Uma pesquisa disse que 102 jovens ouviam hip-hop, 83 ouviam reggae e 93 ouviam rock, e a prova do PAS perguntou quantos jovens havia. A soma dá 278, e a resposta certa era 205. Como se conta um grupo em que a mesma pessoa aparece em duas ou três listas?
O que você vai aprender
Descrever um conjunto por extensão, por propriedade e por diagrama de Venn, reconhecendo o papel do universo e do conjunto vazio.
Distinguir pertinência de inclusão e decidir igualdade, subconjunto e número de subconjuntos.
Traduzir 'ou', 'e', 'mas não' e 'fora de' em união, interseção, diferença e complementar, usando as leis de De Morgan quando a pergunta é 'nenhum'.
Resolver problemas de contagem com dois e três conjuntos pelo princípio da inclusão-exclusão, preenchendo o diagrama de dentro para fora e conferindo o total.
Converter uma tabela de dupla entrada ou percentuais de um mesmo universo em diagrama de Venn, e vice-versa.
Situar um número em N, Z, Q, I ou R e justificar a classificação pela forma decimal.
Escrever intervalos reais em notação de colchetes e de propriedade e operar com eles na reta, decidindo cada extremidade.
Em 2010, a prova do PAS 1 trouxe uma tabela de gosto musical: 102 jovens ouviam hip-hop, 83 ouviam reggae e 93 ouviam rock. Somar dá 278. Mas a mesma tabela trazia as sobreposições: hip-hop com reggae, 25; hip-hop com rock, 37; reggae com rock, 18; e os três estilos ao mesmo tempo, 7. Quem ouve dois estilos foi contado duas vezes na soma; quem ouve os três, três vezes. A prova não perguntou o que é um conjunto. Perguntou quantos jovens preferiam apenas um estilo e quantos jovens havia na pesquisa. Os dois itens se decidem com um desenho de três círculos e uma regra: some os grupos, tire o que foi contado em excesso.
É esse o assunto desta página. Chama-se conjunto qualquer coleção de objetos definida sem ambiguidade, de modo que se possa decidir quem faz parte dela: os alunos de uma turma, os múltiplos de 3, os números reais entre 1 e 5. A linguagem dos conjuntos serve para dizer quem está dentro, quem está fora e quem está em dois lugares ao mesmo tempo, e para contar sem repetir ninguém. Ela também organiza os números que você usa desde o fundamental, dos naturais aos reais, e dá nome aos pedaços da reta, os intervalos. Funções, probabilidade e contagem usam essa linguagem o tempo todo e têm páginas próprias; aqui entram só como exemplos.
Um conjunto é uma coleção que dá para descrever
Uma coleção só é um conjunto quando, para qualquer objeto, dá para responder sim ou não à pergunta “ele está aqui?”. “Os alunos da turma 1B” é um conjunto. “Os alunos altos da turma 1B” não é, até que alguém defina altura mínima. Os objetos da coleção são os elementos, e a relação entre elemento e conjunto se chama pertinência.
Elemento, pertinência e representações
x∈A lê-se “x pertence a A”; x∈/A, “não pertence”. Um conjunto pode ser dado por extensão, listando os elementos entre chaves, A={2,4,6}, ou por propriedade, dizendo a condição que os elementos cumprem, A={x∈N:xeˊ par e 0<x<7}. A terceira forma é o diagrama de Venn: uma região fechada com os elementos dentro. Ordem e repetição não mudam o conjunto: {2,4,6}={6,2,4}={2,2,4,6}. O conjunto sem elementos é o vazio, ∅ ou {}. O conjunto com um só elemento é unitário. O universoU é o conjunto de tudo o que está em discussão: a turma inteira, os inteiros, os reais.
A descrição por propriedade tem duas partes, e as duas importam: de onde vêm os candidatos e que condição eles cumprem. {x∈N:x<3} é {0,1,2}. Trocando o universo, {x∈Z:x<3} é infinito, e {x∈R:x<3} nem dá para listar. A mesma condição, três conjuntos diferentes.
Exemplo resolvido 1: da propriedade à lista. Escreva por extensão A={x∈Z:x2<10} e B={x∈N:2x+1=8}.
Estratégia: testar candidatos do universo declarado, um a um, e parar quando a condição deixa de valer.
