Dualidade onda-partícula

Guia de estudo · Revisado em 17/09/2026

BNCC · EM13CNT103

Por que a foto que o celular tira numa noite escura sai salpicada de pontinhos aleatórios, como se a luz chegasse em grãos contados um a um, e por que um feixe de elétrons, que todo mundo aprendeu a chamar de partículas, desenha na tela as mesmas franjas claras e escuras que a luz de Young desenhou em 1801?

O que você vai aprender

  • Reconstituir o tribunal histórico da natureza da luz (Huygens e Newton; Young, Maxwell e Hertz; Planck, Einstein e de Broglie) sabendo o que cada experimento provou e por que a interferência decidiu o século XIX a favor da onda.
  • Enunciar a hipótese de Planck e o fóton de Einstein, E = hf = hc/λ, com h = 6,63 × 10⁻³⁴ J·s = 4,14 × 10⁻¹⁵ eV·s, e converter energias entre joule e elétron-volt.
  • Estimar a ordem de grandeza da energia de um fóton por faixa do espectro (rádio ~10⁻⁷ eV, visível 1,8–3,1 eV ≈ 3 a 5 × 10⁻¹⁹ J, raios X ~keV, gama ~MeV) e comparar fótons pela frequência ou pelo comprimento de onda.
  • Contar fótons: N = P·t/(hf), aplicado a lâmpadas, lasers, sensores de câmera e à folha iluminada do item PAS 3 2011/106, e explicar a granulação da foto no escuro como flutuação de contagem.
  • Distinguir o que a frequência decide (energia de cada fóton) do que a intensidade decide (número de fótons por segundo), erro plantado em todo item conceitual do tema.
  • Atribuir momento ao fóton, p = E/c = h/λ, e ler qualitativamente a pressão de radiação e o efeito Compton como comportamento de partícula da luz.
  • Aplicar a relação de de Broglie, λ = h/p = h/(mv), e a forma λ = h/√(2mK) para partículas aceleradas, comparando elétron, próton, bola e pessoa e explicando por que a onda dos corpos macroscópicos não se manifesta.
  • Descrever as evidências da onda de matéria: difração de elétrons em cristais (Davisson e Germer, 1927), dupla fenda com elétrons um a um (Jönsson, 1961; Tonomura, 1989) e o microscópio eletrônico, cuja resolução melhora quando λ diminui.
  • Enunciar o princípio da complementaridade de Bohr: cada experimento revela um dos comportamentos, nunca os dois ao mesmo tempo, e detectar o caminho apaga as franjas; separar dualidade de princípio da incerteza e onda de matéria de onda mecânica.
  • Julgar itens no molde de estreia da banca (tipo A conceitual com texto-base histórico) e resolver os itens reais do recorte: PAS 3 2009/115–116 (de Broglie) e 2011/96 e 106 (fótons).

Aponte o celular para uma rua mal iluminada, à noite, e tire uma foto sem flash. A imagem vem salpicada de pontinhos claros e escuros espalhados ao acaso, um ruído que nenhum ajuste de foco corrige; com o mesmo aparelho, ao meio-dia, a foto sai lisa. O sensor não mudou. O que mudou foi a quantidade de luz que chegou a cada pixel: de dia, bilhões de pacotes de energia por pixel, e o acaso desaparece na média; de noite, algumas dezenas, e cada pacote que chega (ou deixa de chegar) faz diferença. A luz que a página de ondas eletromagnéticas descreveu como onda, com frequência, comprimento de onda e velocidade cc, chega ao sensor como uma chuva de grãos contados um a um. E o contrário também é verdade: um feixe de elétrons, que qualquer aluno aprendeu a tratar como bolinhas com massa e carga, lançado contra duas fendas finas, desenha na tela as mesmas franjas claras e escuras que a luz de Thomas Young desenhou em 1801. Grãos que se comportam como ondas, ondas que se comportam como grãos. Esse é o assunto desta página.

Esta é a página do assunto dualidade onda-partícula: a história do tribunal em que a luz foi julgada onda ou corpúsculo e o que cada experimento provou; a hipótese de Planck e o fóton de Einstein, com a energia E=hf=hc/λE = hf = hc/\lambda e suas ordens de grandeza; a contagem de fótons numa lâmpada, num laser e num sensor; o momento do fóton, p=h/λp = h/\lambda, com a pressão de radiação e o efeito Compton; a onda de matéria de de Broglie, λ=h/(mv)\lambda = h/(mv), e a razão pela qual não vemos a onda das coisas grandes; as evidências (difração de elétrons, dupla fenda com elétrons um a um, microscópio eletrônico); e a leitura correta da complementaridade, sem misticismo. O que fica nas páginas vizinhas: o espectro eletromagnético e c=λfc = \lambda f estão em ondas eletromagnéticas; a interferência de Young com luz, a difração e a condição de franjas estão em fenômenos ondulatórios; o vocabulário geral de ondas, em ondas. O efeito fotoelétrico, que é a evidência mais direta do fóton (função trabalho, frequência de corte, Kmax=hfWK_{\max} = hf - W, o gráfico K×fK \times f e os experimentos de Lenard e Millikan), tem página irmã em preparação; aqui ele aparece apenas como testemunha, no ponto exato em que o tribunal precisa dele.

Onda ou corpúsculo? O tribunal da luz durou dois séculos

A pergunta “o que é a luz” tem dois réus antigos. Em 1678, Christiaan Huygens propôs que a luz é uma onda que se propaga num meio, e explicou com isso a reflexão e a refração: cada ponto da frente de onda é fonte de ondinhas secundárias, e a nova frente é a envoltória delas. Em 1704, Isaac Newton publicou o Opticks defendendo a luz como um jato de corpúsculos, partículas minúsculas lançadas pela fonte, e explicou com isso a propagação em linha reta, a reflexão (a bolinha quica) e, com um argumento errado sobre a velocidade, a refração. A autoridade de Newton pesou mais que a de Huygens, e o século XVIII foi corpuscular.

Em 1801, Thomas Young fez a luz passar por duas fendas próximas e projetou o resultado numa tela: em vez de duas faixas claras, apareceu uma sequência alternada de franjas claras e escuras. Isso é o ponto decisivo do julgamento, e vale entender exatamente o que ele prova. Se a luz fosse um jato de bolinhas, abrir uma segunda fenda só poderia acrescentar bolinhas à tela: nenhum ponto ficaria mais escuro por receber luz de duas fendas em vez de uma. Mas há pontos da tela que ficam escuros justamente quando as duas fendas estão abertas, e voltam a clarear se uma delas é tapada. Luz mais luz dando escuro é a assinatura da interferência destrutiva, e interferência é coisa de onda: duas ondas que chegam em oposição de fase se cancelam. A página de fenômenos ondulatórios tem a geometria das franjas; aqui importa o veredito: a partir de Young, a luz é onda. Fresnel, nos anos 1810 e 1820, deu à onda a matemática da difração; em 1865, James Clerk Maxwell mostrou que campos elétricos e magnéticos oscilantes se propagam a uma velocidade que, calculada a partir de constantes elétricas, dava exatamente a velocidade da luz medida, e concluiu que a luz é uma onda eletromagnética; em 1887, Heinrich Hertz produziu e detectou essas ondas em laboratório. O caso parecia encerrado.

O que cada lado explica, e o que só um deles explica

Os dois modelos explicam reflexão, refração e propagação retilínea (Huygens com frentes de onda, Newton com bolinhas). Por isso esses fenômenos não decidem nada.

Só a onda explica interferência (pontos escuros onde chegam duas luzes), difração (a luz contorna obstáculos e se espalha ao passar por fendas estreitas) e polarização (a onda eletromagnética é transversal). Por isso Young e Fresnel decidiram o século XIX a favor da onda.

