Por que uma lanterna vermelha, por mais forte que seja, não arranca um único elétron de uma placa de zinco, e uma lâmpada ultravioleta fraquinha começa a arrancá-los no mesmo instante em que é ligada, e o que essa placa tem a ver com a porta que abre sozinha no shopping, com a foto granulada que o celular tira no escuro e com o Nobel que Einstein ganhou, que não foi pela relatividade?
O que você vai aprender
Descrever o fenômeno e o aparelho que o mede (placa emissora, placa coletora, amperímetro, potencial reverso) e enunciar as quatro observações que a onda clássica não explica: emissão imediata, frequência de corte, energia máxima independente da intensidade e corrente proporcional à intensidade.
Explicar as três previsões erradas do modelo ondulatório clássico (energia do elétron crescendo com a intensidade, emissão para qualquer frequência, tempo de acúmulo) e por que cada uma falha diante do experimento.
Enunciar a hipótese do fóton, E = hf, e a equação de Einstein, K_max = hf − W, identificando o papel da função trabalho W como energia mínima de saída característica do metal.
Calcular a frequência de corte f₀ = W/h e o comprimento de onda de corte λ₀ = hc/W, decidindo se uma dada luz arranca elétrons de um dado metal, com os valores de h, c e da conversão eV ↔ J que a banca fornece.
Operar com elétron-volt e joule (1 eV = 1,6 × 10⁻¹⁹ J), com h em J·s e em eV·s (4,14 × 10⁻¹⁵ eV·s) e com a régua hc ≈ 1 240 eV·nm, situando fótons do infravermelho, do visível (1,8 a 3,1 eV) e do ultravioleta diante das funções trabalho dos metais (2 a 5 eV).
Ler o gráfico de K_max contra f como uma reta de inclinação h, intercepto −W e cruzamento f₀, estimar h e W a partir de dois pontos ou de um triângulo cotado (itens PAS 3 2009/117 e 2021/93) e reconhecer que retas de metais diferentes são paralelas.
Explicar o potencial de corte, eU₀ = K_max, ler as curvas de corrente contra potencial reverso para duas intensidades (mesmo U₀, saturações diferentes, item PAS 3 2008/71 a 75) e relacionar a medida de Millikan (1916) à determinação de h.
Aplicar a divisão de tarefas do tema: a frequência decide se o elétron sai e com quanta energia; a intensidade decide quantos saem por segundo (corrente); e julgar itens que trocam os papéis.
Distinguir o efeito fotoelétrico externo (elétron sai do metal para o vácuo) do efeito fotovoltaico da célula solar (elétron promovido dentro do semicondutor, corrente sem vácuo), e explicar fotocélulas, sensores CCD/CMOS, visão noturna e o granulado das fotos noturnas.
Situar no tempo Hertz (1887), Hallwachs, Lenard (1902), Planck (1900), Einstein (1905), Millikan (1916) e o Nobel de 1921, e reconhecer os erros que a banca planta: intensidade que 'acelera' elétrons, luz abaixo do corte que 'acaba' emitindo, W confundido com K_max, λ no lugar de f no gráfico, célula solar tratada como emissão para o vácuo.
Uma placa de zinco polida, ligada a um medidor de carga, recebe a luz de uma lanterna vermelha potente: nada acontece, nem em um segundo, nem em uma hora. Troque a lanterna por uma lâmpada ultravioleta pequena, dessas de conferir cédula, e a placa começa a perder elétrons no mesmo instante em que a lâmpada acende. Baixe a lâmpada até quase apagar: os elétrons continuam saindo, em menor número, mas cada um com a mesma energia de antes. Suba a lâmpada ao máximo: saem muitos mais, e nenhum deles mais rápido. Se a luz fosse apenas a onda contínua que a página de ondas eletromagnéticas descreveu, a lanterna vermelha forte deveria vencer a ultravioleta fraca: mais energia por segundo chegando à placa, mais elétrons e mais velozes, cor nenhuma importando. O experimento diz o contrário, e diz há mais de um século.
Esta é a página do efeito fotoelétrico: o fenômeno, o aparelho que o mede, as três previsões da onda clássica que o experimento derrubou, a explicação de Einstein em 1905 (a luz entrega energia em pacotes de hf; cada elétron paga a saída do metal com um só pacote), a equação Kmax=hf−W, a frequência de corte, o gráfico que mede a constante de Planck com uma régua, o potencial de corte, a divisão de tarefas entre frequência e intensidade, as unidades (elétron-volt, h em eV·s, a régua hc=1240 eV·nm) e as máquinas que vivem disso: a fotocélula da porta automática, o sensor da câmera, a visão noturna e a célula solar, que é parente, mas não é a mesma coisa. A ideia geral de que a luz tem um lado de partícula e a matéria um lado de onda, com de Broglie, a fenda dupla e a complementaridade, tem página própria em dualidade onda-partícula; o fotoelétrico é a evidência mais direta do fóton, e é por isso que ele vem antes. O espectro, a cor como frequência e a relação c=λf estão em ondas eletromagnéticas; a placa solar como fonte de energia do país, em geração de energia elétrica.
O que se observa: um metal iluminado solta elétrons, e com regras
O fenômeno tem uma definição curta. Efeito fotoelétrico é a emissão de elétrons por um material, em geral um metal, quando luz (ou radiação ultravioleta) incide sobre ele. Os elétrons emitidos chamam-se fotoelétrons. A observação é de 1887: Heinrich Hertz, ao produzir as ondas de rádio que confirmaram a teoria de Maxwell, notou que a faísca do seu receptor saltava mais facilmente quando a luz ultravioleta da faísca emissora batia nas esferas metálicas. No ano seguinte Wilhelm Hallwachs mostrou que uma placa de zinco carregada negativamente perdia a carga sob luz ultravioleta, e não a perdia se estivesse carregada positivamente: o que saía da placa era carga negativa. Em 1899 J. J. Thomson identificou essa carga com os elétrons que acabara de descobrir, e entre 1900 e 1902 Philipp Lenard montou o aparelho que transformou a curiosidade em medida.
