Primeira lei da termodinâmica

Guia de estudo · Revisado em 16/09/2026

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A bomba de encher pneu esquenta sem fogo e a lata de aerossol gela sem geladeira: como a temperatura de um gás muda sem nenhuma troca de calor, e como a conta entre calor, trabalho e energia interna fecha em qualquer transformação, de um único trecho a um ciclo completo de motor?

O que você vai aprender

  • Definir energia interna como função de estado e reconhecer que, no gás ideal, ela depende só da temperatura absoluta (U = 3/2 nRT no monoatômico; ΔU = n Cv ΔT), distinguindo-a de calor e trabalho, que são trocas dependentes do caminho, e diferenciando sistema fechado de sistema isolado.
  • Aplicar ΔU = Q − W com a convenção explícita (Q > 0 recebido; W > 0 realizado pelo gás na expansão), inclusive em casos que enganam o senso comum: gás que esquenta cedendo calor porque recebe mais trabalho, bomba de pneu que aquece sem calor, aerossol que gela ao expandir.
  • Calcular o trabalho como área sob o caminho no diagrama p × V (retângulo na isobárica, trapézio na reta), atribuir o sinal pelo sentido do caminho e converter unidades (Pa·m³ = J; kPa·L = J).
  • Ler cada uma das quatro transformações pela linha que sobra da primeira lei: isotérmica (ΔU = 0, Q = W), isocórica (W = 0, Q = ΔU), isobárica (W = pΔV = nRΔT, Q = n Cp ΔT) e adiabática (Q = 0, ΔU = −W: compressão aquece, expansão esfria), reconhecendo 'processo rápido' e 'isentrópico' como adiabática.
  • Mostrar, com três caminhos entre os mesmos estados, que ΔU é a mesma e Q e W diferem, e distinguir 'mesma temperatura no fim' de 'temperatura constante durante'.
  • Analisar um ciclo fechado: ΔU = 0, trabalho líquido igual à área interna e ao calor líquido, sentido horário como motor e anti-horário como refrigerador, separando calor recebido de calor líquido e área sob um trecho de área do ciclo; identificar Otto, Diesel, Brayton, Stirling e Carnot pelas transformações que os compõem.
  • Explicar a expansão livre de Joule (Q = 0, W = 0, ΔU = 0, mesma temperatura no gás ideal) e por que uma expansão adiabática só esfria o gás quando há trabalho contra uma pressão externa.
  • Deduzir Cp − Cv = R a partir da primeira lei aplicada aos aquecimentos isocórico e isobárico, calcular Qv, Qp e W para uma amostra dada e reconhecer γ = Cp/Cv como a constante adiabática.
  • Julgar itens do PAS/UnB que plantam os erros clássicos (compressão adiabática que 'esfria' ou que 'recebeu calor', adiabática 'sem variação térmica', isotérmica que 'perde calor ao expandir', trabalho trocado por calor na isobárica) e responder em prosa ou desenho aos itens tipo D sobre isobárica, isotérmica e ciclo de Otto.

Abra uma garrafa de refrigerante que foi chacoalhada e olhe para o gargalo: por um instante aparece uma névoa. O gás carbônico que escapa se expande de repente, empurra o ar à frente dele e paga esse empurrão com energia própria; esfria tanto que o vapor d’água ao redor condensa. Agora encoste a mão na carcaça de um compressor de borracharia depois de alguns minutos de funcionamento: está quente, e não há chama nenhuma por perto, só um pistão apertando ar repetidas vezes. Nas duas cenas a temperatura de um gás mudou sem que calor algum tivesse sido fornecido ou retirado. A bomba de encher pneu e a lata de aerossol, que acompanham esta página do começo ao fim, são as versões de bolso dessas duas cenas: comprimir aquece, expandir esfria, e nenhum dos dois efeitos depende de calor. O que um gás guarda é uma reserva de energia, a energia interna; o que entra e sai dessa reserva passa por duas portas, o calor e o trabalho. A primeira lei da termodinâmica é o registro contábil dessas duas portas, e esta página mostra como fechá-lo em qualquer situação.

Esta página é a conta inteira. Primeiro o que é a energia interna e por que ela é um saldo, enquanto calor e trabalho são movimentações; depois a equação ΔU=Q−W\Delta U = Q - W com a convenção de sinais explícita, porque metade dos erros da prova mora no sinal; em seguida o trabalho como área no diagrama p×Vp \times V, as quatro transformações que a banca cobra (isotérmica, isocórica, isobárica e adiabática), os ciclos fechados em que o gás volta ao início e a área de dentro vira trabalho, a expansão livre de Joule e a razão de CpC_p ser maior que CvC_v. O que um gás ideal é e a equação pV=nRTpV = nRT estão em transformações gasosas, pré-requisito desta página; rendimento, Carnot e a segunda lei ficam em máquinas térmicas, a página seguinte; quem descobriu o quê e quando está em história da termodinâmica. Aqui essas ideias entram só pelo nome.

Energia interna é o saldo; calor e trabalho são as movimentações

Um gás preso num cilindro é um monte de moléculas voando e colidindo. A soma das energias de todas elas, cinética de translação, de rotação, de vibração e a potencial das interações, é a energia interna UU do gás. Para um gás ideal, em que as moléculas não interagem a distância, sobra só a energia cinética das moléculas, e ela depende de uma coisa: a temperatura. Aqueceu, UU subiu; esfriou, UU caiu; mesma temperatura, mesma energia interna, não importa por qual caminho o gás chegou lá.

Energia interna de um gás ideal: função de estado

A energia interna UU de uma amostra fixa de gás ideal depende só da temperatura absoluta. Para um gás monoatômico (hélio, argônio, neônio),

U=32 nRT=32 pV,U = \tfrac{3}{2}\,nRT = \tfrac{3}{2}\,pV,

com nn em mol, R=8,31R = 8{,}31 J/(mol·K) e TT em kelvin; a segunda igualdade usa pV=nRTpV = nRT. Para gases diatômicos como N₂ e O₂ (o ar), o fator é 52\tfrac{5}{2} na temperatura ambiente. Em qualquer caso, a variação é

ΔU=n Cv ΔT,\Delta U = n\,C_v\,\Delta T,

em que CvC_v é o calor molar a volume constante (32R\tfrac{3}{2}R para monoatômico, 52R\tfrac{5}{2}R para diatômico). Como ΔU\Delta U depende só de ΔT\Delta T, ela é a mesma para qualquer caminho entre dois estados de mesma temperatura: UU é uma função de estado, como a altitude de um ponto no mapa. Uma diferença de temperatura vale o mesmo em kelvin e em graus Celsius; uma razão entre temperaturas (UU dobra quando TT dobra), só em kelvin.

Calor e trabalho são outra categoria de coisa. Calor QQ é energia em trânsito por causa de uma diferença de temperatura: sai do corpo de temperatura maior, chega ao de temperatura menor e deixa de fluir quando as duas se igualam. Trabalho WW é energia em trânsito por causa de uma força aplicada numa fronteira que se desloca, o pistão que sobe ou desce. Nenhum dos dois é propriedade do gás. Um gás não “tem calor” nem “tem trabalho”: ele tem energia interna e troca calor e trabalho, como uma conta bancária tem saldo e recebe depósitos e transferências. Depósitos e transferências dependem do que aconteceu ao longo do mês; o saldo do fim do mês não guarda a memória de como foi construído.

