Revolução Industrial: por que a fábrica nasceu na Inglaterra, o relógio do trabalho e a Segunda Revolução

Guia de estudo · Revisado em 22/10/2026

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A pergunta desta aula

Por que a primeira fábrica movida a vapor nasceu num condado chuvoso do norte da Inglaterra, e não em Pequim, em Amsterdã ou em Lisboa? E por que, uma geração depois, as pessoas que entravam nela às seis da manhã passaram a brigar pelo relógio em vez de quebrá-lo?

O que você vai aprender

  • Explicar por que a mecanização começou na Inglaterra das décadas finais do século XVIII por acúmulo de condições (cercamentos e revolução agrícola, carvão e ferro, mercado interno e atlântico, crédito, patentes e Parlamento), e reconhecer o debate historiográfico entre Allen, Pomeranz, Mokyr, Wrigley e Landes.
  • Descrever a sequência técnica da primeira industrialização (fiação de Hargreaves, Arkwright e Crompton; vapor de Watt; tear mecânico; ferro a coque; ferrovia de 1825 e 1830) e separar o que a máquina mudou na escala e nos preços do que ela mudou nas pessoas.
  • Analisar, com E. P. Thompson, a passagem do trabalho por tarefa ao trabalho medido pelo relógio, a economia moral e a apropriação operária da máxima de que tempo é dinheiro, e situar ludismo, cartismo, sindicatos, Owen e as Factory Acts como respostas datadas.
  • Distinguir liberalismo econômico (Smith, Ricardo, Malthus) e socialismos (Owen, Fourier, Marx e Engels) como ideias nascidas da fábrica, sem julgar o século XIX com categorias do presente.
  • Caracterizar a Segunda Revolução Industrial (1870–1914): aço de Bessemer, eletricidade, química, petróleo e motor, taylorismo e fordismo, empresa gigante, Alemanha e Estados Unidos ultrapassando a Inglaterra, e a ciência que passou a vir antes da técnica.
  • Ler fontes do período no esquema observar, hipotetizar, contextualizar, corroborar: depoimento à comissão Sadler, Engels em Manchester, a gravura de Doré, a fábrica de alfinetes de Smith e um texto-base do PAS.
  • Discutir a palavra revolução (Toynbee, Hobsbawm, Crafts e Harley) e os anacronismos clássicos (ícone errado, data deslocada, pioneiro trocado, assalariamento idealizado, fase colada em outra).
  • Julgar itens no molde do PAS e do ENEM sobre a Revolução Industrial a partir de textos-base reais (Zola, Dickens, Shelley, Thompson, Hobsbawm, Landes, Chalhoub).

Em 15 de setembro de 1830, oito locomotivas saíram de Liverpool puxando vagões cheios de autoridades para inaugurar a primeira ferrovia entre duas cidades grandes do mundo. No meio do caminho, em Parkside, o deputado William Huskisson desceu para cumprimentar o duque de Wellington, não calculou a velocidade de uma máquina que vinha pela linha vizinha e foi atropelado pela Rocket de Stephenson: morreu naquela noite, o primeiro morto célebre do transporte ferroviário. A cena diz muito sobre o assunto desta página. Ninguém ali tinha a intuição de quanto tempo uma coisa de ferro a 40 km/h leva para chegar, porque nada no mundo anterior se movia assim. Os 50 quilômetros entre o porto do algodão e a cidade das fiações passaram a ser percorridos em menos de duas horas; o frete caiu a um terço; e, no ano seguinte, a linha já levava mais passageiros do que todas as diligências juntas. Quarenta anos antes, em 1790, aquela mesma região produzia pano de algodão em casas de tecelões; em 1830, em Manchester e nos vilarejos em volta, prédios de quatro e cinco andares abrigavam milhares de fusos movidos por uma única máquina a vapor, e a cidade, que tinha cerca de 70 mil habitantes em 1801, caminhava para ultrapassar 300 mil em 1851.

Esta página responde a duas perguntas que a prova faz de muitas maneiras. A primeira é por que ali: por que a mecanização da produção começou num conjunto de condados do norte da Inglaterra nas décadas finais do século XVIII, e não na China, nos Países Baixos ou na França, que tinham cidades maiores, mais gente e, em alguns casos, mais ciência. A segunda é o que isso fez com as pessoas: o que mudou quando o trabalho deixou de ser medido pela tarefa pronta e passou a ser medido pelo relógio, o que foi a quebra de máquinas, a Carta do Povo e a lei das dez horas, e de onde saíram as duas famílias de ideias, liberal e socialista, que disputam a política desde então. No fim, a página atravessa para a segunda onda, a de 1870 a 1914, quando o aço, a eletricidade, a química e o laboratório mudaram de novo o material, a energia, o tamanho da empresa e o país que mandava. O que fica de fora, de propósito, tem página própria: como o capitalismo industrial organizou o mundo em centro e periferia e como o Brasil entrou nessa divisão estão na página Capitalismo e industrialização: centro e periferia (em preparação); a corrida colonial de 1880 em diante, na página Imperialismo (em preparação).

“Revolução” é o nome de um processo de setenta anos, não de um dia

A palavra engana. Revolução, para quem acabou de estudar a Revolução Francesa, é uma data: 14 de julho, uma Bastilha tomada, um rei decapitado. A Revolução Industrial não tem Bastilha. Quem fixou o nome foi um historiador econômico de Oxford, Arnold Toynbee (o tio do outro Toynbee, mais famoso), em conferências dadas em 1880 e 1881 e publicadas em 1884 depois de sua morte precoce; a expressão já circulava em francês desde os anos 1820, por analogia com 1789, e foi Toynbee quem a tornou o nome de um período, de 1760 a 1830 mais ou menos. Ele escolheu bem o substantivo e mal o adjetivo implícito: há revolução no sentido de ruptura sem volta, mas ela se estende por duas ou três gerações, e para quem viveu dentro dela parecia menos um terremoto que uma maré subindo.

O que a palavra designa (e as duas datações que a prova usa)

Revolução Industrial é o processo pelo qual a produção de bens passou a ser feita por máquinas movidas por energia que não vem do corpo (água, depois vapor de carvão), reunidas num prédio, a fábrica, onde trabalham, por salário e sob horário, pessoas que não possuem as máquinas. Três coisas mudam ao mesmo tempo: a técnica (a máquina substitui a mão), a energia (o carvão fóssil substitui o músculo, a lenha, o vento e a água corrente) e a relação social (quem trabalha vende tempo, não produto). Nasceu nos distritos algodoeiros do norte inglês, no último terço do século XVIII (a datação-chave é décadas finais do século XVIII), e tem uma segunda onda, a Segunda Revolução Industrial, que a maioria dos manuais data de meados do século XIX (o conversor de aço de 1856 é o marco usual) e que se consolida entre 1870 e 1914. A prova trata as duas expressões de tempo como chaves: “décadas finais do século XVIII” abre a primeira; “meados do século XIX” abre a segunda; “meados do século XVIII” só sobrevive como limite inicial de um intervalo (há quem puxe o começo para 1750, por causa das primeiras máquinas de fiar), nunca como data de um ícone. Eric Hobsbawm, em A era das revoluções (1962), a chama de a mudança mais radical da vida humana desde a agricultura e a classifica como processo ainda em curso; é por isso que um item que a descreva como “longo processo histórico” que “se estende até os dias de hoje” recebe gabarito certo.

