A prova do PAS 2 de 2025 deu a tabela do MATOPIBA (a Bahia com 18% do território e 30 municípios) e perguntou que área, "em média", cada município baiano ocupa; a de 2011 misturou 25 g de um material com 50 g de outro e pediu o percentual de urânio da mistura, em resposta numérica; no PAS 3, a banca deu a frota de veículos por 100 habitantes em treze anos, avisou que a média era 26,2 e afirmou que a mediana era superior a ela; e, com cinco vacinas em quantidades 16, 36, 17, 14 e 17, afirmou que a moda era 36 porque a Tembulax era a mais frequente. Quando um único número tem de falar por muitos, qual escolher, como calculá-lo e o que ele esconde?
O que você vai aprender
Calcular a média aritmética como soma dividida pela quantidade de dados, recuperar o total a partir da média (total = n vezes a média) e reconhecer a média disfarçada de taxa "por unidade": por município, por ano, por dia, por pescador.
Calcular a média ponderada quando os valores têm pesos (notas com pesos, misturas em gramas, culturas em hectares, períodos em anos) e decidir quando a média simples de várias médias está errada por ignorar os tamanhos dos grupos.
Ler uma tabela de frequências como dados agrupados: obter média, mediana e moda sem desdobrar a lista, usando as frequências como pesos e as frequências acumuladas como posições.
Ordenar os dados antes de localizar a mediana, distinguir os casos de quantidade ímpar (o valor do meio) e par (a média dos dois centrais) e identificar a moda, inclusive quando há empate, quando não há moda e quando os dados são categorias.
Comparar média e mediana para ler a assimetria de um conjunto: cauda de valores altos puxa a média acima da mediana; cauda de valores baixos, abaixo; e escolher a medida que melhor representa salários, rendas, notas e preferências.
Prever o que acontece com média, mediana e moda quando se soma ou se multiplica uma constante a todos os dados e quando um único dado é trocado, acrescentado ou retirado.
Resolver os itens do PAS nos formatos A (limiar perto do valor), B (resposta numérica com fator de escala) e C (quatro opções que são leituras erradas da mesma tabela), e reconhecer que o resumo esconde a dispersão, assunto da página seguinte.
Em dezembro de 2025, a prova do PAS 2 colocou na mesa a tabela do MATOPIBA: quatro estados, a fatia de cada um no território da região e o número de municípios de cada um; a Bahia, com 18% da área e 30 municípios. O item de múltipla escolha perguntou que área, “em média”, cada município baiano ocupa, e as quatro opções eram quatro divisões possíveis com os números daquela tabela. Quinze anos antes, a mesma etapa tinha dado dois materiais com percentuais diferentes de dois isótopos de urânio, misturado 25 g de um com 50 g do outro e pedido, em resposta numérica, o percentual da mistura: quem fez a média simples dos percentuais marcou 450; quem pesou cada material pela sua massa marcou 480, o gabarito. No PAS 3, a banca deu a frota de veículos por 100 habitantes em treze anos seguidos, avisou que a média era 26,2 e afirmou que a mediana era maior; noutra prova, listou cinco vacinas em quantidades 16, 36, 17, 14 e 17 e afirmou que a moda era 36 “porque a Tembulax é a mais frequente”. Os quatro itens fazem a mesma pergunta por caminhos diferentes: quando um único número tem de falar por muitos, qual escolher, como calculá-lo e o que ele esconde?
Esta página responde com três números, cada um com uma definição, um modo de cálculo e um defeito. A média reparte o total em partes iguais e, por isso, é arrastada por qualquer valor muito grande ou muito pequeno. A mediana é o valor que fica no meio da fila ordenada e não se importa com o tamanho dos extremos. A moda é o valor que mais se repete, e é a única das três que funciona para categorias (cores, marcas, estados). As três se calculam a partir de uma lista de dados ou de uma tabela de frequências, reagem de maneiras previsíveis quando os dados mudam, e a diferença entre média e mediana conta uma história sobre a forma do conjunto. O que fica para a página seguinte é a outra metade do resumo, a dispersão: dois conjuntos podem ter a mesma média e nada mais em comum.
Um número no lugar de muitos: o que é resumir dados
Uma turma de 30 estudantes fez uma prova; a coordenação quer saber “como a turma foi”. A resposta completa são as 30 notas, e ninguém lê 30 notas numa reunião. A estatística descritiva troca a lista inteira por um ou dois números que capturam o que interessa: onde os dados se concentram (o centro) e quanto se espalham (a dispersão). Esta página é sobre o centro; as medidas que o descrevem chamam-se medidas de tendência central ou medidas de posição.
Antes de qualquer conta, três perguntas organizam o trabalho e evitam a maior parte dos erros de prova. Primeira: qual é a variável, isto é, o que foi medido em cada observação (a nota, o salário, o número de veículos por 100 habitantes, a cor preferida)? Segunda: quantas observações há (n)? Terceira: cada linha da tabela é um dado ou uma contagem de dados? Numa lista de 13 valores anuais, cada valor é um dado. Numa tabela que diz “nota 8: 5 estudantes”, a linha não é um dado, é a informação de que o dado 8 apareceu cinco vezes; a frequência é um peso, não um valor.
Variável, observação e frequência
Um conjunto de dados é uma lista x1,x2,…,xn de valores de uma mesma variável, um por observação. A variável é quantitativa quando os valores são números que fazem sentido somar e ordenar (notas, salários, quantidades) e qualitativa quando são categorias (cor, estado, tipo de vacina). A frequência de um valor é o número de vezes que ele aparece na lista; a frequência relativa é essa contagem dividida por n. Uma tabela de frequências lista cada valor (ou categoria) uma vez, acompanhado da sua frequência, e contém a lista inteira de forma comprimida.
A distinção entre dado e frequência decide, por exemplo, o que fazer com uma tabela de vacinas em que a Tembulax aparece com quantidade 36: o 36 é um dado da variável “quantidade de doses”, e a palavra “frequente” do enunciado não se refere a ele. A seção da moda volta a esse item.
Média: repartir o total em partes iguais
Um estudante fez cinco provas e tirou 6,5; 7,0; 8,5; 5,0 e 9,0. Se as cinco notas fossem iguais, mantendo a soma, quanto valeria cada uma? A soma é 36; dividida por 5, dá 7,2. Esse é o significado da média aritmética: o valor que cada dado teria se o total fosse distribuído igualmente entre todos.
Média aritmética
Para n dados x1,x2,…,xn, a média aritmética é
xˉ=nx1+x2+⋯+xn.
Em palavras: somam-se os dados e divide-se o resultado por quantos eles são. Duas consequências diretas da fórmula: o total se recupera da média, x1+⋯+xn=n⋅xˉ; e a média fica sempre entre o menor e o maior dado (ela não pode ser menor que todos nem maior que todos). A média não precisa ser um dos dados: as cinco notas do exemplo têm média 7,2 e nenhuma delas é 7,2.
A fórmula é curta, e a maior parte do que a prova cobra sobre ela está em três leituras diferentes da mesma igualdade.
A média como total disfarçado. Como n⋅xˉ é a soma, qualquer afirmação sobre a média é uma afirmação sobre a soma, e vice-versa. Se o estudante quer fechar o semestre com média 7,5 em seis provas, precisa de soma 6×7,5=45; já tem 36, logo a sexta nota tem de ser 45−36=9,0. É esse o mecanismo de todo item que dá a média e pede um dado que falta.
A média como ponto de equilíbrio: os dados 4, 6, 6, 9 e 15 têm média 8, e os desvios em relação a ela (−4,−2,−2,+1,+7) somam zero. É por isso que um dado muito afastado (o 15) "puxa" a média: o apoio tem de se deslocar para equilibrar a alavanca mais longa. Diagrama autoral.
A média como ponto de equilíbrio. Calcule, para cada dado, a diferença xi−xˉ, chamada desvio. Nos dados 4, 6, 6, 9 e 15, a média é 40÷5=8 e os desvios são −4,−2,−2,+1,+7, cuja soma é zero. Isso vale sempre: a soma dos desvios em relação à média é nula, porque somar os xi dá nxˉ e subtrair n vezes xˉ devolve zero. Geometricamente, se cada dado fosse um peso igual sobre uma régua, a média seria o ponto em que a régua equilibra. A imagem explica o defeito mais citado da média: um dado longe do grupo tem alavanca longa e desloca o apoio na sua direção.
