Força magnética

Guia de estudo · Revisado em 02/10/2026

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Aproxime um ímã da tela de uma televisão de tubo e a imagem se torce: o ímã empurra os elétrons que desenham a imagem, e o empurrão para quando o ímã sai. Partículas vindas do Sol caem em espiral sobre os polos da Terra e acendem as auroras; um fio frouxo entre os polos de um ímã dá um pulo quando a corrente é ligada, e é esse pulo que gira todo motor elétrico. Nos três casos um campo magnético faz força sobre carga em movimento. De que depende essa força, para que lado ela aponta, por que ela curva a trajetória sem mudar a velocidade, como se calcula o raio do círculo, e como a banca transforma isso em itens com trajetórias, pontos e cruzes?

O que você vai aprender

  • Enunciar a força magnética sobre uma carga em movimento, F = |q|vB sen θ, identificar quando ela é máxima (v perpendicular a B), nula (carga parada, v paralela ou antiparalela a B) e determinar direção e sentido pela regra da mão direita (ou da mão esquerda), invertendo o sentido para carga negativa.
  • Explicar por que a força magnética não realiza trabalho (é sempre perpendicular à velocidade), não altera o módulo da velocidade nem a energia cinética e só encurva a trajetória, e usar esse fato para julgar itens em que um campo magnético 'acelera' ou 'freia' uma partícula.
  • Deduzir e aplicar o raio R = mv/(|q|B) do movimento circular uniforme de uma carga lançada perpendicularmente a um campo uniforme, o período T = 2πm/(|q|B) independente da velocidade (frequência cíclotron) e a hélice que aparece quando a velocidade tem componente paralela ao campo.
  • Ler figuras com campo representado por ⊙ (sai do papel) e ⊗ (entra no papel) e trajetórias curvas, determinando o sinal da carga pelo lado do desvio, o sentido do campo pelo sentido do giro e a razão massa/carga pelo raio.
  • Descrever o seletor de velocidades (campos E e B perpendiculares, v = E/B, independente de carga e massa), o espectrômetro de massa, o cíclotron (voltagem alternada no ritmo das meias-voltas) e o tubo de raios catódicos, e resolver os itens numéricos correspondentes com atenção a unidades e à escala do comando.
  • Explicar as auroras e os cinturões de Van Allen pelo movimento helicoidal de partículas presas às linhas do campo terrestre, e julgar o caso de uma partícula que chega perpendicularmente à superfície no Equador.
  • Explicar o efeito Hall: a força magnética empurra os portadores para uma face do condutor, surge um campo elétrico transversal e a ddp de equilíbrio cresce com B e com a corrente.
  • Calcular a força sobre um trecho retilíneo de fio com corrente, F = BiL sen θ, determinar seu sentido pela mão direita com o dedo no sentido da corrente convencional, e reconhecer que o comprimento L é o do trecho imerso no campo.
  • Explicar por que fios paralelos com correntes de mesmo sentido se atraem e de sentidos opostos se repelem, calcular a força por metro F/L = μ₀i₁i₂/(2πd) e reconhecer a definição histórica do ampère e a balança de corrente.
  • Mostrar que uma espira retangular num campo uniforme sofre força resultante nula mas torque τ = NBiA sen θ, máximo com o plano da espira paralelo ao campo, e identificar nisso o princípio do motor de corrente contínua.
  • Comparar a força elétrica (qE, age sobre carga parada, realiza trabalho, paralela ao campo) com a força magnética (|q|vB sen θ, exige movimento, não realiza trabalho, perpendicular ao campo e à velocidade) e desmontar as quimeras que a banca monta com as duas.

O anel do Sirius, em Campinas, tem 518 m de circunferência e guarda elétrons correndo a quase a velocidade da luz, volta após volta, por horas. Quem os obriga a fazer a curva não é parede nenhuma: são ímãs enfileirados ao longo do anel, e cada um deles dá no feixe um empurrão de lado, sem jamais torná-lo mais rápido. O mesmo empurrão existe em escala doméstica. Dentro de um alto-falante, uma bobina de fio fino mergulhada no campo de um ímã é lançada para a frente e para trás no ritmo da música, porque a corrente que a percorre é um fluxo de cargas em movimento. E em escala planetária: as partículas que o Sol sopra para o espaço, ao alcançar o campo magnético da Terra, são obrigadas a girar em torno das linhas de campo e escorregam por elas até os polos, onde o céu se acende em auroras; sobre o Equador, onde essas linhas correm deitadas, uma partícula que caísse de cima as cruzaria de través e levaria o empurrão mais forte possível. Anel, alto-falante e aurora obedecem a uma só regra: campo magnético só empurra carga que esteja em movimento, e empurra sempre de lado.

Esta é a página da força magnética. Ela escreve a força sobre uma carga, F=∣q∣ v B sen⁡θF = |q|\,v\,B\,\operatorname{sen}\theta, e dá a regra que decide para que lado ela aponta; mostra que essa força nunca realiza trabalho, e por isso curva a trajetória sem mudar a velocidade; deduz o círculo que uma carga descreve num campo uniforme, com raio R=mv/(∣q∣B)R = mv/(|q|B) e período que não depende da velocidade; abre a hélice que explica as auroras; monta o seletor de velocidades, o espectrômetro de massa, o cíclotron, o tubo de raios catódicos e o efeito Hall, que são o mesmo círculo em cinco roupas; passa da carga ao fio com corrente, F=BiL sen⁡θF = BiL\,\operatorname{sen}\theta, à força entre fios paralelos e ao torque que gira uma espira, que é o princípio de todo motor; e termina com a leitura das figuras que a prova desenha, cheias de pontos, cruzes e trajetórias curvas. No PAS/UnB o assunto é o mais pesado do bloco de magnetismo da 3.ª etapa: 18 itens válidos em nove provas entre 2008 e 2024, nos três formatos (certo/errado, resposta numérica e múltipla escolha), mais dois itens anulados em 2022 e 2025 cuja física continua valendo. Os ímãs, o vetor B⃗\vec{B}, o tesla e o campo da Terra estão na página de campo magnético; o campo que uma corrente cria em volta de si, na de campo magnético de correntes; as duas são pressupostas aqui. A indução de Faraday e Lenz e o motor como máquina (escovas, comutador, rendimento) têm páginas próprias no bloco e aparecem aqui só como remissão.

Antes da força: cinco coisas que a página supõe prontas

Velocidade, força e campo são vetores. Cada um tem módulo, direção e sentido. Dois vetores de mesma direção podem apontar para o mesmo lado ou para lados contrários; no segundo caso diz-se que são antiparalelos, e para a força magnética os dois casos valem o mesmo. Vetores que formam 90∘90^\circ entre si são perpendiculares. A pergunta que abre quase todo item desta página é se a velocidade da carga cruza as linhas de campo ou corre ao longo delas, porque é essa geometria que leva a força do máximo a zero. A página de vetores construiu a soma e a decomposição que serão usadas.

Seno de ângulos redondos. sen⁡0∘=0\operatorname{sen}0^\circ = 0, sen⁡30∘=1/2\operatorname{sen}30^\circ = 1/2, sen⁡90∘=1\operatorname{sen}90^\circ = 1, sen⁡180∘=0\operatorname{sen}180^\circ = 0. Tudo o que for proporcional a sen⁡θ\operatorname{sen}\theta tem o valor cheio a 90∘90^\circ, metade dele a 30∘30^\circ e nada a 0∘0^\circ ou a 180∘180^\circ; para a força magnética, portanto, andar a favor do campo ou contra ele dá no mesmo: zero.

Círculo exige força para o centro. Um corpo só descreve uma circunferência enquanto alguma força o puxa para o centro a cada instante; é a força centrípeta, de módulo Fc=mv2/RF_c = mv^2/R. Por ser perpendicular ao movimento, ela altera a direção da velocidade e deixa intacto o seu módulo. A página de movimento circular uniforme tem o período T=2πR/vT = 2\pi R/v e a frequência f=1/Tf = 1/T, que voltam aqui.

O campo magnético é um vetor em cada ponto, medido em tesla. A página do campo deu as referências: Terra, 5×10−55 \times 10^{-5} T; ímã de geladeira, 10−210^{-2} T; eletroímã de laboratório, 1 T; ressonância magnética, 1,5 a 3 T. Num desenho plano, um vetor que sai do papel é um ponto num círculo, ⊙\odot (a ponta da flecha vindo na sua direção); um vetor que entra é uma cruz, ⊗\otimes (as penas da flecha se afastando). A convenção vale para B⃗\vec{B}, para v⃗\vec{v} e para F⃗\vec{F}, e as figuras da banca a usam sem avisar.

Corrente tem sentido convencional. A corrente ii num fio aponta no sentido em que cargas positivas andariam; os elétrons, que são quem anda de fato nos metais, vão ao contrário. Toda regra de mão desta página usa a corrente convencional (ou a velocidade de uma carga positiva); quem usa o sentido dos elétrons sem trocar o sinal inverte todas as respostas, e a banca sabe disso.

A força sobre uma carga em movimento: carga, velocidade, campo e um seno

Deixe uma carga qq em repouso numa região de campo magnético e nada acontece com ela. Dê-lhe uma velocidade v⃗\vec{v} e aparece uma força que depende de quatro grandezas, e de nenhuma outra:

F=∣q∣ v B sen⁡θF = |q|\,v\,B\,\operatorname{sen}\theta

símbolo leitura exemplo
FF módulo da força magnética, em newton 1,28×10−131{,}28 \times 10^{-13} N
∣q∣\lvert q \rvert módulo da carga, em coulomb (o sinal entra depois, no sentido) 1,6×10−191{,}6 \times 10^{-19} C
vv módulo da velocidade, em metro por segundo 4×1064 \times 10^{6} m/s
BB módulo do campo, em tesla 0,2 T
θ\theta ângulo entre v⃗\vec{v} e B⃗\vec{B} 90∘90^\circ

Lida de uma vez: o produto da carga pela velocidade e pelo campo, reduzido pelo seno do ângulo que a velocidade faz com o campo. Esta é a força de Lorentz na sua parte magnética (a parte elétrica, qE⃗q\vec{E}, é a da página de campo elétrico, e as duas se somam quando os dois campos existem no mesmo lugar). O seno é o que decide a maior parte dos itens:

  • v⃗\vec{v} perpendicular a B⃗\vec{B} (θ=90∘\theta = 90^\circ): força máxima, F=∣q∣vBF = |q|vB.
  • v⃗\vec{v} paralela ou antiparalela a B⃗\vec{B} (θ=0∘\theta = 0^\circ ou 180∘180^\circ): força nula. A carga atravessa o campo em linha reta, como se ele não existisse.
  • v=0v = 0: força nula. Campo magnético não move carga parada; isso é tarefa do campo elétrico.
  • Ângulo intermediário: só a componente de v⃗\vec{v} perpendicular ao campo, vsen⁡θv\operatorname{sen}\theta, conta. A componente paralela, vcos⁡θv\cos\theta, passa sem força.
A força magnética sobre uma carga

Uma carga qq com velocidade v⃗\vec{v}, dentro de um campo B⃗\vec{B}, recebe uma força cujo módulo é F=∣q∣ v B sen⁡θF = |q|\,v\,B\,\operatorname{sen}\theta, sendo θ\theta o ângulo entre v⃗\vec{v} e B⃗\vec{B}. A força é perpendicular ao plano formado por v⃗\vec{v} e B⃗\vec{B}, portanto perpendicular à velocidade e ao campo ao mesmo tempo; o sentido vem da regra da mão direita para carga positiva e se inverte para carga negativa. É nula para carga parada e para velocidade paralela ao campo; é máxima para velocidade perpendicular. Em notação vetorial, F⃗=q v⃗×B⃗\vec{F} = q\,\vec{v} \times \vec{B}, que é como o texto-base de 2013 a escreveu.

