A ponta de um lápis apontado, cortada por uma lâmina, mostra um círculo, um oval ou uma curva aberta conforme a inclinação do corte; a antena de Arecibo tem 305 m de boca e 51 m de fundo, e o receptor fica a 114 m do fundo; Netuno dá a volta no Sol numa curva que nem parece achatada. O que essas três situações têm em comum, e como se calcula onde fica o foco?
O que você vai aprender
Classificar a seção de um cone de duas folhas por um plano comparando o ângulo do plano com o eixo e o ângulo de abertura do cone: circunferência (plano perpendicular ao eixo), elipse, parábola (plano paralelo a uma geratriz) e hipérbole (plano que alcança as duas folhas), e reconhecer os casos degenerados quando o plano passa pelo vértice.
Definir elipse, hipérbole e parábola como lugares geométricos (soma das distâncias aos focos igual a 2a; módulo da diferença igual a 2a; distância ao foco igual à distância à diretriz), construir a elipse com barbante e identificar focos, centro, vértices, eixos, assíntotas e o parâmetro p.
Escrever e ler as equações reduzidas centradas na origem (x²/a² + y²/b² = 1 com c² = a² − b²; x²/a² − y²/b² = 1 com c² = a² + b²; y² = 4px e x² = 4py) e as formas deslocadas (x − h)², (y − k)², passando de equação para elementos e esboço e de elementos para equação, inclusive por completamento de quadrados.
Calcular e interpretar a excentricidade e = c/a como medida da forma (0 na circunferência, entre 0 e 1 na elipse, 1 na parábola, maior que 1 na hipérbole) e aplicá-la a órbitas com periélio e afélio.
Usar a propriedade refletora da parábola (raios paralelos ao eixo convergem no foco) e da elipse (o que sai de um foco chega ao outro) em antenas, radiotelescópios, espelhos côncavos e salas sussurrantes, calculando a posição do foco a partir da abertura e da profundidade (d = a²/16p).
Ler figuras com eixos (elipse com vértices marcados, lotes delimitados por uma elipse deslocada, espelho parabólico com eixo Ox) e julgar itens que combinam cônicas com reta, circunferência e área, como os blocos do PAS 2 de 2009 e 2011 e do PAS 3 de 2010, 2020 e 2021.
Aponte um lápis de madeira e passe uma lâmina pela ponta. Corte reto, perpendicular ao lápis: a fatia é um círculo. Incline a lâmina um pouco: a fatia vira um oval com duas pontas iguais, uma elipse. Incline mais, até a lâmina ficar paralela a uma das arestas da ponta: o corte já não fecha, e o contorno é uma parábola. Incline ainda mais e o contorno abre mais depressa, uma hipérbole, que teria um segundo ramo se o lápis fosse apontado dos dois lados e os dois cones se tocassem pela ponta. É a mesma ponta e a mesma lâmina: o que muda a curva é só o ângulo.
Esse experimento de 30 segundos é o que Menecmo fez, por volta de 350 a.C., quando precisou de curvas novas para duplicar o cubo, e o que Apolônio de Perga organizou um século depois num tratado em oito livros, de onde vêm os nomes elipse, parábola e hipérbole. Dezoito séculos mais tarde, Kepler descobriu que os planetas percorrem elipses com o Sol num foco, e Newton explicou por quê. Hoje a mesma família de curvas está na antena de TV, no espelho do Hubble, no refletor de 305 m que ficou encravado numa depressão do terreno em Porto Rico e na máquina que quebra pedras nos rins sem cortar a pele. Esta página percorre as cônicas pelos dois lados em que a prova as cobra: como seções do cone, classificadas pelo ângulo, e como curvas do plano cartesiano, com focos, equações e uma conta que diz onde fica o receptor da antena. A parábola como gráfico de função fica em Função quadrática; a circunferência e os seus itens de centro e raio, em Equação da circunferência; as órbitas, em Leis de Kepler e órbitas. Aqui, o assunto é a família inteira.
Duas ferramentas que vão aparecer o tempo todo
A distância entre dois pontos. Todas as definições desta página são frases sobre distâncias, e a única fórmula de que elas precisam é a de Distâncias na geometria analítica: entre P(x1,y1) e Q(x2,y2),
d(P,Q)=(x2−x1)2+(y2−y1)2.
De (3,2,4) a (4,0): 1+5,76=6,76=2,6. De (3,2,4) a (−4,0): 49+5,76=54,76=7,4. Guarde esses dois números: eles somam 10, e isso vai importar daqui a duas seções.
O cone e os seus ângulos. Um cone circular reto tem um vérticeV, um eixo (a reta que passa por V e pelo centro da base) e as geratrizes, os segmentos de reta que vão do vértice à borda da base. Toda geratriz faz com o eixo o mesmo ângulo α, o semiângulo de abertura; o ângulo de abertura do cone, o que aparece numa seção pelo eixo, é 2α. Um cone de abertura 60° tem α=30°: a seção pelo eixo é um triângulo equilátero (o cone equilátero de Geometria espacial). Para as cônicas, o cone é pensado como superfície, sem tampa e sem fim, e com duas folhas: prolongue as geratrizes para além do vértice e aparece um segundo cone, de ponta-cabeça, encostado no primeiro pela ponta. É essa segunda folha que dá o segundo ramo da hipérbole.
O ângulo de um plano com o eixo. Chame de β o ângulo entre o plano de corte e o eixo do cone, de 0° (plano paralelo ao eixo) a 90° (plano perpendicular ao eixo, paralelo à base). A classificação da próxima seção é uma comparação entre β e α, e só isso.
Um cone, um plano e quatro curvas
Fixe o cone e gire o plano de corte, sem passar pelo vértice. Com β=90°, o plano é paralelo à base e a seção é uma circunferência. Diminua β um pouco: o plano continua atravessando todas as geratrizes de uma folha, a curva continua fechada, mas alongada, e é uma elipse; quanto menor β, mais comprida. No instante em que β iguala α, o plano fica paralelo a exatamente uma geratriz, nunca a alcança, e a curva deixa de fechar: é a parábola. Com β menor que α, o plano está mais em pé que as geratrizes e, prolongado, atravessa também a outra folha: aparecem dois ramos, um em cada folha, a hipérbole.
A classificação pelo ângulo
Para um plano que evita o vértice de um cone de duas folhas com semiângulo de abertura α, sendo β o ângulo entre o plano e o eixo:
comparação
o que o plano faz
seção
β=90°
paralelo à base
circunferência
α<β<90°
atravessa cada geratriz de uma só folha; curva fechada
elipse
β=α
paralelo a uma geratriz, que nunca encontra; curva aberta
parábola
β<α
entra nas duas folhas; dois ramos
hipérbole
Se o plano passa pelo vértice, a seção degenera: um ponto (quando β>α), uma reta (quando β=α, o plano tangencia o cone ao longo de uma geratriz) ou duas retas concorrentes (quando β<α). Esses três casos chamam-se cônicas degeneradas e não contam como curvas da família.
