Um mutirão que planta a cada dia o dobro de mudas do dia anterior; um tubarão cujos parasitas caem pela metade a cada sessão de limpeza. Como chegar ao 10.º termo sem escrever os nove anteriores, como somar dez termos ou infinitos termos em uma linha, e por que somar sempre perde de multiplicar?
O que você vai aprender
Reconhecer uma PG pelo teste de todos os quocientes, distinguir a razão (fator) da diferença e traduzir frases como 'cresce 12%', 'cai pela metade' e 'diminui 60%' em razões 1,12, 0,5 e 0,4, classificando a PG como crescente, decrescente, constante ou alternante.
Deduzir e aplicar o termo geral a_n = a_1 q^(n − 1) e a relação a_n = a_m q^(n − m), contando fatores em vez de termos, inclusive em itens de limiar como os do PAS 2011, 2013 e 2025, e tratar o duplo sinal quando o expoente é par.
Explicar por que os pontos (n, a_n) de uma PG caem sobre uma curva exponencial, traduzir entre PG e função exponencial (razão = base) e reconhecer que uma exponencial lida em instantes igualmente espaçados é uma PG.
Usar a média geométrica e os termos equidistantes, escrever três termos em PG como x/q, x, xq e interpolar k meios geométricos com k + 1 fatores.
Deduzir S_n = a_1 (q^n − 1)/(q − 1) multiplicando a soma pela razão, aplicá-la a acumulados (mudas plantadas, produção, alturas) sem confundir termo com soma, e tratar o caso q = 1.
Justificar a convergência da soma infinita para |q| < 1, calcular S = a_1/(1 − q) em dízimas periódicas, no quadrado dividido pela metade e em limites como o dos recordes de 2012, e recusar a fórmula quando |q| ≥ 1.
Comparar PA e PG (somar × multiplicar), explicar por que toda PG de razão q > 1 ultrapassa qualquer PA e por que o logaritmo dos termos de uma PG forma uma PA; modelar juros compostos, decaimento e meia-vida como PG e ler tabelas e gráficos discretos.
Um mutirão de reflorestamento começa modesto: 3 mudas no primeiro dia. O combinado com os voluntários é que cada dia plante o dobro do dia anterior, e a sequência de plantio fica 3, 6, 12, 24. Quem organiza quer saber duas coisas: quantas mudas vão ao chão no décimo dia, e quantas terão sido plantadas, no total, até lá. A prova do PAS 1 de dezembro de 2025 fez uma pergunta do mesmo tipo, com o fator virado para baixo: um peixe-limpador retira 50% dos parasitas de um tubarão-lixa a cada sessão de limpeza, a partir de 800, e o item afirmava que, depois da quarta sessão, restaria menos de 2,5% da quantidade inicial. Nenhum dos dois enunciados traz fórmula. O que os dois trazem é um fator que se repete, dobrar num caso e cair à metade no outro, aplicado uma vez a cada passo.
As duas situações são o mesmo objeto: uma lista de números em que se multiplica sempre pelo mesmo fator para passar de um termo ao seguinte. É a progressão geométrica, ou PG. Esta página é sobre como reconhecer uma PG e classificar a sua razão, como chegar a qualquer termo sem escrever os anteriores, por que os termos de uma PG caem sobre uma curva exponencial, como somar dez termos ou infinitos termos em uma linha, e onde a banca planta o erro. A progressão aritmética, que soma em vez de multiplicar, e a função exponencial, que é a PG sem degraus, têm páginas próprias; aqui aparecem como vizinhas e como contraste.
Somar ou multiplicar: a pergunta que vem antes da fórmula
Uma sequência é uma lista ordenada a1,a2,a3,…; o índice diz a posição, o número diz o valor. Em (3,6,12,24,…), o 24 é o valor do quarto termo: a4=24. Antes de qualquer fórmula, a pergunta é: o que se faz para passar de um termo ao seguinte? Em (5,9,13,17) soma-se 4 sempre: é PA. Em (3,6,12,24) soma-se 3, depois 6, depois 12, mas multiplica-se por 2 sempre: é PG. Um enunciado que diz “dobra a cada dia”, “cresce 12% ao ano”, “perde metade a cada sessão”, “diminui 60% ao mês” está descrevendo uma PG sem usar o nome, porque cada uma dessas frases é um fator fixo: ×2, ×1,12, ×0,5, ×0,4.
Frase do enunciado
Operação por passo
Progressão
“4 assentos a mais por fila”
+4
aritmética, r=4
“diminui 0,05 m por bloco”
−0,05
aritmética, r=−0,05
“dobra a cada dia”
×2
geométrica, q=2
“cresce 12% ao ano”
×1,12
geométrica, q=1,12
“cai pela metade a cada sessão”
×0,5
geométrica, q=0,5
“diminui 60% ao mês”
×0,4
geométrica, q=0,4
Repare na última linha: perder 60% é ficar com 40%, e o fator é 0,4, não 0,6. Esse é o primeiro lugar em que a prova tropeça o candidato.
O que faz uma sequência ser geométrica
Progressão geométrica e razão
Uma sequência (a1,a2,a3,…) é uma progressão geométrica quando cada termo, a partir do segundo, é o anterior multiplicado por uma mesma constante q:
an+1=an⋅qpara todo n.