Resolução: em A, os inteiros com quadrado menor que 10 são −3,−2,−1,0,1,2,3, porque 32=9<10 e 42=16 já passa. Logo A={−3,−2,−1,0,1,2,3}, sete elementos. Em B, 2x+1=8 dá x=3,5, que não é natural. Nenhum candidato serve: B=∅.
Conferência:(−3)2=9<10, entra; (−4)2=16, fica de fora. E B vazio não é “B={0}” nem “B={3,5}”: não existe natural que resolva a equação, então não existe elemento.
Vazio não é zero
∅ não tem elemento nenhum. {0} tem um elemento, o número zero. {∅} também tem um elemento, o conjunto vazio. Numa pesquisa, “nenhum aluno respondeu sim” é ∅; “o aluno respondeu 0” é {0}. Num item de julgamento, a troca de um pelo outro passa despercebida se você não ler o símbolo.
Pertencer não é estar contido
Dois símbolos parecidos dizem coisas diferentes. ∈ liga um elemento a um conjunto. ⊂ liga um conjunto a outro conjunto. “Ana pertence à turma” usa ∈. “Os alunos de inglês estão contidos na turma” usa ⊂.
Subconjunto, igualdade e conjunto das partes
A⊂B (Aestá contido em B, ou A é subconjunto de B) quando todo elemento de A também é elemento de B. Consequências diretas: A⊂A para todo conjunto, e ∅⊂A para todo conjunto (não há elemento em ∅ que possa falhar a condição). Dois conjuntos são iguais quando têm exatamente os mesmos elementos, isto é, A=B se e só se A⊂B e B⊂A. Um conjunto com n elementos tem 2n subconjuntos, contando o vazio e ele mesmo: {a,b,c} tem 23=8.
Pertinência liga elemento a conjunto; inclusão liga conjunto a conjunto. Em A={1,2,{3}}, o número 3 não pertence a A, mas o conjunto {3} pertence. {1,2}⊂A e ∅⊂A. Diagrama autoral.
Estratégia: para ∈, procurar o objeto exato na lista de elementos de A. Para ⊂, pegar cada elemento do conjunto da esquerda e conferir se ele está em A.
“Está contido” inclui o caso em que os dois conjuntos são iguais. Quando um item diz “A está contido em B”, ele não afirma que B tem algo a mais. Quem precisa da diferença escreve subconjunto próprio: A⊂B e A=B. Alguns livros usam ⊆ para “contido ou igual” e reservam ⊂ para o próprio; nesta página, e na maioria dos livros brasileiros, ⊂ admite a igualdade.
Quatro operações, quatro perguntas
As operações com conjuntos traduzem quatro palavras da língua: ou, e, mas não e fora de. Cada uma responde a uma pergunta diferente sobre onde um elemento está.
Operação
Notação
Um elemento entra quando
Pergunta em português
União
A∪B
está em A, em B ou nos dois
“faz inglês ou espanhol”
Interseção
A∩B
está em Ae em B
“faz inglês e espanhol”
Diferença
A−B (ou A∖B)
está em Amas não em B
“faz inglês, só inglês”
Complementar
A (ou Ac, ∁UA)
está em U e não em A
“não faz inglês”
Dois conjuntos dividem o universo em quatro regiões que não se sobrepõem: só A, A∩B, só B e nenhum dos dois. Toda pergunta de contagem é uma soma de algumas dessas regiões. Diagrama autoral.
O “ou” da união é inclusivo: quem está nos dois conjuntos está na união, uma vez só. Na língua do dia a dia, “café ou chá” costuma excluir os dois; na matemática, não. Quem quer “um ou outro, mas não ambos” precisa da expressão (A−B)∪(B−A), às vezes chamada de diferença simétrica.
A diferença tem ordem: A−B e B−A são regiões diferentes do desenho. O complementar só faz sentido com universo declarado: “quem não faz inglês” é uma pergunta sobre a turma, sobre a escola ou sobre o país, e as respostas são diferentes. Com U={1,2,…,9}, A={1,2,3,4,5} e B={4,5,6,7}: A∪B={1,…,7}; A∩B={4,5}; A−B={1,2,3}; B−A={6,7}; A∪B={8,9}.