O aparelho: célula fotoelétrica com potencial reverso
Dentro de um tubo de vidro sob vácuo há duas placas metálicas. A placa emissora (o cátodo, chamado P1 no item do PAS 3 de 2008) recebe a luz; a placa coletora (P2) fica em frente. Os elétrons arrancados de P1 atravessam o vácuo até P2, e o circuito externo, fechado por um amperímetro, registra a corrente fotoelétricai. O vácuo é indispensável: no ar os elétrons colidiriam com as moléculas antes de chegar à outra placa.
Uma fonte ligada a um divisor de tensão aplica entre as placas uma diferença de potencial ajustável. Se ela acelera os elétrons rumo a P2, a corrente cresce até um valor de saturação, em que todos os elétrons emitidos são recolhidos. Se ela freia os elétrons (é o potencial reverso, com P2 negativa em relação a P1), só chegam a P2 os elétrons que saíram com energia cinética suficiente para vencer a subida; aumentando o freio, a corrente cai, e existe um valor U0, o potencial de corte, para o qual nem o elétron mais rápido chega. Nesse ponto a energia cinética máxima dos fotoelétrons foi toda gasta contra o campo:
Kmax=eU0,
com e=1,6×10−19 C. É assim que se mede a energia do elétron mais veloz: lendo uma tensão no voltímetro.
A célula fotoelétrica de Lenard, que é a Figura I do bloco do PAS 3 de 2008: luz na placa emissora, elétrons pelo vácuo, corrente no amperímetro. O potencial reverso freia os elétrons; o valor que zera a corrente mede a energia do mais veloz. Diagrama autoral.
Com esse aparelho, Lenard e os que vieram depois estabeleceram quatro fatos. Guarde-os na ordem, porque os quatro voltam em todos os itens de prova.
A emissão é imediata. Ligada a luz, a corrente aparece em menos de um bilionésimo de segundo, mesmo com luz muito fraca. Não há tempo de “carregamento”.
Existe uma frequência de corte. Para cada metal há uma frequência mínima f0 da luz abaixo da qual nenhum elétron sai, por mais intensa que a luz seja e por mais tempo que se espere. Para o zinco ela está no ultravioleta; para o sódio, o potássio e o césio, cai dentro do visível.
A energia máxima dos elétrons não depende da intensidade. Dobrar, triplicar ou dividir por dez o brilho da luz de uma mesma cor não muda o potencial de corte U0: o elétron mais rápido sai com a mesma energia. O que muda Kmax é a frequência: luz de frequência maior arranca elétrons mais energéticos, em proporção linear.
A corrente de saturação é proporcional à intensidade. Dobrar o brilho dobra o número de elétrons arrancados por segundo. Mais luz, mais elétrons; não elétrons mais rápidos.
O que a onda clássica previa, e por que errou três vezes
Em 1900 a luz era, sem controvérsia, uma onda eletromagnética. A teoria de Maxwell explicava a reflexão, a refração, a interferência, a difração e a polarização, e Hertz tinha produzido essas ondas em laboratório. Uma onda carrega energia de forma contínua e espalhada por toda a frente de onda, e a energia que ela entrega por segundo a uma área é a intensidade, proporcional ao quadrado da amplitude do campo elétrico. Aplique isso ao metal: o campo elétrico da onda sacode os elétrons, que vão acumulando energia até conseguir escapar. A previsão se desdobra em três afirmações, e as três estão erradas.
Primeira previsão: luz mais intensa, elétrons mais rápidos. Campo mais forte sacode com mais violência; o elétron deveria sair com mais energia quando a intensidade cresce. Observado: a energia máxima não muda com a intensidade. Só muda com a frequência.
Segunda previsão: qualquer frequência serve, basta intensidade. Se a energia se acumula, uma luz vermelha forte, ou uma fraca por mais tempo, acabaria dando ao elétron o que ele precisa. Observado: abaixo de f0 não sai elétron nenhum, com qualquer intensidade e por qualquer tempo.
Terceira previsão: há um atraso. Faça a conta clássica para uma luz fraca. Um átomo do metal tem seção de cerca de 10−19 m². Sob uma intensidade de 10−2 W/m² (uma luz bem fraca), a energia que chega a esse átomo por segundo é de 10−2×10−19=10−21 J. Para juntar os cerca de 4×10−19 J que a saída exige, o elétron precisaria acumular energia por 400 s: quase sete minutos de espera antes do primeiro elétron. Observado: a corrente aparece em menos de 10−9 s.
Três previsões da onda contínua, três resultados contrários. O modelo que explicava toda a óptica não explicava o que acontece quando a luz encontra um elétron. Diagrama autoral.
"A onda estava errada"
Não estava. A luz continua sendo uma onda eletromagnética em tudo o que envolve propagação: interferência, difração, polarização, refração, a fibra óptica, o arco-íris. O que o fotoelétrico mostrou é que na troca de energia com a matéria a luz se comporta como uma chuva de grãos. A teoria de Maxwell não foi jogada fora; ela ganhou um complemento para o encontro da luz com o elétron. Item que diz que “o efeito fotoelétrico provou que a luz não é uma onda” está errado.
O fóton de Einstein: uma conta de padaria
Em 1900, para explicar a cor da luz que os corpos quentes emitem (o vermelho do ferro em brasa, o branco do filamento), Max Planck precisou supor que a energia era trocada entre a matéria e a radiação em porções proporcionais à frequência, E=hf, com uma constante nova, h. Ele mesmo tomou a hipótese como um artifício de cálculo. Em 1905, num artigo intitulado “Sobre um ponto de vista heurístico a respeito da produção e transformação da luz”, Albert Einstein deu o passo que Planck não quis dar: a própria luz é feita desses pacotes. Cada pacote, que mais tarde recebeu o nome de fóton, carrega a energia hf e é absorvido inteiro por um elétron, ou não é absorvido. Com isso o efeito fotoelétrico vira uma conta de padaria: o elétron recebe hf, paga a saída do metal, e leva o troco como energia cinética.
