Equação da circunferência

Guia de estudo · Revisado em 04/10/2026

Vistos de satélite, os pivôs de irrigação de Cristalina, a 130 km de Brasília, são discos verdes quase perfeitos, alguns com 800 m de raio. Num mapa em coordenadas, cada pivô é um centro e um raio. Que equação descreve a borda molhada, e como decidir, sem desenhar, se uma estrada vicinal passa por dentro, apenas encosta ou fica de fora do círculo?

O que você vai aprender

  • Escrever a equação de uma circunferência a partir do centro e do raio, na forma reduzida (x − a)² + (y − b)² = r², e ler centro e raio de uma equação dada, inclusive com sinais trocados e com o raio escondido como r².
  • Passar da forma geral x² + y² + Dx + Ey + F = 0 à forma reduzida completando quadrados, reconhecer quando uma equação do 2.º grau é ou não uma circunferência (coeficientes iguais em x² e y², sem termo xy) e decidir pela condição r² > 0 se ela representa uma circunferência, um único ponto ou o conjunto vazio.
  • Classificar a posição de um ponto em relação à circunferência comparando d² com r² (interior, sobre a curva, exterior) e descrever o círculo (disco) por uma desigualdade.
  • Classificar a posição de uma reta em relação à circunferência pela distância do centro à reta comparada ao raio (secante, tangente, exterior), encontrar os pontos de interseção por substituição e escrever a tangente num ponto da curva usando a perpendicularidade com o raio.
  • Determinar a circunferência que passa por três pontos (mediatrizes ou sistema em D, E, F), que tem um diâmetro dado, que é tangente a um ou aos dois eixos, ou cujo centro está sobre uma reta dada, e reconhecer quando a circunferência pedida não existe.
  • Analisar duas circunferências pela distância entre os centros (exteriores, tangentes, secantes, interiores) e achar os seus pontos comuns.
  • Ler coordenadas em figuras com escala (mapas em quilômetros, campos de futebol, fachadas, telescópios), respeitar a unidade pedida e resolver os itens numéricos do tipo B do PAS/UnB, inclusive quando o enunciado redefine o que chama de R.

Abra um mapa de satélite sobre Cristalina, em Goiás, a 130 km de Brasília, e a paisagem parece um tabuleiro de moedas verdes: são os pivôs centrais de irrigação, cada um girando um braço de tubos em torno de uma torre fixa, alguns com 800 m de raio. Cada disco é definido por dois dados apenas, o ponto onde a torre está e o comprimento do braço, e é exatamente isso que uma circunferência é no plano cartesiano: um centro e um raio. Com esses dois dados escritos numa equação, toda pergunta sobre o pivô vira conta: a estrada vicinal que passa a 700 m da torre entra na área molhada? O poço em tal coordenada fica dentro ou fora? Dois pivôs vizinhos se sobrepõem? Nenhuma delas pede desenho. Pedem uma comparação entre uma distância e o raio.

Esta página constrói a equação da circunferência a partir da distância entre dois pontos, ensina a extrair centro e raio de uma equação desarrumada, classifica pontos e retas em relação à curva, monta a circunferência a partir de condições (três pontos, um diâmetro, tangência aos eixos) e compara duas circunferências. No fim, lê as figuras com escala que a prova usa, de campos de futebol a mapas de estado. A fórmula da distância que sustenta tudo é a de Distâncias na geometria analítica; a reta que vai cruzar a curva é a de Equação da reta; elipse, parábola e hipérbole ficam em Cônicas, e a circunferência de raio 1 que mede ângulos, em Ciclo trigonométrico.

Uma regra, não um desenho: a forma reduzida

Tome um ponto fixo C(a,b)C(a, b) e um número r>0r > 0. A circunferência de centro CC e raio rr é o conjunto de todos os pontos P(x,y)P(x, y) do plano cuja distância até CC vale exatamente rr. Escreva a distância com a fórmula de Pitágoras e eleve ao quadrado para tirar a raiz:

d(P,C)=r  ⟺  (x−a)2+(y−b)2=r  ⟺  r2=(x−a)2+(y−b)2.d(P, C) = r \iff \sqrt{(x - a)^2 + (y - b)^2} = r \iff r^2 = (x - a)^2 + (y - b)^2.

A última igualdade é a forma reduzida (ou canônica) da equação. Ela diz, em símbolos, “a distância de (x,y)(x, y) ao centro, ao quadrado, é r2r^2”. Um ponto está na curva se, e somente se, as suas coordenadas tornam a igualdade verdadeira.

Forma reduzida da circunferência

Para o centro C(a,b)C(a, b) e o raio r>0r > 0, a equação é (x−a)2+(y−b)2=r2(x - a)^2 + (y - b)^2 = r^2. Casos que valem decorar: centro na origem, x2+y2=r2x^2 + y^2 = r^2; centro sobre o eixo xx, (x−a)2+y2=r2(x - a)^2 + y^2 = r^2; centro sobre o eixo yy, x2+(y−b)2=r2x^2 + (y - b)^2 = r^2. O lado direito é o quadrado do raio, nunca o raio.

Dois cuidados de leitura resolvem a maior parte dos erros. O primeiro é o sinal: em (x+2)2+(y−5)2=49(x + 2)^2 + (y - 5)^2 = 49, a abscissa do centro é −2-2, porque x+2=x−(−2)x + 2 = x - (-2); a ordenada é 55. O segundo é a raiz: o raio é 49=7\sqrt{49} = 7, não 4949. Uma conferência barata é testar um ponto óbvio: o centro mais o raio na horizontal, (−2+7,5)=(5,5)(-2 + 7, 5) = (5, 5), deve satisfazer a equação, e satisfaz: 72+02=497^2 + 0^2 = 49.

Exemplo resolvido 1: da equação ao desenho. Identifique centro e raio de (x+2)2+(y−5)2=49(x + 2)^2 + (y - 5)^2 = 49 e encontre os pontos mais alto e mais baixo da curva.

Estratégia: ler aa e bb com o sinal trocado em relação ao que está dentro dos parênteses, e tirar a raiz do lado direito.

Resolução: C(−2,5)C(-2, 5) e r=7r = 7. O ponto mais alto está uma unidade de raio acima do centro, (−2,12)(-2, 12); o mais baixo, (−2,−2)(-2, -2).

Conferência: em (−2,12)(-2, 12), (0)2+(7)2=49(0)^2 + (7)^2 = 49; em (−2,−2)(-2, -2), 0+(−7)2=490 + (-7)^2 = 49. Os dois pertencem à curva.

Exemplo resolvido 2: do desenho à equação. Um pivô tem a torre em (3,−1)(3, -1), em centenas de metros, e um braço de 500 m. Escreva a equação da borda irrigada.

