Lentes e visão

Guia de estudo · Revisado em 17/09/2026

BNCC · EM13CNT103

Por que a lente dos óculos de leitura, ao sol, concentra a luz num ponto que chamusca o papel, pousada sobre o jornal amplia as letras e, erguida um palmo, as mostra invertidas; e por que o oftalmologista receita 'menos dois' para quem não lê o quadro e 'mais dois' para quem afasta o jornal, se os dois olhos carregam a mesma lente viva a dois centímetros da retina?

O que você vai aprender

  • Classificar uma lente delgada pela forma das bordas (finas ou grossas) e pelo contraste de índices com o meio, explicando por que uma lente de bordas finas é convergente no ar e pode ser divergente dentro de um meio mais refringente que ela.
  • Identificar os elementos de uma lente delgada (centro óptico, eixo principal, focos objeto e imagem, pontos antiprincipais) e traçar os três raios notáveis da convergente e da divergente.
  • Construir geometricamente a imagem nos cinco casos da lente convergente e no caso único da divergente, associando cada caso a um instrumento (câmera, projetor, colimador, lupa, óculos de míope).
  • Resolver a equação de Gauss 1/f = 1/p + 1/p′ e o aumento linear A = −p′/p com a convenção de sinais das lentes (f > 0 convergente, f < 0 divergente, p′ > 0 real, p′ < 0 virtual), nos dois sentidos: dada a lente achar a imagem, dada a imagem achar a lente.
  • Converter distância focal em vergência V = 1/f em dioptrias e vice-versa, ler uma receita de óculos (sinal, módulo, 'grau') e explicar qualitativamente a equação dos fabricantes.
  • Descrever o olho como sistema convergente (córnea + cristalino) que forma na retina uma imagem real e invertida, explicar a acomodação pelos músculos ciliares e definir ponto próximo e ponto remoto do olho normal.
  • Diagnosticar miopia, hipermetropia, presbiopia e astigmatismo pela posição em que a imagem cai em relação à retina, indicar a lente corretiva de cada um e calcular o grau do míope (V = −1/PR) e do hipermétrope/presbita a partir do ponto próximo.
  • Explicar qualitativamente como lupa, câmera fotográfica, projetor, microscópio composto e luneta astronômica combinam lentes e em que regime de Gauss cada lente trabalha.
  • Reconhecer os erros que a banca planta: divergente que 'forma imagem real', 'imagem real e invertida para qualquer p', globo do míope 'menor', 'convergente corrige miopia', 'grau' como unidade e o sinal de f na divergente.
  • Resolver os itens do PAS 2 sobre lentes e visão (2007/83, 2008/32–35, 2009/69, 2016/98, 2017/102, 2018/107, 2019/73–74, 2020/103–104, 2025/88, 91 e 94), inclusive os três tipo D de construção por raios notáveis e os dois tipo B de Gauss.

Dois pares de óculos esquecidos sobre a mesa da varanda, o de leitura do avô e o de longe da neta. Deixe o sol atravessar o primeiro: sobre o papel aparece um ponto brilhante que esquenta e acaba chamuscando a folha. Faça o mesmo com o segundo: a luz se espalha numa mancha pálida que não aquece nada. Agora pouse a lente do avô sobre o jornal e as letras crescem, de pé; levante-a um palmo e olhe de longe, e as mesmas letras aparecem de ponta-cabeça, pequenas. No celular, uma lente de poucos milímetros reduz uma paisagem inteira ao tamanho do sensor; no projetor da sala, outra lente faz o caminho contrário e estica um chip do tamanho de uma unha até os dois metros da parede. E no consultório, o oftalmologista receita “menos dois” para a neta, que aperta os olhos diante do quadro, e “mais dois” para o avô, que afasta o jornal até o braço esticar, embora os dois carreguem o mesmo equipamento: uma lente viva e flexível a cerca de dois centímetros de uma tela de células, a retina. Queimar, espalhar, ampliar, inverter, reduzir, projetar e corrigir são o repertório de um único objeto, um pedaço de material transparente com faces curvas, e o que escolhe entre esses papéis é a distância do objeto à lente e o lugar onde se quer que a imagem caia.

Esta página é a do assunto lentes e visão: os tipos de lente delgada e o que faz uma lente convergir ou divergir; os elementos, os focos e os raios notáveis; a construção das imagens nos cinco casos da convergente e no caso único da divergente; a equação de Gauss e o aumento, com a convenção de sinais das lentes; a vergência em dioptrias, que é o “grau” dos óculos; o olho como sistema óptico, com a acomodação, o ponto próximo e o ponto remoto; as ametropias (miopia, hipermetropia, presbiopia, astigmatismo) com a conta do grau; e os instrumentos que combinam lentes: lupa, câmera, projetor, microscópio e luneta. O que acontece com um raio ao cruzar uma superfície, a lei de Snell, o ângulo limite e o prisma, está na página irmã de refração da luz; aqui a refração entra já organizada pela forma da lente. Os espelhos, com a mesma equação de Gauss e outra convenção, estão em espelhos; a propagação retilínea e as sombras, em princípios da óptica geométrica; a anatomia do olho e o caminho do sinal até o cérebro, em sistema nervoso.

Bordas finas, bordas grossas: o que faz uma lente convergir

Chama-se lente a um corpo transparente cuja luz entra por uma face e sai por outra, sendo curva pelo menos uma das duas (quase sempre um pedaço de esfera). Se a espessura do corpo é desprezível diante dos raios de curvatura das faces e das distâncias em jogo, a lente é delgada, e é esse o modelo da óptica escolar e da prova: o desvio que um raio sofre pode ser atribuído a um único plano, o da lente, e a espessura some de todas as contas.

Cada face pode ser convexa (bojuda para fora), côncava (cavada) ou plana, e a combinação dá seis formas com nomes compostos: biconvexa, plano-convexa e côncavo-convexa, de um lado; bicôncava, plano-côncava e convexo-côncava, do outro. O nome cita a face de menor raio de curvatura por último quando as duas são curvas no mesmo sentido, mas o que interessa fisicamente é outra coisa: nas três primeiras o centro é mais grosso que as bordas; nas três últimas, o centro é mais fino que as bordas.

Seis perfis de lente em corte com o símbolo correspondente. À esquerda, três lentes de bordas finas e centro grosso: biconvexa, plano-convexa e côncavo-convexa, sob o título bordas finas, convergentes no ar, cada uma com o símbolo de seta dupla vertical de pontas para fora. À direita, três lentes de bordas grossas e centro fino: bicôncava, plano-côncava e convexo-côncava, sob o título bordas grossas, divergentes no ar, com o símbolo de pontas para dentro. Uma nota diz que a regra vale se o índice da lente for maior que o do meio e que uma lente de ar dentro da água troca os papéis.
Seis formas, dois comportamentos. No ar, bordas finas convergem e bordas grossas divergem; a regra se sustenta enquanto o índice da lente superar o do meio que a cerca. Inverta o contraste de índices e a de bordas finas passa a divergir. Diagrama autoral.
Convergente ou divergente: forma e contraste de índices

Uma lente é convergente quando faz um feixe de raios paralelos ao eixo se reunir num ponto, o foco, do outro lado; é divergente quando faz o mesmo feixe se abrir, como se viesse de um ponto do lado de onde a luz veio. No ar, vidro, acrílico e água são mais refringentes que o meio, e vale a regra das bordas: bordas finas convergem, bordas grossas divergem. A razão está na refração: a luz anda mais devagar dentro da lente, e a parte mais grossa atrasa mais o raio que a atravessa; num centro grosso, o raio do meio se atrasa em relação aos das bordas, a frente de onda se curva para dentro e o feixe fecha. Num centro fino acontece o contrário.