Essa distinção decide itens inteiros. Em 2010, num bloco sobre uma máquina térmica cujo fluido era um gás monoatômico ideal, desenhado no plano temperatura × entropia com dois lados a temperatura constante, a banca afirmou que “a energia interna do gás no ponto B é maior que no ponto A”, com A e B sobre a mesma temperatura T2T_2. Gabarito E: para gás ideal, mesma temperatura é mesma energia interna, ponto. Na 1.ª etapa do mesmo ano, um item avulso dizia que “as variáveis termodinâmicas volume e temperatura são suficientes para se definir o estado de um gás”: E, porque o estado de uma amostra de gás pede três variáveis ligadas por pV=nRTpV = nRT; com VV e TT conhecidos ainda falta pp (ou nn) para fixar o estado. E em 2022, pendurado num texto sobre Marie Curie e o polônio, um item afirmava que o decaimento radioativo “em um sistema isolado implica diminuição de energia interna”: E de novo, porque sistema isolado não troca nem calor nem trabalho, e a primeira lei fixa ΔU=0\Delta U = 0; a energia liberada pelos núcleos vira agitação das partículas, mas continua dentro do sistema. Repare na diferença de vocabulário que a banca explora: sistema fechado não troca matéria, mas pode trocar energia (o gás no cilindro com pistão); sistema isolado não troca nada.

ΔU = Q − W: o balanço e a convenção de sinais

A primeira lei da termodinâmica e a convenção de sinais

Para uma amostra de gás que troca calor e trabalho com a vizinhança,

ΔU=Q−W.\Delta U = Q - W.

Em palavras: o que a reserva de energia do gás ganha ou perde é a diferença entre o calor que entrou nele e o trabalho que ele realizou sobre a vizinhança. Os sinais nesta página, e nos livros brasileiros de ensino médio, são:

símbolo positivo quando… negativo quando…
QQ o gás recebe calor (chama, fonte quente) o gás cede calor (resfriamento)
WW o gás realiza trabalho: expande e empurra o pistão o gás recebe trabalho: é comprimido
ΔU\Delta U a temperatura sobe a temperatura cai

A mesma lei aparece em alguns livros como ΔU=Q+W′\Delta U = Q + W', com W′W' = trabalho realizado sobre o gás (W′=−WW' = -W). As duas formas são a mesma física; o que não pode é misturar as convenções no meio da conta. Aqui, sempre: WW é trabalho do gás.

Quatro contas curtas fixam a convenção; as duas primeiras são a bomba e a lata.

Bomba de pneu. Numa bombada rápida, a mão transfere 80 J de trabalho ao ar do cilindro. Rápida é a palavra que importa: o ar não tem tempo de trocar calor com as paredes, então Q≈0Q \approx 0. Na convenção do gás, trabalho recebido é negativo, W=−80W = -80 J, e a lei dá ΔU=0−(−80)=+80\Delta U = 0 - (-80) = +80 J. A reserva do ar cresceu 80 J, a temperatura subiu com ela, e nenhum calor participou.

Aerossol. O gás que escapa empurra o ar atmosférico e realiza 20 J de trabalho, também depressa demais para trocar calor: ΔU=0−20=−20\Delta U = 0 - 20 = -20 J. A reserva diminuiu, e a lata gela.

Cilindro na chama. Uma chama entrega 500 J de calor a um gás que, enquanto isso, levanta o pistão e realiza 200 J de trabalho. ΔU=500−200=+300\Delta U = 500 - 200 = +300 J: o gás esquentou, mas só com 300 dos 500 J; os outros 200 J saíram como trabalho. Variante que confunde: o gás cede 100 J de calor às paredes frias enquanto um êmbolo o comprime com 250 J de trabalho. Q=−100Q = -100 J, W=−250W = -250 J, ΔU=−100−(−250)=+150\Delta U = -100 - (-250) = +150 J. O gás esquentou cedendo calor, porque recebeu mais trabalho do que perdeu calor. Quem lê “cede calor” e conclui “esfria” sem fazer a conta erra.

Esquema de um cilindro com pistão contendo gás, rotulado sistema, energia interna U. Uma seta laranja entra pela base, marcada Q maior que zero, calor recebido; uma seta azul sai pelo pistão para cima, marcada W maior que zero, trabalho realizado na expansão. Ao lado, a equação delta U igual a Q menos W e uma tabela de quatro linhas com exemplos: recebe 500 joules de calor e realiza 200 joules de trabalho, delta U igual a mais 300; bomba de pneu, Q igual a zero e W igual a menos 80, delta U igual a mais 80; aerossol, Q igual a zero e W igual a mais 20, delta U igual a menos 20; cede 100 joules de calor e recebe 250 joules de trabalho, delta U igual a mais 150.
A convenção desta página: Q>0Q > 0 entra no gás; W>0W > 0 o gás realiza (expansão). Compressão é W<0W < 0 e faz a conta subir. Os quatro exemplos da tabela são os do texto. Diagrama autoral.
O sinal do trabalho é o lugar onde a conta vira

“O gás recebeu 250 J de trabalho” quer dizer W=−250W = -250 J na convenção do gás. Substituir W=+250W = +250 na fórmula dá ΔU=−100−250=−350\Delta U = -100 - 250 = -350 J, o sinal oposto ao certo. Antes de qualquer conta, responda: quem empurrou quem? Se o gás empurrou o pistão para fora (expansão), W>0W > 0 e a energia interna paga por isso. Se o pistão empurrou o gás para dentro (compressão), W<0W < 0 e a energia interna recebe. Confira sempre com as duas cenas: bomba comprime e aquece; aerossol expande e esfria.

Ler o trabalho num gráfico: a área no diagrama p × V

De onde vem o número do trabalho? Um gás a pressão pp empurra um pistão de área AA com a força F=pAF = pA (pressão é força por área). Se o pistão avança Δx\Delta x, o trabalho da força é F Δx=pA ΔxF\,\Delta x = pA\,\Delta x, e A ΔxA\,\Delta x é exatamente o volume que o gás ganhou: W=p ΔVW = p\,\Delta V. É a fórmula da isobárica, e ela já traz o aviso de unidades: com pp em pascal e ΔV\Delta V em metros cúbicos, WW sai em joules. Um litro é 10−310^{-3} m³; converta antes de multiplicar.

Trabalho como área

No diagrama pressão × volume, cada estado do gás é um ponto e cada transformação é um caminho. O trabalho realizado pelo gás é a área entre o caminho e o eixo dos volumes:

  • caminho para a direita (expansão): W>0W > 0, o gás realiza trabalho;
  • caminho para a esquerda (compressão): W<0W < 0, o gás recebe trabalho;
  • caminho vertical (isocórica): área nula, W=0W = 0.

Quando a pressão é constante, a área é um retângulo, W=p ΔVW = p\,\Delta V. Quando o caminho é uma reta inclinada, é um trapézio: W=pmeˊdia ΔVW = p_{\text{média}}\,\Delta V. Quando é uma curva qualquer, a área ainda é o trabalho, mas só uma figura conhecida ou uma contagem de quadradinhos dá o número. Um pascal vezes um metro cúbico é um joule; um quilopascal vezes um litro também é um joule, atalho que evita as potências de dez.

Exemplo resolvido (retângulo). Um gás a 2,5×1052{,}5 \times 10^5 Pa empurra o pistão de 2 L para 4 L sem mudar de pressão e recebe 800 J de calor. Trabalho: W=p ΔV=2,5×105×(4−2)×10−3=500W = p\,\Delta V = 2{,}5 \times 10^5 \times (4 - 2) \times 10^{-3} = 500 J, a área do retângulo de 250 kPa de altura por 2 L de base. Primeira lei: ΔU=Q−W=800−500=300\Delta U = Q - W = 800 - 500 = 300 J; o gás esquentou. Conferência: em kPa·L, 250×2=500250 \times 2 = 500 J, o mesmo número. Quem esquece o litro faz 2,5×105×2=500 0002{,}5 \times 10^5 \times 2 = 500\,000 J e entrega um gás capaz de ferver uma panela.

Exemplo resolvido (trapézio). O mesmo gás vai de (2 L; 350 kPa) a (4 L; 150 kPa) por uma reta. A pressão média é (350+150)/2=250(350 + 150)/2 = 250 kPa, então W=250×2=500W = 250 \times 2 = 500 J, a área do trapézio. Se o caminho fosse percorrido ao contrário, de 4 L para 2 L, a área seria a mesma e o trabalho, −500-500 J: o gás foi comprimido. A área mede o tamanho; o sentido do caminho dá o sinal.