O mesmo cone, quatro inclinações do plano. Da esquerda para a direita, o ângulo do plano com o eixo diminui: 90° dá a circunferência, um ângulo maior que o da geratriz dá a elipse, igual dá a parábola, menor dá a hipérbole. Diagrama autoral.
Repare no que a tabela não usa: ela não olha a curva. Olha o plano. Esse é o método para a prova, porque a figura do item raramente mostra a seção com clareza e o enunciado sempre descreve o plano (“paralelo à base”, “perpendicular a uma geratriz”, “paralelo ao eixo”). Traduza a descrição num ângulo, compare com α e pronto.
Conferência: no caso (d), se o cone fosse mais aberto, com α=60°, o mesmo plano perpendicular à geratriz daria β=30°<60°, hipérbole. A resposta de (d) depende da abertura do cone, e é exatamente essa dependência que o PAS 2 explorou em 2009: a seção pelo vértice perpendicular à base (o triângulo da abertura) era obtusângula, portanto 2α>90° e α>45°; o plano perpendicular a uma geratriz tinha β=90°−α<45°<α, e a seção era um ramo de hipérbole, item certo. “Um ramo”, e não dois, porque o item falava num cone de uma folha só, o sólido de sempre; o segundo ramo mora na folha que esse cone não tem.
Hipérbole precisa de duas folhas; "mais inclinado" não quer dizer "mais em pé"
Numa folha só, o plano que faria a hipérbole produz um ramo, uma curva aberta que parece uma parábola gorda. A distinção não está na aparência, está no ângulo: β<α é hipérbole mesmo que só um ramo apareça. E cuidado com a palavra “inclinado”: inclinar o plano em relação à base é diminuir β; inclinar em relação ao eixo é aumentá-lo. Converta sempre para o ângulo com o eixo antes de comparar.
A seção de um cilindro por um plano inclinado também é uma elipse, e a seção de uma esfera por qualquer plano é uma circunferência, nunca uma elipse; os dois casos estão em Geometria espacial. O cone é especial porque é o único desses sólidos que produz a família inteira.
A elipse: dois pregos, um barbante e um lápis
Cravar dois pregos numa tábua, amarrar neles as pontas de um barbante frouxo e correr um lápis mantendo o barbante esticado desenha uma elipse. É o método do jardineiro, usado para traçar canteiros ovais, e ele contém a definição inteira: em todo ponto do traçado, a soma das distâncias aos dois pregos é o comprimento do barbante, que não muda.
Elipse como lugar geométrico
Dados dois pontos F1 e F2 (os focos) e um comprimento 2a maior que a distância F1F2, a elipse é o conjunto dos pontos P do plano tais que
d(P,F1)+d(P,F2)=2a.
Elementos: o centroO é o ponto médio de F1F2; a distância focal é F1F2=2c; o eixo maior é o segmento A1A2 da reta dos focos, de comprimento 2a; o eixo menor é o segmento B1B2 perpendicular ao maior pelo centro, de comprimento 2b; A1, A2, B1 e B2 são os vértices. Os três semieixos estão amarrados por
a2=b2+c2,
e a excentricidade é e=ac, um número entre 0 e 1.
O barbante tem comprimento 2a e vai de um foco ao outro passando pelo lápis. No vértice B1 do eixo menor as duas metades do barbante são iguais, cada uma mede a, e o triângulo retângulo OB1F1 dá a² = b² + c². Diagrama autoral.
Por que a2=b2+c2? Ponha o lápis no vértice A2 do eixo maior: a distância a F2 é a−c e a distância a F1 é a+c, soma 2a, como tinha de ser; isso mostra que o semieixo maior é mesmo a. Agora ponha o lápis no vértice B1 do eixo menor: por simetria, as distâncias aos dois focos são iguais, cada uma vale a, e o triângulo OB1F1 é retângulo em O, com catetos b e c e hipotenusa a. Pitágoras fecha a conta. A relação é a primeira coisa a escrever em qualquer item de elipse, e ela tem o sinal de menos quando se isola c: c2=a2−b2.
Exemplo resolvido 2: do barbante aos números. Os pregos estão a 6 cm um do outro e o barbante, preso neles, tem 10 cm. Qual a largura e a altura da elipse desenhada, e qual a excentricidade?
Estratégia: o barbante é 2a; a distância entre os pregos é 2c; b sai de Pitágoras.
Resolução:2a=10, a=5; 2c=6, c=3; b2=25−9=16, b=4. A elipse tem 2a=10 cm de comprimento e 2b=8 cm de altura, e e=3/5=0,6.
Conferência: no ponto mais alto, o barbante vai do prego esquerdo ao lápis e volta ao prego direito em duas pernas iguais de 5 cm: 32+42=5, certo. Se os pregos fossem cravados no mesmo ponto (c=0), o barbante dobrado daria um raio de 5 cm e a curva seria uma circunferência: a circunferência é a elipse de focos coincidentes, com a=b e e=0.
Dois cuidados de leitura. O eixo maior é o que contém os focos, sempre; se a figura é mais alta que larga, os focos estão na vertical. E “distância focal” é a distância entre os focos, 2c, não a distância do centro a um foco, que é c. Um item que troque uma pela outra dobra ou divide a resposta ao meio.
A equação reduzida da elipse
Coloque o centro na origem e os focos no eixo x, F1(−c,0) e F2(c,0). A definição d(P,F1)+d(P,F2)=2a, escrita com a fórmula da distância, é
(x+c)2+y2+(x−c)2+y2=2a.
Isolar uma raiz, elevar ao quadrado, isolar a raiz que sobra e elevar ao quadrado outra vez leva, depois de simplificar, a (a2−c2)x2+a2y2=a2(a2−c2). Como a2−c2=b2, dividir tudo por a2b2 dá a forma que se usa.
Equações reduzidas da elipse
Centro na origem, focos no eixo x (eixo maior horizontal):
a2x2+b2y2=1,a>b,c2=a2−b2,
com vértices (±a,0) e (0,±b) e focos (±c,0).
Centro na origem, focos no eixo y (eixo maior vertical):
b2x2+a2y2=1,
com vértices (0,±a) e (±b,0) e focos (0,±c). O maior denominador diz onde está o eixo maior, e é sempre a2.
Centro em (h,k): troque x por x−h e y por y−k:
a2(x−h)2+b2(y−k)2=1,
com focos em (h±c,k) no caso horizontal e (h,k±c) no vertical. A área da região limitada pela elipse é πab (com a=b=R ela vira πR2).
