Estática

Guia de estudo · Revisado em 16/09/2026

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A lança de um guindaste sustenta 1 600 kg a 15 m do eixo e não cai porque um contrapeso de 6 000 kg fica a apenas 4 m do outro lado. Por que o produto massa vezes distância decide o equilíbrio, por que a soma das forças sozinha não decide nada num corpo extenso, e como isso resolve gangorras, pranchas em dois cavaletes, balanças, o antebraço e o Discóbolo que o PAS pendurou numa prova?

O que você vai aprender

  • Aplicar a condição de resultante nula (uma equação por eixo) ao equilíbrio de um ponto material, com fios e planos inclinados como casos, e reconhecer que ela é necessária mas não suficiente para um corpo extenso.
  • Definir o torque de uma força em relação a um polo, τ = F·d = F·r·sen θ, identificar o braço de alavanca como a distância perpendicular do polo à linha de ação, atribuir sinal pelo sentido de giro e distinguir N·m de joule.
  • Enunciar e usar as duas condições de equilíbrio de um corpo extenso (ΣF = 0 e Στ = 0 em relação a qualquer polo), reconhecendo o binário como o caso em que a primeira vale e a segunda não.
  • Escolher o polo no ponto de aplicação da força desconhecida que não interessa, para eliminá-la da equação de torques, e completar a solução com a equação de forças.
  • Classificar alavancas em interfixa, inter-resistente e interpotente, calcular a vantagem mecânica b_P/b_R em ferramentas, máquinas e no corpo humano, e explicar por que uma máquina multiplica força mas não trabalho.
  • Localizar o centro de massa por média ponderada em uma e duas dimensões, reconhecer que coincide com o centro de gravidade quando g é uniforme e prever como se desloca quando a distribuição de massa muda.
  • Julgar a estabilidade de um corpo apoiado pela posição da vertical que passa pelo centro de massa em relação à base de apoio, calcular o ângulo de tombamento e explicar o papel do contrapeso próximo à torre de um guindaste.
  • Resolver vigas e pranchas em dois apoios, escadas apoiadas em parede e chão e balanças de braços iguais e desiguais, lendo figuras com forças e distâncias e conferindo o resultado pela condição não usada.

Na obra, a lança horizontal de um guindaste de torre sustenta um bloco de concreto de 1 600 kg a 15 m do eixo. Do outro lado da lança, um contrapeso de 6 000 kg fica a apenas 4 m do mesmo eixo, e ninguém acha estranho que o bloco leve esteja tão longe e o pesado tão perto. A lança não cai para o lado da carga porque 1 600×15=24 0001\,600 \times 15 = 24\,000 e 6 000×4=24 0006\,000 \times 4 = 24\,000: o produto massa vezes distância ao eixo empata dos dois lados. Se o operador pudesse deslizar o contrapeso para 5 m, a lança giraria para o lado dele; a 3 m, para o lado da carga. É a mesma regra que faz uma criança leve na ponta da gangorra equilibrar um adulto sentado perto do meio, e a mesma que decide quanto o cavalete mais próximo de um trabalhador precisa aguentar quando ele pisa numa prancha.

A estática é a parte da mecânica que estuda corpos que não aceleram. Para uma partícula, basta que a soma das forças seja zero. Para um corpo extenso, uma barra, uma prancha, uma lança, um atleta, não basta: um par de forças de mesmo módulo e sentidos contrários, se não estiver na mesma reta, tem resultante zero e mesmo assim põe o corpo a girar. É preciso uma segunda condição, sobre a soma dos torques, e é ela que a prova do PAS cobra ano após ano, em guindastes, gruas, gangorras, balanças, esculturas e no próprio corpo humano. Esta página constrói as duas condições, ensina a escolher o ponto em torno do qual calcular os torques, resolve alavancas, vigas em dois apoios e balanças, explica onde o peso de um corpo “atua” e por que um objeto tomba, e termina com os itens reais e os erros que a banca planta. As três leis de Newton e a decomposição de vetores são pressupostos: estão nas páginas de leis de Newton e vetores.

Parado de verdade, parte um: a resultante tem de ser nula

Um corpo em equilíbrio estático está em repouso e continua em repouso. Pela segunda lei, aceleração zero significa resultante zero:

∑F⃗=0⃗⟺∑Fx=0   e   ∑Fy=0.\sum \vec F = \vec 0 \quad\Longleftrightarrow\quad \sum F_x = 0 \;\text{ e }\; \sum F_y = 0.

Para um ponto material, isso é tudo. O método é o da página de leis de Newton: desenhe o diagrama de forças do corpo escolhido (peso, trações, normais, atrito), escolha eixos, decomponha o que estiver inclinado e escreva uma equação por eixo.

Exemplo resolvido (luminária em dois fios). Uma luminária de 60 N pende de dois fios iguais, cada um fazendo 30∘30^\circ com o teto, isto é, com a horizontal. Por simetria, os dois fios têm a mesma tração TT. Na vertical, as duas componentes verticais sustentam o peso: 2 Tsen⁡30∘=602\,T \operatorname{sen} 30^\circ = 60, logo T=60T = 60 N. Na horizontal, Tcos⁡30∘T \cos 30^\circ de um lado cancela Tcos⁡30∘T \cos 30^\circ do outro. Conferência do bom senso: quanto mais “esticados” na horizontal os fios (ângulo menor), maior a tração; a 30∘30^\circ cada fio já puxa com o peso inteiro da luminária.

Exemplo resolvido (caixa parada na rampa). Uma caixa de 20 kg repousa numa rampa de 30∘30^\circ. Ao longo da rampa, o peso puxa com mgsen⁡30∘=200×0,5=100mg \operatorname{sen} 30^\circ = 200 \times 0{,}5 = 100 N; o atrito estático segura exatamente 100 N. Perpendicular à rampa, a normal vale mgcos⁡30∘≈173mg \cos 30^\circ \approx 173 N. Se o coeficiente de atrito estático for 0,6, o máximo que o atrito oferece é 0,6×173≈1040{,}6 \times 173 \approx 104 N: a caixa fica, por pouco. Esse cruzamento com o atrito está na página de atrito.

"Resultante nula" é necessária, mas não é suficiente para um corpo extenso

Em 2018 (item 79), diante de uma haste articulada no solo, presa por um cabo e sustentando um bloco, a banca afirmou: “para que o sistema esteja em equilíbrio estático, é suficiente que o somatório das forças que nele atuam seja nulo”. Gabarito E. Um corpo extenso pode ter resultante nula e girar. O que falta é a segunda condição, a dos torques, tema do restante desta página. Já em 2008 (item 105) a banca afirmou, sobre uma acrobacia em que duas pessoas sustentam uma terceira, que a força gravitacional sobre a terceira pessoa é equilibrada pela resultante das forças das outras duas, “de mesma intensidade e direção, mas sentido oposto”: certo, porque isso é exatamente a primeira condição aplicada a um corpo que não acelera.

