Campo magnético de correntes

Guia de estudo · Revisado em 02/10/2026

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Em 1820, durante uma aula, Hans Christian Oersted ligou um fio a uma pilha e a agulha da bússola ao lado girou. Ninguém encostou na agulha: um campo magnético nascido da corrente, ao redor do fio, foi o que a moveu. O mesmo fio enrolado num prego faz do prego um ímã enquanto houver corrente; é o eletroímã do guindaste de sucata, da campainha, do relé e de todo motor. Que forma tem esse campo, de que depende o seu módulo, como se descobre o sentido com a mão direita, por que uma espira se comporta como um ímã de barra, e como a banca cobra tudo isso em itens com figuras cheias de círculos, pontos e cruzes?

O que você vai aprender

  • Descrever a experiência de Oersted (1820), o que ela mostrou (corrente elétrica gera campo magnético) e por que ela unificou eletricidade e magnetismo, prevendo o sentido do desvio da agulha em função do sentido da corrente e da posição da bússola (acima ou abaixo do fio).
  • Usar a expressão B = μ₀i/(2πd) para o campo de um fio retilíneo longo, reconhecer que B é proporcional à corrente e inversamente proporcional à distância (primeira potência, não quadrado) e calcular valores com μ₀ = 4π × 10⁻⁷ T·m/A.
  • Desenhar e interpretar as linhas de campo de um fio como circunferências concêntricas no plano perpendicular ao fio, determinar o sentido pela regra da mão direita e ler e produzir figuras com a convenção de ponto (sai do papel) e cruz (entra no papel).
  • Somar vetorialmente os campos de dois fios paralelos num ponto, localizar onde o campo resultante se anula (entre os fios para correntes de mesmo sentido, fora deles para sentidos opostos) e explicar por que correntes paralelas de mesmo sentido se atraem e de sentidos opostos se repelem.
  • Calcular o campo no centro de uma espira circular (B = μ₀i/2R, ou N vezes isso para N espiras), identificar suas faces norte e sul pela regra da mão direita e reconhecer a espira como um pequeno ímã de barra, somando contribuições de espiras concêntricas com sinais dados pelos sentidos das correntes.
  • Descrever o campo de um solenoide (B = μ₀ni no interior, praticamente uniforme, com n espiras por metro), comparar suas linhas às de um ímã de barra e localizar os polos pela regra da mão direita.
  • Explicar o eletroímã (núcleo ferromagnético que multiplica o campo e o perde ao desligar a corrente) e o funcionamento de relé, campainha, guindaste de sucata e alto-falante a partir do campo de bobinas.
  • Resolver um circuito magnético simples quando o texto-base fornece as definições (força magnetomotriz Ni, relutância l/μS, entreferro), como no item do relé do PAS/UnB de 2011, cuidando das unidades e da escala do comando.
  • Situar ordens de grandeza: o campo de um fio doméstico a alguns centímetros comparado ao campo da Terra, o campo de um solenoide escolar e o de um eletroímã com núcleo.
  • Ler gráficos de B contra d e de B contra i, julgar figuras com sentidos de circulação e distinguir, em itens da banca, o que é campo de corrente (lei de Ampère) do que é força sobre corrente e do que é indução (páginas próprias).

Copenhague, abril de 1820. Hans Christian Oersted dá uma aula sobre eletricidade e, com uma pilha ligada a um fio, repete uma montagem que já tinha preparado: uma bússola ao lado do fio. Fechado o circuito, a agulha abandona o norte e se põe de través em relação ao fio; aberto o circuito, ela retorna; com os polos da pilha trocados, o desvio muda de lado. Ninguém encostou na agulha, e uma pilha não tem polos magnéticos. O que a moveu foi um campo magnético que a corrente fez nascer ao redor do fio, e que a bússola, instrumento que não sabe fazer outra coisa senão apontar campos, acusou na hora. Dois séculos depois, a mesma ideia está em todo lugar: um fio enrolado muitas vezes em torno de um prego transforma o prego num ímã enquanto houver corrente, e o prego larga os clipes assim que ela cessa. Esse é o eletroímã do guindaste do ferro-velho, que ergue um carro inteiro e o solta quando o operador corta a corrente; é a campainha, o relé que liga o motor de arranque do carro, a bobina do alto-falante e a trava elétrica do portão. E é a peça central de todo motor, gerador e transformador: antes de qualquer máquina girar, alguém precisa fazer um fio produzir um campo.

Esta é a página do campo magnético criado por correntes elétricas. Ela parte da experiência de Oersted e do que ela mostrou; descreve o campo de um fio retilíneo longo, com a expressão B=μ0i/(2πd)B = \mu_0 i/(2\pi d), as linhas circulares, a regra da mão direita e a convenção de ponto e cruz para vetores que saem e entram do papel; soma os campos de dois fios e localiza onde a soma se anula; explica, só como consequência, por que fios paralelos se atraem ou se repelem; constrói o campo da espira (com faces norte e sul, como um ímã de barra) e o do solenoide (uniforme por dentro); chega ao eletroímã, ao relé e à campainha; resolve o circuito magnético do relé que a banca trouxe em 2011; e termina com a leitura das figuras e dos gráficos que a prova usa. No PAS/UnB o assunto é da 3.ª etapa e é o mais regular do bloco de magnetismo: nove itens em 18 provas, com os três formatos (certo/errado, resposta numérica e múltipla escolha). O ímã, o campo B⃗\vec{B}, o tesla, a Terra e os materiais ferromagnéticos estão na página de campo magnético, que esta pressupõe; a força que um campo faz sobre cargas e fios, a indução de Faraday e Lenz e as máquinas têm páginas próprias no bloco e aparecem aqui só como remissão. A página também pressupõe a corrente elétrica e a soma de vetores.

Antes do fio: quatro coisas que a página supõe prontas

Corrente é carga passando por segundo, e tem sentido. A corrente convencional ii segue o sentido em que cargas positivas se moveriam: do polo positivo para o negativo da pilha, pelo circuito de fora. Os elétrons do fio andam ao contrário; toda regra desta página usa o sentido convencional, e quem usa o sentido dos elétrons inverte todas as respostas. A página de corrente elétrica construiu isso.

Campo magnético é um vetor em cada ponto, lido pela bússola: o polo norte da agulha aponta no sentido de B⃗\vec{B}. A unidade é o tesla (T), e os valores de referência que a página de campo magnético deu voltam aqui: o campo da Terra na superfície vale uns 5×10−55 \times 10^{-5} T (em Brasília, 2,3×10−52{,}3 \times 10^{-5} T), um ímã de geladeira chega a 10−210^{-2} T, e um aparelho de ressonância, a 1,5 ou 3 T.

Linhas de campo são fechadas. Para um ímã elas saem do norte e entram no sul por fora e fecham por dentro. Para uma corrente, como esta página mostra, elas dão a volta em torno do fio. Em nenhum caso uma linha de campo magnético começa ou termina em algum lugar.

A página é plana, mas o campo é tridimensional. Um fio com corrente tem o campo circulando em torno dele, num plano perpendicular ao fio. Para desenhar isso numa folha, usa-se a convenção da flecha: um vetor que sai do papel em direção a você é desenhado como um círculo com um ponto no centro, ⊙\odot (a flecha vista de frente, só a ponta visível); um vetor que entra no papel, como um círculo com uma cruz, ⊗\otimes (a flecha vista por trás, o rabo emplumado). A convenção vale para a corrente e para o campo, e as figuras da banca a usam sem avisar.

A experiência de Oersted: o que a agulha mostrou

Até 1820, eletricidade e magnetismo eram capítulos separados. Cargas atraíam pedaços de papel; ímãs atraíam ferro; ninguém tinha visto uma coisa agir sobre a outra, embora Benjamin Franklin tivesse notado que o raio imantava agulhas e desimantava outras. Oersted procurava justamente essa ligação, e a encontrou com uma montagem que cabe numa mesa: um fio retilíneo, uma pilha e uma bússola. A sequência merece ser repetida, porque a prova a reencena:

  1. Sem corrente, a agulha aponta o norte, como sempre. O fio, estendido na direção norte-sul por cima dela e paralelo à agulha, não faz nada.
  2. Com corrente, a agulha gira e tende a ficar atravessada em relação ao fio, na direção leste-oeste. O desvio é tanto maior quanto maior a corrente e quanto mais perto do fio a agulha está.
  3. Invertendo a corrente, a agulha gira para o lado oposto.
  4. Passando a bússola para o outro lado do fio (de cima para baixo), o desvio também se inverte, mesmo sem mexer na corrente.