A equação de Einstein para o efeito fotoelétrico
Fóton. Luz de frequência f troca energia com a matéria em pacotes de
E=hf=λhc,
em que h=6,63×10−34 J·s é a constante de Planck e c=3,0×108 m/s. Frequência maior (violeta, ultravioleta), fóton mais energético; frequência menor (vermelho, infravermelho), fóton mais pobre. A intensidade da luz é o número de fótons que chegam por segundo a cada metro quadrado, multiplicado pela energia de cada um.
Função trabalho. Para escapar do metal, um elétron precisa de uma energia mínima W, a função trabalho, característica de cada material (alguns elétron-volts). É o custo de romper a atração que a rede de íons positivos exerce sobre o elétron na superfície.
Equação de Einstein. Um elétron absorve um fóton, gasta W para sair e fica com o resto. O elétron que saiu da superfície sem perder nada pelo caminho é o mais rápido:
Kmax=hf−W.
Elétrons de camadas mais fundas perdem energia em colisões antes de chegar à superfície e saem com menos; por isso a equação dá o máximo, não a energia de todos.
Frequência de corte. A emissão só acontece se hf≥W. No limite, Kmax=0:
f0=hW,λ0=f0c=Whc.
Acima de f0 (ou abaixo de λ0), sai elétron; abaixo de f0 (acima de λ0), não sai, com qualquer intensidade. Note o sentido invertido do comprimento de onda: o corte é uma frequência mínima e um comprimento de onda máximo.
Cada um dos quatro fatos observados sai da equação em uma linha. Emissão imediata: o fóton é absorvido de uma vez, não há acúmulo. Frequência de corte: se hf<W, um fóton não basta, e dois fótons não se somam (a chance de um elétron absorver dois ao mesmo tempo é desprezível nas intensidades comuns). Energia máxima independente da intensidade: Kmax só tem f e W na fórmula; a intensidade não aparece. Corrente proporcional à intensidade: mais fótons por segundo, mais elétrons por segundo, cada um deles com o mesmo teto de energia.
Exemplo resolvido: o sódio do livro, em joules. A função trabalho do sódio é W≈3,7×10−19 J. Use h=6,63×10−34 J·s. Luz violeta, f=7,5×1014 Hz (400 nm): E=6,63×10−34×7,5×1014=4,97×10−19≈5,0×10−19 J. Sobra Kmax=5,0−3,7=1,3×10−19 J para o elétron mais rápido. Luz vermelha, f=4,3×1014 Hz (700 nm): E=2,85×10−19≈2,9×10−19 J, menor que W; nenhum elétron sai, nem com um holofote. Frequência de corte:f0=W/h=3,7×10−19/6,63×10−34=5,6×1014 Hz, e λ0=3,0×108/5,6×1014=5,4×10−7 m =540 nm, um verde-amarelado. Conferência: o violeta (400 nm) está abaixo de λ0 e arranca; o vermelho (700 nm) está acima e não arranca; a luz verde de 540 nm arrancaria elétrons parados, no limiar. Fecha com as três contas.
Exemplo resolvido: que velocidade tem esse elétron? Com Kmax=1,3×10−19 J e m=9,1×10−31 kg, v=2K/m=2×1,3×10−19/9,1×10−31=2,86×1011≈5,3×105 m/s. Meio milhão de metros por segundo, e ainda assim menos de 0,2% da velocidade da luz: a mecânica de Newton serve, sem correção relativística. Conferência:21×9,1×10−31×(5,3×105)2=1,28×10−19 J. Bate.
Unidades: o elétron-volt, h em eV·s e uma régua de 1 240
Joules são incômodos aqui porque as energias têm dezenove zeros depois da vírgula. A física atômica usa o elétron-volt: a energia que um elétron ganha ao atravessar uma diferença de potencial de 1 volt,
1eV=1,6×10−19J.
A conversão é uma divisão: 3,7×10−19 J ÷1,6×10−19 J/eV =2,3 eV, que é a função trabalho do sódio como aparece no livro do PAS 3. E a constante de Planck, dividida pelo mesmo número, vira
h=1,6×10−196,63×10−34=4,14×10−15eV⋅s.
Com h em eV·s, a energia do fóton sai direto em eV: E=4,14×10−15×7,5×1014=3,1 eV para o violeta de 400 nm; 4,14×10−15×4,3×1014=1,8 eV para o vermelho de 700 nm. E o potencial de corte sai sem conta extra, porque Kmax em eV éU0 em volts: eU0=Kmax, então 0,8 eV de energia máxima significa U0=0,8 V.
A régua hc = 1 240 eV·nm
Como E=hc/λ, o produto hc é uma constante que converte comprimento de onda em energia. Em unidades convenientes:
Luz de 620 nm tem fótons de 2,0 eV; de 400 nm, 3,1 eV; de 310 nm, 4,0 eV. Um metal com W=4,3 eV (zinco) tem λ0=1240/4,3=288 nm, no ultravioleta: nenhuma cor visível o faz emitir. Na prova, use os valores que a banca dá: se o texto traz h=6,625×10−34 J·s e 1 J =6,24×1018 eV, como fez o PAS 3 de 2011, a conta vai com esses números, não com os seus.
A tabela abaixo situa as duas famílias de energia que o tema compara: o que o fóton traz e o que o metal cobra. Os valores de W são aproximados (variam com a pureza e o estado da superfície) e servem para ordem de grandeza.
fóton
λ
E=hf
metal
W
λ0=hc/W
infravermelho
1 000 nm
1,2 eV
césio
2,1 eV
590 nm
vermelho
700 nm
1,8 eV
potássio
2,3 eV
540 nm
verde
550 nm
2,3 eV
sódio
2,3 eV
540 nm
azul
450 nm
2,8 eV
cálcio
2,9 eV
430 nm
violeta
400 nm
3,1 eV
zinco
4,3 eV
290 nm
ultravioleta
250 nm
5,0 eV
cobre
4,7 eV
260 nm
raio X mole
1 nm
1 240 eV
platina
5,6 eV
220 nm
A leitura da tabela é a leitura de todo item qualitativo do tema: a luz visível carrega entre 1,8 e 3,1 eV por fóton; os metais alcalinos (césio, potássio, sódio) cobram menos que isso e por isso emitem com luz visível; a maioria dos metais comuns (zinco, cobre, ferro, prata, platina) cobra mais de 4 eV e só emite sob ultravioleta. Não é que “só os alcalinos” façam efeito fotoelétrico, um erro frequente: todo metal faz, cada um a partir da sua frequência de corte.