A discussão sobre o quanto a palavra é boa continua viva. Nos anos 1980 e 1990, os historiadores econômicos Nicholas Crafts e Knick Harley refizeram as contas do crescimento britânico e concluíram que, entre 1780 e 1830, a renda por pessoa subia a menos de 1% ao ano, muito devagar para a imagem de uma explosão: a mecanização ficou confinada por décadas a dois ou três setores (algodão, ferro, carvão) enquanto o resto da economia seguia artesanal e agrícola. Esse “gradualismo” não nega a mudança; nega que ela tenha sido rápida e geral. O holandês Jan de Vries propôs, em 1994, que antes da revolução das máquinas houve uma “revolução industriosa”: famílias que, desde o século XVII, passaram a trabalhar mais horas e a vender mais do que produziam para comprar açúcar, chá, tecido estampado, um relógio. A demanda veio antes da oferta. Para quem estuda para a prova, o saldo dessa discussão cabe em uma frase: a Revolução Industrial é ruptura no tipo de economia (de orgânica para mineral, de tarefa para jornada, de oficina para fábrica) e continuidade no ritmo, lento nas primeiras décadas e acelerado só depois de 1830, com a ferrovia.

Por que a Inglaterra: condições encadeadas, não um gênio

A pergunta “por que ali” tem resposta de duas camadas. A primeira é um inventário de condições que, juntas, só existiam na Grã-Bretanha por volta de 1760. A segunda é a disputa entre historiadores sobre qual delas pesou mais. Vale aprender as duas, porque a prova cobra a primeira (uma lista de fatores que o item certo enumera e o item errado substitui por um fator único ou por um país errado) e porque a segunda ensina a ler qualquer explicação histórica com desconfiança produtiva.

O campo expulsou braços e produziu comida. Entre 1700 e 1850, os campos comuns das aldeias inglesas, onde qualquer família podia soltar uma vaca ou colher lenha, foram cercados por atos do Parlamento (cerca de 4 mil atos de enclosure entre 1750 e 1850, cobrindo mais de dois milhões de hectares) e transformados em propriedades privadas compactas, arrendadas a fazendeiros que rotacionavam culturas, drenavam pântanos, selecionavam gado e plantavam nabo e trevo para alimentar o rebanho no inverno. O resultado foi duplo: a mesma terra passou a alimentar muito mais gente (a população da Inglaterra e do País de Gales dobrou entre o censo de 1801, 8,9 milhões, e o de 1851, 17,9 milhões, sem fome generalizada), e quem perdeu o acesso ao comum ficou com duas opções, trabalhar por salário na fazenda ou migrar para as cidades e as minas. Um item do PAS de 2009 pediu que se reconhecesse nos cercamentos uma medida ao mesmo tempo econômica e política, e é exatamente isso: redistribuição de terra feita por lei, votada por um Parlamento de proprietários.

O subsolo tinha carvão perto de tudo. A Inglaterra queimava carvão mineral em casa desde a Idade Média porque a lenha acabou cedo, e por volta de 1700 já extraía cerca de 3 milhões de toneladas por ano, mais que o resto da Europa somado; chegaria a 15 milhões em 1800 e a 50 milhões por volta de 1850. As jazidas ficavam a poucas dezenas de quilômetros de rios navegáveis, do mar e, depois, dos canais; a de Northumberland e Durham, no nordeste, abastecia Londres por navio desde o século XVI. O historiador E. A. Wrigley deu a esse fato o nome que explica tudo o mais: a passagem de uma economia orgânica, em que toda a energia vem do que cresce (lenha, pasto, músculo humano e animal, com um teto fixado pela área de terra), para uma economia mineral, em que a energia vem de um estoque fóssil acumulado em milhões de anos e, por isso, não tem teto. A máquina a vapor é, no fundo, uma máquina de converter carvão em movimento; nasceu dentro das minas, em 1712, para bombear a água que as inundava, e só sessenta anos depois saiu delas.

Havia a quem vender, por mar. A Grã-Bretanha de 1760 era o centro do comércio atlântico: açúcar das Antilhas, tabaco e arroz das colônias americanas, escravizados da África (o tráfico britânico levou perto de 3 milhões de pessoas no século XVIII), e, de volta, tecidos, ferramentas e armas. A Marinha, vencedora da Guerra dos Sete Anos (1756–1763), garantia as rotas e os mercados. O algodão cru vinha de fora (Antilhas, depois Brasil, Índia e, sobretudo, o sul escravista dos Estados Unidos) e o tecido pronto voltava para fora; por volta de 1830, os produtos de algodão eram quase metade de tudo o que a Grã-Bretanha exportava. Dentro da ilha, não havia alfândegas internas, as estradas de pedágio e os canais (o do duque de Bridgewater, de 1761, levou o carvão de Worsley a Manchester e derrubou seu preço pela metade) uniam um mercado de milhões de consumidores que já compravam coisas, e não só as produziam.

Dinheiro, lei e Parlamento. O Banco da Inglaterra existia desde 1694 e, com a dívida pública consolidada após a Revolução Gloriosa, o Estado britânico tomava emprestado mais barato que qualquer outro; bancos regionais multiplicavam o crédito a fazendeiros e fabricantes. Uma lei de 1624 (o Estatuto dos Monopólios) criara a patente moderna: quatorze anos de exclusividade para quem registrasse uma invenção, e Arkwright, Watt e Cartwright usaram-na como arma. O Parlamento, dominado por proprietários de terra e, cada vez mais, por interesses mercantis, votava cercamentos, canais e, depois, ferrovias; protegia o tecido nacional com tarifas contra a chita indiana (os Calico Acts de 1700 e 1721); e, de 1774 até 1843, proibiu a exportação de máquinas têxteis e a emigração de artífices qualificados para que ninguém copiasse a vantagem. Liberalismo na doutrina, proteção na prática: Adam Smith publicou A riqueza das nações em 1776, mas o Estado que o lia era mercantilista no comportamento.

Gente que sabia fazer. O último fator é o mais difícil de medir: uma cultura técnica espalhada por relojoeiros, ferreiros, construtores de moinhos, fabricantes de instrumentos, muitos deles protestantes dissidentes excluídos das universidades de Oxford e Cambridge e, por isso, formados em academias práticas e em sociedades como a Lunar Society de Birmingham, onde Boulton, Watt, Wedgwood e Priestley se reuniam na lua cheia (para voltar para casa com luz). Nenhum deles era cientista no sentido moderno; eram artesãos engenhosos num país em que a ciência newtoniana circulava em palestras públicas e revistas baratas. O historiador Joel Mokyr chama isso de “Iluminismo industrial”: não a ciência produzindo a máquina, mas uma cultura que acreditava que o conhecimento útil devia ser testado, publicado e aplicado.

Onde os historiadores discordam: salários altos, carvão barato, colônias ou cultura?

Todos aceitam o inventário; discordam da hierarquia. Robert Allen (The British Industrial Revolution in Global Perspective, 2009) fez a conta mais simples: na Inglaterra de 1750, o salário de um trabalhador era o mais alto do mundo e o carvão, o mais barato; só ali valia a pena inventar uma máquina que substituísse trabalho caro por energia barata. A jenny e a máquina de Watt davam lucro em Lancashire e prejuízo na França ou na Índia, onde o braço era barato e o combustível, caro; a Inglaterra industrializou porque era rica, não para ficar rica. Kenneth Pomeranz (A grande divergência, 2000) olhou de fora: até cerca de 1800, o delta do Yangtzé, na China, tinha mercados, produtividade agrícola e expectativa de vida comparáveis às inglesas; o que separou as duas regiões foi geografia e império, o carvão inglês perto das cidades (o chinês ficava longe, no noroeste) e os “hectares fantasmas” das Américas, que forneciam algodão, açúcar e madeira sem gastar terra europeia. Joel Mokyr (The Enlightened Economy, 2009) responde que preços não inventam nada; a diferença foi cultural, uma elite técnica que compartilhava conhecimento útil. E. A. Wrigley (Energy and the English Industrial Revolution, 2010) insiste na energia: sem o carvão, qualquer crescimento esbarraria no limite da terra. David Landes (Prometeu desacorrentado, 1969) ainda explicava pela superioridade institucional e cultural da Europa Ocidental, tese que Pomeranz escreveu para contestar. Para a prova, a lição não é escolher um campeão; é saber que “a Inglaterra foi primeiro porque inventou mais” é a explicação mais fraca, que colônias e tráfico entram como fonte de capital e de mercado (não o imperialismo de 1880, que vem depois), e que um item que atribua o pioneirismo a um fator único ou a um país diferente da Grã-Bretanha está errado.

