Variância e desvio padrão

Guia de estudo · Revisado em 04/10/2026

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A prova do PAS 3 de 2018 deu quatro barras com o número de mulheres eleitas vereadoras (6,6; 6,5; 7,5 e 7,8 mil) e afirmou que o desvio padrão era inferior a 0,70; a de 2013 pediu, em resposta numérica, a variância de quatro barras da frota de veículos multiplicada por 100 (gabarito 135); a de 2023 falou em "variância amostral" e só fechava com o divisor n − 1; a de 2008 afirmou que três valores em progressão aritmética têm desvio padrão zero. Quanto os dados se afastam do centro, como medir esse afastamento com um número e o que ele permite concluir?

O que você vai aprender

  • Explicar por que a média não basta para descrever um conjunto de dados (dois conjuntos de mesma média e mediana podem ser opostos) e calcular a amplitude, reconhecendo que ela usa só os dois extremos.
  • Calcular os desvios em relação à média, conferir que a soma deles é zero e justificar por que a variância usa os quadrados dos desvios e não os desvios com sinal.
  • Calcular a variância populacional pela definição (média dos quadrados dos desvios) e pela fórmula alternativa (média dos quadrados menos o quadrado da média), e o desvio padrão como raiz quadrada, com a unidade certa em cada um.
  • Decidir entre o divisor n e o divisor n − 1 pela leitura do enunciado ("amostral" é a única senha para n − 1), prever o efeito de acrescentar um dado igual à média e resolver o item do PAS 3 de 2023 sobre a redução percentual da variância amostral.
  • Prever o que acontece com a média, a variância e o desvio padrão quando se soma uma constante a todos os dados ou se multiplicam todos por uma constante, inclusive em trocas de unidade e reajustes percentuais.
  • Comparar a regularidade de atletas, máquinas, turmas e séries pelo desvio padrão (menor é mais regular) e, quando as unidades ou escalas diferem, pelo coeficiente de variação (desvio padrão dividido pela média), conhecendo os limites dessa razão.
  • Calcular a variância de dados agrupados numa tabela de frequências, ler os valores certos de um gráfico de barras ou de linhas antes de calcular, interpretar histogramas concentrados e espalhados e o intervalo de um desvio padrão em torno da média (com a regra 68–95–99,7 para a curva em sino).
  • Resolver os itens do PAS nos formatos A (limiar comparado com o quadrado da variância), B (variância com fator de escala) e C (variância em faixas), e evitar os erros clássicos: raiz esquecida, divisor errado, desvio padrão negativo, unidade da variância, amplitude como dispersão total.

Em 2018, a prova do PAS 3 mostrou dois gráficos do Tribunal Superior Eleitoral com os candidatos a vereador no Brasil nas eleições de 2004, 2008, 2012 e 2016, separados em homens e mulheres, e afirmou que “o desvio padrão da sequência dos números de mulheres eleitas vereadoras nas eleições de 2004 a 2016 é inferior a 0,70”: quatro barras (6,6; 6,5; 7,5 e 7,8 mil), uma média, quatro desvios, uma raiz quadrada e um limiar colado no resultado. Cinco anos antes, com a frota de veículos por 100 habitantes de 2000 a 2012 num gráfico, a mesma etapa pediu em resposta numérica “a variância dos dados referentes ao período de 2000 a 2003”, multiplicada por 100 (o gabarito foi 135). Em 2023, um item de resposta numérica falou em “variância amostral” e só fechava com o divisor n−1n - 1; em 2008, outro afirmou que três valores em progressão aritmética têm desvio padrão igual a zero. Os quatro itens giram em torno de uma pergunta que a média, a mediana e a moda não respondem: quanto os dados se afastam do centro, como medir esse afastamento com um número e o que ele permite concluir?

Esta página é a segunda metade do resumo de um conjunto de dados. A página anterior escolheu um número para o centro; esta escolhe um número para o espalhamento. A medida mais simples é a amplitude, que só olha as duas pontas do conjunto. A mais usada é o desvio padrão, construído em quatro passos que a prova cobra na ordem: calcular a média, subtrair a média de cada dado (os desvios), elevar os desvios ao quadrado e tirar a média dos quadrados (a variância), e por fim extrair a raiz quadrada para voltar à unidade dos dados. Ao redor desse roteiro ficam as perguntas que viram item: por que elevar ao quadrado, por que às vezes se divide por n−1n - 1, o que acontece quando todos os dados ganham ou são multiplicados por uma constante, como comparar a regularidade de dois conjuntos com médias diferentes (o coeficiente de variação) e como ler a dispersão num gráfico ou numa tabela de frequências.

Mesma média, histórias diferentes: por que o centro não basta

Duas linhas de ônibus ligam o mesmo bairro ao centro da cidade. Durante cinco dias, uma passageira cronometrou a viagem em cada uma. Na linha Azul, os tempos foram 28, 30, 30, 31 e 31 minutos; na linha Verde, 18, 24, 30, 36 e 42 minutos. As duas somam 150 minutos em cinco viagens e têm, portanto, a mesma média, 30 minutos. A mediana também é 30 nas duas. Se o resumo parasse no centro, as linhas seriam idênticas, e qualquer pessoa que já pegou as duas sabe que não são: na Azul, a viagem dura “uns 30 minutos” todos os dias; na Verde, pode durar 18 ou 42, e quem tem hora marcada precisa sair com folga de doze minutos.

Duas retas numéricas de 15 a 45 minutos, uma acima da outra. Na de cima, rotulada linha Azul, cinco pontos nos valores 28, 30, 30, 31 e 31, agrupados perto do centro, com dois pontos empilhados em 30 e dois em 31. Na de baixo, rotulada linha Verde, cinco pontos nos valores 18, 24, 30, 36 e 42, igualmente espaçados. Uma linha vertical tracejada em 30 atravessa as duas retas, com o rótulo média 30 nas duas. À direita de cada reta, o desvio padrão calculado: 1,1 minuto para a Azul e 8,5 minutos para a Verde.
As duas linhas têm média 30 minutos e mediana 30 minutos, e nada mais em comum: a Azul concentra os tempos a um ou dois minutos do centro, a Verde os espalha até doze minutos para cada lado. O desvio padrão (1,1 contra 8,5 minutos) é o número que separa as duas. Diagrama autoral.

O que distingue as linhas é a dispersão: o quanto os dados se afastam do centro. Toda medida de dispersão é uma resposta à pergunta “quão longe da média os dados costumam ficar”, e há mais de uma maneira de respondê-la. A primeira, e a mais crua, é olhar só para as pontas.

Amplitude

A amplitude de um conjunto de dados mede a distância entre as duas pontas: o maior valor menos o menor,

A=xmax⁡−xmin⁡.A = x_{\max} - x_{\min}.

Tem a unidade dos dados, é zero quando todos os dados são iguais e cresce quando as pontas se afastam. Linha Azul: 31−28=331 - 28 = 3 minutos; linha Verde: 42−18=2442 - 18 = 24 minutos.

A amplitude é fácil e é pobre: ela usa dois dados e ignora todos os outros. Dois conjuntos de sete notas, 10,20,20,20,20,20,3010, 20, 20, 20, 20, 20, 30 e 10,10,10,20,30,30,3010, 10, 10, 20, 30, 30, 30, têm a mesma média (20) e a mesma amplitude (20), mas o primeiro tem cinco dados exatamente na média e o segundo não tem nenhum: o segundo é muito mais espalhado, e a amplitude não vê isso. Basta também um único dado fora da curva (um erro de digitação, um dia de greve) para a amplitude disparar sem que o resto do conjunto tenha mudado. Para medir o espalhamento de todos os dados, é preciso olhar para a distância de cada um deles até a média.

Desvio em relação à média: a soma é sempre zero

Para cada dado, calcule a diferença entre ele e a média. Essa diferença é o desvio do dado. Na linha Verde (média 30), os desvios são 18−30=−1218 - 30 = -12, 24−30=−624 - 30 = -6, 30−30=030 - 30 = 0, 36−30=+636 - 30 = +6 e 42−30=+1242 - 30 = +12. O sinal diz de que lado da média o dado está, e o valor absoluto diz a que distância.

