado; “não possui raízes reais” está certo.

Em 2010, a banca deu três polinômios, P(x)=x5−x4+x3−x2+x−1P(x) = x^5 - x^4 + x^3 - x^2 + x - 1, Q(x)=x5+x4+x3+x2+x+1Q(x) = x^5 + x^4 + x^3 + x^2 + x + 1 e R(x)=x6−1R(x) = x^6 - 1, e afirmou, num item só, duas coisas: que PP e QQ têm cada um pelo menos uma raiz real, e que RR só tem raízes reais. A primeira parte segue do grau ímpar; a segunda cai porque x6=1x^6 = 1 só tem 11 e −1-1 como soluções reais, e as outras quatro raízes de RR são complexas não reais: item errado, por metade. O mesmo bloco afirmou que PP “possui quatro raízes complexas não reais, duas a duas conjugadas”: agrupando, P(x)=x4(x−1)+x2(x−1)+(x−1)=(x−1)(x4+x2+1)P(x) = x^4(x - 1) + x^2(x - 1) + (x - 1) = (x - 1)(x^4 + x^2 + 1), e o fator de grau 4 nunca zera num real (x4+x2+1≥1x^4 + x^2 + 1 \geq 1), logo suas quatro raízes são não reais e, em coeficientes reais, formam dois pares conjugados. Certo. Os dois itens juntos são a lição da seção: contar em C\mathbb{C}, e só depois perguntar quantas são reais.

Uma raiz à mostra rebaixa o grau

O teorema do fator, da página de polinômios, diz que rr é raiz de pp se, e somente se, x−rx - r divide p(x)p(x). Para a equação, isso é uma máquina de rebaixar grau: conhecida uma raiz rr, p(x)=(x−r) q(x)p(x) = (x - r)\,q(x) com qq de grau n−1n - 1, e as outras raízes de pp são as raízes de qq. Numa cúbica, qq é uma quadrática, e quadrática se resolve. Numa quártica com duas raízes conhecidas, dois rebaixamentos deixam uma quadrática também.

Raiz ⇔ fator, e a coreografia da cúbica

Se p(r)=0p(r) = 0, então p(x)=(x−r) q(x)p(x) = (x - r)\,q(x), e o quociente qq sai do dispositivo de Briot-Ruffini (coeficientes de pp na linha de cima, rr à esquerda, “desce o primeiro; multiplica por rr e soma o próximo”). Para resolver p(x)=0p(x) = 0 de grau 3 com uma raiz rr conhecida: (1) confirme p(r)=0p(r) = 0 por substituição; (2) divida por x−rx - r; (3) resolva a quadrática q(x)=0q(x) = 0 por soma e produto ou por Bhaskara; (4) volte ao enunciado e descarte o que o contexto não admite. Se rr for raiz de qq também, rr é raiz dupla de pp.

Exemplo 1. Resolver x3−7x2+7x+15=0x^3 - 7x^2 + 7x + 15 = 0 sabendo que −1-1 é raiz. Conferindo: (−1)3−7(1)+7(−1)+15=−1−7−7+15=0(-1)^3 - 7(1) + 7(-1) + 15 = -1 - 7 - 7 + 15 = 0. Briot-Ruffini com r=−1r = -1 e coeficientes 1,−7,7,151, -7, 7, 15: desce o 11; 1⋅(−1)−7=−81 \cdot (-1) - 7 = -8; −8⋅(−1)+7=15-8 \cdot (-1) + 7 = 15; 15⋅(−1)+15=015 \cdot (-1) + 15 = 0. Resto zero, como tinha de ser, e quociente x2−8x+15x^2 - 8x + 15, cujas raízes têm soma 88 e produto 1515: 33 e 55. As três raízes são −1-1, 33 e 55, e p(x)=(x+1)(x−3)(x−5)p(x) = (x + 1)(x - 3)(x - 5). Conferência pelo termo independente: (1)(−3)(−5)=15(1)(-3)(-5) = 15, que é o 1515 da equação.

Esquema em três degraus: a cúbica x³ − 7x² + 7x + 15 com a raiz −1 à mostra; abaixo, o dispositivo de Briot-Ruffini com −1 à esquerda, os coeficientes 1, −7, 7, 15 em cima e 1, −8, 15, 0 embaixo; abaixo, a quadrática x² − 8x + 15 que sobra, resolvida por soma 8 e produto 15 em 3 e 5; ao lado, a forma fatorada (x + 1)(x − 3)(x − 5).
Uma raiz conhecida vira um fator, o fator sai por Briot-Ruffini e o grau cai de 3 para 2. A quadrática que sobra fecha a equação. Diagrama autoral.

Exemplo 2. A equação x4−2x3−13x2+14x+24=0x^4 - 2x^3 - 13x^2 + 14x + 24 = 0 tem raízes −1-1 e 22. Quais são as outras? Primeiro rebaixamento, por x+1x + 1: coeficientes 1,−2,−13,14,241, -2, -13, 14, 24 e r=−1r = -1 dão 1,−3,−10,241, -3, -10, 24 e resto 00; sobra x3−3x2−10x+24x^3 - 3x^2 - 10x + 24. Segundo, por x−2x - 2: 1,−3,−10,241, -3, -10, 24 com r=2r = 2 dão 1,−1,−121, -1, -12 e resto 00; sobra x2−x−12=(x−4)(x+3)x^2 - x - 12 = (x - 4)(x + 3). Raízes: −1-1, 22, 44 e −3-3. Quatro raízes para o grau 4, nenhuma repetida. A conferência mais rápida é a soma: −1+2+4−3=2-1 + 2 + 4 - 3 = 2, e o coeficiente de x3x^3 é −2-2; a seção sobre Girard explica por que esses dois números têm de ser opostos.

O zero do grau ausente e a raiz dupla escondida

Dois tropeços no rebaixamento. Primeiro: se a equação pula um grau, como x3−7x+6=0x^3 - 7x + 6 = 0, a linha de coeficientes é 1,0,−7,61, 0, -7, 6, com o zero no lugar do x2x^2; sem ele, o dispositivo devolve um quociente errado com resto plausível. Segundo: a raiz usada para rebaixar pode ser raiz da quadrática que sobra. Em x3−5x2+8x−4=0x^3 - 5x^2 + 8x - 4 = 0, com a raiz 22, Briot-Ruffini dá x2−3x+2=(x−1)(x−2)x^2 - 3x + 2 = (x - 1)(x - 2): o 22 reaparece, é raiz dupla, e a equação tem só duas raízes distintas, 11 e 22, embora tenha três com multiplicidade.

Como achar a primeira raiz quando ninguém a entrega

A cúbica da prova quase sempre chega com uma raiz dada, mas as listas de exercícios não têm essa gentileza, e saber onde procurar poupa tentativas. Há três buscas baratas, e as três partem de uma observação simples: se rr é raiz, substituir rr dá zero, logo o custo de testar um candidato é uma conta de valor numérico.

