Nacionalismos e unificações: a nação é construída, não encontrada — e a guerra fez o Estado

Guia de estudo · Revisado em 22/10/2026

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A pergunta desta aula

Em 1861, um dos fundadores do reino da Itália disse que, feita a Itália, faltava fazer os italianos. Se a nação não estava lá antes do Estado, quem a fabricou, com que instrumentos, e por que os dois Estados novos da Europa do século XIX nasceram de três guerras e não de um plebiscito?

O que você vai aprender

  • Distinguir Estado, nação, nacionalidade e nacionalismo como conceitos com data, e explicar por que os historiadores do século XX (Renan antes deles) tratam a nação como construção, não como dado natural.
  • Reconstruir o programa do Congresso de Viena (legitimidade, equilíbrio, contenção) e a Santa Aliança, e situar contra ele as ondas de 1820, 1830 e 1848, com o que a Primavera dos Povos conseguiu e o que perdeu.
  • Narrar a unificação italiana (Mazzini, Cavour, Garibaldi, 1859–1870) e a alemã (Zollverein, Bismarck, as guerras de 1864, 1866 e 1870–71, Versalhes) pela lógica de cada peça, separando projeto de resultado.
  • Explicar os instrumentos que nacionalizaram as massas depois dos Estados (escola, serviço militar, hino, bandeira, monumento, mapa, museu, história nacional) com os números de Weber, De Mauro e Mosse.
  • Ler fontes do período no esquema observar, hipotetizar, contextualizar, corroborar: a conferência de Renan, a tela de Werner, a frase de d'Azeglio, a Ata de Viena e o manifesto da Santa Aliança.
  • Aplicar a tese de Tilly (a guerra fez o Estado) a Vestfália, aos Sete Anos, às guerras napoleônicas, à Crimeia e a 1870, e reconhecer o Brasil como caso de Estado anterior à nação.
  • Identificar os anacronismos clássicos sobre o tema (nação eterna, Mazzini confederado, Bolívar socialista, nacionalistas pedindo Viena, Itália existente antes de 1861) e o padrão de erro dos itens do PAS: inversão de agente, de projeto e de influência.
  • Julgar itens no molde do PAS e do ENEM sobre nacionalismos, unificações e guerras do século XIX a partir de textos-base reais (Rajagopalan, Hobsbawm, Dabène, Visentini).

Em 18 de janeiro de 1871, na Galeria dos Espelhos do palácio de Versalhes, a poucos quilômetros de uma Paris sitiada e faminta, um grupo de príncipes e generais de uniforme proclamou o rei da Prússia imperador da Alemanha. Não havia nenhum alemão comum na sala, nenhum deputado, nenhum plebiscito; havia sabres, capacetes de ponta e bandeiras de regimento. O país que nascia ali reunia vinte e cinco Estados que, cinco anos antes, ainda guerreavam entre si, e cujos habitantes falavam dialetos que mal se entendiam de um extremo a outro. Dez anos antes, em Turim, um dos fundadores do reino da Itália tinha dito a frase que resume o problema dos dois lados dos Alpes: feita a Itália, falta fazer os italianos. Em 1861, segundo o linguista Tullio De Mauro, cerca de 2,5% dos habitantes da península usavam o italiano no dia a dia (a estimativa de De Mauro, de 1963, é a mais citada; cálculos posteriores, como o de Arrigo Castellani, chegam a cerca de 10%, e o que importa é a ordem de grandeza); os outros falavam piemontês, napolitano, siciliano, vêneto. Na França, país modelo da nação antiga, um levantamento do Ministério da Instrução Pública em 1863 contou que, em um quarto das comunas, não se falava francês. Essas três cenas são o assunto desta página: no século XIX, os Estados vieram antes das nações, as nações foram fabricadas depois, e as duas unificações que redesenharam o mapa da Europa nasceram de guerras, não de consultas populares.

Nada disso é intuitivo para quem cresceu vendo a bandeira na parede da escola e o hino antes do jogo como coisas tão antigas quanto o próprio país. A intuição de que “ser italiano”, “ser alemão” ou “ser brasileiro” é um sentimento natural, anterior ao Estado, é exatamente o que os nacionalistas do século XIX queriam que se acreditasse; e é exatamente o que os historiadores, de Ernest Renan em 1882 a Eric Hobsbawm em 1990, desmontaram. A prova do PAS testa esse desmonte de três maneiras: trocando os papéis de quem agia e de quem era atingido (os nacionalistas pediam Viena?), trocando o projeto de um ator pelo de outro (Mazzini queria uma confederação sob o papa?) e datando mal um conceito (Bolívar era socialista?). Para acertar, é preciso saber como a nação foi construída, por quem, contra quem e com quais instrumentos.

Estado, nação, nacionalismo: três palavras que a prova nunca deixa coladas

Comece separando o que o senso comum junta. Estado é a máquina de governar um território: tributo, exército, justiça, burocracia, moeda, fronteira guardada. Essa máquina existia na Europa muito antes de 1800; as monarquias absolutistas a montaram entre os séculos XVI e XVIII, e a página sobre a formação dos Estados nacionais conta como. Nação é outra coisa: uma comunidade de pessoas que se sentem pertencer a um mesmo povo, com passado, língua, símbolos e, sobretudo, a pretensão de ser a dona do poder. Nacionalismo é o movimento político, e depois a doutrina, que afirma que cada nação tem direito ao seu próprio Estado, e que as fronteiras políticas devem coincidir com as fronteiras do povo. Estado-nação, finalmente, é a soldagem das duas peças: um aparelho de governo que diz agir em nome de uma nação, e uma nação que se reconhece nesse aparelho.

A ordem dos fatores importa. Na Europa de 1815 havia Estados sem nação (o Império Habsburgo, com alemães, húngaros, tchecos, poloneses, croatas, italianos e romenos sob um mesmo imperador), nações sem Estado (poloneses repartidos entre três impérios desde 1795; italianos divididos em oito Estados; alemães em trinta e nove) e Estados que ainda não tinham convencido a própria população de que ela formava uma nação (a França rural de 1863, a Itália de 1861). O século XIX é a história de como esses três casos foram sendo empurrados, com escola, imprensa, recrutamento e guerra, para um só modelo.

Nação cívica e nação cultural: duas definições que mandam em itens

Há duas maneiras de responder “quem é a nação?”, e elas nasceram no mesmo período. A primeira é política e voluntária: a nação é o conjunto de cidadãos que vivem sob uma mesma lei e consentem em viver juntos. É a definição de Sieyès em 1789 (“um corpo de associados que vivem sob uma lei comum”) e a de Renan em 1882 (“um plebiscito de todos os dias”). A segunda é cultural e herdada: a nação é o povo que partilha língua, costumes, memória e, nas versões mais duras, “sangue”. Vem do romantismo alemão, de Johann Gottfried Herder (cada povo tem um Volksgeist, um espírito próprio expresso na língua e nas canções) e de Johann Gottlieb Fichte (os Discursos à nação alemã, pronunciados em Berlim ocupada pelos franceses, 1807–1808, que definem a nação pela língua e pela educação). A primeira serve para fundar Estados a partir de cidadãos; a segunda serve para reivindicar territórios onde se fala a língua, como a Alsácia em 1871. A prova usa as duas: quando um item diz que a nação “preexistia” aos movimentos do século XIX e só precisou “de forma jurídica”, está aplicando sem avisar a definição cultural, e inventando que ela já estava pronta.

A definição cultural tem uma consequência prática que explica muito do século: se a nação é a língua, ela pode ser medida, contada, mapeada. Daí os dicionários nacionais, as gramáticas, os censos linguísticos, os mapas etnográficos que os geógrafos alemães e austríacos desenharam a partir de 1840, cada mancha de cor virando um argumento de fronteira. E daí também a confusão, denunciada por Hobsbawm, entre língua e “raça”, que fez do nacionalismo linguístico do fim do século o vizinho do racismo.

