Carga elétrica e eletrização

Guia de estudo · Revisado em 17/09/2026

BNCC · EM13CNT301

Como um pente que acabou de sair do cabelo levanta pedacinhos de papel sem que ninguém tenha criado carga alguma, por que o papel, que está neutro, vai atrás dele, e o que esse gesto tem a ver com o choque na porta do carro num dia seco, com a roupa que gruda ao sair da secadora e com o raio que desce de uma nuvem de tempestade?

O que você vai aprender

  • Descrever a origem da carga elétrica na estrutura da matéria (prótons no núcleo, elétrons na eletrosfera) e explicar por que, na eletrização de sólidos, quem se move é o elétron: corpo negativo ganhou elétrons, corpo positivo perdeu, corpo neutro tem populações iguais, não ausência de carga.
  • Enunciar a quantização da carga, Q = n·e com e = 1,6 × 10⁻¹⁹ C, converter entre coulomb, microcoulomb e nanocoulomb, contar elétrons a partir de uma carga medida (n = |Q|/e) e reconhecer valores de carga impossíveis por não serem múltiplos inteiros da carga elementar.
  • Aplicar a conservação da carga elétrica como soma algébrica constante em um sistema isolado, incluindo a Terra quando houver aterramento, e usá-la para conferir o resultado de qualquer problema de eletrização.
  • Distinguir condutores (elétrons livres ou íons; carga se espalha e vai para a superfície), isolantes (carga fica onde foi depositada) e semicondutores, e explicar por que um metal segurado na mão não se eletriza, por que o ar seco favorece a eletricidade estática e o papel da Terra como reservatório.
  • Explicar a eletrização por atrito como troca de elétrons entre materiais diferentes, com cargas finais de módulos iguais e sinais opostos, e prever o sinal de cada corpo com a série triboelétrica (vidro, cabelo e lã tendem ao positivo; borracha, PVC e teflon ao negativo).
  • Resolver a eletrização por contato: mesmo sinal final, o corpo original perde carga, partilha em partes iguais entre esferas idênticas, Q' = (Q₁ + Q₂)/2, inclusive com sinais opostos e em contatos sucessivos; reconhecer que esferas de raios diferentes não dividem ao meio.
  • Descrever a indução eletrostática (indutor intacto, faces do induzido com sinais opostos, total inalterado) e a sequência correta para eletrizar por indução com aterramento (aproximar, aterrar, desfazer o aterramento, afastar), prevendo o sinal final oposto ao do indutor.
  • Explicar a atração de um corpo neutro por polarização (dipolos orientados, face oposta mais próxima) e aplicar o teste lógico: atração não prova carga, repulsão prova; operar o eletroscópio de folhas e de pêndulo para detectar carga e determinar o sinal.
  • Reconhecer a eletricidade estática do cotidiano (roupa na secadora, cabelo no pente, choque na porta do carro, poeira em telas, abastecimento de combustível, pintura eletrostática, impressora a laser) e a tempestade como separação de cargas por atrito com indução no solo, deixando para-raios e blindagem para a página de potencial elétrico.
  • Julgar itens no molde do PAS 3 (2022/80–82, 2024/117–119, 2023/108): nomear o processo antes de julgar (esfregou = atrito, tocou = contato, só aproximou = indução) e evitar os erros que a banca planta: prótons que migram, atração como prova de carga, isolante que não se eletriza, indutor que perde carga, contato que divide sempre ao meio, carga confundida com corrente.

Num dia seco de agosto em Brasília, você atravessa a sala de tênis, encosta a mão na maçaneta de metal e leva um choque: uma faísca curta, um estalo, o dedo formigando. Ninguém ligou nada na tomada. No mesmo dia, o pente sai do cabelo com os fios levantados atrás dele, a sacola de plástico gruda no braço e o papel picado pula para cima da régua que a criança acabou de esfregar na blusa. Quatro cenas, um só mecanismo: elétrons que já existiam mudaram de corpo, e a matéria, que estava em equilíbrio, ficou por alguns instantes com contas a acertar. Nada foi criado; algo foi transferido.

Esta é a página da carga elétrica e dos processos de eletrização: de onde vem a carga (prótons e elétrons, e por que quem se move é sempre o elétron), por que ela vem em pacotes de 1,6×10−191{,}6 \times 10^{-19} C, por que a soma das cargas de um sistema isolado não muda, o que separa um condutor de um isolante, e os três modos de eletrizar um corpo: por atrito, por contato e por indução. Depois, o que a prova mais gosta de perguntar: por que o papel neutro é atraído (polarização), por que atração não prova carga e repulsão prova, como um eletroscópio revela o sinal de um corpo, e onde a eletricidade estática aparece no dia a dia, do choque na porta do carro ao raio da tempestade. A força entre duas cargas, com a fórmula de Coulomb, tem página própria em lei de Coulomb; o campo elétrico e as linhas de força estão em campo elétrico; o potencial, as esferas ligadas por fio, o para-raios e a blindagem, em potencial elétrico. O átomo por dentro (núcleo, eletrosfera, os modelos de Thomson, Rutherford e Bohr) está em modelos atômicos, e a leitura de prefixos e potências de dez, em grandezas físicas e unidades.

Prótons presos, elétrons soltos: o portador que viaja

Todo corpo que você toca é feito de átomos, e todo átomo tem duas populações de carga. No núcleo ficam os prótons, com carga positiva, ao lado dos nêutrons, que não têm carga. Em volta do núcleo ficam os elétrons, com carga negativa. A carga de um próton e a de um elétron têm exatamente o mesmo tamanho e sinais contrários, de modo que um átomo com o mesmo número de prótons e de elétrons tem carga total zero: é neutro. Um pedaço de cobre, uma bexiga, um fio de cabelo, todos são neutros no estado natural, não porque não tenham carga, mas porque têm cargas positivas e negativas em quantidades iguais.

A diferença entre as duas populações está em quem pode sair. Os prótons estão presos no núcleo por forças nucleares imensas; arrancar um próton de um átomo exige energias de reação nuclear, que nada no dia a dia fornece. Os elétrons, ao contrário, ficam na periferia, e os mais externos estão presos com energias pequenas, comparáveis à do simples contato entre dois materiais. Por isso, em toda eletrização de sólidos quem se move é o elétron. Um corpo fica negativo quando ganha elétrons; fica positivo quando perde elétrons, e o que sobra nele são prótons “sem par”. O cabelo penteado não recebeu prótons de lugar nenhum: ele cedeu elétrons ao pente.

Carga elétrica: sinal, portador e o que "eletrizar" quer dizer

A matéria é feita de prótons (positivos) e elétrons (negativos), em número igual no corpo neutro. Eletrizar um corpo é tirar dele ou dar a ele elétrons:

  • ganhou elétrons: carga negativa;
  • perdeu elétrons: carga positiva;
  • populações iguais: neutro, o que não significa “sem cargas”, e sim “com cargas em equilíbrio”.

Cargas de mesmo sinal se repelem; cargas de sinais contrários se atraem. Essa é a única regra de interação que esta página usa; o tamanho da força fica com a lei de Coulomb.