A escala decide o item qualitativo: o fóton arranca elétron dos metais cuja função trabalho fica à sua esquerda. A luz visível (1,8 a 3,1 eV) alcança os alcalinos; o zinco, o cobre e a platina só respondem ao ultravioleta. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido: de que metais a luz azul arranca elétrons? Luz de 450 nm sobre césio (W=2,1 eV), potássio (2,3 eV), cálcio (2,9 eV) e zinco (4,3 eV). Conta:E=1240/450=2,76 eV. Comparando: césio, Kmax=2,76−2,1=0,66 eV, emite; potássio, 2,76−2,3=0,46 eV, emite; cálcio, 2,76−2,9<0, não emite; zinco, não emite. Conferência pelo comprimento de onda de corte:λ0 do cálcio é 1240/2,9=428 nm, menor que 450 nm; o azul está do lado errado do corte. Fecha.
O gráfico K_max × f é uma reta, e a inclinação dela é h
Escreva a equação de Einstein como se fosse a equação de uma reta na variável f:
Kmax=hf−W⟺y=ax+b,a=h,b=−W.
Medindo Kmax (pelo potencial de corte) para várias frequências e marcando os pontos num gráfico com f no eixo horizontal e Kmax no vertical, os pontos caem numa reta. Essa reta tem três leituras, e as três já foram cobradas pelo PAS 3.
Como ler a reta do fotoelétrico
Inclinação=h. É a constante de Planck, a mesma para qualquer metal. Dois pontos da reta, (f1,K1) e (f2,K2), dão h=f2−f1K2−K1. Com K em eV e f em Hz, sai em eV·s; com K em joules, em J·s.
Cruzamento com o eixo das frequências=f0. Onde Kmax=0 a reta corta o eixo horizontal, e essa abscissa é a frequência de corte. À esquerda dela não há pontos experimentais: não há elétrons para medir.
Intercepto no eixo vertical=−W. Prolongando a reta (tracejada, porque ali não há dados) até f=0, ela corta o eixo vertical em −W. A função trabalho é, portanto, o módulo desse intercepto, ou, equivalentemente, W=hf0.
Metais diferentes dão retas paralelas: mesma inclinação h, interceptos diferentes. Um metal com W maior tem a reta deslocada para a direita (corte em frequência mais alta) e para baixo (intercepto mais negativo).
A assinatura do fóton: K_max cresce linearmente com a frequência, a inclinação é h, o cruzamento é f₀ e o intercepto é −W. Retas de metais diferentes são paralelas. A intensidade não aparece no gráfico: ela só muda quantos elétrons há para medir. Diagrama autoral.
Foi deste gráfico que a banca tirou um item inteiro de resposta construída em 2009 e um item numérico em 2021, os dois com o sódio. No de 2009, os pontos impressos vão de cerca de 0,5 eV em 7×1014 Hz a cerca de 2,6 eV em 12×1014 Hz. Inclinação: h≈(2,6−0,5)/(12−7)×1014=2,1/(5×1014)=4,2×10−15 eV·s. Função trabalho: W=hf−K=4,2×10−15×7×1014−0,5=2,94−0,5≈2,4 eV, e f0=W/h≈5,8×1014 Hz. No de 2021, o gráfico veio com um triângulo já cotado, ΔE=1,25 eV para Δν=3×1014 Hz, e o pedido era só a inclinação: h=1,25/(3×1014)=4,17×10−15 eV·s; multiplicado por 1017, 416,7, marcação 416. Os dados eram os do artigo de Millikan de 1916, o primeiro a medir h por esse caminho.
O eixo é frequência, não comprimento de onda
A reta só é reta em f. Se o gráfico tiver λ no eixo horizontal, Kmax=hc/λ−W é uma hipérbole decrescente, e a “inclinação” não é h coisa nenhuma. Antes de tirar h de um gráfico, leia o rótulo do eixo. E leia a unidade: eixo em 1014 Hz significa que o “3” impresso é 3×1014 Hz; esquecer o expoente muda a resposta em catorze ordens de grandeza.
O potencial de corte mede K_max, e a intensidade não o move
Volte ao aparelho. Fixe a luz (mesma cor, mesmo brilho) e varie a tensão entre as placas, de aceleradora a reversa, anotando a corrente. O gráfico de i contra V tem uma forma que a banca imprimiu em 2008 e que vale conhecer traço a traço.
Do lado acelerador, a corrente sobe e satura: chega um ponto em que todos os fotoelétrons emitidos são recolhidos por P2, e acelerar mais não cria elétrons novos. Do lado reverso, a corrente cai à medida que o freio cresce, porque elétrons cada vez mais rápidos deixam de alcançar P2, até zerar no potencial de corte−U0. Agora repita com a mesma cor e o dobro do brilho. A curva de saturação sobe ao dobro (o dobro de fótons por segundo, o dobro de elétrons), mas o ponto em que a corrente zera é o mesmo−U0: o elétron mais rápido tem a mesma energia, porque cada elétron continua recebendo um fóton de hf. Troque agora a cor por uma de frequência maior, mantendo o número de fótons por segundo: a saturação fica parecida e o corte se desloca para a esquerda, para um U0 maior.
À esquerda, a Figura II do PAS 3 de 2008: duas intensidades, duas saturações, um só potencial de corte. À direita, duas frequências: a saturação quase não muda, o corte se desloca. Intensidade mexe na altura; frequência mexe no ponto de corte. Diagrama autoral.
Esse par de gráficos resolve o bloco de 2008 sem conta. Há corrente com V=0 (item 71, certo): a célula é ela mesma uma fonte, os elétrons chegam a P2 pela energia que trouxeram do fóton. A curva que satura mais alto, I1, é a da luz mais intensa (item 73, certo). As duas curvas zeram no mesmo −U0, logo a velocidade do elétron mais veloz independe da intensidade (item 75, certo). E com resistência externa nula a corrente continua não nula (item 72, certo), pelo mesmo motivo do 71.