Candidatos racionais, soma dos coeficientes, agrupamento

Raízes racionais. Se pp tem coeficientes inteiros e pq\frac{p}{q} (fração irredutível) é raiz, então pp divide o termo independente a0a_0 e qq divide o coeficiente líder ana_n. Os candidatos são finitos: todos os ±divisor de a0divisor de an\pm\frac{\text{divisor de } a_0}{\text{divisor de } a_n}. Se o líder é 11, as raízes racionais são inteiras e dividem a0a_0. Soma dos coeficientes. p(1)p(1) é a soma dos coeficientes: se ela dá zero, 11 é raiz. p(−1)p(-1) é a soma dos coeficientes com os sinais dos graus ímpares trocados: se der zero, −1-1 é raiz. Agrupamento. Quando os coeficientes se repetem em proporção, como em x3+2x2−9x−18x^3 + 2x^2 - 9x - 18, agrupe: x2(x+2)−9(x+2)=(x+2)(x2−9)x^2(x + 2) - 9(x + 2) = (x + 2)(x^2 - 9), e as raízes aparecem sem teste.

Exemplo 3. Resolver 2x3−3x2−11x+6=02x^3 - 3x^2 - 11x + 6 = 0. Não é mônico: os candidatos racionais são ±1,±2,±3,±6\pm 1, \pm 2, \pm 3, \pm 6 (divisores de 66) divididos por 11 ou 22, isto é, ±1,±2,±3,±6,±12,±32\pm 1, \pm 2, \pm 3, \pm 6, \pm\tfrac{1}{2}, \pm\tfrac{3}{2}. Soma dos coeficientes: 2−3−11+6=−6≠02 - 3 - 11 + 6 = -6 \neq 0, então 11 não serve; p(−1)=−2−3+11+6=12p(-1) = -2 - 3 + 11 + 6 = 12, nem −1-1. Testando 33: 54−27−33+6=054 - 27 - 33 + 6 = 0. Briot-Ruffini por x−3x - 3: 2,−3,−11,62, -3, -11, 6 com r=3r = 3 dão 2,3,−22, 3, -2 e resto 00; sobra 2x2+3x−2=02x^2 + 3x - 2 = 0, com Δ=9+16=25\Delta = 9 + 16 = 25 e raízes −3±54\frac{-3 \pm 5}{4}, isto é, 12\tfrac{1}{2} e −2-2. Raízes: 33, 12\tfrac{1}{2} e −2-2. Repare que 12\tfrac{1}{2} estava na lista de candidatos justamente por causa do líder 22: num mônico ela não existiria.

A lista de candidatos não garante raiz

O critério das raízes racionais diz onde uma raiz racional pode estar, não que ela existe. x3−2=0x^3 - 2 = 0 tem candidatos ±1,±2\pm 1, \pm 2, nenhum serve, e a única raiz real é 23\sqrt[3]{2}, irracional. Esgotada a lista, pare de testar inteiros: ou a equação tem raízes irracionais (e o enunciado costuma dar uma delas, ou a estrutura permite uma substituição), ou o problema não pede as raízes, e sim algo que Girard responde sem elas.

Relações de Girard: os coeficientes já sabem a soma e o produto

Expanda (x−r1)(x−r2)(x - r_1)(x - r_2): dá x2−(r1+r2) x+r1r2x^2 - (r_1 + r_2)\,x + r_1 r_2. O coeficiente de xx é a soma das raízes com o sinal trocado, e o termo independente é o produto. Quem já resolveu quadráticas “por soma e produto” usou isso. O mesmo acontece em qualquer grau, porque a forma fatorada é um produto de nn fatores e cada coeficiente da expansão é uma soma de produtos das raízes, tomadas uma a uma, duas a duas, três a três, com sinais que alternam.

Relações de Girard

Para ax2+bx+c=0ax^2 + bx + c = 0 com raízes r1,r2r_1, r_2:

r1+r2=−ba,r1r2=ca.r_1 + r_2 = -\frac{b}{a}, \qquad r_1 r_2 = \frac{c}{a}.

Para ax3+bx2+cx+d=0ax^3 + bx^2 + cx + d = 0 com raízes r1,r2,r3r_1, r_2, r_3:

r1+r2+r3=−ba,r1r2+r1r3+r2r3=ca,r1r2r3=−da.r_1 + r_2 + r_3 = -\frac{b}{a}, \qquad r_1 r_2 + r_1 r_3 + r_2 r_3 = \frac{c}{a}, \qquad r_1 r_2 r_3 = -\frac{d}{a}.

Em geral, para anxn+an−1xn−1+⋯+a0=0a_n x^n + a_{n-1}x^{n-1} + \cdots + a_0 = 0: a soma das raízes é −an−1an-\frac{a_{n-1}}{a_n}; a soma dos produtos duas a duas é +an−2an+\frac{a_{n-2}}{a_n}; a soma dos produtos três a três é −an−3an-\frac{a_{n-3}}{a_n}; e assim por diante, alternando o sinal, até o produto de todas, que vale (−1)na0an(-1)^n \frac{a_0}{a_n}. As relações valem com todas as raízes, reais e não reais, contadas com multiplicidade.

Quadro com as relações de Girard para graus 2, 3 e 4: em cada linha, os coeficientes a, b, c, d, e e, abaixo, as somas de produtos das raízes com o sinal correspondente: soma −b/a, pares +c/a, trios −d/a, produto de quatro +e/a. Uma seta mostra a alternância de sinal da esquerda para a direita.
O padrão não muda com o grau: soma com sinal negativo, pares com positivo, trios com negativo, sempre divididos pelo líder. O produto de todas termina com o sinal (−1)n(-1)^n. Diagrama autoral.

Exemplo 4. As raízes de x3−4x2+x+6=0x^3 - 4x^2 + x + 6 = 0 são −1-1, 22 e 33 (teste: −1−4−1+6=0-1 - 4 - 1 + 6 = 0; 8−16+2+6=08 - 16 + 2 + 6 = 0; 27−36+3+6=027 - 36 + 3 + 6 = 0). Girard confere: soma −1+2+3=4=−(−4)-1 + 2 + 3 = 4 = -(-4); pares (−1)(2)+(−1)(3)+(2)(3)=−2−3+6=1(-1)(2) + (-1)(3) + (2)(3) = -2 - 3 + 6 = 1, o coeficiente de xx; produto (−1)(2)(3)=−6=−(6)(-1)(2)(3) = -6 = -(6). Agora o que Girard faz de útil: responder sobre as raízes sem conhecê-las. A soma dos quadrados das raízes de qualquer cúbica x3+bx2+cx+dx^3 + bx^2 + cx + d é (r1+r2+r3)2−2(r1r2+r1r3+r2r3)=b2−2c(r_1 + r_2 + r_3)^2 - 2(r_1 r_2 + r_1 r_3 + r_2 r_3) = b^2 - 2c; aqui, 16−2=1416 - 2 = 14, e de fato 1+4+9=141 + 4 + 9 = 14. A soma dos inversos é r1r2+r1r3+r2r3r1r2r3=c−d=1−6\frac{r_1 r_2 + r_1 r_3 + r_2 r_3}{r_1 r_2 r_3} = \frac{c}{-d} = \frac{1}{-6}, e de fato −1+12+13=−16-1 + \tfrac{1}{2} + \tfrac{1}{3} = -\tfrac{1}{6}.