Só o grão explica a troca de energia em pacotes definidos: o efeito fotoelétrico (a energia de cada elétron arrancado depende da frequência da luz, não da intensidade), a radiação dos corpos quentes (o espectro do corpo negro só sai certo se a energia for trocada em múltiplos de hfhf) e o efeito Compton (a luz espalhada por elétrons perde energia como uma bola que colide). Por isso Planck e Einstein reabriram o processo no século XX.

O veredito final não é “a onda ganhou” nem “o grão ganhou”: é que o objeto real, o fóton, não é nenhum dos dois modelos clássicos, e cada experimento revela um dos lados.

Linha do tempo horizontal de 1670 a 1930 com nove marcos em três cores. Em azul, os marcos da luz como onda: Huygens 1678, ondas de luz; Young 1801, interferência em duas fendas; Maxwell 1865, luz é onda eletromagnética; Hertz 1887, ondas eletromagnéticas produzidas em laboratório. Em laranja, os marcos da luz como corpúsculo ou grão: Newton 1704, corpúsculos, no Opticks; Planck 1900, energia trocada em quanta E igual a h f; Einstein 1905, o fóton explica o fotoelétrico. Em verde, os marcos da matéria como onda: de Broglie 1924, lambda igual a h sobre p para toda partícula; Davisson e Germer 1927, difração de elétrons em cristal de níquel, e Bohr 1927, complementaridade. Uma faixa sombreada marca o século XIX como período em que a onda dominou.
Dois séculos de tribunal: a onda vence com Young, Maxwell e Hertz; o grão volta com Planck e Einstein; de Broglie estende a dualidade à matéria e Davisson e Germer confirmam. Cada passo respondeu a um experimento que o anterior não explicava. Diagrama autoral.

A reabertura veio de dois problemas que a onda de Maxwell não resolvia. O primeiro é a radiação dos corpos quentes: um pedaço de ferro na forja brilha vermelho, depois laranja, depois branco, e a teoria ondulatória clássica, aplicada à luz emitida por uma cavidade aquecida (o corpo negro), previa energia infinita nas frequências altas, o que ficou conhecido como catástrofe do ultravioleta. O segundo é o efeito fotoelétrico, que o próprio Hertz encontrou por acaso em 1887: luz ultravioleta arranca elétrons de um metal, e o comportamento não bate com uma onda contínua, porque luz vermelha intensa não arranca nada e luz ultravioleta fraca arranca imediatamente. Os dois problemas têm a mesma resposta, e ela cabe numa constante minúscula.

Planck: a energia da luz vem em degraus, e o degrau é hf

Em dezembro de 1900, Max Planck conseguiu uma fórmula que reproduzia o espectro do corpo negro em todas as frequências. Para chegar a ela precisou supor que os osciladores das paredes da cavidade só trocam energia com a luz de frequência ff em pacotes de tamanho hfhf, nunca em quantidades intermediárias. O número hh que ele ajustou aos dados é a constante de Planck, e a suposição, que ele mesmo tratou por anos como truque matemático, é o nascimento da física quântica.

O quantum de energia e a constante de Planck

A energia trocada por radiação de frequência ff vem em múltiplos inteiros de

E=hf,E = h f,

em que

h=6,63×1034 J⋅s=4,14×1015 eV⋅s.h = 6{,}63 \times 10^{-34}\ \text{J·s} = 4{,}14 \times 10^{-15}\ \text{eV·s}.

O elétron-volt é a energia que um elétron ganha ao atravessar 1 volt: 1 eV=1,6×10191\ \text{eV} = 1{,}6 \times 10^{-19} J. Ele é a unidade natural da escala atômica, e hh em eV·s poupa contas quando o resultado é pedido em eV. Se a banca fornecer outros valores (a prova de 2011 deu h=6,625×1034h = 6{,}625 \times 10^{-34} J·s e 1 J=6,24×10181\ \text{J} = 6{,}24 \times 10^{18} eV), use os valores fornecidos.

A unidade de hh é energia × tempo, isto é, joule-segundo; em unidades de base do SI, J⋅s=kg⋅m2/s\text{J·s} = \text{kg·m}^2\text{/s}. Essa mesma combinação é a de um momento angular (kg⋅m2/s\text{kg·m}^2\text{/s}), e não é coincidência: nas órbitas de Bohr, o momento angular do elétron é múltiplo de h/2πh/2\pi.

Por que ninguém tinha percebido antes que a energia vem em degraus? Porque o degrau é ridiculamente pequeno. Uma corda de violão que vibra a 440 Hz troca energia em pacotes de 6,63×1034×4403×10316{,}63 \times 10^{-34} \times 440 \approx 3 \times 10^{-31} J, contra os milijoules da vibração: os degraus são cerca de 102710^{27} vezes menores que a energia total, e a escada parece uma rampa. Para a luz visível, com f5×1014f \approx 5 \times 10^{14} Hz, o degrau é 3×10193 \times 10^{-19} J; ainda minúsculo em joules, mas comparável às energias de ligação dos elétrons nos átomos, que são de alguns elétron-volts. Por isso a quantização aparece na interação da luz com a matéria e não aparece numa corda de violão.

Einstein: a luz é uma chuva de fótons, cada um com E = hf

Planck quantizou a troca de energia entre a luz e a matéria, mas continuou pensando a luz como onda. Em 1905, Albert Einstein deu o passo que Planck não quis dar: a própria luz é feita de grãos de energia, que depois receberam o nome de fótons. Cada fóton de luz de frequência ff carrega exatamente E=hfE = hf; um feixe intenso tem muitos fótons por segundo, não fótons mais energéticos. Com essa ideia Einstein explicou o efeito fotoelétrico em uma linha (o elétron absorve um fóton e sai com a energia que sobra depois de pagar a saída do metal), e foi por isso, não pela relatividade, que recebeu o Nobel de 1921. Os detalhes desse experimento ficam na página irmã; aqui interessa o objeto que ele revelou.

O fóton

Um fóton é o quantum da radiação eletromagnética de frequência ff e comprimento de onda λ\lambda (no vácuo, c=λfc = \lambda f). Sua energia é

E=hf=hcλ.E = h f = \frac{h c}{\lambda}.

A energia cresce com a frequência e diminui com o comprimento de onda: luz violeta (λ400\lambda \approx 400 nm) tem fótons quase duas vezes mais energéticos que luz vermelha (λ700\lambda \approx 700 nm). Um produto que vale decorar em eV: hc=4,14×1015×3×108=1,24×106hc = 4{,}14 \times 10^{-15} \times 3 \times 10^{8} = 1{,}24 \times 10^{-6} eV·m =1240= 1240 eV·nm. Logo

E(eV)=1240λ(nm).E\,(\text{eV}) = \frac{1240}{\lambda\,(\text{nm})}.

Fóton de 620 nm: 2,0 eV. Fóton de 310 nm: 4,0 eV. Fóton de 0,1 nm (raios X): 12 400 eV =12,4= 12{,}4 keV.

Um feixe de potência PP (energia por segundo) transporta N=P/(hf)N = P/(hf) fótons por segundo. A frequência decide a energia de cada fóton; a intensidade decide quantos fótons chegam.