Esquema das condições encadeadas que explicam por que a mecanização começou na Inglaterra, com o debate historiográfico

A máquina, a fábrica e os números: o algodão como setor-guia

A mecanização não começou pela indústria mais antiga (a lã, orgulho inglês desde a Idade Média, protegida por corporações e hábitos) e sim pela mais nova e menos regulada: o algodão, fibra importada, barata, fácil de lavar e de tingir, que a chita indiana pusera na moda. O gargalo estava na fiação. Um tecelão com a lançadeira volante de John Kay (1733) consumia o fio de quatro ou cinco fiandeiras trabalhando na roca; faltava fio. Três invenções resolveram o problema em quinze anos. A jenny de James Hargreaves (c. 1764, patente em 1770), uma roca de madeira com oito fusos e depois oitenta, ainda movida à mão e usada em casa. A water frame de Richard Arkwright (patente em 1769), movida por roda d’água, que fiava um fio forte o bastante para servir de urdidura e que, por exigir força externa, obrigou a reunir as máquinas num prédio: a fiação de Cromford, no Derbyshire, inaugurada em 1771, é a primeira fábrica no sentido moderno, com centenas de trabalhadores, em boa parte crianças, em turnos de doze horas, dia e noite. E a mule de Samuel Crompton (1779), híbrido das duas, que fiava fio fino e forte em quantidade e se tornou a máquina padrão de Lancashire. Com fio sobrando, o gargalo passou para o tear: o tear mecânico de Edmund Cartwright (patente de 1785) demorou décadas para se impor, e a transição foi feita sobre a ruína dos tecelões manuais, que chegaram a 250 mil por volta de 1820 trabalhando por salários cada vez menores antes de desaparecer.

O vapor entrou depois, e aos poucos. A máquina de Thomas Newcomen (1712) bombeava água nas minas havia meio século quando James Watt, mecânico da Universidade de Glasgow, patenteou em 1769 o condensador separado, que cortava o consumo de carvão em dois terços. Sócio do fabricante Matthew Boulton a partir de 1775, Watt vendeu as primeiras máquinas em 1776 e, entre 1781 e 1784, acrescentou o que fez a diferença para a indústria: o movimento rotativo (uma máquina que gira um eixo, e não só levanta e desce uma bomba), o duplo efeito e o paralelogramo. A partir dos anos 1790, a fábrica deixou de depender de um rio com queda e pôde ser construída onde houvesse carvão e gente: Manchester, que tinha uma fiação a vapor em 1789, tinha dezenas em 1800 e mais de cinquenta em 1802. No ferro, o coque substituiu o carvão vegetal nos altos-fornos de Abraham Darby em Coalbrookdale (1709), e a pudlagem de Henry Cort (1784) permitiu produzir ferro forjado em escala; a ponte de ferro sobre o Severn, de 1779, é o monumento dessa fase. Por fim a ferrovia, que juntou tudo: a linha de Stockton a Darlington (1825) carregava carvão; a de Liverpool a Manchester (1830) carregava algodão, tecido e passageiros, e provou que a locomotiva de George Stephenson, vencedora dos testes de Rainhill em 1829, era um negócio. Em 1850 a Grã-Bretanha tinha cerca de 10 mil quilômetros de trilhos.

Os números que medem a ruptura (e que a prova espera que você reconheça)

Três séries resumem o que aconteceu, segundo as estatísticas históricas reunidas por Phyllis Deane, W. A. Cole e B. R. Mitchell. Algodão cru consumido pela Grã-Bretanha: cerca de 4 milhões de libras-peso por ano em 1770, 52 milhões em 1800, 248 milhões em 1830 e 588 milhões em 1850, um aumento de mais de cem vezes em oitenta anos, enquanto o preço do fio caía a uma fração. Ferro-gusa: 68 mil toneladas em 1788, 244 mil em 1806, 680 mil em 1830, 2,7 milhões em 1852. Carvão: 3 milhões de toneladas por volta de 1700, 15 milhões em 1800, 50 milhões por volta de 1850. Em 1851, a Grã-Bretanha, com 2% da população mundial, produzia cerca de metade do ferro e do tecido de algodão do planeta, e o censo daquele ano registrou, pela primeira vez na história de um país grande, mais gente morando em cidades do que no campo. Foi nesse ano que a Grande Exposição, no Palácio de Cristal de Joseph Paxton (uma estufa de ferro e vidro de 560 metros de comprimento, montada em Hyde Park em nove meses), recebeu 6 milhões de visitantes para ver máquinas: a expressão “oficina do mundo”, que a prova usa, é dessa vitrine. Note o que os números não dizem: nada sobre salários, jornada, moradia ou expectativa de vida. Reconhecer que a produção cresceu e os preços caíram é obrigatório; deduzir daí que os trabalhadores ficaram bem é o erro clássico que a prova pune.

Gráfico com três séries de 1700 a 1852: carvão extraído, ferro-gusa produzido e algodão cru consumido na Grã-Bretanha

Mapa esquemático da Inglaterra industrial por volta de 1830, com bacias carboníferas, distritos do algodão e da lã, canais e as duas primeiras ferrovias

Leitura de fonte 1: a fábrica de alfinetes (Adam Smith, 1776)

Nenhum texto ensina melhor o que a fábrica fez com o trabalho do que o primeiro capítulo de A riqueza das nações. Smith descreve uma pequena oficina de alfinetes que visitou: dez operários, dezoito operações distintas (um estica o arame, outro endireita, um terceiro corta, um quarto afia a ponta, um quinto esmerilha a cabeça, dois ou três fazem a cabeça, outro a encaixa, outro branqueia o alfinete, outro espeta no papel), e o resultado, cerca de 48 mil alfinetes por dia, 4 800 por pessoa. Um homem sozinho, diz ele, fazendo tudo, “talvez não fizesse vinte, e certamente não faria um” num dia. Observar: o ganho de produtividade não vem de uma máquina (a oficina de Smith é manual), vem de dividir o trabalho em gestos simples e repetidos. Hipotetizar: o autor quer provar que a riqueza de uma nação nasce da divisão do trabalho e da extensão do mercado, não do ouro acumulado pelos mercantilistas. Contextualizar: 1776, Escócia, um ex-professor de filosofia moral de Glasgow escrevendo no momento em que a water frame acabava de ser patenteada; o livro é anterior à fábrica a vapor, e é por isso que o exemplo é uma oficina. Corroborar: vinte anos depois, as fiações de Arkwright fariam com a máquina o que Smith descreveu com a mão. E as outras leituras? Ler Smith como “o defensor do patrão” é anacronismo e meia-leitura: no livro V da mesma obra ele escreve que o homem que passa a vida executando poucas operações simples “torna-se tão estúpido e ignorante quanto é possível a uma criatura humana se tornar” e pede escolas públicas pagas pelo Estado para compensar o estrago. A fonte mostra o ganho e nomeia o custo; o item que atribui a Smith só o primeiro inverte a fonte.