Resolução: 500 m são 5 unidades. (x−3)2+(y+1)2=25(x - 3)^2 + (y + 1)^2 = 25. Repare em y+1y + 1: a ordenada do centro é −1-1, e y−(−1)=y+1y - (-1) = y + 1.

Conferência: o ponto (7,2)(7, 2) está a 42+32=5\sqrt{4^2 + 3^2} = 5 do centro, e de fato 42+32=254^2 + 3^2 = 25.

Plano cartesiano com a circunferência de centro C(3, −1) e raio 5. O raio está desenhado do centro até o ponto P(7, 2), que está sobre a curva, com o triângulo retângulo de catetos 4 e 3. O ponto Q(0, 0), a origem, está dentro do círculo, com a distância ao centro marcada como raiz de 10. O ponto R(−2, 3) está fora, com a distância marcada como raiz de 41. Ao lado, as três comparações: 10 menor que 25, 25 igual a 25, 41 maior que 25.
A circunferência (x − 3)² + (y + 1)² = 25 e três pontos: P(7, 2) está sobre a curva, porque 4² + 3² = 25; a origem está dentro, porque 3² + 1² = 10 < 25; R(−2, 3) está fora, porque 5² + 4² = 41 > 25. Diagrama autoral.

Vale distinguir duas palavras que a prova usa com precisão. Circunferência é a linha, o conjunto dos pontos a distância exatamente rr do centro. Círculo (ou disco) é a região: a linha mais tudo o que está dentro dela. A equação com sinal de igual descreve a circunferência; a região pede uma desigualdade, como veremos adiante.

A forma geral esconde o centro: complete quadrados

Expanda a forma reduzida do exemplo 2: (x−3)2+(y+1)2=25(x - 3)^2 + (y + 1)^2 = 25 dá x2−6x+9+y2+2y+1=25x^2 - 6x + 9 + y^2 + 2y + 1 = 25, isto é,

x2+y2−6x+2y−15=0.x^2 + y^2 - 6x + 2y - 15 = 0.

Essa é a forma geral: x2+y2+Dx+Ey+F=0x^2 + y^2 + Dx + Ey + F = 0. Ela é a que aparece nos itens, porque esconde o centro e o raio atrás de três números. O caminho de volta chama-se completar quadrados e usa uma identidade só: x2+Dx=(x+D2)2−D24x^2 + Dx = \left(x + \frac{D}{2}\right)^2 - \frac{D^2}{4}. Em palavras: metade do coeficiente, elevada ao quadrado, é o número que falta para fechar o quadrado perfeito, e esse número precisa ser compensado do outro lado.

Da forma geral ao centro e ao raio

Se x2+y2+Dx+Ey+F=0x^2 + y^2 + Dx + Ey + F = 0, então

(x+D2)2+(y+E2)2=D24+E24−F,\left(x + \frac{D}{2}\right)^2 + \left(y + \frac{E}{2}\right)^2 = \frac{D^2}{4} + \frac{E^2}{4} - F,

logo o centro é C(−D2,−E2)C\left(-\dfrac{D}{2}, -\dfrac{E}{2}\right) e o raio é r=D24+E24−Fr = \sqrt{\dfrac{D^2}{4} + \dfrac{E^2}{4} - F}, desde que o radicando seja positivo.

Para ser circunferência, a equação do 2.º grau precisa ter coeficientes iguais em x2x^2 e y2y^2 e nenhum termo em xyxy. Se os coeficientes são iguais mas diferentes de 1, como em 3x2+3y2−6x+12y−3=03x^2 + 3y^2 - 6x + 12y - 3 = 0, divida tudo por eles antes de qualquer outra coisa.

Exemplo resolvido 3: completar quadrados com os dois sinais. Encontre centro e raio de x2+y2+6x−10y+18=0x^2 + y^2 + 6x - 10y + 18 = 0.

Estratégia: agrupar xx com xx e yy com yy, passar o termo independente para a direita, somar aos dois lados os números que fecham os quadrados.

Resolução: (x2+6x)+(y2−10y)=−18(x^2 + 6x) + (y^2 - 10y) = -18. Metade de 66 é 33, e 32=93^2 = 9; metade de −10-10 é −5-5, e (−5)2=25(-5)^2 = 25. Somando 99 e 2525 aos dois lados: (x+3)2+(y−5)2=−18+9+25=16(x + 3)^2 + (y - 5)^2 = -18 + 9 + 25 = 16. Centro (−3,5)(-3, 5), raio 44.

Conferência: pela fórmula, −D/2=−3-D/2 = -3 e −E/2=5-E/2 = 5; r2=9+25−18=16r^2 = 9 + 25 - 18 = 16. Expandindo de volta, x2+6x+9+y2−10y+25=16x^2 + 6x + 9 + y^2 - 10y + 25 = 16 devolve a equação original.

Fluxograma em quatro caixas ligadas por setas. Primeira caixa: a forma geral x ao quadrado mais y ao quadrado mais 6x menos 10y mais 18 igual a zero. Segunda: os termos agrupados, x ao quadrado mais 6x, e y ao quadrado menos 10y, iguais a menos 18. Terceira: somar 9 e 25 aos dois lados, com a nota de que 9 é o quadrado de metade de 6 e 25 é o quadrado de metade de 10. Quarta: a forma reduzida, x mais 3 ao quadrado mais y menos 5 ao quadrado igual a 16, com centro em menos 3 e 5 e raio 4. Uma seta de retorno marcada expandir liga a última caixa à primeira.
Completar quadrados é uma estrada de mão dupla: de cima para baixo revela centro e raio; de baixo para cima (expandir) confere a conta. O número somado em cada variável é o quadrado da metade do coeficiente. Diagrama autoral.

A prova gosta de embaralhar a equação antes de entregá-la. Em 2024, a fachada do Palácio do Itamaraty veio com o arco escrito como 18y−x2−y2=7218y - x^2 - y^2 = 72. Nada muda: passe tudo para um lado, x2+y2−18y+72=0x^2 + y^2 - 18y + 72 = 0, e complete o quadrado em yy: x2+(y−9)2=81−72=9x^2 + (y - 9)^2 = 81 - 72 = 9. Centro (0,9)(0, 9), raio 33, que era exatamente o círculo esboçado na foto, passando por D(0,12)D(0, 12), E(−3,9)E(-3, 9) e F(3,9)F(3, 9). O item era certo, e quem não reorganizou a equação sequer viu que havia uma circunferência ali.

O número da direita é $r^2$; e "interior" não inclui a borda

Em (x−4)2+(y+6)2=49(x - 4)^2 + (y + 6)^2 = 49 o raio é 77, e a afirmação “raio igual a 49” é falsa. É o deslize mais frequente deste assunto, justamente por ser o último passo da conta: a atenção já foi embora quando a raiz ainda falta. O segundo erro é de vocabulário, e a palavra é a mesma que o PAS 3 de 2018 usou no mapa gaúcho (“no interior do círculo”): um ponto cuja distância ao centro é igual ao raio está sobre a circunferência, não dentro do círculo. Quando o item diz “no interior”, a desigualdade é estrita.