Propriedades que economizam conta
Comutativa e associativa: A∪B=B∪A, A∩(B∩C)=(A∩B)∩C. Distributiva: A∩(B∪C)=(A∩B)∪(A∩C). Encaixe: A∩B⊂A⊂A∪B. Leis de De Morgan: A∪B=A∩B e A∩B=A∪B. Em português: “não faz nem inglês nem espanhol” é o mesmo que “não faz inglês e não faz espanhol”. Casos extremos: se A⊂B, então A∪B=B e A∩B=A; se A∩B=∅, os conjuntos são disjuntos.
De Morgan aparece disfarçado em toda pesquisa com a região “nenhum”. Quem não usa nenhuma das duas marcas está fora de A e fora de B ao mesmo tempo: é A∩B, que é a mesma região A∪B do diagrama. Saber isso evita montar um conjunto “não A ou não B”, que é quase todo o universo.
Contar sem contar duas vezes: o princípio da inclusão-exclusão
A pergunta de prova é sempre a mesma: quantos elementos há em cada região. Para conjuntos finitos, n(A) indica o número de elementos de A. Somar n(A)+n(B) conta duas vezes quem está na interseção, porque essa pessoa aparece nas duas listas. Uma vez a mais, tira-se uma vez.
Inclusão-exclusão para dois e para três conjuntos
Para dois conjuntos, a soma n(A)+n(B) conta a interseção duas vezes, e por isso
n(A)+n(B)=n(A∪B)+n(A∩B),
ou, na forma em que a fórmula costuma ser lembrada, n(A∪B)=n(A)+n(B)−n(A∩B). Para três:
Com três conjuntos, quem está nos três é contado três vezes nas parcelas simples e descontado três vezes nas interseções de pares, sumindo da conta. O último termo devolve essa pessoa uma vez. Quem não está em nenhum dos conjuntos sai por diferença: n(nenhum)=n(U)−n(A∪B∪C).
A fórmula é útil para conferir. Para resolver, o desenho é mais seguro, e a ordem de preenchimento é de dentro para fora: primeiro a região central (quem está em todos), depois as interseções de pares descontando o centro, depois os “sós” descontando tudo o que já foi colocado, e por fim o “nenhum” por diferença com o universo.
A pesquisa do PAS 2010 preenchida de dentro para fora. Apenas um estilo: 47+47+45=139. Total: 139+18+30+11+7=205. Diagrama autoral com os dados do caderno de prova.
Exemplo resolvido 3: o bloco de 2010. Na pesquisa da abertura, os três estilos tinham 102 (hip-hop), 83 (reggae) e 93 (rock) ouvintes; as duplas, 25 (hip-hop com reggae), 37 (hip-hop com rock) e 18 (reggae com rock); e 7 jovens ouviam os três. Quantos preferiam apenas um estilo? Quantos participaram?
Estratégia: os números 25, 37 e 18 incluem os 7 do centro; por isso o desenho começa pelo miolo.
Resolução: centro, 7. Pares, descontando o centro: hip-hop e reggae apenas, 25−7=18; hip-hop e rock apenas, 37−7=30; reggae e rock apenas, 18−7=11. Sós: hip-hop, 102−7−18−30=47; reggae, 83−7−18−11=47; rock, 93−7−30−11=45. Apenas um estilo: 47+47+45=139. Total: 139+18+30+11+7=205.
Conferência pela fórmula:102+83+93−25−37−18+7=205. Fecha. O item 82 dizia “mais de 135 jovens revelaram preferência por apenas um dos tipos”: 139, certo. O item 83 dizia que o total era 205: certo. O erro que a banca esperava era somar 102+83+93=278 e tratar como total, ou usar 25, 37 e 18 como se já fossem os “só dois”.
Exemplo resolvido 4: quando a interseção é a incógnita. Uma loja atendeu 150 clientes num sábado. 90 pagaram com cartão, 75 pagaram com Pix e 20 não usaram nenhum dos dois (pagaram em dinheiro). Quantos usaram cartão e Pix na mesma compra?
Estratégia: o “nenhum” dá a união por diferença; a fórmula de dois conjuntos dá a interseção.
Resolução: pelo menos um dos dois meios: 150−20=130. Então 90+75−x=130, logo x=35.