O número q é a razão. Quando os termos não são nulos, ela se recupera por divisão: q=an+1/an. É um quociente, não uma diferença. Com primeiro termo positivo:
q>1: PG crescente (3,6,12,24,…);
0<q<1: PG decrescente (800,400,200,100,…);
q=1: PG constante (7,7,7,…);
q<0: PG alternante, os sinais se revezam (3,−6,12,−24,… com q=−2; 8,−4,2,−1,… com q=−1/2).
Com primeiro termo negativo, crescente e decrescente trocam de lugar (−3,−6,−12 tem q=2 e diminui). A razão pode ser fração, decimal, negativa ou até uma potência escrita de forma estranha, como 2−0,02 ou 1005/6: continua sendo o número pelo qual se multiplica.
Três PGs, três razões: q=2 (crescente), q=1/2 (decrescente) e q=−1/2 (alternante). O que as une é o teste da razão: dividir cada termo pelo anterior dá sempre o mesmo número. Diagrama autoral.
Para decidir se uma lista é PG, divida cada termo pelo anterior e compare todos os quocientes. Em 2021 a prova deu as frequências do acorde de Lá menor, 440 Hz, 528 Hz e 660 Hz, e afirmou que estavam em progressão geométrica. Teste: 528/440=1,2 e 660/528=1,25. Dois quocientes diferentes, não é PG, e o item era E. O mesmo item dizia que as frequências do acorde de Lá maior, 440, 550 e 660 Hz, estavam em PA: aí sim, 550−440=660−550=110. A primeira metade da afirmação estava certa e a segunda, errada; o julgamento é da frase inteira.
Há uma PG degenerada que vale conhecer para não cair nela: com q=0 a sequência é a1,0,0,0,…, e a partir do terceiro termo não dá para recuperar a razão dividindo (a3/a2 seria zero por zero). Provas não cobram isso; livros costumam exigir termos não nulos justamente para que q=an+1/an sempre funcione.
PG não é sinônimo de "cresce", e razão não é "o quanto muda"
Em 2024 a banca desenhou três segmentos a, b e c sobre a fachada da catedral de Reims com ba=cb=φ≈1,618 (a razão áurea) e perguntou em que progressão estão a,b,c, nessa ordem. A tentação é responder “geométrica de razão maior que um”, porque φ>1. Mas a razão de uma sequência é o número pelo qual se multiplica para avançar um passo, e aqui o passo vai de a para b: como a=φb, tem-se b=a/φ, logo q=1/φ≈0,618<1. A PG é decrescente, e a resposta era “geométrica de razão menor que um”. Uma PG pode encolher; e a razão é sempre “o seguinte dividido pelo anterior”, não o contrário.
Termo geral: n − 1 fatores, não n
No mutirão, o primeiro dia (3 mudas) e o segundo (6) estão separados por uma dobra; o terceiro fica a duas dobras do começo; o décimo, a nove. O número de multiplicações fica sempre uma unidade atrás da posição, porque o primeiro termo é o ponto de partida e não foi multiplicado por nada.
Termo geral de uma PG
an=a1⋅qn−1
Em palavras: o termo de posição n é o primeiro termo com n−1 fatores q aplicados sobre ele, um para cada passo dado desde a largada. Entre dois termos quaisquer vale a mesma ideia, sem passar pelo primeiro:
an=am⋅qn−m,
isto é, de am até an há n−m fatores q. Dividindo, aman=qn−m: o quociente entre dois termos denuncia a razão elevada ao número de passos.
De a1 a a6 há cinco fatores 2, não seis: a6=3⋅25=96. O índice conta termos; a fórmula conta multiplicações, que são sempre uma a menos. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 1: o mutirão que dobra. No primeiro dia, 3 mudas; a cada dia, planta-se o dobro do dia anterior. Quantas mudas vão ao chão no 10.º dia? Esse número passa de 2 000?
Estratégia: PG com a1=3 e q=2; entre o 1.º e o 10.º dia há 10−1=9 dobras.
Resolução:a10=3⋅29=3⋅512=1536 mudas. Não passa de 2 000: num item de julgamento, E.
Conferência: listando, 3,6,12,24,48,96,192,384,768,1536; o décimo é 1 536. Quem usa 210 chega a 3072, que é o 11.º dia, e responde que passa de 2 000: o expoente errado inverte o julgamento. O limiar foi posto de propósito entre 3⋅29 e 3⋅210, e é assim que a banca separa quem contou fatores de quem contou termos.
A prova cobra exatamente essa contagem. Em 2011, num navio em que Alex empilhava caixas em pilhas cujas quantidades formavam uma PG com b1=1, o item dizia: “se a terceira pilha continha 4 caixas, então a quinta continha 32”. De b1=1 a b3=4 há dois fatores: q2=4, q=2 (as caixas são positivas). De b3 a b5 há mais dois: b5=4⋅22=16, não 32. Item E. Quem chega a 32 fez 25, contando cinco fatores entre o primeiro e o quinto termo.
Dois termos distantes. Se a2=6 e a5=162, então a5/a2=q3=27 e q=3; daí a1=a2/q=2 e a8=a5⋅q3=162⋅27=4374. Quando o expoente que sobra é par, a razão tem dois sinais possíveis: de a1=3 e a3=12 vem q2=4, e q=2 ou q=−2; só o contexto (caixas, pessoas, dinheiro) ou um termo a mais decide.