A unidade fecha sozinha: coulomb vezes metro por segundo vezes tesla dá newton, porque o tesla foi definido exatamente assim, como o campo que faz 1 N sobre 1 C a 1 m/s. Isso dá a escala. Um próton a 4×1064 \times 10^{6} m/s (uma velocidade modesta para um acelerador) num campo de 0,2 T sofre F=1,6×10−19×4×106×0,2=1,28×10−13F = 1{,}6 \times 10^{-19} \times 4 \times 10^{6} \times 0{,}2 = 1{,}28 \times 10^{-13} N, um número que parece nada e é enorme para a massa dele: a aceleração vale F/m=1,28×10−13/1,7×10−27≈7,5×1013F/m = 1{,}28 \times 10^{-13}/1{,}7 \times 10^{-27} \approx 7{,}5 \times 10^{13} m/s², sete trilhões de vezes a gravidade. Um elétron de televisão (a 8×1078 \times 10^{7} m/s, depois de acelerado por 20 kV) num ímã de geladeira de 0,01 T sofre 1,3×10−131{,}3 \times 10^{-13} N e, como se verá adiante, é jogado num círculo de uns 5 cm: é por isso que a imagem de uma TV de tubo se torce quando um ímã se aproxima da tela. Já uma carga de 1 µC andando a 10 m/s no campo da Terra sente 10−6×10×5×10−5=5×10−1010^{-6} \times 10 \times 5 \times 10^{-5} = 5 \times 10^{-10} N, imperceptível; a força magnética só é importante para cargas elementares muito rápidas ou para a soma de muitas cargas, que é um fio com corrente.

Exemplo resolvido 1 (triagem antes da conta). Três partículas entram num campo uniforme de 0,2 T. A primeira é um próton parado. A segunda é um próton a 10510^{5} m/s ao longo das linhas de campo. A terceira é um elétron a 10510^{5} m/s a 30∘30^\circ das linhas. Qual é a força sobre cada uma?

Primeira: v=0v = 0, força zero. Segunda: θ=0∘\theta = 0^\circ, sen⁡0∘=0\operatorname{sen}0^\circ = 0, força zero; o próton segue reto. Terceira: F=1,6×10−19×105×0,2×sen⁡30∘=1,6×10−15F = 1{,}6 \times 10^{-19} \times 10^{5} \times 0{,}2 \times \operatorname{sen}30^\circ = 1{,}6 \times 10^{-15} N, metade do máximo. Conferência: o máximo, a 90∘90^\circ, seria 3,2×10−153{,}2 \times 10^{-15} N; a 30∘30^\circ o seno vale 1/2. Fecha. Duas das três partículas se decidiram sem conta, e é assim que a maior parte dos itens certo/errado deste assunto se decide.

Para que lado: a mão direita, o sinal da carga e os pontos e cruzes

O módulo não basta: a prova quer saber se a partícula curva para cima ou para baixo, e isso é a regra da mão direita. Com a mão direita aberta: o polegar no sentido de v⃗\vec{v}, os outros dedos esticados no sentido de B⃗\vec{B}; a força sobre uma carga positiva sai da palma, perpendicular aos dois. Há uma segunda versão, equivalente, que muitos livros preferem: os dedos apontam em v⃗\vec{v}, dobram-se em direção a B⃗\vec{B}, e o polegar dá F⃗\vec{F} (a “regra do produto vetorial”). E há a regra da mão esquerda (regra de Fleming): indicador em B⃗\vec{B}, dedo médio em v⃗\vec{v} (corrente), polegar em F⃗\vec{F}. As três dão o mesmo resultado para carga positiva; escolha uma e use sempre a mesma. Para carga negativa, inverta o sentido da força no fim.

Três painéis lado a lado. No primeiro, uma carga positiva com velocidade para a direita atravessa uma região de campo marcada com cruzes, campo entrando no papel; a força está desenhada para cima, e, abaixo do painel, uma mão direita esquemática tem o polegar apontando para a direita, os quatro dedos terminando em cruzes, entrando no papel, e a palma voltada para cima, com a legenda palma, força para cima. No segundo, a mesma carga positiva com a mesma velocidade atravessa uma região marcada com pontos, campo saindo do papel, e a força aponta para baixo. No terceiro, uma carga negativa com velocidade para a direita na região de cruzes tem a força para baixo, com uma legenda indicando que o sentido se inverte para carga negativa.
A regra da mão direita para a força sobre uma carga: polegar na velocidade, dedos no campo, a força sai da palma para carga positiva. Com velocidade para a direita e campo entrando no papel, carga positiva é empurrada para cima; trocar o sentido do campo, ou o sinal da carga, inverte a força. Diagrama autoral.

Vale fixar o caso que a prova mais desenha, porque ele é a figura de 2022, de 2024 e do seletor: velocidade para a direita, campo entrando no papel (⊗\otimes). Polegar para a direita, dedos entrando no papel, a palma fica virada para cima: carga positiva é empurrada para cima, carga negativa para baixo. Com o campo saindo do papel (⊙\odot), tudo se inverte. E uma consequência imediata: como a força está sempre no plano perpendicular ao campo, uma partícula que entra perpendicularmente a B⃗\vec{B} fica para sempre nesse plano; é por isso que as trajetórias da banca são curvas desenhadas no papel, com o campo atravessando a folha.

Direção e sentido da força magnética

F⃗\vec{F} é perpendicular a v⃗\vec{v} e a B⃗\vec{B}. Sentido: mão direita, polegar em v⃗\vec{v}, dedos em B⃗\vec{B}, força saindo da palma para carga positiva; inverter para carga negativa. Velocidade para a direita e campo entrando no papel: positiva sobe, negativa desce. Velocidade para a direita e campo saindo do papel: positiva desce, negativa sobe.

É exatamente a leitura do item de múltipla escolha de 2024. Um feixe com elétrons, pósitrons, prótons e nêutrons, todos com a mesma velocidade, entra pela esquerda numa região de campo entrando no papel; a figura mostra quatro trajetórias: P1 curva para baixo com raio pequeno, P2 segue reta, P3 curva para cima com raio grande, P4 curva para cima com raio pequeno. A partícula que segue em frente não tem carga: P2 é o nêutron. Para carga positiva com velocidade para a direita e campo entrando, a regra manda para cima; as duas trajetórias que sobem, P3 e P4, pertencem ao próton e ao pósitron, e a seção do círculo, adiante, mostra que à mesma velocidade e mesma carga o raio acompanha a massa: a curva larga, P3, é a do próton; a apertada, P4, a do pósitron. A única que desce, P1, tão apertada quanto P4, é o elétron. A opção certa lista elétron, nêutron, próton e pósitron. Repare que o pósitron e o elétron têm trajetórias espelhadas, de mesmo raio: mesma massa, mesma carga em módulo, sinais opostos.

Três confusões de sentido que rendem item

(1) Usar a velocidade dos elétrons como se fosse a de carga positiva. No bloco do motor de bonde de 2017 os elétrons andam no sentido horário; a corrente convencional vai no anti-horário, e é com ela que a mão direita funciona. (2) Esquecer que a força é perpendicular à velocidade, e desenhá-la ao longo do movimento, como se o campo “puxasse” a carga para a frente ou para trás. (3) Achar que o campo magnético aponta para o centro do círculo. Quem aponta para o centro é a força; o campo atravessa o plano do círculo, perpendicular a ele.

A força que não realiza trabalho: desvia, mas não acelera

A força magnética tem uma propriedade que nenhuma outra força da física escolar tem com tanta pureza: ela é sempre perpendicular à velocidade, em todo instante, qualquer que seja a trajetória. O trabalho de uma força é força vezes deslocamento vezes o cosseno do ângulo entre eles (a página de trabalho de uma força construiu isso), e o deslocamento, em cada instante, tem a direção da velocidade. Ângulo de 90∘90^\circ, cosseno zero: o trabalho da força magnética é zero, sempre. Pelo teorema da energia cinética, uma força que não realiza trabalho não muda a energia cinética; e energia cinética constante é módulo da velocidade constante. A força magnética muda a direção de v⃗\vec{v}, nunca o seu tamanho. Ela curva; não acelera no sentido de ganhar velocidade nem freia.

Isso tem três consequências que a prova explora. A primeira é que nenhum campo magnético acelera uma partícula no sentido de aumentar a sua velocidade escalar; quem acelera é o campo elétrico. Num acelerador de partículas, o campo magnético só guia e dobra o feixe; a energia vem de diferenças de potencial, como a fenda do cíclotron, adiante. A segunda é que o movimento resultante num campo uniforme é uniforme: círculo ou hélice percorridos com velocidade de módulo constante. A terceira é sutil e foi item em 2010: uma partícula em círculo tem aceleração centrípeta (v2/Rv^2/R, apontando para o centro) mesmo com velocidade de módulo constante, e aceleração é aceleração: carga elétrica acelerada irradia ondas eletromagnéticas. É a radiação síncrotron, a luz que o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, produz dobrando elétrons de alta energia em círculo, e que a banca descreveu corretamente (“à medida que são aceleradas, irradiam, devido à sua aceleração centrípeta”): certo. Perder energia por radiação não contradiz o trabalho nulo da força magnética: a energia sai pela onda, não pela força.

Força magnética e energia

A força magnética é perpendicular à velocidade em todo instante; logo seu trabalho é nulo, a energia cinética não muda e o módulo da velocidade é constante. Num campo magnético puro, a partícula só muda de direção. Qualquer item que ponha um campo magnético aumentando ou diminuindo a velocidade escalar de uma carga, ou “fornecendo energia” a ela, está errado. A aceleração centrípeta, por outro lado, existe, e carga acelerada irradia.