Conferência: só cartão, 90−35=55; só Pix, 75−35=40; ambos, 35; nenhum, 20. Soma: 55+40+35+20=150. Nenhuma região negativa, e o total bate com o universo.
"Pelo menos um", "exatamente um" e "ambos" são três números
Na loja do exemplo, “pelo menos um” é 130, “exatamente um” é 55+40=95 e “ambos” é 35. O item de prova escolhe uma dessas expressões e calibra o limiar perto do valor certo. Leia a expressão duas vezes antes de somar regiões. E, se alguma região der negativa, os dados são incompatíveis ou você usou uma interseção “com centro” como se fosse “sem centro”.
A conferência final de todo diagrama é a soma das regiões disjuntas: ela precisa dar o universo, e nenhuma região pode ficar negativa. Se 40 alunos foram entrevistados, 30 gostam de futebol e 25 de vôlei, a fórmula obriga 30+25−x≤40, isto é, x≥15: pelo menos 15 gostam dos dois, mesmo sem ninguém ter perguntado.
Da tabela ao diagrama: a mesma pesquisa em dois formatos
A prova raramente traz o diagrama pronto. Traz uma tabela, um texto com percentuais ou uma lista de frases, e o trabalho é traduzir. A tradução mais comum é entre a tabela de dupla entrada e o Venn de dois conjuntos.
Cada célula interna da tabela é uma região do diagrama; as margens são n(A), n(B) e seus complementares. O total 400 aparece nos dois. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 5: percentuais sobre o mesmo universo. Numa escola de 400 alunos, 60% usam WhatsApp, 45% usam Instagram e 30% usam os dois. Monte a tabela e o diagrama e diga quantos alunos não usam nenhum dos dois.
Estratégia: percentuais do mesmo universo podem entrar direto na fórmula; o número de alunos vem no fim, multiplicando por 400.
Resolução: pelo menos um, 60%+45%−30%=75%. Nenhum, 100%−75%=25%, ou seja, 0,25×400=100 alunos. Só WhatsApp, 60%−30%=30%, 120 alunos; ambos, 120 alunos; só Instagram, 45%−30%=15%, 60 alunos.
Conferência:120+120+60+100=400. Na tabela, a linha “usa WhatsApp” soma 120+120=240=60% de 400, e a coluna “usa Instagram” soma 120+60=180=45% de 400.
Percentuais só se somam sobre o mesmo universo
“60% dos alunos do 1.º ano e 45% dos alunos do 2.º ano” não se combinam com inclusão-exclusão, porque são fatias de bolos diferentes. Antes de usar a fórmula, confira que todos os números se referem ao mesmo total. E lembre que “30% usam os dois” está dentro dos 60% e dentro dos 45%: não é uma terceira fatia separada.
Quando os percentuais de uma pesquisa somam mais de 100%
Pesquisas de hábitos (“quais redes você usa?”, “quais meios de transporte?”) aceitam respostas múltiplas, e o gráfico de barras que sai delas soma 150%, 200%, mais. Não é erro do jornal: cada barra é n(A)/n(U) de um conjunto diferente, e as interseções são contadas em cada uma. O leitor que quer saber quantas pessoas usam pelo menos uma rede não pode somar as barras. Precisa das interseções, que quase nunca são publicadas.
Os números também formam conjuntos: de N a R
Os números que você usa formam uma cadeia de conjuntos, cada um contido no seguinte. Cada ampliação resolve um problema que o conjunto anterior não resolvia.
Os conjuntos numéricos e sua hierarquia
NaturaisN={0,1,2,3,…}: contagem (a convenção brasileira inclui o zero; alguns livros escrevem N∗ para excluí-lo). InteirosZ={…,−2,−1,0,1,2,…}: acrescentam os negativos, e toda subtração passa a ter resposta. RacionaisQ={p/q:p,q∈Z,q=0}: acrescentam as frações, e toda divisão por não zero passa a ter resposta; na forma decimal, um racional é finito (0,75) ou periódico (0,333…). IrracionaisI: decimais infinitos e não periódicos, como 2=1,41421… e π=3,14159…; não se escrevem como fração. ReaisR=Q∪I, com Q∩I=∅: todo ponto da reta. A cadeia é N⊂Z⊂Q⊂R, e I fica de fora da cadeia, dentro de R.