O que Viena tentou congelar em 1815

Para entender contra o que os nacionalismos se levantaram, é preciso ler o que as potências vencedoras de Napoleão decidiram no Congresso de Viena (setembro de 1814 a junho de 1815). Reunidos sob a direção do chanceler austríaco Klemens von Metternich, a Áustria, a Prússia, a Rússia e a Grã-Bretanha, com a França derrotada admitida à mesa pela habilidade de Talleyrand, redesenharam o mapa segundo três critérios. Legitimidade: o trono pertence à dinastia que o tinha antes da revolução; por isso os Bourbon voltam a Paris, a Nápoles e a Madri, e os Saboia a Turim. Equilíbrio de poder: nenhuma potência pode ser forte o bastante para dominar o continente, como a França fizera; por isso se criam Estados-tampão (o Reino Unido dos Países Baixos, que junta Holanda e Bélgica) e se engorda a Prússia na Renânia, para vigiar a fronteira francesa. Contenção: as ideias de 1789 (soberania da nação, constituição, igualdade civil) são tratadas como doença contagiosa, e as potências se comprometem a intervir onde ela reaparecer.

O resultado foi um mapa que ignorava deliberadamente línguas e vontades. A Itália virou, na frase de Metternich, “uma expressão geográfica”: a Lombardia e o Vêneto passaram diretamente à Áustria; a Toscana, Parma e Módena receberam príncipes da casa de Habsburgo; o papa recuperou os Estados Pontifícios no centro; os Bourbon de Nápoles ficaram com o sul inteiro e a Sicília; só o Reino do Piemonte-Sardenha, no noroeste, era governado por uma dinastia italiana. A Alemanha virou uma Confederação Germânica de trinta e nove Estados, presidida pela Áustria, sem governo comum, sem exército comum, sem moeda comum. A Polônia foi repartida de novo, com a maior parte sob o czar. A Noruega passou da Dinamarca à Suécia sem que ninguém perguntasse aos noruegueses.

Para garantir o congelamento, o czar Alexandre I propôs em setembro de 1815 a Santa Aliança, um pacto entre Rússia, Áustria e Prússia (ao qual quase todos os monarcas aderiram, exceto o rei da Inglaterra, o papa e o sultão) em que os soberanos prometiam governar como “pais de família” segundo os “preceitos da religião cristã” e socorrer-se mutuamente. Na prática, a Santa Aliança funcionou como a polícia do continente: os congressos de Troppau (1820), Laibach (1821) e Verona (1822) autorizaram a Áustria a esmagar as revoluções liberais de Nápoles e do Piemonte e a França a invadir a Espanha em 1823 para devolver poderes absolutos a Fernando VII. Foi a essa mesma Santa Aliança que a Espanha pediu ajuda para reconquistar as colônias americanas; a Grã-Bretanha, interessada nos mercados abertos, e os Estados Unidos, com a Doutrina Monroe de 1823, barraram o projeto. A prova cobrou exatamente esse ponto em 2010, num item de múltipla escolha cuja opção correta era “a Espanha solicitou apoio da Santa Aliança para combater o avanço desse processo”, enquanto um dos distratores dizia que “França e Itália foram favoráveis ao processo”: a Itália de 1820 ainda não existia como Estado.

Viena restaura; os nacionalistas contestam. Inverter os papéis custa o item

Em 2013 a banca pôs os movimentos nacionalistas oitocentistas a reivindicar duas coisas: que as fronteiras voltassem ao desenho anterior a Viena e que os reis absolutos recuperassem o trono. O gabarito foi E, e o erro é de agente: quem restaurou monarcas e redesenhou fronteiras por legitimidade dinástica foi o Congresso; os nacionalistas queriam o contrário, fronteiras novas desenhadas sobre nações e governos constitucionais. Repare que o item não mente sobre as fronteiras pré-Viena nem sobre os absolutistas; mente sobre quem pedia o quê. Antes de julgar qualquer afirmação sobre o período, pergunte: esse é o programa da Restauração ou o programa dos que a contestavam?

Três ondas contra o mapa: 1820, 1830, 1848

A ordem de Viena durou trinta e três anos com fissuras cada vez maiores. A onda de 1820 começou na Espanha, com a revolta do coronel Riego, que obrigou Fernando VII a jurar a Constituição liberal de Cádiz (1812); passou a Nápoles, ao Piemonte e a Portugal (a Revolução do Porto, que mudaria o destino do Brasil, é da mesma leva); e teve o seu único sucesso duradouro na Grécia, cuja guerra de independência contra o Império Otomano (1821–1829) venceu porque Rússia, Grã-Bretanha e França, por razões próprias, intervieram a favor dos gregos na batalha naval de Navarino (1827). A Grécia é o primeiro Estado-nação criado contra o mapa de Viena, e o primeiro caso em que o romantismo europeu (Lord Byron morreu em Missolonghi, em 1824) fez da nação alheia uma causa.

A onda de 1830 partiu de Paris: em julho, três dias de barricadas derrubaram Carlos X, o último Bourbon, e puseram no trono Luís Filipe de Orléans, “rei dos franceses” e não “rei da França”, com uma Carta revista. A tela de Delacroix que a prova de 2012 usou como texto-base é dessa revolução. O contágio foi imediato: a Bélgica se separou dos Países Baixos e virou um reino constitucional reconhecido pelas potências (1831), o único novo Estado da onda; a Polônia russa se levantou em novembro e foi esmagada em 1831, mandando ao exílio parisiense a geração de Chopin e Mickiewicz; os ducados italianos de Módena, Parma e Bolonha se revoltaram e foram ocupados por tropas austríacas. A lição de 1830: a Restauração podia ser vencida onde uma potência tolerasse (a Grã-Bretanha garantiu a Bélgica) e seria esmagada onde a Áustria ou a Rússia decidissem intervir.

A onda de 1848, a “primavera dos povos”, foi a maior e a mais rápida. Em fevereiro, Paris derrubou Luís Filipe e proclamou a República, com sufrágio universal masculino e oficinas nacionais para os desempregados. Em março, Viena se levantou e Metternich fugiu para Londres; Berlim obrigou o rei da Prússia a prometer uma constituição; Milão expulsou os austríacos em cinco dias de barricadas; Veneza proclamou de novo a sua república; a Hungria, sob Lajos Kossuth, obteve um governo próprio; Praga pediu autonomia para os tchecos. Em maio, uma assembleia eleita em todos os Estados alemães se reuniu na igreja de São Paulo, em Frankfurt, para escrever a constituição de uma Alemanha unida. Durante alguns meses pareceu que o mapa de Viena ia desaparecer por inteiro.

Não desapareceu, e o modo como a primavera foi vencida ensina mais do que a primavera. Primeiro, os movimentos nacionais se chocaram entre si: os alemães de Frankfurt queriam uma Alemanha que incluísse a Boêmia tcheca; os húngaros queriam governar croatas, sérvios e romenos, que por sua vez pediam as mesmas coisas que os húngaros pediam a Viena. O imperador austríaco usou os croatas contra os húngaros e os exércitos de linha contra todos. Segundo, as classes se separaram: em junho de 1848 o exército da própria República francesa massacrou os operários de Paris que defendiam as oficinas nacionais, e a burguesia liberal, assustada, preferiu a ordem à revolução; em dezembro, o sufrágio universal elegeu presidente Luís Napoleão Bonaparte, que em 1851 daria o golpe e se faria imperador. Terceiro, a Assembleia de Frankfurt, depois de um ano discutindo se a Alemanha devia incluir a Áustria (a “grande Alemanha”) ou não (a “pequena Alemanha”), ofereceu a coroa imperial ao rei da Prússia, que a recusou em abril de 1849 porque não aceitaria “uma coroa apanhada na sarjeta”: o rei não queria dever o trono a deputados. Em 1849, exércitos austríacos, com o auxílio russo na Hungria, e exércitos prussianos no sudoeste alemão fecharam a conta. O Piemonte, que declarara guerra à Áustria em nome da Itália, foi derrotado duas vezes (Custoza, 1848; Novara, 1849); a República Romana de Mazzini e Garibaldi caiu diante de tropas francesas enviadas para devolver o papa.