Exemplo 5 (o caminho inverso). Qual é a equação mônica de grau 3 cujas raízes são 22, −1-1 e 55? Soma 66, pares 2(−1)+2(5)+(−1)(5)=−2+10−5=32(-1) + 2(5) + (-1)(5) = -2 + 10 - 5 = 3, produto −10-10. Pela alternância de sinais: x3−6x2+3x+10=0x^3 - 6x^2 + 3x + 10 = 0. Conferindo com a raiz 22: 8−24+6+10=08 - 24 + 6 + 10 = 0. Montar a equação pelas raízes é o que a prova faz quando pede “o polinômio cujas raízes são…” e é o caminho mais curto para um item em que as raízes vêm no enunciado e os coeficientes são a incógnita.

A prova de 2014 é o retrato disso. O bloco dizia que f(x)=2x3+ax2+bx+cf(x) = 2x^3 + ax^2 + bx + c tem coeficientes racionais e que 77 é sua única raiz real. Um item supunha 5+2i5 + 2i raiz e afirmava a>−20a > -20. Com coeficientes reais, 5−2i5 - 2i é raiz também, e a soma das três é 7+5+5=177 + 5 + 5 = 17. Girard com líder 22: −a2=17-\frac{a}{2} = 17, logo a=−34a = -34, que não é maior que −20-20. Errado. O limiar −20-20 foi colocado entre o −17-17 de quem esquece o líder e o −34-34 correto. Outro item do bloco supunha que α+βi\alpha + \beta i, com α\alpha e β\beta inteiros, fosse raiz, dava c=−14c = -14 e afirmava α+β<2\alpha + \beta < 2. O produto das raízes é 7(α+βi)(α−βi)=7(α2+β2)7(\alpha + \beta i)(\alpha - \beta i) = 7(\alpha^2 + \beta^2) e, por Girard, vale −c2=7-\frac{c}{2} = 7. Então α2+β2=1\alpha^2 + \beta^2 = 1 com inteiros e β≠0\beta \neq 0 (a raiz não é real): α=0\alpha = 0 e β=±1\beta = \pm 1, e α+β=±1<2\alpha + \beta = \pm 1 < 2. Certo. Nenhum dos dois itens exigiu achar uma raiz.

Girard dá somas e produtos, não as raízes uma a uma

Três relações para três raízes parecem um sistema de três equações, mas ele não é linear: resolvê-lo é tão difícil quanto a equação original. Use Girard para o que ele dá sem conta (soma, produto, somas de produtos, combinações simétricas como a soma dos quadrados) e para montar a equação quando as raízes são dadas. Para achar as raízes, volte à raiz à mostra, aos candidatos racionais ou à substituição. E vigie o líder: em 2x3+ax2+…2x^3 + ax^2 + \ldots, a soma é −a2-\frac{a}{2}, não −a-a.

Com coeficientes reais, as raízes não reais andam em pares

Resolver x2−4x+5=0x^2 - 4x + 5 = 0 dá x=4±−42=2±ix = \frac{4 \pm \sqrt{-4}}{2} = 2 \pm i. As duas raízes têm a mesma parte real e partes imaginárias opostas: são conjugadas. Não é coincidência da fórmula de Bhaskara, é propriedade de todo polinômio com coeficientes reais, e ela decide itens inteiros.

Par conjugado e suas três consequências

Se pp tem todos os coeficientes reais e z=α+βiz = \alpha + \beta i (com β≠0\beta \neq 0) é raiz, então o conjugado zˉ=α−βi\bar{z} = \alpha - \beta i também é raiz, com a mesma multiplicidade. Daí:

  1. Fator quadrático real. O par α±βi\alpha \pm \beta i produz o fator (x−α−βi)(x−α+βi)=(x−α)2+β2=x2−2αx+(α2+β2)(x - \alpha - \beta i)(x - \alpha + \beta i) = (x - \alpha)^2 + \beta^2 = x^2 - 2\alpha x + (\alpha^2 + \beta^2), de coeficientes reais e sem raiz real.
  2. Grau ímpar tem raiz real. As não reais ocupam vagas aos pares; num grau ímpar sobra ao menos uma vaga, que só uma raiz real pode preencher.
  3. Produto de conjugados é módulo ao quadrado. z⋅zˉ=α2+β2=∣z∣2z \cdot \bar{z} = \alpha^2 + \beta^2 = |z|^2, um número real positivo. Quando todas as raízes vêm em pares conjugados, o produto delas (e, por Girard, o termo independente dividido pelo líder) é um produto de módulos ao quadrado.

A hipótese “coeficientes reais” não é enfeite. O polinômio x−ix - i tem coeficiente independente −i-i, tem raiz ii e não tem raiz −i-i. A prova de 2016 afirmou, em um item isolado dentro de um bloco sobre uma estrela de cinco pontas: “se zz for uma raiz complexa de um polinômio com coeficientes reais, então zˉ\bar{z} também será raiz desse polinômio”. Certo, palavra por palavra, e a hipótese está no meio da frase.

Plano complexo com as três raízes da cúbica x³ − 7x² + 17x − 15: o ponto 2 + i acima do eixo real, seu conjugado 2 − i abaixo, simétricos em relação ao eixo, e a raiz real 3 sobre o eixo. Uma chave liga o par conjugado ao fator quadrático x² − 4x + 5 e a raiz real ao fator x − 3.
Com coeficientes reais, o eixo real é um espelho: cada raiz fora dele tem o reflexo também raiz. O par produz um fator quadrático real; num grau ímpar, sobra uma raiz no próprio eixo. Diagrama autoral.

Exemplo 6. Sabe-se que 2+i2 + i é raiz de x3−7x2+17x−15=0x^3 - 7x^2 + 17x - 15 = 0. Quais são as outras? Os coeficientes são reais, então 2−i2 - i é raiz. A terceira sai por Girard: a soma das três é 77, logo r3=7−(2+i)−(2−i)=3r_3 = 7 - (2 + i) - (2 - i) = 3. Conferência: 27−63+51−15=027 - 63 + 51 - 15 = 0. Caminho alternativo, por divisão: o par conjugado dá o fator (x−2)2+1=x2−4x+5(x - 2)^2 + 1 = x^2 - 4x + 5, e x3−7x2+17x−15x^3 - 7x^2 + 17x - 15 dividido por x2−4x+5x^2 - 4x + 5 é x−3x - 3, com resto zero. Mais longo, mesma resposta. Em 2015, o item foi exatamente este molde: “1+i1 + i e o número real x0x_0 são raízes de z3−5z2+8z−6=0z^3 - 5z^2 + 8z - 6 = 0; x0x_0 é inferior a 44”. Soma das raízes 55, par 1±i1 \pm i somando 22, logo x0=3x_0 = 3. Certo.