A média como aproximação de um total pelo tamanho do grupo. Em 2008, o PAS 3 apresentou um gráfico de barras com a produção mundial de cereais, em milhões de toneladas: 1 573 em 1980, 1 718 em 1985, 1 903 em 1990, 1 930 em 1995, 2 100 em 2000 e 2 270 em 2005, e afirmou que “a média da produção mundial de cereais, no período de 1985 a 2000, foi superior a 1,8 bilhões de toneladas”. Quatro barras entram no período: 1718+1903+1930+2100=7651; dividido por 4, 1912,75 milhões de toneladas, acima de 1 800. Certo. O trabalho do item não é a divisão, é escolher as barras: “de 1985 a 2000” inclui as duas pontas, e o limiar foi posto onde quem esquece uma barra (ou inclui 1980) pode trocar o julgamento.
Exemplo resolvido 1: a média de uma série com limiar apertado. A prova do PAS 3 de 2023 trouxe um gráfico da população de imigrantes mexicanos nos Estados Unidos, em milhões, década a década: 0,22 em 1910; 0,48 em 1920; 0,64 em 1930; 0,35 em 1940; 0,45 em 1950; 0,57 em 1960 e 0,76 em 1970 (depois 2,19; 4,28; 9,16 e 11,73 até 2010). O item afirmou que, “entre 1910 e 1970, a média aritmética da imigração de mexicanos para os EUA foi inferior a 500 mil indivíduos”. Sete décadas, sete dados: a soma é 0,22+0,48+0,64+0,35+0,45+0,57+0,76=3,47 milhões; dividida por 7, xˉ≈0,496 milhão, isto é, 496 mil. Inferior a 500 mil: certo, por 4 mil. Conferência: se a média fosse 0,5, a soma seria 7×0,5=3,5; a soma real é 3,47, menor, logo a média é menor que 0,5. Comparar a soma com n vezes o limiar evita a divisão e é mais seguro quando o limiar está tão perto.
A média de várias médias
Em 2015, com uma tabela de parlamentares mulheres em quatro anos (2000, 2005, 2009 e 2014), o PAS 3 afirmou que “a média aritmética da sequência de dados apresentados para as parlamentares femininas da Alemanha é superior à soma das médias das sequências de dados apresentados para Brasil, Argentina e EUA”. Alemanha: 185, 191, 197 e 221, média 794÷4=198,5. Brasil: 30, 46, 46 e 51, média 43,25; Argentina: 69, 92, 100 e 95, média 89; EUA: 60, 65, 73 e 82, média 70. A soma das três médias é 202,25, que supera 198,5. Errado. Aqui as quatro séries têm o mesmo tamanho e somar médias é legítimo (a soma das médias é a média das somas). O cuidado começa quando os grupos têm tamanhos diferentes: a média de dois grupos juntos não é a média das duas médias, salvo se os grupos forem do mesmo tamanho. Uma turma de 20 com média 6 e outra de 30 com média 8 formam um grupo de 50 com soma 120+240=360 e média 7,2, não 7. A seção da média ponderada é inteira sobre esse cuidado.
A média disfarçada de taxa: “por município”, “por ano”, “por dia”
“Cada município ocupa, em média, tantos por cento”; “em média, mais de 10 000 escravizados por ano”; “em média, mais de 300 blocos a cada dia”. Nenhuma dessas frases dá uma lista de dados para somar. Elas dão um total e um número de unidades, e a palavra “em média” pede a divisão de um pelo outro. É a mesma média aritmética vista pela igualdade xˉ=ntotal, só que o total chega pronto e os dados individuais nem são conhecidos. Uma taxa (área por município, pessoas por ano, blocos por dia, quilômetros por litro) é uma média cujas observações individuais ninguém listou.
Exemplo resolvido 2: a tabela do MATOPIBA (PAS 2 2025). A tabela impressa na prova:
Estado
Fatia do território da região
Municípios na região
Maranhão
33%
143
Tocantins
38%
130
Piauí
11%
33
Bahia
18%
30
Total
100%
336
“É correto concluir dos dados da tabela que cada município do estado da Bahia ocupa, em média, uma área equivalente a: A) 0,12%; B) 0,16%; C) 0,60%; D) 0,89% da área total do MATOPIBA.” O total é a fatia da Bahia, 18% da região; as unidades são os 30 municípios baianos. 18%÷30=0,6%: opção C. Conferência pelo total: 30 municípios de 0,6% cada somam 30×0,6%=18%, a linha da tabela. As outras três opções não saem de nenhuma divisão natural da tabela (a fatia da Bahia pelo total de municípios da região, 18%÷336, daria 0,05%; a área média de um município qualquer da região, 100%÷336, daria 0,30%): elas funcionam como distratores de ordem de grandeza, e a única conta que responde à frase é a linha inteira da Bahia, 18% por 30. O item não exige fórmula nova, exige decidir o que dividir por o quê.
Em 2015, o PAS 1 fez o mesmo com um documentário sobre o tráfico atlântico: “se, ao longo de 350 anos, o tráfico trouxe mais de 4 milhões de seres humanos da África para o Brasil, então, em média, mais de 10.000 escravos foram trazidos anualmente para o Brasil”. 4000000÷350≈11429 por ano, mais de 10 000. Certo. E se o total é “mais de 4 milhões”, a média é “mais de 11 429”, o que só reforça o julgamento. Em 2021, com a grande pirâmide de Gizé (“possui 2.300.000 blocos […] e levou 20 anos para ser construída”), o item afirmou que “foram colocados, em média, mais de 300 blocos a cada dia”. Vinte anos têm 20×365=7300 dias; 2300000÷7300≈315 blocos por dia, mais de 300. Certo. (Com anos bissextos, 7 305 dias e 314,9 blocos por dia; o julgamento não muda.)
A taxa também aparece como variação média por período. Em 2010, o PAS 2 descreveu uma manada de renas numa ilha: 29 animais introduzidos em 1944, 1 350 em 1957, 6 000 em 1963. “A média anual de nascimentos de renas na Ilha St. Matthew, entre 1957 e 1963, foi superior a sete vezes a média de nascimentos aferida entre 1944 e 1957.” Tomando o crescimento da população como o número de nascimentos (é a hipótese que o item precisa), de 1957 a 1963 nasceram 6000−1350=4650 renas em 6 anos, 775 por ano; de 1944 a 1957, 1350−29=1321 em 13 anos, cerca de 101,6 por ano. Sete vezes 101,6 dá 711,3, e 775 supera isso. Certo. Repare na estrutura: dois totais (as diferenças), dois números de anos, duas divisões, uma comparação.
A média por unidade quando as duas quantidades mudam
Em 2017, o PAS 1 pediu, em resposta numérica: “desde 1999, a quantidade de pescadores na reserva Mamirauá tenha aumentado 30% e […] a quantidade de peixes pescada tenha aumentado em 238%. […] calcule o aumento percentual da média de peixes pescados por cada pescador nesse período”. A média por pescador é a razão pescadorespeixes. Os peixes foram multiplicados por 3,38 e os pescadores por 1,30, logo a razão foi multiplicada por 1,303,38=2,6: aumento de 160%, resposta 160. Subtrair os percentuais (238−30=208) ou dividi-los (238÷30) está errado: taxas por unidade mudam pelo quociente dos fatores, não pela diferença dos percentuais. Quem lembra que “aumentou 238%” significa “ficou 3,38 vezes” já fez metade do item.
Média ponderada: cada valor pesa o que vale
Um curso dá peso 1 à primeira prova, peso 2 ao trabalho e peso 3 à prova final. Um estudante tirou 6,0; 8,0 e 7,0. A média simples das três notas é 7,0, mas o regulamento não trata as três igualmente: a final conta três vezes. O que se faz é multiplicar cada nota pelo seu peso, somar e dividir pela soma dos pesos: 1+2+31×6+2×8+3×7=66+16+21=643≈7,17.
Média ponderada
Se os valores x1,…,xn têm pesos p1,…,pn (positivos), a média ponderada é
xˉ=p1+p2+⋯+pnp1x1+p2x2+⋯+pnxn.
Lê-se “soma dos produtos valor vezes peso, dividida pela soma dos pesos”. A média simples é o caso de pesos iguais. Os pesos podem ser notas de regulamento, massas de uma mistura, áreas de um terreno, número de anos de um período, frequências de uma tabela: tudo o que diz “quanto cada valor conta”. Duas conferências: a ponderada fica entre o menor e o maior valor, como a simples; e, se todos os pesos forem multiplicados pelo mesmo número, a média não muda (só a proporção entre eles importa).
