Uma manilha de concreto, um silo com chapéu de cone, uma cápsula de remédio, um bloco de alumínio com um furo, uma caixa de laranjas: nenhum deles é um sólido só. Como se decide o que somar e o que subtrair, por que a parede de um tubo não é "área vezes espessura", quanto do cubo uma bola ocupa de verdade e o que o nível da água revela quando um objeto afunda?
O que você vai aprender
Reconhecer, num objeto real ou numa figura de prova, os sólidos elementares que o compõem (prisma, cilindro, pirâmide, cone, esfera, tronco e metades deles) e escrever o volume como soma das peças que estão lado a lado, usando a aditividade do volume.
Calcular o volume de cascas (tubo, casca esférica, parede de reservatório, lata com fundo, copo troncocônico) e de sólidos escavados (bloco com furo, bloco com semiesfera retirada, tronco com interior removido) pela diferença entre o sólido externo e o interno, lendo corretamente raio interno, raio externo e alturas diferentes.
Explicar por que a casca não é "área vezes espessura", abrir a diferença de quadrados (r + e)² − r² = 2re + e² e dizer quando a aproximação linear é aceitável e quando um limiar de prova a invalida.
Comparar volumes por razão e por fração ocupada: esfera no cubo (π/6), esfera no cilindro (2/3), cone no cilindro (1/3), laranjas numa caixa, e decidir se um volume cabe ou não cabe em outro recipiente.
Calcular a subida do nível de um líquido quando um objeto é submerso (volume deslocado dividido pela área da base) e usar o deslocamento para medir volumes de peças irregulares.
Tratar meios sólidos (semicilindro, meio anel, semiesfera) e usar o princípio de Cavalieri como ferramenta pronta para endireitar um canal curvo de seção constante.
Conduzir conversões (m³, dm³, dam³, litros) e porcentagens dentro de um problema composto, e resolver itens de julgamento, de resposta numérica (tipo B) e de múltipla escolha (tipo C) no estilo do PAS/UnB com figura cotada, figura I/II e texto-base de outra disciplina.
Uma loja de materiais vende manilhas de concreto por unidade, mas a usina que as fabrica compra concreto por metro cúbico. Entre os dois preços está uma pergunta de geometria: quanto concreto há numa manilha? O objeto é um tubo, e o tubo não aparece em nenhuma tabela de fórmulas. Aparece, porém, como a diferença entre dois cilindros, um grosso e um fino, e a diferença de dois volumes é uma conta que qualquer um faz. O mesmo gesto resolve a casquinha de sorvete (um cone com meia bola em cima), a cápsula de remédio (um cilindro com meia bola em cada ponta), o bloco de alumínio com um furo, a caixa de laranjas com ar entre as frutas e a pedra irregular que afunda num copo. Esta página é sobre esse gesto: decompor o objeto em sólidos conhecidos, somar as peças que se encostam, descontar as que foram tiradas e comparar o que sobra com o que cabia.
As fórmulas de cada peça vêm prontas de três páginas anteriores: base vezes altura para prismas e cilindros em Volume de prismas e cilindros, o terço de pirâmides e cones e o tronco em Volume de pirâmides e cones, os quatro terços de pi erre ao cubo e a sua dedução em Geometria da esfera. Aqui elas não são deduzidas, são usadas; e o princípio de Cavalieri, que tem página própria, entra uma única vez, como ferramenta para endireitar um canal curvo. É a página de síntese do bloco de volumes, e a mais frequente nas provas: o objeto raramente chega como um sólido só.
Volume soma: a regra que autoriza tudo o resto
O volume tem três propriedades que ninguém demonstra na escola e todo mundo usa: é um número não negativo, não muda quando o sólido é deslocado ou girado, e um sólido montado com pedaços que não se sobrepõem tem por volume a soma dos volumes de cada pedaço. Esta última é a que interessa aqui. Ela vale em dois sentidos. Se um objeto é a união de duas peças que só se tocam por uma face (um cilindro com um cone apoiado na tampa), o volume é a soma: a face comum é uma superfície, não tem volume, e não é contada duas vezes. Se de um sólido maior foi retirada uma parte (um cilindro de que se tirou um cilindro menor, coaxial), o que ficou vale o maior menos o menor, porque o maior é a união do que ficou com o que saiu.
Composição e diferença
Para um objeto formado por peças P1,P2,… que não se sobrepõem,
V=V(P1)+V(P2)+⋯
Para um objeto obtido de um sólido S retirando-se uma parte R contida nele,
V=V(S)−V(R).
Casca, parede, tubo, furo, cavidade e escavação são todos o segundo caso. Silo, cápsula, casa com telhado, peso de papel e sólidos “de duas figuras” são o primeiro. Um mesmo objeto pode exigir os dois: um tronco de cone escavado é um tronco (diferença de dois cones) de que se tirou outro tronco.
A regra parece óbvia, e é; a dificuldade dos problemas não está nela, está em ver a decomposição e em ler as medidas de cada peça na figura. Três perguntas organizam a leitura de qualquer objeto composto:
Quais são as peças? Nomeie cada uma com o nome da matriz de sólidos: cilindro, cone, semiesfera, prisma, tronco, metade de cilindro.
Que medidas elas compartilham? “O cone se apoia sobre o cilindro”, “a semiesfera se encaixa perfeitamente”, “o furo atravessa o bloco”: cada uma dessas frases é uma igualdade de medidas (mesmo raio, mesma altura) que o enunciado dá sem número.
O que é cheio e o que é oco? Capacidade (o que cabe dentro), material (o que a parede tem) e volume externo (o que o objeto ocupa) são três números diferentes, e o item pergunta um deles.
A casquinha se desmonta em cone e semiesfera com a mesma base; o volume é a soma das duas peças. A face comum (o círculo da boca) não tem volume. Diagrama autoral.
Somar: casquinha, cápsula, casa e os sólidos “de duas figuras”
Exemplo resolvido 1: a casquinha de sorvete. Uma casquinha é um cone de 6 cm de diâmetro na boca e 12 cm de altura, cheia até a borda; por cima, uma bola de sorvete que é uma semiesfera de mesmo raio. Quanto sorvete há no conjunto, em mililitros? Use π=3,14.
Estratégia: duas peças com o mesmo raio, r=3 cm (metade do diâmetro); somar cone e semiesfera.
Resolução: cone: 31π×32×12=36π cm³. Semiesfera: 32π×33=18π cm³. Total: 54π≈169,6 cm³, isto é, cerca de 170 mL, dos quais um terço é a bola de cima.