O relógio da fábrica: o que mudou quando o tempo virou dinheiro

Imagine um tecelão do Yorkshire em 1780. Ele recebe lã do comerciante, tece em casa, entrega a peça no sábado e é pago por ela. Na segunda-feira, por tradição, não trabalha (a “Santa Segunda”, dia de ressaca, feira e conversa); na terça e na quarta trabalha pouco; na quinta e na sexta, madrugada adentro, para entregar a tempo. Festa do santo, casamento, colheita e enterro interrompem o ritmo sem que ninguém o castigue por isso, porque o que ele vende é o pano, não as horas. Agora imagine a filha dele, aos dezesseis anos, numa fiação a vapor de Bradford em 1830. O sino toca às cinco e meia; o portão fecha às seis; quem chega depois perde a manhã ou paga multa; a máquina a vapor não para para o almoço, e o turno vai até as sete ou oito da noite, seis dias por semana. Ela não vende fio; vende tempo, e o patrão comprou esse tempo para que oitocentos fusos, movidos por um único eixo, não girem sem ninguém ao lado.

Disciplina do tempo e economia moral (E. P. Thompson)

O historiador inglês E. P. Thompson, em A formação da classe operária inglesa (1963) e no ensaio “Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial” (1967, reunido em Costumes em comum, 1991), descreveu como o trabalho orientado pela tarefa (cujo compasso vinha da obra a entregar, da estação e da festa, com trabalho e vida misturados) cedeu lugar ao trabalho medido pelo relógio (jornada em horas, apito, multa, cartão de ponto, “tempo é dinheiro”). A fábrica precisava dessa disciplina por razão técnica, porque a máquina central impõe simultaneidade, e a impôs por meio de regulamentos, multas, capatazes, escola dominical e sermões contra a preguiça. A segunda metade da tese é a que mais vale em prova: os trabalhadores aprenderam a nova regra e a usaram contra quem a impôs. A primeira geração resistiu ao relógio; a segunda lutou pelo relógio, isto é, por dez horas, depois oito, pela hora extra paga, pelo sábado inglês, porque, se tempo é dinheiro, então o tempo do trabalhador tem preço e se negocia. No ensaio “A economia moral da multidão inglesa no século XVIII” (1971), Thompson mostrou a outra face do mesmo conflito, nos motins do pão: em ano de carestia, a multidão parava a carroça de grão, vendia o trigo a preço “justo” e costumeiro e entregava o dinheiro ao dono, agindo segundo uma noção antiga de que o mercado tem obrigações morais; contra ela, a nova economia política (Smith, e depois Ricardo e Malthus) formulava a lei da oferta e da procura, para a qual o preço sobe quando o produto falta, e nada há de injusto nisso. Dois itens do PAS de 2025 foram tirados diretamente desses dois ensaios, e o que a banca considerou certo foi exatamente isto: a jornada substituiu a tarefa, os trabalhadores se apropriaram da máxima, e a “lei” dos economistas foi fabricada por autores com interesses, em vez de descoberta na natureza.

Esquema do relógio da fábrica: trabalho por tarefa, trabalho por jornada, instrumentos de disciplina, legislação fabril de 1802 a 1874 e a apropriação operária do tempo

A disciplina caiu com mais peso sobre quem menos podia resistir. Crianças trabalhavam antes da fábrica, na roça e na oficina da família, mas sob o olhar dos pais e no ritmo da tarefa; a fábrica as contratou aos milhares porque eram baratas, pequenas (cabiam debaixo das máquinas para juntar o algodão) e obedientes. Nas fiações de algodão de 1830, cerca de metade dos empregados tinha menos de dezoito anos, e os órfãos das paróquias de Londres eram enviados como “aprendizes” para as fábricas do norte em lotes. Mulheres formavam a maioria da mão de obra têxtil, recebendo metade ou um terço do salário masculino. A cidade que recebeu todos foi a cidade sem esgoto: Manchester, Leeds, Bradford, Glasgow cresceram em casas geminadas de costas uma para a outra, com um poço e uma latrina para dezenas de famílias, e a cólera, vinda da Índia pelas rotas do comércio, matou cerca de 32 mil pessoas na Grã-Bretanha em 1832 e mais de 50 mil em 1848 e 1849. O relatório de Edwin Chadwick sobre as condições sanitárias (1842) calculou para Manchester a idade média de morte: 38 anos para a classe alta, 20 para os comerciantes, 17 para os trabalhadores braçais, puxada para baixo pela mortalidade das crianças.

Leitura de fonte 2: uma menina de fábrica diante do Parlamento (comissão Sadler, 1832)

Em 1832, uma comissão da Câmara dos Comuns presidida pelo deputado Michael Sadler ouviu dezenas de trabalhadores sobre o trabalho infantil nas fábricas têxteis. Elizabeth Bentley, 23 anos, de Leeds, respondeu assim (tradução livre do relatório impresso): “Com que idade começou a trabalhar na fábrica? — Com seis anos. — Que horas de trabalho fazia? — Das cinco da manhã às nove da noite, quando havia muito serviço. — Quanto tempo tinha para as refeições? — Quarenta minutos ao meio-dia. — E para o café da manhã? — Nenhum. — Se se atrasasse ou vacilasse, o que faziam? — Batiam com a correia. — Está deformada em consequência desse trabalho? — Sim, estou.” Observar: a fonte registra idade, jornada (até dezesseis horas), ausência de pausa, castigo físico e sequela. Hipotetizar: a comissão queria provas para aprovar uma lei de dez horas; as perguntas são conduzidas, e a testemunha foi escolhida por ser um caso forte. Contextualizar: 1832 é o ano da reforma eleitoral, da cólera e do auge do movimento pelas dez horas no norte; Sadler era um conservador paternalista, inimigo dos fabricantes liberais, e perdeu o mandato naquele mesmo ano. Corroborar: médicos, inspetores e os próprios fabricantes que depuseram confirmaram jornadas de doze a quatorze horas e crianças de seis e sete anos; a lei de 1833 saiu dessa comissão. E as outras leituras? Os fabricantes alegaram que os depoimentos eram selecionados e exagerados, e alguns eram; mas exagero em casos individuais não anula o padrão, documentado por fontes de todos os lados. O erro oposto também existe: tratar o relatório como prova de que toda criança inglesa vivia assim, quando a maioria ainda estava no campo. A fonte prova o que aconteceu dentro da fábrica têxtil, e isso basta para derrubar qualquer item que fale em “bem-estar garantido” pelo assalariamento.

A resposta do Parlamento veio em leis chamadas Factory Acts, e a cronologia delas ensina como a sociedade industrial aprendeu a se regular. A primeira (1802) valia só para aprendizes das paróquias e não tinha quem a fiscalizasse. A de 1833, filha da comissão Sadler, proibiu o trabalho de menores de nove anos nas fábricas têxteis, limitou a nove horas diárias (48 semanais) o trabalho dos de nove a treze anos e a doze horas o dos de treze a dezoito, exigiu duas horas de escola por dia e, decisivo, criou quatro inspetores pagos pelo Estado para entrar nas fábricas. A de 1844 limitou a doze horas o trabalho das mulheres; a de 1847, a lei das dez horas, fixou esse teto para mulheres e jovens, o que na prática parava a fábrica inteira; a de 1850 definiu o horário (das seis às dezoito, com sábado curto), e a de 1874 chegou às dez horas para todos os têxteis. Repare na data: a jornada de dez horas levou meio século de luta; a de oito horas seria a bandeira do movimento operário mundial a partir de 1886 e só virou lei na maior parte do mundo no século XX.