Escala logarítmica horizontal do espectro eletromagnético, do rádio aos raios gama, com três linhas de valores alinhadas: comprimento de onda de 100 metros a 1 picômetro, frequência de 3 megahertz a 3 vezes 10 elevado a 20 hertz, e energia de um fóton de 10 elevado a menos 8 elétron-volt a 1 megaelétron-volt. As faixas rádio, micro-ondas, infravermelho, visível, ultravioleta, raios X e gama estão coloridas, com o visível ampliado num detalhe que vai do vermelho, 700 nanômetros e 1,8 elétron-volt, ao violeta, 400 nanômetros e 3,1 elétron-volt. Marcadores indicam a energia de ligação de elétrons em átomos, alguns elétron-volts, e a energia térmica à temperatura ambiente, cerca de 0,025 elétron-volt.
A mesma escala lida três vezes: comprimento de onda, frequência e energia do fóton. Um fóton de rádio FM carrega 4×1074 \times 10^{-7} eV, um de luz visível cerca de 2 eV, um de raios X alguns keV. A quantização só "aparece" quando a energia do fóton se compara às energias em jogo na matéria. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: o fóton de luz verde. Um laser aponta luz verde de λ=500\lambda = 500 nm. Qual é a energia de cada fóton, em joule e em elétron-volt? Conta: f=c/λ=3×108/(5×107)=6×1014f = c/\lambda = 3 \times 10^{8} / (5 \times 10^{-7}) = 6 \times 10^{14} Hz. E=hf=6,63×1034×6×1014=3,98×1019E = hf = 6{,}63 \times 10^{-34} \times 6 \times 10^{14} = 3{,}98 \times 10^{-19} J 4,0×1019\approx 4{,}0 \times 10^{-19} J. Em eV: 3,98×1019/1,6×1019=2,53{,}98 \times 10^{-19} / 1{,}6 \times 10^{-19} = 2{,}5 eV. Conferência pelo atalho: 1240/500=2,481240/500 = 2{,}48 eV. Bate. Guarde a ordem de grandeza: fóton visível 1019\sim 10^{-19} J, entre 2 e 3 eV.

Exemplo resolvido: comparando fótons. Quantas vezes um fóton de raios X de 0,05 nm é mais energético que um fóton de luz vermelha de 650 nm? Conta: como E1/λE \propto 1/\lambda, a razão é 650/0,05=13000650 / 0{,}05 = 13\,000. Nem precisa de hh: para comparar dois fótons basta a razão inversa dos comprimentos de onda (ou a razão direta das frequências). Conferência: 1240/650=1,91240/650 = 1{,}9 eV e 1240/0,05=248001240/0{,}05 = 24\,800 eV; 24800/1,91300024\,800/1{,}9 \approx 13\,000. É por isso que raios X atravessam tecidos e quebram moléculas de DNA, e luz vermelha não: cada grão de raio X carrega milhares de vezes a energia de uma ligação química.

E = hf não é intensidade

A confusão mais rentável para a banca: tratar “luz forte” como “fótons fortes”. Dobrar a potência de uma lâmpada, mantida a cor, dobra o número de fótons emitidos por segundo e não muda em nada a energia de cada um; trocar a lâmpada vermelha por uma violeta de mesma potência troca fótons de 1,8 eV por fótons de 3,1 eV e reduz o número deles por segundo na razão inversa. O item que diz “quanto mais intensa a luz, mais energéticos os fótons” está errado; o que diz “a energia de um fóton depende apenas da frequência” está certo. Um sinal de rádio de 100 kW é um oceano de fótons individualmente inofensivos (4×1074 \times 10^{-7} eV cada, milhões de vezes abaixo de qualquer ligação química); um feixe fraco de ultravioleta é uma chuva rala de fótons que quebram moléculas. Intensidade conta grãos; frequência mede o tamanho de cada grão.

Quantos fótons há numa lâmpada? A granulação da foto no escuro

Se a luz vem em grãos, dá para contá-los. A regra é a do parágrafo anterior: o número de fótons emitidos (ou recebidos) num tempo tt por uma fonte de potência PP é a energia total dividida pela energia de um fóton,

N=Pthf=Ptλhc.N = \frac{P\,t}{h f} = \frac{P\,t\,\lambda}{h c}.

Exemplo resolvido: a lâmpada da sala. Uma lâmpada de LED emite 8 W de luz visível, que vamos tratar como se toda ela tivesse 550 nm (o meio do visível, amarelo-esverdeado). Quantos fótons saem por segundo? Conta: energia por fóton =1240/550=2,25= 1240/550 = 2{,}25 eV =2,25×1,6×1019=3,6×1019= 2{,}25 \times 1{,}6 \times 10^{-19} = 3{,}6 \times 10^{-19} J. Fótons por segundo =8/3,6×10192,2×1019= 8 / 3{,}6 \times 10^{-19} \approx 2{,}2 \times 10^{19}. Conferência: 2,2×1019×3,6×1019=7,92{,}2 \times 10^{19} \times 3{,}6 \times 10^{-19} = 7{,}9 J/s. Bate. Vinte e dois bilhões de bilhões de grãos por segundo: nessa escala, ninguém percebe grão nenhum, como não percebe as moléculas de água numa torneira aberta.

Exemplo resolvido: o laser de apresentação. Um apontador laser vermelho de 1 mW e 663 nm. Conta: E=hc/λ=6,63×1034×3×108/(6,63×107)=3,0×1019E = hc/\lambda = 6{,}63 \times 10^{-34} \times 3 \times 10^{8} / (6{,}63 \times 10^{-7}) = 3{,}0 \times 10^{-19} J (o 6,63 cancela; é por isso que a banca gosta de 663 nm). N=103/3×1019=3,3×1015N = 10^{-3} / 3 \times 10^{-19} = 3{,}3 \times 10^{15} fótons por segundo. Ainda são milhões de bilhões por segundo.

Agora a câmera no escuro. Um pixel do sensor do celular tem alguns micrômetros de lado; numa cena noturna, chegam a ele, durante o tempo de exposição, talvez 20 ou 50 fótons. A chegada é aleatória, como gotas de chuva num azulejo: se a média é 25 fótons, um pixel recebe 19, o vizinho 31, o outro 24. Essa flutuação estatística (para NN fótons esperados, o desvio típico é cerca de N\sqrt{N}) é a granulação: com 25 fótons esperados, a flutuação de 25=5\sqrt{25} = 5 é 20% do sinal e cada pixel sai de um tom diferente; com 10610^{6} fótons de dia, a flutuação de 1 000 é 0,1% e a imagem sai lisa. O ruído da foto no escuro não é defeito do aparelho: é a luz mostrando que vem em grãos. O mesmo raciocínio vale para o olho, que no limite da escuridão dispara com poucas dezenas de fótons na retina, e para os telescópios, que contam fótons de galáxias distantes um a um durante horas.

Quatro painéis quadrados lado a lado mostrando a mesma imagem simples, um disco claro sobre fundo mais escuro com um gradiente, reconstruída com números crescentes de fótons: cerca de 300 fótons no primeiro painel, em que só se veem pontos esparsos e o disco mal se distingue; 3 mil no segundo, em que o disco aparece granulado; 30 mil no terceiro, com granulação fina; e 3 milhões no quarto, em que a imagem é lisa. Sob cada painel está o número de fótons e a flutuação relativa raiz de N sobre N, de cerca de 6 por cento a 0,06 por cento.
A mesma cena com 300, 3 mil, 30 mil e 3 milhões de fótons: a granulação é a flutuação estatística N/N\sqrt{N}/N da contagem, grande quando NN é pequeno. A foto no escuro é uma contagem de fótons com poucos fótons. Diagrama autoral (simulação de contagem aleatória).
Onde a luz é contada um grão por vez

O sensor da câmera e a célula fotoelétrica da porta automática convertem cada fóton absorvido (ou uma fração fixa deles) em um elétron; a corrente que sai é proporcional ao número de fótons por segundo, isto é, à intensidade, e o sensor precisa de fótons com energia mínima para funcionar, o que é decidido pela frequência. O detector de fumaça óptico mede a luz espalhada pela fumaça, fóton a fóton. A placa fotovoltaica absorve fótons e libera elétrons no semicondutor; fótons de energia menor que a “banda proibida” do silício (cerca de 1,1 eV, isto é, infravermelho além de 1 100 nm) atravessam a placa sem gerar nada, por mais intensos que sejam. E a fotossíntese do item PAS 3 2011/106 é uma conta de fótons: a folha recebe energia por segundo, cada fóton de 500 nm entrega 4×10194 \times 10^{-19} J, e o número de fótons por hora sai da divisão.