Reta numérica de 15 a 45 com a média 30 marcada por um triângulo de apoio. Os cinco dados da linha Verde, 18, 24, 30, 36 e 42, aparecem como pontos, e de cada um parte uma seta horizontal até a média, rotulada com o desvio: menos 12, menos 6, zero, mais 6 e mais 12. As setas para a esquerda da média estão em vermelho e as para a direita em azul. Abaixo, uma tabela de três linhas: desvios, soma zero; quadrados dos desvios 144, 36, 0, 36 e 144, soma 360; e a conta da variância, 360 dividido por 5 igual a 72.
Os desvios da linha Verde em relação à média 30. Os negativos (à esquerda) e os positivos (à direita) se cancelam na soma, que dá zero em qualquer conjunto de dados; elevados ao quadrado, todos ficam positivos e os maiores pesam mais. A média dos quadrados, 360÷5=72360 \div 5 = 72, é a variância. Diagrama autoral.

A primeira ideia para medir a dispersão seria tirar a média dos desvios. Ela não funciona, e a razão é um fato que vale para qualquer conjunto de dados: a soma dos desvios em relação à média é sempre zero. Na linha Verde, −12−6+0+6+12=0-12 - 6 + 0 + 6 + 12 = 0; na Azul, os desvios são −2,0,0,+1,+1-2, 0, 0, +1, +1, e a soma é zero de novo. Isso não é coincidência. Somar os nn desvios é somar os nn dados e subtrair nn vezes a média:

∑(xi−xˉ)=∑xi−nxˉ=nxˉ−nxˉ=0,\sum (x_i - \bar{x}) = \sum x_i - n\bar{x} = n\bar{x} - n\bar{x} = 0,

porque a soma dos dados é, por definição de média, nxˉn\bar{x}. A média é o ponto de equilíbrio dos dados, e os desvios para um lado compensam exatamente os desvios para o outro. Esse fato tem duas utilidades práticas. A primeira é uma conferência que custa dez segundos: calculados os desvios, some-os; se a soma não der zero, a média está errada ou houve erro numa subtração, e nada do que vem depois se aproveita. A segunda é que ele obriga a escolher o que fazer com os sinais.

Há dois caminhos. Um é ignorar o sinal e tirar a média dos valores absolutos dos desvios, o que produz o desvio médio absoluto: na linha Verde, (12+6+0+6+12)÷5=7,2(12 + 6 + 0 + 6 + 12) \div 5 = 7{,}2 minutos; na Azul, (2+0+0+1+1)÷5=0,8(2 + 0 + 0 + 1 + 1) \div 5 = 0{,}8 minuto. É uma medida legítima, raramente usada em prova. O outro caminho, o que a estatística adotou, é elevar cada desvio ao quadrado. O quadrado também apaga o sinal (todo quadrado é positivo ou zero), mas faz algo a mais: ele amplia os desvios grandes em relação aos pequenos. Um desvio de 12 vira 144; um desvio de 6 vira 36; o primeiro passa a pesar quatro vezes o segundo, e não duas. A medida resultante é sensível a dados muito afastados, o que é exatamente o que se espera de uma medida de espalhamento, e tem propriedades algébricas que o valor absoluto não tem (a fórmula alternativa da próxima seção é uma delas).

Variância: a média dos quadrados dos desvios

Variância (populacional)

Para nn dados x1,x2,…,xnx_1, x_2, \ldots, x_n de média xˉ\bar{x}, a variância é a média dos quadrados dos desvios:

σ2=(x1−xˉ)2+(x2−xˉ)2+⋯+(xn−xˉ)2n=∑(xi−xˉ)2n.\sigma^2 = \frac{(x_1 - \bar{x})^2 + (x_2 - \bar{x})^2 + \cdots + (x_n - \bar{x})^2}{n} = \frac{\sum (x_i - \bar{x})^2}{n}.

Lê-se “sigma ao quadrado”. A variância é sempre maior ou igual a zero, e só é zero quando todos os dados são iguais à média, isto é, iguais entre si. A sua unidade é a unidade dos dados ao quadrado: minutos ao quadrado, reais ao quadrado, quilogramas ao quadrado.

Exemplo resolvido 1: as duas linhas de ônibus. Linha Verde: média 30, desvios −12,−6,0,6,12-12, -6, 0, 6, 12 (soma zero), quadrados 144,36,0,36,144144, 36, 0, 36, 144, soma 360, variância σ2=360÷5=72\sigma^2 = 360 \div 5 = 72 min². Linha Azul: média 30, desvios −2,0,0,1,1-2, 0, 0, 1, 1 (soma zero), quadrados 4,0,0,1,14, 0, 0, 1, 1, soma 6, variância σ2=6÷5=1,2\sigma^2 = 6 \div 5 = 1{,}2 min². A variância da Verde é sessenta vezes a da Azul. O número em si (72) não diz muito, porque está numa unidade estranha; a comparação entre os dois, sim.

O roteiro do exemplo é o de toda conta de variância, e vale a pena fixá-lo como uma tabela de quatro colunas: dado, desvio, quadrado do desvio, e as somas. A coluna dos desvios tem de somar zero; a dos quadrados, dividida por nn, é a variância. Numa prova sem calculadora, é esse arranjo que evita perder um sinal ou um quadrado.

A fórmula alternativa. Existe um segundo modo de calcular a mesma variância, sem passar pelos desvios: tirar a média dos quadrados dos dados e subtrair o quadrado da média.

σ2=∑xi2n−xˉ2.\sigma^2 = \frac{\sum x_i^2}{n} - \bar{x}^2.

A demonstração é um desenvolvimento de quadrado. Cada (xi−xˉ)2(x_i - \bar{x})^2 é xi2−2xixˉ+xˉ2x_i^2 - 2x_i\bar{x} + \bar{x}^2; somando sobre os nn dados, ∑xi2−2xˉ∑xi+nxˉ2\sum x_i^2 - 2\bar{x}\sum x_i + n\bar{x}^2. Como ∑xi=nxˉ\sum x_i = n\bar{x}, o termo do meio é −2nxˉ2-2n\bar{x}^2, e a soma fica ∑xi2−nxˉ2\sum x_i^2 - n\bar{x}^2. Dividindo por nn, aparece a fórmula. Na linha Verde: 182+242+302+362+422=324+576+900+1 296+1 764=4 86018^2 + 24^2 + 30^2 + 36^2 + 42^2 = 324 + 576 + 900 + 1\,296 + 1\,764 = 4\,860; dividido por 5, 972972; menos 302=90030^2 = 900, dá 7272. Confere. A fórmula alternativa é útil quando a média é um decimal feio (os desvios ficam feios e os quadrados, piores) e quando o enunciado dá a soma dos dados e a soma dos quadrados em vez da lista; é também o que permite recuperar uma informação escondida, como a seção sobre dispersão em contexto mostra com um item do ENEM.

O divisor da variância

Na variância, a soma dos quadrados é dividida pelo número de dados, nn. Há três maneiras de errar essa divisão. Dividir pela soma dos dados (confundir nn com ∑xi\sum x_i). Numa tabela de frequências, dividir pelo número de linhas em vez de pelo total de observações (a seção de dados agrupados trata disso). E dividir por n−1n - 1 sem que o enunciado peça: o divisor n−1n - 1 é a variância amostral, uma medida diferente, com nome próprio, que a prova só usa quando escreve “amostral” (a seção seguinte à do desvio padrão explica o porquê). Quando o enunciado diz só “variância” ou “desvio padrão”, o divisor é nn.

Desvio padrão: de volta à unidade dos dados

A variância da linha Verde é 72 minutos ao quadrado, e ninguém sabe o que é um minuto ao quadrado. Para voltar à unidade dos dados, desfaz-se o quadrado com uma raiz.

Desvio padrão

O desvio padrão é a raiz quadrada da variância:

σ=σ2=∑(xi−xˉ)2n.\sigma = \sqrt{\sigma^2} = \sqrt{\frac{\sum (x_i - \bar{x})^2}{n}}.

Tem a mesma unidade dos dados e pode ser lido como a “distância típica” entre um dado e a média: um conjunto com desvio padrão 8 minutos é um conjunto em que os dados ficam, tipicamente, a uns 8 minutos da média. É sempre maior ou igual a zero (uma raiz quadrada nunca é negativa) e só é zero quando todos os dados são iguais.

Linha Verde: σ=72≈8,5\sigma = \sqrt{72} \approx 8{,}5 minutos. Linha Azul: σ=1,2≈1,1\sigma = \sqrt{1{,}2} \approx 1{,}1 minuto. Agora os números falam a língua do problema: na Verde a viagem costuma desviar uns oito minutos e meio dos 30; na Azul, um minuto. Repare que o desvio padrão não é o desvio médio absoluto (7,2 e 0,8) nem a metade da amplitude: é uma medida própria, que pesa mais os afastamentos grandes, e por isso fica um pouco acima do desvio médio absoluto em quase todo conjunto.