A comparação com a força elétrica ajuda a enxergar. Sobre a mesma carga, F⃗e=qE⃗\vec{F}_e = q\vec{E} age mesmo com a carga parada, tem a direção do campo e realiza trabalho (qEdqEd ao longo de uma distância dd na direção do campo), acelerando ou freando a carga; foi assim que o tubo de raios catódicos de 2010 acelerou seus elétrons com a diferença de potencial VV. A força magnética exige movimento, é perpendicular ao campo e à velocidade e não realiza trabalho. Uma tabela completa das diferenças fecha a página; por ora, o reflexo: campo elétrico muda energia; campo magnético muda direção.

O círculo: raio proporcional ao momento, período que não depende da velocidade

Lance uma carga positiva com velocidade v⃗\vec{v} perpendicular a um campo B⃗\vec{B} uniforme. A força vale ∣q∣vB|q|vB, é perpendicular à velocidade e tem sempre o mesmo módulo, porque vv e BB não mudam. Uma força de módulo constante, sempre perpendicular ao movimento, é a definição de força centrípeta de um movimento circular uniforme. Igualando:

m v2R=∣q∣ v B⟹R=m v∣q∣ B\frac{m\,v^{2}}{R} = |q|\,v\,B \qquad\Longrightarrow\qquad R = \frac{m\,v}{|q|\,B}

O raio é o momento linear mvmv dividido pelo produto ∣q∣B|q|B. Cresce com a massa e com a velocidade; cai com a carga e com o campo. A conferência dimensional: kg·m/s dividido por C·T; como T = N/(C·m/s) = kg/(C·s), o denominador é C·kg/(C·s) = kg/s, e kg·m/s dividido por kg/s dá metro. Fecha.

À esquerda, uma região de campo marcada com cruzes, campo entrando no papel, com uma carga positiva percorrendo uma circunferência no sentido anti-horário; em um ponto da circunferência estão desenhados o vetor velocidade, tangente, e o vetor força, apontando para o centro, e no centro a expressão R igual a m v sobre q B. À direita, na mesma região de campo, três circunferências que partem de um mesmo ponto com velocidade para a direita: um próton com raio grande curvando para cima, um pósitron com raio pequeno curvando para cima, e um elétron com o mesmo raio pequeno curvando para baixo; uma reta horizontal representa o nêutron.
Carga positiva lançada perpendicularmente a um campo que entra no papel: a força magnética, que acompanha a partícula sempre de lado, cumpre o papel de centrípeta e a partícula gira em círculo (anti-horário para carga positiva, horário para negativa). À direita, as quatro partículas do item do PAS/UnB de 2024 com a mesma velocidade: o raio cresce com a massa, o lado do desvio depende do sinal, e o nêutron não curva. Diagrama autoral.

O período sai do círculo: uma volta inteira tem comprimento 2πR2\pi R e é percorrida a velocidade vv, logo

T=2πRv=2πv⋅mv∣q∣B=2π m∣q∣ BT = \frac{2\pi R}{v} = \frac{2\pi}{v}\cdot\frac{mv}{|q|B} = \frac{2\pi\, m}{|q|\, B}

e a velocidade sumiu. Uma partícula rápida descreve um círculo grande; uma lenta, um círculo pequeno; as duas gastam o mesmo tempo por volta. A frequência correspondente, f=∣q∣B/(2πm)f = |q|B/(2\pi m), chama-se frequência cíclotron, e é o segredo do aparelho com esse nome: para um próton em 1 T ela vale 1,6×10−19×1/(2π×1,7×10−27)≈1,5×1071{,}6 \times 10^{-19} \times 1/(2\pi \times 1{,}7 \times 10^{-27}) \approx 1{,}5 \times 10^{7} Hz, 15 MHz, uma frequência de rádio.

Movimento circular uniforme no campo magnético

Carga lançada perpendicularmente a um campo uniforme: movimento circular uniforme com raio R=mv∣q∣BR = \dfrac{mv}{|q|B}, período T=2πm∣q∣BT = \dfrac{2\pi m}{|q|B} e frequência f=∣q∣B2πmf = \dfrac{|q|B}{2\pi m}. O raio é proporcional à velocidade; o período e a frequência não dependem da velocidade nem do raio, só da razão carga/massa e do campo. Partículas de mesma carga e velocidade: raio proporcional à massa. Mesma massa e carga, sinais opostos: círculos espelhados.

A tabela dá a escala com BB fixo e mostra por que o elétron é tão fácil de dobrar e o próton tão difícil.

partícula mm vv BB R=mv/(∣q∣B)R = mv/(\lvert q \rvert B) T=2πm/(∣q∣B)T = 2\pi m/(\lvert q \rvert B)
próton 1,7×10−271{,}7 \times 10^{-27} kg 4×1064 \times 10^{6} m/s 0,2 T 21 cm 3,3×10−73{,}3 \times 10^{-7} s
elétron 9,1×10−319{,}1 \times 10^{-31} kg 4×1064 \times 10^{6} m/s 0,2 T 0,11 mm (cerca de 1 870 vezes menor) 1,8×10−101{,}8 \times 10^{-10} s
elétron da TV de tubo 9,1×10−319{,}1 \times 10^{-31} kg 8×1078 \times 10^{7} m/s 0,01 T (ímã de geladeira) 4,6 cm 3,6×10−93{,}6 \times 10^{-9} s
elétron do vento solar 9,1×10−319{,}1 \times 10^{-31} kg 10710^{7} m/s 5×10−55 \times 10^{-5} T (Terra) 1,1 m 7,1×10−77{,}1 \times 10^{-7} s
próton do vento solar 1,7×10−271{,}7 \times 10^{-27} kg 10710^{7} m/s 5×10−55 \times 10^{-5} T 2,1 km 1,3×10−31{,}3 \times 10^{-3} s
íon de massa 1,6×10−241{,}6 \times 10^{-24} kg (2022) 1,6×10−241{,}6 \times 10^{-24} kg 10410^{4} m/s 0,4 T 25 cm 1,6×10−41{,}6 \times 10^{-4} s

Exemplo resolvido 2 (o raio em centímetros, com as duas armadilhas). Uma partícula de massa 1,6×10−241{,}6 \times 10^{-24} kg e carga 1,6×10−191{,}6 \times 10^{-19} C entra a 10 km/s, perpendicularmente, num campo de 0,4 T. Qual é o raio da trajetória, em centímetros?

Primeiro as unidades: 10 km/s =104= 10^{4} m/s. Depois a fórmula: R=1,6×10−24×1041,6×10−19×0,4=1,6×10−206,4×10−20=0,25R = \dfrac{1{,}6 \times 10^{-24} \times 10^{4}}{1{,}6 \times 10^{-19} \times 0{,}4} = \dfrac{1{,}6 \times 10^{-20}}{6{,}4 \times 10^{-20}} = 0{,}25 m =25= 25 cm. Conferência: 1,6/6,4=1/41{,}6/6{,}4 = 1/4 e os expoentes se cancelam; 0,25 m é um quarto de metro, 25 cm. Fecha. É o item numérico de 2022, de marcação 025 com o zero à esquerda. Quem deixa 10 km/s sem converter acha 0,025 e marca 002; quem responde em metros marca 000; a física estava certa nas duas vezes, e o item foi perdido do mesmo jeito.

Por que a TV de tubo e o monitor antigo vinham com "desmagnetizador"

Os tubos de imagem usavam bobinas de deflexão, isto é, campos magnéticos variáveis, para varrer o feixe de elétrons pela tela: a força magnética desenhava a imagem. Um ímã encostado na tela somava o seu campo ao das bobinas, o feixe curvava a mais (uns 5 cm de raio num campo de 0,01 T, pela tabela) e a imagem se torcia; pior, o campo imantava a máscara de aço atrás da tela, e a distorção ficava. Por isso os aparelhos tinham um circuito de “degauss”, uma bobina que, ao ligar, gerava um campo alternado decrescente para desimantar a máscara, com um “tum” característico. Telas de LED e LCD não usam feixe de elétrons e não sofrem nada com ímãs.

A hélice, as auroras e os cinturões de Van Allen

Se a velocidade não é perpendicular ao campo, decomponha-a: uma componente perpendicular, v⊥=vsen⁡θv_\perp = v\operatorname{sen}\theta, e uma paralela, v∥=vcos⁡θv_\parallel = v\cos\theta. A componente paralela não sofre força nenhuma e se conserva: a partícula avança ao longo da linha de campo com velocidade constante. A componente perpendicular faz o que a seção anterior descreveu: um círculo de raio R=mv⊥/(∣q∣B)R = mv_\perp/(|q|B) e período T=2πm/(∣q∣B)T = 2\pi m/(|q|B), o mesmo de antes. A soma de um avanço uniforme com um giro uniforme é uma hélice enrolada na linha de campo, como a rosca de um parafuso, de passo (o quanto avança por volta) p=v∥Tp = v_\parallel T. Para o próton de 4×1064 \times 10^{6} m/s em 0,2 T, entrando a 60∘60^\circ do campo, só vsen⁡60∘≈3,5×106v\operatorname{sen}60^\circ \approx 3{,}5 \times 10^{6} m/s entra no círculo, cujo raio cai para 0,21×0,87≈180{,}21 \times 0{,}87 \approx 18 cm, enquanto vcos⁡60∘=2×106v\cos60^\circ = 2 \times 10^{6} m/s arrasta a partícula ao longo da linha: a cada volta de 3,3×10−73{,}3 \times 10^{-7} s ela avança 0,660{,}66 m.

À esquerda, uma linha de campo horizontal com uma partícula positiva percorrendo uma hélice em torno dela; o vetor velocidade está decomposto numa componente paralela ao campo e numa componente perpendicular, e o passo da hélice está marcado entre duas voltas. À direita, a Terra com algumas linhas de campo saindo do polo sul geográfico e entrando pelo norte, e uma partícula do vento solar descrevendo uma hélice apertada que segue a linha de campo mais externa até a região polar norte; à esquerda da Terra, sobre o Equador, uma seta verde apontando para o centro do planeta marca uma partícula que desce na vertical e cruza a 90° as linhas de campo, que ali correm paralelas à superfície; um símbolo de ponto num círculo indica a força saindo do papel, para carga positiva.
Velocidade oblíqua ao campo: a componente paralela avança sem força, a perpendicular gira, e a trajetória é uma hélice presa à linha de campo. É assim que partículas do vento solar são conduzidas pelas linhas do campo terrestre até os polos, onde produzem as auroras; sobre o Equador as linhas correm deitadas, e uma partícula que caísse na vertical as cruzaria a 90°, com a força máxima. Diagrama autoral.

