Cônicas

Guia de estudo · Revisado em 03/10/2026

A ponta de um lápis apontado, cortada por uma lâmina, mostra um círculo, um oval ou uma curva aberta conforme a inclinação do corte; a antena de Arecibo tem 305 m de boca e 51 m de fundo, e o receptor fica a 114 m do fundo; Netuno dá a volta no Sol numa curva que nem parece achatada. O que essas três situações têm em comum, e como se calcula onde fica o foco?

O que você vai aprender

  • Classificar a seção de um cone de duas folhas por um plano comparando o ângulo do plano com o eixo e o ângulo de abertura do cone: circunferência (plano perpendicular ao eixo), elipse, parábola (plano paralelo a uma geratriz) e hipérbole (plano que alcança as duas folhas), e reconhecer os casos degenerados quando o plano passa pelo vértice.
  • Definir elipse, hipérbole e parábola como lugares geométricos (soma das distâncias aos focos igual a 2a; módulo da diferença igual a 2a; distância ao foco igual à distância à diretriz), construir a elipse com barbante e identificar focos, centro, vértices, eixos, assíntotas e o parâmetro p.
  • Escrever e ler as equações reduzidas centradas na origem (x²/a² + y²/b² = 1 com c² = a² − b²; x²/a² − y²/b² = 1 com c² = a² + b²; y² = 4px e x² = 4py) e as formas deslocadas (x − h)², (y − k)², passando de equação para elementos e esboço e de elementos para equação, inclusive por completamento de quadrados.
  • Calcular e interpretar a excentricidade e = c/a como medida da forma (0 na circunferência, entre 0 e 1 na elipse, 1 na parábola, maior que 1 na hipérbole) e aplicá-la a órbitas com periélio e afélio.
  • Usar a propriedade refletora da parábola (raios paralelos ao eixo convergem no foco) e da elipse (o que sai de um foco chega ao outro) em antenas, radiotelescópios, espelhos côncavos e salas sussurrantes, calculando a posição do foco a partir da abertura e da profundidade (d = a²/16p).
  • Ler figuras com eixos (elipse com vértices marcados, lotes delimitados por uma elipse deslocada, espelho parabólico com eixo Ox) e julgar itens que combinam cônicas com reta, circunferência e área, como os blocos do PAS 2 de 2009 e 2011 e do PAS 3 de 2010, 2020 e 2021.

Aponte um lápis de madeira e passe uma lâmina pela ponta. Corte reto, perpendicular ao lápis: a fatia é um círculo. Incline a lâmina um pouco: a fatia vira um oval com duas pontas iguais, uma elipse. Incline mais, até a lâmina ficar paralela a uma das arestas da ponta: o corte já não fecha, e o contorno é uma parábola. Incline ainda mais e o contorno abre mais depressa, uma hipérbole, que teria um segundo ramo se o lápis fosse apontado dos dois lados e os dois cones se tocassem pela ponta. É a mesma ponta e a mesma lâmina: o que muda a curva é só o ângulo.

Esse experimento de 30 segundos é o que Menecmo fez, por volta de 350 a.C., quando precisou de curvas novas para duplicar o cubo, e o que Apolônio de Perga organizou um século depois num tratado em oito livros, de onde vêm os nomes elipse, parábola e hipérbole. Dezoito séculos mais tarde, Kepler descobriu que os planetas percorrem elipses com o Sol num foco, e Newton explicou por quê. Hoje a mesma família de curvas está na antena de TV, no espelho do Hubble, no refletor de 305 m que ficou encravado numa depressão do terreno em Porto Rico e na máquina que quebra pedras nos rins sem cortar a pele. Esta página percorre as cônicas pelos dois lados em que a prova as cobra: como seções do cone, classificadas pelo ângulo, e como curvas do plano cartesiano, com focos, equações e uma conta que diz onde fica o receptor da antena. A parábola como gráfico de função fica em Função quadrática; a circunferência e os seus itens de centro e raio, em Equação da circunferência; as órbitas, em Leis de Kepler e órbitas. Aqui, o assunto é a família inteira.

Duas ferramentas que vão aparecer o tempo todo

A distância entre dois pontos. Todas as definições desta página são frases sobre distâncias, e a única fórmula de que elas precisam é a de Distâncias na geometria analítica: entre P(x1,y1)P(x_1, y_1) e Q(x2,y2)Q(x_2, y_2),

d(P,Q)=(x2−x1)2+(y2−y1)2.d(P, Q) = \sqrt{(x_2 - x_1)^2 + (y_2 - y_1)^2}.

De (3,2,4)(3, 2{,}4) a (4,0)(4, 0): 1+5,76=6,76=2,6\sqrt{1 + 5{,}76} = \sqrt{6{,}76} = 2{,}6. De (3,2,4)(3, 2{,}4) a (−4,0)(-4, 0): 49+5,76=54,76=7,4\sqrt{49 + 5{,}76} = \sqrt{54{,}76} = 7{,}4. Guarde esses dois números: eles somam 10, e isso vai importar daqui a duas seções.

O cone e os seus ângulos. Um cone circular reto tem um vértice VV, um eixo (a reta que passa por VV e pelo centro da base) e as geratrizes, os segmentos de reta que vão do vértice à borda da base. Toda geratriz faz com o eixo o mesmo ângulo α\alpha, o semiângulo de abertura; o ângulo de abertura do cone, o que aparece numa seção pelo eixo, é 2α2\alpha. Um cone de abertura 60°60° tem α=30°\alpha = 30°: a seção pelo eixo é um triângulo equilátero (o cone equilátero de Geometria espacial). Para as cônicas, o cone é pensado como superfície, sem tampa e sem fim, e com duas folhas: prolongue as geratrizes para além do vértice e aparece um segundo cone, de ponta-cabeça, encostado no primeiro pela ponta. É essa segunda folha que dá o segundo ramo da hipérbole.

O ângulo de um plano com o eixo. Chame de β\beta o ângulo entre o plano de corte e o eixo do cone, de 0°0° (plano paralelo ao eixo) a 90°90° (plano perpendicular ao eixo, paralelo à base). A classificação da próxima seção é uma comparação entre β\beta e α\alpha, e só isso.

Um cone, um plano e quatro curvas

Fixe o cone e gire o plano de corte, sem passar pelo vértice. Com β=90°\beta = 90°, o plano é paralelo à base e a seção é uma circunferência. Diminua β\beta um pouco: o plano continua atravessando todas as geratrizes de uma folha, a curva continua fechada, mas alongada, e é uma elipse; quanto menor β\beta, mais comprida. No instante em que β\beta iguala α\alpha, o plano fica paralelo a exatamente uma geratriz, nunca a alcança, e a curva deixa de fechar: é a parábola. Com β\beta menor que α\alpha, o plano está mais em pé que as geratrizes e, prolongado, atravessa também a outra folha: aparecem dois ramos, um em cada folha, a hipérbole.

A classificação pelo ângulo

Para um plano que evita o vértice de um cone de duas folhas com semiângulo de abertura α\alpha, sendo β\beta o ângulo entre o plano e o eixo:

comparação o que o plano faz seção
β=90°\beta = 90° paralelo à base circunferência
α<β<90°\alpha < \beta < 90° atravessa cada geratriz de uma só folha; curva fechada elipse
β=α\beta = \alpha paralelo a uma geratriz, que nunca encontra; curva aberta parábola
β<α\beta < \alpha entra nas duas folhas; dois ramos hipérbole

Se o plano passa pelo vértice, a seção degenera: um ponto (quando β>α\beta > \alpha), uma reta (quando β=α\beta = \alpha, o plano tangencia o cone ao longo de uma geratriz) ou duas retas concorrentes (quando β<α\beta < \alpha). Esses três casos chamam-se cônicas degeneradas e não contam como curvas da família.

Quatro cones de duas folhas lado a lado, cada um cortado por um plano em outra inclinação. No primeiro, o plano é horizontal e a seção, marcada em cor, é uma circunferência. No segundo, o plano está um pouco inclinado e a seção é uma elipse fechada dentro da folha de baixo. No terceiro, o plano é paralelo a uma geratriz e a seção é uma parábola, que sai aberta pela borda do cone. No quarto, o plano é vertical, paralelo ao eixo, e corta as duas folhas, mostrando os dois ramos de uma hipérbole. Sob cada cone, a comparação entre o ângulo do plano e o ângulo da geratriz.
O mesmo cone, quatro inclinações do plano. Da esquerda para a direita, o ângulo do plano com o eixo diminui: 90° dá a circunferência, um ângulo maior que o da geratriz dá a elipse, igual dá a parábola, menor dá a hipérbole. Diagrama autoral.

Repare no que a tabela não usa: ela não olha a curva. Olha o plano. Esse é o método para a prova, porque a figura do item raramente mostra a seção com clareza e o enunciado sempre descreve o plano (“paralelo à base”, “perpendicular a uma geratriz”, “paralelo ao eixo”). Traduza a descrição num ângulo, compare com α\alpha e pronto.