Millikan queria provar que Einstein estava errado
Robert Millikan, que já havia medido a carga do elétron com gotas de óleo, passou dez anos construindo um aparelho de precisão para o efeito fotoelétrico, com uma “barbearia no vácuo” que raspava a superfície dos metais alcalinos antes de cada medida. A intenção declarada era derrubar a hipótese do fóton, que ele considerava insustentável. Em 1916 publicou a reta Kmax×f para o sódio e o lítio com inclinação h=6,57×10−34 J·s, a menos de um por cento do valor de hoje, e escreveu que a equação de Einstein estava confirmada “apesar da irracionalidade da teoria” que a gerara. Foi por esse trabalho, e pela carga do elétron, que Millikan recebeu o Nobel de 1923, dois anos depois de Einstein receber o dele pela mesma equação.
Exemplo resolvido: do potencial de corte à função trabalho. Uma placa iluminada com luz de 400 nm tem corrente zerada por um potencial reverso de 1,2 V. Qual é a função trabalho, e qual é o comprimento de onda de corte? Conta: fóton de 1240/400=3,1 eV. Kmax=eU0=1,2 eV. W=hf−Kmax=3,1−1,2=1,9 eV. λ0=1240/1,9≈650 nm, no vermelho-alaranjado: é um metal que responde a quase todo o visível (o césio anda perto disso). Conferência: com luz de 650 nm o fóton tem 1,9 eV e Kmax=0, o que é a definição do corte. Fecha.
Cada grandeza tem um dono
Todo item conceitual do tema, sem exceção, se decide na pergunta: quem manda nisso, a frequência ou a intensidade? A tabela é a resposta.
grandeza da luz
o que ela decide
o que ela não decide
frequênciaf (a cor)
se sai elétron (f≥f0) e com quanta energia cada um sai (Kmax=hf−W; U0)
quantos saem
intensidade (o brilho)
quantos elétrons saem por segundo (corrente de saturação)
se sai algum; a energia de cada um; U0
material (W)
a frequência de corte f0=W/h e, para a mesma luz, o Kmax
a inclinação da reta, que é h
A divisão de tarefas que decide praticamente todo item conceitual: frequência dá energia por elétron; intensidade dá número de elétrons. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido: luz fraca, luz forte. Uma placa cuja frequência de corte é f0 recebe luz de frequência f<f0 e não emite. Dobrando a intensidade dessa mesma luz, mantida a frequência, haverá emissão? Raciocínio: a emissão é fóton a fóton, e cada fóton continua com hf<W. Dobrar a intensidade dobra o número de fótons insuficientes; nenhum deles, sozinho, paga a saída. Continua não havendo emissão. Conferência com a equação:Kmax=hf−W<0 não tem solução física, e a intensidade não entra na fórmula. Item que afirmasse “continuará não havendo emissão” seria certo.
Da placa de zinco ao sensor do celular: onde o fotoelétrico trabalha
A fotocélula e a porta que abre sozinha
A fotocélula (ou “olho elétrico”) é a célula fotoelétrica de Lenard virada em interruptor: um feixe de luz, em geral infravermelho ou visível, ilumina a placa emissora e mantém uma corrente; quem interrompe o feixe zera a corrente, e um circuito lê essa queda como sinal. É o princípio das portas automáticas antigas, das contagens de peças em esteiras, dos alarmes de barreira e do acendimento automático da iluminação pública ao cair da tarde (ali a fotocélula lê a luz do céu, não um feixe). O ENEM de 2013 descreveu exatamente essas aplicações num item, pedindo a transformação de energia envolvida: radiante em cinética, a energia do fóton que vira movimento do elétron. Hoje a maioria desses sensores usa semicondutores (fotodiodos) em vez de placas no vácuo, mas a regra é a mesma: fóton entra, elétron se solta, corrente muda.
O sensor da câmera e a foto granulada
O sensor de imagem do celular (CMOS) e o das câmeras profissionais e telescópios (CCD) é uma grade de milhões de minúsculos poços de silício. Em cada poço, um fóton absorvido libera um elétron; o número de elétrons acumulados durante a exposição é o brilho daquele pixel. A câmera conta fótons. É isso que explica a foto granulada de uma noite escura: com pouca luz, chegam poucos fótons a cada poço, e a contagem flutua ao acaso de um pixel para o vizinho (um poço recebe 9, o outro 14, outro 6), o que aparece como ruído. Com muita luz, cada poço recebe dezenas de milhares e a flutuação relativa desaparece. O mesmo sensor, com um fóton de infravermelho, não libera elétron nenhum, porque a energia do fóton não vence a barreira do silício (cerca de 1,1 eV, o que corresponde a λ0≈1100 nm): por isso as câmeras comuns são cegas ao infravermelho mais longo, e por isso as de segurança precisam de LEDs infravermelhos próximos de 850 nm, que ainda estão dentro do alcance.
A visão noturna de tubo intensificador leva o efeito ao extremo: a luz fraca da cena bate num fotocátodo, os fotoelétrons são acelerados e multiplicados milhares de vezes num disco de microcanais e atingem uma tela de fósforo, que reconverte em luz verde a imagem agora brilhante. Cada fóton que entra vira uma cascata de elétrons e milhares de fótons na saída.