Raízes sem calculadora. A prova do PAS não dá calculadora, e os itens de desvio padrão têm um limiar: “inferior a 0,70”, “superior a 6%”. Quase nunca é preciso extrair a raiz. Para saber se σ\sigma é menor que 0,70, basta saber se σ2\sigma^2 é menor que 0,702=0,490{,}70^2 = 0{,}49; para saber se σ>6\sigma > 6, basta saber se σ2>36\sigma^2 > 36. Comparar a variância com o quadrado do limiar é mais rápido e mais seguro que aproximar uma raiz. Quando o valor em si é pedido, guarde algumas raízes de referência: 2≈1,41\sqrt{2} \approx 1{,}41, 3≈1,73\sqrt{3} \approx 1{,}73, 5≈2,24\sqrt{5} \approx 2{,}24, 10≈3,16\sqrt{10} \approx 3{,}16, e a regra de que a×100=10a\sqrt{a \times 100} = 10\sqrt{a} (72=36×2=62≈8,49\sqrt{72} = \sqrt{36 \times 2} = 6\sqrt{2} \approx 8{,}49).

Exemplo resolvido 2: as vereadoras eleitas (PAS 3 2018). O gráfico do TSE impresso na prova trazia, em milhares, o número de mulheres eleitas vereadoras: 6,6 em 2004; 6,5 em 2008; 7,5 em 2012; 7,8 em 2016 (e, de homens, 45,2; 45,3; 49,7 e 50,0). O item afirmou que “o desvio padrão da sequência dos números de mulheres eleitas vereadoras nas eleições de 2004 a 2016 é inferior a 0,70”. Média: (6,6+6,5+7,5+7,8)÷4=28,4÷4=7,1(6{,}6 + 6{,}5 + 7{,}5 + 7{,}8) \div 4 = 28{,}4 \div 4 = 7{,}1. Desvios: −0,5-0{,}5; −0,6-0{,}6; +0,4+0{,}4; +0,7+0{,}7 (soma: −1,1+1,1=0-1{,}1 + 1{,}1 = 0, confere). Quadrados: 0,250{,}25; 0,360{,}36; 0,160{,}16; 0,490{,}49; soma 1,261{,}26. Variância: 1,26÷4=0,3151{,}26 \div 4 = 0{,}315. O limiar ao quadrado é 0,702=0,490{,}70^2 = 0{,}49, e 0,315<0,490{,}315 < 0{,}49; logo σ<0,70\sigma < 0{,}70. Certo. (A raiz, se alguém quiser, é σ≈0,56\sigma \approx 0{,}56.) Conferência pela fórmula alternativa: 6,62+6,52+7,52+7,82=43,56+42,25+56,25+60,84=202,906{,}6^2 + 6{,}5^2 + 7{,}5^2 + 7{,}8^2 = 43{,}56 + 42{,}25 + 56{,}25 + 60{,}84 = 202{,}90; dividido por 4, 50,72550{,}725; menos 7,12=50,417{,}1^2 = 50{,}41, dá 0,3150{,}315. A unidade do desvio padrão é a dos dados, milhares de vereadoras; o 0,70 do item são 700 vereadoras.

Gráfico de barras com quatro barras, uma por eleição, 2004, 2008, 2012 e 2016, com os valores 6,6, 6,5, 7,5 e 7,8 mil mulheres eleitas vereadoras escritos no topo. Uma linha horizontal tracejada em 7,1 marca a média. Sobre cada barra, uma seta vertical liga o topo da barra à linha da média, rotulada com o desvio: menos 0,5, menos 0,6, mais 0,4 e mais 0,7. À direita, uma caixa com as contas: quadrados dos desvios 0,25, 0,36, 0,16 e 0,49, soma 1,26, variância 0,315 e desvio padrão aproximadamente 0,56, com a comparação 0,315 menor que 0,49.
As quatro barras do item do PAS 3 de 2018 (mulheres eleitas vereadoras, em milhares) e a linha da média, 7,1. Os desvios somam zero; os quadrados somam 1,26; a variância é 0,315. Como 0,315<0,702=0,490{,}315 < 0{,}70^2 = 0{,}49, o desvio padrão é inferior a 0,70 sem que seja preciso extrair a raiz. Diagrama autoral com os dados do gráfico do TSE impresso na prova.

O exemplo mostra o item típico de desvio padrão: os dados vêm de um gráfico de barras ou de linhas, são quatro ou cinco valores com uma casa decimal, a média é limpa e o limiar fica perto do resultado. A conta é a mesma sequência de sempre, e a única decisão é não extrair a raiz.

Populacional ou amostral: quando dividir por n − 1

A variância definida acima descreve um conjunto de dados que é tudo o que interessa: as cinco viagens cronometradas, as quatro eleições, as notas de uma turma. Chama-se variância populacional, e o seu divisor é nn. Há uma segunda definição, que divide pela quantidade de dados menos um.

Variância e desvio padrão amostrais

Quando os nn dados são uma amostra de uma população maior e o objetivo é estimar a dispersão dessa população, usa-se a variância amostral

s2=∑(xi−xˉ)2n−1,s^2 = \frac{\sum (x_i - \bar{x})^2}{n - 1},

e o desvio padrão amostral s=s2s = \sqrt{s^2}. A soma dos quadrados dos desvios é a mesma; só o divisor muda. Como n−1<nn - 1 < n, a variância amostral é sempre um pouco maior que a populacional calculada com os mesmos dados, e a diferença é tanto menor quanto maior for nn: para 4 dados, s2=43σ2s^2 = \frac{4}{3}\sigma^2; para 100 dados, s2≈1,01 σ2s^2 \approx 1{,}01\,\sigma^2.

O motivo da correção pode ser dito sem fórmulas. A média da amostra não é a média da população; é a média dos dados que se tem, e os dados ficam, em conjunto, mais perto da própria média do que de qualquer outro número, inclusive da média verdadeira da população. Por isso a soma dos quadrados, medida a partir da média da própria amostra, sai sistematicamente pequena, e dividir por n−1n - 1 em vez de nn compensa esse encolhimento. (Outra maneira de ver: os nn desvios somam zero, logo só n−1n - 1 deles são livres; o último está determinado pelos outros.) Para a prova, o que importa é a regra de leitura: o divisor é n−1n - 1 apenas quando o enunciado diz “amostral” ou define a fórmula com n−1n - 1. “Variância”, “desvio padrão” e “dispersão” sem adjetivo são populacionais, com divisor nn. Os gabaritos dos itens do PAS confirmam a regra nos dois sentidos: o item de 2013 que pediu “a variância” das frotas de 2000 a 2003 só fecha com divisor 4, e o item de 2023 que falou em “variância amostral” só fecha com divisor n−1n - 1.

Exemplo resolvido 3: a variância amostral que encolhe (PAS 3 2023). O gráfico I da prova trazia a população de imigrantes mexicanos nos Estados Unidos, em milhões, por década: 4,28 em 1990; 9,16 em 2000; 11,73 em 2010. O item pediu: “Considere que, entre 1990 e 2020, a média aritmética de imigrantes mexicanos para os EUA tenha sido igual à observada entre 1990 e 2010 e que, portanto, entre 1990 e 2020, a variância amostral entre 1990 e 2020 tenha sido p%p\% menor que a variância amostral entre 1990 e 2010. Com base nesse cenário hipotético, calcule o valor de pp.” A hipótese diz que, acrescentando o dado de 2020, a média não muda; isso só acontece se o dado novo for igual à média dos três anteriores, xˉ=(4,28+9,16+11,73)÷3=25,17÷3=8,39\bar{x} = (4{,}28 + 9{,}16 + 11{,}73) \div 3 = 25{,}17 \div 3 = 8{,}39. O desvio do dado novo é zero, e a soma dos quadrados dos desvios não muda: ela vale S=(4,28−8,39)2+(9,16−8,39)2+(11,73−8,39)2=16,89+0,59+11,16≈28,64S = (4{,}28 - 8{,}39)^2 + (9{,}16 - 8{,}39)^2 + (11{,}73 - 8{,}39)^2 = 16{,}89 + 0{,}59 + 11{,}16 \approx 28{,}64 com três dados e continua 28,6428{,}64 com quatro. O que muda é o divisor amostral: de 3−1=23 - 1 = 2 para 4−1=34 - 1 = 3. A variância amostral passa de S/2S/2 para S/3S/3, isto é, fica multiplicada por 23\dfrac{2}{3}; a redução é de 13≈33,3%\dfrac{1}{3} \approx 33{,}3\%. Resposta: 33. Conferência: nem foi preciso calcular SS; a razão entre as variâncias é a razão entre os divisores, S/3S/2=23\dfrac{S/3}{S/2} = \dfrac{2}{3}, qualquer que seja SS. Se alguém usasse a variância populacional, os divisores seriam 3 e 4, a razão seria 34\dfrac{3}{4} e a redução, 25%: o enunciado diz “amostral” justamente para que o divisor seja n−1n - 1.