É esse o mecanismo da aurora. O Sol lança continuamente um vento de prótons e elétrons; os que chegam ao campo da Terra com velocidade oblíqua às linhas enrolam-se nelas em hélices e deslizam ao longo delas. As linhas do campo terrestre mergulham no planeta perto dos polos magnéticos, e é lá que as partículas descem até a alta atmosfera, chocam-se com oxigênio e nitrogênio e os fazem emitir luz verde, vermelha e violeta. Longe dos polos, o mesmo mecanismo aprisiona partículas que ficam indo e voltando entre os dois hemisférios, refletidas onde o campo se adensa: são os cinturões de Van Allen, descobertos em 1958 pelo primeiro satélite americano, dois anéis de partículas presas a milhares de quilômetros de altura, que todo satélite e toda nave tripulada precisam atravessar depressa ou evitar.

A banca cobrou a aurora duas vezes em 2013 e a geometria do campo terrestre em 2023. O texto-base de 2013 dizia que a força vem do produto vetorial F⃗=qv⃗×B⃗\vec{F} = q\vec{v} \times \vec{B} e pedia para julgar: “o sentido do movimento helicoidal da partícula é função do sinal de sua carga elétrica”. Certo: o sinal de qq inverte a força, e a hélice de um próton gira num sentido e a de um elétron no outro, em torno da mesma linha. “Cargas elétricas que penetram na Terra paralelamente ao campo magnético não sofrem o tipo de força que atua no fenômeno mencionado”: certo, sen⁡0∘=0\operatorname{sen}0^\circ = 0. Em 2023, o texto-base era a declinação magnética em Brasília e o item dizia que “as partículas carregadas vindas do Sol que se aproximam perpendicularmente à superfície da Terra na altura da linha do Equador não sofrem desvios”. Errado, e o motivo é o inverso do que a frase insinua: sobre o Equador as linhas de campo correm paralelas ao chão; quem desce verticalmente as atravessa de través, com θ=90∘\theta = 90^\circ, e recebe a maior força possível. Chegar sem desvio só seria possível sobre os polos magnéticos, descendo ao longo das linhas.

A anomalia do Atlântico Sul e os satélites sobre o Brasil

O campo da Terra é mais fraco numa região que vai do sul do Brasil ao Atlântico Sul, a anomalia magnética do Atlântico Sul. Campo mais fraco, raio mv/(∣q∣B)mv/(|q|B) maior: as partículas presas no cinturão interno de Van Allen descem mais perto da superfície justamente ali, a algumas centenas de quilômetros. Satélites de órbita baixa que passam sobre a região recebem mais radiação, e vários desligam instrumentos sensíveis durante a travessia; o telescópio Hubble não faz observações enquanto a cruza. É a força magnética, com um BB menor no denominador, aparecendo num mapa.

Campos cruzados: o seletor de velocidades e o tubo de raios catódicos

Ponha, na mesma região, um campo elétrico E⃗\vec{E} e um campo magnético B⃗\vec{B} perpendiculares entre si, e lance uma carga qq com velocidade perpendicular aos dois. Ela sente duas forças: a elétrica, qEqE, na direção de E⃗\vec{E}; e a magnética, ∣q∣vB|q|vB, perpendicular a v⃗\vec{v} e a B⃗\vec{B}, que, com a geometria certa, fica na mesma reta da elétrica e em sentido oposto. As duas se cancelam quando

qE=∣q∣ v B⟹v=EBqE = |q|\,v\,B \qquad\Longrightarrow\qquad v = \frac{E}{B}

e a carga atravessa a região em linha reta. A condição não envolve a carga nem a massa: qualquer partícula com essa velocidade passa reta; mais rápida, a magnética vence e ela curva para um lado; mais lenta, a elétrica vence e ela curva para o outro. É o seletor de velocidades: de um feixe com velocidades variadas, só as partículas com v=E/Bv = E/B saem pela fenda do fim. Com E=5×104E = 5 \times 10^{4} N/C e B=0,4B = 0{,}4 T, por exemplo, passa quem tem v=1,25×105v = 1{,}25 \times 10^{5} m/s.

A geometria importa, e foi item em 2010 e em 2022. Para cancelar a força elétrica, a força magnética tem de ser antiparalela à força elétrica, isto é, estar na direção de E⃗\vec{E}. Como a força magnética é perpendicular a B⃗\vec{B}, o campo magnético tem de ser perpendicular a E⃗\vec{E} (e à velocidade). Um B⃗\vec{B} antiparalelo a E⃗\vec{E} não serve: a força magnética sairia perpendicular à elétrica e não cancelaria nada. No item de 2022, com B⃗\vec{B} entrando no papel, E⃗\vec{E} para baixo e v⃗\vec{v} para a direita, a carga positiva sente a elétrica para baixo e a magnética para cima (velocidade para a direita, campo entrando, positiva sobe), e a trajetória é retilínea quando v=E/Bv = E/B: a opção com v=E/Bv = E/B, sem qq nem inversão. As outras opções trocavam EE por BB ou enfiavam a carga na fórmula, e a carga não pode estar lá porque ela multiplica as duas forças e some na igualdade.

Dois painéis. À esquerda, o seletor de velocidades: uma região com cruzes, campo entrando no papel, e um campo elétrico desenhado como setas verticais para baixo entre duas placas, a de cima positiva e a de baixo negativa; uma carga positiva com velocidade para a direita tem a força elétrica para baixo e a força magnética para cima, de mesmo módulo, e segue reta até uma fenda; duas trajetórias tracejadas indicam partículas mais rápidas desviando para cima e mais lentas para baixo. À direita, o espectrômetro de massa: a partícula sai da fenda, entra numa região só com campo magnético saindo do papel, marcada com pontos, descreve um semicírculo de raio R no sentido horário e atinge uma placa detectora a uma distância x igual a duas vezes R da entrada; um segundo semicírculo maior, de um íon mais pesado, atinge a placa mais longe.
Campos cruzados. No seletor, força elétrica e força magnética se opõem e só a velocidade v = E/B passa reta, qualquer que seja a carga ou a massa. No espectrômetro, a partícula selecionada entra num campo magnético puro, faz meia volta e marca a placa a uma distância 2R da entrada: quanto maior a massa, maior o raio. Diagrama autoral.

O tubo de raios catódicos de 2010 é o seletor com outro nome. Elétrons saem de um filamento quente, são acelerados por uma diferença de potencial VV, passam por uma fenda colimadora C e entram numa região com E⃗\vec{E} e B⃗\vec{B} uniformes e perpendiculares entre si, antes de seguir até a tela. O primeiro item afirmava que “o feixe de elétrons não será defletido quando EE e BB forem nulos ou quando a velocidade dos elétrons, após passarem na fenda colimadora, for igual à relação ∣E⃗∣/∣B⃗∣|\vec{E}|/|\vec{B}|”: certo, é a definição do seletor (e sem campos não há força). O segundo dizia ser possível evitar a deflexão “aplicando-se um campo magnético B⃗\vec{B} antiparalelo a um campo elétrico E⃗\vec{E}”: errado, pela geometria acima; B⃗\vec{B} precisa ser perpendicular a E⃗\vec{E}. Esse foi o tubo das televisões e dos osciloscópios: o mesmo par de campos, variando no tempo, levava o feixe a qualquer ponto da tela.

Antiparalelo não é perpendicular

No seletor, o que é antiparalelo são as forças (elétrica e magnética), não os campos. E⃗\vec{E} e B⃗\vec{B} são perpendiculares entre si e perpendiculares à velocidade. Item que alinhe B⃗\vec{B} com E⃗\vec{E} para “cancelar a deflexão” está errado (2010/62). E a condição v=E/Bv = E/B não tem carga nem massa: opção com qq na fórmula está errada (2022/87).

O espectrômetro de massa: do raio à massa

Depois do seletor, a partícula entra numa região onde só existe campo magnético, descreve um semicírculo de raio R=mv/(∣q∣B)R = mv/(|q|B) e atinge uma placa (fotográfica ou um detector) a uma distância x=2Rx = 2R do ponto de entrada. Conhecidos vv, BB e ∣q∣|q|, medir xx é medir mm:

m=∣q∣ B Rv=∣q∣ B x2vm = \frac{|q|\,B\,R}{v} = \frac{|q|\,B\,x}{2v}

É o espectrômetro de massa, inventado por Aston em 1919 e usado hoje em todo laboratório de química para pesar moléculas, identificar isótopos e datar amostras: íons de massas diferentes, com a mesma velocidade e a mesma carga, caem em pontos diferentes da placa, e o espectro de massas é a lista desses pontos. Num aparelho real, com B=0,5B = 0{,}5 T, v=105v = 10^{5} m/s e íons de carga ee, um íon de massa 10−2510^{-25} kg (uns 60 u) tem R=10−25×105/(1,6×10−19×0,5)=12,5R = 10^{-25} \times 10^{5}/(1{,}6 \times 10^{-19} \times 0{,}5) = 12{,}5 cm; um isótopo uma unidade mais pesado cai 0,4 cm mais longe, e a placa distingue os dois.

Há uma segunda montagem, a que a banca desenhou em 2010: o íon sai de uma fonte S, é acelerado por uma diferença de potencial VV (energia cinética ∣q∣V|q|V, logo 12mv2=∣q∣V\tfrac{1}{2}mv^2 = |q|V) e entra pela abertura A numa câmara com B⃗\vec{B} perpendicular à velocidade, onde faz meia volta e atinge a placa à distância x=2Rx = 2R. Aqui a velocidade não é fixa; ela depende da massa:

v=2∣q∣Vm⟹R=mv∣q∣B=1B2mV∣q∣⟹x=2B2mV∣q∣v = \sqrt{\frac{2|q|V}{m}} \qquad\Longrightarrow\qquad R = \frac{mv}{|q|B} = \frac{1}{B}\sqrt{\frac{2mV}{|q|}} \qquad\Longrightarrow\qquad x = \frac{2}{B}\sqrt{\frac{2mV}{|q|}}

e, para dois íons de mesma carga em módulo acelerados pela mesma tensão, xx é proporcional à raiz quadrada da massa: (x1/x2)2=m1/m2\left(x_1/x_2\right)^2 = m_1/m_2.

Exemplo resolvido 3 (o quadrado da razão). No espectrômetro acelerado por tensão, dois íons de carga ee em módulo, HCO3−\mathrm{HCO_3^-} (massa 61 u: 1 de hidrogênio, 12 de carbono, 48 de três oxigênios) e H+\mathrm{H^+} (1 u), são produzidos na fonte e lançados no mesmo campo. Qual é o quadrado da razão entre as distâncias xx em que atingem a placa?