Exemplo resolvido 3: a mistura de isótopos (PAS 2 2011). A tabela: material X com 16% de urânio-235 e 20% de urânio-238, em massa; material Y com 22% e 32%. O item pediu, “na forma decimal, a soma do percentual em massa do isótopo 235U com o percentual em massa do isótopo 238U referente a uma mistura composta por 25 g do material X e 50 g do material Y”, multiplicada por 1 000. A mistura tem 75 g. Urânio-235: 0,16×25+0,22×50=4+11=15 g, que em 75 g são 0,20. Urânio-238: 0,20×25+0,32×50=5+16=21 g, ou 0,28. Soma 0,48; vezes 1 000, 480. Conferência: os dois percentuais da mistura são médias ponderadas dos percentuais de X e Y com pesos 25 e 50, isto é, 1 e 2: 316+2×22=20 e 320+2×32=28. Quem faz a média simples (19% e 26%, soma 0,45) marca 450 e erra; o item existe para separar quem viu o peso 2:1 de quem não viu.
A mesma ideia com áreas como pesos abriu a série em 2007, numa tabela de viveiro com três culturas (soja, milho e cana), em que a eficiência no uso de água, em gramas de CO$_2$ absorvido por metro quadrado irrigado, era 300 para a soja e 200 para as outras duas. “Considere-se que todo o terreno do viveiro seja uniformemente irrigado. Para se obter uma taxa de eficiência do uso de água na absorção de CO$_2$ igual a 250 g/m², pelo conjunto das plantas desse viveiro, é suficiente que a área plantada de soja seja igual à soma das áreas plantadas de milho e de cana.” Se a soja ocupa metade do terreno e milho mais cana ocupam a outra metade, a eficiência do conjunto é a média de 300 e 200 com pesos iguais, 250. Certo. O item vizinho, com a taxa horária de absorção por metro quadrado de área foliar (3, 5 e 6 g por m² por hora) e áreas plantadas de 500, 200 e 100 m², perguntava se o conjunto ficaria entre 4 e 5; a média ponderada pelas áreas plantadas dá 8003×500+5×200+6×100=3,875, e a ponderada pelas áreas foliares (a tabela dava a proporção entre área cultivada e foliar: 1/20, 1/12 e 1/8, logo 10 000, 2 400 e 800 m² de folhas) dá 1320030000+12000+4800≈3,55. Nas duas leituras fica abaixo de 4: errado. A lição é que, numa média ponderada, o peso é a grandeza em cujo nome a taxa é medida: por metro quadrado irrigado, o peso é a área irrigada; por metro quadrado de folha, o peso é a área foliar.
Em 2013, o PAS 1 deu uma tabela de oleaginosas com o rendimento médio em óleo: soja 0,4 t/ha, girassol 1,0, dendê 4,5, mamona 0,75. “Se, em uma área de 50 ha, 20% são de cultivo de mamona, 50%, de soja e 30%, de dendê, então a expectativa é que esse cultivo resulte em rendimento médio em óleo superior a 2,0 t/ha.” Pesos 0,2; 0,5 e 0,3 (os 50 ha nem precisam entrar): 0,2×0,75+0,5×0,4+0,3×4,5=0,15+0,20+1,35=1,70 t/ha. Errado. O dendê rende muito, mas ocupa só 30% da área; a média simples das três culturas (1,88) também fica abaixo de 2, e ainda assim é a conta errada, porque ignora que metade do terreno é soja.
Anos como pesos. Em 2011, o PAS 3 descreveu a oferta de derivados de petróleo crescendo 5% ao ano de 2005 a 2010, com estimativas de 3,6% ao ano de 2011 a 2020 e 3,4% ao ano de 2021 a 2030, e perguntou, em múltipla escolha, o “crescimento médio anual da oferta de derivados de petróleo, para os 26 anos analisados”: A) 3,6%; B) 3,8%; C) 4,0%; D) 4,2%. São três taxas com durações 5, 10 e 10 anos: 5+10+105×5+10×3,6+10×3,4=2525+36+34=3,8%, opção B. O enunciado fala em “26 anos” porque conta os anos de 2005 a 2030 inclusive (6, 10 e 10); com esses pesos a conta dá 266×5+10×3,6+10×3,4=26100≈3,85%, que arredonda para os mesmos 3,8%: as duas leituras fecham na opção B, e a diferença entre elas é menor que a distância entre duas opções. A média simples das três taxas, 4,0%, é o distrator C: ela trata os cinco anos do primeiro período como se valessem tanto quanto os dez de cada um dos outros.
Coordenadas como pesos. Em 2016, com uma tabela de sete pares de caixas de som (frequências predominantes 60, 170, 310, 7 500, 2 200, 1 550 e 5 100 Hz, nas alturas y iguais a 7, 7, 5, 5, 3, 3 e 3 m), o PAS 3 pediu “a média ponderada das frequências predominantes, considerando como peso suas respectivas coordenadas y”, dividida por 10. Produtos: 60×7=420; 170×7=1190; 310×5=1550; 7500×5=37500; 2200×3=6600; 1550×3=4650; 5100×3=15300; soma 67210. Pesos: 7+7+5+5+3+3+3=33. Média 67210÷33≈2036,7; dividida por 10, 203. Os pesos vieram de uma coluna da tabela que nada tem de estatístico; o item só testa se você executa a fórmula com os pesos que o enunciado mandou.
Percentuais de grupos de tamanhos diferentes
Em 2010, o PAS 3 deu uma pesquisa sobre a educação pública em dois anos: em 2006, com 2 000 entrevistados, 25% a avaliaram como ótima ou boa e 28% como ruim ou péssima; em 2010, com 2 200 entrevistados, 34% e 21%. “Considerando-se as pesquisas de 2006 e 2010, verifica-se que a média aritmética dos entrevistados que avaliaram a educação pública brasileira como ótima ou boa é inferior à média dos que a consideraram ruim ou péssima.” A média pedida é de pessoas, não de percentuais: ótima ou boa, 0,25×2000=500 e 0,34×2200=748, média 624; ruim ou péssima, 560 e 462, média 511. 624 não é inferior a 511: errado. Neste item a média dos percentuais (29,5% contra 24,5%) levaria ao mesmo julgamento, mas por sorte: com bases de tamanhos diferentes, percentuais só se combinam depois de virar quantidades, e a média ponderada pelos tamanhos é exatamente isso.
Tabela de frequências: a média sem a lista
Pergunte a 25 estudantes quantos livros leram no ano e organize as respostas numa tabela: 4 leram nenhum, 7 leram um, 8 leram dois, 4 leram três e 2 leram cinco. A lista completa tem 25 números (quatro zeros, sete uns, …), e ninguém precisa escrevê-la: a tabela já diz quantas vezes cada valor entra na soma.
Uma tabela de frequências contém a lista inteira. A média usa as frequências como pesos (45÷25=1,8); a moda é a linha de maior frequência (2 livros); a mediana é o valor em que a frequência acumulada alcança a posição central (a 13.ª de 25 cai na linha dos 2 livros). Diagrama autoral.
Média, mediana e moda em dados agrupados
Numa tabela de frequências com valores xi e frequências fi:
a média é a ponderada pelas frequências, xˉ=∑fi∑fixi, em que ∑fi=n é o total de observações;
a moda é o valor de maior frequência;
a mediana se localiza pela frequência acumulada: somando as frequências de cima para baixo, a mediana é o valor da linha em que a soma alcança (ou ultrapassa) a posição central, 2n+1 para n ímpar; para n par, as posições 2n e 2n+1, com a média dos dois valores se caírem em linhas diferentes.
Se a tabela agrupa os dados em classes (faixas, como “de 10 a 20 anos”), a média se aproxima usando o ponto médio de cada classe como xi, e a classe de maior frequência chama-se classe modal; a mediana só pode ser estimada. Essa versão por classes aparece pouco em prova e nunca apareceu no PAS.
Exemplo resolvido 4: os livros lidos. Média: 254×0+7×1+8×2+4×3+2×5=250+7+16+12+10=2545=1,8 livro por estudante. Conferência: a soma dos produtos, 45, é o total de livros lidos pela turma, e 25×1,8=45. Moda: 2 livros (frequência 8, a maior). Mediana: n=25, posição central 13; a frequência acumulada é 4 (até o valor 0), 11 (até o 1), 19 (até o 2): a 13.ª resposta está na linha do 2, logo a mediana é 2. Repare que somar os valores da primeira coluna e dividir por 5 (50+1+2+3+5=2,2) seria a média de cinco números que não são os dados: é o erro de tratar linha como observação.
