A 3 m de fundo o ouvido aperta e a 10 m a pressão já dobrou, mas a largura da piscina não muda nada; uma barcaça de 600 t afunda até 1 m e carrega 900 t de pedra; um navio de aço flutua e um parafuso afunda. Que peso é esse que a água exerce, por que só a profundidade conta e como a mesma lei pesa a carga de um barco sem balança?
O que você vai aprender
Definir densidade como massa por volume, converter entre g/cm³, kg/L e kg/m³, distinguir densidade do material da densidade média de um corpo oco e estimar a densidade de uma mistura entre as dos componentes.
Definir pressão como força por área, usar pascal, atm, mmHg e cmHg, explicar por que a mesma força produz pressões diferentes em áreas diferentes e distinguir pressão (escalar) de força de pressão (perpendicular à superfície).
Explicar a pressão atmosférica pelo peso da coluna de ar, descrever o barômetro de Torricelli (76 cmHg ao nível do mar, 10,3 m de água) e distinguir pressão absoluta de pressão manométrica.
Deduzir e aplicar a lei de Stevin, p = p₀ + ρgh, reconhecer que a pressão depende só da profundidade e da densidade (paradoxo hidrostático) e usar a regra de 1 atm a cada 10 m de água em itens de mergulho, barragem e reservatório.
Resolver vasos comunicantes com um ou dois líquidos (ρ₁h₁ = ρ₂h₂) e ler um manômetro em U aberto, p = p₀ + ρgh, inclusive em cmHg.
Enunciar o princípio de Pascal, calcular forças e deslocamentos na prensa hidráulica (F₂ = F₁A₂/A₁, A₁d₁ = A₂d₂) e justificar por que ela multiplica força sem multiplicar trabalho.
Deduzir o empuxo a partir da diferença de pressões, aplicar E = ρ_fluido·V_submerso·g, calcular peso aparente e reconhecer que o empuxo não depende da profundidade nem do peso do corpo submerso.
Aplicar a condição de flutuação E = P para obter a fração submersa (ρ_corpo/ρ_fluido), a carga de um barco pelo calado e o volume de um corpo em repouso na água, inclusive em gases (balões), e ler gráficos p × h e tabelas de densidade para prever se um corpo flutua.
Leve uma garrafa de plástico vazia e bem tampada ao fundo da piscina de saltos, a 5 m, e ela volta amassada; a 1 m, nada acontece com ela. Quem amassou a garrafa foi a água empilhada em cima dela: toda a coluna, da tampa até a superfície, descarrega o próprio peso sobre cada centímetro quadrado que encontra, e quanto mais comprida a coluna, maior o aperto. O que não entra nessa conta é tudo o que fica ao lado. Um cano vertical de 5 m com um balde de água dentro aperta a tampa do fundo tanto quanto 5 m de represa; litros, metros de largura e formato das paredes não aparecem. E antes da água já havia o ar: a atmosfera inteira pesa sobre a superfície da piscina, e nós não a notamos porque nunca vivemos sem ela. O PAS 1 de 2025 montou um item sobre esse ponto cego: um peixe cujo organismo tolera no máximo 2 atm precisa ficar acima dos 10 m, porque ali a coluna de água já vale uma atmosfera e a outra atmosfera, a do ar, continua em cima.
O mesmo peso da água explica por que um navio de 200 000 toneladas de aço flutua e um parafuso de 20 g afunda. A água empurra para cima tudo o que está dentro dela com uma força igual ao peso da água que o corpo tirou do lugar; o navio é oco e desloca muita água, o parafuso é compacto e desloca pouca. Esta página constrói essa história em ordem: o que é densidade e o que é pressão; quanto pesa a atmosfera e como Torricelli mediu isso; a lei de Stevin, que dá a pressão em qualquer profundidade; os vasos comunicantes e o manômetro; o princípio de Pascal e a prensa hidráulica; o empuxo de Arquimedes, o peso aparente e a condição de flutuar. Ela pressupõe força, peso e a terceira lei da página leis de Newton e as conversões de unidade da página grandezas físicas e unidades. Equilíbrio de corpos rígidos, torque e centro de massa ficam na página vizinha estática; escoamento, vazão e Bernoulli não entram aqui.
Densidade: quanta massa cabe em cada litro
Duas caixas de sapato iguais, uma cheia de isopor e outra cheia de chumbo, têm o mesmo volume e massas muito diferentes. A grandeza que separa as duas é a densidade: quanta massa há em cada unidade de volume.
Densidade
ρ=Vm
No SI, quilograma por metro cúbico (kg/m³); no dia a dia, grama por centímetro cúbico (g/cm³) ou quilograma por litro (kg/L). As três conversões que a prova exige:
1g/cm3=1kg/L=1000kg/m3,1m3=1000L,1L=1000cm3.
A água tem densidade 1 g/cm³, ou seja, 1 000 kg/m³: um litro, um quilograma. Nenhum outro número aparece tantas vezes neste assunto.
material
densidade (kg/m³)
o que isso diz
ar (nível do mar, 20 °C)
1,2
um metro cúbico de ar tem 1,2 kg
isopor
15 a 30
quase tudo é ar aprisionado
gasolina
700 a 750
flutua sobre a água
óleo de cozinha
920
flutua sobre a água
gelo
917
flutua com cerca de 90% submerso
água pura
1 000
referência
água do mar
1 025
o sal aumenta a densidade
concreto
2 400
afunda
alumínio
2 700
afunda
ferro e aço
7 800 a 7 900
afunda; o navio flutua por ser oco
mercúrio
13 600
o líquido do barômetro de Torricelli
Um bloco de 2 L com massa de 1,8 kg tem densidade 1,8/2=0,9 kg/L =900 kg/m³, menos denso que a água. Essa comparação, densidade do corpo contra densidade do líquido, é o que vai decidir se ele flutua, e ela aparece de três formas na prova.
Densidade relativa. É a razão entre a densidade de um material e a da água: ρr=ρ/ρaˊgua, um número sem unidade. Gelo: 0,917. Mercúrio: 13,6. Um corpo com densidade relativa menor que 1 flutua na água; maior que 1, afunda.
Densidade de um corpo oco não é a do material. Um navio de aço tem casco de ρ=7800 kg/m³, mas o navio inteiro, com o ar dos porões, tem massa total dividida por volume total bem menor que 1 000 kg/m³. A palavra que importa é densidade média: massa do conjunto sobre volume do conjunto, ar incluído.