Nem toda equação com x2+y2x^2 + y^2 é uma circunferência

Completar quadrados produz (x−a)2+(y−b)2=k(x - a)^2 + (y - b)^2 = k com k=D24+E24−Fk = \frac{D^2}{4} + \frac{E^2}{4} - F. O que acontece depende do sinal de kk:

  • k>0k > 0: circunferência de raio k\sqrt{k}.
  • k=0k = 0: a soma de dois quadrados só é zero se os dois forem zero. O conjunto tem um único ponto, (a,b)(a, b). Chama-se circunferência degenerada, mas não é uma circunferência.
  • k<0k < 0: nenhum par real (x,y)(x, y) serve, porque uma soma de quadrados nunca é negativa. O conjunto é vazio.

Exemplo resolvido 4: para quais valores de kk existe a circunferência? Considere x2+y2−2x+4y+k=0x^2 + y^2 - 2x + 4y + k = 0.

Resolução: (x−1)2+(y+2)2=1+4−k=5−k(x - 1)^2 + (y + 2)^2 = 1 + 4 - k = 5 - k. Existe circunferência se 5−k>05 - k > 0, ou seja, k<5k < 5. Para k=5k = 5, o conjunto é só o ponto (1,−2)(1, -2); para k>5k > 5, é vazio.

Conferência: com k=1k = 1, r2=4r^2 = 4 e a curva tem raio 2; com k=9k = 9, r2=−4r^2 = -4, impossível.

Três painéis lado a lado com a equação x menos 1 ao quadrado mais y mais 2 ao quadrado igual a 5 menos k. No primeiro, k igual a 1: uma circunferência de centro em 1 e menos 2 e raio 2. No segundo, k igual a 5: só o ponto em 1 e menos 2, sem curva. No terceiro, k igual a 9: o plano vazio, com a nota de que a soma de dois quadrados nunca é menos 4.
A mesma equação, três valores de k: para k < 5 há circunferência; k = 5 deixa um ponto só; k > 5 não deixa nada. O teste é o sinal do que sobra à direita depois de completar quadrados. Diagrama autoral.

Há um segundo teste de existência, anterior à conta: a forma da equação. x2+2y2−25x+10y=45x^2 + 2y^2 - 25x + 10y = 45 não é circunferência porque os coeficientes de x2x^2 e y2y^2 são diferentes (é uma elipse, assunto de Cônicas); 2x2−y2+25x−8y=452x^2 - y^2 + 25x - 8y = 45 tem sinais opostos (hipérbole). Num item de múltipla escolha que pede “a equação dessa circunferência”, eliminar as opções com coeficientes desiguais custa cinco segundos e costuma deixar duas candidatas.

Dentro, em cima ou fora: compare d2d^2 com r2r^2

Dado um ponto PP e a circunferência de centro CC e raio rr, há três possibilidades, e todas se decidem pela distância d=d(P,C)d = d(P, C):

Posição de um ponto em relação à circunferência
  • d<rd < r: PP é interior (está dentro do círculo, fora da linha).
  • d=rd = r: PP está sobre a circunferência.
  • d>rd > r: PP é exterior.

Na prática, compare d2=(xP−a)2+(yP−b)2d^2 = (x_P - a)^2 + (y_P - b)^2 com r2r^2: é a mesma decisão sem extrair raiz. Equivalentemente, substitua PP na expressão f(x,y)=(x−a)2+(y−b)2−r2f(x, y) = (x - a)^2 + (y - b)^2 - r^2: negativo é interior, zero é sobre, positivo é exterior.

O círculo (disco fechado) é a região (x−a)2+(y−b)2≤r2(x - a)^2 + (y - b)^2 \le r^2; o interior sem a borda é a desigualdade estrita; o exterior é (x−a)2+(y−b)2>r2(x - a)^2 + (y - b)^2 > r^2.

Exemplo resolvido 5: três pontos e um pivô. Para a circunferência (x−3)2+(y+1)2=25(x - 3)^2 + (y + 1)^2 = 25, classifique P(7,2)P(7, 2), a origem Q(0,0)Q(0, 0) e R(−2,3)R(-2, 3).

Resolução: PP: 42+32=25=r24^2 + 3^2 = 25 = r^2, sobre a curva. QQ: (−3)2+(1)2=10<25(-3)^2 + (1)^2 = 10 < 25, interior. RR: (−5)2+(4)2=41>25(-5)^2 + (4)^2 = 41 > 25, exterior.

Conferência: as distâncias são 55, 10≈3,2\sqrt{10} \approx 3{,}2 e 41≈6,4\sqrt{41} \approx 6{,}4, comparadas com o raio 5. Nenhuma raiz precisou ser calculada para decidir.

Foi essa comparação que o PAS 3 de 2018 cobrou com o mapa do Rio Grande do Sul em quilômetros: Porto Alegre em (200,0)(200, 0), Pelotas em (40,−220)(40, -220) e a circunferência x2+y2−400x−35 000=0x^2 + y^2 - 400x - 35\,000 = 0. Completando o quadrado, (x−200)2+y2=75 000(x - 200)^2 + y^2 = 75\,000: o centro é a própria Porto Alegre, que portanto está dentro. Para Pelotas, d2=1602+2202=25 600+48 400=74 000<75 000d^2 = 160^2 + 220^2 = 25\,600 + 48\,400 = 74\,000 < 75\,000, também dentro, por uma margem pequena que só a conta exata enxerga. Item certo. Quem tentasse 75 000\sqrt{75\,000} de cabeça perderia tempo e ganharia erro de arredondamento.

Cerca virtual, pivô e a zona de exclusão do aeroporto

Frotas de ônibus, coleiras com GPS e aplicativos de controle de drones usam a mesma desigualdade. Uma cerca virtual (geofence) é, no caso mais simples, um centro e um raio; o aparelho compara, a cada segundo, a sua distância ao centro com o raio e dispara um aviso quando o sinal da comparação muda. A zona em que um drone de lazer não pode voar perto de um aeroporto é um disco em torno da pista: com o centro em (a,b)(a, b) e o raio em quilômetros, o aplicativo bloqueia a decolagem sempre que (x−a)2+(y−b)2≤r2(x - a)^2 + (y - b)^2 \le r^2 para a posição (x,y)(x, y) do piloto. E o agrônomo que planeja um pivô em terreno acidentado testa, ponto a ponto, quais coordenadas da fazenda ficam dentro do disco.