O legado de 1848: a nação deixou de ser causa de poetas e virou cálculo de ministros

A primavera dos povos fracassou como revolução e venceu como programa. Ficaram três coisas. (1) O sufrágio universal masculino entrou na política europeia, mesmo nas mãos de um Bonaparte. (2) As classes dirigentes aprenderam que o nacionalismo podia ser conduzido de cima, por monarquias e exércitos, em vez de deixado às barricadas: é a lição que Cavour e Bismarck aplicariam. (3) Os movimentos nacionais descobriram que as nações têm fronteiras entre si e que o direito de um povo colide com o de outro, lição que o Império Habsburgo exploraria até 1918. O historiador A. J. P. Taylor chamou 1848 de “o momento em que a história europeia chegou a uma encruzilhada e não dobrou”; a frase vale para a Alemanha liberal, que não dobrou em Frankfurt e foi dobrada por Bismarck.

A Itália: três projetos, uma dinastia, dois mil voluntários

Em 1815 a palavra “Itália” nomeava uma península, uma língua literária que poucos falavam e uma memória de Roma. O movimento que ia transformá-la em Estado, o Risorgimento (“ressurgimento”), começou como conspiração de sociedades secretas, os carbonários, e produziu três projetos rivais sobre que Itália fazer. O primeiro era o de Giuseppe Mazzini, advogado genovês que fundou no exílio, em 1831, a Jovem Itália: uma república unitária, democrática, feita por insurreição popular, que seria ao mesmo tempo a redenção moral de um povo (“Deus e povo” era o lema) e o primeiro passo de uma Jovem Europa de nações irmãs. O segundo era o dos neoguelfos, cujo livro-manifesto, Do primado moral e civil dos italianos, do padre Vincenzo Gioberti (1843), propunha uma confederação dos príncipes existentes presidida pelo papa, aproveitando a esperança despertada pela eleição de Pio IX, em 1846, como pontífice reformador. O terceiro era o dos moderados piemonteses, que apostavam no único Estado italiano com dinastia nacional, exército e, desde 1848, constituição mantida (o Estatuto Albertino): a Itália seria feita pelo Piemonte, por via monárquica e diplomática. Foi o terceiro que venceu, com ajuda inesperada do primeiro; e foi a confusão entre o primeiro e o segundo que a prova de 2012 plantou num item errado, ao dizer que Mazzini “defendia a criação da Confederação Italiana, sob a tutela do Papa”.

O arquiteto da via piemontesa foi Camillo Benso, conde de Cavour, primeiro-ministro do rei Vítor Emanuel II desde 1852: liberal, admirador do parlamento inglês, construtor de ferrovias e de bancos, convencido de que a Áustria só sairia da Lombardia pela força de uma potência maior. Enviou tropas piemontesas à Guerra da Crimeia (1855) para sentar-se à mesa das grandes potências e, em Plombières (1858), fechou com Napoleão III um acordo secreto: a França ajudaria a expulsar a Áustria do norte da Itália em troca de Nice e da Saboia. A guerra de 1859 (Magenta, Solferino, batalhas tão sangrentas que delas nasceu a Cruz Vermelha) deu a Lombardia ao Piemonte; no mesmo movimento, os ducados do centro e a Romanha papal se revoltaram e, por plebiscitos organizados em março de 1860, pediram anexação. Foi quando o projeto saiu do controle de Cavour.

Em maio de 1860, Giuseppe Garibaldi, o general republicano que combatera na Guerra dos Farrapos e no Uruguai, partiu de Gênova com cerca de mil voluntários (os Mil, de camisa vermelha) para a Sicília, onde uma revolta camponesa contra os Bourbon estava em curso. Em quatro meses, com o apoio de camponeses que esperavam a terra e de uma frota britânica que fingiu não ver, Garibaldi tomou a Sicília, cruzou o estreito e entrou em Nápoles. O sul inteiro estava nas mãos de um republicano com exército próprio. Cavour, temendo uma república e uma marcha sobre Roma que traria a França contra a Itália, mandou o exército piemontês para o sul através dos Estados Pontifícios; em Teano, em 26 de outubro de 1860, Garibaldi entregou as conquistas ao rei com um aperto de mão e se retirou para a sua ilha de Caprera. Plebiscitos de outubro ratificaram a anexação do sul por maiorias de mais de 99%, numa votação pública, sem campanha contrária, feita em poucas semanas. Em 17 de março de 1861 o parlamento reunido em Turim proclamou Vítor Emanuel II rei da Itália. Faltavam Veneza, que veio em 1866 como prêmio por ter o reino entrado na guerra austro-prussiana ao lado da Prússia (e perdido todas as batalhas), e Roma, ocupada em 20 de setembro de 1870, quando a guerra franco-prussiana retirou da cidade a guarnição francesa que protegia o papa. Pio IX se declarou “prisioneiro no Vaticano” e proibiu os católicos de participar da política do novo reino; a “questão romana” só se fecharia em 1929.

A unificação italiana não foi "concluída na primeira metade do século XIX" nem "facilitada pelo capitalismo industrial do sul"

Um distrator de 2011 juntou os dois erros numa frase. A data: o reino é de 1861, Veneza de 1866, Roma de 1870, tudo na segunda metade do século. A geografia: o sul (Calábria, Sicília, Nápoles) era a parte agrária, latifundiária e pobre; a indústria, pouca, estava no triângulo Turim-Milão-Gênova. A unificação acentuou a diferença: as tarifas piemontesas arruinaram as manufaturas napolitanas, a terra prometida por Garibaldi não veio, e entre 1861 e 1865 o novo Estado precisou de mais de cem mil soldados para vencer no sul o brigantaggio, uma guerra camponesa que fez mais mortos do que todas as batalhas do Risorgimento somadas. Quando um item põe o sul italiano como motor industrial, ou a Itália como Estado antes de 1861, o erro está no detalhe geográfico ou de calendário.

A frase atribuída a Massimo d’Azeglio, pintor, romancista e antecessor de Cavour no governo piemontês, “feita a Itália, é preciso fazer os italianos”, resume o que o novo reino herdou: um parlamento eleito por cerca de 2% da população (voto censitário), uma dívida enorme, oito legislações diferentes, uma Igreja hostil, um sul em armas e uma língua nacional que a maioria não falava. A historiografia discute até hoje se o Risorgimento foi uma revolução nacional ou, na expressão de Antonio Gramsci nos Cadernos do cárcere, uma “revolução passiva”, feita de cima, sem reforma agrária e sem o povo que Mazzini sonhara.

A Alemanha: a alfândega primeiro, depois três guerras

A Alemanha chegou à unidade por outro caminho, e com outro vocabulário: não o do ressurgimento, mas o da Realpolitik, a política do possível, e do “ferro e sangue”. A primeira peça não foi política, foi econômica. Em 1834 a Prússia conseguiu reunir dezoito Estados da Confederação, com cerca de 23 milhões de habitantes, numa união aduaneira, o Zollverein: fronteiras internas sem alfândega, tarifa externa comum, receitas repartidas. A Áustria ficou de fora, e isso decidiu, trinta anos antes de qualquer batalha, qual das duas potências alemãs seria o centro da futura Alemanha. As ferrovias dos anos 1840, financiadas por bancos que o Zollverein tornava viáveis, costuraram o espaço. Quando o liberalismo de Frankfurt fracassou em 1849, a economia já estava unificada em torno de Berlim; faltava um Estado que pusesse a política em dia com a alfândega.