Exemplo resolvido no molde do PAS (item tipo B, 2011/106, adaptado). Uma folha em forma de losango, com diagonais de 8 cm e 6 cm, é iluminada em toda a superfície por luz monocromática de 500 nm com intensidade de 200 J·s⁻¹·cm⁻². Quantos fótons a atingem em 1 hora? Conta: área do losango =(8×6)/2=24= (8 \times 6)/2 = 24 cm². Potência recebida =200×24=4800= 200 \times 24 = 4\,800 J/s. Energia em 1 h =4800×3600=1,73×107= 4\,800 \times 3\,600 = 1{,}73 \times 10^{7} J. Fóton de 500 nm: f=6×1014f = 6 \times 10^{14} Hz, E=6,625×1034×6×1014=3,98×1019E = 6{,}625 \times 10^{-34} \times 6 \times 10^{14} = 3{,}98 \times 10^{-19} J (com o hh que a prova deu). N=1,73×107/3,98×1019=4,35×1025N = 1{,}73 \times 10^{7} / 3{,}98 \times 10^{-19} = 4{,}35 \times 10^{25}. A prova pedia o valor dividido por 102310^{23}, com a parte fracionária desprezada: 434. Conferência: a geometria é só a área; a física é só N=Etotal/(hf)N = E_{\text{total}}/(hf); e a ordem de grandeza (102510^{25} fótons por hora numa folha de 24 cm² sob 200 W/cm², uma intensidade absurda, mil vezes o Sol) é coerente com os 101910^{19} por segundo da lâmpada de 8 W.

O fóton também tem momento: pressão de radiação e efeito Compton

Uma partícula que carrega energia e se move carrega também quantidade de movimento. O fóton não tem massa, mas a relatividade de Einstein dá, para uma partícula sem massa, E=pcE = pc; combinando com E=hfE = hf e c=λfc = \lambda f:

Momento do fóton

p=Ec=hfc=hλ.p = \frac{E}{c} = \frac{h f}{c} = \frac{h}{\lambda}.

Quanto menor o comprimento de onda, maior o momento de cada fóton. Um fóton de luz verde (500 nm) tem p=6,63×1034/5×107=1,3×1027p = 6{,}63 \times 10^{-34} / 5 \times 10^{-7} = 1{,}3 \times 10^{-27} kg·m/s. É um número absurdamente pequeno, mas há muitos fótons, e a soma dos empurrões é uma força mensurável: a pressão de radiação. Um feixe de potência PP totalmente absorvido por uma superfície empurra-a com força F=P/cF = P/c (cada fóton entrega p=E/cp = E/c; por segundo chega energia PP); se a superfície é um espelho perfeito, o fóton volta com momento invertido e a força dobra, F=2P/cF = 2P/c.

Exemplo resolvido: o empurrão de um laser. Um laser de 1 W incide sobre uma placa negra. Qual é a força sobre a placa? Conta: F=P/c=1/(3×108)=3,3×109F = P/c = 1 / (3 \times 10^{8}) = 3{,}3 \times 10^{-9} N. Três bilionésimos de newton, o peso de um grão de poeira; um laser industrial de 1 kW empurraria com 3 µN. Conferência com os fótons: o laser vermelho de 663 nm de 1 W emite 3,3×10183{,}3 \times 10^{18} fótons por segundo, cada um com p=h/λ=6,63×1034/6,63×107=1027p = h/\lambda = 6{,}63 \times 10^{-34}/6{,}63 \times 10^{-7} = 10^{-27} kg·m/s; produto: 3,3×1093{,}3 \times 10^{-9} N. Bate. A luz do Sol, com cerca de 1 400 W/m² fora da atmosfera, exerce sobre um espelho de 1 m² uma força de 2×1400/3×1089×1062 \times 1\,400 / 3 \times 10^{8} \approx 9 \times 10^{-6} N; sobre uma vela de 100 m², quase 1 mN, permanente e sem combustível. É o princípio das velas solares (a sonda japonesa IKAROS, em 2010, e a LightSail 2, em 2019, navegaram só com a pressão da luz) e uma das razões pelas quais a cauda de poeira de um cometa aponta para longe do Sol.

O momento do fóton tem uma confirmação direta, e ela é a mais “corpuscular” de todas. Em 1923, Arthur Compton fez raios X incidirem sobre grafite e mediu a radiação espalhada: parte dela saía com comprimento de onda maior que o incidente, tanto maior quanto maior o ângulo de espalhamento. Uma onda clássica espalhada por elétrons deveria manter a frequência (o elétron oscila na frequência da onda e reemite na mesma frequência). O resultado só sai certo tratando o fenômeno como uma colisão entre duas partículas, o fóton e um elétron quase livre, com conservação de energia e de quantidade de movimento: o fóton cede parte da energia ao elétron, que recua; com menos energia, o fóton espalhado tem ff menor e λ\lambda maior. Na página basta o qualitativo: Compton é o fóton se comportando como bola de bilhar, e é por ele que os livros dizem que o momento p=h/λp = h/\lambda é real, e não um artifício. (Compton ganhou o Nobel de 1927 por isso.)

Dois painéis. À esquerda, pressão de radiação: um feixe de fótons desenhados como pequenas setas onduladas chega da esquerda a uma placa negra vertical e é absorvido, com uma seta de força F igual a P sobre c apontando para a direita; abaixo, o mesmo feixe chega a um espelho e volta, com a força F igual a 2 P sobre c, o dobro. À direita, efeito Compton: um fóton incidente de comprimento de onda lambda, desenhado como onda curta, chega a um elétron em repouso; depois da colisão, o fóton sai desviado de um ângulo teta com comprimento de onda lambda linha maior que lambda, desenhado como onda mais longa, e o elétron recua na direção oposta com a quantidade de movimento p do elétron. Um rótulo diz que energia e quantidade de movimento se conservam como numa colisão entre duas partículas.
À esquerda, a soma de muitos empurrões de p=h/λp = h/\lambda: pressão de radiação, F=P/cF = P/c na absorção e 2P/c2P/c na reflexão. À direita, o efeito Compton: o fóton colide com um elétron, cede energia e momento e sai com λ>λ\lambda' > \lambda, exatamente como uma partícula. Diagrama autoral.

De Broglie: se a onda tem lado de partícula, a partícula tem lado de onda

Em 1924, na tese de doutorado, Louis de Broglie fez a pergunta simétrica. A luz, que todos tomavam por onda, tinha revelado um lado de grão com E=hfE = hf e p=h/λp = h/\lambda. E se a matéria, que todos tomavam por grão, tivesse um lado de onda com as mesmas relações? Bastava ler p=h/λp = h/\lambda ao contrário:

A onda de matéria de de Broglie

Toda partícula com quantidade de movimento p=mvp = mv tem associado um comprimento de onda de de Broglie

λ=hp=hmv.\lambda = \frac{h}{p} = \frac{h}{m v}.

Massa maior ou velocidade maior: onda mais curta. A frequência associada é f=E/hf = E/h, a mesma relação do fóton. Para uma partícula acelerada a partir do repouso, é mais prático escrever o momento em função da energia cinética K=12mv2=p2/2mK = \tfrac{1}{2}mv^{2} = p^{2}/2m, isto é, p=2mKp = \sqrt{2mK}:

λ=h2mK.\lambda = \frac{h}{\sqrt{2 m K}}.