Reta e circunferência: a distância do centro à reta decide

Uma reta pode cortar a circunferência em dois pontos, encostar nela num ponto só, ou passar ao largo. A decisão também é uma comparação com o raio, só que agora a distância é do centro à reta, a menor possível, medida na perpendicular. A fórmula, deduzida em Distâncias na geometria analítica, exige a reta na forma geral Ax+By+C=0Ax + By + C = 0:

d(C,s)=∣Aa+Bb+C∣A2+B2.d(C, s) = \frac{|A a + B b + C|}{\sqrt{A^2 + B^2}}.

Posição de uma reta em relação à circunferência

Com d=d(C,s)d = d(C, s) a distância do centro à reta:

  • d<rd < r: reta secante, dois pontos comuns.
  • d=rd = r: reta tangente, um ponto comum (o pé da perpendicular).
  • d>rd > r: reta exterior, nenhum ponto comum.

A reta tangente num ponto TT da circunferência é perpendicular ao raio CTCT: para escrever a tangente em TT, use o coeficiente angular de CTCT e tome o oposto do inverso. Para retas horizontais (y=ky = k) ou verticais (x=kx = k), a distância ao centro é só ∣k−b∣|k - b| ou ∣k−a∣|k - a|, sem fórmula.

A circunferência de centro C(3, −1) e raio 5 com três retas. A reta vertical x igual a 6 corta a curva em dois pontos, com a distância do centro até ela marcada como 3, menor que 5. A reta 4x menos 3y mais 10 igual a zero encosta na curva no ponto T(−1, 2), com o segmento do centro até T perpendicular à reta e medindo 5. A reta horizontal y igual a 6 passa acima da curva, a 7 do centro. Uma legenda lista: d menor que r secante, d igual a r tangente, d maior que r exterior.
Três retas, uma circunferência, uma régua: a distância do centro à reta. x = 6 está a 3 do centro (secante); 4x − 3y + 10 = 0 está a exatamente 5 (tangente em T(−1, 2), com CT perpendicular à reta); y = 6 está a 7 (exterior). Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 6: classificar e achar o ponto de tangência. Qual é a posição da reta 4x−3y+10=04x - 3y + 10 = 0 em relação à circunferência (x−3)2+(y+1)2=25(x - 3)^2 + (y + 1)^2 = 25?

Estratégia: reta já na forma geral; calcular d(C,s)d(C, s) com C(3,−1)C(3, -1) e comparar com r=5r = 5.

Resolução: d=∣4⋅3−3⋅(−1)+10∣16+9=∣12+3+10∣5=255=5=rd = \dfrac{|4 \cdot 3 - 3 \cdot (-1) + 10|}{\sqrt{16 + 9}} = \dfrac{|12 + 3 + 10|}{5} = \dfrac{25}{5} = 5 = r. Tangente. O ponto de tangência é o pé da perpendicular baixada do centro: a perpendicular à reta tem a direção do vetor (4,−3)(4, -3) e, partindo de CC, anda 55 unidades. Como 42+32=5\sqrt{4^2 + 3^2} = 5, o deslocamento é o próprio (4,−3)(4, -3) ou o seu oposto; testando, T=(3,−1)−(4,−3)=(−1,2)T = (3, -1) - (4, -3) = (-1, 2) satisfaz 4(−1)−3(2)+10=04(-1) - 3(2) + 10 = 0.

Conferência: TT está na circunferência, (−1−3)2+(2+1)2=16+9=25(-1 - 3)^2 + (2 + 1)^2 = 16 + 9 = 25; e CTCT tem coeficiente angular 2−(−1)−1−3=−34\frac{2 - (-1)}{-1 - 3} = -\frac{3}{4}, enquanto a reta tem m=43m = \frac{4}{3}; o produto é −1-1, perpendiculares.

Exemplo resolvido 7: os pontos de interseção por substituição. Onde a reta y=x+1y = x + 1 corta a circunferência x2+y2=25x^2 + y^2 = 25?

Estratégia: quando se querem os pontos, e não só a classificação, substitua a reta na circunferência e resolva a equação do 2.º grau; o discriminante repete a classificação (Δ>0\Delta > 0 secante, Δ=0\Delta = 0 tangente, Δ<0\Delta < 0 exterior).

Resolução: x2+(x+1)2=25⇒2x2+2x−24=0⇒x2+x−12=0x^2 + (x + 1)^2 = 25 \Rightarrow 2x^2 + 2x - 24 = 0 \Rightarrow x^2 + x - 12 = 0, com raízes x=3x = 3 e x=−4x = -4. Os pontos são (3,4)(3, 4) e (−4,−3)(-4, -3).

Conferência: 32+42=253^2 + 4^2 = 25 e (−4)2+(−3)2=25(-4)^2 + (-3)^2 = 25; os dois satisfazem y=x+1y = x + 1. Pela distância: x−y+1=0x - y + 1 = 0 está a ∣0−0+1∣2≈0,71<5\frac{|0 - 0 + 1|}{\sqrt{2}} \approx 0{,}71 < 5 da origem, secante, como o Δ>0\Delta > 0 já dizia.

O mesmo método responde onde a circunferência cruza os eixos coordenados: faça y=0y = 0 para o eixo xx e x=0x = 0 para o eixo yy. Em x2+y2−6x+4y−12=0x^2 + y^2 - 6x + 4y - 12 = 0, o eixo yy dá y2+4y−12=0y^2 + 4y - 12 = 0, raízes 22 e −6-6: a curva passa por (0,2)(0, 2) e (0,−6)(0, -6). O eixo xx dá x2−6x−12=0x^2 - 6x - 12 = 0, raízes 3±213 \pm \sqrt{21}. Um caso que merece reflexo: se o termo independente FF é zero, a origem satisfaz a equação, e a circunferência passa pela origem.

Em 2010, o PAS 3 usou a tangência no sistema de espelhos do Hubble: o espelho secundário era uma circunferência de centro P(p,0)P(p, 0) e raio 0,160{,}16 m, o ponto BB estava sobre ela, com BCBC inclinado 120°120° em relação ao eixo xx, e a reta ABAB, vinda de A(0,−1,2)A(0, -1{,}2), era tangente em BB. Tangente em BB quer dizer AB⊥PBAB \perp PB: com B=(p+0,08, −0,083)B = (p + 0{,}08,\ -0{,}08\sqrt{3}), o produto escalar de PB=(0,08,−0,083)PB = (0{,}08, -0{,}08\sqrt{3}) por AB=(p+0,08, 1,2−0,083)AB = (p + 0{,}08,\ 1{,}2 - 0{,}08\sqrt{3}) zera quando p=1,23−0,32≈1,76p = 1{,}2\sqrt{3} - 0{,}32 \approx 1{,}76, inferior a 22 m, como o item afirmava. A conta inteira é o fato de que raio e tangente são perpendiculares.