O mecanismo do exemplo é geral e rende item: acrescentar um dado igual à média não altera a média nem a soma dos quadrados dos desvios, e por isso multiplica a variância populacional por nn+1\dfrac{n}{n + 1} e a amostral por n−1n\dfrac{n - 1}{n}. Nos dois casos a dispersão diminui, porque o dado novo “puxa” o conjunto para o centro.

A palavra "amostra" no texto não é o mesmo que "amostral" na fórmula

Um enunciado pode descrever uma amostra (“foram sorteadas 20 famílias”) e, ainda assim, pedir “a variância dos dados”, que é a populacional, com divisor nn. O que decide é a definição que o item usa, não a palavra do contexto. Se o item diz “variância amostral”, define s2s^2 com n−1n - 1 ou avisa “divida por n−1n - 1”, use n−1n - 1; em qualquer outro caso, nn. Em itens de limiar, confira se a escolha do divisor muda o julgamento: nos itens de 2017, 2018 e 2019 do PAS 3 não muda, e no de 2023 muda tudo.

Somar ou multiplicar uma constante: o que acontece com o desvio padrão

A linha Verde passa a parar num ponto a mais, e todas as viagens ficam 4 minutos mais longas: 22, 28, 34, 40 e 46 minutos. A média sobe para 34. E os desvios? 22−34=−1222 - 34 = -12, 28−34=−628 - 34 = -6, e assim por diante: são exatamente os mesmos −12,−6,0,6,12-12, -6, 0, 6, 12 de antes. A variância continua 72 e o desvio padrão, 8,5 minutos. Faz sentido: deslocar todos os dados juntos não os aproxima nem os afasta uns dos outros.

Agora suponha que os tempos sejam convertidos para segundos, isto é, multiplicados por 60: 1 080, 1 440, 1 800, 2 160 e 2 520 segundos. A média vai a 1 800 segundos, e os desvios ficam −720,−360,0,360,720-720, -360, 0, 360, 720: cada um é o desvio antigo vezes 60. Os quadrados ficam multiplicados por 602=3 60060^2 = 3\,600, a variância passa de 72 para 72×3 600=259 20072 \times 3\,600 = 259\,200 s² e o desvio padrão de 8,498{,}49 para 8,49×60≈5098{,}49 \times 60 \approx 509 segundos. O desvio padrão foi multiplicado pela constante; a variância, pelo quadrado dela.

Efeito de uma constante

Se a mesma constante cc é somada a todos os dados, a média aumenta em cc e a variância e o desvio padrão não mudam: σx+c=σx\sigma_{x + c} = \sigma_x.

Se todos os dados são multiplicados por uma constante kk, a média fica multiplicada por kk, o desvio padrão fica multiplicado por ∣k∣|k| e a variância, por k2k^2: σkx=∣k∣ σx\sigma_{kx} = |k|\,\sigma_x e σkx2=k2σx2\sigma^2_{kx} = k^2\sigma^2_x.

As duas regras saem da definição: somar cc não altera nenhum desvio (xi+c−(xˉ+c)=xi−xˉx_i + c - (\bar{x} + c) = x_i - \bar{x}); multiplicar por kk multiplica cada desvio por kk e cada quadrado por k2k^2. O módulo em ∣k∣|k| existe porque o desvio padrão nunca é negativo: multiplicar os dados por −2-2 dobra o desvio padrão.

Exemplo resolvido 4: o reajuste e o abono. Os salários de uma empresa têm média R$ 3 000 e desvio padrão R$ 450. (a) Se todos receberem um abono fixo de R$ 200, a média vai a R$ 3 200 e o desvio padrão continua R$ 450. (b) Se, em vez disso, todos receberem um reajuste de 8%, cada salário é multiplicado por 1,081{,}08: a média vai a 3 000×1,08=3 2403\,000 \times 1{,}08 = 3\,240 e o desvio padrão a 450×1,08=486450 \times 1{,}08 = 486 reais; a variância, de 4502=202 500450^2 = 202\,500 para 202 500×1,082=202 500×1,1664=236 196202\,500 \times 1{,}08^2 = 202\,500 \times 1{,}1664 = 236\,196. Conferência: 4862=236 196486^2 = 236\,196. O reajuste percentual mantém a dispersão relativa (486 está para 3 240 como 450 está para 3 000) e aumenta a dispersão absoluta; o abono faz o contrário. É a diferença entre as duas medidas que a seção do coeficiente de variação explora.

A regra da multiplicação é o que governa a troca de unidade. Um desvio padrão de 0,08 m é um desvio padrão de 8 cm (vezes 100); uma variância de 0,0064 m² é uma variância de 64 cm² (vezes 1002100^2). Uma temperatura em graus Celsius convertida para Fahrenheit (F=1,8 C+32F = 1{,}8\,C + 32) combina as duas regras: o desvio padrão fica multiplicado por 1,8 e o +32+32 não faz nada. O ENEM gosta desse tema com sacas de café e hectares: um desvio padrão em quilogramas por talhão vira sacas por hectare dividindo-se por 60 (quilogramas por saca) e pela área do talhão em hectares, e a variância, pelo quadrado desse fator.

Uma série em progressão aritmética não tem desvio padrão zero. Em 2008, o PAS 3 apresentou um gráfico da produção mundial de cereais com as barras 1 930 (1995), 2 100 (2000) e 2 270 (2005), que crescem de 170 em 170, e afirmou: “Considerando-se que, no gráfico I, os dados de 1995, 2000 e 2005 estão em progressão aritmética, conclui-se que o desvio-padrão associado a essa série numérica é igual a zero.” O desvio padrão só é zero quando todos os dados são iguais; numa progressão aritmética de razão diferente de zero, os dados são todos diferentes. Média: 2 1002\,100; desvios: −170,0,+170-170, 0, +170; quadrados: 28 900,0,28 90028\,900, 0, 28\,900; variância 57 800÷3≈19 26757\,800 \div 3 \approx 19\,267; σ≈139\sigma \approx 139 milhões de toneladas. Errado. O item confunde a regularidade do crescimento (a razão constante) com a ausência de dispersão. Para três termos em progressão aritmética de razão rr, o desvio padrão é r2/3≈0,82 rr\sqrt{2/3} \approx 0{,}82\,r, sempre proporcional à razão.

Comparar regularidade: menor desvio padrão, mais regular

Em muitas situações, a pergunta não é “quanto vale o desvio padrão” e sim “qual dos conjuntos é mais regular”, e a resposta é imediata: o de menor desvio padrão. Duas jogadoras de basquete marcaram, em cinco jogos, 18, 20, 22, 19 e 21 pontos (Ana) e 10, 30, 25, 12 e 23 pontos (Bia). As duas somaram 100 pontos, média 20. Ana: desvios −2,0,2,−1,1-2, 0, 2, -1, 1, quadrados 4,0,4,1,14, 0, 4, 1, 1, variância 10÷5=210 \div 5 = 2, σ≈1,4\sigma \approx 1{,}4 ponto. Bia: desvios −10,10,5,−8,3-10, 10, 5, -8, 3 (soma zero), quadrados 100,100,25,64,9100, 100, 25, 64, 9, variância 298÷5=59,6298 \div 5 = 59{,}6, σ≈7,7\sigma \approx 7{,}7 pontos. A técnica que precisa de 20 pontos garantidos num jogo decisivo escala Ana; a que precisa de uma chance de 30 escala Bia. Mesma média, perfis opostos, e é o desvio padrão que descreve o perfil.

Controle de qualidade: a máquina que enche pacotes

Uma máquina enche pacotes de arroz de 1 kg. Nenhuma máquina acerta 1 000 g em todos os pacotes; o que o fabricante controla é a média (próxima de 1 000 g, para não lesar o cliente nem a empresa) e o desvio padrão (pequeno, para que quase nenhum pacote saia fora da tolerância). Duas máquinas com média 1 000 g e desvios padrão 2 g e 8 g são máquinas muito diferentes: com tolerância de ±5\pm 5 g, a primeira quase nunca produz um pacote reprovado, e a segunda produz muitos. Em laboratórios, fábricas e hospitais, “o processo está sob controle” significa que a média está no alvo e o desvio padrão está abaixo de um limite; um aumento do desvio padrão, mesmo com a média certa, é sinal de que algo (uma peça gasta, um lote de matéria-prima) mudou.