Conferência: uma semiesfera de raio r tem o volume de um cone de raio r e altura 2r (32πr3 nos dois); o cone da casquinha tem altura 4r, logo a bola vale exatamente metade dele: 18π=36π/2. Confere. Quem toma os 6 cm como raio quadruplica o cone e multiplica a bola por 8; quem usa 34 na bola, esquecendo que é meia, soma 36π em vez de 18π.
Exemplo resolvido 2: a cápsula. Um tanque de gás tem a forma de uma cápsula: um cilindro de 1 m de raio e 4 m de comprimento, com uma semiesfera de 1 m de raio fechando cada extremidade. Qual é o volume? Use π=3,14.
Estratégia: as duas semiesferas têm o mesmo raio e, juntas, formam uma esfera inteira. Cápsula = cilindro + esfera.
Resolução: cilindro: π×12×4=4π. Esfera: 34π×13=34π. Total: 316π≈16,75 m³, isto é, 16 750 litros.
Conferência: as duas calotas valem 34π, o mesmo que um pedaço de cilindro de raio 1 e comprimento 34 m. A cápsula equivale, portanto, a um cilindro de 4+1,33=5,33 m: 5,33π=16,75. Confere. A regra vale para qualquer cápsula: as duas pontas valem o mesmo que 34r a mais de comprimento.
As duas semiesferas da cápsula formam uma esfera. O volume é o cilindro mais a esfera, o que equivale a prolongar o cilindro em 4r/3. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 3: a casa com telhado de duas águas. Um galpão tem planta retangular de 10 m por 8 m, paredes de 3 m de altura e um telhado de duas águas cuja cumeeira fica 2 m acima das paredes. Qual é o volume de ar no interior, desprezando a espessura das paredes?
Estratégia: o corpo é um paralelepípedo; o telhado é um prisma triangular deitado, com base no triângulo da empena (base 8 m, altura 2 m) e comprimento 10 m.
Conferência: o triângulo da empena tem 8 m² e o retângulo da parede de fundo tem 24 m²; a razão 31 entre as áreas das seções é a razão entre os volumes, 80/240. Confere.
Os itens de prova com “figura I” e “figura II” são o caso típico de soma. Um sólido que empilha um cilindro de 26 cm de altura e 6 cm de diâmetro, um anel plano de raios 3 cm e 4 cm e uma semiesfera de 4 cm de raio tem volume π⋅32⋅26+32π⋅43=234π+42,67π=276,67π≈868,7 cm³. O anel, uma chapa sem espessura, entra na área da superfície e não entra no volume; o item de 2014 que perguntava se o volume era inferior a 870 cm³ foi calibrado a 0,15 % do valor, e só a conta completa decide.
O anel plano e a face comum não têm volume
Quando a figura mostra uma aba, uma borda, um anel ou um disco “de raio interno 3 e raio externo 4”, a peça é bidimensional: tem área, contribui para a superfície do sólido, mas o volume dela é zero. Da mesma forma, o círculo em que o cone se apoia no cilindro não é contado, nem subtraído. Volume é só o que tem três dimensões.
Subtrair: cascas, tubos e paredes
A casca é o sólido que sobra entre duas superfícies parecidas, uma dentro da outra: a parede de um tubo, a parede de uma bola oca, o concreto das paredes de uma casa, o vidro de um copo. O volume de material é sempre o externo menos o interno, e a única dificuldade é identificar as medidas de cada um.
Casca cilíndrica, casca esférica e casca de paralelepípedo
Tubo de raio interno r, raio externo R=r+e (espessura e) e comprimento h:
V=πh(R2−r2)=πh[(r+e)2−r2]=πh(2re+e2).
Bola oca de raios r e R=r+e:
V=34π(R3−r3).
Caixa de paredes de espessura e, com medidas externas a, b, c: V=abc−(a−2e)(b−2e)(c−2e) se as seis faces têm parede; para paredes só nas laterais (uma casa sem laje), o material é o paralelepípedo externo menos o interno de mesma altura.
Em todos os casos, o que se subtrai é o volume da cavidade, nunca “uma esfera de raio e” ou “um cilindro de raio e”.
O tubo visto de cima é uma coroa; o volume da parede é a área da coroa vezes o comprimento. A diferença de quadrados traz um termo e² que a aproximação "área vezes espessura" não vê. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 4: o tubo de PVC. Um tubo tem 10 cm de diâmetro interno, parede de 0,4 cm e 3 m de comprimento. Quanto plástico há nele, e quanto pesa, se o PVC tem 1,4 g/cm³? Use π=3,14.
Estratégia: tudo em centímetros; raio interno 5, externo 5,4, comprimento 300; diferença de cilindros.
Resolução:V=π×300×(5,42−52)=π×300×(29,16−25)=π×300×4,16=1248π≈3919 cm³, cerca de 3,9 litros de plástico. Massa: 3919×1,4≈5490 g, uns 5,5 kg.
Conferência: pelo raio médio. A parede tem 0,4 cm e fica entre os raios 5 e 5,4; a circunferência do meio dela tem raio 5,2 cm e comprimento 2π×5,2=10,4π cm. Uma faixa com esse comprimento, 0,4 cm de espessura e 300 cm de altura tem 10,4π×0,4×300=1248π cm³, o mesmo valor. Confere. Para a massa, uma ordem de grandeza: 3,9 L de um material 1,4 vez mais denso que a água pesam uns 5,5 kg, o que bate com o resultado.
Quando “área vezes espessura” serve, e quando não serve
A tentação de calcular a parede como a superfície interna multiplicada pela espessura é natural: é o que se faria com uma chapa plana. Numa parede curva, porém, a face externa é maior que a interna, e o produto “área interna vezes espessura” fica sempre abaixo do valor exato, pelo termo πhe2 no tubo e por um termo análogo na esfera. O erro relativo no tubo é
πh(2re+e2)πhe2=2r+ee,
que vale 4 % para e=0,4 e r=5, 10 % para e=1 e r=4,5, e 33 % para uma parede tão grossa quanto o raio interno. Para uma lata de alumínio (parede de 0,1 mm, raio de 3 cm) o erro é 0,2 % e a aproximação é ótima; para uma manilha, um bloco de concreto ou uma panela de pedra, não é. E há uma versão que acerta sempre: se a área lateral é tomada no raio médior+2e, o produto 2π(r+2e)he=πh(2re+e2) é exatamente o volume do tubo. O mesmo vale para a casca de paralelepípedo (perímetro medido pela linha média das paredes) e, com um erro residual pequeno, para a casca esférica (superfície no raio médio).