Exemplo resolvido 1: classificar sem desenhar. Um cone tem ângulo de abertura de 70°70°. Classifique a seção por um plano que evita o vértice e (a) faz 50°50° com o eixo; (b) faz 35°35° com o eixo; © é paralelo ao eixo; (d) é perpendicular a uma geratriz.

Estratégia: ache α\alpha, ache β\beta em cada caso e compare.

Resolução: α=70°÷2=35°\alpha = 70° \div 2 = 35°. (a) β=50°>35°\beta = 50° > 35°: elipse. (b) β=35°=α\beta = 35° = \alpha: parábola. © β=0°<35°\beta = 0° < 35°: hipérbole. (d) Um plano perpendicular a uma geratriz faz com o eixo o ângulo complementar ao da geratriz, β=90°−35°=55°>35°\beta = 90° - 35° = 55° > 35°: elipse.

Conferência: no caso (d), se o cone fosse mais aberto, com α=60°\alpha = 60°, o mesmo plano perpendicular à geratriz daria β=30°<60°\beta = 30° < 60°, hipérbole. A resposta de (d) depende da abertura do cone, e é exatamente essa dependência que o PAS 2 explorou em 2009: a seção pelo vértice perpendicular à base (o triângulo da abertura) era obtusângula, portanto 2α>90°2\alpha > 90° e α>45°\alpha > 45°; o plano perpendicular a uma geratriz tinha β=90°−α<45°<α\beta = 90° - \alpha < 45° < \alpha, e a seção era um ramo de hipérbole, item certo. “Um ramo”, e não dois, porque o item falava num cone de uma folha só, o sólido de sempre; o segundo ramo mora na folha que esse cone não tem.

Hipérbole precisa de duas folhas; "mais inclinado" não quer dizer "mais em pé"

Numa folha só, o plano que faria a hipérbole produz um ramo, uma curva aberta que parece uma parábola gorda. A distinção não está na aparência, está no ângulo: β<α\beta < \alpha é hipérbole mesmo que só um ramo apareça. E cuidado com a palavra “inclinado”: inclinar o plano em relação à base é diminuir β\beta; inclinar em relação ao eixo é aumentá-lo. Converta sempre para o ângulo com o eixo antes de comparar.

A seção de um cilindro por um plano inclinado também é uma elipse, e a seção de uma esfera por qualquer plano é uma circunferência, nunca uma elipse; os dois casos estão em Geometria espacial. O cone é especial porque é o único desses sólidos que produz a família inteira.

A elipse: dois pregos, um barbante e um lápis

Cravar dois pregos numa tábua, amarrar neles as pontas de um barbante frouxo e correr um lápis mantendo o barbante esticado desenha uma elipse. É o método do jardineiro, usado para traçar canteiros ovais, e ele contém a definição inteira: em todo ponto do traçado, a soma das distâncias aos dois pregos é o comprimento do barbante, que não muda.

Elipse como lugar geométrico

Dados dois pontos F1F_1 e F2F_2 (os focos) e um comprimento 2a2a maior que a distância F1F2F_1F_2, a elipse é o conjunto dos pontos PP do plano tais que

d(P,F1)+d(P,F2)=2a.d(P, F_1) + d(P, F_2) = 2a.

Elementos: o centro OO é o ponto médio de F1F2F_1F_2; a distância focal é F1F2=2cF_1F_2 = 2c; o eixo maior é o segmento A1A2A_1A_2 da reta dos focos, de comprimento 2a2a; o eixo menor é o segmento B1B2B_1B_2 perpendicular ao maior pelo centro, de comprimento 2b2b; A1A_1, A2A_2, B1B_1 e B2B_2 são os vértices. Os três semieixos estão amarrados por

a2=b2+c2,a^2 = b^2 + c^2,

e a excentricidade é e=cae = \dfrac{c}{a}, um número entre 0 e 1.

Uma elipse com o centro O na origem, os focos F1 e F2 sobre o eixo horizontal, os vértices A1 e A2 nas pontas do eixo maior e B1 e B2 nas pontas do eixo menor. Um ponto P sobre a curva está ligado aos dois focos por segmentos marcados d1 e d2, com a legenda d1 mais d2 igual a 2a. Do vértice B1 saem dois segmentos iguais até os focos, cada um de comprimento a, formando com o centro um triângulo retângulo de catetos b e c, e a relação a ao quadrado igual a b ao quadrado mais c ao quadrado escrita ao lado.
O barbante tem comprimento 2a e vai de um foco ao outro passando pelo lápis. No vértice B1 do eixo menor as duas metades do barbante são iguais, cada uma mede a, e o triângulo retângulo OB1F1 dá a² = b² + c². Diagrama autoral.

Por que a2=b2+c2a^2 = b^2 + c^2? Ponha o lápis no vértice A2A_2 do eixo maior: a distância a F2F_2 é a−ca - c e a distância a F1F_1 é a+ca + c, soma 2a2a, como tinha de ser; isso mostra que o semieixo maior é mesmo aa. Agora ponha o lápis no vértice B1B_1 do eixo menor: por simetria, as distâncias aos dois focos são iguais, cada uma vale aa, e o triângulo OB1F1OB_1F_1 é retângulo em OO, com catetos bb e cc e hipotenusa aa. Pitágoras fecha a conta. A relação é a primeira coisa a escrever em qualquer item de elipse, e ela tem o sinal de menos quando se isola cc: c2=a2−b2c^2 = a^2 - b^2.

Exemplo resolvido 2: do barbante aos números. Os pregos estão a 6 cm um do outro e o barbante, preso neles, tem 10 cm. Qual a largura e a altura da elipse desenhada, e qual a excentricidade?

Estratégia: o barbante é 2a2a; a distância entre os pregos é 2c2c; bb sai de Pitágoras.

Resolução: 2a=102a = 10, a=5a = 5; 2c=62c = 6, c=3c = 3; b2=25−9=16b^2 = 25 - 9 = 16, b=4b = 4. A elipse tem 2a=102a = 10 cm de comprimento e 2b=82b = 8 cm de altura, e e=3/5=0,6e = 3/5 = 0{,}6.

Conferência: no ponto mais alto, o barbante vai do prego esquerdo ao lápis e volta ao prego direito em duas pernas iguais de 5 cm: 32+42=5\sqrt{3^2 + 4^2} = 5, certo. Se os pregos fossem cravados no mesmo ponto (c=0c = 0), o barbante dobrado daria um raio de 5 cm e a curva seria uma circunferência: a circunferência é a elipse de focos coincidentes, com a=ba = b e e=0e = 0.

Dois cuidados de leitura. O eixo maior é o que contém os focos, sempre; se a figura é mais alta que larga, os focos estão na vertical. E “distância focal” é a distância entre os focos, 2c2c, não a distância do centro a um foco, que é cc. Um item que troque uma pela outra dobra ou divide a resposta ao meio.

A equação reduzida da elipse

Coloque o centro na origem e os focos no eixo xx, F1(−c,0)F_1(-c, 0) e F2(c,0)F_2(c, 0). A definição d(P,F1)+d(P,F2)=2ad(P, F_1) + d(P, F_2) = 2a, escrita com a fórmula da distância, é

(x+c)2+y2+(x−c)2+y2=2a.\sqrt{(x + c)^2 + y^2} + \sqrt{(x - c)^2 + y^2} = 2a.

Isolar uma raiz, elevar ao quadrado, isolar a raiz que sobra e elevar ao quadrado outra vez leva, depois de simplificar, a (a2−c2) x2+a2y2=a2(a2−c2)(a^2 - c^2)\,x^2 + a^2 y^2 = a^2(a^2 - c^2). Como a2−c2=b2a^2 - c^2 = b^2, dividir tudo por a2b2a^2 b^2 dá a forma que se usa.

Equações reduzidas da elipse

Centro na origem, focos no eixo xx (eixo maior horizontal):

x2a2+y2b2=1,a>b,c2=a2−b2,\frac{x^2}{a^2} + \frac{y^2}{b^2} = 1, \qquad a > b, \qquad c^2 = a^2 - b^2,

com vértices (±a,0)(\pm a, 0) e (0,±b)(0, \pm b) e focos (±c,0)(\pm c, 0).

Centro na origem, focos no eixo yy (eixo maior vertical):

x2b2+y2a2=1,\frac{x^2}{b^2} + \frac{y^2}{a^2} = 1,

com vértices (0,±a)(0, \pm a) e (±b,0)(\pm b, 0) e focos (0,±c)(0, \pm c). O maior denominador diz onde está o eixo maior, e é sempre a2a^2.

Centro em (h,k)(h, k): troque xx por x−hx - h e yy por y−ky - k:

(x−h)2a2+(y−k)2b2=1,\frac{(x - h)^2}{a^2} + \frac{(y - k)^2}{b^2} = 1,

com focos em (h±c,k)(h \pm c, k) no caso horizontal e (h,k±c)(h, k \pm c) no vertical. A área da região limitada pela elipse é πab\pi a b (com a=b=Ra = b = R ela vira πR2\pi R^2).

Ler uma equação é um procedimento de quatro passos: identificar a2a^2 (o maior denominador) e b2b^2; decidir a direção do eixo maior pela variável que fica sobre a2a^2; calcular c=a2−b2c = \sqrt{a^2 - b^2}; escrever vértices e focos e desenhar. No sentido inverso, de elementos para equação, basta saber dois dos três números aa, bb, cc e a direção.