O expoente conta saltos, e o primeiro termo não salta
De a1 a a7 são seis saltos, não sete: a7=a1q6. Numa PG de razão 1/3, o sétimo termo é o primeiro dividido por 36=729; quem divide por 37=2187 pôs um salto a mais na conta. Em 2013, a solubilidade do oxigênio caía em PG com a1=14,4 e q=2−0,02, e o item perguntava se an=7,2 exige n>50. Cair à metade é qn−1=1/2, isto é, 2−0,02(n−1)=2−1; igualando expoentes, 0,02(n−1)=1, n−1=50 e n=51>50: C. Com qn no lugar de qn−1 sai n=50, que não é maior que 50, e o julgamento viraria E: a diferença inteira entre acertar e errar estava no expoente.
Os pontos de uma PG caem sobre uma curva exponencial
Escreva o termo geral de outro jeito: an=a1qn−1=qa1⋅qn. Isso é f(n)=A⋅qn com A=a1/q: uma função exponencial da posição, avaliada só em n=1,2,3,… A razão da PG é a base da exponencial; os pontos (n,an) caem todos sobre a curva y=Aqx, mas a PG só ocupa os de abscissa inteira. Por isso a PG é chamada de exponencial discreta: a curva existe para todo x real, e a sequência recolhe dela um único ponto por posição, o 1.º, o 2.º, o 3.º, como quem sobe uma rampa pisando só nos degraus marcados.
A PG 3,6,12,24,48,96 do mutirão é a exponencial 3⋅2x lida só nos inteiros: cada degrau dobra o anterior. A reta 20x (uma PA de razão 20) toma a dianteira logo no início e a mantém por quatro passos, até a curva cruzá-la perto de x=5; daí em diante a reta não volta a alcançá-la. Diagrama autoral.
A tradução vale nos dois sentidos, e a prova cobrou os dois. De exponencial para PG: em 2021, no PAS 2, uma população de bactérias sob antibiótico seguia Q(t)=Q0⋅e−kt, e o item afirmava que Q(1),Q(2),…,Q(n) formam uma PG de razão e−k. Certo: Q(t+1)/Q(t)=e−k(t+1)/e−kt=e−k, o mesmo quociente para todo t. Toda exponencial lida em instantes igualmente espaçados vira PG, com razão igual à base elevada ao espaçamento. De PG para exponencial: uma produção que cresce 12% ao ano é a PG de razão 1,12 e, ao mesmo tempo, a função P(t)=P0⋅1,12t; a diferença é só se o tempo é contado em anos inteiros ou em qualquer instante.
PG e função exponencial são o mesmo objeto em dois idiomas
Na PG
Na exponencial
razão q
base (fator por unidade) b
primeiro termo a1
f(1)
a1/q
valor inicial A=f(0)
an/am=qn−m
f(x2)/f(x1)=bx2−x1
posição n inteira
domínio {1,2,3,…}
q>1 crescente, 0<q<1 decrescente
b>1 crescente, 0<b<1 decrescente
Uma diferença: a PG aceita q<0 (alternante), a função exponencial não aceita base negativa, porque (−2)1/2 não existe nos reais. A PG alternante é uma sequência legítima que não tem curva por baixo.
Dessa identidade sai um fato que a banca já transformou em item: com q>1 a PG sobe em curva, devagar nas primeiras posições e sem freio depois, e nenhuma PA, por maior que seja a sua razão, consegue permanecer à frente dela indefinidamente. A seção “PA × PG” desenvolve isso com o item de 2023.
Termo médio geométrico e interpolação
Duas propriedades saem direto do termo geral e economizam contas.
Termo médio e termos equidistantes
Em uma PG, o quadrado de cada termo é o produto dos vizinhos:
an2=an−1⋅an+1,
isto é, cada termo (em módulo) é a média geométrica dos vizinhos. Por isso três números em PG se escrevem como qx,x,xq, e o produto dos três é x3. Em uma PG finita de n termos, termos equidistantes dos extremos têm o mesmo produto: ak⋅an+1−k=a1⋅an. Daí sai o produto dos n termos, Pn=(a1an)n a menos de sinal, uma fórmula que raramente aparece em prova e que vale conhecer só como consequência.
A razão áurea de 2024 é a propriedade do termo médio em pedra: ba=cb é o mesmo que b2=ac, ou seja, b é a média geométrica de a e c, e (a,b,c) é uma PG. Num item de três termos com uma incógnita, é a conta mais curta: se (4,x,9) é PG de termos positivos, então x2=36 e x=6.
Interpolar (ou inserir) meios geométricos entre dois números é completar uma PG que os tenha como extremos. Inserir k meios entre a e b cria uma PG de k+2 termos, com k+1 fatores: qk+1=b/a.
Três meios geométricos entre 2 e 162: cinco termos, quatro fatores, q4=162/2=81, q=3 (ou −3, se sinais alternados forem admitidos). Contar os fatores como se fossem três, o número de meios, é o erro; são os meios mais um. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 2: inserir meios geométricos. Uma escala de zoom vai de 2× a 162× em cinco níveis igualmente espaçados em fator (cada nível multiplica o anterior pela mesma quantidade). Quais são os três níveis intermediários?
Estratégia: três meios geométricos entre 2 e 162; os fatores são 3+1=4.