Os quatro fatos juntos dizem o que o campo da corrente é: ele existe só enquanto há corrente; é perpendicular ao fio; tem sentido ligado ao sentido da corrente; e é oposto em lados opostos do fio, o que só uma linha que dá a volta em torno do fio explica. Oersted publicou o resultado em julho de 1820, em latim, numa folha de quatro páginas enviada a sociedades científicas de toda a Europa; em setembro, André-Marie Ampère já mostrava, em Paris, que dois fios com corrente também agem um sobre o outro, e nos anos seguintes construiu a matemática do campo. A história completa, de Gilbert a Faraday, está na página de história da eletricidade. Aqui interessa a física que ficou.

Quatro painéis em linha, vistos de cima, cada um com um fio laranja na direção norte-sul e uma bússola. No primeiro, sem corrente, a agulha aponta o norte, alinhada com o fio. No segundo, com corrente para o norte e a bússola sobre o fio, a agulha gira para o leste e uma seta curva marca o giro no sentido horário. No terceiro, com a corrente invertida, para o sul, a agulha gira para o oeste. No quarto, a bússola está debaixo do fio com corrente para o norte e a agulha desvia para o oeste. Abaixo dos painéis, três linhas de texto resumem a regra da mão direita.
A experiência de Oersted vista de cima. Com corrente para o norte, uma bússola sobre o fio desvia para o leste (giro horário); inverter a corrente, ou passar a bússola para baixo do fio, inverte o desvio. Os quatro casos são a regra da mão direita em ação, e o segundo é o item do PAS/UnB de 2023. Diagrama autoral.
O que a experiência de Oersted estabeleceu

Toda corrente elétrica cria, em volta de si, um campo magnético. O campo existe só enquanto a corrente existe, é perpendicular ao fio, circula em torno dele, tem sentido determinado pelo sentido da corrente e enfraquece com a distância ao fio. Uma bússola perto de um fio com corrente aponta a resultante do campo da Terra com o campo do fio, e por isso se desvia. Foi a primeira ligação experimental entre eletricidade e magnetismo e o começo do eletromagnetismo.

A dependência com a distância já derrubou candidato. Em 2022 a banca escreveu que, na experiência de Oersted, o desvio da agulha seria “ainda maior quanto mais afastada do fio” ela estivesse: a primeira metade do item é história correta e a segunda é física invertida, porque o campo do fio diminui ao se afastar dele, e o desvio diminui junto. A próxima seção dá a lei que decide isso.

O campo de um fio retilíneo: circunferências, não setas apontando para o fio

Espalhe limalha de ferro sobre uma cartolina atravessada por um fio vertical e ligue uma corrente forte: a limalha se arruma em circunferências concêntricas ao fio, apertadas perto dele e cada vez mais frouxas longe. Ponha pequenas bússolas sobre a cartolina e todas se alinham tangentes a essas circunferências, todas girando no mesmo sentido em torno do fio. É a imagem do campo de um fio retilíneo longo: em cada ponto, B⃗\vec{B} é tangente à circunferência que passa por ali e tem o fio no centro, no plano perpendicular ao fio. Nada de setas convergindo para o fio ou fugindo dele, como acontece com o campo elétrico de uma carga: o campo magnético do fio dá voltas.

O módulo depende de duas coisas, e só de duas: da corrente e da distância ao fio.

B=μ0 i2π dB = \frac{\mu_0\, i}{2\pi\, d}

símbolo leitura exemplo
BB módulo do campo no ponto, em tesla 2×10−52 \times 10^{-5} T
μ0\mu_0 permeabilidade magnética do vácuo (a constante do magnetismo; vale também para o ar) 4π×10−74\pi \times 10^{-7} T·m/A
ii corrente no fio, em ampère 10 A
dd distância do ponto ao fio, em metro 0,10 m

A constante μ0=4π×10−7\mu_0 = 4\pi \times 10^{-7} T·m/A ≈1,26×10−6\approx 1{,}26 \times 10^{-6} T·m/A é fornecida quando um item precisa dela, e o 4π4\pi do numerador cancela o 2π2\pi do denominador, de modo que a expressão vira B=2×10−7 i/dB = 2 \times 10^{-7}\, i/d no vácuo e no ar: dois vezes dez à menos sete, vezes a corrente, dividido pela distância. É a forma mais rápida de calcular. Num meio material a constante muda para a permeabilidade μ\mu do meio, e é por isso que o item de 2015 escreveu “μ\mu, em que μ\mu é a permeabilidade magnética do meio”.

O campo do fio retilíneo longo

Para um fio retilíneo longo com corrente ii, o campo num ponto a distância dd do fio tem módulo B=μ0i2πdB = \dfrac{\mu_0 i}{2\pi d}, é proporcional à corrente (dobrou ii, dobrou BB) e inversamente proporcional à distância (dobrou dd, BB caiu à metade; triplicou dd, caiu a um terço). As linhas de campo são circunferências concêntricas ao fio, em planos perpendiculares a ele, e B⃗\vec{B} em cada ponto é tangente à circunferência local. Esta é a forma escolar da lei de Ampère, que relaciona a corrente ao campo que circula em torno dela.

Uma leitura útil da proporcionalidade inversa: o produto B×dB \times d é constante para um mesmo fio. Se a 2 cm o campo vale 100 µT, a 4 cm vale 50 µT, a 10 cm vale 20 µT, a 1 m vale 2 µT. Não há quadrado: a lei do inverso do quadrado é a do campo de uma carga pontual e da força de Coulomb, e a dependência com a distância é o que a banca mais julga neste assunto (2022). Quem diz que dobrar a distância reduz o campo a um quarto está pensando em Coulomb; para o fio, dobrar a distância divide o campo por dois.

Primeira potência, não quadrado; circular, não radial

Duas confusões rendem item. A primeira é a dependência com a distância: o campo do fio cai com 1/d1/d, o campo de uma carga pontual cai com 1/d21/d^2. A segunda é a forma: o campo elétrico de uma carga aponta para fora dela (linhas abertas, radiais); o campo magnético de um fio dá a volta nele (linhas fechadas, circulares). Opção com “i2i^2” na fórmula, gráfico de BB caindo com o quadrado, ou desenho com setas saindo do fio como raios estão errados.

A regra da mão direita e a convenção de ponto e cruz

As circunferências têm um sentido de circulação, e ele é o que a bússola de Oersted revelou. A regra que o dá é a regra da mão direita para o fio: o polegar aponta no sentido da corrente; os outros quatro dedos, ao se fecharem, mostram o sentido em que as linhas de campo circulam em torno do fio. Corrente para cima (polegar para cima), os dedos se fecham no sentido anti-horário quando se olha o fio de cima; corrente para baixo, sentido horário. É a única regra da mão desta página, e ela aparece de três formas que são a mesma: segurando um fio, segurando uma espira (os dedos no sentido da corrente, o polegar no sentido do campo no centro) e segurando um solenoide.

A vista mais usada em prova é o corte: o fio visto de frente, perpendicular à página, aparece como um ponto, e as linhas de campo, como circunferências desenhadas no papel. Se a corrente sai do papel (⊙\odot), o campo circula no sentido anti-horário; se entra (⊗\otimes), circula no sentido horário. A regra é a mesma: polegar para fora do papel, dedos anti-horários; polegar para dentro, dedos horários.

À esquerda, um fio vertical com corrente para cima, uma mão direita com o polegar para cima e os dedos fechados em torno do fio, e três circunferências concêntricas em perspectiva com setas no sentido anti-horário visto de cima; a mais próxima do fio é desenhada mais grossa. À direita, dois cortes transversais: um fio com a corrente saindo do papel, marcado com um ponto, cercado de circunferências com setas anti-horárias, e um fio com a corrente entrando no papel, marcado com uma cruz, cercado de circunferências com setas horárias. Em cada corte, pequenas setas de campo são desenhadas tangentes às circunferências em quatro pontos.
Regra da mão direita para o fio: polegar no sentido da corrente, dedos no sentido do campo. No corte, corrente saindo do papel (ponto) circula o campo no sentido anti-horário; entrando (cruz), no sentido horário. As linhas mais próximas são desenhadas mais densas porque o campo é maior perto do fio. Diagrama autoral.