Dois diagramas de pressão em quilopascal contra volume em litros, lado a lado. No da esquerda, um segmento horizontal a duzentos e cinquenta quilopascal vai de dois litros a quatro litros, com seta para a direita; o retângulo abaixo dele está sombreado e marcado W igual a p vezes delta V igual a quinhentos joules, expansão. No da direita, uma reta desce de dois litros e trezentos e cinquenta quilopascal até quatro litros e cento e cinquenta quilopascal; o trapézio abaixo dela está sombreado e marcado área igual a quinhentos joules; duas setas sobre a reta indicam que para a direita o trabalho é mais quinhentos e para a esquerda, menos quinhentos. Uma nota diz: um quilopascal vezes um litro é igual a um joule.
O trabalho é a área entre o caminho e o eixo dos volumes: retângulo na isobárica, trapézio na reta inclinada. A área dá o módulo; o sentido do caminho dá o sinal. Diagrama autoral.

Na prova, a fórmula da isobárica foi cobrada ao pé da letra em 2022: “Em uma transformação isobárica, o trabalho WW realizado é W=P⋅ΔVW = P \cdot \Delta V, em que PP representa a pressão e ΔV\Delta V, a variação do volume”, gabarito C. Item de definição, sem conta, dos que valem um ponto para quem sabe a fórmula e o significado de cada letra.

Quatro transformações, uma igualdade curta para cada

Por mais complicado que pareça o ciclo de um motor, cada trecho dele é um de quatro casos, definidos pela grandeza que não varia. Fixada essa grandeza, um dos termos de ΔU=Q−W\Delta U = Q - W desaparece ou ganha fórmula, e a lei inteira cabe numa igualdade de poucas letras.

As quatro transformações de um gás ideal
transformação grandeza fixa o que sobra da lei como ler
isotérmica TT (logo ΔU=0\Delta U = 0) Q=WQ = W o calor que entra sai inteiro como trabalho (ou o trabalho recebido sai inteiro como calor); manter TT exige trocar calor
isocórica (isovolumétrica, isométrica) VV (logo W=0W = 0) ΔU=Q\Delta U = Q com o pistão travado, o calor só tem um destino: a energia interna
isobárica pp W=p ΔVW = p\,\Delta V; Q=ΔU+p ΔVQ = \Delta U + p\,\Delta V o trabalho tem fórmula fechada; o calor recebido banca o aquecimento e a expansão
adiabática nenhuma troca de calor (Q=0Q = 0) ΔU=−W\Delta U = -W o trabalho é a única fonte de variação de TT: comprimido, o gás aquece; expandido, esfria

No diagrama p×Vp \times V: a isobárica é horizontal, a isocórica é vertical, a isotérmica é a hipérbole pV=pV = constante, e a adiabática é uma curva mais íngreme que a isotérmica que passa pelo mesmo ponto, porque na expansão adiabática a pressão cai por dois motivos, o volume cresce e a temperatura cai.

Diagrama de pressão contra volume com quatro caminhos partindo do mesmo ponto inicial. Um segmento horizontal para a direita, rotulado isobárica, W igual a p vezes delta V, Q igual a delta U mais W. Um segmento vertical para cima, rotulado isocórica, W igual a zero, Q igual a delta U. Uma hipérbole descendo para a direita, rotulada isotérmica, delta U igual a zero, Q igual a W. Uma curva mais íngreme que a hipérbole, também descendo para a direita, rotulada adiabática, Q igual a zero, delta U igual a menos W, o gás esfria. Uma legenda diz que a adiabática é mais inclinada que a isotérmica porque, ao expandir sem calor, a pressão cai pelo volume maior e pela temperatura menor.
As quatro transformações a partir do mesmo estado. Horizontal, vertical, hipérbole e uma curva mais íngreme que a hipérbole: em cada uma, a primeira lei perde um termo. Diagrama autoral.

Isotérmica. Um gás recebe 240 J de calor de uma chama enquanto o pistão, livre, sobe; o trabalho realizado nessa subida é também de 240 J. A lei dá ΔU=240−240=0\Delta U = 240 - 240 = 0: a temperatura no fim é a mesma do começo, e o gás converteu em trabalho tudo o que recebeu. Daqui sai a consequência que a banca mais gosta de inverter: para expandir sem esfriar, o gás depende de receber calor na mesma medida do trabalho que faz. Temperatura constante não é isolamento térmico; é troca de calor na dose exata. Um item de 2015, sobre um motor Stirling cuja etapa 1 → 2 era uma expansão isotérmica, afirmou que nela havia “redução na pressão, aumento do volume e saída de calor do motor”. As duas primeiras partes estão certas (pVpV constante com VV crescendo); a terceira inverte o sinal: isotérmica que expande recebe calor. Gabarito E.

Isocórica. Pistão travado, volume fixo, área nula sob um caminho vertical: W=0W = 0 e Q=ΔUQ = \Delta U. Todo o calor que entra vira temperatura; todo o calor que sai, esfriamento. Em 2011 a banca imprimiu um diagrama de Clapeyron com várias isotermas e um ponto aa de onde saíam três caminhos, e afirmou: “No caminho a→2a \to 2, o processo é isocórico, o volume do sistema termodinâmico permanece constante e não há realização de trabalho sobre a vizinhança”. O caminho a→2a \to 2 era um segmento vertical para baixo: C, palavra por palavra. O vizinho, item 107, dizia que “no caminho a→1a \to 1, o processo ocorre em uma isoterma”: E, porque a curva desenhada de aa a 1 era mais íngreme que as isotermas e as cruzava, ou seja, a temperatura mudava ao longo do caminho.

Isobárica. W=p ΔVW = p\,\Delta V, e como pV=nRTpV = nRT a pressão constante dá p ΔV=nR ΔTp\,\Delta V = nR\,\Delta T, o trabalho também se escreve W=nR ΔTW = nR\,\Delta T. O calor recebido é maior que o trabalho, porque parte dele aquece o gás: Q=ΔU+W=nCvΔT+nR ΔT=nCpΔTQ = \Delta U + W = n C_v \Delta T + nR\,\Delta T = n C_p \Delta T, com Cp=Cv+RC_p = C_v + R. Voltamos a isso na seção dos calores molares; guarde por enquanto que, na isobárica, calor recebido, trabalho e variação de energia interna são três números diferentes, todos proporcionais a ΔT\Delta T.

Adiabática. Q=0Q = 0, e a temperatura muda só pelo trabalho: ΔU=−W\Delta U = -W. Comprimir (W<0W < 0) aquece; expandir (W>0W > 0) esfria. É a bomba e o aerossol. A prova raramente escreve “adiabática” com todas as letras; prefere dois sinônimos. Processo rápido: a troca de calor pelas paredes leva tempo, e um pistão que vai e volta dezenas de vezes por segundo não dá esse tempo. Isentrópico: entropia constante, o nome formal da adiabática ideal, definido na página da segunda lei. Em 2017, num motor híbrido que guardava energia comprimindo nitrogênio: “No motor hidráulico, os processos de expansão e de compressão do nitrogênio, que devem ser rápidos, podem ser considerados adiabáticos”, C. Em 2019, num ciclo de Brayton de helicóptero cuja etapa 1 → 2 era descrita como “uma compressão isentrópica”: “Na transformação de 1 a 2, não há troca de calor”, C.

O motor a diesel acende sem faísca

No motor a gasolina, a mistura ar-combustível é comprimida e uma faísca a inflama. No motor a diesel não há vela: o pistão comprime só ar, numa razão de volumes tipicamente de 15 a 20 para 1, e a compressão adiabática leva o ar a mais de 500 °C. O óleo diesel é então injetado e pega fogo ao encontrar o ar quente. É a bomba de bicicleta levada ao limite: trabalho de compressão, sem calor, virando temperatura. A prova de 2024 pôs o ciclo de Diesel lado a lado com o de Joule (turbina a gás) e cobrou leitura comparada dos dois, adiante.