Em 2016, a tabela das 14 caixas de som é uma tabela de frequências disfarçada: cada frequência sonora aparece em duas caixas (A e A’ com 60 Hz, B e B’ com 170 Hz, e assim por diante). O item afirmou que “a média das frequências predominantes das 14 caixas de som é igual à média das frequências das caixas posicionadas no primeiro quadrante”. As sete caixas do primeiro quadrante têm as sete frequências, uma de cada; as 14 têm as mesmas sete, cada uma duas vezes. Dobrar todas as frequências de uma tabela multiplica a soma e o n por 2 e não muda a média: 716890=1433780≈2413 Hz. Certo.
Mediana: o valor do meio exige fila
Num posto de saúde, sete pessoas esperaram 12, 7, 25, 9, 14, 8 e 60 minutos. A média é 135÷7≈19,3 minutos, e seis das sete pessoas esperaram menos que isso: o 60 puxou a média para longe do grupo. Para dizer “quanto esperou a pessoa típica”, ordene: 7, 8, 9, 12, 14, 25, 60. O valor do meio é 12 minutos; três esperaram menos, três esperaram mais, e o 60 poderia ser 600 sem mudar nada.
Mediana
A mediana de n dados é o valor que ocupa a posição central depois que os dados são colocados em ordem crescente (a ordem decrescente dá a mesma mediana).
nímpar: a mediana é o dado da posição 2n+1 (o 4.º de 7, o 7.º de 13).
npar: não há um dado central; a mediana é a média dos dois dados centrais, nas posições 2n e 2n+1 (o 2.º e o 3.º de 4; o 7.º e o 8.º de 14). Nesse caso ela pode não ser um dos dados.
A mediana divide a lista ordenada em duas partes de mesmo tamanho: pelo menos metade dos dados é menor ou igual a ela, e pelo menos metade é maior ou igual. Ela depende só da ordem dos dados e do valor dos centrais, nunca de quanto valem os extremos.
Mediana com n ímpar e com n par. Sete tempos ordenados: o 4.º (12) é a mediana. Com um oitavo tempo (10), não há centro único e a mediana é a média do 4.º e do 5.º, (10+12)÷2=11. Nos dois casos a média (19,3 e 18,1) fica bem acima, arrastada pelo 60. Diagrama autoral.
Acrescente ao posto uma oitava pessoa, com 10 minutos: 7, 8, 9, 10, 12, 14, 25, 60. Agora n=8, os centrais são o 4.º e o 5.º, e a mediana é 210+12=11. Note que a nova mediana não é tempo de ninguém.
A prova gosta de dar os dados fora de ordem. Em 2020, com as cinco vacinas em quantidades 16, 36, 17, 14 e 17, o PAS 3 afirmou que “a distribuição das quantidades de vacina na tabela tem mediana igual a 16,5”. Ordenando: 14, 16, 17, 17, 36. Cinco dados, o 3.º é 17. Errado. O 16,5 é a média do 16 e do 17, isto é, a mediana que sairia se a tabela tivesse quatro vacinas, ou se alguém tomasse os dois valores do meio da tabela sem ordenar (16 e 17, na ordem impressa). Em 2021, com refugiados de cinco países em quantidades 60, 25, 10, 25 e 30, o item afirmou mediana 10; ordenando, 10, 25, 25, 30, 60, a mediana é 25. Errado. O 10 é o menor valor, que estava no meio da tabela impressa. Nos dois itens, o erro embutido é o mesmo: ler a mediana na ordem em que a tabela foi impressa.
Dados em ordem cronológica não estão em ordem crescente. Em 2017, a produção mundial de etanol, em bilhões de litros, foi 76,8 (2009), 88,1 (2010), 84,7 (2011), 82,5 (2012), 88,6 (2013) e 92,9 (2014); o item afirmou que a série “tem mediana inferior a 87×109 litros”. A ordem dos anos não serve. Em ordem crescente: 76,8; 82,5; 84,7; 88,1; 88,6; 92,9. Seis dados, mediana 284,7+88,1=86,4, inferior a 87. Certo. Quem toma o 3.º e o 4.º da ordem cronológica (84,7 e 82,5) acha 83,6 e acerta o julgamento pelo motivo errado; o item seguinte da banca pode não perdoar.
Em 2011, com um gráfico de setores do consumo previsto de derivados de petróleo para 2030 (diesel 43%, outros 17%, gasolina 17%, GLP 8%, nafta 7%, óleo combustível 4%, querosene 4%), o item afirmou: “É superior a 7 a mediana da sequência numérica formada pelos números inteiros correspondentes aos percentuais do consumo de querosene, GLP, nafta e gasolina em 2030.” Os quatro números são 4, 8, 7 e 17; em ordem, 4, 7, 8, 17; mediana 7,5, superior a 7. Certo. Com quatro dados, a mediana é a média dos dois do meio, e a diferença entre “7” e “7,5” é todo o item.
Com muitos dados, conte posições. Em 2013, o gráfico da frota de veículos por 100 habitantes no Brasil, de 2000 a 2012, trazia 17,6; 18,5; 19,6; 20,7; 21,6; 22,8; 24,3; 26,2; 28,5; 30,9; 33,9; 36,5 e 39,5, e o enunciado avisava que a média era 26,2; o item afirmou que a mediana da série superava essa média. A série já está em ordem crescente (ela cresce ano a ano); são 13 valores e a mediana é o 7.º, 24,3, abaixo de 26,2. Errado. Esse item fecha com a próxima seção: numa série que cresce cada vez mais depressa, os últimos valores ficam longe dos primeiros e puxam a média acima do meio.
Em 2015, a tabela das parlamentares mulheres da Suécia trazia 150, 157, 159 e 157. “A mediana dos dados apresentados para as parlamentares femininas da Suécia é igual a 157.” Em ordem: 150, 157, 157, 159; mediana 2157+157=157. Certo. Com dois valores centrais iguais, a mediana de n par é um dos dados.
Em 2016, as 14 caixas de som tinham, em pares, as frequências 60, 170, 310, 7 500, 2 200, 1 550 e 5 100 Hz; o item afirmou que “a mediana entre as frequências predominantes é 2.200 Hz”. Ordenando as 14: 60, 60, 170, 170, 310, 310, 1 550, 1 550, 2 200, 2 200, 5 100, 5 100, 7 500, 7 500; a 7.ª e a 8.ª são ambas 1 550, mediana 1 550 Hz. Errado. Quem ordena só as sete frequências distintas (60, 170, 310, 1 550, 2 200, 5 100, 7 500) encontra 2 200 e cai na armadilha: a mediana é da lista de 14 dados, não da lista de valores diferentes.
Três maneiras de errar a mediana
Não ordenar, lendo o valor do meio da tabela como está impressa (as vacinas, os refugiados).
Esquecer as repetições, ordenando só os valores distintos (as caixas de som).
Confundir n par com n ímpar, tomando um valor central onde há dois (os percentuais de 2030: 7,5, não 7 nem 8) ou fazendo a média de dois onde há um só (as vacinas: 17, não 16,5).
O protocolo que evita os três: escreva a lista inteira em ordem crescente, conte n, marque a posição 2n+1 (ou as duas posições centrais) e só então leia o valor.
Moda: o que mais se repete
Uma loja vendeu, num dia, camisetas nos tamanhos P, M, G e GG nas quantidades 12, 31, 24 e 8. Não há média de tamanho nem mediana de tamanho que ajude a repor o estoque; o que o gerente quer saber é que o M foi o mais vendido. Esse é o papel da moda: o valor, ou a categoria, de maior frequência.
A moda é a barra mais alta. Para uma variável qualitativa (tamanho de camiseta) ela é o único resumo de centro que faz sentido. Quando duas barras empatam na altura máxima, o conjunto é bimodal; quando todas têm a mesma altura, não há moda. Diagrama autoral.
Moda
A moda de um conjunto de dados é o valor (ou a categoria) que aparece com a maior frequência. Um conjunto pode ter uma moda (unimodal), duas (bimodal, quando dois valores empatam na frequência máxima) ou mais; quando todos os valores aparecem o mesmo número de vezes, o conjunto é amodal (sem moda). Nos dados 4, 6, 6, 9 e 15, a moda é 6; em 1, 1, 4, 4 e 8, há duas modas, 1 e 4; em 2, 5, 7 e 9, não há moda. A moda é a única medida de centro que existe para variáveis qualitativas e a única que é sempre um dos dados.