Com a regra, a experiência de Oersted fica calculável. Fio horizontal com corrente para o norte, bússola sobre o fio: o polegar aponta para o norte e os dedos, ao se fecharem, passam por cima do fio apontando para o leste e voltam por baixo apontando para o oeste. Logo, acima do fio o campo da corrente aponta para o leste; a agulha, antes alinhada com o norte, recebe um campo lateral para o leste e, observada de cima, roda no sentido horário. Debaixo do fio o campo da corrente aponta para o oeste e a rotação é anti-horária. Foi exatamente o item de 2023: “caso uma bússola seja posicionada próximo ao fio e sobre ele, a sua agulha tenderá a se desviar no sentido dos ponteiros do relógio”, com a figura mostrando o fio e a seta da corrente para o Norte geográfico. Certo. A palavra decisiva é “sobre”: com a bússola do lado de baixo, o item estaria errado.

Regra da mão direita

Aponte o polegar da mão direita ao longo da corrente convencional; a curva dos outros quatro dedos indica o sentido de circulação das linhas de campo em torno do fio. Em corte: corrente saindo do papel (⊙\odot), campo anti-horário; corrente entrando (⊗\otimes), campo horário. Em cada ponto, B⃗\vec{B} é tangente à circunferência local e perpendicular tanto ao fio quanto ao segmento que liga o fio ao ponto.

Uma consequência que vale a pena fixar: num ponto à direita de um fio vertical com corrente para cima (olhando a página de frente), o campo aponta para dentro do papel (⊗\otimes); num ponto à esquerda, para fora (⊙\odot). Confira com a mão: polegar para cima, os dedos passam à direita do fio entrando no papel e voltam pela esquerda saindo. Esse par de resultados é o que resolve, adiante, os problemas de dois fios.

Quanto vale: do fio da tomada ao raio

A tabela abaixo usa B=2×10−7 i/dB = 2 \times 10^{-7}\, i/d e compara com o campo da Terra, de uns 5×10−55 \times 10^{-5} T (50 µT), para dar escala. “µT” é microtesla, 10−610^{-6} T.

situação ii dd BB em relação à Terra (50 µT)
fio de um abajur (lâmpada de 100 W em 127 V) 0,8 A 1 cm 16 µT um terço
fio de um ar-condicionado de janela 8 A 5 cm 32 µT dois terços
o mesmo fio, a 1 m 8 A 1 m 1,6 µT 3 %
fio do chuveiro elétrico 30 A 2 cm 300 µT 6 vezes
linha de transmissão (1 000 A) 1 000 A 20 m 10 µT um quinto
raio (corrente de pico) 30 000 A 100 m 60 µT igual
o mesmo raio, a 10 m 30 000 A 10 m 600 µT 12 vezes

Três lições saem da tabela. Primeira: o campo de um fio doméstico, a alguns centímetros, é da mesma ordem que o campo da Terra, e por isso uma bússola encostada num fio com corrente se desvia (Oersted) e, a um metro, já quase não sente nada. Segunda: correntes grandes produzem campos modestos a distâncias grandes, porque o 1/d1/d cobra seu preço; é por isso que debaixo de uma linha de transmissão a bússola continua apontando o norte. Terceira: para obter campos de milésimos ou centésimos de tesla com correntes comuns, um fio reto não serve; é preciso enrolar o fio, somando a contribuição de muitas voltas no mesmo lugar, e isso é a espira e o solenoide das seções seguintes.

Gráfico com a distância d em centímetros no eixo horizontal, de 0 a 50, e o campo B em microtesla no eixo vertical, de 0 a 100. Uma curva decrescente em forma de hipérbole, para um fio com 8 A, passa pelos pontos 2 cm e 80 microtesla, 5 cm e 32, 10 cm e 16, 20 cm e 8, 50 cm e 3,2. Uma linha horizontal tracejada em 50 microtesla está marcada como campo da Terra e cruza a curva em 3,2 cm. Um segundo gráfico menor, à direita, mostra B contra i a distância fixa: uma reta que passa pela origem.
Campo de um fio com 8 A em função da distância: uma hipérbole, com o produto B × d constante (dobrou d, caiu B à metade). A 3,2 cm do fio o campo iguala o da Terra; a 1 m vale 1,6 µT. À direita, a distância fixa, B cresce em linha reta com a corrente. Os dois gráficos são o que a banca desenha ou descreve em opções de múltipla escolha. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 1 (o fio do ar-condicionado). O cabo de um ar-condicionado de janela, retilíneo e longo, leva 8 A. Qual é o campo a 5 cm dele, e a partir de que distância ele fica abaixo de um décimo do campo da Terra, tomado como 5×10−55 \times 10^{-5} T?

B=μ0i2πd=4π×10−7×82π×0,05=1,6×10−60,05=3,2×10−5B = \dfrac{\mu_0 i}{2\pi d} = \dfrac{4\pi \times 10^{-7} \times 8}{2\pi \times 0{,}05} = \dfrac{1{,}6 \times 10^{-6}}{0{,}05} = 3{,}2 \times 10^{-5} T, dois terços do campo da Terra: a 5 cm, uma bússola já sente o cabo. Para B=5×10−6B = 5 \times 10^{-6} T: d=2×10−7×85×10−6=0,32d = \dfrac{2 \times 10^{-7} \times 8}{5 \times 10^{-6}} = 0{,}32 m; além de 32 cm o cabo já não perturba a agulha de forma perceptível. Conferência: 32 cm é 6,4 vezes 5 cm, e 3,2×10−5/6,4=5×10−63{,}2 \times 10^{-5}/6{,}4 = 5 \times 10^{-6} T. Fecha.

Por que a bússola do celular enlouquece perto de alguns aparelhos

O magnetômetro do celular é uma bússola eletrônica, e sofre o mesmo que a agulha de Oersted: perto de um carregador em uso, de um cabo com corrente alta ou do motor de um ventilador, o campo das correntes (e dos ímãs dos motores) se soma ao da Terra e a direção lida gira. Os aplicativos de bússola pedem para “calibrar em oito” justamente para medir e descontar os campos fixos do próprio aparelho; os campos de fora, não há como descontar. Longe de fios e motores, o 1/d1/d resolve: a alguns metros, o campo das correntes é desprezível.

Dois fios: somar vetores e achar o ponto em que o campo se anula

O campo é um vetor, e os campos de dois fios se somam vetorialmente em cada ponto. O caso que a prova usa é o de dois fios paralelos, vistos em corte, com o ponto de interesse na reta que une os dois. Ali os dois campos são paralelos entre si (os dois são perpendiculares à reta que une os fios), e a soma vira uma conta com sinais: mesmo sentido, somam os módulos; sentidos opostos, subtraem.

Tome dois fios verticais, separados pela distância DD, com correntes de mesmo sentido (os dois saindo do papel, ⊙\odot e ⊙\odot). Pela regra da mão direita, cada fio tem campo anti-horário em torno de si. Num ponto entre os fios, o campo do fio da esquerda aponta para cima (à direita de um ⊙\odot, o anti-horário sobe) e o campo do fio da direita aponta para baixo (à esquerda de um ⊙\odot, o anti-horário desce): os dois campos se opõem, e existe um ponto entre os fios em que o campo resultante é zero. Com correntes iguais, esse ponto é o meio; com correntes diferentes, fica mais perto do fio de corrente menor, porque o fio mais forte precisa de mais distância para ter o seu campo reduzido ao valor do outro. Fora dos fios, na mesma reta, os dois campos têm o mesmo sentido e se somam: nunca se anulam.

Com correntes de sentidos opostos (⊙\odot e ⊗\otimes), tudo se inverte: entre os fios os campos têm o mesmo sentido e se somam (é o caso dos dois fios de um mesmo circuito, com a corrente indo por um e voltando pelo outro, que o item de 2020 desenhou); fora dos fios eles se opõem, e o ponto de campo nulo fica do lado de fora, além do fio de corrente menor.