A regra, portanto, depende do contraste de índices nlente/nmeion_{\text{lente}}/n_{\text{meio}}, e não só da forma. Uma lente biconvexa de vidro (n=1,5n = 1{,}5) mergulhada num líquido de índice 1,71{,}7 passa a ser divergente: a luz anda mais rápido dentro dela do que fora, e o centro grosso agora adianta o raio em vez de atrasá-lo. Uma bolha de ar dentro da água, de bordas finas, diverge. E uma lente imersa num líquido de índice igual ao seu não faz nada: some opticamente, porque não há mudança de velocidade nas faces. O símbolo da lente delgada registra o comportamento, não a forma: uma seta dupla com pontas para fora para a convergente, com pontas para dentro para a divergente.

A 2.ª etapa de 2025 fez desse contraste um item inteiro, dentro do bloco do olho modelado como esfera com lente: “Para que a lente delgada seja convergente, a velocidade da luz na região da lente deve ser menor que a velocidade da luz no ar.” Gabarito C: convergir exige material mais refringente que o ar, isto é, nn maior, e como n=c/vn = c/v, índice maior significa velocidade menor. Repare que o enunciado não menciona índice em momento algum; quem só decorou “bordas finas convergem” fica sem ponte entre a forma da lente e a velocidade da luz, e a ponte é justamente a definição de nn.

O que decide quanto uma lente converge é a equação dos fabricantes (ou de Halley), que a prova só pede em nível qualitativo:

1f=(nlentenmeio−1)(1R1+1R2),\frac{1}{f} = \left(\frac{n_{\text{lente}}}{n_{\text{meio}}} - 1\right)\left(\frac{1}{R_1} + \frac{1}{R_2}\right),

com R1R_1 e R2R_2 os raios de curvatura das faces (positivos para faces convexas, negativos para côncavas, infinito para a face plana). Três leituras bastam. Primeira: o fator (nlente/nmeio−1)(n_{\text{lente}}/n_{\text{meio}} - 1) é o contraste de índices; se ele muda de sinal, ff muda de sinal e a lente troca de comportamento; se é zero, 1/f=01/f = 0 e a lente desaparece. Segunda: raios de curvatura menores (lente mais “bojuda”) dão 1/f1/f maior, isto é, foco mais curto e lente mais forte; uma lente de óculos de grau alto é visivelmente mais curva. Terceira: como o índice de refração varia com a cor (a dispersão, tratada em refração da luz), a distância focal também varia, e a luz azul foca um pouco antes da vermelha; é a aberração cromática, que a 2.ª etapa de 2007 cobrou no telescópio de Galileu (item 84, C: a focal da objetiva “não é a mesma para essas cores”) e que as objetivas modernas corrigem combinando vidros diferentes.

Focos, centro óptico e os três raios notáveis

Numa lente delgada, os elementos são poucos. O eixo principal é a reta que passa pelos centros de curvatura das duas faces. O centro óptico OO é o ponto do eixo no plano da lente: todo raio que passa por ele atravessa a lente sem se desviar (as duas faces ali são praticamente paralelas, e a lente delgada funciona como uma lâmina de espessura zero). O foco imagem F′F' é o ponto onde se reúnem, depois da lente, os raios que chegaram paralelos ao eixo; o foco objeto FF é o ponto simétrico, do outro lado: raios que saem dele (ou passam por ele) emergem paralelos ao eixo. Numa lente delgada imersa num só meio, FF e F′F' estão à mesma distância ff do centro óptico, a distância focal. Os pontos a 2f2f de cada lado são os pontos antiprincipais AA e A′A': um objeto sobre AA tem imagem sobre A′A', do mesmo tamanho.

Na convergente os dois focos são reais: a luz de fato passa por F′F'. Na divergente eles são virtuais: um feixe paralelo emerge abrindo-se como se viesse de um ponto do lado da entrada, e é esse ponto que se chama foco imagem F′F'; o foco objeto FF fica do outro lado, e raios que apontam para ele emergem paralelos. Por isso, nos desenhos, F′F' da divergente fica do lado do objeto, e FF do lado oposto; é o inverso da convergente.

Dois painéis. À esquerda, lente convergente com o centro óptico O, o foco objeto F e o foco imagem F linha a distâncias iguais f, e os pontos antiprincipais A e A linha; um objeto seta azul emite três raios: o azul, paralelo ao eixo, emerge passando por F linha; o verde, que passa por F, emerge paralelo ao eixo; o roxo, pelo centro óptico, não se desvia; os três se cruzam abaixo do eixo no topo da imagem laranja invertida e menor. À direita, lente divergente com F linha à esquerda e F à direita: o raio paralelo emerge afastando-se do eixo com prolongamento tracejado por F linha; o dirigido a F emerge paralelo; o roxo segue reto; os prolongamentos se cruzam numa imagem pequena e direita entre O e F linha.
Os três raios notáveis resolvem qualquer construção: paralelo ao eixo sai por F′F', por FF sai paralelo, pelo centro óptico não se desvia. Na divergente os focos são virtuais e trocam de lado, mas as três regras são as mesmas. Diagrama autoral.
Os três raios notáveis

De cada ponto do objeto saem infinitos raios, e todos os que atravessam a lente se encontram (ou parecem se encontrar) no mesmo ponto da imagem. Basta então escolher os que têm trajeto conhecido:

  1. Paralelo ao eixo → emerge passando pelo foco imagem F′F' (na divergente, emerge como se viesse de F′F').
  2. Pelo foco objeto FF (na divergente, dirigido a FF) → emerge paralelo ao eixo.
  3. Pelo centro óptico OO → não se desvia.

Dois bastam para localizar a imagem de um ponto; o terceiro serve de conferência. A prova gosta dos raios 1 e 3: os três itens do tipo D de lentes em vinte anos de PAS 2 (2016/98, 2018/107 e 2020/104) se resolvem com essa dupla, e o de 2020 a pede com todas as letras: “faça uso do raio notável que se propaga paralelamente ao eixo principal e do raio notável que se propaga passando pelo centro óptico”.

A construção é a mesma dos espelhos esféricos, com uma diferença que confunde quem vem de lá: na lente a luz atravessa, então a imagem real fica do lado oposto ao objeto, e a imagem virtual, do mesmo lado. No espelho é o contrário. Quem carrega a intuição do espelho para a lente troca “real” e “virtual” de lado; a convenção de sinais, adiante, resolve isso sem precisar decorar.

Cinco casos da convergente, um da divergente

Fixe a lente convergente e mova o objeto ao longo do eixo, de muito longe até quase encostar. A imagem percorre uma sequência que se repete em qualquer lente e que vale decorar pela lógica, não pela lista.