O homem que o fez foi Otto von Bismarck, junker (nobre proprietário rural) da Pomerânia, nomeado em 1862 primeiro-ministro da Prússia pelo rei Guilherme I para vencer um parlamento liberal que se recusava a votar o orçamento militar. Bismarck governou sem orçamento, e explicou por quê no discurso que o tornou famoso: “não é por discursos e decisões de maioria que as grandes questões da época são decididas, esse foi o erro de 1848 e 1849, mas por ferro e sangue”. Não era um nacionalista romântico; era um monarquista prussiano que concluiu que a única maneira de salvar a monarquia da Prússia do liberalismo era pôr-se à frente da unidade alemã e fazê-la para a Prússia, antes que os liberais a fizessem contra ela.

Vieram então três guerras em sete anos, cada uma preparada pela anterior. Em 1864, Prússia e Áustria juntas tomaram da Dinamarca os ducados de Schleswig e Holstein, de população mista, em nome dos alemães que lá viviam; a partilha dos ducados virou o pretexto da guerra seguinte. Em 1866, a Prússia, aliada à Itália e com a neutralidade francesa comprada por promessas vagas, derrotou a Áustria em sete semanas (Sadowa, ou Königgrätz, 3 de julho), dissolveu a Confederação Germânica, anexou Hanôver, Hesse e Frankfurt e reuniu os Estados do norte numa Confederação da Alemanha do Norte sob presidência prussiana; a Áustria foi excluída de vez dos assuntos alemães e, no ano seguinte, teve de fazer o compromisso com os húngaros que criou a Áustria-Hungria. Os liberais prussianos, deslumbrados com a vitória, votaram uma lei que perdoava retroativamente os quatro anos de governo sem orçamento: o liberalismo alemão aceitou a unidade sem a liberdade. Em 1870, a candidatura de um Hohenzollern ao trono da Espanha deu a Bismarck a ocasião de provocar a França; o telegrama de Ems, editado por ele para parecer um insulto mútuo, levou Napoleão III a declarar guerra em 19 de julho. Em 2 de setembro, em Sedan, o imperador francês se rendeu com oitenta mil homens; dois dias depois Paris proclamou a República; os Estados do sul (Baviera, Württemberg, Baden), que haviam entrado na guerra ao lado da Prússia por tratados secretos, aderiram à união. Foi durante o cerco de Paris que, em 18 de janeiro de 1871, Guilherme I foi proclamado imperador alemão em Versalhes. O tratado de Frankfurt (maio) tirou da França a Alsácia e parte da Lorena e lhe impôs uma indenização de cinco bilhões de francos; a Comuna de Paris, insurreição da capital contra o governo que assinara a derrota (março a maio de 1871), pertence a outra página e aqui só marca o preço interno da guerra.

O que o Império alemão de 1871 era, e o que não era

Era uma federação de monarcas: vinte e dois príncipes e três cidades livres, cada um com seu Estado, sua dinastia e parte das suas leis, sob um imperador que era o rei da Prússia e um chanceler que respondia a ele, não ao parlamento. O Reichstag era eleito por sufrágio universal masculino (Bismarck apostava que o camponês conservador votaria contra o burguês liberal), mas não derrubava governos nem controlava o orçamento militar por mais de sete anos de cada vez. A Prússia tinha dois terços do território e da população. Não era, portanto, nem a “grande Alemanha” com a Áustria (a Alemanha de língua alemã continuou dividida até hoje) nem a Alemanha democrática de 1848. Era uma revolução de cima, na expressão do próprio Bismarck, feita com os instrumentos do Antigo Regime (exército, dinastia, diplomacia) para fins que os liberais haviam desejado e não haviam conseguido. Dentro dela, Bismarck ainda travaria o Kulturkampf (1871–1878), a “luta pela cultura” contra a Igreja católica, suspeita de lealdade a Roma, e aprovaria as leis antissocialistas (1878): fazer alemães, no Império, também significou decidir quem era inimigo interno.

Dois mapas resumem o que mudou: na Europa de 1815, o centro do continente era um mosaico de pequenos Estados sob tutela austríaca, desenhado para que ninguém fosse forte; na Europa de 1871, esse centro era ocupado por um único Império de quarenta milhões de habitantes, com o exército mais eficiente do mundo, e por um reino da Itália de vinte e seis milhões. O equilíbrio de Viena, feito contra a França, tinha sido desfeito pela Prússia. A historiografia das relações internacionais data daí a corrida de alianças que levaria a 1914, assunto de outra página; o texto-base que a prova de 2010 reproduziu dizia justamente que a Grã-Bretanha “começou a perder o controle da balança de poder na Europa, sobretudo em decorrência da unificação alemã”.

Leitura de fonte 1: a tela de Werner sobre a proclamação de Versalhes

A cena de 18 de janeiro de 1871 foi pintada várias vezes por Anton von Werner, pintor oficial do Império, e a versão mais conhecida (1885, presente de aniversário dos príncipes a Bismarck) está no Museu Bismarck de Friedrichsruh. Descreva-a antes de interpretá-la. Observar. Um salão de espelhos, pilastras douradas, lustres: é a Galeria de Versalhes, construída por Luís XIV. Em um estrado, à esquerda, o imperador Guilherme I de uniforme, cercado de príncipes alemães; no centro, isolado numa túnica branca de couraceiro, Bismarck, com o chanceler como único personagem de branco; ao lado dele o chefe do Estado-Maior, Moltke. Em frente, uma massa de oficiais com os sabres erguidos e os capacetes levantados, gritando. Nenhum civil, nenhuma mulher, nenhum deputado, nenhum francês. As bandeiras são de regimentos, não a tricolor negra, vermelha e dourada de 1848. Hipotetizar. A composição diz quem fez a Alemanha: o rei pela graça de Deus, os príncipes pelo consentimento entre pares, o chanceler pela política, o exército pela força. O lugar diz contra quem: proclamar o Império no palácio do rei-sol, enquanto Paris passa fome, é uma humilhação deliberada da França. A ausência de povo e de parlamento diz o que a Alemanha de 1871 não era: a de Frankfurt. Contextualizar. Werner estava presente à cerimônia (fora convidado como pintor de guerra) e a repintou ao longo de quinze anos, deslocando Bismarck para o centro e vestindo-o de branco, que ele não usava naquele dia; a tela é já uma versão oficial, produzida quando o chanceler era o símbolo do Império. Em 1871, a cerimônia fora apressada e tensa: Guilherme I queria o título de “imperador da Alemanha”, que ofendia os outros reis e que Bismarck recusou; o de “imperador alemão”, fixado na constituição, parecia-lhe pouco; para contornar a disputa, Bismarck fez o grão-duque de Baden gritar “viva o imperador Guilherme”, sem título nenhum. Corroborar. As memórias de Bismarck, as cartas de Guilherme I à esposa (ele escreveu que “o dia mais infeliz da minha vida” era o em que trocava a coroa prussiana pela imperial) e o texto da constituição de 1871 (que chama o imperador de “presidente da federação”) confirmam o que a tela mostra: uma união de dinastias conduzida pelo exército. E as outras leituras? Para o nacionalismo alemão posterior, a tela era o nascimento da nação; para os franceses, foi a imagem da ferida que a Terceira República prometeu vingar, e em 28 de junho de 1919 o tratado que impôs à Alemanha derrotada as condições de paz foi assinado na mesma Galeria dos Espelhos, por escolha deliberada. Uma fonte oficial lida contra o grão revela tanto o que celebra quanto o que esconde: aqui, o povo que supostamente estava sendo unificado.