Montar a circunferência a partir de condições

Até aqui a equação vinha pronta. Os itens mais trabalhosos dão condições e pedem a equação, ou perguntam se ela existe. Cada condição vira uma equação nas incógnitas aa, bb e rr (ou DD, EE e FF).

Centro e um ponto. O raio é a distância entre eles. Antena em C(5,4)C(5, 4) cujo alcance termina na antena E(8,−2)E(8, -2), como no PAS 3 de 2014: r2=32+62=45r^2 = 3^2 + 6^2 = 45 e (x−5)2+(y−4)2=45(x - 5)^2 + (y - 4)^2 = 45, que expandida dá x2+y2−10x−8y=4x^2 + y^2 - 10x - 8y = 4. Entre as quatro opções do item, duas nem eram circunferências.

Um diâmetro. O centro é o ponto médio dos extremos e o raio é metade da distância entre eles. Diâmetro de (−1,3)(-1, 3) a (5,−5)(5, -5): centro (2,−1)(2, -1); a distância é 36+64=10\sqrt{36 + 64} = 10, logo r=5r = 5 e a equação é (x−2)2+(y+1)2=25(x - 2)^2 + (y + 1)^2 = 25.

Tangência aos eixos. Se a circunferência tangencia o eixo xx, a distância do centro a esse eixo é o raio: ∣b∣=r|b| = r. Se tangencia o eixo yy, ∣a∣=r|a| = r. Tangente aos dois eixos no primeiro quadrante com raio 3: centro (3,3)(3, 3), (x−3)2+(y−3)2=9(x - 3)^2 + (y - 3)^2 = 9. O PAS 2 de 2022 pediu o arco de um entulho na foto de Cartier-Bresson: circunferência de diâmetro 22 m tangente ao eixo yy na origem, com o arco do lado positivo de xx. Raio 11, centro a 11 do eixo yy sobre o eixo xx: (1,0)(1, 0), e a equação é (x−1)2+y2=1(x - 1)^2 + y^2 = 1.

Centro sobre uma reta dada. A condição “centro em (m,4)(m, 4)” ou “centro sobre y=2xy = 2x” fixa uma coordenada em função da outra; as demais condições fecham o sistema.

Três pontos não alinhados. Há exatamente uma circunferência por eles, e dois caminhos para achá-la. O geométrico: o centro equidista dos três, logo está na mediatriz de cada par; a interseção de duas mediatrizes é o centro. O algébrico: substituir os três pontos em x2+y2+Dx+Ey+F=0x^2 + y^2 + Dx + Ey + F = 0 dá um sistema linear 3 × 3 em DD, EE, FF.

Plano cartesiano com os pontos A(2, 1), B(6, 3) e C(4, 7). O segmento AB tem o ponto médio marcado em 4 e 2 e a mediatriz, perpendicular a AB, traçada; o segmento BC tem o ponto médio em 5 e 5 e a sua mediatriz. As duas mediatrizes se cruzam no ponto O(3, 4), marcado como centro. A circunferência de centro O passa por A, B e C, com os três raios desenhados e a medida raiz de 10 ao lado de cada um.
O centro equidista dos três pontos, logo está nas três mediatrizes; bastam duas para achá-lo. Por A(2, 1), B(6, 3) e C(4, 7): mediatriz de AB é y = −2x + 10, mediatriz de BC é y = x/2 + 5/2, encontro em (3, 4), raio √10. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 8: circunferência por três pontos, pelos dois caminhos. Encontre a circunferência que passa por A(2,1)A(2, 1), B(6,3)B(6, 3) e C(4,7)C(4, 7).

Caminho das mediatrizes: ponto médio de ABAB é (4,2)(4, 2) e o coeficiente angular de ABAB é 24=12\frac{2}{4} = \frac12, logo a mediatriz tem m=−2m = -2: y−2=−2(x−4)y - 2 = -2(x - 4), ou y=−2x+10y = -2x + 10. Ponto médio de BCBC é (5,5)(5, 5), coeficiente angular de BCBC é 4−2=−2\frac{4}{-2} = -2, mediatriz com m=12m = \frac12: y=x2+52y = \frac{x}{2} + \frac{5}{2}. Igualando, −2x+10=x2+52-2x + 10 = \frac{x}{2} + \frac{5}{2}, logo 5x2=152\frac{5x}{2} = \frac{15}{2} e x=3x = 3, y=4y = 4. Centro (3,4)(3, 4); r2=(2−3)2+(1−4)2=10r^2 = (2 - 3)^2 + (1 - 4)^2 = 10.

Caminho do sistema: substituindo em x2+y2+Dx+Ey+F=0x^2 + y^2 + Dx + Ey + F = 0: AA dá 2D+E+F=−52D + E + F = -5; BB dá 6D+3E+F=−456D + 3E + F = -45; CC dá 4D+7E+F=−654D + 7E + F = -65. Subtraindo a primeira das outras duas: 4D+2E=−404D + 2E = -40 e 2D+6E=−602D + 6E = -60, isto é, 2D+E=−202D + E = -20 e D+3E=−30D + 3E = -30. Da primeira, E=−20−2DE = -20 - 2D; na segunda, D−60−6D=−30D - 60 - 6D = -30, logo D=−6D = -6, E=−8E = -8 e F=−5+12+8=15F = -5 + 12 + 8 = 15. A equação é x2+y2−6x−8y+15=0x^2 + y^2 - 6x - 8y + 15 = 0.

Conferência: completando quadrados, (x−3)2+(y−4)2=9+16−15=10(x - 3)^2 + (y - 4)^2 = 9 + 16 - 15 = 10, o mesmo centro e o mesmo raio do primeiro caminho. E C(4,7)C(4, 7): (1)2+(3)2=10(1)^2 + (3)^2 = 10.

Quando os pontos têm simetria, o trabalho encolhe. No PAS 3 de 2016, quatro caixas de som A(−4,7)A(-4, 7), C(−5,5)C(-5, 5), A′(4,7)A'(4, 7) e C′(5,5)C'(5, 5), simétricas em relação ao eixo yy, estavam numa mesma circunferência: o centro tinha de estar no eixo de simetria, (0,k)(0, k), e bastou igualar as distâncias a AA e a CC: 16+(7−k)2=25+(5−k)216 + (7 - k)^2 = 25 + (5 - k)^2, que dá k=154k = \frac{15}{4}, inferior a 4, como o item afirmava. Outra situação com reflexo pronto: quando a curva contém a origem e encontra os eixos nos pontos (p,0)(p, 0) e (0,q)(0, q), a forma geral fica com F=0F = 0, D=−pD = -p e E=−qE = -q. Foi o que o PAS 3 de 2010 escondeu no banhista da praia: a circunferência por OO, BB e NN, com BB no eixo xx e NN no eixo yy equidistantes de OO, tinha, na forma geral, a=ba = b.