Exemplo 7 (montar pelo par). O polinômio mônico de grau 3 com coeficientes reais que tem raízes 2±3i2 \pm 3i e −1-1 é (x+1) [(x−2)2+9]=(x+1)(x2−4x+13)=x3−3x2+9x+13(x + 1)\,[(x - 2)^2 + 9] = (x + 1)(x^2 - 4x + 13) = x^3 - 3x^2 + 9x + 13. Girard confere o termo independente: produto das raízes =(4+9)(−1)=−13=−a0= (4 + 9)(-1) = -13 = -a_0, logo a0=13a_0 = 13. Em 2017, com duas linhas de bonde desenhadas no plano complexo, a banca deu P(z)=z4+Az3+Bz2+Cz+DP(z) = z^4 + Az^3 + Bz^2 + Cz + D de coeficientes reais com raízes z1=3+8iz_1 = 3 + 8i (Tijuca) e z2=3−3iz_2 = 3 - 3i (Lapa) e afirmou D=1 314D = 1\,314. As quatro raízes são z1z_1, zˉ1\bar{z}_1, z2z_2, zˉ2\bar{z}_2; grau par e líder 11: DD é o produto, ∣z1∣2⋅∣z2∣2=(9+64)(9+9)=73⋅18=1 314|z_1|^2 \cdot |z_2|^2 = (9 + 64)(9 + 9) = 73 \cdot 18 = 1\,314. Certo, sem calcular AA, BB ou CC.

Por que o conjugado é raiz

Conjugar respeita soma e produto: z+w‾=zˉ+wˉ\overline{z + w} = \bar{z} + \bar{w} e zw‾=zˉ wˉ\overline{zw} = \bar{z}\,\bar{w}, e um número real é o próprio conjugado. Então, se p(z)=anzn+⋯+a0=0p(z) = a_n z^n + \cdots + a_0 = 0 com todos os aka_k reais, conjugar os dois lados dá anzˉn+⋯+a0=0ˉ=0a_n \bar{z}^n + \cdots + a_0 = \bar{0} = 0, isto é, p(zˉ)=0p(\bar{z}) = 0. A demonstração cabe em duas linhas, e mostra onde a hipótese entra: se algum aka_k não fosse real, conjugá-lo o trocaria, e o polinômio do lado esquerdo seria outro.

Biquadrática: uma quadrática disfarçada

Uma equação de grau 4 em que só aparecem x4x^4, x2x^2 e o termo independente é uma quadrática em x2x^2. Trocar x2x^2 por uma letra a rebaixa para o 2.º grau; resolvida, cada valor da letra devolve as raízes em xx por raiz quadrada. O cuidado inteiro está no caminho de volta.

Biquadrática, substituição e filtro

A equação ax4+bx2+c=0ax^4 + bx^2 + c = 0 é biquadrática. Com y=x2y = x^2, ela vira ay2+by+c=0ay^2 + by + c = 0. Para cada raiz yy da quadrática:

  • y>0y > 0 devolve duas raízes reais, x=yx = \sqrt{y} e x=−yx = -\sqrt{y};
  • y=0y = 0 devolve x=0x = 0, raiz dupla;
  • y<0y < 0 não devolve raiz real; devolve o par ±i∣y∣\pm i\sqrt{|y|}, que conta se o enunciado pede raízes em C\mathbb{C}. Depois do filtro, o contexto corta de novo: se xx é tempo, ano, comprimento ou frequência, só os valores positivos servem. A soma das quatro raízes de uma biquadrática é sempre zero (Girard: não há termo em x3x^3), e as raízes reais vêm em pares simétricos.
Fluxo em quatro etapas da equação x⁴ + 3x² − 28 = 0: substituir y = x² e obter y² + 3y − 28 = 0; resolver e obter y = 4 e y = −7; filtrar, com y = 4 devolvendo x = 2 e x = −2 e y = −7 marcado como sem raiz real (par ±i√7); contexto, em que só x = 2 sobrevive se x é um comprimento.
A biquadrática é um funil: dois valores de yy entram, cada yy positivo devolve duas raízes reais, o negativo não devolve nenhuma, e o contexto ainda corta. Diagrama autoral.

Exemplo 8. x4+3x2−28=0x^4 + 3x^2 - 28 = 0. Com y=x2y = x^2 a equação vira y2+3y−28=0y^2 + 3y - 28 = 0, cujas raízes são 44 e −7-7 (soma −3-3, produto −28-28). Passando o filtro: de y=4y = 4 saem x=2x = 2 e x=−2x = -2; de y=−7y = -7 não sai raiz real nenhuma, só o par ±i7\pm i\sqrt{7}. Raízes reais: −2-2 e 22; raízes em C\mathbb{C}: ±2\pm 2 e ±i7\pm i\sqrt{7}, quatro, como manda o grau. Quem “dobra tudo” e responde quatro raízes reais errou no filtro. Agora x4−10x2+9=0x^4 - 10x^2 + 9 = 0: y2−10y+9=0y^2 - 10y + 9 = 0 dá y=1y = 1 ou y=9y = 9, os dois positivos: raízes ±1\pm 1 e ±3\pm 3, quatro reais. Soma zero, produto (1)(−1)(3)(−3)=9(1)(-1)(3)(-3) = 9, o termo independente, como Girard prevê para grau par e líder 11.

O item de 2025 que abre esta página é a biquadrática com contexto. Igualar p1(x)=p2(x)p_1(x) = p_2(x) dá 2x4−x3−10x2+234=x4−x3+5x2+2502x^4 - x^3 - 10x^2 + 234 = x^4 - x^3 + 5x^2 + 250, ou seja, x4−15x2−16=0x^4 - 15x^2 - 16 = 0: o x3x^3 cancela, e sobra uma biquadrática. Com y=x2y = x^2: y2−15y−16=0y^2 - 15y - 16 = 0, raízes y=16y = 16 e y=−1y = -1. O −1-1 morre no filtro; x2=16x^2 = 16 dá x=±4x = \pm 4, e o contexto (x≥1x \geq 1 anos) deixa x=4x = 4. A resposta pedida não era o ano, e sim a produção: p1(4)=2⋅256−64−160+234=522p_1(4) = 2 \cdot 256 - 64 - 160 + 234 = 522. Conferindo pelo outro lado, p2(4)=256−64+80+250=522p_2(4) = 256 - 64 + 80 + 250 = 522. Se as duas contas não batessem, o erro estaria na raiz.

Soma dos $y$ não é soma dos $x$, e a resposta raramente é a raiz

Dois deslizes de fim de conta. Quando o comando pede a soma das raízes reais de uma biquadrática, a resposta é a soma dos xx (que, entre ±y\pm\sqrt{y}, dá zero), não a soma dos yy. E num item de resposta numérica, releia o que foi pedido antes de marcar: em 2025 a pergunta era a produção no ano da coincidência, p1(4)=522p_1(4) = 522, não o ano 44.