Cinco painéis empilhados, todos com a mesma lente convergente ao centro, o eixo principal e os pontos A, F, O, F linha e A linha, um objeto seta azul e a imagem seta laranja construída com o raio paralelo ao eixo e o raio pelo centro óptico. Painel 1, além de 2f, câmera e olho: imagem real, invertida e menor entre F linha e A linha, p igual a 300, p linha igual a 150, A igual a menos 0,50. Painel 2, sobre 2f, copiadora: imagem real, invertida e igual sobre A linha, p igual a 200, p linha igual a 200, A igual a menos 1. Painel 3, entre f e 2f, projetor: imagem real, invertida e maior além de A linha, p igual a 150, p linha igual a 300, A igual a menos 2. Painel 4, sobre F, colimador: raios emergentes paralelos, imagem imprópria. Painel 5, aquém de f, lupa: prolongamentos tracejados se cruzam do lado do objeto numa imagem virtual, direita e maior, p igual a 60, p linha igual a menos 150, A igual a mais 2,5.
Os cinco casos da lente convergente, com os valores de Gauss em cada painel (f=100f = 100 na escala do desenho). Duas fronteiras organizam tudo: o foco separa imagem real de virtual; o ponto antiprincipal separa imagem menor de maior. Diagrama autoral.
objeto (convergente) imagem onde ela cai instrumento
além de AA (p>2fp > 2f) real, invertida, menor entre F′F' e A′A' câmera, olho
sobre AA (p=2fp = 2f) real, invertida, igual sobre A′A' copiadora 1:1
entre AA e FF (f<p<2ff < p < 2f) real, invertida, maior além de A′A' projetor
sobre FF (p=fp = f) imprópria (raios paralelos) no infinito colimador, lanterna
aquém de FF (p<fp < f) virtual, direita, maior do lado do objeto, além dele lupa
qualquer, na divergente virtual, direita, menor entre a lente e F′F' óculos de míope, olho mágico

Leia a tabela como um filme. Objeto muito longe: imagem pequena, invertida, quase sobre F′F' (é assim que o Sol vira um ponto no foco da lupa e que a paisagem cabe no sensor da câmera). O objeto se aproxima: a imagem se afasta da lente e cresce; sobre AA os dois se igualam; entre AA e FF a imagem já é maior que o objeto e vai para longe, o regime do projetor. O objeto chega ao foco: a imagem foge para o infinito, os raios saem paralelos. O objeto entra no foco: os raios emergentes já não se cruzam do outro lado; divergem, e é preciso prolongá-los para trás para achar onde parecem nascer. A imagem agora é virtual, do mesmo lado do objeto, mais longe da lente que ele, direita e maior: a lupa. Objeto e imagem real andam sempre em sentidos opostos (objeto aproxima, imagem afasta), e as duas fronteiras, FF e AA, separam real de virtual e menor de maior.

Lente divergente ao centro com o centro óptico O; o foco imagem F linha à esquerda, do lado do objeto, e o foco objeto F à direita. Um objeto seta azul alto à esquerda: o raio paralelo ao eixo emerge afastando-se do eixo, com prolongamento tracejado que passa por F linha, e o raio pelo centro óptico segue reto; os prolongamentos se cruzam entre O e F linha, onde está a imagem laranja pequena e direita. Um segundo objeto cinza, mais próximo da lente, tem imagem cinza também pequena e direita. Título: lente divergente, imagem sempre virtual, direita e menor, entre a lente e F linha; valores p igual a 360, p linha igual a menos 111, A igual a mais 0,31; p igual a 140, p linha igual a menos 75, A igual a mais 0,53; f igual a menos 160.
A divergente tem um só comportamento com objeto real: imagem virtual, direita e reduzida, sempre entre a lente e F′F'. Em Gauss, f<0f < 0 e p>0p > 0 nunca dão p′>0p' > 0. Diagrama autoral.

A divergente tem um caso só, e é isso que a banca explora. Os raios que saem dela sempre se abrem; os prolongamentos se cruzam do lado do objeto, entre a lente e F′F', e a imagem que nasce ali é virtual, direita e reduzida, qualquer que seja a distância do objeto. Aproxime ou afaste o objeto e só o tamanho da imagem muda um pouco. A 2.ª etapa de 2025 escreveu, sobre a lente divergente do seu modelo de olho: “Para qualquer distância p do objeto, a imagem será real e invertida em relação ao objeto.” Gabarito E, por duas razões: a divergente nunca dá imagem real de objeto real, e mesmo uma convergente falharia na promessa “para qualquer pp”, porque dentro do foco a imagem vira virtual e direita.

A promessa que vale para todo p

Convergente nenhuma oferece o mesmo tipo de imagem em todas as posições do objeto: aquém do foco, virtual e direita; além dele, real e invertida. A única lente constante é a divergente, e o que ela garante é o contrário do que os itens costumam prometer: virtual, direita e reduzida, sem exceção. Ao encontrar “para qualquer distância” num enunciado, submeta a frase aos dois extremos, objeto muito afastado e objeto quase encostado na lente; basta um deles falhar para o item cair. Vale julgar também a versão numérica do mesmo erro: “uma divergente forma imagem real se a distância focal for menor que a distância do objeto” é E com qualquer número no lugar.

Gauss com sinais, agora para lentes

As duas equações são as mesmas dos espelhos esféricos; o que muda é onde ficam as coisas.

Equação de Gauss e aumento linear para lentes delgadas

Sendo pp a distância do objeto à lente, p′p' a distância da imagem à lente e ff a distância focal,

1p+1p′=1f,\frac{1}{p} + \frac{1}{p'} = \frac{1}{f},

e o aumento linear, razão entre o tamanho da imagem ii e o do objeto oo, é

A=io=−p′p.A = \frac{i}{o} = -\frac{p'}{p}.

A convenção:

  • f>0f > 0 lente convergente; f<0f < 0 lente divergente;
  • p>0p > 0 objeto real (do lado de onde vem a luz);
  • p′>0p' > 0 imagem real: fica do lado oposto ao do objeto e pode ser recolhida num anteparo; p′<0p' < 0 imagem virtual: fica do lado do objeto e só se vê através da lente;
  • A>0A > 0 imagem direita; A<0A < 0 invertida; ∣A∣>1|A| > 1 maior, ∣A∣<1|A| < 1 menor.

Anote a convenção no rascunho antes do primeiro número; terminada a conta, volte ao enunciado e veja se o sinal de AA bate com a imagem que ele descreve. Na forma resolvida, 1/p′=1/f−1/p1/p' = 1/f - 1/p: na convergente, p′p' é positivo quando p>fp > f e negativo quando p<fp < f; na divergente, com 1/f1/f negativo, 1/p′1/p' é soma de dois negativos e p′p' é negativo sempre. A tabela dos casos inteira está dentro dessa linha.

Exemplo resolvido: a câmera de 5 cm da prova de 2019. Uma lente convergente de f=5f = 5 cm é a objetiva de uma câmera analógica simples. (1) Pessoa a 2,5 m =250= 250 cm: 1/p′=1/5−1/250=50/250−1/250=49/2501/p' = 1/5 - 1/250 = 50/250 - 1/250 = 49/250, logo p′≈5,1p' \approx 5{,}1 cm; A=−5,1/250≈−0,02A = -5{,}1/250 \approx -0{,}02: imagem real, invertida, cinquenta vezes menor, um pouco além do foco. Uma pessoa de 1,7 m vira 3,5 cm de filme. (2) Objeto a 20 cm: 1/p′=1/5−1/20=4/20−1/20=3/201/p' = 1/5 - 1/20 = 4/20 - 1/20 = 3/20, p′≈6,7p' \approx 6{,}7 cm, A=−1/3A = -1/3: real, invertida, um terço do tamanho. (3) Objeto a 2,5 cm, dentro do foco: 1/p′=1/5−1/2,5=1/5−2/5=−1/51/p' = 1/5 - 1/2{,}5 = 1/5 - 2/5 = -1/5, p′=−5p' = -5 cm, A=+2A = +2: virtual, direita, com o dobro do tamanho; a objetiva está funcionando como lupa. Conferência: a lente não mudou de um caso para outro, só a posição do objeto; o sinal de p′p' acompanha a tabela (fora do foco, positivo; dentro, negativo).