Resolução:q4=162/2=81, logo q=3 (fatores de zoom são positivos). Os níveis intermediários são 6,18 e 54.
Conferência:2,6,18,54,162 tem cinco termos e quatro quocientes iguais a 3. Se alguém tomasse q3=81 (três fatores para três meios), acharia q=381≈4,33 e o terceiro meio cairia em 2⋅4,333=162, que é o extremo, não um meio. O termo do meio, 18, é a média geométrica dos extremos: 2⋅162=324=18. Bate.
Somar sem somar: multiplique tudo pela razão
De volta ao mutirão: quantas mudas foram plantadas, ao todo, nos dez primeiros dias? Dá para somar 3+6+12+⋯+1536 termo a termo, mas existe um atalho de duas linhas. Escreva a soma, multiplique a linha inteira pela razão e subtraia uma da outra: as parcelas do meio se anulam aos pares.
Cada termo da primeira linha, exceto o primeiro, aparece também na segunda; sobram só o último da segunda e o primeiro da primeira. Logo (q−1)Sn=a1(qn−1).
Soma dos n primeiros termos
Sn=q−1a1qn−a1(q=1)
Em palavras: no numerador fica a diferença entre o termo que viria a seguir (a1qn=an+1) e o primeiro; no denominador, a razão menos 1. Fatorando a1, a mesma fórmula se escreve Sn=a1q−1qn−1, que é como ela costuma aparecer nos livros; multiplicando em cima e embaixo por −1, vira Sn=a11−q1−qn, forma mais confortável quando 0<q<1. Para q=1 todos os termos são iguais e Sn=na1; a fórmula com denominador q−1 não pode ser usada (daria zero sobre zero).
Exemplo resolvido 3: o total do mutirão.a1=3, q=2, n=10. Quantas mudas ao fim de dez dias, e o mutirão passa de 3 000?
Estratégia: soma finita de PG com q=1; a potência necessária é qn=210=1024.
Resolução:S10=3⋅2−1210−1=3⋅1023=3069 mudas. Passa de 3 000: num item de julgamento, C.
Conferência:3+6+12+24+48+96+192+384+768+1536=3069, que é 3⋅1023, três unidades abaixo de 3⋅210=3072. E 3072 é justamente a11: o 11.º dia, sozinho, plantaria mais do que os dez primeiros juntos. Numa PG de razão 2 isso é regra, não coincidência, e a diferença é sempre a1 (an+1−Sn=a1); para qualquer q≥2 com termos positivos, o termo seguinte supera a soma de tudo o que veio antes. É um resultado que contraria quem está acostumado a somar. Com 1<q<2 (como 1,12) a curva continua subindo, mas o termo seguinte já não vence o acumulado: em 4,6,9 (razão 1,5), 4+6=10>9.
A prova de 2015 fez exatamente essa pergunta com desmatamento: uma área desmatada em um dia, e a cada dia seguinte o dobro do dia anterior, até a área ficar completamente desmatada em 8 dias; o item afirmava que “metade da área já havia sido desmatada no sexto dia”. Em unidades do primeiro dia, o total é S8=28−1=255; ao fim do sexto dia, S6=63, menos de um quarto; ao fim do sétimo, S7=127, ainda um pouco menos da metade. A metade só é atingida durante o oitavo dia: item E. Em 2014, a produção de suínos de uma região crescia 12% ao ano de 2013 a 2016, partindo de 120 toneladas, e o item dizia que o total do período seria inferior a 500 toneladas: S4=120⋅0,121,124−1, com 1,122=1,2544 e 1,124≈1,5735, dá 120⋅4,779≈573,5 toneladas. Superior a 500: E. Quem esquece o crescimento e soma quatro anos de 120 toneladas acha 480, abaixo de 500, e marca C; quem soma os percentuais (120⋅1,36=163,2 em 2016, em vez de 120⋅1,123≈168,6) acha um total de 566,4 toneladas, acerta o julgamento por conta errada, e num limiar mais apertado erraria.
Duas estruturas de blocos cúbicos, em 2020, cruzaram as duas somas: a primeira com 12 blocos de arestas em PA de razão −0,05 m a partir de 1 m; a segunda com 10 blocos de arestas em PG de razão 0,9, e a prova fornecia 0,910≈0,35. Altura da primeira: a12=1−11⋅0,05=0,45 e S12=(1+0,45)⋅12/2=8,7 m. Altura da segunda: S10=1−0,91−0,910=0,10,65=6,5 m. A primeira é mais alta: C. Quando a potência necessária não vem impressa no comando, desconfie do caminho; quando vem, ela é o mapa da conta.
Termo e soma são perguntas diferentes, e PG não se soma como PA
“Quantas mudas no 10.º dia?” é a10; “quantas mudas até o 10.º dia?” é S10. E a soma de uma PG não é “número de termos vezes a média dos extremos”: isso é o par de Gauss, que só funciona porque na PA os termos equidistantes têm a mesma soma. Na PG eles têm o mesmo produto, e a soma vem do truque de multiplicar pela razão. Para 1+2+4+8, a média dos extremos vezes quatro dá 18; a soma verdadeira é 15.