Duas confusões gêmeas: adiabática "sem mudar de temperatura" e isotérmica "sem trocar calor"

A adiabática muda de temperatura, e muda justamente porque só o trabalho age sobre a energia interna. A isotérmica mantém a temperatura, e consegue isso porque troca calor com a vizinhança na medida exata do trabalho: recebe quando expande, cede quando é comprimida. Cruzar as duas descrições é o erro que a banca mais planta, em três redações, todas com gabarito E:

  1. Compressão adiabática que “esfria”. PAS 2 2017, item 89: “Haja vista ser o nitrogênio um gás ideal, a compressão do nitrogênio no motor hidráulico será acompanhada de redução da temperatura, de acordo com a primeira lei da termodinâmica.” A primeira lei diz o contrário: Q=0Q = 0, W<0W < 0, ΔU=−W>0\Delta U = -W > 0.
  2. Temperatura que sobe “porque entrou calor”. PAS 2 2025, item 67, sobre o ciclo de Otto de um motor a etanol: “Uma vez que, no ciclo apresentado na figura II, a temperatura do estado termodinâmico A é menor que a do estado termodinâmico B, conclui-se que existe um fluxo de calor que entra no motor e aquece a mistura de vapores.” A premissa é verdadeira (TB>TAT_B > T_A), mas AB é a compressão adiabática: a mistura esquenta pelo trabalho do pistão, e o calor só entra no trecho seguinte, com a ignição. A banca esperou oito anos para repetir a armadilha de 2017 com outra roupa.
  3. Adiabática “sem variação de temperatura”. PAS 2 2018, item 80, num motor de avião: “Na transformação adiabática que ocorre no motor, não haverá variação térmica, independentemente da região em que o avião se encontrar.” Adiabática é Q=0Q = 0, não ΔT=0\Delta T = 0.

Diante de um item que iguale “sem troca de calor” a “temperatura constante”, em qualquer das duas direções, o julgamento é E, e nenhuma conta precisa ser feita.

Mesmos estados, contas diferentes: Q e W dependem do caminho

Se UU é função de estado e QQ e WW não são, então dois caminhos entre os mesmos estados inicial e final têm a mesma ΔU\Delta U e, em geral, trabalhos e calores diferentes. O diagrama p×Vp \times V mostra isso sem fórmula: caminhos diferentes cercam áreas diferentes.

Exemplo resolvido (três caminhos). Um gás ideal monoatômico vai do estado A (2 L; 100 kPa) ao estado B (4 L; 250 kPa). Como U=32pVU = \tfrac{3}{2}pV e 1 kPa·L = 1 J, UA=1,5×200=300U_A = 1{,}5 \times 200 = 300 J e UB=1,5×1 000=1 500U_B = 1{,}5 \times 1\,000 = 1\,500 J: ΔU=1 200\Delta U = 1\,200 J, seja qual for o caminho.

  • Caminho 1, sobe e depois anda: aquece a volume constante até 250 kPa (isocórica, W=0W = 0) e expande a 250 kPa até 4 L (isobárica, W=250×2=500W = 250 \times 2 = 500 J). Total W1=500W_1 = 500 J; calor recebido Q1=ΔU+W1=1 700Q_1 = \Delta U + W_1 = 1\,700 J.
  • Caminho 2, anda e depois sobe: expande a 100 kPa até 4 L (W=100×2=200W = 100 \times 2 = 200 J) e aquece a volume constante até 250 kPa. W2=200W_2 = 200 J; Q2=1 400Q_2 = 1\,400 J.
  • Caminho 3, a reta de A a B: pressão média 175 kPa, W3=175×2=350W_3 = 175 \times 2 = 350 J; Q3=1 550Q_3 = 1\,550 J.

Conferência: a diferença W1−W2=300W_1 - W_2 = 300 J é a área do retângulo entre os dois caminhos (2 a 4 L por 100 a 250 kPa); a reta corta esse retângulo ao meio, e W3W_3 fica no meio dos dois. A regra da pressão média vale porque o caminho 3 é uma reta; numa curva qualquer ela não serve.

Diagrama de pressão em quilopascal, de zero a quatrocentos, contra volume em litros, de zero a cinco. O ponto A está em dois litros e cem quilopascal; o ponto B, em quatro litros e duzentos e cinquenta quilopascal. Três caminhos ligam A a B: o caminho um sobe verticalmente até duzentos e cinquenta quilopascal e segue horizontal até B, com a área sob ele marcada quinhentos joules; o caminho dois segue horizontal a cem quilopascal até quatro litros e sobe verticalmente até B, com a área marcada duzentos joules; o caminho três é a reta de A a B, com a área marcada trezentos e cinquenta joules. Uma tabela ao lado traz, para cada caminho, W, delta U igual a mil e duzentos joules nos três e Q igual a mil e setecentos, mil e quatrocentos e mil quinhentos e cinquenta joules.
Mesmos estados A e B, mesma ΔU=1 200\Delta U = 1\,200 J, três trabalhos e três calores diferentes. O trabalho é a área sob cada caminho; o calor é o que a primeira lei obriga: Q=ΔU+WQ = \Delta U + W. Diagrama autoral.

Uma consequência que a prova cobra em prosa: se um gás recebe 240 J de calor e realiza 240 J de trabalho, sua temperatura final é igual à inicial (ΔU=0\Delta U = 0), mas não se pode concluir que ela ficou constante o tempo todo; ela pode ter subido e descido no meio do caminho. “Mesmo valor no fim” e “constante durante” são afirmações diferentes; isotérmica é a segunda.

Uma volta completa: ciclos, motores e a área de dentro

Um motor não faz uma transformação só: faz uma sequência que volta ao estado inicial e recomeça, dezenas de vezes por segundo. No diagrama p×Vp \times V, isso é um ciclo, um circuito fechado. E como o gás volta ao mesmo estado, a energia interna volta ao mesmo valor.

Ciclo: saldo zero de energia interna, área interna como trabalho

O gás termina a volta no estado em que começou, portanto com a mesma energia interna: ΔU=0\Delta U = 0 para a volta inteira, e da primeira lei sobra

Wlıˊquido=Qlıˊquido=Qrecebido−Qrejeitado.W_{\text{líquido}} = Q_{\text{líquido}} = Q_{\text{recebido}} - Q_{\text{rejeitado}}.

O trabalho líquido é a área interna do circuito: a área sob o caminho de ida (expansão, W>0W > 0) menos a área sob o caminho de volta (compressão, W<0W < 0).

  • Sentido horário (expande pelo caminho de cima, volta pelo de baixo): Wlıˊquido>0W_{\text{líquido}} > 0, o gás entrega trabalho. É um motor.
  • Sentido anti-horário: Wlıˊquido<0W_{\text{líquido}} < 0, o gás recebe trabalho e transfere calor da fonte fria para a quente. É um refrigerador.

Cada família de motor real é aproximada por um ciclo com nome próprio, montado com as quatro transformações:

máquina ciclo de que é feito
carro a gasolina ou a etanol (acende por vela) Otto duas adiabáticas e duas isocóricas
caminhão e gerador a diesel (acende por compressão) Diesel duas adiabáticas, uma isobárica e uma isocórica
turbinas a gás de helicópteros, aviões e termelétricas Brayton (também chamado de Joule) duas adiabáticas e duas isobáricas
motor de ar quente, com fonte de calor externa Stirling duas isotérmicas e duas isocóricas
a máquina ideal, régua de todas as outras Carnot duas isotérmicas e duas adiabáticas

Memorizar os desenhos não ajuda: diante de qualquer ciclo impresso, percorra trecho a trecho identificando a grandeza fixa e use a linha correspondente da tabela das quatro transformações. Rendimento, teto de Carnot e a razão de QrejeitadoQ_{\text{rejeitado}} nunca ser zero são a página seguinte.