Torque: força vezes braço, e o braço não é uma distância qualquer

Um parafuso de roda apertado na oficina, com máquina, pode pedir uns 180 N·m de “giro” para soltar. Quem tenta com a chave curta do estepe, de 0,3 m, precisa fazer 600 N na ponta, o equivalente a pendurar ali 60 kg; é por isso que tanta gente pisa na chave. O truque de borracharia é enfiar um cano na chave até ela ficar com 0,9 m: a força cai para 200 N, um terço, porque a distância ao eixo triplicou. A grandeza que mede a capacidade de uma força fazer um corpo girar em torno de um eixo é o torque, também chamado momento de uma força.

Torque (momento de uma força)

Em relação a um ponto OO (o polo, ou eixo de rotação), o torque de uma força F⃗\vec F aplicada a uma distância rr de OO é

τ=F⋅d=F⋅r⋅sen⁡θ,\tau = F \cdot d = F \cdot r \cdot \operatorname{sen}\theta,

em que θ\theta é o ângulo entre F⃗\vec F e o segmento que vai de OO ao ponto de aplicação, e d=rsen⁡θd = r \operatorname{sen}\theta é o braço de alavanca: a distância perpendicular do polo à linha de ação da força, isto é, à reta que prolonga o vetor força nos dois sentidos. Unidade no SI: newton-metro (N·m). O torque tem sentido: convenciona-se positivo o anti-horário e negativo o horário (ou o contrário, desde que se mantenha). Uma força cuja linha de ação passa pelo polo tem braço zero e torque zero, por maior que seja.

Três painéis com a mesma chave de roda prolongada a 0,9 m presa a um parafuso. No primeiro, a força de 200 N é perpendicular à chave: braço 0,9 m, torque 180 N·m. No segundo, a força faz 30 graus com a chave: a linha de ação tracejada passa a 0,45 m do eixo, torque 90 N·m. No terceiro, a força está alinhada com a chave: a linha de ação passa pelo eixo, braço zero, torque zero.
O braço é a distância do eixo à linha de ação, não ao ponto onde a mão pega. Com 200 N na ponta de uma chave prolongada a 0,9 m: perpendicular, τ=200×0,9=180\tau = 200 \times 0{,}9 = 180 N·m; a 30∘30^\circ, τ=200×0,9×sen⁡30∘=90\tau = 200 \times 0{,}9 \times \operatorname{sen}30^\circ = 90 N·m; alinhada com a chave, τ=0\tau = 0. Diagrama autoral.

Três leituras da fórmula rendem mais que a fórmula. Primeira: a mesma força gira mais quando aplicada mais longe do eixo, e por isso a maçaneta fica na borda da porta, longe da dobradiça, e não no meio. Segunda: a mesma força gira mais quando aplicada perpendicularmente; empurrar uma porta ao longo do seu plano, na direção da dobradiça, não a abre. Foi isso que a banca julgou em 2020 (item 89, arcobotante), ao escrever um torque com “cosseno” onde a geometria pedia seno, e em 2020 (item 88), ao afirmar que a reação ao torque de FF na base da estrutura é “um segundo torque de mesmo módulo, direção e sentido”: errado, porque um torque de reação que equilibra tem sentido oposto. Terceira: o torque depende do polo escolhido. Uma força que produz torque enorme em relação a um ponto pode ter torque zero em relação a outro, se a linha de ação passar por ele. Essa terceira leitura é o instrumento mais valioso da estática, e a Seção “O polo esperto” é dedicada a ela.

N·m não é joule

Torque e trabalho têm a mesma combinação de unidades, newton vezes metro, e significados diferentes. No trabalho, a força e o deslocamento são paralelos (a componente da força ao longo do caminho vezes a distância percorrida); no torque, a força e o braço são perpendiculares. Um torque de 180 N·m mantido numa porca que não gira não realiza trabalho nenhum. Por isso não se escreve torque em joules, embora 1 J=1 N⋅m1\ \text{J} = 1\ \text{N·m} dimensionalmente. Em 2019 a banca escreveu “12 N × m” para o torque do disco no ombro do discóbolo, e em 2017 pediu um torque “em N × m”: a unidade do torque na prova é sempre newton vezes metro.

Exemplo resolvido (a porta). Uma porta de 0,8 m de largura é empurrada na maçaneta com 10 N. Perpendicular à porta: τ=10×0,8=8\tau = 10 \times 0{,}8 = 8 N·m. A 30∘30^\circ com o plano da porta: τ=10×0,8×sen⁡30∘=4\tau = 10 \times 0{,}8 \times \operatorname{sen}30^\circ = 4 N·m. Ao longo do plano, em direção à dobradiça: θ=0\theta = 0, τ=0\tau = 0. Com os mesmos 10 N no meio da porta (0,4 m), perpendicular: 4 N·m, metade.

Exemplo resolvido (PAS 2017, item 52, tipo B). Um quadro de 20 N e 0,6 m de comprimento apoia-se na parede pela base FF e é preso, pelo topo, a um cabo de 0,2 m que faz 30∘30^\circ com a parede. Pede-se o torque do peso em relação a FF. O peso atua no centro do quadro e é vertical; seu braço em relação a FF é a distância horizontal entre FF e o centro do quadro. O topo do quadro está a 0,2sen⁡30∘=0,10{,}2 \operatorname{sen}30^\circ = 0{,}1 m da parede; o centro, na metade do caminho, a 0,05 m. Torque: 20×0,05=120 \times 0{,}05 = 1 N·m. Gabarito oficial: 1. Quem multiplica 20 N pela metade do comprimento do quadro (0,3 m) obtém 6 N·m e erra: o braço é a distância perpendicular à linha de ação do peso, não o comprimento do quadro.

Parado de verdade, parte dois: a soma dos torques também tem de ser nula

Pegue uma régua sobre a mesa e empurre uma ponta para cima da folha e a outra para baixo, com forças iguais. A resultante é zero e a régua gira. As duas forças, iguais, opostas e com linhas de ação distintas, formam um binário: força nula, torque não nulo (cada uma contribui F⋅d/2F \cdot d/2 no mesmo sentido, total F⋅dF \cdot d). É o que a mão faz num volante, uma chave de boca faz numa porca, e é a prova de que a primeira condição não basta.

As duas condições de equilíbrio de um corpo extenso

Um corpo rígido está em equilíbrio estático quando, simultaneamente,

∑F⃗=0⃗e∑τ=0   em relac¸a˜o a qualquer polo.\sum \vec F = \vec 0 \qquad \text{e} \qquad \sum \tau = 0 \;\text{ em relação a qualquer polo}.

A primeira impede que ele translade (equilíbrio de translação); a segunda, que ele gire (equilíbrio de rotação). Na prática, a segunda se escreve como “torques horários empatam com anti-horários”: ∑τ↺=∑τ↻\sum \tau_{\circlearrowleft} = \sum \tau_{\circlearrowright}. Na conta dos torques, o peso de um corpo homogêneo entra como uma única força aplicada no centro de gravidade, que numa barra uniforme é o ponto médio.