Quebrar a máquina, assinar a Carta, fundar o sindicato: três gerações de resposta

A reação dos trabalhadores à fábrica não foi uma só, e a prova gosta de testar se você sabe distinguir as etapas e os agentes. A primeira resposta foi dos artesãos, não dos operários de fábrica. Entre 1811 e 1816, nas regiões de malharia de Nottingham e de tecelagem do Yorkshire e de Lancashire, grupos organizados, agindo à noite e assinando cartas em nome de um “general Ludd” que nunca existiu, quebraram teares e máquinas de acabamento de pano. Eram tecelões e tosquiadores qualificados cujo ofício as máquinas estavam tornando inútil, e não quebravam qualquer máquina: escolhiam as dos patrões que baixavam salários ou contratavam sem aprendizado, e poupavam as dos que respeitavam o costume. Hobsbawm chamou isso de “negociação coletiva por meio do motim”: sem direito de greve nem sindicato legal (as leis de 1799 e 1800, os Combination Acts, proibiam qualquer associação de trabalhadores), destruir a máquina era a única forma de pressão. O Parlamento respondeu em 1812 com a pena de morte para quebra de máquina (Lord Byron fez seu primeiro discurso na Câmara dos Lordes contra a lei) e com 12 mil soldados no norte, mais do que Wellington tinha na Espanha; em janeiro de 1813, dezessete homens foram enforcados em York. O ludismo acabou derrotado e deixou uma palavra que hoje se usa, errada, para quem é “contra a tecnologia”. Os luditas não eram contra máquinas; eram contra o uso que delas se fazia para arruinar o ofício e o salário, e dizer o contrário é o anacronismo mais comum sobre o tema.

A segunda resposta foi política. Em 16 de agosto de 1819, em St. Peter’s Field, em Manchester, 60 mil pessoas se reuniram para ouvir oradores pedindo reforma eleitoral; a cavalaria avançou sobre a multidão, matou cerca de quinze e feriu centenas, no episódio batizado de Peterloo, por ironia com Waterloo. A reforma de 1832 ampliou o eleitorado para a classe média e deixou os trabalhadores de fora; a resposta deles foi o cartismo. A Carta do Povo, publicada em 1838, pedia seis coisas: sufrágio universal masculino, voto secreto, fim da exigência de propriedade para ser deputado, pagamento dos deputados, distritos iguais e Parlamento anual. Note o que ela não pedia: nem voto feminino (apesar de as mulheres serem parte expressiva do operariado e das associações cartistas, o que um item do PAS de 2007 fez questão de registrar) nem propriedade coletiva das fábricas. Três petições monumentais foram entregues ao Parlamento, em 1839 (1,3 milhão de assinaturas), 1842 (3,3 milhões, num ano de greve geral nas regiões têxteis) e 1848 (perto de dois milhões verificadas, numa manifestação em Kennington Common que o governo cercou com soldados e policiais especiais), e as três foram rejeitadas. O cartismo morreu como movimento em 1848 e venceu como programa: cinco dos seis pontos viraram lei entre 1858 e 1918.

A terceira resposta foi a organização permanente. Os Combination Acts foram revogados em 1824; sindicatos de ofício se multiplicaram, ainda frágeis e perseguidos (em 1834, seis lavradores de Tolpuddle foram deportados para a Austrália por fundar uma associação com juramento secreto); Robert Owen, dono de uma fiação-modelo em New Lanark, na Escócia, onde reduziu a jornada, abriu escola e proibiu o trabalho de menores de dez anos, tentou em 1834 um sindicato geral de todos os ofícios, que não durou um ano, e inspirou cooperativas e colônias comunitárias. Só em 1871 o Trade Union Act deu personalidade jurídica plena aos sindicatos ingleses; a greve legal veria luz em 1875. Daí em diante, a história do movimento operário é a dos sindicatos nacionais, dos partidos trabalhistas e socialistas (o alemão em 1875, o Partido Trabalhista britânico em 1900) e da Internacional (1864, 1889), assunto que ultrapassa esta página.

Leitura de fonte 3: Engels em Manchester (1845)

Friedrich Engels, filho de um fabricante têxtil alemão, foi mandado em 1842 para trabalhar na filial da firma da família em Manchester. Durante vinte meses percorreu a cidade, leu relatórios oficiais e escreveu A situação da classe trabalhadora na Inglaterra (1845). Sobre a cidade velha, perto do rio Irk, escreveu (tradução livre, com adaptações): “Aqui ficam as casas mais antigas e piores de Manchester. Em cada pátio, um ou dois lugares de despejo ao ar livre, uma latrina para dezenas de pessoas; o rio recebe o esgoto das fábricas e das casas, e nas margens se acumulam os detritos. Cerca de 350 mil trabalhadores de Manchester e arredores vivem, quase todos, em casas úmidas, sujas e mal construídas, em ruas em estado lastimável, sem pavimento nem esgoto. Nenhum dos ricos que atravessam a cidade de carruagem pela rua principal vê o que há atrás das fachadas das lojas.” Observar: moradia, esgoto, rio poluído, e um dado de geografia social: a classe rica não precisa ver a pobre, porque as grandes avenidas comerciais escondem os bairros operários. Hipotetizar: o autor quer provar que a miséria não é acidente moral, é produto necessário do sistema fabril, e que ela gera uma classe consciente de si. Contextualizar: 1845, um jovem de 24 anos, alemão, burguês, futuro coautor do Manifesto Comunista (1848): a fonte é ao mesmo tempo reportagem (ele viu e cruzou com estatísticas oficiais) e manifesto. Corroborar: o relatório de Chadwick (1842), os censos e as mortalidades da cólera confirmam a descrição material; cronistas conservadores e romancistas (Elizabeth Gaskell em Mary Barton, 1848) viram o mesmo. E as outras leituras? Ler Engels como neutro ignora o lugar de onde fala; ler Engels como inventor ignora que suas fontes eram o próprio Estado inglês. A leitura madura separa o que a fonte prova (a condição material dos bairros operários de 1844) do que ela propõe (que só a revolução a resolveria). E há o anacronismo inverso: usar Engels para dizer que o século XIX inteiro foi assim, quando as décadas seguintes, com esgoto, água encanada e leis fabris, mudariam as cidades que ele descreveu.

Leitura de fonte 4: “Sobre Londres, de trem” (Gustave Doré, 1872)

Entre as gravuras que o francês Gustave Doré fez para Londres: uma peregrinação (1872), com texto de Blanchard Jerrold, a mais reproduzida mostra uma fileira de casas geminadas idênticas, vistas de cima, de costas para o observador, com quintais minúsculos cercados por muros, cordas de roupa estendida, chaminés e, atravessando o alto da imagem, um viaduto de ferrovia por onde passa um trem a vapor. Observar: a repetição (as casas são todas iguais, como peças saídas de uma máquina), a divisão do espaço (quintais do tamanho de uma sala), a verticalidade (a ferrovia por cima das casas, não ao lado) e a ausência de verde. Hipotetizar: o artista organiza a cena para que o olho leia a monotonia e o esmagamento: o trem, símbolo do progresso, passa por cima da vida de quem o construiu. Contextualizar: 1872, Londres com mais de três milhões de habitantes, vinte anos depois da Grande Exposição; Doré é um ilustrador católico e romântico, famoso por Dante e pela Bíblia, que percorreu os bairros pobres acompanhado de policiais; o livro foi criticado na Inglaterra por mostrar só a miséria. Corroborar: os viadutos ferroviários demoliram dezenas de milhares de moradias no centro de Londres nas décadas de 1860 e 1870 (a Midland Railway sozinha removeu cerca de 4 mil casas em Somers Town), e as casas back-to-back eram o padrão dos bairros operários. E as outras leituras? Uma gravura é composição, não fotografia: Doré escolheu o ângulo que condena; o mesmo trem que esmaga a cena levava operários ao trabalho e barateava o carvão da cozinha deles. A fonte vale como registro de uma percepção de 1872, a de que a cidade industrial era um mecanismo desumano, e essa percepção é um fato histórico tanto quanto os viadutos.