Densidade de uma mistura. Massas se somam; volumes, na hipótese mais simples, também: ρmist=(m1+m2)/(V1+V2). Uma mistura de 40 g de etanol (ρ=0,79 g/cm³, V=40/0,79=50,6 cm³) com 60 g de água (60 cm³) daria 100/110,6=0,90 g/cm³ se os volumes se somassem sem interação. Na mistura real, etanol e água ocupam um pouco menos espaço que a soma, e a densidade medida a 25 °C fica em torno de 0,93 g/cm³; por isso a prova de 2020 forneceu um gráfico em vez de pedir a conta. A regra a levar: a densidade da mistura fica entre as densidades dos componentes, mais perto do componente que domina em massa.
Densidade não depende da gravidade
Densidade é massa por volume, e nenhuma das duas muda quando o corpo vai para a Lua. O que muda é o peso (P=mg) e, com ele, o peso da água deslocada. Em 2005 (item 108), a banca afirmou que a densidade de um bloco medida na Lua seria menor que na Terra: errado. Se o método de medida for uma balança de dois braços comparando o bloco com esferas, a razão entre os pesos é a razão entre as massas, e g cancela dos dois lados.
Pressão não é força: a agulha fura e o esqui não afunda
Uma pessoa de 60 kg pisa na neve fofa com uma bota e afunda; com um esqui, não. O peso é o mesmo. O que mudou foi a área em que ele se distribui.
Pressão
p=AF
Força perpendicular à superfície dividida pela área em que ela se aplica. Unidade SI: pascal, 1Pa=1N/m2, uma unidade minúscula, o peso de uma folha de papel espalhado num metro quadrado. Por isso as unidades práticas são maiores:
A prova do PAS usa 1atm=105 Pa e fornece o valor no comando.
A pressão é uma grandeza escalar: um número com unidade, sem direção. A força que ela produz sobre uma superfície é que tem direção, sempre perpendicular à superfície. Num líquido parado, a pressão em um ponto não escolhe direção: o tímpano do mergulhador recebe o mesmo aperto esteja ele de frente, de lado ou de cabeça para baixo.
Exemplo resolvido (a bota e o esqui). Pessoa de 60 kg, peso 600 N. Bota com sola de 250 cm² =0,025 m²: p=600/0,025=24000 Pa =24 kPa. Par de esquis com 0,5 m² no total: p=600/0,5=1200 Pa. Vinte vezes menos pressão com a mesma força, e a neve aguenta. No sentido oposto, uma agulha de injeção com ponta de 0,1 mm² =10−7 m² empurrada com 5 N produz 5/10−7=5×107 Pa, quinhentas atmosferas: a pele não resiste. Faca cega e faca afiada aplicam a mesma força; a afiada tem área mil vezes menor.
Pressão e força se confundem nos itens de julgamento
“A força que a água exerce sobre o fundo do tanque” e “a pressão da água no fundo do tanque” são coisas diferentes. A pressão em cada ponto do fundo depende só da profundidade; a força total é pressão vezes área, F=pA, e cresce com a área do fundo. Em 2019 (item 81) a banca escreveu que, para diminuir a pressão no fundo de um tanque mantendo o nível do líquido, bastaria aumentar a área da base: errado. Com a base mais larga, o fundo recebe mais força, porque há mais área sob a mesma pressão, mas cada ponto dele continua a sentir exatamente p0+ρgh: o nível não mudou, e é só o nível que a pressão enxerga.
A atmosfera pesa, e Torricelli mediu quanto
O ar tem densidade pequena, 1,2 kg/m³, mas a camada de ar sobre nós tem dezenas de quilômetros. O resultado é que cada metro quadrado do chão sustenta cerca de 10 toneladas de ar, e isso é a pressão atmosférica: p0≈105 Pa ao nível do mar. Não sentimos porque a pressão dentro do corpo é a mesma; sentimos no ouvido quando ela muda depressa, na subida de uma serra ou na decolagem.
O barômetro de Torricelli (1643). O mercúrio desce no tubo até que o peso da coluna, 76 cm ao nível do mar, equilibre a pressão da atmosfera sobre a cuba. Com água, a coluna teria 10,3 m: por isso Torricelli escolheu o líquido 13,6 vezes mais denso. Diagrama autoral.
Em 1643, Evangelista Torricelli encheu de mercúrio um tubo de vidro de 1 m fechado numa ponta, tampou a outra, inverteu-o numa cuba com mercúrio e destampou. O mercúrio desceu, mas não todo: parou com a coluna a 76 cm acima do nível da cuba, deixando vácuo no topo. A leitura: a atmosfera, empurrando a superfície livre da cuba, sustenta uma coluna de 76 cm de mercúrio. Logo, a pressão atmosférica ao nível do mar vale a pressão de 76 cm de mercúrio, 76 cmHg ou 760 mmHg.
A conferência com a lei da coluna, que a próxima seção deduz: p=ρgh=13600×9,8×0,76≈1,013×105 Pa. Com água em vez de mercúrio, a coluna teria de ser 13,6 vezes mais alta, 0,76×13,6≈10,3 m, o que responde por que Torricelli não usou água e por que nenhuma bomba de sucção tira água de um poço com mais de 10 m de profundidade: a atmosfera não consegue empurrar a água mais alto que isso.
Canudo, ventosa e a serra
O canudo não puxa o refrigerante: você reduz a pressão dentro da boca e a atmosfera, apertando a superfície do copo, empurra o líquido para cima. A ventosa gruda na parede porque o ar de fora empurra e o de dentro, expulso, não empurra de volta. Em Brasília, a 1 100 m de altitude, a coluna de ar acima é menor e p0 fica em torno de 89 kPa, cerca de 670 mmHg; a água ferve a 96 °C em vez de 100 °C, e é por isso que o pacote de biscoito chega estufado à cidade.
Lei de Stevin: só a profundidade conta
Imagine, dentro da piscina, um cilindro de água de área da base A e altura h, com o topo na superfície. Ele está em repouso, então a resultante sobre ele é nula. Para baixo agem a atmosfera sobre o topo, força p0A, e o peso do cilindro, mg=ρVg=ρAhg. Para cima age a água de baixo, com pressão p na base: força pA. Equilíbrio: pA=p0A+ρAhg. A área cancela, e sobra a lei.
Lei de Stevin
Dentro de um líquido homogêneo em repouso, a pressão a uma profundidade h abaixo da superfície livre é
p=p0+ρgh,
dois termos: o que a atmosfera já faz na superfície, p0, e o peso da coluna de líquido por unidade de área, ρgh. Ao passar de um ponto a outro do mesmo líquido, a única grandeza que muda é h; a geometria do recipiente não aparece na fórmula e, por isso, não aparece no resultado. Entre dois pontos do mesmo líquido separados por um desnível Δh, a diferença de pressão é Δp=ρgΔh, e p0 cancela.