Gangorra apoiada no centro de uma prancha. À esquerda, a 1,6 m do apoio, uma criança de 30 kg, peso 300 N, seta para baixo; à direita, a 1,2 m, uma criança de 40 kg, peso 400 N. No apoio, a normal de 700 N mais o peso da prancha para cima. Abaixo, o balanço: torque anti-horário 300 vezes 1,6 igual a 480; torque horário 400 vezes 1,2 igual a 480; soma zero. E a soma das forças: 700 para cima, 700 para baixo.
As duas condições numa gangorra. Translação: a normal no apoio (700 N mais o peso da prancha) equilibra os pesos. Rotação, com o polo no apoio: 300×1,6=400×1,2300 \times 1{,}6 = 400 \times 1{,}2, em N·m; o peso da prancha e a normal atuam no polo, braço zero, e não entram. Diagrama autoral.

Por que “em relação a qualquer polo”? Porque, quando a resultante é nula, a soma dos torques não depende do ponto escolhido. Mudar o polo de OO para O′O' altera o torque de cada força pela mesma quantidade vezes a força, e a soma dessas alterações é (deslocamento) ×∑F⃗=0\times \sum \vec F = 0. Consequência prática: se as duas condições valem, você pode escolher o polo que torna a conta mais curta; se você escreveu a equação de torques em um polo e ela fechou, fechou em todos.

Exemplo resolvido (a gangorra). Prancha homogênea apoiada no centro. Uma criança de 30 kg senta na ponta, a 1,6 m do apoio; a que distância deve sentar, do outro lado, um colega de 40 kg para que a prancha fique na horizontal? Polo no apoio: o peso da prancha e a normal atuam ali, braço zero, saem da conta. Torque da criança: 300×1,6=480300 \times 1{,}6 = 480 N·m, anti-horário. O colega: 400×d=480400 \times d = 480, logo d=1,2d = 1{,}2 m, do lado oposto. Repare que o gg cancela dos dois lados e a regra fica m1d1=m2d2m_1 d_1 = m_2 d_2: 30×1,6=40×1,230 \times 1{,}6 = 40 \times 1{,}2. Conferência da primeira condição: a normal no apoio vale 300+400+Pprancha300 + 400 + P_{\text{prancha}}, e ela não precisou ser calculada para achar dd.

Exemplo resolvido (PAS 2022, item 93, tipo B). Uma barra homogênea gira sobre uma haste posicionada no seu ponto médio. Um corpo de 0,30 kg pende a d1=12d_1 = 12 cm do ponto médio; outro, de 0,20 kg, a d2d_2 do outro lado. Pede-se d2d_2 para o equilíbrio. Polo na haste: o peso da barra (no ponto médio) e a reação da haste têm braço zero. 0,30×12=0,20×d20{,}30 \times 12 = 0{,}20 \times d_2, logo d2=3,6/0,20=18d_2 = 3{,}6/0{,}20 = 18 cm. Marcação: 018, com o zero à esquerda. O gg não entrou: massas dos dois lados.

A regra mais antiga da física

“Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei a Terra”, teria dito Arquimedes. A frase resume F1d1=F2d2F_1 d_1 = F_2 d_2: qualquer força equilibra qualquer outra, desde que o braço compense. É o princípio do guindaste de torre (contrapeso maciço perto do eixo, carga leve longe), da gangorra, da balança de pratos, do alicate, do carrinho de mão, do remo e da ponte levadiça. Em 2008 a banca dedicou quatro itens seguidos (19 a 22) à alavanca do arado: onde fica o ponto de apoio, o que acontece com d1d_1 quando m1m_1 cresce 25% (cai 20%, porque m1d1m_1 d_1 é constante), qual gráfico relaciona m1m_1 e d1d_1 (uma hipérbole, proporcionalidade inversa) e quais ferramentas do cotidiano são alavancas (tesoura, enxada e pinça, não o serrote).

O polo esperto: ponha o eixo na força que você não conhece

Um problema de corpo extenso costuma ter mais forças desconhecidas do que parece: além do que se pergunta, há reações de apoio que ninguém pediu. A regra de ouro: faça passar o polo pela força que você desconhece e não precisa achar. O braço dela fica zero, ela some da equação de torques, e a equação fica com uma só incógnita.

Prancha horizontal de 4,0 m apoiada em dois cavaletes, A à esquerda e B à direita. Um trabalhador de 1 000 N está a 1,0 m de A; o peso da prancha, 400 N, atua no centro, a 2,0 m. Reações para cima: 950 N em A e 450 N em B. Abaixo, a equação de torques com polo em B: R_A vezes 4,0 igual a 1 000 vezes 3,0 mais 400 vezes 2,0, igual a 3 800, logo R_A igual a 950 N.
Viga em dois apoios. Quer RAR_A? Ponha o polo em B: RBR_B some. RA×4,0=1 000×3,0+400×2,0R_A \times 4{,}0 = 1\,000 \times 3{,}0 + 400 \times 2{,}0, logo RA=950R_A = 950 N; então RB=1 400−950=450R_B = 1\,400 - 950 = 450 N. O apoio mais próximo do trabalhador carrega mais. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (a prancha do canteiro). Uma prancha homogênea de 4,0 m e 40 kg apoia-se na horizontal sobre dois cavaletes, A e B, sob as extremidades. Um trabalhador que, com o equipamento, soma 100 kg está parado a 1,0 m de A. Qual a força que o cavalete A exerce na prancha? Forças: peso do trabalhador, 1 000 N, a 1,0 m de A; peso da prancha, 400 N, no centro, a 2,0 m de A; reações RAR_A e RBR_B, para cima, nas extremidades. Quero RAR_A e não quero RBR_B: polo em B. Torques em relação a B: RAR_A a 4,0 m (anti-horário, digamos), o trabalhador a 4,0−1,0=3,04{,}0 - 1{,}0 = 3{,}0 m e a prancha a 2,0 m (horários). RA×4,0=1 000×3,0+400×2,0=3 800R_A \times 4{,}0 = 1\,000 \times 3{,}0 + 400 \times 2{,}0 = 3\,800, logo RA=950R_A = 950 N. Primeira condição: RA+RB=1 400R_A + R_B = 1\,400, RB=450R_B = 450 N. Conferência com o polo em A: RB×4,0=1 000×1,0+400×2,0=1 800R_B \times 4{,}0 = 1\,000 \times 1{,}0 + 400 \times 2{,}0 = 1\,800, RB=450R_B = 450 N. Fechou. Se o item pedisse “divida por 10”, marcação 095.