Exemplo resolvido 3: ler e conferir. Descreva a elipse x225+y29=1\dfrac{x^2}{25} + \dfrac{y^2}{9} = 1 e verifique a definição no ponto (3, 2,4)(3,\ 2{,}4).

Estratégia: denominadores dão aa e bb; Pitágoras dá cc; a definição se confere somando duas distâncias.

Resolução: a2=25a^2 = 25 sob x2x^2, logo eixo maior horizontal com a=5a = 5; b=3b = 3; c=25−9=4c = \sqrt{25 - 9} = 4. Vértices (±5,0)(\pm 5, 0) e (0,±3)(0, \pm 3); focos (±4,0)(\pm 4, 0); e=4/5=0,8e = 4/5 = 0{,}8. O ponto (3, 2,4)(3,\ 2{,}4) está na curva: 9/25+5,76/9=0,36+0,64=19/25 + 5{,}76/9 = 0{,}36 + 0{,}64 = 1.

Conferência: as distâncias calculadas na primeira seção, 2,6 até (4,0)(4, 0) e 7,4 até (−4,0)(-4, 0), somam 10, que é 2a2a. A definição e a equação dizem a mesma coisa sobre o mesmo ponto.

Exemplo resolvido 4: eixo vertical e centro fora da origem. (a) Que curva é 9x2+4y2=369x^2 + 4y^2 = 36? (b) E (x+1)225+(y−3)216=1\dfrac{(x + 1)^2}{25} + \dfrac{(y - 3)^2}{16} = 1?

Resolução: (a) Dividindo por 36: x24+y29=1\dfrac{x^2}{4} + \dfrac{y^2}{9} = 1. O maior denominador, 9, está sob y2y^2: eixo maior vertical, a=3a = 3, b=2b = 2, c=9−4=5≈2,24c = \sqrt{9 - 4} = \sqrt{5} \approx 2{,}24. Vértices (0,±3)(0, \pm 3) e (±2,0)(\pm 2, 0), focos (0,±5)(0, \pm\sqrt{5}), e=5/3≈0,75e = \sqrt{5}/3 \approx 0{,}75. (b) Centro (−1,3)(-1, 3); a=5a = 5 na direção xx, b=4b = 4, c=3c = 3. Focos em (−1±3, 3)(-1 \pm 3,\ 3), isto é, (2,3)(2, 3) e (−4,3)(-4, 3); vértices do eixo maior em (4,3)(4, 3) e (−6,3)(-6, 3); do menor, em (−1,7)(-1, 7) e (−1,−1)(-1, -1).

Conferência: em (a), o ponto (0,3)(0, 3) dista 3−53 - \sqrt{5} de um foco e 3+53 + \sqrt{5} do outro, soma 6 = 2a2a. Em (b), o ponto (−1,7)(-1, 7) dista 9+16=5=a\sqrt{9 + 16} = 5 = a de cada foco, como todo vértice do eixo menor.

Os denominadores são quadrados, e o maior manda

Em x225+y29=1\dfrac{x^2}{25} + \dfrac{y^2}{9} = 1, o semieixo maior é 5, não 25, e o eixo maior inteiro mede 10. Em x24+y29=1\dfrac{x^2}{4} + \dfrac{y^2}{9} = 1, os focos estão no eixo yy, mesmo que a equação “comece” por xx. E cc nunca é um denominador: é a raiz da diferença entre os dois. Quem soma em vez de subtrair acha c>ac > a e põe os focos fora da elipse, o que é impossível.

A parábola: um foco e uma reta, à mesma distância

A parábola tem um foco só, e o papel do segundo foco é feito por uma reta. Pegue um ponto FF e uma reta dd que não passa por ele; os pontos do plano que estão tão longe de FF quanto de dd formam a parábola. O ponto da curva mais perto de dd é o vértice VV, a meio caminho entre FF e dd; a reta perpendicular a dd que passa por FF é o eixo de simetria; a distância p=VFp = VF (igual à distância de VV a dd) é o parâmetro e fixa a abertura: pp pequeno, curva fechada e apertada; pp grande, curva aberta.

Parábola como lugar geométrico e equações reduzidas

Dados um ponto FF (foco) e uma reta dd (diretriz) que não o contém, a parábola é o conjunto dos pontos PP tais que

d(P,F)=d(P,d).d(P, F) = d(P, d).

Com o vértice na origem e pp a distância do foco ao vértice:

equação abre para foco diretriz
y2=4pxy^2 = 4px a direita (p,0)(p, 0) x=−px = -p
y2=−4pxy^2 = -4px a esquerda (−p,0)(-p, 0) x=px = p
x2=4pyx^2 = 4py cima (0,p)(0, p) y=−py = -p
x2=−4pyx^2 = -4py baixo (0,−p)(0, -p) y=py = p

A variável que aparece ao quadrado é a do eixo perpendicular à abertura; o foco fica no outro eixo. Com o vértice em (h,k)(h, k): (y−k)2=4p(x−h)(y - k)^2 = 4p(x - h) ou (x−h)2=4p(y−k)(x - h)^2 = 4p(y - k). A escrita de função y=ax2y = ax^2 é a mesma curva x2=4pyx^2 = 4py com a=14pa = \dfrac{1}{4p}, isto é, p=14ap = \dfrac{1}{4a}.

De onde vem y2=4pxy^2 = 4px: com F(p,0)F(p, 0) e dd a reta x=−px = -p, a distância de P(x,y)P(x, y) ao foco é (x−p)2+y2\sqrt{(x - p)^2 + y^2} e a distância à reta é x+px + p (o ponto está à direita de dd). Igualando e elevando ao quadrado: (x−p)2+y2=(x+p)2(x - p)^2 + y^2 = (x + p)^2, e os termos x2x^2 e p2p^2 cancelam, sobrando y2=4pxy^2 = 4px. Uma única elevação ao quadrado, sem raiz sobrando: é a dedução mais curta das três.

Dois painéis. À esquerda, a parábola y ao quadrado igual a 12x, abrindo para a direita, com o vértice na origem, o foco F em 3 e 0, a diretriz vertical x igual a menos 3 e o ponto P em 3 e 6 ligado ao foco e à diretriz por dois segmentos iguais, ambos de comprimento 6. À direita, a parábola x ao quadrado igual a 4py abrindo para cima, com o foco em 0 e p, a diretriz y igual a menos p e a marcação de que o vértice está a meio caminho entre o foco e a diretriz, a uma distância p de cada um.
Todo ponto da parábola está à mesma distância do foco e da diretriz. Em y² = 12x, o ponto (3, 6) está a 6 do foco (3, 0) e a 6 da reta x = −3. O vértice fica a meio caminho, a uma distância p de cada um. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 5: foco e diretriz a partir da equação. Encontre o foco e a diretriz de y2=12xy^2 = 12x e confira a definição no ponto (3,6)(3, 6).

Estratégia: compare com y2=4pxy^2 = 4px para ler pp.

Resolução: 4p=124p = 12, p=3p = 3. A curva abre para a direita, o foco é F(3,0)F(3, 0) e a diretriz é x=−3x = -3. O ponto (3,6)(3, 6) pertence à curva, pois 36=12×336 = 12 \times 3.

Conferência: distância ao foco, (3−3)2+62=6\sqrt{(3 - 3)^2 + 6^2} = 6; distância à diretriz, 3−(−3)=63 - (-3) = 6. Iguais. Repare que a corda da parábola que passa pelo foco, perpendicular ao eixo, mede 4p=124p = 12 (de (3,−6)(3, -6) a (3,6)(3, 6)): é um atalho para desenhar a abertura certa.

Exemplo resolvido 6: onde fica o receptor de uma antena. O perfil de um refletor parabólico tem abertura (distância entre as bordas) L=2,4L = 2{,}4 m e profundidade (do fundo à linha das bordas) h=0,30h = 0{,}30 m. A que distância do fundo deve ficar o receptor?

Estratégia: o receptor fica no foco; ponha o vértice na origem, o eixo em yy e a borda no ponto (L/2,h)(L/2, h).

Resolução: a parábola é x2=4pyx^2 = 4py e passa por (1,2; 0,30)(1{,}2;\ 0{,}30): 1,44=4p×0,30=1,2p1{,}44 = 4p \times 0{,}30 = 1{,}2p, logo p=1,2p = 1{,}2 m. O receptor fica a 1,2 m do fundo, acima da linha das bordas, que está a 0,30 m.

Conferência: em geral, (L/2)2=4ph(L/2)^2 = 4ph dá p=L216hp = \dfrac{L^2}{16h}. Com L=2,4L = 2{,}4 e h=0,3h = 0{,}3: 5,76÷4,8=1,25{,}76 \div 4{,}8 = 1{,}2. Para o radiotelescópio de Arecibo, com L=305L = 305 m e h=51h = 51 m, a mesma conta dá p=93 025÷816≈114p = 93\,025 \div 816 \approx 114 m, e é por isso que a plataforma do receptor pendia de cabos a mais de 100 m acima do prato. Uma antena rasa (profundidade pequena) tem o foco longe; uma antena funda tem o foco perto, dentro do prato.