Dois painéis em corte. No painel da esquerda, dois fios com corrente saindo do papel, ambos marcados com ponto, separados por uma distância D; entre eles, vetores de campo opostos, um para cima e outro para baixo, e um ponto marcado como campo nulo mais perto do fio de corrente menor; fora dos fios, vetores no mesmo sentido somando. No painel da direita, um fio com ponto e outro com cruz: entre eles os vetores têm o mesmo sentido e se somam; fora deles se opõem, com o ponto de campo nulo do lado de fora, além do fio de corrente menor. Setas curvas horárias e anti-horárias em torno de cada fio lembram o sentido de circulação.
Superposição dos campos de dois fios paralelos, em corte. Correntes de mesmo sentido: campos opostos entre os fios (há um ponto de campo nulo, mais perto do fio mais fraco) e somados fora. Correntes opostas: campos somados entre os fios e opostos fora, com o nulo do lado de fora. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 2 (o ponto de campo nulo). Dois fios longos e paralelos, separados por 9 cm, levam correntes de 3 A e 6 A no mesmo sentido. Onde, na reta que os une, o campo magnético resultante é nulo? E quanto vale o campo no ponto médio?

Entre os fios os campos se opõem; o nulo está a uma distância xx do fio de 3 A e 9−x9 - x do fio de 6 A, com módulos iguais: μ0⋅32πx=μ0⋅62π(9−x)\dfrac{\mu_0 \cdot 3}{2\pi x} = \dfrac{\mu_0 \cdot 6}{2\pi (9 - x)}, logo 3(9−x)=6x3(9 - x) = 6x, 27=9x27 = 9x, x=3x = 3 cm. O nulo fica a 3 cm do fio de 3 A e a 6 cm do fio de 6 A, mais perto do mais fraco, como previsto. No ponto médio, a 4,5 cm de cada fio: B3=2×10−7×3/0,045=1,33×10−5B_3 = 2 \times 10^{-7} \times 3/0{,}045 = 1{,}33 \times 10^{-5} T e B6=2×10−7×6/0,045=2,67×10−5B_6 = 2 \times 10^{-7} \times 6/0{,}045 = 2{,}67 \times 10^{-5} T, em sentidos opostos; resultante 1,33×10−51{,}33 \times 10^{-5} T no sentido do campo do fio de 6 A. Conferência: as distâncias ao ponto nulo estão na razão 1 : 2, a mesma das correntes, como exige B∝i/dB \propto i/d; e no ponto médio o fio de 6 A ganha, o que é coerente com o nulo estar do lado do fio de 3 A.

Onde está o zero

Ponto de campo nulo entre dois fios existe só para correntes de mesmo sentido; para sentidos opostos ele fica fora, do lado do fio de corrente menor. E ele nunca fica no meio quando as correntes são diferentes: fica mais perto do fio mais fraco. Item que põe o nulo “no ponto médio” com correntes desiguais, ou “entre os fios” com correntes opostas, está errado.

Fios paralelos se atraem ou se repelem (a consequência, não a conta)

Se cada fio cria um campo e um fio com corrente sente força quando está num campo, dois fios com corrente agem um sobre o outro: cada um está mergulhado no campo do outro. O resultado, que Ampère mediu nas semanas seguintes à notícia de Oersted, é que correntes paralelas de mesmo sentido se atraem e de sentidos opostos se repelem, com força que cresce com as duas correntes e diminui com a distância entre os fios. É o oposto do que a intuição das cargas sugere (“iguais se repelem”), e é por isso que a banca gosta do tema. A força sobre um fio, com a expressão F=BiL sen θF = BiL\,\text{sen}\,\theta e a regra da mão que dá o sentido, é assunto da página de força magnética; aqui fica só a consequência e um número de referência: dois fios paralelos a 1 m um do outro, com 1 A em cada, atraem-se com 2×10−72 \times 10^{-7} N por metro de fio, uma força minúscula.

O ampère foi definido pela força entre dois fios

De 1948 a 2019, a unidade de corrente do Sistema Internacional foi definida exatamente por esse experimento: um ampère era a corrente que, mantida em dois fios retilíneos, paralelos, infinitos e a um metro de distância no vácuo, produzia entre eles uma força de 2×10−72 \times 10^{-7} newton por metro. O número 4π×10−74\pi \times 10^{-7} de μ0\mu_0 saía dessa definição, exato por decreto. Desde 2019 o ampère é definido pela carga elementar (e=1,602 176 634×10−19e = 1{,}602\,176\,634 \times 10^{-19} C, exata), e μ0\mu_0 passou a ser uma grandeza medida, que ainda vale 4π×10−74\pi \times 10^{-7} T·m/A com dez casas de precisão.

Em 2025 a banca afirmou que “em todo circuito elétrico, existe uma força magnética entre os fios condutores que são percorridos por corrente elétrica”, e o item foi anulado: dois condutores paralelos percorridos por corrente de fato interagem, mas um circuito feito de um único fio, ou com trechos perpendiculares entre si, não cabe no “todo”. A anulação não apaga a física nem a mensagem: a banca mira o trio corrente, campo e força.

A espira: um ímã de barra feito de fio

Dobre o fio num círculo de raio RR, uma espira, e ligue a corrente. Cada pedacinho da espira cria em volta de si o campo circular do fio; no centro do círculo, todas as contribuições apontam na mesma direção, perpendicular ao plano da espira, e se somam. O resultado é um campo concentrado no centro, de módulo

Bcentro=μ0 i2R,B_{\text{centro}} = \frac{\mu_0\, i}{2R},

proporcional à corrente e inversamente proporcional ao raio: espira menor, para a mesma corrente, campo maior no centro. Repare que a expressão é a do fio sem o π\pi do denominador: a 10 cm de um fio reto com 8 A o campo é 1,6×10−51{,}6 \times 10^{-5} T; no centro de uma espira de 10 cm de raio com os mesmos 8 A, é π\pi vezes maior, 5,0×10−55{,}0 \times 10^{-5} T. Com NN espiras iguais enroladas juntas (uma bobina chata), as contribuições se somam e o campo no centro é NN vezes maior:

Bcentro=Nμ0 i2R.B_{\text{centro}} = \frac{N \mu_0\, i}{2R}.

O sentido sai da mesma regra da mão direita, agora segurando a espira: os dedos se fecham no sentido da corrente, e o polegar aponta o campo no centro. Corrente anti-horária, vista de quem olha a espira de frente, dá campo saindo do papel, em direção ao observador; corrente horária, campo entrando. E como o campo sai por uma face e entra pela outra, a espira tem polos: a face de onde as linhas saem é um polo norte, a face por onde entram é um polo sul. Uma espira com corrente é um pequeno ímã de barra, com as linhas de campo fechadas que saem do norte, dão a volta por fora e entram no sul, e uma bússola perto dela se orienta como perto de um ímã. Foi esse o desenho correto do item de múltipla escolha de 2013: uma espira horizontal, com a corrente circulando, desenhada em torno de um pequeno ímã de barra com o norte para cima e as linhas de um dipolo, para dizer que a espira é aquele ímã.

À esquerda, uma espira circular vista em perspectiva com setas de corrente no sentido anti-horário vista de cima e um vetor B para cima no centro; linhas de campo fechadas saem pela face de cima, marcada N, dão a volta por fora e entram pela face de baixo, marcada S. No centro, à direita, um ímã de barra pequeno com N para cima e as mesmas linhas, para comparar. Mais à direita, três espiras concêntricas de raios R, 2R e 3R com correntes i, 4i e 9i; as contribuições no centro estão anotadas como 1, 2 e 3 unidades de i sobre R.
A espira como ímã de barra: dedos da mão direita no sentido da corrente, polegar no sentido do campo no centro; a face de onde as linhas saem é norte. À direita, as três espiras concêntricas do item do PAS/UnB de 2016: cada uma contribui com i/R no centro, e inverter uma corrente inverte o sinal da sua contribuição. Diagrama autoral.
Campo no centro da espira e faces norte e sul

B=μ0i2RB = \dfrac{\mu_0 i}{2R} no centro de uma espira de raio RR; B=Nμ0i2RB = \dfrac{N\mu_0 i}{2R} para NN espiras juntas. Direção perpendicular ao plano da espira; sentido pela mão direita (dedos na corrente, polegar no campo). A face por onde o campo sai é norte, a face por onde entra é sul: corrente anti-horária vista de frente, você está olhando a face norte. Duas espiras concêntricas no mesmo plano somam campos no centro se as correntes circulam no mesmo sentido e subtraem se circulam em sentidos opostos.

Exemplo resolvido 3 (o tipo B de 2016). A figura da prova trazia três espiras concêntricas, de raios RR, 2R2R e 3R3R, percorridas pelas correntes ii, 4i4i e 9i9i. Calcule o campo no centro quando todas as correntes são anti-horárias (B1B_1) e quando só a do meio é horária (B2B_2), e a razão B1/B2B_1/B_2.