Raio interno, raio externo e a espessura
Três erros têm a mesma origem. (1) Subtrair “o cilindro de raio e”: a cavidade tem raio r, não e. (2) Tomar o raio dado como externo quando o enunciado diz “diâmetro interno” (ou o contrário): o tubo de 10 cm de diâmetro interno e 0,4 cm de parede tem 10,8 cm por fora. (3) Esquecer que a espessura entra dos dois lados de um diâmetro: a cavidade de uma caixa com paredes de 2 cm tem cada medida externa reduzida de 4 cm, não de 2. Desenhar a seção, com os dois raios cotados, evita os três.
Exemplo resolvido 5: a bola oca. Uma esfera de aço oca tem 10 cm de raio externo e parede de 1 cm. Quanto pesa, se o aço tem 7,85 g/cm³? Use π=3,14.
Estratégia: casca esférica de raios 10 e 9; diferença dos cubos.
Resolução:V=34π(103−93)=34π(1000−729)=34π×271=361,3π≈1134,6 cm³. Massa: 1134,6×7,85≈8907 g, quase 9 kg.
Conferência: a esfera maciça de raio 10 tem 4187 cm³; a casca de 1 cm leva 27 % dela, embora a espessura seja 10 % do raio, porque as camadas externas de uma esfera são as mais volumosas. Pela superfície média: 4π×9,52×1=361π, a 0,1 % do exato. Quem calcula “uma esfera de raio 1” obtém 4,19 cm³, duzentas e setenta vezes menos.
Exemplo resolvido 6: o concreto das paredes. Um galpão retangular mede 15 m por 8 m por fora, tem paredes de 4 m de altura e 20 cm de espessura, sem laje, com uma porta de 2,1 m por 0,9 m e duas janelas de 1,2 m por 1,0 m. Quanto concreto foi usado nas paredes?
Estratégia: casca de paralelepípedo (externo menos interno, mesma altura); depois descontar as aberturas, que são paralelepípedos com a espessura da parede.
Resolução: externo: 15×8×4=480 m³. Interno: as medidas internas perdem 0,2 m de cada lado: 14,6×7,6×4=443,84 m³. Paredes cheias: 36,16 m³. Aberturas: porta 2,1×0,9×0,2=0,378 m³; janelas 2×1,2×1,0×0,2=0,48 m³. Concreto: 36,16−0,858≈35,3 m³.
Conferência: pela linha média das paredes, o perímetro é 2×(14,8+7,8)=45,2 m, e 45,2×4×0,2=36,16 m³, exatamente o valor da diferença. Pelo perímetro externo (46 m) sairiam 36,8 m³; pelo interno (44,4 m), 35,52 m³. Os três números são diferentes, e um item de prova com limiar entre eles fica indecidível se o enunciado não disser se as medidas são por fora ou por dentro. Foi o que aconteceu com um item do PAS 2 de 2024 sobre as paredes de 25 cm de um modelo de casa com duas aberturas, que a banca anulou; o molde do problema, casca de paralelepípedo com aberturas descontadas, continua valendo.
Exemplo resolvido 7: a lata com fundo. Uma lata sem tampa tem 4 cm de raio externo, 12 cm de altura externa, parede de 0,2 cm e fundo de 0,3 cm. Quanto metal há nela? Use π=3,14.
Estratégia: o externo é um cilindro cheio; a cavidade é um cilindro de raio 4−0,2=3,8 e altura 12−0,3=11,7, porque o fundo come 0,3 cm de altura e não há tampa.
Conferência: por soma de peças: a parede é um tubo de raios 3,8 e 4 com 11,7 cm de altura, π(16−14,44)×11,7=18,25π; o fundo é um disco cheio de raio 4 e espessura 0,3, π×16×0,3=4,8π. Soma: 23,05π. Confere. Quem toma a cavidade com a altura externa (12) subtrai metal que não existe e acha 4,3π a menos; quem calcula o tubo com 12 cm e ainda soma o fundo inteiro conta a borda do fundo duas vezes.
Escavar: furos, cuias e troncos ocos
Escavar é subtrair com outro nome: o material que sobra é o bloco menos a cavidade. A diferença prática em relação às cascas é que a cavidade pode ter formato diferente do bloco (um furo cilíndrico num paralelepípedo, uma semiesfera num cubo), e a pergunta pode ser pelo que ficou ou pelo que saiu.
O bloco furado é o paralelepípedo menos o cilindro do furo; a altura do furo é a altura que ele atravessa. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 8: o bloco furado. Um bloco de alumínio de 20 cm × 12 cm × 8 cm recebe um furo cilíndrico de 6 cm de diâmetro que o atravessa de cima a baixo. Qual é o volume de alumínio que sobra, e quanto pesa o bloco, com 2,7 g/cm³? Use π=3,14.
Estratégia: o furo é um cilindro de raio 3 e altura 8 (a dimensão que ele atravessa).
Resolução: bloco: 20×12×8=1920 cm³. Furo: π×9×8=72π≈226,1 cm³. Sobra: 1693,9 cm³, e a massa é 1693,9×2,7≈4574 g, cerca de 4,6 kg.
Conferência: o furo retira 11,8 % do bloco. Se atravessasse o comprimento de 20 cm em vez da altura, retiraria π×9×20=565 cm³: a altura do furo é sempre a dimensão que ele percorre, e a figura diz qual é.
Exemplo resolvido 9: a cuia. De um cubo de madeira de 12 cm de aresta escava-se, no centro da face de cima, uma cavidade semiesférica de 5 cm de raio. Quanta madeira sobra, e quanto líquido a cuia comporta? Use π=3,14.
Estratégia: cubo menos semiesfera; a capacidade é a própria semiesfera.
Resolução: cubo: 1728 cm³. Semiesfera: 32π×125=83,3π≈261,7 cm³. Madeira: 1466,3 cm³. Capacidade: 261,7 mL, pouco mais de um copo.
Conferência: a semiesfera de raio 5 cabe na face de 12 cm (diâmetro 10 < 12) e na altura (5 < 12); a figura precisa permitir a cavidade. Quem usa 34 no lugar de 32 dobra a cavidade e acha 523 mL.