O ENEM transforma a regularidade em item dando a tabela pronta, com média, mediana e desvio padrão de vários atletas, candidatos ou equipes, e perguntando qual é “o mais regular”: basta ler a coluna do desvio padrão e escolher o menor, sem fazer conta. O PAS prefere pedir a conta. Em 2017, com um gráfico da produção de etanol no Brasil, nos Estados Unidos e no mundo, de 2006 a 2015, em bilhões de litros, a prova apresentou um item de múltipla escolha: “A série numérica correspondente à produção brasileira de etanol de 2008 a 2011, na unidade bilhões de litros ao quadrado, tem variância com valor: A) inferior a 3,5; B) superior a 3,5 e inferior a 3,7; C) superior a 3,7 e inferior a 3,9; D) superior a 3,9.” As barras do Brasil nesses anos eram 27,6; 25,7; 27,6 e 22,7. Média: 103,6÷4=25,9103{,}6 \div 4 = 25{,}9. Desvios: 1,71{,}7; −0,2-0{,}2; 1,71{,}7; −3,2-3{,}2 (soma 3,4−3,4=03{,}4 - 3{,}4 = 0). Quadrados: 2,892{,}89; 0,040{,}04; 2,892{,}89; 10,2410{,}24; soma 16,0616{,}06. Variância: 16,06÷4=4,01516{,}06 \div 4 = 4{,}015, superior a 3,9. Opção D. O enunciado avisou a unidade (“bilhões de litros ao quadrado”) para deixar claro que a variância, e não o desvio padrão, era o alvo, e as faixas das opções estão separadas por 0,2: um erro de arredondamento na média (25,9 é exato, mas 26 não) ou um quadrado esquecido troca a faixa.

Coeficiente de variação: dispersão relativa

O desvio padrão compara bem conjuntos medidos na mesma unidade e na mesma escala. Quando as unidades ou as escalas são diferentes, ele engana. As alturas de uma turma têm média 1,70 m e desvio padrão 0,085 m; as massas, média 65 kg e desvio padrão 9,1 kg. Dizer que “as massas variam mais, porque 9,1 é maior que 0,085” não faz sentido: são quilogramas contra metros. E mesmo na mesma unidade a escala atrapalha: um desvio padrão de 500 kg nas massas de um grupo de elefantes (média 5 000 kg) é muito menos, em proporção, do que um desvio padrão de 0,8 kg nas massas de um grupo de gatos (média 4 kg).

Coeficiente de variação

O coeficiente de variação é o desvio padrão dividido pela média, em geral expresso em porcentagem:

CV=σxˉ(×100%).CV = \frac{\sigma}{\bar{x}} \quad (\times 100\%).

É um número sem unidade (a unidade do desvio padrão cancela a da média), e por isso compara a dispersão de conjuntos medidos em unidades ou escalas diferentes. Lê-se “o desvio padrão é tantos por cento da média”. Quanto menor o CVCV, mais homogêneo o conjunto em relação ao seu próprio tamanho.

Dois painéis lado a lado. À esquerda, alturas de uma turma numa reta de 1,50 a 1,90 metro, com a média 1,70 marcada e uma barra horizontal de meio desvio padrão para cada lado, 0,085, e a legenda CV igual a 5 por cento. À direita, massas da mesma turma numa reta de 40 a 90 quilogramas, com a média 65 marcada e uma barra de 9,1 quilogramas para cada lado, e a legenda CV igual a 14 por cento. Abaixo dos dois painéis, as contas: 0,085 dividido por 1,70 igual a 0,05, e 9,1 dividido por 65 igual a 0,14.
Os desvios padrão das alturas (0,085 m) e das massas (9,1 kg) não se comparam diretamente. Divididos pelas respectivas médias, viram 5% e 14%: as massas da turma são, em proporção, quase três vezes mais espalhadas que as alturas. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 5: alturas, massas, elefantes e gatos. Alturas: CV=0,085÷1,70=0,05=5%CV = 0{,}085 \div 1{,}70 = 0{,}05 = 5\%. Massas: CV=9,1÷65=0,14=14%CV = 9{,}1 \div 65 = 0{,}14 = 14\%. As massas são relativamente mais dispersas, o que combina com a experiência: numa turma, as alturas variam uns centímetros em torno de 1,70 m, e as massas variam dezenas de quilogramas. Elefantes: 500÷5 000=10%500 \div 5\,000 = 10\%. Gatos: 0,8÷4=20%0{,}8 \div 4 = 20\%. Os gatos são, em proporção, duas vezes mais heterogêneos que os elefantes, embora o desvio padrão dos elefantes seja seiscentas vezes maior. Conferência: o CVCV não muda com a unidade (massas em gramas: 9 100÷65 000=0,149\,100 \div 65\,000 = 0{,}14), o que é o teste de que a medida é relativa.

O ENEM usou o coeficiente de variação num item sobre a troca de ração de coelhos: a ração atual dá média 10 kg e desvio padrão 1 kg (CV=10%CV = 10\%); a nova dá desvio padrão 1,5 kg, e será adotada se o seu CVCV for menor; para 1,5÷xˉ<0,11{,}5 \div \bar{x} < 0{,}1 é preciso xˉ>15\bar{x} > 15 kg. O molde é o que se espera na 2.ª etapa: dois pares (média, desvio padrão) e a pergunta “qual varia mais”, ou um par incompleto e um limiar para a média.

O coeficiente de variação tem limites. Ele exige média positiva e uma escala com zero significativo: funciona para massas, tempos, preços e contagens, em que “zero” é ausência; não funciona para temperaturas em graus Celsius, porque o zero do Celsius é convencional (os mesmos dados em Kelvin dão outro CVCV, sem que a dispersão tenha mudado), nem para conjuntos de média próxima de zero, em que a divisão explode. Nos itens de prova, os dados são sempre do primeiro tipo.

Dados agrupados: a variância numa tabela de frequências

Em vinte famílias de um prédio, o número de filhos foi registrado assim: 4 famílias sem filhos, 6 com um filho, 8 com dois e 2 com três. A lista tem vinte números (quatro zeros, seis uns, …), e a tabela já diz quantas vezes cada valor entra na conta: a frequência é um peso, tanto na média quanto na variância.

Variância em dados agrupados

Numa tabela de frequências com valores xix_i e frequências fif_i, com n=∑fin = \sum f_i observações:

xˉ=∑fixin,σ2=∑fi(xi−xˉ)2n.\bar{x} = \frac{\sum f_i x_i}{n}, \qquad \sigma^2 = \frac{\sum f_i (x_i - \bar{x})^2}{n}.

Cada quadrado de desvio entra multiplicado pela frequência do seu valor, e o divisor é o total de observações, não o número de linhas da tabela.

Tabela com cinco colunas: número de filhos x, frequência f, produto f vezes x, desvio x menos a média 1,4, e produto f vezes o quadrado do desvio. Linhas: 0 filhos, 4, 0, menos 1,4, 7,84; 1 filho, 6, 6, menos 0,4, 0,96; 2 filhos, 8, 16, mais 0,6, 2,88; 3 filhos, 2, 6, mais 1,6, 5,12. Linha de totais: 20, 28 e 16,8. Ao lado, as contas: média 28 dividido por 20 igual a 1,4; variância 16,8 dividido por 20 igual a 0,84; desvio padrão aproximadamente 0,92.
A variância de uma tabela de frequências: cada quadrado de desvio entra multiplicado pela frequência da linha, e a soma (16,8) é dividida pelo total de observações (20), não pelas quatro linhas. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 6: os filhos das vinte famílias. Média: 4×0+6×1+8×2+2×320=0+6+16+620=2820=1,4\dfrac{4 \times 0 + 6 \times 1 + 8 \times 2 + 2 \times 3}{20} = \dfrac{0 + 6 + 16 + 6}{20} = \dfrac{28}{20} = 1{,}4 filho por família. Desvios por linha: −1,4-1{,}4; −0,4-0{,}4; +0,6+0{,}6; +1,6+1{,}6. Quadrados: 1,961{,}96; 0,160{,}16; 0,360{,}36; 2,562{,}56. Multiplicados pelas frequências: 4×1,96=7,844 \times 1{,}96 = 7{,}84; 6×0,16=0,966 \times 0{,}16 = 0{,}96; 8×0,36=2,888 \times 0{,}36 = 2{,}88; 2×2,56=5,122 \times 2{,}56 = 5{,}12; soma 16,816{,}8. Variância: 16,8÷20=0,8416{,}8 \div 20 = 0{,}84; desvio padrão 0,84≈0,92\sqrt{0{,}84} \approx 0{,}92 filho. Conferência: a soma dos desvios ponderados pelas frequências é 4(−1,4)+6(−0,4)+8(0,6)+2(1,6)=−5,6−2,4+4,8+3,2=04(-1{,}4) + 6(-0{,}4) + 8(0{,}6) + 2(1{,}6) = -5{,}6 - 2{,}4 + 4{,}8 + 3{,}2 = 0. Quem divide 16,8 por 4 (as linhas) encontra 4,2 e erra; quem calcula a variância dos quatro valores 0, 1, 2 e 3 como se fossem os dados (média 1,5, variância 1,25) também erra, porque ignora que o 2 apareceu oito vezes e o 3, duas.