N⊂Z⊂Q⊂R. Os irracionais não estão na cadeia: são o que sobra dos reais depois de retirar os racionais, I=R−Q. Diagrama autoral.
As operações com conjuntos descrevem os pedaços: Z−N são os inteiros negativos; Q−Z são as frações não inteiras; R−Q=I. Notações frequentes: R∗ é R−{0}; R+ são os reais não negativos; Z−∗ são os inteiros negativos sem o zero.
Uma propriedade que a prova já explorou: entre dois racionais distintos sempre há outro racional (a média dos dois, por exemplo), e entre dois reais sempre há um racional e um irracional. Diz-se que Q e I são densos na reta. Densidade não é o mesmo que ausência de limite. Em 2010, um item do PAS 3 afirmou que, como entre um inteiro positivo e outro há infinitos reais, o tempo e o espaço seriam ilimitados. Infinitos números entre 1 e 2 não fazem o intervalo [1,2] crescer: ele continua com comprimento 1. O item era errado.
Exemplo resolvido 6: classificar seis números. Diga a qual dos conjuntos N, Z, Q, I cada número pertence, do menor conjunto para o maior: −7; 0,75; 49; 50; 3,141414…; π/2.
Estratégia: simplificar antes de classificar. Raiz de quadrado perfeito é inteiro; decimal periódico é racional; múltiplo racional não nulo de irracional é irracional.
Resolução:−7∈Z, não é natural. 0,75=3/4∈Q, não é inteiro. 49=7∈N. 50 não é inteiro (72=49, 82=64) e, como 50 não é quadrado perfeito, é irracional: 50=52∈I. 3,141414… tem período 14, logo é racional (311/99), e não é π. π/2∈I.
Conferência:311/99=3,1414…, e 99×3,141414…=311. O quinto número parece π nas duas primeiras casas e é uma fração; a classificação depende do padrão infinito, não da aparência.
A raiz que não cabia em fração
A escola pitagórica acreditava que qualquer medida era razão de inteiros. A diagonal do quadrado de lado 1 quebrou a crença: se 2=p/q com a fração irredutível, então p2=2q2, p é par, p=2k, 4k2=2q2, q2=2k2, q também é par, e a fração não era irredutível. Foi o primeiro irracional conhecido, por volta do século V a.C. Hoje sabe-se que os irracionais são “a maioria” dos reais: os racionais, embora infinitos, podem ser enumerados; os irracionais, não.
Intervalos: conjuntos que não dá para listar
Um subconjunto de R como “os reais entre 2 e 5” não tem lista: entre dois de seus elementos sempre há outro. A notação de intervalo resolve isso dizendo só as extremidades e se elas entram ou não.
Notação de intervalos
Para a<b reais: [a,b]={x∈R:a≤x≤b} é fechado (extremidades incluídas); (a,b)={x:a<x<b} é aberto; [a,b) e (a,b] são semiabertos. Colchete para dentro inclui, parêntese exclui; alguns livros escrevem ]a,b[ no lugar de (a,b). Intervalos ilimitados usam ∞, sempre com parêntese, porque infinito não é número: (−∞,3]={x:x≤3}, (2,+∞)={x:x>2}, e R=(−∞,+∞). Na reta, bolinha cheia marca extremidade incluída; bolinha vazia, excluída.
Intervalos são conjuntos, e as quatro operações valem para eles. O método é desenhar os dois na mesma reta, um acima do outro, e ler o resultado: a interseção é o trecho coberto pelos dois; a união é o trecho coberto por pelo menos um; a diferençaA−B é a parte de A que B não cobre. O único cuidado está nas extremidades: um ponto entra na interseção só se entra nos dois; entra na união se entra em pelo menos um.
A=[−3,2) e B=(0,5] na mesma reta. Interseção: o trecho coberto pelos dois, (0,2). União: o trecho coberto por pelo menos um, [−3,5]. As bolinhas dizem se a extremidade entra. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 7: operações com dois intervalos. Sejam A=[−3,2) e B=(0,5]. Determine A∪B, A∩B, A−B, B−A e o complementar de A em R.
Estratégia: desenhar, ler o trecho, decidir cada extremidade separadamente.