A prova de 2019 pendurou nessa câmera três itens. O 73, “Na situação em tela, a dioptria da lente é de 20 m⁻¹”, é C (a conta vem na seção seguinte). O 74, “Para que a imagem de um objeto maior que o filme seja real e inteiramente representada no filme, a distância do objeto à lente, no eixo óptico, deve ser inferior a 5 cm”, é E: a menos de 5 cm o objeto fica aquém do foco, e o que a lente produz ali é uma imagem virtual, invisível para qualquer filme; para recolher uma imagem real menor que o objeto, o objeto precisa estar além de 2f2f, portanto a mais de 10 cm. E o 75, tipo B, perguntava a que distância deveria estar o objeto para a imagem se formar no filme a 4 cm da lente; foi anulado, e a razão é física: 1/p=1/5−1/4<01/p = 1/5 - 1/4 < 0. Imagem real de uma convergente está sempre além de F′F'; a 4 cm de uma lente de 5 cm não existe imagem real de objeto real.

Exemplo resolvido: o problema inverso. Um objeto a 12 cm de uma lente tem imagem virtual, direita, três vezes maior. Que lente é essa? Conta: imagem direita e virtual dá A=+3=−p′/pA = +3 = -p'/p, logo p′=−36p' = -36 cm. Gauss: 1/f=1/12+1/(−36)=3/36−1/36=2/361/f = 1/12 + 1/(-36) = 3/36 - 1/36 = 2/36, f=+18f = +18 cm. Leitura: ff positivo, lente convergente, com o objeto (12 cm) dentro do foco (18 cm): a lupa, como manda a tabela. Se a conta desse ff negativo com imagem maior, haveria erro, porque a divergente só produz imagem menor.

Exemplo resolvido: o tipo B de 2020. “A figura a seguir ilustra um objeto localizado a 20 cm de uma lente delgada convergente, cuja distância focal é de 60 cm […] calcule a ampliação da imagem. Multiplique o valor encontrado por 10.” Objeto dentro do foco. 1/p′=1/60−1/20=1/60−3/60=−2/601/p' = 1/60 - 1/20 = 1/60 - 3/60 = -2/60, p′=−30p' = -30 cm; A=−(−30)/20=+1,5A = -(-30)/20 = +1{,}5. Marcação: 1,5×10=151{,}5 \times 10 = 15, gabarito 015. O item 104, tipo D do mesmo bloco, pedia o desenho: os dois raios notáveis saem divergentes da lente e a imagem fica nos prolongamentos, do lado do objeto, a 30 cm, direita e uma vez e meia maior. Quem traçou os raios se cruzando do outro lado, como se o objeto estivesse além do foco, errou o desenho inteiro.

O sinal de p′ é a resposta, não um detalhe

Um p′p' negativo não é conta errada: é a imagem do lado do objeto, virtual. Um ff negativo não é conta errada: é a divergente. O erro mais comum de conta é esquecer o sinal de ff na divergente e somar 1/f1/f positivo, o que produz uma imagem real que a lente não forma. O segundo erro é trocar a convenção dos espelhos pela das lentes: nos dois casos p′>0p' > 0 significa imagem real, mas no espelho “real” é na frente e na lente é do outro lado. Confira sempre com a tabela: objeto dentro do foco de uma convergente tem de dar p′<0p' < 0 e A>1A > 1; se deu outra coisa, refaça.

Vergência: o “grau” dos óculos

Uma lente de distância focal curta desvia a luz mais que uma de distância focal longa: converge mais, ou diverge mais. A grandeza que mede essa “força” é o inverso da distância focal.

Vergência e dioptria

V=1f,f em metros,[V]=m−1=dioptria (di).V = \frac{1}{f}, \quad f \text{ em metros}, \quad [V] = \text{m}^{-1} = \text{dioptria (di)}.

Convergente: V>0V > 0. Divergente: V<0V < 0. Uma lente de f=5f = 5 cm =0,05= 0{,}05 m tem V=20V = 20 di (o item PAS 2 2019/73, C). Uma receita de “+4” corresponde a f=+0,25f = +0{,}25 m, convergente; “−2,5” corresponde a f=−0,4f = -0{,}4 m, divergente. Quanto maior ∣V∣|V|, menor ∣f∣|f| e mais “forte” a lente. Para duas lentes delgadas justapostas (encostadas), as vergências se somam: V=V1+V2V = V_1 + V_2; por isso a caixa de lentes de prova do oftalmologista permite montar qualquer receita empilhando lentes, e por isso uma lente de +3 di sobre uma de −1 di equivale a uma de +2 di.

O “grau” da linguagem comum é a dioptria: “óculos de dois graus” são lentes de 2 di, com foco a meio metro. Grau, aqui, não é unidade de ângulo nem de temperatura; um item que diga “a lente tem distância focal de 2 graus” ou que troque dioptria por metro está errado por definição. A linguagem comum engole o sinal (“tenho dois graus”), e é exatamente o sinal que carrega a física: vergência negativa é lente divergente, receita de míope; vergência positiva é lente convergente, receita de hipermétrope ou de presbita. Na receita completa aparecem ainda um valor “cilíndrico” e um “eixo”, que são do astigmatismo, adiante.

Duas conversões que caem sem aviso: de centímetros para dioptrias, divida 100 pela distância focal em centímetros (f=25f = 25 cm dá 4 di); de dioptrias para centímetros, divida 100 pela vergência (2,52{,}5 di dá 40 cm). O erro típico é usar a distância em centímetros direto no inverso: 1/5=0,21/5 = 0{,}2 não é dioptria de nada.

O olho: uma câmera que foca mudando a lente

O olho humano é um sistema convergente com cerca de 60 dioptrias: a córnea, a membrana transparente da frente, faz a maior parte da convergência (uns 40 di), porque é nela que a luz passa do ar para um meio de índice bem maior; o cristalino, uma lente biconvexa flexível logo atrás da pupila, faz o resto e, sobretudo, faz o ajuste. Atrás do cristalino, o humor vítreo, transparente, preenche o globo até a retina, a “tela” de células fotossensíveis que forra o fundo do olho, ligada ao cérebro pelo nervo óptico. Da córnea à retina vão uns 24 mm; do plano do cristalino à retina, uns 17 mm. Tudo isso, para a óptica geométrica, é uma lente convergente com uma tela fixa a p′≈17p' \approx 17 mm.

Dois painéis com o mesmo olho em corte: córnea em arco à frente, cristalino como elipse azul logo atrás, retina como arco laranja no fundo e nervo óptico saindo por trás. À esquerda, título longe, músculos ciliares relaxados, f maior: um objeto distante emite um raio paralelo ao eixo e um raio pelo centro do sistema, que se cruzam sobre a retina numa imagem pequena e invertida; o cristalino é fino; valores p igual a 800, p linha igual a 2r igual a 180 fixo, f igual a 147. À direita, título perto, acomodação, cristalino mais bojudo, f menor: objeto próximo, cristalino mais grosso, raios de novo cruzando sobre a retina, imagem um pouco maior; valores p igual a 300, p linha igual a 180, f igual a 112. Linha final: a câmera foca movendo a lente; o olho foca mudando f.
O olho é uma câmera com um truque diferente: a distância lente–retina é fixa, então focar perto e longe exige mudar a distância focal. Para perto, os músculos ciliares se contraem e o cristalino fica mais bojudo (acomodação); para longe, relaxam e ele afina; a imagem na retina é sempre real, invertida e menor. Diagrama autoral com Gauss (p′=2rp' = 2r fixo).
Imagem na retina, acomodação, ponto próximo e ponto remoto

Como o objeto está sempre muito além de 2f2f (o mundo fica a metros, e ff é da ordem de 17 mm), a imagem na retina é real, invertida e menor: o primeiro caso da convergente. O cérebro aprende a interpretá-la como direita, e a inversão só reaparece em experimentos com óculos que invertem a cena (o cérebro se readapta em dias).