As ideias que a fábrica fabricou: liberalismo e socialismos

As duas grandes famílias políticas do século XIX nasceram da mesma experiência, olhada de lugares diferentes. O liberalismo econômico é anterior à fábrica e foi adotado por ela. Adam Smith (1776) sustentou que o interesse de cada um, numa economia de troca livre, produz a riqueza de todos sem que ninguém planeje; David Ricardo (Princípios de economia política, 1817) formalizou a renda da terra, o salário e o lucro, e deu ao comércio internacional a teoria das vantagens comparativas; Thomas Malthus (Ensaio sobre a população, 1798) argumentou que a população cresce mais depressa que a comida e que, por isso, ajudar os pobres só multiplicaria pobres. Dessa combinação saíram a Nova Lei dos Pobres de 1834 (a assistência confinada a casas de trabalho propositalmente duras) e a revogação das Leis do Trigo em 1846 (livre importação de cereais, vitória dos fabricantes de Manchester contra os proprietários rurais). Nos anos 1840, “Escola de Manchester” era sinônimo de livre-cambismo e de Estado mínimo.

Os socialismos responderam de três maneiras. Os que Marx e Engels chamariam, com desdém, de utópicos, Saint-Simon (morto em 1825), Charles Fourier (os falanstérios) e Robert Owen, acreditavam que a sociedade industrial podia ser reorganizada pela razão e pelo exemplo, com comunidades-modelo, cooperativas e educação, sem conflito. O anarquismo de Pierre-Joseph Proudhon (O que é a propriedade?, 1840: “é o roubo”) e, depois, de Bakunin, recusava o Estado tanto quanto a propriedade. E o socialismo “científico” de Karl Marx e Friedrich Engels, formulado no Manifesto Comunista (fevereiro de 1848, semanas antes das barricadas de Paris) e em O capital (1867), sustentava que a história é a história da luta de classes, que o proletariado criado pela fábrica derrubaria a burguesia como a burguesia derrubara a nobreza, e que a propriedade privada dos meios de produção seria abolida. O que une as três famílias é o diagnóstico: a riqueza nova era produzida por quem não a possuía. O que as separa é o remédio. E o que a prova mais cobra é a sociologia da difusão: o socialismo se espalhou entre operários urbanos e industriais, organizados em associações e partidos, muito mais do que entre camponeses, que em boa parte da Europa tinham ou arrendavam terra, iam à missa e votaram em conservadores (a França de Napoleão III é o exemplo clássico); um item do PAS de 2013 gabaritou exatamente essa comparação.

Dois erros simétricos sobre a fábrica: o apocalipse sem agência e o paraíso do salário

A prova derruba dois perfis. O primeiro marca errado qualquer dado econômico positivo “por solidariedade”: máquinas que ampliaram a produção e baratearam preços, navios a vapor que derrubaram o frete, cidades que cresceram, capitalismo que se consolidou como sistema dominante, tudo isso é certo e foi gabaritado como certo em 2008, 2013, 2016 e 2023. O segundo deduz do crescimento o bem-estar: “o trabalho assalariado garantiu aos trabalhadores elevada renda e o bem-estar da família” levou gabarito errado em 2023, e uma opção de 2020 que fazia a classe capitalista inglesa, por aderir ao liberalismo, “impedir a exploração” e conceder “férias remuneradas” no século XIX é falsa pelo mesmo motivo. A regra que escapa dos dois: produção ampliada e trabalho degradado aconteceram juntos, e os trabalhadores responderam (quebra de máquinas, petições, sindicatos, negociação do próprio tempo). Item que apaga a resposta operária ou que a idealiza como vitória imediata está errado; item que a registra com data e limite está certo. Outro detalhe de agente: a disciplina do tempo não “manteve o trabalho por tarefa” nem foi “incompatível com a máquina”; foi a máquina que a exigiu.

Aço, eletricidade e laboratório: a Segunda Revolução Industrial (1870–1914)

Henry Bessemer não era químico nem metalúrgico; era um inventor de Londres que, em 1856, apresentou à Associação Britânica para o Progresso da Ciência um conversor em que se soprava ar através do ferro-gusa derretido para queimar o carbono em excesso. Em vinte minutos, sem combustível adicional, saía aço, que até então era produto artesanal, caro, feito em pequenas quantidades para lâminas e molas. O processo Siemens-Martin (1864) tornou o aço mais regular, e o de Gilchrist-Thomas (1878) permitiu usar os minérios fosforosos da Lorena e de Luxemburgo, o que fez a fortuna industrial da Alemanha. O preço do aço caiu a uma fração em trinta anos, e com ele se fizeram trilhos que duravam dez vezes mais, navios, pontes, arranha-céus com estrutura metálica (Chicago, 1885) e a torre que Gustave Eiffel ergueu em Paris para a Exposição de 1889. O aço é o marco cronológico usual da segunda onda, e é por ele que a prova data o seu começo em meados do século XIX.

Seis traços da segunda onda e a frase de Landes

Chama-se Segunda Revolução Industrial a fase que os manuais fazem começar em meados do século XIX e que atinge a maturidade entre 1870 e 1914. (1) O aço desbanca o ferro. (2) Fontes de energia inéditas se somam ao carvão, que continuou crescendo: a eletricidade (o dínamo prático de Gramme em 1871, a lâmpada incandescente de Edison em 1879 e sua primeira usina em Nova York em 1882, a corrente alternada de Tesla e Westinghouse nos anos 1890, o motor elétrico que libertou a fábrica do eixo central e das correias) e o petróleo (o poço de Drake na Pensilvânia em 1859, a Standard Oil de Rockefeller em 1870, o motor de quatro tempos de Otto em 1876, o automóvel de Benz em 1886, o motor de Diesel em 1897). (3) A química: o corante malva sintetizado por Perkin em 1856, a partir do alcatrão de hulha, abriu a indústria dos corantes, que a Alemanha dominou (BASF 1865, Bayer, Hoechst); os explosivos de Nobel (1867); e a síntese da amônia de Haber e Bosch (1909–1913), que transformou nitrogênio do ar em fertilizante e em pólvora. (4) Ciência aplicada à produção: o laboratório industrial, o engenheiro formado em escola técnica, a patente registrada pela empresa, e, no chão da fábrica, a administração científica de Frederick Taylor (1911), que cronometrava cada gesto, e a linha de montagem de Henry Ford (Highland Park, 1913), que reduziu o tempo de montagem de um chassi de doze horas e meia para noventa e três minutos. (5) Novos países: a Alemanha unificada em 1871 e os Estados Unidos após a Guerra de Secessão (1861–1865); em 1913, os Estados Unidos produziam cerca de 31 milhões de toneladas de aço, a Alemanha 17 milhões e a Grã-Bretanha 8 milhões. (6) A empresa gigante: sociedades anônimas, bancos como sócios da indústria, trustes (a Standard Oil, 1882) e cartéis (o sindicato do carvão do Ruhr, 1893), que abrem a fase que a página vizinha chama de capitalismo monopolista. David Landes resumiu a diferença entre as duas ondas: na primeira, a técnica veio antes da ciência (Hargreaves era carpinteiro, Crompton tecelão); na segunda, foi o laboratório que gerou a máquina, com a ciência na dianteira (Perkin era aluno de laboratório; Haber, professor de físico-química).