Cada espira contribui com μ02⋅correnteraio\dfrac{\mu_0}{2} \cdot \dfrac{\text{corrente}}{\text{raio}}; em unidades de μ0i2R\dfrac{\mu_0 i}{2R}, as contribuições são iR=1\dfrac{i}{R} = 1, 4i2R=2\dfrac{4i}{2R} = 2 e 9i3R=3\dfrac{9i}{3R} = 3. Com as três correntes anti-horárias, as parcelas se somam: B1=1+2+3=6B_1 = 1 + 2 + 3 = 6 unidades. Com a corrente da espira intermediária no sentido horário, a parcela dela troca de sinal: B2=1−2+3=2B_2 = 1 - 2 + 3 = 2 unidades. Razão B1/B2=3B_1/B_2 = 3; o comando da prova pedia para multiplicar por 10, e a marcação era 030. Conferência: a contribuição invertida (2) é menor que a soma das outras (4), então B2B_2 continua no sentido de B1B_1, só que menor; e a razão 3 é maior que 1, como tem de ser quando se tira uma parcela em vez de somá-la. Quem esquece o sinal soma 1+2+31 + 2 + 3 de novo e obtém 1.

O solenoide: uniforme por dentro, ímã de barra por fora

Agora enrole o fio em muitas voltas lado a lado, formando um tubo: um solenoide (do grego sōlēn, tubo). Cada volta é uma espira, e os campos das voltas se somam. Dentro do tubo, longe das pontas, as linhas de campo correm paralelas ao eixo, igualmente espaçadas: o campo é praticamente uniforme, com o mesmo módulo e a mesma direção em todos os pontos interiores. Fora do tubo, as linhas saem por uma ponta, dão a volta e entram pela outra, como as de um ímã de barra: o solenoide tem um polo norte (a ponta por onde as linhas saem) e um polo sul, e a regra da mão direita para a espira dá qual é qual: dedos no sentido da corrente nas voltas, polegar apontando o norte.

O módulo do campo interno depende da corrente e de quantas voltas há por metro de comprimento, n=N/Ln = N/L:

Binterno=μ0 n i=μ0NL i.B_{\text{interno}} = \mu_0\, n\, i = \mu_0 \frac{N}{L}\, i.

O raio do tubo não entra. O que importa é a densidade de voltas: mil voltas espalhadas em um metro produzem o mesmo campo que cem voltas em dez centímetros. Um solenoide escolar com 1 000 voltas em 20 cm (n=5 000n = 5\,000 voltas por metro) e 1,5 A produz B=4π×10−7×5 000×1,5≈9,4×10−3B = 4\pi \times 10^{-7} \times 5\,000 \times 1{,}5 \approx 9{,}4 \times 10^{-3} T, quase um centésimo de tesla, duzentas vezes o campo da Terra, com uma corrente de pilha. Nas pontas o campo cai a cerca de metade do valor interno, e fora, perto do tubo, é fraco, como o de um ímã de barra fora dos polos.

Em cima, um solenoide em corte: uma fileira de círculos com ponto na parede de cima e de círculos com cruz na parede de baixo representam as voltas do fio; dentro do tubo, linhas de campo retas, paralelas e igualmente espaçadas apontam para a direita; fora, as linhas saem pela ponta direita, marcada N, dão a volta e entram pela ponta esquerda, marcada S. Embaixo, um ímã de barra com N à direita e S à esquerda e o mesmo padrão de linhas por fora, para comparar. Uma fórmula ao lado indica B igual a mu zero n i no interior.
O solenoide em corte: dentro, campo uniforme ao longo do eixo, de módulo μ₀ni; fora, as linhas de um ímã de barra, saindo pela ponta norte e entrando pela sul. O raio do tubo não altera o campo interno; o número de voltas por metro, sim. Diagrama autoral.
O campo do solenoide

Dentro de um solenoide longo com nn voltas por metro e corrente ii, B=μ0niB = \mu_0 n i: uniforme, paralelo ao eixo, independente do raio. Fora, o campo é o de um ímã de barra, com o polo norte na ponta por onde as linhas saem (polegar da mão direita, com os dedos no sentido da corrente). É o campo uniforme em que se estudam as forças sobre cargas e fios, e é a bobina de toda máquina elétrica.

Onde há um solenoide

A bobina do alto-falante (uma centena de voltas de fio fino coladas ao cone, dentro do campo de um ímã), o solenoide da válvula da máquina de lavar (uma bobina que puxa um êmbolo e abre a água quando a corrente passa), o motor de arranque do carro (um solenoide empurra o pinhão para a engrenagem do motor e fecha o contato de centenas de ampères), a trava do portão eletrônico e a bobina de ignição são o mesmo objeto: um tubo de fio que vira ímã quando a corrente passa e deixa de ser quando ela para.

Núcleo de ferro: o eletroímã e por que ele desliga

Um solenoide de 1 000 voltas com 1,5 A dá um centésimo de tesla. Para erguer um carro no ferro-velho é preciso mais, e o caminho é pôr ferro dentro do tubo. O ferro é ferromagnético: os seus domínios (as regiões já imantadas que a página de campo magnético descreveu) se alinham com o campo do solenoide e somam a ele o seu próprio campo, que é muito maior. O resultado é um eletroímã: o campo dentro do núcleo fica centenas ou milhares de vezes maior que o do solenoide vazio, até o limite em que todos os domínios já estão alinhados (a saturação, perto de 1,5 a 2 T para o ferro). Na linguagem da permeabilidade, o μ0\mu_0 da fórmula é substituído por μ=μrμ0\mu = \mu_r \mu_0, com μr\mu_r da ordem de centenas a milhares para o ferro doce; o item do relé de 2011 deu μr=1 600\mu_r = 1\,600.

A segunda propriedade é a que torna o eletroímã útil: desligada a corrente, o campo praticamente desaparece. O ferro doce guarda pouca imantação, os domínios se desorganizam e o núcleo solta o que segurava. Um ímã permanente não tem botão de desligar; um eletroímã tem. Por isso o guindaste de sucata usa eletroímã e não ímã de neodímio: ele agarra o carro quando o operador liga e solta quando desliga. E por isso a corrente controla todo o resto.

A campainha. O circuito de uma campainha elétrica tem uma bateria, uma chave, uma bobina com núcleo de ferro, uma chapa metálica flexível com uma barra de ferro e um martelo na ponta, e um parafuso de contato encostado na chapa. Com a chave ligada, a corrente passa pela bobina e magnetiza o núcleo; o núcleo atrai a barra de ferro; a barra bate o martelo no gongo e, ao se mover, afasta a chapa do parafuso, abrindo o circuito; sem corrente, o núcleo perde o campo e solta a barra; a chapa retorna ao parafuso, o contato se refaz, a corrente volta a circular e tudo se repete, dezenas de vezes a cada segundo. “O campo magnético no núcleo de ferro fará que a corrente elétrica no circuito seja interrompida temporariamente” foi o item de 2012, com a figura da campainha, e está certo: a interrupção é o mecanismo. E a corrente, nesse circuito, não é constante no tempo, mesmo com a chave sempre ligada: liga e desliga no ritmo do martelo (o item vizinho afirmava o contrário e era errado).

O relé. Um relé é um interruptor comandado por eletroímã: uma bobina pequena, com corrente pequena, magnetiza um núcleo que atrai uma peça de ferro presa a molas (a armadura); a armadura fecha ou abre um contato de outro circuito, que pode levar uma corrente muito maior. É assim que o botão do painel liga o motor de arranque, que o termostato liga o compressor da geladeira, que um sinal fraco de um sensor liga uma bomba. Entre o núcleo e a armadura há um pequeno entreferro, uma camada de ar que o campo precisa atravessar, e é ela que decide quanta corrente a bobina precisa, como a próxima seção calcula.

O alto-falante. A bobina do alto-falante é um solenoide curto preso ao cone, mergulhado no campo de um ímã permanente. A corrente alternada do amplificador, com a frequência do som, cria na bobina um campo que oscila ao longo do eixo da bobina; a bobina vira um pequeno ímã que ora é atraído, ora repelido pelo ímã fixo, e o cone vibra. O item de 2008 mostrava a bobina (figura I) e perguntava sobre o campo dela ao longo de um segmento AB desenhado no eixo da bobina: o campo de um solenoide no seu eixo é paralelo ao eixo, não perpendicular, e o item, que afirmava “perpendicular a essa linha”, era errado. A força sobre a bobina (o item seguinte do mesmo bloco) é assunto da página de força magnética.