Exemplo resolvido (ciclo retangular). Um gás monoatômico percorre o retângulo A(2 L; 100 kPa) → B(2 L; 250 kPa) → C(4 L; 250 kPa) → D(4 L; 100 kPa) → A, no sentido horário. Com U=32pVU = \tfrac{3}{2}pV: UA=300U_A = 300, UB=750U_B = 750, UC=1 500U_C = 1\,500, UD=600U_D = 600 J.

trecho transformação WW (J) ΔU\Delta U (J) Q=ΔU+WQ = \Delta U + W (J)
A → B isocórica, aquece 0 +450 +450
B → C isobárica, expande +500 +750 +1 250
C → D isocórica, esfria 0 −900 −900
D → A isobárica, comprime −200 −300 −500
volta completa +300 0 +300

O trabalho líquido, 300 J, é a área do retângulo (150 kPa×2 L150 \text{ kPa} \times 2 \text{ L}). O calor líquido também é 300 J, mas repare na tabela: o gás recebeu 1 700 J (trechos A → B e B → C) e rejeitou 1 400 J (C → D e D → A). Os 300 J são a diferença, não o calor que entrou. A 25 voltas por segundo, a potência entregue é 300×25=7 500300 \times 25 = 7\,500 W. Percorrido ao contrário (A → D → C → B → A), cada número troca de sinal: o gás recebe 300 J de trabalho por volta e cede 300 J de calor líquido.

Diagrama de pressão em quilopascal contra volume em litros com um ciclo retangular de vértices A em dois litros e cem quilopascal, B em dois litros e duzentos e cinquenta quilopascal, C em quatro litros e duzentos e cinquenta quilopascal e D em quatro litros e cem quilopascal, percorrido no sentido horário com setas. O interior está sombreado e marcado trabalho líquido igual a área igual a trezentos joules. Sobre cada lado há um rótulo: A B, isocórica, Q igual a mais quatrocentos e cinquenta joules; B C, isobárica, W igual a mais quinhentos, Q igual a mais mil duzentos e cinquenta; C D, isocórica, Q igual a menos novecentos; D A, isobárica, W igual a menos duzentos, Q igual a menos quinhentos. Abaixo, a linha: recebido mil e setecentos, rejeitado mil e quatrocentos, líquido trezentos joules; sentido horário é motor.
Ciclo retangular horário: expande por cima (500 J), volta por baixo (−200 J), saldo 300 J = área interna. Em uma volta ΔU=0\Delta U = 0, então o calor líquido também é 300 J; mas o gás recebeu 1 700 J e devolveu 1 400 J. Diagrama autoral.
Área sob a curva não é área do ciclo

Duas áreas, dois significados. A área sob um trecho é o trabalho daquele trecho: 500 J na expansão B → C. A área interna do ciclo é o trabalho líquido da volta: 300 J. Quem responde “500 J” ao trabalho do ciclo esqueceu que a compressão devolve 200 J. E quem chama os 300 J de “calor recebido” esqueceu a tabela: o calor recebido foi 1 700 J. Confundir calor líquido com calor recebido faria qualquer motor parecer ter rendimento de 100 %.

Na prova, a leitura do ciclo. Em 2019, o ciclo de Brayton do helicóptero veio com duas áreas marcadas, A1A_1 interna ao ciclo e A2A_2 entre o trecho de baixo e o eixo dos volumes, e o item tipo C pediu “a eficiência do ciclo de Brayton, em termos das referidas áreas”. Leia as áreas como trabalhos. Debaixo do trecho de cima há A1+A2A_1 + A_2, o que o gás produz ao expandir; debaixo do trecho de baixo há A2A_2, o que ele devolve ao ser comprimido; a diferença, A1A_1, é o que sobra por volta. Dividindo o que sobra pelo que foi produzido na expansão chega-se a A1/(A1+A2)A_1/(A_1 + A_2), opção C. Um aviso para quem já estudou rendimento: a definição formal é W/QrecebidoW/Q_{\text{recebido}}, e o calor que entra numa isobárica não corresponde a nenhuma região do diagrama p×Vp \times V. A opção C vale como razão entre as duas regiões desenhadas, que é o que o enunciado pede, e não como o rendimento termodinâmico estrito.

Em 2010, o ciclo veio no plano temperatura × entropia, um retângulo com dois lados a temperatura constante (T2T_2 em cima, T1T_1 embaixo) e dois a entropia constante, percorrido A → B → C → D → A, e a banca pediu os sinais dos trabalhos em cada trecho: “WAB<0W_{AB} < 0, WBC<0W_{BC} < 0, WCD>0W_{CD} > 0 e WDA>0W_{DA} > 0”. É a primeira lei trecho a trecho. De A a B, a entropia cresce a temperatura constante: o gás recebe calor, e como ΔU=0\Delta U = 0 numa isotérmica, WAB=QAB>0W_{AB} = Q_{AB} > 0; o item começa errado. De B a C, entropia constante é adiabática, e a temperatura cai: ΔU<0\Delta U < 0, logo WBC=−ΔU>0W_{BC} = -\Delta U > 0; errado de novo. De C a D, isotérmica que cede calor: WCD<0W_{CD} < 0. De D a A, adiabática que aquece: WDA<0W_{DA} < 0. Todos os quatro sinais estavam trocados. Gabarito E.

Em 2024, a banca imprimiu os ciclos de Diesel e de Joule lado a lado, “operando na mesma faixa de volume e pressão e com fluidos de trabalho constituídos por gases ideais que têm a mesma quantidade de moléculas”, e fez três perguntas sem número nenhum. “Infere-se do gráfico relativo ao ciclo de Diesel que os fluidos de trabalho nele empregados são incompressíveis”: E, o volume vai de V0V_0 a V1V_1 e volta; fluido incompressível não desenharia ciclo algum. “A variação de temperatura, no ciclo de Joule, entre os estados aa e cc é igual à variação de temperatura entre os estados aa e bb no ciclo de Diesel”: C, porque nos dois gráficos aa está em (V0V_0; p0p_0) e o canto superior esquerdo (cc no Joule, bb no Diesel) está em (V1V_1; p1p_1); mesmos pares (p,V)(p, V) com o mesmo nn são as mesmas temperaturas, por pV=nRTpV = nRT. “Os fluidos de trabalho dos ciclos de Diesel e de Joule não podem ter a mesma constante adiabática”: C. Nos dois gráficos o canto (V1V_1; p1p_1) é alcançado por uma adiabática que sai da pressão p0p_0, mas o ponto de partida não é o mesmo: no Diesel ela sai de V0V_0; no Joule, de um volume menor. Uma adiabática obedece a pVγ=pV^{\gamma} = constante; para que uma mesma variação de pressão corresponda a variações de volume distintas, o expoente γ\gamma tem de ser distinto em cada gás. Os três itens dispensam número; o que cobram é a leitura do mapa.

E em 2025, no ciclo de Otto do motor a etanol, além do erro plantado do item 67, veio a leitura certa: “a temperatura no estado termodinâmico C será maior que a temperatura no estado termodinâmico D”. Gabarito: certo, porque C → D é a expansão adiabática: o gás realiza trabalho sem receber calor, perde energia interna e esfria.

Expansão livre: nem calor, nem trabalho, nem mudança de temperatura

Um recipiente rígido e termicamente isolado tem uma divisória no meio: gás de um lado, vácuo do outro. Retira-se a divisória. O gás ocupa o recipiente inteiro. O que aconteceu com a temperatura?