A tabela de frequências é a forma em que a dispersão aparece quando os dados são muitos: notas de uma turma agrupadas por valor, número de acertos por candidato, gols por partida. A conta é a de sempre, com a frequência multiplicando cada parcela.

Ler a dispersão num gráfico: barras, linhas e histogramas

Os itens reais de variância e desvio padrão quase nunca dão a lista de dados em prosa; dão um gráfico de barras ou de linhas, e a primeira tarefa é ler os valores certos. Em 2013, o gráfico da frota de veículos por 100 habitantes trazia treze barras, de 2000 a 2012 (17,6; 18,5; 19,6; 20,7; 21,6; 22,8; 24,3; 26,2; 28,5; 30,9; 33,9; 36,5 e 39,5), e o item de resposta numérica pediu: “Determine a variância dos dados referentes ao período de 2000 a 2003. Multiplique o resultado por 100.” Só quatro barras entram: 17,6; 18,5; 19,6 e 20,7. Média: 76,4÷4=19,176{,}4 \div 4 = 19{,}1. Desvios: −1,5-1{,}5; −0,6-0{,}6; +0,5+0{,}5; +1,6+1{,}6 (soma zero). Quadrados: 2,252{,}25; 0,360{,}36; 0,250{,}25; 2,562{,}56; soma 5,425{,}42. Variância: 5,42÷4=1,3555{,}42 \div 4 = 1{,}355; vezes 100, 135,5135{,}5; desprezada a parte fracionária, 135. O fator de escala existe para a resposta caber nos três algarismos do caderno de respostas e se aplica por último. Quem usa o divisor n−1n - 1 encontra 5,42÷3≈1,8075{,}42 \div 3 \approx 1{,}807 e marca 180, errado: o gabarito oficial, 135, confirma que “variância” sem adjetivo é a populacional.

Em 2019, o gráfico de barras horizontais da participação feminina na ciência trazia, para 14 países ibero-americanos, dois percentuais: o total e o do decil mais produtivo. O item escolheu seis países: “O desvio padrão da série relativa ao decil mais produtivo, quando considerados os países Argentina, Brasil, Chile, Equador, Peru e Uruguai, é superior a 6%.” Os valores do decil nesses países: 43, 40, 26, 28, 30 e 36. Soma 203203, média 203÷6≈33,83203 \div 6 \approx 33{,}83. A média é um decimal periódico, e aqui a fórmula alternativa poupa trabalho: ∑x2=432+402+262+282+302+362=1 849+1 600+676+784+900+1 296=7 105\sum x^2 = 43^2 + 40^2 + 26^2 + 28^2 + 30^2 + 36^2 = 1\,849 + 1\,600 + 676 + 784 + 900 + 1\,296 = 7\,105; dividido por 6, 1 184,171\,184{,}17; menos xˉ2=33,832≈1 144,69\bar{x}^2 = 33{,}83^2 \approx 1\,144{,}69, dá σ2≈39,5\sigma^2 \approx 39{,}5. O limiar ao quadrado é 3636, e 39,5>3639{,}5 > 36: σ>6\sigma > 6. Certo (σ≈6,3\sigma \approx 6{,}3 pontos percentuais). Dois cuidados de leitura: pegar a barra certa de cada país (o decil, em cinza, e não o total, em preto) e só os seis países listados.

A leitura qualitativa também é cobrada: dois histogramas com a mesma média podem ter formas muito diferentes, e a forma diz qual tem o maior desvio padrão.

Dois histogramas lado a lado com as notas de duas turmas de 20 estudantes, ambas com média 7 marcada por uma linha vertical tracejada. À esquerda, turma 1, barras altas e concentradas perto do 7: nota 5 com 2 alunos, 6 com 5, 7 com 6, 8 com 5 e 9 com 2, legenda desvio padrão 1,1. À direita, turma 2, barras espalhadas: nota 4 com 4 alunos, 5 com 3, 7 com 6, 9 com 3 e 10 com 4, legenda desvio padrão 2,2. Sob cada histograma, uma faixa sombreada marca o intervalo média mais ou menos um desvio padrão.
Duas turmas de 20 estudantes com média 7. Na turma 1 as barras se apertam em torno da média (desvio padrão 1,1); na turma 2 elas se afastam para os dois lados (desvio padrão 2,2). Quanto mais massa de barras longe do centro, maior o desvio padrão, mesmo sem nenhuma conta. Diagrama autoral.

Nas duas turmas da figura, as frequências são, na turma 1, nota 5: 2; 6: 5; 7: 6; 8: 5; 9: 2 e, na turma 2, nota 4: 4; 5: 3; 7: 6; 9: 3; 10: 4. As duas têm 20 estudantes e soma 140, média 7. Pela fórmula de dados agrupados, a turma 1 tem ∑f(x−7)2=2×4+5×1+6×0+5×1+2×4=26\sum f(x - 7)^2 = 2 \times 4 + 5 \times 1 + 6 \times 0 + 5 \times 1 + 2 \times 4 = 26, variância 1,31{,}3 e σ≈1,1\sigma \approx 1{,}1; a turma 2 tem 4×9+3×4+0+3×4+4×9=964 \times 9 + 3 \times 4 + 0 + 3 \times 4 + 4 \times 9 = 96, variância 4,84{,}8 e σ≈2,2\sigma \approx 2{,}2. A conta confirma o olho: barras altas longe da média (os quatro 4 e os quatro 10 da turma 2) são o que mais pesa na variância, porque entram ao quadrado.

Quantos dados cabem entre xˉ−σ\bar{x} - \sigma e xˉ+σ\bar{x} + \sigma? Em 2022, com um gráfico de barras das populações das oito maiores etnias indígenas do Brasil segundo o Censo de 2010 (Tikuna 46, Guarani Kaiowá 44, Kaingang 38, Makuxi 29, Terena 29, Tenetehara 24, Yanomami 22 e Potiguara 20, em milhares), o PAS 3 afirmou: “Tomando-se mm como a média e ss como o desvio-padrão das etnias indígenas apresentadas, é correto afirmar que todas as populações apresentadas estão no intervalo [m−s,m+s][m - s, m + s].” Soma 252252, média m=31,5m = 31{,}5. Desvios: 14,514{,}5; 12,512{,}5; 6,56{,}5; −2,5-2{,}5; −2,5-2{,}5; −7,5-7{,}5; −9,5-9{,}5; −11,5-11{,}5 (soma 33,5−33,5=033{,}5 - 33{,}5 = 0). Quadrados: 210,25210{,}25; 156,25156{,}25; 42,2542{,}25; 6,256{,}25; 6,256{,}25; 56,2556{,}25; 90,2590{,}25; 132,25132{,}25; soma 700700. Variância 700÷8=87,5700 \div 8 = 87{,}5; s≈9,35s \approx 9{,}35. O intervalo [m−s,m+s][m - s, m + s] vai de cerca de 22,222{,}2 a 40,840{,}8 mil: ficam fora os dois maiores (46 e 44) e os dois menores (22 e 20). Errado. Repare que o julgamento não depende do divisor: com n−1n - 1, s=100=10s = \sqrt{100} = 10 exatamente, o intervalo é [21,5; 41,5][21{,}5;\ 41{,}5] e três populações continuam fora. O item ensina uma leitura do desvio padrão que vale guardar: o intervalo de um desvio padrão em torno da média contém a parte central dos dados (aqui, quatro das oito populações), nunca todos eles, a menos que sejam todos iguais.