Dois átomos esquemáticos lado a lado. À esquerda, um átomo neutro com núcleo central contendo três prótons marcados com sinal de mais e nêutrons sem sinal, e três elétrons marcados com sinal de menos em órbitas ao redor; o rótulo indica três prótons, três elétrons, carga total zero. À direita, o mesmo átomo depois de perder um elétron: dois elétrons permanecem, um elétron aparece afastado com uma seta indicando que saiu, e o rótulo indica três prótons, dois elétrons, carga total positiva; um aviso marca que o núcleo não muda e que prótons não saem.
O núcleo fica; o elétron viaja. Um átomo que perde um elétron fica com um próton sem par e, portanto, positivo; ninguém acrescentou prótons a ele. Diagrama autoral.

Quantos elétrons estão envolvidos numa eletrização comum? Poucos, em termos relativos. Um pente de plástico tem da ordem de 102410^{24} elétrons; ao passar no cabelo, recebe algo entre 101210^{12} e 101310^{13} a mais, uns poucos trilhões, uma fração de um trilionésimo do total. Por isso nenhuma propriedade visível do pente muda: ele só passa a atrair papel. A eletrização é um desequilíbrio minúsculo numa balança gigantesca, e é por ser pequeno que ele se desfaz tão fácil, escoando pela umidade do ar ou pela mão de quem toca.

Carga vem em pacotes: Q = n · e

Se quem se move é o elétron, um corpo nunca pode ganhar “meio elétron”. A carga de qualquer corpo é um número inteiro de vezes a carga de um elétron. Esse é o princípio da quantização da carga, e o pacote mínimo tem nome: carga elementar.

Carga elementar, coulomb e a fórmula de contagem

A carga elementar vale

e=1,6×10−19 C.e = 1{,}6 \times 10^{-19}\ \text{C}.

O próton tem carga +e+e; o elétron, −e-e. Não existe corpo com carga igual a uma fração de ee: a carga de qualquer objeto é ee multiplicado por um número inteiro,

Q=n⋅e,Q = n \cdot e,

em que nn é o número de elétrons a mais (carga negativa) ou a menos (carga positiva) em relação ao corpo neutro. Para contar elétrons a partir de uma carga medida, inverta:

n=∣Q∣e.n = \frac{|Q|}{e}.

A unidade de carga no SI é o coulomb ©. Um coulomb corresponde a 1/(1,6×10−19)=6,25×10181 / (1{,}6 \times 10^{-19}) = 6{,}25 \times 10^{18} elétrons: seis quintilhões. É uma quantidade enorme para a eletrostática; as cargas que um corpo esfregado acumula ficam entre nanocoulombs (10−910^{-9} C) e microcoulombs (10−610^{-6} C).

O coulomb é grande porque foi definido pensando na corrente elétrica dos fios (um ampère é um coulomb por segundo), não nos pentes. Na eletrostática você vai conviver com prefixos, e vale ter a tabela na cabeça: pico (p) =10−12= 10^{-12}, nano (n) =10−9= 10^{-9}, micro (μ\mu) =10−6= 10^{-6}, mili (m) =10−3= 10^{-3}. Uma carga de 4 μC4\ \mu\text{C} é 4×10−64 \times 10^{-6} C; uma de 33 nC é 3×10−93 \times 10^{-9} C. Toda fórmula espera coulombs; converta antes de substituir.

Exemplo resolvido: a bexiga no cabelo. Depois de esfregada no cabelo seco, uma bexiga ficou com 2,5×10122{,}5 \times 10^{12} elétrons além dos que tinha. Que carga ela adquiriu? Multiplica-se o número de elétrons pela carga de cada um: Q=2,5×1012×1,6×10−19=4,0×10−7Q = 2{,}5 \times 10^{12} \times 1{,}6 \times 10^{-19} = 4{,}0 \times 10^{-7} C, ou 0,40 μC0{,}40\ \mu\text{C}. O sinal vem do portador: quem chegou foi elétron, logo a bexiga está negativa. E o cabelo? Os mesmos 2,5×10122{,}5 \times 10^{12} elétrons saíram dele, que ficou com +4,0×10−7+4{,}0 \times 10^{-7} C. Conferência: somadas, as duas cargas dão zero, exatamente o total que o par bexiga–cabelo tinha antes da esfregação. Fecha.

Exemplo resolvido: de volta aos elétrons. Uma esfera metálica tem carga −4,8 μC-4{,}8\ \mu\text{C}. Quantos elétrons ela tem a mais? n=∣Q∣/e=4,8×10−6/1,6×10−19=3×1013n = |Q|/e = 4{,}8 \times 10^{-6} / 1{,}6 \times 10^{-19} = 3 \times 10^{13} elétrons. Trinta trilhões. Conferência: 3×1013×1,6×10−19=4,8×10−63 \times 10^{13} \times 1{,}6 \times 10^{-19} = 4{,}8 \times 10^{-6} C. Fecha. E uma pergunta de controle: uma carga de −4,0×10−19-4{,}0 \times 10^{-19} C é possível? Não: 4,0/1,6=2,54{,}0 / 1{,}6 = 2{,}5, e não existe meio elétron. Cargas possíveis nessa escala são 1,61{,}6, 3,23{,}2, 4,84{,}8, 6,4×10−196{,}4 \times 10^{-19} C, e assim por diante.

"Um corpo neutro não tem carga nenhuma"

Neutro quer dizer soma zero, não ausência. Um pedaço de cobre de um grama tem cerca de 3×10233 \times 10^{23} prótons e o mesmo número de elétrons. Ele pode ser polarizado, pode ceder elétrons por atrito, pode ser atraído por um corpo eletrizado. Item que trate o corpo neutro como “vazio de cargas” está errado; item que diga que ele tem “igual quantidade de prótons e de elétrons” está certo.

A quantização foi medida, não postulada. Entre 1909 e 1913, Robert Millikan pulverizou gotículas de óleo entre duas placas metálicas, eletrizou as gotículas com raios X e ajustou o campo elétrico entre as placas até que a força elétrica equilibrasse o peso de uma gotícula, deixando-a parada no ar. Da carga necessária para cada gotícula, ele viu que os valores medidos eram sempre múltiplos inteiros de um mesmo número, cerca de 1,6×10−191{,}6 \times 10^{-19} C. Esse experimento é texto-base do PAS 3 de 2023 (itens 107 e 108), e o item de múltipla escolha desse bloco pergunta exatamente o que esta seção afirma: a carga de cada gotícula é, necessariamente, múltiplo inteiro da carga do elétron. A parte do experimento que envolve o sentido do campo e o equilíbrio de forças está em campo elétrico.

Carga não se cria nem se destrói: a conservação

Se eletrizar é transferir elétrons, então o que um corpo ganha o outro perdeu, e a soma das cargas de todos os corpos envolvidos não muda. Esse é o princípio da conservação da carga elétrica: num sistema eletricamente isolado (sem troca de carga com o exterior), a soma algébrica das cargas permanece constante. Algébrica quer dizer com sinal: +8+8 e −2-2 somam +6+6, não 1010.

Conservação da carga

Em um sistema isolado,

Q1+Q2+⋯+Qn=constante.Q_1 + Q_2 + \dots + Q_n = \text{constante}.