Numa câmera, ff é fixo e o anel de foco muda p′p', avançando a lente para objetos próximos. No olho é o contrário: p′p' é fixo e o que muda é ff. Para um objeto mais próximo (menor pp), Gauss exige menor ff, isto é, um sistema mais convergente: os músculos ciliares se contraem, o cristalino fica mais curvo e mais grosso, sua distância focal diminui. É a acomodação. Para longe, os músculos relaxam e o cristalino afina. A acomodação tem limites: o ponto remoto (PR) é o ponto mais distante que o olho foca com os músculos relaxados, no infinito para o olho normal; o ponto próximo (PP) é o mais perto que ele foca com o esforço máximo, cerca de 25 cm para o adulto jovem (e bem menos para a criança). Entre PP e PR fica o intervalo de visão nítida. Ler a 25 cm por horas cansa porque é o esforço máximo mantido.

Por que a foto sai de cabeça para baixo e o mundo não

A câmera e o olho fazem a mesma coisa: imagem real, invertida e menor de um objeto além de 2f2f. Na câmera, o software gira a imagem para o visor; no olho, o cérebro faz o giro. Uma diferença prática está no foco: a câmera do celular tem ff da ordem de 4 mm e move a lente frações de milímetro para focar de 10 cm ao infinito; o olho mantém a lente no lugar e a deforma. Outra está na íris: a pupila abre e fecha (de 2 a 8 mm) para regular a luminosidade, como o diafragma da câmera, e não para focar. Quem confunde pupila com foco erra o item sobre acomodação.

O modelo de olho que a prova usa cabe em duas frases, e o bloco da 2.ª etapa de 2025 as tornou literais: o globo é uma bola de raio rr, a lente delgada fica na frente dela, e a imagem precisa cair no fundo, a 2r2r da lente. No tipo B daquele bloco (item 94), com r=12r = 12 mm e f=16f = 16 mm, “imagem dentro do globo” virou p′≤24p' \le 24 mm, e Gauss deu a menor distância do objeto: 1/p=1/16−1/24=1/481/p = 1/16 - 1/24 = 1/48, p=48p = 48 mm, gabarito 048. O item deixa uma regra de prova: o texto-base falava em “lente divergente”, mas a figura desenhava um perfil biconvexo com o foco F2F_2 dentro do globo, e o comando fornecia ff positivo e pedia imagem dentro do globo, coisa que divergente nenhuma faz. Na hora da prova, os dados do comando mandam; a discussão com o texto fica para depois, e o gabarito definitivo confirmou 048.

Miopia, hipermetropia, presbiopia: a imagem fora da retina e a lente que a devolve

O olho normal (emétrope) leva a imagem de um objeto distante exatamente à retina com os músculos relaxados. Quando a geometria do globo ou a convergência do sistema não combinam, a imagem cai antes ou depois da retina, e o que chega a ela é uma mancha em vez de um ponto: a visão fica borrada. São as ametropias, e a lente de fora entra para devolver a imagem ao lugar.

Quatro painéis com o olho em corte recebendo dois raios paralelos de um objeto distante. Superior esquerdo, miopia sem correção: os raios se cruzam antes da retina, num ponto rotulado foco antes, e chegam à retina abertos, formando uma mancha; subtítulo imagem antes da retina, globo longo ou converge demais. Superior direito, miopia corrigida: uma lente divergente diante do olho abre um pouco os raios, que o olho cruza exatamente sobre a retina, ponto rotulado na retina; subtítulo lente divergente, V menor que zero, atrasa a convergência. Inferior esquerdo, hipermetropia sem correção: os raios atravessam a retina ainda convergindo e os prolongamentos tracejados se cruzam fora do globo, ponto rotulado foco atrás, com mancha na retina; subtítulo imagem atrás da retina, globo curto ou converge de menos. Inferior direito, hipermetropia corrigida: uma lente convergente aproxima os raios antes do olho, que os cruza sobre a retina; subtítulo lente convergente, V maior que zero, adianta a convergência.
As duas ametropias e suas correções, lado a lado. Míope: imagem antes da retina, lente divergente (V<0V < 0) que atrasa a convergência. Hipermétrope: imagem atrás, lente convergente (V>0V > 0) que a adianta. O par trocado é o erro de fábrica do tema. Diagrama autoral com geometria de Gauss.
Miopia, hipermetropia, presbiopia, astigmatismo

Miopia. O sistema córnea-cristalino é forte demais para o comprimento do globo, seja porque converge em excesso, seja porque o globo é alongado: os raios de um objeto distante se cruzam antes de chegar à retina e a alcançam já abertos. De perto o míope enxerga bem, porque um objeto próximo tem imagem mais afastada da lente, que alcança a retina; de longe, mal. Seu ponto remoto é finito, a uma distância PRPR. Correção: lente divergente (V<0V < 0), que atrasa a convergência e traz o infinito para o ponto remoto: a lente recebe um objeto no infinito (1/p=01/p = 0) e precisa devolver uma imagem virtual em p′=−PRp' = -PR; Gauss dá f=−PRf = -PR e

Vmıˊope=−1PR.V_{\text{míope}} = -\frac{1}{PR}.

Hipermetropia. O caso simétrico: o sistema é fraco para o comprimento do globo, seja porque converge pouco, seja porque o globo é encurtado. Os raios de um objeto próximo chegariam à retina ainda convergindo, com o ponto de cruzamento atrás dela; o hipermétrope enxerga longe à custa de acomodação e perto com dificuldade; seu ponto próximo está afastado (mais de 25 cm). Correção: lente convergente (V>0V > 0), que adianta o encontro dos raios. Conta: a lente deve formar, de um objeto na distância de leitura desejada dd (em geral 25 cm), uma imagem virtual sobre o ponto próximo real: 1/f=1/d−1/PP1/f = 1/d - 1/PP.

Presbiopia (“vista cansada”). Com a idade, o cristalino enrijece e os músculos ciliares perdem a capacidade de encurtar ff: a acomodação diminui e o ponto próximo se afasta, embora o longe continue nítido. Não é um defeito de geometria do globo, mas de elasticidade, e chega a quase todos a partir dos 40–45 anos. Correção: convergente para perto (óculos de leitura), calculada como a do hipermétrope. Um míope presbita precisa de divergente para longe e de convergente para perto: lentes bifocais ou multifocais.

Astigmatismo. A córnea (às vezes o cristalino) não tem simetria de revolução: é mais curva num plano que no outro, e cada plano foca a uma distância diferente. Linhas verticais e horizontais não ficam nítidas ao mesmo tempo; a imagem de um ponto é um traço. Correção com lentes cilíndricas (ou esferocilíndricas), que só têm vergência num plano, montadas com o eixo na orientação certa; é o terceiro número da receita. Astigmatismo é defeito do olho, não propriedade de espelho: a 2.ª etapa de 2021 chamou de “astigmatismo” a semelhança entre um homem e seu reflexo numa poça, item E.