(xHCO3xH)2=mHCO3mH=611=61\left(\dfrac{x_{\mathrm{HCO_3}}}{x_{\mathrm{H}}}\right)^{2} = \dfrac{m_{\mathrm{HCO_3}}}{m_{\mathrm{H}}} = \dfrac{61}{1} = 61. Conferência: o íon 61 vezes mais pesado sai da aceleração 61≈7,8\sqrt{61} \approx 7{,}8 vezes mais lento, mas o raio mv/(∣q∣B)mv/(|q|B) leva a massa inteira e a velocidade só pela raiz: 61/7,8≈7,861/7{,}8 \approx 7{,}8 vezes maior, e 7,82≈617{,}8^2 \approx 61. Fecha. Foi o item numérico de 2010, com resposta 61; a figura mostrava a fonte S, a tensão VV, a abertura A, o campo saindo do papel e a distância xx até a placa.

O que o espectrômetro mede no dia a dia

O bafômetro de laboratório, o exame antidoping, a datação por carbono-14 por aceleradores, a identificação de proteínas e o controle de qualidade de combustíveis usam espectrometria de massas. A amostra é ionizada, os íons ganham a mesma energia numa tensão de alguns milhares de volts e um campo magnético (ou um campo elétrico oscilante, nos modelos mais novos) os separa por massa. O princípio é a fórmula R=mv/(∣q∣B)R = mv/(|q|B) desta página; a engenharia é manter o vácuo e ler a placa com precisão de uma parte em um milhão.

O cíclotron: meias-voltas no mesmo ritmo

O período T=2πm/(∣q∣B)T = 2\pi m/(|q|B) não depende da velocidade, e Ernest Lawrence, em 1930, construiu um acelerador em cima desse fato. Dois semidiscos ocos de cobre, os “dês”, ficam frente a frente separados por uma fenda estreita, dentro de um campo magnético uniforme perpendicular a eles. Uma fonte S no centro solta íons. Dentro de cada dê não há campo elétrico, só o magnético: o íon faz meia-volta. Na fenda há uma diferença de potencial, aplicada por um oscilador: ao atravessá-la, o íon ganha energia ∣q∣V|q|V e a velocidade sobe. Meia-volta depois ele chega à fenda do outro lado, e aqui está o truque: o oscilador inverteu a voltagem nesse meio-tempo, de modo que o íon é acelerado de novo. Como a meia-volta demora sempre T/2T/2, qualquer que seja a velocidade, basta o oscilador trabalhar na frequência cíclotron f=∣q∣B/(2πm)f = |q|B/(2\pi m) para que o íon seja empurrado a cada travessia. A cada empurrão o raio cresce (R=mv/(∣q∣B)R = mv/(|q|B)), e a trajetória é uma espiral de semicírculos cada vez maiores, até o feixe sair pela borda com energia de milhões de elétron-volts.

Dois semidiscos cinza frente a frente, separados por uma fenda vertical, com o campo magnético saindo do papel indicado por pontos. Da fonte S, no centro, parte uma espiral tracejada de semicírculos cada vez maiores, percorrida no sentido horário, com setas marcando o sentido; na fenda, pequenos sinais de mais e menos alternados indicam a voltagem que se inverte a cada meia-volta; o feixe sai tangencialmente pela parte superior esquerda, e uma caixa embaixo, rotulada oscilador, está ligada aos dois semidiscos.
O cíclotron: dentro de cada semidisco o campo magnético faz o íon dar meia-volta; na fenda, uma voltagem alternada na frequência cíclotron o acelera a cada travessia. Como o período não depende da velocidade, o ritmo é sempre o mesmo e o raio cresce a cada volta. É a figura do item do PAS/UnB de 2010. Diagrama autoral.

Por que a voltagem tem de alternar? Se ela fosse constante, o íon ganharia energia ao cruzar a fenda num sentido e perderia a mesma energia ao cruzá-la no sentido contrário, meia-volta depois, porque estaria subindo a mesma diferença de potencial que acabara de descer. Nada de espiral: o íon ficaria preso, repetindo o mesmo par de meias-voltas. Foi o item de 2010 sobre o cíclotron, que afirmava que, “ao se aplicar voltagem constante no oscilador, não seria obtida a espiral desenhada na figura, e o movimento da partícula se restringiria a dois semicírculos de raios diferentes”. A primeira metade do item é correta. A segunda não descreve o que de fato ocorreria. Com a fenda sempre na mesma polaridade, a partícula que sai de S ganha energia na primeira travessia, completa meia-volta dentro de um dê e retorna à fenda encontrando a mesma tensão, agora contra ela: é freada e empurrada de volta ao dê de onde veio. O movimento não fica “restrito a dois semicírculos de raios diferentes”; e, se a partícula chegasse à fenda com energia de sobra, passaria a alternar dois raios deslocando-se ao longo da fenda, sem fechar órbita alguma. O gabarito oficial deu errado. Registre-se que há outra leitura possível da frase: ler a expressão “dois semicírculos de raios diferentes” no sentido de dois raios alternados levaria ao certo. Em prova, diante de um item assim, prevalece a leitura literal do movimento descrito.

Do cíclotron de 11 cm ao síncrotron de Campinas

O primeiro cíclotron de Lawrence, de 1931, tinha 11 cm de diâmetro e acelerava prótons a 80 keV; o de 1939, 1,5 m e 16 MeV. O limite veio da relatividade: a massa efetiva cresce com a velocidade, o período deixa de ser constante e o oscilador perde o ritmo. A resposta foi o síncrotron, em que o campo magnético e a frequência crescem junto com a energia e o raio fica fixo, num anel. O Sirius, em Campinas, é um síncrotron de 518 m de circunferência que mantém elétrons a 3 GeV em círculo; a aceleração centrípeta deles produz a luz síncrotron (raios X e ultravioleta) que o item de 2010 descrevia. O cíclotron sobrevive nos hospitais: é ele que produz os isótopos de vida curta da tomografia por emissão de pósitrons.

O efeito Hall: quando o condutor monta o próprio seletor

Faça uma corrente ii atravessar uma placa metálica fina, da esquerda para a direita, imersa num campo B⃗\vec{B} que entra no papel. Os portadores de carga que formam a corrente movem-se no campo e sentem a força magnética, perpendicular à velocidade e ao campo: para cima ou para baixo, transversalmente à placa. Eles são empurrados para uma das faces, que fica carregada; a face oposta fica com carga de sinal contrário. Surge um campo elétrico transversal E⃗H\vec{E}_H dentro da placa, e com ele uma força elétrica sobre os portadores seguintes, oposta à magnética. O acúmulo para quando as duas se equilibram:

∣q∣ EH=∣q∣ v B⟹EH=v B⟹VH=EH d=v B d|q|\,E_H = |q|\,v\,B \qquad\Longrightarrow\qquad E_H = v\,B \qquad\Longrightarrow\qquad V_H = E_H\, d = v\,B\,d

em que dd é a largura da placa (a distância entre as faces) e VHV_H é a ddp de Hall, medida entre as faces superior e inferior. O condutor reproduz, por conta própria, o arranjo do seletor de velocidades: o campo elétrico que o acúmulo cria anula a força magnética, e o que resta medir é uma tensão proporcional ao campo e à velocidade dos portadores. Como a velocidade de deriva cresce com a corrente (i=nqAvi = nqAv, da página de corrente elétrica), VHV_H cresce com BB e com ii.

Uma placa retangular vista de frente, com a corrente i entrando pela esquerda e saindo pela direita, imersa num campo marcado com cruzes, entrando no papel. Dentro da placa, um portador positivo com velocidade para a direita tem a força magnética apontando para cima; a face superior está marcada com sinais de mais e a inferior com sinais de menos; setas verticais para baixo entre as faces representam o campo elétrico de Hall, e a largura d está cotada; um voltímetro, acima e à esquerda da placa, ligado às duas faces, mede a ddp de Hall.
O efeito Hall: a força magnética empurra os portadores para uma face da placa, o acúmulo cria um campo elétrico transversal e, no equilíbrio, a ddp entre as faces vale vBd, crescente com o campo e com a corrente. É a figura dos itens do PAS/UnB de 2009. Diagrama autoral.

Os dois itens de 2009 eram esta seção em duas frases. “A existência de uma ddp entre as faces superior e inferior da placa é um indicativo da ação de uma força externa de origem magnética que atua nas cargas elétricas em movimento ao longo da placa”: certo; sem força magnética sobre os portadores, nada os separaria. “Caso o campo elétrico decorrente da ddp em questão gerasse uma força elétrica que equilibrasse a força magnética, então essa ddp seria uma função crescente do campo magnético BB e da corrente elétrica ii”: certo, VH=vBdV_H = vBd e vv cresce com ii.

Em números, o efeito é pequeno nos metais: no cobre a velocidade de deriva é da ordem de 10−410^{-4} m/s, e uma placa de 1 cm em 1 T dá VH=10−4×1×10−2=1V_H = 10^{-4} \times 1 \times 10^{-2} = 1 µV. Em semicondutores, com muito menos portadores por metro cúbico, a velocidade de deriva é milhares de vezes maior para a mesma corrente, e VHV_H chega a milivolts: é o sensor Hall do celular (a bússola eletrônica), do medidor de corrente sem contato, do sensor que detecta a tampa fechada do notebook e do pedal da bicicleta elétrica. O sinal da ddp revela o sinal dos portadores: se fossem cargas positivas andando para a direita, a face de cima ficaria positiva; sendo elétrons andando para a esquerda, a força sobre eles aponta para o mesmo lado (carga negativa com velocidade invertida: dois sinais trocados, força igual), eles se acumulam em cima e a face de cima fica negativa. Foi assim, em 1879, que Edwin Hall mostrou que os portadores nos metais têm carga negativa, antes mesmo de o elétron ser descoberto.

Do portador ao fio: a força sobre uma corrente

Dentro de um fio percorrido por corrente há uma multidão de portadores em marcha, e cada um deles recebe a força da seção anterior; o que o fio sente é a soma de todas elas. Num trecho retilíneo de comprimento LL há NN portadores de carga qq movendo-se com velocidade de deriva vv; a força total é N ∣q∣ v B sen⁡θN\,|q|\,v\,B\,\operatorname{sen}\theta. Mas N∣q∣N|q| é a carga total no trecho, e carga dividida pelo tempo que ela leva para atravessá-lo, L/vL/v, é a corrente: i=N∣q∣v/Li = N|q|v/L, logo N∣q∣v=iLN|q|v = iL. Substituindo:

F=B i L sen⁡θF = B\,i\,L\,\operatorname{sen}\theta

em que θ\theta mede o ângulo entre a direção da corrente e a do campo. Os três fatores são o campo, a corrente e o comprimento do trecho; o seno desconta a parte do fio que corre ao longo das linhas. A força aponta perpendicularmente tanto ao fio quanto ao campo; o sentido vem da mesma mão direita, com o polegar no sentido da corrente convencional e os dedos no campo. Fio atravessado de lado pelas linhas de campo: força cheia; fio deitado ao longo delas: nenhuma. A unidade fecha: T·A·m = (N/(A·m))·A·m = N.