A lei de Stevin em três leituras. O formato do recipiente não altera a pressão no fundo (paradoxo hidrostático); a dedução isola um cilindro de água em equilíbrio; o gráfico p×h é uma reta de intercepto p0 e inclinação ρg, 10 kPa por metro de água. Diagrama autoral.
A regra de bolso que decide a maioria dos itens: cada 10 m de água acrescentam 1 atm, porque 1000×10×10=105 Pa. A 10 m, a pressão total é 2 atm; a 20 m, 3 atm; a 30 m, 4 atm. Mergulhadores recreativos param em 40 m, onde o corpo está sob 5 atm.
Exemplo resolvido (a piscina de saltos). Fundo a 5 m. Coluna de água: ρgh=1000×10×5=50000 Pa, meia atmosfera. A garrafa da abertura saiu da superfície com ar a 1 atm dentro e chega lá embaixo com p=105+0,5×105=1,5×105 Pa do lado de fora, metade a mais do que tem por dentro, e cede. A 1 m, a coluna acrescenta 10 kPa, um décimo de atmosfera, e a garrafa nem percebe. No gráfico p×h, os dois pontos caem na mesma reta, 110 kPa a 1 m e 150 kPa a 5 m: 10 kPa a cada metro descido.
Exemplo resolvido (PAS 2025, item 94). O comando dava ρ=1000 kg/m³, g=10 m/s² e p0=1 atm =105 Pa, e o item sustentava que um peixe cujo organismo tolera no máximo 2 atm é obrigado a permanecer acima dos 10 m de profundidade. A 10 m, p=105+1000×10×10=2×105 Pa =2 atm: o limite já é atingido. A menos de 10 m de profundidade, p<2 atm; mais fundo, o limite é ultrapassado. Item certo. Quem deixou p0 de fora colocou o limite a 20 m e julgou o item errado.
O p₀ que ninguém vê
A 10 m de água, a pressão total é p0+ρgh=2 atm, e não 1 atm. Sempre que um item falar em profundidade e pedir a pressão a que algo está submetido, acrescente a atmosfera: se o comando traz o valor de p0, é porque a conta vai usá-lo. Há duas situações em que ele sai de cena. Quando se pergunta quanto a pressão varia entre duas posições dentro do mesmo líquido, p0 aparece nos dois lados da subtração e se cancela. E na pressão manométrica, definida já com a atmosfera descontada: p−p0=ρgh. A pressão contada a partir do vácuo chama-se absoluta; a contada a partir da atmosfera, manométrica ou efetiva. Um manômetro de pneu que marca 30 psi (cerca de 2 atm) mede a manométrica; a absoluta dentro do pneu é 3 atm.
A segunda maneira de a lei aparecer é o paradoxo hidrostático: a pressão no fundo não depende da quantidade de água, só da altura dela. Um tubo fino de 10 m ligado ao fundo de um barril o faz estourar com poucos litros, como Pascal demonstrou em 1646. Uma barragem engrossa para baixo porque a água represada aperta cada vez mais à medida que se desce, e a extensão do lago atrás dela é indiferente: um reservatório de 50 km e um açude de 500 m, com a mesma altura de água junto ao muro, pressionam a base dele com o mesmo valor. Em 2015 (item 90), a banca afirmou que a pressão da água na parte mais baixa do casco de um navio é menor que na superfície do mar: errado, é maior, por ρgh com h igual ao calado.
Exemplo resolvido (profundidade a partir da pressão). Um sensor no fundo de um lago marca pressão absoluta de 3,5×105 Pa. Profundidade: ρgh=3,5×105−105=2,5×105, logo h=2,5×105/(1000×10)=25 m. No mar, com ρ=1025 kg/m³, daria 24,4 m: água mais densa, coluna mais baixa para a mesma pressão.
Vasos comunicantes e o tubo em U: o líquido nivela a pressão
Se dois recipientes ligados por baixo contêm o mesmo líquido em repouso, a superfície livre fica na mesma altura nos dois, qualquer que seja o formato deles. A razão vem de Stevin: em qualquer ponto do tubo de ligação, a pressão tem de ser a mesma vinda de um lado e do outro; se a pressão é a mesma e o líquido é o mesmo, a altura de coluna acima do ponto é a mesma. É o princípio dos vasos comunicantes, e é assim que a água da caixa-d’água chega à torneira do térreo: a torneira está 20 m abaixo da superfície da caixa, e a pressão manométrica junto a ela, com a torneira fechada, vale ρgh=1000×10×20=2×105 Pa.
Três usos da mesma ideia. Vasos comunicantes: mesmo líquido, mesmo nível. Tubo em U com dois líquidos: na horizontal da interface, ρ1h1=ρ2h2, e o líquido menos denso sobe mais alto. Manômetro aberto: o desnível h do líquido mede a pressão manométrica do gás, pgaˊs−p0=ρgh. Diagrama autoral.
Com dois líquidos que não se misturam, os níveis deixam de ser iguais. Tome a horizontal que passa pela interface entre eles, dentro do ramo em que estão os dois. Nessa horizontal, dentro de um mesmo líquido contínuo (o mais denso, que ocupa o fundo), a pressão é igual nos dois ramos. Acima dela, de um lado há uma coluna h1 do líquido 1 e do outro uma coluna h2 do líquido 2, ambas com p0 em cima:
p0+ρ1gh1=p0+ρ2gh2⇒ρ1h1=ρ2h2.
O líquido menos denso sobe mais alto. Água (1 000) e óleo (800): a coluna de óleo é 1000/800=1,25 vez mais alta que a de água acima do mesmo nível de referência.
Exemplo resolvido (o manômetro em U). Um tubo em U com mercúrio tem um ramo aberto para a atmosfera e o outro ligado a um botijão de gás. O mercúrio fica 19 cm mais baixo do lado do gás. Na horizontal da superfície mais baixa (do lado do gás), a pressão é pgaˊs; do outro lado, na mesma horizontal, há 19 cm de mercúrio acima, mais a atmosfera: pgaˊs=p0+ρgh=76+19=95 cmHg. Em pascal: 95/76×1,013×105≈1,27×105 Pa. A pressão manométrica é 19 cmHg, cerca de 25 kPa. Repare que se usou a unidade cmHg diretamente: uma coluna de mercúrio já é uma pressão.
Pressão arterial em milímetros de mercúrio
“12 por 8” são 120 mmHg na contração do coração e 80 mmHg no relaxamento, medidos acima da atmosférica: pressões manométricas. Em pascal, 120×133≈16 kPa, um sexto de atmosfera. O aparelho de braçadeira é um manômetro, e a unidade sobreviveu porque os primeiros eram colunas de mercúrio de verdade. Um detalhe que a hidrostática explica: a pressão medida no braço é a do nível do coração; nos pés de uma pessoa em pé, 1,3 m abaixo, o sangue (ρ≈1060 kg/m³) acrescenta 1060×10×1,3≈14 kPa, mais de 100 mmHg. É por isso que o braço fica na altura do coração durante a medida e que a girafa precisa de uma pressão arterial duas vezes maior que a nossa.