Exemplo resolvido (PAS 2019, itens 68 e 72, o Discóbolo). A prova de 2019 transformou o Discóbolo de Míron, obra do triênio, num modelo de forças: peso do atleta Pa=780P_a = 780 N no centro de massa, alinhado com o ombro; disco de Pd=20P_d = 20 N na ponta de um braço de 0,7 m que faz 30∘30^\circ com a horizontal; pés em P1P_1 e P2P_2, a 0,6 m e 0,2 m da projeção do centro de massa, com reações R1R_1 e R2R_2; e o comando fornecia 3≈12/7\sqrt 3 \approx 12/7. Item 68: o torque do disco em relação ao ombro é o peso vezes o braço horizontal, 20×0,7cos⁡30∘=20×0,7×32=20×0,35×127=20×0,6=1220 \times 0{,}7 \cos 30^\circ = 20 \times 0{,}7 \times \tfrac{\sqrt 3}{2} = 20 \times 0{,}35 \times \tfrac{12}{7} = 20 \times 0{,}6 = 12 N·m. Certo. Item 72 (tipo B): calcule R2R_2. Duas incógnitas, R1R_1 e R2R_2; quero R2R_2, então polo em P1P_1. Na figura, o disco está exatamente na vertical de P1P_1 (0,6 m do centro de massa, o mesmo braço horizontal do disco): braço zero, some da conta. Sobram o peso do atleta, a 0,6 m de P1P_1, e R2R_2, a 0,6+0,2=0,80{,}6 + 0{,}2 = 0{,}8 m: 780×0,6=R2×0,8780 \times 0{,}6 = R_2 \times 0{,}8, logo R2=585R_2 = 585 N. Marcação 585. Conferência pela primeira condição: R1=780+20−585=215R_1 = 780 + 20 - 585 = 215 N, positivo, o pé P1P_1 empurra o chão, como deve. Se R1R_1 saísse negativo, o modelo diria que o atleta tomba.

O polo simplifica a equação de torques, não a de forças

Escolher o polo num apoio elimina a reação desse apoio da equação de torques. Ela continua existindo e continua na equação de forças. Quem calcula RAR_A pelos torques e esquece de usar RA+RB=PtotalR_A + R_B = P_{\text{total}} para achar RBR_B deixa metade do problema sem resposta; quem acha que “a força no polo é zero” inventou uma física nova. E quando uma força inclinada atua fora do polo, decomponha-a antes: só a componente perpendicular ao segmento até o polo produz torque.

Alavancas: multiplicam força, nunca trabalho

Uma alavanca é uma barra que gira em torno de um ponto fixo, o fulcro (apoio). Sobre ela agem a força potente FPF_P (a que você aplica) e a força resistente FRF_R (o que você quer vencer). Em equilíbrio, com o polo no fulcro, FP bP=FR bRF_P \, b_P = F_R \, b_R, e a vantagem mecânica é

VM=FRFP=bPbR.\text{VM} = \frac{F_R}{F_P} = \frac{b_P}{b_R}.

VM maior que 1 significa que você vence uma resistência maior que a força que faz; menor que 1, que faz mais força que a resistência, em troca de velocidade ou amplitude de movimento na ponta.

Três barras com fulcro, força potente e força resistente. Interfixa: fulcro entre as forças, exemplo tesoura e gangorra. Inter-resistente: resistência entre o fulcro e a potência, exemplo carrinho de mão e quebra-nozes, vantagem maior que 1. Interpotente: potência entre o fulcro e a resistência, exemplo pinça e antebraço, vantagem menor que 1.
Os três tipos de alavanca, classificados pelo que fica no meio. Interfixa (tesoura, alicate, gangorra): o fulcro; a vantagem pode ser maior ou menor que 1. Inter-resistente (carrinho de mão, quebra-nozes, pé na ponta dos dedos): a resistência; VM sempre maior que 1. Interpotente (pinça, vara de pescar, antebraço): a potência; VM sempre menor que 1. Diagrama autoral.
Os três tipos de alavanca

Classificam-se pelo elemento que fica entre os outros dois:

  • Interfixa: o fulcro fica entre a força potente e a resistente. Tesoura, alicate, gangorra, remo, balança de pratos. VM =bP/bR= b_P/b_R, maior que 1 se o cabo for mais longo que a lâmina.
  • Inter-resistente: a resistência fica entre o fulcro e a potência. Carrinho de mão, quebra-nozes, abridor de garrafa, o pé apoiado na ponta dos dedos (fulcro nos dedos, peso do corpo no tornozelo, força do músculo da panturrilha no calcanhar). Como bP>bRb_P > b_R sempre, VM >1> 1: multiplica força.
  • Interpotente: a potência fica entre o fulcro e a resistência. Pinça, vara de pescar, pá segurada pelo meio, o antebraço (fulcro no cotovelo, bíceps a poucos centímetros, carga na mão). Como bP<bRb_P < b_R sempre, VM <1< 1: você faz mais força do que a carga pesa, e ganha em velocidade e alcance da mão.

Exemplo resolvido (o antebraço). O bíceps se insere a 4 cm do cotovelo; a mão segura um haltere de 2 kg (20 N) a 32 cm do cotovelo. Desprezando o peso do antebraço, polo no cotovelo: Fbıˊceps×0,04=20×0,32F_{\text{bíceps}} \times 0{,}04 = 20 \times 0{,}32, logo Fbıˊceps=160F_{\text{bíceps}} = 160 N, oito vezes o peso do haltere. VM =4/32=1/8= 4/32 = 1/8. Incluindo o peso do antebraço, uns 15 N com centro de gravidade a 15 cm do cotovelo, o músculo precisa de mais 15×0,15/0,04≈5615 \times 0{,}15/0{,}04 \approx 56 N: cerca de 216 N no total. É por isso que um objeto leve na mão cansa o bíceps depressa, e é o tipo de biomecânica que a banca já pediu, ao transformar o Discóbolo e bailarinos em modelos de forças.

Exemplo resolvido (o carrinho de mão). Uma carga de 600 N tem centro de gravidade a 0,4 m do eixo da roda; as mãos ficam a 1,2 m. Polo no eixo: FP×1,2=600×0,4F_P \times 1{,}2 = 600 \times 0{,}4, FP=200F_P = 200 N. VM =3= 3. Quem empurra levanta um terço do peso; a roda aguenta o resto.

Alavanca (e macaco, e rampa, e roldana) não economiza trabalho

Em 2013 (item 92) a banca afirmou que, ao trocar um pneu com o macaco, “o trabalho realizado para levantar o automóvel é bem menor que se fosse empregada apenas a força muscular”. Errado. O que a máquina reduz é a força; o trabalho, que é o peso do carro multiplicado pela altura a que ele sobe, não muda, e a conta se paga em comprimento: muitas voltas de manivela para poucos centímetros de subida. Numa alavanca de VM =3= 3, a mão desce 3 vezes mais do que a carga sobe: FP×3h=3FP×hF_P \times 3h = 3F_P \times h. Quando um item disser que uma máquina “reduz o trabalho” ou “economiza energia”, troque mentalmente por “reduz a força” e julgue. A conta completa está em trabalho de uma força.

Onde o peso “atua”: centro de massa e centro de gravidade

Um corpo extenso tem peso distribuído por todas as suas partes, mas, para calcular torques, pode-se substituir essa distribuição por uma única força, o peso total, aplicada num ponto: o centro de gravidade (CG). Enquanto a gravidade for a mesma em todo o corpo, o que vale para qualquer objeto do tamanho de uma escultura, um navio ou um prédio, o centro de gravidade coincide com o centro de massa (CM), a média das posições ponderada pelas massas. Foi exatamente isso que a banca julgou em 2019 (item 69): “considerando-se sistema homogêneo e aceleração da gravidade uniforme, o centro de massa coincide com o centro de gravidade”, certo.