À esquerda, um eletroímã: um solenoide enrolado num núcleo de ferro em forma de U, ligado a uma pilha e a uma chave; com a chave fechada, setas de campo saem das pontas do ferro e um feixe de clipes pende de cada ponta; ao lado, a mesma montagem com a chave aberta e os clipes caídos. À direita, o esquema de um relé: um núcleo em C com a bobina de N espiras numa das pernas, o comprimento l1 do núcleo marcado; uma barra de ferro de comprimento l2 presa a duas molas fecha o circuito magnético, separada do núcleo por dois pequenos entreferros marcados g; linhas de fluxo percorrem o núcleo, atravessam os entreferros e voltam pela barra.
Eletroímã e relé. O núcleo de ferro multiplica o campo do solenoide e o perde quando a corrente cessa: o guindaste solta a sucata. No relé, o fluxo criado pela bobina percorre o núcleo, atravessa dois entreferros de ar e volta pela armadura; a corrente necessária para um campo dado é calculada na seção seguinte, com os dados do item do PAS/UnB de 2011. Diagrama autoral.
Eletroímã

Solenoide com núcleo ferromagnético: o campo interno é multiplicado pelo alinhamento dos domínios do ferro (μr\mu_r de centenas a milhares, até a saturação) e praticamente desaparece quando a corrente é desligada, porque o ferro doce guarda pouca imantação. É o ímã controlável: guindaste de sucata, campainha, relé, trava elétrica, válvula solenoide, e o núcleo de motores, geradores e transformadores.

Quando a banca traz a fórmula: o circuito magnético do relé (2011)

Em 2011 a banca foi além de qualquer livro escolar e apresentou, num texto-base, a analogia entre circuitos magnéticos e circuitos elétricos, para usá-la num item de resposta numérica sobre um relé. O texto-base trazia cada definição necessária; a lição desta seção é ler uma definição nova e pô-la para trabalhar. A página de campo magnético tratou os itens conceituais desse bloco (permeabilidade, relutância, associação de peças); esta seção faz a conta.

A analogia é esta. Num circuito elétrico, uma fonte de tensão VV empurra a corrente ii através de uma resistência RR: V=RiV = Ri. Num circuito magnético, uma bobina de NN espiras com corrente ii é a “fonte”: a força magnetomotriz Fm=NiF_m = Ni, medida em ampère-espira, empurra o fluxo magnético ϕ=BS\phi = BS (campo vezes área da seção) através da relutância RmR_m do caminho: Ni=RmϕNi = R_m \phi. A relutância de um trecho de comprimento ll, seção SS e permeabilidade μ\mu é Rm=lμSR_m = \dfrac{l}{\mu S}, o mesmo formato da resistência R=ρl/SR = \rho l/S, com a permeabilidade no lugar da condutividade (não da resistividade: μ\mu está no denominador). Trechos em sequência no caminho do fluxo somam relutâncias, como resistores em série. O ferro, com μ\mu milhares de vezes maior que o ar, é o “fio” do circuito magnético, e um entreferro de ar de um milímetro vale, em relutância, mais que metros de ferro.

Exemplo resolvido 4 (o relé da prova de 2011). O texto-base dizia: a bobina tem N=500N = 500 espiras, o núcleo tem comprimento l1=30l_1 = 30 cm, a armadura tem l2=10l_2 = 10 cm, cada entreferro mede g=1,5g = 1{,}5 mm e o ferro tem μm=1 600 μ0\mu_m = 1\,600\,\mu_0, com μ0=4π×10−7\mu_0 = 4\pi \times 10^{-7} T·m/A; o fluxo atravessa o entreferro com a mesma seção do ferro. O item pedia a corrente, em ampères, para que a indução no entreferro seja de 1 T, com π=3,14\pi = 3{,}14, multiplicada por 10.

Como a seção SS é a mesma em todo o caminho, o fluxo ϕ=BS\phi = BS é o mesmo em toda parte, e a soma Ni=RmϕNi = R_m\phi fica, trecho a trecho:

Ni=ϕ(l1+l2μmS+2gμ0S)=BS(l1+l2μmS+2gμ0S)=Bμ0(l1+l2μr+2g).Ni = \phi\left(\frac{l_1 + l_2}{\mu_m S} + \frac{2g}{\mu_0 S}\right) = BS\left(\frac{l_1 + l_2}{\mu_m S} + \frac{2g}{\mu_0 S}\right) = \frac{B}{\mu_0}\left(\frac{l_1 + l_2}{\mu_r} + 2g\right).

A seção cancela, e o que sobra é o comprimento de ferro “dividido por 1 600” mais o comprimento total de ar (dois entreferros: o fluxo cruza do núcleo para a armadura e volta). Em metros: l1+l2=0,40l_1 + l_2 = 0{,}40 m, 0,401 600=2,5×10−4\dfrac{0{,}40}{1\,600} = 2{,}5 \times 10^{-4} m; 2g=3,0×10−32g = 3{,}0 \times 10^{-3} m. Soma: 3,25×10−33{,}25 \times 10^{-3} m. Então

Ni=14×3,14×10−7×3,25×10−3=3,25×10−31,256×10−6≈2 588 A⋅espira,i=2 588500≈5,18 A.Ni = \frac{1}{4 \times 3{,}14 \times 10^{-7}} \times 3{,}25 \times 10^{-3} = \frac{3{,}25 \times 10^{-3}}{1{,}256 \times 10^{-6}} \approx 2\,588 \text{ A·espira}, \qquad i = \frac{2\,588}{500} \approx 5{,}18 \text{ A}.

Escala do comando: 5,18×10=51,85{,}18 \times 10 = 51{,}8; desprezada a parte fracionária, 051, o gabarito oficial. Conferência: 40 cm de ferro “valem” 0,25 mm de ar, enquanto os dois entreferros valem 3 mm; o ar domina com folga (92 % da relutância), e a conta feita só com os entreferros daria i=3×10−3/(1,256×10−6×500)=4,8i = 3 \times 10^{-3}/(1{,}256 \times 10^{-6} \times 500) = 4{,}8 A, perto dos 5,2 A. Quem esquece o segundo entreferro obtém 2,8 A (027); quem usa 1,5 mm sem converter para metro obtém um número absurdo. A ordem de grandeza (alguns ampères para 1 T num entreferro de milímetros, com 500 espiras) é a de um relé industrial real.

A fórmula nova vem com a definição, e a unidade vem com a fórmula

Quando a banca dá uma expressão que você nunca viu, ela também dá a definição de cada símbolo, e o item testa se você lê, não se você sabia. No relé, os pontos em que se perde o item são: contar um entreferro em vez de dois; somar comprimentos em centímetros com entreferros em milímetros sem passar tudo para metro; usar μm\mu_m como se fosse 1 6001\,600 em vez de 1 600 μ01\,600\,\mu_0; e esquecer a escala do comando (“multiplique por 10”) ou aplicá-la antes de truncar.

Ler figuras e gráficos: círculos com setas, pontos, cruzes e curvas

Metade dos itens deste assunto se decide numa figura. Os moldes são poucos e convém conhecê-los antes da prova.

Linhas em torno de um fio (2015, tipo C). O texto dizia que uma corrente ii num condutor retilíneo longo gera um campo B⃗\vec{B} a distância dd do condutor, e pedia a opção que apresentasse corretamente uma característica do vetor (módulo, direção e sentido). A opção A dava ∣B⃗∣=μ2πd i2|\vec{B}| = \dfrac{\mu}{2\pi d}\, i^2, com a corrente ao quadrado: errada, a dependência é linear. A opção D era um gráfico de ∣B⃗∣|\vec{B}| decrescendo em linha reta com ii: errada, o campo cresce com a corrente. As opções B e C eram desenhos de um fio vertical com circunferências em torno dele, todas circulando no mesmo sentido (anti-horário, vistas de cima); em B a corrente descia e em C a corrente subia. Polegar para cima, dedos anti-horários: só C obedece à mão direita. Gabarito C. O desenho correto é a frase do conceito desenhada: circunferências concêntricas, no plano perpendicular ao fio, com o sentido da mão direita.