Um elétron acelerado por uma diferença de potencial VV ganha K=eVK = eV, e a fórmula dá λ1,23 nmV(volts)\lambda \approx \dfrac{1{,}23\ \text{nm}}{\sqrt{V\,(\text{volts})}}: 100 V produzem 0,123 nm, 10 000 V produzem 0,0123 nm (a fórmula não relativística vale bem até uns 10 kV).

A ideia parecia absurda e não era: ela explicava, sem custo adicional, por que as órbitas de Bohr eram só aquelas. Um elétron em órbita circular é uma onda que precisa fechar sobre si mesma; só cabem na órbita as circunferências que contêm um número inteiro de comprimentos de onda, 2πr=nλ2\pi r = n\lambda, e disso sai a quantização do momento angular de Bohr. Einstein leu a tese e a recomendou; três anos depois, a onda foi vista.

Exemplo resolvido: elétron contra bola de futebol. (a) Um elétron (m=9,1×1031m = 9{,}1 \times 10^{-31} kg) a 10610^{6} m/s. (b) Uma bola de futebol de 0,4 kg a 20 m/s. Conta (a): λ=6,63×1034/(9,1×1031×106)=6,63×1034/9,1×1025=7,3×1010\lambda = 6{,}63 \times 10^{-34} / (9{,}1 \times 10^{-31} \times 10^{6}) = 6{,}63 \times 10^{-34} / 9{,}1 \times 10^{-25} = 7{,}3 \times 10^{-10} m =0,73= 0{,}73 nm. É a escala do átomo (o diâmetro do átomo de hidrogênio é 0,1 nm; a distância entre átomos num cristal é de 0,2 a 0,4 nm), e por isso um cristal funciona para o elétron como uma rede de difração funciona para a luz. Conta (b): λ=6,63×1034/(0,4×20)=6,63×1034/8=8,3×1035\lambda = 6{,}63 \times 10^{-34} / (0{,}4 \times 20) = 6{,}63 \times 10^{-34}/8 = 8{,}3 \times 10^{-35} m. Comparação: o núcleo atômico tem 101510^{-15} m; a onda da bola é cerca de 101910^{19} vezes menor que o núcleo. Não existe fenda, obstáculo nem instrumento nessa escala, e a onda da bola nunca se manifesta. Conferência: a razão entre as duas ondas deve ser a razão inversa dos momentos: pbola/peleˊtron=8/9,1×10258,8×1024p_{\text{bola}}/p_{\text{elétron}} = 8 / 9{,}1 \times 10^{-25} \approx 8{,}8 \times 10^{24}, e 7,3×1010/8,3×10358,8×10247{,}3 \times 10^{-10} / 8{,}3 \times 10^{-35} \approx 8{,}8 \times 10^{24}. Bate.

Exemplo resolvido: o elétron do microscópio. Que comprimento de onda tem um elétron acelerado por 150 V? Conta: K=eV=1,6×1019×150=2,4×1017K = eV = 1{,}6 \times 10^{-19} \times 150 = 2{,}4 \times 10^{-17} J. p=2mK=2×9,1×1031×2,4×1017=4,4×1047=6,6×1024p = \sqrt{2mK} = \sqrt{2 \times 9{,}1 \times 10^{-31} \times 2{,}4 \times 10^{-17}} = \sqrt{4{,}4 \times 10^{-47}} = 6{,}6 \times 10^{-24} kg·m/s. λ=6,63×1034/6,6×1024=1,0×1010\lambda = 6{,}63 \times 10^{-34} / 6{,}6 \times 10^{-24} = 1{,}0 \times 10^{-10} m =0,10= 0{,}10 nm. Conferência pelo atalho: 1,23/150=1,23/12,2=0,101{,}23/\sqrt{150} = 1{,}23/12{,}2 = 0{,}10 nm. Bate. Cento e cinquenta volts, uma tensão de tomada, e o elétron já tem onda do tamanho de um átomo: foi com 54 V que Davisson e Germer viram a difração.

Escala logarítmica horizontal de comprimentos, de 10 elevado a menos 40 metros a 10 elevado a menos 2 metros, com marcos de referência acima: núcleo atômico 10 elevado a menos 15, átomo 10 elevado a menos 10, vírus 10 elevado a menos 7, fio de cabelo 10 elevado a menos 4. Abaixo, barras horizontais com o comprimento de onda de de Broglie de seis objetos: elétron acelerado por 150 volts, 0,1 nanômetro; elétron a 10 elevado a 6 metros por segundo, 0,7 nanômetro; nêutron térmico, 0,18 nanômetro; molécula de fulereno C60 a 200 metros por segundo, 2,8 picômetros; bola de futebol de 0,4 quilograma a 20 metros por segundo, 8 vezes 10 elevado a menos 35 metros; pessoa de 70 quilogramas a 1 metro por segundo, 9 vezes 10 elevado a menos 36 metros. Uma linha vertical tracejada separa a região em que a onda é comparável a estruturas da matéria, onde a difração acontece, da região em que ela é menor que qualquer coisa que existe.
A onda de de Broglie de cada objeto contra o tamanho das coisas. Elétrons lentos, nêutrons e até moléculas grandes têm λ\lambda comparável a distâncias atômicas e difratam; a bola e a pessoa têm ondas 101910^{19} a 102010^{20} vezes menores que um núcleo, e nada no universo as revela. Diagrama autoral.
A fração julga sozinha, e vale para tudo

Três erros plantados de fábrica. (1) “Quanto maior a massa, maior o comprimento de onda”: é o contrário, λ=h/(mv)\lambda = h/(mv) cai com a massa e com a velocidade; foi assim que o item PAS 3 2009/116 pôs a onda do elétron 100 vezes menor que a da bola de boliche, quando ela é 103010^{30} vezes maior. (2) “A hipótese de de Broglie vale só para elétrons”: ela vale para toda a matéria, e foi verificada com nêutrons (difração de nêutrons é rotina em cristalografia desde os anos 1940), com átomos de hélio, com moléculas de fulereno C₆₀ (1999) e com moléculas orgânicas de milhares de unidades de massa atômica (2019). Para a bola de futebol ela também vale; só não se manifesta. (3) “Mesma energia cinética, mesma onda”: com KK igual, λ=h/2mK\lambda = h/\sqrt{2mK} é maior para a partícula mais leve; um elétron e um próton com a mesma energia cinética têm ondas na razão mp/me=183643\sqrt{m_p/m_e} = \sqrt{1836} \approx 43, a do elétron 43 vezes maior. Com a mesma velocidade, a razão é mp/me=1836m_p/m_e = 1836.

As evidências: um cristal, duas fendas e um microscópio

Uma hipótese vira física quando um experimento a confirma, e a onda de matéria teve três confirmações, cada uma de um jeito.

Difração em cristal (Davisson e Germer, 1927). Nos laboratórios da Bell, Clinton Davisson e Lester Germer bombardeavam um alvo de níquel com elétrons lentos e mediam quantos elétrons saíam em cada direção. Depois de um acidente que fez o níquel recristalizar em cristais grandes, o detector passou a registrar picos de intensidade em ângulos definidos: com elétrons acelerados por 54 V, um pico nítido a 50° do feixe. Uma chuva de bolinhas rebatendo numa superfície irregular não faz picos; uma onda refletida pelos planos regulares de átomos do cristal faz, exatamente como raios X (a lei de Bragg, 2dsenθ=nλ2d\,\mathrm{sen}\,\theta = n\lambda, que já se usava para raios X). O λ\lambda que sai da geometria do pico, 0,165 nm, bateu com o de de Broglie para 54 V (1,23/54=0,1671{,}23/\sqrt{54} = 0{,}167 nm). No mesmo ano, George Paget Thomson, na Escócia, obteve anéis de difração fazendo elétrons atravessarem folhas metálicas finas. Davisson e Thomson dividiram o Nobel de 1937; de Broglie já tinha recebido o de 1929. Há uma ironia registrada em todos os livros: J. J. Thomson ganhou o Nobel por mostrar que o elétron é partícula, e o filho, G. P. Thomson, por mostrar que ele é onda.