A célula solar é parente, não gêmea
A célula fotovoltaica do telhado também começa com um fóton absorvido e um elétron promovido, e é por isso que os textos-base (o ENEM de 2021, a Resenha Energética do PAS 2 de 2024) a apresentam como aplicação do efeito fotoelétrico. Mas há uma diferença que a banca pode explorar. No efeito fotoelétrico externo, o de Lenard e Einstein, o elétron sai do metal para o vácuo. Na célula solar o elétron não sai do material: o fóton (com energia acima da barreira do silício, ~1,1 eV) o promove de uma camada onde ele estava preso para uma camada onde pode se mover, dentro do próprio semicondutor; a junção entre duas regiões dopadas de modo diferente (a junção p-n) empurra esses elétrons para um lado, e a corrente sai por fios, sem vácuo e sem placa coletora. Chama-se efeito fotoelétrico interno ou efeito fotovoltaico. O que é comum aos dois: fóton absorvido inteiro, energia mínima característica do material, luz abaixo do corte não faz nada (o infravermelho distante atravessa a célula sem gerar corrente), e é a absorção que rende, o que explica por que a placa é escura (PAS 2 2024, item 48). O que é diferente: na célula solar não há elétron no vácuo, não há potencial de corte e a energia do fóton acima da barreira vira, na maior parte, calor, o que limita o rendimento a cerca de 20% nos painéis comerciais.
Externo e interno: no efeito de Lenard o elétron sai do metal para o vácuo; na célula solar ele é promovido dentro do silício e a junção p-n o empurra para o circuito. Mesmo limiar de energia por fóton, mecanismos diferentes. Diagrama autoral.
Há ainda a espectroscopia de fotoelétrons, que virou a equação de Einstein do avesso: iluminando um material com raios X ou ultravioleta de energia conhecida e medindo a energia cinética dos elétrons que saem, obtém-se W (ou a energia de ligação de cada elétron), e com isso a composição química da superfície. É ferramenta de laboratório, fora do recorte da prova; fica registrada porque mostra que K=hf−W serve para medir o metal, e não só o fóton.
Uma história com ordem: de Hertz ao Nobel de 1921
A ordem dos acontecimentos importa, porque a banca cobra história da ciência como processo, e o erro plantado é a cronologia invertida ou a atribuição trocada.
1887, Hertz observa o efeito por acaso, ao confirmar as ondas eletromagnéticas de Maxwell: a mesma série de experimentos que consagrou a luz como onda trouxe o fenômeno que exigiria o fóton. Hertz morreu em 1894, aos 36 anos, sem ver a explicação.
1888, Hallwachs mostra que a luz ultravioleta descarrega uma placa de zinco negativa. 1899, Thomson identifica as partículas emitidas com os elétrons.
1900, Planck introduz E=hf para a radiação dos corpos quentes, como hipótese sobre a troca de energia, e não sobre a natureza da luz.
1902, Lenard mede: a energia dos elétrons depende da frequência e não da intensidade; a intensidade só muda o número. Recebe o Nobel de 1905 (pelos raios catódicos), e mais tarde se torna adversário ferrenho de Einstein.
1905, Einstein propõe o quantum de luz e a equação Kmax=hf−W, no mesmo ano da relatividade restrita e do movimento browniano. A hipótese foi recebida com ceticismo pela maioria, Planck incluído.
1916, Millikan mede a reta Kmax×f com precisão e obtém h; a equação de Einstein passa de conjectura a lei experimental.
1921, Nobel de Física a Einstein, “por seus serviços à Física Teórica e especialmente pela descoberta da lei do efeito fotoelétrico”. Não pela relatividade, que o comitê ainda considerava controversa. O prêmio de 1921 foi anunciado e entregue em 1922.
1923, Compton observa fótons de raios X colidindo com elétrons como bolas de bilhar, com transferência de quantidade de movimento; a palavra “fóton” é cunhada em 1926 por Gilbert Lewis. 1924, de Broglie estende a dualidade à matéria, assunto da página irmã.
Nada disso foi obra de um gênio isolado: Einstein explicou um resultado de Lenard usando uma hipótese de Planck sobre um fenômeno descoberto por Hertz, e foi confirmado por Millikan, que queria refutá-lo. Item que diz “Planck propôs a quantização depois que Einstein explicou o fotoelétrico” inverte a ordem e está errado; item que diz que o Nobel de 1921 foi pela relatividade também.
Como a banca pergunta
O efeito fotoelétrico está na matriz do PAS 2 desde dezembro de 2022, dentro do objeto “dualidade onda-partícula”, e até 2025 ainda não rendeu item próprio na 2.ª etapa (o 2024/48 chegou pela interação luz-matéria): objeto de matriz sem histórico é estreia esperada, e estreia costuma vir pelo conceito, não pela conta. O histórico real está todo na 3.ª etapa, sob matrizes antigas, e é dele que se aprende o estilo.
O bloco da célula fotoelétrica (PAS 3 2008, itens 70 a 75). Texto-base descrevendo o aparelho de Lenard com as placas P1 e P2, o amperímetro e o potencial reverso, mais a Figura II com as curvas I1 e I2 para duas intensidades. Os itens julgam o conceito em frases: há corrente sem tensão aplicada (71, C); com R=0 ainda há corrente (72, C); I1 é a luz mais intensa (73, C); a velocidade do elétron mais veloz independe da intensidade (75, C). Os vizinhos 70 (amperímetro de resistência infinita, E) e 74 (sentido da corrente, C) são de circuitos. Seis itens de um só texto-base, todos sem conta.
O gráfico em resposta construída (PAS 3 2009, item 117, tipo D). O gráfico da energia cinética em eV contra a frequência em 1014 Hz para o sódio, e o pedido: modelo matemático, estimativa de h e da energia mínima de extração. A resposta esperada é a reta K=hf−W, a inclinação entre dois pontos e o intercepto.
O gráfico em resposta numérica (PAS 3 2021, item 93, tipo B, resposta 416). O mesmo gráfico, agora com os dados de Millikan e um triângulo cotado: h=1,25/(3×1014)=4,17×10−15 eV·s, vezes 1017. O vizinho 92 (“radiação com frequência igual a 4,0 eV”) foi anulado; o enunciado troca unidade: eV é energia, hertz é frequência. Unidade trocada no enunciado é defeito de fábrica, não armadilha.
O fóton na fotossíntese (PAS 3 2011, itens 96 e 99). A energia E=hf dada no texto, com h e a conversão para eV fornecidas: comparar fótons pelo comprimento de onda (96, C, menor λ, maior energia) e calcular a energia de um fóton de 625 nm, cerca de 2 eV, muito menor que 180 eV (99, C).