Ler uma equação é um procedimento de quatro passos: identificar a2 (o maior denominador) e b2; decidir a direção do eixo maior pela variável que fica sobre a2; calcular c=a2−b2; escrever vértices e focos e desenhar. No sentido inverso, de elementos para equação, basta saber dois dos três números a, b, c e a direção.
Exemplo resolvido 3: ler e conferir. Descreva a elipse 25x2+9y2=1 e verifique a definição no ponto (3,2,4).
Estratégia: denominadores dão a e b; Pitágoras dá c; a definição se confere somando duas distâncias.
Resolução:a2=25 sob x2, logo eixo maior horizontal com a=5; b=3; c=25−9=4. Vértices (±5,0) e (0,±3); focos (±4,0); e=4/5=0,8. O ponto (3,2,4) está na curva: 9/25+5,76/9=0,36+0,64=1.
Conferência: as distâncias calculadas na primeira seção, 2,6 até (4,0) e 7,4 até (−4,0), somam 10, que é 2a. A definição e a equação dizem a mesma coisa sobre o mesmo ponto.
Exemplo resolvido 4: eixo vertical e centro fora da origem. (a) Que curva é 9x2+4y2=36? (b) E 25(x+1)2+16(y−3)2=1?
Resolução: (a) Dividindo por 36: 4x2+9y2=1. O maior denominador, 9, está sob y2: eixo maior vertical, a=3, b=2, c=9−4=5≈2,24. Vértices (0,±3) e (±2,0), focos (0,±5), e=5/3≈0,75. (b) Centro (−1,3); a=5 na direção x, b=4, c=3. Focos em (−1±3,3), isto é, (2,3) e (−4,3); vértices do eixo maior em (4,3) e (−6,3); do menor, em (−1,7) e (−1,−1).
Conferência: em (a), o ponto (0,3) dista 3−5 de um foco e 3+5 do outro, soma 6 = 2a. Em (b), o ponto (−1,7) dista 9+16=5=a de cada foco, como todo vértice do eixo menor.
Os denominadores são quadrados, e o maior manda
Em 25x2+9y2=1, o semieixo maior é 5, não 25, e o eixo maior inteiro mede 10. Em 4x2+9y2=1, os focos estão no eixo y, mesmo que a equação “comece” por x. E c nunca é um denominador: é a raiz da diferença entre os dois. Quem soma em vez de subtrair acha c>a e põe os focos fora da elipse, o que é impossível.
A parábola: um foco e uma reta, à mesma distância
A parábola tem um foco só, e o papel do segundo foco é feito por uma reta. Pegue um ponto F e uma reta d que não passa por ele; os pontos do plano que estão tão longe de F quanto de d formam a parábola. O ponto da curva mais perto de d é o vérticeV, a meio caminho entre F e d; a reta perpendicular a d que passa por F é o eixo de simetria; a distância p=VF (igual à distância de V a d) é o parâmetro e fixa a abertura: p pequeno, curva fechada e apertada; p grande, curva aberta.
Parábola como lugar geométrico e equações reduzidas
Dados um ponto F (foco) e uma reta d (diretriz) que não o contém, a parábola é o conjunto dos pontos P tais que
d(P,F)=d(P,d).
Com o vértice na origem e p a distância do foco ao vértice:
equação
abre para
foco
diretriz
y2=4px
a direita
(p,0)
x=−p
y2=−4px
a esquerda
(−p,0)
x=p
x2=4py
cima
(0,p)
y=−p
x2=−4py
baixo
(0,−p)
y=p
A variável que aparece ao quadrado é a do eixo perpendicular à abertura; o foco fica no outro eixo. Com o vértice em (h,k): (y−k)2=4p(x−h) ou (x−h)2=4p(y−k). A escrita de função y=ax2 é a mesma curva x2=4py com a=4p1, isto é, p=4a1.
De onde vem y2=4px: com F(p,0) e d a reta x=−p, a distância de P(x,y) ao foco é (x−p)2+y2 e a distância à reta é x+p (o ponto está à direita de d). Igualando e elevando ao quadrado: (x−p)2+y2=(x+p)2, e os termos x2 e p2 cancelam, sobrando y2=4px. Uma única elevação ao quadrado, sem raiz sobrando: é a dedução mais curta das três.
Todo ponto da parábola está à mesma distância do foco e da diretriz. Em y² = 12x, o ponto (3, 6) está a 6 do foco (3, 0) e a 6 da reta x = −3. O vértice fica a meio caminho, a uma distância p de cada um. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 5: foco e diretriz a partir da equação. Encontre o foco e a diretriz de y2=12x e confira a definição no ponto (3,6).
Estratégia: compare com y2=4px para ler p.
Resolução:4p=12, p=3. A curva abre para a direita, o foco é F(3,0) e a diretriz é x=−3. O ponto (3,6) pertence à curva, pois 36=12×3.
Conferência: distância ao foco, (3−3)2+62=6; distância à diretriz, 3−(−3)=6. Iguais. Repare que a corda da parábola que passa pelo foco, perpendicular ao eixo, mede 4p=12 (de (3,−6) a (3,6)): é um atalho para desenhar a abertura certa.
Exemplo resolvido 6: onde fica o receptor de uma antena. O perfil de um refletor parabólico tem abertura (distância entre as bordas) L=2,4 m e profundidade (do fundo à linha das bordas) h=0,30 m. A que distância do fundo deve ficar o receptor?
Estratégia: o receptor fica no foco; ponha o vértice na origem, o eixo em y e a borda no ponto (L/2,h).
Resolução: a parábola é x2=4py e passa por (1,2;0,30): 1,44=4p×0,30=1,2p, logo p=1,2 m. O receptor fica a 1,2 m do fundo, acima da linha das bordas, que está a 0,30 m.
Conferência: em geral, (L/2)2=4ph dá p=16hL2. Com L=2,4 e h=0,3: 5,76÷4,8=1,2. Para o radiotelescópio de Arecibo, com L=305 m e h=51 m, a mesma conta dá p=93025÷816≈114 m, e é por isso que a plataforma do receptor pendia de cabos a mais de 100 m acima do prato. Uma antena rasa (profundidade pequena) tem o foco longe; uma antena funda tem o foco perto, dentro do prato.
$p$ é a distância do foco ao vértice, e $4p$ é o que aparece na equação
Em y2=12x, p é 3, não 12. Em x2=2y, 4p=2 e p=1/2: o foco está em (0,1/2). Na escrita de função, y=2x2 tem a=2 e p=1/(4×2)=1/8; quem lê “p=2” põe o foco dezesseis vezes mais longe. E a diretriz fica do lado oposto ao foco em relação ao vértice: y2=12x abre para a direita, o foco está à direita, a diretriz é x=−3, à esquerda.