Exemplo resolvido: o míope de 40 cm. Sem óculos, uma pessoa só enxerga nítido o que está a até 40 cm. Conta: o objeto a corrigir é o mais distante possível, no infinito (1/p=01/p = 0), e a imagem que a lente deve oferecer ao olho fica sobre o ponto remoto, do mesmo lado do objeto: p′=−0,4p' = -0{,}4 m. Então 1/f=0+1/(−0,4)1/f = 0 + 1/(-0{,}4), f=−0,4f = -0{,}4 m e V=−2,5V = -2{,}5 di. “Menos dois e meio”, na linguagem da óptica. Conferência: ∣f∣=PR|f| = PR; uma divergente de foco 40 cm forma, de qualquer objeto distante, uma imagem virtual a no máximo 40 cm dela, dentro do alcance desse olho. Já uma receita de +2,5 di, hipermétrope, é uma convergente de f=+0,4f = +0{,}4 m, que sozinha funcionaria como lupa fraca.

Exemplo resolvido: os óculos de leitura. Uma pessoa só foca, sem esforço excessivo, a partir de 1 m, e quer ler a 25 cm. Conta: objeto em p=0,25p = 0{,}25 m, imagem virtual no ponto próximo, p′=−1,0p' = -1{,}0 m: 1/f=1/0,25−1/1,0=4−1=31/f = 1/0{,}25 - 1/1{,}0 = 4 - 1 = 3, V=+3V = +3 di, f≈33f \approx 33 cm. Leitura: convergente, com o livro (25 cm) dentro do foco (33 cm), como uma lupa que joga a página para o lugar onde o olho consegue focar. Se a conta desse imagem real (p′>0p' > 0) para óculos, haveria erro: óculos sempre oferecem ao olho uma imagem virtual, no intervalo de visão nítida dele.

O item de 2017, dentro do texto sobre espelhos que distorcem, trouxe a ametropia pela porta da causa: “Indivíduos com alto grau de miopia veem a imagem refletida no espelho desfocada, porque o globo ocular de um míope é menor do que o de uma pessoa com visão normal.” Gabarito E. O efeito descrito existe: a imagem no espelho fica atrás dele, longe, e um míope sem óculos a vê borrada. O que o item troca é a explicação. Um globo encurtado produziria imagem atrás da retina, que é a hipermetropia; o míope tem o globo alongado, ou o sistema forte demais, e a imagem dos objetos distantes se forma na frente da retina. É a versão anatômica da troca convergente/divergente, e se resolve do mesmo jeito: decida primeiro de que lado da retina a imagem está, e o resto vem por consequência.

A pupila como diafragma e o "efeito furinho"

Aperte os olhos ou olhe através de um furo minúsculo num papel e a cena fica mais nítida, mesmo sem óculos. Não é mágica da lente: é a pupila artificial reduzindo o cone de raios que entra no olho. Um cone mais fino produz uma mancha menor na retina quando a imagem cai fora dela, e a mancha menor parece foco. A câmera fotográfica usa o mesmo princípio ao fechar o diafragma para aumentar a profundidade de campo; a câmara escura da página de princípios da óptica geométrica é o caso-limite, sem lente nenhuma. O preço, nos dois casos, é a luz: fecha-se o furo, escurece a imagem.

Do mesmo vidro, quatro máquinas

Cada instrumento óptico escolhe um regime da tabela dos casos, e às vezes combina dois.

Quatro painéis com lentes convergentes de f igual a 60. Lupa, objeto aquém de F: raios emergentes divergentes e prolongamentos tracejados formando uma imagem virtual, direita e maior do lado do objeto, p igual a 40, p linha igual a menos 120, A igual a mais 3. Câmera e olho, objeto além de A: imagem pequena e invertida sobre uma faixa rotulada sensor, logo depois de F linha, p igual a 300, p linha igual a 75, A igual a menos 0,25. Projetor, objeto entre F e A: imagem grande e invertida sobre uma faixa rotulada tela, p igual a 80, p linha igual a 240, A igual a menos 3. Luneta astronômica, focos coincidentes: objetiva grande à esquerda, ocular pequena à direita, ponto F entre elas; raios paralelos inclinados entram pela objetiva, cruzam no plano focal comum numa pequena seta invertida e saem pela ocular como feixe paralelo mais inclinado; legenda: imagem final no infinito, invertida, ampliação angular f1 sobre f2 igual a 3,5.
O mesmo vidro, quatro máquinas. Lupa (p<fp < f), câmera e olho (p>2fp > 2f), projetor (f<p<2ff < p < 2f) diferem só pela posição do objeto; a luneta junta duas lentes com os focos no mesmo ponto para que um feixe paralelo saia paralelo, mais inclinado. Diagrama autoral com valores de Gauss.

A lupa é uma convergente usada com o objeto aquém do foco: a imagem é virtual, direita e ampliada, nasce do lado do objeto, e o olho a observa com conforto quando ela cai perto do seu ponto remoto. Quanto menor ff, maior a ampliação possível, e por isso as lupas fortes são pequenas e bojudas. A câmera fotográfica e o olho trabalham com o objeto além de 2f2f: imagem real, invertida e menor sobre o sensor, o filme ou a retina, um pouco além de F′F'. O projetor (de slides, de cinema, o datashow) inverte a câmera: o objeto pequeno e muito iluminado fica um pouco além do foco, entre FF e AA, e a imagem real, invertida e muito maior cai na tela, a metros; o chip é montado de cabeça para baixo para a cena aparecer de pé. O colimador e a lanterna põem a fonte no foco e produzem um feixe paralelo. Uma única lente faz os três primeiros papéis conforme a distância, e é essa a resposta à cena da abertura: ao sol, a lente de leitura é câmera do Sol (objeto no infinito, imagem no foco, e ali a energia se concentra); pousada sobre o jornal, é lupa; erguida um palmo e olhada de longe, é câmera de novo, e a imagem real e invertida flutua no ar entre a lente e o olho.

A lente de gelo e o fator 25

A 2.ª etapa de 2008 pôs um homem na neve tentando acender jornal com uma lente de gelo moldada numa calota esférica: raio 10 cm, foco 50 cm, jornal a 40 cm. Quatro itens saíram daí. A calota cheia de água congelada dá uma lente plano-convexa (item 32, C). A lente não “aumenta a energia do feixe”: concentra a mesma potência numa área menor (item 33, E). A distância ideal até o jornal é o foco, 50 cm, onde o Sol, no infinito, forma imagem, e não 30 cm (item 35, E). E, a 40 cm, antes do foco, o cone de luz ainda tem raio 10×(50−40)/50=210 \times (50 - 40)/50 = 2 cm; a potência que entrou por um círculo de 10 cm passa por um de 2 cm, e a intensidade fica (10/2)2=25(10/2)^2 = 25 vezes maior (item 34, C). Semelhança de triângulos, conservação da energia e a ficha do foco, tudo num só texto-base.