A placa fotovoltaica (PAS 2 2024, item 48, C). Sem conta: a placa é escura para absorver mais e refletir menos. É a única aparição do tema na 2.ª etapa até agora, e veio pela interação luz-matéria.
Os itens de treino do livro seguem o mesmo molde: corrente sem tensão (T18), velocidade máxima independente da intensidade (T20), “intensidade aumenta a energia cinética máxima” (T21, E), luz abaixo do corte com intensidade alta (Aquecimento, E), Planck depois de Einstein (Aquecimento, E).
Espere, na 2.ª etapa, um texto-base sobre uma aplicação (célula solar, sensor, fotocélula) ou sobre a história (Einstein, Nobel), seguido de dois ou três itens tipo A que julgam a divisão de tarefas entre frequência e intensidade, mais, talvez, um tipo B com a reta ou com E=hc/λ e os valores de h e c fornecidos.
Os erros que a prova planta
Doze tropeços, um por linha
“Luz mais intensa arranca elétrons mais rápidos.” Errado: arranca mais elétrons, com o mesmo teto hf−W.
“Abaixo da frequência de corte, com intensidade alta ou tempo suficiente, acaba saindo elétron.” Errado: abaixo de f0 não sai nenhum, nunca; não há acúmulo.
“Dobrar a frequência dobra a energia cinética máxima.” Errado: dobra a energia do fóton; Kmax cresce mais que o dobro, porque W é fixo (K de hf−W para 2hf−W).
Confundir W com Kmax.W é o que o metal cobra (fixo para o material); Kmax é o troco, que depende da luz.
Ler a inclinação num gráfico de λ. Só em f a curva é reta com inclinação h; em λ é hipérbole.
Esquecer o 1014 do eixo. O “3” do triângulo é 3×1014 Hz.
Corte invertido em comprimento de onda. O corte é frequência mínima e comprimento de onda máximo: emite se λ≤λ0.
“Só metais alcalinos apresentam efeito fotoelétrico.” Errado: todo metal apresenta, a partir de f0; os alcalinos só têm o corte dentro do visível.
Célula solar como emissão para o vácuo. Na fotovoltaica o elétron não sai do material; é efeito interno, com junção p-n.
“O fotoelétrico provou que a luz não é onda.” Errado: mostrou o lado de partícula na troca de energia; a propagação continua ondulatória.
Nobel de 1921 “pela relatividade”; Planck “depois de” Einstein. Duas inversões históricas.
eV como unidade de frequência (o item anulado de 2021). eV é energia; Hz é frequência; eV·s é a unidade de h.
O essencial em meia página
Fenômeno: luz arranca elétrons de um metal. Quatro fatos: emissão imediata; frequência de corte f0 própria do metal; Kmax cresce com f e não depende da intensidade; corrente de saturação proporcional à intensidade.
Onda clássica erra três vezes: previa energia crescendo com a intensidade, emissão para qualquer cor e atraso de acúmulo.
Fóton:E=hf=hc/λ, h=6,63×10−34 J·s =4,14×10−15 eV·s. Absorvido inteiro por um elétron.
Einstein:Kmax=hf−W. W = função trabalho (2 a 5 eV). Corte: f0=W/h, λ0=hc/W.
Unidades:1 eV =1,6×10−19 J; hc=1240 eV·nm, logo E(eV)=1240/λ(nm). Visível: 1,8 a 3,1 eV. Use os valores que a banca dá.
Gráfico Kmax×f: reta; inclinação h; cruza o eixo em f0; intercepto −W; metais diferentes, retas paralelas.
Potencial de corte:eU0=Kmax; U0 em volts = Kmax em eV. Intensidade muda a saturação, não U0; frequência muda U0.
Cada grandeza tem um dono: frequência decide se e com quanta energia; intensidade decide quantos.
Aplicações: fotocélula (porta automática, poste), sensores CCD/CMOS (contam fótons; ruído no escuro), visão noturna; célula solar é efeito interno (junção p-n, sem vácuo), escura para absorver.
História: Hertz 1887 → Hallwachs 1888 → Planck 1900 → Lenard 1902 → Einstein 1905 → Millikan 1916 → Nobel 1921 (pelo fotoelétrico, não pela relatividade).
Na prova: PAS 3 2008/71–75 (célula, curvas I1 e I2), 2009/117 (tipo D, reta), 2021/93 (tipo B, 416), 2011/96 e 99 (fóton e clorofila); PAS 2 2024/48 (placa escura). Na 2.ª etapa, estreia esperada pelo conceito.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
O Efeito Fotoelétrico Explicado (O Nobel de Einstein)
Ciência Todo Dia · 8:02
Introdução. Oito minutos animados que abrem pela mesma porta desta página: Einstein ganhou o Nobel pelo efeito fotoelétrico, e não pela relatividade, e o vídeo explica o que é o efeito, por que a luz vermelha forte não arranca elétrons e a ultravioleta fraca arranca. A descrição do autor diz exatamente isso (“esse vídeo explica como funciona o efeito fotoelétrico, o Nobel de Einstein”). Cobre as seções “O que se observa”, “O fóton de Einstein” e a história do Nobel, para assistir antes de ler.
Efeito Fotoelétrico: Postulados de Einstein
FisicaModernaUFF · 13:08
Aprofundamento. Treze minutos do canal do curso de Física Moderna da UFF (Universidade Federal Fluminense) com o título “Efeito Fotoelétrico: Postulados de Einstein”: é a aula sobre a hipótese do quantum de luz e a equação de Einstein que a seção “O fóton de Einstein” desta página desenvolve, contada por um professor universitário. A descrição do autor é curta e remete aos filmes históricos do PSSC sobre fótons (“Photons” e “The interference of photons”), que servem de contraponto ao vídeo. Verificação: identidade por oEmbed (título, canal, duração) e descrição lida; a transcrição automática não foi acessível, então o detalhe do conteúdo além do título não foi conferido.
Efeito Fotoelétrico - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 8:26
Aplicação. Oito minutos que apresentam o efeito e, conforme a descrição do autor, as aplicações em “controles remotos, equipamentos de visão noturna, painéis fotoelétricos etc.”, com a equação de Einstein e a frequência de corte no quadro. É o material da seção “Da placa de zinco ao sensor do celular” em vídeo, útil para quem quer ver a fotocélula, a visão noturna e o painel solar ligados à mesma equação antes de separar o efeito externo do interno.