Linhas em torno dos dois fios de um circuito (2020, tipo C). O enunciado lembrava a lei de Ampère (“conexão entre corrente elétrica (independente do tempo) e campo magnético”; “linhas de força são curvas fechadas entorno do condutor”) e mostrava quatro figuras da mesma montagem: uma bateria de 20 V ligada a um resistor RR por dois fios verticais que atravessam um plano e se unem por um arco acima dele, com circunferências desenhadas em torno de cada fio no plano. As opções diferiam no sentido das setas nas circunferências. A corrente sobe por um fio (o ligado ao polo positivo), passa pelo arco e desce pelo outro: pela mão direita, as circunferências em torno dos dois fios circulam em sentidos opostos (anti-horário em torno do fio que sobe, horário em torno do que desce, vistas de cima), e, na região entre os fios, os dois campos apontam no mesmo sentido. Só a opção C mostrava essa combinação. Repare na frase “corrente elétrica (independente do tempo)”: uma corrente que não varia produz campo magnético normalmente, e é isso que a lei de Ampère afirma; a lei de Faraday, da página de indução, trata de outra coisa, a variação de fluxo, e a banca já tentou cruzar as duas em 2025.

Quatro figuras, uma correta (2013, tipo C). “Assinale a opção que melhor descreve a relação entre a corrente elétrica II e o campo magnético induzido BB”, com quatro desenhos: um fio vertical com corrente para baixo atravessando um plano com uma circunferência de campo e duas bússolas (A); uma mão segurando uma espira vertical com a corrente marcada e uma seta curva de BB desenhada no plano da espira, junto ao fio (B); uma espira horizontal com a corrente circulando em torno de um pequeno ímã de barra com o norte para cima e as linhas de um dipolo saindo do norte e entrando no sul ©; uma mão direita com o polegar para cima ao longo de um fio com corrente para cima e circunferências com setas abaixo (D). A chave está em conferir, em cada figura, se o sentido das setas obedece à mão direita e se o campo tem a forma certa: em A e em D o sentido desenhado nas circunferências não corresponde ao sentido da corrente; em B o campo de uma espira é desenhado como se circulasse no plano da própria espira, quando ele atravessa a espira pelo centro; em C a espira com corrente é apresentada como equivalente a um ímã de barra, com o norte na face de onde as linhas saem, que é exatamente a física da seção da espira. Gabarito C.

O gráfico de BB contra dd e o de BB contra ii. B∝1/dB \propto 1/d é uma hipérbole: cai depressa perto do fio e devagar longe, nunca chega a zero, e o produto B×dB \times d é constante em todos os pontos (teste rápido para reconhecer a curva: pegue dois pontos e multiplique). B∝iB \propto i a distância fixa é uma reta que passa pela origem: sem corrente, sem campo. Opção com reta decrescente, reta que não passa pela origem, ou curva que cai “com o quadrado” (muito mais depressa: a 2 cm um quarto, não metade) está errada.

Pontos e cruzes. Numa figura com ⊙\odot e ⊗\otimes, decida primeiro o que eles representam: a corrente num fio em corte (como nas figuras de dois fios e no corte do solenoide) ou o campo numa região (como no item do alto-falante de 2008, em que os fios da bobina apareciam em corte como ⊙\odot na parte de cima e ⊗\otimes na de baixo). Depois aplique a mão direita no sentido certo: corrente saindo, campo anti-horário; corrente entrando, campo horário.

Como a banca pergunta

O assunto rendeu, nas 18 provas da 3.ª etapa de 2008 a 2025, nove itens, em nove provas diferentes, quase um a cada dois anos, nos três formatos: quatro de certo/errado, dois de resposta numérica e três de múltipla escolha (mais o item 51 de 2012, vizinho da campainha, que esta página também usa). Os moldes:

Oersted e a bússola (2023, item 106; 2022, item 84). O de 2023 põe uma bússola sobre um fio com corrente para o norte e afirma o desvio horário: certo, pela mão direita (campo para o leste acima do fio). O de 2022 conta a história de Oersted corretamente e planta o erro na oração final, “o desvio da agulha era ainda maior quanto mais afastada do fio”: errado, o campo cai com 1/d1/d. O molde da banca recente é esse: narrativa correta, inversão escondida no fim; julgue a frase inteira.

O campo do fio em figura e fórmula (2015, item 98; 2020, item 113; 2013, item 112). Múltipla escolha com desenhos: circunferências concêntricas, mão direita, sentidos opostos nos dois fios de um circuito, espira equivalente a ímã de barra. Nenhuma conta; tudo leitura de figura.

As espiras concêntricas (2016, item 116, resposta numérica). B∝i/RB \propto i/R no centro, somar com sinal, aplicar a escala do comando: 030. É o único tipo B de “corrente gera campo” sem texto-base técnico.

O eletroímã em funcionamento (2012, itens 50 e 51; 2008, item 59). A campainha, com o núcleo que interrompe a corrente (certo) e, no item vizinho, a corrente que por isso não é constante no tempo (errado), e a bobina do alto-falante, cujo campo no eixo é paralelo ao eixo e não perpendicular (errado). Os dois dependem de figura e de saber o que um solenoide faz.

O circuito magnético (2011, item 68, resposta numérica). Texto-base com força magnetomotriz, relutância e entreferro; a conta da seção anterior, com dois entreferros e unidades em metro: 051.

O padrão é nítido. A banca cobra a dependência com a distância (1/d1/d, não 1/d21/d^2), a forma circular das linhas e o sentido pela mão direita (em figuras com fios subindo e descendo), a espira como ímã e o eletroímã como dispositivo, e, nos tipos B, a soma com sinal e a leitura de uma fórmula dada. A lei de Ampère aparece pelo nome em 2020 e, em 2025, como contraste com Faraday: corrente constante gera campo, variação de fluxo gera corrente.

Os erros que mais custam item

Dez confusões e a correção de cada uma
  1. “O campo do fio cai com o quadrado da distância.” Cai com a primeira potência: dobrou dd, metade (2022/84 derrubou quem não sabia nem a direção da variação).
  2. “O campo aponta para o fio” (ou para longe dele). Ele circula: tangente a circunferências concêntricas ao fio. Setas radiais são campo elétrico, não magnético.
  3. “O campo cresce com i2i^2.” Cresce linearmente com ii (2015/98, opção A). Dobrou a corrente, dobrou o campo.
  4. “Mão esquerda”, ou polegar no sentido dos elétrons. Mão direita, polegar no sentido da corrente convencional. Usar o sentido dos elétrons inverte todas as respostas.
  5. “A bússola desvia para o mesmo lado dos dois lados do fio.” Acima e abaixo do fio o campo tem sentidos opostos; com corrente rumo ao norte, uma bússola por cima do fio roda no sentido horário e uma por baixo, no anti-horário (2023/106).
  6. “Os dois fios de um circuito têm campos circulando no mesmo sentido.” A corrente vai por um e volta pelo outro: circulações opostas, campos somados entre os fios (2020/113).
  7. “O ponto de campo nulo entre dois fios fica no meio.” Só com correntes iguais; com correntes diferentes fica mais perto do fio mais fraco, e com correntes opostas fica fora dos fios.
  8. “Inverter uma espira concêntrica não muda o campo no centro.” Inverte o sinal da contribuição dela: 1−2+31 - 2 + 3, não 1+2+31 + 2 + 3 (2016/116).
  9. “O campo do solenoide depende do raio.” Depende de n=N/Ln = N/L e de ii; o raio não entra. E no eixo da bobina o campo é paralelo ao eixo (2008/59), não perpendicular.
  10. “Correntes paralelas de mesmo sentido se repelem” e “o eletroímã continua ímã sem corrente”. Mesmo sentido, atração; e o ferro doce perde a imantação ao desligar: é por isso que o guindaste solta a sucata e a campainha interrompe a própria corrente (2012/50).