$p$ é a distância do foco ao vértice, e $4p$ é o que aparece na equação

Em y2=12xy^2 = 12x, pp é 3, não 12. Em x2=2yx^2 = 2y, 4p=24p = 2 e p=1/2p = 1/2: o foco está em (0, 1/2)(0,\ 1/2). Na escrita de função, y=2x2y = 2x^2 tem a=2a = 2 e p=1/(4×2)=1/8p = 1/(4 \times 2) = 1/8; quem lê “p=2p = 2” põe o foco dezesseis vezes mais longe. E a diretriz fica do lado oposto ao foco em relação ao vértice: y2=12xy^2 = 12x abre para a direita, o foco está à direita, a diretriz é x=−3x = -3, à esquerda.

A hipérbole: a diferença é constante

Troque a soma pela diferença e a elipse vira hipérbole. Dois focos, F1F_1 e F2F_2, a uma distância 2c2c um do outro, e um número 2a2a menor que 2c2c: os pontos cuja diferença de distâncias aos focos vale 2a2a (em módulo, para pegar os dois lados) formam dois ramos, cada um abraçando um foco. Na vida real, é a curva do som de um avião supersônico no chão, o perfil das torres de resfriamento das usinas termelétricas (uma hipérbole girada em torno do eixo vertical) e a trajetória de um cometa que passa pelo Sol uma vez e nunca volta.

Hipérbole como lugar geométrico e equações reduzidas

Dados dois focos F1F_1 e F2F_2 com F1F2=2cF_1F_2 = 2c e um comprimento 2a2a com 0<2a<2c0 < 2a < 2c, a hipérbole é o conjunto dos pontos PP tais que

∣ d(P,F1)−d(P,F2) ∣=2a.|\,d(P, F_1) - d(P, F_2)\,| = 2a.

Elementos: centro OO (ponto médio dos focos); vértices A1A_1 e A2A_2, na reta dos focos, a uma distância aa do centro; eixo real (ou transverso) A1A2A_1A_2, de comprimento 2a2a; eixo imaginário (ou conjugado), perpendicular, de comprimento 2b2b, com

c2=a2+b2;c^2 = a^2 + b^2;

assíntotas, as duas retas pelo centro das quais os ramos se aproximam sem tocar; excentricidade e=ca>1e = \dfrac{c}{a} > 1.

Centro na origem, focos no eixo xx:

x2a2−y2b2=1,veˊrtices (±a,0),focos (±c,0),assıˊntotas y=±bax.\frac{x^2}{a^2} - \frac{y^2}{b^2} = 1, \qquad \text{vértices } (\pm a, 0), \quad \text{focos } (\pm c, 0), \quad \text{assíntotas } y = \pm\frac{b}{a}x.

Centro na origem, focos no eixo yy:

y2a2−x2b2=1,veˊrtices (0,±a),focos (0,±c),assıˊntotas y=±abx.\frac{y^2}{a^2} - \frac{x^2}{b^2} = 1, \qquad \text{vértices } (0, \pm a), \quad \text{focos } (0, \pm c), \quad \text{assíntotas } y = \pm\frac{a}{b}x.

Na hipérbole, a2a^2 é o denominador do termo positivo, não o maior denominador: aa pode ser menor, igual ou maior que bb. Centro em (h,k)(h, k): troque xx por x−hx - h e yy por y−ky - k.

As assíntotas têm uma construção que resolve o esboço em um minuto. Desenhe o retângulo de referência: largura 2a2a (de −a-a a aa em xx) e altura 2b2b (de −b-b a bb em yy), centrado na origem. As diagonais desse retângulo, prolongadas, são as assíntotas y=±baxy = \pm\frac{b}{a}x. Os vértices estão no meio dos lados verticais do retângulo, e os focos, um pouco além, a uma distância cc do centro, que é exatamente a metade da diagonal do retângulo (porque c2=a2+b2c^2 = a^2 + b^2). A curva sai de cada vértice e se cola às diagonais. Quando a=ba = b, o retângulo é um quadrado, as assíntotas são perpendiculares (y=±xy = \pm x) e a hipérbole chama-se equilátera; girada de 45°45°, ela vira xy=kxy = k, o gráfico de y=k/xy = k/x, que é uma hipérbole mesmo sem parecer. Foi essa a resposta de um item do ENEM de 2017, em que a equação (p+a)(v+b)=K(p + a)(v + b) = K de um fisiologista descrevia a velocidade de contração de um músculo: um ramo de hipérbole.

A hipérbole x ao quadrado sobre 16 menos y ao quadrado sobre 9 igual a 1 no plano cartesiano, com os dois ramos abrindo para a esquerda e para a direita. O retângulo de referência, tracejado, vai de menos 4 a 4 em x e de menos 3 a 3 em y; as suas diagonais, prolongadas, são as assíntotas y igual a mais ou menos três quartos de x. Os vértices A1 e A2 estão em menos 4 e 4; os focos F1 e F2 em menos 5 e 5. Um ponto P do ramo direito, em 5 e 9 quartos, está ligado aos dois focos, com as distâncias 10,25 e 2,25 escritas e a diferença 8 igual a 2a.
O retângulo 2a por 2b dá as assíntotas (as diagonais) e a distância focal (metade da diagonal é c). No ponto (5; 2,25), as distâncias aos focos são 10,25 e 2,25: a diferença é 8 = 2a. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 7: ler uma hipérbole e conferir a definição. Descreva x216−y29=1\dfrac{x^2}{16} - \dfrac{y^2}{9} = 1 e verifique a definição no ponto P(5, 2,25)P(5,\ 2{,}25).

Estratégia: a2a^2 é o denominador do termo positivo; c2=a2+b2c^2 = a^2 + b^2 (com mais); assíntotas pelo retângulo.

Resolução: a=4a = 4, b=3b = 3, c=16+9=5c = \sqrt{16 + 9} = 5. Vértices (±4,0)(\pm 4, 0), focos (±5,0)(\pm 5, 0), assíntotas y=±34xy = \pm\frac{3}{4}x, e=5/4=1,25e = 5/4 = 1{,}25. O ponto está na curva: 25/16−5,0625/9=1,5625−0,5625=125/16 - 5{,}0625/9 = 1{,}5625 - 0{,}5625 = 1.

Conferência: d(P,F2)=0+2,252=2,25d(P, F_2) = \sqrt{0 + 2{,}25^2} = 2{,}25 e d(P,F1)=102+2,252=105,0625=10,25d(P, F_1) = \sqrt{10^2 + 2{,}25^2} = \sqrt{105{,}0625} = 10{,}25. Diferença: 8=2a8 = 2a. Os mesmos números 3, 4 e 5 da elipse do exemplo 3 aparecem aqui com os papéis trocados: lá, c=4c = 4 saiu de 25−925 - 9; aqui, c=5c = 5 sai de 16+916 + 9. É a diferença entre o sinal de menos e o de mais na equação.

Na elipse $c$ é menor que $a$; na hipérbole, maior

Elipse: c2=a2−b2c^2 = a^2 - b^2, os focos ficam dentro da curva, entre os vértices. Hipérbole: c2=a2+b2c^2 = a^2 + b^2, os focos ficam fora, além dos vértices. Quem usa a fórmula errada acha um foco em cima do vértice ou uma raiz de número negativo; se isso acontecer, o sinal está trocado. E a assíntota não é parte da curva: a hipérbole nunca a toca, só se aproxima.

Como ler uma equação do 2.º grau e desenhar a curva em um minuto

Toda equação Ax2+Cy2+Dx+Ey+F=0Ax^2 + Cy^2 + Dx + Ey + F = 0, sem termo em xyxy, descreve uma cônica com os eixos paralelos aos eixos coordenados (ou um caso degenerado). O tipo se decide pelos coeficientes dos quadrados, antes de qualquer conta:

O tipo pela cara da equação
coeficientes de x2x^2 e y2y^2 curva exemplo
iguais (A=C≠0A = C \neq 0) circunferência x2+y2−4x+2y−4=0x^2 + y^2 - 4x + 2y - 4 = 0
mesmo sinal, diferentes elipse 4x2+9y2−16x+18y−11=04x^2 + 9y^2 - 16x + 18y - 11 = 0
sinais contrários hipérbole 9x2−4y2−18x−16y−43=09x^2 - 4y^2 - 18x - 16y - 43 = 0
só um quadrado (A=0A = 0 ou C=0C = 0) parábola x2−6x−8y+1=0x^2 - 6x - 8y + 1 = 0

Depois de classificar, complete os quadrados em cada variável (metade do coeficiente do termo linear, elevada ao quadrado, somada e compensada) e divida pelo número que sobra. O centro ou o vértice aparece nos parênteses. Um caso degenerado se revela quando o lado direito dá zero ou negativo numa elipse (x2+y2+1=0x^2 + y^2 + 1 = 0 não tem ponto nenhum).