Dois instrumentos combinam duas lentes, e a lógica é sempre “uma forma a imagem, a outra a amplia”. No microscópio composto, a objetiva, de distância focal curta, tem a amostra logo além do seu foco e forma, dentro do tubo, uma imagem real, invertida e ampliada (regime de projetor); a ocular recebe essa imagem dentro do seu foco e funciona como lupa, produzindo a imagem final virtual, ainda maior, invertida em relação à amostra. A ampliação total é o produto das duas. Na luneta astronômica (telescópio refrator de Kepler), a objetiva é convergente e de distância focal longa: recebe os raios praticamente paralelos do astro e forma no seu foco uma imagem real, pequena e invertida; a ocular, de distância focal curta, tem o foco no mesmo ponto e faz de lupa dessa imagem. Com os focos coincidentes, raios que entram paralelos saem paralelos (sistema afocal), o olho relaxado vê a imagem no infinito, invertida, ampliada em ângulo por fob/focf_{\text{ob}}/f_{\text{oc}}, e o tubo mede cerca de fob+focf_{\text{ob}} + f_{\text{oc}}. Uma objetiva de 100 cm com ocular de 5 cm amplia 20 vezes: era a ampliação do telescópio que Galileu construiu em 1609, citada no texto-base da 2.ª etapa de 2007. No arranjo particular de Galileu, a ocular era divergente, o que dá imagem final direita; em nenhum arranjo a objetiva é divergente, porque uma divergente não forma imagem real para a ocular ampliar. O item 83 daquele ano, “No telescópio de Galileu, a objetiva é uma lente divergente, a ocular é uma lente convergente e a distância focal da lente objetiva é menor que a da lente ocular”, é E três vezes.

A câmara lúcida dos desenhistas, cobrada em 2009 num texto sobre David Hockney, é o contraexemplo útil: feita só de espelhos planos (um semiespelhado, um fixo), ela superpõe no campo de visão do desenhista duas coisas, o modelo à frente e a folha embaixo, de modo que ele parece ver a cena desenhada sobre o papel; a imagem que ela fornece, porém, é virtual: raio nenhum da cena chega de fato à base onde ela parece estar. Por isso “é possível obter-se uma fotografia do referido objeto a partir do uso de um filme posicionado na base” é E (item 69): filme registra luz que o atinge, e imagem virtual não se projeta. Fotografar exige lente convergente e imagem real, como na câmera.

Como a banca pergunta

Nenhum outro tema de óptica rendeu tantos pedidos de desenho: em duas décadas de PAS 2, as lentes apareceram três vezes como item tipo D, e nas três a solução foi o mesmo par de raios notáveis. Em 2016 (item 98), com f=6f = 6 cm e objeto a 18 cm, o comando pedia o esboço, as características da imagem e a relação algébrica entre os tamanhos: o raio paralelo dobra para F′F', o raio pelo centro segue reto, e eles se cruzam a 9 cm do outro lado (1/p′=1/6−1/18=1/91/p' = 1/6 - 1/18 = 1/9); com A=−9/18=−1/2A = -9/18 = -1/2, a imagem é real, invertida e tem a metade da altura do objeto. Em 2018 (item 107), o desenho era o telescópio refrator com as lentes B e O de focos coincidentes: raios paralelos convergem em F, imagem intermediária real e invertida, e saem paralelos pela ocular. Em 2020 (item 104), o tipo D veio ao lado do tipo B da ampliação 1,5 (item 103, 015): objeto aquém do foco, raios emergentes divergentes, imagem nos prolongamentos. Nos três, o erro que zera o item é cruzar os raios do lado errado.

Os itens tipo A seguem cinco padrões. Absolutização (“para qualquer distância”, 2025/88, E). Termo trocado na ficha de um instrumento (objetiva divergente em Galileu, 2007/83, E; globo do míope “menor”, 2017/102, E; filme numa imagem virtual, 2009/69, E). Conta de uma linha com Gauss ou vergência (20 dioptrias, 2019/73, C; foco a 50 cm e não 30, 2008/35, E; distância inferior a 5 cm para imagem real, 2019/74, E). Conservação de energia disfarçada de óptica (a lente “aumenta a energia”, 2008/33, E; o fator 25, 2008/34, C). E contraste de índices (velocidade menor na lente convergente, 2025/91, C; calota congelada vira plano-convexa, 2008/32, C). Os tipo B são dois, e ambos Gauss puro com escala no comando: 2020/103 (ampliação × 10 = 015) e 2025/94 (menor pp para imagem dentro do globo = 048, com três dígitos e zero à esquerda).

O bloco de 2025 ensina ainda a ler um texto-base misto. Sete itens pendurados em duas frases sobre lágrima e soro fisiológico: três de Química (89, 92 e 93), um de ondulatória geral (o 90: a refração “não ocorre em ondas materiais”, E) e três de lentes (88, 91 e 94). A estratégia é passar os olhos pelos substantivos de cada item, marcar os que são de óptica e só então voltar ao texto-base, com uma pergunta definida, em vez de relê-lo por inteiro: o tipo de lente está numa frase do meio, o modelo do globo como esfera de raio rr também, e a hipótese da espessura desprezível aparece no comando, não no texto. O item 88 se decide pela ficha da divergente, o 91 pela definição de índice e o 94 por uma soma de frações; a anatomia e a química do texto não entram em nenhum deles.

Os erros que a prova planta

Dez tropeços, um por linha
  1. Divergente com imagem real. Não existe para objeto real: f<0f < 0 e p>0p > 0 dão p′<0p' < 0 sempre. Virtual, direita, menor, ponto.
  2. “Para qualquer pp” numa convergente. Dentro do foco a imagem vira virtual e direita; a promessa falha.
  3. Esquecer o sinal de ff na divergente. Somar 1/f1/f positivo produz uma imagem que a lente não forma.
  4. Confundir o lado da imagem real. Na lente, real é do outro lado; no espelho, é na frente. A convenção p′>0p' > 0 = real vale nos dois, mas o desenho muda.
  5. Miopia com convergente. O míope já converge demais; a correção é divergente (V<0V < 0). Convergente é hipermétrope e presbita.
  6. Globo do míope “menor”. O globo do míope é alongado, e por isso os raios se cruzam na frente da retina; o globo encurtado é o do hipermétrope.
  7. Imagem na retina “direita”. É real, invertida e menor; o cérebro a interpreta direita.
  8. “Grau” como unidade física. É o nome popular da dioptria (m−1\text{m}^{-1}); ff em metros no inverso, e o sinal faz parte da receita.
  9. A lente “aumenta a energia”. Concentra a mesma potência numa área menor; a intensidade cresce, a energia não.
  10. Objetiva divergente ou de foco curto. A objetiva de luneta é convergente e de foco longo; a ocular é que tem foco curto. Astigmatismo é defeito do olho, não propriedade de espelho.