Depois do Estado, a nação: escola, quartel, hino, mapa, museu

A frase de d’Azeglio vale para toda a Europa. Os Estados unificados, e também os antigos, como a França, passaram a segunda metade do século XIX fabricando o sentimento que diziam representar, com instrumentos que se repetem de país a país e que o historiador George Mosse chamou de nacionalização das massas. O primeiro é a escola primária obrigatória, gratuita e em língua nacional: a Lei Casati (1859) e a Lei Coppino (1877) na Itália; as leis de Jules Ferry (1881–1882) na França, que tornaram a escola laica e obrigatória dos seis aos treze anos e proibiram os dialetos na sala de aula; o ensino em alemão nas escolas do Império, inclusive na Posnânia polonesa e na Alsácia. O historiador Eugen Weber, em Peasants into Frenchmen (1976), mostrou que, na França dos anos 1870, grande parte dos camponeses do sul e do oeste ainda vivia em comunidades locais, falava patoá e nunca vira o mapa do país; foi a escola, junto com a estrada, a ferrovia e o serviço militar, que os transformou em franceses até 1914. O segundo instrumento é o serviço militar obrigatório, generalizado depois de 1871 pelo exemplo prussiano: o quartel misturava rapazes de todas as províncias, ensinava-lhes a língua comum e uma geografia de fronteiras a defender. O terceiro são os símbolos: bandeira, hino, feriado nacional (o 14 de Julho só virou feriado em 1880), monumentos nas praças (os milhares de estátuas de Garibaldi e de Vítor Emanuel, o monumento à Batalha das Nações em Leipzig, o Altar da Pátria em Roma), selos e moedas com o rosto do soberano ou com a alegoria da nação (Marianne, Germania, Italia turrita). O quarto é a história nacional ensinada como biografia do povo, com heróis, mártires e inimigos hereditários: Ernest Lavisse escreveu o manual que gerações de crianças francesas decoraram; na Alemanha, o Arminius que derrotou as legiões romanas em 9 d.C. ganhou um monumento colossal em 1875 como primeiro “alemão”. O quinto é o mapa: pendurado na parede da escola, impresso nos atlas, a silhueta do país vira um logotipo que se reconhece sem ler, e que aparece como uma forma natural, não como o resultado de guerras. O sexto é o museu e o patrimônio: catedrais góticas restauradas como monumentos nacionais, folclore recolhido e “purificado”, trajes típicos inventados para exposições universais.

A invenção das tradições e as comunidades imaginadas: o vocabulário dos historiadores

Três livros de 1983 mudaram o modo de estudar o assunto, e a prova do ENEM usa a ideia deles sem citá-los. Para Benedict Anderson (Comunidades imaginadas), a nação é uma comunidade política imaginada porque os seus membros jamais conhecerão a maioria dos outros, mas carregam na mente a imagem da comunhão; o que tornou possível imaginá-la foi o capitalismo editorial, o jornal e o romance, que fizeram milhões de pessoas lerem a mesma coisa no mesmo dia em uma mesma língua impressa. Para Eric Hobsbawm e Terence Ranger (A invenção das tradições), muitas “tradições” que parecem imemoriais (o kilt escocês, as cerimônias da monarquia britânica, os hinos, as festas cívicas, os rituais do 1.º de Maio) foram criadas ou reformatadas entre 1870 e 1914, exatamente quando os Estados precisaram de lealdades de massa. Para Ernest Gellner (Nações e nacionalismo), o nacionalismo é produto da sociedade industrial, que exige uma população móvel, alfabetizada numa cultura padronizada pela escola; “é o nacionalismo que engendra as nações, e não o contrário”. Hobsbawm retomou tudo em Nações e nacionalismo desde 1780 (1990): a nação é uma construção “de cima”, mas que só funciona se encontrar “de baixo” sentimentos que a sustentem, e o sentido da palavra muda ao longo do século (de “povo soberano” em 1789 a “comunidade de língua e raça” em 1900). O ENEM de 2017 pediu exatamente a consequência dessa construção: a nação “como lugar de pertencimento por nascimento”, difundida no fim do século XIX, resultou “na imposição de uma única língua, cultura e tradição às diferentes comunidades agregadas ao Estado nacional”.

Dois cuidados impedem que a tese vire caricatura. Primeiro, “construída” não quer dizer “inventada do nada”: os construtores trabalharam sobre línguas, religiões, memórias e paisagens que já existiam; o que fizeram foi selecionar, padronizar e politizar esse material, e decidir onde ficava a fronteira. Segundo, a construção nunca foi só de cima: camponeses, operários e imigrantes aderiram à nação porque ela trazia escola, voto, pensão, ferrovia e, às vezes, orgulho; e grupos excluídos (judeus, católicos no Império alemão, poloneses, mulheres sem cidadania política) usaram a mesma linguagem para reivindicar entrada. É por isso que o nacionalismo do fim do século pôde ser, ao mesmo tempo, o cimento dos Estados e o explosivo dos impérios.

Leitura de fonte 2: Renan e o plebiscito de todos os dias (1882)

Em 11 de março de 1882, o historiador e filólogo Ernest Renan fez na Sorbonne a conferência O que é uma nação?, cujo trecho mais citado diz: “Uma nação é uma alma, um princípio espiritual. Duas coisas que, na verdade, são uma só constituem essa alma. Uma está no passado, a outra no presente. Uma é a posse em comum de um rico legado de lembranças; a outra é o consentimento atual, o desejo de viver em conjunto, a vontade de continuar a fazer valer a herança recebida indivisa.” E conclui, algumas linhas adiante, comparando a nação ao indivíduo: ela existe como “plebiscito de todos os dias”, do mesmo modo que a vida de cada pessoa é uma afirmação perpétua. Observar. A definição tem duas partes, memória e vontade, e a conferência inteira é uma lista do que a nação não é: não é a raça (“a raça se faz e se desfaz”), não é a língua (“a Suíça fala três ou quatro línguas e é uma nação”), não é a religião, não é a geografia (“os rios e as montanhas não fazem nações”), não é o interesse econômico (“um Zollverein não é uma pátria”). Hipotetizar. Um francês escreve em 1882 contra a definição alemã de nação, e o leitor de hoje sabe por quê: em 1871 a Alemanha anexou a Alsácia e parte da Lorena alegando que ali se falava alemão; Renan responde que os alsacianos querem ser franceses, e que é a vontade, não a língua, que conta. O texto é, portanto, uma peça de disputa, não uma definição neutra. Contextualizar. Renan tinha discutido o ponto com o historiador alemão David Friedrich Strauss em cartas de 1870–1871, durante a guerra; a Terceira República, nascida da derrota, fazia da escola de Ferry e da memória da Alsácia o seu cimento. A conferência fala também em “esquecimento” como condição da nação: todo francês “deve ter esquecido” o massacre da Noite de São Bartolomeu, porque a unidade se faz apagando as guerras internas. Corroborar. O próprio Renan, em obras anteriores, usara a linguagem de “raças” com o descuido típico do século; em 1882, o que o faz mudar é a política. Hobsbawm, Anderson e Gellner, um século depois, partem da frase do plebiscito para a tese de que a nação é construção e vontade, e os plebiscitos de 1860 na Itália são o exemplo (e o limite) prático da ideia: consultas organizadas por quem já tinha vencido. E as outras leituras? Os nacionalistas da língua diriam que a vontade dos alsacianos foi fabricada por um século de escola francesa, o que reabre o problema: se a nação é vontade, mas a vontade é produzida, quem a produziu? A resposta da página é a seção anterior. A UERJ, em 2019, usou este mesmo trecho e pediu um caso do século XX “similar à concepção de Renan”; o gabarito foi a criação da Iugoslávia em 1918, união de povos eslavos diferentes sob uma vontade comum, e vale a pena registrar como a definição voluntária se desfaz quando a vontade acaba, como aconteceu nos anos 1990.