Exemplo resolvido 8: completar quadrados. Identifique e descreva (a) 4x2+9y2−16x+18y−11=04x^2 + 9y^2 - 16x + 18y - 11 = 0 e (b) 9x2−4y2−18x−16y−43=09x^2 - 4y^2 - 18x - 16y - 43 = 0.

Resolução: (a) Coeficientes 4 e 9, mesmo sinal: elipse. Agrupando, 4(x2−4x)+9(y2+2y)=114(x^2 - 4x) + 9(y^2 + 2y) = 11. Completando: 4 [(x−2)2−4]+9 [(y+1)2−1]=114\,[(x - 2)^2 - 4] + 9\,[(y + 1)^2 - 1] = 11, isto é, 4(x−2)2+9(y+1)2=11+16+9=364(x - 2)^2 + 9(y + 1)^2 = 11 + 16 + 9 = 36. Dividindo por 36: (x−2)29+(y+1)24=1\dfrac{(x - 2)^2}{9} + \dfrac{(y + 1)^2}{4} = 1. Centro (2,−1)(2, -1), a=3a = 3 na horizontal, b=2b = 2, c=5c = \sqrt{5}, focos (2±5, −1)(2 \pm \sqrt{5},\ -1).

(b) Coeficientes 9 e −4-4, sinais contrários: hipérbole. 9(x2−2x)−4(y2+4y)=439(x^2 - 2x) - 4(y^2 + 4y) = 43; 9 [(x−1)2−1]−4 [(y+2)2−4]=439\,[(x - 1)^2 - 1] - 4\,[(y + 2)^2 - 4] = 43; 9(x−1)2−4(y+2)2=43+9−16=369(x - 1)^2 - 4(y + 2)^2 = 43 + 9 - 16 = 36; (x−1)24−(y+2)29=1\dfrac{(x - 1)^2}{4} - \dfrac{(y + 2)^2}{9} = 1. Centro (1,−2)(1, -2), termo positivo em xx: ramos para a esquerda e para a direita, a=2a = 2, b=3b = 3, c=13c = \sqrt{13}, vértices (1±2, −2)(1 \pm 2,\ -2), assíntotas y+2=±32(x−1)y + 2 = \pm\frac{3}{2}(x - 1).

Conferência: em (a), o ponto (5,−1)(5, -1) (centro mais aa em xx) satisfaz a equação original: 100+9−80−18−11=0100 + 9 - 80 - 18 - 11 = 0. Em (b), o vértice (3,−2)(3, -2): 81−16−54+32−43=081 - 16 - 54 + 32 - 43 = 0. Quando a conta de completar quadrados sai errada, o vértice não fecha a equação original; vale sempre testar um.

A circunferência é o caso A=CA = C e tem página própria, Equação da circunferência; aqui ela aparece como a elipse de excentricidade zero, e nos itens que a combinam com uma elipse, como o das flores do cerrado do PAS 3 de 2020, lido mais adiante.

Excentricidade: um número que diz a forma

Duas elipses podem ter tamanhos diferentes e a mesma forma, como duas fotos da mesma moeda em escalas diferentes. O que decide a forma é o quociente e=c/ae = c/a, a fração do semieixo maior que a distância centro–foco ocupa: ele não muda quando a figura é ampliada, e por isso é a medida certa de “quanto achatada”. Com c=0c = 0 os focos coincidem e a curva é uma circunferência, e=0e = 0. Conforme cc cresce e se aproxima de aa, os focos caminham para as pontas e a elipse se achata, até que em c=ac = a ela viraria um segmento. Do outro lado de 1 estão as hipérboles: c>ac > a, e>1e > 1, e quanto maior ee, mais abertos os ramos (mais perto das assíntotas, que se aproximam de uma reta perpendicular ao eixo). A parábola fica exatamente na fronteira, e=1e = 1.

Excentricidade

e=ca{e=0circunfereˆncia0<e<1elipse (quanto mais perto de 1, mais achatada)e=1paraˊbolae>1hipeˊrbole (quanto maior, mais aberta)e = \frac{c}{a} \qquad \begin{cases} e = 0 & \text{circunferência} \\ 0 < e < 1 & \text{elipse (quanto mais perto de 1, mais achatada)} \\ e = 1 & \text{parábola} \\ e > 1 & \text{hipérbole (quanto maior, mais aberta)} \end{cases}

Há uma definição única que cobre as três curvas: fixados um foco FF e uma diretriz dd, a cônica é o conjunto dos pontos com d(P,F)d(P,d)=e\dfrac{d(P, F)}{d(P, d)} = e. Para e=1e = 1 é a definição da parábola; para e<1e < 1 sai uma elipse e para e>1e > 1, uma hipérbole. É por isso que o mesmo número organiza a família inteira.

Numa órbita elíptica com o Sol num foco, a distância mínima (periélio) é a−c=a(1−e)a - c = a(1 - e) e a máxima (afélio) é a+c=a(1+e)a + c = a(1 + e); dadas as duas, e=afeˊlio−perieˊlioafeˊlio+perieˊlioe = \dfrac{\text{afélio} - \text{periélio}}{\text{afélio} + \text{periélio}}.

Quatro elipses com o mesmo semieixo maior, desenhadas lado a lado com os focos marcados: a primeira com excentricidade 0, que é uma circunferência com os dois focos no centro; a segunda com excentricidade 0,5, pouco achatada, com os focos a meio caminho entre o centro e os vértices; a terceira com excentricidade 0,8, visivelmente oval; a quarta com excentricidade 0,97, quase um segmento, com os focos colados aos vértices. Abaixo, uma régua de 0 a maior que 1 com as regiões circunferência, elipse, parábola em 1 e hipérbole.
Mesmo semieixo maior, excentricidades 0, 0,5, 0,8 e 0,97: os focos se afastam do centro e a elipse se achata. A órbita da Terra tem e = 0,017 e é quase o primeiro desenho; a do cometa Halley tem e = 0,967 e é quase o último. Diagrama autoral.

As órbitas dos planetas são pouco excêntricas: Terra, e=0,017e = 0{,}017; Marte, 0,0930{,}093; Mercúrio, o mais excêntrico, 0,2060{,}206. Desenhadas em escala, todas parecem circunferências com o Sol um pouco fora do centro, e é esse “um pouco fora” que os itens de prova exploram, pedindo a distância entre o Sol e o segundo foco (2c=2ea2c = 2ea) ou a diferença entre afélio e periélio (2c2c também). Os cometas de período longo têm ee perto de 1 (Halley, 0,9670{,}967), e um objeto que passa pelo Sol com e>1e > 1 está numa hipérbole e não volta. A física dessas trajetórias está em Leis de Kepler e órbitas.

Exemplo resolvido 9: a órbita de um cometa. Um cometa tem periélio de 0,6 UA e afélio de 5,4 UA. Determine aa, cc, ee e a largura máxima da órbita.

Estratégia: periélio e afélio somam 2a2a e diferem de 2c2c.

Resolução: 2a=0,6+5,4=62a = 0{,}6 + 5{,}4 = 6, a=3a = 3 UA; 2c=5,4−0,6=4,82c = 5{,}4 - 0{,}6 = 4{,}8, c=2,4c = 2{,}4 UA; e=2,4/3=0,8e = 2{,}4/3 = 0{,}8; b=9−5,76=3,24=1,8b = \sqrt{9 - 5{,}76} = \sqrt{3{,}24} = 1{,}8 UA, largura máxima 2b=3,62b = 3{,}6 UA.

Conferência: a(1−e)=3×0,2=0,6a(1 - e) = 3 \times 0{,}2 = 0{,}6 e a(1+e)=3×1,8=5,4a(1 + e) = 3 \times 1{,}8 = 5{,}4, os dois dados. Uma órbita de 6 UA de comprimento e 3,6 de largura: é o oval do terceiro desenho da figura.

Excentricidade perto de zero é redondo, não achatado

“Quanto menor a excentricidade, mais alongada a elipse” é uma inversão que a banca gosta de plantar, e está errada: ee perto de 0 é quase circunferência; ee perto de 1 é quase um segmento. E ee nunca passa de 1 numa elipse: um item que atribua excentricidade 1,2 a uma órbita fechada está descrevendo uma hipérbole.

Por que o foco se chama foco: a propriedade refletora

A palavra foco é o latim para lareira, e foi Kepler quem a escolheu, em 1604, porque os raios que chegam a uma parábola paralelos ao eixo saem todos para o mesmo ponto, como o calor que se junta no fogo. A geometria por trás disso é a definição: em cada ponto PP da parábola, a reta tangente faz ângulos iguais com o segmento PFPF e com a perpendicular à diretriz por PP, e a lei da reflexão (ângulo de incidência igual ao de reflexão, em Espelhos) faz o resto. O mesmo acontece com ondas de rádio, luz, som e ondas de choque: qualquer coisa que se reflita numa superfície obedece.

As três propriedades refletoras

Parábola. Um raio paralelo ao eixo, ao refletir na curva, passa pelo foco; e um raio que parte do foco sai paralelo ao eixo. É o refletor de antena parabólica e de radiotelescópio (o sinal chega paralelo e se concentra no receptor, posto no foco), do forno solar e do espelho primário de um telescópio refletor; e, no sentido inverso, do farol de automóvel, da lanterna e do refletor de palco (a lâmpada no foco produz um feixe paralelo). Em três dimensões, a superfície é o paraboloide de revolução, a parábola girada em torno do eixo.