Somar infinitos termos e chegar a um número
Divida um quadrado de área 1 pela metade; depois uma das metades pela metade; depois um dos quartos pela metade; e assim sem fim. As peças têm áreas 21,41,81,161,…, uma PG de razão 21. Somadas todas, preenchem o quadrado inteiro, e nada mais: a soma de infinitas parcelas positivas é exatamente 1. É o paradoxo de Zenão resolvido: Aquiles percorre metade da distância, depois metade do que falta, depois metade do que falta, e o total das infinitas etapas é a distância inteira, não infinito.
As peças 21,41,81,… preenchem o quadrado de área 1 e nunca passam dele: as somas parciais 0,5; 0,75; 0,875; … se aproximam de 1 sem alcançá-lo. É a soma infinita S∞=a1/(1−q)=(1/2)/(1−1/2)=1. Diagrama autoral.
O que torna isso possível é que, com ∣q∣<1, a potência qnmíngua rumo a zero quando n cresce: (1/2)10≈0,001, (1/2)20≈0,000001. Na fórmula da soma finita escrita como Sn=a11−q1−qn, o qn desaparece e sobra um número fixo.
Soma dos infinitos termos
Para uma PG com −1<q<1 (isto é, ∣q∣<1),
S∞=1−qa1
Em palavras: divida o primeiro termo pela distância que separa a razão de 1. Somar infinitos termos significa estudar o limite das somas parciais Sn; esse limite existe e é finito somente nessa condição. Com q=1 a soma cresce sem parar (a1+a1+a1+⋯); com q>1 explode (1+2+4+⋯); com q=−1 as somas parciais alternam entre a1 e 0 e não se fixam em nada; com q<−1 oscilam com amplitude crescente. Nesses casos a fórmula não pode ser usada: aplicá-la a 1+2+4+⋯ daria 1/(1−2)=−1, um absurdo que denuncia a condição violada.
Três aplicações voltam sempre. Os parasitas do tubarão: 800 parasitas, 50% removidos por sessão; removem-se 400, 200, 100, 50, … e o total removido se aproxima de 400/(1−1/2)=800, o que havia, sem nunca passar disso. As dízimas periódicas:0,272727…=0,27+0,0027+0,000027+⋯ é uma PG de a1=0,27 e q=0,01, com soma 1−0,010,27=0,990,27=9927=113; e 0,999…=1−0,10,9=1, exatamente. A razão negativa:6−3+1,5−0,75+⋯ tem q=−1/2, e a soma é 6/(1+1/2)=4; as somas parciais 6,3,4,5,3,75,… oscilam em torno de 4 e se fecham nele.
A prova usou a soma infinita num tipo B inteiro. Em 2012, os recordes dos 100 metros rasos eram estimados a partir de 9,930 s: o primeiro recorde seria R1=9,930−a1, o segundo R2=R1−a2, e assim por diante, com (ai) uma PG de razão 0,98 e a1=0,009. O item pedia o limite mínimo do tempo, em centésimos de segundo. Todo o desconto acumulado, com infinitos recordes, é S∞=1−0,980,009=0,020,009=0,45 s, e o limite é 9,930−0,45=9,48 s: resposta 948. O item vizinho, de julgamento, dizia que o segundo recorde seria inferior a 9,912 s: R2=9,930−0,009−0,009⋅0,98=9,930−0,01782=9,91218, um fio acima de 9,912; item E. O limiar foi escolhido para punir quem arredonda antes de comparar.
Fractais: perímetro infinito, área finita
Na curva de Koch, cada segmento é trocado por quatro segmentos com um terço do comprimento: o perímetro é multiplicado por 4/3 a cada etapa, PG de razão maior que 1, e cresce sem limite. A área acrescentada a cada etapa, porém, forma uma PG de razão 4/9<1, e a área total converge para um valor finito. A mesma figura carrega uma PG que diverge e outra que converge, e a diferença é só a razão.
PA × PG: somar contra multiplicar
As duas progressões são a mesma pergunta com duas operações. Lado a lado:
Progressão aritmética
Progressão geométrica
passo
soma r
multiplica por q
teste
diferenças iguais
quocientes iguais
termo geral
an=a1+(n−1)r
an=a1⋅qn−1
entre dois termos
an−am=(n−m)r
an/am=qn−m
termo médio
média aritmética dos vizinhos
média geométrica dos vizinhos
soma de n termos
(a1+an)n/2
a1(qn−1)/(q−1)
soma infinita
nunca (a menos que r=0 e a1=0)
a1/(1−q) se $
curva por baixo
reta (função afim)
exponencial
Mesmo primeiro termo, dois mundos: a PA soma 3 e alinha os pontos numa reta; a PG multiplica por 2 e os pontos escapam da reta em curva. A PA cresce sempre no mesmo ritmo; a PG cresce cada vez mais depressa. Diagrama autoral.
Nenhuma PA segura uma PG de razão q>1. Em 2023, o item dizia que, a partir de 2050, as crianças de 0 a 4 anos cresceriam em PG de razão q>1 e os idosos, em PA de razão um milhão por ano, e afirmava que “sempre” haveria menos crianças que idosos. Os idosos partem na frente (dois para cada criança), e um milhão por ano é muito; mas é sempre o mesmo milhão, enquanto a PG multiplica o que já tem. Em algum ano a curva fura a reta, e o “sempre” cai: E. Reta nenhuma segura uma exponencial, por menor que seja q>1 e por maior que seja r.