O caso mais cobrado em prova é o tronco escavado: um bloco em forma de tronco de cone de que se esculpe uma panela com fundo e parede de 1 cm. O material removido é o interior, que também é um tronco de cone, com a altura diminuída da espessura do fundo e os raios diminuídos da espessura da parede; o material que fica é o bloco menos esse interior. Um bloco de 21 cm de altura e raios 10 cm e 12 cm tem cerca de 8000 cm³; a panela de 1 cm leva embora cerca de 6360 cm³ e fica com uns 1640 cm³ de pedra. A mesma estrutura, invertida, modela a arquibancada de um estádio: um tronco de cone com um cilindro central removido, isto é, tronco menos cilindro, com os raios do tronco somando o raio do cilindro às larguras da coroa.
Somar o que foi escavado
Quando o enunciado diz “removeu-se”, “escavou-se”, “foi retirado”, a peça entra com sinal de menos; quando pergunta “quanto foi removido”, a resposta é só a cavidade. O erro de prova é somar bloco e cavidade, ou responder o material restante quando a pergunta era pelo material retirado, e vice-versa. Escreva, antes dos números, uma linha do tipo “sobra = bloco − furo” e confira se a pergunta é por “sobra” ou por “furo”.
Comparar: frações, “cabe ou não cabe” e a esfera dentro de outros sólidos
Muitos itens não pedem um volume: pedem uma razão, uma fração ocupada ou uma decisão. As razões clássicas valem a pena saber de cor, porque não dependem do tamanho.
Frações que não dependem do tamanho
Esfera inscrita no cubo (aresta 2r): 8r334πr3=6π≈52,4%. O cubo tem π6≈1,91 vezes o volume da bola.
Esfera inscrita no cilindro (raio r, altura 2r): 2πr334πr3=32. O cilindro é 50 % maior que a esfera; a relação está no túmulo de Arquimedes.
Cone no cilindro de mesma base e altura: 31. Semiesfera no cilindro de raio r e altura r: 32.
Cilindro : esfera : cone com o mesmo raio r e altura 2r: 2πr3:34πr3:32πr3=3:2:1.
Em todas, o r3 cancela: a fração é a mesma para uma bola de gude e para um planeta.
A bola ocupa 52 % do cubo que a contém e 67 % do cilindro que a abraça. As frações não dependem do raio. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 10: as laranjas na caixa. Uma caixa de 32 cm × 24 cm × 16 cm é preenchida com laranjas de 8 cm de diâmetro, arrumadas em fileiras, 4 × 3 × 2. Que fração da caixa é ar?
Estratégia: 24 laranjas, cada uma dentro de um “cubinho” de 8 cm; a fração ocupada em cada cubinho é π/6, e a da caixa é a mesma.
Resolução: caixa: 12288 cm³. Laranjas: 24×34π×43=2048π≈6434 cm³. Fração ocupada: 6434/12288=0,524, isto é, π/6. Ar: 47,6%, cerca de 5854 cm³.
Conferência:24×83=12288: a caixa é exatamente a união dos 24 cubinhos, e cada um tem 52,4 % de laranja. O resultado não muda com o tamanho da laranja nem com o número delas, desde que o arranjo seja esse (em fileiras). Arranjos mais apertados, com as laranjas encaixadas nos vãos da camada de baixo, chegam a 74 %, que é o máximo possível para esferas iguais.
Exemplo resolvido 11: cabe ou não cabe. Quatro laranjas de 7 cm de diâmetro rendem 40 % do seu volume em suco. O suco cabe num copo de 250 mL? Use π=3,14.
Estratégia: volume das esferas (raio 3,5 cm), porcentagem, comparação.
Resolução:4×34×3,14×3,53=4×34×3,14×42,875=718,0 cm³; 40 % disso são 287,2 mL. Não cabe: faltam 37 mL de copo.
Conferência: uma laranja de 7 cm tem 179,5 cm³ (pouco menos de um copo pequeno); 40 % de quatro delas dá 1,6 laranja, mais que um copo de 250 mL. A decisão “cabe ou não cabe” é sempre uma comparação de dois volumes, e as duas contas precisam estar na mesma unidade: cm³ e mL são a mesma coisa; m³ e litros, não.
A comparação por fração explica itens que parecem exigir conta e não exigem. Cinco bolas de gelo de raio r derretidas (o enunciado manda igualar os volumes de gelo e de água) somam 320πr3; dois cones de raio 2r e altura 2r comportam 2×31π(2r)2(2r)=316πr3. Não cabem, e a resposta sai sem nenhum número. Trezentos frutos esféricos de 1 cm de diâmetro somam 300×34π×0,53=50π≈157 cm³, menos que 200; quem usa 1 cm como raio acha oito vezes mais (1 256 cm³) e erra o julgamento. É a regra do cubo da escala: metade do diâmetro, um oitavo do volume.
Medir por deslocamento: o nível que sobe
Quando um objeto é mergulhado por completo num líquido, o nível sobe, e o volume que subiu é exatamente o volume do objeto. É o modo de medir o volume de uma pedra, de uma chave ou de uma peça de motor, e é também um tipo de item: dada a subida do nível, achar o volume; dado o objeto, achar a subida.
Subida do nível num recipiente de seção constante
Num recipiente cuja seção horizontal tem área A constante (cilindro, prisma, aquário), um objeto de volume V totalmente submerso faz o nível subir
Δh=AV.
Vale para qualquer forma de objeto, porque só o volume submerso importa; vale para vários objetos de uma vez (soma dos volumes); e deixa de valer se o recipiente afunila (cone, tronco), caso em que a subida depende da altura inicial. Um objeto que flutua desloca só a parte submersa, igual em peso ao objeto, e a conta passa a ser de hidrostática.
O volume que o nível ganha é o volume do objeto submerso: a subida é V dividido pela área da base. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 12: a esfera no copo. Um copo cilíndrico de 5 cm de raio tem água. Uma esfera de aço de 3 cm de raio é mergulhada e fica totalmente coberta. Quanto o nível sobe?
Estratégia:Δh=Vesfera/Abase.
Resolução:V=34π×27=36π cm³; A=25π cm². Δh=25π36π=1,44 cm.
Conferência: o π cancela, o que é típico desses itens; a resposta é 3R24r3, e com r=3, R=5 dá 75108=1,44. Se a água inicial tiver menos de 6−1,44=4,56 cm de altura, a esfera não fica coberta e a conta muda.
Exemplo resolvido 13: a pedra medida pelo copo. Numa proveta cilíndrica de 4 cm de raio, a água estava em 10 cm; depois de mergulhar uma pedra, foi a 12,5 cm. Qual é o volume da pedra? Use π=3,14.