Consequências imediatas:

  • Atrito entre dois corpos neutros: como o total era zero e segue zero, o que um ganhou o outro perdeu; eles saem com cargas opostas em sinal e iguais em tamanho, +Q+Q e −Q-Q.
  • Contato entre dois corpos já eletrizados: a soma final é a soma inicial; os módulos finais não precisam ser iguais entre si.
  • Indução: o induzido continua com a mesma carga total que tinha (zero, se era neutro); só a distribuição muda.
  • Aterramento: a Terra entra na conta como um dos corpos do sistema. Um corpo que “perde carga para a Terra” não violou nada: a carga foi para lá.

Uma palavra que os enunciados usam: o módulo de uma carga é o seu valor ignorando o sinal, de modo que −2 μC-2\ \mu\text{C} e +2 μC+2\ \mu\text{C} têm o mesmo módulo, 2 μC2\ \mu\text{C}. Quando um item fala em duas cargas “de mesmo módulo e sinais contrários”, está descrevendo +Q+Q e −Q-Q.

Na prática, a conservação é uma conferência de caixa: em qualquer problema de eletrização, some as cargas antes, some depois, e os dois totais precisam bater. Se não batem, há um corpo esquecido na conta, quase sempre a Terra ou a mão de alguém.

Condutores, isolantes e semicondutores: onde os elétrons podem andar

O que separa o cobre do plástico não é a quantidade de elétrons, mas a liberdade deles. Num metal, cada átomo cede um ou dois de seus elétrons externos a um “mar” coletivo: esses elétrons livres não pertencem a átomo nenhum e vagam pelo material inteiro. Uma carga em excesso depositada num ponto de um condutor se espalha em fração de segundo, repelida por si mesma, até se acomodar na superfície, o mais longe possível de si. Num isolante, os elétrons ficam presos aos seus átomos ou às suas moléculas; uma carga depositada num ponto fica naquele ponto, e o resto do corpo nem sabe.

Três classes de material

Condutores têm portadores de carga livres para se mover: nos metais, elétrons; nas soluções de sais e ácidos e no corpo humano, íons (positivos e negativos) dissolvidos em água. Carga em excesso se distribui pelo condutor e corre para a superfície. Exemplos: cobre, alumínio, ouro, prata, grafite, água com sais, o solo úmido, o corpo humano.

Isolantes (ou dielétricos) mantêm os elétrons presos aos seus átomos e moléculas; uma carga depositada numa região permanece ali, sem se espalhar. Exemplos: vidro, borracha, plástico, âmbar, seda, lã, papel seco, madeira seca, o ar seco. Eles não impedem a eletrização; impedem que a carga escoe. Por isso os corpos que se eletrizam com facilidade por atrito são isolantes.

Semicondutores (silício, germânio) ficam no meio: em estado puro e frio conduzem mal; com pequenas impurezas controladas ou com luz e calor, conduzem melhor. São a base dos chips, dos diodos e das células solares, assunto de geração de energia elétrica.

Dois painéis. No painel da esquerda, intitulado condutor, uma esfera metálica cinza recebe carga negativa num ponto, indicado por um bastão que a toca; setas mostram os sinais de menos se espalhando e o estado final tem os sinais de menos distribuídos uniformemente pela superfície da esfera, com o interior vazio de cargas. No painel da direita, intitulado isolante, um bastão de plástico azul recebe carga negativa numa extremidade e, no estado final, os sinais de menos continuam concentrados na mesma extremidade, sem se espalhar; o rótulo indica que a carga fica onde foi depositada.
No condutor a carga em excesso se espalha e vai para a superfície; no isolante ela fica onde foi posta. A diferença não está no número de elétrons, e sim em quantos deles podem andar. Diagrama autoral.

Duas consequências práticas. A primeira: você não consegue eletrizar um pedaço de metal segurando-o na mão. A carga que o atrito gera escoa pelo metal, pela sua mão (o corpo humano é condutor, cheio de água com sais), pelo seu corpo e pelo chão. Para eletrizar um condutor, é preciso isolá-lo: um cabo de plástico, um suporte de vidro, calçados de borracha. A segunda: a umidade do ar é inimiga da eletricidade estática. O ar seco é isolante; o ar úmido deposita um filme fino de água (com sais e gás carbônico dissolvidos) nas superfícies, e esse filme conduz o bastante para descarregar um corpo em segundos. É por isso que os choques na maçaneta, o cabelo arrepiado e a roupa grudando aparecem no inverno seco do Centro-Oeste e somem nos dias de chuva.

A Terra tem papel especial nessa classificação: é um condutor tão grande que pode receber ou fornecer qualquer quantidade de carga que um objeto do dia a dia lhe ofereça sem mudar seu próprio estado. Ligar um condutor à Terra por um fio (aterrar) é dar às cargas em excesso um caminho de saída, ou uma fonte de elétrons de reposição. O fio terra da tomada, o cabo que os caminhões de combustível prendem no chão antes de descarregar, a haste do para-raios: todos usam a Terra como reservatório infinito.

Por que o carro dá choque no tempo seco

Ao deslizar pelo banco de tecido para sair do carro, sua roupa e o estofado trocam elétrons por atrito; você desce eletrizado, isolado do chão pelas solas de borracha. Ao tocar na porta de metal, que está ligada à carroceria e, pelos pneus úmidos ou pelo ar, próxima do potencial do solo, a carga acumulada descarrega de uma vez pelo seu dedo: a faísca. Segurar a porta de metal antes de se levantar do banco resolve, porque a carga escoa continuamente enquanto se forma, sem acumular. Alguns veículos antigos arrastavam uma tira condutora no asfalto pelo mesmo motivo: manter a carroceria descarregada.

Atrito: dois materiais diferentes, uma troca de elétrons

Esfregar é o modo mais antigo de eletrizar, e o único dos três processos que cria um par de corpos eletrizados a partir de dois corpos neutros. Quando duas superfícies de materiais diferentes são postas em contato íntimo, os átomos de uma prendem seus elétrons externos com mais força que os da outra; nos pontos de contato, alguns elétrons passam para o material que os segura melhor. O atrito em si não é o mecanismo, é o auxiliar: esfregar multiplica os pontos de contato real entre as superfícies e depois separa os corpos antes que os elétrons voltem. Ao final, o material que ficou com os elétrons está negativo; o que os cedeu, positivo, e as duas cargas têm o mesmo módulo.

Eletrização por atrito

Dois corpos neutros, de materiais diferentes, esfregados um no outro trocam elétrons; ao fim, um está positivo e o outro negativo, e as duas cargas têm o mesmo módulo, porque tudo o que um recebeu saiu do outro. Quem fica com que sinal depende da afinidade de cada material por elétrons, resumida na série triboelétrica: dos que tendem a ceder elétrons (ficam positivos) aos que tendem a recebê-los (ficam negativos), uma ordem aproximada é

pele humana, vidro, cabelo humano, náilon, lã, seda, papel, algodão, madeira, âmbar, borracha, poliéster, PVC, teflon.

Dois materiais quaisquer da lista: o que está mais à esquerda fica positivo; o que está mais à direita fica negativo. Quanto mais afastados na série, mais intensa a eletrização. Dois corpos do mesmo material não se eletrizam por atrito, porque nenhum deles “ganha” a disputa pelos elétrons.