A mesma ideia resolve equações que não são biquadráticas mas têm um bloco repetido. Exemplo 9. (x2−5x)2−2(x2−5x)−24=0(x^2 - 5x)^2 - 2(x^2 - 5x) - 24 = 0. Com u=x2−5xu = x^2 - 5x: u2−2u−24=0u^2 - 2u - 24 = 0, logo u=6u = 6 ou u=−4u = -4. De volta: x2−5x−6=0x^2 - 5x - 6 = 0 dá x=6x = 6 ou x=−1x = -1; x2−5x+4=0x^2 - 5x + 4 = 0 dá x=1x = 1 ou x=4x = 4. Quatro raízes reais distintas: −1-1, 11, 44 e 66. A prova de 2012 fez isso com duas curvas de hormônios: igualar as expressões 8+3(x−12)2(x−28)21 0008 + \frac{3(x - 12)^2(x - 28)^2}{1\,000} e 2+(x−12)2(x−28)21002 + \frac{(x - 12)^2(x - 28)^2}{100} dá, com k=(x−12)2(x−28)2k = (x - 12)^2(x - 28)^2, a equação 6=10k−3k1 0006 = \frac{10k - 3k}{1\,000}, isto é, 7k=6 0007k = 6\,000, e o item afirmava exatamente que os instantes de igualdade são as soluções de 7(x−12)2(x−28)2=6 0007(x - 12)^2(x - 28)^2 = 6\,000. Certo; a prova não pediu para resolver. Quem quisesse contar as raízes reais faria u=(x−12)(x−28)u = (x - 12)(x - 28): u=±6 000/7≈±29,3u = \pm\sqrt{6\,000/7} \approx \pm 29{,}3, e cada nível corta a parábola u(x)u(x), cujo mínimo é −64-64 em x=20x = 20, em dois pontos: quatro raízes reais.

Há ainda o caso em que o termo independente falta: xx é fator comum, e 00 é raiz. Exemplo 10. x3+2x2−8x=0x^3 + 2x^2 - 8x = 0 é x(x2+2x−8)=x(x+4)(x−2)=0x(x^2 + 2x - 8) = x(x + 4)(x - 2) = 0: raízes 00, −4-4 e 22. Em 2018, num mapa do Rio Grande do Sul em que cada cidade era um ponto (x,y)(x, y) identificado com z=x+iyz = x + iy, a banca afirmou que “apenas para uma” das cidades o número complexo era raiz de z3−12z=0z^3 - 12z = 0. Fatorando, z(z2−12)=0z(z^2 - 12) = 0: raízes 00, 232\sqrt{3} e −23-2\sqrt{3}, as três reais, as duas últimas irracionais (≈±3,46\approx \pm 3{,}46). A tabela trazia Porto Alegre (200,0)(200, 0), Candelária (20,35)(20, 35), Agudo (−25,40)(-25, 40), Santa Maria (−80,30)(-80, 30), Pelotas (40,−220)(40, -220), Santana do Livramento (−280,−90)(-280, -90), Cruz Alta (−84,187)(-84, 187) e Caxias do Sul (210,80)(210, 80), nenhuma em (±3,46; 0)(\pm 3{,}46;\ 0); a única raiz presente é a origem, Cachoeira do Sul. Certo. Equações da forma zn=wz^n = w com ww qualquer, como z5=−1z^5 = -1, têm nn raízes dispostas num polígono regular e são assunto da página de números complexos; aqui elas entram só como fatores, como na seção seguinte.

Fatorar por blocos: quando as raízes vêm em grupos

A forma fatorada não precisa ser feita de fatores de grau 1. Se um conjunto de raízes é o conjunto das soluções de z5=−1z^5 = -1, o fator que as reúne é z5+1z^5 + 1; se outro conjunto é o das soluções de z5=L5z^5 = L^5, o fator é z5−L5z^5 - L^5. Um polinômio cujas raízes são exatamente a união dos dois conjuntos é o produto (z5+1)(z5−L5)(z^5 + 1)(z^5 - L^5), de grau 10, e expandir dá z10+(1−L5)z5−L5z^{10} + (1 - L^5)z^5 - L^5. Foi o item tipo C de 2016, na estrela de cinco pontas cujos vértices internos resolviam z5=−1z^5 = -1 e cujos vértices externos resolviam z5=L5z^5 = L^5, com L=3+52L = \frac{3 + \sqrt{5}}{2}: entre quatro opções que só diferiam nos sinais, a certa era z10+(1−L5)z5−L5z^{10} + (1 - L^5)z^5 - L^5. Quem tentou escrever dez fatores de grau 1 não terminou; quem multiplicou dois blocos terminou em uma linha.

Exemplo 11. Qual polinômio mônico de grau 5 tem como raízes as três raízes cúbicas de 88 e os dois números ±3i\pm 3i? Os três primeiros são as soluções de x3=8x^3 = 8, reunidas em x3−8x^3 - 8; os outros dois, de x2=−9x^2 = -9, reunidas em x2+9x^2 + 9. Produto: (x3−8)(x2+9)=x5+9x3−8x2−72(x^3 - 8)(x^2 + 9) = x^5 + 9x^3 - 8x^2 - 72. Grau 5, cinco raízes, uma real (22) e quatro não reais em dois pares conjugados, como o grau ímpar e os coeficientes reais exigem.

Raízes com condição: progressões, raiz dupla e parâmetros

Um molde clássico de lista e de prova entrega uma informação sobre as raízes no lugar de uma raiz: “estão em progressão aritmética”, “uma é o dobro da outra”, “a equação tem raiz dupla”, “duas raízes são simétricas”. Em todos esses casos, Girard transforma a condição numa raiz concreta, e o rebaixamento faz o resto.

Girard mais a condição
  • Raízes em PA (r−dr - d, rr, r+dr + d): a soma é 3r3r, logo a raiz do meio é r=−b3ar = -\frac{b}{3a} e pode ser conferida por substituição; as outras saem rebaixando o grau ou pelo produto, r(r2−d2)r(r^2 - d^2).
  • Raízes simétricas (aa e −a-a entre as três): a soma das duas é zero, logo a terceira é a soma total, −ba-\frac{b}{a}; e o produto das duas é −a2-a^2.
  • Raiz dupla (rr, rr, ss): a soma é 2r+s2r + s, o produto é r2sr^2 s e a soma dos pares é r2+2rsr^2 + 2rs; três equações para duas incógnitas e um parâmetro.
  • Uma raiz é o dobro da outra (rr, 2r2r, ss): 3r+s3r + s, 2r2+3rs2r^2 + 3rs, 2r2s2r^2 s. Escreva as raízes com a condição embutida, aplique Girard e resolva o sistema, que agora é pequeno.