A força sobre um fio com corrente

Um trecho reto de fio, de comprimento LL, atravessado pela corrente ii e mergulhado num campo B⃗\vec{B}, sofre uma força de módulo F=B i L sen⁡θF = B\,i\,L\,\operatorname{sen}\theta, perpendicular ao fio e ao campo, com sentido dado pela mão direita (polegar na corrente convencional, dedos no campo, força saindo da palma). LL é o comprimento do trecho imerso no campo; fio paralelo ao campo não sofre força. A força sobre o fio é a soma das forças sobre as cargas que o percorrem.

Dois painéis. À esquerda, um fio vertical com corrente para cima atravessa uma região de campo marcada com cruzes, entrando no papel; uma seta horizontal para a esquerda, rotulada F igual a B i L, mostra a força sobre o trecho imerso; abaixo, o mesmo fio com a corrente para baixo tem a força para a direita, e ao lado um fio deitado, paralelo às linhas de um campo horizontal, com a indicação de força nula. À direita, dois fios paralelos verticais: no primeiro par as correntes têm o mesmo sentido e as setas de força apontam um para o outro, atração; no segundo par as correntes têm sentidos opostos e as setas apontam para fora, repulsão; a fórmula da força por metro está anotada.
Força sobre um fio com corrente: perpendicular ao fio e ao campo, pela mão direita com o polegar na corrente convencional; inverter a corrente inverte a força; fio paralelo ao campo, força nula. À direita, dois fios paralelos: cada um está no campo do outro, e correntes de mesmo sentido se atraem, de sentidos opostos se repelem. Diagrama autoral.

A escala vem da tabela: um fio de 1 m com 10 A no campo da Terra sofre 5×10−5×10×1=5×10−45 \times 10^{-5} \times 10 \times 1 = 5 \times 10^{-4} N, o peso de meio grão de arroz; o mesmo fio entre os polos de um ímã de 0,1 T sofre 1 N, o peso de 100 g, e pula. Com 0,5 T e 100 A, numa bobina de motor industrial, cada metro de fio sente 50 N. A direção, nos itens, é o que mais custa. No bloco do motor de bonde de 2017, no lado inferior da espira os elétrons se deslocavam para a esquerda; a corrente convencional, portanto, corria para a direita, ao longo de +y^+\hat{y}. O campo apontava para cima, +z^+\hat{z}. Polegar em +y^+\hat{y}, dedos em +z^+\hat{z}: a palma fica voltada para +x^+\hat{x}, isto é, para fora da folha. “O vetor força que atua no lado inferior da espira tem a direção x^\hat{x} e sentido saindo da folha de papel”: certo. Quem usou o sentido dos elétrons achou força entrando e marcou errado com a regra certa.

Exemplo resolvido 4 (módulo com o comprimento certo). Uma espira retangular de 0,3 m por 0,2 m, com 1 A, está num campo uniforme de 0,1 T vertical, com o plano da espira horizontal. Qual é a força sobre cada lado?

Os dois lados de 0,3 m são perpendiculares ao campo: F=BiL=0,1×1×0,3=0,03F = BiL = 0{,}1 \times 1 \times 0{,}3 = 0{,}03 N cada, em sentidos opostos (as correntes neles são opostas), um para fora do papel e outro para dentro. Os dois lados de 0,2 m também são perpendiculares ao campo vertical: F=0,1×1×0,2=0,02F = 0{,}1 \times 1 \times 0{,}2 = 0{,}02 N cada, também opostas, ao longo do eixo que passa pelo centro dos lados menores. Conferência: a soma das quatro forças é zero, como deve ser para uma espira fechada em campo uniforme. Fecha. É a conta do item de 2017 sobre o módulo: o lado de 0,3 m sofre 0,03 N, e “módulo superior a 0,1 N” está errado; quem usou 0,1 m (a meia-largura rr da figura) ou esqueceu o campo errou com a fórmula certa.

Qual comprimento, e qual sentido

Em F=BiLsen⁡θF = BiL\operatorname{sen}\theta, LL é o comprimento do trecho imerso no campo e perpendicular a ele; num fio longo que só cruza o campo num pedaço, só o pedaço conta. Na espira de 2017, o lado inferior tem 0,3 m, não 0,1 m. E o sentido da força usa a corrente convencional: elétrons para a esquerda são corrente para a direita.

O alto-falante é um fio no campo de um ímã

Um alto-falante é uma bobina de fio fino presa a uma membrana de papel ou plástico, mergulhada no campo radial de um ímã em forma de anel: as linhas de campo vão do centro para a borda, atravessando as espiras de lado. A corrente alternada do amplificador percorre a bobina e cada volta sofre F=BiLF = BiL, para a frente ou para trás conforme o sentido da corrente; a membrana vibra no ritmo da corrente e empurra o ar. Foi o texto-base de 2008: a figura mostrava a bobina em corte, com a corrente saindo do papel na fenda de cima e entrando na de baixo, e o campo apontando do centro para a borda. Com a mão direita, nos dois lados a força aponta para dentro do magneto (para a esquerda na figura), e o item que dizia que a membrana estava “sendo empurrada, pela força magnética, para fora do magneto” está errado. Meio ciclo depois a corrente inverte e a membrana sai; é o som.

Fios paralelos: atração, repulsão e a definição do ampère

Dois fios paralelos com corrente agem um sobre o outro sem se tocar, e a razão é a junção das duas páginas de magnetismo: o fio 1 cria em volta de si o campo B1=μ0i1/(2πd)B_1 = \mu_0 i_1/(2\pi d) (da página de campo magnético de correntes), e o fio 2, a distância dd, está mergulhado nesse campo, perpendicular a ele, e sofre F=B1i2LF = B_1 i_2 L. A força por metro de fio é

FL=μ0 i1 i22π d\frac{F}{L} = \frac{\mu_0\, i_1\, i_2}{2\pi\, d}

e o fio 1 sofre, pela terceira lei de Newton, força igual e oposta. O sentido sai da mão direita: para correntes de mesmo sentido, o campo do fio 1 no fio 2 e a corrente do fio 2 dão força apontando para o fio 1; os fios se atraem. Para correntes opostas, a força inverte e eles se repelem. Em uma linha: correntes que correm no mesmo sentido puxam os fios um para o outro, correntes contrárias os afastam, e o efeito enfraquece em proporção direta à distância, não ao quadrado dela.

Exemplo resolvido 5 (a força entre os fios de um cabo). Os dois condutores de um cabo de chuveiro, separados por 3 mm, levam 30 A em sentidos opostos. Qual é a força por metro, e ela atrai ou repele?

F/L=4π×10−7×30×302π×3×10−3=2×10−7×9003×10−3=0,06F/L = \dfrac{4\pi \times 10^{-7} \times 30 \times 30}{2\pi \times 3 \times 10^{-3}} = \dfrac{2 \times 10^{-7} \times 900}{3 \times 10^{-3}} = 0{,}06 N/m, repulsiva, porque as correntes são opostas. Conferência: 2×10−7×900=1,8×10−42 \times 10^{-7} \times 900 = 1{,}8 \times 10^{-4}; dividido por 3×10−33 \times 10^{-3} dá 0,060{,}06. Fecha. Seis centésimos de newton por metro não movem um cabo rígido, mas num curto-circuito de 10 000 A a força sobe dez mil vezes (ela vai com i1i2i_1 i_2) e é capaz de arrancar barramentos de painéis: os eletricistas projetam os suportes para isso.

Com i1=i2=1i_1 = i_2 = 1 A e d=1d = 1 m, a força vale 2×10−72 \times 10^{-7} N por metro, e isso foi, de 1948 a 2019, a definição do ampère: a corrente que, em dois fios paralelos a um metro, produz 2×10−72 \times 10^{-7} N por metro. A balança de corrente dos laboratórios de metrologia media exatamente essa força, com bobinas em vez de fios retos, pesando a atração magnética contra massas conhecidas. Desde 2019 o ampère é definido pela carga elementar, mas o 2×10−72 \times 10^{-7} sobrevive no valor de μ0\mu_0.

Dois itens recentes da banca mostram que esse é o alvo da matriz nova, e os dois foram anulados. Em 2022, um item atribuía a Ampère a verificação de que um fio com corrente num campo magnético sofre força “proporcional tanto à corrente que passa pelo fio quanto ao campo magnético externo e ao ângulo entre a direção do campo magnético e a da corrente elétrica”. O fator correto é o seno do ângulo; “proporcional ao ângulo” é falso ao pé da letra e ambíguo na intenção, e a banca anulou. Em 2025, outro item generalizava: “em todo circuito elétrico, existe uma força magnética entre os fios condutores que são percorridos por corrente elétrica”. Dois fios paralelos com corrente, sim, puxam-se ou afastam-se; mas “todo circuito” inclui o de fio único e o de fios perpendiculares, e a generalização não se sustentou: anulado também. A física continua: entre fios com corrente há força, e ela vale μ0i1i2/(2πd)\mu_0 i_1 i_2/(2\pi d) por metro quando eles são paralelos.

A espira no campo: força resultante zero, torque não, e o princípio do motor

Dobre o fio numa espira retangular de lados aa e bb, com corrente ii, e ponha-a num campo uniforme B⃗\vec{B} com o plano da espira paralelo ao campo. Dos quatro lados, dois são paralelos ao campo e não sofrem força. Os outros dois, de comprimento aa, são perpendiculares ao campo e sofrem F=BiaF = Bia cada um, em sentidos opostos, porque as correntes neles são opostas: um para fora do papel, outro para dentro. A soma das forças é zero: uma espira fechada num campo uniforme nunca é empurrada como um todo. Mas as duas forças estão em retas diferentes, separadas pela distância bb: formam um binário, e um binário gira. O torque é força vezes braço:

τ=F⋅b=B i a b=B i A\tau = F \cdot b = B\,i\,a\,b = B\,i\,A

com A=abA = ab a área da espira. Para NN espiras enroladas juntas, NN vezes isso. Se o plano da espira faz um ângulo com o campo, o braço encolhe e o torque vira

τ=N B i A sen⁡θ\tau = N\,B\,i\,A\,\operatorname{sen}\theta

com θ\theta o ângulo entre o campo e a normal ao plano da espira: torque máximo com o plano da espira paralelo ao campo (θ=90∘\theta = 90^\circ) e nulo com o plano perpendicular ao campo (θ=0∘\theta = 0^\circ), posição em que a espira para, com o seu próprio campo alinhado ao externo. O torque depende da área, não da forma: uma espira circular de mesma área gira com o mesmo torque.