E se não existir? O PAS 3 de 2019 perguntou se havia um número mm para que E(m,4)E(m, 4) fosse o centro de uma circunferência por O(0,0)O(0, 0), C(4,0)C(4, 0) e D(6,3)D(6, 3). Equidistar de OO e CC obriga o centro a estar na mediatriz x=2x = 2, logo m=2m = 2. Mas aí d(E,O)2=4+16=20d(E, O)^2 = 4 + 16 = 20 e d(E,D)2=16+1=17d(E, D)^2 = 16 + 1 = 17: distâncias diferentes, o centro não serve. A resposta é “não existe”, e o método é sempre o mesmo: imponha as condições uma a uma e veja se a última é compatível com as anteriores.

Três circunferências localizam você

O receptor de GPS do celular não “vê” a sua posição: mede a distância até cada satélite. Em duas dimensões, uma distância conhecida até um ponto conhecido coloca você sobre uma circunferência; duas circunferências se cruzam em dois pontos; a terceira escolhe um deles. É a trilateração, e a conta é exatamente a interseção de circunferências desta página, feita, na prática, com esferas e com um quarto satélite para acertar o relógio.

Duas circunferências: a distância entre os centros conta a história

Com duas circunferências de raios r1r_1 e r2r_2 e centros a uma distância dd um do outro, a posição relativa sai da comparação de dd com a soma e com a diferença dos raios:

Posições relativas de duas circunferências
  • d>r1+r2d > r_1 + r_2: exteriores, sem ponto comum.
  • d=r1+r2d = r_1 + r_2: tangentes exteriormente, um ponto comum.
  • ∣r1−r2∣<d<r1+r2|r_1 - r_2| < d < r_1 + r_2: secantes, dois pontos comuns.
  • d=∣r1−r2∣d = |r_1 - r_2|: tangentes interiormente, um ponto comum.
  • d<∣r1−r2∣d < |r_1 - r_2|: interiores, uma dentro da outra sem se tocarem (concêntricas se d=0d = 0).

Para achar os pontos comuns, subtraia uma equação geral da outra: os termos em x2x^2 e y2y^2 somem e sobra uma reta (o eixo radical), que passa pelos pontos de interseção; substitua essa reta numa das circunferências.

Cinco pares de circunferências em fila, com os centros ligados por um segmento marcado d. No primeiro par, as curvas estão separadas e d é maior que a soma dos raios. No segundo, elas se tocam por fora num ponto, d igual à soma. No terceiro, elas se cruzam em dois pontos, d entre a diferença e a soma. No quarto, a menor toca a maior por dentro num ponto, d igual à diferença. No quinto, a menor está inteira dentro da maior sem tocar, d menor que a diferença.
Da esquerda para a direita, os centros se aproximam: exteriores, tangentes por fora, secantes, tangentes por dentro, interiores. O critério é só d contra r₁ + r₂ e contra |r₁ − r₂|. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 9: dois pivôs vizinhos. As circunferências x2+y2=16x^2 + y^2 = 16 e (x−5)2+y2=9(x - 5)^2 + y^2 = 9 se cruzam? Onde?

Resolução: r1=4r_1 = 4, r2=3r_2 = 3, d=5d = 5. Como 1<5<71 < 5 < 7, são secantes. Subtraindo as formas gerais, x2+y2−16x^2 + y^2 - 16 e x2−10x+25+y2−9x^2 - 10x + 25 + y^2 - 9: 10x−25−16+9=010x - 25 - 16 + 9 = 0, logo x=3,2x = 3{,}2. Na primeira, y2=16−10,24=5,76y^2 = 16 - 10{,}24 = 5{,}76, y=±2,4y = \pm 2{,}4. Pontos comuns: (3,2; 2,4)(3{,}2;\ 2{,}4) e (3,2; −2,4)(3{,}2;\ -2{,}4).

Conferência: na segunda circunferência, (3,2−5)2+2,42=3,24+5,76=9(3{,}2 - 5)^2 + 2{,}4^2 = 3{,}24 + 5{,}76 = 9. Os dois pontos pertencem às duas curvas.

O item D do PAS 3 de 2024 pediu um esboço desse tipo com duas antenas de 5G de alcance 3 km: A1A_1 na origem e A2A_2 a 323\sqrt{2} km, no primeiro quadrante, a 45°45° do eixo xx, o que dá A2(3,3)A_2(3, 3). Como d=32≈4,2d = 3\sqrt{2} \approx 4{,}2 é menor que 3+3=63 + 3 = 6, as áreas de cobertura se sobrepõem; subtraindo x2+y2=9x^2 + y^2 = 9 de (x−3)2+(y−3)2=9(x - 3)^2 + (y - 3)^2 = 9 vem x+y=3x + y = 3, e os pontos comuns são (0,3)(0, 3) e (3,0)(3, 0): as duas circunferências se cruzam exatamente sobre os eixos.

Malha quadriculada em quilômetros com as duas antenas: A1 na origem e A2 no ponto 3 e 3, ligadas por um segmento a 45 graus marcado 3 raiz de 2. Em torno de cada antena, uma circunferência de raio 3. As duas curvas se cruzam nos pontos 0 e 3, sobre o eixo y, e 3 e 0, sobre o eixo x, ambos marcados. A região comum às duas está sombreada.
O esboço pedido pelo item D do PAS 3 de 2024: A₁(0, 0), A₂(3, 3), dois círculos de raio 3 km. A reta x + y = 3, que sai da subtração das equações, passa pelos dois pontos comuns, (0, 3) e (3, 0). Diagrama autoral.

Ler a figura, respeitar a unidade, fazer a conta do tipo B

Quase todos os itens reais desta página vêm com uma figura: um mapa de estado, um campo de futebol, uma fachada, um telescópio, uma obra de arte com eixos desenhados por cima. A sequência que funciona é a mesma em todos:

  1. Anote as coordenadas de cada ponto nomeado, lidas na figura ou na tabela, com a unidade (km, m, “unidades” sem dimensão).
  2. Reconheça o papel de cada ponto: centro, ponto da curva, extremo de diâmetro, ponto de tangência.
  3. Escreva a equação (ou complete quadrados na que foi dada) e só então julgue a afirmação ou calcule o número pedido.
  4. Verifique a unidade e a instrução final do tipo B: “multiplique por 10”, “despreze a parte fracionária”, “em metros”.