Escala horizontal da série triboelétrica. Na ponta esquerda, rotulada tende a ceder elétrons e fica positivo, com sinal de mais em vermelho, aparecem em ordem pele humana, vidro, cabelo, náilon, lã, seda, papel, algodão; no centro, madeira, marcada como ponto aproximadamente neutro; à direita, âmbar, borracha, poliéster, PVC, teflon, sob o rótulo tende a receber elétrons e fica negativo, com sinal de menos em azul. Abaixo da escala, três pares ligados por setas curvas ilustram exemplos: pente de plástico com cabelo, pente negativo e cabelo positivo; bastão de vidro com seda, vidro positivo e seda negativa; bexiga de borracha com lã, bexiga negativa e lã positiva.
A série triboelétrica é uma ordem de afinidade por elétrons: entre dois materiais esfregados, o da esquerda cede e fica positivo, o da direita recebe e fica negativo. A ordem é aproximada e depende de umidade, pureza e acabamento das superfícies. Diagrama autoral.

Os exemplos clássicos saem direto da série. Pente de plástico e cabelo: o cabelo está à esquerda, o plástico à direita; o pente fica negativo, o cabelo positivo. Bastão de vidro e seda: vidro positivo, seda negativa. Bexiga de borracha e lã do suéter: bexiga negativa, lã positiva. Bastão de âmbar (ou de ebonite, ou de PVC) e lã ou pele: bastão negativo. Quando um problema diz apenas “um bastão eletrizado por atrito”, o sinal não está determinado até que se saiba com o quê ele foi esfregado; quando diz “bastão de vidro atritado com seda”, o vidro é positivo.

A série tem duas letras miúdas que a prova ocasionalmente cobra. Primeira: a ordem é empírica e aproximada; umidade, sujeira e temperatura podem trocar vizinhos de lugar, e por isso tabelas de fontes diferentes não coincidem em todos os detalhes. Segunda: a eletrização por atrito é mais eficiente entre isolantes, e não apesar de eles serem isolantes, mas por causa disso: a carga transferida fica presa onde foi gerada, em vez de escoar. Um item do PAS 3 de 2022 afirmou que “materiais isolantes não sofrem processos de eletrização”, e o gabarito foi Errado; em 2024, a banca escreveu que, sendo o plástico isolante, “não há nenhuma forma de eletrização”, e o gabarito foi Errado de novo. Âmbar, bexiga, caneta, régua, todo o repertório da eletricidade estática é feito de isolantes.

Roupa que gruda, cabelo que sobe

Na secadora, meias de náilon e camisetas de algodão giram esfregando-se durante uma hora e saem com sinais opostos, grudadas umas nas outras. Ao tirar um suéter de lã sobre uma camisa de poliéster no escuro, você pode ver faíscas: a lã fica positiva, o poliéster negativo, e a separação brusca deixa as cargas sem caminho de volta, até o ar ceder em pequenas descargas. O cabelo que sobe atrás do pente e o que se arrepia ao tirar o gorro seguem a mesma lógica; fios com o mesmo sinal se repelem e se afastam o máximo que conseguem. Tudo isso some em dia úmido, e é por isso que o amaciante “antiestático” funciona: ele deposita nas fibras uma camada que retém umidade e conduz o suficiente para descarregar a roupa.

Contato: o corpo eletrizado reparte o que tem

Encoste um corpo já eletrizado num condutor neutro e a carga em excesso, que se repele, aproveita o novo território: parte dela passa para o segundo corpo, e os dois terminam eletrizados com o mesmo sinal. É a eletrização por contato, e ela tem uma diferença de fundo em relação ao atrito: no atrito nascem dois sinais opostos a partir do nada; no contato, uma carga que já existia se reparte, e o corpo que a tinha perde parte dela.

Eletrização por contato

Um corpo eletrizado toca um condutor: a carga total se conserva e se redistribui entre os dois. Ao separá-los, ambos ficam com carga de mesmo sinal que a do corpo original, e passam a se repelir.

Para duas esferas condutoras idênticas (mesmo raio, mesmo material), a simetria obriga a divisão em partes iguais:

QA′=QB′=QA+QB2.Q_A' = Q_B' = \frac{Q_A + Q_B}{2}.

Vale para qualquer par de cargas iniciais, inclusive de sinais opostos: a soma é algébrica.

Para esferas de raios diferentes, a carga não se divide ao meio: a esfera maior fica com mais carga, na proporção dos raios (QA/QB=RA/RBQ_A/Q_B = R_A/R_B). A razão é que o que se iguala no contato é o potencial elétrico, não a carga; a demonstração fica em potencial elétrico.

Num isolante, o contato transfere carga só na região tocada e em quantidade pequena, porque os elétrons não circulam para “buscar” o novo território.

Três quadros em sequência mostrando duas esferas metálicas iguais, A e B, sobre suportes isolantes. No primeiro quadro, antes do contato, A tem carga mais seis microcoulombs com seis sinais de mais e B tem carga menos dois microcoulombs com dois sinais de menos. No segundo quadro, as esferas estão encostadas e uma seta indica que elétrons passam de B para A, com a soma total mais quatro microcoulombs anotada. No terceiro quadro, após a separação, cada esfera tem mais dois microcoulombs, com dois sinais de mais cada, e setas opostas indicam que elas agora se repelem.
Contato entre esferas iguais: a soma algébrica (+6 − 2 = +4 µC) se conserva e se divide ao meio. Quem se moveu foram elétrons, de B para A; o resultado é que as duas ficam positivas e passam a se repelir. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: duas esferas iguais. A esfera A, metálica, carrega +6 μC+6\ \mu\text{C}; a esfera B, idêntica a ela, carrega −2 μC-2\ \mu\text{C}. Elas são encostadas e depois afastadas. Qual é a carga final de cada uma, e o que aconteceu no toque? Comece pelo total, com sinal: (+6)+(−2)=+4 μC(+6) + (-2) = +4\ \mu\text{C}. Esferas iguais repartem igualmente, portanto +2 μC+2\ \mu\text{C} em cada uma; as duas saem positivas e, por isso, repelem-se. Para saber quanto circulou, acompanhe a esfera B: ela partiu de −2-2 e chegou a +2 μC+2\ \mu\text{C}, uma mudança de 4 μC4\ \mu\text{C} que só pode ter sido feita por elétrons deixando B rumo a A, em número n=4×10−6/1,6×10−19=2,5×1013n = 4 \times 10^{-6} / 1{,}6 \times 10^{-19} = 2{,}5 \times 10^{13}. A esfera A, que os recebeu, caiu de +6+6 para +2 μC+2\ \mu\text{C}. Conferência: +2+2=+4+2 + 2 = +4, igual ao total de partida. Fecha.

Exemplo resolvido: três esferas, dois contatos. Três esferas idênticas: A com +12 μC+12\ \mu\text{C}, B e C neutras. A toca B e se separa; depois B toca C e se separa. Primeiro contato: (12+0)/2=6(12 + 0)/2 = 6, então A =+6= +6, B =+6= +6. Segundo contato: (6+0)/2=3(6 + 0)/2 = 3, então B =+3= +3, C =+3= +3. Final: A =+6= +6, B =+3= +3, C =+3 μC= +3\ \mu\text{C}. Conferência: 6+3+3=126 + 3 + 3 = 12. Fecha. Se a ordem fosse outra (A toca C primeiro e depois B toca A), o resultado mudaria; em problemas de contato em cadeia, siga a sequência do enunciado passo a passo, com a soma conferida a cada passo.