Aplique a conta. Paredes isoladas: Q=0Q = 0. O gás se expandiu, mas contra nada: do outro lado havia vácuo, nenhuma pressão externa a vencer, nenhum pistão a empurrar, e o recipiente rígido não mudou de volume total. Trabalho: W=0W = 0. Então ΔU=0−0=0\Delta U = 0 - 0 = 0 e, para gás ideal, a temperatura final é igual à inicial. Foi o resultado que James Joule mediu em 1845, com dois vasos de cobre num banho de água: o termômetro não se mexeu. O experimento é a prova de que a energia interna do gás ideal não depende do volume, só da temperatura.

Dois desenhos de um recipiente rígido com paredes isoladas, hachuradas. No de cima, uma divisória central separa gás, pontos azuis à esquerda, de vácuo, à direita, com o termômetro marcando T. No de baixo, a divisória foi retirada e os pontos ocupam todo o recipiente, com o termômetro marcando o mesmo T. Ao lado, três linhas: Q igual a zero, paredes isoladas; W igual a zero, não há pressão externa a vencer; delta U igual a zero, mesma temperatura, gás ideal. Uma nota diz que o processo é irreversível: o gás não volta sozinho para a metade da esquerda.
Expansão livre de Joule: sem calor (paredes isoladas), sem trabalho (expansão contra o vácuo), sem variação de energia interna e, no gás ideal, sem variação de temperatura. Diagrama autoral.

Duas ressalvas que a prova pode explorar. Primeira: a expansão livre é adiabática (Q=0Q = 0), mas não esfria o gás, ao contrário da expansão adiabática contra um pistão; a diferença é que aqui não há trabalho. “Adiabática” não garante, por si só, mudança de temperatura; o que muda a temperatura é o trabalho. Segunda: o processo não tem volta. Ninguém verá o gás se recolher sozinho para a metade da esquerda. A primeira lei não proíbe isso (a energia fecharia igual); quem proíbe é a segunda lei, com a entropia, assunto da página vizinha. A primeira lei diz o que é possível energeticamente; não diz em que sentido as coisas acontecem.

O aerossol gela, o recipiente de Joule não

As duas expansões são adiabáticas, e só uma esfria. No aerossol, o gás que sai empurra o ar atmosférico para abrir espaço: realiza trabalho, paga com energia interna, esfria. Na expansão livre, o gás avança sobre o vácuo, não empurra nada, não paga nada. A pergunta que decide é sempre a mesma: contra o que o gás se expandiu? É também por isso que o ar que sobe na atmosfera esfria: ele se expande contra o ar mais rarefeito ao redor e realiza trabalho; é a origem das nuvens de tarde em Brasília.

Por que aquecer a pressão constante custa mais: Cv e Cp

Aqueça a mesma amostra de gás em 100 K de dois jeitos: com o pistão travado (volume constante) e com o pistão livre sob a pressão da atmosfera (pressão constante). A variação de energia interna é a mesma nos dois casos, porque ΔT\Delta T é o mesmo. Mas o calor necessário não é.

Calores molares e a relação $C_p - C_v = R$

Para nn mol de gás ideal aquecidos em ΔT\Delta T:

  • a volume constante: W=0W = 0 e Qv=ΔU=n Cv ΔTQ_v = \Delta U = n\,C_v\,\Delta T;
  • a pressão constante: o gás expande e realiza W=p ΔV=nR ΔTW = p\,\Delta V = nR\,\Delta T; o calor paga o aquecimento e o trabalho: Qp=ΔU+W=n Cv ΔT+nR ΔT=n Cp ΔTQ_p = \Delta U + W = n\,C_v\,\Delta T + nR\,\Delta T = n\,C_p\,\Delta T.

Portanto Cp=Cv+RC_p = C_v + R: aquecer a pressão constante custa RR a mais por mol e por kelvin, e essa diferença é exatamente o trabalho de expansão. Para um gás monoatômico, Cv=32R≈12,5C_v = \tfrac{3}{2}R \approx 12{,}5 e Cp=52R≈20,8C_p = \tfrac{5}{2}R \approx 20{,}8 J/(mol·K); para diatômicos à temperatura ambiente, 52R\tfrac{5}{2}R e 72R\tfrac{7}{2}R. A razão γ=Cp/Cv\gamma = C_p/C_v (5/35/3 e 7/57/5) é a constante adiabática, o expoente de pVγ=pV^{\gamma} = constante que a prova de 2024 citou pelo nome. Não confunda calor molar, em J/(mol·K), com o calor específico por massa, em J/(kg·K), da calorimetria: mesma ideia, base diferente.

Exemplo resolvido (os dois aquecimentos). 2 mol de gás monoatômico, ΔT=100\Delta T = 100 K, R=8,31R = 8{,}31 J/(mol·K). Energia interna: ΔU=2×12,465×100≈2 493\Delta U = 2 \times 12{,}465 \times 100 \approx 2\,493 J, nos dois casos. A volume constante: Qv=2 493Q_v = 2\,493 J. A pressão constante: W=2×8,31×100=1 662W = 2 \times 8{,}31 \times 100 = 1\,662 J e Qp=2 493+1 662=4 155Q_p = 2\,493 + 1\,662 = 4\,155 J. Conferência: Qp/Qv=4 155/2 493=1,67=5/3=γQ_p/Q_v = 4\,155/2\,493 = 1{,}67 = 5/3 = \gamma, como deve ser.

Gráfico de barras comparando o aquecimento de dois mols de gás monoatômico em cem kelvin. A barra da esquerda, volume constante, tem uma parte única, delta U igual a dois mil quatrocentos e noventa e três joules, e o rótulo Q v igual a dois mil quatrocentos e noventa e três joules, W igual a zero. A barra da direita, pressão constante, empilha a mesma parte de delta U, dois mil quatrocentos e noventa e três, e uma parte adicional de trabalho, W igual a n R delta T igual a mil seiscentos e sessenta e dois joules, somando Q p igual a quatro mil cento e cinquenta e cinco joules. Ao lado, a fórmula C p menos C v igual a R e a razão Q p sobre Q v igual a cinco terços.
Mesma amostra, mesmos 100 K, mesma ΔU\Delta U. A pressão constante o gás também expande, e o calor precisa pagar o trabalho nR ΔTnR\,\Delta T: Cp−Cv=RC_p - C_v = R. Diagrama autoral.

Foi essa separação que o item 96 de 2019 mediu, na isobárica 2 → 3 do ciclo de Brayton entre 300 K e 1 000 K: “o trabalho produzido na transformação de 2 a 3 deverá ser maior que 700⋅n⋅Cp700 \cdot n \cdot C_p”. O trabalho de uma isobárica é nR ΔTnR\,\Delta T. Entre as duas fontes o salto máximo de temperatura seria 1 000−300=7001\,000 - 300 = 700 K, e o salto real da etapa 2 → 3 é menor, porque a compressão 1 → 2 já deixou o gás acima de 300 K; portanto W≤700 nRW \le 700\,nR. Falta comparar RR com CpC_p: como Cp=Cv+RC_p = C_v + R, tem-se Cp>RC_p > R e 700 nR<700 n Cp700\,nR < 700\,n\,C_p. O trabalho fica abaixo do limiar proposto. Gabarito E. A quantidade 700 n Cp700\,n\,C_p seria o teto do calor recebido nessa isobárica; o item apresentou o calor com o nome de trabalho.

A prova pede a lei em prosa: o item tipo D de 2025

O único item tipo D de Física da 2.ª etapa de 2025 não tinha número nenhum: “Um gás está preso dentro de uma câmara do tipo pistão (com um êmbolo móvel), semelhante ao motor de um carro. A expansão do gás será usada para movimentar o pistão. Considerando que o gás se comporte de forma ideal, explique o que é esperado que aconteça durante essa expansão nas duas hipóteses seguintes: de a pressão não se alterar ao longo do processo e de a temperatura não se alterar ao longo do processo.”