Aula 08: Efeito Fotoelétrico -- Exercícios
Professor Ricardo Explains · 30:30
Resolução. Trinta minutos do prof. Ricardo Avelino Gomes (Instituto de Física da UFG) resolvendo exercícios de efeito fotoelétrico que, nas palavras da descrição, “ilustram o caráter corpuscular da radiação”: energia do fóton, função trabalho, frequência de corte, potencial de corte e a leitura da reta K × f. É o treino das seções “O gráfico K_max × f”, “O potencial de corte” e “Cada grandeza tem um dono”, com o mesmo tipo de dado que o PAS usa (h em eV·s, comprimentos de onda em nm).
A célula fotoelétrica de Lenard, que é a Figura I do bloco do PAS 3 de 2008: luz na placa emissora, elétrons pelo vácuo, corrente no amperímetro. O potencial reverso freia os elétrons; o valor que zera a corrente mede a energia do mais veloz. Diagrama autoral.Três previsões da onda contínua, três resultados contrários. O modelo que explicava toda a óptica não explicava o que acontece quando a luz encontra um elétron. Diagrama autoral.A escala decide o item qualitativo: o fóton arranca elétron dos metais cuja função trabalho fica à sua esquerda. A luz visível (1,8 a 3,1 eV) alcança os alcalinos; o zinco, o cobre e a platina só respondem ao ultravioleta. Diagrama autoral.A assinatura do fóton: K_max cresce linearmente com a frequência, a inclinação é h, o cruzamento é f₀ e o intercepto é −W. Retas de metais diferentes são paralelas. A intensidade não aparece no gráfico: ela só muda quantos elétrons há para medir. Diagrama autoral.À esquerda, a Figura II do PAS 3 de 2008: duas intensidades, duas saturações, um só potencial de corte. À direita, duas frequências: a saturação quase não muda, o corte se desloca. Intensidade mexe na altura; frequência mexe no ponto de corte. Diagrama autoral.A divisão de tarefas que decide praticamente todo item conceitual: frequência dá energia por elétron; intensidade dá número de elétrons. Diagrama autoral.Externo e interno: no efeito de Lenard o elétron sai do metal para o vácuo; na célula solar ele é promovido dentro do silício e a junção p-n o empurra para o circuito. Mesmo limiar de energia por fóton, mecanismos diferentes. Diagrama autoral.
Rota PAS 2
Ótica geométrica e introdução à física moderna · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Ótica geométrica e introdução à física moderna · Dualidade onda-partícula: a luz em pacotes, a matéria em ondas (conceito de fóton e efeito fotoelétrico, exemplo-guia do sódio com W = 3,7 × 10⁻¹⁹ J, figura da energia cinética máxima contra a frequência com inclinação h e intercepto −W, armadilha 'cada grandeza tem um dono', checagem sobre intensidade); Interação luz-matéria: refletir, absorver, transmitir (placa fotovoltaica, item 2024/48); Resolvidos (Luz fraca, luz forte); Aquecimento, itens sobre frequência de corte e ordem Planck–Einstein; Banco de treino T18 a T21
Recorte por assunto: só a metade fotoelétrica da seção de dualidade e a placa fotovoltaica da seção de interação luz-matéria. A hipótese de de Broglie, a fenda dupla, a complementaridade e a linha do tempo Newton–Huygens–Young–Maxwell ficam na página irmã de dualidade onda-partícula; a energia do fóton como propriedade geral da radiação e o espectro ficam em ondas eletromagnéticas. A página acrescenta, ausentes do capítulo, as três previsões clássicas erradas, o aparelho e o potencial de corte, a conversão eV ↔ J com h em eV·s e a régua hc = 1 240 eV·nm, a tabela de funções trabalho, a medida de Millikan, a distinção entre efeito fotoelétrico externo e célula fotovoltaica, sensores de imagem e a história com datas.
Rota PAS 3 — Física moderna: espectro, quantum, átomo e relatividade · O quantum de luz: Planck, Einstein e o efeito fotoelétrico (conceito com h em eV·s, exemplo-guia do sódio com W = 2,3 eV e a inclinação medida com uma régua, lembrete do potencial reverso, itens PAS 3 2008/71, 73, 75 e 76, 2009/117 tipo D, 2021/92 anulado e 2021/93 tipo B, 2011/96, 99 e 106, armadilha 'intensidade conta fótons; frequência dá energia', checagem)
O formalismo do fotoelétrico é hoje objeto da 2.ª etapa; os itens reais estão todos na 3.ª etapa, sob matrizes antigas, e entram aqui com a etapa registrada. Os itens 2011/96 e 2024/48 são reusados por GUID das páginas de ondas eletromagnéticas e de geração de energia elétrica; 2011/106 (fótons na folha) fica com dualidade onda-partícula; 2008/70 e 74 (amperímetro e sentido da corrente) são de circuitos e ficam de fora; 2008/76 (elétron-volt e SI) já está em grandezas físicas e unidades.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2008 (itens 71, 72, 73 e 75, p. 9 do caderno), 2009 (item 117, tipo D, p. 16), 2011 (item 99, p. 21 do caderno Metropolitan), 2021 Parte 2 (itens 92, anulado, e 93, tipo B, p. 11); PAS 2 2024 (item 48)
Itens reproduzidos verbatim com os textos-base; gabaritos conferidos nos arquivos GAB de cada ano e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json (2008: 70 E, 71 a 75 C; 2011/99 C; 2021/93 = 416). Figuras de 2008 (circuito da célula e curvas I1 e I2), 2009 (gráfico da energia cinética em eV contra a frequência em 10¹⁴ Hz, seis pontos alinhados) e 2021 (gráfico de Millikan com o triângulo ΔE = 1,25 eV, Δν = 3 × 10¹⁴ Hz) rasterizadas a 130 dpi e descritas em texto neutro com todos os rótulos impressos.