Centro de massa

Para partículas de massas mim_i nas posições xix_i,

xCM=m1x1+m2x2+⋯m1+m2+⋯,x_{\text{CM}} = \frac{m_1 x_1 + m_2 x_2 + \cdots}{m_1 + m_2 + \cdots},

e o mesmo para yCMy_{\text{CM}} no plano. É uma média ponderada: fica sempre entre os corpos, mais perto do mais pesado. Para dois corpos, o CM divide o segmento que os une na razão inversa das massas: a distância de cada um ao CM é proporcional à massa do outro. Corpos homogêneos e simétricos têm o CM no centro geométrico (ponto médio de uma barra, centro de um disco ou de um retângulo); um corpo composto tem o CM na média ponderada dos CMs das partes. O CM pode ficar fora do material do corpo: o de um anel está no seu centro vazio; o de um bumerangue, no ar entre as pás.

Exemplo resolvido (dois corpos). Uma esfera de 3 kg está em x=0x = 0 e outra, de 1 kg, em x=4x = 4 m. xCM=(3×0+1×4)/4=1x_{\text{CM}} = (3 \times 0 + 1 \times 4)/4 = 1 m: a 1 m da esfera pesada e a 3 m da leve, razão 1:31 : 3, inversa da razão das massas. Se as duas fossem ligadas por uma haste leve, esse seria o ponto em que a haste se equilibra num dedo.

Exemplo resolvido (PAS 2024, item 93). “A distância da Terra até o centro de massa do sistema Sol-Terra é M⋅rm+M\dfrac{M \cdot r}{m + M}”, com MM a massa do Sol, mm a da Terra e rr a distância entre os centros. Ponha o Sol em x=0x = 0 e a Terra em x=rx = r: xCM=mr/(M+m)x_{\text{CM}} = m r/(M + m), medido do Sol; da Terra, r−mr/(M+m)=Mr/(M+m)r - m r/(M + m) = M r/(M + m). Certo. Como M≈333 000 mM \approx 333\,000\, m, o CM fica a cerca de 450 km do centro do Sol, dentro do próprio Sol, e a Terra está praticamente à distância rr dele.

Exemplo resolvido (PAS 2018, item 77, a Nefertiti). A figura da prova mostrava o busto da rainha em duas partes, coroa e busto, com os centros de massa CM1\text{CM}_1 e CM2\text{CM}_2 marcados, e um ponto CM proposto como centro de massa do conjunto, “se a coroa e o busto tiverem a mesma massa”. Com massas iguais, o CM do conjunto é o ponto médio do segmento CM1CM2\text{CM}_1\text{CM}_2. Na figura, o ponto marcado estava deslocado desse ponto médio, na borda da coroa: errado. Não é preciso nenhuma conta, só a regra da média ponderada e uma régua imaginária.

Dois painéis. À esquerda, um caminhão baú visto de trás em piso inclinado: o centro de massa alto e a vertical que passa por ele ainda cai dentro da base entre as rodas; ao lado, o mesmo caminhão mais inclinado, com a vertical do centro de massa passando fora da roda de baixo e uma seta de giro indicando o tombamento. À direita, uma bailarina apoiada num pé: a vertical pelo centro de massa passa pela planta do pé, com a legenda equilíbrio possível.
A regra do tombamento. Um corpo apoiado fica em pé enquanto a vertical que passa pelo centro de massa atravessa a base de apoio. Inclinou até a vertical sair da base, o peso passa a ter torque em relação à roda de baixo e o corpo gira. A bailarina em um pé só (PAS 2009, item 101) obedece à mesma regra: a vertical pelo CM tem de cair **dentro** da planta do pé. Diagrama autoral.

Tombar ou não tombar: base de apoio e estabilidade

Um corpo apoiado num plano fica em pé enquanto a vertical que passa pelo seu centro de gravidade atravessa a base de apoio, o polígono formado pelos pontos de contato com o chão. Enquanto isso valer, a normal do chão consegue se redistribuir para equilibrar o peso; quando a vertical sai da base, o peso passa a ter torque em relação à borda do apoio e nada mais o equilibra: o corpo tomba. Três decorrências:

  1. Base larga e centro de gravidade baixo dão estabilidade: é a razão dos carros esportivos baixos, dos tripés abertos, das pernas afastadas de quem vai receber um empurrão. Um caminhão baú, alto e estreito, tomba numa curva ou numa rampa lateral em que um carro baixo não tombaria.
  2. Corpos suspensos ficam em equilíbrio estável quando o CG está abaixo do ponto de suspensão (pêndulo, lustre, ginasta pendurado na barra); com o CG acima do apoio, o equilíbrio é instável (lápis em pé na ponta, equilibrista); com o CG na altura do apoio, indiferente (roda no eixo). Deslocado, o corpo estável volta, o instável se afasta, o indiferente fica onde foi posto.
  3. Mudar a distribuição de massa muda o CM, e portanto a estabilidade. O equilibrista na corda segura uma vara longa e curva para baixo para abaixar o CG do conjunto e aumentar a inércia de rotação. Um navio esvazia ou enche tanques de lastro para descer ou subir o seu CM: em 2011 (item 71) a banca afirmou que, esvaziados totalmente os tanques de lastro do fundo do navio, “o centro de massa do navio se moverá verticalmente para baixo”: errado, retirar massa de baixo sobe o centro de massa e torna o navio menos estável. E em 2017 (item 41) afirmou que, se o dançarino do fouetté baixasse os braços, “o seu centro de massa permanecerá inalterado”: errado, mover braços é mover massa, e o CM do corpo desce.

Exemplo resolvido (o ângulo de tombamento). Uma caixa homogênea de 1,0 m de largura e 2,0 m de altura está sobre uma rampa que vai sendo inclinada. O CM está no centro, a 1,0 m do chão e a 0,5 m da borda de baixo. A vertical pelo CM sai da base quando tan⁡θ=0,5/1,0=0,5\tan\theta = 0{,}5/1{,}0 = 0{,}5, ou seja, θ≈27∘\theta \approx 27^\circ (desde que o atrito impeça a caixa de deslizar antes). Uma caixa de 1,0 m de altura tombaria só a 45∘45^\circ. Quanto mais alto o CM em relação à meia largura da base, menor o ângulo crítico.

Exemplo resolvido (PAS 2009, item 101, a bailarina). A banca afirmou que, para uma bailarina apoiada num só pé ficar em equilíbrio estático, “seria necessário que uma linha vertical, imaginária, passasse pelo centro de massa do seu corpo e incidisse perpendicularmente em um ponto fora da região delimitada pela planta do seu pé”. Errado: é dentro. Fora da planta do pé, o peso teria torque em relação à borda do apoio e ela cairia. É a regra do tombamento escrita ao contrário, e o item inteiro depende de uma palavra.