No campo de futebol do PAS 3 de 2012, em metros, o ponto FF era o centro do campo, (50,0)(50, 0), e HH um ponto da circunferência central com FH=9FH = 9: (x−50)2+y2=81(x - 50)^2 + y^2 = 81, isto é, x2+y2−100x+2 419=0x^2 + y^2 - 100x + 2\,419 = 0, exatamente a equação do item. No terreno de lavoura do PAS 3 de 2015, a circunferência x2+y2−4x−8y=80x^2 + y^2 - 4x - 8y = 80 tinha centro (p,q)=(2,4)(p, q) = (2, 4) e raio 10, mas o item definia RR como a distância entre EE e FF, extremos de um diâmetro: R=20R = 20, e o produto pedido era p×q×R=2×4×20=160p \times q \times R = 2 \times 4 \times 20 = 160. Quem usou o raio marcou 80 e errou por não ler a definição que o próprio item dava.

A letra $R$ do item não é necessariamente o raio

A letra RR pode nomear qualquer segmento da figura, como em 2015, quando era o diâmetro EFEF. Leia a definição dentro do item antes de usar o número; no tipo B, releia a instrução de escala (“multiplique por 10”) e de arredondamento (“despreze a parte fracionária”) depois da conta. A unidade também pode mudar no meio: coordenadas em quilômetros e resposta em metros, ou coordenadas em metros e raio em centímetros, como 0,160{,}16 m no Hubble.

Em 2023, o PAS 3 desenhou eixos por cima da tela Navio de emigrantes (Lasar Segall), marcou O(0,0)O(0, 0), A(4,3)A(4, 3) e C(8,−3)C(8, -3), e o item dizia que o círculo de centro OO e raio OAOA encontra o segmento OCOC em (4073,−1573)\left(\frac{40}{\sqrt{73}}, -\frac{15}{\sqrt{73}}\right). O raio é OA=5OA = 5 e OC=64+9=73OC = \sqrt{64 + 9} = \sqrt{73}; o ponto do segmento OCOC a 5 unidades da origem é 573\frac{5}{\sqrt{73}} do caminho de OO a CC: 573(8,−3)=(4073,−1573)\frac{5}{\sqrt{73}}(8, -3) = \left(\frac{40}{\sqrt{73}}, -\frac{15}{\sqrt{73}}\right). Item certo, e a conferência é imediata: 1600+22573=182573=25=52\frac{1600 + 225}{73} = \frac{1825}{73} = 25 = 5^2.

Como a banca pergunta

Os itens de circunferência no plano cartesiano têm poucos moldes:

  • Extrair centro e raio de uma equação desarrumada (PAS 3 2024, 2015, 2018): completar quadrados e julgar uma afirmação sobre o centro, o raio ou a passagem por um ponto. Em 2024 a equação veio com os quadrados negativos; em 2015 o RR do item não era o raio.
  • Posição de pontos (PAS 3 2018): cidades, antenas ou casas “no interior do círculo”. Compare d2d^2 com r2r^2; “interior” é estrito.
  • Equação a partir de centro e ponto, ou de diâmetro, ou de tangência aos eixos (PAS 3 2014; PAS 2 2022; PAS 3 2008, anulado): múltipla escolha com opções que nem são circunferências; elimine pela forma antes de calcular.
  • Existência e centro por condições (PAS 3 2019, 2016, 2010): “é possível encontrar mm…”, “a ordenada do centro é inferior a 4”, “as constantes aa e bb são iguais”. Mediatrizes e simetria resolvem.
  • Tangência (PAS 3 2010): raio perpendicular à tangente, ou distância do centro à reta igual ao raio.
  • Interseção de círculo com segmento ou reta (PAS 3 2023): o ponto a distância rr do centro na direção dada.
  • Esboço (PAS 3 2024, tipo D): posicionar centros e círculos numa malha e marcar os cruzamentos.

Todos vêm com um limiar ou com uma afirmação exata, e o limiar costuma ficar perto do valor verdadeiro (74 000 contra 75 000; 1,76 contra 2,0; 3,75 contra 4). Faça a conta exata, com quadrados em vez de raízes, e só compare no fim.

Os erros que custam o item

Nem todos vêm de um item real; são os deslizes que aparecem quando se corrige a lista de exercícios desta página.

  • Ler o lado direito como raio. =9= 9 significa raio 3; =75 000= 75\,000 significa raio 75 000≈274\sqrt{75\,000} \approx 274.
  • Trocar o sinal do centro. (x+3)2(x + 3)^2 tem centro em −3-3; x2+y2+6xx^2 + y^2 + 6x também (−D/2=−3-D/2 = -3).
  • Esquecer de compensar o quadrado. O 99 somado para fechar (x+3)2(x + 3)^2 precisa aparecer do outro lado.
  • Completar quadrados sem dividir pelo coeficiente comum. Em 2x2+2y2−4x+8y−8=02x^2 + 2y^2 - 4x + 8y - 8 = 0, divida por 2 primeiro.
  • Aceitar como circunferência o que não é. Coeficientes diferentes em x2x^2 e y2y^2, termo xyxy, ou r2≤0r^2 \le 0.
  • “Interior” com d=rd = r. Sobre a linha não é dentro.
  • Extrair raiz para comparar. Compare d2d^2 com r2r^2; evita arredondamento e ganha tempo.
  • Usar a reta fora da forma geral na fórmula da distância. y=2x+1y = 2x + 1 vira 2x−y+1=02x - y + 1 = 0 antes de qualquer conta.
  • Tangente paralela ao raio. A tangente é perpendicular ao raio no ponto de contato.
  • Centro de um diâmetro como um dos extremos. O centro é o ponto médio; o raio é metade da distância entre os extremos.
  • Tangente ao eixo xx com ∣a∣=r|a| = r. Tangência ao eixo xx usa a ordenada: ∣b∣=r|b| = r; ao eixo yy, ∣a∣=r|a| = r.
  • Usar o raio quando o item redefiniu RR. Leia a definição do item (2015: RR era o diâmetro).
  • Ignorar a unidade e a instrução final do tipo B. Multiplicar por 10 e desprezar a parte fracionária fazem parte da resposta.