Exemplo 12. As raízes de x3−9x2+23x−15=0x^3 - 9x^2 + 23x - 15 = 0 estão em progressão aritmética. Chamando-as de r−dr - d, rr, r+dr + d, a soma é 3r=93r = 9, logo r=3r = 3. Conferindo: 27−81+69−15=027 - 81 + 69 - 15 = 0. Rebaixando por x−3x - 3: 1,−9,23,−151, -9, 23, -15 com r=3r = 3 dão 1,−6,51, -6, 5, e x2−6x+5=(x−1)(x−5)x^2 - 6x + 5 = (x - 1)(x - 5). Raízes 11, 33, 55: razão 22. Pelo produto: r(r2−d2)=15r(r^2 - d^2) = 15 dá 3(9−d2)=153(9 - d^2) = 15, d2=4d^2 = 4, mesmo resultado.

Exemplo 13. Para que valores de kk a equação x3−3x+k=0x^3 - 3x + k = 0 tem raiz dupla? Raízes rr, rr, ss. Não há termo em x2x^2: 2r+s=02r + s = 0, logo s=−2rs = -2r. Pares: r2+2rs=−3r^2 + 2rs = -3, isto é, r2−4r2=−3r^2 - 4r^2 = -3, r2=1r^2 = 1, r=±1r = \pm 1. Produto: r2s=−kr^2 s = -k, logo k=−r2s=2rk = -r^2 s = 2r: k=2k = 2 (raízes 11, 11, −2-2) ou k=−2k = -2 (raízes −1-1, −1-1, 22). Conferindo k=2k = 2: x3−3x+2=(x−1)2(x+2)x^3 - 3x + 2 = (x - 1)^2(x + 2), e 1−3+2=01 - 3 + 2 = 0. No gráfico de y=x3−3xy = x^3 - 3x, esses são os dois valores de −k-k em que a reta horizontal passa pelo máximo ou pelo mínimo local e tangencia a curva.

Exemplo 14. A equação x3−2x2−9x+18=0x^3 - 2x^2 - 9x + 18 = 0 tem duas raízes simétricas. A terceira, então, é a soma total, 22; conferindo, 8−8−18+18=08 - 8 - 18 + 18 = 0. Rebaixando por x−2x - 2: 1,−2,−9,181, -2, -9, 18 dão 1,0,−91, 0, -9, e x2−9=0x^2 - 9 = 0 devolve o par ±3\pm 3. (O agrupamento x2(x−2)−9(x−2)x^2(x - 2) - 9(x - 2) chega ao mesmo lugar.)

Quando a equação vem da física: o sistema massa-mola

Biquadráticas não nascem só em listas. Um bloco preso a uma mola, puxado e solto, oscila com uma frequência que depende da constante kk da mola e da massa mm do bloco, e a condição que a determina é mω2=km\omega^2 = k, uma equação do 2.º grau em ω\omega (a frequência angular, em rad/s) com uma única raiz positiva, ω=k/m\omega = \sqrt{k/m}. Ponha dois blocos iguais entre três molas iguais, parede–mola–bloco–mola–bloco–mola–parede, e a condição para os dois oscilarem no mesmo ritmo vira uma equação em que ω\omega aparece à quarta e ao quadrado. Chamando κ=k/m\kappa = k/m (a razão entre a constante da mola e a massa), ela se escreve

ω4−4κ ω2+3κ2=0.\omega^4 - 4\kappa\,\omega^2 + 3\kappa^2 = 0.

É uma biquadrática em ω\omega, e suas duas raízes positivas são as duas frequências possíveis do conjunto, os chamados modos normais. A física dá nome a cada uma: no modo de frequência menor, os blocos avançam e recuam juntos, e a mola central viaja com eles sem mudar de comprimento; no modo de frequência maior, eles se aproximam e se afastam, e é a mola central, comprimida e esticada pelos dois lados, que endurece o conjunto e acelera o ritmo. A física fornece a equação; a matemática desta página a resolve.

Dois blocos de massa m ligados por três molas de constante k entre duas paredes. Acima, o modo 1 com setas nos dois blocos apontando para o mesmo lado e a mola do meio sem deformação; abaixo, o modo 2 com setas em sentidos opostos e a mola do meio comprimida. Ao lado, a equação m²ω⁴ − 4kmω² + 3k² = 0 e as duas raízes ω² = k/m e ω² = 3k/m.
Dois blocos, duas frequências: a biquadrática em ω\omega tem duas raízes positivas, uma para cada modo de oscilação. A raiz negativa de cada par não é movimento e sai no filtro. Diagrama autoral.

Exemplo 15. Blocos de m=1m = 1 kg e molas de k=5k = 5 N/m, logo κ=5\kappa = 5. A equação fica ω4−20ω2+75=0\omega^4 - 20\omega^2 + 75 = 0. Com u=ω2u = \omega^2: u2−20u+75=0u^2 - 20u + 75 = 0, soma 2020 e produto 7575, logo u=5u = 5 ou u=15u = 15. Frequências: ω=5≈2,24\omega = \sqrt{5} \approx 2{,}24 rad/s e ω=15≈3,87\omega = \sqrt{15} \approx 3{,}87 rad/s; as raízes −5-\sqrt{5} e −15-\sqrt{15} não são movimento. Duas conferências antes de responder. Girard na quadrática em uu: soma 5+15=205 + 15 = 20 e produto 5⋅15=755 \cdot 15 = 75, os dois coeficientes da equação. E a estrutura: u2−4κu+3κ2=(u−κ)(u−3κ)u^2 - 4\kappa u + 3\kappa^2 = (u - \kappa)(u - 3\kappa) para qualquer κ\kappa, de modo que as duas frequências são sempre κ\sqrt{\kappa} e 3κ\sqrt{3\kappa}; a primeira é a de um bloco isolado preso a uma mola de constante kk (no modo 1 a mola central não trabalha), e a segunda a supera por um fator 3\sqrt{3} que não depende de mm nem de kk. Se um item pedir “a soma das frequências”, a resposta é 5+15\sqrt{5} + \sqrt{15}, não 5+155 + 15: o quadrado esquecido é o erro mais previsível desse contexto.

Outras biquadráticas da natureza

Barras que vibram, pêndulos acoplados e circuitos elétricos ligados em cadeia produzem o mesmo tipo de equação: as frequências possíveis saem de polinômios em ω2\omega^2, e o número de modos é o número de raízes positivas. É por isso que uma guitarra com duas cordas acopladas por uma ponte, ou dois pêndulos unidos por uma mola fraca, trocam energia num vaivém regular: cada modo tem sua frequência, e o movimento real é a soma dos dois.

Ler o gráfico: cruzar é raiz simples, encostar é raiz dupla

Num gráfico de y=p(x)y = p(x), as raízes reais são os pontos em que a curva encontra o eixo horizontal. Mas o encontro tem dois jeitos, e cada jeito informa a multiplicidade.