Os impérios que não cabiam no modelo: Habsburgo, otomanos, Romanov

Enquanto Itália e Alemanha fabricavam um Estado para uma nação, três impérios multinacionais tentavam a operação inversa: manter sob uma coroa dezenas de povos aos quais a ideia nacional chegava pelos mesmos jornais, escolas e ferrovias. O Império Habsburgo respondeu em 1867 com o Ausgleich, o compromisso que criou a Áustria-Hungria: duas metades, cada uma com seu parlamento e seu governo, um imperador comum, exército e política externa comuns; os húngaros ganharam o direito de governar croatas, eslovacos e romenos, e os alemães da Áustria, o de administrar tchecos, poloneses, eslovenos e italianos. Nas décadas seguintes o parlamento de Viena viveu em obstrução permanente por causa da língua em que se deviam escrever os cartazes das repartições na Boêmia. O Império Otomano perdeu os Bálcãs em fatias, cada uma com a ajuda de uma potência: a Grécia (1830), a Sérvia, a Romênia e o Montenegro reconhecidos pelo Congresso de Berlim (1878), a Bulgária autônoma, a Bósnia ocupada pela Áustria; o nacionalismo que esvaziava o sultão também inflamava os seus vizinhos. A Rússia dos Romanov, com poloneses, finlandeses, bálticos, ucranianos, judeus e dezenas de povos asiáticos, optou pela russificação forçada depois da revolta polonesa de 1863: escola em russo, Igreja ortodoxa como instrumento, pogroms tolerados. Os Bálcãs de 1878, com fronteiras desenhadas por potências e povos entrelaçados em cada vale, são o fio que liga esta página à Primeira Guerra Mundial (página própria, em preparação): o atentado de Sarajevo é um nacionalismo sérvio contra um império multinacional, e a página sobre a guerra retoma o barril de pólvora daí.

Onde os historiadores discordam: a nação é antiga, moderna ou ambas?

A tese de que a nação é construção moderna (Anderson, Gellner, Hobsbawm, os “modernistas”) não é unanimidade. Os primordialistas, hoje raros na universidade mas abundantes no senso comum, sustentam que as nações são comunidades naturais, dadas pela língua e pela descendência. Entre os dois, o etnossimbolismo de Anthony D. Smith (As origens étnicas das nações, 1986) argumenta que as nações modernas foram construídas, sim, mas sobre núcleos étnicos antigos (mitos de origem, memórias, símbolos) que explicam por que certas construções “pegaram” e outras não: há uma razão para a Itália ter sido feita sobre Roma e Dante, não sobre qualquer outra coisa. Sobre o processo concreto, a discussão é igualmente viva. Para o Risorgimento, a leitura liberal clássica (Benedetto Croce) vê uma revolução nacional bem-sucedida; a leitura de Gramsci vê uma “revolução passiva” sem o campesinato; historiadores recentes, como Lucy Riall, estudam Garibaldi como o primeiro herói de massas fabricado pela imprensa. Para a Alemanha, a tese da “via especial” (Sonderweg), segundo a qual a unificação por cima, sem revolução burguesa, preparou o autoritarismo do século XX, foi dominante até os anos 1980 e depois contestada por David Blackbourn e Geoff Eley, para quem a burguesia alemã foi tão moderna quanto qualquer outra. Para a França, a tese de Weber (os camponeses só viraram franceses depois de 1870) foi matizada por quem mostrou que a Revolução e as guerras de 1792–1815 já tinham nacionalizado boa parte do país. Nenhuma dessas posições diz que a nação é “falsa”: dizem que ela tem história, e que essa história pode ser contada.

A guerra fez o Estado: a tese de Tilly aplicada a quatro séculos

Até aqui a guerra apareceu como meio das unificações. O sociólogo Charles Tilly, em Coerção, capital e Estados europeus, 990–1990 (1990), inverteu a lente: não foram os Estados que fizeram as guerras, foram as guerras que fizeram os Estados. O mecanismo é contábil. Um príncipe que quer vencer o vizinho precisa de soldados pagos o ano inteiro, armas de fogo, navios, fortalezas; para pagá-los precisa de um imposto que entre todos os anos; para cobrá-lo precisa de funcionários que contem a população e a riqueza; para adiantar o dinheiro antes que o imposto entre, precisa de bancos e de uma dívida pública confiável; para que tudo isso funcione, precisa de leis iguais no território inteiro, de estradas, de mapas, de uma língua administrativa. Cada guerra deixa como resíduo um aparelho maior: mais tributo, mais burocracia, mais capacidade de contar e vigiar. Tilly resumiu numa fórmula de duas metades que os manuais repetem: na primeira, “a guerra fez o Estado”; na segunda, o Estado, uma vez montado, “fez a guerra”. E acrescentou uma comparação provocadora: o Estado nascente se parece com uma organização de proteção que cobra pela segurança contra ameaças que ele próprio ajuda a criar.

A fórmula se verifica em cada etapa da Europa moderna e contemporânea, e a prova costuma pedir o elo entre uma guerra e seu efeito político. A Guerra dos Trinta Anos (1618–1648), começada como conflito religioso no Sacro Império e terminada como luta entre dinastias, matou, conforme a região, entre um quinto e um terço da população alemã e terminou na Paz de Vestfália, que a página sobre a Reforma apresenta: cada príncipe decide a religião de seu território, e nenhuma autoridade (papa, imperador) está acima dos Estados soberanos. É a certidão de nascimento do sistema de Estados territoriais, e também do exército permanente: a Prússia dos Hohenzollern saiu da guerra com um exército que nunca mais desmobilizou e um imposto permanente para sustentá-lo. A Guerra de Sucessão Espanhola (1701–1714) ensinou a lição financeira: a Inglaterra venceu porque o Banco da Inglaterra (1694) e a dívida pública votada pelo Parlamento lhe permitiam gastar mais e por mais tempo do que a França de Luís XIV, que terminou falida. A Guerra dos Sete Anos (1756–1763), travada na Europa, na América, na Índia e nos mares, foi chamada de primeira guerra mundial; a Grã-Bretanha a venceu, quase dobrou a dívida (de cerca de 75 para cerca de 130 milhões de libras) e tentou cobrar a conta das treze colônias, que responderam em 1776; a França, derrotada, acumulou a dívida que se somaria à da ajuda aos americanos e levaria à convocação dos Estados Gerais em 1789. As guerras napoleônicas (1803–1815) generalizaram a conscrição, inventada pela Revolução em 1793: pela primeira vez, Estados puseram em campo exércitos de centenas de milhares de cidadãos-soldados, e a Prússia, humilhada em Jena (1806), respondeu com reformas que criaram o serviço militar universal, a escola pública e a burocracia que Bismarck herdaria. A Guerra da Crimeia (1853–1856) foi a primeira com correspondentes de guerra, telégrafo e fotografia: a imprensa britânica mostrou ao público a incompetência do comando e o trabalho das enfermeiras de Florence Nightingale, e a opinião pública virou fator militar; a Rússia derrotada aboliu a servidão (1861) para modernizar-se. As guerras de 1864–1871 mostraram o que o Estado industrial podia fazer: ferrovias para mobilizar, telégrafo para comandar, fuzis de retrocarga, um Estado-Maior profissional, uma reserva treinada que triplicava o exército em dias. Depois de 1871 todas as potências continentais copiaram o modelo prussiano de serviço militar obrigatório, e os orçamentos militares nunca mais pararam de crescer.

Guerra que funda e guerra que desfaz: o par que resolve os itens sobre o tema

Toda grande guerra do período tem duas faces, e a banca cobra as duas. A primeira é a construção: financiar a guerra obriga a criar imposto regular, burocracia, banco, mapa, recrutamento, e o aparelho fica depois da paz. A segunda é a redistribuição: vencer ou perder redesenha fronteiras e derruba regimes, muitas vezes do lado de quem venceu (a Grã-Bretanha ganhou a Guerra dos Sete Anos e, por causa da conta, ficou sem as treze colônias; o Império brasileiro ganhou a do Paraguai e produziu o Exército que o derrubaria). Quando um item diz que uma guerra “enfraqueceu” o Estado ou o exército vencedor, ou que as unificações se fizeram “por vias exclusivamente diplomáticas, sem conflitos militares”, o erro está na seta entre guerra e efeito; quando diz que o Sul escravista venceu a Guerra de Secessão (1861–1865), o erro está no dado, e a consequência pendurada nele cai junto: venceu o Norte industrial, de trabalho livre, partidário de uma União forte, e foi essa vitória que orientou o capitalismo americano. Pergunte sempre: quem financiou, quem venceu, e o que o vencedor não previu.