Elipse. Um raio que parte de um foco, ao refletir na curva, passa pelo outro foco, e todos os raios chegam ao mesmo tempo, porque percorrem o mesmo comprimento 2a2a. É a galeria de sussurros (um cochicho num foco de uma sala de teto elíptico é ouvido com nitidez no outro foco, a dezenas de metros), a litotripsia (um gerador de ondas de choque num foco de um refletor elíptico e o cálculo renal do paciente no outro, para quebrar a pedra sem cirurgia) e o refletor da lâmpada do dentista, que concentra a luz num ponto da boca.

Hipérbole. Um raio dirigido a um foco, ao refletir no ramo que está na frente dele, segue para o outro foco. É o espelho secundário do telescópio Cassegrain, que devolve para trás do espelho principal a luz que ele concentrava, e a base da navegação por diferença de tempos (LORAN): a diferença de distâncias a duas estações é constante sobre uma hipérbole.

Dois painéis. À esquerda, uma parábola abrindo para cima com o foco F marcado sobre o eixo; cinco raios verticais e paralelos descem, tocam a curva em pontos diferentes e, refletidos, convergem todos para F, com a legenda antena e radiotelescópio, e a observação de que no sentido inverso o farol manda o que sai do foco em feixe paralelo. À direita, uma elipse com os focos F1 e F2; dois raios saem de F1, refletem na curva em pontos diferentes e chegam a F2, com a legenda galeria de sussurros e litotripsia e a nota de que os dois caminhos medem 2a.
Na parábola, o que chega paralelo ao eixo se junta no foco; na elipse, o que sai de um foco chega ao outro, sempre depois de percorrer 2a. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 10: o espelho de latas do aquecedor solar. Numa prova do PAS 2, o perfil de um espelho côncavo era uma parábola com o eixo em OyOy, concavidade para cima, passando por AA, BB (sobre o eixo xx, simétricos em relação à origem) e pelo vértice C(0,−k)C(0, -k), com AB=4kAB = 4k. (a) Escreva a equação da parábola em função de kk. (b) Onde fica o foco? © Se, em outra versão do mesmo esquema, o foco é F(0,2a)F(0, 2a) e B=(23 a, 0)B = (2\sqrt{3}\,a,\ 0), qual é o ângulo α\alpha entre o raio vertical que chega em BB e o raio refletido BFBF?

Estratégia: vértice em (0,−k)(0, -k) e abertura para cima dão x2=4p(y+k)x^2 = 4p(y + k); o ponto B(2k,0)B(2k, 0) fixa pp. Para o ângulo, o raio refletido vai de BB ao foco.

Resolução: (a) AB=4kAB = 4k e simetria dão A(−2k,0)A(-2k, 0) e B(2k,0)B(2k, 0). Em x2=4p(y+k)x^2 = 4p(y + k), o ponto BB dá 4k2=4pk4k^2 = 4pk, logo p=kp = k, e a parábola é x2=4k(y+k)x^2 = 4k(y + k), ou y=x24k−ky = \dfrac{x^2}{4k} - k. (b) O foco está a p=kp = k acima do vértice (0,−k)(0, -k): é a origem. Os canos de água do aquecedor eram postos no centro das latas cortadas, isto é, no foco, onde a luz refletida se concentra. © O raio que chega a BB é vertical; o refletido vai de B(23a,0)B(2\sqrt{3}a, 0) a F(0,2a)F(0, 2a), deslocando-se 23a2\sqrt{3}a na horizontal e 2a2a na vertical. O ângulo com a vertical tem tan⁡α=23a2a=3\tan\alpha = \dfrac{2\sqrt{3}a}{2a} = \sqrt{3}, logo α=60°\alpha = 60° e cos⁡α=12\cos\alpha = \dfrac{1}{2}.

Conferência: em (a), o ponto A(−2k,0)A(-2k, 0) também satisfaz 4k2=4k⋅k4k^2 = 4k \cdot k. Em ©, o item real afirmava cos⁡α>22\cos\alpha > \dfrac{\sqrt{2}}{2}, o que exigiria α<45°\alpha < 45°; com α=60°\alpha = 60° o item estava errado. Outro item do mesmo bloco pedia a área do triângulo FBCFBC com C(0,−a)C(0, -a): base FC=3aFC = 3a sobre o eixo yy e altura 23a2\sqrt{3}a, área 33a2≈5,2a23\sqrt{3}a^2 \approx 5{,}2a^2, maior que 3a23a^2, item certo.

O prato da antena e o prato da cratera

Uma antena de TV por satélite de 60 cm e 5 cm de profundidade tem o foco a 602÷(16×5)=4560^2 \div (16 \times 5) = 45 cm do fundo: é o braço que segura o receptor na frente do prato. O radiotelescópio de Arecibo, com 305 m de boca e 51 m de fundo, tinha o foco a 114 m, e o receptor, de 900 toneladas, ficava pendurado por cabos de três torres; foi a ruptura desses cabos, em 2020, que destruiu o instrumento. Os dois pratos obedecem à mesma conta, p=L2/16hp = L^2/16h, e a diferença entre 45 cm e 114 m é só escala. As antenas modernas em geral são “offset”: o prato é um pedaço lateral de um paraboloide maior, para que o receptor não faça sombra no sinal, e por isso o braço parece torto.

Leia como na prova: Arecibo, o Hubble, as flores e os lotes

As cônicas entraram no PAS pelos dois lados, com quatro anos de intervalo entre uma face e a outra. No PAS 2, como curva do cone, a prova pediu classificação, excentricidade e foco (2009) e a equação de uma parábola dada por três pontos, num item de resposta construída (2011). No PAS 3, como curva analítica, pediu a parábola do espelho do Hubble (2010), uma elipse dada pelos vértices junto com uma reta e uma circunferência (2020) e uma elipse deslocada que recortava lotes (2021). Os blocos do PAS 3 estão fora da matriz vigente daquela etapa, mas são o melhor retrato de como a banca combina as cônicas com o resto da geometria analítica, e os três cabem na matriz do PAS 2 pelo lado das propriedades e da leitura de figura.

O bloco de 2009 (PAS 2, itens 95 a 97). O texto-base ia de Menecmo, “curvas obtidas pela interseção de um cone circular reto com um plano”, até os radiotelescópios, passando por Galileu, Kepler e o telescópio refletor de Newton, “na forma de paraboloide ou hiperboloide”. O item 95 era a classificação da primeira seção desta página. O item 96 trazia a foto de Arecibo e, ao lado, a figura de uma parábola com vértice OO, uma corda horizontal AB=305AB = 305 m e o ponto médio HH de ABAB com OH=51OH = 51 m; afirmava que a distância do foco ao vértice passava de 102 m. Com o vértice na origem, x2=4pyx^2 = 4py e o ponto (152,5; 51)(152{,}5;\ 51): p=152,52÷204≈114p = 152{,}5^2 \div 204 \approx 114 m. Certo. O item 97 dava as excentricidades de Urano (0,0047) e Netuno (0,0086) e as distâncias médias ao Sol (2,87×1092{,}87 \times 10^9 km e 4,5×1094{,}5 \times 10^9 km) e perguntava se a distância do Sol ao outro foco era menor para Urano. Essa distância é 2c=2ea2c = 2ea: 2×0,0047×2,87×109≈2,7×1072 \times 0{,}0047 \times 2{,}87 \times 10^9 \approx 2{,}7 \times 10^7 km para Urano e 2×0,0086×4,5×109≈7,7×1072 \times 0{,}0086 \times 4{,}5 \times 10^9 \approx 7{,}7 \times 10^7 km para Netuno. Certo, pelos dois fatores: Urano tem ee menor e aa menor.

O Hubble (PAS 3, 2010, itens 129 e 130). A figura punha o espelho primário como uma parábola de eixo OxOx, vértice VV no eixo e abrindo para a direita, passando por AA e DD sobre o eixo yy, com diâmetro AD=2,4AD = 2{,}4 m; um espelho secundário BCBC inclinado a 120°120° e a ocular FF completavam o esquema. O item 129 afirmava que, escrita como x=ay2+by+cx = ay^2 + by + c, a parábola tinha necessariamente b=0b = 0: certo, porque o vértice está sobre OxOx e a ordenada do vértice de x=ay2+by+cx = ay^2 + by + c é −b/(2a)-b/(2a), que só é zero com b=0b = 0. O item 130 dizia que, com distância focal de 58 m (distância do vértice ao foco), o vértice ficava à esquerda de (−1,0)(-1, 0). Com p=58p = 58, a parábola é x−xV=y2232x - x_V = \dfrac{y^2}{232}, e o ponto D(0; 1,2)D(0;\ 1{,}2) dá xV=−1,44232≈−0,006x_V = -\dfrac{1{,}44}{232} \approx -0{,}006 m. O vértice fica 6 mm à esquerda da origem, e não 1 m: errado. Um espelho de 2,4 m de boca com foco a 58 m é quase plano; é a situação oposta à de Arecibo.