Cruzamento, tangência e deslocamento
  • Raiz de multiplicidade ímpar (simples, tripla…): a curva atravessa o eixo, passando de um sinal ao outro. Com multiplicidade 3 ou mais, ela se achata junto ao eixo antes de atravessar.
  • Raiz de multiplicidade par (dupla, quádrupla…): a curva tangencia o eixo, encosta e volta, sem trocar de sinal.
  • Nível cc. Os instantes em que F(t)=cF(t) = c são as raízes de F(t)−cF(t) - c: no gráfico, os pontos em que a curva encontra a reta horizontal y=cy = c. Cruzar essa reta é raiz simples de F−cF - c; tangenciá-la, raiz dupla.
  • Translação. Deslocar o gráfico para cima ou para baixo muda quais raízes são reais, mas não o grau; um grau ímpar continua cruzando o eixo depois de qualquer deslocamento, um grau par pode deixar de cruzar.
Gráfico do polinômio de grau 4 com coeficiente líder negativo que tangencia o eixo x em −2 (raiz dupla), cruza em 1 e em 4 (raízes simples), e desce nas duas pontas. Uma reta horizontal tracejada y = c corta a curva em dois pontos, marcados como raízes de p(x) − c; outra reta mais alta passa pelo máximo local e tangencia a curva num único ponto.
Em −2-2 a curva encosta e volta: raiz dupla. Em 11 e 44 ela atravessa: raízes simples. A reta y=cy = c conta quantas vezes p(x)=cp(x) = c tem solução real: duas aqui, uma só quando a reta passa pelo máximo local, nenhuma acima dele. Diagrama autoral.

Exemplo 16. O gráfico da figura é o de p(x)=−120(x+2)2(x−1)(x−4)p(x) = -\frac{1}{20}(x + 2)^2(x - 1)(x - 4). Grau 4, líder negativo: a curva desce nas duas pontas. Raízes reais distintas: três (−2-2, 11, 44); com multiplicidade: quatro, e nenhuma não real. Na tangência em −2-2 o sinal não troca; entre 11 e 44 a curva fica acima do eixo e fora disso, abaixo (exceto no toque). A equação p(x)=cp(x) = c, para cc pequeno e positivo, tem duas raízes reais, entre 11 e 44; para cc igual ao máximo local, uma raiz dupla; para cc maior, nenhuma real, mas quatro complexas, porque o grau é 4.

Em 2013, a banca desenhou o gráfico de um polinômio de grau 5 com a5a_5, a4a_4 e a0a_0 positivos, cruzando o eixo quatro vezes em instantes positivos, e afirmou que a raiz de maior módulo era negativa e maior, em módulo, que a soma das positivas. A quinta raiz é real (grau ímpar) e negativa, porque p(0)=a0>0p(0) = a_0 > 0 e o líder positivo leva a curva a −∞-\infty à esquerda; e, por Girard, a soma das cinco é −a4a5<0-\frac{a_4}{a_5} < 0, logo a negativa supera em módulo a soma das quatro positivas. Certo. Em 2012, num gráfico de hormônios, o item tipo C perguntava quantas raízes reais tinha H(x)−C0H(x) - C_0, em que HH era a curva do estradiol e C0C_0, um valor fixado no eixo vertical: a resposta era o número de pontos em que a curva encontrava a reta horizontal y=C0y = C_0 no desenho, quatro. É a regra do nível cc em estado puro: “a função vale cc” é “F−cF - c tem raiz”.

Pontos de contato não são raízes com multiplicidade

Um gráfico de grau 5 que toca o eixo três vezes pode ter três raízes reais distintas e cinco com multiplicidade (uma tangência conta dupla, e ainda pode faltar um par conjugado invisível). Quando o item pergunta “quantas raízes”, decida antes se é com multiplicidade, se são distintas ou se são reais, e lembre que raízes não reais nunca aparecem no desenho.

Como a banca pergunta

Os itens de equações polinomiais do PAS 3 repetem poucos moldes, e vale reconhecê-los pelo texto.

  • Verificar sem resolver. “O número complexo que representa a pontuação do álcool, 56+85i56 + 85i, é raiz de x3−112x2+10 361xx^3 - 112x^2 + 10\,361x” (2012). Fatore o xx e resolva a quadrática: Δ=1122−4⋅10 361=−28 900=−1702\Delta = 112^2 - 4 \cdot 10\,361 = -28\,900 = -170^2, raízes 112±170i2=56±85i\frac{112 \pm 170i}{2} = 56 \pm 85i. Certo. Ou substitua: (56+85i)2=−4 089+9 520i(56 + 85i)^2 = -4\,089 + 9\,520i, e p(z)/z=(−4 089+9 520i)−112(56+85i)+10 361=0p(z)/z = (-4\,089 + 9\,520i) - 112(56 + 85i) + 10\,361 = 0. O álcool só pôde ser raiz de um polinômio real porque o conjugado dele entrou junto.
  • Par conjugado como teorema (2016/89) e par conjugado com conta (2014/106: se r2=1−ir_2 = 1 - i é raiz, r3=1+ir_3 = 1 + i e r3r2=(1+i)2(1−i)(1+i)=2i2=i\frac{r_3}{r_2} = \frac{(1 + i)^2}{(1 - i)(1 + i)} = \frac{2i}{2} = i; certo).
  • Girard contra um limiar (2014/104, a=−34a = -34 contra −20-20; 2014/105, produto 77 e α2+β2=1\alpha^2 + \beta^2 = 1).
  • Cúbica com raiz à mostra (2015/109; 2018/87 com o fator zz).
  • Biquadrática em contexto (2025/29, resposta 522522), quártica em uu (2012/114) e nível cc num gráfico (2012/115, 2013/94–97).
  • Forma fatorada por blocos (2016/93) e contagem em C\mathbb{C} contra contagem em R\mathbb{R} (2010/39 e 41).

O protocolo que resolve todos: leia o adjetivo da contagem; substitua antes de resolver; se os coeficientes são reais, complete os pares; se uma raiz está à mostra, rebaixe; se só há potências pares, substitua e filtre; se a pergunta é sobre soma ou produto, Girard; e, no tipo B, releia o comando antes de marcar.

Os erros que mais derrubam

  1. Contar no regime errado. “Raízes” é em C\mathbb{C} e dá nn; “raízes reais” pode dar menos; “distintas” ignora a multiplicidade. O item de 2010 sobre R(x)=x6−1R(x) = x^6 - 1 caiu em quem achou que seis raízes eram seis raízes reais.
  2. Esquecer o líder em Girard. Em 2x3+ax2+…2x^3 + ax^2 + \ldots, a soma é −a/2-a/2. O limiar −20-20 de 2014 foi plantado para pegar quem leu −a-a.
  3. Trocar o sinal do produto. Em grau ímpar o produto é −a0/an-a_0/a_n; em grau par, +a0/an+a_0/a_n. Em x3−6x2+3x+10x^3 - 6x^2 + 3x + 10, o produto das raízes é −10-10.
  4. Completar o par sem a hipótese. O conjugado só é raiz garantida com coeficientes reais; x−ix - i é o contraexemplo mínimo.
  5. Não filtrar a biquadrática. y<0y < 0 não devolve raiz real; dobrar as duas raízes yy e responder “quatro reais” é o erro de 2025.
  6. Somar os yy em vez dos xx, ou responder a raiz quando o comando pede o polinômio avaliado nela (522522, não 44).
  7. Pular o zero do grau ausente no Briot-Ruffini: x3−7x+6x^3 - 7x + 6 tem coeficientes 1,0,−7,61, 0, -7, 6.
  8. Confundir pontos de contato com raízes. Tangência é raiz dupla; raízes não reais não aparecem no gráfico; a reta y=cy = c conta as raízes de F−cF - c, não as de FF.
  9. Testar inteiros sem fim. Os candidatos racionais são finitos; esgotados, a raiz é irracional ou o problema pede outra coisa.