Princípio de Pascal: a prensa multiplica força, não trabalho
Stevin diz que a pressão cresce com a profundidade. Pascal acrescenta o que acontece quando alguém aperta o líquido de fora.
Princípio de Pascal
Aperte um líquido fechado em qualquer ponto: o aumento de pressão chega inteiro, sem perda, a todos os outros pontos do líquido e às paredes que o contêm. Se você empurra um pistão de área A1 com força F1, a pressão em todo o líquido sobe Δp=F1/A1; num segundo pistão, de área A2, esse mesmo Δp produz a força
F2=F1A1A2.
Pistão grande, força grande: a prensa hidráulica multiplica a força pela razão entre as áreas.
O elevador hidráulico de oficina. A pressão é a mesma nos dois pistões, 30 kPa; o pistão 40 vezes maior recebe força 40 vezes maior. A conta a pagar: para o carro subir 1 cm, o pistão pequeno desce 40 cm. Força vezes deslocamento dá 120 J de cada lado; a prensa não inventa trabalho. Diagrama autoral.
O líquido, para o que interessa aqui, é incompressível: o volume que sai de um cilindro entra no outro. Se o pistão pequeno desce d1, ele expulsa um volume A1d1, que faz o grande subir d2 com A2d2=A1d1. Os deslocamentos são inversamente proporcionais às áreas:
d2d1=A1A2=F1F2⇒F1d1=F2d2.
O trabalho realizado no pistão pequeno é igual ao trabalho entregue pelo grande. A prensa multiplica força, jamais trabalho ou energia. É a mesma troca da alavanca e da roldana, estudada na página trabalho de uma força: ganha-se em força o que se perde em deslocamento.
Exemplo resolvido (o elevador da oficina). Pistão pequeno de 0,01 m², pistão grande de 0,4 m²: razão de áreas 40. Sobre o grande, um carro de 1 200 kg, 12 000 N. A força que equilibra o carro no pistão pequeno é F1=12000×0,01/0,4=300 N, o que uma pessoa consegue apoiando 30 kg numa alavanca. A pressão no óleo: 300/0,01=30000 Pa, e a conferência pelo outro lado, 12000/0,4, dá os mesmos 30 kPa. Para o carro subir 10 cm, o volume de óleo que entra no cilindro grande é 0,4×0,10=0,04 m³, e esse volume tem de sair do pequeno: d1=0,04/0,01=4 m. Nenhuma alavanca desce 4 m de uma vez; a bomba manual faz isso em dezenas de cursos curtos, puxando óleo do reservatório a cada um. Trabalho: 12000×0,1=1200 J entregues ao carro; 300×4=1200 J gastos na bomba. A força ficou 40 vezes menor, o caminho 40 vezes mais longo, a energia a mesma.
Freio, escavadeira e cadeira de dentista
No freio hidráulico, o pé no pedal empurra um pistão pequeno no cilindro-mestre; a pressão viaja pelo fluido até os pistões maiores de cada roda, que apertam as pastilhas contra o disco. Quatro rodas recebem a mesma pressão ao mesmo tempo, o que mangueiras e cabos mecânicos não conseguiriam garantir. Escavadeiras, macacos de oficina, prensas de fábrica e a cadeira do dentista que sobe com um pedal funcionam do mesmo jeito. Um vazamento com ar no circuito é perigoso porque o ar é compressível: parte do deslocamento do pedal vai comprimir a bolha em vez de transmitir pressão.
Pascal consta da matriz do PAS, mas, de 2006 a 2025, nenhum item foi dedicado só a ele. Sua presença é indireta: nos contextos de máquinas hidráulicas e, principalmente, como alicerce das duas leis que de fato rendem itens, a de Stevin e a de Arquimedes.
Empuxo: a diferença de pressões que empurra para cima
Segure uma bola de basquete debaixo da água, no fundo da piscina, e tente mantê-la parada. Os braços cansam depressa: a bola força para cima com a insistência de um peso de 6 kg puxado ao contrário e, se os dedos escorregarem, ela dispara rumo à superfície. Quem a empurra é a água, e a explicação já está em Stevin: a parte de baixo da bola está mais funda que a parte de cima, logo sofre pressão maior. A água aperta a base para cima com mais força do que aperta o topo para baixo, e o que sobra dessa disputa é uma força vertical, para cima, o empuxo.
A conta para um cilindro de área A e altura H totalmente mergulhado torna a ideia exata. Pressão no topo, à profundidade h: p0+ρgh. Na base, à profundidade h+H: p0+ρg(h+H). Força para cima menos força para baixo: [ρg(h+H)−ρgh]A=ρgHA=ρgV. As forças laterais se cancelam aos pares. O empuxo é ρfluidoVg, e h desapareceu: o empuxo não depende da profundidade.
Princípio de Arquimedes
Um corpo mergulhado, total ou parcialmente, num fluido recebe dele uma força vertical para cima, o empuxo, de módulo igual ao peso do fluido deslocado:
E=ρfluidoVsubmersog.
Leia os índices: a densidade é a do fluido, não a do corpo; o volume é o da parte submersa, não o volume total do corpo. Repare no que a fórmula não contém: o peso do corpo. Ele só é chamado no passo seguinte, quando se compara P com E para decidir se o corpo sobe, desce ou fica. O empuxo é a resultante das forças de pressão e atua, para um corpo homogêneo, no centro do volume deslocado.
De onde vem o empuxo e como medi-lo. A pressão maior na base do que no topo produz E=ρfVg, independente da profundidade. Num dinamômetro, o peso aparente é P−E: o bloco de 20 N "pesa" 12 N na água, logo desloca 8 N de água, 0,8 L. A bola de basquete de 7 L recebe 70 N de empuxo contra 6 N de peso; são 64 N que as mãos precisam vencer para mantê-la no fundo. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (a bola de basquete). Volume 7,0 L =0,0070 m³, massa 0,60 kg. Totalmente submersa, ela desloca 7,0 L de água, que pesam E=1000×0,0070×10=70 N. O peso da bola é P=0,60×10=6 N. Para mantê-la parada no fundo, as mãos precisam completar o equilíbrio com 70−6=64 N para baixo, mais de dez vezes o peso da bola, o que explica o cansaço dos braços. Soltas as mãos, a resultante são esses mesmos 64 N, agora sem oposição, para cima; sem contar a água que a bola arrasta, a aceleração inicial seria 64/0,60≈107 m/s², perto de dez g.