Resolução:V=A×Δh=3,14×16×2,5=125,6 cm³.
Conferência: uma pedra de 125 cm³ é do tamanho de uma laranja pequena; se a proveta fosse graduada em mL, bastaria ler a diferença entre as marcas: 125,6 mL. É o mesmo raciocínio que decide quantas pedrinhas de 50 cm³ é preciso pôr num aquário para o nível subir até certa marca, ou quantas garrafas cheias de areia reduzem o volume útil de uma caixa de descarga: volume a deslocar dividido pelo volume de cada objeto.
Metades: semicilindro, meio anel, semiesfera e o rio curvo
Metade de um sólido tem metade do volume, desde que o corte seja pelo plano de simetria. Isso autoriza três peças que aparecem com frequência: o semicilindro (uma calha, um tanque de água de chuva, um túnel), o meio anel cilíndrico (um banco curvo, um canteiro) e a semiesfera (uma cúpula, a copa de uma árvore num esboço, a tampa de um depósito). O cuidado está em qual metade: um cilindro deitado cortado ao meio pelo plano que contém o eixo (a calha) tem seção semicircular; o mesmo cilindro cortado ao meio na altura (um cilindro mais baixo) tem seção circular inteira, e as duas metades têm o mesmo volume por razões diferentes.
Exemplo resolvido 14: a calha e o banco. (a) Uma calha semicilíndrica tem 60 cm de diâmetro e 6 m de comprimento. Quanta água cabe? (b) Um banco de concreto tem a forma de meio anel cilíndrico, com 1,2 m de raio externo, 0,8 m de raio interno e 45 cm de altura. Quanto concreto tem? Use π=3,14.
Resolução: (a) metade do cilindro de raio 0,3 m e comprimento 6 m: 21×3,14×0,09×6=0,848 m³, uns 848 litros. (b) metade da casca cilíndrica: 21×3,14×(1,44−0,64)×0,45=21×3,14×0,8×0,45=0,565 m³.
Conferência: em (a), a seção é um semicírculo de 0,1413 m², vezes 6 m; em (b), a seção é meia coroa de 1,256 m², vezes 0,45 m. Confere. O banco de um item do PAS 3 de 2024, descrito como a remoção das metades de dois cilindros concêntricos de raios 100 cm e 60 cm e 40 cm de altura, é exatamente a peça (b) com outros números: 21π(12−0,62)×0,4=0,128π=12516π m³, e o item que afirmava 125116π estava errado.
O caso mais interessante é o canal curvo. Um trecho de rio ou de canal que faz uma curva não é um prisma, mas, se todas as seções perpendiculares ao leito forem iguais, ele tem o mesmo volume que o prisma reto de mesma seção e mesmo comprimento. É o princípio de Cavalieri em ação: as fatias são congruentes, fatia por fatia, e os volumes coincidem. Pode-se, portanto, endireitar o rio: calcular a área da seção e multiplicar pelo comprimento do trecho.
Se as seções perpendiculares ao leito são iguais ao longo da curva, o canal curvo e o prisma reto de mesmo comprimento têm o mesmo volume (princípio de Cavalieri). Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 15: o canal. Um canal de irrigação tem seção em U: um retângulo de 3 m de largura por 0,8 m de profundidade, sob o qual há um semicírculo de 1,5 m de raio. Num trecho curvo de 25 m de comprimento, quanta água ele leva, cheio? Use π=3,14.
Estratégia: área da seção (retângulo + semicírculo), vezes o comprimento, como se o canal fosse reto.
Resolução: seção: 3×0,8+21×3,14×1,52=2,4+3,53=5,93 m². Volume: 5,93×25≈148 m³.
Conferência: o semicírculo pesa mais que o retângulo nessa seção, 60 % contra 40 %; um canal só retangular de mesma largura e 2,3 m de profundidade (0,8 + 1,5) levaria 172 m³, e o U leva 14 % a menos, porque os cantos do fundo foram arredondados. O comprimento de 25 m é o do trecho medido ao longo do leito; numa curva, a margem de fora é mais longa que a de dentro, e o comprimento “do rio” é o da linha do meio.
O item do PAS 2 de 2008 foi exatamente isso, com margens senoidais a 4 m uma da outra, 1 m de profundidade na parte retangular e um semicírculo de raio 2 m embaixo: 4×1×10+21×3,14×4×10=40+62,8=102,8 m³ num trecho de 10 m, resposta 102. As funções seno das margens eram um susto de leitura: serviam só para dizer que o rio curva mantendo a largura.
Conversões e porcentagens dentro do problema composto
O volume composto raramente é o fim do item: ele vem acompanhado de uma unidade incômoda, de uma porcentagem ou de um divisor para a marcação do tipo B. Três hábitos resolvem a maior parte.
Uma unidade só, antes de qualquer conta. Um bloco em metros com paredes em centímetros, um tubo em centímetros com comprimento em metros: escolha a unidade (a do resultado pedido, de preferência) e converta todos os dados antes de elevar ao quadrado ou ao cubo. Para litros, a passagem fica para o fim: 1 m³ =1000 L, 1 dm³ =1 L, 1 cm³ =1 mL. E uma unidade rara que a banca gosta: 1 dam³ (decâmetro cúbico) =103 m³ =106 L.
Porcentagem é fração do volume inteiro. “5 % do volume da esfera”, “80 % do cilindro”, “40 % de suco”: calcule o volume inteiro, multiplique pela fração. Com r=30 cm, a esfera tem 34π×27000=36000π cm³ e 5 % dela são 1800π cm³; os distratores do item de 2023 estavam a um fator 10 uns dos outros (18000π é esquecer o 5 % e dividir por 2), e a ordem de grandeza decidia.
O divisor do tipo B é a última operação. “Em decâmetros cúbicos”, “divida por 104”, “multiplique por 100”: o depósito de carvão de 2015, cilindro de 60 m de raio e 40 m de altura com semiesfera de 60 m, tem π×3600×40+32π×216000=144000π+144000π=288000π≈904320 m³; em decâmetros cúbicos, 904,32; marcação 904. Repare que as duas peças deram o mesmo volume: a semiesfera de raio r vale o cilindro de raio r e altura 32r, e aqui 32×60=40, a altura do cilindro.
Exemplo resolvido 16: o tanque esférico. Um tanque esférico de gás tem 3 m de diâmetro e está com 30 % da capacidade. Quantos litros há nele? Use π=3,14.