O essencial em meia página

  • Teorema fundamental da álgebra: grau nn = nn raízes em C\mathbb{C}, com multiplicidade; p(x)=an∏(x−rk)p(x) = a_n \prod (x - r_k). Três contagens: com multiplicidade, distintas, reais.
  • Raiz ⇔ fator: p(r)=0⇔(x−r)∣p(x)p(r) = 0 \Leftrightarrow (x - r) \mid p(x). Raiz conhecida: Briot-Ruffini rebaixa o grau; resolva a quadrática que sobra; volte ao contexto.
  • Primeira raiz: candidatos ±div(a0)div(an)\pm\frac{\text{div}(a_0)}{\text{div}(a_n)}; soma dos coeficientes zero ⇒ 11 é raiz; agrupamento.
  • Girard: soma −an−1an-\frac{a_{n-1}}{a_n}, pares +an−2an+\frac{a_{n-2}}{a_n}, trios −an−3an-\frac{a_{n-3}}{a_n}, …, produto (−1)na0an(-1)^n\frac{a_0}{a_n}. Na cúbica mônica x3+bx2+cx+dx^3 + bx^2 + cx + d: soma −b-b, pares cc, produto −d-d. Soma dos quadrados =(soma)2−2(pares)= (\text{soma})^2 - 2(\text{pares}).
  • Coeficientes reais: α+βi\alpha + \beta i raiz ⇒ α−βi\alpha - \beta i raiz; fator (x−α)2+β2(x - \alpha)^2 + \beta^2; grau ímpar ⇒ raiz real; zzˉ=∣z∣2z\bar{z} = |z|^2.
  • Biquadrática: y=x2y = x^2; y>0y > 0 dá ±y\pm\sqrt{y}, y=0y = 0 dá 00 dupla, y<0y < 0 dá ±i∣y∣\pm i\sqrt{|y|}; soma dos xx é zero; corte pelo contexto. Bloco repetido: u=u = bloco.
  • Condições: PA ⇒ raiz do meio =−b3a= -\frac{b}{3a}; simétricas ⇒ terceira =−ba= -\frac{b}{a}; raiz dupla ⇒ r,r,sr, r, s em Girard.
  • Gráfico: ímpar cruza, par tangencia; F=cF = c ⇔ raiz de F−cF - c; translação não muda o grau.
  • Massa-mola acoplado: com κ=k/m\kappa = k/m, ω4−4κω2+3κ2=0\omega^4 - 4\kappa\omega^2 + 3\kappa^2 = 0, ω2=κ\omega^2 = \kappa ou 3κ3\kappa; a resposta é ω\omega, não ω2\omega^2.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Teorema Fundamental da Álgebra
Portal da Matemática OBMEP · 13:29
Introdução. Aula do Portal da Matemática (IMPA) para o 3.º ano: o enunciado do teorema fundamental da álgebra e, como consequência, o teorema da decomposição, que escreve o polinômio como produto de fatores de grau 1. É a seção “Toda equação de grau n tem exatamente n raízes, se você souber onde contar” em aula, com a demonstração que a página só resume.
POLINÔMIOS - RELAÇÕES DE GIRARD (11/12)
Equaciona Com Paulo Pereira · 14:48
Aprofundamento. Aula dedicada às relações de Girard: a soma e o produto do 2.º grau estendidos ao grau 3 e aos graus seguintes, com a dedução pela forma fatorada e exercícios de aplicação. Acompanha a seção “Relações de Girard: os coeficientes já sabem a soma e o produto” e os exemplos resolvidos 4 e 5.
EQUAÇÕES BIQUADRADAS: Definição e Método de Resolução | Matemática Básica - Aula 18
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 16:36
Aplicação. Definição da equação biquadrada e o método de resolução por substituição, com a volta às raízes em x e o cuidado com os valores negativos da variável auxiliar: a seção “Biquadrática: uma quadrática disfarçada” e o exemplo resolvido 8, passo a passo no quadro.
Unicamp 2006 (2ª Fase) | Equações Algébricas | Relações de Girard e Briot Ruffini | Prof. W4L
Waldemática · 16:15
Resolução. Questão de vestibular com as três raízes de uma cúbica em progressão aritmética: determinar o parâmetro pela soma das raízes (Girard) e depois achar todas as raízes, reais e complexas, com Briot-Ruffini. É o molde da seção “Raízes com condição: progressões, raiz dupla e parâmetros” e do exemplo resolvido 12, em ritmo de prova.
Rota PAS 3
Polinômios e equações algébricas: onde as raízes decidem · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Polinômios e equações algébricas: onde as raízes decidem · Polinômio e raiz (só o Teorema Fundamental, o par conjugado e o grau ímpar); Fatorar é enxergar as raízes (contagem com multiplicidade e relações de Girard); Cúbicas com uma raiz à mostra e a biquadrática; O sistema massa-mola; Leia como na prova (item 29 de 2025); Como a banca cobra; Resolvidos 2 e 3

    Recorte por assunto: a equação p(x) = 0 e suas raízes. O polinômio como objeto (grau, valor numérico, divisão, teorema do resto, Briot-Ruffini como técnica, fatoração como leitura e o polinômio como modelo de dados) fica na página polinomios; raízes n-ésimas de complexos e forma polar ficam em numeros-complexos; a parábola como função, em funcao-quadratica. Exemplos, números e ordem desta página são próprios.

  • Rota PAS 3 — Resoluções do banco de treino (Parte IV, Matemática) · T2, T7, T9, T10, T11, T12, T13, T14, T15, T16, T17, T21

    Gabaritos e caminhos de resolução dos itens reais de 2010, 2012, 2014, 2015, 2016, 2018 e 2025 reusados nesta página; conferidos de novo item a item.

  • Rota PAS 3 — Resoluções dos exercícios do capítulo (Parte IV, Matemática) · Itens 3, 5, 7, 8, 12, 13, 14, 16, 17

    Conferência dos moldes de contagem de raízes, biquadrática com parâmetro, par conjugado e raiz dupla.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2010 (itens 39 e 41), 2012 (itens 53, 114 e 115), 2013 (item 95, por GUID), 2014 (itens 104, 105 e 106), 2015 (item 109), 2016 (itens 89 e 93), 2017 (item 86), 2018 (item 87), 2025 (item 29)

    Itens reproduzidos verbatim; figuras de 2012 (dispersão das drogas e curvas hormonais), 2016 (estrela), 2017 (linhas de bonde) e 2018 (mapa e tabela) lidas na imagem do caderno (utils/material/PAS/provas/, 150–300 dpi); gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json.