O contrapeso resolve dois problemas de uma vez

O guindaste de torre usa o contrapeso para duas coisas. A primeira é o torque na lança: a carga, na ponta, tem braço longo, e o contrapeso do outro lado compensa esse braço com massa; como o que conta é o produto dos dois fatores, uma massa várias vezes maior pode ficar várias vezes mais perto do eixo. A segunda é o do centro de massa do conjunto: com a carga e o contrapeso equilibrados em torno da torre, o CM do guindaste inteiro fica sobre a torre e a vertical por ele cai dentro da base, o que impede o tombamento. Se o operador levasse o contrapeso para a ponta da lança traseira, a lança não tombaria para o lado da carga, mas o guindaste inteiro poderia tombar para trás. Uma grua de porto (PAS 2011, item 60) usa a mesma ideia com um contrapeso móvel: dobrada a distância da carga, é preciso o dobro da massa do contrapeso ou o dobro da distância dele. A opção certa do item diz o mesmo pelo outro lado: com xA/xB=2x_A/x_B = 2, a carga, duas vezes mais longe, tem metade da massa, mA/mB=1/2m_A/m_B = 1/2.

Vigas, escadas e balanças: o método completo

Os itens de conta de estática pertencem a três famílias, e as três se resolvem com o mesmo roteiro: (1) desenhe todas as forças no corpo, inclusive o peso próprio no centro de gravidade e as reações dos apoios; (2) escreva ∑F=0\sum F = 0 por eixo; (3) escolha o polo na força que não quer calcular e escreva ∑τ=0\sum \tau = 0; (4) resolva, confira sinais (reação negativa significa que o modelo tomba ou que a força tem o sentido contrário ao desenhado) e compare com o limiar do item.

Viga em dois apoios (pontes, pranchas, passarelas). É o caso da prancha do canteiro, já resolvido: a soma das reações é o peso total, e a divisão entre elas é inversamente proporcional às distâncias da carga a cada apoio. Uma carga no meio da viga divide-se meio a meio; a 1/4 do comprimento a partir de A, o apoio A recebe 3/4 dela. Um caminhão atravessando uma ponte transfere seu peso do primeiro pilar para o segundo à medida que avança: por isso as reações de apoio são funções da posição, e a banca pode perguntar em que ponto elas se igualam (no meio, se a ponte for simétrica).

Escada ou barra apoiada em parede e chão. Aqui a parede sem atrito só empurra na horizontal, o chão empurra na vertical e segura na horizontal (atrito), e há três incógnitas. Polo no pé da barra, no chão: as duas forças do chão somem e sobram o peso (ou a carga) e a normal da parede.

Exemplo resolvido (PAS 2009, item 36, tipo B). Uma barra rígida de massa desprezível representa uma escada apoiada numa parede vertical sem atrito, no ponto A, a 1,75 m de altura, e no solo, no ponto C, a 0,50 m da parede; a carga de 70 kg fica no ponto médio B. Pede-se a componente horizontal da força no ponto C. Forças: carga 700 N em B (vertical, a 0,25 m da parede, ou seja, a 0,25 m da vertical de C); normal da parede NAN_A em A (horizontal, a 1,75 m acima de C); normal e atrito do chão em C. Polo em C: NA×1,75=700×0,25N_A \times 1{,}75 = 700 \times 0{,}25, logo NA=100N_A = 100 N. Primeira condição na horizontal: a componente horizontal da força em C equilibra NAN_A, portanto vale 100 N. Marcação 100. Na vertical, o chão sustenta os 700 N. Note que a resposta é, em módulo, a própria normal da parede: as duas únicas forças horizontais formam um par que se cancela.

Balanças. A balança de dois pratos e braços iguais compara massas: em equilíbrio, m1g d=m2g dm_1 g\, d = m_2 g\, d, o gg cancela e m1=m2m_1 = m_2, o que a torna imune ao valor local da gravidade (funcionaria na Lua). Com braços desiguais aa e bb, a igualdade é m1a=m2bm_1 a = m_2 b, e a massa do prato não é igual à massa dos pesos. Em 2005 (itens 103 e 104), um bloco pendurado no braço aa era equilibrado por 10 esferas de massa MM no braço bb: a banca afirmou que a massa do bloco “é igual a 10×M10 \times M” (errado, é 10Mb/a10 M b/a) e que o equilíbrio “corresponde a uma situação em que são nulos tanto o somatório dos torques quanto o das forças” (certo, as duas condições). A balança de mola e a balança digital do banheiro, por sua vez, medem peso (força) e convertem para massa supondo g=9,8g = 9{,}8 m/s²; na Lua marcariam um sexto.

Guindaste de torre visto de lado: torre vertical no centro, lança horizontal. À direita, a 15 m do eixo, uma carga de 1 600 kg, peso 16 000 N. À esquerda, a 4,0 m, um contrapeso de 6 000 kg, peso 60 000 N. Setas de torque em sentidos opostos com o mesmo valor, 240 000 N·m. A base da torre está marcada como base de apoio, com a vertical do centro de massa do conjunto caindo dentro dela.
O guindaste de torre em números. Carga: 16 000×15=240 00016\,000 \times 15 = 240\,000 N·m. Contrapeso: 60 000×4,0=240 00060\,000 \times 4{,}0 = 240\,000 N·m. Os torques empatam em relação ao eixo da torre e o centro de massa do conjunto fica sobre a base. Deslocado o contrapeso para 5 m, a lança pesa 60 000 N·m a mais do lado dele. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (o guindaste, tipo B). Lança horizontal, carga de 1 600 kg a 15 m do eixo da torre, contrapeso de 6 000 kg do lado oposto. A que distância do eixo o contrapeso equilibra o torque da carga? Polo no eixo: 1 600×15=6 000×d1\,600 \times 15 = 6\,000 \times d, d=24 000/6 000=4,0d = 24\,000/6\,000 = 4{,}0 m. Multiplicado por 10, marcação 040. O peso da lança, se ela for simétrica em relação à torre, não entra; se a lança traseira for mais curta que a dianteira, o próprio peso da lança pende para o lado da carga e o contrapeso precisa ficar um pouco mais longe.

Como ler a figura da prova

Itens de estática vêm com figura, e a figura carrega metade dos dados. Roteiro de leitura:

  1. Identifique o corpo cujo equilíbrio interessa (a barra, a lança, o atleta) e os pontos de contato com o resto do mundo: cada contato é uma força desconhecida (reação de apoio, tração, normal da parede).
  2. Localize o centro de gravidade e coloque ali o peso do corpo, se ele tiver massa. Barra “homogênea”: no meio. Massa “desprezível”: não há peso próprio, e isso é uma informação, não um enfeite.
  3. Converta distâncias em braços. A figura dá comprimentos ao longo de barras inclinadas e ângulos; o braço é a distância perpendicular do polo à linha de ação. Para um peso (vertical), é a distância horizontal; para uma força horizontal, é a distância vertical (foi o que o item 89 de 2020 exigiu no arcobotante: a força FF horizontal no topo tem braço igual à altura total, H+Lsen⁡αH + L \operatorname{sen}\alpha, e a banca escreveu (Lcos⁡α+H)/F(L \cos\alpha + H)/F, errado tanto na função trigonométrica quanto por dividir pela força).
  4. Escolha o polo na incógnita que não interessa e marque os sentidos de giro de cada força em relação a ele antes de escrever qualquer número.
  5. Leia o comando: unidades pedidas (“em newtons”, “em centímetros”, “em N × m”), fator multiplicador (“multiplique por 10”), truncamento (“despreze a parte fracionária”) e as constantes fornecidas (gg, 3≈12/7\sqrt 3 \approx 12/7).