Resolução:r=1,5 m; V=34×3,14×3,375=14,13 m³; 30 %: 4,24 m³ =4240 L.
Conferência: uma esfera de 3 m de diâmetro cabe num cubo de 27 m³ e ocupa 52 % dele, 14,1 m³. Confere. (A fração “30 % da capacidade” é de volume, não de altura: num tanque esférico, 30 % do volume fica bem abaixo de 30 % da altura, porque a esfera é estreita embaixo.)
Compostos que se veem da rua
O silo de grãos (cilindro + cone, ou cilindro + semiesfera), a caixa-d’água de fibra (cilindro + tronco de cone de tampa), o tanque de GLP (cápsula), a manilha e o tubo de PVC (cascas cilíndricas), a bola de futebol e o balão de festa (cascas esféricas), o túnel (semicilindro), o canteiro curvo (meio anel), a casa com telhado (paralelepípedo + prisma triangular), a lata de refrigerante (cilindro com fundo), o bloco de motor (paralelepípedo com furos cilíndricos), a caixa de laranjas (esferas em arranjo cúbico, 48 % de ar). Cada objeto é um exercício desta página; a conta começa pelo nome das peças.
A fração de Arquimedes e a dos ladrilhadores
Arquimedes pediu que gravassem no seu túmulo uma esfera inscrita num cilindro, porque descobriu que o cilindro tem exatamente uma vez e meia o volume da esfera (e uma vez e meia a área também). Cícero conta ter encontrado o túmulo em Siracusa, em 75 a.C., pela figura. A outra fração desta página, a das esferas que ocupam 74 % do espaço quando arrumadas como laranjas de feira, é a conjectura de Kepler, de 1611; que esse é o máximo possível só foi provado por Thomas Hales em 1998, com ajuda de computador, e a prova formal verificada por máquina saiu em 2014. Em fileiras simples, como na caixa do exemplo 10, o aproveitamento cai para os 52 % da esfera no cubo.
Leia como na prova: cotas, encaixes e o texto-base de outra disciplina
Os itens de sólidos compostos têm uma gramática própria, e lê-la bem vale mais que decorar fórmulas.
“Se encaixa perfeitamente” é uma igualdade de medidas. A semiesfera que se encaixa no cilindro tem o raio do cilindro; o cone apoiado na tampa tem a base do cilindro; a esfera inscrita no cubo tem diâmetro igual à aresta. No item de 2015 sobre o depósito de carvão, a figura dava o diâmetro de 120 m do cilindro e a frase do encaixe; o item que afirmava que os dois raios valem 60 m não pedia conta, pedia leitura, e estava certo.
Cotas de uma peça servem para outra. Numa figura com um cilindro de 27 cm encimado por um cone de 3 cm, o diâmetro de 8 cm aparece uma vez e vale para os dois. Numa cápsula, o raio das semiesferas é o do cilindro. Num tubo, a figura pode dar o raio interno e a espessura, e o raio externo fica por conta do leitor.
Figura I e figura II são sólidos diferentes. O item diz qual delas usa; o volume de um não ajuda no outro, e os dois costumam ter cotas parecidas de propósito.
O texto-base pode ser de outra disciplina. Uma litogravura de 1835 com uma roda de capoeira, uma foto de um palmito-juçara, um vídeo sobre o motor a combustão, uma foto de uma escultura: a geometria chega pendurada num texto de artes, de biologia ou de física, e os dados do item de volume vêm dentro do próprio item (o raio da esfera, o diâmetro dos frutos, a espessura da parede). A imagem só empresta o objeto; não há nada para medir nela.
O limiar do julgamento é apertado. “Inferior a 870” para um valor de 868,7; “superior a 54” para 56,5; “inferior a 26” para um valor que vai de 24,5 a 26 conforme o perímetro seja medido por dentro ou por fora. Estimativa não decide; a conta completa, com o π do comando, decide.
O limiar pode ser uma expressão, não um número. “O volume da parede é superior a πrh”: para uma parede de 0,5 cm num cilindro de raio r e altura h, πh[(r+0,5)2−r2]=πh(r+0,25)=πrh+0,25πh, que é maior que πrh para qualquer r e h positivos. O item do PAS 2 de 2025 era isso: uma linha de álgebra, nenhum número.
Como a banca pergunta
Soma de duas peças com limiar (tipo A). Cilindro de 26 cm por 6 cm de diâmetro, anel plano e semiesfera de raio 4 cm (PAS 2 de 2014): 234π+42,67π≈868,7<870, certo; o anel não tem volume.
Leitura de encaixe (tipo A). “O raio da base do cilindro e o raio da semiesfera são, ambos, iguais a 60 m”, com o diâmetro de 120 m na figura (PAS 2 de 2015): certo, sem conta.
Capacidade total em unidade rara (tipo B). O mesmo depósito, “em decâmetros cúbicos” (PAS 2 de 2015): 288000π m³ =904,32 dam³, marcação 904.
Rio curvo endireitado (tipo B). Seção de retângulo 4×1 mais semicírculo de raio 2, trecho de 10 m (PAS 2 de 2008): 102,8 m³, marcação 102.
Casca com limiar algébrico (tipo A). Parede de 0,5 cm num cilindro de raio r e altura h, “superior a πrh” (PAS 2 de 2025): πh(r+0,25)>πrh, certo.
Meio anel (tipo A). Metades de dois cilindros concêntricos de raios 100 cm e 60 cm e 40 cm de altura, “igual a 125116π m³” (PAS 3 de 2024): o valor é 21π(1−0,36)(0,4)=12516π, errado.
Semiesfera com limiar (tipo A). Copa de árvore modelada como semiesfera de 3 m de raio, “superior a 54 m³” (PAS 2 de 2017): 32×3,14×27=56,5, certo.
Muitas esferas pequenas (tipo A). 300 frutos de 1 cm de diâmetro, “maior que 200 cm³” (PAS 2 de 2022): 50π≈157, errado; o distrator é usar o diâmetro como raio.
Porcentagem de uma esfera (tipo C). 5 % de uma esfera de ferro de 30 cm de raio (PAS 2 de 2023): 0,05×36000π=1800π cm³, opção B, com os distratores a um fator 10.
Esfera inscrita no cilindro (tipo A). “O volume do cilindro é 50 % maior que o da esfera” (PAS 2 de 2008): 2πr3 contra 34πr3, razão 23, certo.
Cabe ou não cabe (tipo A). Cinco esferas de gelo de raio r em dois cones de raio e altura 2r (PAS 2 de 2013): 320πr3>316πr3, errado.