Três destinos possíveis para um corpo totalmente mergulhado, e a comparação é sempre entre E=ρfVg e P=ρcVg, com o mesmo V:
ρc>ρf: P>E, o corpo afunda com força resultante P−E para baixo.
ρc=ρf: P=E, o corpo fica em equilíbrio onde for largado (um submarino com os tanques ajustados, um peixe em repouso).
ρc<ρf: E>P, o corpo sobe até aflorar; na superfície, parte dele sai da água até que o empuxo caia e iguale o peso, e ele flutua.
Peso aparente. Pendure um bloco num dinamômetro e mergulhe-o na água: a leitura cai. O que o dinamômetro mede é a tração no fio, e o equilíbrio do bloco dá T+E=P, logo
Paparente=T=P−E.
Um bloco de 20 N que marca 12 N dentro da água recebe empuxo de 8 N, o que significa que deslocou 8 N de água, 0,8 kg, 0,8 L: o volume do bloco é 0,8 L e sua densidade, 2/0,8=2,5 kg/L. Foi assim, medindo o peso na água e fora dela, que Arquimedes verificou se a coroa do rei era de ouro puro (19,3 g/cm³) ou tinha prata (10,5 g/cm³) misturada: o volume da coroa aparece no empuxo, e a densidade, na razão entre o peso e o volume.
Exemplo resolvido (PAS 2005, itens 105 a 108). Um bloco pendurado num braço de balança é equilibrado por 10 esferas iguais; mergulhado em água, bastam 5. O empuxo compensou metade do peso: E=P/2. Item 105, “o empuxo é um vetor igual à metade do vetor força-peso”: errado, o módulo é metade, mas o sentido é oposto; um vetor igual à metade do peso apontaria para baixo. Item 106, “a densidade do bloco é o dobro da da água”: ρaVg=21ρbVg, logo ρb=2ρa, certo. Item 107, “o peso aparente aumenta à medida que o bloco se aproxima do fundo”: errado, o empuxo não depende da profundidade, e o peso aparente P−E tampouco. Item 108, “na Lua a densidade seria menor”: errado, densidade não depende de g.
Descer mais fundo não aumenta o empuxo
Um item típico: “Um mergulhador que passa de 10 m para 30 m de profundidade recebe empuxo três vezes maior, porque a pressão da água triplica.” Errado. Pressão e empuxo não andam juntos desse jeito. O que empurra o mergulhador para cima é o desnível de pressão entre a sola dos pés e o topo da cabeça, ρg×(altura do corpo), e esse desnível é o mesmo a 10 m, a 30 m ou a 300 m: o p0 e o ρgh da profundidade comparecem igualmente em cima e embaixo e se cancelam na subtração. A ressalva honesta: a água do fundo do oceano é ligeiramente mais densa (mais fria, mais comprimida), e um corpo compressível, como o pulmão cheio de ar do mergulhador ou o casco de um submarino, encolhe um pouco sob pressão; nenhum dos dois efeitos entra numa prova de ensino médio, que trata o líquido como incompressível e o corpo como rígido.
Flutuar é empatar: fração submersa, iceberg e navio de aço
Um corpo que flutua em repouso está em equilíbrio: o empuxo iguala o peso. É a equação que resolve a maioria dos itens numéricos do tema.
Condição de flutuação e fração submersa
Flutuando em equilíbrio, E=P:
ρfVsubg=mg=ρcVg⇒VVsub=ρfρc.
A fração do volume que fica submersa é a razão entre a densidade média do corpo e a do fluido. Gelo na água: 917/1000≈0,9, noventa por cento sob a linha d’água. Madeira de 600 kg/m³: 60% submersa. Um corpo com ρc≥ρf não flutua. Em outra forma, útil para cargas: o peso total de um corpo flutuante é igual ao peso do líquido que ele desloca, mtotal=ρfVsub.
A fração submersa é ρcorpo/ρfluido: isopor quase todo fora, madeira 60%, gelo 90%. O navio de aço flutua porque sua densidade **média**, com o ar dos porões, é menor que a da água; quanto mais carga, mais fundo o casco, mais água deslocada, até que E volte a igualar o peso. Numa barcaça de fundo plano, mtotal=ρAh, e o calado h mede a carga. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (a bola na superfície). Largada na superfície, a bola de basquete de 0,60 kg flutua, e flutuar é E=P=6 N. Água deslocada: Vsub=6/(1000×10)=0,0006 m³ =0,6 L, de um total de 7,0 L; a fração submersa é 0,6/7,0≈8,6%, menos de um décimo da bola. Pelo caminho das densidades: ρbola=0,60/0,0070≈86 kg/m³, e 86/1000 é a mesma fração, 8,6%. Dois caminhos, um resultado: é assim que se confere a conta na prova.
Exemplo resolvido (PAS 2015, item 92). Um navio de 200 toneladas tem a forma de um prisma triangular reto de 30 m de comprimento, com seção triangular de 8 m de base e 6 m de altura. Volume total: 21×8×6×30=720 m³. Flutuando, desloca m/ρ=200000/1000=200 m³. Fração submersa: 200/720≈28%. O item afirmava “mais de 40% do volume ficará submerso”: errado. Repare que g nem entrou: E=P com g dos dois lados.
Exemplo resolvido (PAS 2018, itens 86 e 87). Barcaças egípcias de fundo plano, 60 m por 25 m por 2 m de profundidade, massa de 600 t cada. Item 87 (tipo B): que massa uma barcaça podia carregar para que o fundo ficasse a 1 m da superfície? Volume submerso: 60×25×1=1500 m³, que desloca 1 500 t de água. Essa é a massa total flutuando; a carga é 1500−600=900 t. Marcação: 900. Item 86: “o valor do empuxo sobre as barcaças independia do peso das pedras”: errado, flutuando, E=Ptotal; mais pedras, mais peso, mais fundo o casco, mais empuxo. O tropeço do tipo B é o mesmo da canoa de 2020: quem marca 1 500 respondeu quanto a barcaça pesa com tudo, e a pergunta era quanto ela carrega.
Exemplo resolvido (PAS 2020, item 57). Canoa de 200 kg desloca 1 m³ de água com certa carga; g=9,8 m/s². Empuxo: 1000×1×9,8=9800 N, igual ao peso total. Peso da canoa vazia: 200×9,8=1960 N. Peso da carga: 9800−1960=7840 N; dividido por 10, 784. No item 56 do mesmo bloco, a canoa sobrecarregada afunda com velocidade constante: resultante nula, logo peso total para baixo igual a empuxo mais força viscosa para cima, e a força viscosa vale PT−9800VT em módulo, com VT o volume total submerso: certo.