Dois painéis. À esquerda, o esquema do experimento de Davisson e Germer: um canhão de elétrons à esquerda, com a tensão de aceleração V igual a 54 volts indicada, lança um feixe horizontal sobre um cristal de níquel desenhado como uma rede regular de pontos; um detector móvel percorre um arco graduado em torno do cristal, com o ângulo fi medido em relação ao feixe incidente, e um raio espalhado sai a 50 graus até o detector. À direita, um gráfico da intensidade de elétrons detectados em função do ângulo, de 0 a 90 graus, com uma curva que sobe até um pico estreito em 50 graus e volta a cair; um rótulo diz pico de difração, lambda igual a 0,165 nanômetro, e outro diz de Broglie prevê 0,167 nanômetro para 54 volts.
Elétrons de 54 V refletidos por um cristal de níquel saem preferencialmente a 50°: um pico de difração como o de raios X num cristal. O comprimento de onda medido bate com h/2meVh/\sqrt{2meV}. Diagrama autoral, esquema simplificado.

Dupla fenda com elétrons, um de cada vez. O experimento de Young refeito com elétrons foi realizado por Claus Jönsson em 1961, com fendas de meio micrômetro em folha de cobre; as franjas apareceram. A versão mais impressionante é a de Akira Tonomura e colegas, na Hitachi, em 1989: um microscópio eletrônico emitia elétrons um por vez, com intervalo tão grande entre eles que nunca havia dois elétrons no aparelho ao mesmo tempo, e uma tela sensível registrava onde cada um chegava. Cada elétron aparece como um ponto na tela, bem localizado: comportamento de partícula. Nenhum elétron chega “espalhado” como uma onda. Mas os pontos não caem em duas faixas, como cairiam bolinhas atiradas por duas fendas: à medida que se acumulam, milhares e depois dezenas de milhares, desenham as franjas claras e escuras da interferência. Cada elétron, sozinho, é governado pelas duas fendas ao mesmo tempo; há regiões da tela em que nenhum elétron cai, e que receberiam elétrons se uma das fendas fosse fechada. A onda de de Broglie governa onde o elétron pode cair; a chegada é sempre pontual.

Quatro painéis retangulares escuros lado a lado, representando a tela de detecção de um experimento de dupla fenda com elétrons em quatro estágios de acúmulo: 20 elétrons, 200 elétrons, 2 mil elétrons e 20 mil elétrons. No primeiro, há apenas pontos claros isolados espalhados sem padrão visível; no segundo, os pontos começam a se concentrar em faixas verticais; no terceiro, faixas claras e escuras alternadas estão evidentes, com mais pontos no centro; no quarto, o padrão de franjas de interferência aparece nítido, com a franja central mais intensa e as laterais decrescendo. Acima dos painéis, um esquema pequeno mostra a fonte de elétrons, o anteparo com duas fendas e a tela. Cada painel tem o número de elétrons acumulados escrito embaixo.
Cada elétron chega como um ponto (partícula); o conjunto de pontos desenha franjas (onda). Com um elétron por vez no aparelho, não há com quem interferir a não ser consigo mesmo. Diagrama autoral, simulação do padrão de dupla fenda por sorteio aleatório de posições.

O microscópio eletrônico. Um microscópio óptico não distingue detalhes menores que cerca de metade do comprimento de onda da luz usada: com luz visível de 500 nm, o limite fica em torno de 200 nm, e um vírus de 100 nm ou uma proteína de 10 nm são borrões. A difração, o mesmo fenômeno que fez as franjas de Young, impõe esse teto: um instrumento não resolve estruturas menores que a onda que usa para vê-las. A saída é usar uma onda mais curta, e a onda de de Broglie do elétron pode ser tão curta quanto se queira: basta acelerar mais. Com 100 kV, um elétron tem λ0,0037\lambda \approx 0{,}0037 nm (já com a correção relativística), cem mil vezes menor que a luz visível. Os microscópios eletrônicos de transmissão resolvem hoje distâncias de 0,05 nm, menores que um átomo; foi com eles que se fotografaram vírus nos anos 1930 e 1940 e que se veem, desde os anos 2010, moléculas individuais. Aumentar a tensão de aceleração diminui λ\lambda e melhora a resolução, e essa relação é o item mais natural do tema para uma prova: microscópio eletrônico existe porque o elétron é onda, e é uma onda mais curta que a da luz.

Onde a onda do elétron trabalha

Todo microscópio eletrônico de hospital, universidade ou fábrica de chips é uma aplicação de de Broglie: as imagens do coronavírus em 2020, o controle de qualidade de transistores de poucos nanômetros, a estrutura de proteínas por criomicroscopia eletrônica (Nobel de Química de 2017). A difração de elétrons e a difração de nêutrons são técnicas de rotina para descobrir como os átomos se arranjam num material. E o próprio transistor, base de todo aparelho eletrônico, só funciona porque o elétron dentro do silício é descrito como onda, com níveis de energia permitidos e proibidos que nascem da mesma ideia das órbitas que fecham sobre si mesmas.

Complementaridade: cada experimento revela um lado, nunca os dois

O que é, então, o elétron? E o fóton? A resposta que a física dá desde 1927 é a do princípio da complementaridade, formulado por Niels Bohr: os comportamentos de onda e de partícula são complementares, isto é, ambos são necessários para descrever o objeto, mas nunca aparecem no mesmo experimento. Um arranjo que mede por onde o elétron passou (um detector junto a cada fenda) obtém uma resposta definida, esta fenda ou aquela, e as franjas desaparecem: a tela mostra duas manchas, como se de bolinhas. Um arranjo que não pergunta o caminho obtém franjas, mas não tem como dizer por qual fenda cada elétron passou. Não é falha de aparelho, nem “o elétron percebe que está sendo observado” no sentido de uma consciência: é que a medida do caminho é uma interação física (o detector precisa trocar energia e momento com o elétron para registrá-lo), e essa interação destrói a relação de fase entre os dois caminhos de que a interferência depende. O experimento de Tonomura não tinha detector nas fendas; por isso tinha franjas.

O que a dualidade diz e o que ela não diz

Diz: fótons, elétrons, prótons, átomos e moléculas são objetos quânticos; para prever onde podem ser detectados, usa-se uma onda (de de Broglie, para a matéria; a onda eletromagnética, para a luz); quando são detectados, aparecem sempre inteiros e localizados, como partículas. Interferência e difração revelam o lado de onda; a troca de energia em pacotes e a detecção pontual revelam o lado de partícula. Qual lado aparece depende do experimento.

Não diz: que o elétron “é às vezes onda, às vezes partícula”, alternando no tempo; que ele é “metade onda, metade partícula”, uma mistura; que a onda de matéria é uma onda mecânica, feita de alguma substância que oscila num meio (ela é uma onda de probabilidade, como mostrou Max Born em 1926: onde a onda é intensa, o elétron tem mais chance de ser encontrado; ela não precisa de meio e não transporta matéria); que a dualidade é o princípio da incerteza (esse é outro enunciado, de Heisenberg em 1927, sobre a impossibilidade de fixar ao mesmo tempo posição e momento com precisão arbitrária; ele está ligado à dualidade, porque uma onda de comprimento definido não tem posição definida, mas é outra afirmação); nem que a observação por uma mente altera a realidade. A medida altera o sistema porque é uma interação física, não porque alguém está olhando.