Exemplo resolvido: mãos na esfera. Uma pessoa de cabelos longos e secos, calçando sapatos de borracha, encosta as mãos numa esfera metálica carregada positivamente (a de um gerador de Van de Graaff, por exemplo). O corpo humano é condutor e está isolado do chão pelos sapatos; ao tocar, ele troca cargas com a esfera (cede elétrons a ela) e fica positivo também: eletrização por contato. Os fios de cabelo, agora todos positivos, se repelem e se afastam uns dos outros, arrepiados. Foi esse o cenário do item 82 do PAS 3 de 2022, e o gabarito foi Certo. Se a pessoa estivesse descalça no chão de cimento úmido, a carga escoaria para a Terra pelo corpo e o cabelo não subiria.

"No contato a carga sempre divide ao meio"

Só para corpos idênticos. Para uma esfera pequena e uma grande, a grande fica com mais. E, em qualquer caso, o corpo que tinha a carga sai do contato com menos do que entrou: quem “transfere carga e fica com menos” é o contato, nunca a indução. Item que descreva um contato e diga que os corpos terminaram com sinais opostos está errado; sinais opostos no final são marca do atrito.

Indução: eletrizar sem tocar

Aproxime, sem encostar, um bastão negativo de uma esfera metálica neutra. Os elétrons livres da esfera sentem a repulsão do bastão e fogem para o lado oposto; a face voltada para o bastão fica com falta de elétrons (positiva), a face distante fica com excesso (negativa). A carga total da esfera continua zero: nada entrou, nada saiu, só mudou de lugar. Isso é a indução eletrostática. O corpo eletrizado que causa a redistribuição chama-se indutor; o corpo que a sofre, induzido. O indutor não perde nada: ele apenas está por perto.

Se você afastar o bastão, os elétrons voltam ao lugar e a esfera fica como antes. Para transformar a indução em eletrização permanente, é preciso dar aos elétrons de uma das faces um caminho de fuga enquanto o indutor ainda está lá: o aterramento.

Eletrização por indução, passo a passo
  1. Aproxime o indutor (por exemplo, negativo) do condutor neutro, sem tocar. As cargas do induzido se separam: face próxima positiva, face distante negativa. Total ainda zero.
  2. Aterre o induzido: ligue-o à Terra (ou toque-o com o dedo) do lado distante. Os elétrons da face distante, repelidos pelo indutor, escoam para a Terra. O induzido agora tem carga total positiva.
  3. Desfaça o aterramento (retire o fio ou o dedo) com o indutor ainda no lugar. A carga positiva fica presa no induzido, porque não há mais caminho de volta.
  4. Afaste o indutor. A carga positiva, que estava concentrada na face próxima, se espalha pela superfície do induzido. Ele ficou eletrizado com sinal oposto ao do indutor, e o indutor continua com a mesma carga de antes.

A ordem dos passos 3 e 4 é o que a prova testa: se o indutor for afastado antes de se desfazer o aterramento, os elétrons voltam da Terra pelo fio e o induzido termina neutro.

Quatro painéis numerados. Painel 1, aproximar: um bastão com sinais de menos se aproxima pela esquerda de uma esfera metálica neutra sobre suporte isolante; na esfera, a face esquerda mostra sinais de mais e a face direita sinais de menos, com a legenda total zero. Painel 2, aterrar: a mesma cena com um fio ligando a face direita da esfera ao símbolo de terra e uma seta indicando elétrons escoando para a Terra; os sinais de menos da face direita desaparecem. Painel 3, desfazer o aterramento: o fio está cortado, o bastão continua presente e a esfera mostra só sinais de mais na face esquerda, com a legenda total positivo. Painel 4, afastar: o bastão se afasta para a esquerda e os sinais de mais estão distribuídos por toda a superfície da esfera, com a legenda esfera positiva, indutor intacto.
Indução com aterramento: aproximar, aterrar, desfazer o aterramento e só então afastar. O induzido termina com sinal oposto ao do indutor, e o indutor não perdeu carga alguma. Trocar a ordem dos dois últimos passos desfaz tudo. Diagrama autoral.

Repare no sinal final. Indutor negativo produz induzido positivo; indutor positivo produz induzido negativo. Sempre o oposto, porque o que escoa para a Terra (ou vem dela) é justamente a carga de mesmo sinal que o indutor, empurrada ou puxada por ele. Compare com o contato, em que o resultado tem o mesmo sinal do corpo que tocou.

Exemplo resolvido: o sinal do induzido. Uma esfera metálica neutra está sobre um suporte isolante. Aproxima-se dela um bastão de vidro atritado com seda; com o bastão próximo, toca-se a esfera com o dedo por um instante; depois afasta-se o bastão. Qual é o sinal final da esfera? O vidro atritado com seda é positivo. Face próxima da esfera: negativa (elétrons atraídos); face distante: positiva. O dedo aterra a esfera pelo lado distante: elétrons da Terra sobem pelo dedo para neutralizar a face positiva (ou, dito de outro modo, a falta de elétrons é suprida). Retirado o dedo e depois o bastão, a esfera fica com excesso de elétrons: negativa, sinal oposto ao do indutor. Conferência: indutor positivo, induzido negativo. Fecha. O bastão de vidro continua positivo, com a carga que tinha.

Indutor e induzido trocados

“Na indução, o indutor transfere parte de seus elétrons ao induzido e fica com menos carga”: errado duas vezes. Não há transferência entre indutor e induzido (não há toque), e o indutor termina com a mesma carga. O único corpo que troca carga com o induzido, quando há aterramento, é a Terra. Um item real (PAS 3 2022/80) descreveu o pente no cabelo como “contato” e ainda falou em cargas “induzidas”: três nomes para um só gesto. A pergunta que desempata é o que os corpos fizeram um com o outro. Dois neutros esfregados: atrito. Um já carregado encostando num outro: contato. Um carregado que apenas chega perto, sem encostar: indução.

Polarização: por que o papel neutro vai atrás da régua

Se o papel picado é neutro, o que a régua eletrizada tem para atrair nele? A resposta é que neutro não é o mesmo que indiferente. O papel é isolante: seus elétrons não podem correr de um lado a outro da folha como fariam num metal. Mas dentro de cada molécula, e em cada átomo, as cargas podem se deslocar um pouco: a nuvem eletrônica é puxada para o lado da régua se ela for positiva, ou empurrada para o lado oposto se ela for negativa. Cada molécula vira um pequeno dipolo, com um lado ligeiramente positivo e outro ligeiramente negativo, e os dipolos se orientam no mesmo sentido. O papel continua com carga total zero, mas agora tem uma face com um leve excesso de um sinal e a face oposta com um leve excesso do outro. É a polarização.

Polarização de um isolante e a origem da atração

Num isolante próximo a um corpo eletrizado, as moléculas se orientam (ou têm suas cargas ligeiramente separadas): a face voltada para o corpo eletrizado adquire sinal oposto ao dele, a face distante adquire o mesmo sinal. O total não muda.