Um roteiro de resposta, em dez linhas, com a tabela das quatro transformações e pV=nRTpV = nRT como únicas ferramentas. Hipótese 1, pressão constante (isobárica). Com pp fixo, VV e TT caminham juntos (V/TV/T constante): o gás que passou a ocupar mais volume está mais quente, logo sua energia interna cresceu. Ao mesmo tempo ele empurrou o pistão e realizou W=p ΔVW = p\,\Delta V. Para bancar as duas coisas, aquecimento e trabalho, o calor recebido tem de superar o trabalho: Q=ΔU+W>WQ = \Delta U + W > W. Hipótese 2, temperatura constante (isotérmica). ΔU=0\Delta U = 0. Com pVpV constante, aumentar o volume significa baixar a pressão, e a força sobre o pistão vai diminuindo ao longo do curso. Há trabalho realizado, e a primeira lei obriga o gás a receber da vizinhança um calor de mesmo valor: Q=WQ = W. Nomear a transformação, dizer como as variáveis se relacionam e indicar o sinal de QQ em cada hipótese é o que o corretor procura.

Oito anos antes, em 2017, o tipo D foi um desenho: “Represente, graficamente, no diagrama pressão versus volume abaixo, cada uma das transformações mencionadas, de modo que elas representem o ciclo de Otto. No seu gráfico, identifique os pontos A, B, C e D e indique o sentido de cada transformação”, com o texto dizendo: AB compressão adiabática, BC aquecimento isométrico, CD expansão adiabática, DA resfriamento isométrico. O traçado: coloque A no canto de maior volume e menor pressão. De A a B, compressão adiabática: a curva sobe para a esquerda, íngreme, porque o volume cai e a pressão dispara. De B a C, aquecimento a volume constante (“isométrico”, na palavra da banca): um traço vertical para cima. De C a D, expansão adiabática: uma curva que desce para a direita, acima da primeira. De D a A, resfriamento a volume constante: traço vertical para baixo, fechando o circuito. As setas giram no sentido horário, marca de motor, e a região entre as duas adiabáticas é o trabalho de cada volta. Em 2025 a banca imprimiu exatamente esse desenho como “figura II” e perguntou o que se lê nele.

Diagrama de pressão contra volume com o ciclo de Otto idealizado. O ponto A está no maior volume e na menor pressão; uma curva sobe para a esquerda até B, rotulada A B, compressão adiabática, Q igual a zero, o gás aquece pelo trabalho; um segmento vertical sobe de B a C, rotulado B C, aquecimento isocórico, W igual a zero, entra calor; uma curva desce para a direita de C a D, mais alta que a primeira, rotulada C D, expansão adiabática, Q igual a zero, o gás esfria e realiza trabalho; um segmento vertical desce de D a A, rotulado D A, resfriamento isocórico, sai calor. Setas no sentido horário; a área interna está sombreada e marcada trabalho por volta.
O ciclo de Otto, modelo do motor a gasolina e a etanol: duas adiabáticas (sem calor, temperatura muda pelo trabalho) e duas isocóricas (sem trabalho, entra e sai calor). A banca pediu este traçado como tipo D em 2017 e, em 2025, trouxe-o impresso (figura II) para os itens 65 a 68 e 77. Diagrama autoral.

Como a banca pergunta

Nas provas da 2.ª etapa de 2007 a 2025, a primeira lei e as quatro transformações renderam itens em 2010, 2011, 2015, 2017, 2018, 2019, 2022, 2024 e 2025, quase sempre pendurados num ciclo de motor (Otto, Diesel, Brayton, Stirling, o ciclo a vapor de uma usina). Os padrões:

  • A adiabática com o erro plantado (2017/89, 2025/67, 2018/80): “compressão esfria”, “esquentou porque entrou calor”, “adiabática não muda a temperatura”. Sempre E. A versão certa também aparece (2017/90 “processos rápidos podem ser considerados adiabáticos”, 2019/95 “isentrópica: não há troca de calor”, 2025/66 “TC>TDT_C > T_D na expansão adiabática”), sempre C.
  • A isotérmica que “não troca calor” ou que “perde calor ao expandir” (2015/91): ΔU=0\Delta U = 0 obriga Q=WQ = W; expansão isotérmica recebe calor.
  • Vocabulário exato das transformações (2011/107–108, 2022/75): isocórico = volume constante = trabalho nulo; isobárica: W=P ΔVW = P\,\Delta V. Itens de definição, palavra por palavra.
  • Calor × trabalho na isobárica (2019/96): W=nR ΔTW = nR\,\Delta T, Q=nCp ΔTQ = nC_p\,\Delta T; o item troca um pelo outro.
  • Energia interna como função de estado (2010/110, 2022/70, PAS 1 2010/94): mesma temperatura, mesma UU; sistema isolado, ΔU=0\Delta U = 0; o estado de um gás pede pp, VV e TT.
  • Sinais trecho a trecho num ciclo (2010/108) e leitura comparada de diagramas (2024/61–63, 2019/97): sem número; pergunte o que fica constante em cada trecho e de onde vem a área.
  • Tipo D em prosa ou desenho (2025/77, 2017/92): explique a isobárica e a isotérmica; desenhe o Otto.
  • Vizinhos disfarçados: rendimento, Carnot, kelvin nas razões e entropia são máquinas térmicas e segunda lei; pV=nRTpV = nRT e as leis de Boyle e Charles são transformações gasosas; o item 109 de 2011, que pedia a temperatura final da isobárica a→3a \to 3 contando isotermas (126 °C + 5 × 10 °C = 176 °C), é a lei de Charles com a leitura de gráfico desta página.

Os erros que a prova planta

Oito tropeços, um por linha
  1. Sinal de WW trocado. Compressão é W<0W < 0 (o gás recebe trabalho) e faz ΔU\Delta U subir; expansão é W>0W > 0 e faz ΔU\Delta U descer. Bomba aquece, aerossol esfria.
  2. “Isotérmica não troca calor.” Troca: ΔU=0\Delta U = 0 obriga Q=WQ = W. Expandir sem esfriar exige receber calor.
  3. “Adiabática não muda a temperatura.” Muda, pelo trabalho: ΔU=−W\Delta U = -W. “Rápido” e “isentrópico” são adiabática.
  4. “Comprimiu, esquentou, logo entrou calor.” Na adiabática, a temperatura sobe sem calor (2017/89, 2025/67). Pergunte de onde veio a energia.
  5. Área sob a curva confundida com área do ciclo. Sob um trecho: trabalho do trecho. Dentro do ciclo: trabalho líquido da volta.
  6. Calor líquido confundido com calor recebido. Num ciclo, Qlıˊq=WlıˊqQ_{\text{líq}} = W_{\text{líq}}, mas o gás recebeu mais e devolveu parte. Só o recebido entra no rendimento.
  7. Litro no lugar de metro cúbico. W=p ΔVW = p\,\Delta V em joules exige Pa × m³; ou use o atalho 1 kPa·L = 1 J.
  8. Graus Celsius em razão de temperaturas. U∝TU \propto T só em kelvin: de 27 °C a 327 °C a energia interna dobra (300 K → 600 K), não multiplica por 12. Diferenças ΔT\Delta T valem o mesmo nas duas escalas.