As flores do cerrado (PAS 3, 2020, itens 91 a 93). A caliandra vivia dentro da circunferência x2+y2−6y+5=0x^2 + y^2 - 6y + 5 = 0 e o flamboyant dentro de uma elipse desenhada com os vértices em (±3,0)(\pm 3, 0) e (0,±2)(0, \pm 2); em cada foco havia um acampamento, e uma estrada seguia a reta y=−x+2y = -x + 2. A elipse é x29+y24=1\dfrac{x^2}{9} + \dfrac{y^2}{4} = 1, com c=5≈2,24c = \sqrt{5} \approx 2{,}24, focos (±5,0)(\pm\sqrt{5}, 0). A estrada passa por um acampamento? Em x=5x = \sqrt{5} a reta dá y=2−2,24≠0y = 2 - 2{,}24 \neq 0; em x=−5x = -\sqrt{5}, y=4,24y = 4{,}24: não passa, item 91 errado. As regiões não se cruzam? Completando quadrados, a circunferência é x2+(y−3)2=4x^2 + (y - 3)^2 = 4: centro (0,3)(0, 3), raio 2, portanto desce até y=1y = 1, e a elipse sobe até y=2y = 2; as duas regiões se sobrepõem, item 92 errado. A área da caliandra é menor? π×22=4π\pi \times 2^2 = 4\pi contra π×3×2=6π\pi \times 3 \times 2 = 6\pi: sim, item 93 certo.

Os lotes (PAS 3, 2021, itens 29 a 31). Uma elipse de equação (x−2)216+(y−1)24=1\dfrac{(x - 2)^2}{16} + \dfrac{(y - 1)^2}{4} = 1, os semieixos positivos e três segmentos (as retas x=1x = 1 e x=3x = 3, do eixo xx até a elipse, e a reta y=1y = 1, de x=3x = 3 até a elipse) delimitavam os lotes AA (entre o eixo yy e x=1x = 1), BB (entre x=1x = 1 e x=3x = 3), CC (à direita de x=3x = 3, acima de y=1y = 1) e DD (à direita de x=3x = 3, abaixo de y=1y = 1). Centro (2,1)(2, 1), a=4a = 4 na horizontal, b=2b = 2: o ponto mais alto é (2,3)(2, 3). O lote BB cabe no retângulo 1≤x≤31 \leq x \leq 3, 0≤y≤30 \leq y \leq 3, de área 6, e só encosta na linha y=3y = 3 num ponto: área menor que 6, item 29 errado. O centro (2,1)(2, 1) está dentro de BB; o ponto comum a BB, CC e DD é (3,1)(3, 1): item 30 errado. As interseções com os semieixos positivos: em x=0x = 0, 416+(y−1)24=1\dfrac{4}{16} + \dfrac{(y - 1)^2}{4} = 1 dá (y−1)2=3(y - 1)^2 = 3, y=1+3y = 1 + \sqrt{3}; em y=0y = 0, (x−2)216+14=1\dfrac{(x - 2)^2}{16} + \dfrac{1}{4} = 1 dá (x−2)2=12(x - 2)^2 = 12, x=2+23x = 2 + 2\sqrt{3}. A soma pedida no item 31, do tipo C, é a+b=3+33a + b = 3 + 3\sqrt{3}, a última opção.

Dois painéis com eixos cartesianos. À esquerda, a elipse com vértices em menos 3, 3, 2 e menos 2, os focos marcados em mais ou menos raiz de 5, a reta y igual a menos x mais 2 cortando a elipse e passando longe dos focos, e a circunferência tracejada de centro 0 e 3 e raio 2, que invade o topo da elipse. À direita, no primeiro quadrante, a elipse de centro 2 e 1, semieixos 4 e 2, com os lotes A, B, C e D separados pelas retas x igual a 1, x igual a 3 e y igual a 1; o centro marcado dentro do lote B; as interseções com os eixos em 0 e 1 mais raiz de 3 e em 2 mais 2 raiz de 3 e 0; e o retângulo tracejado de 1 a 3 por 0 a 3 que contém o lote B.
As duas figuras do PAS 3 reconstruídas em escala: os focos da elipse de 2020 ficam em ±√5, fora da reta da estrada, e a circunferência da caliandra desce até y = 1, dentro da elipse; o lote B de 2021 cabe num retângulo de área 6 e só toca o topo dele num ponto. Diagrama autoral.
A figura mostra os vértices; os focos, você calcula

Nenhuma das figuras marcava os focos. Em 2020 o item dependia de saber que eles estão em (±c,0)(\pm c, 0) com c2=9−4c^2 = 9 - 4, e quem chutou “no meio entre o centro e o vértice” (x=1,5x = 1{,}5) ou “no vértice” errou a conta. Em 2021, a figura nem mostrava a elipse inteira, só o pedaço do primeiro quadrante, e o centro (2,1)(2, 1) estava escrito na equação, não no desenho. Leia a equação primeiro; use a figura para localizar o que a equação diz.

Como a banca pergunta

Os itens de cônicas têm cinco moldes, e a maioria cabe numa ou duas linhas de conta.

  • Classificar a seção pela descrição do plano. “Plano perpendicular a uma geratriz”, “paralelo ao eixo”, “paralelo à base”, com ou sem o ângulo de abertura do cone (PAS 2 2009). Converta em β\beta e compare com α\alpha.
  • Elementos a partir da equação, ou equação a partir dos elementos. Ler aa, bb, cc, focos, vértices e assíntotas em x2a2±y2b2=1\dfrac{x^2}{a^2} \pm \dfrac{y^2}{b^2} = 1 ou y2=4pxy^2 = 4px, inclusive com centro deslocado e depois de completar quadrados (PAS 3 2020 e 2021); ou escrever a equação de uma parábola que passa por três pontos dados (PAS 2 2011, tipo D).
  • Propriedade refletora em contexto físico. Espelho côncavo de latas, antena, radiotelescópio, farol: onde fica o foco, para onde vai o raio refletido, que ângulo ele faz (PAS 2 2009 e 2011; PAS 3 2010).
  • Excentricidade e órbitas. Dadas ee e aa, achar cc ou 2c2c; dados periélio e afélio, achar ee; comparar duas órbitas (PAS 2 2009; vestibulares com Plutão e Halley).
  • Cônica combinada com reta, circunferência ou área. A reta passa pelo foco? As regiões se cruzam? Qual área é maior? Qual lote contém o centro? (PAS 3 2020 e 2021). Aqui entram as páginas de Equação da circunferência e Distâncias na geometria analítica.

Em todos, o item vem com um limiar (“maior que 102 m”, “inferior a 2,0 m”, “maior do que 6 km²”) ou com uma afirmação de forma (“é uma elipse”, “é um ramo de hipérbole”, “necessariamente b=0b = 0”). Faça a conta exata antes de comparar, e julgue a afirmação inteira, não só o número.

Os erros que a banca planta

  • Trocar aa e bb pela ordem na equação. O eixo maior da elipse está na variável que divide por a2a^2, o maior denominador; na hipérbole, a2a^2 é o denominador do termo positivo, maior ou não.
  • Somar onde é para subtrair. Elipse: c2=a2−b2c^2 = a^2 - b^2; hipérbole: c2=a2+b2c^2 = a^2 + b^2. Um cc maior que aa na elipse denuncia o sinal trocado.
  • Ler 4p4p como pp. Em y2=12xy^2 = 12x, p=3p = 3. Em y=ax2y = ax^2, p=1/(4a)p = 1/(4a).
  • Pôr a diretriz do lado do foco. Ela fica do lado oposto ao foco, a pp do vértice.
  • “Excentricidade perto de zero é alongada”. É o contrário: perto de zero é quase circunferência; perto de 1 é quase um segmento.
  • Excentricidade maior que 1 numa elipse. Não existe: e>1e > 1 é hipérbole.
  • Distância focal como cc. Distância focal é 2c2c, entre os dois focos.
  • Decidir a seção olhando a curva. A classificação é pelo ângulo do plano; um ramo de hipérbole parece uma parábola.
  • Hipérbole com um ramo só “porque a figura mostra um”. Num cone de duas folhas há sempre dois; num cone sólido de uma folha, aparece um.
  • Focos marcados “no meio do caminho”. Os focos não estão em ponto algum visível da figura: calculam-se por cc.
  • Esquecer o centro deslocado. Em (x−2)216+(y−1)24=1\dfrac{(x - 2)^2}{16} + \dfrac{(y - 1)^2}{4} = 1, os focos são (2±23, 1)(2 \pm 2\sqrt{3},\ 1), não (±23,0)(\pm 2\sqrt{3}, 0).
  • Raio paralelo “converge para o vértice”. Converge para o foco; o vértice é só o ponto mais fundo.
  • Área da elipse como πa2\pi a^2. É πab\pi a b.