A força resultante é de atração, porque a face de sinal oposto está mais perto e a interação elétrica diminui com a distância: a atração da face próxima vence a repulsão da face distante. Por isso um corpo eletrizado, de qualquer sinal, atrai um corpo neutro, seja o neutro condutor (indução: a separação é de elétrons livres, em grande escala) ou isolante (polarização: a separação é dentro de cada molécula).

O papel não precisa estar previamente eletrizado para ser atraído. Essa frase, com esse conteúdo, foi item do PAS 3 de 2024 (item 117: “Para ser atraído pela caneta, o papel tem que estar previamente eletrizado por algum outro mecanismo”), e o gabarito foi Errado.

Uma régua de plástico com sinais de menos, inclinada, aproxima-se de um pedaço de papel visto em corte, ampliado. Dentro do papel, várias moléculas desenhadas como pequenas elipses com um lado marcado com mais e outro com menos aparecem todas orientadas com o lado positivo voltado para a régua e o lado negativo para longe dela. Duas setas de força saem do papel: uma seta maior, apontando para a régua, rotulada atração da face próxima, e uma seta menor, apontando para longe, rotulada repulsão da face distante; uma legenda indica que a resultante é atração e que a carga total do papel continua zero.
A régua negativa orienta os dipolos do papel: a face positiva fica mais perto e é atraída com mais força do que a face negativa, mais longe, é repelida. O saldo é atração, sem que o papel tenha ganho ou perdido um elétron. Diagrama autoral.

Quem já fez a experiência sabe do segundo ato: alguns pedacinhos de papel, depois de grudar na régua, saltam fora. É que, no contato com a régua, o papel (isolante, mas não perfeito, sobretudo se úmido) recebe um pouco de carga do mesmo sinal, e aí passa a ser repelido: eletrização por contato encerrando o que a polarização começou. A mesma sequência explica a bexiga que fica na parede por minutos e depois cai: a parede polarizada segura a bexiga até que a umidade do ar descarregue as duas.

Filme plástico, poeira na tela e o balão no teto

O filme de PVC “gruda” na tigela de vidro porque, ao ser desenrolado, se eletriza por atrito com o próprio rolo, e depois polariza o vidro (e a comida) que toca. A poeira que se acumula na tela da televisão e no monitor é atraída da mesma forma pela superfície eletrizada. O balão esfregado no cabelo e solto perto do teto sobe e fica: teto e parede são isolantes neutros, polarizados pelo balão. Em todos os casos, um só corpo está eletrizado; o outro é neutro e mesmo assim participa.

Atração não prova carga; repulsão prova

Junte as duas seções anteriores e sai uma regra de lógica que a prova adora. Um corpo eletrizado atrai corpos de sinal oposto e também corpos neutros (por indução ou polarização). Logo, se um objeto A atrai um objeto B, você só pode concluir que pelo menos um dos dois está eletrizado, e não sabe qual, nem o sinal. Já a repulsão só acontece entre corpos ambos eletrizados com o mesmo sinal: um neutro nunca é repelido. Se A repele B, os dois estão eletrizados, e com o mesmo sinal.

O teste de carga em duas linhas
  • Atração entre A e B: ao menos um está eletrizado; o outro pode ser neutro ou ter sinal oposto. Não decide nada sobre B.
  • Repulsão entre A e B: ambos eletrizados, mesmo sinal. Única conclusão segura.

Para descobrir o sinal de um corpo desconhecido, aproxime-o de um corpo de sinal conhecido e procure repulsão: se houver, o desconhecido tem esse mesmo sinal; se houver atração, ele tem o sinal oposto ou é neutro, e você precisa de um segundo teste.

O instrumento que faz esse teste em laboratório é o eletroscópio. O de folhas é uma haste metálica com uma esfera (ou disco) na ponta de cima e, na de baixo, duas lâminas finíssimas de metal (ouro ou alumínio) penduradas lado a lado, tudo dentro de um frasco de vidro que protege do ar e sustenta a haste por uma rolha isolante. Enquanto o conjunto está neutro, as folhas pendem juntas. Quando a haste recebe carga, de qualquer sinal, a carga se espalha pela haste e pelas folhas; as duas folhas, com o mesmo sinal, se repelem e se abrem. O eletroscópio indica se há carga, e o ângulo de abertura cresce com a quantidade, mas a abertura em si não diz o sinal: folhas negativas e folhas positivas se abrem do mesmo jeito.

Três eletroscópios de folhas desenhados em corte, cada um com esfera no topo, rolha isolante, haste metálica e duas folhas de metal dentro de um frasco de vidro. No primeiro, rotulado neutro, as folhas pendem juntas. No segundo, rotulado carregado negativamente, sinais de menos cobrem a esfera, a haste e as folhas, que estão abertas em V. No terceiro, rotulado teste de sinal, um bastão com sinais de menos se aproxima da esfera do eletroscópio negativo e as folhas se abrem ainda mais, com a anotação mesmo sinal; ao lado, uma versão menor mostra um bastão com sinais de mais se aproximando e as folhas quase fechando, com a anotação sinal oposto.
O eletroscópio de folhas: folhas juntas quando neutro, abertas quando carregado com qualquer sinal. Para saber o sinal, carregue-o com um sinal conhecido e aproxime o corpo em teste: abrir mais é mesmo sinal, fechar é sinal oposto. Diagrama autoral.

Para determinar o sinal, use a indução a seu favor. Carregue o eletroscópio com um sinal conhecido, digamos negativo, tocando a esfera com um bastão de PVC atritado. Folhas abertas. Agora aproxime, sem tocar, o corpo desconhecido da esfera:

  • se as folhas abrem mais, o corpo é negativo: ele repele elétrons da esfera para baixo, para as folhas, que ficam ainda mais negativas;
  • se as folhas fecham (ou abrem menos), o corpo é positivo: ele atrai elétrons das folhas para a esfera, e as folhas perdem carga;
  • se o corpo for neutro, o efeito é pequeno (uma leve tendência a fechar, por polarização do corpo), e o teste é inconclusivo; repita com um corpo de referência.

O eletroscópio de pêndulo funciona pela mesma lógica com uma bolinha leve (de isopor ou de cortiça revestida de metal) pendurada por um fio isolante: aproximado de um corpo eletrizado, o pêndulo neutro é atraído (indução); se tocar o corpo e se eletrizar com o mesmo sinal, passa a ser repelido. É a demonstração de bancada de tudo o que esta página disse até aqui: atração primeiro, por indução; repulsão depois, por contato.

Exemplo resolvido: três bolinhas. Três pequenas esferas condutoras, X, Y e Z, estão penduradas por fios isolantes. Observa-se que X atrai Y, Y atrai Z, e X repele Z. O que se pode afirmar sobre cada uma? A repulsão entre X e Z prova que ambas estão eletrizadas, com o mesmo sinal. Y é atraída por X e por Z, que têm o mesmo sinal; se Y tivesse esse sinal, seria repelida; se tivesse o sinal oposto, seria atraída pelas duas; se fosse neutra, também seria atraída pelas duas. Logo Y está eletrizada com sinal oposto ao de X e Z, ou é neutra: a atração não decide. Um enunciado que conclua “Y tem sinal oposto” está afirmando mais do que os dados permitem.