Quadro comparativo da Primeira e da Segunda Revolução Industrial: período, países, energia, material, setor-guia, ciência, empresa, trabalho, transporte e comunicação, mundo

A segunda onda mudou também o mapa e a conjuntura. Entre 1873 e 1896, os preços caíram em todo o mundo industrial no que os contemporâneos chamaram de Grande Depressão (o nome foi depois tomado pela de 1929): excesso de produção, trigo barato das pradarias americanas e russas chegando de trem e navio a vapor, lucros em queda. As respostas foram o abandono do livre-cambismo pela Alemanha (tarifa de 1879, o “casamento do ferro com o centeio”) e pela França, a concentração de empresas em trustes e cartéis para controlar preços, e a busca de mercados e matérias-primas fora da Europa, na corrida colonial que a Conferência de Berlim (1884–1885) regulou: é a porta por onde esta página entrega a história à página sobre o imperialismo (em preparação). A Inglaterra, presa ao equipamento antigo e ao livre comércio, perdeu a liderança técnica sem perder a financeira: Londres continuou o banco do mundo até 1914. A Alemanha, chegando atrasada, chegou com o que havia de mais novo: unificação política, proteção estatal, bancos universais que financiavam a indústria pesada, universidades técnicas e população em crescimento, exatamente a lista que um item do PAS de 2013 gabaritou como causas do seu “ritmo vertiginoso” após 1870. Nos Estados Unidos, a vitória do Norte industrial em 1865 removeu o obstáculo da economia escravista do Sul e abriu um mercado continental unido por 400 mil quilômetros de trilhos em 1914.

O que sobrou da fábrica na sua semana: a jornada, a CLT, o carvão e a "quarta revolução"

A regra de que um dia de trabalho tem oito horas nasceu como palavra de ordem operária (1.º de maio de 1886, em Chicago, a greve que deu origem ao Dia do Trabalhador), virou lei na Europa depois de 1918 e chegou ao Brasil por etapas: um decreto de 1932 fixou oito horas na indústria, a Consolidação das Leis do Trabalho de 1943 (art. 58) generalizou-as, e a Constituição de 1988 (art. 7.º, XIII) fixou o teto de 44 horas semanais. A hora extra, o descanso semanal remunerado, a proibição do trabalho noturno e perigoso para menores de dezoito anos e de qualquer trabalho antes dos dezesseis, salvo como aprendiz a partir dos catorze, são, no texto da lei brasileira, a herança direta das lutas que começaram com a comissão Sadler. O relógio de ponto e o aplicativo que mede o tempo de entrega são o mesmo instrumento com outra tecnologia, e o debate atual sobre jornada de seis horas, escala 6×1 e trabalho por plataforma é, nos termos de Thompson, a terceira geração da disputa pelo tempo. Há duas outras heranças. A primeira é atmosférica: a concentração de CO₂ no ar, estável em cerca de 280 partes por milhão até 1750, passou de 420 em 2023 (dados da NOAA e do IPCC), e a curva começa a subir exatamente quando a máquina a vapor começa a queimar carvão em escala, o que a prova já cobrou com um gráfico. A segunda é a linguagem: chamar a eletrônica e a informática de “terceira revolução industrial” (anos 1950–1970) e a inteligência artificial de “quarta” (a expressão é do Fórum Econômico de Davos, 2016) é um uso por analogia, que estica a palavra de Toynbee; vale como metáfora, não como periodização consensual, e um item que a apresente como “a Revolução Industrial continua até hoje” está certo justamente porque trata o processo como aberto, não porque haja consenso sobre quantas foram.

Anacronismos e erros clássicos: dez frases para desconfiar

  1. “Watt inventou a máquina a vapor.” Newcomen a construiu em 1712; Watt a aperfeiçoou (condensador, 1769; movimento rotativo, 1781–1784) e, com Boulton, a transformou em produto. O ícone da Primeira Revolução é a máquina a vapor, não o moinho de vento, que ela aposentou.
  2. “A Revolução Industrial começou em meados do século XVIII.” A datação corrente é décadas finais do século XVIII; “meados” só vale como começo de um intervalo que termina nas primeiras décadas do XIX, e derruba o item quando vem sozinha, colada a um fato errado.
  3. “Os Estados Unidos (ou a Alemanha) foram os pioneiros.” O pioneiro é a Grã-Bretanha; Estados Unidos e Alemanha disputam a liderança na segunda onda, depois de 1870.
  4. “O petróleo (ou a lenha) foi a principal energia da Primeira Revolução.” Foi o carvão mineral; o petróleo é da segunda onda, e a lenha é o que o carvão substituiu.
  5. “O imperialismo financiou o início da industrialização.” A ordem é inversa: a partilha da África e da Ásia (1880–1914) é efeito da indústria madura; o capital inicial veio do comércio atlântico, do tráfico e das colônias do século XVIII.
  6. “Os luditas eram contra a tecnologia.” Eram artesãos qualificados contra o uso da máquina para derrubar salário e ofício; escolhiam as máquinas que quebravam.
  7. “O trabalho assalariado garantiu renda elevada e bem-estar.” As fontes das primeiras décadas registram jornadas de doze a dezesseis horas, trabalho infantil, bairros sem esgoto e cólera; a melhora veio depois, por lei e por luta.
  8. “A fábrica manteve o trabalho por tarefa.” Com a máquina central exigindo todos ao mesmo tempo, a tarefa deu lugar à jornada contada em horas.
  9. “A Segunda Revolução abandonou o carvão.” Eletricidade e petróleo se somaram ao carvão, que continuou crescendo até o século XX.
  10. “A Revolução Industrial do século XIX fortaleceu o absolutismo” / “pôs fim à diversificação das cidades”. O absolutismo pertencia ao Antigo Regime e caiu com as revoluções liberais; e comércio, transportes e serviços se expandiram ao lado da indústria, não em prejuízo dela.

Como a prova cobra (e o que cada padrão exige de você)

O molde mais frequente é o item curto de um só termo: o país pioneiro, a energia principal, o ícone, a datação. Um bloco de 2023 pôs seis desses em sequência (pioneirismo dos Estados Unidos, máquinas que baratearam preços, segunda onda em meados do século XIX, impacto negativo sobre o artesanato, Alemanha “primeira a completar” a Primeira Revolução, assalariamento que “garantiu bem-estar”) e um tipo C cuja opção certa apontava a ciência aplicada ao processo produtivo como marca da segunda onda, cercada de distratores de datação (taylorismo inglês do século XVIII, petróleo como energia da primeira onda, urbanização “ordenada”). O segundo molde é a lista verdadeira com etiqueta errada: aço, corantes, fertilizantes, telefone, telégrafo e ferrovias são a segunda onda, e uma opção de 2014 chamou isso de Primeira Revolução “capitaneada pela Inglaterra”. O terceiro é o efeito exagerado até quebrar: “pôs fim à diversificação das atividades nas cidades” (2010, errado), contra “contribuiu para o incremento da urbanização e a ampliação do proletariado” (2013, certo). O quarto é a leitura do texto-base contra o grão: o trecho de Germinal sobre os mineiros serviu para julgar a demanda de hulha (certa), um texto sobre a vacina de Jenner serviu para um tipo C sobre ciência e medicina, e Thompson, em 2025, serviu para dois itens certos e longos em que a cláusula surpreendente (os trabalhadores se apropriando da máxima “tempo é dinheiro”; a “lei” dos economistas apresentada como tese que “buscava consolidar”) era o que a banca queria ver reconhecido. No ENEM, o molde é o texto de historiador (Thompson, Hobsbawm, Deane, Huberman) ou de poeta (Shelley) com uma pergunta de inferência: a contradição entre quem produz a riqueza e quem a usufrui, os cercamentos como origem de braços e de mercado, a disciplina do tempo como erosão dos padrões tradicionais. Em todos, o procedimento é o mesmo: sublinhe a expressão de tempo, pergunte quem é o agente, confira se a lista pertence à onda nomeada, e desconfie tanto do item que só vê fumaça quanto do que só vê progresso.