O essencial em meia página

  • Oersted (1820): corrente gera campo magnético. A bússola perto do fio desvia; inverter a corrente ou trocar de lado inverte o desvio; afastar diminui o desvio.
  • Fio retilíneo longo: B=μ0i2πd=2×10−7 idB = \dfrac{\mu_0 i}{2\pi d} = 2 \times 10^{-7}\,\dfrac{i}{d} (ar/vácuo), com μ0=4π×10−7\mu_0 = 4\pi \times 10^{-7} T·m/A. Proporcional a ii, inverso de dd (não de d2d^2). Linhas: circunferências concêntricas no plano perpendicular ao fio; B⃗\vec{B} tangente.
  • Mão direita: polegar na corrente, dedos no campo. Corte: ⊙\odot (sai) → anti-horário; ⊗\otimes (entra) → horário. À direita de um fio com corrente para cima o campo entra no papel; à esquerda, sai.
  • Escala: 8 A a 5 cm → 3,2×10−53{,}2 \times 10^{-5} T (dois terços da Terra); a 50 cm, dez vezes menos. Campos de centésimos de tesla exigem bobinas.
  • Dois fios: somar vetores com sinal na reta que os une. Mesmo sentido: campos opostos entre os fios (nulo mais perto do fio mais fraco), somados fora. Sentidos opostos: somados entre, opostos fora (nulo fora, além do mais fraco). Ponto nulo: i1/d1=i2/d2i_1/d_1 = i_2/d_2.
  • Fios paralelos: mesmo sentido se atraem, opostos se repelem; 1 A, 1 A, 1 m → 2×10−72 \times 10^{-7} N/m (a antiga definição do ampère). A conta da força é da página de força magnética.
  • Espira: Bcentro=μ0i2RB_{\text{centro}} = \dfrac{\mu_0 i}{2R}; NN espiras, NN vezes. Dedos na corrente, polegar no campo. Face de onde o campo sai = norte; é um ímã de barra. Espiras concêntricas: somar i/Ri/R com sinal (2016: 1+2+3=61 + 2 + 3 = 6; 1−2+3=21 - 2 + 3 = 2; razão 3).
  • Solenoide: B=μ0niB = \mu_0 n i, n=N/Ln = N/L; uniforme e paralelo ao eixo por dentro; ímã de barra por fora; independe do raio. 5 000 voltas/m e 1,5 A → 9,4×10−39{,}4 \times 10^{-3} T.
  • Eletroímã: núcleo de ferro multiplica o campo (μr\mu_r de centenas a milhares, até a saturação) e o perde ao desligar. Guindaste, campainha (o núcleo interrompe a própria corrente; a corrente não é constante), relé (bobina fraca comanda contato forte), alto-falante (campo da bobina paralelo ao eixo).
  • Circuito magnético (2011): Ni=RmϕNi = R_m \phi, Rm=l/(μS)R_m = l/(\mu S), relutâncias em sequência somam; entreferro de ar domina. Relé: Ni=Bμ0(lferroμr+2g)Ni = \dfrac{B}{\mu_0}\left(\dfrac{l_{\text{ferro}}}{\mu_r} + 2g\right) → 5,18 A → 051.
  • Figuras e gráficos: B×dB \times d é hipérbole (produto constante); B×iB \times i é reta pela origem; circunferências com sentido da mão direita; dois fios de um circuito, circulações opostas.
  • Fora daqui: força sobre cargas e fios e o motor (força magnética); Faraday e Lenz (indução eletromagnética); geradores e transformadores (motores e transformadores); ímãs, Terra e materiais (campo magnético); Oersted, Ampère e Faraday na história (história da eletricidade).

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

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Experimentando: Experimento de Oersted I / Oersted's Experiment I
Laboratório de Demonstrações - UFPA · 1:10
Demonstração. Um minuto filmado no Laboratório de Demonstrações da UFPA: um fio sobre uma bússola, a corrente é ligada e a agulha gira; a descrição do canal diz que o vídeo dá suporte ao experimento “Experimento de Oersted” do laboratório (labdemon.ufpa.br). É a seção “A experiência de Oersted: o que a agulha mostrou” ao vivo: veja o desvio e confira com a mão direita o lado para que a agulha gira.
Campo magnético - Fio retilíneo e longo - Eletromagnetismo - Aula 5 - Prof. Marcelo Boaro
Professor Boaro · 27:07
Aprofundamento no fio retilíneo. Vinte e sete minutos em que, segundo a descrição do autor, ele “discute a experiência de Oersted de 1820 e apresenta a regra da mão direita, regra esta que permite determinar as linhas de campo magnético em torno de fios retilíneos e longos”, além da “fórmula para cálculo do campo”. Cobre as seções “O campo de um fio retilíneo” e “A regra da mão direita e a convenção de ponto e cruz”; assista antes de julgar as figuras do item de 2015.
Campo magnético - Solenoide - Eletromagnetismo - Aula 7 - Prof. Marcelo Boaro
Professor Boaro · 20:59
Aprofundamento no solenoide. A descrição do autor diz que o vídeo discute “em detalhes o campo magnético gerado no interior de um solenoide graças à passagem de corrente elétrica”; é a seção “O solenoide: uniforme por dentro, ímã de barra por fora”, com a fórmula B = μ₀ni e a localização dos polos pela mão direita. A aula 6 da mesma série trata da espira circular (seção anterior desta página).
Como fazer um eletroímã? Como funciona?
Mundo da Elétrica · 4:02
Aplicação. Quatro minutos de bancada: a descrição do canal diz que a experiência “energiza uma bobina com núcleo de ferro e mostra o efeito final” e lista as aplicações (“fechaduras elétricas, os solenóides, relés, geradores, motores, bobinas”). É a seção “Núcleo de ferro: o eletroímã e por que ele desliga” com as mãos: repare que o eletroímã solta o que segurava quando a corrente é cortada.
Resolução de questões de campo magnético
Professor Diego Fisica · 11:27
Resolução. Onze minutos de “questões resolvidas de campo magnético gerado por fio retilíneo, espira e bobina”, nas palavras da descrição: as mesmas três fontes desta página, no formato de prova. Use depois dos exemplos resolvidos e antes dos itens de 2016 (espiras concêntricas) e de 2011 (relé) na aba de exercícios.
Rota PAS 3
Magnetismo e eletromagnetismo: do ímã à ressonância magnética · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Magnetismo e eletromagnetismo: do ímã à ressonância magnética · Oersted e Ampère: um fio com corrente também é um ímã (conceito: B = μ₀i/2πd, circunferências concêntricas, regra da mão direita, espira, solenoide e eletroímã; exemplo-guia do fio de 10 A a 10 cm e das três espiras de 2016; itens 2016/116, 2015/98, 2020/113, 2023/106 e 2012/50; armadilha 'primeira potência, não quadrado'); A força sobre um fio com corrente (só a frase sobre fios paralelos: mesmo sentido se atraem); Antes de começar (ideia 4, a convenção de ponto e X); Como a banca cobra (histórico 'Corrente gera campo: Oersted e Ampère', nove itens, e o item 2022/84); Banco de treino (T4, T8)

    Recorte por assunto: desta seção a página toma o campo criado por correntes (fio, dois fios, espira, solenoide, eletroímã). A força sobre cargas e fios, a indução de Faraday e Lenz, as máquinas e a ressonância magnética ficam em outras páginas do bloco; ímãs, campo da Terra e materiais estão em campo-magnetico. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a superposição de dois fios com o ponto de campo nulo, a fórmula do centro da espira e do interior do solenoide, as faces norte e sul da espira, o circuito magnético do relé de 2011 com a conta completa e a leitura dos gráficos B × d e B × i.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2023 (item 106, p. 13 do PDF, figura do fio vertical com a seta I para o Norte geográfico); 2020 Parte 2 (item 113, p. 12, quatro figuras da bateria de 20 V com resistor R e dois fios atravessando um plano); 2016 (item 116, caderno Fantasia p. 19, figura II das três espiras concêntricas); 2015 (item 98, caderno Salgado p. 15, opções com fórmula, dois desenhos de linhas e um gráfico); 2013 (item 112, caderno Próton p. 15, quatro figuras); 2012 (itens 50 e 51, caderno Fraternidade p. 9, figura da campainha); 2011 (item 68, caderno Metropolitan p. 15, texto-base e figura do relé); 2008 (item 59, p. 8, figuras I e II do alto-falante); 2022 (item 84, reuso por GUID da página historia-da-eletricidade)

    Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto e conferidos na imagem dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ rasterizados a 130 dpi, figuras a 300–1200 dpi; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2023: 106 C; 2020: 113 C; 2016: 116 = 030; 2015: 98 C; 2013: 112 C; 2012: 50 C, 51 E; 2011: 68 = 051; 2008: 59 E) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. As figuras impressas foram descritas em texto neutro, nomeando rótulos e sentidos.