O essencial em meia página

  • Tipos. No ar: bordas finas (biconvexa, plano-convexa, côncavo-convexa) convergem; bordas grossas (bicôncava, plano-côncava, convexo-côncava) divergem. Vale se nlente>nmeion_{\text{lente}} > n_{\text{meio}}; contraste invertido troca o comportamento; contraste nulo apaga a lente. Fabricantes: 1/f=(nlente/nmeio−1)(1/R1+1/R2)1/f = (n_{\text{lente}}/n_{\text{meio}} - 1)(1/R_1 + 1/R_2), só qualitativo.
  • Elementos. Centro óptico OO (raio não se desvia), focos FF e F′F' a ff de cada lado (reais na convergente, virtuais e trocados de lado na divergente), antiprincipais a 2f2f.
  • Raios notáveis. Paralelo → por F′F'; por FF → paralelo; por OO → reto. Dois bastam; é a receita dos três tipo D (2016/98, 2018/107, 2020/104).
  • Casos. Convergente: p>2fp > 2f real, invertida, menor (câmera, olho); p=2fp = 2f igual; f<p<2ff < p < 2f real, invertida, maior (projetor); p=fp = f imprópria; p<fp < f virtual, direita, maior (lupa). Divergente: sempre virtual, direita, menor.
  • Gauss. 1/f=1/p+1/p′1/f = 1/p + 1/p', A=−p′/pA = -p'/p; f>0f > 0 convergente, f<0f < 0 divergente; p′>0p' > 0 real (outro lado), p′<0p' < 0 virtual (mesmo lado); A<0A < 0 invertida. Convenção antes dos números; imagem real de convergente está sempre além de F′F' (2019/75 anulado).
  • Vergência. V=1/fV = 1/f, ff em metros, em dioptrias; +4+4 di → 0,250{,}25 m; −2,5-2{,}5 di → −0,4-0{,}4 m; f=5f = 5 cm → 20 di. Justapostas somam.
  • Olho. Córnea + cristalino, convergente; imagem real, invertida e menor na retina; p′p' fixo, foca mudando ff (acomodação pelos músculos ciliares); PR no infinito, PP ≈ 25 cm.
  • Ametropias. Miopia: imagem antes, globo longo, divergente, V=−1/PRV = -1/PR (PR = 40 cm → −2,5 di). Hipermetropia: imagem atrás, globo curto, convergente, 1/f=1/d−1/PP1/f = 1/d - 1/PP. Presbiopia: acomodação perdida com a idade, convergente para perto. Astigmatismo: curvaturas desiguais, lentes cilíndricas.
  • Instrumentos. Lupa (p<fp < f), câmera e olho (p>2fp > 2f), projetor (f<p<2ff < p < 2f), colimador (p=fp = f). Microscópio: objetiva projeta, ocular amplia. Luneta: objetiva convergente de foco longo + ocular de foco curto, focos coincidentes, G=fob/focG = f_{\text{ob}}/f_{\text{oc}}, imagem invertida no infinito.
  • Roteiro diante do item. Primeiro o tipo da lente e de que lado está cada foco; se for divergente, a ficha é única e o item se decide nela. Com números, Gauss com a convenção escrita. Em olho e óculos, decida antes de tudo se a imagem está na frente ou atrás da retina: a lente corretiva é consequência. “Para qualquer” e “aumenta a energia” são sinais de item errado.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

LENTES ESFÉRICAS: O que são, tipos, características e formação da imagem | Aula de Física para Enem
Curso Enem Gratuito · 8:16
Introdução. Oito minutos que fazem o que a seção “Bordas finas, bordas grossas: o que faz uma lente convergir” faz no papel: separar convergente de divergente pela forma das bordas e pelo meio, apresentar os raios notáveis de cada uma e mostrar, num traçado, como a imagem aparece. A descrição do vídeo anuncia exatamente esse recorte (diferenciar convergente e divergente e os raios notáveis de cada uma); assista antes de ler, para chegar à seção “Focos, centro óptico e os três raios notáveis” com os desenhos na cabeça.
LENTES ESFÉRICAS (II) - FORMAÇÃO DE IMAGENS - ÓPTICA Aula 14 - Prof Boaro
Professor Boaro · 20:47
Aprofundamento. Vinte e um minutos só de construção geométrica: a aula 14 da playlist de óptica do professor Boaro discute, caso a caso, a formação das imagens nas lentes convergentes e divergentes, com os raios traçados no quadro. É a seção “Cinco casos da convergente, um da divergente” em movimento; assista com o quadro dos casos ao lado e confira, ao final, a ficha única da divergente que derrubou o item PAS 2 2025/88.
Óptica: Visão - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 10:25
Aplicação. Dez minutos da videoaula do Brasil Escola sobre as anomalias ópticas da visão e o tipo de lente que corrige cada uma, conforme a descrição do canal, que aponta ainda para textos sobre defeitos da visão e sobre o olho como instrumento óptico. É a seção “Quando a imagem erra a retina” contada por outro professor: miopia com imagem antes da retina e lente divergente, hipermetropia com imagem atrás e lente convergente. Use para fixar o par correto antes do item 2017/102.
5 EXERCÍCIOS LENTES ESFÉRICAS - Equação de Gauss, aumento, formação de imagens e raios notáveis.
Física e Exercício · 46:10
Resolução. Cinco exercícios de lentes delgadas resolvidos do início ao fim com a equação de Gauss e a do aumento, precedidos de uma revisão da teoria (bordas finas e grossas, foco real e virtual, pontos antiprincipais como o dobro da focal, raios notáveis), conforme a descrição detalhada do autor. Use depois dos exercícios desta página para conferir método e sinais nas seções “Gauss com sinais, agora para lentes” e “Focos, centro óptico e os três raios notáveis”; é longo (46 min), então pule a revisão se a teoria já estiver firme.
Rota PAS 2
Ótica geométrica e introdução à física moderna · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Ótica geométrica e introdução à física moderna · Lentes: a refração organizada (conceito com tabela dos casos, exemplo-guia da câmera de 5 cm, figura dos raios notáveis, itens 2016/98, 2018/107, 2020/103–104, 2019/74, 2008/33 e 35, 2007/83, 2009/69, armadilha 'para qualquer distância', checagem da divergente); O olho e os óculos: quando a imagem erra a retina (conceito, exemplo-guia do míope de 50 cm, lembrete das dioptrias, item 2017/102, checagem); Leia como na prova: três itens de ótica dentro de um olho (bloco 2025/88–94 com roteiro de leitura); Como a banca cobra (histórico de lentes e olho, itens 2025/88 e 94); Síntese (Lentes e olho); Banco de treino T6–T9 e T25

    Recorte por assunto: só as duas seções de lentes e olho, o bloco de 2025 e os itens de lentes do histórico. Espelhos, Snell, reflexão total e prisma ficam nas páginas irmãs. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a classificação das seis formas de lente, os pontos antiprincipais, o terceiro raio notável, a equação dos fabricantes qualitativa, ponto próximo e ponto remoto, presbiopia e astigmatismo com mais detalhe, a conta do hipermétrope, câmera versus olho (acomodação por f e por p′), microscópio composto e o item 2008/34 do fator 25.

  • Rota PAS 2 — Língua Portuguesa, texto-base de 2017 (Espelho: o reflexo de cada um) · Transcrição do texto-base de Gil Epifânia (prova de 2017), usada para reproduzir verbatim o texto do item 102

    Texto conferido pela página irmã de espelhos contra a imagem da página 16 do caderno Madeira de 2017 (o texto extraído desse ano é ilegível).

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 2 2007 (item 83), 2008 (itens 32 a 35), 2009 (item 69), 2016 (item 98, do PDF), 2017 (item 102, do PDF), 2018 (item 107), 2019 (itens 73 e 74), 2020 Parte 2 (itens 103 e 104), 2025 Parte 2 (itens 88, 91 e 94)

    Itens reproduzidos verbatim com os textos-base; gabaritos conferidos nos arquivos GAB de cada ano. Figuras de 2007 (p. 15 do caderno), 2008 (p. 7), 2009 (p. 10), 2016 (p. 15 do caderno Alice), 2018 (p. 16 do caderno Apolo), 2019 (p. 10), 2020 Parte 2 (p. 10) e 2025 Parte 2 (p. 8) rasterizadas a 130 dpi e descritas em texto neutro com todos os rótulos impressos. Itens 2019/75 (anulado: com f = 5 cm não existe imagem real a 4 cm) e 2008/36 (calorimetria) não entram; 2009/70–71 são Artes e geometria da câmara lúcida.