A regra 68–95–99,7

Para dados com a forma de um sino (a chamada distribuição normal: alturas de adultos, erros de medida, notas de provas grandes), o desvio padrão ganha uma leitura numérica fixa: cerca de 68% dos dados ficam entre xˉ−σ\bar{x} - \sigma e xˉ+σ\bar{x} + \sigma, cerca de 95% entre xˉ−2σ\bar{x} - 2\sigma e xˉ+2σ\bar{x} + 2\sigma e cerca de 99,7% entre xˉ−3σ\bar{x} - 3\sigma e xˉ+3σ\bar{x} + 3\sigma. Se as alturas dos homens adultos de um país têm média 1,73 m e desvio padrão 0,07 m, cerca de dois terços deles medem entre 1,66 m e 1,80 m, e só um em trezentos mede mais de 1,94 m ou menos de 1,52 m. A regra é uma propriedade da curva normal, não de qualquer conjunto de dados (nas etnias do item de 2022, só 50% ficaram no intervalo de um desvio padrão), e a prova do ensino médio a cobra, quando cobra, como leitura de gráfico: dado o sino com a média e o desvio padrão marcados, que fração fica em cada faixa.

Curva em forma de sino sobre um eixo horizontal com a média marcada no centro e as marcas de menos três, menos dois, menos um, mais um, mais dois e mais três desvios padrão. A faixa central, entre menos um e mais um desvio padrão, está sombreada em tom escuro e rotulada 68 por cento; as faixas entre um e dois desvios padrão, em tom médio, completam 95 por cento; as faixas entre dois e três desvios, em tom claro, completam 99,7 por cento. Abaixo do eixo, um exemplo numérico: alturas com média 1,73 metro e desvio padrão 0,07, com os valores 1,52, 1,59, 1,66, 1,73, 1,80, 1,87 e 1,94 sob as marcas.
Numa distribuição em forma de sino, o desvio padrão mede as faixas: 68% dos dados a menos de um desvio padrão da média, 95% a menos de dois, 99,7% a menos de três. O exemplo das alturas (média 1,73 m, desvio padrão 0,07 m) traduz as marcas em metros. Diagrama autoral.

Dispersão em contexto: notas, salários e o que o desvio padrão garante

Um desvio padrão pequeno diz mais do que parece: ele limita o tamanho de qualquer desvio. Como a variância é a média dos quadrados dos desvios, a soma dos quadrados é nσ2n\sigma^2, e nenhum quadrado isolado pode ultrapassar essa soma. Logo, nenhum dado pode estar a mais de σn\sigma\sqrt{n} da média. O ENEM de 2024 usou esse raciocínio: cinco grupos de 11 mulheres, com um quadro incompleto de idades (mínimo, máximo, média, mediana, moda e desvio padrão), e a pergunta de qual grupo certamente tinha a maioria entre 20 e 30 anos; no grupo com média 25 e desvio padrão 1, a soma dos quadrados dos desvios é 11×12=1111 \times 1^2 = 11, e uma única idade fora de [20,30][20, 30] teria desvio maior que 5 e quadrado maior que 25, impossível. Com média 25 e desvio padrão 1, todas as 11 idades estão entre 20 e 30. É o mesmo argumento com que uma coordenação lê o boletim: uma turma de 10 estudantes com média 7 e desvio padrão 0,5 tem soma dos quadrados 10×0,25=2,510 \times 0{,}25 = 2{,}5, e uma nota 4 (desvio 3, quadrado 9) é impossível; ninguém nessa turma está em recuperação.

A dispersão também fecha a história da média contra a mediana. Numa oficina com nove salários de R$ 2 000 e um de R$ 20 000, a média é R$ 3 800 e a mediana, R$ 2 000; o desvio padrão conta o resto. Desvios: −1 800-1\,800 (nove vezes) e +16 200+16\,200. Quadrados: 3 240 000×9=29 160 0003\,240\,000 \times 9 = 29\,160\,000 e 262 440 000262\,440\,000; soma 291 600 000291\,600\,000; variância 29 160 00029\,160\,000; σ=5 400\sigma = 5\,400 reais, maior que a média e quase três vezes o salário de nove das dez pessoas. Um desvio padrão desse tamanho avisa que a média não descreve ninguém: o conjunto tem um valor extremo que domina tudo, e a mediana é o resumo honesto. Quando a prova pergunta qual medida descreve “o salário típico” em situações assim, a resposta é a mediana; o desvio padrão e a amplitude aparecem como distratores que medem outra coisa, o espalhamento, e não o centro.

Desvio padrão negativo, variância na unidade errada e raiz esquecida

Três erros de fim de conta derrubam itens com a conta certa. Desvio padrão negativo não existe: se apareceu, houve erro de sinal num quadrado ou na raiz. Unidade: a variância está na unidade ao quadrado (min², kg², “bilhões de litros ao quadrado”, como o item de 2017 escreveu); o desvio padrão, na unidade dos dados. Raiz esquecida: quando o item pede o desvio padrão e compara com um limiar, ou se extrai a raiz da variância, ou se compara a variância com o limiar ao quadrado; comparar a variância com o limiar sem elevar ao quadrado é o erro mais comum do assunto (0,315 “é inferior a 0,70” por sorte; 39,539{,}5 “é superior a 6” também, mas por um motivo errado, e na próxima prova o limiar não perdoa).

Como a banca pergunta

Na 2.ª etapa, a dispersão está na matriz desde dezembro de 2022, herdada da 3.ª, e ainda não rendeu item: a estreia é provável, e o molde vem da 3.ª etapa, que tem sete itens em quinze anos. Eles cabem em cinco formatos.

  1. Variância em resposta numérica, com fator de escala (tipo B): a variância de quatro barras de um gráfico, vezes 100, desprezada a parte fracionária (2013/72, resposta 135). O trabalho é escolher as barras certas, fazer a tabela dado–desvio–quadrado e aplicar o fator por último.
  2. Desvio padrão contra um limiar (tipo A): “inferior a 0,70” com quatro barras (2018/119, certo); “superior a 6%” com seis barras escolhidas entre catorze (2019/120, certo). Compare a variância com o quadrado do limiar; não extraia a raiz.
  3. Variância em faixas (tipo C): quatro opções com faixas de 0,2 de largura (2017/117, “superior a 3,9”, opção D). A média exata importa; arredondar antes do fim troca a faixa.
  4. Variância amostral e o efeito de um dado novo (tipo B): a redução percentual da variância amostral quando se acrescenta um dado igual à média (2023/92, resposta 33). O divisor é n−1n - 1 porque o enunciado disse “amostral”; a razão entre as variâncias é a razão entre os divisores.
  5. Conceito (tipo A): o desvio padrão de uma progressão aritmética “é igual a zero” (2008/18, errado); “todas as populações estão em [m−s,m+s][m - s, m + s]” (2022/74, errado). Aqui a conta é curta e a ideia é tudo: só dados iguais têm desvio padrão zero; o intervalo de um desvio padrão contém a parte central dos dados, não todos.

Três avisos de formato. Primeiro, os dados vêm de gráfico, e o item recorta uma parte dele (“de 2000 a 2003”, “de 2008 a 2011”, “Argentina, Brasil, Chile, Equador, Peru e Uruguai”, “o decil mais produtivo”): leia o recorte antes de somar. Segundo, a banca costuma dar a média pronta em um item vizinho (“sabendo que a média é 26,2”) para outro uso; a média do recorte é outra, e tem de ser calculada. Terceiro, nos itens de limiar, confira se a escolha entre nn e n−1n - 1 muda o julgamento; quando não muda, não perca tempo com a dúvida; quando muda, a palavra “amostral” decide.

Os erros que mais derrubam

  • Dividir pela quantidade errada. Pelo número de dados (nn), não pela soma dos dados nem pelo número de linhas da tabela; n−1n - 1 só quando o item diz “amostral”.
  • Esquecer de elevar ao quadrado e somar desvios com sinal: a soma dá zero, e zero não é dispersão.
  • Comparar a variância com o limiar do desvio padrão sem elevar o limiar ao quadrado (ou sem extrair a raiz).
  • Desvio padrão negativo ou variância com unidade simples: sinal de conta errada.
  • Somar uma constante e achar que o desvio padrão muda. Ele não muda; só a média se desloca. Multiplicar por kk multiplica o desvio padrão por ∣k∣|k| e a variância por k2k^2.
  • Trocar de unidade sem elevar o fator ao quadrado na variância: metros para centímetros multiplica a variância por 10 000.
  • Comparar desvios padrão de escalas diferentes e concluir que “o maior varia mais”: use o coeficiente de variação.
  • Ler a amplitude como dispersão total: ela usa dois dados e ignora o resto.
  • Confundir regularidade de crescimento com ausência de dispersão: uma progressão aritmética tem desvio padrão proporcional à razão, nunca zero.
  • Achar que todos os dados cabem em [xˉ−σ,xˉ+σ][\bar{x} - \sigma, \bar{x} + \sigma]: o intervalo contém a parte central (68% numa curva normal; menos ou mais em outras formas), e os extremos ficam fora.
  • Aplicar o fator de escala cedo ou desprezar a parte fracionária antes do fim.
  • Tratar as linhas de uma tabela de frequências como dados: a frequência multiplica cada quadrado de desvio e o divisor é ∑fi\sum f_i.