Logaritmo transforma PG em PA. Se an=a1qn−1 com termos positivos, então logan=loga1+(n−1)logq: os logaritmos dos termos formam uma PA de razão logq. É por isso que, em papel de escala logarítmica, uma PG aparece como pontos alinhados; e é a ponte para a página de logaritmos, onde a propriedade do produto faz esse trabalho.
Uma sequência constante (7,7,7,…) é as duas coisas ao mesmo tempo: PA de razão 0 e PG de razão 1. Fora dela, nenhuma sequência é PA e PG simultaneamente, porque somar um passo fixo e multiplicar por um fator fixo só coincidem quando o passo é zero e o fator é um.
A PG vestida de fenômeno
A PG quase nunca chega com o nome na frente. Ela vem como percentual, como “dobra”, como “meia-vida”, como juro.
Situação
O que está em PG
a1 (ou valor inicial)
q
Produção que cresce 12% ao ano
a produção de cada ano
120 t
1,12
Dívida a juros compostos de 10% ao mês
o saldo de cada mês
C
1,10
Equipamento que perde 20% do valor por ano
o valor a cada ano
preço
0,80
População que diminui 60% ao mês
a população mensal
25 000
0,40
Carbono-14: metade a cada 5 730 anos
a fração restante a cada meia-vida
1
1/2
Mutirão em que o plantio diário dobra
as mudas plantadas por dia
3
2
Dízima 0,2727…
as parcelas 0,27; 0,0027; …
0,27
0,01
Juros compostos são uma PG de dinheiro
Um capital C a juros compostos de taxa i por período vale M(t)=C(1+i)t depois de t períodos: os saldos M(0),M(1),M(2),… formam uma PG de razão 1+i. Uma fatura de R$ 1 000 no rotativo a 10% ao mês vai a 1100, 1210, 1331, e não a 1100, 1200, 1300: os R$ 31 de diferença no terceiro mês são o juro sobre o juro. Nos juros simples, a base de cálculo é sempre o capital de partida: o juro de cada mês é o mesmo, e os saldos formam uma PA. A comparação entre os dois regimes, a regra do 70 para o tempo de dobra e o item de 2022 sobre o financiamento habitacional estão na página de juros simples e compostos; aqui basta saber que “juros compostos” é o nome que a PG recebe quando os termos são reais.
Decaimento por fator constante e meia-vida em degraus. “Perde metade a cada intervalo” é PG de razão 1/2: depois de k intervalos resta (1/2)k do inicial, e nunca zero. Quatro meias-vidas deixam 1/16=6,25%; foi isso que decidiu o item de 2025: 800 parasitas com remoção de 50% por sessão deixam, após a quarta sessão, 800⋅(1/2)4=50 parasitas, 6,25% do inicial, bem acima do “inferior a 2,5%” afirmado. Item E: o limiar afirmado só chegaria na sexta sessão (1/64≈1,6%). O mesmo raciocínio serve à depreciação (20% ao ano por três anos deixa 0,83=0,512, ainda mais da metade) e ao carbono-14 (fração (1/2)t/5730).
A mesma grandeza pode encolher e depois crescer, cada trecho com a sua razão. Em 2017, uma lagoa tinha 25 000 pirarucus, que diminuíam 60% ao mês durante cinco meses; depois, com o manejo, cresciam em PG de razão 4/3 por mais cinco meses. Primeiro trecho: 25000⋅0,45=25000⋅0,01024=256. Segundo: 256⋅(4/3)5=256⋅1024/243≈1079. Longe dos “mais de 8 000” afirmados: E. O item paga quem supõe que “60% por cinco meses” zera a lagoa e quem recomeça de 25 000.
Contagem em potências de 2. Em 2009, no PAS 2, uma multidão de 127 pessoas se formava assim: uma pessoa no instante t1, mais duas em t2, mais quatro em t3, mais oito em t4, e assim por diante; o item afirmava que o número M de grupos (de 2k−1 pessoas cada, k=1,…,M) era 6. A soma 1+2+⋯+2M−1=2M−1; para dar 127, 2M=128 e M=7: E. É a mesma conta dos grãos de trigo no tabuleiro de xadrez: 1+2+⋯+263=264−1.
Razão escrita de forma estranha. Em 2023, no PAS 2, a temperatura média da Amazônia, partindo de 30 °C, decresceria em PG de razão 1005/6, e o item dizia que seriam necessários mais de 120 anos para ficar abaixo de 25 °C. Depois de n anos, Tn=30⋅(5/6)n/100; ficar abaixo de 25 é (5/6)n/100<5/6, ou seja, n/100>1, n>100. Cem anos levam exatamente a 25 °C; 101 já bastam. “Mais de 120”: E. A razão parecia assustadora e a conta foi uma comparação de expoentes.
Ler tabelas e gráficos discretos
Uma tabela esconde uma PG quando os quocientes entre linhas consecutivas são iguais, com a mesma ressalva da PA: as posições precisam avançar de um em um. Se a tabela mostra n=1,3,5 com valores 3,12,48, os quocientes 12/3=4 e 48/12=4 são iguais, mas correspondem a dois passos cada: q2=4 e q=±2. Divida o expoente pelo salto de posições antes de concluir, e lembre que expoente par deixa dois sinais possíveis; o termo a2 dessa tabela pode ser 6 ou −6.