A moda é a frequência, não o tamanho do valor. Em 2020, na tabela das cinco vacinas (Madivax 16, Tembulax 36, Corentax 17, Parilax 14, Difomax 17), o PAS 3 afirmou que “a moda da distribuição das quantidades de vacina é 36, portanto a vacina Tembulax é a mais frequente entre as apresentadas na tabela”. A variável é a quantidade de doses; os dados são 16, 36, 17, 14 e 17. O único valor repetido é 17 (duas vezes): a moda é 17. Errado. O enunciado confunde “o maior valor” (36) com “o valor mais frequente”, e ainda troca a frequência de um valor pela quantidade de uma vacina. Se a pergunta fosse “qual vacina foi mais aplicada nas 100 pessoas”, a resposta seria a Tembulax, mas isso é o máximo da tabela, não a moda da distribuição das quantidades.
Numa tabela de frequências a moda é imediata: a linha de maior frequência (os 2 livros do Exemplo 4). Num gráfico de barras, a barra mais alta. Numa lista crua, convém ordenar primeiro: as repetições ficam vizinhas e a contagem não falha. A moda é a mais grosseira das três medidas (basta trocar um dado para ela mudar ou desaparecer), e por isso quase não aparece em afirmações com limiar; o seu lugar na prova é o julgamento conceitual, como o de 2020.
Média acima ou abaixo da mediana: o que a diferença revela
Na seção da mediana, os sete tempos de espera tinham média 19,3 e mediana 12. A diferença não é um erro de conta, é informação: a média ficou acima da mediana porque há um dado muito grande (o 60) e nenhum muito pequeno que o compense. A média, que reparte o total, sobe com ele; a mediana, que só olha a fila, fica onde está.
A posição da média em relação à mediana lê a forma do conjunto. Simétrico: as duas coincidem. Cauda de valores altos (assimetria à direita, ou positiva): a média é puxada para cima da mediana. Cauda de valores baixos (assimetria à esquerda, ou negativa): a média fica abaixo da mediana. Diagrama autoral.
Assimetria lida pela média e pela mediana
Num conjunto simétrico (os dados se distribuem da mesma forma dos dois lados do centro), média e mediana coincidem, e a moda, se houver, também. Quando o conjunto tem uma cauda à direita (poucos valores muito altos), a média fica acima da mediana; diz-se que a assimetria é positiva. Quando a cauda é à esquerda (poucos valores muito baixos), a média fica abaixo da mediana: assimetria negativa. A regra prática é que a média corre atrás da cauda e a mediana não. Para séries do tipo das que aparecem em prova (uma dúzia de valores), essa leitura é uma tendência confiável, não um teorema: conjuntos pequenos e caprichosos podem ter média acima da mediana com uma forma que ninguém chamaria de cauda à direita.
Exemplo resolvido 5: salário médio e salário mediano. Dez pessoas trabalham numa oficina. Nove delas ganham, em reais, 2 200, 2 400, 2 500, 2 600, 2 800, 3 000, 3 200, 3 500 e 4 000; a dona ganha 30 000. Soma dos nove: 26 200; com a dona, 56 200; média 56200÷10=5620. Mediana: os dados já estão em ordem, n=10, centrais o 5.º e o 6.º, 22800+3000=2900. “O salário médio da oficina é R$ 5 620” é uma frase verdadeira que nove das dez pessoas acham mentirosa: ninguém ganha isso, e nove ganham menos que isso. “O salário mediano é R$ 2 900” descreve a oficina: metade ganha até 2 900, metade ganha a partir daí. Conferência: troque o salário da dona por 300 000; a média vai a 32 620, a mediana continua 2 900. Troque por 3 000; a média cai para 2 920 e a mediana vai a 2 900 (o 5.º e o 6.º continuam 2 800 e 3 000). O que a comparação revela é a cauda: média muito acima da mediana significa que alguém, lá em cima, está puxando.
Os dez salários da oficina. A mediana (R$ 2 900) separa a fila ao meio; a média (R$ 5 620) fica acima de nove dos dez salários, arrastada pelo único valor alto. Para descrever "quanto ganha quem trabalha ali", a mediana responde; a média responde "quanto a oficina gasta por pessoa". Diagrama autoral.
A comparação em itens reais. Em 2014, o gráfico da taxa de fecundidade no Brasil trazia 5,7 (1970), 4,3 (1980), 2,8 (1990), 2,2 (2000) e 2,0 (2010); o item afirmou que, “para a sequência numérica apresentada no gráfico, a mediana é inferior à média aritmética”. Em ordem crescente, 2,0; 2,2; 2,8; 4,3; 5,7: mediana 2,8. Média: 17,0÷5=3,4. Mediana menor que a média: certo. A forma da série explica: dois valores altos (5,7 e 4,3) se destacam de três valores próximos entre si; a cauda está à direita. O item da frota de 2013 (mediana 24,3 contra média 26,2) é o mesmo fenômeno: uma série que acelera tem os últimos valores longe dos primeiros, e eles puxam a média.
Em 2019, com um gráfico de barras da participação feminina na autoria de publicações científicas em 14 países ibero-americanos, o PAS 3 pediu para considerar só os sul-americanos e afirmou que a série dos percentuais “tem curva de distribuição de frequência com assimetria negativa”. Os oito países sul-americanos do gráfico têm 54% (Argentina), 52% (Uruguai), 51% (Brasil), 47% (Venezuela), 41% (Colômbia), 39% (Chile), 39% (Equador) e 38% (Peru). Média 361÷8≈45,1; mediana (4.º e 5.º da ordem crescente: 41 e 47) 44. Média acima da mediana: a cauda está à direita, assimetria positiva. Errado. O item não pede o desenho da curva; pede que você saiba que o sinal da assimetria se lê na posição relativa das duas medidas.
Média de um conjunto contra mediana de outro. Em 2009, com uma tabela dos preços médios anuais do barril de petróleo Brent e WTI de 1999 a 2008, o item afirmou que “os preços médios do barril de petróleo do tipo Brent de 2001 a 2008 formam uma sequência numérica cuja média é inferior à mediana da sequência numérica formada pelos preços médios do barril de petróleo do tipo WTI no mesmo período”. Brent 2001–2008: 24,46; 24,98; 28,84; 38,21; 54,42; 65,03; 72,52; 99,04; soma 407,50, média 50,94. WTI 2001–2008, já em ordem crescente: 25,89; 26,09; 31,11; 41,42; 56,50; 66,01; 72,26; 98,58; mediana 241,42+56,50=48,96. A média do Brent (50,94) não é inferior a 48,96: errado. Duas séries, duas medidas diferentes, uma comparação; o item é longo de conta e curto de ideia, e a ideia é que a média de uma série em alta acelerada (o 99 de 2008) fica acima do centro.
Exemplo resolvido 6: a série aparada (PAS 3 2019). O mesmo gráfico de 2019 trazia, para cada país, o percentual de mulheres entre os 10% de autores mais produtivos: Argentina 43, Portugal 49, Uruguai 36, Brasil 40, Cuba 33, Venezuela 31, Espanha 40, Panamá 28, Colômbia 30, México 32, Costa Rica 30, Chile 26, Equador 28, Peru 30. “Considere a série formada pelos percentuais de mulheres no decil mais produtivo e desconsidere o menor e o maior percentual dessa lista. Nesse caso, ao se calcular o valor médio e a mediana dessa série, percebe-se que é na América Central que estão os países em que os referidos percentuais mais se aproximam do valor médio e da mediana calculados.” Retirando o menor (26, Chile) e o maior (49, Portugal), sobram 12 valores: em ordem, 28, 28, 30, 30, 30, 31, 32, 33, 36, 40, 40, 43. Soma 401, média ≈33,4; mediana 231+32=31,5. O percentual mais próximo da média é 33 (Cuba, ilha do Caribe); os mais próximos da mediana são 31 (Venezuela) e 32 (México). Os dois países centro-americanos do gráfico, Panamá (28) e Costa Rica (30), ficam mais longe. Errado. Conferência: a soma 401 fecha com 12×33,4=400,8. Retirar o menor e o maior valor antes de calcular a média é um procedimento com nome, média aparada, usado justamente para que um extremo não arraste o resultado.
Renda, preço de imóvel, tempo de entrega
A renda das famílias de um país é o caso clássico de cauda à direita: muita gente com rendas próximas e poucas pessoas com rendas enormes. Por isso as pesquisas de renda do IBGE divulgam, além do rendimento médio, a distribuição por faixas e o rendimento mediano, que é menor que o médio; a frase “metade da população ganha menos que X” é sobre a mediana, e a frase “a renda média é Y” é sobre o total dividido pela população, puxado pelos de cima. O mesmo vale para o preço dos imóveis de um bairro (um único apartamento de cobertura muda a média da rua e não muda a mediana), para o tempo de entrega de um aplicativo (um pedido que atrasou duas horas não deve mudar “quanto tempo normalmente leva”) e para as notas de uma turma com um zero por falta. Quando a pergunta é “quanto vale o caso típico”, a mediana responde; quando é “qual é o total”, a média é a única que o devolve.