Dois arranjos de dupla fenda empilhados. No de cima, rotulado sem detector de caminho, elétrons saem de uma fonte à esquerda, passam por um anteparo com duas fendas e chegam a uma tela à direita em que está desenhado um padrão de franjas claras e escuras alternadas, com a legenda comportamento de onda, caminho desconhecido. No de baixo, rotulado com detector em cada fenda, o mesmo arranjo tem um pequeno detector marcado D junto a cada fenda, e a tela mostra apenas duas manchas largas, uma na frente de cada fenda, sem franjas, com a legenda comportamento de partícula, caminho conhecido. Uma nota diz que o detector interage com o elétron e apaga a relação de fase entre os dois caminhos.
O mesmo aparelho, com e sem detector de caminho: sem detector, franjas (onda); com detector, duas manchas (partícula). Saber o caminho e ver franjas são resultados que nenhum experimento mostra juntos. Diagrama autoral.
Uma molécula com 2 000 átomos fazendo franjas

Em 2019, um grupo da Universidade de Viena observou interferência de matéria com moléculas orgânicas de mais de 25 000 unidades de massa atômica, cerca de 2 000 átomos cada, a onda de de Broglie mais curta já vista fazendo franjas, com λ\lambda da ordem de 5×10145 \times 10^{-14} m, mil vezes menor que a própria molécula. O recorde mostra a fronteira: não há uma massa a partir da qual a dualidade “desliga”; o que cresce com a massa é a dificuldade de isolar o objeto de tudo que o cerca sem que essa interação faça o papel do detector de caminho.

Como a banca pergunta, quando estreia um objeto novo

A matriz do PAS 2 traz a dualidade onda-partícula no item de Introdução à Física Moderna desde dezembro de 2022, e em 19 provas, de 2007 a 2025, nenhum item a cobrou. Objeto de matriz sem histórico é estreia à espera de edição, e a banca tem um jeito de estrear temas. A interação luz-matéria, do mesmo item da matriz, estreou em 2024 com itens conceituais tipo A pendurados num texto-base sobre placas fotovoltaicas e efeito estufa, sem conta. Quando a 3.ª etapa cobrou de Broglie, em 2009, o texto-base contou a hipótese em quatro linhas, deu as fórmulas f=E/hf = E/h e λ=h/p\lambda = h/p e pediu dois julgamentos conceituais: se o gráfico de λ\lambda contra mm é uma hipérbole (é, com vv fixa; item 115, C) e se a onda do elétron é “100 vezes menor” que a da bola de boliche (é 103010^{30} vezes maior; item 116, E). Quando cobrou o fóton, em 2011, pendurou-o na fotossíntese, deu hh e a conversão para eV no texto e perguntou qual clorofila absorve fótons mais energéticos (a que absorve em λ\lambda menor; item 96, C) e quantos fótons chegam a uma folha (item 106, tipo B, 434). E a 2.ª etapa de 2010, dentro de um bloco de Química sobre Rutherford, julgou uma frase de história: o modelo de Bohr “representou importante passo em direção ao estabelecimento da física quântica moderna” (item 96, C).

O molde da estreia, portanto, é conhecido: texto-base histórico ou de aplicação, fórmulas e constantes fornecidas, julgamentos conceituais. Os julgamentos que a banca tem à mão são os desta página: a energia do fóton cresce com a frequência © ou com a intensidade (E); a intensidade mede o número de fótons © ou a energia de cada um (E); a onda de de Broglie diminui quando a massa ou a velocidade aumenta © ou aumenta (E); a dualidade vale só para a luz (E), só para elétrons (E) ou para toda a matéria ©; interferência prova onda ©, fotoelétrico prova grão ©, um mesmo experimento mostra os dois (E); Young “provou que Newton estava certo” (E); Planck, Einstein e de Broglie em ordem © ou trocados (E); de Broglie propôs ondas de matéria em 1924, confirmadas por difração de elétrons em 1927 ©. Há ainda o item de história da ciência do CN-E05, que em 2024 já premiou “ciência como processo coletivo, com resistências” (Newton “dando sequência” a Galileu e Kepler; Copérnico “enfrentando preconceitos”) e cujo lado errado é o gênio isolado, a atribuição trocada ou a ordem invertida. A linha do tempo da primeira seção é a defesa.

Leia como na prova. Suponha o texto-base: “Em 1924, Louis de Broglie propôs que partículas materiais têm propriedades ondulatórias, com comprimento de onda λ=h/(mv)\lambda = h/(mv). A hipótese foi confirmada em 1927 por Davisson e Germer, que observaram difração de elétrons em um cristal de níquel, e é o princípio do microscópio eletrônico.” Item 1: “Se a velocidade de um elétron for duplicada, o comprimento de onda a ele associado se reduzirá à metade.” Julgamento: λ1/v\lambda \propto 1/v; C. Item 2: “Um próton e um elétron que se movem com a mesma velocidade têm o mesmo comprimento de onda de de Broglie.” Julgamento: massas diferentes, λ\lambda diferentes, a do elétron 1 836 vezes maior; E. Item 3: “A resolução de um microscópio eletrônico melhora quando se reduz a tensão de aceleração dos elétrons.” Julgamento: menos tensão, menos velocidade, λ\lambda maior, resolução pior; E. Item 4: “A observação de difração de elétrons demonstra que, nesse experimento, o elétron manifesta comportamento ondulatório.” Julgamento: difração é fenômeno de onda; C. Quatro itens, nenhuma conta, e o candidato que sabe o que cada grandeza faz na fração acerta os quatro.

Os erros que a prova planta

Dez tropeços, um por linha
  1. Intensidade no lugar da frequência: “luz mais intensa tem fótons mais energéticos”. Não: E=hfE = hf; intensidade conta fótons.
  2. Comprimento de onda no lugar da frequência: “fótons vermelhos são mais energéticos que os violeta porque o vermelho tem λ\lambda maior”. λ\lambda maior é ff menor, e EE menor.
  3. Massa no lugar certo da fração: “quanto maior a massa, maior o comprimento de onda”. λ=h/(mv)\lambda = h/(mv): maior massa, onda menor (PAS 3 2009/116).
  4. De Broglie só para elétrons: vale para toda a matéria; nêutrons, átomos e moléculas difratam.
  5. Onda de matéria como onda mecânica: ela não é uma vibração de alguma substância num meio; é a onda de probabilidade que governa onde a partícula pode ser encontrada.
  6. Alternância: “o elétron ora é onda, ora é partícula”. Ele é sempre o mesmo objeto; o experimento revela um dos comportamentos.
  7. Mistura: “metade onda, metade partícula”. Complementaridade não é média.
  8. Os dois no mesmo experimento: “no experimento de dupla fenda, o elétron mostra ao mesmo tempo interferência e trajetória definida”. Detectar o caminho apaga as franjas.
  9. Dualidade = incerteza: são dois enunciados; a incerteza é de Heisenberg, sobre posição e momento.
  10. Young derrubado: “o fóton mostrou que a luz não é onda e que as franjas são ilusão”. As franjas continuam lá; o fóton acrescentou o lado de grão, não apagou o de onda. E, no item de história, a ordem é Planck (1900), Einstein (1905), de Broglie (1924), Davisson e Germer (1927); relatividade é assunto da 3.ª etapa.