A hipérbole: a diferença é constante
Troque a soma pela diferença e a elipse vira hipérbole. Dois focos, F1 e F2, a uma distância 2c um do outro, e um número 2amenor que 2c: os pontos cuja diferença de distâncias aos focos vale 2a (em módulo, para pegar os dois lados) formam dois ramos, cada um abraçando um foco. Na vida real, é a curva do som de um avião supersônico no chão, o perfil das torres de resfriamento das usinas termelétricas (uma hipérbole girada em torno do eixo vertical) e a trajetória de um cometa que passa pelo Sol uma vez e nunca volta.
Hipérbole como lugar geométrico e equações reduzidas
Dados dois focos F1 e F2 com F1F2=2c e um comprimento 2a com 0<2a<2c, a hipérbole é o conjunto dos pontos P tais que
∣d(P,F1)−d(P,F2)∣=2a.
Elementos: centroO (ponto médio dos focos); vérticesA1 e A2, na reta dos focos, a uma distância a do centro; eixo real (ou transverso) A1A2, de comprimento 2a; eixo imaginário (ou conjugado), perpendicular, de comprimento 2b, com
c2=a2+b2;
assíntotas, as duas retas pelo centro das quais os ramos se aproximam sem tocar; excentricidadee=ac>1.
Na hipérbole, a2 é o denominador do termo positivo, não o maior denominador: a pode ser menor, igual ou maior que b. Centro em (h,k): troque x por x−h e y por y−k.
As assíntotas têm uma construção que resolve o esboço em um minuto. Desenhe o retângulo de referência: largura 2a (de −a a a em x) e altura 2b (de −b a b em y), centrado na origem. As diagonais desse retângulo, prolongadas, são as assíntotas y=±abx. Os vértices estão no meio dos lados verticais do retângulo, e os focos, um pouco além, a uma distância c do centro, que é exatamente a metade da diagonal do retângulo (porque c2=a2+b2). A curva sai de cada vértice e se cola às diagonais. Quando a=b, o retângulo é um quadrado, as assíntotas são perpendiculares (y=±x) e a hipérbole chama-se equilátera; girada de 45°, ela vira xy=k, o gráfico de y=k/x, que é uma hipérbole mesmo sem parecer. Foi essa a resposta de um item do ENEM de 2017, em que a equação (p+a)(v+b)=K de um fisiologista descrevia a velocidade de contração de um músculo: um ramo de hipérbole.
O retângulo 2a por 2b dá as assíntotas (as diagonais) e a distância focal (metade da diagonal é c). No ponto (5; 2,25), as distâncias aos focos são 10,25 e 2,25: a diferença é 8 = 2a. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 7: ler uma hipérbole e conferir a definição. Descreva 16x2−9y2=1 e verifique a definição no ponto P(5,2,25).
Estratégia:a2 é o denominador do termo positivo; c2=a2+b2 (com mais); assíntotas pelo retângulo.
Resolução:a=4, b=3, c=16+9=5. Vértices (±4,0), focos (±5,0), assíntotas y=±43x, e=5/4=1,25. O ponto está na curva: 25/16−5,0625/9=1,5625−0,5625=1.
Conferência:d(P,F2)=0+2,252=2,25 e d(P,F1)=102+2,252=105,0625=10,25. Diferença: 8=2a. Os mesmos números 3, 4 e 5 da elipse do exemplo 3 aparecem aqui com os papéis trocados: lá, c=4 saiu de 25−9; aqui, c=5 sai de 16+9. É a diferença entre o sinal de menos e o de mais na equação.
Na elipse $c$ é menor que $a$; na hipérbole, maior
Elipse: c2=a2−b2, os focos ficam dentro da curva, entre os vértices. Hipérbole: c2=a2+b2, os focos ficam fora, além dos vértices. Quem usa a fórmula errada acha um foco em cima do vértice ou uma raiz de número negativo; se isso acontecer, o sinal está trocado. E a assíntota não é parte da curva: a hipérbole nunca a toca, só se aproxima.
Como ler uma equação do 2.º grau e desenhar a curva em um minuto
Toda equação Ax2+Cy2+Dx+Ey+F=0, sem termo em xy, descreve uma cônica com os eixos paralelos aos eixos coordenados (ou um caso degenerado). O tipo se decide pelos coeficientes dos quadrados, antes de qualquer conta:
O tipo pela cara da equação
coeficientes de x2 e y2
curva
exemplo
iguais (A=C=0)
circunferência
x2+y2−4x+2y−4=0
mesmo sinal, diferentes
elipse
4x2+9y2−16x+18y−11=0
sinais contrários
hipérbole
9x2−4y2−18x−16y−43=0
só um quadrado (A=0 ou C=0)
parábola
x2−6x−8y+1=0
Depois de classificar, complete os quadrados em cada variável (metade do coeficiente do termo linear, elevada ao quadrado, somada e compensada) e divida pelo número que sobra. O centro ou o vértice aparece nos parênteses. Um caso degenerado se revela quando o lado direito dá zero ou negativo numa elipse (x2+y2+1=0 não tem ponto nenhum).
Exemplo resolvido 8: completar quadrados. Identifique e descreva (a) 4x2+9y2−16x+18y−11=0 e (b) 9x2−4y2−18x−16y−43=0.
Resolução: (a) Coeficientes 4 e 9, mesmo sinal: elipse. Agrupando, 4(x2−4x)+9(y2+2y)=11. Completando: 4[(x−2)2−4]+9[(y+1)2−1]=11, isto é, 4(x−2)2+9(y+1)2=11+16+9=36. Dividindo por 36: 9(x−2)2+4(y+1)2=1. Centro (2,−1), a=3 na horizontal, b=2, c=5, focos (2±5,−1).
(b) Coeficientes 9 e −4, sinais contrários: hipérbole. 9(x2−2x)−4(y2+4y)=43; 9[(x−1)2−1]−4[(y+2)2−4]=43; 9(x−1)2−4(y+2)2=43+9−16=36; 4(x−1)2−9(y+2)2=1. Centro (1,−2), termo positivo em x: ramos para a esquerda e para a direita, a=2, b=3, c=13, vértices (1±2,−2), assíntotas y+2=±23(x−1).
Conferência: em (a), o ponto (5,−1) (centro mais a em x) satisfaz a equação original: 100+9−80−18−11=0. Em (b), o vértice (3,−2): 81−16−54+32−43=0. Quando a conta de completar quadrados sai errada, o vértice não fecha a equação original; vale sempre testar um.
A circunferência é o caso A=C e tem página própria, Equação da circunferência; aqui ela aparece como a elipse de excentricidade zero, e nos itens que a combinam com uma elipse, como o das flores do cerrado do PAS 3 de 2020, lido mais adiante.