Linha do tempo de 1760 a 1914 em três faixas: técnica e energia, trabalho e cidade, ideias

O essencial em meia página

  • O que é: produção mecanizada, com energia fóssil, em fábricas, por trabalho assalariado e sob horário; começa no norte da Inglaterra, pelo algodão, no último terço do século XVIII (“décadas finais” é a chave de datação); é processo longo, ainda aberto (Hobsbawm), lento nas primeiras décadas (Crafts e Harley).
  • Por que a Inglaterra: cercamentos e revolução agrícola (braços e comida), carvão e ferro perto do mar (economia mineral, Wrigley), mercado atlântico e interno (colônias, tráfico, Marinha, canais), crédito e patente (Banco de 1694, Estatuto de 1624), Parlamento que protege (proibição de exportar máquinas, 1774–1843), cultura técnica (Mokyr). Debate: Allen (salário alto, carvão barato) × Pomeranz (carvão e Américas) × Landes (instituições).
  • A sequência técnica: Kay 1733; Hargreaves c. 1764; Arkwright 1769 e Cromford 1771; Crompton 1779; Watt 1769/1776/1784; Cartwright 1785; Darby 1709 e Cort 1784; ferrovias 1825 e 1830; Exposição de 1851 (“oficina do mundo”).
  • O relógio (Thompson): tarefa → jornada; disciplina imposta, depois apropriada (dez horas 1847, oito horas 1886); preço justo da multidão contra a “lei” dos economistas; criança e mulher na fiação; Sadler 1832; Factory Acts 1833 (inspetores) e 1847; cólera 1832; Engels 1845.
  • As respostas: ludismo 1811–1816 (artesãos contra o uso da máquina), Peterloo 1819, cartismo 1838–1848 (seis pontos, sufrágio masculino), Owen, Tolpuddle 1834, sindicatos legais em 1871. Ideias: Smith 1776, Malthus 1798, Ricardo 1817 × Owen, Fourier, Proudhon 1840, Marx e Engels 1848.
  • Segunda onda (1870–1914): aço (Bessemer 1856), eletricidade e petróleo somados ao carvão, química, motor, Taylor e Ford, trustes e cartéis, Alemanha e Estados Unidos à frente, ciência antes da técnica (Landes); Grande Depressão 1873–1896 → protecionismo e imperialismo.
  • Na prova: sublinhe a data; confira o agente; não cole a lista de uma onda na outra; produção ampliada e trabalho degradado são ambos verdadeiros; os trabalhadores respondem, e o item que registra essa agência com data tende a ser certo.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Revolução industrial - História - Ensino Médio
Canal Futura · 13:31
Introdução. Programa do Canal Futura (Fundação Roberto Marinho) no nível do ensino médio: a burguesia mercantil investindo na produção, a privatização da terra empurrando camponeses para as cidades, a fábrica aumentando produção e pobreza ao mesmo tempo; abre as seções “Por que a Inglaterra” e “A máquina, a fábrica e os números”.
HISTÓRIA GERAL #16 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Parabólica · 29:09
Aprofundamento. Aula de meia hora do Parabólica (Pedro Rennó), com fontes nomeadas na descrição (Hobsbawm, A era das revoluções; Huberman, História da riqueza do homem): pré-condições inglesas, o algodão como setor-guia, a máquina a vapor, as consequências sociais; acompanha as seções sobre as condições encadeadas, as máquinas e o relógio da fábrica.
Economia moral da multidão inglesa no século XVIII, de E. P. Thompson.
Jose Antonio Vasconcelos · 21:32
Conceito, direto da historiografia. Aula do professor José Antonio Vasconcelos (Departamento de História da USP) para a disciplina Metodologia da História II, apresentando o ensaio de Thompson sobre a economia moral: os motins do pão, o preço justo e a lei da oferta e da procura como construção da economia política. É o conteúdo do container “Disciplina do tempo e economia moral” e a base dos dois itens do PAS de 2025.
2ª Revolução Industrial - História - Ensino Médio
Canal Futura · 10:42
Aplicação, segunda onda. Programa do Canal Futura sobre a Segunda Revolução Industrial: a industrialização chegando à Europa continental, aos Estados Unidos e ao Japão, a concorrência empurrando a expansão para a África e a Ásia e o movimento operário reivindicando condições de trabalho; acompanha a seção “Aço, eletricidade e laboratório” e o gancho para o imperialismo.
Rota PAS 2
Capitalismo e modo de produção industrial: centro e periferia · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Capitalismo e modo de produção industrial: centro e periferia · Por que a fábrica nasceu na Inglaterra — e o que ela mudou (l.156–227); O relógio da fábrica (l.228–265); Aço, ciência e eletricidade: a Segunda Revolução Industrial (l.266–321); Leia como na prova: bloco 2023/88–94 (l.457–550); box Como a banca cobra; Resolvido 1; Banco de treino T1–T14

    Recorte por assunto: as duas revoluções industriais, o trabalho e as ideias que a fábrica gerou. Centro e periferia, divisão internacional do trabalho e o Brasil ficam em capitalismo-e-industrializacao; imperialismo e partilha da África, em imperialismo (ganchos).

  • Rota PAS 2 — Resoluções do Banco de treino (Parte IV) · T1 (2023/88), T2 (2023/89), T3 (variante de 2023/92), T4 (2019/51), T6 (2023/94), T7 (variante de 2007/35), T8–T10 (inéditos: ludismo, disciplina do tempo, economia moral), T11–T14 (Segunda Revolução)
  • Rota PAS 2 — Resoluções dos exercícios do capítulo (Parte IV) · Nível 1, itens 1–4; Nível 2, texto-base 'a oficina do mundo', itens 6–10; Nível 3, item 14
  • Extrator de provas — PAS/UnB, ENEM e vestibulares (itens reusados por GUID, conferidos na imagem do caderno e no gabarito oficial) · PAS 2 2008/19, 2008/21, 2009/43, 2010/54, 2011/53, 2012/79, 2013/72–74, 2013/79, 2015/55–56, 2016/77, 2018/15, 2019/51, 2020/78, 2023/88–94, 2025/102, 2025/105; PAS 3 2009/51–53; PAS 1 2014/48, 2024/42; ENEM 2009/67, 2010/10, 2010/40, 2010 PPL/15, 2010 PPL/32, 2013 PPL/7, 2015 PPL/38; data-vest FAMERP 2019, UECE 2024

    Correções de resolução e de classificação registradas em drafts/extrator-correcoes-historia.md. Só na prosa: PAS 2 2014/72 (anulado no gabarito definitivo), 2014/58 e 2010/52 (centro–periferia/imperialismo), PAS 3 2008/24 (capitalismo global), ENEM 2011 PPL/20 (gabarito documental contestado) e 2015 PPL/38 (Sociologia do tempo livre).