O essencial em meia página

  • Energia interna UU: função de estado; no gás ideal depende só de TT (monoatômico: U=32nRT=32pVU = \tfrac{3}{2}nRT = \tfrac{3}{2}pV); ΔU=nCv ΔT\Delta U = nC_v\,\Delta T. Calor e trabalho são trocas, dependem do caminho; um gás não “tem calor”.
  • Primeira lei: ΔU=Q−W\Delta U = Q - W, com Q>0Q > 0 entrando e W>0W > 0 realizado pelo gás (expansão). Compressão: W<0W < 0. Sistema isolado: Q=W=0Q = W = 0, ΔU=0\Delta U = 0.
  • Trabalho é área sob o caminho no diagrama p×Vp \times V: retângulo na isobárica (W=p ΔVW = p\,\Delta V), trapézio na reta; direita positivo, esquerda negativo, vertical zero. 1 kPa·L = 1 J.
  • Quatro transformações: adiabática Q=0Q = 0, ΔU=−W\Delta U = -W (comprimir aquece, expandir esfria); isotérmica ΔU=0\Delta U = 0, Q=WQ = W; isocórica W=0W = 0, Q=ΔUQ = \Delta U; isobárica W=p ΔV=nR ΔTW = p\,\Delta V = nR\,\Delta T, Q=nCp ΔTQ = nC_p\,\Delta T.
  • Ciclo: ΔU=0\Delta U = 0; Wlıˊq=W_{\text{líq}} = área interna =Qrecebido−Qrejeitado= Q_{\text{recebido}} - Q_{\text{rejeitado}}. Horário = motor; anti-horário = refrigerador. Otto: 2 adiabáticas + 2 isocóricas; Brayton: 2 adiabáticas + 2 isobáricas; Stirling: 2 isotérmicas + 2 isocóricas; Carnot: 2 isotérmicas + 2 adiabáticas.
  • Caminhos diferentes, mesma ΔU\Delta U, QQ e WW diferentes (A → B: 500/200/350 J de trabalho, 1 200 J de ΔU\Delta U nos três).
  • Expansão livre: Q=0Q = 0, W=0W = 0, ΔU=0\Delta U = 0, temperatura igual (Joule, 1845); adiabática sem esfriar porque não há trabalho; irreversível.
  • Cp−Cv=RC_p - C_v = R: a pressão constante o calor paga também a expansão; γ=Cp/Cv\gamma = C_p/C_v é a constante adiabática (5/3 monoatômico, 7/5 diatômico).
  • Erros que a banca planta: compressão adiabática que “esfria” ou que “recebeu calor”; adiabática “sem ΔT\Delta T”; isotérmica “sem calor”; área do trecho × área do ciclo; calor líquido × calor recebido; litro × m³; Celsius em razões.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

A Primeira Lei da Termodinâmica Explicada
Ciência Todo Dia · 13:23
Introdução. Treze minutos animados do curso de Física Básica do canal (capítulo 6, episódio 2): a primeira lei como conservação de energia adaptada a sistemas termodinâmicos, a variação da energia interna como calor recebido menos trabalho realizado. É a seção “A conta que sempre fecha: ΔU = Q − W” desta página em linguagem de vídeo, para assistir antes de ler e fixar quem entra e quem sai.
Trabalho nas transformações gasosas — Termologia, aula 14
Professor Boaro · 27:11
Aprofundamento. Vinte e sete minutos dedicados só ao trabalho de um gás: força vezes deslocamento virando pressão vezes variação de volume, o sinal na expansão e na compressão e o trabalho como área no diagrama pressão × volume, transformação por transformação. Cobre as seções “Trabalho é a área sob a curva” e “Quatro transformações, uma linha cada” e sustenta os itens 2022/75 e 2019/96.
Experimento da compressão adiabática — princípio de funcionamento de motores de carros
Udesc Balneário Camboriú · 4:24
Aplicação. Quatro minutos de experimento caseiro: um gás comprimido rapidamente, sem tempo de trocar calor, esquenta a ponto de inflamar um pedaço de algodão, o princípio do motor de ignição por compressão. É a bomba de pneu e o motor a diesel da seção “Quatro transformações” vistos de perto, e a resposta física aos itens 2017/89 e 2025/67, que afirmam o contrário.
Primeira lei da Termodinâmica
Kuadro Oficial · 6:47
Resolução. Sete minutos com o enunciado da lei e um exercício resolvido em que a quantidade de calor fornecida ao gás é obtida a partir de um diagrama de trabalho: área no p × V primeiro, primeira lei depois. É o método das seções “Mesmos estados, contas diferentes” e “Ciclo fechado” aplicado a um item de vestibular, no mesmo formato dos exercícios desta página.
Rota PAS 2
Leis da termodinâmica e máquinas térmicas · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Leis da termodinâmica e máquinas térmicas · A primeira lei: calor, trabalho e a conta que sempre fecha (energia interna, ΔU = Q − W com a tabela de sinais da bomba de pneu, as quatro transformações, os exemplos da bomba/aerossol/cilindro, itens 2017/89 e 90, 2019/95 e 96, 2018/80, 2011/107 e 108, 2022/75, 2025/77 tipo D, armadilha adiabático × isotérmico); O diagrama p × V: área é trabalho, ciclo fechado é motor (área sob a curva, ciclo retangular de 400 J, catálogo Otto/Diesel/Brayton/Stirling/Carnot, itens 2017/92, 2025/66, 2024/61–63, 2019/97, 2015/91); Antes de começar: dez minutos de aquecimento (pressão × volume em joules, kelvin); Leia como na prova: um bloco de quinze itens (texto-base do motor a etanol, 2025/67); Como a banca cobra (histórico 2007–2025); Resolvidos (a bomba de encher pneu); Exercícios e Banco de treino (itens de nível 1, T5, T8, T14, T19)

    Recorte por assunto: energia interna como função de estado, sinais, trabalho como área, quatro transformações, caminhos, ciclos (só a leitura pela primeira lei), expansão livre, Cp e Cv. A página acrescenta a tabela Q/W/ΔU trecho a trecho do ciclo retangular (recebido 1 800 J × rejeitado 1 400 J × líquido 400 J), o exemplo dos três caminhos com ΔU = 1 200 J, a expansão livre de Joule (1845), a dedução de Cp − Cv = R com o exemplo de 2 mol/100 K, o motor a diesel como compressão adiabática, a distinção sistema fechado × isolado (2022/70) e o item PAS 1 2010/94. Rendimento, Carnot, refrigerador e entropia ficam em maquinas-termicas-e-segunda-lei-da-termodinamica; pV = nRT, Boyle e Charles em transformacoes-gasosas; a cronologia (Joule, Mayer, Helmholtz) em historia-da-termodinamica. A versão anterior desta página (1 892 palavras, outro modelo) forneceu os exemplos numéricos (500/200 J, ciclo retangular, três caminhos, Cv/Cp de 2 mol) que foram conferidos e mantidos; a derivação de pV^γ e o cálculo de entropia foram retirados (fora do recorte do PAS: 'zero em cálculo de trabalho adiabático com expoente γ').

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 2 2010 (itens 108 e 110, ciclo no plano T × S de um gás monoatômico), 2011 (itens 107, 108 e 109, diagrama de Clapeyron com isotermas de 10 °C), 2015 (item 91, motor Stirling), 2017 (itens 89, 90 e 92, motor híbrido a nitrogênio e ciclo de Otto tipo D), 2018 (item 80, avião de combate a queimadas), 2019 (itens 95, 96 e 97, ciclo de Brayton do helicóptero), 2022 (item 70, polônio de Marie Curie; item 75, gás ideal a pressão constante), 2024 (itens 61, 62 e 63, ciclos de Diesel e de Joule), 2025 (itens 66, 67 e 77, motor a etanol); PAS 1 2010 (item 94, variáveis de estado de um gás)

    Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto e conferidos na imagem dos PDFs (utils/material/PAS/provas/); gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao[-pas2]/AAAA.json. As figuras impressas (diagrama de Clapeyron de 2011, chassi do motor híbrido de 2017, ciclo de Brayton e áreas A1/A2 de 2019, reta T × V de 2022, ciclos de Diesel e Joule de 2024, figuras I e II de 2025) foram descritas em texto neutro no suporte das questões, nomeando todos os rótulos impressos. Os itens 2010/108, 2010/110, 2015/91, 2018/80, 2025/66 e 2025/67 são reutilizados por GUID da página maquinas-termicas-e-segunda-lei-da-termodinamica. O item PAS 2 2013/92 foi deixado de fora (gabarito oficial questionável, registrado em historia-da-termodinamica).