Eletricidade estática no cotidiano: da roupa ao raio

Tudo o que esta página descreveu acontece sem laboratório. O que muda de um caso para outro é só quem esfrega quem, quem está isolado e por onde a carga acaba escoando.

Abastecimento de combustível. Ao descer do carro no posto, você pode estar eletrizado pelo atrito com o banco. Se a primeira coisa que tocar for o bico da bomba, a faísca da descarga salta perto dos vapores de gasolina, que são inflamáveis. Por isso as normas de segurança recomendam tocar na carroceria de metal antes de abastecer (descarregando o corpo longe do bocal), não voltar a entrar no carro durante o abastecimento (esfregar de novo no banco recarrega o corpo) e não usar recipientes de plástico soltos na caçamba, que se eletrizam e não têm por onde escoar. Caminhões-tanque prendem um cabo de aterramento no solo antes de descarregar: o combustível escorrendo pela mangueira se eletriza por atrito com as paredes, e sem o cabo a carga se acumularia no tanque.

Indústria e escritório. A pintura eletrostática eletriza as gotículas de tinta e aterra a peça: a tinta é atraída por todos os lados, com pouco desperdício. A impressora a laser desenha a imagem como um padrão de cargas num cilindro; o toner, eletrizado com o sinal contrário, gruda só onde há carga e depois passa ao papel. Os filtros eletrostáticos de chaminés eletrizam a fumaça e a recolhem em placas de sinal oposto. E a pulseira antiestática do técnico de informática aterra o corpo para que nenhuma faísca queime um chip.

Tempestade e raio. Uma nuvem de tempestade é um separador de cargas em escala de quilômetros. Correntes ascendentes violentas fazem cristais de gelo, granizo e gotas de água se chocarem e se atritarem; nas colisões, os cristais menores e mais leves tendem a ficar positivos e sobem para o topo da nuvem, enquanto o granizo, mais pesado, fica negativo e se acumula na base. A base negativa induz carga positiva no solo logo abaixo: a Terra, condutora, tem seus elétrons repelidos para longe. Entre a base da nuvem e o chão há então um isolante, o ar, separando dois “corpos” de sinais opostos, com tensões que chegam a centenas de milhões de volts. O ar resiste até certo ponto; passado o limite, suas moléculas se ionizam e a coluna de ar deixa de isolar, e por esse canal recém-aberto a carga separada ao longo de minutos se escoa numa fração de milésimo de segundo: o raio. É a mesma faísca da maçaneta, um bilhão de vezes maior. Por que ele prefere árvores, torres e pontas, e por que o interior de um carro fechado é um lugar seguro, são propriedades dos condutores que a página de potencial elétrico desenvolve, com o para-raios de Franklin.

De onde vem a palavra

Élektron é “âmbar” em grego. A tradição atribui a Tales de Mileto, no século VI a.C., a observação de que o âmbar atritado atrai palhas e penas. Dois mil anos depois, William Gilbert (1600) chamou de “elétricos” os corpos que se comportavam como o âmbar e os separou dos ímãs; Stephen Gray (1729) mostrou que a “virtude elétrica” podia ser transmitida ao longo de um fio de cânhamo por dezenas de metros, mas não por um fio de seda, e assim separou pela primeira vez os materiais que conduzem dos que isolam; Charles du Fay (1733) mostrou que há duas eletricidades, que se repelem quando iguais e se atraem quando diferentes. Benjamin Franklin (década de 1750) deu a elas os nomes positiva e negativa, propôs que eletrizar é transferir um único fluido, formulou a conservação da carga e mostrou, com a pipa, que o raio é eletricidade. O sinal que Franklin escolheu para “excesso” acabou sendo o dos prótons; por isso, hoje, quem se move (o elétron) carrega o sinal negativo.

Como a banca pergunta

Na 3.ª etapa do PAS, nenhum tema de eletrostática ganhou tanto espaço na última década quanto a eletrização, e os itens seguem uma receita reconhecível: o enunciado narra uma cena do cotidiano (alguém penteia o cabelo, aproxima uma caneta de papel picado, encosta as mãos numa esfera de gerador) e, no meio da narração, batiza o que aconteceu com o nome de um dos três processos ou com uma afirmação sobre quem pode ou não se eletrizar. O trabalho do candidato é comparar o rótulo com a cena. Não há conta; há vocabulário e mecanismo.

  • PAS 3 2022, itens 80 a 82. O texto-base lembrava que os processos de eletrização se classificam em atrito, contato e “condução” (assim no caderno). O item 80 chamou de “contato” o pente passado no cabelo e ainda disse que “são induzidas cargas contrárias”: pentear é atritar; Errado. O item 81 afirmou que isolantes não sofrem eletrização: Errado, é neles que ela funciona melhor. O item 82 descreveu a pessoa de sapatos isolantes tocando uma esfera carregada, ficando eletrizada por contato e com o cabelo arrepiado pela repulsão entre os fios: Certo.
  • PAS 3 2024, itens 117 a 119. Caneta de plástico atritada no cabelo e aproximada de papel picado. O 117 exigiu que o papel estivesse previamente eletrizado para ser atraído: Errado, polarização. O 118 disse que nada aconteceria porque o plástico é isolante: Errado. O 119 disse que o atrito troca elétrons entre caneta e cabelo, deixando um positivo e o outro negativo: Certo.
  • PAS 3 2023, item 108 (tipo C). Sobre o experimento de Millikan, a alternativa certa é a que reconhece, nas cargas medidas gotícula a gotícula, sempre um número inteiro de cargas elementares: a quantização. As opções erradas propõem medir a carga pela velocidade de queda sem campo (a queda livre não depende da carga), exigem a força de arraste do ar com a gotícula parada (parada, não há arraste) e sugerem que diminuir a carga negativa faria a gotícula subir (menos carga, menos força elétrica; ela desceria).

Espere, nas próximas provas, o mesmo molde com outro objeto (bexiga, sacola, tela de celular, secadora) e as mesmas três trocas: processo com nome errado, isolante que “não se eletriza”, neutro que “precisa estar eletrizado” para ser atraído. Dê nome ao processo antes de julgar e não negue ao corpo neutro o que ele pode: ser atraído sem ter carga líquida e receber carga mesmo sendo isolante.

Os erros que a prova planta

Dez tropeços, um por linha
  1. “O corpo ficou positivo porque recebeu prótons.” Prótons não migram; ele perdeu elétrons.
  2. “Se A atrai B, os dois estão eletrizados com sinais opostos.” B pode ser neutro. Só repulsão prova carga.
  3. “Corpo neutro não tem cargas.” Tem, em quantidades iguais.
  4. “Isolantes não se eletrizam.” São os que melhor se eletrizam por atrito; o que eles não fazem é deixar a carga escoar.
  5. “No atrito, os dois corpos ficam com o mesmo sinal.” Atrito dá sinais opostos e módulos iguais; contato dá o mesmo sinal.
  6. “Na indução, o indutor transfere carga ao induzido.” Não há toque; o indutor fica intacto. Quem troca carga com o induzido é a Terra.
  7. “Duas esferas em contato sempre dividem a carga ao meio.” Só se forem idênticas; a maior fica com mais.
  8. Afastar o indutor antes de desfazer o aterramento. A carga volta pela Terra e o induzido termina neutro.
  9. “Uma carga de 4,0×10−194{,}0 \times 10^{-19} C é possível.” Não é múltiplo inteiro de 1,6×10−191{,}6 \times 10^{-19} C.
  10. Confundir carga com corrente. Carga © é quanto; corrente (A) é quanto por segundo. Um corpo eletrizado parado tem carga e corrente zero.