Exemplo resolvido (PAS 2025, item 97). Um peixe de 100 kg em repouso a 5 m de profundidade: qual o seu volume? “Em repouso” dentro da água é equilíbrio com o corpo totalmente submerso, E=P, ou seja, ρVg=mg e V=m/ρ=100/1000=0,10 m³, opção B. E a profundidade, 5 m, é paisagem do enunciado, não dado da conta: para um corpo todo submerso, descer ou subir não altera E. E o peixe de 100 kg saiu do próprio texto-base, o tubarão-lixa da reportagem sobre o atol das Rocas.
Exemplo resolvido (PAS 2011, item 70). Um navio carregado entra num delta e seu volume submerso aumenta 25%. A afirmação: a densidade da água ali é 20% menor que a do alto-mar. Flutuando nos dois lugares com o mesmo peso: ρ1V1=ρ2V2, com V2=1,25V1. Logo ρ2=ρ1/1,25=0,8ρ1, vinte por cento menor. Certo. Água doce é menos densa que a do mar, e o navio afunda mais no rio: por isso a linha de carga pintada no casco tem marcas separadas para água doce e salgada.
Iceberg, navio de aço e a linha de Plimsoll
O iceberg mostra 10% e esconde 90%, porque 917/1025≈0,89 na água do mar. O navio de aço flutua porque é oco: contando o ar dos porões, sua densidade média fica abaixo de 1 000 kg/m³. Ao ser lançado, ele se enterra na água até que o volume de casco submerso desloque um peso de água igual ao seu próprio, e nessa marca para. A linha de Plimsoll, pintada no casco desde 1876, é a profundidade máxima legal de carregamento; se a água chegar à marca, o navio já desloca todo o peso que pode. Se o casco fura e o ar sai, a densidade média sobe acima da da água, e o mesmo aço que flutuava vai ao fundo.
Balões, densímetros e misturas: os casos de borda
O princípio de Arquimedes vale para qualquer fluido, inclusive gases. Um balão ou um dirigível recebe do ar um empuxo E=ρarVg, e sobe se esse empuxo superar o peso total: envelope, carga e o gás de dentro. O gás precisa ser menos denso que o ar (hélio, 0,17 kg/m³; hidrogênio, 0,09; ar quente, cerca de 0,95 a 100 °C), e é a diferença de densidades vezes o volume que sustenta a carga.
Exemplo resolvido (PAS 2007, item 66). O dirigível LZ 7 Deutschland tinha 19 320 m³ e 15,5 t de massa sem carga; com ρar=1,2 kg/m³ e g=10 m/s², o item pedia o empuxo em newtons dividido por 1 000. E=1,2×19320×10=231840 N; dividido por 1 000, 231. Conferência de sentido: o empuxo sustenta 23 184 kg; a estrutura tinha 15 500 kg; sobram cerca de 7,7 t para o hélio (ou hidrogênio) que enche o envelope e para a carga. O item do mesmo bloco que pedia o desenho das forças sobre o dirigível parado no ar (tipo D) tinha resposta simples: peso e empuxo, iguais e opostos, ambos aplicados na vertical do centro de massa.
O densímetro é o princípio de Arquimedes virado ao contrário: um flutuador de peso fixo com uma haste graduada. Em líquido mais denso, precisa deslocar menos volume para empatar o peso e afunda menos; em líquido menos denso, afunda mais. A escala é lida na linha d’água. É o instrumento do posto de combustível que checa se o etanol tem água demais (mistura mais densa) e o da bateria de carro que mede a carga pelo ácido.
A mistura aparece na prova pela flutuação: um bloco de densidade 0,88 g/cm³ ficará totalmente submerso numa solução de etanol a 40% em massa? A densidade da solução, lida no gráfico fornecido em 2020, fica em torno de 0,93 g/cm³, maior que 0,88; o bloco flutua com cerca de 0,88/0,93≈95% do volume submerso e 5% fora. Item 83 de 2020: errado. Se a solução fosse etanol a 70% (cerca de 0,87 g/cm³), o bloco afundaria. A leitura correta do gráfico é o passo que decide.
Ler o gráfico p × h e a tabela de densidades
A lei de Stevin é uma função afim da profundidade: p(h)=p0+(ρg)h. Num gráfico da pressão em função da profundidade, isso é uma reta com intercepto p0 (a pressão na superfície) e inclinação ρg (quanto a pressão cresce por metro). Para a água, a inclinação é 10 kPa/m; para o mercúrio, 136 kPa/m. Duas curvas no mesmo gráfico, para dois líquidos, partem do mesmo p0 e se abrem: a mais íngreme é o líquido mais denso. Se o gráfico mostrar pressão manométrica, a reta passa pela origem. Se a reta não partir de p0 nem da origem, o recipiente está fechado e há um gás acima do líquido com pressão diferente da atmosférica.
Da reta se lê a densidade: inclinação dividida por g. Um gráfico que sobe de 100 kPa a 180 kPa entre 0 e 10 m tem inclinação 8 kPa/m, logo ρ=8000/10=800 kg/m³, um óleo.
A tabela de densidades é lida por comparação com o líquido: quem está abaixo da densidade do líquido flutua nele, quem está acima afunda. Gelo (917) flutua na água (1 000) e afunda no etanol (790). Chumbo (11 300) afunda na água e flutua no mercúrio (13 600). E a fração submersa sai da divisão: madeira de 600 em água, 60%; a mesma madeira em água do mar (1 025), 58,5%.
O gráfico do PAS 2005 combinava balança e empuxo: um bloco de massa m e volume v num braço a, esferas de massa total mT num braço b, com o bloco mergulhado num líquido de densidade ρ variável. Torques iguais: (m−ρv)ga=mTgb, logo mT=ba(m−ρv), uma reta decrescente em ρ, que vale am/b quando ρ=0 (item 110, certo: mT/a=m/b) e zera quando ρ=m/v, a densidade do próprio bloco, quando o empuxo iguala o peso e nada mais é preciso do outro lado. O item 109 dizia “coeficiente angular positivo”: errado. O item 111 dava a função acima: certo.
Como a banca pergunta
Fluidos rendeu 14 itens nas vinte provas do PAS 1 de 2006 a 2025 (em 2007, 2011, 2015, 2016, 2018, 2019, 2020 e 2025), mais oito itens em 2005 (o cubo do item 100 e a balança de Arquimedes dos itens 105 a 111), e produziu itens tipo B em 2007, 2018 e 2020. Cinco padrões cobrem tudo:
A conta de Stevin com a atmosfera. 2025/94, o peixe a menos de 10 m (certo). O erro plantado é sempre o p0 esquecido, que desloca o limite por um fator 2.