Tronco escavado (tipo A) e tronco menos cilindro (tipo B). A panela de pedra-sabão de 2019 e a arquibancada de 2012, resolvidas em Volume de pirâmides e cones, são sólidos compostos por subtração.
Anulado, mas instrutivo. Concreto das paredes de 25 cm de um modelo de casa de 12 m por 6 m por 3 m, com duas aberturas de 2 m por 1 m, “inferior a 26 m³” (PAS 2 de 2024): pelo perímetro externo, 36×3×0,25−1=26 m³, exatamente sobre o limiar; pela linha média, 25,25; pelo interno, 24,5; sem dizer de que lado as medidas foram tomadas, o item não se decide, e foi anulado.
ENEM. Pílula cilindro + duas semiesferas, redução de volume ao mudar o raio (514 mm³); silo cilindro + cone e o número de viagens de caminhão (18); pião torneado de um cilindro, madeira descartada (99 cm³); taça hemisférica e taça cônica com o mesmo champanhe (altura 6 cm); esferas de aço de 6 cm de raio numa caixa cúbica de 13 824 cm³ (8 esferas); garrafas na caixa de descarga (8 garrafas); pedrinhas no aquário (48); terra de um poço cilíndrico num monte cônico de raio triplo (profundidade 6 m).
Os erros que a banca planta
Somar o que foi retirado. Cavidade, furo, interior escavado entram com sinal de menos; “quanto foi removido” é só a cavidade.
Esquecer o 31 ou o 34 numa das peças. O cone de cima vira cilindro; a semiesfera vira “metade de 34” esquecida como 34 inteiro. Cada peça com a sua fórmula.
Diâmetro no lugar do raio. Frutos de 1 cm de diâmetro têm raio 0,5; o erro multiplica o volume por 8.
Raio interno por externo, ou “cilindro de raio e”. A cavidade tem o raio interno; a espessura não é raio de nada.
Casca como área vezes espessura. Fica sempre abaixo do exato; o termo πhe2 decide limiares. Diferença de volumes, ou área no raio médio.
Altura da cavidade igual à altura externa numa lata com fundo, num copo, numa panela. O fundo come altura.
Contar o anel plano, a aba ou a face comum. Não têm volume.
Medidas externas e internas misturadas nas paredes de uma caixa: a espessura entra dos dois lados.
Unidades misturadas (parede em cm, bloco em m) e o divisor do tipo B esquecido ou aplicado antes da hora.
Fração de altura por fração de volume num tanque esférico ou cônico: 30 % do volume não é 30 % da altura.
Nível que sobe sem o objeto estar coberto, ou num recipiente que afunila: Δh=V/A só para seção constante e objeto submerso.
O essencial em meia página
Regra: volume de peças que não se sobrepõem é a soma; o que sobra de uma escavação é o sólido menos a cavidade. Nomeie as peças, ache as medidas compartilhadas (“se encaixa”, “mesma base”, “atravessa”), decida se a pergunta é capacidade, material ou volume externo.
Somas típicas: silo (cilindro + cone ou + semiesfera); cápsula (cilindro + esfera, equivalente a 34r a mais de comprimento); casa (paralelepípedo + prisma triangular); sólidos de “duas figuras”. Anel plano e face comum não têm volume.
Cascas: tubo πh(R2−r2)=πh(2re+e2); bola oca 34π(R3−r3); paredes de caixa, externo menos interno de mesma altura (ou perímetro pela linha média × altura × espessura); lata com fundo, cavidade mais baixa que o externo. “Área × espessura” subestima (erro 2r+ee no tubo); no raio médio, acerta.
Escavados: bloco com furo (altura do furo = dimensão atravessada); cubo com cuia semiesférica; tronco escavado e tronco menos cilindro.
Frações: esfera no cubo 6π≈52%; esfera no cilindro 32; cone no cilindro 31; cilindro : esfera : cone =3:2:1; laranjas em fileiras 52 %, no arranjo máximo 74 %. “Cabe ou não cabe” = comparar dois volumes na mesma unidade; esferas semelhantes, k3.
Deslocamento: Δh=V/A para objeto submerso em recipiente de seção constante; vários objetos, soma dos volumes; proveta graduada lê o volume direto.
Metades: semicilindro (calha), meio anel (banco: 21π(R2−r2)h), semiesfera (32πr3). Canal curvo de seção constante = prisma reto de mesmo comprimento (Cavalieri).
Unidades e porcentagens: converter antes de elevar; 1 m³ =1000 L; 1 dam³ =1000 m³; porcentagem é do volume inteiro; o divisor do tipo B vem por último.
Na prova: encaixe = igualdade de medidas; figura I ≠ figura II; dados dentro do item, não na imagem; limiar apertado exige conta completa; limiar algébrico exige abrir (r+e)2−r2.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Geometria Espacial: Revisão para o ENEM
Descomplica · 18:31
Introdução. Revisão que percorre os sólidos mais cobrados, a conversão volume–capacidade e, em bloco próprio, os sólidos compostos e a decomposição em partes, com questões oficiais comentadas. É o panorama da seção “Volume soma: a regra que autoriza tudo o resto” antes de entrar nas peças.
ENEM 2016 - Cilos de Armazenamento de Grãos
Matematizou · 9:02
Aplicação (soma de peças). Resolução do item do ENEM 2016 do silo em forma de cilindro encimado por cone, com o número de viagens do caminhão de 20 m³. É o molde “cilindro + cone” da seção “Somar: casquinha, cápsula, casa e os sólidos de duas figuras” feito na lousa com um item real, incluindo o arredondamento para cima das viagens; o mesmo silo está na lista de exercícios.
Geom Espac razão entre o volume da esfera inscrita no cubo e o volume do cubo
projairo · 7:15
Comparação. Dedução da fração π/6 que a esfera inscrita ocupa no cubo, a partir da aresta igual ao diâmetro. Cobre a caixa “Frações que não dependem do tamanho” e o exemplo das laranjas na caixa da seção “Comparar”.
Comparação (esfera no cilindro). Cálculo do volume da esfera inscrita num cilindro equilátero a partir das medidas do cilindro: raio igual ao do cilindro, altura igual ao diâmetro. É a razão 2/3 (cilindro 50 % maior) da seção “Comparar”, que o PAS cobrou em 2008.