O essencial em meia página

  • O tribunal: Huygens (onda, 1678) × Newton (corpúsculo, 1704); Young (1801) decide pela onda com a interferência; Maxwell (1865) e Hertz (1887) fazem da luz onda eletromagnética; Planck (1900) e Einstein (1905) reabrem o caso com o quantum; de Broglie (1924) estende a dualidade à matéria; Davisson e Germer (1927) confirmam.
  • O que prova o quê: interferência, difração e polarização provam onda; troca de energia em pacotes (fotoelétrico, corpo negro, Compton) prova grão. Reflexão e refração não decidem.
  • Fóton: E=hf=hc/λE = hf = hc/\lambda; h=6,63×1034h = 6{,}63 \times 10^{-34} J·s =4,14×1015= 4{,}14 \times 10^{-15} eV·s; E(eV)=1240/λ(nm)E\,(\text{eV}) = 1240/\lambda\,(\text{nm}). Visível: 1,8 a 3,1 eV, 3\sim 3 a 5×10195 \times 10^{-19} J. Raios X: keV. Rádio: 10710^{-7} eV.
  • Frequência decide a energia de cada fóton; intensidade decide quantos por segundo: N=Pt/(hf)N = P\,t/(hf). Lâmpada de 8 W: 2×10192 \times 10^{19} fótons/s. Foto no escuro granulada = poucos fótons por pixel, flutuação N\sqrt{N}.
  • Momento do fóton: p=E/c=h/λp = E/c = h/\lambda. Pressão de radiação F=P/cF = P/c (absorção), 2P/c2P/c (espelho). Compton: fóton espalhado sai com λ\lambda maior, como numa colisão.
  • De Broglie: λ=h/p=h/(mv)=h/2mK\lambda = h/p = h/(mv) = h/\sqrt{2mK}; elétron acelerado por VV volts: λ1,23/V\lambda \approx 1{,}23/\sqrt{V} nm. Elétron a 10610^{6} m/s: 0,7 nm (escala atômica, difrata). Bola de 0,4 kg a 20 m/s: 8×10358 \times 10^{-35} m (nunca se manifesta). Massa ou velocidade maior, onda menor.
  • Evidências: difração de elétrons em níquel (Davisson e Germer, 1927; 54 V, pico a 50°); dupla fenda com elétrons um a um (pontos que formam franjas); microscópio eletrônico (mais tensão, λ\lambda menor, resolução melhor).
  • Complementaridade: cada experimento revela um lado; detectar o caminho apaga as franjas; a onda de matéria é de probabilidade, não mecânica; dualidade não é incerteza; nada de “às vezes onda, às vezes partícula”.
  • Na prova: estreia esperada no PAS 2 (matriz desde 2022, zero itens); molde da 3.ª etapa é texto-base com as fórmulas dadas e julgamentos conceituais; use as constantes que a banca fornecer.

Exercícios temporariamente indisponíveis

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Flashcards temporariamente indisponíveis

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Por Que Precisamos da Dualidade Onda-Partícula?
Ciência Todo Dia · 11:32
Introdução. Onze minutos animados que perguntam o que é e por que a física precisou de uma dualidade onda-partícula: o tribunal onda × corpúsculo e a saída quântica, na ordem das seções “Onda ou corpúsculo? O tribunal da luz durou dois séculos” e “Einstein: a luz é uma chuva de fótons”. A descrição do autor cita como leitura adicional a interferência de moléculas C₆₀, o mesmo experimento mencionado na seção de de Broglie. Para assistir antes de ler.
Física Quântica - Aula 05 - Aspectos da dualidade onda partícula
UNIVESP · 36:37
Aprofundamento. Aula de 36 minutos da disciplina Física Quântica da licenciatura em Física da Univesp (professor responsável Gil da Costa Marques), dedicada aos aspectos da dualidade onda-partícula: fóton, ondas de matéria e complementaridade com a notação completa. É a versão universitária das seções “De Broglie: se a onda tem lado de partícula, a partícula tem lado de onda” e “Complementaridade: cada experimento revela um lado”, para quem quer ver de onde vêm as relações E = hf e λ = h/p. A descrição do canal identifica a disciplina e a playlist.
A FÍSICA QUÂNTICA E O EXPERIMENTO DA DUPLA FENDA (Parte 1)
FÍSICA Prof. Daniel · 15:05
Aplicação e experimento. Quinze minutos sobre o experimento da dupla fenda, da luz de Young aos elétrons, com bibliografia listada na descrição do autor (Eisberg e Resnick, Osvaldo Pessoa Jr., Gaspar e o artigo “The double-slit experiment” da Physics World, a mesma fonte do experimento de Tonomura). Cobre a seção “As evidências: um cristal, duas fendas e um microscópio” e prepara a leitura da complementaridade; é a primeira de duas partes.
Exemplo 1 - Física Moderna 2 - Comprimento de onda de De Broglie
Professor Cícero - Física & Astronomia · 5:10
Resolução. Cinco minutos com um único exercício resolvido no quadro, anunciado na descrição do autor: por que não vemos as propriedades ondulatórias de uma bola de futebol de 420 g a 100 m/s. É exatamente o exemplo resolvido “elétron contra bola de futebol” da seção de de Broglie, com a conta de λ = h/(mv) e a comparação de ordens de grandeza que decide o item PAS 3 2009/116.
Rota PAS 2
Ótica geométrica e introdução à física moderna · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Ótica geométrica e introdução à física moderna · Dualidade onda-partícula: a luz em pacotes, a matéria em ondas (conceito: fóton E = hf, onda de matéria λ = h/mv, dualidade como complementaridade; exemplo-guia do elétron a 10⁶ m/s e da bola de 0,4 kg; linha do tempo Huygens–Newton–Young–Maxwell–Hertz–Planck–Einstein–de Broglie–Davisson e Germer; 'Na prova': matriz do PAS 2 desde dez/2022 sem item, estreia conceitual; obra 'A Terra é redonda'); Aquecimento, item 5 (fótons vermelhos × violeta); Síntese (Dualidade, História); Banco de treino T22–T23 (de Broglie)

    Recorte por assunto: só a parte de fóton, onda de matéria e complementaridade. O efeito fotoelétrico (função trabalho, frequência de corte, K_max = hf − W, gráfico K × f, T18–T21) fica na página irmã. A página acrescenta, ausentes do capítulo, as ordens de grandeza do fóton por faixa do espectro, a contagem de fótons e a granulação da foto, o momento do fóton com pressão de radiação e Compton qualitativo, a forma λ = h/√(2mK), a dupla fenda com elétrons um a um, o microscópio eletrônico e a distinção entre dualidade e incerteza.

  • Rota PAS 3 — Ondas eletromagnéticas, luz e física moderna · O quantum de luz: Planck, Einstein e o efeito fotoelétrico (itens PAS 3 2011/96, 99 e 106 e a conta dos fótons na folha); O átomo de Bohr e as ondas de matéria (conceito das ondas de matéria, exemplo do elétron e da bola de boliche, itens PAS 3 2009/115 e 116)

    Usado para os itens reais de de Broglie e de contagem de fótons, que são da 3.ª etapa (stage 3). Bohr, Wien e relatividade ficam fora do recorte.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2009 (itens 115 e 116, p. 16 do caderno), PAS 3 2011 (itens 96 e 106, p. 21 e 22 do caderno Metropolitan)

    Itens reproduzidos verbatim com os textos-base; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2009: 115 C, 116 E; 2011: 96 C, 106 = 434) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/2009.json e 2011.json. Figuras rasterizadas e descritas em texto neutro: hipérbole λ × m de 2009, gráfico de absorção das clorofilas e losango de 2011. Nenhum item de dualidade existe no PAS 2 (matriz desde dez/2022, sem item até 2025); o item PAS 2 2010/96 (Rutherford/Bohr, bloco de Química) foi avaliado e deixado fora por ser de modelos atômicos, não de dualidade.