Uma nota de honestidade sobre um item que a banca manteve: em 2011 o PAS 2 afirmou que as Guerras do Ópio foram “conflitos armados entre Grã-Bretanha e Índia, motivados pelas tentativas dos britânicos de desarticular as crescentes exportações de ópio indiano para o continente europeu”, e o gabarito definitivo foi C. A historiografia diz outra coisa: as guerras (1839–1842 e 1856–1860) opuseram a Grã-Bretanha à China, e o ópio produzido na Índia britânica era exportado pelos britânicos para a China, cujo governo tentava proibi-lo; o desfecho foram os tratados desiguais, os portos abertos e Hong Kong. A página sobre o imperialismo (em preparação) trata do assunto; aqui ele serve para lembrar que, se o tema voltar, a formulação correta é a que tira a Índia e põe a China no nome da guerra.

O Brasil ao contrário: um Estado antes da nação

O caso brasileiro é o contraponto que a prova mais usa, e vale lê-lo com as ferramentas desta página. Na Europa, movimentos nacionais lutaram décadas para obter um Estado; no Brasil, o Estado chegou pronto, de navio, em 1808, e a ruptura de 1822 manteve a dinastia, a unidade territorial e a escravidão. A nação veio depois, e foi fabricada pelos mesmos instrumentos europeus, adaptados: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838) encomendou a “história geral do Brasil” que daria ao país um passado comum; a Guarda Nacional e, sobretudo, a Guerra do Paraguai (1864–1870) misturaram no mesmo exército homens de todas as províncias, incluindo escravizados alforriados para lutar; o 7 de Setembro foi celebrado em festas cívicas desde os anos 1820, como lembra o jornal de 1883 que o ENEM usou como texto-base (“é hoje a nossa festa nacional”); hino, bandeira e a figura do imperador fizeram o resto. A comparação com a América espanhola fecha o quadro: lá, o colapso da monarquia espanhola diante de Napoleão (1808) abriu guerras de independência que fragmentaram os vice-reinos em repúblicas dominadas por caudilhos, chefes regionais que prosperavam onde o Estado central era fraco; aqui, a presença da corte e o arranjo entre elites e dinastia preservaram a unidade. Nenhuma das duas trajetórias se explica sem o que acontecia na Europa; os fatores locais decidiram a forma. A página sobre a independência do Brasil conta o encadeamento; a desta serve para o contraste: Estado que faz a nação, não nação que faz o Estado.

O que sobrou disso no hino, na seleção e no passaporte

Quase tudo que hoje parece sinal natural de “ser de um país” foi inventado ou padronizado entre 1815 e 1914. O passaporte com fotografia e o controle de fronteiras generalizaram-se só com a Primeira Guerra; antes, atravessava-se a Europa sem documento. Os hinos nacionais foram compostos ou oficializados nessa época (o brasileiro ganhou a letra atual em 1909 e só virou oficial por lei em 1922; a Lei 5.700, de 1971, que regula os símbolos nacionais, é a herdeira direta dessa fabricação). As competições esportivas entre nações, com bandeira e hino no pódio, são invenção do fim do século XIX (os Jogos Olímpicos modernos são de 1896), e o futebol de seleções, do começo do XX. Nada disso é motivo para desprezar o sentimento: saber que a nação tem história é diferente de dizer que ela é falsa. É motivo para desconfiar de quem apresenta a própria nação como eterna e as fronteiras como naturais, que foi exatamente o argumento usado em 1871 para anexar a Alsácia e, no século XX, para muito pior.

Anacronismos e erros clássicos: dez frases que custam um item

Leia cada frase, localize o erro, confira na resposta
  1. “As nações italiana e alemã preexistiam aos movimentos nacionalistas, que apenas lhes deram forma jurídica.” Seta invertida: o movimento fabricou a nação; em 1815 havia oito Estados italianos e trinta e nove alemães.
  2. “Os nacionalistas do século XIX pediam a restauração dos monarcas absolutistas e das fronteiras anteriores a Viena.” Agente trocado pelo alvo (PAS 2 2013): isso era o programa de Viena.
  3. “Mazzini defendia uma confederação de príncipes presidida pelo papa.” Projeto trocado (PAS 2 2012): isso era Gioberti; Mazzini queria república unitária.
  4. “Bolívar propôs um modelo socialista de sociedade.” Conceito antes da data (PAS 2 2012): o socialismo como projeto é dos anos 1830–1848; Bolívar morreu em 1830 liberal republicano.
  5. “A Itália apoiou as independências hispano-americanas em 1820.” Estado antes de existir (distrator do PAS 2 2010): a Itália é de 1861.
  6. “A unificação italiana, concluída na primeira metade do século XIX, foi facilitada pela indústria do sul.” Data e geografia erradas (distrator do PAS 2 2011).
  7. “As unificações se fizeram por vias exclusivamente diplomáticas.” Três guerras alemãs, duas guerras piemontesas, a expedição dos Mil, o brigantaggio.
  8. “Uma tragédia grega sobre a defesa da pátria foi a base do nacionalismo europeu do século XIX.” Teleologia (PAS 1 2019): a Antiguidade foi repertório reaproveitado, não causa.
  9. “A ideia de nação por nascimento, difundida no fim do século XIX, anulou pacificamente as diferenças étnicas.” Alcance inventado (distrator do ENEM 2017): o que houve foi imposição de uma língua e cultura às comunidades agregadas.
  10. “O Sul escravista venceu a Guerra de Secessão.” Dado trocado (PAS 2 2019): venceu o Norte, e a consequência pendurada cai junto.

Como a prova cobra nacionalismos, unificações e guerras

O padrão dominante nos itens do PAS sobre o tema é a inversão: de agente (quem pedia o quê em 1815), de projeto (Mazzini × Gioberti), de influência (as independências americanas “pouco influenciadas pelo contexto internacional”, gabarito E em 2019, porque sem a entrada de Napoleão na Península Ibérica não haveria nem o 1808 brasileiro nem o vazio de poder na América espanhola), de resultado (caudilhismo como fruto de Estados “altamente centralizados”, E em 2009, quando o texto-base de Dabène falava em “militarismo e instabilidade” e “tensões centrífugas”). O item certo, por sua vez, costuma ser o que descreve o processo com modalização e no tempo certo: “o século XIX foi caracterizado por forte incremento do sentimento nacional, bem como por reforço da territorialidade das identidades coletivas” (C em 2011, pendurado num texto de Rajagopalan sobre a globalização que dizia o oposto do presente); “o texto trata do surgimento de Estados nacionais protagonizado por Alemanha e Itália” (tipo C de 2019, cuja chave era saber quais foram as duas “situações de grande repercussão” do nacionalismo europeu). Os textos-base são de historiografia e de ciências sociais (Hobsbawm, Visentini e Pereira, Dabène, Rajagopalan, Guinsburg sobre o romantismo), e a leitura “contra o grão” decide: o item de 2010 sobre a Rússia caiu porque concedia dados verdadeiros (extensão, população) e pendurava neles uma inferência que o texto não autorizava. No ENEM, o tema aparece pela teoria (nação como pertencimento imposto, 2017) e pelo caso brasileiro (festas do 7 de Setembro como fabricação de símbolos, 2016), sempre com um texto-base de historiador. Em qualquer banca, a pergunta que resolve é a mesma: esta frase respeita a ordem Estado primeiro, nação depois, guerra no meio, ou a inverte?