Resolução: união, de −3 a 5; −3 entra (está em A), 5 entra (está em B): A∪B=[−3,5]. Interseção, de 0 a 2; 0 não entra (não está em B), 2 não entra (não está em A): A∩B=(0,2). A−B é a parte de A até onde B começa: de −3 a 0, com 0 incluído, porque 0 está em A e não está em B: A−B=[−3,0]. B−A é a parte de B a partir de onde A termina: de 2 a 5, com 2 incluído, porque 2 está em B e não está em A: B−A=[2,5]. Complementar de A em R: tudo o que não está em A, (−∞,−3)∪[2,+∞); note que 2 entra no complementar exatamente porque não entrava em A.
Conferência com pontos de teste:x=0 está em A (−3≤0<2) e não está em B (0<0 é falso), logo está em A−B e não está em A∩B. x=2 não está em A e está em B, logo está em B−A. x=1 está nos dois, logo está em A∩B. As quatro regiões A−B, A∩B, B−A e o exterior somam a reta inteira, como no Venn.
A notação de intervalo é a forma padrão de escrever domínios de funções e soluções de inequações. Para f(x)=x−3, o domínio é [3,+∞); para −2x+8>0, a solução é (−∞,4). Como resolver a inequação e como achar o domínio são assuntos das páginas de funções e de função afim; aqui, o que importa é ler e escrever o conjunto resultado.
Infinito com colchete e extremidade trocada
[2,+∞] está errado: não existe o número +∞ para ser incluído. Escreva [2,+∞). O segundo tropeço é decidir a extremidade “no atacado”: em A∩B cada extremidade entra só se está nos dois intervalos, e em A−B uma extremidade de B que não está em B (parêntese) fica em A−B. Teste sempre com o próprio número: substitua e veja se as desigualdades valem.
O essencial em meia página
Conjunto: coleção com critério claro de pertinência. Por extensão, {2,4,6}; por propriedade, {x∈N:…}; por Venn. Ordem e repetição não contam. ∅ não tem elementos e é diferente de {0}.
∈ liga elemento a conjunto; ⊂ liga conjunto a conjunto.3∈/{1,2,{3}}, mas {3}∈{1,2,{3}}. ∅⊂A e A⊂A sempre. A=B quando A⊂B e B⊂A. n elementos, 2n subconjuntos.
Quatro operações, quatro palavras: união é “ou” inclusivo; interseção é “e”; diferença é “mas não”, com ordem; complementar é “fora”, e exige universo. De Morgan: “nem A nem B” é A∩B=A∪B.
Inclusão-exclusão: n(A∪B)=n(A)+n(B)−n(A∩B); com três conjuntos, soma os três, tira os pares, devolve o centro. Nenhum =n(U)−n(unia˜o).
Preencha o Venn de dentro para fora: centro, pares descontando o centro, sós descontando tudo, nenhum por diferença. Confira: as regiões somam U e nenhuma é negativa.
“Pelo menos um”, “exatamente um” e “ambos” são três números diferentes. Os dados “A e B” incluem quem está nos três.
Tabela 2 × 2 e Venn são a mesma pesquisa: célula interna é região, margem é n(A). Percentuais só se combinam quando são do mesmo universo.
Hierarquia numérica: N⊂Z⊂Q⊂R; I=R−Q; racional é decimal finito ou periódico; irracional é infinito não periódico. Densidade não é ilimitação.
Intervalos: colchete inclui, parêntese exclui, infinito sempre com parêntese. Para operar, desenhe na mesma reta e decida cada extremidade testando o número.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Noções de Conjuntos | Aula 01 de 05
Escola de Números com Thyago Araujo · 17:14
Introdução. Conceito e exemplos de conjunto, as três representações (chaves, propriedade e diagrama de Venn), igualdade, vazio, unitário, universo, pertinência e inclusão: é o conteúdo das seções “Um conjunto é uma coleção que dá para descrever” e “Pertencer não é estar contido”, em aula, para quem parte do zero.
DIAGRAMA DE VENN - PROBLEMAS COM CONJUNTOS | CONJUNTOS NUMÉRICOS | EXERCÍCIOS
Gis com Giz · 26:18
Resolução. Três problemas de pesquisa resolvidos no diagrama, do preenchimento das interseções até a leitura de “pelo menos um” e “nenhum”: a rotina de dentro para fora da seção “Contar sem contar duas vezes” e dos exemplos resolvidos 3 e 4.