O essencial em meia página

  • Amplitude: xmax⁡−xmin⁡x_{\max} - x_{\min}; usa dois dados; sensível a um extremo.
  • Desvio: xi−xˉx_i - \bar{x}; a soma dos desvios é sempre zero (conferência obrigatória).
  • Variância: σ2=∑(xi−xˉ)2n=∑xi2n−xˉ2\sigma^2 = \dfrac{\sum (x_i - \bar{x})^2}{n} = \dfrac{\sum x_i^2}{n} - \bar{x}^2; unidade ao quadrado; zero só se todos os dados são iguais.
  • Desvio padrão: σ=σ2\sigma = \sqrt{\sigma^2}; unidade dos dados; “distância típica” até a média; nunca negativo. Limiar: compare σ2\sigma^2 com o quadrado do limiar.
  • Amostral: s2=∑(xi−xˉ)2n−1s^2 = \dfrac{\sum (x_i - \bar{x})^2}{n - 1}, só quando o enunciado diz “amostral”; sempre um pouco maior que σ2\sigma^2. Dado novo igual à média: σ2\sigma^2 fica vezes nn+1\frac{n}{n+1}; s2s^2, vezes n−1n\frac{n-1}{n}.
  • Constantes: somar cc não muda σ\sigma; multiplicar por kk multiplica σ\sigma por ∣k∣|k| e σ2\sigma^2 por k2k^2 (troca de unidade, reajuste percentual).
  • Regularidade: menor σ\sigma, mais regular (mesma unidade e escala).
  • Coeficiente de variação: CV=σ/xˉCV = \sigma / \bar{x}, sem unidade, para comparar escalas e unidades diferentes; exige média positiva e zero significativo.
  • Dados agrupados: σ2=∑fi(xi−xˉ)2∑fi\sigma^2 = \dfrac{\sum f_i (x_i - \bar{x})^2}{\sum f_i}; a frequência multiplica, o total divide.
  • Leitura de gráfico: recorte as barras pedidas, monte a tabela dado–desvio–quadrado; histogramas com barras altas longe do centro têm σ\sigma maior; [xˉ−σ,xˉ+σ][\bar{x} - \sigma, \bar{x} + \sigma] contém a parte central (68% no sino), não tudo.
  • Garantia: ∑(xi−xˉ)2=nσ2\sum (x_i - \bar{x})^2 = n\sigma^2; nenhum dado se afasta da média mais que σn\sigma\sqrt{n}.
  • Na prova: média do recorte, desvios somando zero, quadrados, divisão por nn, fator de escala por último; “amostral” é a única senha para n−1n - 1.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Amplitude e Distância Interquartil
Portal da Matemática OBMEP · 11:33
Introdução. O professor Maurício Carvalho (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP, 1.º ano) mostra “3 amostras bem diferentes com exatamente a mesma moda, mediana e média” e conclui que as medidas de posição não bastam, apresentando a amplitude como primeira medida de dispersão: é a abertura desta página (“Mesma média, histórias diferentes”) e a seção da amplitude.
Variância e Desvio Padrão
Portal da Matemática OBMEP · 9:34
Aprofundamento. Na mesma série, a aula apresenta “as medidas de dispersão mais utilizadas na estatística: variância e desvio padrão”, com a definição pelos quadrados dos desvios e a raiz que devolve a unidade dos dados: são as seções “Variância: a média dos quadrados dos desvios” e “Desvio padrão: de volta à unidade dos dados”.
Desvio padrão amostral e vício
Khan Academy Brasil · 9:04
Aprofundamento. Vídeo dublado em português do Brasil que calcula o desvio padrão amostral a partir de um exemplo e justifica por que o divisor n − 1 aparece quando se estima a dispersão de uma população a partir de uma amostra: é a seção “Populacional ou amostral: quando dividir por n − 1”, a única senha para n − 1 nos itens do PAS.
Exercícios
Portal da Matemática OBMEP · 8:02
Aplicação. “Mais exercícios para fixar os conceitos adquiridos”: o professor resolve exercícios do bloco de medidas de dispersão do Portal da OBMEP, no roteiro média, desvios, quadrados, variância e raiz que os exemplos resolvidos desta página seguem.
Questão ENEM PPL 2019 — estatística descritiva — desvio padrão
Ed Academy · 5:02
Resolução. Resolve a questão do ENEM PPL 2019 do motorista novato (tempos 48, 54, 50, 46, 44, 52 e 49 minutos e uma tabela que classifica a variabilidade pelo desvio padrão), que está nos exercícios desta página: a conta completa da variância e do desvio padrão com sete dados e a leitura do resultado numa faixa, como nos itens de limiar da seção “Como a banca pergunta”.
Rota PAS 2
Contagem, probabilidade e estatística: decidir sob incerteza · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Contagem, probabilidade e estatística: decidir sob incerteza · Dispersão: o quanto os dados fogem do centro (conceito: amplitude, variância, desvio padrão, coeficiente de variação; Na prova; armadilha; checagem); O que cai daqui e Radar (dispersão sem item na 2.ª etapa; matriz desde dez/2022); Resolvidos no formato da prova (variância e desvio padrão, tipo B); Exercícios 13, 15 e 16; Banco de treino T15, T16 e T18; Síntese (dispersão)

    Recorte por assunto: só as medidas de dispersão. As medidas de centro e a leitura crítica de tabelas ficam na página anterior; probabilidade e contagem têm páginas próprias. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números e ordem desta página são próprios (linhas de ônibus, jogadoras, filhos por família, turmas de 20, alturas e massas).

  • Mapa de itens do bloco contagem / probabilidade / estatística do PAS 2 · Itens marcados VD: PAS 3 2008/18, 2013/72, 2017/117, 2018/119, 2019/120, 2022/74 e 2023/92 (variância amostral). PAS 2 2019/110 (modelos gaussianos, tipo C) ficou fora: a página só menciona a curva em sino na regra 68–95–99,7

    Mapa vinculante; os sete itens foram abertos na imagem do caderno (200 dpi) e as contas refeitas contra os gabaritos oficiais definitivos. O mapa dizia que o item 2013/72 multiplica a variância por 10; o caderno pede por 100 (gabarito 135).

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe), 3.ª etapa · PAS 3: 2008 (item 18), 2013 (item 72), 2017 (item 117, texto extraído cifrado, lido na imagem), 2018 (item 119), 2019 (item 120), 2022 (item 74), 2023 (item 92)

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nas classificações (classificacao-pas3/AAAA.json). Os gráficos impressos (cereais 2008, frota 2013, etanol 2017, TSE 2018, OEI 2019, etnias e desmatamento 2022, imigração 2023) foram descritos em texto neutro, com todos os valores, no campo de apoio de cada questão.

  • Cadernos em PDF (figuras e textos-base dos itens) · 2008-PAS3 p. 4 (gráfico I da produção de cereais); 2013-PAS3 p. 10 (gráfico da frota de veículos por 100 habitantes); 2017-PAS3 p. 18 (gráfico da produção de etanol, Brasil, EUA e mundo, 2006–2015); 2018-PAS3 p. 16 (gráficos do TSE, candidatos e eleitos por sexo); 2019-PAS3 p. 15 (gráfico da OEI, total e decil mais produtivo por país); 2022-PAS3 p. 11 (figuras I e II, etnias indígenas e desmatamento); 2023-PAS3 p. 11 (gráficos I e II, imigração mexicana e balança comercial)

    Numeração impressa no rodapé do caderno (nos PDFs de 2008 a 2019 a página do arquivo é uma adiante). Páginas rasterizadas a 200 dpi pelo escritor; todos os valores impressos (barras, rótulos, séries) foram lidos na imagem e transcritos nas questões.