Um diagrama de forças bem feito também é resposta de item tipo D: em 2013 (item 97) e em 2017 (item 44) a banca pediu que se desenhassem as forças sobre uma pessoa apoiada numa parede e sobre bailarinos em equilíbrio, identificando-as e mostrando que a resultante no centro de massa era nula. O que se espera: peso no CM, normais perpendiculares às superfícies de contato, atrito ao longo delas, forças de contato entre as pessoas em pares de ação e reação, e vetores que somados fechem um polígono.

Estática em toda parte

Prédios altos ganham pisos mais largos na base e, às vezes, contrapesos ativos no topo (o Taipei 101 tem uma esfera de 660 t que reduz o balanço). Arcobotantes góticos (PAS 2020) levam o empuxo das abóbadas para pilares externos, transformando torque de tombamento em compressão vertical. Cadeiras de rodas têm rodinhas anti-tombamento atrás porque, ao subir uma rampa, a vertical pelo CM do conjunto recua para trás do eixo das rodas grandes. Esculturas apoiadas num pé só, como o Discóbolo, precisam de um tronco de apoio nas cópias em mármore (mais pesado que o bronze original) para que a vertical pelo CM caia na base. Guindastes de porto com contrapeso móvel, gangorras, balanças de farmácia, o carrinho de mão do pedreiro e o antebraço que segura o celular: em todos, ∑F=0\sum F = 0 e ∑τ=0\sum \tau = 0.

Como a banca cobra

Equilíbrio de corpos extensos é, no capítulo de mecânica do PAS 1, o assunto mais constante: apareceu em mais de vinte itens desde 2005, em quase todos os formatos, e nenhum outro tema da Física da primeira etapa rende itens tipo B (resposta numérica) com tanta regularidade. Cinco padrões cobrem quase tudo:

  1. A barra com dois corpos (tipo B): m1d1=m2d2m_1 d_1 = m_2 d_2 com o polo no apoio. 2022/93 (resposta 018), o guindaste e a grua de 2011/60 (tipo C, xA/xB=2⇒mA/mB=1/2x_A/x_B = 2 \Rightarrow m_A/m_B = 1/2).
  2. A reação de apoio a calcular (tipo B): duas condições, polo na outra reação. 2019/72 (585 N, o Discóbolo), 2009/36 (100 N, a escada de Escher) e, em tipo A, o cabo da haste do Partenon em 2018/80 (componente vertical P/tan⁡βP/\tan\beta, certo).
  3. O torque de uma força com braço geométrico (tipo A ou B): 2019/68 (12 N·m), 2017/52 (1 N·m), 2020/88 e 89 (arcobotante, ambos errados).
  4. O centro de massa como conceito (tipo A): coincidência CM–CG em gg uniforme (2019/69, certo), média ponderada (2018/77, errado; 2024/93, certo), CM que se move quando a massa se redistribui (2011/71 e 2017/41, ambos errados), vertical pelo CM dentro da base (2009/101, errado).
  5. A afirmação conceitual sobre as condições (tipo A): “basta ∑F=0\sum F = 0” (2018/79, errado), “torques e forças nulos” (2005/104, certo), “FgF_g equilibrada pela resultante das forças de apoio” (2008/105, certo), “máquina reduz o trabalho” (2013/92, errado), “torque nos pedais não é constante” (2012/80, certo, porque o braço do pedal em relação ao eixo muda ao longo da volta).

Os contextos vêm dos objetivos da matriz: segurança no trabalho (andaimes, guindastes, canteiro), mobilidade (bicicleta, cadeira de rodas), corpo humano e arte (Discóbolo, Nefertiti, bailarinos, Escher, catedral de Reims). Quando uma obra do triênio é uma escultura ou uma construção, releia-a com olhos de engenheiro: onde está o CM, onde está a base, que forças a sustentam.

Os sete erros que a prova planta

  1. Usar a distância ao ponto de aplicação em vez do braço. O braço é a distância perpendicular do polo à linha de ação. Peso: braço horizontal. Força horizontal: braço vertical. Força inclinada: decomponha ou use rsen⁡θr \operatorname{sen}\theta. (2017/52: 1 N·m, não 6.)
  2. Esquecer o peso da barra. Barra “homogênea” tem peso no centro; ele entra na equação de forças sempre e na de torques sempre que o polo não estiver no centro. Só some se a massa for “desprezível” ou se o polo estiver no ponto médio.
  3. Confundir N·m com joule. Torque não é trabalho; a unidade se escreve newton-metro e o item pede “em N × m”.
  4. Achar que ∑F=0\sum F = 0 basta. Corpo extenso exige também ∑τ=0\sum \tau = 0 (2018/79, errado). O binário é o contraexemplo: força nula, giro certo.
  5. Escolher mal o polo e ficar com duas incógnitas numa equação, ou pior, achar que a força no polo “é zero”. Ela some da equação de torques e continua na de forças.
  6. Trocar o sentido do torque de reação. Reação que equilibra tem sentido oposto (2020/88, errado). E cuidado com o sinal: escreva horários de um lado e anti-horários do outro antes de somar.
  7. Vertical pelo CM fora da base ou CM “que não muda” quando a massa se move. O corpo fica em pé se a vertical pelo CM cai dentro da base (2009/101); mover braços, esvaziar lastro ou içar carga muda o CM (2017/41, 2011/71).