Conjuntos Numéricos: Números Irracionais e Reais (Aula 3 de 4)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 9:39
Aprofundamento. Define irracionais pela forma decimal infinita não periódica e monta os reais como união de racionais e irracionais, com exemplos de raízes e de π: a seção “Os números também formam conjuntos” e o exemplo resolvido 6.
INTERVALOS NUMÉRICOS | INTERVALOS REAIS |
Gis com Giz · 46:07
Aplicação. Todos os tipos de intervalo (aberto, fechado, semiaberto, ilimitado), a passagem entre a notação de colchetes, a de propriedade e o desenho na reta, e a união e a interseção de intervalos com exemplos: a seção “Intervalos: conjuntos que não dá para listar” e o exemplo resolvido 7.
Quem está em dois grupos entra em duas contagens. Contar a pesquisa de gosto musical do PAS 2010 é descontar essas pessoas: 278 na soma, 205 de verdade.Dois conjuntos dividem o universo em quatro regiões que não se sobrepõem: só A, A∩B, só B e nenhum dos dois. Toda pergunta de contagem é uma soma de algumas dessas regiões. Diagrama autoral.A pesquisa do PAS 2010 preenchida de dentro para fora. Apenas um estilo: 47+47+45=139. Total: 139+18+30+11+7=205. Diagrama autoral com os dados do caderno de prova.Pertinência liga elemento a conjunto; inclusão liga conjunto a conjunto. Em A={1,2,{3}}, o número 3 não pertence a A, mas o conjunto {3} pertence. {1,2}⊂A e ∅⊂A. Diagrama autoral.N⊂Z⊂Q⊂R. Os irracionais não estão na cadeia: são o que sobra dos reais depois de retirar os racionais, I=R−Q. Diagrama autoral.A=[−3,2) e B=(0,5] na mesma reta. Interseção: o trecho coberto pelos dois, (0,2). União: o trecho coberto por pelo menos um, [−3,5]. As bolinhas dizem se a extremidade entra. Diagrama autoral.Cada célula interna da tabela é uma região do diagrama; as margens são n(A), n(B) e seus complementares. O total 400 aparece nos dois. Diagrama autoral.A caixa pequena pertence à caixa grande; o objeto dentro dela, não. É a diferença entre {3}∈A e 3∈/A em A={1,2,{3}}.Sete regiões, sete contagens. Na prova de 2010: 7 no centro, 18, 30 e 11 nos pares, 47, 47 e 45 nos sós.150 clientes, 90 no cartão, 75 no Pix, 20 em dinheiro. Quem usou os dois meios na mesma compra sai pela fórmula: 90+75−130=35.Tabela de dupla entrada e diagrama de Venn são a mesma pesquisa: cada célula interna é uma região, cada margem é o tamanho de um conjunto.A diagonal do quadrado de lado 1 mede 2, o primeiro número que não cabe em fração: um irracional, fora de Q e dentro de R.Temperatura permitida entre 2 °C e 8 °C, inclusive: o intervalo [2,8]. Dois medicamentos com faixas diferentes exigem a interseção das duas.
Rota PAS 1
Conjuntos, funções e a reta: função afim e PA · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Conjuntos, funções e a reta: função afim e PA · Conjuntos: como contar sem contar duas vezes (vocabulário mínimo, inclusão-exclusão, bloco PAS 2010 itens 81–83, checagem); Resolvidos no formato da prova (conjuntos — inclusão-exclusão); box Como a banca cobra (histórico de conjuntos 2009/105 e 2010/82–83); quadro O que cai daqui
Recorte por assunto: só conjuntos. Funções, função afim, PA e juros do mesmo capítulo pertencem às páginas funcoes, funcao-afim, progressao-aritmetica e juros-simples-e-compostos. Conjuntos numéricos e intervalos foram acrescentados a partir do recorte da página, não do capítulo.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2010 (itens 82 e 83; item 81 anulado), PAS 1 2009 (item 104), PAS 3 2010 (item 122), PAS 3 2011 (itens 46, 47 e 48)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/ e classificacao-pas3/. O item 2009/105 (escolher um diagrama de Venn impresso) depende de figura e não foi reproduzido.