Excentricidade: um número que diz a forma
Duas elipses podem ter tamanhos diferentes e a mesma forma, como duas fotos da mesma moeda em escalas diferentes. O que decide a forma é o quociente e=c/a, a fração do semieixo maior que a distância centro–foco ocupa: ele não muda quando a figura é ampliada, e por isso é a medida certa de “quanto achatada”. Com c=0 os focos coincidem e a curva é uma circunferência, e=0. Conforme c cresce e se aproxima de a, os focos caminham para as pontas e a elipse se achata, até que em c=a ela viraria um segmento. Do outro lado de 1 estão as hipérboles: c>a, e>1, e quanto maior e, mais abertos os ramos (mais perto das assíntotas, que se aproximam de uma reta perpendicular ao eixo). A parábola fica exatamente na fronteira, e=1.
Excentricidade
e=ac⎩⎨⎧e=00<e<1e=1e>1circunfereˆnciaelipse (quanto mais perto de 1, mais achatada)paraˊbolahipeˊrbole (quanto maior, mais aberta)
Há uma definição única que cobre as três curvas: fixados um foco F e uma diretriz d, a cônica é o conjunto dos pontos com d(P,d)d(P,F)=e. Para e=1 é a definição da parábola; para e<1 sai uma elipse e para e>1, uma hipérbole. É por isso que o mesmo número organiza a família inteira.
Numa órbita elíptica com o Sol num foco, a distância mínima (periélio) é a−c=a(1−e) e a máxima (afélio) é a+c=a(1+e); dadas as duas, e=afeˊlio+perieˊlioafeˊlio−perieˊlio.
Mesmo semieixo maior, excentricidades 0, 0,5, 0,8 e 0,97: os focos se afastam do centro e a elipse se achata. A órbita da Terra tem e = 0,017 e é quase o primeiro desenho; a do cometa Halley tem e = 0,967 e é quase o último. Diagrama autoral.
As órbitas dos planetas são pouco excêntricas: Terra, e=0,017; Marte, 0,093; Mercúrio, o mais excêntrico, 0,206. Desenhadas em escala, todas parecem circunferências com o Sol um pouco fora do centro, e é esse “um pouco fora” que os itens de prova exploram, pedindo a distância entre o Sol e o segundo foco (2c=2ea) ou a diferença entre afélio e periélio (2c também). Os cometas de período longo têm e perto de 1 (Halley, 0,967), e um objeto que passa pelo Sol com e>1 está numa hipérbole e não volta. A física dessas trajetórias está em Leis de Kepler e órbitas.
Exemplo resolvido 9: a órbita de um cometa. Um cometa tem periélio de 0,6 UA e afélio de 5,4 UA. Determine a, c, e e a largura máxima da órbita.
Estratégia: periélio e afélio somam 2a e diferem de 2c.
Conferência:a(1−e)=3×0,2=0,6 e a(1+e)=3×1,8=5,4, os dois dados. Uma órbita de 6 UA de comprimento e 3,6 de largura: é o oval do terceiro desenho da figura.
Excentricidade perto de zero é redondo, não achatado
“Quanto menor a excentricidade, mais alongada a elipse” é uma inversão que a banca gosta de plantar, e está errada: e perto de 0 é quase circunferência; e perto de 1 é quase um segmento. E e nunca passa de 1 numa elipse: um item que atribua excentricidade 1,2 a uma órbita fechada está descrevendo uma hipérbole.
Por que o foco se chama foco: a propriedade refletora
A palavra foco é o latim para lareira, e foi Kepler quem a escolheu, em 1604, porque os raios que chegam a uma parábola paralelos ao eixo saem todos para o mesmo ponto, como o calor que se junta no fogo. A geometria por trás disso é a definição: em cada ponto P da parábola, a reta tangente faz ângulos iguais com o segmento PF e com a perpendicular à diretriz por P, e a lei da reflexão (ângulo de incidência igual ao de reflexão, em Espelhos) faz o resto. O mesmo acontece com ondas de rádio, luz, som e ondas de choque: qualquer coisa que se reflita numa superfície obedece.
As três propriedades refletoras
Parábola. Um raio paralelo ao eixo, ao refletir na curva, passa pelo foco; e um raio que parte do foco sai paralelo ao eixo. É o refletor de antena parabólica e de radiotelescópio (o sinal chega paralelo e se concentra no receptor, posto no foco), do forno solar e do espelho primário de um telescópio refletor; e, no sentido inverso, do farol de automóvel, da lanterna e do refletor de palco (a lâmpada no foco produz um feixe paralelo). Em três dimensões, a superfície é o paraboloide de revolução, a parábola girada em torno do eixo.
Elipse. Um raio que parte de um foco, ao refletir na curva, passa pelo outro foco, e todos os raios chegam ao mesmo tempo, porque percorrem o mesmo comprimento 2a. É a galeria de sussurros (um cochicho num foco de uma sala de teto elíptico é ouvido com nitidez no outro foco, a dezenas de metros), a litotripsia (um gerador de ondas de choque num foco de um refletor elíptico e o cálculo renal do paciente no outro, para quebrar a pedra sem cirurgia) e o refletor da lâmpada do dentista, que concentra a luz num ponto da boca.
Hipérbole. Um raio dirigido a um foco, ao refletir no ramo que está na frente dele, segue para o outro foco. É o espelho secundário do telescópio Cassegrain, que devolve para trás do espelho principal a luz que ele concentrava, e a base da navegação por diferença de tempos (LORAN): a diferença de distâncias a duas estações é constante sobre uma hipérbole.
Na parábola, o que chega paralelo ao eixo se junta no foco; na elipse, o que sai de um foco chega ao outro, sempre depois de percorrer 2a. Diagrama autoral.
Uma antena de TV por satélite de 60 cm e 5 cm de profundidade tem o foco a 602÷(16×5)=45 cm do fundo: é o braço que segura o receptor na frente do prato. O radiotelescópio de Arecibo, com 305 m de boca e 51 m de fundo, tinha o foco a 114 m, e o receptor, de 900 toneladas, ficava pendurado por cabos de três torres; foi a ruptura desses cabos, em 2020, que destruiu o instrumento. Os dois pratos obedecem à mesma conta, p=L2/16h, e a diferença entre 45 cm e 114 m é só escala. As antenas modernas em geral são “offset”: o prato é um pedaço lateral de um paraboloide maior, para que o receptor não faça sombra no sinal, e por isso o braço parece torto.