O essencial em meia página

  • Ponto material: equilíbrio é ∑Fx=0\sum F_x = 0 e ∑Fy=0\sum F_y = 0. Corpo extenso: também ∑τ=0\sum \tau = 0, em relação a qualquer polo.
  • Torque: τ=F⋅d=F rsen⁡θ\tau = F \cdot d = F\, r \operatorname{sen}\theta, com dd o braço (distância perpendicular do polo à linha de ação). Unidade N·m, que não é joule. Sinal: anti-horário positivo, horário negativo. Linha de ação pelo polo: torque zero.
  • Binário: duas forças iguais, opostas e não colineares: ∑F=0\sum F = 0, ∑τ=F⋅d≠0\sum \tau = F \cdot d \neq 0. Por isso a primeira condição não basta.
  • Polo esperto: no ponto de aplicação da força desconhecida que você não quer; ela some dos torques (e fica nas forças).
  • Alavanca: FPbP=FRbRF_P b_P = F_R b_R; VM =bP/bR= b_P/b_R. Interfixa (fulcro no meio: tesoura, gangorra), inter-resistente (VM >1> 1: carrinho de mão, quebra-nozes), interpotente (VM <1< 1: pinça, antebraço). Multiplica força, nunca trabalho (2013/92).
  • Barra com dois corpos, polo no apoio: m1d1=m2d2m_1 d_1 = m_2 d_2; o gg cancela. 2022/93: 0,30×12=0,20×d20{,}30 \times 12 = 0{,}20 \times d_2, d2=18d_2 = 18 cm.
  • Viga em dois apoios: RA+RB=PtotalR_A + R_B = P_{\text{total}}; polo em B dá RAR_A; a carga se divide na razão inversa das distâncias aos apoios. Prancha de 400 N, trabalhador de 1 000 N a 1 m de A em 4 m: RA=950R_A = 950 N, RB=450R_B = 450 N.
  • Centro de massa: média ponderada xCM=∑mixi/∑mix_{\text{CM}} = \sum m_i x_i / \sum m_i; entre os corpos, mais perto do mais pesado; CM == CG com gg uniforme (2019/69). Sol–Terra: Terra a Mr/(M+m)Mr/(M + m) do CM (2024/93).
  • Tombamento: o corpo fica em pé enquanto a vertical pelo CM cai dentro da base de apoio; ângulo crítico tan⁡θ=(meia base)/(altura do CM)\tan\theta = (\text{meia base})/(\text{altura do CM}). Base larga e CM baixo: estável. Tirar massa de baixo sobe o CM (2011/71).
  • Contrapeso perto da torre: o produto massa × distância do contrapeso iguala o da carga, e o CM do conjunto fica sobre a base. Guindaste: 1 600×15=6 000×4,01\,600 \times 15 = 6\,000 \times 4{,}0.
  • Discóbolo (2019): torque do disco 20×0,7cos⁡30∘=1220 \times 0{,}7 \cos 30^\circ = 12 N·m; R2=780×0,6/0,8=585R_2 = 780 \times 0{,}6/0{,}8 = 585 N com o polo em P1P_1.
  • Ler a figura: corpo, contatos, CG, braços perpendiculares, polo, comando (unidade, fator, truncamento, constantes).
  • Vizinhos: diagrama de forças e terceira lei em leis de Newton; decomposição em vetores; atrito estático que segura a escada em atrito; por que a alavanca não economiza energia em trabalho de uma força; a próxima parada, empuxo e pressão em fluidos em repouso, em hidrostática.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

EQUILÍBRIO DO CORPO EXTENSO | Resumo de Física para o Enem
Curso Enem Gratuito · 8:06
Introdução em oito minutos. A descrição do vídeo traz os capítulos: explicação do momento de uma força (torque) com simulação de gangorra, sentidos horário e anti-horário, e as condições para o equilíbrio de um corpo extenso. É a seção “Torque: força vezes braço” e a seção “Parado de verdade, parte dois” desta página em versão de revisão rápida, com a gangorra que a página usa como exemplo-guia.
Estática - Aula 05 (EQUILÍBRIO DOS CORPOS EXTENSOS)
Davi Oliveira - Física 2.0 · 30:07
Aprofundamento de meia hora. Continuação do estudo da estática dos sólidos com o equilíbrio de rotação e de translação de um corpo extenso, construído a partir do momento de uma força; a aula anterior do mesmo canal (Aula 04) define o torque. É a seção “Parado de verdade, parte dois” e a seção “O polo esperto” com barras, apoios e reações resolvidas no quadro, no ritmo de quem está vendo o assunto pela primeira vez.
CENTRO DE MASSA E CENTRO DE GRAVIDADE - ESTÁTICA - AULA 2 - Prof. Boaro
Professor Boaro · 29:36
Aplicação a um só conceito. A aula é dedicada inteiramente ao centro de massa e ao centro de gravidade: definição, cálculo por média ponderada, coincidência dos dois quando a gravidade é uniforme e a relação com o equilíbrio de corpos apoiados. É a seção “Onde o peso atua” e a seção “Tombar ou não tombar” desta página, o conteúdo dos itens PAS 2019/69, 2018/77 e 2009/101.
PAS1 2019 Física 68, 69 e 72 - Centro de Massa, Torque e Equilíbrio
Fazendo Física · 15:51
Resolução de itens reais. Resolve exatamente o bloco do Discóbolo do PAS 1 de 2019 (itens 68, 69 e 72), cujo texto-base a descrição do vídeo reproduz: o torque do disco sobre o ombro (12 N·m), a coincidência entre centro de massa e centro de gravidade e o cálculo da reação R2 = 585 N com o polo no pé P1. É o exemplo resolvido da seção “O polo esperto” desta página em vídeo; confira antes de assistir que 780 × 0,6 = R2 × 0,8.
Rota PAS 1
Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · PAS 1

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 1 — Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (massa e peso; grandeza com sentido tem sinal); O que cai daqui (equilíbrio de corpos extensos: 25 itens 2006–2024, formatos A, B, C e D); Torque e equilíbrio de corpos extensos: por que o contrapeso fica perto da torre (conceito, exemplo-guia da chave de roda e da gangorra, regra da alavanca, eixo esperto, item 2013/92, checagem, pílula do Discóbolo); Como a banca cobra (itens 2022/93 e 2019/68 e 72); Estratégia (porta 3: corpo extenso parado); Resolvidos (Contrapeso do guindaste, tipo B); Exercícios nível 1 (gangorra 30 kg/60 kg) e item 19 (prancha em dois cavaletes); Banco de treino T9 a T11 (torque e direção, portão, grua de 2011)

    Recorte por assunto: torque, condições de equilíbrio de corpo extenso, alavancas, centro de massa/gravidade e estabilidade. O livro trata o tema numa seção; a página acrescenta o equilíbrio de ponto material como base curta, a classificação das alavancas e a vantagem mecânica com exemplos do corpo humano, o cálculo do centro de massa por média ponderada, a regra do tombamento e o ângulo crítico, vigas em dois apoios, escada apoiada em parede e balanças de braços desiguais, além dos itens reais de 2005 a 2024 não detalhados no capítulo. Hidrostática (pressão e empuxo) fica na página seguinte; leis de Newton, atrito e vetores são vizinhas.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2005 (itens 103 e 104, balança de braços desiguais), 2008 (itens 20, 22 e 105, alavanca do arado e acrobacia), 2009 (item 36, escada de Escher; item 101, bailarina), 2011 (item 60, grua; item 71, lastro), 2012 (item 80, pedais), 2017 (itens 41, 52 e 54, fouetté e quadro na parede), 2018 (itens 77 e 79, Nefertiti e haste do Partenon), 2019 (itens 68, 69 e 72, Discóbolo), 2020 Parte 2 (itens 88 e 89, arcobotante), 2022 (item 93, barra sobre haste), 2024 (item 93, centro de massa Sol–Terra)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json. Figuras impressas (discóbolo de 2019, arcobotante de 2020, barra de 2022, grua de 2011, escada de 2009, quadro de 2017, Nefertiti de 2018, balança de 2005) descritas em texto neutro no suporte das questões, com os valores lidos nas páginas dos cadernos em PDF (utils/material/PAS/provas/), inclusive o valor aproximado de √3 = 12/7 fornecido em 2019 e a geometria do quadro de 2017. Os itens 2013/92 (macaco) e 2018/80 (haste do Partenon) são reusados por GUID das páginas trabalho-de-uma-forca e vetores.