O essencial em meia página

  • Forma reduzida: centro (a,b)(a, b), raio rr: (x−a)2+(y−b)2=r2(x - a)^2 + (y - b)^2 = r^2. O lado direito é r2r^2. Centro na origem: x2+y2=r2x^2 + y^2 = r^2.
  • Forma geral: x2+y2+Dx+Ey+F=0x^2 + y^2 + Dx + Ey + F = 0, com coeficientes iguais em x2x^2 e y2y^2 e sem xyxy. Centro (−D2,−E2)\left(-\frac{D}{2}, -\frac{E}{2}\right); r2=D24+E24−Fr^2 = \frac{D^2}{4} + \frac{E^2}{4} - F. Completar quadrados: some o quadrado da metade do coeficiente aos dois lados.
  • Existência: r2>0r^2 > 0 circunferência; r2=0r^2 = 0 um ponto; r2<0r^2 < 0 vazio. F=0F = 0 significa que passa pela origem.
  • Ponto: compare d2=(xP−a)2+(yP−b)2d^2 = (x_P - a)^2 + (y_P - b)^2 com r2r^2: menor é interior, igual é sobre, maior é exterior. Círculo: (x−a)2+(y−b)2≤r2(x - a)^2 + (y - b)^2 \le r^2.
  • Reta: d(C,s)=∣Aa+Bb+C∣A2+B2d(C, s) = \frac{|Aa + Bb + C|}{\sqrt{A^2 + B^2}} (reta na forma geral) contra rr: secante, tangente, exterior. Pontos comuns por substituição (Δ\Delta repete a classificação). Tangente em TT: perpendicular a CTCT. Retas x=kx = k e y=ky = k: distância ∣k−a∣|k - a| e ∣k−b∣|k - b|.
  • Montar: centro e ponto (rr = distância); diâmetro (centro = ponto médio, rr = metade); tangente ao eixo xx: ∣b∣=r|b| = r, ao eixo yy: ∣a∣=r|a| = r; três pontos: duas mediatrizes ou sistema em DD, EE, FF; simetria põe o centro no eixo de simetria; se as condições se contradizem, a circunferência não existe.
  • Duas circunferências: dd entre centros contra r1+r2r_1 + r_2 e ∣r1−r2∣|r_1 - r_2|: exteriores, tangentes por fora, secantes, tangentes por dentro, interiores. Pontos comuns: subtraia as equações (reta) e substitua.
  • Na prova: coordenadas lidas com unidade; equação antes do julgamento; quadrados em vez de raízes; “interior” estrito; a letra RR do item pode não ser o raio; no tipo B, escala e arredondamento são parte da resposta.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Circunferência - Aula 24
Portal da Matemática OBMEP · 10:00
Introdução. O professor Vander Martins (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP, 3.º ano) deduz a equação reduzida da circunferência a partir da distância de um ponto genérico ao centro, exatamente o caminho da seção “Uma regra, não um desenho: a forma reduzida”.
Equação geral da circunferência - Aula 25
Portal da Matemática OBMEP · 13:06
Mecanismo. Com a técnica de completar quadrados, o professor mostra quando uma equação Ax² + By² + Cx + Dy + E = 0 representa uma circunferência e como extrair centro e raio: é a seção “A forma geral esconde o centro” e a condição de existência da seção seguinte, feitas no quadro.
G. A. POSIÇÃO RELATIVA ENTRE RETA E CIRCUNFERÊNCIA
Equaciona Com Paulo Pereira · 15:39
Aprofundamento. Classifica a reta como externa, tangente ou secante comparando a distância do centro à reta com o raio e resolve exemplos numéricos: é a seção “Reta e circunferência: a distância do centro à reta decide”, com a fórmula da distância aplicada passo a passo.
Exercícios – Equação reduzida da circunferência - Aula 28
Portal da Matemática OBMEP · 10:36
Aplicação. Um exercício completo sobre interseção de duas circunferências com tratamento analítico (subtrair as equações e substituir), o método da seção “Duas circunferências” e do esboço das antenas de 5G do PAS 3 de 2024.
PAS 3 | Matemática | Geometria Analítica - Circunferência | Prova de 2016 - Questão 68
PAS Digital · 9:13
Resolução de item real. Resolve o item 68 do PAS 3 de 2016 (as caixas de som simétricas A, C, A’ e C’ sobre uma mesma circunferência e a ordenada do centro), o mesmo item desta página na seção “Montar a circunferência a partir de condições”: compare a solução por simetria com a do vídeo.
Rota PAS 3
Geometria analítica II e números complexos: o plano que mede e gira · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Geometria analítica II e números complexos: o plano que mede e gira · A circunferência: todos os pontos a R do centro (conceito, exemplo-guia, 'Na prova' com os itens 2018/88, 2019/79, 2014/99, 2023/38, 2016/68, 2015/119 e 2010/38, figura, armadilha e checagem); Como a banca cobra (2024/86 e o inventário do histórico); Resolvidos no formato da prova (circunferência e posição); Banco de treino T2, T6, T7; Raízes de z^n = w (item 2010/38 reproduzido)

    Recorte por assunto: só a circunferência no plano cartesiano. Distância entre pontos e ponto–reta, complexos, forma polar e raízes ficam em outras páginas. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; a abertura, os exemplos, os números e a ordem de exposição desta página são próprios.

  • Rota PAS 3 — Geometria analítica I: o plano como endereço · Abertura e visão do capítulo (a circunferência anunciada para a Parte III); Como a banca cobra (2018/89 e 2024/98 contados no código MAT-E01)

    Consultado por grep para o histórico e para a localização dos itens D de 2018 e 2024; não há seção de circunferência neste capítulo.

  • Rota PAS 3 — Resoluções do banco de treino (Mat 3) · T2 (PAS 3 2015/119, resposta 160), T6 (variante de 2018/88), T7 (reta y = 10 e circunferência pela origem)

    Gabaritos conferidos com os oficiais; a resolução do item 2015/119 aqui foi refeita a partir da figura do caderno.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 3: 2024 (itens 86 e 98), 2023 (38), 2019 (79), 2018 (88), 2016 (68), 2015 (119), 2014 (99), 2012 (82), 2010 (38 e 128), 2008 (58, anulado); PAS 2: 2022 (104)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em classificacao-pas3/AAAA.json e classificacao-pas2/2022.json (2024/86 C; 2024/98 tipo D; 2023/38 C; 2019/79 E; 2018/88 C; 2016/68 C; 2015/119 160; 2014/99 B; 2012/82 C; 2010/38 B; 2010/128 C; 2022/104 A; 2008/58 anulado, usado só na teoria).

  • Cadernos em PDF (figuras dos itens) · PAS 3 2024, p. 12 (fachada do Itamaraty com A(−3,0), B(3,0), C(0,9), D(0,12), E(−3,9), F(3,9)) e p. 13 (malha do item 98); PAS 3 2018, p. 13 (mapa do Rio Grande do Sul e tabela das cidades); PAS 3 2014, p. 15 (figura II das antenas A a F); PAS 3 2023, p. 5 (Navio de emigrantes com O, A, B, C); PAS 3 2016, p. 10 (caixas de som A a G e A' a G' com a tabela das ordenadas); PAS 3 2015, p. 21 (terreno ABCD e a circunferência de centro (p, q) com E, F, G); PAS 3 2012, p. 16 (campo de futebol com O, A, B, C, M, N, G, K, F, H); PAS 3 2010, p. 8 (banhista) e p. 20 (espelhos do Hubble com V, O, A, D, B, C, P, F); PAS 2 2022, p. 14 (fotografia de Cartier-Bresson com M, O, N)

    Páginas renderizadas a 150 dpi e lidas; as figuras foram descritas em texto neutro no campo text das questões, com todas as coordenadas e rótulos.