Leia como na prova: Arecibo, o Hubble, as flores e os lotes
As cônicas entraram no PAS pelos dois lados, com quatro anos de intervalo entre uma face e a outra. No PAS 2, como curva do cone, a prova pediu classificação, excentricidade e foco (2009) e a equação de uma parábola dada por três pontos, num item de resposta construída (2011). No PAS 3, como curva analítica, pediu a parábola do espelho do Hubble (2010), uma elipse dada pelos vértices junto com uma reta e uma circunferência (2020) e uma elipse deslocada que recortava lotes (2021). Os blocos do PAS 3 estão fora da matriz vigente daquela etapa, mas são o melhor retrato de como a banca combina as cônicas com o resto da geometria analítica, e os três cabem na matriz do PAS 2 pelo lado das propriedades e da leitura de figura.
O bloco de 2009 (PAS 2, itens 95 a 97). O texto-base ia de Menecmo, “curvas obtidas pela interseção de um cone circular reto com um plano”, até os radiotelescópios, passando por Galileu, Kepler e o telescópio refletor de Newton, “na forma de paraboloide ou hiperboloide”. O item 95 era a classificação da primeira seção desta página. O item 96 trazia a foto de Arecibo e, ao lado, a figura de uma parábola com vértice O, uma corda horizontal AB=305 m e o ponto médio H de AB com OH=51 m; afirmava que a distância do foco ao vértice passava de 102 m. Com o vértice na origem, x2=4py e o ponto (152,5;51): p=152,52÷204≈114 m. Certo. O item 97 dava as excentricidades de Urano (0,0047) e Netuno (0,0086) e as distâncias médias ao Sol (2,87×109 km e 4,5×109 km) e perguntava se a distância do Sol ao outro foco era menor para Urano. Essa distância é 2c=2ea: 2×0,0047×2,87×109≈2,7×107 km para Urano e 2×0,0086×4,5×109≈7,7×107 km para Netuno. Certo, pelos dois fatores: Urano tem e menor e a menor.
O Hubble (PAS 3, 2010, itens 129 e 130). A figura punha o espelho primário como uma parábola de eixo Ox, vértice V no eixo e abrindo para a direita, passando por A e D sobre o eixo y, com diâmetro AD=2,4 m; um espelho secundário BC inclinado a 120° e a ocular F completavam o esquema. O item 129 afirmava que, escrita como x=ay2+by+c, a parábola tinha necessariamente b=0: certo, porque o vértice está sobre Ox e a ordenada do vértice de x=ay2+by+c é −b/(2a), que só é zero com b=0. O item 130 dizia que, com distância focal de 58 m (distância do vértice ao foco), o vértice ficava à esquerda de (−1,0). Com p=58, a parábola é x−xV=232y2, e o ponto D(0;1,2) dá xV=−2321,44≈−0,006 m. O vértice fica 6 mm à esquerda da origem, e não 1 m: errado. Um espelho de 2,4 m de boca com foco a 58 m é quase plano; é a situação oposta à de Arecibo.
As flores do cerrado (PAS 3, 2020, itens 91 a 93). A caliandra vivia dentro da circunferência x2+y2−6y+5=0 e o flamboyant dentro de uma elipse desenhada com os vértices em (±3,0) e (0,±2); em cada foco havia um acampamento, e uma estrada seguia a reta y=−x+2. A elipse é 9x2+4y2=1, com c=5≈2,24, focos (±5,0). A estrada passa por um acampamento? Em x=5 a reta dá y=2−2,24=0; em x=−5, y=4,24: não passa, item 91 errado. As regiões não se cruzam? Completando quadrados, a circunferência é x2+(y−3)2=4: centro (0,3), raio 2, portanto desce até y=1, e a elipse sobe até y=2; as duas regiões se sobrepõem, item 92 errado. A área da caliandra é menor? π×22=4π contra π×3×2=6π: sim, item 93 certo.
Os lotes (PAS 3, 2021, itens 29 a 31). Uma elipse de equação 16(x−2)2+4(y−1)2=1, os semieixos positivos e três segmentos (as retas x=1 e x=3, do eixo x até a elipse, e a reta y=1, de x=3 até a elipse) delimitavam os lotes A (entre o eixo y e x=1), B (entre x=1 e x=3), C (à direita de x=3, acima de y=1) e D (à direita de x=3, abaixo de y=1). Centro (2,1), a=4 na horizontal, b=2: o ponto mais alto é (2,3). O lote B cabe no retângulo 1≤x≤3, 0≤y≤3, de área 6, e só encosta na linha y=3 num ponto: área menor que 6, item 29 errado. O centro (2,1) está dentro de B; o ponto comum a B, C e D é (3,1): item 30 errado. As interseções com os semieixos positivos: em x=0, 164+4(y−1)2=1 dá (y−1)2=3, y=1+3; em y=0, 16(x−2)2+41=1 dá (x−2)2=12, x=2+23. A soma pedida no item 31, do tipo C, é a+b=3+33, a última opção.
As duas figuras do PAS 3 reconstruídas em escala: os focos da elipse de 2020 ficam em ±√5, fora da reta da estrada, e a circunferência da caliandra desce até y = 1, dentro da elipse; o lote B de 2021 cabe num retângulo de área 6 e só toca o topo dele num ponto. Diagrama autoral.
A figura mostra os vértices; os focos, você calcula
Nenhuma das figuras marcava os focos. Em 2020 o item dependia de saber que eles estão em (±c,0) com c2=9−4, e quem chutou “no meio entre o centro e o vértice” (x=1,5) ou “no vértice” errou a conta. Em 2021, a figura nem mostrava a elipse inteira, só o pedaço do primeiro quadrante, e o centro (2,1) estava escrito na equação, não no desenho. Leia a equação primeiro; use a figura para localizar o que a equação diz.
Como a banca pergunta
Os itens de cônicas têm cinco moldes, e a maioria cabe numa ou duas linhas de conta.
Classificar a seção pela descrição do plano. “Plano perpendicular a uma geratriz”, “paralelo ao eixo”, “paralelo à base”, com ou sem o ângulo de abertura do cone (PAS 2 2009). Converta em β e compare com α.
Elementos a partir da equação, ou equação a partir dos elementos. Ler a, b, c, focos, vértices e assíntotas em a2x2±b2y2=1 ou y2=4px, inclusive com centro deslocado e depois de completar quadrados (PAS 3 2020 e 2021); ou escrever a equação de uma parábola que passa por três pontos dados (PAS 2 2011, tipo D).
Propriedade refletora em contexto físico. Espelho côncavo de latas, antena, radiotelescópio, farol: onde fica o foco, para onde vai o raio refletido, que ângulo ele faz (PAS 2 2009 e 2011; PAS 3 2010).
Excentricidade e órbitas. Dadas e e a, achar c ou 2c; dados periélio e afélio, achar e; comparar duas órbitas (PAS 2 2009; vestibulares com Plutão e Halley).