PUCPR - Descubra o raio da esfera mergulhada no cilindro - @ProfAdetiam
Prof. Adetiam · 9:52
Resolução (deslocamento). Item de vestibular em que uma bolinha mergulhada num recipiente cilíndrico de 3 cm de raio faz o nível subir 1,2 cm, e se pede o raio da bolinha: a relação Δh = V/A da seção “Medir por deslocamento” usada ao contrário, do nível para o objeto.
A manilha é um cilindro grosso menos um cilindro fino: a parede vista de frente é uma coroa, e o concreto é a coroa vezes o comprimento.A casquinha se desmonta em cone e semiesfera com a mesma base; o volume é a soma das duas peças. A face comum (o círculo da boca) não tem volume. Diagrama autoral.As duas semiesferas da cápsula formam uma esfera. O volume é o cilindro mais a esfera, o que equivale a prolongar o cilindro em 4r/3. Diagrama autoral.O tubo visto de cima é uma coroa; o volume da parede é a área da coroa vezes o comprimento. A diferença de quadrados traz um termo e2 que a aproximação “área vezes espessura” não vê. Diagrama autoral.O bloco furado é o paralelepípedo menos o cilindro do furo; a altura do furo é a dimensão que ele atravessa. Diagrama autoral.A bola ocupa 52 % do cubo que a contém e 67 % do cilindro que a abraça. As frações não dependem do raio. Diagrama autoral.Se as seções perpendiculares ao leito são iguais ao longo da curva, o canal curvo e o prisma reto de mesmo comprimento têm o mesmo volume (princípio de Cavalieri). Diagrama autoral.O volume que o nível ganha é o volume do objeto submerso: a subida é V dividido pela área da base. Diagrama autoral.O que sobra do bloco é o paralelepípedo menos o cilindro do furo, e a massa sai do volume que ficou.Em fileiras, as laranjas ocupam 52 % da caixa e o ar fica com 48 %, qualquer que seja o tamanho da fruta.Silo é cilindro mais cone: duas peças com a mesma base, dois volumes somados.O nível sobe exatamente o volume da pedra dividido pela área da base: é assim que se mede o volume do que não tem fórmula.O material removido do bloco é o tronco interior; o que ficou é a casca. A pergunta da prova diz qual dos dois quer.Se a seção é a mesma ao longo da curva, o canal curvo tem o volume do canal reto de mesmo comprimento: Cavalieri endireita o rio.A cápsula é um cilindro com meia bola em cada ponta; as duas pontas juntas valem uma esfera inteira.
Rota PAS 2
Medida de volume: Cavalieri e os sólidos compostos · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Medida de volume: Cavalieri e os sólidos compostos · Sólidos compostos e cascas: somar o que está junto, subtrair o que foi escavado (itens PAS 2 2015/103, 2014/97, 2008/50, 2024/57 anulado; casca cilíndrica); Esfera: o volume que vem do cubo do raio (itens 2022/90, 2017/87, 2008/49, 2013/102); Leia como na prova: o bloco da Roda de capoeira (item 2023/19); Como a banca cobra (item 2025/72); Resolvidos no formato da prova; Banco de treino T14, T16, T19, T21, T22
Recorte por assunto: só a composição, a subtração e a comparação de volumes. As fórmulas de cada sólido e as suas deduções estão nas páginas de prismas e cilindros, pirâmides e cones e geometria da esfera; o princípio de Cavalieri como princípio tem página própria. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números e ordem desta página são próprios.
Mapa de itens do bloco de geometria espacial do PAS 2 · Itens atribuídos a volumes-de-solidos-compostos: PAS 2 2008/50, 2014/97, 2015/103, 2015/105, 2017/87, 2022/90, 2023/19, 2025/72; PAS 3 2024/84; anulado 2024/57 só na teoria; reusos por GUID de 2008/49, 2013/102, 2014/98, 2012/94 e 2019/68
Mapa vinculante. O grep adicional nas três classificações por composto, casca, escavado, semiesfera, silo, cápsula, tanque e anel não acrescentou item de volume composto.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 2: 2008 (itens 47–50, caderno p. 7), 2014 (itens 96–99, caderno Georgina p. 15), 2015 (itens 101–105, caderno Taunay p. 18), 2017 (itens 86–88, caderno Madeira p. 12, texto cifrado → imagem), 2022 (itens 89–92, p. 12 do PDF), 2023 (itens 11–19, Parte 2, p. 5 do PDF), 2024 (itens 57–60, p. 8 do PDF), 2025 (itens 72–76, Parte 2, p. 7 do PDF); PAS 3: 2024 (itens 84–87, p. 12 do PDF); gabaritos nos GAB.txt
Cadernos em PDF (figuras dos itens) · PAS 2 2008 (figura I do trecho curvo do rio com a seção em U cotada 4 m, 1 m e 2 m, p. 8 do PDF), PAS 2 2014 (figuras I e II cotadas, p. 17), PAS 2 2015 (seção do depósito: retângulo de 40 m com semicírculo de 120 m de diâmetro, p. 19), PAS 2 2017 (foto de Pedro David e seção meridiana do esboço da árvore, p. 13), PAS 2 2022 (foto do palmito-juçara, p. 12), PAS 2 2023 (litogravura de Rugendas, p. 5), PAS 2 2024 (modelo de casa com vértices A–H, P e Q, p. 8), PAS 3 2024 (figuras I a III, Ponto de encontro de Mary Vieira, p. 12), PAS 2 2025 (Parte 2, p. 7)
Páginas renderizadas com pdftoppm a 300 dpi e descritas em texto neutro no campo text de cada questão, com todas as cotas, rótulos e tracejados.
ENEM (INEP) — itens de sólidos compostos reusados por GUID do banco central · ENEM 2014 (pílulas cilindro + semiesferas), 2014 PPL (pião torneado de um cilindro; aquário com pedrinhas), 2015 PPL (poço e monte cônico), 2016 (silo cilindro + cone), 2010 (taça hemisférica e taça cônica), 2009 (esferas de aço na caixa cúbica), 2024/2025 (garrafas na caixa de descarga; o banco raspado traz ano 2024 e rótulo de prova 2025); vestibulares PUC-RS 2019 (bolas de Pilates na caixa) e IF-PR 2019 (cisterna cilindro + duas semiesferas)
Reuso por GUID, sem cópia; enunciados, alternativas, gabaritos e resoluções lidos e conferidos no arquivo do banco raspado. O item do silo bag (UFGD 2022) e o do objeto flutuante (ENEM 2020) foram descartados por serem, respectivamente, cilindro simples e hidrostática.