O paradoxo hidrostático em forma de item errado. 2019/81 (área da base) e 2015/90 (pressão no casco menor que na superfície). A pressão depende só de h; a força total, da área.
Pesar com E=P, o tipo B favorito: canoa asteca 2020/57 (784), barcaça egípcia 2018/87 (900), dirigível 2007/66 (231), volume do peixe 2025/97 (0,10 m³, tipo C). O erro plantado aqui não é de física, é de leitura: o item quer a carga, e o total aparece como resposta tentadora; depois ainda há a divisão final por 10 ou por 1 000.
Fração submersa e densidade. 2015/92 (28%, não 40%), 2005/100 (cubo com 20% fora, densidade 0,8), 2011/70 (delta, 20% menos densa), 2020/83 (bloco na solução de etanol).
Os conceitos do empuxo em julgamento. Independe do peso transportado? Não, flutuando E=P (2018/86, errado). Cresce com a profundidade? Não (2005/107, errado). É um vetor igual à metade do peso? Módulo sim, sentido não (2005/105, errado). Navio desloca água cujo peso é igual ao dele? Sim (2011/72, certo). A canoa que afunda a velocidade constante tem viscosidade igual a PT−E? Sim (2020/56, certo).
O texto-base costuma ser histórico ou de obra da lista: Arquimedes e a coroa (2005), o Zepelim de Chico Buarque (2007), a água de lastro dos navios (2011), o navio negreiro de Castro Alves (2015), as barcaças do Nilo (2018), as canoas astecas (2020), os peixes-limpadores do atol das Rocas (2025). Releia a obra procurando profundidades, massas e volumes: eles viram dados de item. E as constantes (g, ρ, p0) vêm no comando; se estão lá, há Física no bloco.
Os erros que a prova planta
Esquecer a atmosfera. Pressão total a 10 m é 2 atm. Só se dispensa p0 em diferenças de pressão e em pressão manométrica.
Achar que a pressão depende da área da base ou da quantidade de água. Depende só da profundidade e da densidade. A área muda a força total no fundo, não a pressão.
Confundir pressão com força. Pressão é força por área, escalar; a força de pressão é perpendicular à superfície e vale pA.
Usar a densidade do corpo ou o volume total na fórmula do empuxo.E=ρfluidoVsubmersog. O peso do corpo entra depois, na comparação.
Achar que o empuxo cresce com a profundidade. Não cresce: a diferença de pressões entre base e topo é a mesma em qualquer profundidade.
Achar que o empuxo depende do peso do corpo submerso. Para um corpo totalmente submerso, não; para um corpo flutuando, E=P por equilíbrio, e é o volume submerso que se ajusta ao peso.
Confundir altura total com profundidade.h em Stevin é medido da superfície livre para baixo até o ponto. A distância até o fundo não entra.
Errar unidades. Litros para metros cúbicos (÷1000), g/cm³ para kg/m³ (×1000), toneladas para quilogramas (×1000), cmHg para pascal. E o g do comando: 9,8 na canoa de 2020, 10 no peixe de 2025.
Achar que a prensa hidráulica economiza trabalho. Multiplica força pela razão das áreas; o deslocamento cai na mesma razão; F1d1=F2d2.
No tipo B, marcar o total quando o item pede a carga, ou esquecer a divisão final. 980 em vez de 784; 1 500 em vez de 900.
O essencial em meia página
Densidade:ρ=m/V; água 1 000 kg/m³ = 1 g/cm³ = 1 kg/L; 1m3=1000 L. Não depende de g. Corpo oco: densidade média. Mistura fica entre os componentes.
Pressão:p=F/A, em pascal; 1atm≈105 Pa =760 mmHg =76 cmHg. Escalar; a força é perpendicular à superfície e vale pA. Mesma força, área menor, pressão maior (agulha); área maior, pressão menor (esqui).
Atmosfera: Torricelli, 76 cm de mercúrio; em água, 10,3 m. Manométrica =p−p0; absoluta inclui p0.
Stevin:p=p0+ρgh; cada 10 m de água = +1 atm; só a profundidade conta, formato e área do recipiente não (paradoxo hidrostático: 2019/81, 2015/90). Gráfico p×h: reta, intercepto p0, inclinação ρg. Diferenças de pressão: ρgΔh, sem p0. Peixe a 2 atm: 10 m (2025/94).
Vasos comunicantes: mesmo líquido, mesmo nível. Dois líquidos: ρ1h1=ρ2h2 na horizontal da interface. Manômetro em U: pgaˊs=p0+ρgh.
Pascal: acréscimo de pressão se transmite integralmente; F2=F1A2/A1; A1d1=A2d2; F1d1=F2d2: multiplica força, não trabalho.
Arquimedes:E=ρfluidoVsubmersog = peso do fluido deslocado; não depende da profundidade nem do peso do corpo. Peso aparente =P−E. Submerso: afunda se ρc>ρf.
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
DENSIDADE, PRESSÃO e o PRINCÍPIO DE PASCAL
Ciência Todo Dia · 11:17
Introdução. Episódio 2 do capítulo de hidrostática do Curso de Física Básica do canal: define densidade e pressão com animações e chega ao princípio de Pascal a partir delas. Cobre em 11 minutos as seções “Densidade: quanta massa cabe em cada litro”, “Pressão não é força” e “Princípio de Pascal” desta página, na ordem em que a página as constrói. Bom para assistir antes de ler.
PRESSÃO E PRESSÃO HIDROSTÁTICA - Lei de Stevin
Felipe Sampaio - Física · 25:47
Aprofundamento na lei de Stevin. Aula com capítulos marcados na descrição: conceito de pressão (0:00), unidades (4:40), pressão hidrostática (6:29), pontos em um mesmo líquido (14:02) e exercício (18:40). É a seção “Lei de Stevin: só a profundidade conta” com a dedução no quadro e a discussão de por que pontos na mesma horizontal de um mesmo líquido têm a mesma pressão, base dos vasos comunicantes e do manômetro em U.
EMPUXO - Princípio de Arquimedes
Felipe Sampaio - Física · 20:14
Aplicação do empuxo às condições de flutuar, afundar ou ficar em equilíbrio. Capítulos na descrição: por que o empuxo existe (0:18), o princípio de Arquimedes (4:06), a fórmula (9:52) e um exercício resolvido (11:27). É a seção “Empuxo: a diferença de pressões que empurra para cima” e a comparação ρcorpo contra ρfluido da seção “Flutuar é empatar”, com a dedução a partir da diferença de pressões, que é o argumento que derruba o item “o empuxo cresce com a profundidade”.