Uma espira retangular vista de frente, no plano do papel, com a corrente circulando no sentido anti-horário e um campo magnético uniforme desenhado como setas horizontais para a direita atravessando a figura; um eixo vertical tracejado passa pelo centro da espira. No lado esquerdo, com corrente para baixo, está marcado um ponto num círculo e a legenda força saindo do papel; no lado direito, com corrente para cima, uma cruz num círculo e a legenda força entrando; os lados de cima e de baixo, paralelos ao campo, estão marcados com força nula. Uma seta curva em torno do eixo indica o giro, e ao lado uma vista de cima mostra a espira como um segmento que gira, com o torque anotado como N B i A seno de teta.
A espira retangular com o plano paralelo ao campo: os lados paralelos ao campo não sofrem força; os dois lados perpendiculares sofrem forças iguais e opostas, uma saindo e outra entrando no papel, que não deslocam a espira, mas a giram em torno do eixo. É o torque τ = NBiA sen θ, máximo nesta posição; é nesse binário que se apoia o motor elétrico de corrente contínua. Diagrama autoral.

Esse binário é o que faz um motor elétrico funcionar: energia elétrica da fonte virando energia mecânica no eixo, pela força magnética sobre a corrente. Na espira do exemplo resolvido 4, o par de 0,03 N separado por 0,2 m dá τ=0,03×0,2=6×10−3\tau = 0{,}03 \times 0{,}2 = 6 \times 10^{-3} N·m, exatamente BiA=0,1×1×0,06BiA = 0{,}1 \times 1 \times 0{,}06; com 100 espiras, 0,6 N·m, o torque de uma furadeira pequena. O item de 2017 que afirmava que “o módulo do torque resultante no eixo de giro da espira condutora é proporcional à área do retângulo” está certo, e é a fórmula acima. O que acontece depois de meia-volta, quando a espira passa pela posição de torque nulo e o binário tentaria girá-la de volta, exige inverter a corrente no instante certo; é o papel do comutador e das escovas, e com eles, o rendimento, a força contraeletromotriz e os motores de corrente alternada, a história continua na página de motores e transformadores do bloco. Aqui fica só o princípio: espira com corrente num campo gira porque dois lados dela são empurrados em sentidos opostos.

A espira não é empurrada, é girada

Em campo uniforme, as forças sobre os lados opostos de uma espira se cancelam: a resultante se anula, e o que a espira recebe é um torque. Afirmar que a espira “é atraída pelo campo” ou “empurrada como um todo” é errado. E o torque é máximo com o plano da espira paralelo ao campo (campo atravessando a espira de lado), não perpendicular; na posição perpendicular, com o fluxo máximo, o torque é zero. Fluxo máximo e torque máximo são posições opostas, e o item 99 de 2017 (fluxo) e o 98 (torque) cobram as duas.

Força elétrica e força magnética: a tabela das diferenças

A banca monta quimeras com as duas forças: campo magnético acelerando partícula, campo elétrico desviando sem trabalho, carga parada sentindo força magnética. A tabela desmonta todas.

força elétrica F⃗e=qE⃗\vec{F}_e = q\vec{E} força magnética F⃗m=qv⃗×B⃗\vec{F}_m = q\vec{v}\times\vec{B}
age sobre carga parada? sim não (v=0v = 0, força zero)
depende da velocidade? não sim, proporcional a vv e ao seno do ângulo com B⃗\vec{B}
direção a do campo E⃗\vec{E} (paralela ou antiparalela) perpendicular a v⃗\vec{v} e a B⃗\vec{B}
sinal da carga inverte o sentido inverte o sentido
realiza trabalho? sim (W=qEdW = qEd ao longo do campo) nunca (perpendicular ao deslocamento)
muda a energia cinética? sim: acelera ou freia não: só muda a direção
trajetória típica em campo uniforme parábola (como um projétil), ou reta se v⃗∥E⃗\vec{v} \parallel \vec{E} círculo (se v⃗⊥B⃗\vec{v} \perp \vec{B}), hélice ou reta (se v⃗∥B⃗\vec{v} \parallel \vec{B})
sobre um fio com corrente não atua sobre o fio neutro como um todo F=BiLsen⁡θF = BiL\operatorname{sen}\theta
aparelho em que as duas se equilibram seletor de velocidades (v=E/Bv = E/B), efeito Hall (EH=vBE_H = vB)

No tubo de raios catódicos de 2010, as duas forças aparecem em sequência: a diferença de potencial VV acelera os elétrons (força elétrica, trabalho eVeV, energia cinética 12mv2=eV\tfrac{1}{2}mv^2 = eV) e, depois da fenda, os campos cruzados desviam ou não o feixe. No espectrômetro acelerado por tensão, a elétrica dá a velocidade e a magnética dá o raio. Saber qual força faz o quê é metade do item.

Ler figuras: trajetórias, pontos, cruzes e o que cada curva diz

As figuras deste assunto são quase sempre uma região de campo perpendicular ao papel (⊙\odot ou ⊗\otimes) com trajetórias desenhadas no plano. Um protocolo de leitura, na ordem:

  1. Qual é o sentido do campo? Pontos saem, cruzes entram. Se a figura só diz “campo entrando no papel” em palavras, desenhe as cruzes.
  2. Para que lado a partícula curva? Mão direita com polegar na velocidade de entrada e dedos no campo: a palma dá o lado para que uma carga positiva curva. Curvou para o outro lado, é negativa. Seguiu reta, é neutra (ou está paralela ao campo, ou é um seletor com v=E/Bv = E/B).
  3. Qual é o raio? R=mv/(∣q∣B)R = mv/(|q|B). Com velocidade e carga iguais, raio maior é massa maior (próton contra pósitron, 2024). Com massa e carga iguais, raio maior é velocidade maior. Com tudo igual e campo maior, raio menor.
  4. Sentido do giro dado, campo pedido (2010): carga positiva girando no sentido anti-horário, vista de frente, exige campo entrando no papel; horário, saindo. Para carga negativa, o contrário: o íon HCO3−\mathrm{HCO_3^-} da fotografia de 2010, negativo, girando no sentido anti-horário, exigia campo saindo do papel. Certo. (Confira com a mão: carga negativa, velocidade tangente, campo saindo, a força sai apontando para o centro.)
  5. Semicírculo que termina numa placa é espectrômetro: a distância da entrada ao impacto é 2R2R.
  6. Espiral de semicírculos crescentes é cíclotron; hélice ao longo de uma linha é velocidade oblíqua ao campo.
  7. Fio ou espira com setas de velocidade de elétrons (2017): troque para corrente convencional antes de usar a mão.
Sinal da carga pelo lado do desvio

Velocidade para a direita, campo entrando no papel: curva para cima é positiva, para baixo é negativa, reta é neutra. Velocidade para a direita, campo saindo: curva para baixo é positiva, para cima é negativa. Em qualquer outra orientação, repita a mão direita: o lado da palma é o lado da carga positiva.

Como a banca pergunta

O histórico da 3.ª etapa (2008–2024) mostra os moldes, e vale conhecê-los antes dos itens da aba de exercícios.

  • Triagem pelo ângulo e pelo estado da carga (certo/errado). “Cargas que penetram paralelamente ao campo não sofrem a força” (2013, certo); “carga negativa lançada paralelamente às linhas será desviada para baixo” (2018, errado, a direção paralela anula a força antes de qualquer sinal); “partículas que se aproximam perpendicularmente à superfície no Equador não sofrem desvios” (2023, errado, ali o campo é horizontal e o cruzamento é a 90∘90^\circ). Metade dos itens A do assunto se decide aqui.
  • Sinal da carga e sentido do giro (certo/errado). A hélice gira num sentido ou no outro conforme o sinal da carga (2013, certo); “íon negativo no sentido anti-horário, campo saindo do papel” (2010, certo).
  • Trajetórias comparadas (múltipla escolha). As quatro partículas de 2024: neutra reta, positivas para um lado, negativa para o outro, raio pela massa.
  • Conta de raio (resposta numérica). R=mv/(∣q∣B)R = mv/(|q|B) com unidade pedida em centímetros e velocidade em km/s (2022, 025); o quadrado da razão de distâncias no espectrômetro por tensão (2010, 61). A escala do comando e a conversão são o item.
  • Seletor de velocidades (certo/errado e múltipla escolha). v=E/Bv = E/B sem carga (2022, opção B); feixe não defletido com v=E/Bv = E/B (2010, certo); B⃗\vec{B} antiparalelo a E⃗\vec{E} (2010, errado).
  • Aparelhos descritos em prosa (certo/errado). Cíclotron com voltagem constante (2010, errado); radiação síncrotron pela aceleração centrípeta (2010, certo); efeito Hall, ddp como indício da força magnética e crescente com BB e ii (2009, certo nos dois).
  • Força sobre o fio e a espira (certo/errado). Sentido da força no lado inferior pela corrente convencional (2017, certo), módulo BiL=0,03BiL = 0{,}03 N contra o limiar 0,1 N (2017, errado), torque proporcional à área (2017, certo), membrana do alto-falante empurrada “para fora” (2008, errado).
  • Enunciados de lei com uma palavra trocada (anulados). “Proporcional ao ângulo” em vez de ao seno (2022); “em todo circuito” (2025). Mesmo anulados, mostram que a força sobre correntes é o alvo da matriz vigente.

Os erros que mais custam item

Dez erros de fábrica da força magnética
  1. “Campo magnético aumenta a velocidade da partícula.” Ele só curva: trabalho nulo, energia cinética constante (a aceleração que existe é a centrípeta). Quem dá velocidade é o campo elétrico.
  2. “Carga parada sente força magnética.” Não: FF é proporcional a vv.
  3. “Carga paralela ao campo é desviada.” sen⁡0∘=0\operatorname{sen}0^\circ = 0; segue reta (2013, 2018).
  4. “No Equador a partícula que desce não desvia.” Lá o campo é horizontal e o cruzamento é a 90∘90^\circ: desvio máximo (2023).
  5. “O raio cresce com o campo.” R=mv/(∣q∣B)R = mv/(|q|B): campo maior, raio menor. E o período 2πm/(∣q∣B)2\pi m/(|q|B) não depende de vv.
  6. “v=qE/Bv = qE/B” ou “v=B/Ev = B/E” no seletor. v=E/Bv = E/B, sem carga (2022).
  7. “B⃗\vec{B} antiparalelo a E⃗\vec{E} cancela a deflexão.” B⃗\vec{B} tem de ser perpendicular a E⃗\vec{E} (2010).
  8. Usar a velocidade dos elétrons como corrente. Corrente convencional é o contrário (2017); a força inverte.
  9. Usar a largura em vez do comprimento em BiLBiL, ou responder em metros quando o comando pede centímetros (2017, 2022).
  10. “A espira é empurrada pelo campo.” Resultante zero; o que há é torque NBiAsen⁡θNBiA\operatorname{sen}\theta, máximo com o plano paralelo ao campo (2017).