Num gráfico de pontos (n,an), a PG se reconhece pela curvatura: degraus que aumentam (ou diminuem) sempre na mesma proporção. Não ligue os pontos com uma linha, porque a PG não tem termo 2,7; a curva exponencial por baixo é um apoio para o olho, não parte da sequência. Quando o eixo vertical está em escala logarítmica, a PG vira uma fileira de pontos alinhados, e a razão vira a inclinação, o que é a versão gráfica de “log de PG é PA”.
Um enunciado que diz “os dados sugerem uma PG” pede que você teste, não que aceite. E quando dá uma constante (0,910≈0,35; 5≈2,236), ela é a rota da conta: uma resposta que não a usou raramente é a da banca.
Os seis erros que a banca planta
Multiplicar a razão n vezes em vez de n−1. Mutirão (6 mudas no 2.º dia, 3⋅29 no 10.º), caixas de 2011 (b5=16, não 32), solubilidade de 2013 (n=51). Entre o primeiro e o n-ésimo termo há n−1 fatores; ao interpolar k meios, k+1 fatores.
Somar PG como PA, ou confundir an com Sn. A soma da PG vem de a1(qn−1)/(q−1), nunca da média dos extremos; e “no 10.º dia” é a10, “até o 10.º dia” é S10. Em 2015 a metade da área só veio no oitavo dia, não no sexto.
Usar a soma infinita com ∣q∣≥1.a1/(1−q) exige −1<q<1. Fora daí a soma explode ou oscila, e a fórmula devolve um número sem sentido (como −1 para 1+2+4+⋯).
Tratar a razão como diferença, ou o percentual como razão. “Cai 20%” é q=0,8, não 0,2; “diminui 60%” é 0,4. E a razão de (a,b,c) é b/a, o seguinte sobre o anterior: na catedral de 2024, 1/φ<1, PG decrescente.
Esquecer o sinal quando o expoente é par. De q2=4 saem q=2 e q=−2; só o contexto elimina um. Uma PG de razão negativa alterna sinais e não tem curva exponencial por baixo.
Somar percentuais. Dois anos a 10% não são 20%, são 1,12=1,21; quatro anos a 12% não são 48%. Cada percentual incide sobre o valor já modificado: é exatamente isso que faz a sequência ser geométrica.
O essencial em meia página
PG: sequência em que an+1=an⋅q para todo n; a razão é o quociente an+1/an. Com a1>0: q>1 crescente, 0<q<1 decrescente, q=1 constante, q<0 alternante. “Cresce i%” é q=1+i; “perde i%” é q=1−i.
Termo geral: an=a1qn−1; entre dois termos, an=amqn−m. Conte fatores: são um a menos que os termos.
Exponencial discreta: an=(a1/q)⋅qn é uma função exponencial de base q avaliada só nos inteiros; exponencial lida em instantes igualmente espaçados é PG. Nenhuma PA segura uma PG com q>1.
Propriedades: an2=an−1an+1 (média geométrica); três termos em PG são x/q,x,xq; equidistantes dos extremos têm produto a1an. Interpolar k meios: qk+1=b/a.
Soma finita: Sn=a1q−1qn−1 para q=1 (dedução: qSn−Sn); Sn=na1 para q=1. Com termos positivos e q≥2, o próximo termo pesa mais que a soma de todos os anteriores (não vale para 1<q<2).
Soma infinita: S∞=1−qa1somente se ∣q∣<1. Dízimas periódicas, quadrado dividido pela metade, parasitas do tubarão, limite dos recordes (948).
PA × PG: soma contra multiplicação; log de PG é PA; sequência constante é as duas.
Contexto: juros compostos (saldos em PG de razão 1+i), crescimento e decaimento percentual, meia-vida em degraus ((1/2)k nunca zera), depreciação, contagens 2M−1.
Tabelas: teste todos os quocientes; posições puladas dão qΔn e expoente par deixa dois sinais.
Limiar: calcule o exato e compare depois (6,25% não é inferior a 2,5%; 9,91218 não é inferior a 9,912; 101 anos não são “mais de 120”).
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
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Progressão Geométrica PG: Introdução (Aula 1 de 8)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 16:59
Introdução. Define a PG, nomeia a razão e classifica as progressões com exemplos numéricos, do zero: é a seção “O que faz uma sequência ser geométrica” em aula, para quem ainda confunde razão com diferença.
Aula 9: Soma dos Termos de uma PG Infinita, Parte I
Portal da Matemática OBMEP · 13:50
Aprofundamento. O Prof. Maurício Gonçalo (IMPA/OBMEP) mostra, com um exemplo e de forma intuitiva, por que é razoável esperar que a soma dos termos de algumas PGs seja finita: é a seção “Somar infinitos termos e chegar a um número”, com a condição ∣q∣<1 e o quadrado dividido pela metade.
Caiu no ENEM - PG - Progressão Geométrica - Professora Angela Matemática
Professora Angela Matemática · 5:52
Aplicação. Resolve o item do ENEM 2016 em que o número de visitantes de um evento triplica a cada dia durante quatro dias: PG vestida de fenômeno, com o termo geral e a contagem de fatores da seção “Termo geral: n−1 fatores, não n” e o exemplo resolvido 1 do vídeo que dobra.
Progressão Geométrica no ENEM | Exercícios resolvidos de PG
Escola de Números com Thyago Araujo · 9:38
Resolução. Questões do ENEM resolvidas em ritmo de prova (o torneio de tênis em eliminatória simples de 2018, entre outras): PG em contagem e em crescimento, o treino das seções “A PG vestida de fenômeno” e “Os seis erros que a banca planta”.