Resolução do PAS 1 UnB 2020 - Hidrostática: Princípio de Arquimedes e volume deslocado
Física+ · 27:32
Resolução de itens reais. O professor Matheus Aguiar resolve exatamente os itens 56 (1:45) e 57 (15:11) do PAS 1 de 2020, a canoa asteca de 200 kg: a força viscosa igual a PT−9800VT na descida a velocidade constante e o peso da carga, 9800−1960=7840 N, marcação 784. Os dois itens estão nesta página, na seção “Flutuar é empatar” e nos exercícios; confira a sua conta antes de assistir.
No fundo da piscina de saltos, a 5 m, a coluna de água acrescenta 50 kPa à atmosfera: meia atmosfera a mais. Só a altura da coluna conta, p=p0+ρgh, e a cada 10 m descidos soma-se mais uma atmosfera inteira.O barômetro de Torricelli (1643). O mercúrio desce no tubo até que o peso da coluna, 76 cm ao nível do mar, equilibre a pressão da atmosfera sobre a cuba: p0=ρHgg×0,76≈1,013×105 Pa. Com água, a coluna teria 10,3 m: por isso Torricelli escolheu o líquido 13,6 vezes mais denso. Diagrama autoral.A lei de Stevin em três leituras. O formato do recipiente não altera a pressão no fundo (paradoxo hidrostático); a dedução isola um cilindro de água em equilíbrio, pA=p0A+ρAhg; o gráfico p×h é uma reta de intercepto p0 e inclinação ρg, 10 kPa por metro de água. Diagrama autoral.Três usos da mesma ideia. Vasos comunicantes: mesmo líquido, mesmo nível. Tubo em U com dois líquidos: na horizontal da interface, ρ1h1=ρ2h2, e o líquido menos denso sobe mais alto. Manômetro aberto: o desnível h mede a pressão manométrica do gás, pgaˊs−p0=ρgh. Diagrama autoral.O elevador hidráulico de oficina. A pressão é a mesma nos dois pistões, p=F1/A1=F2/A2=30 kPa; o pistão 40 vezes maior recebe força 40 vezes maior. A conta a pagar: para o carro subir 1 cm, o pistão pequeno desce 40 cm. Força vezes deslocamento dá 120 J de cada lado; a prensa não inventa trabalho. Diagrama autoral.De onde vem o empuxo e como medi-lo. A pressão maior na base do que no topo produz E=ρfVg, independente da profundidade. Num dinamômetro, o peso aparente é P−E: o bloco de 20 N marca 12 N na água, logo desloca 8 N de água, 0,8 L. A bola de basquete de 7 L recebe 70 N de empuxo contra 6 N de peso; são 64 N que as mãos precisam vencer para mantê-la no fundo. Diagrama autoral.A fração submersa é ρcorpo/ρfluido: isopor quase todo fora, madeira 60%, gelo 90%. O navio de aço flutua porque sua densidade média, com o ar dos porões, é menor que a da água; quanto mais carga, mais fundo o casco, mais água deslocada, até que E volte a igualar o peso. Numa barcaça de fundo plano, mtotal=ρAh, e o calado h mede a carga (PAS 2018: 900 t). Diagrama autoral.Manter uma bola cheia de ar no fundo é vencer a diferença entre o empuxo e o peso: a água que ela desloca pesa mais de dez vezes o que a bola pesa. Solta, dispara; na superfície, flutua com menos de um décimo do volume submerso.Fração submersa igual à razão das densidades: 917/1025≈0,89. Cerca de 90% do gelo fica sob a água do mar; o que se vê é a décima parte.O navio de aço flutua porque sua densidade média, com o ar dos porões, é menor que a da água. Mais carga, casco mais fundo, mais água deslocada, até que E=P. A linha de Plimsoll marca o calado máximo legal.O experimento de Torricelli em forma de instrumento: a atmosfera sustenta 76 cm de mercúrio ao nível do mar. Em Brasília, a 1 100 m, a coluna cai para cerca de 67 cm.A pressão da água represada cresce com a profundidade, ρgh, e a base do muro recebe muito mais que o topo; por isso a barragem engrossa para baixo. A extensão do lago atrás dela não entra na conta.Princípio de Pascal: 300 N num pistão de 0,01 m² sustentam 12 000 N num pistão de 0,4 m². A conta a pagar é o deslocamento: para o carro subir 1 cm, o pistão pequeno desce 40 cm. Força multiplicada, trabalho conservado.“12 por 8” são 120 e 80 mmHg acima da atmosférica: pressões manométricas medidas em milímetros de mercúrio, a unidade que sobreviveu dos manômetros de coluna. Nos pés de quem está de pé, o sangue acrescenta mais de 100 mmHg.
Rota PAS 1
Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (volume, litro e densidade; tabela de unidades); Pressão nos líquidos: a coluna que pesa sobre você (tabela das grandezas, lei de Stevin, princípio de Pascal, exemplo-guia da piscina e do elevador de oficina, item 2019/81, armadilha do p₀, checagem do lago a 20 m); Empuxo: por que a bola sobe e o navio de aço flutua (princípio de Arquimedes, exemplo-guia da bola de futebol, item 2020/57, armadilhas da profundidade e dos índices, checagem do submarino); Leia como na prova (bloco do atol das Rocas, itens 2025/94 e 2025/97); Como a banca cobra (histórico de fluidos 2007–2025); Resolvido da balsa carregada; Síntese; Banco de treino T12 a T18
Recorte por assunto: pressão em líquidos, Stevin, Pascal, empuxo e flutuação. O capítulo trata o tema em duas seções curtas voltadas ao PAS; a página acrescenta densidade relativa e de misturas, unidades de pressão, o barômetro de Torricelli e a pressão manométrica, vasos comunicantes com dois líquidos e o manômetro em U, a dedução do empuxo e o peso aparente, balões e densímetro, e a leitura do gráfico p × h, ausentes do capítulo. Equilíbrio de corpos extensos fica na página estatica; hidrodinâmica não entra.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2005 (itens 100 e 105 a 111, balança e bloco mergulhado), 2007 (item 66, dirigível LZ 7), 2009 (item 35, cera que flutua), 2011 (itens 70 e 72, água de lastro), 2015 (itens 90 e 92, navio negreiro), 2018 (itens 86 e 87, barcaças do Nilo), 2019 (item 81, tanque hidrostático), 2020 Parte 2 (itens 56 e 57, canoa asteca; item 83, bloco na solução de etanol), 2025 Parte 2 (itens 94 e 97, peixes-limpadores do atol das Rocas)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json; figuras impressas (balança e gráfico de 2005, prisma do navio de 2015, canoa de 2020, gráfico densidade × teor de etanol de 2020) lidas na imagem do PDF em utils/material/PAS/provas/ e descritas em texto neutro no suporte das questões. Os itens tipo D 2007/65 e 2016/67 não são usados.