Qual número representa melhor?
Nenhuma das três medidas é “a certa”. Cada uma responde a uma pergunta, e escolher mal produz resumos verdadeiros que enganam.
Pergunta que se quer responder
Medida
Por quê
Quanto é o total repartido igualmente? Quanto se gasta por pessoa? Qual é a nota que “compensa” as outras?
Média
É a única ligada à soma; vale ser arrastada por extremos quando o total importa.
Quanto vale o caso típico, sem que um extremo distorça? Metade está acima ou abaixo de quê?
Mediana
Depende só da fila; ignora o tamanho dos extremos (renda, preço, tempo de espera).
Qual é o valor, ou a categoria, mais comum? O que repor no estoque?
Moda
Única que funciona para categorias; única que é sempre um dado observado.
Alguns critérios resolvem a escolha na hora. Se a variável é qualitativa, só a moda existe. Se o conjunto é simétrico e sem extremos (notas de uma turma regular, alturas), as três ficam próximas e a média é a mais informativa, porque usa todos os valores. Se há uma cauda (renda, patrimônio, tempo de espera, número de filhos), a mediana descreve e a média engana, salvo quando a pergunta é sobre o total. Nas provas, quando o item pergunta qual medida descreve melhor o salário habitual de um grupo em que alguns poucos ganham muito e a maioria ganha pouco, a resposta é a mediana; “média”, “amplitude” e “desvio padrão” aparecem como distratores que medem outra coisa.
Outras médias: harmônica e geométrica
A média aritmética não é a única. Um carro vai a 60 km/h e volta pelo mesmo caminho a 40 km/h; a velocidade média da viagem não é 50 km/h, porque o carro passa mais tempo na parte lenta. Para 120 km de ida, leva 2 h; na volta, 3 h; 240 km em 5 h dão 48 km/h, que é a média harmônica de 60 e 40: 601+4012=48. Já um investimento que rende 10% num ano e 40% no outro não rendeu “25% ao ano em média”: o fator total é 1,1×1,4=1,54, e a taxa que, repetida duas vezes, dá o mesmo fator é 1,54≈1,241, isto é, 24,1% ao ano, a média geométrica dos fatores. As duas aparecem em Física (velocidades, resistores em paralelo) e em Matemática financeira; na estatística descritiva do ensino médio e do PAS, “média” sem adjetivo é a aritmética, e a média do crescimento percentual anual que o PAS 3 pediu em 2024 (seção “Como a banca pergunta”) foi a aritmética das variações.
Mexer nos dados: o que muda em cada medida
Os dados 4, 6, 6, 9 e 15 têm média 8, mediana 6 e moda 6. O que acontece com as três se todos os dados forem alterados da mesma maneira? E se só um deles mudar?
Somar e multiplicar uma constante
Se a mesma constante c é somada a todos os dados, média, mediana e moda aumentam em c (a fila inteira se desloca; o centro se desloca junto). Se todos os dados são multiplicados pela mesma constante k>0, as três ficam multiplicadas por k. Para a média, isso sai da fórmula: n∑(xi+c)=xˉ+c e n∑kxi=kxˉ. Para a mediana e a moda, sai do fato de que somar ou multiplicar por uma constante positiva não altera a ordem nem as repetições. É o que permite converter unidades (a média das temperaturas em Fahrenheit é a média em Celsius convertida) e corrigir provas (“todos ganham 0,5 ponto”: a média sobe 0,5; a mediana também).
Com c=3: os dados viram 7, 9, 9, 12, 18, com média 11, mediana 9, moda 9. Com k=2: 8, 12, 12, 18, 30, com média 16, mediana 12, moda 12. Se os dados fossem salários e todos recebessem um reajuste de 10% (k=1,1), a média e a mediana subiriam 10%; se todos recebessem um abono fixo de R$ 200, as duas subiriam R$ 200. Repare que, nos dois casos, a distância entre média e mediana se comporta de modo diferente: com a soma, ela não muda; com o produto, ela é multiplicada por k.
Trocar um único dado é a situação em que as três medidas se separam. A média muda sempre, e muda de um valor previsível: se o dado xj é trocado por xj+d, a soma cresce d e a média cresce nd. A mediana muda só se a troca mexer na ordem perto do centro; se o dado trocado continua do mesmo lado da mediana e os centrais não se movem, ela fica igual. A moda muda só se a frequência máxima for alterada.
Trocar o 15 por 150 move a média de 8 para 35 (o acréscimo de 135 repartido pelos 5 dados) e não move a mediana (6) nem a moda (6). O dado trocado continua sendo o maior; a fila, até o centro, é a mesma. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 7: mudar um dado. Nos dados 4, 6, 6, 9, 15, troque o 15 por 150. A soma passa de 40 para 175 e a média de 8 para 175÷5=35; pela regra, d=135 e 5135=27, logo 8+27=35. A mediana continua 6 (4, 6, 6, 9, 150) e a moda continua 6. Agora troque, em vez disso, o 4 por 8: a soma vai a 44 e a média a 8,8; a lista ordenada é 6, 6, 8, 9, 15, e a mediana passou de 6 para 8, porque o dado trocado atravessou o centro; a moda continua 6. Por fim, troque o 9 por 6: os dados são 4, 6, 6, 6, 15, média 7,4, mediana 6, e a moda continua 6, agora com frequência 3. Conferência: em cada caso, a nova média vezes 5 tem de dar a nova soma (175, 44 e 37).
Acrescentar ou retirar um dado. Acrescentar um valor igual à média não a altera (a soma cresce xˉ e o n cresce 1). Acrescentar um valor maior que a média a aumenta; menor, a diminui; e o efeito é tanto maior quanto menor for n. Nos tempos de espera do posto, acrescentar a 8.ª pessoa com 10 minutos levou a média de 19,3 para 18,1 e a mediana de 12 para 11. Já retirar um extremo é a operação que mais aproxima a média da mediana: sem o 60, os seis tempos 7, 8, 9, 12, 14, 25 têm média 12,5 e mediana 10,5.
A média de uma lista de números é sempre um dos números da lista? Não ({1,2} tem média 1,5). A mesma pergunta para a mediana tem resposta “só se n for ímpar”. Para a moda, sim, sempre: ela é, por definição, um valor observado.
Ler a tabela antes de resumir
Toda conta desta página começa numa tabela, num gráfico ou numa frase com números, e a conta certa sobre dados lidos errado continua errada. Três perguntas, feitas antes de somar, resolvem a maior parte dos itens que caem pela leitura. De quê é o percentual? Os 18% da Bahia são da área do MATOPIBA, não da área da Bahia; dividi-los por 30 municípios dá a fatia média de um município baiano na região, e nada diz sobre o tamanho do estado. O número é absoluto ou relativo? Uma média de percentuais de grupos de tamanhos diferentes (a pesquisa de 2006 e 2010) não é a média das pessoas; e 35% de um grupo grande podem ser mais pessoas que 40% de um grupo pequeno. O que a tabela mediu, e em que unidade? A taxa de absorção “por metro quadrado de área foliar” se pondera por área foliar; a “quantidade de doses” de uma vacina é um dado, não uma frequência. Esses cuidados pertencem a um assunto próprio, a leitura crítica de tabelas e gráficos (eixos que não começam em zero, escalas diferentes, percentuais de recortes), que não cabe nesta página; aqui basta o reflexo de perguntar o que cada número significa antes de resumi-lo.
O resumo esconde a dispersão
Duas turmas de cinco estudantes: a primeira com notas 7, 7, 8, 8, 10; a segunda com 2, 6, 8, 10, 14. As duas têm média 8 e mediana 8. A primeira é uma turma homogênea em que todos passaram; a segunda tem quem precisa de recuperação e quem está muito acima. Nenhuma medida de centro distingue as duas, porque elas foram feitas para dizer onde os dados se concentram, não quanto se espalham. A amplitude (3 contra 12), a variância e o desvio padrão medem esse espalhamento, e são o assunto da página de variância e desvio padrão. A leitura completa de um conjunto de dados exige um número de centro e um número de dispersão; esta página trata do primeiro.
Como a banca pergunta
Os 32 itens reais desta página (6 do PAS 1, 5 do PAS 2 e 21 do PAS 3) cabem em seis formatos.