O essencial em meia página

  • Força sobre carga: F=∣q∣vBsen⁡θF = |q|vB\operatorname{sen}\theta. Nula para carga parada e para v⃗\vec{v} paralela ou antiparalela a B⃗\vec{B}; máxima a 90∘90^\circ. Perpendicular a v⃗\vec{v} e a B⃗\vec{B}.
  • Sentido: mão direita, polegar em v⃗\vec{v}, dedos em B⃗\vec{B}, força saindo da palma para carga positiva; inverter para negativa. v⃗\vec{v} para a direita e ⊗\otimes: positiva sobe. ⊙\odot: positiva desce.
  • Trabalho nulo: a força magnética não muda o módulo de vv nem a energia cinética; só a direção. Aceleração centrípeta existe, e carga acelerada irradia (síncrotron).
  • Círculo (v⃗⊥B⃗\vec{v} \perp \vec{B}): R=mv∣q∣BR = \dfrac{mv}{|q|B}, T=2πm∣q∣BT = \dfrac{2\pi m}{|q|B}, f=∣q∣B2πmf = \dfrac{|q|B}{2\pi m} (frequência cíclotron). Período independe de vv e de RR. Próton a 4×1064 \times 10^{6} m/s em 0,2 T: 21 cm; elétron, cerca de 1 870 vezes menos.
  • Hélice: v∥v_\parallel avança sem força, v⊥v_\perp gira; passo v∥Tv_\parallel T. Auroras (partículas presas às linhas, descendo nos polos) e cinturões de Van Allen.
  • Seletor de velocidades: E⃗⊥B⃗\vec{E} \perp \vec{B}, forças opostas, passa reta quem tem v=E/Bv = E/B, sem qq nem mm. Tubo de raios catódicos: idem; B⃗\vec{B} antiparalelo a E⃗\vec{E} não cancela nada.
  • Espectrômetro: semicírculo, x=2Rx = 2R, m=∣q∣BR/vm = |q|BR/v. Acelerado por tensão VV: R=1B2mV∣q∣R = \dfrac{1}{B}\sqrt{\dfrac{2mV}{|q|}}, (x1/x2)2=m1/m2(x_1/x_2)^2 = m_1/m_2 (HCO3−\mathrm{HCO_3^-}/H+\mathrm{H^+} = 61).
  • Cíclotron: meias-voltas de duração fixa, voltagem alternada na frequência cíclotron; voltagem constante não produz a espiral.
  • Efeito Hall: portadores empurrados para uma face; EH=vBE_H = vB, VH=vBdV_H = vBd, crescente com BB e ii; sinal da ddp dá o sinal dos portadores.
  • Fio com corrente: F=BiLsen⁡θF = BiL\operatorname{sen}\theta, LL = trecho imerso e perpendicular; mão direita com a corrente convencional. 0,1 T, 1 A, 0,3 m → 0,03 N.
  • Fios paralelos: F/L=μ0i1i22πdF/L = \dfrac{\mu_0 i_1 i_2}{2\pi d}; mesmo sentido atrai, opostos repelem; 1 A, 1 A, 1 m → 2×10−72 \times 10^{-7} N/m (a antiga definição do ampère; balança de corrente).
  • Espira: resultante zero, torque τ=NBiAsen⁡θ\tau = NBiA\operatorname{sen}\theta, máximo com o plano paralelo ao campo, nulo com o plano perpendicular (fluxo máximo). Princípio do motor; comutador e máquina na página própria.
  • Elétrica × magnética: elétrica age em carga parada, é paralela a E⃗\vec{E} e realiza trabalho; magnética exige movimento, é perpendicular a v⃗\vec{v} e B⃗\vec{B} e não realiza trabalho.
  • Figuras: ⊙\odot sai, ⊗\otimes entra; o lado do desvio dá o sinal; o raio dá m/∣q∣m/|q| ou vv; semicírculo até a placa é espectrômetro; espiral é cíclotron; velocidade de elétrons vira corrente ao contrário.
  • Fora daqui: campo de fios, espiras e solenoides (campo magnético de correntes); ímãs, Terra e materiais (campo magnético); indução de Faraday e Lenz e o motor como máquina (páginas do bloco); a força elétrica em detalhe (campo elétrico).

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Experimentando: Força magnética / Magnetic force
Laboratório de Demonstrações - UFPA · 3:52
Demonstração. Quase quatro minutos filmados no Laboratório de Demonstrações da UFPA: segundo a página do experimento no labdemon.ufpa.br, um “balanço” de fio de latão é pendurado entre os polos de um ímã em U e ligado a uma fonte; ao passar corrente, o fio é empurrado para o lado, e inverter a corrente inverte o empurrão. É a cena de abertura desta página e a seção “A força sobre um fio com corrente” ao vivo: confira o sentido com a mão direita antes de cada inversão.
Força magnética sobre cargas - Eletromagnetismo - Aula 3 - Prof. Marcelo Boaro
Professor Boaro · 20:42
Introdução e aprofundamento. Vinte minutos em que, nas palavras da descrição do autor, ele “explica a força magnética que surge sobre partículas carregadas quando jogadas numa região de campo magnético” e “a regra da mão esquerda que é muito útil para a resolução de exercícios”. Cobre as seções “A força sobre uma carga em movimento” e “Para que lado: a mão direita” com a versão da mão esquerda (Fleming), que dá o mesmo resultado; escolha uma regra e use sempre a mesma.
Força magnética sobre cargas- Trajetória - Eletromagnetismo - Aula 4 - Prof. Marcelo Boaro
Professor Boaro · 24:12
Aprofundamento nas trajetórias. A descrição do autor diz que o vídeo discute “em detalhes as trajetórias que as partículas carregadas fazem quando são lançadas em região de campo magnético”: reta, círculo e hélice conforme o ângulo entre a velocidade e o campo. É a seção “O círculo: raio proporcional ao momento” e a da hélice, com a dedução de R = mv/(|q|B); assista antes dos itens de 2024 (quatro trajetórias) e de 2022 (raio em centímetros).
Força magnética sobre fio - Eletromagnetismo - Aula 8 - Prof. Marcelo Boaro
Professor Boaro · 32:06
Aplicação ao fio com corrente. Segundo a descrição do autor, a aula discute “em detalhes a força magnética que surge num fio retilíneo pelo qual passa uma corrente elétrica e que está imerso numa região de campo magnético”: é F = BiL sen θ da seção “A força sobre um fio com corrente”, com a regra da mão para o sentido. Prepara o bloco do motor de bonde de 2017 (sentido e módulo da força no lado inferior da espira). A aula 9 da mesma série trata da força entre fios paralelos.
O QUE É A FORÇA MAGNÉTICA - EXERCÍCIOS RESOLVIDOS - AULA 4 - ELETROMAGNETISMO - Prof. Boaro
Professor Boaro · 26:33
Resolução. Vinte e seis minutos de exercícios de vestibular sobre “os conceitos fundamentais de força magnética, trajetórias das partículas em região de campo”, nas palavras da descrição, que lista os enunciados (o primeiro, da UEL, é a partícula em movimento retilíneo que entra num campo vertical e passa a descrever movimento circular uniforme). Use depois dos exemplos resolvidos desta página e antes dos itens de triagem da aba de exercícios (2013, 2018, 2023).
Rota PAS 3
Magnetismo e eletromagnetismo: do ímã à ressonância magnética · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Magnetismo e eletromagnetismo: do ímã à ressonância magnética · A força magnética sobre cargas: curvar sem acelerar (conceito F = |q|vB sen θ, regra da mão direita, força não realiza trabalho, r = mv/|q|B, hélice, seletor de velocidades; exemplo-guia do próton a 2 × 10⁶ m/s em 0,5 T; itens 2013/76, 2023/104, 2018/116, 2022/86, 2024/41, 2010/61, 2010/62, 2010/87, 2010/88, 2010/96, 2010/99, 2009/113, 2009/114; armadilha dos três reflexos; checagem); A força sobre um fio com corrente: de onde vem o motor (conceito F = BiL sen θ, fios paralelos, torque na espira; exemplo-guia da espira 0,3 × 0,2 m; itens 2017/94–99, 2022/85 e 2025/81 anulados; armadilha 'qual comprimento'; checagem); Antes de começar (ideias 2, 3 e 5: vetores, seno de ângulos redondos, força centrípeta); Como a banca cobra (histórico 'Força magnética sobre cargas', quinze itens, e 'Força sobre correntes e o motor', seis itens; protocolo do item); Resolvidos no formato da prova (o próton no espectrômetro); Banco de treino (T1, T2, T5, T6, T7)

    Recorte por assunto: desta seção a página toma a força sobre cargas e sobre fios, o movimento circular e helicoidal, o seletor, o espectrômetro, o cíclotron, o efeito Hall, a força entre fios e o torque sobre a espira como princípio do motor. O campo criado por correntes está em campo-magnetico-de-correntes; ímãs, campo da Terra e materiais em campo-magnetico; a indução de Faraday e Lenz, o motor como máquina (comutador, escovas, rendimento), geradores e transformadores ficam em páginas próprias do bloco. A página acrescenta, ausentes do capítulo, o período e a frequência cíclotron, a dedução de R a partir da centrípeta com conferência dimensional, a conta da força entre fios paralelos e a definição histórica do ampère, o torque τ = NBiA sen θ em forma geral, o alto-falante como força sobre corrente, os cinturões de Van Allen e a comparação sistemática entre força elétrica e magnética.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2024 (item 41, p. 7 do PDF, figura das quatro trajetórias P1–P4); 2023 (item 104, p. 13, texto-base da declinação magnética); 2022 (itens 85, 86 e 87, p. 12, figuras do espectrômetro e do seletor); 2018 (item 116, caderno Orozco p. 16, figuras I e II); 2013 (itens 75 e 76, caderno Próton p. 10, figuras I e II da aurora); 2010 (itens 61 e 62, p. 10, figura do tubo de raios catódicos; 87 e 88, p. 14, figura do cíclotron; 96, p. 15, fotografia do íon em trajetória circular; 99, p. 16, figura do espectrômetro); 2009 (itens 113 e 114, p. 16, figura da placa de Hall); 2017 (itens 95 e 96, caderno Liberdade p. 15, figura da espira do motor de bonde — caderno cifrado, transcrito da imagem); 2008 (item 60, p. 8, figuras I e II do alto-falante); 2025 (item 81, p. 10, anulado, só na teoria)

    Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto e conferidos na imagem dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ rasterizados a 130 dpi, figuras a 300–500 dpi; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2024: 41 C; 2023: 104 E; 2022: 85 anulado, 86 = 025, 87 B; 2018: 116 E; 2013: 75 C, 76 C; 2010: 61 C, 62 E, 87 E, 88 C, 96 C, 99 = 61; 2009: 113 C, 114 C; 2017: 95 C, 96 E; 2008: 60 E; 2025: 81 anulado) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. As figuras impressas foram descritas em texto neutro, nomeando rótulos, sentidos e a convenção de pontos e cruzes.