A cada sessão, o peixe-limpador remove metade dos parasitas que restam: 800, 400, 200, 100. Quatro sessões deixam 1/16, não zero. É a progressão geométrica que a prova do PAS transformou em item.Três PGs, três razões: q=2 (crescente), q=1/2 (decrescente) e q=−1/2 (alternante). O que as une é o teste da razão: dividir cada termo pelo anterior dá sempre o mesmo número. Diagrama autoral.De a1 a a6 há cinco fatores 2, não seis: a6=3⋅25=96. O índice conta termos; a fórmula conta multiplicações, que são sempre uma a menos. Diagrama autoral.A PG 3,6,12,24,48,96 do mutirão é a exponencial 3⋅2x lida só nos inteiros: cada degrau dobra o anterior. A reta 20x (uma PA de razão 20) toma a dianteira logo no início e a mantém por quatro passos, até a curva cruzá-la perto de x=5; daí em diante a reta não volta a alcançá-la. Diagrama autoral.Três meios geométricos entre 2 e 162: cinco termos, quatro fatores, q4=162/2=81, q=3 (ou −3, se sinais alternados forem admitidos). Contar os fatores como se fossem três, o número de meios, é o erro; são os meios mais um. Diagrama autoral.As peças 21,41,81,… preenchem o quadrado de área 1 e nunca passam dele: as somas parciais 0,5; 0,75; 0,875; … se aproximam de 1 sem alcançá-lo. É a soma infinita S∞=a1/(1−q)=(1/2)/(1−1/2)=1. Diagrama autoral.Mesmo primeiro termo, dois mundos: a PA soma 3 e alinha os pontos numa reta; a PG multiplica por 2 e os pontos escapam da reta em curva. A PA cresce sempre no mesmo ritmo; a PG cresce cada vez mais depressa. Diagrama autoral.Um grão, dois, quatro, oito: a soma das 64 casas é 264−1. É a mesma conta do velório de 127 pessoas do PAS 2 de 2009, em que 2M−1=127 dá M=7.Uma cultura que dobra a cada hora é uma PG de razão 2 lida de hora em hora. O último degrau pesa mais que todos os anteriores somados.Cada dobra dobra o número de camadas: 1, 2, 4, 8, 16. Dez dobras dão 210=1024 camadas; vinte, cerca de um milhão. Repetir o mesmo fator leva longe depressa.21+41+81+⋯=1: as peças preenchem o quadrado inteiro e nunca passam dele. A soma infinita da PG converge porque ∣q∣<1.Três comprimentos com a/b=b/c=φ: uma PG de razão 1/φ≈0,618, decrescente. Foi a resposta do item tipo C do PAS 2024: decrescer também é PG.Alturas 8,4,2,1,… metros: infinitos quiques, distância total finita. A soma 8/(1−1/2)=16 m das descidas é a soma infinita de uma PG de razão 1/2.Juros simples somam sempre o mesmo (PA, rampa); juros compostos multiplicam o saldo pelo mesmo fator (PG, curva). Empatam no primeiro mês e nunca mais.
Rota PAS 1
Exponencial, logaritmo e PG: o crescimento que a intuição não vê · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Exponencial, logaritmo e PG: o crescimento que a intuição não vê · Abertura (tubarão-lixa e peixe-limpador); aquecimento (potências, fator percentual, tabela de 2^n); 'PG: a exponencial que anda em degraus' (conceito, exemplo-guia do vídeo que dobra, figura PG × exponencial × reta, soma infinita e parasitas, itens 2013/72 e 2017/90, armadilha 'conte razões, não termos', checagem a_10 = a_1/512); 'Juros simples e compostos' (só como ponte: saldos em PG de razão 1 + i, item 2016/55 anulado); 'Logaritmo' (só a consequência 'log de PG é PA'); box 'Como a banca cobra' (2025/87, 2024/50); exercícios N1–N3 (itens 2, 5, 8, 15, 16, 17) e banco de treino T4–T7, T9, T11–T13, T20–T21; síntese
Recorte por assunto: só a PG. A função exponencial, os juros compostos, o logaritmo e as escalas logarítmicas do mesmo capítulo pertencem às páginas funcao-exponencial, juros-simples-e-compostos e logaritmos; o duelo PA × PG de 2023 é compartilhado com progressao-aritmetica.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2011 (itens 55 e 56), 2012 (itens 76 e 77), 2013 (item 72), 2014 (item 65), 2015 (item 98), 2017 (item 90, transcrito da imagem do caderno), 2020 (item 91), 2021 (item 98), 2023 (item 89), 2024 (item 50), 2025 (item 87); PAS 2 2009 (item 23), 2021 (item 94), 2023 (item 60)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json e classificacao-pas2/. Os itens 2023/60 (PAS 2), 2009/23 (PAS 2) e 2024/50 tiveram símbolos conferidos na imagem do PDF (raiz centésima de 5/6; 2^(k−1); a/b = b/c = φ). Os itens 2011/55, 2013/72, 2015/98, 2017/90, 2020/91, 2023/89, 2025/87 e 2021/94 (PAS 2) são reutilizados por GUID dos arquivos criados pelas páginas progressao-aritmetica e funcao-exponencial.