Média de uma série lida de gráfico ou tabela, com limiar, tipo A: cereais de 1985 a 2000, 1 912,75 contra 1 800 (2008/16, PAS 3); imigração mexicana de 1910 a 1970, 496 mil contra 500 mil (2023/91); candidatos homens eleitos a vereador, média 47,55 contra 20% da média de candidatos, 55,65 (2018/117); média da variação percentual anual da posse de celular, 9,1 pontos em 6 anos contra 1,5% (2024/96); média dos desalojados contra média dos desabrigados em cinco estados, razão 1,92 contra “mais de 90%” (2009/65, PAS 1). O trabalho é escolher as barras certas e somar sem errar; o limiar fica perto.
Média como taxa por unidade, tipos A e C: área média por município baiano, 0,60% (2025/54, tipo C); mais de 10 000 por ano em 350 anos (2015/94); mais de 300 blocos por dia em 20 anos (2021/55); média anual de nascimentos de renas em dois períodos (2010/85); aumento percentual da média de peixes por pescador, 160 (2017/95, tipo B).
Média ponderada, tipos A, B e C: isótopos com pesos 25 g e 50 g, 480 (2011/49, tipo B); eficiência de água e taxa de absorção ponderadas por áreas (2007/53 e 2007/54); rendimento em óleo por hectare com pesos 20%, 50% e 30%, 1,70 (2013/65); crescimento médio anual com durações 5, 10 e 10 anos, 3,8% (2011/25, tipo C); frequências ponderadas pelas coordenadas, 203 (2016/69, tipo B); média de pessoas em duas pesquisas de tamanhos diferentes (2010/44); soma de médias de séries do mesmo tamanho (2015/34).
Mediana com dados fora de ordem ou com repetições, tipo A: vacinas, 17 e não 16,5 (2020/83); refugiados, 25 e não 10 (2021/47); etanol, 86,4 contra 87 (2017/116); percentuais de 2030, 7,5 contra 7 (2011/21); Suécia, 157 (2015/35); caixas de som, 1 550 e não 2 200 (2016/63).
Média contra mediana e assimetria, tipo A: frota de veículos, 24,3 contra 26,2 (2013/70); fecundidade, 2,8 contra 3,4 (2014/109); média do Brent contra mediana do WTI (2009/59); assimetria da série sul-americana (2019/118); série aparada, média 33,4 e mediana 31,5 (2019/119).
Conceito, tipo A: moda 17, não 36 (2020/84); média das 14 caixas igual à das 7 (2016/67); e a média como uma das parcelas de um índice, com uma equação para recuperar o dado que falta (o IDH de 2009/71, tipo B, resposta 461).
Três avisos de formato. Primeiro, quase todo item vem pendurado numa tabela ou num gráfico de outra disciplina (frota, fecundidade, vacinas, refugiados, etanol, imigração); leia a tabela inteira, identifique a variável e conte n antes de qualquer operação. Segundo, nos itens de resposta numérica, o fator de escala (vezes 1 000, dividido por 10, vezes 5) serve para a resposta caber em três algarismos; aplique-o por último e despreze a parte fracionária só no fim. Terceiro, quando a banca dá a média pronta (“sabendo que a média é 26,2”), ela está economizando a sua conta para testar outra coisa (a mediana, a variância); use o número dado e não o recalcule.
O item anulado da média lida de um gráfico
Em 2010, a prova do PAS 2 apresentou dois gráficos com as médias por década das exportações e da balança comercial brasileira entre 1821 e 1900 e pediu, em resposta numérica, “o valor médio anual do volume das importações no período de 1821 a 1900”, em milhões de dólares, vezes 100. As importações de cada década são as exportações menos o saldo; a média das oito décadas (iguais em duração, logo a média simples das oito médias é a média dos 80 anos) dá cerca de 12,7 milhões de dólares, e vezes 100 passa de 1 000, número que não cabe nos três algarismos do caderno de respostas. O item foi anulado no gabarito definitivo; a banca não divulga motivos. Fica a lição técnica: a média de médias de períodos de mesma duração é a média geral, e a de períodos de durações diferentes exige pesos.
Os erros que mais derrubam
Dividir pelo número errado. A média é a soma dividida pela quantidade de dados; numa tabela de frequências, por ∑fi, não pelo número de linhas; numa taxa, pelas unidades que a frase nomeia (os 30 municípios da Bahia, não os 336).
Média simples onde os pesos são diferentes. Massas (25 g e 50 g), áreas, anos de duração, tamanhos de grupos: cada valor entra multiplicado pelo seu peso. 450 em vez de 480; 4,0% em vez de 3,8%.
Média dos percentuais de grupos de tamanhos diferentes. Converta em quantidades antes de combinar.
Mediana sem ordenar, ou sem as repetições. 16,5 em vez de 17; 10 em vez de 25; 2 200 em vez de 1 550. Ordem cronológica não é ordem crescente.
Trocar o caso par pelo ímpar. Com n par, a mediana é a média dos dois centrais (7,5, não 7); com n ímpar, é um dado só.
Moda confundida com o maior valor. A moda é o valor mais repetido (17), não o máximo (36); e é moda da variável, não “a vacina mais frequente”.
Esquecer que a média é arrastada pelos extremos. Uma série que acelera tem média acima da mediana; um salário alto puxa a média e não a mediana.
Ler o sinal da assimetria ao contrário. Cauda à direita: média acima da mediana, assimetria positiva.
Taxa por unidade alterada pela diferença dos percentuais. Peixes por pescador: 3,38÷1,30=2,6, aumento de 160%, não 208%.
Fator de escala aplicado cedo ou esquecido. Termine a média, multiplique ou divida, só então despreze a parte fracionária.
Acreditar que o centro conta a história toda. Mesma média e mesma mediana, turmas opostas; a dispersão é a outra metade.
O essencial em meia página
Média:xˉ=n∑xi; soma =nxˉ; fica entre o mínimo e o máximo; desvios somam zero; arrastada por extremos; não precisa ser um dado.
Média como taxa: total dividido pelas unidades (“por município”: 18%÷30=0,6%; “por ano”: 4000000÷350). Variação média por período: diferença dividida pelo número de anos.
Ponderada:xˉ=∑pi∑pixi, com pesos iguais a massas, áreas, durações, frequências ou tamanhos de grupos. Média de grupos juntos: ponderada pelos tamanhos; percentuais de bases diferentes viram quantidades antes.
Tabela de frequências: média com fi como pesos; moda na linha de maior fi; mediana pela frequência acumulada na posição 2n+1 (ou nas duas centrais).
Mediana: ordene; n ímpar, o dado da posição 2n+1; n par, a média dos dois centrais. Inclua as repetições. Não depende dos extremos.
Moda: valor mais frequente; pode haver uma, várias ou nenhuma; única para categorias; sempre um dado.
Média × mediana: iguais em conjuntos simétricos; média acima da mediana, cauda à direita (assimetria positiva); abaixo, cauda à esquerda (negativa).
Qual usar: total ou “por pessoa”, média; caso típico com extremos, mediana; categoria mais comum, moda.
Constantes: somar c soma c às três; multiplicar por k multiplica as três. Trocar um dado: a média muda nd; a mediana só se o centro se mover; a moda só se a frequência máxima mudar.
Na prova: leia a tabela inteira, nomeie a variável, conte n; compare a soma com n vezes o limiar; fator de escala por último; a média dada pela banca não se recalcula.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
A Média Aritmética
Portal da Matemática OBMEP · 10:46
Introdução. O professor Maurício Carvalho (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP, 1.º ano do ensino médio) apresenta “a nossa primeira medida de posição, conceito largamente presente no nosso cotidiano: a Média Aritmética”: é a seção “Média: repartir o total em partes iguais” desta página, com a definição e a leitura da média como total repartido.
A Média Aritmética Ponderada
Portal da Matemática OBMEP · 6:29
Aprofundamento. Na mesma série, a aula apresenta a média ponderada como “uma pequena variação da Média Aritmética”, com os pesos multiplicando cada valor e a divisão pela soma dos pesos: é a seção “Média ponderada: cada valor pesa o que vale”, que o PAS cobrou com massas (2011), áreas (2007, 2013) e durações (2011).
Mediana e Moda
Portal da Matemática OBMEP · 11:13
Aprofundamento. A aula segue “a apresentação das Medidas de Posição mais comuns” e define mediana (ordenar, n par e ímpar) e moda: são as seções “Mediana: o valor do meio exige fila” e “Moda: o que mais se repete” desta página, no ritmo de uma aula de 1.º ano.