O essencial em meia página

  • Cônicas = seções de um cone de duas folhas por um plano que evita o vértice. Com α\alpha o semiângulo de abertura e β\beta o ângulo do plano com o eixo: β=90°\beta = 90° circunferência; β>α\beta > \alpha elipse; β=α\beta = \alpha parábola; β<α\beta < \alpha hipérbole (duas folhas, dois ramos). Pelo vértice: ponto, reta ou duas retas (degeneradas).
  • Elipse: d(P,F1)+d(P,F2)=2ad(P, F_1) + d(P, F_2) = 2a; a2=b2+c2a^2 = b^2 + c^2; x2a2+y2b2=1\dfrac{x^2}{a^2} + \dfrac{y^2}{b^2} = 1 (eixo maior na variável do maior denominador); focos a cc do centro, no eixo maior; área πab\pi a b; e=c/a<1e = c/a < 1.
  • Parábola: d(P,F)=d(P,d)d(P, F) = d(P, d); y2=4pxy^2 = 4px (foco (p,0)(p, 0), diretriz x=−px = -p) e x2=4pyx^2 = 4py (foco (0,p)(0, p), diretriz y=−py = -p); pp = distância foco–vértice; y=ax2y = ax^2 tem p=1/(4a)p = 1/(4a); foco de um refletor de abertura LL e profundidade hh: p=L2/16hp = L^2/16h.
  • Hipérbole: ∣d(P,F1)−d(P,F2)∣=2a|d(P, F_1) - d(P, F_2)| = 2a; c2=a2+b2c^2 = a^2 + b^2; x2a2−y2b2=1\dfrac{x^2}{a^2} - \dfrac{y^2}{b^2} = 1 (vértices (±a,0)(\pm a, 0), focos (±c,0)(\pm c, 0), assíntotas y=±baxy = \pm\frac{b}{a}x); a2a^2 é o denominador do termo positivo; e=c/a>1e = c/a > 1.
  • Centro em (h,k)(h, k): troque xx por x−hx - h e yy por y−ky - k; da forma geral, complete quadrados. Tipo pela equação: A=CA = C circunferência; mesmo sinal elipse; sinais contrários hipérbole; um quadrado só parábola.
  • Excentricidade e=c/ae = c/a: 0 circunferência, entre 0 e 1 elipse, 1 parábola, acima de 1 hipérbole. Órbita: periélio a(1−e)a(1 - e), afélio a(1+e)a(1 + e), e=A−PA+Pe = \dfrac{A - P}{A + P}; distância do Sol ao outro foco 2c=2ea2c = 2ea.
  • Refletora: parábola manda o paralelo ao foco (antena, Arecibo, Hubble) e o foco para o paralelo (farol); elipse manda um foco ao outro, sempre com percurso 2a2a (sussurros, litotripsia); hipérbole devolve ao outro foco (Cassegrain).
  • Na prova: classifique pelo plano, não pela figura; leia aa, bb, cc pela equação e marque os focos você mesmo; faça a conta exata antes do limiar; julgue a afirmação inteira.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Introdução às Cônicas
Portal da Matemática OBMEP · 7:16
Introdução. O professor Vander Martins (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP) define a superfície cônica de duas folhas e mostra as curvas que um plano recorta nela, parábola, elipse e hipérbole: é a seção “Um cone, um plano e quatro curvas” em aula, antes de qualquer equação.
Equação da Elipse
Portal da Matemática OBMEP · 11:39
Mecanismo. Partindo da definição da elipse como lugar geométrico (soma das distâncias aos focos igual a 2a), o professor deduz no quadro a equação reduzida com os eixos paralelos aos eixos coordenados: é a dedução que a seção “A equação reduzida da elipse” resume em três linhas, feita passo a passo, com as duas elevações ao quadrado.
Introdução à Hipérbole
Portal da Matemática OBMEP · 12:00
Aprofundamento. Define a hipérbole pela diferença das distâncias aos focos e apresenta os seus elementos (centro, vértices, eixos real e imaginário, focos, assíntotas e excentricidade): é a seção “A hipérbole: a diferença é constante”, inclusive a relação c² = a² + b² e o retângulo de referência.
Por que as antenas parabólicas são parabólicas?
Professora Letícia Genevain - Matemática · 8:51
Aplicação. Apresenta as cônicas, em especial a parábola, para responder por que o refletor da antena tem esse perfil: os raios paralelos ao eixo convergem no foco, onde fica o receptor, e a superfície é o paraboloide de revolução. É a seção “Por que o foco se chama foco: a propriedade refletora” com a antena de TV e o radiotelescópio como exemplos (na descrição, a autora anota um reparo ao que diz aos 6:58 sobre o paraboloide; fique com o que esta página usa: o paraboloide é a superfície obtida girando a parábola em torno do eixo).
PAS 3 UNB - Subprograma 2018 - Item 92 - Mat. | A estrada passa por uma base de acampamento.
Professor Gabriel Carvalho · 5:01
Resolução. Resolve o item do bloco das flores do cerrado do PAS 3 (subprograma 2018, prova aplicada em 2020; no caderno oficial é o item 91), em que a estrada y = −x + 2 deveria passar por um foco da elipse de vértices (±3, 0) e (0, ±2): calcula c² = 9 − 4, localiza os focos em (±√5, 0) e testa a reta, exatamente como a seção “Leia como na prova” faz com o mesmo item.
Rota PAS 2
Geometria espacial: sólidos, cônicas e projeções · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Geometria espacial: sólidos, cônicas e projeções · Cônicas: as curvas que nascem do cone (conceito, figura das três seções, exemplo-guia dos ângulos, 'Na prova' com o bloco de 2009 e o item 96 de Arecibo, checagem); Como a banca cobra (item 2009/95 e histórico); Resolvidos (abajur cônico junto à parede); Leia como na prova (itens 9, 15 e 18: farol parabólico, excentricidade, condição para hipérbole); Banco de treino T4 a T7

    Recorte por assunto: só as cônicas (seções do cone, definições por distâncias, elementos, equações reduzidas, excentricidade, propriedade refletora). Seções de outros sólidos, áreas, poliedros, esfera e projeções do mesmo capítulo pertencem a outras páginas. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; a abertura, os exemplos, os números e a ordem de exposição desta página são próprios.

  • Rota PAS 3 — Geometria analítica e números complexos · A circunferência: todos os pontos a R do centro (equação, completar quadrados; aqui só como caso-limite da elipse); Quanto mede o caminho entre dois pontos (bloco dos lotes de 2021, item 28, com a descrição da figura); Como a banca cobra (fronteiras: 2010/129–130, 2020/91–93 e 2021/29–31 fora da matriz vigente do PAS 3)

    A circunferência analítica em detalhe fica na página equacao-da-circunferencia; a parábola como gráfico de função fica em funcao-quadratica. Os itens analíticos de elipse e parábola do PAS 3 foram lidos nos cadernos, não no capítulo, que só os cita como histórico.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 2: 2009 (itens 95, 96 e 97, bloco de Menecmo a Kepler, radiotelescópio de Arecibo), 2011 (itens 90, 91 e 95, espelho côncavo do aquecedor solar de latas, caderno Itaipu); PAS 3: 2010 (itens 129 e 130, espelho primário do Hubble), 2020 (itens 91 a 93, caliandra e flamboyant), 2021 (itens 29, 30 e 31, lotes A a D delimitados por uma elipse)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB oficiais (2009: 95 C, 96 C, 97 C; 2011: 90 E, 91 C, 95 tipo D; 2010: 129 C, 130 E; 2020: 91 E, 92 E, 93 C; 2021: 29 E, 30 E, 31 D) e nas classificações classificacao-pas2/2009.json, 2011.json e classificacao-pas3/2010.json, 2020.json, 2021.json.

  • Cadernos em PDF (figuras dos itens) · PAS 2 2009, página 13 do caderno (p. 14 do PDF): figura I (foto de Arecibo) e figura II (parábola com vértice O, corda AB e ponto H); PAS 2 2011, p. 14 do caderno Itaipu (p. 16 do PDF): espelho côncavo com os pontos A, B, C, F e o ângulo α; PAS 3 2010, p. 19 (p. 20 do PDF): sistema de espelhos do Hubble com V, O, A, D, B, C, P e F; PAS 3 2020, p. 8 do PDF da parte 2: elipse com vértices em ±3 e ±2 e a reta da estrada; PAS 3 2021, p. 3 do PDF da parte 2: lotes A, B, C e D com as retas x = 1, x = 3 e y = 1

    Todas as figuras foram renderizadas a 300 dpi e descritas em texto neutro no campo text das questões, com todos os rótulos e medidas.

  • MacTutor History of Mathematics (University of St Andrews) e NSF Arecibo Observatory · Menaechmus (descoberta das seções cônicas ao atacar a duplicação do cubo; aluno de Eudoxo); Apollonius of Perga (Conics em oito livros; introdução dos nomes parábola, elipse e hipérbole); NSF: colapso do telescópio de 305 m de Arecibo em 1.º de dezembro de 2020, com a plataforma de instrumentos suspensa por cabos

    Fontes das afirmações históricas da abertura e do container sobre Arecibo. Conferidas em 3/10/2026 (curl 200 e leitura do texto). A escolha do termo 'foco' por Kepler em 1604 (Astronomiae pars optica) ficou sem página de referência conferida.