O essencial em meia página

  • Portadores: prótons (+e+e) presos no núcleo; elétrons (−e-e) móveis. Quem se move é o elétron. Ganhou elétrons: negativo; perdeu: positivo; neutro: populações iguais.
  • Quantização: Q=n⋅eQ = n \cdot e, e=1,6×10−19e = 1{,}6 \times 10^{-19} C; n=∣Q∣/en = |Q|/e. 11 C =6,25×1018= 6{,}25 \times 10^{18} elétrons. Prefixos: μ=10−6\mu = 10^{-6}, n =10−9= 10^{-9}, p =10−12= 10^{-12}.
  • Conservação: soma algébrica constante em sistema isolado. Atrito entre neutros: +Q+Q e −Q-Q. A Terra conta como corpo do sistema.
  • Materiais: condutor (elétrons livres; carga se espalha e vai à superfície); isolante (carga fica onde foi posta); semicondutor (no meio). Ar seco isola; ar úmido descarrega. Corpo humano conduz.
  • Atrito: materiais diferentes, sinais opostos, módulos iguais; série triboelétrica decide quem fica positivo (vidro, cabelo, lã à esquerda; borracha, PVC, teflon à direita). Melhor entre isolantes.
  • Contato: corpo eletrizado toca condutor; mesmo sinal; o original perde carga. Esferas iguais: (Q1+Q2)/2(Q_1 + Q_2)/2. Desiguais: proporcional ao raio.
  • Indução: só aproximação; indutor intacto; faces com sinais opostos; total do induzido não muda. Com aterramento (aproxima, aterra, desfaz o aterramento, afasta): induzido com sinal oposto ao do indutor.
  • Polarização: isolante neutro se orienta em dipolos; face oposta mais perto; atração. Papel neutro é atraído pela régua sem estar eletrizado.
  • Teste: atração não prova carga; repulsão prova. Eletroscópio carregado com sinal conhecido: abre mais = mesmo sinal; fecha = sinal oposto.
  • Na prova: PAS 3 2022/80 (E), 81 (E), 82 ©; 2024/117 (E), 118 (E), 119 ©; 2023/108 (B, quantização). Nomeie o processo: esfregou = atrito; tocou = contato; só aproximou = indução.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

CARGA ELÉTRICA - ELETRIZAÇÃO - FÍSICA BÁSICA (Física do Zero) - Teoria e Exercícios - AULA 01
Professor Boaro · 10:03
Introdução. Dez minutos do projeto “Física do Zero” do prof. Marcelo Boaro, que, segundo a descrição do autor, percorre o conteúdo “numa linguagem muito simples e detalhada”: o que é carga elétrica, prótons e elétrons, corpo neutro, positivo e negativo, e a ideia de que eletrizar é ganhar ou perder elétrons. É a aula das seções “A matéria já vem carregada” e “Carga vem em pacotes” desta página, para quem quer ouvir o básico antes de ler.
TIPOS DE ELETRIZAÇÃO: POR ATRITO, CONTATO E INDUÇÃO (ELETROSTÁTICA) | Resumo de Física para o Enem
Curso Enem Gratuito · 16:26
Aprofundamento. Dezesseis minutos do prof. Otávio Bocheco com os três processos, um a um. A descrição do autor abre exatamente pela definição que esta página usa (“quando um corpo apresentar números diferentes de prótons e elétrons, ele estará eletrizado… ganhando ou perdendo elétrons”) e anuncia atrito, contato e indução com exemplos. Cobre as seções “Atrito”, “Contato” e “Indução”, com a comparação de sinais finais que a banca cobra.
Como funciona um Eletroscópio de folhas | Experimento de eletrostática
Mundo QuiFis com Cecília Brustolini · 7:52
Aplicação. Oito minutos de experimento: a professora monta um eletroscópio de folhas, mostra as folhas abrindo ao aproximar corpos eletrizados e, conforme a descrição do autor, “explica como ele funciona e fala também da série triboelétrica”. É a demonstração de bancada das seções “Atração não prova carga; repulsão prova” (eletroscópio e teste de sinal) e “Atrito” (série triboelétrica) desta página.
PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO - EXERCÍCIOS RESOLVIDOS - ELETROSTÁTICA - AULA 2 - Prof. Marcelo Boaro
Professor Boaro · 33:15
Resolução. Trinta e três minutos de exercícios resolvidos sobre eletrização (a descrição do autor: “mais um vídeo de resolução de exercícios de ELETROSTÁTICA… aqui discuto o conceito de ELETRIZAÇÃO”): contato entre esferas, sinais após o atrito, indução, contagem de elétrons. É o treino das seções “Contato”, “Indução” e “Os erros que a prova planta”, no mesmo formato conceitual dos itens do PAS 3 reproduzidos na seção “Como a banca pergunta”.
Rota PAS 3
Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (ideia 1, a matéria é feita de cargas; ideia 2, prefixos; exemplo-guia da bexiga com 10¹² elétrons); Carga elétrica e eletrização: quem se move é o elétron (conceito, exemplo-guia das esferas +8 e −2 µC, item real 2022/81, armadilha 'dois direitos do corpo neutro', história da palavra, checagem sobre indução); O raio: a eletrostática em escala de tempestade (separação de cargas na nuvem e indução no solo; história de Franklin); Como a banca cobra (item 2022/80 dissecado); Resolvidos no formato da prova (a bexiga na parede; a gotícula equilibrada); Banco de treino T1 a T6 e T22

    Recorte por assunto: só carga, materiais e os três processos de eletrização, mais polarização, eletroscópio e cotidiano. A lei de Coulomb, o campo elétrico (inclusive o sentido do campo no Millikan, item 2023/107), o potencial, os condutores em equilíbrio (esferas ligadas por fio 2014/114–115, esfera oca 2018/90–91), o campo uniforme nuvem-solo (2024/40), o para-raios e a segurança na tempestade (2024/38, 2020/64) ficam nas páginas irmãs. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a série triboelétrica, o passo a passo da indução com aterramento, a polarização como mecanismo, o eletroscópio e o teste de sinal, o coulomb e a contagem de elétrons, o papel da umidade e da Terra, e as aplicações (abastecimento, pintura eletrostática, impressora a laser, filtros).

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2022 (itens 80, 81 e 82, p. 11 do caderno); PAS 3 2023 (item 108, tipo C, p. 13, com o item 107 do mesmo bloco deixado para campo elétrico); PAS 3 2024 (itens 117, 118 e 119, p. 16)

    Itens reproduzidos verbatim com os textos-base, conferidos na imagem dos PDFs a 130 dpi; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2022: 80 E, 81 E, 82 C; 2023: 108 B; 2024: 117 E, 118 E, 119 C) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. Grafias do caderno mantidas ('eletrização por condução' em 2022; 'Milikan' em 2023), com (sic) apenas nas resoluções.