Exercício de Medida de Posição
Portal da Matemática OBMEP · 5:17
Aplicação. “Hora da prática”: o professor resolve um exercício que exige as três medidas de posição sobre o mesmo conjunto de dados, o formato dos exemplos resolvidos desta página e do primeiro exercício resolvido do banco (tempos de espera do posto de saúde).
Média, Moda e Mediana no ENEM | Questões Resolvidas
Escola de Números com Thyago Araujo · 23:20
Resolução. Questões de média aritmética simples, média ponderada, moda e mediana que já caíram no ENEM, resolvidas uma a uma: o treino das seções “Como a banca pergunta” e “Os erros que mais derrubam”, útil para ver como uma banca de múltipla escolha monta os distratores (média simples no lugar da ponderada, mediana sem ordenar).
A média é o ponto em que a régua equilibra. Um peso na ponta obriga o apoio a se deslocar na sua direção: é assim que um valor extremo arrasta a média, e é por isso que a mediana existe.A média como ponto de equilíbrio: os dados 4, 6, 6, 9 e 15 têm média 8, e os desvios em relação a ela (−4,−2,−2,+1,+7) somam zero. Um dado afastado (o 15) tem alavanca longa e desloca o apoio na sua direção: é por isso que a média é arrastada por extremos. Diagrama autoral.Mediana com n ímpar e com n par. Sete tempos ordenados: o 4.º (12) é a mediana. Com um oitavo tempo (10), a mediana é a média do 4.º e do 5.º, (10+12)÷2=11, que não é tempo de ninguém. Nos dois casos a média fica bem acima, arrastada pelo 60. Diagrama autoral.A posição da média em relação à mediana lê a forma do conjunto: simétrico, as duas coincidem; cauda à direita (assimetria positiva), a média fica acima da mediana; cauda à esquerda (assimetria negativa), abaixo. A média corre atrás da cauda; a mediana fica no meio da fila. Diagrama autoral.Uma tabela de frequências contém a lista inteira: a média usa as frequências como pesos (45÷25=1,8), a moda é a linha de maior frequência e a mediana é o valor em que a frequência acumulada alcança a posição central (a 13.ª de 25). Diagrama autoral.Os dez salários da oficina: a mediana (R$ 2 900) separa a fila ao meio e a média (R$ 5 620) fica acima de nove dos dez salários, arrastada pelo único valor alto. Para “quanto ganha quem trabalha ali”, a mediana responde; para “quanto a oficina gasta por pessoa”, a média. Diagrama autoral.Trocar o 15 por 150 move a média de 8 para 35 (o acréscimo de 135 repartido pelos 5 dados) e não move a mediana nem a moda: o dado trocado continua sendo o maior, e a fila, até o centro, é a mesma. Diagrama autoral.A moda é a barra mais alta. Para uma variável qualitativa (tamanho de camiseta) ela é o único resumo de centro possível; quando duas barras empatam na altura máxima, o conjunto é bimodal, e quando todas têm a mesma altura não há moda. Diagrama autoral.Sete pessoas, sete tempos de espera, um deles de uma hora. A média diz 19 minutos; a mediana, 12. Quem esperou uma hora não muda a fila do meio, mas muda a soma.Dezoito por cento do território repartidos entre trinta municípios: a área média de cada um é uma divisão, e a prova pergunta se você sabe o que dividir por o quê.Vinte e cinco gramas de um material e cinquenta de outro: o percentual da mistura é a média dos percentuais ponderada pelas massas, e o material que entra em dobro pesa em dobro na conta.Não existe tamanho médio nem tamanho mediano de camiseta; existe o tamanho mais vendido. Para categorias, a moda é a única medida de centro que faz sentido.Nove salários parecidos e um muito maior: o salário médio da oficina fica acima do que nove das dez pessoas ganham, e o salário mediano descreve quem trabalha ali.Cinco notas e uma pergunta: quanto preciso tirar na próxima para fechar com média 7,5? A média é a soma repartida igualmente, e o total que falta se recupera dela.
Rota PAS 2
Contagem, probabilidade e estatística: decidir sob incerteza · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Contagem, probabilidade e estatística: decidir sob incerteza · Média, moda e mediana: qual número representa os dados (conceito, exemplo-guia, Na prova, checagem); Ler uma tabela ou um gráfico: o que os números dizem e o que não dizem (só a ideia de ler a tabela antes de resumir, para a seção-ponte); Leia como na prova: o bloco do MATOPIBA (item 54); Como a banca cobra (itens 2025/54 e 2011/49); Banco de treino T4, T14, T17 e T20
Recorte por assunto: só as medidas de centro. A leitura pura de tabelas e gráficos (percentual de recorte, eixo truncado, absoluto contra relativo) e a dispersão (variância, desvio padrão) ficam fora. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números e ordem desta página são próprios.
Mapa de itens do bloco contagem / probabilidade / estatística do PAS 2 · Itens marcados MM (medidas de centro): PAS 2 2025/54, 2011/49, 2010/85, 2007/53, 2007/54 e o anulado 2010/42 (só na teoria); PAS 3 2008/16, 2009/59, 2010/44, 2011/21, 2013/70, 2014/109, 2015/34, 2015/35, 2016/63, 2016/67, 2016/69, 2017/116, 2018/117, 2019/118, 2019/119, 2020/83, 2020/84, 2021/47, 2023/91, 2024/96; PAS 1 2009/65, 2009/71, 2013/65, 2015/94, 2017/95, 2021/55. Acrescentado nesta sessão PAS 3 2011/25 (tipo C, média ponderada por períodos, gab. B). Os itens marcados MM* (leitura de dados) ficam para a página de leitura de tabelas e gráficos
Mapa vinculante; todos os itens vinculados foram abertos na imagem do caderno (200 dpi) e as contas refeitas contra os gabaritos oficiais definitivos.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe), 1.ª, 2.ª e 3.ª etapas · PAS 1: 2009 (itens 65 e 71), 2013 (item 65), 2015 (item 94), 2017 (item 95), 2021 (item 55). PAS 2: 2007 (itens 53 e 54), 2010 (itens 42, anulado, e 85), 2011 (item 49), 2025 (item 54). PAS 3: 2008 (item 16), 2009 (item 59), 2010 (item 44), 2011 (itens 21 e 25), 2013 (item 70), 2014 (item 109), 2015 (itens 34 e 35), 2016 (itens 63, 67 e 69), 2017 (item 116), 2018 (item 117), 2019 (itens 118 e 119), 2020 (itens 83 e 84), 2021 (item 47), 2023 (item 91), 2024 (item 96)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB.txt e nas classificações (classificacao/, classificacao-pas2/, classificacao-pas3/). As tabelas e gráficos impressos foram descritos em texto neutro, com todos os valores, no campo de apoio de cada questão.
Cadernos em PDF (figuras, tabelas e textos-base dos itens) · 2025-PAS2 parte 2 p. 4 (tabela do MATOPIBA); 2011-PAS2 p. 8 (tabela dos isótopos, texto extraído cifrado); 2010-PAS2 p. 7–8 (gráficos de exportações e balança comercial, itens 42 e 46) e p. 13 (renas); 2007-PAS2 p. 10 (tabela do viveiro); 2008-PAS3 p. 4 (gráfico da produção de cereais); 2009-PAS3 p. 9 (tabela Brent/WTI); 2010-PAS3 p. 8 (tabela da educação pública); 2011-PAS3 p. 8 (gráficos de setores 2005/2030); 2013-PAS3 p. 10 (gráfico da frota); 2014-PAS3 p. 16 (gráfico da fecundidade); 2015-PAS3 p. 6 (tabela das parlamentares); 2016-PAS3 p. 9 (tabela das 14 caixas de som); 2017-PAS3 p. 18 (gráfico da produção de etanol); 2018-PAS3 p. 16 (gráficos do TSE); 2019-PAS3 p. 16 (gráfico da OEI); 2020-PAS3 parte 2 p. 7 (tabela das vacinas); 2021-PAS3 parte 2 p. 5 (tabela dos refugiados); 2023-PAS3 p. 11 (gráfico da imigração mexicana); 2024-PAS3 p. 13 (tabela do IBGE); 2009-PAS1 p. 11–12 (tabela das enchentes; IDH); 2013-PAS1 p. 10 (tabela das oleaginosas); 2015-PAS1 p. 16; 2017-PAS1 p. 15 (cifrado); 2021-PAS1 parte 2 p. 4
Numeração impressa no rodapé do caderno (nos PDFs mais antigos a página do arquivo é uma adiante). Páginas abertas a 200 dpi pelo escritor; todos os valores impressos (barras, tabelas, setores) foram lidos na imagem e transcritos nas questões.