Cônica combinada com reta, circunferência ou área. A reta passa pelo foco? As regiões se cruzam? Qual área é maior? Qual lote contém o centro? (PAS 3 2020 e 2021). Aqui entram as páginas de Equação da circunferência e Distâncias na geometria analítica.
Em todos, o item vem com um limiar (“maior que 102 m”, “inferior a 2,0 m”, “maior do que 6 km²”) ou com uma afirmação de forma (“é uma elipse”, “é um ramo de hipérbole”, “necessariamente b=0”). Faça a conta exata antes de comparar, e julgue a afirmação inteira, não só o número.
Os erros que a banca planta
Trocar a e b pela ordem na equação. O eixo maior da elipse está na variável que divide por a2, o maior denominador; na hipérbole, a2 é o denominador do termo positivo, maior ou não.
Somar onde é para subtrair. Elipse: c2=a2−b2; hipérbole: c2=a2+b2. Um c maior que a na elipse denuncia o sinal trocado.
Ler 4p como p. Em y2=12x, p=3. Em y=ax2, p=1/(4a).
Pôr a diretriz do lado do foco. Ela fica do lado oposto ao foco, a p do vértice.
“Excentricidade perto de zero é alongada”. É o contrário: perto de zero é quase circunferência; perto de 1 é quase um segmento.
Excentricidade maior que 1 numa elipse. Não existe: e>1 é hipérbole.
Distância focal como c. Distância focal é 2c, entre os dois focos.
Decidir a seção olhando a curva. A classificação é pelo ângulo do plano; um ramo de hipérbole parece uma parábola.
Hipérbole com um ramo só “porque a figura mostra um”. Num cone de duas folhas há sempre dois; num cone sólido de uma folha, aparece um.
Focos marcados “no meio do caminho”. Os focos não estão em ponto algum visível da figura: calculam-se por c.
Esquecer o centro deslocado. Em 16(x−2)2+4(y−1)2=1, os focos são (2±23,1), não (±23,0).
Raio paralelo “converge para o vértice”. Converge para o foco; o vértice é só o ponto mais fundo.
Área da elipse como πa2. É πab.
O essencial em meia página
Cônicas = seções de um cone de duas folhas por um plano que evita o vértice. Com α o semiângulo de abertura e β o ângulo do plano com o eixo: β=90° circunferência; β>α elipse; β=α parábola; β<α hipérbole (duas folhas, dois ramos). Pelo vértice: ponto, reta ou duas retas (degeneradas).
Elipse: d(P,F1)+d(P,F2)=2a; a2=b2+c2; a2x2+b2y2=1 (eixo maior na variável do maior denominador); focos a c do centro, no eixo maior; área πab; e=c/a<1.
Parábola: d(P,F)=d(P,d); y2=4px (foco (p,0), diretriz x=−p) e x2=4py (foco (0,p), diretriz y=−p); p = distância foco–vértice; y=ax2 tem p=1/(4a); foco de um refletor de abertura L e profundidade h: p=L2/16h.
Hipérbole: ∣d(P,F1)−d(P,F2)∣=2a; c2=a2+b2; a2x2−b2y2=1 (vértices (±a,0), focos (±c,0), assíntotas y=±abx); a2 é o denominador do termo positivo; e=c/a>1.
Centro em (h,k): troque x por x−h e y por y−k; da forma geral, complete quadrados. Tipo pela equação: A=C circunferência; mesmo sinal elipse; sinais contrários hipérbole; um quadrado só parábola.
Excentricidadee=c/a: 0 circunferência, entre 0 e 1 elipse, 1 parábola, acima de 1 hipérbole. Órbita: periélio a(1−e), afélio a(1+e), e=A+PA−P; distância do Sol ao outro foco 2c=2ea.
Refletora: parábola manda o paralelo ao foco (antena, Arecibo, Hubble) e o foco para o paralelo (farol); elipse manda um foco ao outro, sempre com percurso 2a (sussurros, litotripsia); hipérbole devolve ao outro foco (Cassegrain).
Na prova: classifique pelo plano, não pela figura; leia a, b, c pela equação e marque os focos você mesmo; faça a conta exata antes do limiar; julgue a afirmação inteira.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Introdução às Cônicas
Portal da Matemática OBMEP · 7:16
Introdução. O professor Vander Martins (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP) define a superfície cônica de duas folhas e mostra as curvas que um plano recorta nela, parábola, elipse e hipérbole: é a seção “Um cone, um plano e quatro curvas” em aula, antes de qualquer equação.
Equação da Elipse
Portal da Matemática OBMEP · 11:39
Mecanismo. Partindo da definição da elipse como lugar geométrico (soma das distâncias aos focos igual a 2a), o professor deduz no quadro a equação reduzida com os eixos paralelos aos eixos coordenados: é a dedução que a seção “A equação reduzida da elipse” resume em três linhas, feita passo a passo, com as duas elevações ao quadrado.
Introdução à Hipérbole
Portal da Matemática OBMEP · 12:00
Aprofundamento. Define a hipérbole pela diferença das distâncias aos focos e apresenta os seus elementos (centro, vértices, eixos real e imaginário, focos, assíntotas e excentricidade): é a seção “A hipérbole: a diferença é constante”, inclusive a relação c² = a² + b² e o retângulo de referência.
Por que as antenas parabólicas são parabólicas?
Professora Letícia Genevain - Matemática · 8:51
Aplicação. Apresenta as cônicas, em especial a parábola, para responder por que o refletor da antena tem esse perfil: os raios paralelos ao eixo convergem no foco, onde fica o receptor, e a superfície é o paraboloide de revolução. É a seção “Por que o foco se chama foco: a propriedade refletora” com a antena de TV e o radiotelescópio como exemplos (na descrição, a autora anota um reparo ao que diz aos 6:58 sobre o paraboloide; fique com o que esta página usa: o paraboloide é a superfície obtida girando a parábola em torno do eixo).
PAS 3 UNB - Subprograma 2018 - Item 92 - Mat. | A estrada passa por uma base de acampamento.
Professor Gabriel Carvalho · 5:01
Resolução. Resolve o item do bloco das flores do cerrado do PAS 3 (subprograma 2018, prova aplicada em 2020; no caderno oficial é o item 91), em que a estrada y = −x + 2 deveria passar por um foco da elipse de vértices (±3, 0) e (0, ±2): calcula c² = 9 − 4, localiza os focos em (±√5, 0) e testa a reta, exatamente como a seção “Leia como na prova” faz com o mesmo item.