O essencial em meia página

  • Estado é a máquina (imposto, exército, burocracia); nação é a comunidade que se pretende dona dela; nacionalismo é o movimento que quer um Estado para cada nação. Na Europa de 1815 havia Estados sem nação, nações sem Estado e Estados com nação por fazer.
  • Viena (1814–1815): legitimidade, equilíbrio, contenção; Santa Aliança como polícia; Itália “expressão geográfica”, Confederação Germânica de 39 Estados. Contra isso, as ondas de 1820 (Espanha, Nápoles, Portugal; Grécia vence), 1830 (Paris, Bélgica vence, Polônia esmagada) e 1848 (primavera dos povos: Paris, Viena, Berlim, Milão, Budapeste, Frankfurt; fracassa, mas deixa sufrágio, lição de que a nação se faz de cima e a descoberta de que as nações colidem).
  • Itália: Mazzini (república unitária, Jovem Itália 1831) × neoguelfos (confederação sob o papa, Gioberti 1843) × Piemonte (Cavour, via monárquica). 1859 guerra com a França contra a Áustria; 1860 Mil de Garibaldi no sul, Teano; 1861 reino; 1866 Veneza; 1870 Roma. “Feita a Itália, falta fazer os italianos.”
  • Alemanha: Zollverein (1834) sem a Áustria; Frankfurt 1848–49 fracassa; Bismarck (1862, “ferro e sangue”); 1864 Dinamarca, 1866 Áustria (Sadowa), 1870–71 França (Sedan); Versalhes, 18 de janeiro de 1871; federação de príncipes, Reichstag por sufrágio universal sem poder sobre o governo; Alsácia-Lorena; Kulturkampf.
  • Nação construída: escola obrigatória em língua nacional (Ferry, Casati), serviço militar, hino, bandeira, feriado, monumento, mapa, museu, história nacional (Lavisse); Weber (camponeses viraram franceses depois de 1870), De Mauro (2,5% falavam italiano em 1861); Renan 1882 (“plebiscito de todos os dias”, contra a definição pela língua); Anderson, Hobsbawm & Ranger, Gellner (1983), Hobsbawm (1990).
  • Impérios multinacionais: Áustria-Hungria (1867), otomanos perdendo os Bálcãs (Berlim 1878), russificação; gancho para 1914.
  • A guerra fez o Estado (Tilly): Trinta Anos → Vestfália e exército permanente; Sucessão Espanhola → dívida pública inglesa; Sete Anos → conta das colônias → 1776 e 1789; napoleônicas → conscrição e reformas prussianas; Crimeia → imprensa e fim da servidão; 1864–71 → ferrovia, Estado-Maior, serviço militar universal. Duas faces: construção e redistribuição; vencedor que não previu a consequência.
  • Brasil: Estado antes da nação (1808, 1822 com dinastia e unidade); IHGB, Guerra do Paraguai, festas do 7 de Setembro fabricam a nação depois; América espanhola fragmentada em repúblicas de caudilhos; as duas trajetórias influenciadas pelo contexto europeu.
  • Regra de prova: date o conceito e o agente; pergunte se a frase é o programa de Viena ou dos que a contestavam; separe projeto de resultado; nas guerras, quem financiou, quem venceu, o que o vencedor não previu; o item que inverte tem histórico de E, o que descreve com modalização, de C.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Nacionalismo - História - Ensino Médio
Canal Futura · 11:42
Introdução. Programa do Canal Futura (Fundação Roberto Marinho) sobre o nacionalismo do século XIX no nível do ensino médio: as unificações tardias da Itália e da Alemanha, a disputa por mercados e o caminho para 1914; abre as seções “Estado, nação, nacionalismo” e “Os impérios que não cabiam no modelo” e prepara o gancho para a Primeira Guerra.
Os conceitos de NAÇÃO e NACIONALISMO - Conceitos Históricos
Icles Rodrigues · 24:55
Aprofundamento conceitual. O historiador Icles Rodrigues (doutor em História) explica os paradigmas dos estudos sobre a nação (primordialistas, modernistas, etnossimbolistas) com a bibliografia nomeada na descrição (Anderson, Gellner, Hobsbawm & Ranger, Smith, Geary): é o conteúdo do container “A invenção das tradições e as comunidades imaginadas” e da seção “Onde os historiadores discordam”.
HISTÓRIA GERAL #19.2 RISORGIMENTO: A UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA
Parabólica · 18:43
Aplicação, Itália. Aula do Parabólica (Pedro Rennó) sobre o Risorgimento para o ENEM e vestibulares: Mazzini, Cavour, Garibaldi, as etapas de 1859 a 1870; acompanha a seção “A Itália: três projetos, uma dinastia, dois mil voluntários” e o esquema da unificação italiana.
HISTÓRIA GERAL #19.3 A UNIFICAÇÃO DA ALEMANHA
Parabólica · 18:52
Aplicação, Alemanha. Aula do Parabólica sobre o pangermanismo, o Zollverein, Bismarck e as guerras que levaram ao Império de 1871: acompanha a seção “A Alemanha: a alfândega primeiro, depois três guerras” e a leitura de fonte sobre a tela de Werner.
Primavera dos Povos - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 12:09
Resolução de um ponto difícil. Videoaula curta do Brasil Escola sobre 1848: o que foi a primavera dos povos, onde eclodiu e por que fracassou; serve à seção “Três ondas contra o mapa: 1820, 1830, 1848” e ao container sobre o legado de 1848, de onde saem os itens sobre inversão agente/alvo.
Rota PAS 2
Estados nacionais, Era das Revoluções e as guerras que fizeram nações · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Estados nacionais, Era das Revoluções e as guerras que fizeram nações · Nacionalismos: a nação é construída, não encontrada (l.352–404); Guerras dos séculos XVII a XIX: a guerra fez o Estado (l.405–457); resolvido "Nação: dado ou construção?"; exercícios N1 item 3 e N3 itens 13–16; Banco de treino T17–T23

    Recorte por assunto: só os nacionalismos, as unificações e o vínculo guerra–Estado. O Antigo Regime fica em formacao-dos-estados-nacionais; a Era das Revoluções e Napoleão, em revolucao-francesa; o Brasil de 1808–1889, em independencia-do-brasil; Guerra do Paraguai, Guerras do Ópio e imperialismo, nas páginas respectivas (ganchos).

  • Rota PAS 2 — Resoluções do Banco de treino (Parte II) · T17 (PAS 2 2013/75), T18 (variante de 2012/29), T19 (inédito, nação como construção), T20 (2010/53), T21 (Guerras do Ópio), T22 (2019/55), T23 (Guerra do Paraguai)
  • Rota PAS 2 — Resoluções dos exercícios do capítulo (Parte II) · Nível 1, item 3 (nações desde a Idade Média); Nível 3, itens 13–16 (Sete Anos, Secessão, unificações, papel das guerras)
  • Extrator de provas — PAS/UnB, ENEM e vestibulares (itens reusados por GUID, conferidos na imagem do caderno e no gabarito oficial) · PAS 2 2009/30, 2010/53, 2010/55, 2011/74, 2012/27, 2012/29, 2013/75, 2013/83, 2019/49, 2019/53, 2019/55; PAS 1 2019/14; ENEM 2017 PPL/49; dois itens de vestibulares (UERJ 2019, UFPR 2023)

    Correções de resolução e de classificação registradas em drafts/extrator-correcoes-historia.md (PAS 2 2012/27, 2012/29, 2013/75, 2013/83, 2010/53; PAS 1 2019/14). PAS 2 2011/23 (Guerras do Ópio, gabarito oficial contestado) e 2012/91 (tipo D) só na prosa. ENEM 2016 PPL/41 (festas do 7 de Setembro) pertence à página independencia-do-brasil e aparece aqui só na prosa; UNESP 2019 (Canning/Santa Aliança) retirado na revisão por sobrepor o item PAS 2 2010/55 e o recorte da independência.