Estática
Guia de estudo · Revisado em 07/09/2026
Por que resultante nula não basta para equilibrar uma barra?
O que você vai aprender
- Construir diagramas de corpo livre.
- Calcular torques com braços perpendiculares.
- Verificar equilíbrio e admissibilidade das reações.
A estática estuda corpos em repouso em um referencial, sob forças que se equilibram. Para uma partícula, a resultante nula é suficiente para impedir aceleração. Para um corpo extenso, também é preciso examinar a tendência de rotação. Duas forças podem ter soma zero e ainda produzir um efeito de giro quando suas linhas de ação são diferentes. Adotaremos um referencial inercial para aplicar as leis de Newton.
Repouso e equilíbrio de forças
A primeira condição é . Em problemas planos, ela se desdobra em e . As forças não precisam ser iguais aos pares: três ou mais vetores podem se compensar.
Resultante nula significa aceleração translacional nula. Isso não cria repouso automaticamente: um corpo que já se move pode continuar com velocidade constante. Para um problema de estática, supomos o corpo inicialmente em repouso e verificamos se as forças e torques são compatíveis com sua permanência nesse estado.
Desenhe o diagrama de corpo livre antes de montar equações. Peso, forças de contato, trações e reações dos apoios devem aparecer sobre o corpo escolhido. Não acrescente nesse mesmo diagrama a força que o corpo exerce no apoio: ela pertence ao diagrama do apoio, conforme a terceira lei de Newton.
Torque e braço de alavanca
O torque de uma força mede sua tendência de produzir rotação em relação a um ponto ou eixo escolhido. Seu módulo é , onde b é a distância perpendicular entre o eixo e a linha de ação da força. Também podemos escrever , com r ligando o eixo ao ponto de aplicação e θ sendo o ângulo entre r e a força.
A unidade é N·m. Embora tenha a mesma dimensão de joule, torque não é energia: a grandeza e seu significado são diferentes. Em um problema plano, escolha um sentido positivo, por exemplo anti-horário, e atribua sinais aos momentos.
Uma força de 30 N aplicada perpendicularmente a uma alavanca a 0,40 m do eixo produz 12 N·m. Se sua linha de ação passa pelo eixo, b=0 e o torque é nulo, mesmo que a força seja grande.
A segunda condição de equilíbrio
Para um corpo rígido em equilíbrio estático, também deve valer. Em problemas planos, igualamos a soma dos torques horários à dos anti-horários. Escolher o eixo em um apoio pode eliminar o torque de sua reação, mas não elimina essa força da equação de equilíbrio translacional.
Um binário é formado por duas forças paralelas, opostas e de mesmo módulo, aplicadas em linhas distintas. A resultante é zero, mas o torque total tem módulo Fd, onde d é a distância entre as linhas. É um exemplo de por que conferir apenas a soma das forças não resolve o equilíbrio de um corpo extenso.
Uma barra com duas reações
Uma barra horizontal uniforme de 4 m pesa 100 N e está apoiada nas extremidades A e B. Uma carga vertical adicional de 200 N atua a 1 m de A. O peso da barra age em seu centro, a 2 m de A, no campo gravitacional uniforme adotado.
Tomando torques em A, a reação vertical em B satisfaz . Logo, N. A soma das forças verticais fornece N, então N.
Confira pelo outro apoio: em relação a B, N·m. A equação também fecha. Somar corretamente o peso e a carga, mas distribuí-los igualmente entre apoios, ignoraria a posição da carga.
Contrapesos e peso próprio
Uma carga de 300 N a 2 m de um pivô pode ser equilibrada por outra força vertical de 600 N no lado oposto, a 1 m. Os torques têm módulos iguais, 600 N·m, e sentidos contrários. Essa conta considera somente essas contribuições; uma barra cujo peso tenha braço não nulo precisa ser incluída.
Uma gangorra ideal com massa de 0,30 kg a 12 cm de um lado e 0,20 kg do outro exige , dando d=18 cm. A igualdade usa o mesmo g e braços perpendiculares; as distâncias são medidas a partir do pivô.
Em uma barra uniforme apoiada no próprio centro, seu peso tem braço zero em relação a esse apoio. “Uniforme” e “apoio no centro” são hipóteses relevantes, não detalhes decorativos. Em um corpo irregular, a posição do centro de gravidade pode exigir informações adicionais.
Apoio e estabilidade
Para um corpo sustentado apenas por peso e contatos sobre uma base horizontal, a projeção do centro de gravidade precisa ficar dentro da região de apoio para um equilíbrio sem tombamento com contatos compressivos. Na borda, o estado é limite e pode perder estabilidade com pequeno deslocamento.
Meça a distância perpendicular até a linha de ação. Além de fechar somas, confira se o apoio pode exercer a reação calculada: uma superfície sem adesão não puxa o corpo para baixo. Um resultado incompatível exige revisar o modelo de contatos.
Exercícios temporariamente indisponíveis
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Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
- Rota PAS 1 — Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · Equilíbrio de corpos extensos: por que o contrapeso fica perto da torre?
Adaptação por assunto com exemplos e hipóteses explícitas; lacunas e ajustes registrados na cobertura.