Um corte inclinado na ponta de um lápis, o prato de uma antena e um cone atravessado por um plano: três caras da mesma família de curvas, as cônicas.O mesmo cone, quatro inclinações do plano. Da esquerda para a direita, o ângulo do plano com o eixo diminui: 90° dá a circunferência, um ângulo maior que o da geratriz dá a elipse, igual dá a parábola, menor dá a hipérbole. Diagrama autoral.O barbante tem comprimento 2a e vai de um foco ao outro passando pelo lápis. No vértice B1 do eixo menor as duas metades do barbante são iguais, cada uma mede a, e o triângulo retângulo OB1F1 dá a² = b² + c². Diagrama autoral.Todo ponto da parábola está à mesma distância do foco e da diretriz. Em y² = 12x, o ponto (3, 6) está a 6 do foco (3, 0) e a 6 da reta x = −3. O vértice fica a meio caminho, a uma distância p de cada um. Diagrama autoral.O retângulo 2a por 2b dá as assíntotas (as diagonais) e a distância focal (metade da diagonal é c). No ponto (5; 2,25), as distâncias aos focos são 10,25 e 2,25: a diferença é 8 = 2a. Diagrama autoral.Mesmo semieixo maior, excentricidades 0, 0,5, 0,8 e 0,97: os focos se afastam do centro e a elipse se achata. A órbita da Terra tem e = 0,017 e é quase o primeiro desenho; a do cometa Halley tem e = 0,967 e é quase o último. Diagrama autoral.Na parábola, o que chega paralelo ao eixo se junta no foco; na elipse, o que sai de um foco chega ao outro, sempre depois de percorrer 2a. Diagrama autoral.As duas figuras do PAS 3 reconstruídas em escala: os focos da elipse de 2020 ficam em ±√5, fora da reta da estrada, e a circunferência da caliandra desce até y = 1, dentro da elipse; o lote B de 2021 cabe num retângulo de área 6 e só toca o topo dele num ponto. Diagrama autoral.Numa galeria de sussurros de teto elíptico, o que se cochicha num foco chega nítido ao outro: todos os caminhos refletidos medem 2a e chegam juntos.O espelho primário de um telescópio refletor é um paraboloide: a luz que chega paralela ao eixo converge no foco, de onde o espelho secundário a devolve à ocular.O contorno da torre de resfriamento é uma hipérbole: a superfície é a curva girada em torno do eixo vertical, e um plano que contém o eixo recorta os dois ramos nas duas bordas.O receptor fica no foco da parábola: para um prato de 60 cm e 5 cm de profundidade, a 45 cm do fundo. É o braço que parece torto.Reconstituição ilustrativa de um radiotelescópio com receptor suspenso. No modelo parabólico idealizado do exercício, uma abertura de 305 m e profundidade de 51 m dão distância focal de aproximadamente 114 m.O método do jardineiro: as estacas são os focos, o barbante mede 2a e cada ponto do traço soma a mesma distância às duas estacas.
Rota PAS 2
Geometria espacial: sólidos, cônicas e projeções · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Geometria espacial: sólidos, cônicas e projeções · Cônicas: as curvas que nascem do cone (conceito, figura das três seções, exemplo-guia dos ângulos, 'Na prova' com o bloco de 2009 e o item 96 de Arecibo, checagem); Como a banca cobra (item 2009/95 e histórico); Resolvidos (abajur cônico junto à parede); Leia como na prova (itens 9, 15 e 18: farol parabólico, excentricidade, condição para hipérbole); Banco de treino T4 a T7
Recorte por assunto: só as cônicas (seções do cone, definições por distâncias, elementos, equações reduzidas, excentricidade, propriedade refletora). Seções de outros sólidos, áreas, poliedros, esfera e projeções do mesmo capítulo pertencem a outras páginas. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; a abertura, os exemplos, os números e a ordem de exposição desta página são próprios.
Rota PAS 3 — Geometria analítica e números complexos · A circunferência: todos os pontos a R do centro (equação, completar quadrados; aqui só como caso-limite da elipse); Quanto mede o caminho entre dois pontos (bloco dos lotes de 2021, item 28, com a descrição da figura); Como a banca cobra (fronteiras: 2010/129–130, 2020/91–93 e 2021/29–31 fora da matriz vigente do PAS 3)
A circunferência analítica em detalhe fica na página equacao-da-circunferencia; a parábola como gráfico de função fica em funcao-quadratica. Os itens analíticos de elipse e parábola do PAS 3 foram lidos nos cadernos, não no capítulo, que só os cita como histórico.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 2: 2009 (itens 95, 96 e 97, bloco de Menecmo a Kepler, radiotelescópio de Arecibo), 2011 (itens 90, 91 e 95, espelho côncavo do aquecedor solar de latas, caderno Itaipu); PAS 3: 2010 (itens 129 e 130, espelho primário do Hubble), 2020 (itens 91 a 93, caliandra e flamboyant), 2021 (itens 29, 30 e 31, lotes A a D delimitados por uma elipse)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB oficiais (2009: 95 C, 96 C, 97 C; 2011: 90 E, 91 C, 95 tipo D; 2010: 129 C, 130 E; 2020: 91 E, 92 E, 93 C; 2021: 29 E, 30 E, 31 D) e nas classificações classificacao-pas2/2009.json, 2011.json e classificacao-pas3/2010.json, 2020.json, 2021.json.
Cadernos em PDF (figuras dos itens) · PAS 2 2009, página 13 do caderno (p. 14 do PDF): figura I (foto de Arecibo) e figura II (parábola com vértice O, corda AB e ponto H); PAS 2 2011, p. 14 do caderno Itaipu (p. 16 do PDF): espelho côncavo com os pontos A, B, C, F e o ângulo α; PAS 3 2010, p. 19 (p. 20 do PDF): sistema de espelhos do Hubble com V, O, A, D, B, C, P e F; PAS 3 2020, p. 8 do PDF da parte 2: elipse com vértices em ±3 e ±2 e a reta da estrada; PAS 3 2021, p. 3 do PDF da parte 2: lotes A, B, C e D com as retas x = 1, x = 3 e y = 1
Todas as figuras foram renderizadas a 300 dpi e descritas em texto neutro no campo text das questões, com todos os rótulos e medidas.
MacTutor History of Mathematics (University of St Andrews) e NSF Arecibo Observatory · Menaechmus (descoberta das seções cônicas ao atacar a duplicação do cubo; aluno de Eudoxo); Apollonius of Perga (Conics em oito livros; introdução dos nomes parábola, elipse e hipérbole); NSF: colapso do telescópio de 305 m de Arecibo em 1.º de dezembro de 2020, com a plataforma de instrumentos suspensa por cabos
Fontes das afirmações históricas da abertura e do container sobre Arecibo. Conferidas em 3/10/2026 (curl 200 e leitura do texto). A escolha do termo 'foco' por Kepler em 1604 (Astronomiae pars optica) ficou sem página de referência conferida.